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DIREITO COMERCIAL - III

FALÊNCIA - NOÇÕES GERAIS

1. NORMA JURÍDICA: - GENÉRICA


- ABSTRATA

2. RELAÇÃO JURÍDICA: ligação de pessoas com um objeto, ou objetivos.

3. INCIDÊNCIA DO DIREITO POSITIVO NA RELAÇÃO JURÍDICA.

4. RELAÇÃO JURÍDICA DESCUMPRIDA: direito subjetivo.

5. RESISTÊNCIA AO CUMPRIMENTO: direito subjetivo público.

6. RELAÇÃO JURÍDICA OBRIGACIONAL: prestação e contraprestação.

7. EXECUÇÃO SINGULAR.

8. EXECUÇÃO COLETIVA: - Falência


- Insolvência Civil

NORMA JURÍDICA: estabelece a relação de fazer ou deixar de fazer algo. Ela pode ser de duas
naturezas:
- Genérica: trata dos assuntos da relação jurídica;
- Abstrata: aquela que se distância dos casos concretos.

LEI: tratam dos assuntos a que se destinam de maneira genérica da relação jurídica, são detalhes, só
possui eficácia após ser aprovada pelo Congresso Nacional.

DIREITO POSITIVO: este permanece distante dos casos concretos, tratando os mesmos de maneira
genérica.

RELAÇÃO JURÍDICA: é a incidência da Norma Jurídica Genérica no caso concreto. Quando a


relação é adimplida não ocorre nenhum problema, problema esse com certeza ocorrerá se a mesma
obrigação não for cumprida (inadimplemento) - essa inadimplência fará incidir ao caso em apreço o
Direito Positivo - o Direito subjetivo é atribuído ao credor para reclamar o cumprimento da obrigação.
Portanto, a inadimplência atribui ao credor o Direito Subjetivo Público ou Direito de Ação, ou seja,
acionar o Poder Judiciário na intenção de ver satisfeita a obrigação.
A Relação Jurídica é:
- Obrigacional / Bilateral: refere-se à prestação e contraprestação, por exemplo, um contrato de
compra e venda.

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1. - EXEMPLO
(Execução Singular)

Compra e Venda => 10.000,00 R$ = uma Máquina, o prazo de vencimento para


(duplica mercantil) que o comprador pague é de 30 dias após a venda.
Vencimento = 16/08/01

O Contrato de Compra e Venda foi celebrado pelas partes, através de uma DUPLICATA
MERCANTIL (aceita pelo devedor sem nenhum tipo de problema) - seu vencimento ocorreu no dia
16/08 - e a mesma não foi paga pelo devedor, surgindo então para o credor o Direito Subjetivo (exigir o
cumprimento da obrigação através de uma ação), tentando receber o dinheiro o credor procura o
devedor mas não obtém êxito - para esse credor surge o Direito Subjetivo Público (exigir judicialmente
o cumprimento da obrigação). O credor individual, ele promoverá a Execução Singular.

A Execução Singular é promovida pelo credor individual - para ser levada a efeito, tem a necessidade
de ser elaborada por uma pessoa que possua capacidade postulatória (Advogado), que promoverá um
Requerimento, com um determinado objetivo.

O Requerimento, consiste na Citação (convocação feita para que o devedor ofereça a sua defesa)
que é feita ao devedor para que ele: pague; deposite ou ofereça bens à penhora - para que a obrigação
possa der satisfeita. O objetivo da Citação é que o devedor promova através de um dos meios acima
citados o cumprimento da obrigação.

BENS À PENHORA: patrimônio do devedor - com a venda desse patrimônio, obtendo-se o produto
(dinheiro), o devedor poderá, satisfazer a exigência do credor que é o cumprimento da obrigação - caso
o devedor não oferecer os bens à penhora, tendo conhecimento dos mesmos o próprio credor poderá
indicá-los.

* após instalado o Direito Subjetivo Público, o credor deve respeitar os trâmites judiciais, para
que assim possa ver cumprido seu pedido.

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2. - EXEMPLO
(Execução Coletiva)

CREDORES < DEVEDOR > BEM DISPONÍVEL

A (1.ª penhora) 10.000,00 - duplicata Carro - 30.000,00


B (2.ª penhora) 5.000,00 - cheque
C (3.ª penhora) 15.000,00 - nota promissória
20.000,00 - o valor q/
foi obtido no o leilão
do automóvel.

* QUEM PENHORA PRIMEIRO, TEM A PREFERÊNCIA ABSOLUTA.

EXECUÇÃO COLETIVA: o que se busca nesse caso é uma solução coletiva dos créditos
estabelecendo-se uma igualdade entre os credores. Solução Coletiva = igualdade - “Par Conditio
Creditorum”.

FALÊNCIA: execução coletiva de devedor comercial.

INSOLVÊNCIA CIVIL: execução coletiva de devedor comum.

DISTINÇÃO ENTRE DEVEDORES COMERCIAIS E COMUNS (CIVIL): começou a surgir por


costumes na Itália com a “BANCARROTA” - quebra da banca dos comerciantes das praças públicas.
- Devedor Comercial: surgiu com o Código Comercial de Napoleão em 1.850;
- No Brasil: surgiu com o Decreto - Lei n.º 7.661/45.

art. 20 do CC: “As pessoas jurídicas tem existência distinta da dos seus membros”.

PRIMEIRO PRESSUPOSTO DA FALÊNCIA

1. O COMERCIANTE, CONCEITO.

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2. COMERCIANTE DE FATO. EXISTE ?

3. REGISTRO DO COMÉRCIO. NATUREZA JURÍDICA. PRESUNÇÃO RELATIVA.

4. FALÊNCIA DO ESPÓLIO.
4.1. PATRIMÔNIO AFETADO.
4.2. POSIÇÃO DOS HERDEIROS.

5. OS PROIBIDOS DE COMERCIAR.

6. FALÊNCIA DA SOCIEDADE COMERCIAL.


6.1. SITUAÇÃO DO SÓCIO.
6.2. SÓCIO DA SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.

Devedores Civis
Prestadoras de Serviços => Insolvência Civil
Pessoas naturais

Entidades => Liquidação Extrajudicial

Comerciante => Falência

COMERCIANTE: quem pratica atos do comércio (só existe quando a circulação for de bens materiais
= Produção/Circulação). - Legalmente Estabelecido = Lucro. - Habitualidade. - Registro do Comércio.

EMPRESA COMERCIAL INDIVIDUAL: nome individual.

EMPRESA COMERCIAL COLETIVA: sociedades comerciais.

* O comerciante se caracteriza por fazer a circulação dos bens materiais, mesmo sem registro - nesse
caso ele é chamado de Comerciante de Fato;

* Não é o registro que torna o indivíduo comerciante, mas sim a Habitualidade - o registro só declara o
indivíduo como comerciante - Registro = Declaração - “Juris Tantum”.

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* O Comerciante de Fato não pode requerer a Falência de outro comerciante, ao contrário do que ocorre
com o Comerciante de Direito.

ESPÓLIO: referência expressa do comerciante em nome individual, é o conjunto de Patrimônios e


Obrigações do comerciante falecido - só existe enquanto o patrimônio não for partilhado entre os
herdeiros (inventário).

* Se o Espólio não tiver bens suficientes para o pagamento singular, far-se-á a execução coletiva do
espólio do falecido - se não for suficiente não será afetado o patrimônio dos herdeiros - a execução
coletiva só alcança o Espólio do falecido.

PROIBIDOS DE COMERCIAR: são: os magistrados; os funcionários públicos; e o falido até ser


extinta as suas obrigações - nesse caso pode ser decretada a falência desses indivíduos que praticam o
comércio contrariando a lei.

PESSOA JURÍDICA: art. 20 do CC = distinção entre a pessoa jurídica e os seus integrantes - no


início era chamada de pessoa fictícia (código canônico). - essa entidade tem atividade de uma pessoa
natural, mas quem age é a pessoa jurídica e não os seus integrantes. - ela é portanto, uma ficção legal.
Falência: execução do patrimônio da pessoa jurídica - o patrimônio dos sócios pode ser concorrente
na falência da sociedade comercial, mas os sócios não serão considerados falidos.

DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA SOCIEDADE: art. 28 do CC -


“Disregard of Legal Entity”.
Pressuposto: Fraude - quando isso ocorrer o juiz pode desconsiderar a personalidade jurídica da
sociedade comercial.
Não existe a necessidade de um processo específico.

SEGUNDO PRESSUPOSTO DA FALÊNCIA


(IMPONTUALIDADE DA AÇÃO OU OMISSÃO QUE DENOTE O ESTADO DE FALÊNCIA)

1. OBRIGAÇÃO LÍQUIDA (CERTA)


1.1. DOCUMENTO.

2. LEGITIMAÇÃO PARA AÇÃO EXECUTIVA.


2.1. TÍTULOS JUDICIAIS E EXTRAJUDICIAIS.
2.2. CPC ARTS. 584 E 585.
2.3. A POLÊMICA SOBRE A INCLUSÃO DO 1.º.

3. EXIGIBILIDADE E IMPONTUALIDADE.

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4. O PROTESTO ESPECIAL (ART. 10 DA LF).


4.1. IMPORTÂNCIA CRÍTICA A EXPRESSÃO.
4.2. SERVENTIA PARA TERCEIRS (ART. 9, III E ART. 11, LETRA C).

5. IMPONTUALIDADE PROTESTO = PRESUNÇÃO DE INSOLVÊNCIA.

6. TÍTULOS JÁ PROTESTADOS. NOVO PROTESTO ?


6.1. DUPLICATAS SEM ACEITE.
6.2. HIPÓTESE DO ENDOSSANTE.

* O Comerciante a que se refere o art. 1.º do Decreto - lei n.º 7.661/45 (Lei de Falência) é a Empresa
Comercial Coletiva.

OBRIGAÇÃO LÍQUIDA (CERTA): é a obrigação efetivamente existente = certa, determinada


quanto ao seu montante = valor.

AÇÃO EXECUTIVA: Execução Singular - título executivo judicial - se torna executivo a partir de
uma decisão judicial.
Art. 584 CPC: nem todos os títulos previstos nesse artigo são títulos executivos pois, não possuem
montante (liquidez).
Art. 585 CPC: os títulos de crédito elencados nesse artigo podem ser alvo de ação executiva - são
títulos que trazem obrigações líquidas determináveis através de cálculo aritmético.

* Tanto os títulos judiciais quanto os extrajudiciais podem servir para instruir um pedido de falência.

EXIGIBILIDADE: a obrigação na fal6encia é tida como a impontualidade do devedor quanto ao


pagamento do título - provavelmente existem outros credores interessados no fato - por isso é
necessário o protesto do título, para que os demais credores tomem ciência da situação do devedor.

DUPLICATA ACEITA: deve ser protestada para efeitos do pedido de falência - pois com o protesto
se dá Publicidade à insolvência da empresa - então os credores saberão da situação em que se encontra
o devedor (Protesto Especial).
Protesto Especial: execução coletiva (publicidade) - não interessa somente a um credor, mas sim a
todos os credores desse devedor. A situação é a Impontualidade e a Incapacidade de cumprimento
da obrigação.

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PRESUNÇÃO DE INSOLVÊNCIA: 1. Impontualidade no Pagamento; 2. Incapacidade do
Cumprimento da Obrigação.

DUPLICATA SEM ACEITE: tem que ser regular, sendo assim, ela possui um comprovante de
entrega da mercadoria vendida. Para que se defina a liquidez deve haver o Protesto por Indicação.
Protesto por Indicação: 1. Liquidez; 2. Impontualidade. - havendo esse tipo de protesto não há
necessidade de um novo protesto, este já dá publicidade à situação do devedor.

ENDOSSO: nesse caso é necessário um novo protesto, pois, o devedor passou a ser outra pessoa, a
obrigação passa a ser exigida de outro devedor.

ENDOSSO - EXEMPLO.

Compra e Venda Mercantil

nota fiscal: recibo de entrega / Aceite.

Mário Ltda. = sacador ou credor.

Geraldo Ltda. = sacado ou devedor.

Mário Ltda.: vendeu 10 máquinas para Geraldo Ltda. - prazo para o pagamento 30 dias.
O sacador fez um Borderô com o Banco (contrato para que o banco faça a cobrança por meio de boleto
bancário). Realizada tal situação o Banco passa a ser credor de Geraldo Ltda. e protesta o mesmo, feito
isso o credor pode pedir a falência do devedor, pois, este protesto tornou pública a situação do devedor.

* Se houver endossante através de Ação Cambial, ele poderá ser cobrado no caso de Geraldo Ltda. não
pagar a dívida.

POLO ATIVO DA FALÊNCIA

1. FALÊNCIA DO ESPÓLIO -> REQUERIMENTO PELA INVENTARIANTE, VIÚVA E


HERDEIROS.
1.1. ASSENTIMENTO DE TODOS OS HERDEIROS.

2. REQUERIMENTO FORMULADO PELO CREDOR.

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2.1. CREDOR CIVIL PODE REQUERER A FALÊNCIA DO DEVEDOR COMERCIANTE ?
SIM !
2.2. CREDOR COM GARANTIA REAL.
2.3. RENÚNCIA EXPRESSA OU TÁCITA ?
2.4. CREDOR COM DOMICÍLIO FORA DO BRASIL. CAUÇÃO.

PÓLO ATIVO: é a pessoa que requer a falência - Quem pode formular o pedido de falência: art. 8.º da
Lei 7.661/45 = Auto - Falência - no caso de sociedades o sócio que se sentir prejudicado deve procurar
seus direito, no caso de sociedades comerciais não é necessário a adesão de todos os sócios - no caso
de sociedades anônimas é necessário a convocação de uma assembléia para que assim exista a adesão
de todos os sócios.

PÓLO PASSIVO: é o comerciante devedor.

ESPÓLIO => Entes Despersonalizados

FICÇÃO - Bens INVENTARIANTE - Administrador


- Direitos - Representante
- Obrigações

Falecido Herdeiros

Cônjuge Sobrevivente

INVENTARIANTE: é o administrador do espólio, ou também o representante legal desse espólio -


normalmente ele é o cônjuge sobrevivente, ou o herdeiro mais velho - se houver disputas entre os
herdeiros, será nomeado o inventariante.

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Decreto-Lei n.º 7.661/45 (LF): - art. 1.º = impontualidade;

- art. 2.º, inciso I = insolvabilidade.

Inciso I: fala em herdeiros - não é necessário a adesão se todos os herdeiros, pois, essa adesão a que se
refere o dispositivo legal pode ser parcial.

* Qualquer credor que mantiver atividade mercantil com o devedor comerciante pode requerer a
falência do mesmo, basta somente comprovar essa relação - Comerciantes de Fato.

* No caso do credor comerciante, ele para requerer a falência do devedor comerciante, deve comprovar
sua regularidade para praticar atos de comércio - Comerciante de Direito.

* Um Comerciante de Fato (Veterinário) recebe um cheque sem fundos de um Comerciante de Direito,


para que ele possa promover um pedido de falência deve protestar o cheque, para que assim a situação
do devedor se torne pública, pois, isso interessa a todos os credores que possuem relações com esse
devedor - após protestar o cheque o veterinário poderá requerer a falência do devedor comerciante.

* Basta ao credor não - comerciante, comprovar sua relação mercantil com o devedor comerciante para
que possa ser requerida a falência.

* Se o credito não tiver relação mercantil, não poderá ser requerida a falência do devedor comerciante.

GARANTIA REAL: ao conferir ao credor essa garantia, o devedor passa a não ter a total propriedade
de seus bens - ela garante direito absoluto em relação aos credores comuns - o credor que possui essa
garantia é o primeiro a receber no caso de decretação de falência - o credor com garantia rela pode
requerer a falência do devedor desde que renuncie à essa garantia real - o credor com garantia real
não necessita promover execução coletiva, apenas a singular.

Garantia Real - Bem Imóvel - Hipoteca


- Anticrese

- Móvel Semovente => Penhor

HIPOTECA: é a escritura pública onde o devedor outorga ao credor uma garantia, por exemplo um
barracão.

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* O credor com garantia real realiza sua necessidade apenas com a execução singular - se por exemplo,
um barracão for penhorado (ato de natureza processual) quem vai receber o dinheiro obtido com a
venda é esse credor - não existe a necessidade de divisão com os outros credores.

CREDOR COM DOMICÍLIO FORA DO BRASIL - CAUÇÃO: freqüentemente o credor que mora
fora do Brasil, perde a demanda, então a lei manda que esse credor preste uma garantia Caução - para
que possam ser pagas as custas do processo e os honorários advocatícios no caso de uma eventual
derrota de sua ação.

PROCESSO FALIMENTAR

1. CITAÇÃO - SIGNIFICADO.

2. FORMAS POSSÍVEIS - MANDADO


- EDITAL

3. PRAZOS PARA DEFESA.


3.1. PRAZO EM HORAS. CONTAGEM.
3.2. PRAZO EM DIAS. CONTAGEM.

PROCESSO FALIMENTAR: Requerimento Escrito - Insolvente

- Insolvente e Insolvável

Patrimônio

CITAÇÃO: comunicação e convocação do réu para apresentar seu direito de defesa. A citação pode
ser:
1. Mandado: é a portada pelo oficial de justiça, que a entrega pessoalmente ao devedor;

2. Edital: ficta - fictícia - é a publicação da citação no Diário Oficial;

3. Carta: deve possuir A/R (aviso de recebimento) deve ser enviada pelo credor para o devedor, este
tipo de citação está abolida da Lei de Falências.

FORMAS POSSÍVEIS DE CITAÇÃO NA LEI DE FALÊNCIAS: por tratar-se de uma lei especial,
o CPC não pode revogar o que ela dispõe. Ela diz que as únicas espécies de citação admitidas por ela
são: a através de Mandado; e a através de Edital.

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PROCEDIMENTO FALIMENTAR (CONTINUAÇÃO)

1. PRAZO PARA OFERTA DE DEFESA.

2. PRAZO EM HORAS. CONTAGEM MINUTO A MINUTO.

3. PRAZO EM DIAS. EXCLUSÃO DO PRIMEIRO E INCLUSÃO DO ÚLTIMO DIA.

4. CITAÇÃO PESSOAL NA FALÊNCIA. PRAZO DE 24 HORAS.

5. CITAÇÃO POR EDITAL. PRAZO DE 3 DIAS.

6. ALTERNATIVAS POSTAS À DISPOSIÇÃO DO DEVEDOR.

7. O DEPÓSITO ELESIVO.

8. O DEPÓSITO COMO GARANTIA.

9. A OFERTA SINGELA DE DEFESA.

Requerimento de Falência (art. 2.º LF) - Escrito

- Documentado => alegação

CITAÇÃO: instrumento pelo qual se chama o réu do processo para defender-se. Esse prazo dado ao
réu para se defender é de 15 dias.

PRAZO CONTADO EM HORAS: ele é computado minuto a minuto, após a citação do réu.

PRAZO CONTADOS EM DIAS: nesse caso ocorre a exclusão do primeiro dia e, a inclusão do
último dia.

CITAÇÃO PESSOAL: isso ocorre quando o Oficial de Justiça entrega pessoalmente a citação ao réu,
através de um Mandado.

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No caso de recusa no recebimento da citação, o Oficial declarará tal situação e a entregará ao
Escrivão que promove a juntada aos autos, certificando a hora.
Quando não for certificada a hora da juntada pelo Escrivão, a contagem passa a correr a partir do
último minuto do expediente.
Quando a juntada ocorre em uma Sexta-feira e o Escrivão não certifica a hora da mesma, o prazo
começará a correr no primeiro minuto do expediente do primeiro dia útil seguinte, ou seja, no primeiro
minuto da Segunda-feira. (Feriado ou Final de Semana).

CITAÇÃO POR EDITAL: ocorre quando o réu é procurado pelo Oficial de Justiça e não é
encontrado, ocorrendo isso a citação será feita por edital - com publicação no Diário Oficial, o prazo
nesse caso será contado em dias. Prazo de 3 (três) dias - excluí-se o primeiro e incluí-se o último.

Alternativas Postas à Disposição do Devedor:

1. DEPÓSITO ELESIVO: ele pode eliminar a falência - emenda de mora, no momento em que é
citado ele paga e se livra da decretação da falência - mas está sujeito ao pagamento das despesas
processuais, honorários advocatícios, correção monetária e juros.

2. DEPÓSITO + DEFESA (DEPÓSITO COM GARANTIA): não tem como objetivo eliminar a
falência, mas sim evitar a quebra se a falência for requerida. Devedor tem argumentos a utilizar em
favor de sua defesa - faz o depósito e tem a garantia de que a quebra não vai ser decretada, caso sua
defesa seja aceita. Se a defesa não for aceita o depósito servirá como pagamento evitando assim, a
declaração jurídica da falência.

3. OFERTA SINGELA DE DEFESA: o devedor deixa de fazer o depósito. Ele oferece a sua
defesa e se essa não for aceita a falência será declarada.

PROCEDIMENTO FALIMENTAR (CONTINUAÇÃO)

1. COMPETÊNCIA. REGRA GERAL DE NATUREZA PROCESSUAL.

2. COMPETÊNCIA NA LEI DE FALÊNCIAS ART. 7.º.

3. CONCEITO DE PRINCIPAL ESTABELECIMENTO.


3.1. NÚCLEO QUE ENGLOBA A CONCRETA ATIVIDADE ECONÔMICA DO DEVEDOR.

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4. A IDÉIA DO JUÍZO UNIVERSAL ART. 7.º; PARÁGRAFO 2.º LF.


4.1. INTERPRETAÇÃO MINORITÁRIA.
4.2. COMPETÊNCIA QUANDO A MASSA FOR AUTORA PARA AÇÕES NÃO
REGULADAS NA LF.

Local onde o Requerimento irá Transitar:


- Regra Geral: no domicílio do Réu (devedor).

- LF, art. 7.º: principal estabelecimento do devedor, não é a indicação constante no contrato social
ou estatuto, mas sim o local onde encontra-se o depósito e as mercadorias que são comercializadas
pelo devedor. Esse artigo da lei de falências busca distanciar a sede estatutária do principal
estabelecimento. LOCAL DA CONCRETA ATIVIDADE ECONÔMICA DO DEVEDOR.
JUÍZO UNIVERSAL: é de que as ações sejam propostas no for onde foi declarada a falência - é o que
entendimento majoritário.

Art. 7.º; parágrafo 2.º: sendo indivisível o juízo da falência, o juízo onde foi declarada a falência é
competente para julgar todas as ações e reclamações => Ré Litisconsorte (Massa Falida).

MASSA FALIDA: conjunto de bens e direitos da empresa falida, é assim como o espólio um ente
despersonalizado - existe para promover liquidação e pagamento dos credores.

* A ação é proposta contra a massa falida e não contra o falido.

MASSA FALIDA AUTORA: as ações podem tramitar em qualquer juízo, pois, não são reguladas pela
Lei de Falência.

IMPONTUALIDADE DO DEVEDOR PRECEITOS DA PRÉ-FALÊNCIA

Devedor = Comerciante

Comerciante de Direito Habitualidade Comerciante de Fato


(atos registrados) (atos sem registro)

HABITUALIDADE: é fundamental ligar o conceito de comerciante à circulação de produtos, que é a


sua atividade efetiva.

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INSOLVÊNCIA: para ser caracterizada a obrigação líquida deverá ser expressada por documento que
seja determinado quanto ao seu valor (dinheiro), a impontualidade irá se certificar pelo protesto, que
tem como característica dar publicidade à situação do devedor, pois, podem haver mais credores
interessados na situação.

IMPONTUALIDADE => Protesto => Publicidade.

Elementos essenciais para que possa ser Requerida a Falência:


1. Devedor = Comerciante;
2. Obrigação Líquida = legitimação da obrigação;
3. impontualidade = protesto especial = publicidade.
Para Requerer a Falência: o pedido deve ser feito através de um singelo requerimento.
1. Credor Comerciante: deve provar a regularidade de sua atividade comercia.
2. Credor Civil: deve haver relação de crédito com a atividade mercantil.

Art. 4.º da LF: “A falência não será declarada, se a pessoa contra quem for requerida provar:”
I - falsidade do título da obrigação: falsidade na emissão do título, exemplo, cheque perdido que
quando encontrado é assinado por outra pessoa.

II - prescrição: lapso temporal após o qual o título perde a possibilidade de ser executado.

III - nulidade da obrigação ou do título respectivo: falta de um dos elementos essenciais para que
possam ser praticados os atos jurídicos.

IV - pagamento da dívida, embora depois do protesto do título, mas antes de requerida a


falência.

V - requerimento de concordata preventiva anterior à citação.

VI - depósito judicial oportunamente feito.

VII - cessação do exercício do comércio há mais de 2 (dois) anos, por documento hábil do
Registro do Comércio, o qual não prevalecerá contra a prova de exercício posterior ao ato
registrado.

VIII - qualquer motivo que extinga ou suspenda o cumprimento da obrigação, ou exclua o


devedor do processo de falência.

PROCEDIMENTO FALIMENTAR (CONTINUAÇÃO)

AUTO-FALÊNCIA

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1. REQUERIMENTO: EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS.

2. DOCUMENTOS QUE A INSTRUEM.


2.1. BALANÇO COM O ATIVO E PASSIVO - ESTIMATIVA DO VALOR DOS BENS.
2.2. RELAÇÃO NOMIANL DE CREDORES.
2.3. CONTRATO SOCIAL.
2.4. QUEM ASSINA O REQUERIMENTO ? TODOS OS SÓCIOS; OS QUE GEREM OU
REPRESENTAM A SOCIEDADE OU LIQUIDANTE.
2.5. SOCIEDADE DE CAPITAL => REPRESENTANTE LEGAL.
2.6. SÓCIOS QUE NÃO ASSINAM DEVEM SER INTIMADOS ?

PEDIDO DE FALÊNCIA COM FUNDAMENTO NO ART. 2.º (ART. 12 DA LF)

1. REQUERIMENTO COM EXPOSIÇÃO DOS FATOS QUE CARACTERIZAM O ESTADO


DE FALÊNCIA.
1.1. INSTRUÇÃO COM OS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS À INSTRUÇÃO DO PEDIDO.

2. CITAÇÃO DO DEVEDOR. PRAZO PARA DEFESA = 24 HORAS.

3. CITAÇÃO EDITAL ?
3.1. POLÊMICA. SIMPLES NOMEAÇÃO DE CURADOR ?
3.2. EMBARGOS = DEFESA.
3.3. PRODUÇÃO DE PROVAS.
3.4. DEPÓSITO ELESIVO ?

CITAÇÃO DA SOCIEDADE: é feita ao sócio gerente ou ao representante legal da sociedade - o


sócio não pode ser chamado de falido - falida é somente a Sociedade Comercial.

SOCIEDADE FALIDA: art. 20 do CC - a sociedade tem personalidade distinta da pessoa de seus


sócios - falida é somente a sociedade, os sócios nunca.

PEDIDO DE FALÊNCIA (art. 1.º LF): quando for requerido o pedido com base no art. 1.º da LF, o
roteiro a ser observado (documentos necessários) encontra-se no art. 11 da LF.

AUTO-FALÊNCIA: art. 8.º da LF - nesse artigo o legislador relata as possíveis situações em que o
devedor pode requerer a Auto - Falência.

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No parágrafo 1.º (primeiro), ele diz as pessoas que podem assinar o Requerimento enumerando
alternativas.

* Para o correr a Liquidação da Sociedade, deve-se fazer o levantamento do patrimônio real - pois, no
levantamento contábil pode acontecer desaparecimento de bens, visando fraudar aos credores dessa
sociedade.

LIQUIDANTE: é a pessoa estranha as partes, nomeada pelo juiz para tomar conta do patrimônio real
da sociedade, promovendo assim a dissolução da sociedade - liquidação total.
Na Sociedade de Capital, o liqüidante é o gerente, ou o representante legal da mesma.

* Nem todos os sócios precisam concordar com o pedido de auto - falência - é dispensada a intimação
dos sócios que não concordam com tal situação, pois, a lei não prevê e nem determina essa intimação.

PEDIDO DE FALÊNCIA (art. 2.º LF): quando este for requerido com base no que dispõe o art. 2.º
da LF, será observado o roteiro do art. 12 da LF - ele discorre sobre os fatos que caracterizam o estado
de falência - nem sempre contará apenas a prova documental, pois, existem casos onde se exige um
pouco mais.

DILAÇÃO PROBATÓRIA: tem o objetivo de produzir provas.


PROVAS - 1. Oferta de bens à penhora: deve ser feita por escrito, somente assim a alegação vai
possuir relevância.

* Entende-se que é possível o Depósito Elesivo no art. 12 da LF.

(MATÉRIA DA 1.ª PROVA PARCIAL DE DIREITO COMERCIAL III).


SENTENÇA DE QUEBRA

1. O SILOGISMO JURÍDICO.

2. REQUISITOS DA SENTENÇA EM GERAL.


2.1. Relatório => Resumo
2.2. Fundamentação => exame das soluções das questões controvertidas
2.3. Dispositivo => solução da pendência

3. REQUISITOS ESPECÍFICOS
3.1. Horário da Quebra
3.2. Termo Legal de Quebra

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3.3. Nomeação do Síndico

SILOGISMO: operação de raciocínio, por ele lançamos um enunciado que chamamos de PREMISSA
MAIOR = enunciado genérico; e outro enunciado que chamamos de PREMISSA MENOR = enunciado
particular; finalmente temos a CONCLUSÃO = superposição da premissa > sobre a premissa <.
Exemplo: P > = toda loura chama atenção.
P < = Maria é loura.
Conclusão = Maria chama atenção.

SILOGISMO NO DIREITO: é a forma de raciocínio utilizada pelo juiz para decidir e sentenciar os
processos nos quais atua com determinada função.
P > = direito positivo (norma vigente).
P < = fato.
Conclusão = sentença.

SILOGISMO NA LEI DE FALÊNCIAS:


P > = art. 1.º, só o comerciante pode falir.
P < = Geraldo é comerciante.
Conclusão = Geraldo pode falir.

SILOGISMO:
- O grande silogismo é a sentença;
- Os pequenos silogismos são as questões a serem resolvidas dentro de um processo.

REQUISITOS DA SENTENÇA:
- Relatório: resumo dos debates desenvolvidos pelas partes;
- Fundamentação: exame e soluções das questões debatidas pelas partes;
- Dispositivo: solução da pendência.

EXEMPLO SIMPLES DE SENTENÇA

Acidente de Trânsito - colisão na traseira

A = trafega com seu veículo reduziu a marcha e parou

B = desatento bateu na traseira de A - existe nesse caso a Presunção de Culpa

Resumo de Direito Comercial III - Professor: José Araldo - FADISC - 2001 17


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RELATÓRIO
(principais atos)

Autor = alega presunção de culpa, pois a colisão foi na traseira

Réu = em sua defesa alega que o autor fez uma parada repentina e sem motivo

FUNDAMENTAÇÃO

Alegações do Autor

art. 159 CC: obrigação do réu de indenizar o autor por ter agido com imprudência, negligência ou
imperícia

houve o dano

há obrigação de indenizar

quem colide pela traseira age com culpa

o réu agiu com culpa

Alegações do Réu

parada repentina e sem motivo do autor, exclui o ato ilícito

DISPOSITIVO
(conclusão)

não houve a parada repentina e sem motivo alegada pelo réu

portanto não se exclui o ato ilícito

o réu agiu com culpa e deverá ressarcir os prejuízos causados ao autor

SENTENÇA DE FALÊNCIA

nome das partes

Resumo de Direito Comercial III - Professor: José Araldo - FADISC - 2001 18


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alegações
Autor = título executivo protestado / art. 1.º, impontualidade

Réu = exceção de contrato não cumprido

Prova = 1 testemunhal e 2 pericial

outros atos processuais

Excepitio art. 1092 do CC = máquinas tem defeito

o autor não cumpriu o contrato, por isso não pode exigir o cumprimento por parte do réu

Decisão = Improcedência da Ação

SENTENÇA DE QUEBRA
(art. 14 da Lei de Falências)

1. REQUISITOS GERAIS.
1.1. Relatório - nome: qualificação das partes
- resumo do debate das principais ocorrências
1.2. Fundamentação: Razões da Decisão
1.3. Dispositivo: Conclusão

2. HORÁRIO DA QUEBRA.

3. TERMO LEGAL DE QUEBRA. Possibilidade de Retificação.

4. FIXAÇÃO DO PRAZO PARA DECLARAÇÕES DE CRÉDITO.

5. NOMEAÇÃO DO SÍNDICO.

6. AMPLA PUBLICIDADE.

7. PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES.

* O raciocínio do Juiz é baseado no Silogismo:


Premissa > = Lei

Resumo de Direito Comercial III - Professor: José Araldo - FADISC - 2001 19


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Premissa < = Fato
Conclusão = Sentença (positiva ou negativa), decisão que termina ou põe fim ao processo

Divisão da Sentença:

RELATÓRIO: resumo do que ocorreu dentro do processo até um determinado momento.

IDENTIFICAÇÃO: nomes e qualificações das partes envolvidas em um determinado processo.

RESUMO: resumo do pedido do autor e da defesa apresentada pelo réu + os principais atos
processuais, debate das partes à respeito da causa:
Pedido do Autor: com base no art. 1.º da LF, ele requer a falência do devedor comerciante,
apresentando um título devidamente protestado.
Defesa do Réu: ele alega defeito nas máquinas que são objetos da relação.
Ato Processual: prova pericial colhida para constatar a procedência ou não do argumento de defesa
do réu.

Fundamentação: parte decisória propriamente dita


Premissa Maior: art. 1.º refere-se ao devedor comerciante
Premissa Menor: o réu é comerciante
Conclusão: o réu pode falir
art. 1092 do CC: “Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua
obrigação, pode exigir o implemento da do outro”.

PROVA COLHIDA: através dela irá se constatar a procedência ou não da alegação de defesa do réu,
caso ela seja comprovada por laudo pericial, será indeferido o pedido do autor da ação. Constatando-se:

Que não há defeito: aplicar-se-á ao caso a procedência do requerimento de falência com base no
seguinte silogismo:
Premissa > = art. 4.º; inciso VIII - o devedor não conseguiu provar a alegação de sua defesa.
Premissa < = a obrigação do autor (requerente) foi cumprida.
Conclusão = a contraprestação é devida (Decretação da Falência) - Dispositivo: fecho ou parte final
da decisão.

Que existe defeito: o silogismo determina o entendimento de que não deverá ser decretada a falência
com base no disposto no art. 1092 do Código Civil.

DEFESA IMPROCEDENTE: dá procedência ao requerimento da Falência.

DEFESA PROCEDENTE: determina à improcedência ao requerimento da Falência.

Resumo de Direito Comercial III - Professor: José Araldo - FADISC - 2001 20


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HORÁRIO DE QUEBRA: encontra-se disposto no art. 14; inciso II da LF, que por sua vez remete tal
disposição ao art. 40; parágrafo 1.º da LF. Ele possui relação com a disposição e a administração dos
bens da Massa Falida. O horário de quebra existe com a finalidade de determinar o momento exato em
que ocorre a perda da disponibilidade e administração dos bens que compõem a Massa Falida.

Nulidade: inexistência da prática do ato em relação ao plano formal.

Ineficácia: art. 40; inciso II - situação entendida pelos doutrinadores majoritários, qualquer ato
praticado com referência à disposição e administração de bens da Massa Falida, ocorrido após a
sentença é considerado ineficaz.

Termo Legal de Quebra:


60 dias anteriores ao 1.º protesto;
Despacho ao Requerimento Inicial de Falência.

TERMO LEGAL DE QUEBRA: refere-se a um período (anterior a decretação da falência) em que


todos os atos praticados pelo falido antes da declaração de falência são considerados suspeitos,
possibilitando assim, a retificação desses atos. Esse termo apresenta-se em duas espécies:

60 dias anteriores ao 1.º protesto: deverá ser considerado o protesto mais antigo visando assim uma
maior defesa dos credores, exemplo:
O primeiro protesto data de 1.º de novembro de 2.001, serão contados 60 dias anteriores, chegando-
se assim, ao dia 1.º de setembro de 2.001 - durante esse período de tempo, os atos praticados pelo falido
com relação à disposição ou administração de bens da Massa Falida são suspeitos, sendo assim
passíveis de retificação.

Despacho ao Requerimento Inicial de Falência / Distribuição do Pedido de Concordata


Preventiva: arts. 2.º e 8.º da LF - nesses referidos artigos não existe o protesto, sendo assim, os dias
serão contados a partir dos despachos e quando tratar-se de concordata preventiva, a partir de sua
distribuição. Exemplo:
O devedor detém como bens: 20 balanças; 03 caminhões e; 04 Kombis. Percebendo que será
requerida a sua falência ele vende: 02 Kombis; 05 balanças e; 01 caminhão. O despacho ao
requerimento inicial de falência data de 1.º de novembro de 2.001, sendo os atos de disposição
alcançados até a data de 1.º de setembro de 2.001. Constata-se que essas vendas forma realizadas no dia
10 de outubro de 2.001, sendo assim esses atos serão passíveis de retificação, tornando-se com isso
ineficazes essas vendas.

RETIFICAÇÃO: art. 52, inciso VIII da LF - dispõe à respeito da autonomia da retificação com a
seguinte redação: “a venda, ou transferência de estabelecimento comercial ou industrial, feita sem o
consentimento expresso ou o pagamento dos credores, a esse tempo existentes, não tendo restado ao
falido bens suficientes para solver o seu passivo, salvo se, dentro de 30 dias, nenhuma oposição fizeram
os credores à venda ou transferência que lhes foi notificada; essa notificação será feita judicialmente ou
pelo oficial do registro de títulos e documentos”.

Resumo de Direito Comercial III - Professor: José Araldo - FADISC - 2001 21


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DECLARAÇÕES DE CRÉDITO: dispõe à respeito desse assunto o art. 14; inciso V da LF,
remetendo à apreciação do art. 80 também da LF. Tratam-se de requerimentos elaborados pelos
credores da massa falida, onde eles oferecem suas declarações de crédito - o prazo é de 20 dias.

Requerimento Instruído: é o conjunto de documentos que representam as declarações de crédito.

40 dias: é tido como atraso, mas se ainda não tiver havido a efetuação de nenhum pagamento, e nem
tenha sido arrecadado nenhuma quantia eme dinheiro, esse credor que apresentou sua declaração com
atraso poderá participar naturalmente do rateio.

02 anos: nessa situação de atraso, havendo pagamento de algum credor, esse que atrasou-se para
apresentar a sua declaração de crédito, poderá ser prejudicado caso não houver mais bens ou dinheiro
disponível para o pagamento de seu crédito.

* A partir da decretação da Sentença de Quebra, constitui-se a denominada Massa Falida, que é o


conjunto de bens do falido que são postos à disposição da justiça para o pagamento dos credores.

Massa Falida:
Massa Falida Objetiva: conjunto de bens e direitos;
Massa Falida Ativa: são os credores.

NOMEAÇÃO DO SÍNDICO: o síndico é um auxiliar do Juiz, é ao mesmo tempo administrador e


representante dos credores de uma determinada Massa Falida - a Lei fala em nomeação entre os
maiores credores (possuem direito subjetivo de se manter no cargo). O síndico pode sofrer ação penal
em co-autoria com o falido, sendo esse um dos fatos da recusa de uma grande parcela desses maiores
credores. Não sendo aceita a posição ou encargo de síndico dentre os maiores credores surgirá a figura
do Síndico Dativo.

SÍNDICO DATIVO: por tratar-se de um indivíduo estranho ao quadro de credores, ele não possui
o direito subjetivo de se manter no cargo. Essa espécie de síndico é uma pessoa nomeada pelo Juiz,
pessoa essa de sua confiança.
Ao contrário do que indica a lei dizendo que devem ser nomeados comerciantes, o síndico dativo é
um advogado especialista em matéria falimentar.

AMPLA PUBLICIDADE: deve existir fundada sob o argumento de que essa decisão (sentença de
quebra) não é apenas do interesse do indivíduo que requer a falência do devedor comerciante, interessa
também à outros credores; ao Estado e a Junta Comercial. A publicidade será realizada das seguintes
maneiras:
- Ofícios;
- Editais;
- Circulares.

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MANDADO DE ARRECADAÇÃO: tem como função relacionar os bens do falido - Inventário /


Levantamento - utilizam-se de livros e documentos para que sejam identificados os credores da Massa
Falida.

RECURSOS NA FALÊNCIA

1. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMISMO.

2. DECISÃO TERMINATIVA => SENTENÇA => RECURSO DE APELAÇÃO.

RECURSO: manifestação de inconformismo com a decisão judicial proferida pelo juiz. São 3 as
espécies de recursos admitidas no direito brasileiro:
- Recurso de Apelação;
- Agravo de Instrumento e;
- Embargos à Sentença de Quebra.

SENTENÇA: consiste em uma decisão dada pelo Juiz, que possui como finalidade por fim ao
processo, nesse caso cabe o Recurso de Apelação.

* A decisão judicial que profere a sentença de quebra, não põe fim ao processo falimentar, ele dá início
a esse processo. Cabe dessa decisão, portanto, o recurso de agravo de instrumento (art. 17 da Lei de
Falências).

TRIBUNAL DE JUSTIÇA: é composto por colegiados, é a ele que compete o julgamento dos
recursos na Lei de Falências.

Recurso - Requerimento
1. Razões do Pedido
+
2. Agravo de Instrumento
peças necessárias
- Decisão Impugnada
- Certidão de Intimação

Câmaras = 5 Juízes / Turmas Julgadoras = 3 Juízes: o número de juízes é sempre impar, evitando assim
o empate nos votos quando a decisão do tribunal não for unânime.

Resumo de Direito Comercial III - Professor: José Araldo - FADISC - 2001 23


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RELATOR: é ele quem tem o primeiro contato com o recurso, tem função de examinar os
pressupostos de recorribilidade - incumbe também a ele o exame do efeito suspensivo (art. 558 CPC).

AGRAVO DE INSTRUMENTO

1. EFEITO SUSPENSIVO.

2. PROCESSAMENTO E JULGAMENTO.

3. DECISÃO COLEGIADA => SUBSTITUI OU NÃO A DE PRIMEIRO GRAU.

EFEITO SUSPENSIVO: suspende os efeitos da sentença de quebra, possibilidade de alteração da


sentença de quebra. O exame dele cabe ao relator, conforme dispõe o art. 558 do CPC, que comunicará
tal situação ao Juiz de primeiro grau (monocrático).

PROCESSAMENTO: quem propõe este recurso é a parte que foi derrotada na 1.ª Instância, ou seja,
quem requereu a falência, sendo parte contrária (parte que teve decisão ao seu favor no juízo
monocrático), manifestação que será analisada pelo relator, que esperará que seja marcado o Dia do
Julgamento. Nesse dia o relator leva à público o seu voto (refere-se ao aspecto material da sentença).

JULGAMENTO: é feito pela Turma Julgadora composta por 3 Juízes. Após apresentado o voto do
relator, irão proferir seus votos simultaneamente o 2.º e o 3.º Desembargadores, a decisão da turma
julgadora pode ser unânime ou, pode haver divergência de votos, sendo assim, a decisão será a da
maioria.
Sendo a decisão de Reforma da Sentença, será deferido um Acórdão ou Aresta pela turma
julgadora, nesse caso a decisão do Tribunal irá substituir a sentença de primeiro grau (1.a Instância /
Juízo Monocrático).

RECURSO DE APELAÇÃO
(art. 19 da LF)

1. CABIMENTO CONTRA DECISÃO QUE NEGA A FALÊNCIA.

2. INTERPOSIÇÃO NOS PRÓPRIOS AUTOS.

3. CONTRARIEDADE PELO ADVERSO.

4. REMESSA DOS AUTOS. PROCESSAMENTO NO DUPLO EFEITO.

Resumo de Direito Comercial III - Professor: José Araldo - FADISC - 2001 24


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RECURSO DE APELAÇÃO: possui cabimento quando a decisão do Juízo Monocrático negar a


decretação da falência, quando não se dá provimento ao pedido de falência.
Consiste em uma peça escrita em que se demonstra o inconformismo do credor que requereu a
falência do devedor e teve seu pedido negado em sentença de primeiro grau.
Ele deve ser juntado aos próprios autos do processo que contém o pedido de falência formulado pelo
credor e negado pelo Juízo Monocrático, sendo oferecido ao devedor a oportunidade de contrariar o
recurso.
No momento em que o recurso de apelação é juntado ao processo que teve como negativo o pedido
de falência, será enviado ao Tribunal o processo todo e não apenas o recurso como ocorre no agravo de
instrumento (Tribunal analisará nesse caso todo o processo).
Acolhido o Recurso de Apelação pelo Tribunal, será dado procedência ao pedido de falência e
conseqüentemente será também decretada a quebra.

DUPLO EFEITO: devolução da matéria a segundo grau (permitir que o Tribunal reveja e rejulgue o
processo); efeito suspensivo com base no art. 520 do CPC.

EMBARGOS À SENTENÇA DE QUEBRA


(art. 18 da LF)

1. CABIMENTO QUANDO A QUEBRA É DECRETADA COM FUNDAMENTO NO ART. 1.º


DA LF.

2. AUTOS APARTADOS. PEDIDO DIRIGIDO AO PRÓPRIO JUIZ

3. RESPOSTA PELO EMBARGO.

4. DECISÃO.

EMBARGOS À SENTENÇA DE QUEBRA: só possui cabimento com fundamento no art. 1.º da Lei
de Falências. Regra geral da não suspensividade dos efeitos da sentença, ou seja, nesse caso não existe
o efeito suspensivo.
Cabe contra a decisão que deu provimento ao pedido de falência e decretou a quebra, oportunidade
de emenda da mora pelo devedor no caso do art.1.º da LF.
Ele é dirigido ao próprio Juiz de primeiro grau (Juízo Monocrático) que foi quem decretou a quebra.

DECISÃO: optando o Juiz pela Decisão Rescisão, será substituída a sentença que decretou a quebra.

NATUREZA JURÍDICA DO PEDIDO DE FALÊNCIA

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1. AÇÃO DE COBRANÇA ?

2. PERDAS E DANOS PELO PEDIDO DOLOSO.


2.1. CONDENAÇÃO NOS PRÓPRIOS AUTOS.

3. PEDIDO CULPOSO => INDENIZAÇÃO EM AÇÃO PRÓPRIA.

O PEDIDO POSSUI NATUREZA DE AÇÃO DE COBRANÇA ?


Não, o pedido tem como propósito de prover pagamento ao crédito de todos os credores da Massa
Falida, e não apenas do credor que veio a requerer a falência (busca a satisfação dos créditos de todos
os credores).

PEDIDO DOLOSO: quando o pedido for feito pelo credor com a intenção de prejudicar o devedor
comerciante, provada tal situação, o réu (devedor) irá pedir o descabimento da ação e, em função dos
danos que sofreu com tal situação, também pedirá o ressarcimento em perdas e danos nos próprios
autos do processo.

PEDIDO CULPOSO: é caracterizado pela negligência e má administração da empresa do credor, que


ao receber a importância em dinheiro paga pelo devedor, não dá baixa ao cumprimento da obrigação.
Constada tal situação, o devedor deverá propor uma ação de indenização através de um instrumento
distinto do processo (ação própria).

EFEITOS DA SENTENÇA DE QUEBRA

1. EFEITOS EM RELAÇÃO AOS CREDORES.

2. EFEITOS EM RELAÇÃO AO FALIDO E SEUS BENS.

3. EFEITOS EM RELAÇÃO AOS CONTRATOS DO FALIDO.

4. TODOS OS CREDORES DEVEM ACORRER À FALÊNCIA.

EFEITOS DA SENTENÇA DE QUEBRA SOBRE OS CREDORES

1. CREDORES CONCURSAIS E NÃO CONCURSAIS.

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2. TODOS OS CREDORES DEVEM ACORRER À FALÊNCIA.
2.1. Regra Geral art. 23.

3. NÃO PODEM SER RECLAMADOS NA FALÊNCIA:


3.1. Obrigações a Título Gratuito e Prestações Alimentícias.
3.2. Despesas individuais para participar do concurso.
3.3. Penas pecuniárias por infração a leis penais e administrativas.

4. SUSPENDEM-SE AÇÕES E EXECUÇÕES:


4.1. Exceções: a) Bens em praça com editais publicados.
b) Bens já alienados.

4.2. Não se suspendem: a) Ações de credores não sujeitas a rateio.


b) Ações e Execuções que demandarem quantia ilíquida.

4.3. A Reserva.

5. VENCIMENTO ANTECIPADO DE TODAS AS DÍVIDAS.


5.1. Exceção: Obrigações sujeitas a condição suspensiva.

6. CONTRA A MASSA NÃO CORREM JUROS SALVO SE O ATIVO COMPORTAR.

7. CREDOR DE OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA.

8. LEGITIMIDADE PROCESSUAL DO CREDOR DEPENDENTE DA APRESENTAÇÃO DE


DECLARAÇÃO DE CRÉDITO.

CREDORES CONCURSAIS: são aqueles que obrigatoriamente devem apresentar suas declarações
de crédito para que possam ver satisfeitos os pagamentos de seus créditos. São dessa espécie de
credores os credores trabalhistas.

Credores Trabalhistas
(devem apresentar suas declarações de crédito após a decretação da falência)

Execução Fiscal
(o recurso ou produto obtido com a venda do(s) bem(s) disponíveis da Massa Falida deve ir direto para
a Falência)

Resumo de Direito Comercial III - Professor: José Araldo - FADISC - 2001 27


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CREDORES NÃO CONCURSAIS: são aqueles credores dispensados da obrigatoriedade de


apresentação das declarações de crédito por relações políticas, referem-se à Fazenda Pública (art. 186 e
188 do CTN / 5.º e 29 da LEF).

TODOS OS CREDORES DEVEM ACORRER À FALÊNCIA (art. 23 da LF): “Ao juízo de


falência devem concorrer todos os credores do devedor comum, comerciais ou civis, alegando e
provando os seus direitos” - significa em outras palavras que todos os credores da massa falida devem
comparecer em juízo para que possam receber os seus respectivos pagamentos.

NÃO PODEM SER RECLAMADOS NA FALÊNCIA:

1. Obrigações a Título Gratuito e Prestações Alimentícias: as referidas “Obrigações a título


gratuito” envolve liberalidade, entendendo-se assim, que não se pode obrigar que a Massa Falida
cumpra isso, sendo assim não poderá ser reclamada na falência; já as denominadas “Prestações
Alimentícias” a que se refere a legislação são as de natureza personalíssimas, ou seja, decorrentes de
relações familiares ou matrimoniais.

“As Prestações Alimentícias que possuem como decorrência Atos Ilícitos (art.159 CC), tratadas
como Pensões Mensais de Natureza Alimentar ou Indenizações por Atos Ilícitos podem ser exigidas
na Falência”.

2. Despesas Individuais para Participar do Concurso: são entendidas pela doutrina como as
despesas que o credor tem com xerox de documentos, elaboração da declaração de crédito, autenticação
de tais documentos, etc. Essas despesas também não podem ser exigidas na falência.

3. Penas Pecuniárias por Infração a Leis Penais e Administrativas: na Lei de Falências o


entendimento dos doutrinadores, e também dos julgados, é de que não podem ser reclamadas no
Processo Falimentar as Sanções Moratórias e Compensatórias (penas pecuniárias por infração a leis
administrativas).

Cláusula Penal - Direito Privado:


Multa Moratória: serve para dissuadir o devedor pelo atraso no cumprimento da obrigação;
Multa Compensatória: refere-se a um percentual maior, é uma prefixação das perdas e danos.

Sanção Administrativa - Direito Público:


Sanção Moratória: atraso no cumprimento da obrigação, multa de 1% do valor total;

Resumo de Direito Comercial III - Professor: José Araldo - FADISC - 2001 28


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Sanção Compensatória: indenização que deve ser paga ao Estado, pela falta do pagamento, 100% do
valor.

SUSPENSÃO DAS AÇÕES E EXECUÇÕES (art. 24 “caput” da LF): este dispositivo da Lei de
Falências refere-se expressamente às ações propostas antes da decretação da falência que serão
suspensas até o final desse processo.
Exceções (parágrafo 1.º; do art. 24):
a) Bens em praça com editais publicados;
b) Bens já alienados.

NÃO SE SUSPENDEM AS AÇÕES OU EXECUÇÕES (parágrafo 2.º; do art. 24): serão


suspensas as ações ou execuções nos seguintes casos:

a) Ações de credores não sujeitos a rateio: trata especificamente à Fazenda Pública e aos Credores
com Garantia Real;

b) Ações e Execuções que demandarem quantia ilíquida: com relação à quantia ilíquida, podemos
citar por exemplo, uma ação de indenização que vise uma prestação de pensão mensal (alimentícia)
decorrente de um ato ilícito.
VENCIMENTO ANTECIPADO DE TODAS AS DÍVIDAS: decretada a falência todas as
obrigações do falido passam a serem consideradas como vencidas, isto, para que todos os credores
possam concorrer igualmente ao produto obtido com a venda dos bens da massa falida.

CONTRA A MASSA NÃO CORREM JUROS SALVO SE O ATIVO COMPORTAR: os juros


anteriores a decretação da falência poderão ser reclamados; já os posteriores somente poderão ser
reclamados se o ativo suportar tal situação (após pagos todos os credores).

CREDOR DE OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA (art. 27 da LF): refere-se a possibilidade dos credores


comuns declararem seus créditos por inteiro na Massa Falida.

LEGITIMIDADE PROCESSUAL DO CREDOR DEPENDENTE DA APRESENTAÇÃO DE


DECLARAÇÃO DE CRÉDITO (art. 30 da LF): refere-se as possibilidades básicas que podem ser
praticadas pelo credor que tenha apresentado uma declaração de crédito. Sendo assim, pra que ele possa
gozar dessa possibilidades basta que ele tenha feito a declaração de crédito referente ao seu crédito.
Algumas dessas possibilidades são:
- fazer requerimentos;
- fiscalizar livros e documentos;
- diligências.

EFEITOS DA SENTENÇA DE QUEBRA SOBRE O FALIDO E SEUS BENS

Resumo de Direito Comercial III - Professor: José Araldo - FADISC - 2001 29


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1. DECLARAÇÕES DO ART. 34 DA LF.


1.1. Informações sobre as razões da quebra, indicação e localização de bens, entrega de livros e
documentos.

2. PRISÃO => ART. 35 DA LF - CONSTITUCIONALIDADE ?

3. DIREITOS PROCESSUAIS: Intervir, Recorrer, Fiscalizar.

4. DIREITO DO FALIDO A UM MÓDICA REMUNERAÇÃO.

5. FALÊNCIA COMPREENDE TODOS OS BENS DO FALIDO.

6. INDISPONIBILIDADE DE BENS.
6.1. Ineficácia e não nulidade.

7. NÃO PODEM SER ARRECADADOS BENS IMPENHORÁVEIS (ART. 649 CPC).


7.1. Equipamentos e livros que não sejam de pequeno valor podem ser arrecadados.
8. BEM DE FAMÍLIA.

9. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA SOCIEDADE.

DECLARAÇÕES DO (art. 34 da LF): este dispositivo da legislação falimentar trata das informações
que o falido tem a obrigação de prestar a juízo e ao síndico, após ser decretada a falência, no caso de
firma individual é feita pelo próprio falido, já no caso de uma sociedade é feita pelos seus
representantes.

PRISÃO (art. 35 da LF): é entendida pelo STJ como constitucional, consiste em uma prisão de
natureza coativa que busca obrigar com que o falido cumpra suas obrigações.

Prisão segundo o que dispõe da Constituição Federal de 88:


- Prisão por dívida;
- Prisão por dívida de pensão alimentícia;
- Prisão de depositário infiel.

DIREITOS PROCESSUAIS: o falido não perde direitos processuais, podendo ele intervir no
processo, recorrer a decisões e deve ajudar na fiscalização da massa falida.

Resumo de Direito Comercial III - Professor: José Araldo - FADISC - 2001 30


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DIREITO DO FALIDO A UMA MÓDICA REMUNERAÇÃO (art. 38 “caput” da LF): a


remuneração é intuitiva da pessoa natural, esse dispositivo legal visa propiciar ao comerciante em nome
individual meios de subsistência se a massa falida comportar - no caso de uma sociedade não é
possível, pois, quem fali é a empresa e não a pessoa de seus sócios.

FALÊNCIA COMPREENDE TODOS OS BENS DO FALIDO: como regra geral, a falência


compreende todos os bens do falido, não dando ao síndico uma possível decisão do que será ou não
arrecadado. Não permite ao sócio nenhuma espécie de distinção sobre os bens da que irão compor a
massa falida.

INDISPONIBILIDADE DE BENS - Ineficácia e não nulidade (art. 40 “caput” e parágrafo 1.º da


LF): o “caput” do art. 40 dispõe a respeito da Fixação do Horário, que significa definir o momento
em que o falido perde o direito de usufruir e dispor dos bens da massa falida.
Já o Parágrafo 1.º do mesmo, onde se lê a palavra nulidade deve-se interpretar como Ineficácia, isso
refere-se aos atos de disposição de bens praticados pelo falido após a decretação da falência.

NÃO PODEM SER ARRECADDOS BENS IMPENHORÁVEIS (art. 649 do CPC): este artigo do
Código de Processo Civil alonga-se por 10 incisos, tratando de uma relação de bens que são
considerados impenhoráveis, nesse o síndico pode deixar de arrecadar esses bens pois isso decorre de
uma expressa determinação legislativa (art. 649 do CPC).

EQUIPAMENTOS E LIVROS QUE NÃO SEJAM DE PEQUENO VALOR PODEM SER


ARRECADADOS (art. 41 da LF): este dispositivo da legislação falimentar retira do róu de bens
impenhoráveis do art. 649 do CPC o seu inciso VI, dando a estes bens a possibilidade de arrecadação
para que componham a massa falida.

BEM DE FAMÍLIA: os instituídos no art. 70 da CF/88, possuem efeito na disposição do inciso I do


art. 649 do CPC.
O artigo 1.º da Medida Provisória n.º 172/89 - Lei n.º 8.009/90, considera impenhorável o imóvel
que sirva de residência a família do devedor ou a entidade familiar que compreende (os pais, um dos
pais ou a prole).

DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA SOCIEDADE: possui existência


quando através de fraude a sociedade não possui bens, mas seus sócios sim - ou seja, em determinado
tempo a sociedade possuía bens e depois não, sendo que os sócios enriqueceram-se com isso - Para
que ocorra a desconsideração da personalidade jurídica da sociedade de ser constatada uma
relação de causa e efeito.

Resumo de Direito Comercial III - Professor: José Araldo - FADISC - 2001 31