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CENTRO UNIVERSITARIO DE BELO HORIZONTE

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA

FERNANDO SILVA OZUR


THIAGO HENRIQUE PEREIRA

CONTROLE DE DEMANDA DE ENERGIA ELÉTRICA EM UMA


EMPRESA DO RAMO DE MINERAÇÃO

BELO HORIZONTE
DEZEMBRO – 2011
FERNANDO SILVA OZUR
THIAGO HENRIQUE PEREIRA

CONTROLE DE DEMANDA DE ENERGIA ELÉTRICA EM UMA


EMPRESA DO RAMO DE MINERAÇÃO

Trabalho de Final de Conclusão de Curso apresentado ao


Centro Universitário de Belo Horizonte, como requisito para
a obtenção do título de bacharel em Engenharia Elétrica e
Telecomunicações.

Área de Concentração:

Orientador(a): Ms. Joana D Arque da Silva Correa

BELO HORIZONTE
DEZEMBRO - 2011
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BELO HORIZONTE
Departamento de Ciências Exatas e de Tecnologia
Campus Estoril

Trabalho Final de Conclusão de Curso intitulado Controle de Demanda de Energia


Elétrica em uma Empresa do Ramo de Mineração, de autoria do(s) aluno(s)
Fernando Silva Ozur, Thiago Henrique Pereira, aprovado pela banca examinadora
constituída pelos seguintes professores:

__________________________________
Prof. Ms/Dr/PhD. (nome do membro da banca)
Orientador

__________________________________
Prof. Ms/Dr/PhD. (nome do membro da banca)

__________________________________
Prof. Ms/Dr/PhD. (nome do membro da banca)

Belo Horizonte, x de dezembro de 2011.

Avenida Professor Mário Werneck, 1685 – Buritis – Belo Horizonte – MG – 30455-610 – Brasil – Tel.: (31) 3319-9206.
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho às pessoas mais


importantes da minha vida: meus pais,
Hercília e Antônio, aos meus irmãos
Eduardo e Sérgio e a minha namorada
Dayana, que confiaram no meu potencial
para esta conquista. Não conquistaria
nada se não estivessem ao meu lado.
Obrigado por estarem sempre presentes
a todos os momentos, me dando apoio,
incentivo, determinação, fé, e
principalmente pelo Amor de vocês.

Fernando Silva Ozur.


5

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho à minha mãe Vilma


por toda a parceria com que me
acompanhou em toda essa longa
jornada. Obrigado mãe pelos sacrifícios
e esforços em razão da minha
educação, ao meu pai Maston e aos
meus irmãos pelo apoio e incentivo. A
Pollyanna por sempre manter-me
dedicado durante todo curso. Amo todos
vocês.

Thiago Henrique Pereira


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AGRADECIMENTOS

Agradecemos:

Em primeiro lugar, a Deus, por nos ter guiado e iluminado em cada decisão a
ser tomada; à nossa orientadora profª. Ms. Joana D Arque da Silva Correa,
que com toda paciência e dedicação nos acompanhou nessa caminhada; à
profª. Ms. Arlete Vieira da Silva, pela ajuda e compreensão e às nossas
famílias, que foram as bases de toda nossa formação.
“A mente que se abre a uma nova idéia
jamais voltará ao seu tamanho original”

Albert Einstein
RESUMO

Este projeto tem como objetivo estudar o gerenciamento da energia elétrica,


demonstrando porque este procedimento vem se tornando uma necessidade para as
empresas interessadas em reduzir custos. São enfocadas neste projeto as principais
características dos sistemas tarifários, importantes para a análise das contas de
energia. Abordam-se também os principais aspectos que devem ser considerados
na avaliação de sistemas de gerenciamento. Os principais pontos de preocupação
por parte das diversas unidades consumidoras, e que ocasionam a procura pelo
estudo aqui descrito são: o aumento das multas e ajustes de tarifas cobrados pelas
concessionárias, necessidade de aumento da produtividade através da diminuição
de interrupções e acréscimo da vida útil dos equipamentos instalados nas
subestações.

Palavras Chave: Tarifação, Gerenciamento, Controle de Demanda.


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ABSTRACT

This project has as objective to study the management of the electric energy,
demonstrating the reason for this procedure becoming a necessity for the companies
that are interested in reducing costs. In this project are focused the main
characteristics of the taxes systems, important for the analysis of the energy
accounts. One also approaches the main aspects that must be considered in the
evaluation of management systems. The main points that concern the multiple units
consumers, and cause the research for described study are: the increase of the fines
and adjustments of taxes charged by the energy supplier companies, necessity of the
productivity increase through the reduction of interruptions and addition of the
equipments useful life installed in the substation.

Key words: Pricing, Management, Demand Control.


LISTAS DE ILUSTRAÇÕES

Tabela 1. Estrutura Tarifária Grupo A............................................................... 15


Tabela 2. Estrutura Tarifária Grupo B............................................................... 16
Figura 1. Classificação dos consumidores...................................................... 16
Figura 2. Demanda Contratada....................................................................... 17
Figura 3. Método de Controle por Janela Móvel.............................................. 22
Gráfico 1. Controle por Janela Móvel................................................................ 22
Figura 4. Método de Controle por Reta de Carga ou Retas Inclinadas........... 23
Gráfico 2. Método de controle por Reta de Carga ou Retas Inclinadas............ 24
Tabela 3. Consumidor A4 Horo Sazonal Azul.................................................. 29
Tabela 4. Valor do KW/h Consumidor A4 Horo Sazonal Azul.......................... 29
Tabela 5. Resultado do Algoritmo.................................................................... 32
Figura 5. Demanda Diária de Energia Elétrica e Fator de Potência................ 33
Figura 6. Analise do Perfil da Demanda Contratada....................................... 34
Figura 7. Leitura dos Medidores a partir de um Computador.......................... 34
Figura 8. Medidor sem Memória de Massa..................................................... 36
Figura 9. Concentrador de Medidores............................................................. 37
Figura 10. Medidores com Memória de Massa.................................................. 38
Figura 11. Consumo de Energia........................................................................ 39
Figura 12. Medição Antes das Ações................................................................ 40
Figura 13. Medição Depois das Ações.............................................................. 41
Figura 14. Acompanhamento Diário do Consumo............................................. 41
Figura 15. Registro das Demandas Máximas Anuais........................................ 42
Figura 16. Janela Móvel..................................................................................... 43
Figura 17. Medição nos Período de Ponta e Fora de Ponta............................ 44
Figura 18. Método de Controle por Janela Móvel.............................................. 45
Figura 19. Método de Controle Preditivo........................................................... 46
Tabela 6. Comparação Entre os Métodos de Controle................................... 47
LISTAS DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica


ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas
FS - Horário fora de ponta em período seco;
FU - Horário fora de ponta em período úmido;
PC - Personal Computer;
PS - Período Seco;
PU - Período úmido;
SDCD´s – Sistema Digital Controlador de Demanda;
THS - Tarifação Horo Sazonal;
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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO...................................................................................................11
1.1. PROBLEMA DE PESQUISA....................................................................11
1.2. OBJETIVOS.................................................................................................12
1.2.1. OBJETIVO GERAL..............................................................................12
1.2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS................................................................12
1.2. JUSTIFICATIVA.......................................................................................12
2. REFERENCIAL TEÓRICO................................................................................14
2.1. O GERENCIAMENTO DE ENERGIA E CONTROLE DE DEMANDA.......14
2.2 ESTRUTURA TARIFÁRIA EM VIGOR.........................................................16
2.2.1 TARIFA AZUL........................................................................................19
2.2.2 TARIFA VERDE.....................................................................................20
2.3.1 MÉTODOS DE CONTROLE..................................................................22
2.3.1.1 JANELA MÓVEL..............................................................................22
2.3.1.2 RETAS DE CARGA OU RETAS INCLINADAS...............................24
2.3.1.3 PREDITIVO ADAPTATIVO...............................................................25
2.4 CARGAS A SEREM MONITORADAS..........................................................27
2.5 DEMANDA VERSUS CONSUMO................................................................28
2.6 ULTRAPASSAGEM DE DEMANDA.............................................................29
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO.........................................................................32
3.1. GERENCIAMENTO DE DEMANDA DE ENERGIA....................................32
3.2 TÉCNICAS DE MEDIÇÃO............................................................................35
3.2.1 LEITURA DOS MEDIDORES A PARTIR DE UM COMPUTADOR......36
3.2.2 CONCENTRADOR DE MEDIDORES...................................................37
3.2.3 MEDIDORES COM MEMÓRIA DE MASSA.........................................38
3.3 PERÍODOS DE MEDIÇÃO...........................................................................40
3.4 COMPARAÇÃO ENTRE OS MÉTODOS DE CONTROLE DE DEMANDA.43
3.4.1 MÉTODOS DE MEDIÇÃO.....................................................................44
3.4.2 MÉTODOS DE CONTROLE..................................................................46
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................50
11

1. INTRODUÇÃO

A medição de energia elétrica é empregada, na prática, para possibilitar à entidade


fornecedora o faturamento adequado da quantidade de energia elétrica consumida
por cada usuário e também permitir que a unidade consumidora, possa redistribuir
entre os seus consumidores internos o consumo de energia totalizado e assim fazer
a distribuição interna de custos com energia.

Visto da importância de realizar a medição de energia, a concessionária e o


consumidor tem grandes interesses na medição correta e exata das grandezas de
faturamento, já que implicam diretamente nas despesas financeiras das empresas. A
energia elétrica é uma “mercadoria” comercializada como outra qualquer, tendo
então algumas implicações de ordem prática. Devido à grande complexidade para
realização da medição e faturamento de energia elétrica, os medidores de energia e
de demanda, foram evoluindo ao longo do tempo.

Os problemas da gestão de energia, só foram percebidos após a conscientização


ecológica e a acentuada crise energética brasileira, ocorrida após o ano 2000.

O Sistema de Gestão de energia elétrica, portanto, é um complexo e específico


sistema capaz de gerenciar o consumo de energia elétrica, prevendo e advertindo os
operadores nos momentos em que ocorrem estouros de consumo de energia, bem
como de cortar, automaticamente, o consumo de dispositivos, com respeito à escala
de prioridades e hierarquia pré-definidas.

1.1. PROBLEMA DE PESQUISA

Quais os parâmetros que demonstram a demanda de energia em uma empresa de


mineração?
12

1.2. OBJETIVOS

1.2.1. OBJETIVO GERAL

Realizar um estudo à respeito do gerenciamento de energia, apresentando as


vantagens de um sistema de controle de demanda de energia.

1.2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

- Demonstrar como funciona o gerenciamento de demanda de energia.


- Demonstrar as técnicas de medição de um controlador de demanda de energia
elétrica.
- Demonstrar os intervalos de medição dos controladores de demanda.
- Fazer um comparativo entre os métodos de controle de demanda.

1.2. JUSTIFICATIVA

Eficiência econômica significa produzir e distribuir os bens e serviços da economia


com o melhor uso possível dos insumos necessários à produção e distribuição dos
produtos. Visando a redução dos gastos com energia elétrica através do controle de
demanda de energia, podem-se destacar alguns benefícios.

Com o consumo de energia controlada evitaria a construção desnecessária de


grandes usinas hidrelétricas que tendem a alagar áreas extensas, modificando o
comportamento dos rios barrados. A biota (conjunto dos seres vivos) e os
ecossistemas podem ser alterados. A vegetação submersa decompõe-se, dando
origem a gases como o metano, que tem impacto no chamado "efeito estufa" e
causando mudança no clima.
13

Em relação às cidades e povoações, inclusive indígenas, poderiam ser deslocadas


pela construção da barragem. O novo lago pode afetar o comportamento da bacia
hidrográfica. Com a operação, mais tarde, ocorrem assoreamentos que, em conjunto
com outros fatores, podem ocasionar mudanças na qualidade da água.

A redução de consumo de energia é saudável também para o Brasil, uma vez que a
energia economizada pode ser destinada para outras atividades, contribuindo para a
redução da pressão por mais hidrelétricas e termoelétricas.

Ainda podem-se trazer os benefícios desses serviços para fins particulares, como
por exemplo, o melhor aproveito da energia elétrica dentro de nossas casas evitando
os gastos com iluminação durante o dia, usar o ar condicionado em ambiente com
janelas e portas fechadas, usando o chuveiro no modo verão pode-se economizar
até 30% dos gastos com energia.
14

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. O GERENCIAMENTO DE ENERGIA E CONTROLE DE DEMANDA

Demanda é a média das potências instantâneas solicitadas à concessionária de


energia pela unidade consumidora e integradas num determinado intervalo de tempo
(período de integração). No Brasil adota-se o período de integração igual há 15
minutos enquanto que em outros países este período varia de 5 a 30 minutos. Em
um mês, portanto são quase 3000 demandas (30 dias x (24 horas x 60) / 15 minutos
= 2880 intervalos) as quais servirão de base para o cálculo de parte de sua conta de
energia. A concessionária cobra pela maior demanda registrada no mês sendo no
mínimo igual à contratada. Além da demanda há ainda a fatura do consumo que
nada mais é do que a energia consumida no mês em kWh (ENGEWEB, 2009).

Segundo ENGEWEB (2009), controlador de Demanda é um equipamento eletrônico


que tem como função principal controlar a demanda de energia ativa de uma
unidade consumidora atuando sobre alguns dos equipamentos (cargas) da
instalação e segundo as regras de faturamento vigentes.

Um Controlador de Demanda necessita medir corretamente para poder controlar.


Em termos globais a informação para controle deverá vir do medidor da
concessionária, pois lá estão os sinais de controle além das variáveis a serem
controladas liberadas pela mesma através de solicitação padrão.

Primeiramente é necessário que na unidade consumidora de alguma forma já realiza


um controle manual da demanda, haverá uma grande oportunidade para que este
mesmo controle passe a ser feito de forma automática pelo Controlador de
Demanda, trazendo mais confiabilidade e segurança ao consumidor.

Independente disso um Controlador de Demanda é realmente útil para


consumidores que devem (acima de 300kw de demanda) ou possam
(opcionalmente) ser enquadrados na THS- Tarifação Horo Sazonal. A opção para
quem não é obrigado se torna interessante quando a unidade consumidora pode
controlar (deslocar) o consumo e/ou demanda no horário de ponta se beneficiando
15

das tarifas mais baixas no horário fora de ponta. Caso contrário a tarifação deverá
ser convencional mesmo a tarifa de consumo sendo 2 vezes maior que a tarifa de
consumo fora de ponta na THS.

Desde a década de 70 que se discute sobre quais seriam os tipos de equipamentos


para se chegar à arquitetura ideal de controle. Há 20 anos assistimos no Brasil o
surgimento dos primeiros SDCD´s proprietários e mais tarde, o de sistemas com
arquiteturas “abertas” constituídas por CLP´s ou (PC´s industriais) e softwares
supervisórios, sendo que hoje o que temos é uma fusão de ambos, impedindo a
correta identificação de quem é quem e suas vantagens intrínsecas. Também na
área de protocolo de comunicação assistiu-se a um esforço de mais de 10 anos no
intuito de se padronizar o field-bus, sendo que o panorama atual mostra diversos
padrões lutando para se prevalecerem uns sobre os outros.

A despeito, portanto, da evolução natural e bem vinda da tecnologia de hardware


pouco se discute (e se discute) sobre os métodos de controle que se constituem na
principal razão de se automatizar qualquer tipo de processo. Por esta razão muitas
empresas ainda operam com controle manual apesar da existência de
processadores poderosos e até de supervisão via Internet.

Na área de controle de demanda de energia elétrica o panorama não é diferente,


pois também assisti-se à evolução (porém mais lenta) do hardware, mas nem
sempre proporcionando retorno financeiro ao usuário. A evolução do controlador de
demanda de energia elétrica no Brasil, sob a óptica do algoritmo de controle,
abordando também aspectos relacionados à plataforma de hardware sob a qual o
controle é implementado.

Os primeiros controladores de demanda surgiram (como SDCD´s) na década de 70


e já no final desta surgiram os primeiros s contemplando um modelo de controle
aprimorado e muito bem aceito durante a década de 80.

Os controladores de demanda proporcionam resultados convencionais quais sejam


a monitoração dos parâmetros elétricos e “eventualmente” a eliminação das multas
por ultrapassagem. A grande evolução dos métodos de controle torna os
controladores com características particulares, assim sendo deve escolher o que
mais se enquadrar à sua empresa, para justificar o investimento financeiro o mais
rápido possível.
16

Finalmente diante do novo cenário energético nacional implicando mudanças


bruscas na forma de comercialização de energia, no uso crescente da cogeração,
etc. Os controladores de demanda deverão adaptar rapidamente às novas
realidades do mercado.

2.2 ESTRUTURA TARIFÁRIA EM VIGOR

Para um melhor entendimento quanto aos passos para a implantação de um sistema


de gerenciamento de energia elétrica, são apresentados a seguir os conceitos
relacionados à estrutura tarifária do consumo de energia elétrica atualmente em
vigor no Brasil. De acordo com a tensão de fornecimento os consumidores são
divididos em:

Consumidores do grupo A (Alta Tensão): Consiste dos consumidores ligados em


tensões iguais ou superiores a 2,3KV, conforme tabela 1.

TABELA 1
Estrutura Tarifária Grupo A
Grupo A (Alta Tensão)
Sub-grupo Sub-grupo Sub-grupo Sub-grupo
Sub-grupo A2
A1 A3 A4 AS
Subterrâneo
230KV ou 2,3KV a (Redes
88KV a 138KV 69KV
mais 25KV elétricas
subterrâneas)
Fonte: CEMIG, 2011

Consumidores do grupo B (Baixa Tensão): Consiste dos consumidores ligados em


tensão inferior a 2,3KV (110V, 220V e 440V), conforme tabela 2.

TABELA 2
17

Estrutura Tarifária Grupo B


Grupo B (Baixa Tensão)

Sub-grupo B1 Sub-grupo B2 Sub-grupo B3 Sub-grupo B4

Rural, Cooperativa de
Residencial e Iluminação
Eletrificação Rural e Demais
Residencial de Pública
Serviço Público de Classes
Baixa Renda
Irrigação

Fonte: CEMIG, 2011

A Figura 1 permite a visualização da classificação dos consumidores de acordo com


as respectivas tensões de recebimento.

Fonte: CCK, 2011


Figura 1 – Classificação dos consumidores

Este trabalho é direcionado para os consumidores do Grupo A, que estão sujeitos a


modalidades tarifárias horo-sazonal. Esta modalidade tarifária caracteriza-se pela
aplicação de tarifas diferenciadas considerando consumo de energia elétrica e
demanda de potência de acordo com o horário de utilização e dos períodos do ano.
Esta modalidade compreende as tarifas convencional, verde e azul. As tarifas verde
e azul contemplam a utilização dos conceitos apresentados a seguir.
18

Horário de ponta corresponde ao intervalo de 3 (três) horas diárias consecutivas,


definido pela concessionária, de segunda à sexta feira.

Horário fora de ponta corresponde às horas complementares ao horário de ponta,


acrescido do total de horas dos sábados e domingos e feriados nacionais. Este
horário está dividido entre o período indutivo, quando o consumidor de energia não
pode ter o fator de potência capacitivo e período capacitivo, quando o consumidor
não pode ter o fator de potência indutivo.

Demanda medida é a média das potências elétricas ativas ou reativas, solicitadas ao


sistema elétrico pela parcela da carga instalada em operação na unidade
consumidora, durante um intervalo de tempo especificado. Assim, esta potência
média, expressa em quilowatts (kW), pode ser calculada dividindo-se a energia
elétrica absorvida pela carga, num determinado intervalo de tempo, por este
intervalo de tempo. Os medidores instalados no Brasil operam com intervalo de
tempo igual à 15 minutos.

Demanda contratada é valor de demanda a ser obrigatória e continuamente


disponibilizada pela concessionária, continuamente, sendo o valor e período de
vigência estabelecido em contrato. Este valor, que é contratado pelo consumidor,
deverá ser pago à concessionária, independentemente de sua utilização conforme
figura 2.

Fonte: CCK, 2011


Figura 2: Demanda Contratada
19

Tolerância da Demanda Medida trata-se de um porcentual sobre a demanda


contratada que varia de acordo com o a tensão de fornecimento. Uma vez superado
este valor, o consumidor paga a tarifa de ultrapassagem em toda a parcela que
exceder a demanda contratada.

Período Seco compreende o intervalo de 7 meses consecutivos, correspondentes


aos fornecimentos determinados pelas leituras dos meses de Maio a Novembro de
cada ano.

Período Úmido compreende o intervalo de 5 meses consecutivos, correspondente


aos fornecimentos determinados pelas leituras dos meses de Dezembro de um ano
a Abril do ano seguinte.

2.2.1 TARIFA AZUL

Esta modalidade tarifária tem aplicação compulsória para as unidades consumidoras


atendidas em tensão igual ou superior a 69KV (A1, A2 e A3), sendo opcionais para
demais consumidores. Exige um contrato específico entre a distribuidora de energia
e o consumidor onde, destacam-se as seguintes cláusulas:

Dois valores de demanda contratada (KW), um para o segmento de ponta e o outro


para o segmento fora de ponta.

Para cada posto horário, é aplicado uma tarifa diferente, sendo a tarifa de ponta da
ordem de 3 vezes o valor da tarifa fora de ponta.

Dentro do período de faturamento, a demanda faturável será o maior dentre a


demanda contratada e a demanda medida em cada posto horário.

São aplicadas tarifas diferentes para o período de ponta e fora de ponta em caso de
ultrapassagem da demanda contratada.

Embora não seja explícita, a Resolução 456 da ANEEL permite que sejam
contratados dois valores diferentes de demanda, um para o período seco e outro
para o período úmido.
20

Para o consumo de energia (kWh), existem tarifas com preços diferentes para os
períodos de:

Período de ponta úmida (PU)

Período fora de ponta úmida (FPU)

Período de ponta seca (PS)

Período fora de ponta seca (FPS)

2.2.2 TARIFA VERDE

Esta modalidade tarifária só pode ser aplicada a unidades consumidoras atendidas


em tensão inferior a 69KV (A3a, A4 e AS), sendo necessário um contrato específico,
com as seguintes características.

Um único valor de demanda contratada (KW), independente do posto horário (ponta


ou fora de ponta), sendo aplicada uma única tarifa para esta demanda.

Dentro do período de faturamento, a demanda faturável será o maior valor dentre a


demanda contratada e a demanda medida

Um único valor de tarifa para o caso de ultrapassagem de demanda embora não


seja explícita, a Resolução 456 da ANEEL permite que sejam contratados dois
valores diferentes de demanda, um para o período seco e outro para o período
úmido.

É importante considerar que será aplicada de maneira compulsória a estrutura


tarifária horo-sazonal, com aplicação da Tarifa Azul ou Verde se houver opção do
consumidor, para as unidades consumidoras atendidas pelo sistema elétrico
interligado e com tensão de fornecimento inferior a 69 kV, quando a unidade
consumidora faturada na estrutura tarifária convencional houver apresentado, nos
últimos 11 (onze) ciclos de faturamento, 3 (três) registros consecutivos ou 6 (seis)
alternados de demandas medidas iguais ou superiores a 300kW.
21

2.3 CONTROLADORES DE DEMANDA

Os controladores existentes no mercado possuem a mesma finalidade básica de


impedir que o usuário ultrapasse a demanda contratada ou até mesmo reduzir a sua
demanda e podem ser divididos em convencionais ou inteligentes.

Um controlador de demanda convencional poderá atuar de forma prematura ou


intermitente dentro do intervalo de integração, pois utiliza medição por média móvel
e controle por níveis (on/off) ou, ainda, por controle de projeção simples. Um
controlador de demanda inteligente posterga ao máximo sua atuação dando
oportunidade para a demanda cair naturalmente, pois se baseia num método de
medição preditivo mais elaborado.

O consumidor de energia elétrica deseja um automatismo que não apenas evite


multas por ultrapassagem de demanda, mas que proporcione um controle justo, ou
seja, corte e reposição de cargas no tempo certo, possibilitando a diminuição da
demanda contratada sem traumas na produção. Controladores de demanda que
controlam por níveis são limitados na transição de fora de ponta para ponta, e vice-
versa, prejudicando o consumidor.

A maioria dos controladores de demanda em todo mundo atua sobre os


equipamentos enxergando-os como cargas elétricas apenas, quando deveriam
“enxergar” as restrições de processo ou operacionais atreladas a estes
equipamentos, escolhendo aqueles que estiverem mais aptos a serem atuados e
ainda evitando a ultrapassagem da demanda.

Este é o caso de um controlador de demanda dito inteligente em comparação ao


controlador de demanda dito convencional que só enxerga a parte elétrica. “Se nada
for desta forma é compreensível que o consumidor mantenha o controle de sua
demanda em manual”, sustenta o diretor da Gestal (CONTROLE E
INSTRUMENTAÇÃO, 2001). Um controlador de demanda denominado adaptativo é
aquele que justamente se adapta às condições do processo.

Através de um conceito de inteligência, antes de atuar sobre determinado


equipamento, vai analisar se as atuais condições do processo são pertinentes, caso
negativo, repete o processo em outra carga/equipamento e, assim, sucessivamente.
22

Ou seja, pode estabelecer as prioridades dinamicamente, enquanto que nos


convencionais as prioridades são fixas – atua na carga independentemente do seu
estado, penalizando sempre aquele determinado equipamento.

Conclui-se, portanto, que um controlador de demanda não deve retirar cargas de


forma prematura ou irresponsável e sim esperar o momento certo para agir,
mantendo o suprimento de energia o mais próximo possível do exigido pelo
processo produtivo.

2.3.1 MÉTODOS DE CONTROLE

O método de controle do controlador de demanda define a estratégia que este irá


utilizar para monitorar e controlar a demanda. É, portanto, sua componente mais
importante, afinal é o método de controle quem determina à maior ou menor
precisão do controlador e o grau de interferência que o controlador irá imprimir ao
processo produtivo conforme afirma Suppa (2011).

2.3.1.1 JANELA MÓVEL

Segundo Suppa (2011) o chamado algoritmo da janela móvel, inventado no final da


década de 70, para uso nos primeiros controladores microprocessados, nada mais é
que um processamento "first-in first-out" (o primeiro que entra é o primeiro que sai),
onde a janela de 15 minutos é dividida em compartimentos. Em cada compartimento
são armazenados o total de pulsos de energia contados no correspondente período
de tempo. Para exemplificar facilmente, utiliza-se como exemplo um compartimento
de 1 minuto. Então, a cada minuto, o controlador descarta o número de pulsos
contados há 16 minutos, e acrescenta o número de pulsos contados no último
minuto.
23

A figura 3 ilustra este tipo de algoritmo. A Demanda Projetada, neste sistema, nada
mais é que a demanda média dos últimos 15 minutos, independentemente do fato
de estarmos no início, no meio ou no fim do intervalo de integração de 15 minutos.

Fonte: EMG, 2011


Figura 3 - Método de controle por Janela Móvel

Trata-se de um algoritmo assíncrono em relação à medição da concessionária, que


utiliza o pulso de sincronismo apenas para o armazenamento dos valores na
memória de massa do controlador. A Demanda Projetada pelo algoritmo da janela
móvel reflete o que ocorreu no passado, e não, a tendência da demanda para o
futuro, ou para o final do intervalo de 15 minutos atual.

Num controlador de demanda convencional esta atuação poderá ser realizada de


forma prematura ou intermitente dentro do intervalo de integração, pois se vale de
medição por média móvel e controle por níveis (on/off) conforme mostrado no gráfico
1, ou ainda por controle de projeção simples.

Fonte: EA, 2011


Gráfico 1 - Controle por Janela Móvel
24

A janela móvel na verdade é um filtro de média móvel que “caminha” a cada período
de atuação do controlador trazendo consigo todo o histórico (inércia) do período de
integração anterior. Em outras palavras, antes de entrar num novo período de
integração visto pela concessionária, mas não por este método, a medição por
janela móvel traz consigo um valor médio acumulado do período imediatamente
anterior ao invés de entrar “zerado” como o faz o método de medição síncrona. Este
fato por si só impede qualquer tipo de otimização do consumo dentro do intervalo de
integração e, portanto da própria demanda conforme afirma Mauricio R.Suppa, 2011.

2.3.1.2 RETAS DE CARGA OU RETAS INCLINADAS

Em meados da década de 80, surgiram os algoritmos chamados de reta de carga. A


grosso modo, eram algoritmos que faziam uma "regra de três" com o número de
pulsos acumulado no intervalo, o tempo transcorrido, o tempo total do intervalo (15
minutos), para chegar à Demanda Projetada. Este algoritmo como descrito na figura
4 é síncrono à medição da concessionária, pois não considera valores do intervalo
anterior na projeção do intervalo atual. Entretanto, apresenta grandes erros no início
de cada intervalo.

Fonte: EMG, 2011


Figura 4 - Método de controle por Reta de Carga ou Retas Inclinadas
25

O gráfico 2 mostra o funcionamento prático do algoritmo reta de carga. Uma análise


mais atenciosa da figura mostra que a tendência de ultrapassagem da demanda
máxima se iniciou no instante t1, tendo sido detectada pelo algoritmo apenas no
instante t2. Isto ocorre tanto quando a demanda sobe, como quando ela cai. A
demora na tomada de decisões é o principal defeito deste algoritmo.

Fonte: EA, 2011


Gráfico 2 - Método de controle por Reta de Carga ou Retas Inclinadas

Um controlador de demanda inteligente posterga ao máximo sua atuação dando


oportunidade para a demanda cair naturalmente, pois se baseia num método de
medição preditivo mais elaborado conforme gráfico 2, Mauricio R.Suppa, 2011.

2.3.1.3 PREDITIVO ADAPTATIVO

O controle preditivo adaptativo é uma variante do controle por retas inclinadas,


porém, de complexidade maior, permite um melhor grau de otimização do controle
da demanda, com menor interferência no processo.

O termo adaptativo significa que a função de controle se adapta às mudanças do


processo e no caso do controle de demanda significa que as prioridades de atuação
sobre as cargas podem variar automaticamente de acordo com as condições do
processo, impedindo que o controlador penalize primeiro sempre uma mesma carga.
26

A parte preditiva utiliza medição sincronizada com a concessionária, integrando os


pulsos recebidos a partir do instante zero (chegada do sincronismo) e trabalhando
sempre com a projeção da demanda dentro do intervalo de integração e com o
conhecimento prévio do valor da potência da carga, podendo ainda operar de forma
adaptativa.

É muito importante ressaltar que dentro do método de controle preditivo temos


diversas variantes, que traduzem em mais ou menos eficiência em termos de
otimização da freqüência de chaveamento das cargas elétricas.

A parte adaptativa se caracteriza por prioridades de atuações sobre as cargas


controláveis, que se alteram automaticamente durante o período de integração em
função de uma variável elétrica ou de processo (demanda média, consumo,
temperatura, pressão, vazão, etc.) ou em função de uma condição operacional
qualquer configurada pelo usuário em tempo real. Com este recurso é possível
alterar dinamicamente as prioridades sobre as cargas controláveis em função de
mudanças na linha de produção ou ainda visando atuar prioritariamente sobre as
cargas que pertençam ao setor responsável pela tendência de ultrapassagem de
sua própria demanda setorial.

Considerando uma instalação com três setores distintos, cada qual com suas cargas
elétricas associadas e suas demandas setoriais próprias, além da demanda global
de contrato. E utilizando-se um controlador de demanda com um método de controle
por janela móvel ou retas inclinadas as prioridades de atuação seriam fixas
penalizando sempre as mesmas cargas prioritariamente, mesmo que estas não
fossem responsáveis naquele momento pela tendência de ultrapassagem da
demanda global de contrato.

Com o recurso de adaptação o controlador irá atuar prioritariamente sobre as cargas


pertencentes ao setor responsável pela tendência de ultrapassagem de sua própria
demanda de controle setorial, e não sobre as cargas de outro setor que estaria
atuando dentro dos seus limites pré configurados.

Supondo outra instalação com três fornos elétricos com a mesma potência nominal.
Utilizando-se um controlador de demanda sem um controle adaptativo, as
prioridades de atuação seriam fixas penalizando sempre um determinado forno
prioritariamente, mesmo se este estivesse numa condição proibitiva de ser atuado,
27

como na fase de aquecimento. Com o recurso de adaptação o controlador irá atuar


prioritariamente sobre o forno que estivesse na melhor condição de processo, como
na fase de estabilização, e não sobre aquele na rampa de aquecimento.

2.4 CARGAS A SEREM MONITORADAS

As cargas serem controladas dependerá principalmente de dois fatores segmento de


atuação da unidade consumidora e restrições operacionais de cada equipamento.

O segmento de atuação da unidade consumidora determina o modo de produção e


os tipos de equipamentos ou cargas envolvidos. Produção em batelada possui mais
cargas candidatas para controle enquanto que produção contínua já dificulta esta
escolha. As cargas de utilidades, que são aquelas que menos interferem no
processo devem ser retiradas primeiramente.

Caso as mesmas não sejam suficientes deve-se partir para os equipamentos de


processo, respeitando as restrições operacionais ou o próprio processo, o que
somente é possível com controladores de demanda “inteligentes”. Buscar
informações em empresas de mesma atividade que já possuam um controlador de
demanda pode ser um caminho interessante.

Outra opção são as empresas de consultorias especializadas na área. Uma maneira


interessante de se selecionar as cargas a serem retiradas consiste em obter a
chamada demanda máxima na prática que seria a potência total instalada na
unidade multiplicada pelo chamado fator de demanda que varia conforme a atividade
da empresa, entre 0,3 e 0,6. Isto reflete a simultaneidade de cargas ligadas.

A mínima carga de controle será, portanto, esta demanda menos o valor demanda
de controle a qual deverá ser igual ou menor que a demanda de contrato mais a
tolerância. Sem esquecer que existe uma demanda fixa mínima para manter a
instalação além das cargas críticas que dificilmente poderão ser atuadas. A princípio
não existem cargas não controláveis, pois existirá sempre um período no qual ela
poderá ser atuada sem prejuízo ou do processo ou de si própria. Cabe ao
controlador de demanda ser capaz de detectar este período, e atuar quando
necessário.
28

Os fornecedores de controladores podem ser divididos em duas categorias: num


grupo as empresas especializadas em ferramentas para controle e qualidade de
energia e, no outro, as de soluções globais de automação industrial e controle de
processos.

O que justifica a adoção de sistemas automatizados continua sendo o retorno


proporcionado pelos mesmos no “chão de fábrica/prédio”, onde encontram as reais
oportunidades de economia, sem perda de produtividade ou conforto. É importante
lembrar também que para monitorar a energia é preciso ter a Curva de Carga. A
partir daí é que se dimensionam as reais necessidades. Essa Curva registra o uso
da energia para determinar o fator de carga e identificar os picos de demanda.

O gerenciamento da energia inclui a monitoração do consumo e da qualidade da


energia elétrica, registrando e estabelecendo tendências que permitem alarmes e
providências quanto a geração de harmônicas, fator de potência e quaisquer outros
eventos no sistema de distribuição.

No caso das variações de tensão, um bom monitoramento pode evitar danos nos
equipamentos da empresa, quando elas acontecem dentro da planta, mas também
evitar um colapso na distribuição local, no caso de variações externas. Automação
do sistema de monitoramento é importante também quando é necessário o
chaveamento de forma sincronizada por área.

O controle do sistema de potência deve garantir a qualidade da energia e a


eficiência do sistema elétrico através de geradores, ajuste dos taps de
transformadores, seletividade de cargas, bancos de capacitores e filtros de
harmônicas.

2.5 DEMANDA VERSUS CONSUMO

Muitas vezes os consumidores confundem os valores de demanda e consumo numa


tarifa de energia elétrica, prejudicando seus custos e ressaltando o importante papel
conscientizador que o Engenheiro Eletricista deve exercer.
29

A demanda conforme afirma MATHEUS (2008) representa a estrutura de geração e


transmissão da energia elétrica que a concessionária disponibiliza ao consumidor.
Ela é disponibilizada perante contrato com a concessionária, onde esta se
responsabiliza em manter essa estrutura de fornecimento e o consumidor, por sua
vez, compromete-se a pagar por essa estrutura, usando-a ou não, e ele também não
deve ultrapassar os valores contratados podendo ser cobradas multas pesadas,
caso isso ocorra. Já o consumo representa a quantidade de energia ativa consumida
(MATHEUS, 2008).

Comparando com um sistema mecânico, a demanda representa o quão rápido um


trabalho foi executado (potência) e o consumo representa o trabalho executado.
Portanto, para um mesmo consumo, podem ter demandas diferentes.

2.6 ULTRAPASSAGEM DE DEMANDA

A monitoração é realizada através da média dos 15 minutos de integração. A


demanda de Energia é contratada junto a concessionária (pága-se por ela
independente do uso) – Sua medição é realizada com base na “média” dos 15
minutos de integração de demanda (CCK, 2011).

Segundo CCK (2011) a ultrapassagem de demanda elétrica é controlada com base


nos valores médios da integração de 15 minutos, ou seja, a demanda média de 15
minutos não pode ultrapassar a demanda contratada, caso ocorra à ultrapassagem a
concessionária cobrará a multa com base no maior valor registrado.

De acordo com o tipo de consumidor existe uma tolerância sobre o valor de


demanda contratado para que não haja cobrança de multas, conforme definido na
resolução 456 de 29 de novembro de 2000, Art. 2°, § VIII:

Valor de 5%, para as unidades cuja tensão de fornecimento seja maior ou igual a 69
kV (tarifa- azul); 10%, para as unidades cuja tensão de fornecimento seja menor que
69 kV e no mês de faturamento, a demanda para fora de ponta (tarifa azul) e a
demanda (tarifa- verde), sejam superiores a 100 kW; 20%, para as unidades
30

atendidas com tensão inferior a 69 kV, e no mês de faturamento, a demanda fora de


ponta (tarifa azul) e demanda (tarifa verde) de 50 a 100 Kw (ANEEL, 2000, p.27).

O cálculo de multa por ultrapassagem de demanda é exemplificada nas tabelas 3 e


4.
TABELA 3
Consumidor A4 Horo Sazonal Azul
Demanda Tolerância Registrado
Contratada 5% (kW) (kW)
(kW)

Ponta 500 525 530


Fora de 800 840 835
Ponta
Fonte - CEMIG, 2011, p.1.

TABELA 4
Valor do KWh Consumidor A4 Horo Sazonal Azul
Ponta (R$) Fora de Ponta
(R$)

Normal 28,74 9,36

Ultrapassagem 86,22 28,08

Fonte - CEMIG, 2011, p.1.

Cálculo da Multa:
Fora de Ponta

Demanda Contratada com tolerância = 840 KW

Demanda Registrada = 835 KW

835 KW x 9,36 R$/KW = R$ 7.815,60

Ressalta-se que nesse cálculo não houve ultrapassagem de demanda.


31

Cálculo da Multa:

Ponta

Demanda Contratada com tolerância = 525 KW

Demanda Registrada = 530 KW

Valor da conta de demanda:

500 KW x 28,74 R$/KW = R$ 14.370,00

Nesse caso houve ultrapassagem de demanda e o cálculo da multa consistiu em:

30 KW x 86,22 R$/KW = R$ 2.586,60

Com isso torna-se justificável a instalação de um sistema de controle de demanda


evitando dessa maneira o pagamento de multa por ultrapassagem de demanda.
32

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. GERENCIAMENTO DE DEMANDA DE ENERGIA

Um Controlador de Demanda necessita medir corretamente para poder controlar.


Em termos globais a informação para controle deverá vir do medidor da
concessionária, pois lá estão os sinais de controle além das variáveis a serem
controladas liberadas pela mesma através de solicitação padrão. Logo o Controlador
de Demanda deverá estar conectado a este medidor recebendo as mesmas
informações da concessionária e baseado nestas realizar suas ações sobre as
cargas passíveis de serem controladas.

Uma vez recebendo os sinais da concessionária o Controlador de Demanda passará


a verificar dentro de cada período de integração (quase 3000 intervalos/mês) a
necessidade de se retirar/não alguma carga elétrica da instalação afim de que a
demanda global se mantenha, dentro deste intervalo, abaixo dos limites de controle
pré estabelecidos (os quais na maioria das vezes são os valores de contrato junto à
concessionária com ou sem as tolerâncias permitidas).

Atualmente os contratos são para fornecimento de energia firme e possuem duração


de no mínimo 1 ano, podendo ser realizados contratos para energia temporária a
curto prazo por consumidores com elevada demanda contratada.

Voltando à atuação do Controlador de Demanda não havendo tendência de


ultrapassagem da demanda ele não atuará. Caso contrário ele poderá atuar e
quando a demanda diminuir ele terá que repor (ou pelo menos liberar para uso) de
forma automática as cargas antes retiradas.

A primeira diferença entre um Controlador de Demanda convencional e outro


inteligente começa no início da atuação de controle, onde para um Controlador de
Demanda convencional esta atuação poderá ser realizada de forma prematura ou
intermitente dentro do intervalo de integração. Já Controlador de Demanda
inteligente posterga ao máximo sua atuação dando oportunidade para a demanda
cair naturalmente. Resumindo, um Controlador de Demanda não deve retirar cargas
33

de forma prematura ou irresponsável e sim esperar o momento certo para agir sobre
a quantidade exata (nem mais nem menos) de kW.

O Gerenciador de energia dispõe de meios automáticos de controle para intervir,


quando da tendência de inadequações dos valores de demanda e de fator de
potência, mantendo-os nos limites fixados nos contratos firmados com as
concessionárias de energia.

O controle de demanda realizado pelo Gerenciador de Energia geralmente é um


sistema de controle a malha fechada com grau de histerese definido pelo usuário.
Além da saída do usuário do medidor de energia da concessionária, também
deverão estar conectadas ao Gerenciador de Energia, cargas previamente
selecionadas e que possam ser comutadas (ligadas/desligadas).

A partir de informações disponibilizadas na saída do usuário do medidor de energia


o Gerenciador de Energia estará, através de algoritmos apropriados, projetando a
demanda de energia elétrica para o final dos do intervalo dos 15 minutos e
realizando as ações de controle conforme a Tabela 5.

TABELA 5
Resultado do algoritmo

Ação do Gerenciador de
Energia
Ultrapassagem da demanda contratada Desligamento de cargas
Nível normal de utilização de demanda contratada Repouso
Mal aproveitamento da demanda contratada Religamento de cargas
Fonte - CEMIG, 2011, p.1.

A esta operação de desligamento/religamento de cargas chama-se de modulação e


tem como objetivo utilizar o máximo da demanda contratada pelo consumidor junto a
distribuidora de energia.

Deve-se observar que todas as operações de modulações de carga ocorrem dentro


de uma janela de tempo de 15 minutos, que é o período de tempo utilizado pela
distribuidora de energia para o faturamento. Em um mês, ocorrem quase 3000
intervalos de 15 minutos e em nenhum destes intervalos, poderá haver
ultrapassagem da demanda contratada, pois, para faturamento, será cobrado o
maior valor verificado em todos os intervalos de 15 minutos do mês, tanto para o
posto horário de ponta como para o posto horário fora de ponta.
34

Os softwares de gerenciamento de energia são elaborados de forma a emitir uma


gama de relatórios e gráficos analíticos de utilização de energia elétrica, que
permitirão ao usuário uma visão geral do uso da energia elétrica. Como exemplos de
algumas funções destes softwares podem citar a emissão de contas de energia para
a contabilidade; previsão de gastos com energia para os controladores; gráficos
analíticos tais como demanda, fator de potência entre outros de interesse da
Engenharia.

Uma função de grande utilidade encontrada em alguns destes softwares é a criação


de um banco de dados de utilização de energia elétrica que permitirá ao seu usuário,
por exemplo, uma análise do contrato de fornecimento de energia com otimização
da demanda através do estudo do perfil registrado como o que está ilustrado na
figura 5.

FIGURA 5 – Demanda diária de energia elétrica e fator de potência


FONTE: CCK, 2006

Tendo por objetivo às reais necessidades da unidade consumidora, estas


informações são analisadas de maneira a eliminar as ocorrências de ultrapassagens
e ociosidades, considerando-se grandezas como, demanda contratada, demanda
medida e demanda faturada conforme mostrada na figura 6.
35

FIGURA 6 - Análise do perfil de demanda contratada


FONTE: CCK, 2006

Ainda com base nos históricos estes softwares podem simular eventos futuros tais
como impactos no consumo de energia e demanda ocasionados por ampliações
como, por exemplo, instalações de novos equipamentos e desativações permitindo
ainda ao usuário tomar medidas corretivas, tais como a correção do fator de
potência.

3.2 TÉCNICAS DE MEDIÇÃO

O sistema deve ser capaz de realizar diversas medições por dia, separando estas
medições nos postos horários ponta e fora de ponta, obtenção das demandas
também para estes postos horários.
36

3.2.1 LEITURA DOS MEDIDORES A PARTIR DE UM COMPUTADOR

Essa arquitetura se baseia nos seguintes equipamentos, medidores eletrônicos de


energia com porta de comunicação serial (normalmente no padrão elétrico RS 485)
que permitem a leitura eletrônica; computador dedicado com software de leitura de
medidores e gerenciamento de energia.

A figura 7 apresenta a arquitetura deste tipo de medição:

FIGURA 7 – Leitura dos Medidores a partir de um Computador


FONTE: CCK, 2006

O computador onde está instalado o software de leitura de medidores estará


constantemente realizando a leitura eletrônica dos medidores através da porta de
comunicação serial. As informações assim obtidas são registradas em um banco de
dados para então emissão dos gráficos e relatórios analíticos do consumo de
energia elétrica tão necessária ao técnico de eficiência energética.
37

Pode-se apontar como fragilidades desta configuração, uma eventual falha na porta
de comunicação serial de um medidor, impede que o concentrador realize a leitura
dos demais medidores; um travamento no computador que irá parar de realizar a
leitura dos medidores, ocasionando perda de dados de medição.

Tais falhas, quando ocorrem, são impossíveis de uma ação de contingenciamento e


terão um forte impacto para o técnico de eficiência energética, com perda total na
confiabilidade da medição que passará a apresentar falhas como a representada na
figura 8.

FIGURA 8 – Medidor sem Memória de Massa


FONTE: CCK, 2006

3.2.2 CONCENTRADOR DE MEDIDORES

Esta configuração baseia-se em medidores eletrônicos de energia com porta de


comunicação serial (normalmente no padrão elétrico RS 485) que permitem a leitura
eletrônica; concentrador de dados conectados aos medidores eletrônicos através de
par metálico, interface de comunicação RS 485; computador dedicado com software
de gerenciamento de energia.
38

O concentrador de medidores estará, através da porta de comunicação serial,


realizando a leitura eletrônica dos medidores e armazenando estas leituras em sua
memória.

Posteriormente, o software de gerenciamento em execução no computador, realiza a


leitura da memória do concentrador, registro destas grandezas em banco de dados
para então emissão dos gráficos e relatórios analíticos do consumo de energia
elétrica, tão necessários ao técnico de eficiência energética.

Algumas das deficiências neste tipo de arquitetura estão representadas na figura 9.

Figura 9 – Concentrador de Medidores


Fonte - EMG, 2011, p.7.

3.2.3 MEDIDORES COM MEMÓRIA DE MASSA

Nesta arquitetura são utilizados medidores eletrônicos com memória de massa


própria conectados a um computador onde está instalado o sistema de
gerenciamento de energia que estará realizando a leitura dos medidores conforme
mostrado na figura 10, registro dos dados de medição em banco dos dados para, da
39

mesma forma que a arquitetura anterior, permitir a emissão dos gráficos e relatórios
analíticos do consumo de energia elétrica tão necessária ao técnico de eficiência
energética.

Figura 10 – Medidores com Memória de Massa


Fonte - EMG, 2011, p.7.

Memória de massa de um medidor pode ser definida como o registro dos dados
medidos por um intervalo contínuo de no mínimo 35 dias (na chegada do 36 dia o
primeiro é apagado, garantindo os últimos 35 dias na memória do medidor) em
médias integradas de pelo menos 15 minutos.

Assim, na arquitetura apresentada, caso venha ocorrer uma eventual falha na porta
de comunicação de um medidor de forma a impedir a leitura dos outros medidores,
esta falha poderá ser corrigida em um intervalo de 35 dias sem que haja perda de
dados de medição.
40

3.3 PERÍODOS DE MEDIÇÃO

O foco da eficiência energética conforme CCK (2011) é a obtenção do melhor índice


do custo da energia pelo consumo de energia, relacionando o consumo de energia
elétrica a alguma outra unidade, como por exemplo: KW/h/m2, KW/h/tonelada de
minério produzida, R$ / KW/h (Figura 11).

Figura 11 – Consumo de Energia


Fonte - CCK, 2011, p.2.

Muitas vezes, várias ações devem ser tomadas para a melhora deste índice, entre
elas, destacam-se otimização do contrato de energia; melhora do fator de potência;
utilização de iluminação e motores mais eficientes; melhora nos processos de
produção.

As ações são tomadas de acordo com o retorno de investimento, onde os são


indicados pelo técnico de eficiência energética e serão amortizados pelo valor em
reais obtidos com a economia de energia.
41

Para correta tomada de decisões, são necessários dados precisos de medição de


energia divididas no tempo de da seguinte forma (CCK, 2011):

Horária: permite o acompanhamento do consumo de energia ao longo do dia, de


acordo com as várias etapas do processo que se busca a eficientização (produção,
iluminação, uso do ar condicionado).

Figura 12 – Medição Antes das Ações


Fonte - CCK, 2011, p.3.

Permite identificar, por exemplo: mudanças de turno, horários de entrada e saída de


pessoal, operação de máquinas, etc. Como ilustrado na figuras 12, onde pode ser
visualizada uma medição de um dia, separadas em intervalos de 15 minutos,
separados em intervalo de ponta e fora de ponta.

Pode-se visualizar na figura 13 a redução do consumo depois da instalação dos


controladores de demanda, onde não existe mais a ultrapassagem da demanda
contratada nem nos horários de ponta nem nos horários fora de ponta evitando
dessa forma o pagamento de multa por ultrapassagem de demanda contratada.
42

Figura 13 – Medição depois das ações


Fonte - CCK, 2011, p.3.

Mensal: permite o acompanhamento sazonal do processo em fase de eficiência nas


diversas estações do ano que, eventualmente podem variar (ex: a operação de um
ar condicionado no verão e outras estações do ano, produção de cerveja ao longo
do ano, etc), conforme mostrado na figura 14.

Figura 14 – Acompanhamento Diário de Consumo


Fonte - CCK, 2011, p.3.
43

Que podem variar eventualmente (exemplo: a operação de um ar condicionado no


verão e outras estações do ano, produção de cerveja ao longo do ano, etc.).

Anual: com uma visão geral do processo que está sendo eficientizado (Figura 15).

Figura 15 – Registro das Demandas Máximas Anuais


Fonte - CCK, 2011, p.4.

3.4 COMPARAÇÃO ENTRE OS MÉTODOS DE CONTROLE DE DEMANDA

Afim de se obter o máximo aproveitamento da demanda de energia ativa contratada


junto à concessionária de energia elétrica muitas vezes se necessita de um grau
mínimo de automatismo sobre as cargas da instalação através de um controlador
digital de baixo custo do tipo CLP (controlador lógico programável).

Independente da plataforma de hardware utilizada o método de controle (o qual


depende diretamente do método de medição) é que irá definir o índice deste
aproveitamento permitindo ao usuário otimizar ou não os valores de contrato bem
como o número de chaveamento das cargas controladas.
44

3.4.1 MÉTODOS DE MEDIÇÃO

Em termos de medição temos os métodos de medição síncrona e assíncrona. O


método de medição síncrona é aquele utilizado por todas as concessionárias
brasileiras e pela maioria dos países medindo a energia ativa num determinado
intervalo de tempo que pode variar de 15 à 60 minutos na maioria dos casos. Na
prática o que se faz é integrar os pulsos de energia dentro deste intervalo, por isso
chamado de intervalo de integração, obtendo a demanda de energia ativa, ou seja, a
demanda é a energia média consumida em cada intervalo de 15 minutos não
existindo plenamente antes do fechamento do intervalo.

Na maioria dos casos a concessionária fatura pelos maiores valores registrados nos
períodos de fora-ponta e ponta ou pelos valores contratados, os que forem maiores.

A cada início do intervalo de integração o consumo é zerado dando início a uma


nova contagem. Se ao final do intervalo o valor médio de fechamento for superior ao
limite permitido o usuário arcará com pesadas multas por ultrapassagem. Neste
ponto é interessante frisar que poderão ocorrer picos de potência dentro do intervalo
de integração desde que os mesmos não levem à ultrapassagem da demanda. Ao
contrário do que muitos apregoam são os picos de demanda (média das potências)
que não podemos permitir e não os picos de potência instantânea, normais para a
produção, principalmente em processos onde existem grandes variações de carga
durante curtos períodos de tempo.

O método de medição assíncrona, muito utilizado por tradicionais fabricantes de


controladores de demanda, é o chamado média móvel ou ainda janela móvel o qual
não se vale do sinal de sincronismo da concessionária. A janela móvel na verdade é
um filtro de média móvel que “caminha” a cada período de atuação do controlador
trazendo consigo todo o histórico (inércia) do período de integração anterior.

Em outras palavras, antes de entrar num novo período de integração visto pela
concessionária, mas não por este método, a medição por janela móvel traz consigo
um valor médio acumulado do período imediatamente anterior ao invés de entrar
“zerado” como o faz o método de medição síncrona. Este fato por si só impede
45

qualquer tipo de otimização do consumo dentro do intervalo de integração e portanto


da própria demanda, conforme ilustrado na figura 16.

Figura 16 – Janela Móvel


Fonte - CCK, 2011, p.4.

Outra característica de medição por janela móvel é que a mesma, como já dissemos
anteriormente, traz consigo toda a inércia do intervalo anterior prejudicando o
controle das cargas na passagem do período de fora de ponta para ponta, retirando
cargas desnecessariamente, conforme ilustrado na figura 17.

Figura 17 – Medição nos Períodos de Ponta e Fora de Ponta


Fonte - CCK, 2011, p.4.
46

Alguns dos fabricantes citados anteriormente se utilizam de artifícios ou métodos


paliativos de correção para casos como estes sem, contudo evitar riscos de
ultrapassagem na passagem de ponta para fora de ponta como detectado em
nossas simulações realizadas e apresentadas a seguir. Outra razão para a
existência deste risco de ultrapassagem é que o controle por janela móvel atua
sobre um erro já ocorrido (diferença entre a medição e o valor de controle) e não
pela taxa de variação deste erro, como é no caso do controle por projeção da
demanda.

3.4.2 MÉTODOS DE CONTROLE

O risco de ultrapassagem da janela móvel bem como o número excessivo de


chaveamentos estão atrelados ao método de controle utilizado em conjunto com a
mesma o qual se resume em níveis de liga/desliga correspondentes à percentuais
da média móvel sendo medida, os quais uma vez atingidos farão com que as cargas
controláveis sejam retiradas ou habilitadas exatamente como configurado pelo
usuário, que neste caso faz o papel do controlador. A figura 18 ilustra o conceito
deste controle evidenciando o comportamento de um limitador de demanda ao invés
de um controlador. Na verdade este método de controle se assemelha ao controle
on-off sem conhecimento das cargas sendo retiradas ou habilitadas.
47

Figura 18 – Método de Controle por Janela Móvel


Fonte - CCK, 2011, p.4.

Outro método de controle, mais inteligente, atua sobre a projeção da demanda


sendo comumente chamado de controle por retas inclinadas ou controle por
projeção da demanda. Existem diversas variantes deste tipo de controle sendo um
deles o controle preditivo o qual tem por princípio retirar e/ou habilitar a carga
necessária no tempo necessário, nem mais nem menos, visando desta forma a
otimização da demanda a cada intervalo de integração.

Uma de suas vantagens é que ele tem como método de medição o mesmo utilizado
pela concessionária permitindo picos de consumo no início do intervalo de
integração sem prejuízo do valor final da demanda. Outra vantagem do controle
preditivo é que ele opera segundo valores reais das cargas controláveis os quais são
fáceis de serem configurados levando à tomadas de decisão de forma inteligente e
precisa, conforme ilustrado na figura 19.
48

Figura 19 – Método de Controle Preditivo


Fonte - CCK, 2011, p.4.

Usando o método de controle preditivo o usuário não necessita estabelecer os


valores de atuação do controlador, pois o mesmo é quem decide quando (DT) e qual
carga (DP) será acionada, ou seja, a aqui o controlador é a máquina e não o
operador.

Através deste método o controlador usa toda a sua capacidade de processamento


para ajustar a demanda de acordo com a projeção realizada e as prioridades e
valores das cargas disponíveis para controle, lembrando sempre que independente
do método de controle utilizado, preditivo ou por janela móvel, existe um valor
mínimo de carga controlável a ser respeitado abaixo do qual o processo se torna
não controlável. Com isto pode-se apresentar na tabela 06 um resumo dos dois
métodos de controle mais utilizados no mercado mostrando suas principais
características e diferenças.

TABELA 6
Comparação entre os Métodos de Controle
Tipo de Controle Controle Preditivo Controle pela Janela
Móvel
Medição síncrona com a Sim Não
concessionária
Variável monitorada Demanda Projetada Demanda Média
assíncrona
Tempo de Atuação Rápido Retardado
Parâmetro de Potência das Cargas Níveis de Desligamento e
49

Programação das Cargas Religamento


Controle das Cargas Calcula potência e Atua no nível pré-
(liga/desliga) instante necessários programado
Analogia com controle Controle com Controle on-off
PID (on-off) componente PID
Controle na transição do Liga e desliga as cargas Desligamento das cargas
Período Ponta necessárias para maior que o
para Fora de Ponta o respectivo intervalo necessário

Controle na transição do Liga e desliga as cargas Religamento das cargas


Período Fora de necessárias para o maior que o contrato
Ponta para Ponta respectivo intervalo

Risco de ultrapassagens Não Sim

Fonte - EMG, 2011

5. CONCLUSÃO

Neste trabalho foi realizada uma análise do sistema tarifário, regulamentado pela
resolução 456 de 29 de novembro de 2000, publicada pela Agência Nacional de
Energia Elétrica (ANEEL).

Este trabalho mostrou a importância da implantação de um sistema de


gerenciamento de energia elétrica para as empresas. Os investimentos necessários
para a implantação dos sistemas de gerenciamento são facilmente justificados e são
decorrentes da economia de energia, associada à melhoria contínua do processo
produtivo.
50

Com relação às diversas imposições por parte das concessionárias destaca-se as


sobretaxas pelo excesso de reativos e por isso a necessidade de se manter o fator
de potência e a demanda de potência reativa em seus limites estabelecidos.
A cobrança de sobretaxas pode ser administrada como uma oportunidade de
negócios, por meio de uma análise considerando o valor da produção e o valor das
sobretaxas a serem pagas.

A possibilidade da redução da demanda ativa, fazendo-se uma seleção adequada


das cargas a serem retiradas, permite que se trabalhe em níveis de fator de potência
abaixo do permitido de modo a não ser multado pelo excesso de demanda reativa, o
que torna fundamental a utilização de controladores inteligentes.

Sugere-se que os futuros trabalhos contemplem a implementação de melhorias no


software atual, incluindo novas rotinas de simulação.
51

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, J. C. O.; OLIVEIRA, M. A. G. Sistema de Gerenciamento do Consumo e da Qualidade de


Energia Elétrica. Brasília, 2002. 6 p. XV Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica –
SENDI 2002.

ANEEL. Resolução ANEEL nº. 456, de 29 de novembro de 2000.

CELPE., Estrutura Tarifária. Local: CELPE, s/data Disponível em


http://www.celpe.com.br/ORIENTACAO%20AO%20CLIENTE/ALTA%20TENSAO/AGENCIA
%20VIRTUAL/PERGUNTAS%20E
%20RESPOSTAS/40541%3B34156%3B11011001%3B0%3B0.asp?c=3&id=&o. Acesso em 23.
Out.2011.

CEMIG., Estrutura Tarifária. Local: CEMIG, s/data. Disponível em


http://www.cemig.com.br/Atendimento/Paginas/ValoresDeTarifaEServicos.aspx. Acesso em 22. out.
2011.

ENGECOMP Tecnologia em Automação e Controle Ltda. Local: ENGECOMP, s/data. Disponível em


http://engecomp.com.br . Acesso 15. mai. 2011.

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