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Penhane BOLETIM OFICIAL DA ASSOCIAÇÃO DE APOIO E ASSISTÊNCIA JURÍDICA AS COMUNIDADES

Director Executivo: Rui Vasconcelos* Sede: AAAJC* Telefone: 20030252*Cidade de Tete* Bairro Chingodzi* Editado em Português e Inglês

Vale e AAAJC alcançam consenso sobre compensações de Kancanga

Quando tudo parecia estar bem encaminhado nas contas do por hectare. É uma nota advogada pela AAAJC que o Gover-
Governo do distrito de Moatize na província de Tete, afinal, no averbou em 2011 e que, entretanto, para o caso das ma-
havia muitos desajustes no processo das compensações por chambas daquela comunidade, havia sido deliberadamente,
perda das machambas da comunidade de Kancanga, desde desatendida tanto pelo Governo que diz-se protector do po-
que à luz de um contrato mineiro entre o Governo moçam- vo como pela mineradora Vale. É certo que no exercício de
bicano e a mineradora Vale, a área cultivada por aquela simulação dos cálculos com base no valor de 123.900,75 meti-
comunidade tornou-se concessão da mineradora. Em reu- cais pela perda de área, comparado com o modelo aplicado
nião de concertação ocorrida no dia 8 de Maio, a administra- pela Vale, tenha-se constatado que os que tem maior área
dora distrital Maria Torcida, chegou mesmo a dizer que saem beneficiados, sofrendo alguma diferença para os que
“tudo estava bem, mas a AAAJC veio desorganizar e agitar tem menor área, pela dedução de 3600 meticais, igual para
a comunidade”. Na verdade, não passava de simples objec- todos, do pacote sementes, por este já estar incluso no termo
ção daquela governante perante a intervenção da Associa- de referência número 134/995/ SDAE/11. Com efeito, os
ção de Apoio e Assistência Jurídica as Comunidades, participantes solicitaram a Vale que observe o termo de refe-
AAAJC em face à gritante compensação que havia sido esta- rência sem, contudo, deduzir o valor de 3600 meticais do
belecida para expropriação das terras com machambas da pacote sementes. Entendem que esta medida poderá contri-
comunidade de Kancanga, entretanto, já resolvida, na reu- buir para a harmonização das partes envolvidas. Aliás, solici-
nião da última Quinta-feira, 9 de Maio. A Associação de taram igualmente um tratamento especial para os membros
Apoio e Assistência Jurídica as Comunidades propôs no da comunidade cujas machambas foram afectadas durante o
encontro que a justa indemnização pela perda de área fosse processo de prospecção e pesquisa mineira, de modo que
baseada no termo de referência número 134/995/ SDA- beneficiem de uma indemnização extra correspondente a
E/11, que estabelece o valor da indemnização em 119.250 destruição das suas machambas na fase de prospecção. Tam-
meticais por hectare acrescido ao valor da taxa de inflação bém, ficou acordado que a Vale partilhe todas informações
de 4650,75 meticais, à taxa de referência correspondente ao necessárias sobretudo referentes aos dados do cadastro e
ano de 2018, resultando num total de 123.900,75 meticais dimensão das machambas, de modo que o processo se torne
mais transparente.

Pertinência da nota 134/995/ SDAE/11 em Kancanga


A Vale apresentou o modelo de compensação que com-
actividades agrícolas, pelo que não há lugar para indemniza-
preende três principais elementos, designadamente,
ção por lucros cessantes. Tendo, no entanto, reiterado que a
perda de área, perda de cultura e pacote de sementes
Vale não vedasse completamente a área antes do pagamento
avaliado em 3600 meticais, tendo ficado claro que de
das compensações de modo a permitir a realização da colheita
uma forma geral foi observada a legislação referente a
da produção agrícola da presente campanha. Recomendou o
justa indemnização. No entanto, os camponeses de
envolvimento da sociedade civil em todas etapas do processo
Kancanga, referiram que o processo de medição não
para evitar clima de suspeição em processos análogos. Outros-
incluiu as áreas de pousio, como também foi referido
sim, foi referido que o aparecimento de áreas com pequenas
que as indemnizações não contemplam as culturas des-
dimensões, cerca de 48m2, foi devido ao facto de durante o
truídas pela entrada de equipamentos no processo de
processo de cadastro de machambas detectar-se a repartição de
prospecção e pesquisa mineira. Por via destes aspectos,
áreas e declaração de maior número de culturas, oque vai de-
foi proposto que a indemnização pela perda de área
terminar valores de indemnização relativamente baixos.
implicasse o pagamento de valor único para todos cam-
poneses de Kancanga, sem observância da dimensão da
área do cultivo anterior. A comunidade de Kancanga
solicitou que fosse disponibilizada informação sobre a
dimensão da área a ser indemnizada. Até porque, a Parceiros:
comunidade parece ter assumido que em nenhum mo-
mento a Vale impediu o exercício de parte das suas

Quem somos? Associação de Apoio e Assistência Jurídica as Comunidades (AAAJC), é uma organização da Sociedade Civil Moçambicana, não-governamental,
sem fins lucrativos, de âmbito nacional, fundada em 2008 e com os seus estatutos legalmente publicados em 2010 no Boletim da República nº. 2, III serie, 4º suple-
mento de 19 de Janeiro. A sede é na cidade de Tete.
Penhane OFICIAL REPORT CARD OF THE ASSOCIATION FOR SUPPORT AND LEGAL ASSISTANCE TO COMUNITIES

Director Executivo Rui Vasconcelos* Sede: AAAJC* Telefone: 20030252*Cidade de Tete* Bairro Chingodzi* Editado em Português e Inglês
Edition nº75

Vale and AAAJC reach consensus about Kancanga Compensations

When everything seemed to be right on the meeting that fair compensation for the loss of
accounts of the District Government, there area was based on reference number
were, after all, many mismatches in the pro- 134/995 / SDAE / 11, which establishes the
cess of compensation for the loss of the farms compensation amount at 119,250 meticals per
in the Kancanga community in Moatize. At a hectare plus the value of inflation rate of
meeting held on May 8, district administrator 4,650.75 meticais, at the reference rate corre-
Maria Torcida even said that "everything was sponding to the year 2018, resulting in a total
fine, but the AAAJC came to disorganize and of 123,900.75 meticals per hectare. It is a note
shake the community." In fact, it was nothing advocated by the AAAJC that the Govern-
more than a simple objection of the ruler to ment approved in 2011 and that, in the mean-
the intervention of the Association for Sup- time, in the case of the farms of that commu-
port and Legal Assistance to Communities in nity, it had been deliberately disregarded
the blatant compensation that had been estab- both by the government that says it protects
lished for expropriation of the lands with the people and by the mining company Vale.
farms of Kancanga community, however, al- It is true that in the simulation exercise of the
ready resolved, at the meeting last Thursday, calculations based on the value of 123,900.75
May 9. The Association for Support and Legal meticals for the loss of area, compared with
Assistance to Communities proposed at the

Relevance of note 134/995 / SDAE / 11 in Kancanga


ing the mining prospecting and research process, so
the model applied by Vale, it has been veri-
that they would receive extra compensation corre-
fied that those with larger area are benefited, sponding to the destruction of their farms at the pro-
suffering some difference for those who has a specting stage. It was also agreed that Vale would
smaller area, for the deduction of 3600 meti- share all the necessary information, especially re-
cals, the same for all, from the seeds package, garding the registration data and the size of the
farms, so that the process becomes more transpar-
since it is already included in the reference
ent.
term 134/995 / SDAE / 11. Indeed, partici-
pants asked Vale to comply with the terms of
reference without, however, deducting the
3600 meticais from the seed package. They
believe that this can contribute to the harmo- Partners:
nization of the parties involved. In addition,
they also requested special treatment for mem-
bers of the community whose farms were affected dur-

Who Are We? The Association for Support and Legal Assistance to Communities (AAAJC) is an mozambican Civil Society Organization (CSO) based in Tete province, non-governmental and non proffit, created in 2008 by
a group of Paralegals in natural resources and development law, formed by the Center for Legal and Judicial Training (CFJJ), now Ministry of Justice, who decided to organize themselves based on their knowledge to promote
social and economic development and respect for human rights based on observance of the principles of social justice, equity and sustainability. Its scope of action was limited to the areas of economic development and poverty
reduction in a participatory manner, legal support to communities and citizens, environmental education, conflict resolution, advocacy of public policies and human rights. In 2010, following the implementation of some initiatives
and completing the process of its constitution, the organization was formally legalized with statutes published in the Bulletin of the Republic no. 2, III series, 4th supplement of January 19, 2010.