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Art.

1° O presente código estabelece normas de proteção e § 1º Em se tratando de produto industrial, ao fabricante cabe rotulagem ou de mensagem publicitária, podendo o consumidor
defesa do consumidor, de ordem pública e interesse social, nos prestar as informações a que se refere este artigo, através de exigir, alternativamente e à sua escolha:
termos dos arts. 5°, inciso XXXII, 170, inciso V, da Constituição impressos apropriados que devam acompanhar o I - o abatimento proporcional do preço;
Federal e art. 48 de suas Disposições Transitórias. produto. (Redação dada pela Lei nº 13.486, de 2017) II - complementação do peso ou medida;
Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que § 2º O fornecedor deverá higienizar os equipamentos e III - a substituição do produto por outro da mesma espécie,
adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. utensílios utilizados no fornecimento de produtos ou serviços, ou marca ou modelo, sem os aludidos vícios;
Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de colocados à disposição do consumidor, e informar, de maneira IV - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente
pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas ostensiva e adequada, quando for o caso, sobre o risco de atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos.
relações de consumo. contaminação. (Incluído pela Lei nº 13.486, de 2017) § 1° Aplica-se a este artigo o disposto no § 4° do artigo
Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou Art. 9° O fornecedor de produtos e serviços potencialmente anterior.
privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes nocivos ou perigosos à saúde ou segurança deverá informar, de § 2° O fornecedor imediato será responsável quando fizer a
despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, maneira ostensiva e adequada, a respeito da sua nocividade ou pesagem ou a medição e o instrumento utilizado não estiver aferido
montagem, criação, construção, transformação, importação, periculosidade, sem prejuízo da adoção de outras medidas cabíveis segundo os padrões oficiais.
exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou em cada caso concreto. Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de
prestação de serviços. Art. 10. O fornecedor não poderá colocar no mercado de qualidade que os tornem impróprios ao consumo ou lhes diminuam
§ 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com
imaterial. alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança. as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária,
§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de § 1° O fornecedor de produtos e serviços que, posteriormente podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:
consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza à sua introdução no mercado de consumo, tiver conhecimento da I - a reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando
bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes periculosidade que apresentem, deverá comunicar o fato cabível;
das relações de caráter trabalhista. imediatamente às autoridades competentes e aos consumidores, II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente
CAPÍTULO II mediante anúncios publicitários. atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos;
Da Política Nacional de Relações de Consumo § 2° Os anúncios publicitários a que se refere o parágrafo III - o abatimento proporcional do preço.
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por anterior serão veiculados na imprensa, rádio e televisão, às § 1° A reexecução dos serviços poderá ser confiada a
objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o expensas do fornecedor do produto ou serviço. terceiros devidamente capacitados, por conta e risco do fornecedor.
respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus § 3° Sempre que tiverem conhecimento de periculosidade de § 2° São impróprios os serviços que se mostrem inadequados
interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem produtos ou serviços à saúde ou segurança dos consumidores, a para os fins que razoavelmente deles se esperam, bem como
como a transparência e harmonia das relações de consumo, União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão aqueles que não atendam as normas regulamentares de
atendidos os seguintes princípios: (Redação dada pela Lei nº informá-los a respeito. prestabilidade.
9.008, de 21.3.1995) SEÇÃO II Art. 21. No fornecimento de serviços que tenham por objetivo
I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no Da Responsabilidade pelo Fato do Produto e do Serviço a reparação de qualquer produto considerar-se-á implícita a
mercado de consumo; Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou obrigação do fornecedor de empregar componentes de reposição
II - ação governamental no sentido de proteger efetivamente o estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da originais adequados e novos, ou que mantenham as especificações
consumidor: existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos técnicas do fabricante, salvo, quanto a estes últimos, autorização
a) por iniciativa direta; consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, em contrário do consumidor.
b) por incentivos à criação e desenvolvimento de associações construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou Art. 22. Os órgãos públicos, por si ou suas empresas,
representativas; acondicionamento de seus produtos, bem como por informações concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra forma de
c) pela presença do Estado no mercado de consumo; insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados,
d) pela garantia dos produtos e serviços com padrões § 1° O produto é defeituoso quando não oferece a segurança eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos.
adequados de qualidade, segurança, durabilidade e desempenho. que dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as Parágrafo único. Nos casos de descumprimento, total ou
III - harmonização dos interesses dos participantes das circunstâncias relevantes, entre as quais: parcial, das obrigações referidas neste artigo, serão as pessoas
relações de consumo e compatibilização da proteção do I - sua apresentação; jurídicas compelidas a cumpri-las e a reparar os danos causados,
consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam; na forma prevista neste código.
tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a III - a época em que foi colocado em circulação. Art. 23. A ignorância do fornecedor sobre os vícios de
ordem econômica (art. 170, da Constituição Federal), sempre com § 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de qualidade por inadequação dos produtos e serviços não o exime de
base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e outro de melhor qualidade ter sido colocado no mercado. responsabilidade.
fornecedores; § 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só Art. 24. A garantia legal de adequação do produto ou serviço
IV - educação e informação de fornecedores e consumidores, não será responsabilizado quando provar: independe de termo expresso, vedada a exoneração contratual do
quanto aos seus direitos e deveres, com vistas à melhoria do I - que não colocou o produto no mercado; fornecedor.
mercado de consumo; II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o Art. 25. É vedada a estipulação contratual de cláusula que
V - incentivo à criação pelos fornecedores de meios eficientes defeito inexiste; impossibilite, exonere ou atenue a obrigação de indenizar prevista
de controle de qualidade e segurança de produtos e serviços, III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. nesta e nas seções anteriores.
assim como de mecanismos alternativos de solução de conflitos de Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos § 1° Havendo mais de um responsável pela causação do
consumo; do artigo anterior, quando: dano, todos responderão solidariamente pela reparação prevista
VI - coibição e repressão eficientes de todos os abusos I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não nesta e nas seções anteriores.
praticados no mercado de consumo, inclusive a concorrência puderem ser identificados; § 2° Sendo o dano causado por componente ou peça
desleal e utilização indevida de inventos e criações industriais das II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu incorporada ao produto ou serviço, são responsáveis solidários seu
marcas e nomes comerciais e signos distintivos, que possam fabricante, produtor, construtor ou importador; fabricante, construtor ou importador e o que realizou a
causar prejuízos aos consumidores; III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis. incorporação.
VII - racionalização e melhoria dos serviços públicos; Parágrafo único. Aquele que efetivar o pagamento ao SEÇÃO IV
VIII - estudo constante das modificações do mercado de prejudicado poderá exercer o direito de regresso contra os demais Da Decadência e da Prescrição
consumo. responsáveis, segundo sua participação na causação do evento Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil
Art. 5° Para a execução da Política Nacional das Relações de danoso. constatação caduca em:
Consumo, contará o poder público com os seguintes instrumentos, Art. 14. O fornecedor de serviços responde, I - trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de
entre outros: independentemente da existência de culpa, pela reparação dos produtos não duráveis;
I - manutenção de assistência jurídica, integral e gratuita para danos causados aos consumidores por defeitos relativos à II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de
o consumidor carente; prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou produtos duráveis.
II - instituição de Promotorias de Justiça de Defesa do inadequadas sobre sua fruição e riscos. § 1° Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da
Consumidor, no âmbito do Ministério Público; § 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança entrega efetiva do produto ou do término da execução dos serviços.
III - criação de delegacias de polícia especializadas no que o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração § 2° Obstam a decadência:
atendimento de consumidores vítimas de infrações penais de as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - a reclamação comprovadamente formulada pelo
consumo; I - o modo de seu fornecimento; consumidor perante o fornecedor de produtos e serviços até a
IV - criação de Juizados Especiais de Pequenas Causas e II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se resposta negativa correspondente, que deve ser transmitida de
Varas Especializadas para a solução de litígios de consumo; esperam; forma inequívoca;
V - concessão de estímulos à criação e desenvolvimento das III - a época em que foi fornecido. III - a instauração de inquérito civil, até seu encerramento.
Associações de Defesa do Consumidor. § 2º O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de § 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se
CAPÍTULO III novas técnicas. no momento em que ficar evidenciado o defeito.
Dos Direitos Básicos do Consumidor § 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: quando provar: pelos danos causados por fato do produto ou do serviço prevista na
I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste; Seção II deste Capítulo, iniciando-se a contagem do prazo a partir
provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. do conhecimento do dano e de sua autoria.
considerados perigosos ou nocivos; § 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será Parágrafo único. (Vetado).
II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos apurada mediante a verificação de culpa. SEÇÃO V
produtos e serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos Da Desconsideração da Personalidade Jurídica
igualdade nas contratações; consumidores todas as vítimas do evento. Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes SEÇÃO III da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso
produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, Da Responsabilidade por Vício do Produto e do Serviço de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou
características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração
bem como sobre os riscos que apresentem; (Redação dada pela não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade também será efetivada quando houver falência, estado de
Lei nº 12.741, de 2012) Vigência ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica
IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como provocados por má administração.
métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações § 2° As sociedades integrantes dos grupos societários e as
práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem sociedades controladas, são subsidiariamente responsáveis pelas
produtos e serviços; publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, obrigações decorrentes deste código.
V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas. § 3° As sociedades consorciadas são solidariamente
prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos § 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, responsáveis pelas obrigações decorrentes deste código.
supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: § 4° As sociedades coligadas só responderão por culpa.
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em § 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica
morais, individuais, coletivos e difusos; perfeitas condições de uso; sempre que sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao
VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores.
vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; CAPÍTULO V
individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica, III - o abatimento proporcional do preço. Das Práticas Comerciais
administrativa e técnica aos necessitados; § 2° Poderão as partes convencionar a redução ou ampliação SEÇÃO I
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a do prazo previsto no parágrafo anterior, não podendo ser inferior a Das Disposições Gerais
inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, sete nem superior a cento e oitenta dias. Nos contratos de adesão, Art. 29. Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-
a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, por se aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não,
hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências; meio de manifestação expressa do consumidor. expostas às práticas nele previstas.
X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em § 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas
geral. do § 1° deste artigo sempre que, em razão da extensão do vício, a
Parágrafo único. A informação de que trata o inciso III substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou
do caput deste artigo deve ser acessível à pessoa com deficiência, características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de
observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº produto essencial.
13.146, de 2015) (Vigência) § 4° Tendo o consumidor optado pela alternativa do inciso I do
Art. 7° Os direitos previstos neste código não excluem outros § 1° deste artigo, e não sendo possível a substituição do bem,
decorrentes de tratados ou convenções internacionais de que o poderá haver substituição por outro de espécie, marca ou modelo
Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de diversos, mediante complementação ou restituição de eventual
regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas diferença de preço, sem prejuízo do disposto nos incisos II e III do
competentes, bem como dos que derivem dos princípios gerais do § 1° deste artigo.
direito, analogia, costumes e eqüidade. § 5° No caso de fornecimento de produtos in natura, será
Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responsável perante o consumidor o fornecedor imediato, exceto
responderão solidariamente pela reparação dos danos previstos quando identificado claramente seu produtor.
nas normas de consumo. § 6° São impróprios ao uso e consumo:
CAPÍTULO IV I - os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos;
Da Qualidade de Produtos e Serviços, da Prevenção e da II - os produtos deteriorados, alterados, adulterados,
Reparação dos Danos avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à
SEÇÃO I saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas
Da Proteção à Saúde e Segurança regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação;
Art. 8° Os produtos e serviços colocados no mercado de III - os produtos que, por qualquer motivo, se revelem
consumo não acarretarão riscos à saúde ou segurança dos inadequados ao fim a que se destinam.
consumidores, exceto os considerados normais e previsíveis em Art. 19. Os fornecedores respondem solidariamente pelos
decorrência de sua natureza e fruição, obrigando-se os vícios de quantidade do produto sempre que, respeitadas as
fornecedores, em qualquer hipótese, a dar as informações variações decorrentes de sua natureza, seu conteúdo líquido for
necessárias e adequadas a seu respeito. inferior às indicações constantes do recipiente, da embalagem,