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Outros valores mobiliários

PARTES BENEFICIÁRIAS - ARTS 46 AO 52.

São títulos negociáveis sem valor nominal, estranhos ao capital social que conferem aos seus
titulares direito de crédito eventual contra a S/A, consistente na participação nos lucros líquidos
anuais que devem ser distribuídos aos acionistas.

Quem possui esse título não é acionista, mas tem direito a participação nos lucros, em até 10%.

NATUREZA JURÍDICA

Título de crédito que dá direito a participação eventual nos lucros, isto é, depende se a sociedade
de fato deu lucro ou não.

É necessário que este direito seja detalhado no Estatuto, podendo-se assegurar á totalidade das
partes beneficiárias, no máximo, 10% dos lucros líquidos anuais.

CARACTERÍSTICAS

a. Não representam qualquer contribuição de capital.


b. Não conferem direitos de acionistas, somente o direito de fiscalizar.

A QUEM É ATRIBUÍDA

a. A fundadores, acionistas ou terceiros como remuneração dos serviços prestados


(remuneratória).
b. Graciosamente a sociedades ou fundações beneficentes de seus empregados. Ex.:
escola, clube, creche.
c. Alienadas nas condições determinadas pelo Estatuto ou Assembleia Geral
Extraordinária como forma de obter recursos.
d. É vedada á S/A aberta emitir partes beneficiárias. Isso surgiu como forma de inibir os
administradores que emitiam e davam as partes beneficiárias para ele mesmo, reduzindo o lucro
dos demais acionistas.

PRAZO DE DURAÇÃO, RESGATE OU CONVERSÃO.

Prazo de duração de no máximo 10 anos, no caso de partes beneficiárias atribuídas


gratuitamente, salvo as destinadas a sociedades ou fundações beneficentes dos empregados da
companhia.

FORMA

Nominativa, constando o nome dos proprietários.

MODIFICAÇÕES DOS DIREITOS DAS PARTES BENEFICIÁRIAS

A Assembleia Geral pode modificar os direitos das partes beneficiárias mediante plena
concordância.

CERTIFICADOS - ART 49

É o título que identifica as partes beneficiárias.

Os certificados das partes beneficiárias deverão conter:


a) a denominação "parte beneficiária";
b) a denominação da companhia, sua sede e prazo de duração;
c) o número de partes beneficiárias criadas pela companhia e o respectivo número de ordem;
d) os direitos que lhes são atribuídos pelo estatuto, o prazo de duração e as condições de resgate,
se houver;
e) a data da constituição da companhia e do arquivamento e publicação dos seus atos
constitutivos;
f) o nome do beneficiário;
g) a data de emissão do certificado e as assinaturas de dois diretores.

BÔNUS DE SUBSCRIÇÃO - ART 75 AO 79.


São títulos negociáveis que incorporam um direito de subscrição de ações da S/A de capital
autorizado (altera o capital sem alterar o Estatuto) nas condições constantes do certificado por
um determinado tempo e preço.

Confere vantagem a mais para quem compra ações/debêntures de uma S/A.

LIMITE

Até o limite que o Estatuto prevê o aumento de capital.

PREFERÊNCIA

O subscritor do bônus terá preferência na futura subscrição de ações da companhia. Estes títulos
são negociáveis, o que implica dizer que nem sempre o subscritor do bônus será o subscritor da
ação.

EMISSÃO

É concedido gratuitamente ou vendido.


Em regra, a Assembleia geral que emite, mas o Estatuto poderá dar permissão ao Conselho de
Administração.

FORMA

Nominativa.

CERTIFICADO - ART 79

DEBÊNTURES - ART 52 AO 54
São valores mobiliários vendidos no mercado que conferem direito de crédito perante a S/A
emissora. Ou seja, são títulos representativos de um empréstimo público lançado pela sociedade.
Cada emissão de debênture representa um empréstimo realizado.

Prazo mínimo: 360 dias.

NATUREZA JURÍDICA

Título de crédito que representa um contrato de empréstimo. Maneira da S/A captar dinheiro.

A QUEM COMPETE AUTORIZAR A EMISSÃO DE DEBÊNTURES -ART 59


A competência não é privativa da assembleia, salvo nos casos de S/A fechada, que será de
competência exclusiva da assembleia geral.
Na s/a aberta, poderá ser o Conselho de Administração, salvo cláusula estatutária em contrário.

CONDIÇÕES PARA EMISSÃO DE DEBÊNTURES - ART 62.

a. Arquivamento na junta comercial e publicação da ata da assembleia geral ou do


conselho de administração que deliberam sobre a emissão.
b. Inscrição da escritura de emissão na junta comercial.
c. Constituição das garantias reais, se houver.

ESCRITURA DE EMISSÃO DOS DEBÊNTURES

É uma declaração unilateral da vontade por parte da SA emissora, contendo as cláusulas,


garantias e condições oferecidas aos tomadores das debêntures (contrato de adesão contendo
os direitos, garantias, etc).

DIREITOS DOS DEBÊNTURISTAS

a. Correção monetária.
b. Juros (fixos ou variáveis).
c. Participação nos lucros.
d. Prêmio de reembolso: diferença do capital pago pela S/A pelo capital emprestado pelo
debênturista (previsto no Estatuto).

TIPOS DE DEBÊNTURES

a. Simples: recebe futuramente o dinheiro que emprestou.


b. Conversíveis em ações: debenturista escolhe em receber em reais ou ações.

FORMA

Nominativa.

VENCIMENTO

Pode estar condicionado a evento futuro. Ex.: no momento da dissolução.

ESPÉCIES DE DEBÊNTURES.

Pode existir algo garantindo a debênture.

a. Debênture em garantia real: é aquela que confere como garantia um dos direitos reais,
ou seja, hipoteca, penhor ou anticrese.
b. Debenture em garantia flutuante: é aquela que é dado como garantia o ativo da S/A
(crédito futuros), entretanto há risco de não ter.
c. Debenture em garantia sem preferência ou quirografária: é aquela que o debenturista
concorre em igualdade de condições com os credores quirografários (sem garantia).
d. Debenture subordinada: é aquela que recebe somente antes dos acionistas em caso de
falência.
e. Debenture em garantia fidejussória: é aquela que confere garantia pessoal, não estando
na lei mas é entendido como possível.

CERTIFICADO

Forma nominativa.

AGENTE FIDUCIÁRIA DOS DEBENTURISTAS - ART 66 A 70.


É o representante dos debenturistas junto a companhia emissora. Cabe a ele zelar pelos direitos
e interesses dos debenturistas. Ex.: quando há atraso do pagamento, o agente fiduciário que
cobrará da s/a pelo pagamento.
O problema está no fato que ele é nomeado pela própria S/A.

Impedidos de serem agentes fiduciários dos debenturistas:


 Pessoa que não satisfaça aos requisitos para o exercício de cargo em órgão de
administração da S/A.
 Pessoa que já exerça a função em outra emissão de debêntures da mesma S/A.
 Credor, a qualquer título, da sociedade emissora ou sociedade por ele contratado.
 Pessoa que de qualquer modo, coloque-se em situação de conflito de interesses pelo
exercício da função.
 Instituição financeira cujos administradores tenham interesse na S/A emissora.

ASSEMBLÉIA DOS DEBENTURISTAS

Convocação: pela S/A ou pelo agente fiduciário ou o debenturista que detêm mais de 10% das
debêntures.

CÉDULA DE DEBÊNTURES - ART 72

São títulos emitidos pelas instituições financeiras e garantidas pelo penhor das debêntures, que
conferem nos seus titulares diferente de crédito contra o seu emitente, sem vinculação ás
debêntures.

COMEMMERCIAL PAPER
São notas promissórias (título de dívida) com certas particularidades, justificáveis em função de
sua negociabilidade em mercados de capitais. Tem como função captar recursos para a S/A
mediante a emissão de valores mobiliários.

Forma de captar um empréstimo, em curto prazo para capital de giro geralmente (prazo mínimo:
30 dias – prazo máximo: 180 dias em caso de s/a fechada ou 360 dias em caso de s/a aberta).

CONDIÇÕES

a. Comporta apenas endosso sem garantia real.


b. O endosso há de ser obrigatoriamente em preto, designando a quem está transferindo.
c. Depende de autorização da CVM, publicação de início da distribuição e disponibilização
do prospecto aos investidores interessados.
d. A S/A não pode negociar com os commercial papers de sua emissão pois é considerado
especulação.