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Cap.

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Capítulo 5 – Estratégias para prática individual – Harold Jorgensen


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 Temática: Realizar uma prática individual eficaz.


 Hallam (1998) define Prática Eficaz como: “a prática que alcança o
produto final desejado, no menor tempo possível, sem interferência
nas metas de longo prazo.”
 “Estratégias de prática podem ser definidas como pensamentos ou
comportamentos os quais os músicos se engajam durante a prática,
que servem para influenciar sua motivação e estado afetivo, ou o
caminho/maneira que vai escolher, organizar, integrar e ensaiar
novos conhecimentos e habilidade.”
 “Por exemplo, quando o músico planeja a sessão de estudo
(estratégia de pensamento) e quando o músico gradualmente
aumenta o andamento/tempo da performance (estratégia de
comportamento). Estratégias (usualmente) são conscientemente
aplicadas mas podem se tornar automáticas com a repetição.”
 A maioria das estratégias não são nem funcionais nem disfuncionais
em si mesmas. Por exemplo, praticar uma peça tocando
repetidamente do início ao fim pode trazer benefícios para algo, mas
é ineficaz para o restante.
 De fato, estudantes avançados e músicos profissionais
frequentemente mantem visões diferentes do que é uma prática
eficaz.
 ...porém, existem estratégias comuns que podem ser aplicadas para
produzir melhores resultados na performance ou alcançar os mesmos
resultados mais rapidamente.
 Alguns professores de música sugerem que é conveniente para os
estudantes visualizar a prática como um autoensino (self-teaching),
onde na ausência do professor podem substituí-lo, definindo tarefas
para si mesmos e supervisionando seu próprio trabalho
(Galamian,1964). Baseado nesse ponto de vista, podemos enfatizar
que essa prática deve incluir três fases de “self teaching”:
o Planejamento e preparação da prática
o Execução da prática
o Observação e avaliação da prática

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 Uma visão alternativa, advinda da psicologia educacional, é a


aprendizagem autorregulada (onde estudantes adquirem as
ferramentas necessárias para ter controle da sua própria
aprendizagem e assim aprender de maneira eficaz). Nessa
abordagem, o praticante deve engajar-se em três fases de
autorregulação:
o Antecipação – os processos de pensamento e crenças
pessoais que precedem os esforços de engajamento na
tarefa;
o Perfomance/Controle Volitivo: Processos que ocorrem
durante a aprendizagem e que afetam a concentração e
performance;
o Auto-reflexão: A reação do aprendiz e subsequente
resposta à experiência;
 As três fases acima podem ser facilmente transportadas para a
prática “self-teaching” descrita anteriormente.
 Além disso, ambas abordagens e suas respectivas fases de
prática são entrelaçadas ou cíclicas.
 Direcionar a atenção do performer para as três fases não é o
suficiente para um uso eficaz de estratégias individuais. Todo
o praticante deve ter um conhecimento minucioso sobre o seu
repertório de estratégias e deve estar apto para controlar,
regular e explorar esse repertório.

5.1

Prática individual – Uma perspectiva histórica

 Desde aproximadamente 1700, muitos livros sobre métodos ou


maneiras de prática individual foram sendo escritos. Muitas
dessas obras são baseadas na experiência e opinião pessoal dos
autores, e suas visões são frequentemente contraditórias.
 A pesquisa empírica de prática individual tem uma história
muito mais curta. O pianista húngaro Sandor Kovacs publicou
o primeiro estudo empírico em 1916. Ele estava intrigado com
os problemas que seus estudantes tinham em tocar peças
difíceis para a memória. Sua conclusão é de que os músicos
devem se engajar na prática mental, especialmente quando
estão iniciando a aprendizagem de uma peça.
 Nos 20 anos subsequentes, apenas três estudos foram
publicados. Dois deles (Brown,1928; Eberly,1921,
Brown,1933) ...
 Desde 1975, o número de estudos publicados cresceu
gradualmente

5.2 – Planejando e preparando estratégias

5.2.1 – Estratégias para seleção de atividades e organização


 A qualidade de uma sessão de prática é caracterizada e
definida pelas atividades específicas nas quais o praticante
engaja. Algumas atividades não são relacionadas à
aprendizagem, como sonhar acordado ou comportamentos
como levar um longo tempo para arrumar o local ou
manutenção do instrumento.
 Atividades de prática com objetivos de aprendizagem podem
ser separadas “playing practice” e “nonplaying practice”
(estudando a partitura, escrevendo na partitura ou em um
bloco de notas, definindo digitações...). Pesquisas sugerem que
a maior parte do período de prática é “tocando”, e dentro dela,
é mais comum os músicos engajarem no estudo do repertório,
seguido pela prática de questões técnicas. Daí surgem algumas
sugestões:
o Reduzir o tempo de “nonlearning” nas sessões de
estudo, aumentando a concentração e motivação;
o Equilibrar o tempo de prática com instrumento, sem
instrumento. Utilizar o tempo de prática sem
instrumento para um ensaio mental e reflexão ou ainda
prevenir o uso inadequado da musculatura.
 Parece haver uma ampla gama de estratégias utilizadas pelos
praticantes para selecionar e organizar suas práticas, daqueles
que fazem como costumam fazer e aqueles que mudam de
sessão para sessão.
o Se você tem uma rotina específica/fixa, tente introduzir
novos elementos para sua prática ou planejamento de
prática. Por exemplo, você pode reservar um sessão por
dia para demandas inesperadas (ex: leitura a primeira
vista) ou usar uma sessão inteira para o estudo de
técnica.
o Se você variar o conteúdo da prática e a sequência de
atividades de sessão para sessão. Refletir sobre os
benefícios de um regime mais abrangente que aborde
todos os aspectos imediatamente relevantes do
desempenho antes de se transformar em outra coisa (?)
 Exercícios (warm-up) são mais específicos para cada
instrumento.
o Pergunte a si mesmo: por que esse exercício
(específico) é necessário para mim nessa sessão?
Existem outros exercícios melhores para esta sessão de
prática em particular? Para minhas necessidades de
curto prazo? Para minhas necessidades de longo prazo?
 Finalmente, pesquisas mostram que dentro da sessão de estudo, os
músicos normalmente começam com exercícios de técnica e depois
vão para o estudo do repertório. Dentro do estudo de repertório,
entretanto, as evidências sugerem que muitos estudantes praticam
apenas peças novas e não possuem estratégias para sistematicamente
revisitar peças “antigas”.
o Inclua trabalho/estudo deliberado em músicas previamente
ensaiadas em seu cronograma de exercícios para manter ativo
seu repertório central.

5.2.2 – Estratégias para estabelecer metas e objetivos

 Metas são necessárias para a aprendizagem e o aperfeiçoamento.


Entretanto, em um estudo feito com estudantes de um conservatório,
Jorgensen (1998) descobriu que muitas sessões de prática
começavam sem os esforços de planejar e estabelecer metas. Apesar
disso, parece haver uma tendência em dois principais tipos de metas
para a prática de uma peça específica: metas para a qualidade técnica
da performance e metas para a qualidade expressiva da performance.
 As intenções expressivas para uma peça devem ser consideradas
como parte do plano de performance,