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História de Vida

A floresta de Mar-viðr tinha árvores altas e densas o suficiente para que mesmo a luz do
sol não conseguisse alcançar as áreas de mata mais fechada. Poucos vilarejos tinham a
coragem de se formar próximo a sua borda e, mesmo os que tinham, viviam atentos para as
criaturas que eram ditas viver lá.
No meio das lendas sem sentido sobre lagartos voadores e homens com cabeças de
touros havia coisas reais e aterrorizantes. Lobos feitos de gelo, sempre buscando por calor
para consumir e destruir. Árvores vivas, sempre prontas para prendê-lo abaixo de suas
raízes. E um homem, dito ter feito um pacto com os monstros da floresta, nunca atacado
por eles e sacrificando a alma de mortais para seus encantos profanos.
Fadr andava por aquela mata desde que nascera. Os lobos que o encontraram dizia que
ele tinha sido deixado por humanos e as árvores diziam que fora por causa de seus olhos e
sua ligação com o sangue do mundo.
Ele nunca de fato entenderá, para ele, moldar essa energia de outras formas sempre fora
tão natural quanto respirar, apenas imensamente mais exaustivo.
Os pensamentos sobre conhecer o seu povo haviam passado inúmeras vezes pela sua
cabeça quando era mais jovem, mas quando encontrou uma parceira eles se acalmaram
até o silêncio completo que veio com a notícia de sua gravidez. Vætta era o amor de sua
vida e a pequena criança apenas o trazia felicidade.
Ele havia saído de casa três dias atrás, espíritos de árvores não podem ir longe e ele havia
sentido seu companheiro de jornada. Era algo que ele necessitava buscar. Todo Seidr tinha
um e eles ajudavam ao contatar a natureza e conduzir o sangue do mundo. Eram ditos
serem animais distintos e de poder imenso para poder acompanhar o seu mestre, capazes
de moldar a natureza eles mesmos e tratados com imenso respeito nas histórias contadas
pelos ents.
Imagine a sua surpresa então, quando a sua frente ele encontrou nada mais que um gato
de casa, muito menor e mais fraco que as suas variações de mato. Ele não achava que
estava certo, mas as histórias poderiam estar erradas e a ligação com esse animal era
inegável. Ele pegou a pequena criatura em seu colo e virou-se para voltar pra casa, já
prevendo as piadas que sua amada faria às suas custas. Ela sempre dissera que ele era
tão perigoso quanto um filhote.
Estava no segundo dia da viagem de retorno quando o viu. Era um homem alto, ele estava
de costas e a silhueta a noite não dava para distinguir traços específicos, mas não era
necessário, pois Fadr sentia melhor do que via. O objeto em seu cinto praticamente tremia
de poder, exalava energia como o sol exala calor e era muito mais perigoso. Fadr o viu
retirar o objeto do cinto, um martelo, e erguê-lo, não precisava de clarividência para saber o
que aconteceria a seguir. Ele correu, tentando impedir, teve tempo para agarrar o braço,
mas um movimento mínimo o homem o jogou voando para trás. Ele ainda estava
consciente quando o homem baixou o martelo e o mundo se tornou brilho e barulho.
Quando ele acordou não sabia direito onde estava, a pancada o deixou desorientado,
sentia apenas a dor de onde sua cabeça acertou a árvore e o cheiro distinto de incêndio.
Quando abriu os olhos teve de esfregá- los para se certificar de que não estava sonhando.
Havia algumas árvores a frente, mas além disso era uma imensa cratera, pura desolação
além de tudo que ele já vira. Correu desesperado para onde sabia que era a árvore de sua
mulher, lágrimas já em seus olhos enquanto rezava para os deuses que ele estivesse
errado, que ela não tivesse sido pega não explosão, mas tudo que o aguardava era um
conjunto de poeira e o toco enegrecido do que antes era um imenso carvalho, a fonte da
vida de sua amada.
Ele perguntou aos poucos espíritos sobreviventes o que havia acontecido. Os insetos e
raízes o contaram que Thor aparecerá, exigiu que o entregassem o gigante e , quando eles
disseram que não tinham a mínima idéia do que ele estava falando, disse que destruiria a
área para acabar com a criatura então. Sua amada Vætta estaria presa eternamente em
sofrimento, tudo por causa de uma desavença entre deuses e gigantes.
Ele passará 3 anos pesquisando sobre uma forma de salvá-la. Não era estranho histórias
sobre Seidr enganando a morte, mas elas eram sempre feitas com espíritos humanos. Os
rituais que encontrou tinham consequências pesadas demais para o revivido, ela seria uma
sombra, nada como a mulher que amou e teve a vida cortada num ato aleatório de
violência. Aprendera um número de línguas apenas para conseguir ler os tomos da
natureza e se tornou conhecido entre alguns como um Erudito. Até que em dia ele
encontrou.
Estava escondido numa sala subterrânea, ele só descobrirá porque uma das árvores tinha
raízes que crescerá até lá e o espírito foi benevolente o suficiente para o contar. Era um
tomo velho, escrito numa língua estranha, o levou meses lá dentro pra decifrá-la, mas no
fim sua recompensa valeu a pena. Seria necessário materiais raros, alguns dos quais ele
nunca nem tinha ouvido falar. Tudo para criar uma pequena semente que, caso ele fosse
para Hell buscar, abrigaria a alma dela e poderia ser usada para revivê-la num corpo
humano, totalmente independente de uma árvore ou algo semelhante. Ele fechou o tomo,
os olhos brilhantes de determinação enquanto o leve sussurro escapava de sua boca.
"Me espere Vætta, nós estamos vindo"
O leve miado de aprovação do gato ao seu lado chegou em seus ouvidos como o rugido de
um leão.