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CÁLCULO II

Prof. Jerônimo Monteiro

Gabarito - Lista Semanal 04

Questão 1. Calcule os seguintes limites:

x3 + xy 2 + 2x2 + 2y 2
(a) lim
(x,y)→(0,0) x2 + y 2

x2 + xy − 2
(b) lim
(x,y)→(0,0) x

x3 + xy 2 + 2x2 + 2y 2 x3 + xy 2 2x2 + 2y 2
Solução: (a) Primeiro, reescrevemos que: = + . Com
x2 + y 2 x2 + y 2 x2 + y 2
isso, podemos escrever o limite como o seguinte:

x3 + xy 2 + 2x2 + 2y 2 x3 + xy 2 2x2 + 2y 2
lim = lim + lim
(x,y)→(0,0) x2 + y 2 (x,y)→(0,0) x2 + y 2 (x,y)→(0,0) x2 + y 2

x · x2 + y 2 2 · x2 + y 2
 
x3 + xy 2 + 2x2 + 2y 2
lim = lim + lim
(x,y)→(0,0) x2 + y 2 (x,y)→(0,0) x2 + y 2 (x,y)→(0,0) x2 + y 2

Como se trata de um limite, podemos simplicar os termos semelhantes, restando o seguinte:

x3 + xy 2 + 2x2 + 2y 2
lim = lim (x) + lim (2) = 2
(x,y)→(0,0) x2 + y 2 (x,y)→(0,0) (x,y)→(0,0)

x3 + xy 2 + 2x2 + 2y 2
⇒ lim =2
(x,y)→(0,0) x2 + y 2

(b) Para calcular esse limite, utilizaremos a curva α(t) = (t, 0) como um dos caminhos possíveis.
Com isso, temos que:

x2 + xy − 2 t2 − 2
lim = lim f (α(t)) = lim f (t, 0) = lim
(x,y)→(0,0) x t→0 t→0 t→0 t

t2 − 2
Ao analisar lim , percebe-se que o numerador tende ao número −2, enquanto que o denomi-
t→0 t
nador tende ao número 0, tanto por valores positivos como por valores negativos, já que a análise não
+ −
foi restrita a 0 ou 0 . Sendo assim, conclui-se que o limite explode, isto é, para a tendência dada, a
divisão resultará em um número muito grande, ora negativo, ora positivo. Em linguagem matemática,
podemos escrever que:

t2 − 2 +
lim = −∞
t→0 t

1
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Porém, é válido lembrar que essa escrita é apenas uma notação para entendermos a tendência do
limite dado, isto é, um limite que tende ao innito, na verdade, não existe. Portanto, como, em um
dos caminhos possíveis para se calcular o limite dado no problema, o limite não existe, dizemos que

x2 + xy − 2
lim
(x,y)→(0,0) x

não existe.

Questão 2. Determine o domínio de f (x, y) = ln(4 − x2 − 36y 2 ) e esboce o gráco da função. Quais
são as curvas de nível desta função?

Solução: Para determinar o domínio, devemos encontrar quais os pontos (x, y) ∈ R2 possíveis para
função dada. Nessa ideia, temos restrições para a função logarítmica, isto é, o domínio deve respeitar
a seguinte condição:

x2
4 − x2 − 36y 2 > 0 ⇒ x2 + 36y 2 < 4 ⇒ + 9y 2 < 1
4
Com isso, o domínio de f pode ser escrito como o seguinte:

  x 2 
2
Df = (x, y) ∈ R2 / + (3y) < 1
2

Essa região, no R2 , representa a parte interna de uma elipse, como demonstra a imagem a seguir:

Agora, com o domínio determinado, plotaremos algumas curvas de nível, para se ter base suciente
ao fazer o esboço do gráco. Para fazer isso, devemos igualar a função a um parâmetro c contido na
imagem dela. Nesse sentido, percebe-se que:

0 ≤ 4 − x2 − 36y 2 ≤ 4

Ou seja, como a expressão 4 − x2 − 36y 2 é o argumento do logaritmo na função, conclui-se, a partir


da desigualdade acima, que a imagem de f (x, y) e, consequentemente, o conjunto dos valores possíveis
para c, é a seguinte:

Imf = (−∞, ln(4)]

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De posse disso, podemos encontrar as curvas de nível, como segue:

ln(4 − x2 − 36y 2 ) = c ⇒ 4 − x2 − 36y 2 = ec

x2 + 36y 2 = 4 − ec

Percebe-se que as curvas são elipses com centro em (0, 0). Logo, ao expandir isso para os innitos
valores de c no intervalo determinado anteriormente, muda-se o número pelo qual se divide os termos
que possuem x2 e y2. Em termos grácos, temos mudanças nos tamanhos das elipses, porém, todas
elas concêntricas de centro em (0, 0). Nessa ideia, plotando algumas curvas para diferentes valores de
c e, necessariamente, dentro do domínio obtido, temos o seguinte:

Com isso tudo em mente, devemos unir as informações obtidas, de forma a enxergar, agora nos 3
R3

eixos , como se comporta o gráco da função dada. De posse disso, pode-se fazer um bom esboço,
como segue:

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r
1 1
Questão 3. Encontre o domínio, a imagem e as curvas de nível de f (x, y) = 2
− 2.
x y

Solução: Primeiro, deve-se notar que as condições de existência para a expressão de f (x, y) dada
são as seguintes:

1 1
2
− 2 ≥ 0 ; x 6= 0 ; y 6= 0
x y
Desenvolvendo a primeira desigualdade, temos:

1 1
2
≥ 2
x y

Como x2 e y2 são números positivos, podemos escrever o seguinte, sem comprometimento da


desigualdade:

y 2 ≥ x2

Sendo assim, unindo as condições encontradas, podemos escrever o domínio como:

Df = (x, y) ∈ R2 / y 2 ≥ x2 , x 6= 0, y 6= 0


Gracamente, temos o seguinte:

Agora, para analisar a imagem, primeiro devemos perceber que os valores possíveis serão sempre
positivos, por se tratar de uma raiz quadrada. Com essa ideia, devemos descobrir se a função assume o
valor 0 e se ela se estende para +∞ em sua imagem. Para isso, consideraremos duas curvas, α1 (t) = (t, t)
e α2 (t) = (t, 1) e calcularemos os seguintes limites:

lim f (α1 (t)) ; lim f (α2 (t))


t→1 t→0

Calculando separadamemte, temos:

r r
1 1 0
lim f (α1 (t)) = lim f (t, t) = lim − = lim =0
t→1 t→1 t→1 t2 t2 t→1 t2
r r
1 1 1
lim f (α2 (t)) = lim f (t, 1) = lim 2
− 2 = lim − 1 = +∞
t→0 t→0 t→0 t 1 t→0 t2

Logo, a partir da análise conjunta dos dados obtidos, podemos concluir que:

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Imf = [0, +∞) ou Imf = R+

Agora, para as curvas de nível, igualamos a expressão de f (x, y) a um valor c positivo, como segue:

r
1 1 1 1
2
− 2 = c ⇒ 2 − 2 = c2
x y x y

1 1 2 1 1 − c2 x2 2 x2
= − c ⇒ = ⇒ y =
y2 x2 y2 x2 1 − c2 x2
s
x2
y=+ −
1 − c2 x2
Com essa expressão geral em mente, plotamos as curvas de nível para diferentes valores de c, como
segue:

A imagem acima conrma que o domínio, de fato, é limitado pela região ilustrada na imagem
anterior a ela, isto é, a análise feita foi correta.

 
1
Questão 4. Esboce o gráco da função f (x, y) = ln , utilizando as suas curvas de nível.
x−y

Solução: Primeiro, analisando o domínio, temos que

1
>0⇒y<x
x−y
Logo:

Df = (x, y) ∈ R2 / y < x


Para a imagem, como se trata de uma função logarítmica, Imf = R


Agora, devemos encontrar as curvas de nível, para, assim, basear o esboço do gráco. Utilizando o
mesmo procedimento descrito anteriormente, temos o seguinte:

 
1 1 1 1
ln =c⇒ = ec ⇒ c = x − y ⇒ y = x − c
x−y x−y e e
Com essa expressão, plotamos algumas curvas, para diferentes valores de c, como segue:

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Com esses dados obtidos, pode-se esboçar o gráco de f (x, y), como segue:

Questão 5. Determine as superfícies de nível da função f (x, y, z) = 4z + 2y 2 − x.

Solução: Percebendo que Imf = R, para encontrar as superfícies de nível, igualamos a expressão
de f (x, y, z) a uma constante c e estudamos a igualdade resultante para diferentes valores de c, como
segue:

x y2 c
4z + 2y 2 − x = c ⇒ 4z = x − 2y 2 + c ⇒ z = − +
4 2 4

Com essa expressão em mente, podemos entender as superfícies de nível como grácos de z =
x y2 c
g(x, y) = − deslocados verticalmente por um fator . De posse disso, basta estudar o gráco
4 2 4
fundamental descrito por g(x, y) e aplicar os deslocamentos resultantes dos diferentes valores de c.

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x
Estudando g(x, y), percebe-se que Dg = R2 e Img = R, já que g é polinomial e, para g(x, 0) = ,
4
+
a função se estende para − ∞. Com isso, plotamos algumas curvas de nível para basear o esboço da
superfície, como segue:

Com base nisso, pode-se determinar o gráco de g(x, y), como segue:

Ou seja, para determinar as superfícies de nível da função f (x, y, z) dada, basta, agora, replicar
o gráco acima com diferentes deslocamente verticais oriundos dos diversos valores de c escolhidos,
resultando no seguinte:

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