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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS


Processo Nº. : 0002304-23.2015.8.05.0004

Classe : RECURSO INOMINADO


Recorrente(s) : COELBA COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO
ESTADO DA BAHIA

Recorrido(s) : DANILLO ROCHA SANTOS


Origem : VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS - ALAGOINHAS

Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

VOTO- E M E N T A

RECURSO INOMINADO. COELBA. RECUSA DA DEMANDADA EM REALIZAR


OBRA DE REMOÇÃO DE POSTE INSTALADO EM LOCAL INADEQUADO.
CONCESSIONÁRIA RÉ QUE SE RECUSARA A ARCAR COM OS CUSTOS DA
OBRA, IMPUTANDO-OS AO CONSUMIDOR. FALHA NA PRESTAÇÃO DOS
SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. OBRIGAÇÃO DE FAZER. DANOS
MORAIS CONFIGURADOS NO CASO CONCRETO. QUANTUM ARBITRADO DE
ACORDO COM OS PARÂMETROS DA RAZOABILIDADE E
PROPORCIONALIDADE. SENTENÇA MANTIDA.

1. Trata-se de recurso inominado interposto contra sentença que julgou


parcialmente procedente os pedidos, nestes termos: “Com base no acima exposto, julgo
PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido nos termos do art. 487, I, CPC, para:a)
Determinar a acionada como obrigação de fazer, para no prazo de 30 dias, sem nenhum ônus
para o autor, faça relocação do poste de fiação elétrica localizado a Rua Oscar Rabelo, 83, em
frente da residência da parte autora, sob pena de multa diária de R$ 300,00 (trezentos reais).
2. b) Condenar a ré no pagamento a autora no montante de R$ 4.000,00 (quatro mil reais) pelos
danos morais, valor a ser corrigido a partir da publicação da sentença, aplicando juros de mora
no importe de 1% (um por cento) ao mês e correção monetária pelo do INPC..”

3. A recorrente busca a reforma da sentença , aduzindo, em síntese, que não


houve a falha na prestação do serviço, estando a recusa em proceder à remoção
do poste de energia calcado nas disposições da resolução 414 da ANEEL, arts. 44
e 102, que a situação narrada não se enquadra dentre aquelas em que admitida a
remoção a custo da COELBA,; que não foram provados os danos morais alegados,
pugnando por fim pela improcedência dos pedidos.

4. A demonstração do fato básico para o acolhimento da pretensão é ônus do


autor, segundo o entendimento do art. 373, inciso I, do CPC, partindo daí a análise
dos pressupostos da ocorrência de indenização por danos morais, recaindo sobre
o réu o ônus da prova negativa do fato, segundo o inciso II do mesmo artigo
supracitado.

5. No caso em tela, verifica-se que a recorrente não trouxe aos autos


qualquer documento capaz de contrariar as alegações da parte autora, bem como
não juntou aos autos qualquer prova que pudesse afastar a sua responsabilidade
pela falha na prestação dos serviços , na qualidade de concessionária prestadora
de serviço de fornecimento de energia elétrica. Com efeito, os documentos
juntados pelo autor , em especial o orçamento de custos elaborado pela própria ré,
e relação de serviços a serem realizados, demonstram a necessidade da
realização da mesma.

6. A prestação do serviço público a cargo da ré não se adstringe tão somente ao


fornecimento puro e simples de energia elétrica, mas também guarda relação com
a diligência no que tange á construção e manutenção da rede de transmissão, bem
como a observância aos eventuais prejuízos que porventura venham a ser
causados aos consumidores decorrentes da existência de tais equipamentos,
máxime quando situados próximo à residência dos mesmos.

7. Os documentos anexados à exordial corroboram com a versão autoral, restando


comprovada a falha na prestação dos serviços no caso em tela.

8. Ademais, a transferência dos custos da realização da obra para o consumidor, no


caso concreto, ante as circunstâncias dos autos, impõe ônus excessivo á parte
hipossuficiente da relação jurídica, máxime em se tratando de obra necessária para
o pleno usufruto do imóvel do autor.

9.

10. Por se tratar de serviço público essencial, de titularidade do Estado,


prestado sob o regime de concessão pública, apenas em hipóteses excepcionais
poderá a ré abster-se de fornecer tais serviços aos consumidores. Doutrina e
jurisprudência são uníssonas em reconhecer a aplicabilidade do CDC a tais
empresas, sendo prática abusiva a negativa de fornecimento e instalação sob
alegação genérica de falta de habilitação e condições técnicas, sem a sua efetiva
demonstração nos autos.
11. Presentes, ademais, os requisitos caracterizadores da responsabilidade
objetiva O art. 14 do CDC, dispondo sobre a responsabilização do fornecedor pelo
fato do produto ou serviço, preleciona que: “Art. 14. O fornecedor de serviços
responde, independentemente da existência de culpa pela reparação dos danos causados
aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.”

12. O conjunto probatório demonstrou cabalmente a ocorrência do dano moral


que muito mais que aborrecimento e contratempo, resultou em situação que por
certo lhe trouxe intranqüilidade e sofrimento, máxime levando em conta o dispêndio
de tempo e energias pela parte acionante para que o seu pleito fosse atendido,e da
negativa relutante da ré.
13. Estabelecidas tais premissas, entendo que o valor da indenização fixado pelo
juiz sentenciante, a título de danos morais, guarda compatibilidade com o
comportamento do recorrente e com a repercussão do fato na esfera pessoal da
vítima e, ainda, está em harmonia com os princípios da razoabilidade e
proporcionalidade, devendo ser mantida a sentença na íntegra. .

14. ISTO POSTO, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO INTERPOSTO E


NEGO-LHE PROVIMENTO, para manter a sentença objurgada pelos próprios
fundamentos. Custas processuais e honorários advocatícios pelo recorrente,
que arbitro em 20% sobre o valor da condenação.

Salvador, Sala das Sessões, 13 de JULHO de 2017


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo Nº. : 0002304-23.2015.8.05.0004

Classe : RECURSO INOMINADO


Recorrente(s) : COELBA COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO
ESTADO DA BAHIA

Recorrido(s) : DANILLO ROCHA SANTOS


Origem : VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS - ALAGOINHAS

Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

ACÓRDÃO
Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais
Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CÉLIA MARIA
CARDOZO DOS REIS QUEIROZ –Presidente, MARIA AUXILIADORA SOBRAL
LEITE – Relatora e ALBÊNIO LIMA DA SILVA HONÓRIO, em proferir a seguinte
decisão: RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO . UNÂNIME, de acordo com a ata
do julgamento. Sem custas processuais e honorários advocatícios por ser a parte
beneficiária da justiça gratuita.

Salvador, Sala das Sessões, 13 de JULHO de 2017


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente