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SACRISTÁN, José Gimeno. O Currículo: Uma Reflexão Sobre a Prática. 3 ed.

Porto
Alegre: Penso, 2017.

Introdução
O currículo é entendido como algo que adquire forma e significado educativo à medida
que sofre uma série de processos de transformação dentro das atividades práticas que o
tem mais diretamente por objeto.
Neste livro, capítulo a capítulo, irão sendo abordadas as fases ou processos fundamentais,
por meio dos quais o currículo se configura como prática realizada em um contexto. A
cultura desenvolvida por uma sociedade ganha significado no processo educativo através
das práticas e dos códigos que a traduzem em processos de aprendizagem para os alunos,
relacionando-se intrinsecamente com a qualidade da educação e do ensino. Para
Sacristán, p. IX, “não há sentido na renovação de conteúdos sem a correspondente
mudança de procedimentos e tampouco a fixação em processos educativos sem os
respectivos conteúdos de cultura”.
A prática escolar num determinado momento histórico está relacionada com os usos,
tradições, técnicas e perspectivas dominantes em torno da realidade do currículo. Assim,
reformas que busquem alterações na qualidade do ensino, normalmente são instituídas
inicialmente no currículo, para que a partir das alterações nos conteúdos e formas
possibilitem a mudança do sistema educativo.
As decisões sobre o currículo têm sido patrimônio de instâncias administrativas que
monopolizam um campo que deveria ser proposto e gestionado de forma democrática. A
qualidade da educação está relacionada aos professores e a cultura escolar. Então, para
melhorar a qualidade no ensino deve-se mudar os conteúdos, os procedimentos e os
contextos de realização dos currículos. Para mudar o contexto deve-se formas os
professores na perspectiva do novo currículo.

Capítulo 1 – Aproximação ao conceito de currículo


p. 14. Grundy (1987,p.5) assegura que ”o currículo não é um conceito, mas uma
construção cultural. Isto é, não se trata de um conceito abstrato que tenha algum tipo de
existência fora e previamente à experiência humana. É antes, uma forma de organizar
uma série de práticas educativas”.
p. 15. “O currículo supõe a concretização dos fins sociais e culturais, que se atribui à
educação escolarizada, ou de ajuda ao seu desenvolvimento, de estímulo e cenário, o
reflexo de um modelo educativo determinado, (…). O currículo relaciona-se com a
instrumentalização concreta que faz da escola um determinado sistema social, pois é
através dele que lhe dota de conteúdo, missão que se expressa por meio de usos quase
universais em todos os sistemas educativos (…) o currículo não é uma realidade abstrata
à margem do sistema educativo em que se desenvolve e para o qual se planeja”.
p. 15. “Quando definimos o currículo estamos descrevendo a concretização das funções
da própria escola e a forma particular de enfocá-las num momento histórico e social
determinado, para um nível ou modalidade de educação também determinado,(…) pois é
diferente a função social de cada nível ou modalidade e peculiar a realidade social e
pedagógica que se criou historicamente em torno deles. Como assinala Heubner (apud
MCNEIL, 1983), o currículo é a forma de ter acesso ao conhecimento, não podendo
esgotar seu significado em algo estático, mas através das condições em que se realiza e
se converte numa forma particular de entrar em contato com a cultura”.
p. 15. Currículo como práxis….

p. 16. “A teorização sobre o currículo deve ocupar-se (…) da reflexão sobre a ação
educativa nas instituições escolares. (…). Por isso, a importância da análise do currículo,
tanto de seus conteúdos, como de suas formas, é básica para entender a missão da
instituição escolar em seus diferentes níveis e modalidade”.

p. 18. “O ensino não é mais do que o processo desenvolvido para cumprir o esquema
socializador, formativo e cultural que a instituição escolar tem. Algo que se esquece
muitas vezes quando se quer analisar os processos de ensino-aprendizagem a partir de
uma determinada perspectiva científica e técnica, esquecendo seu verdadeiro encargo.”

p. 20. “Em nossa tradição e no campo jurídico administrativo, as reformas curriculares


são ligadas a mudanças na estrutura do sistema econômico, social e não a um debate
permanente sobre as necessidades do sistema educativo”.