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Resumo

O presente relatório tem como objetivo apresentar a experiência do trabalho feito por mim e
minha companheira Taciana Menezes em sala de aula, que consistiu em atividades voltadas
para a formação de leitores e produtores de texto, tomando-o como unidade básica de ensino
das competências linguísticas em língua portuguesa, como recomendam os PCNS de Língua
Portuguesa (1998) do ensino fundamental, dos ciclos 1 e 2, .Além disso, apresenta, ainda,
como esses parâmetros foram por interpretados durante o processo de desenvolvimento das
práticas pedagógicas usadas na Escola Estadual Marivaldo Carlos Degan, no segundo
semestre de 2017, através do PIBID.

Introdução

Apesar do curto prazo para conclusão dessas atividades, devido ao


enfrentamento de situações que, como professores em formação,
compreendemos que estão além do nosso controle de atuação pedagógica, foi
possível desenvolver atividades a partir da demanda das turmas. Entretanto,
considero que o nosso trabalho foi um pouco prejudicado por eventos que
advém de forças diversas, estruturalmente, sobretudo. Nesta primeira parte do
relatório, irei expor no método o desenvolvimento, prática e andamento das
atividades. As dificuldades serão expostas nas discussões e resultados.
Finalmente, nas considerações finais serão discutidos os aspectos mais
relevantes, pessoalmente, do projeto.

O trabalho feito na escola sob supervisão do professor Carlos Eduardo Covre e


coordenado pela professora Dra. Ana surgiu como uma demanda da própria
escola, cuja sala de leitura onde costumávamos fazer as atividades no Degan
estava parada e precisava de uma revitalização para que os alunos voltassem
a fazer o uso da mesma.

Então decidi fazer a leitura dos PCNs de Língua Portuguesa do ensino


fundamental para conseguir um direcionamento em relação à leitura e
produção textual, mais especificamente explorando os diversos gêneros
textuais, pois compreendemos que o aluno deve ser capaz de utilizar sua
língua materna em diversos contextos e que essa capacidade é um processo
de transformação e ação através de sua língua (linguagem).
De início chegamos à conclusão de que para essa demanda da escola
deveríamos usar o espaço e o tempo das aulas na sala de leitura para colocar
os alunos em contato com os textos e introduzi-los a leitura desses textos, e
mais do que isso, usar o espaço da sala de leitura para ler, majoritariamente.
Isso por que a realidade dos alunos em relação à prática da leitura era bastante
distante. O hábito não existia na vida familiar e social dos alunos, apenas
poucos deles realmente gostavam de ler, mas ainda esses liam muito pouco.

Ao mesmo tempo, havia uma demanda para que eles também produzissem
textos como condição necessária para a participação social e cultural,
desenvolvendo, portanto, suas competências discursivas. (PCN 1998).

Um dos aspectos da competência discursiva é o sujeito ser capaz de utilizar a língua


de modo variado, para produzir diferentes efeitos de sentido e adequar o texto a
diferentes situações de interlocução oral e escrita. [...] Nessa perspectiva, necessário
contemplar, nas atividades de ensino, a diversidade de textos e gêneros, e não apenas
em função de sua relevância social, mas também pelo fato de que textos pertencentes
a diferentes gêneros são organizados de diferentes formas. A compreensão oral e
escrita, bem como a produção oral e escrita de textos pertencentes a diversos gêneros,
supõem o desenvolvimento de diversas capacidades que devem ser enfocadas nas
situações de ensino.

(PCN 1998, PP. 23)

Para ambos os casos é necessário o domínio da língua. Entretanto, as turmas


possuíam alunos de diferentes idades e de níveis díspares de letramento, algo
preponderante nas decisões das práticas que deveríamos lançar mão de
acordo com as demandas (objetivos das atividades), mas que por uma ânsia
de nossa parte para trabalhar com a produção textual, fez com que uma das
turmas não conseguisse trabalhar com os gêneros propostos. Neste caso, o
adequado, refletindo agora sobre as práticas pedagógicas, trabalhar os
gêneros orais com o 6º A, mas continuemos.

Método

Para solucionar o problema da sala de leitura que, até então, estava


inutilizável, devido à violação da segurança do espaço, todos os bolsistas
atuantes na Escola Estadual Marivaldo Carlos Degan dedicaram as primeiras
semanas após a volta do professor supervisor para organizar e limpar a sala,
além de organizar e selecionar os livros disponíveis para uso dos alunos.
Após concluída essa primeira etapa do projeto que, junto com a nossa
coordenadora de grupo, decidimos desenvolver, cada dupla do grupo se dividiu
com seu companheiro ou companheira para planejar suas práticas
pedagógicas. A princípio, todas as duplas tinham o mesmo planejamento, com
os mesmos objetivos. Nas reuniões de grupo com a coordenadora e
supervisor, havíamos decidido trabalhar inicialmente com a tertúlia de leitura,
em que cada aluno leria uma obra de sua escolha entre as disponíveis na sala
de leitura, e após concluí-la iniciariam a escrita de um roteiro de gravação de
resenha crítica do livro lido. Isso como uma das etapas finais, pois durante a
leitura das obras escolhidas os alunos receberiam um a ficha onde deveriam
preencher informações sobre o livro: título, autor, data de publicação, sinopse,
avaliação positiva ou negativa e justificativa dessa avaliação através de
comentários sobre a história/enredo/afins; depois, a escrita do roteiro, e como
etapa final, a gravação de um curto vídeo apresentando a resenha crítica do
aluno.

Ou seja, escolhi trabalhar com o gênero escrito e narrativo, livros de contos ou


romances, em vez do gênero oral, pois o gênero oral pouco se ajustava às
propostas das atividades discutidas e planejadas e também por se ajustar ao
seguinte critério de seleção de gênero textual, segundo o PCN 1998, e também
o nosso objetivo:

Os textos a serem selecionados são aqueles que, por suas características e usos,
podem favorecer a reflexão crítica, o exercício de formas de pensamento mais
elaboradas e abstratas, bem como a fruição estética dos usos artísticos da linguagem,
ou seja, os mais vitais para a plena participação numa sociedade letrada .

(PCN 1998, pp. 24)

Apesar de todo o planejamento, quando apresentada aos alunos, a proposta de


gravação de vídeo foi recusada na turma pela qual éramos responsáveis (6º
D). Além disso, a ideia inicial de leitura das obras não obteve êxito, pois a
maioria dos alunos não concluíram a leitura, muitos sequer haviam começado e
poucos leram parcialmente. Então, Taciana e eu pensamos em escolher um
livro cujo número de exemplares contemplasse o a quantidade de alunos na
turma para trabalharmos coletivamente com uma mesma obra, mas não
conseguimos.
De modo a evitar o uso de textos fragmentados de textos maiores “- sem
unidade semântica e/ou estrutural” (PCN 1998, pp. 25), como último recurso,
decidimos trabalhar com contos, pois, por ser uma narrativa com espaço e
tempo muito bem definidos, trata-se de um texto mais curto do que a maioria
dos textos presentes na biblioteca, que eram romances, os quais os alunos já
haviam apresentado dificuldade para fazer a leitura. Além disso, o fato de ser
uma narrativa curta contribuía para o tempo das aulas e a maioria dos alunos
tinham a oportunidade de ler, já que não tinham o hábito fora da sala de aula;
para nós, foi uma alternativa encontrada. Além disso, foi possível apresentar
um nova estrutura para os alunos, colocando em contato com uma outra
variedade de texto:

Para boa parte das crianças e dos jovens brasileiros, a escola é o único espaço
quepode proporcionar acesso a textos escritos, textos estes que se converterão,
inevitavelmente, em modelos para a produção. Se é de esperar que o escritor iniciante
redija seus textos usando como referência estratégias de organização típicas da
oralidade, a possibilidade de que venha a construir uma representação do que seja a
escrita só estará colocada se as atividades escolares lhe oferecerem uma rica
convivência com a diversidade de textos que caracterizam as práticas sociais. É
mínima a possibilidade de que o aluno venha a compreender as especificidades que a
modalidade escrita assume nos diversos gêneros, a partir de textos banalizados, que
falseiem sua complexidade.

(PCN 1998, pp. 25)

Toda aula líamos um conto diferente em roda, seguindo o esquema da tertúlia.


Cada aluno lia um parágrafo do texto, enquanto os demais acompanhavam
silenciosamente. Ao terminar, nós conduzíamos uma discussão interpretativa
sobre a estrutura do conto, bem como a história lida.

Já no último conto selecionado, intitulado Pássaros na Boca, após a sua leitura


e uma análise mais detalhada da estrutura e da característica do conto,
apresentamos a proposta¹ de atividade de produção textual. A seguir, as
atividades por ordem cronológica, retiradas do portfólio:

13/11

Trabalhando com o gênero: estrutura do conto e suas características.


Trabalhando com o gênero: estrutura da notícia jornalística e suas
características.

20/11
Proposta de produção textual, atividade individual: reescrita do conto a
partir da perspectiva de uma personagem diferente da do narrador (pai
da menina).

Proposta 2 de produção textual, atividade em grupo: transformação da


reescrita do conto em uma notícia jornalística.

27/11

Correção dos textos.

Reescrita da notícia produzida para exposição na escola / criação de


jornais que noticiam o caso da “Menina que comia pássaros”, releitura
de Pássaros na Boca, para exposição na escola.

Na proposta de reescrita do conto fora do foco narrativo original, a partir da


perspectiva de outra personagem foi possível explorar a especificidade do
gênero literário:

Como representação. um modo particular de dar forma às experiências humanas, o


texto literário não está limitado a critérios de observação fatual (ao que ocorre e aoque
se testemunha), nem às categorias e relações que constituem os padrões dos modos
de ver a realidade e, menos ainda, às famílias de noções/conceitos com que se
pretende descrever e explicar diferentes planos da realidade (o discurso científico). Ele
os ultrapassa e transgride para constituir outra mediação de sentidos entre o sujeito e o
mundo, entre a imagem e o objeto, mediação que autoriza a ficção e a reinterpretação
do mundo atual e dos mundos possíveis. Pensar sobre a literatura a partir dessa
relativa autonomia ante outros modos de apreensão e interpretação do real
corresponde a dizer que se está diante de um inusitado tipo de diálogo, regido por
jogos de aproximação e afastamento, em que as invenções da linguagem, a
instauração de pontos de vista particulares, a expressão da subjetividade podem estar
misturadas a citações do cotidiano, a referências indiciais e, mesmo, a procedimentos
racionalizantes. Nesse sentido, enraizando-se na imaginimaginação e construindo
novas hipóteses e metáforas explicativas, o texto literário é outra forma/fonte de
produção/apreensão deconhecimento.

(PCN 1998, pp. 26).

Além disso, foram trabalhadas as questões linguísticas, através do processo de


análise linguística (AL), desenvolvida por Geraldi em sua obra O texto na sala
de aula, proposta como um método de abordar a gramática tomando o texto
como unidade básica de análise de utilização da gramática, em vez abordá-la
como um manual de regras prescritivas de utilização da língua. Assim,
lançamos mão de tal método, também proposto pelo PCN 1998, levando em
consideração a interação de discursos dentro do texto, aafs variações
linguísticas e apostando na escrita, leitura e reescrita do texto como um
processo reflexivo dessas práticas do aluno sobre o texto, tornando-os sujeitos
do ensino de língua portuguesa.

Resultados e discussão

Devido a um roubo sofrido pela instituição de ensino, materiais haviam sido


levados e a segurança da escola e da sala comprometidos, então as atividades
iniciaram com um pouco de atraso até as providencias necessárias serem
tomadas.

Esse é um dos eventos que ilustram as condições de desenvolvimento do


projeto, que foi comprometido e não teve todos os objetivos alcançados, devido
ao tempo que nos foi tomado. Além desse evento, também tivemos um
pequeno atraso no início do projeto neste semestre, devido à transição entre as
coordenadoras do projeto. A antiga coordenadora, Isadora Valencise Gregolin,
se afastou para o pós-doutorado, então foi necessário um tempo até que a
atual coordenadora Ana Silvia de Couto Abreu assumisse o projeto.

Outras dificuldades envolvem a questão da prática pedagógica por nós


adotada. Já no início, identificada a defasagem no letramento dos alunos do 6º
A, deveríamos ter apostado nos gêneros orais para trabalhar as questões
levantadas no relatório; mas, por falta de tempo e de tempo para um
planejamento à parte para esta turma, decidimos criar uma apostila, de forma
intuitiva, com exercícios silábicos na tentativa de corrigir esse problema. Não
obtivemos êxito, embora os alunos fizessem as atividades com tranquilidade.
Não conseguimos atingi-los da forma que gostaríamos e acabamos por nos
perdermos nos objetivos.

Entretanto, apesar das primeiras tentativas frustradas com a outra sala, o 6º D,


na escolha dos gêneros textuais, as atividades que foram iniciadas foram
também concluídas; e, apesar das dificuldades, os objetivos foram atingidos.

___________________
¹Os materiais usados estão disponíveis em anexo no arquivo do portfólio.
Considerações finais

Pode-se dizer que a ideia principal de apresentar e refletir nas aulas de


português o processo de interlocução tomando-o como objeto de ensino e o
texto como unidade básica desse objeto, com o objetivo de desenvolver nos
alunos a competências linguísticas a partir da linguagem como atividade
discursiva (PCN 1998, pp. 27) foi alcançado através da transformação do conto
em notícia, trabalhando também a competência estilística do conto. Essa
operação do sujeito sobre a linguagem foi abordado nas nossas práticas
pedagógicas e conseguimos atingir os objetivos mínimos, permitindo aos
alunos, pelos menos a uma parte desses alunos, ampliar sua competência
discursiva. (PCN 1998, pp. 27).

Referências:

1. TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Categorias de texto como objeto de ensino.


Site da Revista Eletrônica do GT de Linguística de Texto e Análise da
Conversação da ANPOLL – Fórum de debates:
http://www.gtltac.com/fdebates.html
2. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino
fundamental: língua portuguesa/ Secretaria de Educação Fundamental.
Brasília: MEC/SEF, 1998.
3. GERALDI, J. W. (Org.) O texto na sala de aula: leitura e produção. 2.
ed. Cascavel: ASSOESTE, 1985.

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