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O CÉREBRO DISLÉXICO E

AS ESTRATÉGIAS DE
LEITURA
Prof. Dr. Vicente Martins (UVA)
Sobral, 03/07/2014
 DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa
capacidade de ler. Porto Alegre: Penso, 2012. p. 253-279.
 SNOWLING, Margaret e STACKHOUSE, Joy. (Orgs.). Dislexia, fala e linguagem: um
manual do profissional. Porto Alegre: Artmed, 2004. p.11-21.
 SHAYWITZ, Sally. Entendendo a dislexia: um novo e completo programa para
todos os níveis de problemas de leitura. Porto Alegre: Artmed, 2006. p. 25-32.
 DEHAENE, Stanislas. Os
neurônios da leitura:
como a ciência explica
a nossa capacidade de
ler. Porto Alegre:
Penso, 2012. p. 253-
279.
Inúmeras pesquisas realizadas nos últimos 30 anos
tentam definir o que é dislexia e qual a sua causa. Elas
apontam para a universalidade desse déficit bem como
de suas causas que estão intimamente relacionadas a
anomalias genéticas na organização anatômica do córtex
e de suas conexões. Ao fim do capítulo, Dehaene fala
sobre o tratamento da dislexia e do sucesso que
pode ser alcançado por meio da reeducação.
 1. O que é dislexia?
 2. Perturbações fonológicas.
 3 Universalidade da dislexia.
 4. Principal suspeito: o lobo temporal
esquerdo
 5. Migrações neuronais.
 6. A ratazana disléxica.
 7. A genética da dislexia
 8. Superar a dislexia.
“Na maioria dos casos, a dislexia está
associada a um déficit na manipulação dos
fonemas.” (DAHAENE: 2012, p.253)
 Trata-se de unidade mínima das línguas
naturais no nível fonêmico, com valor
distintivo (distingue morfemas ou palavras
com significados diferentes, como faca e vaca.
 Fonologia: ramo da linguística que estuda os
sistemas de fonemas de uma língua ou das línguas
em geral
 A dislexia é um handicap na
vida de certos leitores
 Handicap: qualquer desvantagem que torna mais
difícil o sucesso, isto é, uma limitação cognitiva
mental que dificulta as atividades normais de
uma pessoa
o Quais mecanismos cerebrais se escondem por trás
desse termo familiar?
o Os avanços da ciência da leitura permitem
compreender sob qual armadilha tropeçam suas
crianças?
o Trata-se de um simples “bloqueio psicológico” ou bem
de uma autêntica patologia cerebral?
o Quais genes estão implicados?
o Quais as terapias que podemos considerar?
 “Trata-se de uma dificuldade desproporcional
de aprendizagem da leitura, que não pode se
explicar nem por um retardo mental nem por
um déficit sensorial nem por um ambiente
social ou familiar desfavorecido” (DEHAENE:
2012, p. 254)
 Todos os maus leitores não são disléxicos.
 Causas excluídas da definição de dislexia:
1. Uma surdez despistada
2. Um retardo mental
3. Más condições de educação
4. Complexidade de regras de ortografia
DADOS DOS BONS E
MAUS LEITORES NO
BRASIL
 Analfabetos:
 não conseguem realizar nem mesmo tarefas
simples que envolvem a leitura de palavras e
frases ainda que uma parcela destes consiga ler
números familiares (números de telefone, preços,
etc.).
Alfabetizados em nível rudimentar:
 localizam uma informação explícita em textos
curtos e familiares (como, por exemplo, um
anúncio ou pequena carta), leem e escrevem
números usuais e realizam operações simples,
como manusear dinheiro para o pagamento de
pequenas quantias.
 Alfabetizados em nível básico:
 leem e compreendem textos de média extensão, localizam
informações mesmo com pequenas inferências, leem números
na casa dos milhões, resolvem problemas envolvendo uma
sequência simples de operações e têm noção de
proporcionalidade.
Alfabetizados em Nível pleno:
 pessoas cujas habilidades não mais impõem restrições para
compreender e interpretar textos usuais: leem textos mais
longos, analisam e relacionam suas partes, comparam e avaliam
informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e
sínteses. Quanto à matemática, resolvem problemas que exigem
maior planejamento e controle, envolvendo percentuais,
proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas de
dupla entrada, mapas e gráficos.
 “A dislexia é uma pura construção social,
um mito ligado à super medicalização de
nossa sociedade? Certamente, não.
(DEHAENE: 2012, p. 255)
“Entre irmãos, se um dos membros foi
acometido de dislexia, a probabilidade de que
um de seus parentes diretos sofra da mesma
patologia é da ordem de 50%”
(DEHAENE: 2012, p. 255)
“Um feixe de fatores de risco e um buquê de
genes conspiram provavelmente para perturbar
a aprendizagem da leitura”
 (DEHAENE: 2012, p. 255)
 “A grande maioria das crianças disléxicas sofre, com
efeito, de um déficit particular na conversão dos signos
escritos aos fonemas de sua língua. É a razão pela qual
a leitura das pseudopalavras constitui um dos melhores
testes que separa as crianças com dificuldades dos
alunos normais”
 (DEHAENE: 2012, p. 257)
UM PROBLEMA DE CIRCULARIDADE
 As crianças se saem mal na leitura porque
não manipulam bem os fonemas?

As crianças se saem mal na consciência


fonêmica porque ainda não receberam os
benefícios da alfabetização?
“A consciência fonêmica é particularmente importante
para o desenvolvimento da habilidade de ler através da
codificação fonológica, ou seja, através da conversão
das letras ou grupos de letras em seus sons
correspondentes.” (CARDOSO-MARTINS e
PENNINGTON: 2001, 387)
“A hipótese segundo a qual o cérebro das crianças
disléxicas sofre de uma dupla fragilidade, onde
confluem as vias do reconhecimento visual invariante
e o tratamento fonológico da língua falada, me
parece, pois, particularmente plausível”
 (DEHAENE: 2012, p. 260)
CARDOSO-MARTINS, Cláudia and PENNINGTON, Bruce F.. Qual é a
Contribuição da Nomeação Seriada Rápida para a Habilidade
de Leitura e Escrita?: Evidência de Crianças e Adolescentes
com e sem Dificuldades de Leitura. Psicol. Reflex. Crit. [online].
2001, vol.14, n.2, pp. 387-397. ISS
DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a
nossa capacidade de ler. Porto Alegre: Penso, 2012. p. 253-279.
SNOWLING, Margaret e STACKHOUSE, Joy. (Orgs.). Dislexia, fala e
linguagem: um manual do profissional. Porto Alegre: Artmed, 2004.
p.11-21.
SHAYWITZ, Sally. Entendendo a dislexia: um novo e completo
programa para todos os níveis de problemas de leitura. Porto Alegre:
Artmed, 2006. p. 25-32

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