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O SEQUESTRO DO CÉREBRO.

COMO
FUNCIONA A PORNOGRAFIA?
Estamos, rapidamente, nos tornando a sociedade pornográfica. Durante o
curso da última década, imagens explicitamente sexuais se infiltraram
lentamente nos anúncios comerciais, no marketing e, praticamente, em
todo vão da vida ocidental. Essa pornografia de ambiente está, agora, em
quase todos os lugares, desde o shopping local ao horário nobre da
televisão.

Pelos cálculos de alguns, a produção e a venda de pornografia explícita,


agora, representam a sétima maior indústria dos Estados Unidos e não é
muito diferente no Brasil. Novos vídeos e páginas de Internet são
produzidos a cada semana, com a revolução digital trazendo um grande
número de novos sistemas de distribuição. Toda nova plataforma digital
se torna uma oportunidade de marketing para a indústria pornográfica.

O que não é surpresa para ninguém é que a vasta maioria daqueles


consumidores de pornografia é composta de homens. Não é nenhum
segredo de comércio que as imagens visuais, sejam fotos ou vídeos,
estimulam muito os homens. Isso não é nenhum avanço novo, conforme
atestam antigas formas de pornografia. O que é novo é o acesso em toda
parte. Os homens e meninos de hoje não estão olhando para quadros
desenhados em paredes de cavernas.

Eles têm acesso, quase que instantâneo, a inumeráveis formas de


pornografia numa grande quantidade.
Mas, enquanto a tecnologia tem trazido novos meios para a transmissão
da pornografia, o conhecimento moderno também traz uma nova
compreensão de como funciona a pornografia no cérebro masculino.
Embora essa pesquisa não faça nada para reduzir a culpabilidade moral
dos homens, que são consumidores de pornografia, ajuda a explicar como
o hábito acaba viciando tanto.

Como explica William M. Struthers, da Faculdade Wheaton, “os homens


parecem ter sido feitos de tal maneira que a pornografia sequestra o
funcionamento adequado do seu cérebro e tem efeito de longo prazo em
seus pensamentos e vida”.

Struthers é um psicólogo com formação em neurociência e especialidade


de ensino nas bases biológicas da conduta humana. No livro Programado
para a intimidade: como a pornografia sequestra o cérebro masculino,
Struthers fala de percepções fundamentais da neurociência que
apresentam uma longa explicação do motivo por que a pornografia é uma
tentação grande para a mente masculina.

“A explicação mais simples da razão por que os homens veem pornografia


(ou procuram prostitutas) é que eles são levados a procurar intimidade”,
revela ele. “O impulso para obter intimidade sexual foi dado por Deus e é
essencial para os homens”, reconhece ele, “mas é facilmente mal
direcionado”. Os homens são tentados a buscar “um atalho para o prazer
sexual por meio da pornografia” e, agora, acham que dá para se acessar
esse atalho com facilidade, a todo instante.

Em um mundo caído, a pornografia se torna mais do que uma distração e


uma distorção da intenção de Deus para a sexualidade humana. Torna-se
um veneno viciador. Struthers explica: ver pornografia não é uma
experiência emocional ou fisiologicamente neutra. É fundamentalmente
diferente de olhar para fotos em preto e branco de algum museu ou olhar
um mapa colorido com os relevos do Brasil. Os homens são
reflexivamente atraídos para o conteúdo de material pornográfico. Como
tal, a pornografia tem efeitos de grande repercussão para estimular um
homem à intimidade. Não é um estímulo natural. Atrai-nos para dentro. A
pornografia é indireta e voyeurística em sua essência, mas é, também,
algo mais. A pornografia é uma promessa sussurrada. Promete mais sexo,
melhor sexo, infinito sexo, sexo conforme os desejos, orgasmos mais
intensos, experiências de transcendência.

A pornografia “atua como uma combinação de múltiplas drogas”, explica


Struthers. Conforme afirma o dr. Patrick Carnes, a pornografia é “um
relacionamento patológico com experiência de alteração do humor”. O
tédio e a curiosidade levam muitos meninos e homens a experiências que
se tornam mais como vício de drogas do que, muitas vezes, se admite.

Por que os homens em vez das mulheres? Como explica Struthers, o


cérebro da mulher e do homem é feito de formas diferentes. “O cérebro
de um homem é um mosaico sexual influenciado por níveis de hormônio
no útero e, na puberdade, é moldado por sua experiência psicológica”.
Com o tempo, a exposição à pornografia leva um homem ou menino mais
profundamente “numa superestrada neurológica de mão única onde a
vida mental de um homem fica restrita a uma sexualização excessiva. Essa
superestrada tem inúmeros acessos de entrada, mas poucas saídas”.

A pornografia é “visualmente magnética” para o cérebro masculino.


Struthers apresenta um exame fascinante da neurologia sobre hormônios
de prazer sendo conectados e liberados pela experiência de um homem
vendo imagens pornográficas. Essas experiências com pornografia e
hormônios de prazer criam novos padrões na programação do cérebro, e
experiências repetidas formalizam a programação.

E, então, nunca acaba. “Se eu tomo a mesma dose de uma droga


repetidas vezes, e meu corpo começa a tolerá-la, precisarei tomar uma
dose mais elevada da droga, a fim de que tenha o mesmo efeito que tinha
com uma dose mais baixa na primeira vez”, recorda-nos Struthers. Por
isso, a experiência de ver pornografia e praticá-la cria uma necessidade
cada vez mais intensa, só para alcançar o mesmo nível de prazer no
cérebro.

Enquanto os homens são estimulados pelas imagens sexuais do ambiente


ao redor deles, a pornografia explícita aumenta o efeito. Struthers
compara isso à diferença entre a televisão tradicional e as novas
tecnologias de alta definição. Tudo é mais claro, mais explícito e mais
estimulante.

Struthers explica isso com força e persuasão: algo sobre a pornografia


influencia e arrasta a alma masculina. A influência é fácil de identificar. A
forma da mulher nua pode ser hipnotizante. A disposição de uma mulher
em participar de um ato sexual e expor sua nudez é sedutora para os
homens. A consciência da própria sexualidade, o desejo de saber,
experimentar algo como bom brota do profundo do ser masculino. Uma
imagem começa a ficar maior em importância quanto mais a olhamos,
ganhando força máxima e podendo chegar a um ponto em que nos
sentimos como se estivéssemos num caminhão sem freios descendo uma
montanha.
Em sua pesquisa, Struthers oferece perspectivas profundas e estratégicas
da neurobiologia e psicologia, mas não deixa seu argumento apenas para
a neurociência, nem usa a categoria de vício para suavizar a
pecaminosidade de ver pornografia.

Os pecadores, naturalmente, procuram um jeito de esconder seu pecado,


e a causa biológica é, muitas vezes, citada como meio de evitar a
responsabilidade moral. Struthers não compreende assim, e sua
perspectiva da pornografia tem base bíblica e teológica. Ele responsabiliza
o pecado de ver pornografia naqueles que voluntariamente se tornam
consumidores de imagens explícitas. O viciado é responsável por seu vício.

Ao mesmo tempo, qualquer compreensão de como o pecado opera seu


mal enganador é uma ajuda para nós, e entender como a pornografia atua
na mente masculina é um conhecimento poderoso. A pornografia é um
pecado que rouba Deus de sua glória no presente do sexo e sexualidade.
Há muito, sabemos que o pecado faz reféns. Conhecemos, agora, outra
dimensão de como esse pecado sequestra o cérebro masculino.
Conhecimento, como dizem, é poder.

Por Albert Mohler - Colaboração Pr. Antônio Fonseca via Facebook