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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT);


Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS)
Departamento de Filosofia
Curso de Filosofia - Bacharelado – 8.o Semestre
Disciplina: Tópicos Especiais em Filosofia da Mente
Docente: Beatriz Sorrentino Marques
Discente: Fábio Lázaro Oliveira Queiroz

Com base na discussão sobre Livre-Arbítrio das últimas aulas


(19/02/2019) e no texto abordado, responda as questões abaixo:

1. Explique as posições compatibilista e incompatibilista.


Elas são compatíveis ou incompatíveis em relação a quê?
A posição compatibilista defende que a liberdade é compatível com o
determinismo. Determinismo é aqui entendido como as relações necessárias
que regulam os processos naturais. Se existem leis desse tipo que governam o
mundo, isso pode ser um problema para a concepção de liberdade. Os
compatibilistas defendem, por isso, uma concepção de liberdade compatível com
o determinismo. Nesse sentido, tomam a liberdade como a capacidade de o
agente ser determinado por suas escolhas, escolhas essas que são
influenciadas pelo meio ambiente e por sua biologia. Assim, a liberdade se
sustenta em uma noção de autodeterminação do agente.
O incompatibilista, por sua vez, defende que a liberdade é incompatível
com o determinismo. Isso porque entende a liberdade como as possibilidades
abertas de ação para um agente. Essa ideia de liberdade significa que um
agente, dadas as mesmas circunstâncias (ambiente externo e interno), pode
sempre escolher mais de uma via de ação possível. O determinismo é
incompatível com essa ideia, porque se existem leis naturais, elas se configuram
por relações necessárias entre os eventos naturais, o que não dá margem para
esse tipo de liberdade.

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2. Como o compatibilismo seria possível? Faça relação


com a noção de liberdade apresentada pelos compatibilistas.
O compatibilismo é possível porque há uma noção de liberdade
compatível com o determinismo. Essa ideia de liberdade significa a capacidade
de agir de acordo com a vontade, com as razões ou conforme o caráter do
indivíduo. Nesta última concepção, o caráter do indivíduo é determinado pelo
seu ambiente e pela hereditariedade. Portanto, aquilo que o indivíduo deseja e
o modo como ele age, depende do seu caráter que, por sua vez, é determinado
pelo ambiente e pela hereditariedade. Um indivíduo não poderia querer agir de
outro modo, como os libertaristas defendem, caso estivesse na mesma
circunstância, determinado pelos mesmos ambiente e hereditariedade. Para que
isso fosse possível, ou o seu ambiente ou a sua hereditariedade teriam que ter
sido diferentes.

3. Apresente um argumento a favor do libertismo.


Robert Nozick defende uma concepção de liberdade que consiste em
atribuir pesos. Diante de escolhas, sempre temos razões opostas diante de nós,
mesmo que tenhamos preferência ou desejemos agir de certo modo quase
sempre, de modo que podemos atribuir pesos diferentes a essas razões quando
diante de escolhas e estabelecer, desse modo, um novo padrão de ação para o
futuro.
Nozick explica que agir, nessa concepção, é determinar a sua ação
conforme um princípio eleito para a ação. Assim, quando um agente age, está
sempre instanciando um caso de escolha de um princípio geral que determinou
para guiar o seu comportamento.

4. Como Gellen Strawson defende o determinismo rígido?


Apresente o seu argumento principal.
Strawson defende o determinismo rígido porque não há uma ideia de
liberdade defensável.

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A ideia apresentada pelos compatibilistas é falha porque diz que é livre


um agente que, na verdade, é totalmente determinado pelo seu meio e por sua
hereditariedade. Assim, nossas ações estão previamente estabelecidas pelo tipo
de pessoas que somos. E se as nossas ações estão assim estabelecidas, não
somos livres e não podemos ser responsabilizados por nossas ações.