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PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO
SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE REDENCAO

Processo N° 0001357-69.2009.4.01.3901 (Número antigo: 2009.39.01.001365-6) - VARA ÚNICA DE REDENÇÃO


Nº de registro e-CVD 00022.2016.00013905.1.00608/00032

DECISÃO

I – RELATÓRIO

Ausente as manifestações pela FUNAI e INCRA, passo a me pronunciar sobre os pedidos


formulados às fls. 1.130/1.214 e 1.220/1.221.

ALBINA FABIANE BOTTOLI, às fls. 1.130/1.146, apresentou pedido de habilitação nos


autos no estado em que se encontra, requerendo a dilação do prazo de desocupação para 90
(noventa) ou alternativamente (60) sessenta dias, a fim de que possa retirar seus bens móveis e
semoventes sem o ensejo das cominações da pena de perdimento e multa.

Para isso sustentou estar incluída na lista de ocupantes de boa-fé, que vem desde novembro
de 2015 retirando o seu rebanho de gado, mas que ainda não foi possível a retirada total em razão
do período chuvoso. Destacou que a sua saída já era prevista para o dia 16.01.2016, surpreendida
pela notificação com prazo de 10 dias para retirada de seus pertences.

Já RENES DE MOURA, apresentou reiteradamente o pedido de suspensão da ordem de


desintrusão até que a FUNAI comprove nos autos a relação dos ocupantes de boa-fé indenizados e
das glebas indenizadas. Alternativamente requereu suspensão da ordem de desintrusão até o
julgamento do pedido liminar feito no agravo 1600-32.2016.4.01.0000, ou, a suspensão da ordem
de desocupação por 60 (sessenta) dias, como lapso temporal digno para os ocupantes.

Juntou às fls. 1.162/1.182 cópia de medida cautelar inominada com pedido liminar, proposta
pelo Município de São Félix do Xingu, dirigida ao Superior Tribunal de Justiça, com o objetivo de
suspender as ações de desintrusão da TI Apyterewa até o julgamento da Reclamação 23.264/PA.

Posteriormente, vieram aos autos a Associação dos Pequenos Agricultores Rurais do Projeto
Paredão e a Associação dos Pequenos Agricultores do Vale do São José, requerendo a prorrogação
da execução do mandado de desocupação pelo prazo 120 (cento e vinte) dias, por ser materialmente
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A autenticidade deste poderá ser verificada em http://www.trf1.jus.br/autenticidade, mediante código 867393905278.

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impossível o cumprimento da ordem no prazo de 10 (dez) dias durante o período chuvoso, com a
suspensão das multas e identificação dos ocupantes de boa e má-fé, para fins de indenização pelas
benfeitorias.

Há ainda às fls. 1.220/1.221, pedido formulado por MANOEL ORLANDO PEREIRA,


requerendo concessão de livre acesso a TI Apyterewa pelo prazo de 1 (um) ano, com a finalidade de
cuidar dos tanques de peixes lá deixados, pelo menos duas vezes ao dia, até que seja encontrado
outro local apropriado.

Os requerentes trouxeram aos autos mídias e outras imagens mostrando as condições de


trafegabilidade das estradas.

Decido.

II – FUNDAMENTOS

Pois bem, o Decreto da Presidência da República de 19 de abril de 2007, sancionado pelo


então presidente LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, homologou a demarcação administrativa da
Terra Indígena Apyterewa, localizada no Município de São Félix do Xingu, no Estado do Pará,
mediante os limites traçados pela portaria 2.581/04.

A Ação Civil Pública 2005.39.01.00339-7 que tramitou na Subseção Judiciária de


Marabá/PA acolheu o pedido proposto pela FUNAI e MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL para
reintegrar a posse da área esbulhada à comunidade Parakanã-Apyterewa, determinando que os réus,
dentre estes diversas associações, se abstivessem de promover novas ocupações, reocupações e
edificações, sob pena de aplicação de multa.

O feito passou a ser executado na ação 2009.01.001365-6 (execução provisória de sentença


1357-69.2009.4.01.3901), atualmente processada nesta Subseção, no caso, se trata dos presentes

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autos.

Em princípio, vejo que não se deve considerar como refutáveis os pedidos delineados pelos
requerentes, entretanto, estender ainda mais uma situação que vem se prolongando durantes anos,
seria pôr em risco à ordem e seguranças públicas, uma vez que fomentaria novas expectativas na
possibilidade de permanência dos ocupantes na terra indígena.

Isso porque os ocupantes, desde que proferida a sentença na ACP 2005.39.01.00339-7 em


2009, já possuíam prévia ciência da instabilidade e irregularidade em permaneceram na área,
perdurando a situação até o presente momento por mera tolerância do poder público, até que fosse
reorganizado o aparelhamento que viabilizasse o procedimento de tamanha complexidade, ou seja, a
extrusão da TI Apyterewa.

A situação da impossibilidade de prorrogação fica mais assentada quando verificado as


inúmeras demandas individuais neste juízo, dentre elas a da requerente ALBINA FABIANE
BOTTOLI de nº 3123-09.2013.4.01.3905, onde prevaleceu a ordem de desocupação da terra
indígena desde a publicação de decisão de revogação das liminares em agosto de 2015.

No mesmo caso se enquadra o requerente MANOEL ORLANDO PEREIRA, autor na ação


individual 2889-27.2013.4.01.3905, também com ordem de desocupação desde agosto de 2015.

Quanto aos pedidos de prorrogação com base na catalogação dos ocupantes de boa e má-fé,
este também não encontra amparo. A FUNAI, tantos nas ações individuais como nas ACPs que
envolvem o caso, demonstrou a realização dos estudos e catalogação dos perfis dos ocupantes
juntamente com o INCRA, estando dentre estes, muitas famílias já beneficiadas pelo PNRA, e
diversos ocupantes de má-fé e boa-fé.

As portarias demonstraram que todos os ocupantes de boa-fé catalogados com benfeitorias


foram indenizados. Vejo como prova os próprios documentos juntados pela requerente ALBINA
FABIANE BOTTOLI, às fls. 1.139/1.145.
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No que tange ao caso da Reclamação 23.264/PA, ainda que pendente de inclusão em pauta,
não se vislumbrou na espécie, inicialmente pela relatora, a plausibilidade do direito alegado. A
questão controvertida nos autos foi considerada como idêntica àquela contida nas reclamações
12.516/PA e 17.035/PA, julgadas extintas sem resolução do mérito.

Os embargos de declaração opostos na Reclamação 23.264/PA também foram rejeitados à


míngua de vícios.

Encampando ainda o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema, o STJ


possui o entendimento pacificado no sentido de inexiste a figura possessória sobre bens públicos, e
sim mera detenção (STJ, RESP 146367, DJ 14/03/05), pelo que uma vez reclamados os bens, estes
devem ser objeto de devolução imediatamente, sendo incogitável a retenção de bem público, a título
de execução de benfeitorias.

Aqui trago alguns dos inúmeros julgados:

DIREITOS REAIS. RECURSO ESPECIAL. POSSE DE BEM PÚBLICO GERIDO


PELATERRACAP OCUPADO SEM PERMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE. DIREITO À
RETENÇÃOE INDENIZAÇÃO POR BENFEITORIAS. INVIABILIDADE. 1. Conforme dispõe a
Lei 5.861 /72, incumbe à TERRACAP, empresa pública que tem a União como co-proprietária, a gestão
das terras públicas no Distrito Federal. 2. A jurisprudência firme desta Corte entende não ser possível
aposse de bem público, constituindo a sua ocupação sem aquiescência formal do titular do domínio mera
detenção de natureza precária. 3. Os artigos 516 do Código Civil de 1916 e 1.219 do Código Civil em
vigor estabelecem a posse como requisito para que se possa fazer jus ao direito de retenção por
benfeitoria. 4. Recurso especial provido. REsp 841905 DF 2006/0079897-0.
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO
ESPECIAL. ART. 535, II DO CPC. VIOLAÇÃO NÃO CONFIGURADA. BEM PÚBLICO.
OCUPAÇÃO IRREGULAR. DIREITO DE INDENIZAÇÃO PELAS ACESSÕES.
INEXISTÊNCIA. 1. O fato de as conclusões do acórdão recorrido serem contrárias aos interesses da
parte, não configura violação ao artigo 535, II do Código de Processo Civil. 2. Restando configurada a
ocupação indevida de bem público, não há falar em posse, mas em mera detenção, de natureza precária, o
que afasta o direito de retenção por benfeitorias e o almejado pleito indenizatório à luz da alegada boa-fé.
3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.470.182/RN, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/11/2014, DJe 10/11/2014).
ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL. INTERDITO PROIBITÓRIO. OCUPAÇÃO
IRREGULAR DE ÁREA PÚBLICA. MERA DETENÇÃO. INEXISTÊNCIA DE POSSE.
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PRECEDENTES. 1. A jurisprudência desta Corte já se manifestou a respeito da questão discutida nos


autos e adotou o entendimento no sentido de que a "ocupação de área pública, quando irregular, não pode
ser reconhecida como posse, mas como mera detenção. Se o direito de retenção ou de indenização pelas
acessões realizadas depende da configuração da posse, não se pode, ante a consideração da inexistência
desta, admitir o surgimento daqueles direitos, do que resulta na inexistência do dever de se indenizar as
benfeitorias úteis e necessárias" (REsp 863.939/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe
24.11.2008). 2. Não se pode configurar como de boa-fé a posse de terras públicas, pouco relevando o
tempo de ocupação, sempre precária, sob pena de submeter-se o Poder Público à sanha de invasões
clandestinas. 3. Não compete a esta Corte Superior enfrentar matéria constitucional, mesmo a título de
prequestionamento, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. Agravo
regimental não provido. (AgRg no REsp 799.765/DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES,
SEGUNDA TURMA, julgado em 17/12/2009, DJe 04/02/2010).
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. OCUPAÇÃO DE
ÁREA PÚBLICA POR PARTICULARES. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LC 733/2006. LEI
LOCAL. SÚMULA 280/STF. ARTS. 128 E 460 DO CPC. AUSÊNCIA DE
PREQUESTIONAMENTO. CONSTRUÇÃO. BENFEITORIAS. INDENIZAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE. 1. Hipótese em que o Tribunal de Justiça reconheceu que a área ocupada pelos
recorrentes é pública e afastou o direito à indenização pelas benfeitorias. [...] 5. Configurada a ocupação
indevida de bem público, não há falar em posse, mas em mera detenção, de natureza precária, o que
afasta o direito à indenização por benfeitorias. Precedentes do STJ. 6. Recurso especial parcialmente
conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1.310.458/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN,
SEGUNDA TURMA, DJe 9/5/2013).
ADMINISTRATIVO. OCUPAÇÃO DE ÁREA PÚBLICA POR PARTICULARES. JARDIM
BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO. MERA DETENÇÃO. CONSTRUÇÃO. BENFEITORIAS.
INDENIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A ocupação de área pública, sem autorização expressa e
legítima do titular do domínio, é mera detenção, que não gera os direitos, entre eles o de retenção,
garantidos ao possuidor de boa-fé pelo Código Civil. Precedentes do STJ. 2."Posse é o direito
reconhecido a quem se comporta como proprietário. Posse e propriedade, portanto, são institutos que
caminham juntos, não havendo de se reconhecer a posse a quem, por proibição legal, não possa ser
proprietário ou não possa gozar de qualquer dos poderes inerentes à propriedade.A ocupação de área
pública, quando irregular, não pode ser reconhecida como posse, mas como mera detenção. Se o direito
de retenção ou de indenização pelas acessões realizadas depende da configuração da posse, não se pode,
ante a consideração da inexistência desta, admitir o surgimento daqueles direitos, do que resulta na
inexistência do dever de se indenizar as benfeitorias úteis e necessárias" (REsp 863.939/RJ, Rel. Min.
Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 24.11.2008). 3. "Configurada a ocupação indevida de bem público,
não há falar em posse, mas em mera detenção, de natureza precária, o que afasta o direito de retenção por
benfeitorias" (REsp 699374/DF, Rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito, Terceira Turma, DJ
18.6.2007). 4. "A ocupação de bem público não passa de simples detenção, caso em que se afigura
inadmissível o pleito de proteção possessória contra o órgão público. Não induzem posse os atos de mera
tolerância (art. 497 do Código Civil/1916)"(REsp 489.732/DF, Rel. Min. Barros Monteiro, Quarta Turma,
DJ 13.6.2005). 5."Tem-se como clandestina a construção, a qual está inteiramente em logradouro público,
além do fato de que a sua demolição não vai trazer nenhum benefício direto ou indireto para o Município
que caracterize eventual enriquecimento, muito pelo contrário, já que se está em discussão é a
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desocupação de imóvel público de uso comum que, por tal natureza, além de inalienável, interessa a toda
coletividade" (REsp 245.758/PE, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 15.5.2000). 6. Recurso
Especial provido. (REsp 900.159/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA,
julgado em 01/09/2009.

A Constituição Federal de 1988, assim como as que a antecederam, preocupou-se em


proteger os direitos e interesses das populações indígenas, acolhendo o instituto do indigenato ao
reconhecer os direitos originários dos índios sobre as terras que tradicionalmente habitam (art. 231).

O § 6º do art. 231 da Constituição Federal expressamente dispõe que os atos que tenham por
objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são nulos
de pleno direito, não havendo qualquer direito à indenização ou ações contra a União, salvo quanto
às benfeitorias derivadas da ocupação de boa-fé. Inexistindo benfeitorias no imóvel em questão,
ainda que de boa-fé, não há que se falar em indenização pelo desapossamento.

As penas de multa e perdimento de bens serão aplicadas caso a caso, dentre os critérios de
razoabilidade e de proporcionalidade, não sendo possível fazer alusão a um ou outro julgado,
quando a questão englobar condições peculiarmente distintas.

Será, portanto, a partir da verificação pontual de não saída dos ocupantes, comportadamente
injustificada, com lentidão e desculpas infundadas, que recairão a aplicação das sanções legais.

A extensão de prazo neste momento seria desmerecer a conduta daqueles que se


preocuparam em cumprir efetivamente o comando judicial, com a saída dentro do prazo
estabelecido, beneficiado os que infundadamente tentam permanecer na terra indígena.

Outrossim, muito embora seja notório o conhecimento das intempéries climáticas, não vejo
nada detidamente demonstrado pelos requerentes nos autos quanto às ações de desocupação
inicialmente tomadas, a não ser as por ALBINA FABIANE BOTTOLI, que pelo já informado, teria
a pretensão de findar a desocupação em 16.01.2016.

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Outro detalhe relevante, que também refuta a questão da suspensão dos atos de desocupação
pela exiguidade do prazo, é que as ações voltadas a este fim, apenas tiveram início em 15.02.2016,
ou seja, praticamente 1 (um) mês posteriormente às notificações. Além disso, existiu uma suspensão
das atividades por 15 (quinze) dias, determinada preliminarmente ao julgamento do agravo
0025853-21.2015.4.01.0000, que ao final decidiu pela continuidade dos procedimentos de
desintrusão. Destaco:

"Pelo exposto, revogo as decisões que suspenderam o cronograma da operação de extrusão


da TI Apyterewa, ressaltando, desde já, a necessidade de observância do quanto decidido
no AI nº 65085-40.2015.4.01.0000, por meio do qual restabeleci os efeitos da decisão
antecipatória dos efeitos da tutela proferida na AO nº 3189-86.2013.4.01.3905, que, por sua
vez, não foi suspenso pelo STJ nos autos da SLS nº 2.108/PA. Comunique-se o teor da
presente decisão ao MM. Juízo de origem, pela forma mais expedita. Junte-se aos autos o
extrato de andamento processual do Cumprimento Provisório de Sentença nº
2009.39.01.001365-6. Traslade-se cópia aos autos dos AI's nºs 65085-40.2015.4.01.0000 e
76233-53.2012.4.01.0000. Publique-se. Intimem-se. Após, façam-se os autos conclusos para
exame dos demais pedidos porventura pendentes de apreciação, com oportuna inclusão em
pauta. Brasília, 4 de fevereiro de 2016. Desembargador Federal JIRAIR ARAM
MEGUERIAN Relator".

III - CONCLUSÃO

Ante o exposto, decido:

a) INDEFERIR os pedidos de suspensão, prorrogação de prazo das atividades e autorização


especial de entrada;

b) DETERMINAR a continuidade do procedimento de extrusão da área TI Apyterewa.

PROVIDÊNCIAS DE IMPULSO PROCESSUAL

A Secretaria da Vara Federal deverá adotar as seguintes providências:

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1 - Intimar as partes desta decisão;

Redenção, 22 de fevereiro de 2016.

OMAR BELLOTTI FERREIRA

Juiz Federal

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