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HARMONIA

TÓPICO 1

Prof. Me. Mateus Espinha Oliveira


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INTRODUÇÃO

Neste material começo a abordar a harmonia a partir de seus conceitos mais


básicos. Farei aqui uma revisão sobre parte da teoria musical sobre formação de acordes
para tirar dúvidas eventuais que alguns alunos possam ter. O estudo da harmonia parte
da compreensão da função dos acordes dentro de diversas músicas, portanto é
necessário que entendamos bem a formação dos acordes para não ter problemas ao
longo da disciplina. Neste primeiro material, abordaremos então a formação básica dos
tipos principais de acordes.
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REVISÃO DE CONCEITOS

Tópico 1 – Formação de Acordes


Este material destina-se a apresentar os principais tipos de acordes e suas
respectivas formações, detalhando quais os intervalos que formam cada tipo específico
de acorde. Serão tratados aqui os acordes de tríades e tétrades, mais especificamente, os
acordes perfeitos maiores e menores, a tríade diminuta, os acordes de sétima menor
(dominante), os acordes de sétima maior, os acordes de sétima diminuta e os acordes
meio-diminutos, ou acordes de sétima da sensível. Serão abordadas também as
inversões de cada acorde. Juntamente com a explicação de cada acorde, estará a
explicação de sua cifragem.
Este material ainda não detalhará a função de cada acorde dentro do sistema tonal
e dentro do campo harmônico, com ele pretendo apenas explicar a formação dos acordes.
As funções de cada acorde serão explicadas nos materiais subsequentes, e serão aqui
abordadas apenas ocasionalmente para detalhar a explicação. Recomendo a todos que
pratiquem bastante a formação de cada acorde para que este assunto já esteja dominado
no momento em que abordarmos a teoria harmônica e suas regras.
Os acordes são a sobreposição de três ou mais notas simultaneamente. Eles são
feitos a partir da sobreposições de terças.

Acorde Perfeito Maior


O primeiro acorde a ser tratado é o acorde perfeito maior. Ele consiste na
sobreposição de uma terça maior e uma terça menor. O acorde perfeito maior surge da
superposição das terças pertencentes à escala maior diatônica, ou seja, não usando
nenhuma nota que não pertença à escala maior.

FÔRMA DO ACORDE MAIOR:


TERÇA MAIOR E TERÇA MENOR

O principal exemplo é a formação do acorde de dó maior. Este acorde é formado


pelas notas dó, mi e sol. Entre dó e mi, o intervalo é de terça maior, enquanto entre mi e
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sol, o intervalo é de terça menor. Qualquer acorde perfeito maior terá esta mesma
formação, ou seja, intervalo de terça maior e intervalo de terça menor.

Fig. 1: Exemplo de acorde maior.

A cifragem do acorde maior consiste simplesmente na letra referente à nota


fundamental do acorde. Por exemplo, no acorde de dó maior a cifra é C.
Lembrando que as notas dó, ré, mi, fá, sol, lá e si, são designadas pelas seguintes
letras: C, D, E, F, G, A e B. Na cifragem, a simples escrita de cada uma destas letras
designa um acorde perfeito maior.
Por exemplo: "C" quer dizer um acorde de dó maior, como podemos ver na figura
1.
"E" quer dizer um acorde de mi maior, e assim por diante.

Fig. 2: Acorde de mi maior. Cifragem: E.

Acorde Perfeito Menor


O acorde perfeito menor vem da superposição de terças de uma escala menor, e
sua formação consiste em um intervalo de terça menor e um de terça maior.

FÔRMA DO ACORDE MENOR:


TERÇA MENOR E TERÇA MAIOR

Começo com o exemplo do acorde de lá menor, formado pelas notas, lá, dó e mi.
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Fig. 3: Exemplo de acorde menor.

Novamente, qualquer acorde perfeito menor terá a mesma formação deste acorde.
A cifragem de um acorde perfeito menor consiste na letra relativa à nota
fundamental do acorde e uma letra "m", designando "menor", em seguida. Por exemplo, a
cifra do acorde de lá menor é Am.
A cifra do acorde de mi menor é Em

Fig. 4: Acordes de Am e Em.

Tríade Diminuta
A tríade diminuta é o acorde presente no sétimo grau da escala maior. Em uma
escala de dó maior este acorde seria relativo ao da nota si, ou seja, o de si diminuto. Ele
consiste na superposição de duas terças menores.

FÔRMA DA TRÍADE DIMINUTA:


TERÇA MENOR E TERÇA MENOR

DDDDDD
As notas que pertencem ao acorde de sí diminuto são si, ré e fá.

Fig. 5: Exemplo de tríade diminuta.

É extremamente incomum encontrar cifragens de acordes de tríades diminutas. Em


geral, quando encontramos uma cifra de acorde diminuto, esta se refere ao acorde de
sétima diminuta, que é cifrado com o símbolo "°" posteriormente à letra relativa à
fundamental do acorde, por exemplo, o acorde de sí diminuto é cifrado da seguinte forma:
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B°. Quando o acorde está cifrado assim, subentende-se então que ele é um acorde de
sétima diminuta. Mais adiante abordarei mais detalhadamente a formação deste acorde.

Acorde De Sétima Maior


O acorde de sétima maior é um acorde de tétrade, ou seja, um acorde com quatro
sons. A lógica continua sendo a da sobreposição de terças. Sendo assim, um acorde de
dó maior com sétima maior é formado pelas notas dó, mi, sol e sí.

FÔRMA DO ACORDE MAIOR COM


SÉTIMA MAIOR: TERÇA MAIOR,
TERÇA MENOR E TERÇA MAIOR

Fig. 6: Exemplo de acorde de sétima maior.

A cifragem do acorde de sétima maior consiste em colocar a letra relativa a sua


fundamental seguida do número sete (designando sétima) e a letra "M" maiúscula.
ATENÇÃO: Quando somente o número sete é colocado na cifra, entende-se que este
acorde é de sétima menor. Para designar um acorde de sétima maior é fundamental que
o número sete venha seguido da letra "M" maiúscula (7M).
Exemplo da cifragem do acorde da fig. 6: C7M.

Acorde De Sétima Menor


O acorde de sétima menor é uma tétrade formada pela sobreposição de uma terça
maior, uma terça menor e outra terça menor. Por exemplo, o acorde de dó maior com
sétima menor é formado pelas notas dó, mi, sol e sí bemol.

Fig. 7: Exemplo de acorde de sétima menor.


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FÔRMA DO ACORDE MAIOR COM


SÉTIMA MENOR: TERÇA MAIOR, TERÇA
MENOR E TERÇA MENOR

O acorde de sétima menor é fundamental no sistema tonal, ele vem da tétrade formada a
partir do quinto grau de uma escala maior. Na escala de dó maior ele viria da nota sol, sendo
então formado pelas notas sol, sí, ré e fá.

Fig. 8: Acorde G7.

Este acorde é fundamental na função de dominante do sistema tonal. A sua


característica essencial, e determinante para a função de dominante do acorde, é a
presença do trítono em sua formação. O trítono aqui é formado pelo intervalo de quinta
diminuta entre as notas sí e fá. Este intervalo é um intervalo de três tons e é tido como o
intervalo de maior tensão dentro do sistema tonal.
A presença do trítono é fundamental para determinar que o acorde tenha função de
dominante por um propósito: a nota sí resolve em um semitom ascendente e a nota fá
resolve em um semitom descendente.
Isto se dá da seguinte forma: a nota sí move em grau conjunto para a nota dó e a
nota fá move em grau conjunto para a nota mi. Reparem que, tanto entre sí e dó e fá e mi,
o intervalo é de um semitom. As notas que apresentam, diatonicamente, um semitom de
distância entre si tem uma força de atração muito grande, portanto estão aí seguindo um
caminho natural dentro da escala.

Fig. 9: Movimento de resolução do trítono para a tônica.


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Reparem também que o trítono sí-fá está caminhando para a terça dó-mi. Esta
terça é a principal característica do acorde do primeiro grau da escala de dó maior. Isto
nos mostra que o quinto grau tem como função aproximar-se do primeiro.
No momento, me limitarei a falar somente isso sobre a função de dominante de um
acorde. Em materiais subsequentes eu falarei mais detalhadamente sobre este tema.
ATENÇÃO: Um acorde menor também pode conter uma sétima menor, porém ele
não poderá ser considerado um acorde com função de dominante por não conter o trítono
entre as notas que o formam. Por exemplo: o acorde de mi menor com sétima menor
(Em7) é formado pelas notas mi, sol, si e ré. Entre sol e ré, terça e sétima do acorde,
forma-se um intervalo de quinta justa, não encontrando-se aí o trítono.
A cifragem de um acorde de sétima menor é feita através da letra relativa à
fundamental do acorde seguida pelo número 7. Por exemplo, dó maior com sétima menor
será cifrado como C7 e sol maior com sétima menor será cifrado como G7.
Acordes menores com sétima menor serão cifrados da maneira normal como se
cifra um acorde menor e terão o número 7 em seguida. Por exemplo, lá menor com
sétima menor será cifrado como Am7, e mi menor com sétima menor será cifrado como
Em7.

Acorde De Sétima Diminuta


O acorde de sétima diminuta é um acorde formado por uma sucessão de terças
menores. Ele também é chamado de acorde diminuto.

FÔRMA DO ACORDE DE
SÉTIMA DIMINUTA: TERÇA MENOR,
TERÇA MENOR E TERÇA MENOR

Por exemplo, um acorde de sí diminuto é formado pelas notas sí, ré, fá e lá bemol.

Fig. 10: Exemplo de sétima diminuta.


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Este acorde tem a curiosidade de apresentar dois trítonos entre as notas que o
formam. Por exemplo, no acorde de sí diminuto, temos o trítono formado pelas notas fá e
sí, e o trítono formado pelas notas ré e láb.
Em sua análise, o acorde diminuto é visto de forma um pouco diferente à do acorde
de dominante. No momento não abordarei este tema, deixando-o para materiais
subsequentes.
A cifragem do acorde diminuto é feita com o símbolo "°" disposto após a letra
relativa à fundamental do acorde. Por exemplo, o acorde de sí diminuto é cifrado como B°.

Acorde Meio Diminuto


O acorde meio diminuto pode ser chamado também de acorde de sétima da
sensível, isto porque ele é originário da tétrade do sétimo grau da escala maior. A nota do
sétimo grau da escala maior é chamada de sensível. Ela está distante um semitom da
tônica da escala e tem a tendência natural de se resolver nesta nota.
O acorde meio diminuto é formado pelos intervalos de terça menor, terça menor e
terça maior.

FÔRMA DO ACORDE MEIO DIMINUTO:


TERÇA MENOR, TERÇA MENOR E TERÇA MAIOR

Por exemplo, o acorde de sí meio diminuto é formado pelas notas sí, ré, fá e lá.

Fig. 11: Exemplo de acorde meio diminuto.

O acorde meio diminuto apresenta somente um trítono, diferentemente do acorde


meio diminuto, a última nota de sua composição, no exemplo do acorde sí meio diminuto,
a nota lá, é uma sétima menor. Por ter o trítono sí-fá em sua composição, que acontece
entre a fundamental e a quinta do acorde, ele também possui função de dominante,
apresentando o mesmo tipo de resolução presente no acorde de sétima menor.
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A cifragem do acorde meio diminuto é feita com o símbolo "ø" posterior à letra
referente à fundamental do acorde. Por exemplo, o acorde de sí meio diminuto é cifrado
como Bø.

Inversão Dos Acordes


Quando a nota mais grave do acorde, chamada de baixo do acorde, não é a
fundamental, dizemos que o acorde está invertido.
Por exemplo, um acorde de dó maior geralmente está disposto com as notas na
seguinte ordem: dó, mi e sol. Ele, porém, continuará a ser chamado de dó maior se as
notas estiverem na seguinte disposição: mi-sol-dó.

Fig. 12: Exemplo de acorde na primeira inversão.

Este acorde está invertido, pois a sua nota mais grave (baixo do acorde) não é a
fundamental, e sim a terça.
Existem três tipos de inversão: 1ª, 2ª e 3ª inversões.
A primeira inversão é a descrita acima, quando o baixo do acorde está em sua
terça (fig. 11).
A segunda inversão é quando o baixo do acorde está em sua quinta.

Fig. 13: Exemplo de acorde na segunda inversão.

E a terceira inversão acontece somente em acordes de sétima, pois o baixo do


acorde estará em sua sétima.

Fig. 14: Exemplo de acorde na terceira inversão.


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ATENÇÃO: CONCEITUA-SE BAIXO DO ACORDE, A NOTA MAIS GRAVE DESTE


ACORDE.
CONCEITUA-SE FUNDAMENTAL DO ACORDE A NOTA QUE DÁ ORIGEM A ESTE
ACORDE.

A cifragem dos acordes invertidos se dá da seguinte maneira:


1ª Inversão- C/E
Ou seja, a nota relativa à terça do acorde é colocada após a barra.
2ª Inversão- C/G
Ou seja, a nota relativa à quinta do acorde é colocada após a barra.
3ª Inversão- C7M/B
Ou seja, a nota relativa à sétima do acorde (seja ela maior ou menor) é colocada após a
barra.

BIBLIOGRAFIA
CHEDIAK, Almir. Dicionário de Acordes Cifrados: harmonia aplicada à música popular.
12ª Edição. São Paulo: Irmãos Vitale, 2008.
CHEDIAK, Almir. Harmonia e Improvisação I: 70 músicas harmonizadas e analisadas:
violão, guitarra, baixo, teclado. São Paulo: Irmãos Vitale, 2009.
MED, Bohumil. Teoria da Música. 4ª ed. rev. e ampl. Brasília: Musimed, 1996.