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13-03-2019 Trabalho 1:

Preparação e
propriedades de
soluções
tampão
PL21 – GRUPO 5
MARIANA SANTOS 52690
MARIANA SANTOS 52719

BIOQUÍMICA I | DOCENTE: SUSANA MARINHO


Índice
Resumo ........................................................................................................................ 2
Apresentação, tratamento e discussão de resultados: .................................................. 3
1. Estudo da influência do pH na capacidade de uma solução tampão ..................... 3
1.1. Cálculo das concentrações de HPO42- e H2PO4- e respetivas frações molares 3
1.2. Cálculo dos volumes das soluções stock ........................................................ 3
1.3. Cálculo do pHic................................................................................................ 4
1.4. Cálculo do pHfc ............................................................................................... 4
1.5. Cálculo da variação do pHc ............................................................................. 4
1.6. Representação gráfica de pHiexp e pHic versus a fração molar de HPO42- ........ 5
1.7. Representação gráfica de ΔpHexp e ΔpHc versus pHic ..................................... 6
2. Preparação de uma solução de fosfatos por diferentes métodos .......................... 7
2.1. Método 1 (através das soluções stock KH2PO4 0,3 M e NaOH 1M) ................ 7
2.2. Método 2 (através das soluções stock K2HPO4 0,3 M e HCl 1M) .................... 8
3. Estudo da influência da molaridade na capacidade de uma solução tampão ........ 8
3.1 Exemplificação dos cálculos para o tampão de fosfatos (pH 7,2) 0,05 M ......... 9
3.2 Cálculos para a água destilada ........................................................................ 9
3.3. O Caso da água destilada............................................................................. 10
3.4. Representação gráfica de ΔpHexp e ΔpHc versus molaridade da solução
tampão ................................................................................................................ 10
4. Estudo da influência da temperatura no valor de pH de soluções tampão ........... 12
Conclusão................................................................................................................... 13
Bibliografia .................................................................................................................. 14

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Resumo
O trabalho desenvolvido tinha como objetivo o estudo da influência do pH e da
molaridade na capacidade de soluções tampão bem como a influência da temperatura
no seu pH, para tal utilizámos uma solução tampão de fosfatos, que preparámos por um
de dois métodos distintos. Para estudarmos a influência do pH na capacidade de
soluções tampão preparámos várias soluções tampão de fosfatos com a mesma
molaridade e diferentes valores de pH, adicionámos-lhes 0,1 mL de HCl e registámos a
variação do seu pH. Concluímos que uma solução tampão revela maior eficácia quando
o seu valor de pH (inicial) está mais próximo do seu valor de pKa. Para estudarmos a
influência da molaridade na capacidade de uma solução tampão preparámos soluções
tampão de fosfatos com os mesmos valores de pH e diferentes molaridades,
adicionámos-lhes 0,1 mL de HCl e registámos a variação do seu pH. Concluímos que
quanto maior for a molaridade do tampão maior é a sua eficácia. Repetimos o processo
anterior para 10 mL de água destilada e concluímos que esta não é uma solução
tampão. Para estudarmos a influência da temperatura no valor de pH de uma solução
tampão colocámos três soluções tampão idênticas em condições de temperatura
diferentes (uma em gelo, uma à temperatura ambiente e a última num banho de água
termostatizado a 37℃) esperámos 30 minutos e registámos os seus valores de
temperatura e pH. Repetimos o processo anterior para a solução tampão Tris-HCl, como
controlo dos resultados. Concluímos que a temperatura influencia o valor de pH de uma
solução.

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Apresentação, tratamento e discussão de resultados:
1. Estudo da influência do pH na capacidade de uma solução tampão
Com o objetivo de preparar 10 mL de uma solução tampão 0,1 M para os valores de pH
indicados no quadro abaixo (Quadro 1), mediram-se os volumes calculados das
soluções stock KH2PO4 0,1 M e K2HPO4 0,1 M posteriormente misturadas num copo
com essa capacidade. Uma vez misturadas procedemos à medição do pH inicial do
tampão. Seguidamente adicionamos 0,1 mL de HCl a cada solução tampão e
procedemos á medição do pH final.

Para um melhor estudo da influência do pH na capacidade de uma solução tampão


efetuamos alguns cálculos prévios para determinar o pH inicial e final esperados. Tais
cálculos foram efetuados para um valor de pKa= 6,89.

Efetuaremos assim os cálculos para um valor de pH 5,9:

1.1. Cálculo das concentrações de HPO42- e H2PO4- e respetivas frações molares

H2PO4- ⇌ HPO42- + H+

Sabendo que H2PO4- atua como ácido e que a sua base conjugada é o HPO42- temos,

[base conjugada] [HPO2−


4 ]
pH = pKa + log 5,9 = 6,89 + log [H −]
{ ⟺ {
[ácido] 2 PO4 ⇔
M = [ácido] + [base conjugada] 0,1 = [H2 PO−
4] +
2−
[HPO4 ]
[HPO2−
4 ]
10−0,99 = [H −] [HPO2−
4 ] = 10
−0,99
× [H2 PO−4]
{ 2 PO 4 ⇔ { 2− − ⇔
[HPO2− ] = 0,1 − [H PO −] [HPO4 ] = 0,1 − [H2 PO4 ]
4 2 4
_______________ [HPO2− −3
−] ⇔ { 4 ] = 9,28 × 10 M
{10−0,99 × [H2 PO− ] = 0,1 − [H PO −
4 2 4 [H PO ] = 9,07 × 10−2 M
2 4

9,28 × 10−3 M = 9,28 × 10−5 mol de HPO2−


4 em 10 mL

9,07 × 10−2 M = 9,07 × 10−4 mol de H2 PO−


4 em 10 mL

n H2 PO−4 9,07×10−4
n H2 PO− 2− = 9,07×10−4 +9,28×10−5
≃ 0,91 (fração molar do composto H2PO4-)
4 + n HPO4

n HPO2−
4 9,28 ×10−5
= ≃ 0,09 (fração molar do composto HPO42-)
n HPO2− −
4 + n H2 PO4 9,28 ×10−5 +9,07 × 10−4

1.2. Cálculo dos volumes das soluções stock

0,91 × 10 = 9,1 mL de KH2 PO4


0,09 × 10 = 0,9 mL de K 2 HPO4
Vtotal = 9,1 + 0,9 = 10 mL

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1.3. Cálculo do pHic
[HPO2−
4 ] 9,28 × 10−3
pH = pKa + log [H PO −] = 6,89 + log 9,07 × 10−2 ≃ 5,89
2 4

1.4. Cálculo do pHfc

Ao adicionar 0,1 mL de ácido clorídrico 0,5 M (ácido forte) a cada solução tampão
anteriormente preparada é expectável que o pH das mesmas sofra uma ligeira
diminuição uma vez que a solução de HCl sofre uma dissociação total traduzida pela
seguinte reação;
HCl → H + + Cl−
Segundo o princípio de Le Châtelier se ocorrer alguma alteração num sistema reacional
em equilíbrio este tende a deslocar-se no sentido de contrariar a alteração a que foi
sujeito. Deste modo podemos concluir que o aumento da concentração de iões H+ na
mistura irá favorecer a reação das soluções tampão de fosfatos no sentido inverso de
modo a consumir o excesso de H+ e assim a reequilibrar o sistema.
Como a estequiometria da reação de ionização da água é de 1:1, a quantidade de HCl
a adicionar é igual à quantidade de iões H+ consumidos.

0,5 M = 5,0 × 10−5 mol de H + em 0,1 mL

9,07 × 10−4 + 5,0 × 10−5 = 9,57 × 10−4 mol de H2 PO−


4 em 10,1 mL

9,28 × 10−5 − 5,0 × 10−5 = 4,28 × 10−5 mol de HPO2−


4 em 10,1 mL

9,57 × 10−4 mol de H2 PO−


4 em 10,1 mL = 9,48 × 10
−2
M

4,28 × 10−5 mol de HPO2−


4 em 10,1 mL = 4,24 × 10
−3
M

[HPO2−
4 ] 4,24×10−3
pHcf = pKa + log [H PO−] = 6,89 + log 9,48×10−2 ≃ 5,54
2 4

1.5. Cálculo da variação do pHc

∆pHc = |pHcf − pHci | = |5,54 − 5,89| = 0,35

Dado que uma solução tampão é uma solução aquosa capaz de resistir a bruscas
mudanças de pH quando lhe adicionados ácidos ou bases fortes seria expectável que
o pHfc do tampão fosfatado pouco diferisse do pHic. O cálculo da variação do pHc
comprova esta afirmação uma vez que 0,35 é um valor de variação relativamente baixo.

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Quadro 1 - Influência do pH na capacidade de uma solução tampão de fosfatos

Volume Volume Volume


Fração Fração
KH2PO4 K2HPO4 de água
pH molar molar pHic pHiexp pHfc pHfexp ΔpHc ΔpHexp
0,1 M 0,1 M destilada
H2PO4- HPO42-
(mL) (mL) (mL)
5,9 0,91 0,09 9,1 0,9 - 5,89 5,90 5,54 5,49 0,35 0,41
6,3 0,80 0,20 8,0 2,0 - 6,29 6,25 6,14 6,04 0,15 0,21
6,6 0,66 0,34 6,6 3,4 - 6,60 6,60 6,51 6,48 0,09 0,12
6,8 0,55 0,45 5,5 4,5 - 6,80 6,75 6,71 6,69 0,09 0,06
7,0 0,44 0,56 4,4 5,6 - 6,99 6,95 6,91 6,86 0,08 0,09
7,2 0,33 0,67 3,3 6,7 - 7,19 7,22 7,10 7,11 0,09 0,11
7,5 0,20 0,80 2,0 8,0 - 7,49 7,47 7,37 7,31 0,12 0,16
7,9 0,09 0,91 0,9 9,1 - 7,89 7,81 7,68 7,61 0,21 0,20

1.6. Representação gráfica de pHiexp e pHic versus a fração molar de HPO42-

7.90

7.70

7.50

7.30

7.10
pH

6.90
pH calculado
6.70
pH experimental
6.50

6.30

6.10

5.90
0.00 0.20 0.40 0.60 0.80 1.00
Fração molar HPO42-

Figura 1- Representação gráfica de pHic e pHiexp versus a fração molar de HPO42-

Com base na figura acima representada (Figura 1Error! Reference source not found.)
podemos discutir alguns desvios observados entre os dois conjuntos de dados
seguintes, pHiexp e pHic.
Concluímos que o maior e menor desvios obtidos em módulo são respetivamente 0,08
e 0,01. Note-se que o valor de pH inicial calculado 6,60 coincidiu com o valor de pH
inicial experimental pelo que não se registou desvio.
Erros sistemáticos associados às limitações do aparelhos de medida como a deficiente
calibração do medidor de pH ou resultantes das técnicas utilizadas como o
posicionamento incorreto do elétrodo na solução bem como a sua má lavagem e
secagem podem conduzir aos desvios registados entre os valores teóricos e os valores
experimentais. Além dos erros anteriormente referidos também erros aleatórios como

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por exemplo erros de paralaxe ocorridos durante a medição do volume das soluções
stock para a preparação do tampão contribuem para os desvios analisados.
1.7. Representação gráfica de ΔpHexp e ΔpHc versus pHic

0.45
0.40
0.35
Variação de pH

0.30
0.25 variação de pH
experimental
0.20
0.15 variação de pH
0.10 calculada

0.05
0.00
5.89 6.09 6.29 6.49 6.69 6.89 7.09 7.29 7.49 7.69 7.89
pH inicial calculado

Figura 2 - Representação gráfica de ΔpHexp e ΔpHc versus pHic

Com base na figura e quadro acima representadas (Figura 2 / Quadro 1) é possível


discutir qual o intervalo de valores de pH em que se considera um sistema tampão mais
eficaz.
Uma solução tampão é tanto mais eficaz quanto menor a oscilação do valor de pH após
a adição de uma solução ácida ou básica forte. Assim observa-se que as maiores
variações do pH ocorrem para um pH inicial calculado de 5,89 (ΔpH c= 0,35 e ΔpHexp =
0,41), 6,29 (ΔpHc = 0,15 e ΔpHexp = 0,21) e 7,89 (ΔpHc = 0,21 e ΔpHexp = 0,20) pelo que
se consideram as zonas onde o sistema tampão é menos eficaz.
Contrariamente, a variação do pH regista os menores valores em torno do pHic 6,80
(ΔpHc = 0,09 e ΔpHexp = 0,06) e do pHic 6,99 (ΔpHc = 0,08 e ΔpHexp = 0,09) pelo que se
considera o intervalo [6,80; 6,99] aquele em que a solução tampão tem maior eficácia.
Tais conclusões são expectáveis e coerentes uma vez que o sistema tampão é tanto
mais eficaz quanto mais próximo o valor do pH inicial estiver do valor do seu pKa.
Sabendo que o valor do pKa da solução tampão de fosfatos em estudos era 6,89
facilmente depreendemos que tal valor se encontra compreendido no intervalo de
valores de pH inicial indicado como mais eficaz.

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2. Preparação de uma solução de fosfatos por diferentes métodos
Nesta fase do procedimento pretendia-se a preparação de uma solução tampão de
fosfatos (pH 7,2) com molaridade 0,05 M e 100 mL de volume através de um dos dois
métodos descritos no protocolo experimental.

2.1. Método 1 (através das soluções stock KH2PO4 0,3 M e NaOH 1M)

Neste método toda a molaridade da solução provém do ácido fraco (H2PO4-).

0,05 mol – 1 L (molaridade) 0,3 mol – 1 L (solução stock)


x mol – 0,1 L 5×10-3 mol – x L
x = 5×10-3 mol KH2PO4 x = 0,0167 L ≃ 16,7 mL KH2PO4
Logo, através dos cálculos acima, chegámos à conclusão de que precisávamos de 16,7
mL de solução stock de KH2PO4 para obtermos a molaridade pretendida.

Depois de preparada a solução tampão de fosfatos com o volume de KH2PO4 calculado


em cima, adicionámos NaOH para ajustar o pH da solução até ao valor pretendido (7,2).
Como o NaOH é uma base forte, vai-se dissociar completamente na presença de água,
através da seguinte reação

NaOH  Na+ + OH-

Ou seja, a adição de NaOH à solução vai aumentar a concentração de iões OH- que
irão reagir com os protões H+ resultantes da reação dos fosfatos, consumindo-os. Pelo
que, segundo o príncipio de Le Châtelier, a reação dos fosfatos irá evoluir no sentido de
contrariar a diminuição da concentração de protões H+, logo no sentido direto.

Como a estequiometria da reação dos fosfatos é de 1:1, a quantidade de NaOH a


adicionar é igual à quantidade de base conjugada formada (HPO42-).

[base conjugada] [K 2 HPO4 ]


pH = pKa + log
{ [ácida conjugada] ⟺ {7,2 − 6,89 = log [KH PO ] ⇔
2 4
0,05 = [KH2 PO4 ] + [K 2 HPO4 ] −−−−−−−−−−−

[K HPO4 ] = 2,0417[KH2 PO4 ] [K HPO4 ] = 0,0335 M


⇔{ 2 ⇔{ 2
0,05 = 3,0417[KH2 PO4 ] [KH2 PO4 ] = 0,0164 M

0,0335 mol – 1L 1 mol – 1L (solução stock NaOH)


x mol – 0,1 L 3,35×10-3 – x L
x = 3,35×10-3mol K2HPO4 x = 3,35×10-3
= nº de moles de NaOH necessárias x ≃ 3,4 mL NaOH

Logo, através dos cálculos descritos acima, precisávamos de adicionar 3,4 mL de NaOH
ao volume de KH2PO4 calculado inicialmente para obtermos uma solução tampão com
a molaridade e pH pretendidos.

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2.2. Método 2 (através das soluções stock K2HPO4 0,3 M e HCl 1M)

Neste método toda a molaridade da solução provém da base conjugada (HPO42-).


Aplicando os mesmos cálculos utilizados no método 1, chegamos à conclusão de que
necessitamos de 16,7 mL de solução stock de K2HPO4 para obtermos a molaridade
pretendida.
Depois de preparada a solução tampão de fosfatos com o volume de K2HPO4 calculado
em cima, adicionámos HCl para ajustar o pH da solução até ao valor pretendido (7,2).
Como o HCl é um ácido forte, vai-se dissociar completamente na presença de água,
através da seguinte reação

HCl  H+ + Cl-

Ou seja, a adição de HCl à solução vai aumentar a concentração de iões H+, pelo que,
segundo o príncipio de Le Châtelier, a reação dos fosfatos irá evoluir no sentido de
contrariar este aumento, logo no sentido inverso.

Como a estequiometria da reação dos fosfatos é de 1:1, a quantidade de HCl a adicionar


é igual à quantidade de ácido formado (H2PO4-).

Tendo por base o sistema de equações utilizado para o método 1, temos que:

[K 2 HPO4 ] = 0,0335 M
{
[KH2 PO4 ] = 0,0164 M

0,0164 mol – 1L 1 mol – 1L (solução stock HCl)


x mol – 0,1 L 1,64×10-3 – x L
x = 1,64×10-3 mol KH2PO4 x = 1,64×10-3
= nº de moles de HCl necessárias x ≃ 1,6 mL HCl

Em ambos os métodos precisávamos de 16,7 mL das soluções de KH2PO4 e K2HPO4,


respetivamente, mas no método 2 só precisávamos de 1,6 mL de HCl, enquanto que no
método 1 precisávamos de 3,4 mL de NaOH, logo utilizámos o método 2 para
prepararmos a nossa solução tampão visto ser o método que gastava menos reagentes.

Após a adição das soluções stock de K2HPO4 e HCl num copo de 100mL, verificámos
que o volume que tínhamos ainda era muito inferior aos 100 mL pretendidos, logo
preenchemos o copo com água até cerca dos 80 mL e efetuámos uma medição do pH
da solução para confirmar que o pH da solução era o pretendido, se o pH estivesse
acima ou abaixo teríamos de adicionar algumas gotas de HCl ou NaOH, respetivamente
até que atingíssemos o valor pretendido (7,2), mas como isso não aconteceu, passámos
a solução para um balão volumétrico de 100 mL e preenchemos com água até ao risco.

3. Estudo da influência da molaridade na capacidade de uma solução tampão

Com o objetivo de estudar a influência da molaridade na capacidade de uma solução


tampão, adicionámos 10 mL de cada solução tampão de fosfatos (pH 7,2) preparada

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anteriormente pelos diversos grupos a diferentes tubos de ensaio e medimos o seu pH
inicial (pHiexp) para termos uma base de comparação.

Seguidamente adicionámos 0,1 mL de HCl 0,5 M a cada uma das soluções anteriores
e voltámos a medir o seu valor de pH (pHfexp).

Repetimos o procedimento anterior para a água destilada para vermos quais eram os
efeitos da adição de um ácido forte como o HCl numa solução que não fosse um tampão.

Para um melhor estudo da influência da molaridade na capacidade de uma solução


tampão efetuámos alguns cálculos prévios para determinar o pH final e a variação de
pH esperados, para tal utilizámos um valor de pKa de 6,89.

3.1 Exemplificação dos cálculos para o tampão de fosfatos (pH 7,2) 0,05 M

Dados: [K2HPO4] i [KH2PO4] i


V = 10 mL 0,0335 mol – 1 L 0,0164 mol – 1 L
Molaridade 0,05 M x mol - 10×10-3 L x mol - 10×10-3 L
pKa = 6,89 x = 3,35×10-4 mol x = 1,64×10-4 mol

Ao adicionarmos HCl, este vai-se dissociar completamente (visto ser um ácido forte),
aumentando a concentração de protões H+ em solução, ou seja, a reação dos fosfatos
vai-se dar no sentido de contrariar esse aumento, ou seja, no sentido inverso (princípio
de Le Châtelier).

(mol) KH2PO4 ⇌ K2HPO4 + H+


HCl
0,5 mol – 1 L início 1,64×10-4 3,35×10-4
x mol – 0,1 ×10-3 L reação + 5×10-5 - 5×10-5
x = 5×10-5 mol final 2,14×10-4 2,85×10-4

2,85×10−4 [K HPO4 ]
[K2HPO4] f = 10,1×10−3 = 0,0282 M pHfc = pKa + log[KH2 = 7,014
2 PO4 ]

2,14×10−4
[KH2PO4] f = = 0,0212 M |ΔpH|c = |pHcf − pHci | = |7,014 − 7,2| = 0,186
10,1×10−3

3.2 Cálculos para a água destilada

H2O [OH-] = [H+] = 1×10-7 M [HCl]


Dados:
55,5 mol – 1 L 1×10-7 mol – 1 L 0,5 mol – 1 L
V = 10 mL
x mol - 10×10-3 L x mol - 10×10-3 L x mol – 0,1×10-3 L
Molaridade 55,5 M
x = 0,555 mol x = 1×10-9 mol x = 5×10-5mol
Ao adicionarmos HCl. Este vai dissociar-se completamente (visto ser um ácido forte),
dando origem a iões H+ que irão reagir com os iões OH- provenientes da ionização da
água, consumindo-os. Logo a reação de ionização da água vai-se dar no sentido de

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contrariar este consumo, ou seja, vai-se dar no sentido direto (de acordo com o princípio
de Le Châtelier).

5,001×10−5 𝑚𝑜𝑙
(mol) H2O ⇌ H+ + OH- [H+] f = 10,1×10−3 𝐿
= 4,95×10-3 M

início 0,555 1×10-9


pHfc = - log [H+] f = - log 4,95×10-3 = 2,035
reação - 5×10-5 + 5×10-5
final ≃0,555 5,001×10-5 |Δ𝑝𝐻|c = |p𝐻𝑐𝑓 − 𝑝𝐻𝑐𝑖 | = |2,305 − 7| = 4,695

Quadro 2 - Estudo do efeito da molaridade na capacidade de uma solução tampão de fosfatos pH 7,2

Solução pHiexp pHfc pHfexp ΔpHc ΔpHexp

Água destilada 6,50 2,31 2,57 4,70 3,93

Tampão de fosfatos (pH 7,2) 0,05 M 7,15 7,01 7,03 0,19 0,12

Tampão de fosfatos (pH 7,2) 0,10 M 7,10 7,10 7,00 0,10 0,10

Tampão de fosfatos (pH 7,2) 0,15 M 7,32 7,14 7,20 0,06 0,12

Tampão de fosfatos (pH 7,2) 0,20 M 7,25 7,15 7,20 0,05 0,05

3.3. O Caso da água destilada

No caso da água destilada, o seu pH inicial esperado era 7 visto ser o pH da água pura
mas, como a água destilada estava em contacto com a atmosfera, este valor sofre um
ligeiro desvio devido à reação da água com o dióxido de carbono atmosférico, que leva
à formação de ácido carbónico e que dá à água um pH ligeiramente mais ácido do que
o esperado (como observado no Error! Reference source not found.).

Após a adição de 0,1 mL de HCl, que é um ácido forte, é esperado que ocorra uma
grande variação no pH da água destilada visto que esta, por não ser uma solução
tampão, não é capaz de evitar que ocorram variações bruscas no valor de pH da
solução.

3.4. Representação gráfica de ΔpHexp e ΔpHc versus molaridade da solução


tampão

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0.20

0.18

0.16

0.14
Variação de pH 0.12

0.10 variação de pH
calculada
0.08
variação de pH
0.06 experimental

0.04

0.02

0.00
0.05 0.10 0.15 0.20
Molaridade da solução tampão (M)

Figura 3 - Representação gráfica de ΔpHexp e ΔpHc versus molaridade da solução tampão

A partir dos valores de ΔpHc do Quadro 1 e da Figura 3, observa-se que a variação de


pH das soluções na presença de uma pequena quantidade de um ácido forte é
inversamente proporcional à sua molaridade, ou seja, quanto menor a molaridade de
uma solução tampão, maior é a sua variação de pH, logo menor é a sua capacidade
enquanto solução tampão.

Na prática, esta relação não se observou visto que para a solução com molaridade 0,05
M a variação de pH medida foi muito inferior à esperada e para a solução com
molaridade 0,15 M a variação de pH medida experimentalmente foi muito superior tanto
à variação de pH esperada como à variação de pH de todas as outras soluções. Erros
sistemáticos como a deficiente calibração do medidor de pH ou resultantes das técnicas
utilizadas como o posicionamento incorreto do elétrodo na solução bem como a sua má
lavagem e secagem podem ter levado aos desvios registados entre os valores teóricos
e os valores experimentais. Além dos erros anteriormente referidos também erros
aleatórios como por exemplo erros de paralaxe ocorridos durante a medição do volume
das soluções para a preparação do tampão podem ter contribuído para os desvios
observados.

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4. Estudo da influência da temperatura no valor de pH de soluções tampão
Com o objetivo de estudar a influência da temperatura no valor de pH de soluções
tampão adicionámos 10 mL da solução tampão de fosfatos (pH 7,2) 0,1 M preparada
anteriormente a três tubos de ensaio e colocámos cada um em condições de
temperatura diferentes (o primeiro em gelo, o segundo à temperatura ambiente do
laboratório e o terceiro num banho de água termostatizado a 37℃) esperámos 30
minutos e registámos os valores de pH e temperatura de cada solução.

Repetimos o processo anterior com uma solução tampão Tris-HCl (pH 8,2) 0,1 M já
preparada para servir de comparação. Registámos todos os resultados no Quadro 3.
Quadro 3 - Estudo do efeito da temperatura no valor de pH de uma solução tampão

∆pH pH3 −pH1


Solução tampão Condições usadas Temperatura (℃) pHexp = (℃−1 )
∆T T3 −T1
1 Gelo 7,0 7,28
Fosfatos (pH 7,2)
2 Temperatura ambiente 19,1 7,31 3,7×10-4
0,1 M
3 Banho termostatizado 34,0 7,27
1 Gelo 3,0 7,84
Tris-HCl (pH 8,2)
2 Temperatura ambiente 19,1 7,86 0,01
0,1 M
3 Banho termostatizado 35,0 7,50

Como podemos observar no Quadro 3, a temperatura influencia o valor de pH de uma


solução tampão.

A ionização da água é um processo endotérmico, ou seja, a sua constante de equilíbrio


aumenta com o aumento da temperatura, o que leva a que a concentração de iões H+
nas soluções aumente com o aumento da temperatura, visto serem soluções aquosas.
Para contrariar este aumento, segundo o princípio de Le Châtelier, as reações das
soluções tampão vão evoluir no sentido inverso, ou seja a concentração do ácido fraco
vai aumentar e a concentração da sua base conjugada vai diminuir, o que se traduz
numa diminuição do valor de pH das soluções. Logo, teoricamente, espera-se que o
valor do pH das soluções diminua com o aumento da temperatura e que uma diminuição
da temperatura leve a um aumento do valor de pH.

Experimentalmente, observámos que um aumento da temperatura leva a uma


diminuição do valor de pH, mas não observámos um aumento do valor de pH nas
soluções que tinham estado em gelo, pelo contrário, observámos uma ligeira diminuição
deste valor, contrariando o que se esperava.

Esta discrepância entre os valores observados experimentalmente e os valores


esperados pode ter acontecido devido a erros sistemáticos como a deficiente calibração
do medidor de pH, o posicionamento incorreto do elétrodo na solução e a sua má
lavagem e secagem ou podem ter acontecido devido a erros aleatórios, como por
exemplo, termos demorado muito tempo a realizar as medições, o que pode ter levado
a que a temperatura medida já não fosse a pretendida.

Os valores teóricos para os coeficientes térmicos das soluções tampão de fosfatos e de


Tris-HCl são ambos, em módulo, 0,028 ℃−1 (Stoll & Blanchard, 1990), o que é um valor
muito diferente dos que obtemos experiencialmente, 3,7×10-4 ℃-1 e 0,01℃−1 ,
respetivamente. Este desvio tão grande deve-se a erros como os descritos
anteriormente.

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Conclusão

Após o tratamento e análise cuidados dos resultados podemos concluir que o pH, a
molaridade e a temperatura são variáveis que podem influenciar a capacidade de uma
solução tampão. Entenda-se capacidade tampão como a extensão da resistência à
mudança de pH de uma solução (“27_pH and Buffer Solutions_RHWJ_4e_2013
(3).Pdf,” n.d.).
Partindo da equação de Henderson-Hasselbalch (“Lehninger_Ch2_Ionization of
Water_weak Acids an Bases_2008.Pdf,” n.d.) é possível verificar que o valor do pH de
uma solução será igual ao valor do pKa quando a molaridade da base conjugada e do
ácido for igual, pelo que o termo final será zero. Como consequência desta relação
percecionamos que o pKa tem um papel fundamental na capacidade da solução tampão
bem como que a eficácia da solução tampão aumenta com a proximidade do pH ao pKa.
Tais conclusões correspondem aos resultados obtidos dado que o intervalo de valores
de pH inicial que revelou a maior eficácia da solução tampão de fosfatos compreende o
seu valor de pKa.
Relativamente à influência da molaridade na capacidade de uma solução tampão era
esperado que quanto menor a sua molaridade, maior a sua variação de pH, logo menor
a sua capacidade enquanto solução tampão. No entanto, esta relação não se observou
visto que a solução de menor molaridade registou uma variação de pH experimental
muito inferior à esperada e a solução de maior molaridade registou uma variação de pH
experimental muito superior tanto à variação de pH esperada como à variação de pH de
todas as outras soluções. Tais observações revelam a ocorrência de alguns erros
sistemáticos e aleatórios no decorrer do procedimento experimental.
Finalmente, em relação ao estudo da influência da temperatura no pH de uma solução
tampão era esperado que o valor do pH das soluções diminuísse com o aumento da
temperatura e que com uma diminuição da temperatura houve-se um aumento do valor
de pH. Experimentalmente, ainda que tenhamos observado que o aumento da
temperatura guie a uma diminuição do valor de pH, não observámos um aumento do
valor de pH nas soluções que sofreram um arrefecimento, pelo contrário, observámos
uma ligeira diminuição deste valor. Concluímos também que os valores teóricos para os
coeficientes térmicos das soluções tampão de fosfatos e de Tris-HCl (coincidentes em
módulo) se revelaram bastante díspares comparativamente aos valores dos coeficientes
térmicos obtidos experimentalmente. Uma vez mais percecionamos que esta
discrepância entre os valores observados experimentalmente e os valores esperados
são consequência de erros sistemáticos e/ou erros aleatórios ocorridos durante a
execução do protocolo experimental.

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Bibliografia
Stoll, V., & Blanchard, J. (1990). Buffers: Principles and practice. Methods Enzymol,
182, pp. 24-38.
“27_pH and Buffer Solutions_RHWJ_4e_2013 (3).Pdf.” n.d.
“Lehninger_Ch2_Ionization of Water_weak Acids an Bases_2008.Pdf.” n.d.

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