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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS


Processo Nº. : 0023945-42.2016.8.05.0001

Classe : RECURSO INOMINADO


Recorrente(s) : BANCO ITAU UNIBANCO S A

Recorrido(s) : AMANDA SILVA DE OLIVEIRA

Origem : 14ª VSJE DO CONSUMIDOR (VESPERTINO


Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

VOTO- E M E N T A

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. NEGATIVAÇÃO INDEVIDA.


ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA. AUSÊNCIA
DE CONTRATAÇÃO. RÉU QUE NÃO JUNTA AOS AUTOS
INSTRUMENTO CONTRATUAL, NEM ELEMENTOS INDICATIVOS DA
REGULAR AVENÇA. (ART.373, INCISO I DO NCPC). COBRANÇA
INDEVIDA. INSCRIÇÃO DO NOME DA PARTE AUTORA NOS
CADASTROS DE PROTEÇÃO DE CRÉDITO. DANO MORAL IN RE
IPSA. QUANTUM ARBITRADO DE ACORDO COM OS PARÂMETROS
DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SENTENÇA
MANTIDA.

1. Trata-se de recurso inominado interposto contra sentença que julgou


procedente em parte a ação, declarou a inexigibilidade da dívida impugnada e
condenou a ré em R$ 3.000,00 ( três mil reais) em virtude da negativação do nome
da parte autora nos cadastros de proteção ao crédito.

2. Alega a parte autora que tivera o seu nome negativado nos órgãos de
proteção ao crédito em virtude de dívida que desconhece, sustentando portanto a
inexistência de relação jurídica com a parte ré. Requer indenização oriunda da
negativação, pelos danos morais sofridos, na modalidade in re ipsa. A recorrente
busca a reforma da sentença, no tocante ao quantum fixado a título de danos
morais, por entende-lo insuficiente para recompor o dano causado.

3. A parte recorrente busca a reforma da sentença, aduzindo, em síntese, que


não houve ato ilícito, que o contrato impugnado fora validamente celebrado entre
as partes, sendo legítima a cobrança efetuada, não havendo que se falar, portanto,
em ilicitude na negativação do nome da parte autora nos cadastros de proteção ao
crédito, por ser legítimo direito do credor.
4. A despeito das alegações da acionada sobre a legalidade da anotação
realizada, não apresenta documentação que corrobore suas alegações. Com
efeito, tendo a parte autora alegado que não firmara o contrato em tela, incumbia à
parte ré não somente a prova acera da existência da relação jurídica, através da
juntada do instrumento contratual com a assinatura da parte autora, como também
de que a inclusão do seu nome ocorrera em virtude de dívida regularmente
constituída, o que todavia não fora feito na hipótese. A ré tão somente junta telas,
bem como fatura em nome da parte acionante, documentos produzidos
unilateralmente, sem a participação da mesma, sendo portanto inservíveis aos fins
a que se destina, qual seja, comprovar a existência da relação jurídica.
5. A parte autora, por sua vez, colaciona aos autos consulta do órgão de
proteção ao crédito no evento 01, em que consta o apontamento indevido, por
solicitação da demandada, desincumbindo-se assim do ônus de provar o fato
constitutivo de seu direito , nos termos do art.373, inciso I do NCPC. É
cediço na jurisprudência pátria que a negativação do nome do consumidor
nos cadastros de proteção ao crédito por cobrança indevida gera dano moral
in re ipsa, que prescinde de comprovação.
6. . O valor da reparação do dano moral deve ser fixado de acordo com os
princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, os quais, em síntese apertada
querem significar, aquilo que é justo e na medida certa.

7. Da mesma forma, a fixação do montante indenizatório deve guardar uma


equivalência entre as situações que tragam semelhante colorido fático. As
variações nos valores das indenizações existem conforme as circunstâncias fáticas
que envolvam o evento.

8. Assim que o valor da indenização fixado pelo juiz sentenciante guarda


compatibilidade com o comportamento do recorrente e com a repercussão do fato
na esfera pessoal da vítima e, ainda, está em harmonia com os princípios da
razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser mantido.
9. ISTO POSTO, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO AO
RECURSO INTERPOSTO, para manter a sentença objurgada pelos próprios
fundamentos. Custas processuais e honorários advocatícios pelo recorrente, que
arbitro em 20% sobre o valor da condenação.

10. Salvador, Sala das Sessões, 06 de JULHO de 2017


11. BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
12.Juíza Relatora
13. BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
14.Juíza Presidente
15.

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS


Processo Nº. : 0023945-42.2016.8.05.0001

Classe : RECURSO INOMINADO


Recorrente(s) : BANCO ITAU UNIBANCO S A

Recorrido(s) : AMANDA SILVA DE OLIVEIRA

Origem : 14ª VSJE DO CONSUMIDOR (VESPERTINO


Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

ACÓRDÃO
Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais
Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CÉLIA MARIA
CARDOZO DOS REIS QUEIROZ –Presidente, MARIA AUXILIADORA SOBRAL
LEITE – Relatora e ALBÊNIO LIMA DA SILVA HONÓRIO, em proferir a seguinte
decisão: RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO . UNÂNIME, de acordo com a ata
do julgamento. Custas processuais e honorários advocatícios pelo recorrente, que
arbitro em 20% sobre o valor da condenação.

Salvador, Sala das Sessões, 06 de JULHO de 2017


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente