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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA – UFSC

PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE


PRODUÇÃO – PPGEP
CURSO DE MESTRADO EM ERGONOMIA

AVALIAÇÃO DA CARGA MENTAL DE TRABALHO E DO


DESEMPENHO DE MÉTODOS DE MENSURAÇÃO:
NASA TLX E SWAT

Mariane de Souza Cardoso

Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação em Engenharia


de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina como requisito
parcial para obtenção do Título de Mestre em Engenharia de Produção –
Ergonomia.

FLORIANÓPOLIS – 2010
2

MARIANE DE SOUZA CARDOSO

AVALIAÇÃO DE CARGA MENTAL DE TRABALHO E O


DESEMPENHO DE MEDIDAS DE MENSURAÇÃO: NASA TLX E
SWAT

Esta dissertação foi julgada adequada para obtenção do grau de


Mestre em Engenharia de Produção e Sistemas, e aprovada em sua
forma final pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia de
Produção e Sistemas, da Universidade Federal de Santa Catarina.

Florianópolis, 27 de maio de 2010.

__________________________________________
Prof. Antonio Cezar Bornia, Dr.
Coordenadora do Programa de Pós Graduação em Ergonomia

_________________________________________
Professora: Leila Amaral Gontijo, Dra.
Orientadora

Banca Examinadora:

_________________________________________
Professora: Lizandra Garcia Lupi Vergara, Dra.
Examinadora - UFSC

_________________________________________
Professora: Ângela Regina Poletto, Dra.
Examinadora – IFSC

_________________________________________
Professor: Antonio Renato Moro, Dr.
Examinador - UFSC
3

AGRADECIMENTOS
À Deus por minha saúde e pelas pessoas maravilhosas que fazem
parte da minha vida.
À minha orientadora Professora Dra. Leila Amaral Gontijo, pela
dedicação de seu tempo, pela simplicidade e sabedoria no modo como
transmitia seu conhecimento, pela orientação e suporte oferecidos
sempre que necessário.
Ao CNPq, pelo apoio à minha formação.
À empresa Grameyer Equipamentos Eletrônicos e seus
representantes, pela receptividade e interesse em desenvolver pesquisas
nesta área, fato que demonstra a responsabilidade e preocupação da
empresa com a qualidade e bem estar de seus funcionários.
Ao Laboratório de Ergonomia (LABERGO), pelo trabalho em
equipe, pelas reflexões teóricas (ou não) e pelos momentos de
descontração, nosso cafezinho. Em especial, agradeço às sempre
amigas(os) Ângela, Paula, Agnaldo, José Cerafim, Cristina, Schirlei,
Eliane, Vivien Regina, Renato e todos os colegas com os quais tive a
oportunidade de compartilhar os bons momentos de estudos no
laboratório.
Ao meu esposo que sempre demonstrou que amar é
especialmente permitir que a pessoa amada possa se tornar sempre
melhor, mesmo que para isso tenha que estar distante algumas vezes. Eis
a prova de que o amor supera a distância e a saudade.
Agradeço ao meu pai (in memória), por ter sido exemplo de
heroísmo até o momento de sua morte e por ter me permitido
compreender que amor de pai é único e para sempre. “Pai mesmo que
distante eu te amo e agradeço por ter me proporcionado conhecimento
que levarei para a vida toda”.
Aos meus irmãos: David (in memória), que sempre foi motivo de
estímulo para meus estudos, sendo dois anos mais velho que eu, desde
criança no momento que ele aprendeu a escrever, com o intuito de me
estimular ao aprendizado dizia que escrever era uma “mágica”, algo que
eu também seria capaz de fazer. Aos irmãos, Mili e Thiago, que sempre
mantiveram o meu espírito de luta e conquista, pois por algum motivo,
ambos sempre demonstraram que se orientam na minha conduta e
comportamento para conduzirem suas próprias vidas. “Vocês nem
imaginam o quanto fazem parte de minhas conquistas...”
À minha mãe, que soube ser mãe e pai mantendo estrutura e a
capacidade de transmitir ensinamentos sábios, repletos de afeto e amor e
4

mesmo com todas as dificuldades que passamos sempre soube


transformar o sofrimento em força e dignidade, nos incentivando (a mim
e aos meus irmãos) de que seremos tudo o que queremos e nada será
capaz de nos limitar. Mãe você será eterna.
Aos demais colegas e familiares que estiveram comigo em algum
momento desta caminhada e que com certeza contribuíram de alguma
forma para esta conquista, muito obrigada.
5

RESUMO
CARDOSO, Mariane Souza. Avaliação da Carga Mental de Trabalho
e o Desempenho de Métodos de Mensuração: NASA TLX e SWAT.
Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção e Sistemas. Área de
Concentração: Ergonomia). Universidade Federal de Santa Catarina
(USFC), Florianópolis, 2010.

Este estudo avalia a carga mental para atividades desempenhadas


em empresa catarinense de geração de energia e busca comparar os
resultados da carga mental de trabalho encontrada a partir de dois
métodos de mensuração, atualmente os mais usados - NASA TLX e
SWAT. Antecedeu a avaliação da carga mental de trabalho uma análise
geral das condições de trabalho, da qual participaram 40 trabalhadores.
Com base nesta análise, identificou-se o setor de montagem de placas
eletrônicas como aquele com maior demanda mental. Avaliou-se a carga
mental exigida tanto pela atividade de montagem manual, quanto de
montagem automática de placas eletrônicas. Os resultados da avaliação
da carga mental evidenciaram que dentre as duas formas de execução da
atividade, as exigências mentais mostram-se maiores na atividade de
montagem manual. Os métodos de avaliação da carga mental aplicados
em estudos da ergonomia possibilitam conhecer sobre as capacidades e
limitações do trabalhador, características da organização do trabalho e
facilitam a apresentação quantitativa e qualitativa dos resultados. A
comparação do desempenho entre os dois métodos de avaliação da carga
mental, também se mostrou como uma investigação pertinente para o
campo da ergonomia, já que são poucos os estudos comparativos em
relação ao desempenho dos métodos. Na comparação do desempenho
geral entre os dois métodos, o método NASA TLX possibilita avaliar a
carga mental analisando diversas dimensões da situação de trabalho e,
apresenta vantagens quando comparado ao SWAT, pois pode ser
facilmente aplicado e mostrou-se com maior aceitação por parte dos
avaliados.

Palavras-chave: Ergonomia, Carga Mental, Métodos de Mensuração.


6

ABSTRACT
CARDOSO. Mariane Souza. Mental Workload’s Evaluation and
Measurement Performance: NASA TLX and SWAT. Dissertation
(Masters in System and Production Engineering) Concentration Area:
Ergonomy. Universidade Federal de Santa Catarina (USFC),
Florianópolis, 2010.

This study evaluates the mental workload in some activities in a


power generation company in Santa Catarina, Brazil, and seeks to
compare the results of mental workload from the two measurement
methods, currently used - NASA TLX and SWAT. Prior to the
assessment of mental workload an overview of working conditions,
attended by 40 workers, by this analysis was identified the sector of the
company where demanding of mental activities was the highest, in this
case, the sector of electronic boards assembly. Was evaluated the mental
workload required by the activity of manual assembly and the automatic
mount electronic boards. The results of the evaluation of mental
workload showed that among the two forms of activity’s execution, the
requirements appear to be higher on the mental activity manual
assembly. The methods for assessing mental load applied in studies of
ergonomics allow to know about the capabilities and limitations of the
worker, characteristics of work organization and facilitate the
presentation of quantitative and qualitative results. The comparison of
performance between these two methods of assessment of mental
workload showed how an investigation relevant to the field of
ergonomics, because there are few comparative studies regarding the
performance of the methods. When comparing the overall performance
between the two methods, the method allows to evaluate the NASA
TLX mental workload by analyzing various dimensions of the work
situation, and presents advantages when compared to SWAT, it can be
easily implemented and showed greater acceptance by evaluated.

Keywords: Ergonomics, Mental Workload, Measurement Methods


7

LISTA DE ILUSTRAÇÕES E QUADROS


Quadro 1 – Registros fotográficos e apresentação de resultados da
avaliação realizada através do método RULA.

Quadro 2: Comparativo dos resultados de carga mental obtidos através


dos métodos NASA TLX e SWAT
8

LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Arquitetura Cognitiva de Richard associada ao Conceito de
Carga Mental

Figura 2 – Modelo de arquitetura cognitiva proposto por Rassmussen

Figura 3: Exemplo de gráfico de composição do escore da taxa da carga


de trabalho

Figura 4 - Esquema de pesquisa

Figura 5 - Quadro com dados da escala de classificação das respostas do


instrumento utilizado na avaliação coletiva

Figura 6 – Operador executando a atividade de montagem manual de


placas eletrônicas

Figura 7 – Execução da montagem manual de placas eletrônicas

Figura 8 – Execução da atividade de montagem manual de placas


eletrônicas

Figura 9 – Execução da montagem automática de placas eletrônicas

Figura 10 - Gráfico comparativo entre as cargas dos sujeitos que


desempenham a atividade de montagem automática de placas eletrônicas

Figura 11 - Representação gráfica comparativa com resultados das


cargas apresentadas para cada sujeito – Montagem Automática

Figura 12 - Representação gráfica comparativa com resultados das


cargas apresentadas para cada sujeito – Montagem Manual

Figura 13 – Comparativo dos níveis de carga mental entre sujeitos da


montagem manual e automática.
9

LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Fatores de carga de trabalho propostos por Guéland et al.
(1975).

Tabela 2 - Síntese de conceitos e definições de carga mental

Tabela 3 – Categorias e definições dos métodos de avaliação de carga


mental de trabalho para Jorgensen (1999) e Sander e McCormick
(1993).

Tabela 4 - Parâmetros fisiológicos para medidas de carga mental de


trabalho

Tabela 5 – Principais medidas unidimensionais

Tabela 6 – Principais medidas multidimensionais

Tabela 7 – Critérios de validação para medidas de mensuração da carga


mental de trabalho, propostos por três autores:

Tabela 8 - Definição das seis dimensões que classificam a medida


NASA-TLX. Fonte: Manual NASA-TLX

Tabela 9 – Definições dos níveis de cada uma das três dimensões do


método SWAT - Fonte: Manual do método SWAT

Tabela 10 – Dados do Perfil da população avaliada através de


questionários de investigação sobre as condições gerais de trabalho

Tabela 11 - Perfil da população envolvida na segunda etapa da pesquisa


– avaliação da carga mental de trabalho

Tabela 12 - Resultados de carga e sobrecarga mental, obtidos através do


método NASA TLX

Tabela 13 - Resultados subscalas e sobrecarga em tarefa de montagem


automática de placas eletrônicas
10

Tabela 14 – Resultado geral da carga mental na atividade de montagem


automática

Tabela 15 – Resultado geral da carga mental na atividade de montagem


manual.

Tabela 16 – Resultados da avaliação da carga mental geral obtidos


através do método SWAT

Tabela 17 - Comparação de resultados da carga mental geral obtida


através dos métodos NASA e SWAT – Montagem Manual
11

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS


ISO International Organization Standardization

SWAT Subjective Workload Assessment Technice

NASA TLX NASA – Task Load Índex

PPRA Programa de Prevenção de Riscos no Ambiente

DSP Digital Signal Processing

RULA Rapid Upper Limb Assessment

SEPRO I Setor de Produção I

SENDE Setor de Engenharia de Desenvolvimento


12

SUMÁRIO
AGRADECIMENTOS 3
RESUMO 5
ABSTRACT 6
LISTA DE ILUSTRAÇÕES E QUADROS 7
LISTA DE FIGURAS 8
LISTA DE TABELAS 9
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 11
SUMÁRIO 12
1. INTRODUÇÃO 14
1.1 Problema e o contexto da pesquisa 14
1.2 Justificativa e relevância do estudo 18
1.3 Objetivos 19
1.3.1 Objetivo Geral 19
1.3.2 Objetivos Específicos 19
1.4 Estruturação do Estudo 20
2. REFERÊNCIAL TEÓRICO 21
2.1 Principais conceitos e definições da carga mental de trabalho no
âmbito da ergonomia 21
2.2 A importância da mensuração da carga mental de trabalho em
ergonomia 29
2.2.1 Ergonomia e a avaliação das condições gerais de trabalho 33
2.3 Métodos de mensuração da carga mental de trabalho 34
2.3.1 Características psicométricas das medidas de carga mental: ênfase
nos critérios de avaliação da qualidade na aplicação e nos resultados 41
2.4 Métodos mais usados para mensurar a carga mental 45
2.5 O método NASA TLX 46
2.5.1 Informações Gerais 46
2.5.2 Procedimento experimental 49
2.5.3 Procedimento de análise de dados 50
2.6 O método SWAT 51
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 54
3.1 Caracterização da pesquisa 54
3.2 Caracterização do local da pesquisa de campo 54
3.3 Caracterização da população 55
3.4 Procedimentos de pesquisa 58
3.4.1 Consultas a fontes bibliográficas 58
3.4.2 Instrumentos de coleta de dados em campo 58
3.4.2.1 Avaliação das condições gerais de trabalho (etapa 1): 61
13

3.4.2.2 Visita aos postos de trabalho 63


3.4.2.3 Entrevistas individuais 63
3.4.2.4 Avaliação da carga mental (etapa 2): 64
4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS 67
4.1 Análise de resultados da pesquisa de campo 67
4.1.1 Resultados da avaliação geral sobre as condições e características
do trabalho em estudo: a redefinição da demanda 67
4.1.2 Visita aos postos de trabalho 71
4.2 Resultados da avaliação da carga mental de trabalho 76
4.2.1 Resultados dos níveis de carga mental obtidos através do NASA
TLX - Montagem manual de placas eletrônicas 77
4.2.2 Resultado dos níveis de carga mental obtidos através do NASA
TLX – Atividade de Montagem Automática 78
4.2.3 Principais comparações de carga mental obtidas através do NASA
TLX – Montagem Manual e Automática de Placas Eletrônicas. 81
4.3. Resultados das avaliações de carga mental de trabalho obtidos
através do método SWAT – Comparativo entre montagem manual e
automática 84
4.4 Comparativo dos resultados e desempenho entre os métodos de
mensuração da carga mental de trabalho – NASA TLX e SWAT 86
4.5 Principais variáveis intervenientes à carga mental da população
estudada 90
5. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 91
REFERÊNCIAS 95
ANEXO 1 – Termo de aceitação de pesquisa 101
ANEXO 2 – Termo de aceitação e permissão ao uso dos métodos de
medidas para a mensuração de carga mental de trabalho (inclui registros
fotográficos) 104
ANEXO 3 – Instrumento de análise das condições gerais de trabalho
108
ANEXO 4 – Questionário para avaliação com administrado do RH da
empresa. 115
ANEXO 5 – Apresentação gráfica com resultados da primeira etapa da
pesquisa – resultados quantitativos 116
ANEXO 6 – Materiais do NASA TLX e do SWAT 126
14

1. INTRODUÇÃO

1.1 PROBLEMA E O CONTEXTO DA PESQUISA


Para Moraes e Mont’Alvão (1998), o principal objetivo da
ergonomia é “recuperar o sentido do trabalho, gerar o conhecimento
atuante e reformador que impede a alienação do trabalhador, valorizar o
trabalho como agir humano através do qual o homem se transforma e
transforma a sociedade, como livre expressão da sociedade criadora,
como superação dos limites pela espécie humana”. Para as autoras, a
realidade de trabalho, seu ambiente físico e social exercem sobre o
trabalhador determinados constrangimentos, exigindo-lhe um gasto de
energia física, mental, afetiva, emocional o que evolui, portanto, para
desgastes e custos ao trabalhador. Este custo humano é resultante de um
processo classificado como carga de trabalho e neste estudo se investiga,
em especial, o processo de carga mental de trabalho.
De acordo com Wisner (1987), podemos definir a ergonomia
como o conjunto de conhecimentos científicos relativos ao homem e
necessários para a concepção de ferramentas, máquinas e dispositivos
que possam ser utilizados com o máximo de conforto, segurança e
eficácia. Para o autor, a prática ergonômica é uma arte que utiliza
técnicas e se baseia em conhecimentos científicos, e que por fim
caracterizam-se por uma metodologia. Por isso, fazer ergonomia
significa contemplar todos os aspectos que envolvem essencialmente o
homem, sua satisfação e motivação para o trabalho.
O mesmo autor Wisner (1994), descreve que todas as atividades
de trabalho têm pelo menos três aspectos: físico, cognitivo e psíquico.
Cada um destes aspectos pode determinar o processo de sobrecarga e
um pode influenciar o outro. Na dimensão psíquica os distúrbios podem
se originar devido ao sofrimento e fadiga física, alterações nos ritmos de
trabalho, qualidade do sono prejudicada pela distribuição dos trabalhos e
sobrecarga cognitiva de trabalho. Velazques et al. (1995)
complementam que os aspectos acima citados estão interligados e
podem influenciar na carga de trabalho da seguinte forma: a carga física
relaciona-se ao esforço muscular, a carga cognitiva proveniente do
esforço mental e a carga psíquica relacionam-se com o componente
afetivo da tarefa.
Considerando-se que a ergonomia também busca estudar o
relacionamento entre o homem e seu trabalho e que a mesma contempla
15

todas as variáveis intervenientes nesse processo, dentre as quais o estudo


da carga mental no trabalho, torna-se importante investigar a carga
mental, já que esta exerce influencia direta na capacidade do homem em
utilizar suas habilidades e competências para exercer suas atividades.
Genericamente a exigência mental é observada onde quer que os
processos de experiência e comportamento humano ocorram. O termo
remete-se também ao cognitivo, informacional e aos processos
emocionais da existência humana, por isso abrangem desde aspectos
cognitivos (atenção, concentração, memória, percepção, tomada de
decisão) até aspectos emocionais, que abrangem afetos, sentimentos e
motivação para com o trabalho. O termo mental é usado porque estes
aspectos ocorrem de modo inter-relacionado e na prática, podem ou não
ser tratados separadamente.
De acordo com Leplat e Cuny (1977), é essencial compreender
que a carga mental é também caracterizada pela subjetividade com que
cada indivíduo interpreta as exigências do trabalho, as obrigações e
constrangimentos impostos ao trabalhador. A carga mental vem como
conseqüência do fato, do trabalhador executar a tarefa em si, levando-se
em conta toda a complexidade presente na realidade de trabalho. Neste
sentido, a carga mental não é apenas oriunda do trabalho, mas também
de outros fatores extrínsecos a tarefa, tais como: individuais, sócio
culturais (capacidade intelectual, idade, nível de instrução, formação
profissional, aprendizagem, experiência anterior) e ambientais (ruído,
calor e tóxico).
Segundo Dejours (1994), os problemas relativos à carga mental
de trabalho nascem das relações conflituosas entre a história do
indivíduo e a história da organização, levando-se em conta o trabalhador
e sua necessidade de realizar-se com o trabalho e, por outro lado, a
organização que tende à instituir um automatismo perfeito e adaptar o
trabalhador à sua tarefa.
Desta forma, compreende-se que a carga mental de trabalho
resume-se ao desempenho do trabalhador para com seu trabalho e
sempre que este trabalho exigir além das capacidades de desempenho do
trabalhador, o mesmo poderá sofrer um processo classificado como
sobrecarga de trabalho. Ressalta-se que o contrário também ocorre
sempre que o trabalhador tem suas capacidades subutilizadas, ou não
aproveitadas, como por exemplo, quando conhece muito além do que
seu trabalho exige. Tais situações dão origem ao que classificamos
como subcarga mental de trabalho, a qual se caracteriza pelo
constrangimento que sofre o trabalhador exposto a estas situações,
16

constrangimento este que pode comprometer o desempenho geral para o


trabalho e a saúde mental do trabalhador. Tal fato evidencia o quanto é
importante a consideração dos níveis de carga gerados pelas exigências
da atividade de trabalho, de modo a verificar se estes níveis são
aceitáveis.
Guerin et al. (2001), descrevem sobre a complexidade das
relações entre trabalho e saúde, sendo assim o estado de saúde de um
trabalhador não deve ser observado separadamente da organização de
trabalho em que atua ou de sua atividade profissional. Devem ser
levadas em consideração todas as situações de trabalho em especial as
que exigem do trabalhador esforços além de suas capacidades para
interagir no trabalho, capacidades tanto do ponto de vista físico, quanto
mental. Para estes autores o processo de análise ergonômica do trabalho
contribui muito para a identificação dos mecanismos agressivos a saúde
do trabalhador e conseqüentemente favorece o controle das situações
através de métodos de intervenção para a melhoria das condições de
trabalho.
Para Dejours (1980), a relação do homem com a organização do
trabalho pode influenciar nas cargas de trabalho de modo a alterar sua
saúde mental ou condições psíquicas. Entretanto, em especial nos casos
de organizações “patogênicas” o impacto deste problema na saúde
mental do trabalhador é mais comum e estes casos não podem ser
ignorados, haja vista que é importante preservar a característica de saúde
que o trabalho pode e deve oportunizar ao trabalhador. Dessa forma,
para o autor, a organização do trabalho, as políticas e os procedimentos
de uma empresa podem influenciar na suscetibilidade para o
desenvolvimento de doenças, pois o contexto organizacional no qual o
trabalhador se insere pode interferir na motivação, na atitude, no
comportamento, na satisfação e, portanto, na saúde do trabalhador.
Através da literatura nota-se que, os fatores organizacionais são
evidenciados em diversos estudos da ergonomia e proporcionam
conhecer além da tarefa prescrita a tarefa real, ou seja, o que o
trabalhador realmente vive na realidade de trabalho, suas estratégias e
manobras para atingir os resultados.
Dejours (1994) refere-se à atividade laboral como “um espaço
possível de investimento dos nossos impulsos”, se o trabalhador
encontra na organização do seu trabalho um espaço que permite-lhe
investir, estabelecer metas, construir uma auto imagem e uma história de
vida positiva, o trabalho torna-se fonte de prazer, realização e equilíbrio
17

psíquico e somático. Caso contrário, o trabalho torna-se sofrimento que


repercute em seu nível de satisfação, desempenho e saúde.
Um aspecto que merece ser destacado é que os componentes
físicos da carga de trabalho são relativamente fáceis de serem
conceituados, mensurados e avaliados. Por outro lado, os componentes
da carga mental de trabalho são complexos para serem conceituados,
mensurados e posteriormente avaliados, tal fato determina a razão pela
qual, muitas vezes se deixa de lado o processo de análise da carga
mental de trabalho. (Manual do NASA TLX, 1987). As atividades com
maior exigência mental, quando avaliadas, tendem a ser enfatizadas
pelas características de personalidade dos indivíduos e nem sempre são
confrontadas com a atividade real de trabalho, confronto este que é
essencial para uma análise ergonômica de qualidade.
O estudo de métodos para a avaliação da carga mental de trabalho
em sua aplicabilidade e desempenho apresenta-se como um importante
acontecimento para a ergonomia, que abrange dentre alguns aspectos a
preocupação com a saúde e segurança do trabalhador. Os métodos de
acesso à carga mental de trabalho já vêm sendo propostos e estudados há
alguns anos em países como EUA, França e Inglaterra e favorecem o
controle nos níveis de cargas de trabalho (carga mental e física) e em
relação aos erros e acidentes em sistemas operacionais complexos.
Observa-se, através da literatura, que os métodos mais indicados
para a mensuração da carga mental de trabalho, são os subjetivos e
destes os mais indicados são: o NASA TLX e o SWAT. Entretanto, a
maioria dos estudos, em que se utilizam tais métodos foram
desenvolvidos apenas através de simulações de determinadas situações
de trabalho, não em situação real. A situação de trabalho a qual se refere
este estudo é a inter-relação entre o trabalhador e as variáveis
intervenientes em sua atividade de trabalho em empresa de soluções em
energia, que se interessou em estudar o custo humano, enfatizando o
desgaste mental dos operadores deste setor.
Diante do exposto, procura-se responder as seguintes perguntas
de pesquisa:
• Qual o desempenho dos métodos: SWAT e NASA TLX
aplicados a situação real de trabalho em empresa de geração de energia?
• Qual dos métodos contempla com maior abrangência e eficácia a
carga mental de trabalho?
18

1.2 JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DO ESTUDO


Sabe-se que, com os passar dos anos e o desenvolvimento
tecnológico, algumas situações de trabalho vem sofrendo alterações que
acompanham a implantação de tecnologia no trabalho, especialmente
novos sistemas automatizados e informatizados, contribuindo para a
redução de esforço biomecânico1 no trabalho. Com isso, em alguns
casos pode ocorrer um aumento de exigências em relação às habilidades
cognitivas2, habilidades exigidas na execução de determinadas
atividades. Nos casos em que as exigências do trabalho são
predominantemente mentais, tem-se o alívio do corpo, mas recomenda-
se que o trabalhador receba treinamento e orientação constantes até que
possa executar suas atividades utilizando-se seguramente de sua
capacidade mental, de modo a atender as exigências impostas por seu
trabalho. A partir deste enfoque evidencia-se a necessidade de
priorização de ações que viabilizam a compreensão da gênese de fatores
que alteram as cargas de trabalho, para que se possa, posteriormente,
planejar ações preventivas.
Segundo Guélaud et al. (op. cit., 1975), a carga mental de
trabalho é um dos fatores pertinentes na avaliação de carga de trabalho.
Para os autores existem pelo menos quatro fatores que caracterizam a
carga mental de trabalho, dentre os quais: constrangimento de tempo,
complexidade-rapidez, atenção e minúcia. Já os demais fatores que
abrangem a carga de trabalho referem-se ao ambiente físico (ruído,
temperatura, iluminação, vibrações), cargas físicas (esforços e
movimentos no trabalho, posturas de trabalho e de repouso) e a carga
psíquica que abrange a necessidade de valorização e estima.
Por isso, também justifica este estudo o interesse em identificar
dentre os setores de empresa catarinense de geração de energia, qual
deles apresenta atividades com maior demanda mental, para que estas
sejam analisadas através de métodos específicos e revistas de modo a

1
Esforço Biomecânico: presente em atividades onde o trabalhador atua exercendo esforço
físico, aplicando força e movimentação corporal.
2
A habilidade refere-se à capacidade do indivíduo em operar, eficientemente na esfera
cognitiva, determinados tipos de informação. Desta forma as pessoas diferem cognitivamente
não apenas umas das outras, mas também cada uma delas apresenta habilidades cognitivas em
grau diferenciado. Estudam-se as habilidades dos seres humanos que são definidas como
matriz comportamental, as quais são acessadas através de métodos de mensuração, conhecidos
como métodos psicométricos (mensuram aspectos psíquicos).
19

proporcionar estratégias de regulação evitando-se a sobrecarga mental


durante a realização das atividades.
Ressalta-se que a International Organization Standardization
(ISO) vem intensificando os estudos sobre os métodos de mensuração
da carga mental de trabalho, com o intuito de conquistar uma
padronização entre eles, considerando métodos nos quais vários índices
fisiológicos provocam efeitos, como fadiga, monotonia, e que são
associados com a carga de trabalho mental (ISO, 1996). Tal interesse e
incentivo também reforça a importância e preocupação em se estudar a
carga mental de trabalho.
Do ponto de vista teórico, observa-se vasta literatura referente à
trabalhos com ênfase na mensuração de carga mental de trabalho
(mental workload), dentre os quais destacam-se os que abrangem a
importância em se estudar a carga mental comparando-se seus
resultados aos níveis de produtividade, aos índices de acidentes,
absenteísmo e qualidade de vida no trabalho (MIYAKE, 2001; SATO et
al., 1998). Entretanto, o fato das cargas de trabalho e, especialmente a
carga mental, influenciarem diretamente no desempenho das atividades
e, de uma maneira geral, na freqüência maior ou menor de dificuldades,
erros, incidentes ou até acidentes e redução da qualidade na execução do
trabalho, indicam sobre a importância de realizar a avaliação do nível de
carga mental apresentados por trabalhadores que desempenham
atividades com alto nível de exigência mental.
E dentre os métodos mais indicados, os subjetivos se destacam, e
são representados neste estudo pelo NASA TLX e pelo SWAT.
Contudo, ambos não são aplicados com frequência em situações reais de
trabalho, uma das razões pela qual apresenta-se o interesse em aplicá-los
neste estudo utilizando-os em situações reais de trabalho.
1.3 OBJETIVOS

1.3.1 Objetivo Geral


Avaliar a carga mental de trabalho em atividade de em uma
empresa catarinense de soluções em energia, visando à identificação de
variáveis intervenientes na carga mental.
1.3.2 Objetivos Específicos
• Identificar e descrever as principais exigências ou custo humano
para a execução das atividades com maior demanda mental;
20

• Avaliar o desempenho de métodos de mensuração, visando


identificar qual das medidas utilizadas melhor se aplica a população
avaliada;
• Avaliar a carga mental em situação real de trabalho;
• Verificar a aplicabilidade dos métodos subjetivos propostos em
atividade real de trabalho.
1.4 ESTRUTURAÇÃO DO ESTUDO
Esta dissertação está dividida em 5 capítulos:
O primeiro capítulo introduz a pesquisa e trata do problema de
pesquisa, esclarecendo-se as perguntas de pesquisa, bem como a
justificativa e objetivos propostos através do estudo.
No segundo capitulo apresenta-se o referencial teórico e a
produção de conhecimento sobre a carga mental de trabalho. Aborda-se
conceitos e aspectos que refletem sobre a importância e evolução de
estudos da temática em ergonomia e outras informações como:
características das medidas de mensuração da carga mental e descrições
sobre as medidas selecionadas para este estudo;
No terceiro capítulo aborda-se os procedimentos metodológicos
adotados para a realização da pesquisa;
No quarto capítulo apresenta-se a análise e discussão dos
resultados.
No quinto capítulo descreve-se as conclusões e recomendações
sobre o estudo.
21

2. REFERÊNCIAL TEÓRICO

2.1 PRINCIPAIS CONCEITOS E DEFINIÇÕES DA CARGA


MENTAL DE TRABALHO NO ÂMBITO DA ERGONOMIA
O conceito de carga mental do trabalho é um produto conceitual
originado da noção de carga de trabalho, entendida genericamente como
um campo de interação entre as exigências da tarefa e a capacidade de
realização humana. O termo também é oriundo da Psicologia do
Trabalho, conforme proposto por Leplat e Cuny (1983), tal conceito é
retomado pela ergonomia francesa e pelo Human Factors norte
americano e difundido no campo da Psicopatologia do Trabalho e da
Saúde do Trabalhador.
Welford (1977, p. 283-304) descreve sobre a facilidade que há
em definir o conceito fundamental de carga mental de trabalho, a partir
de uma analogia com a carga de trabalho observada nos esforços
musculares. Para tanto, o autor cita dois exemplos: no primeiro, o
sujeito faz uma força máxima instantânea sobre uma carga pré-
estabelecida, no segundo, verifica-se a quantidade de trabalho executada
em um período, determinando assim as taxas de carga de trabalho
muscular, nos dois casos, a cargas dependem da interação das exigências
das taxas e da capacidade do sujeito. A performance do sujeito é
limitada pelas exigências da taxa, ou o operador vence as taxas ou as
taxas são maiores que a capacidade do operador, a carga mental de
trabalho funciona de modo análogo.
De acordo com Guéland et al.(1975), a carga mental de trabalho é
derivada da carga de trabalho e não depende apenas de fatores
característicos da tarefa ou atividade, mas também de fatores externos,
tais como: culturais, sócio-culturais, capacidade intelectual ou nível de
conhecimento, capacidade psicomotora, formação profissional,
experiência anterior e fatores ambientais (ruído, calor, luminosidade,
outros). Por isso, a carga mental dependerá tanto das exigências do
trabalho, quanto da capacidade do trabalhador em realizar seu trabalho.
Para os autores essa é a principal razão pela qual os ergonomistas devem
investigar o trabalho considerando todo e qualquer aspecto interveniente
na carga de trabalho. Os autores também facilitam a compreensão da
complexidade que abrange as cargas de trabalho, como pode ser
observado na tabela 1:
22

Tabela 1 – Fatores de carga de trabalho por Guéland et al. (1975).

Ambiente
Carga Física Carga Mental Carga Psíquica Horário
Físico

Consideração
Constrangimento
Ruído Deslocamentos ou estima dos Duração
de tempo
colegas
Complexidade
Temperatura Manutenção Iniciativa Estrutura
Rapidez
Esforços
Postura de
Iluminação trabalho Atenção Comunicação
Postura de
repouso
Vibração Minúcia

Fonte: Guéland et al (1975).

Através da tabela 1 observa-se, que são diversos os aspectos que


compõe a carga de trabalho e que a carga mental é derivada da carga de
trabalho. Entretanto, para descrever, em especial, sobre a carga mental e
aspectos que a compõem faz-se necessária uma breve descrição sobre
alguns conceitos e definições de termos comumente utilizados e
associados à carga mental, dentre eles: carga psíquica, carga mental e
carga cognitiva. Desta forma, apresenta-se através da Tabela 2, uma
síntese contendo conceitos e definições associadas à carga mental.
Tabela 2 - Síntese de conceitos e definições de carga mental
Conceitos Definições
Cargas que se relacionam aos aspectos afetivos presentes no trabalho
ou a significação do trabalho para quem o realiza. Também se
Carga Psíquica
relaciona ao modo como o trabalhador se afeta com o trabalho que
desempenha.
Refere-se às cargas advindas das exigências cognitivas das tarefas. O
Carga Cognitiva uso da memória, da percepção, atenção, concentração, raciocínios e
tomada de decisões relacionadas com a tarefa.
Contempla aspectos psíquicos e cognitivos abrangendo os conceitos da
Carga Mental
carga psíquica e cognitiva ao mesmo tempo.
Fonte: Autora

A tabela com a síntese sobre os conceitos e suas definições


possibilita maior compreensão sobre as cargas que envolvem o desgaste
23

mental no trabalho, além da síntese apresenta-se descrições de


renomados autores em relação às cargas.
As cargas psíquicas dizem respeito à vivência de tensões ou
descompensações psicológicas relativas à organização. Do ponto de
vista conceitual, a noção de carga psíquica encontra especificidades
operacionais entre os principais autores da psicologia do trabalho, da
ergonomia e da saúde do trabalhador, devido ao grau de complexidade
teórica que lhe é atribuído.
Segundo Facchini (1994), as cargas psíquicas são derivadas
principalmente dos elementos do processo de trabalho que são fonte de
estresse, elas se relacionam com todos os elementos do processo de
trabalho e, portanto, com as demais cargas de trabalho. No entanto, em
termos mais específicos, a principal fonte de estresse nos processos de
trabalho moderno pode ser localizada em nível da organização e divisão
do trabalho.
Enquanto que, para Greco (1996), são as cargas relativas à
organização da jornada de trabalho, à periculosidade do trabalho, à
freqüência de situações de emergência, ao grau de responsabilidade na
resolução dessas situações, aos ritmos de trabalho, à pressão do tempo,
ao grau de atenção e de mobilidade dentro do local de trabalho, à
possibilidade de falar com os companheiros de trabalho, de tomar
iniciativas e decisões a respeito de como realizar o trabalho em grupo,
ao conteúdo da supervisão, ao grau de monotonia e a repetitividade das
tarefas, ou a possibilidade de realizar atividades de defesa coletiva de
trabalho.
Já Laurell e Noriega definem:
“As cargas psíquicas, finalmente, tem o mesmo
caráter que as fisiológicas na medida em que
adquirem materialidade através da corporeidade
humana. As cargas psíquicas, pensadas, sobretudo
em função de suas manifestações somáticas e não
tanto psicodinâmicas, podem provisoriamente ser
agrupadas em dois grandes grupos: um, que
abrange tudo aquilo que provoca uma sobrecarga
psíquica, ou seja, situações de tensão prolongada e
outro, que se refere à subcarga psíquica, ou seja, a
impossibilidade de desenvolver e fazer uso da
capacidade psíquica.

Exemplos das primeiras características do


processo de trabalho capitalista podem ser a
24

tensão permanente, a supervisão com pressão, a


consciência da periculosidade do trabalho, os altos
ritmos de trabalho, etc... Pertence ao segundo
grupo de questões a perda do controle sobre o
trabalho ao estar o trabalhador subordinado ao
movimento da máquina; a desqualificação do
trabalho, resultado da separação entre a sua
concepção e execução; a parcialização do
trabalho, que redunda em monotonia e
repetitividade etc”. (LAURELL e NORIEGA,
1989, p.112).
Para Dejours (1993, P. 28), “a carga psíquica do trabalho é a
carga, isto é, o eco da pressão que constitui a organização do trabalho. A
carga psíquica do trabalho resulta da confrontação do desejo do
trabalhador à injunção do empregador contida na organização do
trabalho”. Em relação ao mesmo conceito, o autor faz complementações
e aproxima a Psicopatologia do Trabalho da Ergonomia, visto que
considera a carga de trabalho um dos principais conceitos para ambas.
Wisner define que:
“a carga psíquica pode ser definida em termos de
níveis de conflitos no interior da representação
consciente ou inconsciente das relações entre a
pessoa (ego) e a situação (no caso a organização
do trabalho). Mas ela é também o nível em que o
sofrimento e a fadiga física, a falta de sono
provocada pela distribuição dos períodos de 24
horas, a sobrecarga de trabalho cognitivo podem
determinar distúrbios afetivos “(WISNER, 1994,
p.13).
Observa-se que os autores concordam quanto à origem da carga
psíquica de trabalho, ou seja, são produzidas na organização do trabalho.
De acordo com Seligmann-Silva (1994), em seu texto “A Carga
Psíquica de trabalho” publicado originalmente em 1980. Refere-se,
essencialmente a um texto de elaboração conceitual, no qual se
apresenta o caráter qualitativo e dinâmico da não mensurável “carga
psíquica”. Não mensurável justamente por representar a subjetividade
do trabalhador. Mas real enquanto vivência articulada às exigências ou
pressões do trabalho cotidiano.
Para Velázquez et. al. (1995), o trabalho mental implica
mecanismos mentais de decisão e tratamento da informação, em que são
25

utilizadas estruturas superiores, como atenção, pensamento e


memorização. Os autores propõem dois tipos de trabalho mental: os
qualificados e os pouco qualificados. No primeiro, a sobrecarga aparece
pelo uso excessivo de funções cognitivas e intelectuais. No segundo, a
subcarga surge devido à utilização exagerada dos mecanismos sensório-
motores, com pouco aproveitamento das estruturas superiores,
acarretando diminuição das funções intelectuais, já que o tipo de
trabalho executado implica pouco ou nenhum compromisso mental,
tornando-se repetitivo e monótono. Na sobrecarga, porém, o trabalho
mental torna-se absorvente, excedendo os limites toleráveis pelo
trabalhador.
Entretanto, a utilização do conceito de carga de trabalho,
independente de sua natureza não é uma unanimidade entre os
ergonomistas. Montmollin (1990, p.8), por exemplo, salienta que as
diferenças entre a ergonomia cognitiva dos componentes humanos
cognitivos e a ergonomia cognitiva da atividade humana, citando os
estudos de sobrecarga mental de trabalho: “em recente revisão sobre o
tema, não encontrei qualquer referência a medidas de carga de trabalho
relativas a um trabalho real, dentro de circunstâncias reais (à exceção de
estimativas subjetivas de pilotos de avião, julgadas sem validade). O
objetivo seria definir cientificamente os resultados generalizáveis sobre
os limites do organismo humano, também do ponto de vista mental, na
observação de performances, bem simples realizadas em situação de
laboratório”.
Montmollin (1990) aponta a perplexidade do ergonomista que se
interessa pela atividade de trabalho, diante destes estudos, pois ele não
sabe dizer exatamente o que fazer: o significado da palavra trabalho
apresenta-se como ambíguo. Para os psicólogos experimentais significa
simplesmente realizar uma tarefa, delimitada, curta, sem relação a
qualquer contexto. Para o ergonomista a atividade laboriosa é a que ele
observa nas oficinas, nos escritórios, nas salas de controle. Como regra
geral os erros, acidentes, disfunções diversas que se constata são
resultado, não de uma “carga” demasiada, mas, dentro de limites de
carga aceitáveis, raciocínios, compreensões, comunicações e estratégias
inadequadas. Não se busca, portanto medir o ocorrido, mas compreende-
lo; não para aliviar, mas para ajudar. O mesmo autor, em seu livro:
Vocabulaire de L’Ergonomie de 1995, apresenta a mesma postura
crítica de 1990, que também expressam suas contribuições acerca deste
assunto. As principias críticas são:
26

“A primeira crítica é técnica. Nenhum dos índices


fisiológicos imaginados (freqüência cardíaca,
movimento dos olhos, etc.) relacionados às vezes
a um hipotético “nível de ativação” do cérebro
não apresentam nem sozinhos nem em associação
uma confiabilidade interna e ainda menos uma
validade externa suficientes em critérios
científicos”. Complementa esclarecendo que os
únicos índices ainda que sejam pouco estáveis
(são índices não científicos) parecem ser
problemas de escalas subjetivas de carga”
(MONTMOLLIN, 1995, p.43).
Montmollin, (1995), cita que nos vários estudos publicados é
feita a hipótese, quase sempre implícita que é lícito falar de carga mental
fazendo referência aos recursos onde à natureza não muda em função
das tarefas. O autor reforça que a sensibilidade dos índices varia
significativamente em função do tipo de tarefa, sem que tenha sido
3
possível elaborar uma taxionomia tão pouco estabilizada. Estas
constatações permitem colocar fortemente em dúvida a generalização
das situações reais de dados quase que exclusivamente obtidos a partir
de tarefas muito simples realizadas em situações de laboratório.
De fato generalizar situações de laboratório para a realidade é
delicado. Neste ponto, entende-se que os métodos e instrumentos de
carga devam ser explorados em situações reais, construindo-se a partir
daí o conhecimento. Ressalta-se sobre as diferenças de opinião entre
Moray (1988) e Montmollin (1995). O primeiro afirma que os índices
subjetivos de carga foram o maior avanço em termos de instrumentação
para acesso à mesma, enquanto Montmollin (1995) comenta serem estes
índices não científicos. Cada qual com sua razão através da qual
expressam o parecer em relação à subjetividade que compõe as cargas
de trabalho.
Para os autores Guérin et al.(2001, p. 139), “do ponto de vista da
análise, uma vez que se introduz implicitamente a uma noção de escala,
senão de métrica: haveria maior ou menor carga de trabalho, e esta seria,
portanto, mensurável. De fato, se é possível medir elementos
constitutivos da carga de trabalho (número de documentos a processar,
peso da carga a transportar, etc., sabendo que esses documentos podem

3
Taxionomia: relativo à taxionomia ou a mais de uma palavra que possa ter o mesmo
significado (Fonte: www.priberam.pt)
27

ser mais ou menos difíceis de processar, essas cargas mais ou menos


volumosas ou fáceis de pegar), não se pode deduzir um indicador
sintético que permita comparar simplesmente uma situação com outra”.
Mesmo considerando a tradução da carga de trabalho para o operador,
toda medida leva a isolar componentes das funções fisiológicas ou
psicológicas mobilizadas. Algumas destas funções se traduzem
eventualmente por indicadores mensuráveis (freqüência cardíaca, por
exemplo), mas estes são parciais e nunca passíveis de serem
apresentados como um indicador geral.
De acordo com os textos descritos por Motmollin (1995, p.43),
expressa-se à vantagem ou não de se adotar uma concepção linear e
aditiva de carga: “A carga mental é sempre considerada uma quantidade
contínua e homogênea, portanto é importante medir a evolução a fim de
determinar um limite de sobrecarga”. Porém, admitindo-se essa
concepção linear e aditiva da carga, ela apresenta o perigo de subestimar
o interesse do que se passa antes da sobrecarga. Com efeito, a
imprecisão e arbitrariedade da medida do limite bem como não levar em
conta a duração levam ao risco de negligenciar a fadiga cumulativa real.
Observou-se que Montmollin não refere em sua bibliografia, a
textos relacionados aos métodos mais recentes de acesso à carga mental
como o NASA-TLX e o SWAT, talvez por que ambos vêm sendo
utilizados com maior freqüência em estudos mais recentes. Tais
métodos prevêem uma ponderação da carga em torno realização
individual da tarefa: “Inversamente, a concepção aditiva da carga
conduz ao risco de assimilar muito rápido a carga à fadiga, esquecendo
que é freqüentemente mais desejável realizar um trabalho fatigante, mas
interessante e estimulante, do que um trabalho menos fatigante, mas
tedioso” (MONTMOLLIN, 1995, p.44).
Por fim, Montmollin refere sobre as relações entre a carga e a
competência do operador: “Parece bem mais realista abandonar a
concepção aditiva e linear da carga por considerar que uma mesma
4 5
tarefa prescrita pode dar lugar a atividades muito diferentes de acordo

4
Tarefa: Do ponto de vista da ergonomia, corresponde em primeiro lugar, a um conjunto de
objetivos dados aos operadores, e a um conjunto de prescrições definidas externamente para
atingir esses objetivos particulares. Conforme o caso ela integra em maior ou menor grau a
definição de modos operatórios, instruções e normas de segurança. Ela também especifica as
características do dispositivo técnico, do produto a transformar ou do serviço a prestar, o
conjunto dos elementos a levar em conta para atingir os objeti vos fixados. Em segundo lugar a
tarefa é um principio que impõe um modo de definição do trabalho. Tal conceito esta associado
à necessidade de estabelecer métodos de gestão que permitam definir e medir a produtividade
28

com as competências do operador. Este é o motivo pelo qual não parece


viável tentar medir um limite de sobrecarga antes de ter tomado todas as
medidas possíveis, por uma análise qualitativa a fim de melhorar a
relação entre a tarefa que pode ser simplificada e o saber fazer, às vezes
insuficientes de uma formação superficial” (MONTMOLLIN, 1995,
p.44).
Para facilitar a compreensão Montmollin cita como exemplo a
diferença entre a carga mental do estudante brilhante e do estudante
mediano. O estudante mediano freqüentemente tem uma carga mental
maior para obter aqueles resultados que são facilmente obtidos pelo
gênio. A partir disso, ressalta-se que, na ergonomia, também são
consideradas as características e limitações pessoais. Entretanto, a
utilização dos métodos de mensuração das cargas e seus resultados, só
terão sentido quando associados às características da atividade. Na
prática, além dos métodos refletirem características pessoais, reflete
também características da atividade que o trabalhador exerce e, por
exemplo, se o trabalhador tem completo conhecimento e domínio sobre
o seu trabalho, ou se são necessárias adaptações neste âmbito.
Dessa maneira, a “carga mental” pode ser melhor explorada,
quando comparada com a realidade de trabalho em que o trabalhador
atua. Por isso, em ergonomia, não se pode limitar apenas a uma
concepção quantitativa do esgotamento de recursos, para acessar ou
introduzir a noção de carga mental. Investigar sobre a carga mental de
trabalho corresponde a fenômenos bem conhecidos no mundo do
trabalho e que engloba a subjetividade de cada trabalhador, o sentimento
subjetivo de ser excluído, de ser incapaz, enfim sentimentos com
características mais emotivas do que estritamente relativas à fadiga
mental.
Numa perspectiva de avaliação da subjetividade do trabalhador
com seu trabalho e com base nos conceitos e definições que compõe a
carga mental de trabalho (carga cognitiva e carga psíquica), retoma-se
que considerar aspectos mentais no trabalho, significa considerar os
aspectos cognitivos e psíquicos implícitos. Por isso, recomenda-se que
além da quantificação da carga se faça a qualificação dos resultados

decorrente da relação entre os gestos dos operadores e as ferramentas mecânicas de produção


(GUERIN et al, 2001).
5
Atividade: Vista como um conjunto de fenômenos, tais como: fisiológicos, psicológicos,
psíquicos, que caracterizam o ser vivo cumprindo atos. Tais atos resultam de um movimento do
conjunto homem (corpo, pensamento, desejos, representações e história) adaptado a este
objetivo. No caso do trabalho o objetivo da atividade é socialmente determinado. Sem a
atividade humana não há trabalho, mas pode haver uma produção.
29

investigando-se os aspectos da carga mental presentes na realidade de


trabalho, dentre os quais: afetos, motivação e capacidade de utilização
da cognição para o trabalho.
Do ponto de vista da transformação das situações de trabalho, a
noção de carga leva a recomendações em termos de efetivo, ou de
volume de trabalho solicitado. “A ação ergonômica não traria nesse caso
um ponto de vista novo a empresa” (Guérin et al. 2001, p.139-140). Os
mesmos autores, entretanto não negam a realidade da carga de trabalho e
preservam a importância em se considerar à identificação das margens
de manobra, pois permitem ao operador elaborar modos operatórios para
atingir seus objetivos com um custo menor. Porém na visão do autor
este tipo de identificação não é atingido através de uma simples análise
do trabalho, e sim da descrição e explicação dos mecanismos colocados
em jogo, o que é de fato a finalidade da análise completa da atividade.
(GUÉRIN et al. 2001).
Observa-se através dos diversos conceitos, que a utilização da
noção de Carga Mental no contexto ergonômico não se apresenta como
unânime. Entretanto, a esta visão, se contrapõe a visão de Moray (1986),
que acena com a possibilidade da construção de uma teoria unificada de
Carga de Trabalho, a qual proporciona maior clareza na definição de
carga mental, bem como viabilizará não só analisar os componentes da
carga, mas também, prever o seu comportamento. O mesmo autor não
esconde o quanto ainda se está longe desta possibilidade, mas faz
ressalvas para as enormes vantagens na construção deste caminho.
2.2 A IMPORTÂNCIA DA MENSURAÇÃO DA CARGA
MENTAL DE TRABALHO EM ERGONOMIA
Sabe-se que muitos estudos vêm sendo realizados, com os quais a
ergonomia também pode contribuir, na medida em que considera a carga
mental como um dos aspectos que compõe a análise do trabalho. Diante
disso, também relembra-se sobre a importância da utilização de métodos
complementares a avaliação da carga mental para se obter mais
informações sobre as características gerais das atividades, informações
estas que, quando obtidas anteriormente à avaliação da carga mental,
facilitam a compreensão sobre as exigências gerais que a atividade
impõe ao trabalhador.
Para Seligman-Silva (1994) o estudo da atividade do trabalho,
meio da realização teórica e metodológica da Ergonomia como ciência e
tecnologia, abrange o processo de realização humana no trabalho, tendo
em vista as condições de trabalho, os meios de produção e os resultados
30

derivados. Relembra-se que uma situação de trabalho significa um


conjunto complexo que inclui as condições físicas, químicas e
biológicas do ambiente de trabalho; os aspectos técnicos; a organização
prescrita e a organização real das atividades de trabalho, bem como a
gestão das mesmas a caracterização dos canais formais de comunicação
e das relações interpessoais. Nesse sentido, um diagnóstico da situação,
com base em recomendações ergonômicas, deve investigar também
aspectos da carga mental e refletir a necessidade de aperfeiçoar o
processo de conhecimento e de mudanças na organização do trabalho,
com o intuito de se promover o conforto, o comportamento seguro e a
saúde do trabalhador, influenciando desta forma, em sua qualidade de
vida no trabalho.
Com o intuito de contextualizar os estudos da carga mental na
ergonomia relembra-se sobre o crescente desenvolvimento tecnológico,
com o qual cresce também a importância da chamada Ergonomia
Cognitiva. Este ramo da Ergonomia trata dos aspectos cognitivos
relacionados à atividade e conseqüentemente ligados aos aspectos
mentais presentes na realidade de trabalho. Na ergonomia cognitiva, um
conceito comumente utilizado é o de Arquitetura Cognitiva. Entende-se
por arquitetura cognitiva a descrição dos diferentes elementos que
constituem o sistema cognitivo e suas relações. Trata-se de uma
arquitetura funcional em que, de um lado, não conhecemos as estruturas
neuroanatômicas que correspondem a estes elementos e, de outro lado, é
incerto que exista uma correspondência entre os elementos da
arquitetura funcional e as estruturas neuroanatômicas que são seu
suporte.
A utilização de arquiteturas cognitivas associadas ao conceito de
Carga Mental aumenta a validade e extensão das análises feitas neste
âmbito. Apresenta-se a seguir, através da Figura 1, o exemplo da
associação entre a Arquitetura Cognitiva de Richard (1990) e o conceito
de Carga Mental.
31

Figura 1: Arquitetura Cognitiva associada ao Conceito de Carga Mental.


Fonte: Richard (1990).

Observa-se na Figura 1, que representa o modelo de arquitetura


cognitiva proposto por Richard, que o raciocínio automatizado está
paralelo a uma menor exigência da carga mental, a partir deste autor
temos a afirmação de que situações em que o operador deve intervir na
resolução de problemas, supostamente geram maior demanda mental ao
operador. Contudo, tal suposição é melhor analisada em situações reais
de trabalho, visto que os níveis de carga mental se associam a diversas
ocorrências e à subjetividade que compõe a atividade de trabalho, ou
seja aspectos humanos ligados a este trabalho. Além disso, algumas
pesquisas realizadas, no campo da ergonomia, evidenciou-se que,
conforme propõe o modelo de Richard, podem ocorrer situações em que
na realização de tarefas automatizadas realmente reduzem-se os níveis
de exigência mental para realizar o trabalho.
A arquitetura cognitiva de Rassmussen (1986) apresenta
esclarecimentos referentes ao conceito de carga mental e suas
características na aplicabilidade do trabalho. Com o intuito de comparar
o modelo de Richard ao de Rasmussen apresenta-se a
Figura 2 que ilustra outro modelo teórico.
32

Figura 2 – Modelo de arquitetura cognitiva por Rassmussen (1986).

A Figura 2 evidencia que o autor propõe um fluxo diferente de


Richard (1990), na qual se calcula a sobrecarga a cada etapa cognitiva
desempenhada, não havendo uma ordenação crescente da carga mental
proposta (mais carga ou menos carga). Enquanto que, a arquitetura
cognitiva de Richard associa-se a carga mental a uma distribuição linear
e crescente, situação em que a carga mental aumenta, na medida em que
se têm mais atribuições e exigências cognitivas.
Conclui-se que, na ergonomia cognitiva as principais
contribuições, em relação ao modelo de arquitetura cognitiva
apresentam-se através dos modelos de Richard e Rassmussen. Além
destes, Moray (1998), também apresenta interesse em relação à
construção de modelos mentais propostos pelos operadores em sistemas
complexos e a carga mental de trabalho. Para o autor o operador
costuma dividir seu local de trabalho em diversos modelos e
submodelos e afirma que: “o efeito dos níveis de modelagem é o de
reduzir a carga mental do operador (MORAY, 1998, p. 295).
Numa perspectiva de contribuição geral para a ergonomia, os
estudos das cargas de trabalho e da carga mental de trabalho e
colaboram para a identificação das condições de trabalho e da
necessidade de se estabelecer mecanismos de regulação para as
condições de trabalho, sempre que estas excedem a capacidade de
realização humana. Tais estudos, com ênfase na análise da carga de
trabalho contribuem para a identificação de estratégias de regulação,
pois, em ergonomia referir-se às possibilidades de regulação para o
trabalho, significa também referir-se à regulação das cargas ou custo
humano implícito no trabalho analisado e desempenhado.
33

2.2.1 Ergonomia e a avaliação das condições gerais de trabalho


Para Guerin (2001), a ergonomia tem por objetivo o trabalho,
entretanto é preciso reconhecer que o trabalho abrange várias realidades
o que o torna complexo. Sendo assim, a atividade, as condições de
trabalho e o resultado da atividade não existem independentemente uns
dos outros. O trabalho é unidade das três realidades e por isso, a rigor,
numa análise do trabalho deve-se avaliar todos os aspectos ligados a
atividade de trabalho.
Para o autor, a análise da atividade de trabalho refere-se “a
análise de um conjunto de fenômenos (fisiológicos, psicológicos,
psíquicos...), que caracterizam o ser vivo cumprindo atos.” Tais atos
seriam resultantes de um movimento do homem como um todo, o que
inclui seus pensamentos, desejos, representações e história), adaptado a
este objetivo. No caso do trabalho, esse objetivo é socialmente
determinado. Para os autores, sem a atividade humana não há trabalho,
mas pode haver uma produção. A partir disso nota-se que avaliar
aspectos relacionados com a atividade de trabalho seria se comprometer
com a avaliação da complexidade que envolve essa atividade. (GUERIN
et. al. 2001, p. 16)
Considerando-se a complexidade que abrange a atividade de
trabalho e os interesses deste estudo, faz-se necessário o esclarecimento
sobre a importância em se avaliar características das condições gerais de
trabalho para se obter informações que definem setores ou atividades
mais indicadas para o estudo da demanda mental. Cita-se o modelo de
Fernandes (1996), que segundo a autora contribui para a identificações
de características gerais do trabalho e proporciona maior compreensão
sobre os diversos aspectos associados a ergonomia. Estes aspectos
podem ser analisados, pelo menos, por meio de três correntes, as
correntes se caracterizam pelo ângulo de abordagem do binômio
organização / trabalhador e podem relacionar-se a:
• A perspectiva do trabalhador: quando o enfoque está na melhoria
das condições de trabalho e no aumento da participação dos
colaboradores no processo organizacional.
• A perspectiva da organização: quando se dá ênfase à produção e a
motivação para o trabalho.
• A perspectiva integrativa: nesta o enfoque é dividido e busca
equilibrar os interesses dos trabalhadores e da organização do trabalho.
A partir do modelo teórico de Fernandes (1996), aborda-se os
seguintes aspectos relacionados ao trabalho: Condições de trabalho,
34

Organização do Trabalho, Saúde, Relacionamento Interpessoal,


Moralidade no Trabalho, Envolvimento, Comunicação, e Imagem da
Empresa ou Departamento. Tais aspectos podem ser investigados
através de um questionário e por meio de avaliação coletiva, ou seja,
pode-se reunir os operadores dos setores em que se pretende avaliar tais
aspectos e aplicar o questionarios aos avaliados. Ainda com o intuito de
ampliar a margem de investigação sobre a saúde do trabalhador
associado ao modelo de análise proposto por Fernandes pode-se utilizar
outro modelo, que mostra-se bem indicado para uma análise geral de
aspectos da saúde do trabalhador. Trata-se do modelo de Corlett e
Manenica (1980), um diagrama, dividindo o corpo humano em diversos
segmentos que facilita a identificação de áreas em que o sujeito
observado sente dores. A técnica consiste na entrevista com o sujeito,
solicitando que este aponte as regiões dolorosas do corpo e em seguida
pede-se que ele avalie subjetivamente o grau de desconforto em cada
segmento, numa escala de um (extremamente confortável) até sete
(extremamente desconfortável).
2.3 MÉTODOS DE MENSURAÇÃO DA CARGA MENTAL DE
TRABALHO
Para Moray (1988), o constructo carga mental se divide em
quatro classes: subjetiva, fisiológica, comportamental e analítica. Dentre
estas classes, as três primeiras classificam-se como empíricas, enquanto
que a classe análitica é vista como preditiva e normalmente empregada
em fases iniciais de projetos para se evitar sobre ou subcarga futura.
Entretanto, até o momento não se tem uma teoria unificada da carga
mental que esclarece sobre os diferentes efeitos nas diferentes classes de
carga propostos pelo autor.
Complementa o autor que a carga mental vivenciada por um
trabalhador é uma função complexa e própria das condições individuais
e da tarefa: “existem características da tarefa, do esforço investido, da
motivação, bem como outros fatores idiossincráticos, que acabam por
caracterizá-la como multidimensional. Por isso, atualmente não existe
modelo definitivo para a representação do constructo carga mental, o
que existe são diversos métodos para acessá-la (MORAY, 1988, p. 127).
O’Donnell e Eggemeier (1986) e Rubio e Diaz (1999) concordam
com Moray no que se refere a multidimensionalidade da carga mental.
Contudo, classificam os métodos em apenas três tipos:
comportamentais, fisiológicos e subjetivos. Corroborando com Moray,
os autores Jorgensen (1999) e Sander e McCormick (1993) descrevem
35

sobre as quatro classes que englobam os principais métodos de medidas


de acesso à carga mental. Os autores propõem uma divisão das medidas
comportamentais em duas vertentes, tarefa primária e tarefa secundária.
Para melhor ilustrar o ponto de vista dos autores em relação as quatro
classes apresenta-se a Tabela 3.
Tabela 3 - Categorias e definições dos métodos de avaliação de carga
mental de trabalho para Jorgensen (1999) e Sander e McCormick(1993).
Categoria dos métodos Definição
Relaciona-se diretamente com o desempenho da tarefa em
Medida das tarefas primárias
si.
Mensura o nível da carga através do uso de duas tarefas,
uma tarefa primária, mais sofisticada, e uma segunda
Medidas das tarefas múltiplas
tarefa menos sofisticada e com o nÍvel de carga já
conhecido.
Medem as respostas fisiológicas relacionadas com as
Medidas fisiológicas
respostas às mudanças nos níveis das cargas mentais.
Buscam as respostas subjetivas para as experiências
relacionadas com a carga mental de trabalho,
Medidas subjetivas
frequentemente administrada por meio de questionários
aplicados ao final da realização da tarefa.
Fonte: Jorgensen, (1999) e Sander e McCormick (1993).

Para esclarecer o conteúdo apresentado na Tabela 3, bem como


outros assuntos associados aos métodos de carga mental de trabalho,
faz-se uma breve descrição sobre os principais tipos de métodos e suas
principais características:
• Medidas fisiológicas
Acredita-se que estas medidas abrangem alto potencial
diagnóstico, por possibilitarem a obsevação de níveis de carga através
da manifestação psicomotora. Entretanto, vale salientar que em tarefas
predominantemente cognitivas a medida não apresenta-se tão eficaz. O
interessante desse tipo de avaliação é que torna-se um indicador de
reações do avaliado sem que este precise se manifestar verbalmante.
Tais medidas também servirão de complemento ou suporte para as
medidas classificadas como subjetivas ou comportamentais. Desse
modo, as variáveis fisiológicas não devem servir como únicos
indicadores da carga mental, mas sim associadas aos demais métodos de
mensuração da carga mental. Alguns parâmetros fisiológicos são
utilizados com maior freqüência para se investigar os níveis de carga
mental, dentre os quais cita-se, através da Tabela 4, os parâmetros
propostos por Rehmann (1995). Para o autor, estes parâmetros tornam-
36

se uma referência importante e podem ser bem aplicados em conjunto


com outras formas de avaliação.
Tabela 4 - Parâmetros fisiológicos para medidas de carga mental de
trabalho
Parâmetros fisiológicos Medidas
Movimento dos olhos
Diâmetro da pupila
Medidas Relacionadas ao
Duração das piscadas
olho
Taxa de Piscadas
Latência das piscadas
Medidas relacionadas ao Frequência cardíaca
coração Variabilidade da frequência cardíaca (HRV)
Atividade cerebral (EEG)
Eventos relacionados a potencialidade (ERP)
Medidas relacionadas ao Atividade magnetoencefalográfica (MEG)
cérebro Emissão de positron (PET)
Volume de sangue em determinadas regiões do cérebro (rCBF)
Variação das ondas cerebrais (CNS)
Pressão sanguínea
Volume sanguíneo
Análise de fluidos do corpo
Frequência de tremores críticos (CFF)
Atividade elétrica na pele (EDA)
Outras Medidas Atividade elétrica muscular (EMG)
Resposta galvânica da pele
Potencial Muscular
Respiração
Qualidade da fala
Níveis de hormônios
Fonte: Rehmann, (1995).

• Medidas baseadas no rendimento


Em relação a essas medidas parte-se do princípio que o aumento
na complexidade de uma tarefa produzirá um impacto nas suas
exigências, tornando-se evidente a redução do rendimento do
trabalhador. Há quem diga que isso se torna visível especialmente
quando houver a possibilidade de comparação entre tarefa simples, com
pouca exigência e tarefa múltipla, aquela que exige maior capacidade de
desempenho para o trabalho. (JORGENSEN, 1999).
Para os autores O’Donnell e Eggemeier (1986), esse tipo de
medida classifica-se como global de efetividade da interação do sistema
homem-máquina6, sendo que nenhuma diferença entre dois trabalhos

6
Para alguns autores o sistema homem-máquina refere-se a uma organização composta por
homens e máquinas que interagem para atingir o resultado do trabalho, essa interaçã o é
37

pode ser determinada, mesmo que um dos avaliados esteja interagindo


com o limite de suas capacidades e o outro consiga desempenhar a
atividade com mais eficiência e menos desgaste. Por isso, recomenda-se
utilizar as medidas de rendimento combinadas a outras que mensurem a
carga mental, de modo a avaliar a interação homem máquina com maior
consistência.
Entretanto, salienta-se que os métodos de rendimento aplicados a
tarefas simples, não são os mais indicados para a obtenção de medida
precisa de carga mental, e para que esta aplicabilidade torne-se confiável
é importante certificar-se de que o avaliado está atribuindo recursos
suficientes para obter o máximo rendimento. Através dos métodos de
rendimento aplicados a tarefas múltiplas, avalia-se a carga mental de
uma tarefa em função do grau de interferência produzido quando esta
realiza-se simultâneamente a outras tarefas de características iguais ou
diferentes. Identifica-se a complexidade de uma das tarefas e,
posteriormente, se faz a análise do efeito desta variação sobre o
rendimento do indivíduo. Dessa forma, conclui-se que sempre que o
aumento da complexidade de uma tarefa produz um impacto
aumentando também a carga mental, isso implicará em uma redução do
rendimento do trabalhador.
Em resumo, as medidas baseadas em redimentos associadas à
investigação de tarefas múltiplas (várias tarefas) apresentam vantagens
quando comparados às de tarefas simples, por serem mais sensíveis às
variações na dificuldade das tarefas e por possuírem um elevado poder
de diagnóstico das exigências da tarefa primária, visto que avaliar
tarefas múltiplas também significa avaliar a influência de uma tarefa
primária sobre uma tarefa secundária.
• Medidas Subjetivas
As medidas subjetivas classificam-se como as mais usadas para
mensurar carga mental de trabalho e partem do principio que o nível de
desgaste mental ou carga estará associado às capacidades do trabalhador
em desempenhar o seu trabalho. De modo geral acredita-se que o
trabalhador e sua subjetividade seriam os indicadores mais eficientes
relacionados ao nível de carga, subcarga7 ou sobrecarga8. A partir das

mantida por uma rede de comunicações (MORAES e MONT’ALVÃO, 1998 apud


MONTMOLLIN, 1971).
7
O processo de subcarga, como o próprio nome sugere, refere-se à
subutilização das capacidades do trabalhador.
8
Enquanto que a sobrecarga associa-se a utilização das capacidades além
dos limites físicos e psíquicos do trabalhador.
38

medidas subjetivas e da associação destas com as demais formas de


analisar aspectos da relação trabalhodor e trabalho, pode-se fazer uma
série de investigações que vão além da mensuração da carga mental.
Cooper e Harper (1969) foram os autores que inicialmente
trabalharam para o desenvolvimento das escalas subjetivas. Este estudo
distribuiu-se basicamente nas duas etapas ou vertentes, que seguem:
• Escala de Sheridan – Simpson, trata-se de uma modificação da
escala de Cooper – Harper original, para qual adiciona-se três dimensões
subjetivas de avaliação da carga (estresse, esforço e carga). Essa escala
foi ainda mais uma vez modificada por Wright – Patterson, que
estabeleceu escalas personalizadas e a partir daí origina-se de um dos
métodos que será utilizado neste estudo, o método SWAT (Subjective
Workload Assesment Technique).
• A segunda etapa dá origem ao método NASA – Ames, já em
1981, este método foi desenvolvido no laboratório de pesquisas da
NASA. Este laboratório fazia uso de escalas bipolares para descobrir o
número mínimo de dimensões necessárias para indicar as diferenças
individuais em relação à carga mental de trabalho. Em 1987, esse
método deu origem ao Nasa-TLX (Task Load Index), o qual será
utilizado neste estudo.
Na categoria dos métodos subjetivos mais usados, inclui-se o
LEST, desenvolvido alguns anos depois do SWAT e do NASA, por
Laurell e Noriega (1989), no Laboratório de Economia e Sociologia do
Trabalho, situado na França. Embora o LEST seja um método genérico
para a análise do trabalho, também mensura aspectos da carga mental de
trabalho.
Verifica-se que as medidas mais usadas são as subjetivas,
havendo uma grande variedade que se aplica para a avaliação de carga
mental de trabalho e estas medidas podem ser mais abrangentes ou mais
resumidas em termos de mensuração do fenômeno, classificando-se em
métodos unidimensionais, as mais resumidas e multidimensionais, como
o nome sugere, refere-se às medidas que avaliam mais de uma dimensão
ao mesmo tempo.
As medidas unidimensionais são as que proporcionam uma
mensuração global da carga mental, avaliando-a a partir de uma
dimensão. Dentre essas medidas temos o que segue na Tabela 5:
39

Tabela 5 - Principais medidas unidimenssionais segundo alguns autores.


Nome da Escala e Principais características
Autor
Os autores desenvolveram duas escalas para a mensuração da
carga mental, dentre elas:
a primeira também conhecida como escala de dificuldade
Escalas da percebida, na qual o trabalhador deve indicar o grau de
Universidade de dificuldade por meio de uma escala de 9 pontos, com definições
Estocolmo verbais para cada uma delas.
Dornic e Anderson, a segunda, conhecida como escala de esforço percebido, na qual
1980 os trabalhadores determinam o grau de esforço mental que lhes é
exigido durante a execução da tarefa. Utiliza-se uma escala
gráfica fixada nos extremos com os valores de 0 a 10, também
contendo descrições verbais.
Avalia-se a carga mental de uma série de tarefas tomando como
Avaliação de referência uma valor atribuido a uma delas, tal valor recebe o
Magnitudes nome de “módulo”. Dentre suas características destacam-se a
Bratfisch (1972) sensibilidade e as elevadas correlações que mostra com as
medidas baseadas no rendimento.
Escala de Cooper- Trata-se do método mais antigo e mais estudado. Elaborado para
Haper mensurar a carga mental proveniente de tarefas de voo.
Cooper e Harper, 1969
A escala se baseia na de Cooper-Harper e para sua construção o
Escala de Bedford autor contou com o auxilio dos pilotos de teste da Royal Aircraft
Roscoe, 1987 Establishrnent at Bedford, por isso o nome Badford.
Já utilizada tanto na área de aviação militar, como civil.
Indicada pelos autores para avaliação de carga mental percebida
pelos trabalhadores durante a jornada de trabalho. Com escala
Escala de Carga Global bipolar de 0 a 100, e com intervalos de 5 unidades, sendo que 0
(Overall Workload) representa carga nula ou muito baixa e 100, muito alta. O método
Vidulich e Tsang foi utilizado com o objetivo de se avaliar a carga mental associada
(1987) com a condução de automóveis em diferentes situações e
combinações com tarefas adicionais, estudos realizados, tanto
áreas urbanas, como rurais.
Compara a carga mental entre várias tarefas, duas a duas,
Comparações Binárias conforme propõe a matriz de n(n-1)/2, onde “n” é o nº de tarefas a
O instrumento mais serem avaliadas. Um dos incovenientes refere-se ao nº de
usado é proposto por: comparações na medida que aumenta a quantidade de tarefas a
Saaty (1980) considerar, bem como a necessidade de que o trabalhador tenha
sempre presente a quantidade de tarefas a considerar ou lembrar.
Escala de Avaliação de Avalia o esforço investido, com possibilidade de resposta que
Esforço Mental poderá ser expressa através de uma escala que varia de 0 a 150, tal
Zijlstra e van Doorn escala subdivide-se a cada dez pontos. O significado da pontuação
(1985) - Holanda vai de: “quase sem esforço” para “esforço extremo”.
Fonte: Adaptada pela autora
As escalas ou métodos classificados como multidimensionais são
os mais usados por proporcionarem maior acessibilidade às
características da carga mental de trabalho, já que estes avaliam a carga
na sua complexidade considerando mais de uma dimensão que possa
40

estar envolvida com a carga mental. Dentre estes métodos apresenta-se


através da Tabela 6 os mais usados, suas características e seus autores.
Tabela 6 - Principais medidas multidimensionais
Nome da Escala e
Principais características
Autor
Desenvolvido pelo laboratório de Economia e Sociologia do
LEST
Trabalho de Provence – França. Mensura a carga mental
Guélaud et al. (1975)
considerando diversar dimensões
SWAT (Subjective
Workload Assesment Indica a carga mental de uma tarefa ou atividade por meio da
Technique) mensuração de três dimensões, dentre elas: tempo, esforço
Reid et al (1981; 1982) mental e estresse.

Por meio de seis escalas para medir carga mental de trabalho, os


autores avaliaram comandantes de um voo de nove horas de
duração, as escalas utilizadas foram: estresse, esforço mental/
Escala de avaliação de sensório, pressão de tempo, carga de trabalho global e desempe
Hart H. (1988) nho. Afirma-se que esta escala é o passo inicial para o
desenvolvimento do NASA TLX, que se desenvolve no ano
seguinte baseando-se em dimensões relacionadas com a carga
mental.
Este método aborda seis sub escalas ou dimensões, onde três
NASA TLX delas referem-se à aspectos ou exigencias impostas pelo sujeito
Hart e Staveland (1988) (mental, física e temporal). Outras três referem-se com a
interação sujeito e tarefa (esforço, frustração e realização).
Baseia-se no modelo de recursos múltiplos apontado por
Wickens (1992). O método considera o rendimento em situação
Workload Profile de tarefa dual e de procedimentos subjetivos. O método tem boa
Tsang e Velazques aceitação pelos avaliados e elevado poder diagnóstico. Mesmo
(1996) assim, as autoras propõem que se investigue mais
profundamente as propriedades deste instrumento antes de
estabelecer conclusões definitivas sobre a sua aplicabilidade.
Fonte: adaptada pela autora.

Conforme mencionado utiliza-se nesse estudo os métodos SWAT


e o NASA TLX. Entretanto, considerando-se a significância do LEST
em pesquisas da ergonomia faz-se uma breve descrição sobre este
instrumento que também mensura aspectos da carga mental de trabalho.
O método LEST foi desenvolvido na França nos anos 70, pelo
Laboratório de Economia e Sociologia do Trabalho, da Aix Provence
França. O método é resultante do esforço de uma equipe deste
laboratório dirigida pelos pesquisadores: GUÉLAUD et al., (1975).
O método LEST foi muito utilizado na Bélgica em pesquisas e
trabalhos relacionados com a ergonomia, segurança e medicina do
trabalho. Na Europa, o método surge para identificar necessidades dos
trabalhadores diante do trabalho e contribuir para a melhoria nas
41

condições de trabalho em geral e conseqüentemente para permitir que os


trabalhadores interagissem usufruindo de plenas capacidades para a
execução do trabalho. O método foi testado em diversos setores da
indústria automobilística e alimentícia e a sua aplicabilidade enfatiza a
análise de diversos aspectos que compõe o trabalho. Por isso, a
aplicação do método abrange uma análise demorada e detalhada dos
postos de trabalho permitindo a obtenção de informações significativas
referentes ao trabalho avaliado, todas as informações ficam catalogadas
em um guia de observação. Após a coleta de dados, os mesmos são
avaliados através de tabelas com a graduação do dano para cada aspecto
ou categoria analisada. A obtenção dos resultados se dá por meio de
uma escala de 10 pontos, que é graduada de 0 a 10 e a contabilização
final é representada através de um perfil ou histograma de modo a obter
um resumo geral que pode apresentar-se como negativo ou positivo.
Através do método LEST são analisados 16 aspectos relacionados
com o trabalho, os quais são representados pelas seguintes categorias:
ambiente físico (4), carga física (2), carga mental (4), fatores
psicossociais (5) e os tempos para a realização do trabalho (1). O LEST
é um método consagrado por ser um dos raros que contempla a análise
de carga mental em trabalho repetitivo e manual, instigando por meio de
critérios perceptíveis e ofertando uma ponderação através de tabelas de
cotação. Entretanto, a contribuição do método LEST é
significativamente valiosa para a ergonomia, especialmente pela
objetividade com que as condições de trabalho podem ser descritas e
pela possibilidade de obtenção de um diagnóstico final que indica se
cada uma das situações observadas no local de trabalho classifica-se
como: satisfatória molesta ou nociva (BUSTILLOS, 2005).
Os autores do método (GUÉLAUD et al., 1975), descrevem o
LEST como um método de mensuração das condições de trabalho, tanto
físicas, quanto de carga mental associada aos aspectos psicossociais do
trabalho. De acordo com autores que estudam a carga mental, estes
associam com as exigências da tarefa e o grau de mobilização do sujeito,
sendo o quanto o sujeito investiu de sua capacidade para a realização da
tarefa.
2.3.1 Características psicométricas das medidas de carga mental:
ênfase nos critérios de avaliação da qualidade na aplicação e nos
resultados
Para Pasquali (1997), a psicometria concebe os seus sistemas
teóricos como os que abrangem propriedades e atributos que irão definir
42

estes sistemas. Estes atributos classificam-se como o ponto imediato de


observação ou medida. Dessa forma, para a mensuração de aspectos
mentais, considera-se que tais aspectos compõem uma estrutura
psicológica que contém atributos chamados processos cognitivos,
motores, emocionais e outros. O autor relembra que, em relação às
características das medidas existentes, as escalas utilizadas têm
propriedades diferentes, variando de aspectos gerais para específicos.
Um exemplo de aspecto geral relaciona-se a quantidade de
equipamentos necessários para executar a avaliação de carga mental.
Enquanto que o exemplo de aspecto específico, com ênfase em critérios
científicos, seria a validade de uma medida. Considera-se aqui que uma
medida se classifica como válida sempre que cumpre os critérios
propostos na literatura especializada.
Contudo, Wickens (1992), indica que nenhum dos instrumentos
existentes cumpre todos os critérios de validade, sendo assim é
necessário que na escolha de uma medida de mensuração da carga
mental de trabalho, faça-se a determinação clara de objetivos
relacionados com o estudo a ser realizado. Dentre os critérios
estabelecidos por diferentes autores, ilustra-se algumas diferenças
propostas por, pelo menos, três autores, conforme segue na Tabela 7.
Tabela 7 – Critérios de validação para medidas de mensuração da carga
mental de trabalho, propostos por três autores/ especialistas:
43

Tabela 7 – Critérios de validação para medidas de mensuração da carga


mental de trabalho, propostos por três autores/ especialistas:

Fonte: adaptada pela autora.

O’Donnel e Eggemeier (1986), assim como outros autores que


alertam para o critério de sensibilidade , referem que este critério além
de evidenciar a troca de níveis de dificuldade de uma tarefa, evidencia
também a causa desta variação, não deixando de lado a identificação de
recursos cognitivos ofertados pelo trabalhador e que darão origem a
carga mental. Também o critério de Poder Diagnóstico associa-se a
44

capacidade da medida em identificar a variação da carga mental em


diversas situações.
Conforme a Tabela 7, apresentada anteriormente, o grau de
intrusão ou de interferência de uma medida de mensuração da carga
mental é muito significativo no tocante à validação da medida. E a
confiabilidade da técnica poderá ser identificada através da repetição nas
aplicações e manutenção do resultado. Outro critério importante, visto
anteriormente, é o de requisitos de implementação da técnica, já que
para alguns autores as técnicas devem ser práticas, determinar um tempo
necessário e o grau de instrução do avaliado, dentre outras situações que
favoreçam sua aplicabilidade.
O aspecto aplicabilidade e aceitação da técnica por parte do
avaliado, é considerado, em especial, pelos autores: O’Donnel e
Eggemeier (1986) e Meshkati et al. (1995). Tais autores consideram que
o sucesso da técnica depende da colaboração dos trabalhadores durante a
coleta de informações proposta pela técnica. Relembram que qualquer
técnica não deve gerar variação além dos níveis de carga, como por
exemplo, alterações ambientais, fato que se classifica como critério de
foco, ou seja, foco na aplicabilidade da medida sem qualquer outra
situação que gere interferências aos resultados.
Ressalta-se que o critério de Validade ou Seletividade propõe a
divisão do critério em sub-critérios, sendo o primeiro deles a
necessidade de validade de um “expert” no assunto (Face Validity) e o
segundo refere-se à necessidade de correlação entre duas ou mais
técnicas, englobando a validade de constructos, a validade de conteúdo,
baseada na teoria, bem como a validade preditiva, de modo a transportar
resultados para a realidade do trabalhador.
Outros dois critérios relevantes são: o de transferência, que
refere-se à capacidade de uma técnica ser usada em diversas aplicações,
e o critério de Flexibilidade, mais direcionado à sistemas automatizados,
os quais necessitam ter ajuste fácil e ligados às variações das tarefas sem
necessidade de recodificar ou alterar o sistema (REHMANN, 1995).
Verificou-se que, dentre as medidas existentes, as subjetivas
superam em termos de validade quando comparadas a outros métodos.
Especialmente porque priorizam as experiências individuais dos
trabalhadores com a sua carga mental de trabalho. Além disso, as
medidas subjetivas enquadram-se com sendo de baixo custo, fácil
aplicabilidade e alto nível de aceitação por parte dos avaliados.
Os autores Meshkati et. al. (1995), sintetizam sobre critérios de
validade de medidas, ou critérios que refletem na qualidade da avaliação
45

e resultados obtidos a partir do método ao propor que uma medida deve


conter no mínimo os seguintes critérios:
• Confiabilidade: a medida deve apresentar resultados estáveis e
repetitivos após inúmeras administrações.
• Validade: a escolha de uma medida de carga mental deve
satisfazer no mínimo os três critérios que seguem: conteúdo,
predibilidade e coerência, para que atenda o critério de validade.
• Sensibilidade: este refere-se à capacidade da técnica para
discriminar variações significativas nos níveis de carga impostos por
uma tarefa ou um grupo de tarefas.
• Diagnosticidade: refere-se à capacidade do método em
discriminar o total de carga imposta sobre diferentes capacidades ou
dimensões, do trabalhador em atividade.
• Intrusão: o método deve mensurar a carga sem interferir no
desempenho da tarefa.
• Foco: sugere que uma técnica deve refletir apenas as alterações
nos níveis da carga e não refletir alterações ambientais que não sejam
pertinentes.
• Facilidade de utilização: deve ser de fácil aplicabilidade, com
robustez e praticidade para serem utilizados em diversos ambientes de
trabalho.
• Aceitação do operador: o sucesso da técnica depende, em
especial, da aceitação e cooperação do operador. Isso implica na
necessidade de entendimento dos critérios e de certa empatia com a
técnica.
2.4 MÉTODOS MAIS USADOS PARA MENSURAR A CARGA
MENTAL
Segundo Moray (1988), as medidas subjetivas apresentam-se
como as mais confiáveis e com melhor desempenho para mensurar a
carga mental. As mais conhecidas são o NASA TLX e o SWAT, razão
pela qual serão adotados ambos os métodos nos procedimentos
metodológicos desta pesquisa. Nas pesquisas em que se utilizam tais
métodos aborda-se os resultados da carga correlacionando-os com:
duração da jornada de trabalho, sintomas de dor, sexo, idade, nível de
escolaridade, tempo na função que desempenha. Neste estudo serão
abordados estes aspectos, com a diferença de que a atividade de trabalho
será relacionada com o trabalho de empresa catarinense de geração de
energia e de que, através da análise da carga mental dos avaliados
46

pretende-se, não apenas quantificar os resultados, mas também


qualificá-los identificando-se as variáveis intervenientes à carga mental
de trabalho.
2.5 O MÉTODO NASA TLX

2.5.1 Informações Gerais


O NASA TLX Índice Carga Tarefa foi desenvolvido por Hart e
Staveland (1988) e é um procedimento de taxa multidimensional que
provê uma pontuação global da Carga de Trabalho baseado em uma
média ponderada de avaliações em seis subescalas: Exigência
(Demanda) Mental, Exigência (Demanda) Física, Exigência (Demanda)
Temporal, o Desempenho (Performance) Próprio – entendam-se como
Níveis de Realização, Esforço e Frustração.
A versão antiga da escala tinha nove subescalas ou dimensões.
Esta visava reduzir a variabilidade da taxa para uma dada carga de
trabalho a priori, definindo os sujeitos para pesar e calcular as
subescalas de avaliação. Esta técnica (“NASA Taxação de Escala
Bipolar") foi bem sucedida no que se refere à redução entre
variabilidade da taxa, e proveu informação do diagnóstico sobre as
magnitudes de diferentes fontes de carga de avaliações de subescalas
(HART; BATTISTE; LESTER; 1984; VIDULICH; TSANG; 1985).
Assim, sua sensibilidade para manipulações experimentais, foi a melhor
encontrada entre outras técnicas populares e uma avaliação global da
carga de trabalho unidimensional, mas ainda não foi considerada
suficiente. Entretanto, no cálculo de resultados, foi percebido que nove
subescalas eram um número excessivo, tornando-se a escala
impraticável para uso em uma simulação ou ambiente operacional. Por
fim, várias das subescalas foram consideradas irrelevantes ou
redundantes com relação às cargas de trabalho, razão pela qual foi
desenvolvido o NASA TLX. Algumas das subescalas da escala original
foram revisadas ou combinadas, outras removidas e duas adicionadas.
Três dimensões relacionam as demandas (exigências) impostas no
sujeito (Mental, Física, e Temporal) e três para a interação do sujeito
com a tarefa (Esforço, Frustração, e Realização), conforme descrito na
Tabela 8.
47

Tabela 8 - Definição das seis dimensões que classificam a medida


NASA-TLX.

Definições das 6 dimensões do NASA TLX

Definições
Dimensões
Quantidade da atividade mental e perceptiva que a tarefa necessita
Mental
(pensar, decidir, calcular, lembrar, olhar procurar, etc.).
Quantidade de atividade física que a tarefa necessita (puxar,
Física
empurrar, girar, deslizar, etc.)
Nível de pressão temporal sentida. Razão entre o tempo necessário e
Temporal
o disponível.
Satisfação / Até que ponto o indivíduo se sente satisfeito com o nível de
rendimento rendimento e desempenho no trabalho.
Grau de esforço mental e físico que o sujeito tem que realizar para
Esforço
obter seu nível de rendimento.
Até que ponto o sujeito se sente inseguro, estressado, irritado,
Nível de Frustração
descontente, etc., durante a realização da atividade.
Fonte: Manual NASA-TLX, (1981).

Embora esteja claro que definições de Carga de Trabalho variam


entre experimentos e entre sujeitos, foram verificadas as fontes
específicas das cargas impostas nas diferentes tarefas, e as mais
importantes para determinar as experiências com carga de trabalho,
evidenciando-se maior ou menor carga, de acordo com a atividade
desempenhada e as limitações dos sujeitos avaliados. Assim, a versão
atual da escala do TLX combina avaliações de subescalas que foram
ponderadas de acordo com sua importância subjetiva para a taxa em
uma tarefa específica, definindo a priori a relevância das avaliações das
definições das taxas de carga de trabalho.
O grau com que cada um dos 6 fatores/ dimensões apresentadas
contribuiu para a carga de trabalho numa tarefa especifica, pode ser
avaliado pelas perspectivas das taxas, determinando as suas respostas
emparelhando comparações entre os 6 fatores. A magnitude das
avaliações de cada subescala foi obtida depois de cada desempenho em
cada tarefa ou segmentos de tarefas. Avaliação de fatores julgados mais
importantes na criação da carga de trabalho na tarefa deram maior peso
na computação da pontuação da carga de trabalho global, melhorando a
sensibilidade da escala.
Os pesos e avaliações podem não variar, por exemplo: é possível
colocar demandas mentais sendo fontes primárias de cargas de uma
48

tarefa, mesmo que a magnitude da exigência (demanda) mental seja


baixa. Inversamente a pressão de tempo dentro de uma tarefa poder ser
considerada primária nesta carga de trabalho, e as exigências
(demandas) de tempo podem ser taxadas como altas em algumas versões
de tarefas e baixas em outras.
O TLX foi testado em uma grande variedade de tarefas
experimentais que foram de vôos simulados até o controle
supervisionado em laboratórios de supervisão de tarefas. Os resultados
do primeiro estudo de validação do NASA TLX foi sumarizado em Hart
e Staveland (1988). As pontuações derivadas da carga de trabalho foram
encontradas substancialmente em menor número na taxa de
variabilidade do que nas Cargas de Trabalho unidimensionais, e a
subescala proveu um diagnóstico de informações com respeito às fontes
de cargas.
• Fontes de Cargas (Pesos)
O NASA TLX é um procedimento dividido em 2 partes
consistindo de ambos os pesos e avaliações. A primeira parte refere-se a
investigação de quanto cada dimensão contribui para a carga de trabalho
em uma tarefa específica. Estes pesos são responsáveis por duas fontes
potenciais entre a variabilidade das taxas: diferenças das definições de
cargas de trabalho das taxas dentro da tarefa, e a distinção das fontes de
cargas de trabalho nas tarefas. Os pesos referem-se a uma informação
diagnóstica sobre a natureza da carga de trabalho imposta na tarefa.
Existem 15 pares possíveis de comparações dentro das 6 escalas
ou dimensões, cada par está representado num cartão. O sujeito circula o
membro do par no cartão que mais contribui para a sua carga de trabalho
na tarefa. O número de vezes que cada fator é escolhido é marcado. Eles
podem ser selecionado 0 vezes (sem relevância) ou 5 (mais importante
do que algum outro fator).
Uma combinação de diferentes pesos é obtida para cada tarefa. A
mesma combinação de pesos pode ser usada em diferentes versões da
mesma tarefa se as contribuições ou se os 6 fatores para a carga de
trabalho forem razoavelmente similares.
• Magnitude da Carga (Avaliações – Taxas)
A segunda exigência é obter uma taxa numérica para cada escala
que reflete a magnitude daquele fator em uma dada tarefa. Os sujeitos
respondem marcando cada escala na posição desejada. Em situações
operacionais, taxar em folhas ou respostas verbais é mais prático,
enquanto uma versão computadorizada (disponível no centro de
pesquisa do NASA Ames) é mais eficiente nas situações de laboratório.
49

As avaliações podem ser obtidas durante a tarefa, depois de segmentos


da tarefa ou durante a tarefa inteira. Cada escala apresenta uma linha de
12 cm dividida em 20 partes iguais ancoradas em descrições bipolares.
A vigésima primeira parte marca cada divisão da escala de 0 a 100, de 5
em 5. Caso o sujeito marcar entre duas marcas, o valor da direita será
usado.
• Ponderação e cálculo da média ponderada
A pontuação da carga de trabalho global de cada sujeito será
computada multiplicando cada avaliação pelo peso dado pelo sujeito
para cada fator. A soma das avaliações ponderadas por cada tarefa é
dividido por 15(a soma dos pesos).
2.5.2 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL
A seqüência usual de eventos para coleta de dados do NASA
TLX:
• Instruções
Os sujeitos lêem as definições das escalas e as instruções.
Algumas modificações podem ser necessárias dependendo da situação
de trabalho e características específicas da atividade.
• Familiarização
Os sujeitos praticam usando as taxas de escalas após realizarem
algumas poucas tarefas assegurando que os mesmos desenvolveram uma
técnica padrão de diálogo com as escalas.
• Avaliações (Taxas)
Os sujeitos fazem algumas tarefas experimentais, provendo
avaliações das 6 subescalas (dimensões), seguindo todas as condições de
interesse. O número de avaliações no papel precisa ser igual ao número
de sujeitos X o número de condições de tarefas.
• Pesos
Os sujeitos completam as “avaliações das fontes de cargas de
trabalho” uma vez que cada tarefa ou grupo de tarefas incluindo o
experimento que mostra a estrutura comum. Por exemplo, num
experimento com muitas tarefas de memória e muitas classes de tarefas,
duas fontes de cargas de trabalho são avaliadas durante o desempenho:
uma para as tarefas de memória e uma para as tarefas de gravar. Um
jogo de cartões devia ser feito previamente para esta experiência de cada
sujeito X avaliação das condições de combinação.
Tipicamente, o NASA TLX teve maior aplicação em experiências
controladas classificadas como simulações. Por isso, nessa pesquisa
busca-se acessar a carga mental gerada em atividade com alta demanda
50

mental, bem como comparar o desempenho do método NASA TLX com


o desempenho de outro método (SWAT) aplicados a determinada
situação de trabalho.
2.5.3 Procedimento de análise de dados
Para o procedimento de análise dos dados obtidos através da
aplicação do método NASA TLX o pesquisador precisa fundamentar-se
nas informações contidas na folha de conferência e na folha de trabalho,
a partir dessas formas de registro, o procedimento para computar a
pontuação moderada da escala de trabalho é o seguinte:
• Folha de conferência
Para cada sujeito a “Folha de conferência das cargas de trabalho”
é usada para computar os pesos de cada fator. O marcador simplesmente
folheia os cartões de avaliação e faz uma marca na fila apropriada da
coluna da resposta do sujeito. Depois analisa-se a avaliação das fontes
de cargas de trabalho o pesquisador coloca nas folhas de cada escala e
escreve na coluna da ponderação (Soma-Peso).
• Folha de Trabalho
A coluna da ponderação é então transferida para a “folha de
trabalho da ponderação”. Cada sujeito terá seus parâmetros individuais
de carga de trabalho separado nas folhas de tarefa de cada tarefa
apropriada ou no set de tarefas similares. Se os sujeitos avaliarem mais
de uma tarefa, o número apropriado de cópias da folha de trabalho deve
ser feito. As avaliações são colocadas na coluna de avaliações (Raw
Ratings) perto das fontes do peso das cargas de trabalho. O ajuste das
avaliações é somado cruzando as diferentes escalas. A soma é dividida
por 15 para obter o peso ponderado da carga de trabalho global do
sujeito naquela condição de tarefa. As ponderações das avaliações são
usadas como medidas dependentes de cada tipo de análise que o
pesquisador usa.

A Figura 3 apresenta a ponderação das taxas (medidas) das cargas


de trabalho graficamente. A barra gráfica a esquerda representa a
avaliação da subescala de 6 fatores. As larguras das barras de subescalas
refletem a importância de cada fator (sua taxa) e a altura representa a
magnitude de cada fator numa tarefa particular. A taxação do escore da
carga de trabalho (a barra a direita) representa a área ponderada das
barras de subescalas.
51

OV ER ALL W OR KLOAD (OW )=


MEAN Of W EIGHT ED RATIN GS
100 OVE RALL
80 W O R K L O AD
60
40
20
0
PD M D T DO P E F FR
IM POR T ANCE W EIGH T
Figura 3: Exemplo de gráfico de composição do escore da taxa da carga
de trabalho
Fonte: Manual NASA TLX (1986).

Conclui-se que, a apresentação de resultados expressa pela Figura


3 e os procedimentos acima descritos, embora simples, podem ser
trabalhosos em grandes pesquisas. Por esta razão, considera-se
vantajoso computadorizar o procedimento utilizado, através de um
programa que possibilite rodar em PC-IBM compatíveis e pudesse
reunir várias avaliações e taxas, e que computasse as taxas das cargas de
trabalho. O mesmo está disponível para pedido no NASA Ames,
laboratório responsável pela elaboração do método NASA.
2.6 O MÉTODO SWAT
Este método foi desenvolvido pelo grupo de pesquisa Reid et
al.(1981; 1982) e utiliza-se de procedimentos de análises de dados
baseados nas técnicas de medida conjunta (conjoint measurement)
indicando que a carga mental de uma tarefa ou atividade é determinada
por três fatores ou dimensões, que seguem: tempo, esforço mental e
estresse. Cada dimensão é avaliada por uma escala de três pontos que é
definida pelos autores conforme consta na Tabela 9.
52

Tabela 9 – Definições dos níveis de cada uma das três dimensões do


método SWAT
Dimensões Níveis
Normalmente sobre tempo: com possibilidade de pausas durante a
realização do trabalho;
Às vezes sobra tempo: há possibilidade de realizar pausas, porém
TEMPO
com uma freqüência não muito definida;
Raramente sobra tempo (nunca ou quase nunca): raramente sobra
tempo para o operador fazer pausas.
Pouca exigência mental: o trabalho é fácil de realizar, não exigindo
muito da capacidade mental (atenção, concentração, memória,
percepção).
ESFORÇO Moderada exigência mental: quando o trabalho exige moderada
MENTAL capacidade de concentração, atenção, memória, percepção;
Alta/ elevada exigência mental: quando o trabalho requer muito de
suas capacidades mentais (atenção, concentração, percepção e
memória).
Baixo nível de estresse durante a execução dos trabalhos, o ambiente
motiva para o trabalho e proporciona que o trabalhador mantenha -se
em equilíbrio;
ESTRESSE Moderado nível de estresse: quando ocorrências do trabalho podem
impactar no equilíbrio do trabalhador;
Elevado nível de estresse: quando ocorrências do trabalho sempre
impactam no equilíbrio do trabalhador.
Fonte: Manual do método SWAT (1981).

Portanto, as três dimensões avaliadas através do SWAT são


subdivididas em outras 3 possibilidades de respostas, a serem
selecionadas pelo avaliado, conforme sua realidade de trabalho. Para
aplicar este instrumento são consideradas duas fases de aplicação: uma
de obtenção da escala de carga mental de trabalho e outra propriamente
de avaliação dos níveis de carga mental.
Por meio da primeira fase de aplicação do método defini-se a
escala que os avaliados irão utilizar para a avaliação da carga mental de
trabalho, segundo a importância que dão a cada uma das dimensões
como fonte de carga mental. Tal fase aplica-se anteriormente a
realização da tarefa e para a obtenção dos dados necessários para o
desenvolvimento da escala, faz-se a combinação entre três níveis de
cada uma das dimensões, obtendo-se 27 combinações possíveis (3x3x3).
Os avaliados deverão ordenar as 27 combinações de acordo com a
classificação que dão aos níveis de carga de ordem crescente, ou seja do
menor, para o maior.
A segunda fase de aplicação do método realiza-se após a
execução das tarefas ou atividades e seu objetivo é obter as
determinações de carga mental para tarefas concretas. Para isso, os
53

trabalhadores avaliam a carga mental de cada tarefa atribuindo um valor


de 1 a 3 para cada uma das dimensões.Tais avaliações transformam-se
em uma pontuação global de carga que será aplicada a carga
desenvolvida na fase anterior de aplicação do método.
Com base nas informações contidas no manual do SWAT, nota-
se que tal método envolve maior número de combinações (27
combinações) que possibilitam expressar o peso das dimensões para
cada tarefa, tal situação pode expressar significativa diferença em
relação ao tempo utilizado para a aplicação do método. Além disso, o
SWAT contempla apenas 3 dimensões enquanto que o NASA considera
6 dimensões na avaliação da carga mental. Porém, ambos os métodos
apresentam características muito similares, tais como: métodos
subjetivos, multidimensionais, seguem os mesmos procedimentos de
aplicação e mesma escala de correção. Razão pela qual se desperta a
curiosidade de neste estudo utilizar-se de ambos os métodos para a
avaliação da carga mental em determinada situação de trabalho e
identificar qual dos métodos proporciona maior clareza e objetividade
em seus resultados.
54

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA


A pesquisa caracteriza-se como exploratória e descritiva
desenvolvida por um estudo de campo. Exploratória porque objetiva
investigar aspectos ergonômicos da atividade de trabalho, com ênfase na
avaliação da carga mental, bem como objetiva estudar o desempenho
entre dois métodos reconhecidos e que possibilitam a mensuração da
carga mental de trabalho – SWAT (Subjective Workload Assessment
Technice) e o NASA TLX.
3.2 CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL DA PESQUISA DE
CAMPO
O estudo foi desenvolvido em uma empresa que atua no mercado
de soluções tecnológicas desenvolvendo e fornecendo soluções
(produtos e serviços) para gerenciamento, controle e proteção de
sistemas de energia elétrica, aplicáveis tanto na geração, quanto nas
áreas de transmissão e distribuição de energia elétrica. A empresa atua
neste setor desde 1986 e localiza-se no município de Schroeder, na
região Norte de Santa Catarina, possuindo sede própria com área
construída de 1600m2. A empresa é conhecida no mercado tecnológico
como a pioneira na América Latina no desenvolvimento de reguladores
de tensão com tecnologia Digital Signal Processing (DSP). Atualmente
avança no mercado internacional, atuando em todos os continentes de
forma gradativa e sustentada. Atua no ramo de desenvolvimento e
fabricação de equipamentos de regulação e proteção de geradores
síncronos das mais diversas aplicações (Hidroelétricas, Termoelétricas,
Grupos Geradores Diesel, Usinas de Álcool e Açúcar, Indústrias de
Papel e Celulose, Hospitais, etc.). Fabrica sistemas de regulação de fator
de potência para motores síncronos, equipamentos para medição e
proteção, desenvolve projetos especiais sob consulta e ainda, oferece
serviços como automação de Usinas de Geração de Energia Elétrica e
comissionamento dos equipamentos produzidos/fornecidos.
Os setor onde realizou-se a pesquisa inicial e a investigação da
demanda mental de trabalho são respectivamente: empresa de produtos
seriados e setor de montagem de placas eletrônicas. Os setores da
empresa apresentam ambientes arejados, climatizados e organizados.
Em relação ao ruído, temperatura e ventilação do ambiente evidenciou-
se através de análise do PPRA (Programa de Prevenção dos Riscos no
55

Ambiente de Trabalho) da empresa que a mesma respeita e segue as


normas estabelecidas pela legislação brasileira.
3.3 CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO
Como a pesquisa desenvolveu-se em duas etapas principais, na
primeira etapa participaram da avaliação coletiva para mensurar
características gerais de trabalho, 40 trabalhadores da empresa, todos os
trabalhadores da empresa de produtos seriados, totalizando 40
trabalhadores. Dentre os quais 60% do sexo feminino e 40% do sexo
masculino. Em relação ao perfil geral dos avaliados nesta etapa tem-se:
Tabela 10 – Dados do Perfil da população avaliada através de
questionários de investigação sobre as condições gerais de trabalho.

Fonte: Autora
56

Nota-se, dentre as principais características apresentadas na


Tabela 10, que o turno de trabalho predominante é o classificado como
horário normal, que corresponde ao período diurno (das 07h30min às
17h18min. com intervalo de uma hora para o almoço), com 90% dos
respondentes trabalhando neste turno. Quanto à faixa etária predomina
as idades entre 18 a 25 anos, 50% dos avaliados, o que indica uma
população jovem. O tempo de empresa é caracterizado por 32,5% de
trabalhadores que atuam de 3 a 5 anos na empresa. Sobre a escolaridade
destaca-se o número de trabalhadores cursando ensino superior
(incompleto), 22,5% e ensino médio completo (20%).
A população envolvida na segunda etapa, na qual se realiza a
avaliação da carga mental de trabalho é representada por integrantes do
setor de montagem manual e automática de placas eletrônicas, visto que
este setor apresentou-se em destaque a partir da primeira etapa da
pesquisa, cujos resultados são apresentados no capítulo 4 e na qual
evidenciou-se que alta demanda, mental e física caracterizam as
atividades desempenhadas neste setor. Além disso, o fato de existirem
duas opções de execução para a mesma tarefa – montagem manual e
automática viabilizou a aplicabilidade dos métodos de mensuração da
carga mental de trabalho, possibilitando uma pesquisa comparativa,
comparando-se tanto as exigências para cada modo de execução de uma
mesma tarefa, quanto à eficácia dos dois métodos utilizados para
mensurar a carga mental nesta situação de trabalho – montagem de
placas eletrônicas.
Participaram da avaliação da carga mental de trabalho 11 (onze)
operadores do setor de montagem, sendo que 40% conhecem e operam
tanto operações do setor de montagem manual, quanto de montagem
automática de placas eletrônicas, dentre os avaliados 30% são do sexo
feminino e 70% do sexo masculino. A Tabela 11 ilustra as
características do perfil desta população:
57

Tabela 11 - Perfil da população envolvida na segunda etapa da pesquisa


– avaliação da carga mental de trabalho

Fonte: Autora
Os dados apresentados na Tabela 11 evidenciam que, em relação
ao turno, todos os avaliados atuam no horário normal que compreende o
período entre 07h30min às 17h18min. (com uma hora de intervalo para
o almoço), ou seja, trabalham numa jornada de 44 horas semanais com
intervalos diários de almoço de uma hora. Quanto à idade, tem-se uma
população relativamente jovem com 60% dos avaliados com idade entre
18 a 25 anos, sendo que outros 20% tem idade entre 26 a 35 anos e
outros 20%, entre 46 a 55 anos. A escolaridade desta é caracterizada
58

pela formação de ensino médio completo (60% dos avaliados). Nota-se


também que é maior o número de avaliados que trabalha na empresa de
3 a 5 anos (40%), em seguida tem-se 30% dos avaliados com 1 a 2 anos
de tempo na empresa e os demais 30% com 6 a 10 anos de trabalho na
empresa.
3.4 PROCEDIMENTOS DE PESQUISA
Para atender aos objetivos deste estudo desenvolveu-se um
procedimento metodológico proposto pelas etapas que seguem:
3.4.1 Consultas a fontes bibliográficas
Todo o processo de revisão bibliográfica foi realizado utilizando-
se bases de dados eletrônicas, bem como instrumentos, textos e livros
que oportunizaram a construção de conhecimento para o
desenvolvimento dessa pesquisa. A partir da pesquisa bibliográfica
obteve-se aproximadamente 2000 títulos relacionados com a Carga
Mental (Mental Workload) e aproximadamente 400 títulos referentes a
avaliação de Carga Mental de Trabalho, todos publicados no período
entre 2000 e 2009. Dos títulos foram separados cerca de 350 textos dos
quais foram analisados os resumos. Posteriormente selecionaram-se os
40 principais estudos utilizados para a fundamentação desta pesquisa.
Dentre as bases de dados utilizou-se as seguintes:
a) Banco de teses e dissertações CAPES – A CAPES possibilita
consulta de resumos e informações de teses apresentadas pelos
programas de pós-graduação do país. Buscou-se consultar informações
para complementar este estudo abrangendo o período de 2000 a 2008;
b) Scielo – Scientific Electronic Library Online;
c) Medline – Medicina online, especializada em artigos médicos
fisiológicos e epidemiológicos.
3.4.2 Instrumentos de coleta de dados em campo
Com o intuito de responder as perguntas de pesquisa realizou-se
inicialmente a análise geral das condições de trabalho de 40
trabalhadores de empresa catarinense de soluções em energia, que atuam
na fabricação de aparelhos e equipamentos de medida, teste e controle
para as áreas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica.
Após esta análise observou-se a necessidade de redefinir a demanda de
pesquisa fazendo-se a escolha do setor com maior número de
trabalhadores envolvidos em atividade com significativa demanda
mental, ou alta exigência cognitiva. Também foram realizadas
59

entrevistas individuais e visitas aos postos de trabalho antes e depois da


aplicação dos métodos de investigação da carga mental.
Após uma avaliação geral das características de trabalho da
empresa de produtos seriados observou-se que as atividades realizadas
no setor de montagem de placas eletrônicas caracterizavam-se por alta
exigência cognitiva incluindo: tempo, complexidade de informações e
minúcia, a complexidade das atividades realizadas neste setor referem-
se também ao fato das atividades desempenhadas exigirem constantes
níveis de atenção, concentração, percepção e memória, assim como a
postura estática na maior parte do tempo. A partir disso e
reconhecendo-se a subjetividade do conceito de carga mental, procurou-
se além de quantificar os níveis de carga mental, qualificá-los em
consideração a singularidade, bem como as características e exigências
que cada sujeito impõe a si próprio durante a execução das atividades.
Para se identificar o setor com maior demanda mental e ou com
maior número de queixas associadas com a carga mental de trabalho
optou-se pela utilização dos respectivos métodos: método de avaliação
de condições gerais de trabalho, método NASA TLX e método SWAT,
ambos associados com resultados de entrevistas individuais e visitas aos
postos de trabalho. Entretanto, apresenta-se a Figura 4 que representa o
esquema de pesquisa de campo adotado para este estudo e ilustra as
principais características dos procedimentos em campo.
60

Figura 4: Esquema de pesquisa de campo


Fonte: Autora
61

3.4.2.1 Avaliação das condições gerais de trabalho (etapa 1):


Nesta etapa da pesquisa, classificada como etapa inicial,
procurou-se investigar sobre as características das condições gerais de
trabalho vivenciadas pelos colaboradores de empresa catarinense de
fabricação de aparelhos e equipamentos de medida, teste e controle para
as áreas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. A
empresa divide seus setores de atuação no mercado em produção de
produtos seriados e produção de produtos especiais. Sendo assim,
participaram desta etapa da pesquisa 40 trabalhadores integrantes da
empresa de fabricação de produtos seriados. Para trabalhar essa etapa
utilizou-se um instrumento de avaliação que possibilitou aferir
informações sobre as condições gerais de trabalho. Para a aplicação
deste instrumentos de pesquisa os avaliados foram orientados sobre os
objetivos e características da aplicação do instrumento e a avaliação
realizou-se de modo coletivo. O instrumento de avaliação utilizado nesta
etapa é apresentado no Anexo 3.
Entretanto, para compreender a realidade de trabalho, bem como
facilidades e dificuldades encontradas pelos trabalhadores da empresa
envolvida com a pesquisa optou-se, inicialmente, pela realização da
pesquisa sobre a avaliação de aspectos gerais da atividade de trabalho, a
fim de identificar variáveis intervenientes na gestão do trabalho e
redefinir a demanda para análise de carga mental de trabalho, com
auxilio dos resultados obtidos nessa etapa da pesquisa. Genericamente, a
aplicação dessa etapa da pesquisa dividiu-se em quatro fases:
1º. Avaliação individual para coleta de informações gerais com
auxilio de representante do RH da empresa e com supervisores dos
setores envolvidos – toda a empresa de produtos seriado;
2º. Avaliação coletiva com os trabalhadores em geral: envolvendo
40 trabalhadores da empresa (questionário de investigação das
condições gerais de trabalho apresentado no Anexo - 3);
3º. Análise e tabulação dos resultados
4º. Elaboração de relatório geral contendo os resultados desta
etapa (apresentação gráfica de resultados no Anexo 5).
Ao iniciar a pesquisa de campo realizou-se uma avaliação
individual buscando-se identificar o ponto de vista dos administradores
dos setores em relação aos processos e características gerais do trabalho,
utilizando-se de roteiro de entrevista individual (Anexo 4), que abordou
aspectos ligados a gestão do trabalho, com a complexidade que
merecem.
62

Além disso, antecedeu a avaliação da carga mental de trabalho


uma avaliação coletiva, na qual utilizou-se o modelo teórico de
Fernandes (1996), se possibilita investigar características gerais da
atividade de trabalho. Para a realização desta avaliação abordou-se os
seguintes aspectos: Condições de trabalho, Organização do Trabalho,
Saúde no Trabalho, Relacionamento Interpessoal, Moralidade no
Trabalho, Envolvimento, Comunicação, e Imagem da Empresa /
Departamento. Esse levantamento também possibilitou a identificação
tanto de pontos fortes relacionados com a atividade de trabalho e com as
tarefas em geral, que poderão então ser enfatizados, quanto de
limitações, que poderão ser superadas.
Os resultados da avaliação das condições gerais de trabalho serão
apresentados de forma quantitativa, e a apresentação gráfica é ilustrada
através do Anexo 5. A qualificação dos resultados dessa etapa da
pesquisa segue em comentários apresentados sobre os resultados obtidos
para cada bloco.
Para a aferição do grau de satisfação dos participantes, em
relação a cada aspecto avaliado nessa etapa, os resultados foram
classificados de acordo com a escala numérica de 1 a 7, utilizada no
instrumento de avaliação. Também para este processo todos os
avaliados foram orientados sobre o significado da escala de respostas e
sobre as características gerais do instrumento (questionário). Os dados
obtidos foram classificados de acordo com a escala apresentada no
quadro da Figura 5.

Nota: Significado:
1 Totalmente Insatisfeito
2 Insatisfeito
3 Levemente Insatisfeito
4 Nem satisfeito – Nem insatisfeito
5 Levemente Satisfeito
6 Satisfeito
7 Totalmente Satisfeito

Figura 5 - Quadro com dados da escala de classificação das respostas do


questionário utilizado na avaliação das condições gerais de trabalho.
Fonte: Fernandes (1996).
Tendo como base, de um lado, a relevância social, moral e
econômica do trabalho para o indivíduo e, do outro, a escala utilizada
para avaliar o grau de satisfação dos avaliados em relação às condições
gerais de trabalho adota-se, mesmo que de forma arbitrária, a condição
63

de (5) levemente satisfeito como sendo a condição minimamente


aceitável em relação à situação, ou condições gerais de trabalho
observadas pelo avaliado. Assim sendo, deixa-se de lado a condição de
neutralidade (4), que corresponderia ao meio da escala utilizada neste
estudo, pois de acordo com Fernandes, esta posição significa afirmar
que “...há coisas boas e más. Não sei dizer”. (FERNANDES, 1996, p.
86), e isso implica na adoção de uma condição de neutralidade como
parâmetro de análise associada a aspectos tidos como insatisfatórios
como sendo satisfatórios e vice-versa. A partir desse princípio enfatiza-
se, em especial, os aspectos que apresentam notas abaixo de quatro na
escala de classificação das respostas (3 – Levemente Insatisfeitos, 2 –
Insatisfeitos, 1 – Totalmente Insatisfeitos).
3.4.2.2 Visita aos postos de trabalho
Com o intuito de complementar o estudo e compreender mais
sobre as características das atividades desenvolvidas pelos trabalhadores
da empresa e em especial do setor, no qual foi aplicado o método de
avaliação da carga mental de trabalho – montagem manual e automática
de placas eletrônicas. Realizaram-se visitas aos postos de trabalho, as
quais possibilitaram uma aproximação dos avaliados e maior
compreensão em relação às variáveis intervenientes no processo de
carga mental de trabalho. Nesta etapa também buscou-se observar as
descrições das atividades desempenhadas neste setor para
posteriormente compará-las ao trabalho real.
Numa perspectiva mais abrangente sobre as atividades e do ponto
de vista da análise ergonômica do trabalho, durante as visitas obteve-se
registros fotográficos para que posteriormente fosse possível uma
análise detalhada dos movimentos requeridos pelo trabalho
desenvolvido no setor de montagem de placas eletrônicas. Para tanto,
utilizou-se o método RULA (Rapid Upper Limb Assessment), que
complementou a análise das condições ergonômicas e gerais de trabalho.
Tal método é indicado para atividade em que a movimentação de
membros superiores se mostra mais evidente, possibilitando mensurar
característica da carga física de trabalho.
3.4.2.3 Entrevistas individuais
As entrevistas realizadas com os trabalhadores envolveram tanto
um roteiro com perguntas estruturadas, que compôs a avaliação coletiva,
quanto perguntas semi estruturadas e abertas que foram aplicadas no
processo de avaliação individual e análise no local de trabalho. Todo o
processo de pesquisa foi realizado de modo a não interferir na rotina de
64

trabalho da população estudada e participaram da entrevista individual


todos os avaliados que, a partir da avaliação das condições gerais de
trabalho apresentaram queixas que pudessem influenciar na carga
mental de trabalho. Além disso, todos os operadores do setor em que as
atividades evidenciam maior exigência mental (setor de montagem de
placas eletrônicas), também foram avaliados em entrevista individual.
A realização das entrevistas individuais proporcionou o
conhecimento, a partir dos discursos dos trabalhadores, das
características do trabalho real, bem como conhecimento sobre as
facilidades e dificuldades na execução dos trabalhos e trocas
interpessoais. Em preservação a ética e ao sigilo dos entrevistados, os
resultados das entrevistas não serão apresentados na integra, apenas
serão correlacionados com os resultados da avaliação da carga mental de
trabalho na medida em que estes se complementarem ou indicarem
alguma influência na carga mental de trabalho.
3.4.2.4 Avaliação da carga mental (etapa 2):
Para mensurar a carga mental de trabalho da população estudada,
optou-se por aplicar dois dos métodos mais indicados, mesmo que ainda
sejam pouco aplicados na indústria brasileira, por isso, foram
necessárias algumas adaptações para viabilizar a aplicabilidade dos
métodos. As principais adaptações feitas aos dois métodos enfatizam a
linguagem utilizada, para tornar o vocabulário mais próximo do
utilizado e compreendido pelo trabalhador brasileiro.
Os métodos de mensuração da carga mental (NASA TLX e
SWAT) foram aplicados no mesmo dia e, para isso, foram feitas todas
as orientações necessárias aos avaliados. Também foram feitos
pequenos ajustes no modo de aplicação. Nos métodos originais
recomendam-se instruções e aplicação imediata do instrumento, ou seja,
o individuo recebe as instruções exerce as tarefas e preenche o
instrumento. Neste estudo considerando-se o fato de abordarmos
situações reais de trabalho optou-se por orientar sobre o uso do
instrumento solicitando que associassem a aplicabilidade do método ao
trabalho que executam diariamente, neste caso montagem manual e
montagem automática de placas eletrônicas. Mesmo antes de iniciar a
aplicação os avaliados foram questionados sobre a real compreensão em
relação ao uso do instrumento de pesquisa, bem como procurou-se
deixá-los a vontade para esclarecimentos ou questionamentos.
O primeiro método a ser aplicado foi o NASA TLX, por ser
indicado como um método de fácil aplicação quando comparado ao
65

SWAT. A seqüência dos procedimentos de aplicação foi à mesma para


ambos os métodos e dividiu-se em dois momentos. No primeiro
momento, os avaliados selecionaram opções de respostas apresentadas
em uma planilha contendo todas as possibilidades de respostas ou
combinações possíveis e propostas pelos métodos, sendo que para o
NASA o número de combinações é de 15 e para o SWAT são 27
combinações.
Na etapa de escolha das combinações tem-se uma diferença entre
os dois métodos, pois o NASA propõe que a escolha dos avaliados seja
classificada de acordo com às condições impostas pelo trabalho,
enquanto o SWAT propõe que as combinações sejam classificadas de
acordo com condições desejadas pelo trabalhador avaliado. Tais
diferenças associam-se também ao fato de que o método SWAT é
bastante indicado para casos em que se deseja avaliar os níveis de carga
de um operador considerando-se diversas tarefas, enquanto o NASA
melhor se aplica quando o interesse é de avaliar os níveis de carga
mental de diferentes indivíduos executando uma mesma tarefa. Mesmo
assim, para este estudo a aplicabilidade de ambos mostra-se pertinente,
pois teremos a avaliação de diferentes sujeitos para a mesma atividade e
de diferentes atividades para um mesmo sujeito. Portanto, ambos serão
aplicados, justamente para verificar o quanto cada um é capaz de avaliar
os níveis de carga mental nas referidas situações de trabalho.
A segunda fase ou momento de aplicação dos métodos refletiu na
escolha da intensidade com que cada dimensão do método é expressa na
atividade desempenhada pelos avaliados, sendo três dimensões de
análise propostas pelo SWAT (mental, temporal e estresse) e 6
propostas pelo NASA (mental, física, temporal, realização, esforço e
frustração). Em resumo as avaliações foram aplicadas separadamente,
para cada método, iniciando-se com as duas folhas de aplicação (folha
com as possíveis combinações e folhas com as dimensões apresentadas
em escala graduada a ser pontuada pelo avaliado).
Em relação ao processo de correção dos métodos de avaliação da
carga mental utilizados nessa pesquisa, observou-se a necessidade de
fazer pequenas adaptações na escala de correção do método SWAT, pois
a versão original apresenta uma escala de correção classificada como
ponderada (a mesma escala do NASA), com pesos desconhecidos por
estarem presentes apenas no algoritmo (seqüência de processamento de
respostas proposta pelo software) do software de correção. Com intuito
de adaptar e operacionalizar a aplicação e correção do método SWAT às
atribuições aos valores da carga foi feita através de uma escala
66

classificada como linear com 27 passos onde cada passo corresponde ao


incremento de um nível de escala de carga numerada pelos avaliados.
Embora os valores propostos através da escala linear possam
trazer resultados absolutos da carga e diferentes dos valores propostos
através do software de correção do método SWAT, a aplicação do
método operacionalizou o estudo, bem como atendeu a importantes
critérios que validam a eficácia dos resultados obtidos, já que um dos
interesses em aplicar esse método associa-se ao estabelecimento de
comparações entre as cargas e as atividades da população avaliada.
67

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS

4.1 ANÁLISE DE RESULTADOS DA PESQUISA DE CAMPO


A pesquisa de campo caracterizou-se por visitas ao local de
trabalho, pela avaliação geral das condições de trabalho (40 avaliados),
outras intervenções caracterizam a pesquisa de campo, conforme
explanação dos subitens que seguem.
4.1.1 Resultados da avaliação geral sobre as condições e
características do trabalho em estudo: a redefinição da demanda
A seguir apresenta-se os resultados qualitativos e quantitativos,
dessa avaliação na qual utilizou-se um questionários de avaliação
através do qual avaliou-se oito aspectos associados com as condições
gerais de trabalho, os quais são: condições de trabalho, organização do
trabalho, saúde no trabalho, relacionamento interpessoal, moral,
envolvimento/participação nos trabalhos, comunicação e imagem na
empresa.
• Condições de trabalho
No primeiro bloco referente, as condições de trabalho: de modo
geral o desempenho dos itens avaliados neste bloco apresenta-se
favorável na percepção dos avaliados. Evidenciou-se leve insatisfação
por parte de um dos avaliados, relacionada ao aspecto organização do
local de trabalho. A proposta de se rever a organização geral do
ambiente de trabalho foi indicada pelo setor de engenharia de
desenvolvimento (SENDE) já que na opinião do respondente a equipe
de trabalho poderia adotar atitudes mais efetivas em relação à
organização do ambiente, em especial ao final do expediente de
trabalho. Para os demais respondentes observou-se uma recomendação
de maior fiscalização de segurança para o setor SENDE. Além disso, as
demais respostas dos avaliados indicam de leve a total satisfação em
relação aos demais aspectos que compõe este bloco.
• Organização do trabalho
Em relação à organização do trabalho observou-se melhor
desempenho para os aspectos relacionados com a qualidade de
equipamentos e materiais utilizados no ambiente de trabalho. Entretanto
o menor desempenho ficou para os itens quantidade e qualidade de
treinamentos, tais itens evidenciam respondente(s) insatisfeito(s).
Considerando que a política de treinamento é igual para toda a empresa,
68

ressalta-se a importância em se trabalhar este aspectos aprimorando-o de


igual forma em todos os setores.
• Saúde no Trabalho
Em relação à saúde no trabalho optou-se por dividir este bloco
em duas categorias de análise, dentre as quais: saúde geral e saúde
mental. No âmbito da saúde geral, enfatizou-se sobre as exigências
físicas englobando a saúde como um todo. Para tanto, utilizou-se o
diagrama de Corlett e Manenica (1980), para a mensuração do que
chamamos de custo postural ou físico decorrente da atividade de
trabalho. O diagrama refere-se a uma figura humana que divide e
classifica diversos segmentos do corpo humano possibilitando ao
avaliado que identifique em quais regiões de seu corpo apresenta dor,
essa classificação também poderá ser graduada pelo respondente, de
modo a classificá-la como dor leve, média ou intensa (muita dor).
Ainda sobre a saúde geral recomenda-se atenção especial aos
seguintes itens: bem-estar no trabalho, quantidade e ritmos de trabalho,
nível de cobrança e pressão para atingir resultados e em relação a dores
no corpo. Este último, mensurado com auxilio do diagrama de Corlett
(conforme apresentado no Anexo 3), evidencia que 30%, o que
representa uma população de 12 avaliados, referem sentir dor em
alguma região do corpo, dor esta que associa-se ao trabalho que
desempenham. Significativamente ressalta-se que destes 12 avaliados,
todos também referem sintomas de ordem mental. Entretanto, para
atender a perspectiva qualitativa e preventiva do aspecto - dor
relacionada ao trabalho, cita-se também os setores e locais do corpo em
que a dor se manifesta. Observou-se que os locais mais comuns de dor
são: pescoço (75% das respostas), coluna na região lombar (66,7%) e
ombros com queixas de 50% dos operadores que referem sentir dor
relacionada com o trabalho.
O setor de produção I, também conhecido como SEPRO I
representou 33,3% dos casos de dor relacionada com o trabalho, ou seja
4 dos 12 operadores queixosos são deste setor. Em seguida outros 25%
representam queixas dos operadores do Setor de Engenharia de
Desenvolvimento também conhecido pela sigla SENDE. As dores
referidas pelo setor SEPRO I manifestam-se como predominantes nas
seguintes regiões do corpo: costas lombares e pescoço. Somando-se este
resultado aos discursos destes avaliados verifica-se que tais sintomas de
dor podem estar associados às posturas que os operadores adotam para a
execução das tarefas, já que as atividades desenvolvidas neste setor
69

exigem repetição de movimentos e minúcia durante a execução, ou seja


além de repetição o trabalho abrange certo grau de complexidade e
exigência mental. Além disso, a necessidade de se ampliar a percepção
visual das peças que são manuseadas durante a execução dos trabalhos,
exige determinadas posturas dos operadores que podem aumentar os
sintomas de dores no corpo.
Na qualificação dos resultados do setor SENDE verificou-se em
comum sintomas de dores nos mesmos segmentos corporais dos
operadores do setor SEPRO I: pescoço, costas lombares e ombros.
Assim como no SEPRO I, algumas características das atividades
realizadas no SENDE também se apresentam como variáveis
intervenientes para a ocorrência dos sintomas.
No âmbito da saúde mental no trabalho buscou-se identificar, em
especial, a presença ou não de sintomas associados a esse aspecto.
Sendo assim, observou-se que dos 40 avaliados, pelo menos 28
apresentam algum sintoma classificado como mental, ou seja 70% dos
avaliados. Os sintomas mais freqüentes foram: cansaço geral indicado
por 47,5% (28) e a ansiedade apresentada por 37,5% desta população.
Estes sintomas e os demais de ordem mental foram evidenciados por
trabalhadores de diversos setores da empresa de produtos seriados,
destacando-se o setor de produção, conhecido como SEPRO I e o setor
SENDE, sendo estes os setores com maior número de trabalhadores
queixosos em relação a sintomas associados ao desgaste mental no
trabalho.
• Relacionamento Interpessoal
No relacionamento interpessoal considerou-se tanto o
relacionamento entre chefia e subordinados, quanto o relacionamento
entre colaboradores em geral (colegas de trabalho). Observou-se
respostas aceitáveis para os seguintes critérios: chefia possibilita bom
relacionamento entre os colaboradores, bom relacionamento do chefe
com os colaboradores e chefia procura envolver os colaboradores nos
trabalhos do departamento. Os resultados apontam “notas” abaixo do
aceitável (menor que 4), para o critério: em relação às orientações do
chefe para que o trabalho aconteça da melhor forma. (2,5%). Apesar
destes resultados representarem apenas 2,5% dos 40 avaliados, ressalta-
se a importância de investigar mais sobre estes resultados, visto que,
em setores com poucos trabalhadores este percentual pode mostra-se
significativo.
• Moral
70

Em relação à moral observa-se que os itens com menor


desempenho são respectivamente: respeito da chefia para com o
subordinado, sentimento de valorização por parte da chefia, ambos com
repostas que representam leve insatisfação de 7,5% dos avaliados.
Apesar de ser um percentual baixo para uma população de 40 avaliados
deve ser levado em consideração, por ser de impacto no desempenho
dos trabalhadores. Genericamente este resultado associa-se à satisfação
dos operadores em relação às condutas da chefia durante o trabalho,
trata-se de um aspecto que deve estar em equilíbrio, pois potencializa o
incentivo e motivação aos trabalhadores.
• Envolvimento/participação nos trabalhos
Para o envolvimento/participação nos trabalhos recomenda-se
investigar o critério: aceitação das idéias para melhorias já que este é o
único que se apresenta com alterações significativas. No geral, o baixo
percentual de colaboradores insatisfeitos com este aspecto evidencia a
aceitação dos trabalhadores para com a moralidade no trabalho.
• Comunicação
Para este bloco, a presença de respostas que indicam leve
insatisfação, para os três itens avaliados sugere que sejam estudadas
possibilidades de aprimorar o aspecto comunicação na empresa.
• Imagem da empresa
Nessa categoria os avaliados, de modo geral, não apresentam
insatisfação, tampouco notas abaixo de 4 para os itens que contemplam
este bloco, o que indica bom desempenho para todos os itens.
Com base nos resultados da primeira etapa da pesquisa, verificou-
se que o objetivo da mesma foi atingido e a redefinição da demanda para
a análise de carga mental de trabalho pôde ser definida a partir dos
resultados e informações colhidas nessa etapa, observou-se que o setor
SEPRO I, onde se efetua a montagem manual e montagem automática
de placas eletrônicas é o que abrange atividades com maior demanda
mental. As atividades realizadas por este grupo caracterizam-se como
complexas e com alta demanda mental, isso indica a importância da
valorização do trabalho do montador de placas eletrônicas de modo a
contribuir analisando-se fatores preponderantes nas atividades. A
avaliação desta demanda também possibilitará o conhecimento em
relação aos níveis de carga mental e a comparação entre os dois métodos
que serão abordados neste estudo (NASA TLX e SWAT).
71

4.1.2 Visita aos postos de trabalho


Nas visitas aos postos de trabalho observou-se que caracteriza a
atividade de montagem manual e automática de placas eletrônicas, a alta
exigência cognitiva, o que também é observado através dos resultados
da avaliação das condições gerais de trabalho, bem como através do
discurso dos trabalhadores que desempenham estas atividades.
A alta exigência cognitiva é conseqüência de algumas
características da atividade, dentre as quais: minúcia durante a execução
do trabalho, já que há peças muito pequenas no processo de montagem
que exigem constante concentração e atenção constantes para com os
detalhes de cada peça que compõe a placa eletrônica. Além disso, o
trabalho é desenvolvido em equipe o que requer que o trabalhador tenha
facilidade e habilidade no relacionamento em grupo.
Para executar a atividade de montagem de placas eletrônicas, o
trabalhador deve montar e inspecionar placas, aparelhos e equipamentos
eletroeletrônicos, preencher relatórios e fichas dos equipamentos, em
alguns casos também solda e encapsula. A organização do local de
trabalho, para mantê-lo em condições de uso, abastecendo o posto de
componentes, peças e materiais, também são atribuições dos
trabalhadores desse setor. Todas estas atribuições tornam a atividade de
trabalho com alta exigência das capacidades mentais, fato que também
dependerá das habilidades e capacidades de cada trabalhador em atender
as exigências da atividade.
As Figuras 6, 7, 8 e 9 ilustram características das atividades
desempenhadas no setor de montagem de placas eletrônicas (montagem
manual e automática):
72

Figura 6 – Operador executando a atividade de montagem manual de


placas eletrônicas

Figura 7 – Execução da montagem manual de placas eletrônicas


73

Figura 8 – Execução da atividade de montagem manual de placas


eletrônicas

Figura 9 – Execução da montagem automática de placas eletrônicas


74

Além das imagens apresentadas através das Figuras 6, 7, 8, 9 e 10


outros registros fotográficos possibilitaram os cálculos das principais
angulações de movimentos adotados pelos trabalhadores e permitiram a
aplicação do método RULA (Rapid Upper Limb Assessment), que
avalia o índice de repetição e movimentação dos membros superiores.
Observou-se na visita ao local de trabalho que, a atividade de montagem
manual exige maior esforço físico, movimentos e posturas dos
operadores (incluindo a postura estática na maior parte do tempo). Por
isso, conforme ilustra o Quadro 1, os principais movimentos e suas
angulações evidenciam os seguintes resultados para a operação de
montagem manual:
Quadro 1: Movimentos e angulações das atividades desenvolvidas na
montagem de placas eletrônicas (atividade manual).
Resultados obtidos
Foto com características do local de trabalho
através da aplicação do
angulações de movimentos e posturas.
método RULA.
Calculo RULA –
montagem Manual
Braço:+3
Antebraço: +2
punhos: +4 / +1
Resultados Tabela A:
5+1=6
Pescoço +3
Tronco +2
Pernas +1
Resultados Tabela B:
3+1=4
ESCORE FINAL = 6
75

Calculo RULA
Montagem Manual
Braço: +3
Antebraço: +2
punhos +4 / +1
Resultados Tabela A:
5+1=6
Pescoço: +3
Tronco: +2
Pernas: +1
Resultados Tabela B:
3+1=4
ESCORE FINAL=6

Cálculo RULA
Montagem Automática
(referência braço direito):

braço: +2
antebraço: +2
punho: +2
Resultados Tabela A: 3

Pescoço: +3
Tronco: +2
Pernas: +1
Resultados Tabela B: 3
ESCORE FINAL= 5

A aplicação do método RULA oportunizou uma avaliação mais


precisa em relação aos movimentos e posturas desempenhados para a
execução das atividades deste grupo. O resultado do escore final (6),
para a atividade de montagem manual, sugere que se façam adaptações
ao posto de trabalho de modo a proporcionar maior conforto e
conseqüentemente melhorias no desempenho do trabalhador. As
76

melhorias ou situações com pior desempenho no método RULA,


referem-se à movimentação de pescoço (flexão), ombros e punhos.
Enquanto que, para a montagem automática os resultados do
método RULA evidenciam um escore final 5, o qual também sugere
mais investigação para promover as mudanças ou adaptações
necessárias gerando mais conforto ao operador.
Tais observações sugerem que se faça um estudo para
verificação de necessidades de adaptação de cadeira, bancada, alicate de
acabamento, bem como orientações gerais sobre cuidados com as
posturas durante a execução dos trabalhos.
4.2 RESULTADOS DA AVALIAÇÃO DA CARGA MENTAL DE
TRABALHO
Os resultados da carga mental de trabalho de operadores da
montagem de placas eletrônicas serão apresentados através da seguinte
seqüência:
• Resultados obtidos através do método NASA TLX envolvendo
operadores da montagem manual e automática e comparação dos
resultados obtidos para os dois modos de execução da atividade de
montagem;
• Resultados obtidos através do método SWAT envolvendo
operadores da montagem manual e automática, bem como a comparação
dos resultados obtidos para os dois modos de execução da atividade de
montagem.
• Comparativo de desempenho dos métodos NASA TLX e SWAT:
neste considera-se como desempenho os resultados quantitativos obtidos
através de cada método, bem como o desempenho de cada um aplicado
ao trabalho de montagem de placas eletrônicas. Portanto, também serão
revistos e apresentados os principais critérios que viabilizam e validam a
avaliação para cada população estudada.
• Conclui-se o capítulo apresentando-se as principais variáveis
intervenientes na carga mental de trabalho de operadores da montagem
de placas eletrônicas.
Nos subitens que seguem apresenta-se os resultados de modo
detalhado:
77

4.2.1 Resultados dos níveis de carga mental obtidos através do


NASA TLX - Montagem manual de placas eletrônicas
A Tabela 12 representa a quantificação de resultados obtidos
através da aplicação do método NASA TLX, com os trabalhadores da
montagem manual de placas eletrônicas (10 avaliados). A partir dos
resultados de multiplicação das taxas com os respectivos pesos nota-se
que a exigência mental e a exigência de tempo, respectivamente, são os
fatores preponderantes, pois apresentam resultados ou índices mais
elevados em relação às atividades desempenhadas nesse setor. Através
da Tabela 12 pode-se observar os índices de sobrecarga para cada
sujeito, o que retrata como uma mesma tarefa é percebida
diferentemente para diferentes indivíduos.
Tabela 12 - Resultados da carga mental de operadores da montagem
manual de placas eletrônicas, obtidos através do método NASA TLX
NASA TLX - Comparativo de resultados das dimensões e carga mental geral:
tarefa de montagem manual de placas eletrônicas
Tipo de escala /
Nº identificação 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
avaliado

Exigência
45 64 85 60 16 75 42 28 68 42
Mental
Exigência Física 36 13 14 26 24 18 22 24 54 9
Exigência
60 85 76 16 39 52 60 80 17 28
Temporal
Nível de
9 48 42 0 48 17 42 64 34 75
realização
Nível de
11 30 20 48 27 33 14 34 85 24
Esforço
Nível de
9 15 0 65 8 0 10 16 0 0
Frustração
Sobrecarga 11,3 17 15,8 14,3 10,8 13 12,6 16,4 17,2 11,8
Sobrecarga em
56,5% 85% 79% 71.6% 54% 65% 63% 82% 86% 59%
percentual

Fonte: Autora
Através do método NASA TLX é possível obter a taxa de carga
para cada uma das dimensões e também a taxa de sobrecarga através da
78

pontuação geral da atividade. Para se obter o nível de carga que cada


sujeito deu para cada uma das dimensões, multiplica-se o valor atribuído
para cada dimensão pelo respectivo peso. Entretanto, para se padronizar
a escala de resposta e comparar o desempenho entre os dois métodos
utilizados na pesquisa, assim como para o SWAT, para o NASA TLX se
propõe uma escala de respostas em percentual, equiparando sua
pontuação máxima de carga que é 20 ao valor máximo em percentual
que é 100%.
A partir disso, identificou-se as principais dimensões ou
exigências para a execução da atividade de montagem manual
mantendo-se maior destaque para o fator tempo e utilização da
capacidade mental. Em se tratando da sobrecarga, soma de todas os
valores obtidos nas dimensões e divisão desta soma por 15 e posterior
transformação do resultado em percentual (conforme proposto na escala
de correção do método), observou-se que o maior índice de sobrecarga é
representado pelo sujeito 9 e pelo sujeito nº 2 (86% e 85% de
sobrecarga). Destes, especialmente o sujeito 9 apresenta sintomas e
queixas significativas associadas às condições físicas, fator que também
pode se relacionar ao alto nível de carga mental apresentado a partir do
método NASA TLX.
Ressalta-se ainda, que o menor índice de sobrecarga é
apresentado pelo sujeito nº 5, o qual evidencia que, numa avaliação
isolada das dimensões, o nível de realização apresenta resultados
significativos quando comparada as demais demandas avaliadas pelo
método, ou seja, dentre todos os fatores, o nível de realização é o de
maior impacto obteve na carga mental. Tal demanda representa o nível
de realização do sujeito em relação ao seu trabalho.
4.2.2 Resultado dos níveis de carga mental obtidos através do NASA
TLX – Atividade de Montagem Automática
Participaram desta avaliação 4 operadores que executam a
atividade de montagem de placas através de processo automatizado,
nesta situação os operadores apenas realizam a preparação da máquina
que fará a montagem automaticamente.
Tanto a Tabela 13, quanto a Figura 10 evidenciam os resultados
obtidos, através da aplicação do NASA TLX à essa população, uma
maior demanda em termos de exigência mental e de esforço, o que vale
para todos os sujeitos do setor de montagem automática. Em relação à
79

exigência de esforço, relembra-se que esta está associada ao esforço


físico e mental considerados ao mesmo tempo.
Tabela 13 - Resultados da carga mental de operadores da montagem
automática de placas eletrônicas, obtidos através do método NASA TLX

NASA TLX - Comparativo de resultados das dimensões e carga mental geral: tarefa
de montagem automática de placas eletrônicas
Tipo de escala Sujeito 1 Sujeito 2 Sujeito 3 Sujeito4
Exigência Mental 16 95 56 64
Exigência Física 22 22 12 7
Exigência Temporal 16 30 51 33
Nível de realização 18 19 30 51
Nível de Esforço 52 51 75 100
Nível de Frustração 45 0 0 0
Sobrecarga 11,26 14,46 14,93 17
Sobrecarga em percentual 56.3% 72.3% 74.6% 85%
Fonte: Autora
Do ponto de vista da análise das características do trabalho no
setor de montagem automática e partindo do discurso dos trabalhadores
que atuam nesta atividade, salienta-se que, alternância entre as posturas
de pé e sentada, caracterizam a atividade, fato este que pode associar-se
ao maior índice em relação ao nível de esforço (tanto exigência física
quanto mental) e a necessidade de estar atento e concentrado na
observação do funcionamento da máquina que opera o processo de
montagem automática de placas eletrônicas, associa-se ao alto nível de
exigência mental.
Ainda com relação à exigência mental, vale ressaltar que apenas
para o sujeito 1, esta dimensão não aparece como a mais exigente
durante a execução da montagem automática de placas, o que pode
ocorrer, na medida em que se entende que a carga mental é subjetiva
para cada avaliado. Entretanto, este mesmo sujeito, diferentemente dos
demais, teria como segunda dimensão mais exigida para a execução
desta atividade, o nível de frustração, ou seja, este sujeito tem a
frustração como um sentimento que o acompanha enquanto executa esta
atividade, tal dimensão é destaque apenas para este sujeito.
O alto nível de frustração pode estar associado, à baixa utilização
das capacidades e habilidades dispostas pelo sujeito durante a execução
dos trabalhos, em casos como este é comum o trabalhador apresentar
80

capacidades além do que o seu trabalho exige. Porém, tais resultados


podem estar associados a qualquer outra dificuldade relacionada com a
atividade de trabalho, desde situações que caracterizam alguma
dificuldade de adaptação, remuneração, preparação para executar o
trabalho, até mesmo as que se referem às trocas interpessoais e
relacionamentos no ambiente de trabalho.
Considerado-se dentre as características da atividade de
montagem automática a alta exigência de atenção, concentração,
percepção e memória, fica fácil compreender por qual razão a dimensão
classificada como mental evidencia-se duplamente nos resultados
aparecendo também, na dimensão classificada como esforço proposta
pelo método NASA TLX. Retoma-se que a dimensão esforço refere-se
tanto aos esforços mentais, quanto físicos aplicados ao mesmo tempo.
Além do desempenho mental para a realização da atividade, a
preparação e acompanhamento das operações da máquina de montagem
automática também podem associar-se a demanda mental e de esforço.
A representação gráfica, da Figura 10, ilustra a comparação entre
as dimensões mais exigidas para a execução da atividade de montagem
automática de placas eletrônicas.
Comparativo entre cargas dos sujeitos da Montagem
Automática

120
100
80
60
40
20
0
Sujeito 1
l
l

ca

ão

o
ra
ta

ga

çã
po
en

si

ar
fo

tra

m
M

Sujeito 2
ec
iz

Es
a

us
Te

al
a

br
ci
ci

de
re

Fr
ên

So
a
ên

Sujeito 3
de
ci

el

de
ig
ig

ên

ív
Ex

el
Ex

el
N
ig

ív

ív

Sujeito4
Ex

Figura 10 - Gráfico comparativo entre as cargas dos sujeitos que


desempenham a atividade de montagem automática de placas eletrônicas
(Método de mensuração NASA TLX)
Através do gráfico e setas de destaque, verifica-se a intensidade
com que as dimensões: exigência mental e nível de esforço são
desempenhados para a execução da tarefa de montagem automática,
81

resultados encontrados para a maioria dos sujeitos que atuam nesta


atividade.
4.2.3 Principais comparações de carga mental obtidas através do
NASA TLX – Montagem Manual e Automática de Placas
Eletrônicas.
Esta comparação pode ser aplicada apenas a um grupo menor de
trabalhadores que desempenham e conhecem as exigências impostas
tanto pela atividade de montagem manual, quanto pela atividade de
montagem automática. Deste grupo, 3 trabalhadores conhecem a
atividade de montagem manual e ao mesmo tempo conhecem e sabem
aplicar o processo de montagem automática de placas eletrônicas.
Enquanto que conhecedores da montagem automática são pelo menos 4
trabalhadores, já que uma das pessoas não atua na montagem manual,
apenas na automática.
As Tabelas 14 e 15 evidenciam a quantificação dos resultados da
carga mental e possibilitam a comparação entre os mesmo.
Tabela 14 – Resultados do NASA TLX aplicado a Montagem
Automática de Placas Eletrônicas
Tipo de escala Sujeito 1 Sujeito 2 Sujeito 3 Sujeito4
Exigência Mental 16 95 56 64
Exigência Física 22 22 12 7
Exigência Temporal 16 30 51 33
Nível de realização 18 19 30 51
Nível de Esforço 52 51 75 100
Nível de Frustração 45 0 0 0
Sobrecarga 11,26 14,46 14,93 17
Sobrecarga em
56.3% 72.3% 74.6% 85%
percentual
Fonte: Autora
82

Tabela 15 – Resultados NASA TLX - Montagem Manual de placas


eletrônicas
Tipo de escala Sujeito 1 Sujeito 2 Sujeito 3 Sujeito4
Exigência Mental 45 64 85
Exigência Física 36 13 14
Exigência Temporal 60 Não 85 76
executa a
Nível de realização 9 48 42
montagem
Nível de Esforço 11 manual 30 20
Nível de Frustração 9 15 0
Sobrecarga 11,33 16,98 15,8
Sobrecarga em
56.5% 84.9% 79%
percentual
Fonte: Autora

Nota-se através da aproximação da tabela de resultados da carga


mental de operadores que conhecem e executam os dois modos de
operação da montagem que, a demanda mental é significativa tanto na
montagem manual quanto na montagem automática havendo a
diferenciação através das demandas de tempo e esforço, sendo que o
tempo é consideravelmente exigido no processo manual, enquanto que o
esforço aparece como a segunda demanda mais exigida no processo
automático.
Observa-se ainda que, para estes avaliados o setor de montagem
manual requer em intensidades maiores, a exigência mental do
trabalhador associada à pressão de tempo para a execução dos trabalhos,
o que para os avaliados gera um desgaste maior do que o exigido no
processo de montagem automática. Sendo assim, a pressão de tempos
para atingir resultados somada a exigência da capacidade mental
indicam a importância de investir em estudos para adaptar as condições
de trabalho da montagem manual de modo a reduzir o impacto das
dimensões em destaque.
Considerando-se a relevância da comparação de resultados entre
os sujeitos que executam atividades da montagem manual e automática,
retoma-se a apresentação gráfica do setor de montagem manual e
acrescenta-se o gráfico com resultados do setor de montagem
automática.
83

Comparativo entre cargas dos sujeitos da Montagem


Automática

120
100
80
60
40
20
0

l
l

ca

ra

o
ão

o
Sujeito 1
ta

ga
çã

po
en

si

fo

ar
tra

m
M

iz

Es

ec
Sujeito 2

us
Te
a

al
a

br
ci

de
re
ci

Fr
ên

So
ên

ci

de Sujeito 3

de
el
ig

ên
ig

ív
Ex

el
Ex

el
N
ig

ív

ív
Ex

Sujeito4
N

N
Figura 11 - Representação gráfica comparativa com resultados das
cargas apresentadas para cada sujeito – Montagem Automática (Método:
NASA TLX).

Comparativo entre cargas dos sujeitos -


Montagem Manual

90
80 Sujeito 1
70
60
50 Sujeito 2
40
30 Sujeito 3
20
10 Sujeito4
0
l

ão
ca
l

ra

o
o
ta

ga
çã

po
en

si

ar
fo

tra
m
M

iz

Es

ec
Te
a

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al
a

br
ci
ci

de
re

Fr
ên

So
ên

de
ci

el

de
ig
ig

ên

ív
Ex

el
Ex

el
N
ig

ív

ív
Ex

Figura 12 - Representação gráfica comparativa com resultados das


cargas apresentadas para cada sujeito – Montagem Manual (Método:
NASA TLX)
Os gráficos representados pelas Figuras 11 e 12 proporcionam
uma análise comparativa dos resultados da carga mental dos sujeitos que
desempenham e conhecem as duas atividades da montagem de placas
(manual e automática), tais Figuras também ilustram os níveis de cargas
para cada dimensão avaliada a partir do método NASA TLX.
84

4.3. RESULTADOS DAS AVALIAÇÕES DE CARGA MENTAL


DE TRABALHO OBTIDOS ATRAVÉS DO MÉTODO SWAT –
COMPARATIVO ENTRE MONTAGEM MANUAL E
AUTOMÁTICA
A aplicação deste método possibilitou a verificação do índice de
carga mental geral relacionado tanto com a atividade de montagem
manual, quanto com a atividade de montagem automática de placas
eletrônicas. Observa-se que esse método (o SWAT), tal como o NASA
TLX, possibilita a obtenção da carga mental geral e além disso facilita a
comparação entre os níveis de cargas de várias atividades ao mesmo
tempo. O alto poder diagnóstico comparativo, proposto pelo SWAT
pode ser observado através da Tabela 16 e em seguida faz-se a
qualificação dos resultados desta tabela.
A Tabela 16 representa os resultados obtidos através do método
SWAT e possibilita a observação e comparação entre as cargas dos
sujeitos que operam tanto a atividade manual (representada na tabela
pela cor azul) quanto à automática (representada pela cor amarela na
tabela). Fica evidente que para estes sujeitos a montagem manual
mostra-se predominante, com uma exigência maior em termos de carga
mental geral. Especialmente para o sujeitos nº 1 e nº 4 a diferença entre
as exigências impostas pelas duas formas de operação da montagem,
mostra-se significativa.
Mesmo que a tabela 16, ou o modo de apresentação geral dos
resultados obtidos a partir do SWAT não possibilitem evidencias claras
em relação a intensidade com que cada dimensão do método se
manifesta, buscou-se qualificar este aspecto considerando-se quais das
dimensões apresentaram-se com maior destaque. A partir disso,
observou-se que para o método SWAT a demanda mental e de tempo
apresentam maior influência sobre a carga mental geral dos avaliados,
resultado esse que vale tanto para a montagem manual quanto para a
montagem automática.
85

Tabela 16 – Resultados da avaliação da carga mental geral obtidos


através do método SWAT

Fonte: Autora

Com o intuito de proporcionar uma melhor comparação entre os


níveis de cargas obtidos através do SWAT aplicado a sujeitos da
montagem manual e automática, apresenta-se a Figura 13.
86

Resultado carga mental SWAT: comparativo entre


montagem manual e automática

100 100
100 92,31
Resultados da carga mental

88,46 88,46 88,46


90 84,62
80,77
80 76,92
70
61,54
60 53,85 53,85
50 46,15
40 38,46

30
20
10
0
Suj.1 Suj. 2 Suj.3 Suj.4 Suj.5 Suj.6 Suj.7 Suj.8 Suj.9 Suj.10 Suj.11

Sujeitos Avaliados Montagem Manual


Montagem Autom ática

Figura 13 – Comparativo dos níveis de carga mental entre sujeitos da


montagem manual e automática.
A representação gráfica da Figura 13, referente aos resultados da
carga mental obtida através do método SWAT, indica que os sujeitos
que executam tanto o processo de montagem manual, quanto o
automático, apresentam maior índice de carga mental na atividade de
montagem manual. Do ponto de vista qualitativo, nota-se que mesmo
que, o discurso destes avaliados tenha evidenciado a necessidade de
maior compreensão no período de aprendizado para a preparação e
operação da montagem automática, para eles, uma vez aprendido o
processo o operador terá menos desgaste em relação às cargas mental e
física para execução da atividade, mesmo que a operação automatizada
abrange novas tecnologias e portanto novas exigências para a execução
das tarefas.
4.4 COMPARATIVO DOS RESULTADOS E DESEMPENHO
ENTRE OS MÉTODOS DE MENSURAÇÃO DA CARGA
MENTAL DE TRABALHO – NASA TLX E SWAT
Do ponto de vista comparativo e enfatizando-se os resultados
obtidos a partir da aplicação dos métodos de avaliação da carga mental
de trabalho em operadores do setor de montagem manual e automática
de placas eletrônicas, observa-se que ambos os métodos indicam
87

algumas diferenças importantes e alguns resultados em fato que pode ser


melhor ilustrado através do Quadro 1:
Quadro 2 - Comparativo dos resultados de carga mental obtidos através
dos métodos NASA TLX e SWAT

Fonte: Autora

Ambos os métodos avaliam a carga mental a partir de dimensões


que a compõem, apesar disso sabe-se que características,
particularidades de cada um podem implicar na diferença de resultados.
Entretanto, observou-se através desse estudo que, para os dois métodos
predominam resultados que evidenciam maiores níveis de carga mental
na atividade de montagem manual. Nesse sentido, a aplicabilidade dos
métodos às atividades em estudo mostrou-se eficaz e possibilitou
resultados claros e complementares.
As dimensões de maior destaque nos resultados obtidos através
dos dois métodos foram: mental, esforço e tempo, a dimensão associada
ao desgaste mental aparece nas duas formas de operação da montagem
de placas (manual e automática) e é destaque nos resultados de ambos os
métodos. Já a dimensão relacionada com o tempo desempenhado para
realizar as atividades mostra-se em destaque nos resultados dos dois
métodos, mas não nas duas formas de execução da atividade. No geral,
torna-se importante que as dimensões, que mais interferem nos
resultados da carga, sejam melhor investigadas identificando-se formas
de intervir sobre os principais causadores deste resultado de modo a
controlá-los.
Mesmo que cada método de avaliação da carga mental utilizado
nessa pesquisa, de certa forma, apresente características singulares,
88

buscou-se utilizá-los com o principal interesse de se identificar qual


deles mais contribui, em termos de resultados, para a mensuração de
aspectos associados à carga mental de trabalho na atividade de
montagem de placas eletrônicas. Entretanto, numa comparação em
termos de carga mental geral, nota-se que o método SWAT apresenta
maior sensibilidade evidenciando níveis mais elevados da carga mental.
Tal afirmação pode ser observada através da Tabela 17 na qual se
compara os resultados gerais (em percentual) obtidos através do NASA
e do SWAT.
Tabela 17 - Comparação de resultados da carga mental geral obtida
através dos métodos NASA e SWAT – Montagem Manual

Fonte: Autora

Observa-se através da Tabela 17 que, apenas para os sujeitos 2, 9


e 10 as cargas são parecidas tanto para o NASA, quanto para o SWAT.
No geral não é possível fazer uma comparação ou padronização em
termos de resultados da carga mental geral, devido à baixa correlação
entre os dados encontrados. Fica evidente também que os resultados
indicados pelo SWAT mostram-se em níveis mais elevados, o que pode
estar associado à diferença no número de dimensões que o método
contempla, concentrando a carga com maior intensidade nas poucas
demandas que mensura-se através do método.
Sobre alguns critérios de validade que refletem na qualidade da
aplicação, correção e resultados desses métodos analisam-se nessa
pesquisa os seguintes: validade, intrusão, sensibilidade, diagnosticidade
e aceitabilidade ou aplicabilidade do método. Cita-se a seguir os
critérios que foram considerados para se verificar a qualidade da
avaliação e resultados da carga mental de trabalho obtidos através do
NASA e do SWAT.
Sobre o critério de validade: como observado na Tabela 5
apresentada nesta dissertação, não há consenso em relação aos critérios
de validade, porém a literatura no geral indica que a escolha de uma
medida de carga mental deve satisfazer no mínimo os três critérios que
seguem: conteúdo, preditiva e coerência, para que atenda o critério de
89

validade. Tais critérios são avaliados por experts no assunto no


momento de validação do método e podem ser revistos na medida que
são utilizados em pesquisas de mensuração da carga mental. O critério
de conteúdo refere-se ao conteúdo investigação através do método a ser
aplicado. Enquanto que a validade preditiva busca saber se a medida que
foi obtida em situação simulada é representativa em situação real, no
caso desta pesquisa este critério de validade foi atingido. Sobre a
validade coerência refere-se a coerência entre duas ou mais medidas
destinadas a mensurar o mesmo fenômeno, a pesquisa mostra que tanto
o NASA TLX quanto o método SWAT são capazes de mensurar o
mesmo fenômeno, entretanto com certa diferença na diagnosticidade –
resultados gerais da carga mental.
Em relação ao grau de Intrusão: sabe-se que um método deve
mensurar a carga mental sem interferir no desempenho da tarefa ou
atividade no momento de sua aplicação. Entretanto, não foram
encontradas diferenças significativas no desempenho dos métodos em
termos de intrusão da técnica. Como os questionários foram
administrados após a realização da tarefa, pode-se concluir que a
interferência destes instrumentos ao desempenho do trabalhador, nesse
caso é insignificante.
Sobre o nível de sensibilidade dos métodos: este critério proposto
aos métodos de mensuração da carga mental de trabalho refere-se à
capacidade da técnica para discriminar variações significativas nos
níveis de carga impostos por uma tarefa ou um grupo de tarefas. Quanto
a isso, os dois métodos mostraram-se sensíveis a carga mental, sendo
que o NASA TLX possibilitou melhores evidencias em termos de
dimensões avaliadas e o SWAT em termos de avaliação da carga mental
geral. A sensibilidade dos dois instrumentos foi observada através da
variação dos resultados o que evidencia que o SWAT mostrou-se mais
sensível à carga mental, visto que apontou resultados com níveis mais
elevados
Em relação à diagnosticidade: refere-se à capacidade do método
em discriminar o nível total de carga imposta sobre diferentes
capacidades ou dimensões avaliadas do trabalhador em atividade. Sobre
os resultados das dimensões fica evidente a contribuição do método
NASA TLX e sua facilidade em expressar, através do modelo de
apresentação dos resultados, o quanto cada dimensão interfere no
resultado da carga mental geral. Mesmo assim, mesmo que o NASA
TLX parece atender melhor a este critério, muitos estudos sugerem que
90

os métodos multidimensionais, isso inclui o SWAT, se mostram como


os mais indicados em termos de analise da carga mental de trabalho.
Sobre os requisitos da Aplicação e aceitabilidade: conforme
consta na fundamentação teórica alguns autores consideram que o
sucesso da técnica depende da colaboração dos trabalhadores durante a
coleta de informações proposta pela técnica ou método. Embora não
exista quantificação em relação à aplicabilidade ou aceitabilidade dos
métodos por parte dos avaliados, algumas vantagens e desvantagem
qualificam este critério, dentre as quais: ambos apresentam software de
aplicação, porém foram estudados para serem aplicados na versão lápis
e papel o que tornou a aplicação mais simples, assim as exigências de
implementação foram mínimas. A única diferença a salientar é o tempo
de administração. A SWAT foi um pouco mais demorada em sua
aplicação totalizando em média 60 minutos, enquanto que o NASA TLX
foi aplicado em aproximadamente 50 minutos. Para o SWAT
especialmente a tarefa de classificar os pesos das dimensões se tornou
mais exigente e cansativa aos avaliados.
4.5 PRINCIPAIS VARIÁVEIS INTERVENIENTES À CARGA
MENTAL DA POPULAÇÃO ESTUDADA
Retoma-se que, do ponto de vista qualitativo os resultados da
carga mental relacionam-se tanto com acontecimentos ligados ao
trabalho e às caractecterísticas gerais do trabalhador (idade, sexo, tempo
na função, nível de escolaridade, outros), quanto com a capacidade de
cada trabalhador em lidar com seu trabalho. Por isso, procurou-se traçar
um comparativo entre o perfil da população estudada e a intensidade da
carga mental geral. Contudo não houve destaque nesse sentido, já que
variáveis como: idade, sexo, tempo de empresa ou função e escolaridade
não representaram interferência significativa na variação da carga
mental apresentada por esses avaliados. Através dos resultados das
avaliações observou-se que os aspectos mais impactantes à carga mental
geral são: a demanda mental, demanda de esforço e de tempo.
91

5. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Considerando-se que a ergonomia busca proporcionar melhorias
e o controle das condições psicofisiológicas presentes na realidade de
trabalho, entende-se a razão pela qual a mensuração da carga mental de
trabalho é um fator complementar na avaliação ergonômica. Portanto,
cabe ao ergonomista compreender a complexidade envolvida em estudos
da ergonomia e reconhecer que a saúde mental, do ponto de vista social
e organizacional, é fundamental para que o homem possa ser visto como
um ser capaz de dispor de suas competências e atingir seus objetivos.
Evidencia-se, dessa forma, a importância em se investir mais em
pesquisas que valorizem aspectos da carga mental de trabalho.
Salienta-se que maior parte das pesquisas de mensuração da carga
mental são aplicadas a situações que simulam a realidade de trabalho.
Porém, tais formas de pesquisa agregam pouco ao ergonomista, visto
que para a ergonomia, as vantagens surgem através de pesquisas
aplicadas na prática, pois possibilitam que o ergonomista observe todos
os aspectos que se mostram presentes na realidade de trabalho, tais
como: características ambientais, noções de biomecânica para entender
fenômenos fisiológicos, relacionamento interpessoal no trabalho,
organização geral do trabalho. Enfim toda a complexidade do trabalho
que pode interferir no desempenho do trabalhador e nas exigências
mentais impostas pelo trabalho. Portanto, o estudo teórico-metodológico
da carga mental de trabalho de operadores que atuam na montagem de
placas eletrônicas mostrou-se relevante, visto que no Brasil ainda são
poucas as pesquisas em que se investigam características da carga
mental em situação real de trabalho e a partir de estudos em ergonomia.
Observa-se que novas possibilidades de estudos e intervenções
são possíveis ao ergonomista. Este estudo evidencia a importância de se
avaliar aspectos da carga mental a partir da ergonomia e utilizá-los para
a complementação da análise da atividade, o que certamente
possibilitará ao ergonomista a conquista de resultados e recomendações
que contemplam maior número de interesses e necessidades
apresentadas pelos trabalhadores.
Interessar-se pela mensuração da carga mental de trabalho é
também uma evidência da compreensão sobre a estreita relação da carga
com a prevenção de riscos ocupacionais, já que o processo de
adoecimento geralmente associa-se às variações da carga e resulta em
modificações ou alterações no desempenho geral do trabalhador em seu
trabalho. Sendo assim, os estudos com ênfase na investigação da carga
92

mental também podem colaborar para o investimento e aperfeiçoamento


das competências e habilidades do trabalhador.
Conclui-se que as medidas subjetivas são as mais indicadas pela
literatura, por abordarem experiências subjetivas associadas com a carga
mental. Além disso, as medidas subjetivas são de baixo custo, facilidade
de aplicação e aceitação dos trabalhadores avaliados. Mesmo assim
relembra-se a necessidade da construção de instrumentos com maior
confiabilidade para mensurar a realidade investigada, pois apesar do
avanço de pesquisas nas ciências cognitivas direcionadas ao
aperfeiçoamento de métodos de análise de aspectos mentais no trabalho,
a literatura evidencia que, atualmente nenhum dos instrumentos
existentes na literatura especializada cumpre todos os critérios propostos
pela teoria.
Através deste estudo conclui-se que avaliar a carga mental de
trabalho, do ponto de vista da ergonomia, implica em utilizar-se da
associação de outros métodos que possibilitem uma complementação e
qualificação dos resultados, realizando-se além da aplicação de método
subjetivo de mensuração da carga mental, outros métodos de acesso às
caracterítisticas das atividades, tais como: entrevista individual, visita ao
local de trabalho para conhecer a realidade de trabalho e uma análise
geral das condições de trabalho impostas ao trabalhador.
A partir da avaliação geral das atividades realizadas em empresa
do setor de soluções em energia, observou-se que maior demanda
mental e física concentrava-se nas atividades de montagem de placas
eletrônicas, fato que direcionou o estudo da carga mental para essa
demanda. O fato da atividade de montagem ser ser executada de duas
maneiras, manual e automáticamente, também contribuiu para o
processo de pesquisa, sendo possível uma comparação entre os dois
modos de execução, suas respectivas cargas e a comparação entre os
métodos de mensuração da carga mental.
Do ponto de vista comparativo, os avaliados que conhecem as
duas formas de execução da atividade de montagem de placas referem
que a montagem manual requer maior capacidade mental do trabalhador
associada à pressão de tempo, para a execução dos trabalhos, o que para
os avaliados gera um desgaste maior do que o exigido pela montagem
automática. Sendo assim, a pressão de tempo para atingir resultados
somada a exigência da capacidade mental indicam a importância de
investir em estudos para adaptar as condições de trabalho da montagem
manual de modo a controlar o impacto dessas dimensões sobre a carga
mental de trabalho.
93

Entretanto, em relação ao desempenho dos métodos NASA e o


SWAT, ambos apresentam semelhanças na escala de correção,
graduada, bem como acessam a carga partindo do princípio que trata-se
de um fenômeno multidimensional. Porém, diferenças foram observadas
e referem-se especialmente aos seguintes aspectos:
• Através dos resultados obtidos identificou-se que o método
NASA, através de seu modelo de apresentação dos resultados, mostra-se
ligeiramente mais sensível em termos de dimensões associadas à carga
mental. Enquanto que o SWAT mostra-se ligeiramente mais sensível no
que se refere ao resultado geral da carga mental de trabalho e em casos
de comparação do desempenho do trabalhador em diferentes atividades.
• Alguns aspectos observados através dos resultados obtidos
indicam que cada um dos métodos pode ser melhor aplicado de acordo
com o objetivo do estudo. Portanto, o método SWAT mostrou-se mais
indicado para a comparação dos resultados da carga em diferentes
tarefas, e o NASA para comparar os resultados de diferentes sujeitos
para uma mesma tarefa.
• Em relação ao tempo investido para a aplicação dos métodos, a
aplicação do método SWAT foi bastante cansativa para os avaliados,
por contemplar maior número de possíveis combinações que
representam o peso de cada dimensão para o avaliado. Por isso, a
aceitação do método NASA TLX foi maior na opinião dos avaliados.
Este estudo atendeu os objetivos propostos na medida em que
viabilizou a obtenção de resultados da carga mental dos trabalhadores
avaliados, a identificação das principais exigências em atividades com
maior demanda mental e a avaliação do desempenho dos métodos de
mensuração da carga mental de trabalho. Entretanto, a partir deste
estudo propõem-se algumas recomendações:
• Para qualquer avaliação de carga mental complementar aos
estudos em ergonomia, recomenda-se inicialmente a aplicação de algum
método que contemple fatores associados à atividade de trabalho,
conforme aplicado neste estudo que possibilitem o conhecimento de
diversos fatores que possam influenciar na carga mental de trabalho.
• Em relação à avaliação da carga mental, se o objetivo é predizer o
desempenho de um indivíduo em particular em uma
tarefa, o NASA-TLX mostra-se como mais recomendado.
Entretanto, se o objetivo for uma análise ou comparação entre diversas
94

tarefas e sujeitos, observou-se que a melhor opção seria o método


SWAT, por possibilitar uma apresentação de resultados que melhor
evidencia estes aspectos comparativos.
• Com base nas informações obtidas através da entrevista
individual, da aplicação do método RULA e da visita ao local de
trabalho sugere-se rever as condições gerais de trabalho, analisando-se
aspectos como: condições físicas do local de trabalho, equipamentos
utilizados para a execução dos trabalhos, dentre os quais: cadeiras e
mobiliários do ambiente.
Implementar estratégias de regulação que possam contribuir para
o controle de fatores que influenciam negativamente na carga mental de
trabalho. Dentre as estratégias se propõe: pausas, treinamentos para
conscientização sobre fatores potencializadores da carga mental de
trabalho, rever características da organização de trabalho (tais como
tempos, métodos, gestão de pessoas, outras).
95

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101

ANEXO 1 – TERMO DE ACEITAÇÃO DE PESQUISA


102

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO


(aceitação de pesquisa)

Você está sendo convidado para participar, como voluntário, em


uma pesquisa para um trabalho de mestrado. Após ser esclarecido sobre
as informações a seguir, no caso de aceitar fazer parte do estudo, assine
ao final deste documento, que está em duas vias, uma delas é sua e a
outra é do(a) pesquisador(a) responsável. Em caso de recusa você não
participará da pesquisa e não será penalizado de forma alguma.

Título da Dissertação:
Carga Mental de Trabalho e Ergonomia

Pesquisador Responsável:
Mariane de Souza Cardoso (mestranda em ergonomia /profissão:
psicóloga do trabalho)
Matricula: 2008009067 – PPGEP / UFSC
RG:
Telefone para contato:

Orientadora:
Professora Dra. Leila Amaral Gontijo
Telefone para contato:

Objetivo e esclarecimento da pesquisa


O objetivo desta pesquisa é avaliar a carga mental de trabalho, a partir
de diferentes métodos aplicados para uma mesma tarefa, ou uma mesma
tarefa que possa ser executada de duas maneiras, manual e
automaticamente. Através deste estudo pretende-se investigar
características gerais do trabalho de modo a identificar tarefas e
atividades com diferentes níveis de demanda mental existentes para uma
mesma tarefa que possa ser executada de modo manual automático.
Durante o processo de pesquisa será utilizada câmera fotográfica para
filmagem e registros fotográficos com gravação de áudio (voz).
Garantimos resguardar suas informações pessoais, não as divulgando de
nenhuma forma. Quanto às imagens, serão utilizadas apenas para fins
acadêmicos, ou seja, para ilustrar o experimento no documento da
dissertação de mestrado e em artigos técnico-cientificos. Entretanto, a
identificação pessoal dos participantes será preservada, não sendo
mostrado o rosto das pessoas ou partes e sinais pessoais característicos.
103

Florianópolis, de _________________de 2009

_____________________________________
Pesquisador(a) Responsável

Eu, ____________________________________________________,
RG nº ______________________,
Abaixo assinado, concordo voluntariamente em participar do estudo
acima descrito. Declaro ter sido devidamente informado e esclarecido
pela pesquisadora responsável sobre os objetivos e procedimentos da
pesquisa. Foi-me garantido que não sou obrigado a participar da
pesquisa e posso desistir a qualquer momento, sem qualquer penalidade.
Recebi uma cópia deste documento.

Florianópolis, ____ de _________________de 2009

_____________________________________
Participante / representante da empresa
104

ANEXO 2 – TERMO DE ACEITAÇÃO E PERMISSÃO AO


USO DOS MÉTODOS DE MEDIDAS PARA A
MENSURAÇÃO DE CARGA MENTAL DE TRABALHO
(INCLUI REGISTROS FOTOGRÁFICOS)
105

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (métodos


aplicados à pesquisa)

Você está sendo convidado para participar, como voluntário, em uma


pesquisa para um trabalho de mestrado. Após ser esclarecido sobre as
informações a seguir, no caso de aceitar fazer parte do estudo, assine ao
final deste documento, que está em duas vias, uma delas é sua e a outra
é do(a) pesquisador(a) responsável. Em caso de recusa você não
participará da pesquisa e não será penalizado de forma alguma.

Título da Dissertação:
Carga Mental de Trabalho e Ergonomia

Pesquisador Responsável:
Mariane de Souza Cardoso (mestranda em ergonomia /profissão:
psicóloga do trabalho)
Matricula: 2008009067 – PPGEP / UFSC
RG:
Telefone para contato:

Orientadora:
Professora Dra. Leila Amaral Gontijo
Telefone para contato:

Objetivo e esclarecimento da pesquisa


O objetivo desta pesquisa é avaliar a carga mental de trabalho, a partir
de diferentes métodos aplicados para uma mesma tarefa, ou uma mesma
tarefa que possa ser executada de duas maneiras, manual e
automaticamente. Através deste estudo pretende-se investigar os
diferentes níveis de demanda mental existente e em especial a
comparação entre o desempenho dos métodos de mensuração da carga
mental de trabalho.
Durante o processo de pesquisa será utilizada câmera fotográfica para
filmagem e registros fotográficos com gravação de áudio (voz).
Garantimos resguardar suas informações pessoais, não as divulgando de
nenhuma forma. Quanto às imagens, serão utilizadas apenas para fins
acadêmicos, ou seja, para ilustrar o experimento no documento da
dissertação de mestrado e em artigos técnico-cientificos. Entretanto, a
106

identificação pessoal dos participantes será preservada, não sendo


mostrado o rosto das pessoas ou partes e sinais pessoais característicos.
A pesquisa está dividida em cinco principais etapas:
1ª Etapa - Analise geral das características do trabalho utilizando-se de
questionário adaptado com aplicação coletiva
2ª Etapa - Análise do posto de trabalho
3ª Etapa - Avaliação individual para analise das características da
atividade
4ª Etapa - Aplicação dos métodos de mensuração da carga mental de
trabalho, nesta etapa serão utilizados pelo menos três métodos, os quais
são: Análise Geral das Condições de Trabalho, método NASA TLX ,
trata-se de uma método inglês, desenvolvido pelo Grupo de
Desempenho Humano da NASA Ames Centro de Pesquisa (Human
Perform Group do NASA Ames Research Center) e o Método SWAT
que apresenta a mesma finalidade dos anteriores – mensurar a carga
mental de trabalho.
Enquanto que no método NASA TLX serão consideradas os seguintes
indicadores: exigência mental, exigência física, exigência temporal,
desempenho individual (evolvendo nível de realização, esforço e
frustração).
Já o método SWAT foi adaptado para a pesquisa considerando-se as
suas três principais dimensões: Exigência de Tempo, Exigência Mental
e Nível de Estresse

5ª Etapa – Análise e apresentação de resultados

Schröeder, _____________ 2009.

_____________________________________
Mariane de Souza Cardoso
Pesquisador(a) Responsável
107

Eu, ____________________________________________________,
RG nº ______________________,
Abaixo assinado, concordo voluntariamente em participar do estudo
acima descrito. Declaro ter sido devidamente informado e esclarecido
pela pesquisadora responsável sobre os objetivos e procedimentos da
pesquisa. Foi-me garantido que não sou obrigado a participar da
pesquisa e posso desistir a qualquer momento, sem qualquer penalidade.
Recebi uma cópia deste documento.

Schröeder, ____ de _________________de 2009.

_____________________________________
Participante / representante da empresa
108

ANEXO 3 – INSTRUMENTO DE ANÁLISE DAS CONDIÇÕES


GERAIS DE TRABALHO
109
110
111
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ANEXO 4 – QUESTIONÁRIO PARA AVALIAÇÃO COM


ADMINISTRADO DO RH DA EMPRESA.

ROTEIRO DE ENTREVISTA COM ADMINISTRADOR DO


DEPARTAMENTO DE RH
Roteiro desenvolvido para adquirir informações referentes à cultura
organizacional e ponto de vista do administrador da empresa acerca de
seus colaboradores e práticas.
1. Como define os setores do departamentos?
2. Sobre o relacionamento interpessoal entre os administradores do
departamento?
3. Sobre o relacionamento interpessoal no departamento?
4. Sobre a atuação das chefias?
5. Idade da Empresa (departamento)?
6. Sobre saúde dos trabalhadores:
7. Sobre acidentes de trabalho:
8. Sobre a alimentação oferecida:
9. Sobre o acesso ao trabalho (meio de transporte):
10. Política de salários:
11. Reclamações Trabalhistas (se há ou houve alguma):
12. Horas extras e jornada normal (como percebe):
13. Metas de 2009:
14. Promoções (Quais os critérios):
15. O departamento possui programa de desenvolvimento e
valorização profissional (plano de carreira) definido?
16. O nível de escolaridade médio dos funcionários tem sido
adequado para às necessidades das atividades/ funções?
17. E o nível de absenteísmo (ausência ou afastamento do trabalho)?
18. Existe programa ou incentivo de gestão participativa (coleta de
sugestões de funcionários, equipes de trabalho, times de melhorias...)?
19. Quanto às queixas ambulatoriais?
20. Quanto tempo de trabalho tem o empregado mais antigo?
21. Qual o setor/local com maior rotatividade de pessoal?
22. Qual o setor/local com menor rotatividade de pessoal?
23. O nível de rotatividade de pessoal está situado dentro dos limites
de aceitação?
24. São realizados treinamentos para os funcionários?
25. Quem ministra, com que objetivos e freqüência?
26. Comentários e Sugestões:
116

ANEXO 5 – APRESENTAÇÃO GRÁFICA COM


RESULTADOS DA PRIMEIRA ETAPA DA PESQUISA –
RESULTADOS QUANTITATIVOS
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122
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124
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ANEXO 6 – MATERIAIS DO NASA TLX E DO SWAT
127

INFORMAÇÕES IMPORTANTES PARA A CORREÇÃO DO NASA


TLX

Sujeito ID:_____________ Data:____________________

FONTES DE CARGAS DE TRABALHO – FOLHA DE TAXAS


Título da Escala Taxa Peso
EXIGÊNCIA MENTAL
EXIGÊNCIA FÍSICA
EXIGÊNCIA TEMPORAL
NÍVEL DE REALIZAÇÃO
NÍVEL DE ESFORÇO
NÍVEL DE FRUSTRAÇÃO

Soma Total = ___________


(NOTA – A soma total foi incluída como um controle. Se a contagem
total não é igual a 15 então alguma coisa está errada. Nenhum peso
também poderá ser inferior a 5)

FOLHA DE REGISTRO – PONDERAÇÃO DA TAXA


Ajuste
Título da Escala Taxa Peso
(Peso X Taxa)
EXIGÊNCIA MENTAL
EXIGÊNCIA FÍSICA
EXIGÊNCIA TEMPORAL
NÍVEL DE REALIZAÇÃO
NÍVEL DE ESFORÇO
NÍVEL DE FRUSTRAÇÃO

Soma “Taxa X Peso” Coluna = ________

TAXA PONDERADA= , (Soma dos Ajustes) /15)


128

MÉTODO: SWAT – FOLHA DE APLICAÇÃO

Nome:
_______________________Tarefa:__________________________

NÍVEL DE ESTRESSE = o quanto você se estressa com o Trabalho

BAIXO MÉDIO ALTO

EXIGÊNCIA DE TEMPO

BAIXO MÉDIO ALTO

EXIGÊNCIA MENTAL

BAIXO MÉDIO ALTO