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MODELOS DE LIGAÇÃO COOPERATIVA

Modelos para o comportamento das proteínas alostéricas

I. MODELO CONCERTADO, TUDO-OU-NADA, ASSIMETRIA AJUSTADA

Proposto em 1965 por Jacque Monod, Jeffries Wyman e Jean-Pierre Changeux.


De acordo com esse modelo, as proteínas podem apresentar dois tipos de formas:
Forma T (tensa): conformação na qual a proteína possui menor afinidade pelo ligante.
Forma R (relaxada): conformação na qual a proteínas possui maior afinidade pelo ligante.
Sendo assim, a proteína ou está num estado onde todas as subunidades estão ligadas ou num estado
de subunidades totalmente desligadas. Diz-se então que a conformação de todas as subunidades se
alteram simultaneamente.
Com isso, efeito alostérico é basicamente explicado por um equilíbrio entre essas duas formas:
Inicialmente há uma grande quantidade de proteínas na forma T e uma pequena quantidade no estado
R livre, mas ao decorrer do processo há um aumento na quantidade de proteínas ligadas no estado R e
consequentemente diminuição na quantidade de proteína livre na forma R.
Como resultado e com o propósito de manter o equilíbrio, ocorre uma mudança conformacional de
mais proteínas na forma T para a forma R livre, possibilitando a ligação de mais substrato.
Esse deslocamento de equilíbrio entre T e R é que causa o efeito alostéricos bem como a curva
sigmóide característica dessas proteínas alostéricas.
A ação dos inibidores e ativadores também são explicadas por esse equilíbrio:
I. Os inibidores se ligam à forma T e a estabilizam, dificultando a mudança conformacional da
proteína para o estado R.
II. Já os ativadores se ligam à forma R e a estabilizam. Na presença desse ativador, ocorre um
deslocamento de equilíbrio entre essas formas, favorecendo a forma R. Dessa maneira, menor
será a quantidade de substrato necessária para induzir a formação de grande quantidade de
proteínas na forma R.

II. MODELO SEQUENCIAL

Proposto por Daniel Koshland em 1966.


Nesse modelo, o ligante ao se ligar o sítio ativo de uma subunidade induz a mudança conformacional
em outra subunidade, aumentando a afinidade dessa e facilitando, assim, a ligação com o substrato. Sendo
assim, a mudança conformacional do estado T para o estado R é induzida pelo substrato.
Vale destacar que nesse caso, há estágios híbridos nos quais uma proteína pode apresentar
subunidades com alta afinidade por um ligante e outras com baixa afinidade por esse ligante.
A cooperatividade também ocorre na ligação com inibidores e ativadores.
A ligação de um inibidor a uma subunidade provoca uma mudança na conformação que dificulta a
ligação com o substrato, essa mudança induz outra subunidade a alterar sua conformação e também
dificultar a ligação.
A cooperatividade na ligação com uma ativador segue um raciocínio semelhante: o ativador provoca
mudanças na conformação de uma subunidade com o propósito de facilitar a interação com o ligante, essa
subunidade induz mudanças nas outras subunidades aumentando a afinidade e assim a proporção de sítios
ligados.
Como pôde-se perceber, no modelo sequencial, do ponto no qual os sítios de ligação das
subunidades proteicas estão totalmente livres até o ponto em que os sítios estão totalmente ocupados,
aceita-se estágios nos quais há subunidades ligadas e outras não ligadas, o que é descartado no modelo da
assimetria ajustada.

Observações:
➔ Ao se referir à proteínas de modo geral, deve-se pensar em ligantes e sítios de ligação.
Para os casos de enzimas exclusivamente, utiliza-se os termos: substrato e sítios ativos (ou ainda, sítios
catalíticos).
➔ Os dois modelos não são mutuamente exclusivos, o modelo sequencial complementa o
modelo concertado.

REFERÊNCIAS:
Campbell, Mary K. Bioquímica Básica. São Paulo: Thomson Learning, 2007.
Lehninger. Albert. L. Princípio de Bioquímica. São Paulo: Sarvier, 2002.