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ECONOMIA INFORMAL 1. INTRODUÇÃO 323


Desafios ao estabelecimento de A partir da década de 90, mudanças econômicas e no mercado
de trabalho, influenciadas pelo avanço da globalização, fizeram
padrões de trabalho decente
com que a discussão sobre a economia informal ganhasse novos
contornos a nível mundial. O surgimento de novas expressões
desse fenômeno foi responsável por alargar ainda mais o nicho
das atividades informais, possibilitando que o trabalho de está-
Andressa de Sá Paschoal gio e o comércio ambulante fossem incorporados à gama hete-
Alyne Cristina Lumikoski rogênea das atividades informais (KREIN; PRONI, 2010). Frente
Bárbara Sabadin Bueno à pluralidade deste fenômeno, o debate deixa de girar em torno
Carolina Thaines M. de Souza1 da condenação ou aprovação da informalidade, passando, então,
a priorizar a relação entre a economia informal e o trabalho de-
cente (KREIN; PRONI, 2010)– conceito criado pela Organização
Internacional do Trabalho, em 2002 (OIT, 2002).
O trabalho decente é definido como aquele que seja pro-
dutivo e de qualidade, garantindo ao trabalhador condições de
liberdade, equidade, segurança e dignidade (OIT, 2006). Desta
forma, o trabalho decente, que promova a dignidade humana
dos trabalhadores, deve ser assegurado, a despeito da existência
da economia informal. Logo, o presente artigo não se incumbirá
de condenar ou aprovar a informalidade, mas sim de traçar rela-
ções entre este fenômeno e a garantia de condições de trabalho

1
As autoras do artigo agradecem a colaboração de Roberto Goulart Menezes, Doutor
em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e professor de Relações Interna-
cionais na Universidade de Brasília. Seus comentários e sugestões foram imprescin-
díveis para a confecção deste trabalho.
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decente. Além disso, o enfoque do presente estudo recai sob o 2.1.Do setor informal à economia informal, uma mudança no conceito
trabalhador, incluindo sua dignidade e suas condições de traba- A informalidade pode ser encontrada nas ruas indianas, local de
lho, sem focar nas atividades econômicas informais per se. Com trabalho de um ambulante que vende sapatos; em um mercado
efeito, para que a discussão em torno da informalidade se concre- na Arábia Saudita, onde um pai conta com a ajuda de seus filhos
tize, será preciso analisar a economia informal em sua totalida- nas tarefas; em um lar brasileiro, que depende dos serviços de
de, levando em considerações as suas definições, causas, efeitos, uma diarista. Definir tal fenômeno significa encontrar, em uma
contextos, assim como o próprio processo de transição da infor- imensa pluralidade de manifestações laborais, o seguinte fator
malidade à formalidade. comum: a falta de reconhecimento ou proteção frente aos enqua-
Nesse sentido, o artigo estrutura-se em cinco partes princi- dramentos trabalhistas legais e regulatórios (OIT, 2002). Em ou-
pais. Em um primeiro momento, será discutida a conceitualiza- tras palavras, o trabalhador informal é reconhecido por não con-
ção da economia informal, diferenciando-a do “setor informal”. tar com uma legislação trabalhista2 que garanta o cumprimento
Ainda, será delimitado o lugar e a importância da informalidade de seus direitos mais fundamentais3. Para se chegar a esta defini-
na cronologia da economia internacional, por meio de uma breve ção, contudo, é necessário compreender o processo histórico do
contextualização histórica, que toma como ponto de referência conceito, partindo do chamado “setor informal”.
o processo de globalização. Posteriormente, os posicionamentos A expressão “setor informal” foi adotada e popularizada na
324 de diversas organizações internacionais em relação à economia década de 70, pela OIT4, em estudos sobre a situação econômica 325
informal serão abordados, sendo que o enfoque maior recairá so- do Quênia (OIT, 1972). Na época, definir o setor informal signifi-
bre a atuação da Organização Internacional do Trabalho na pro- cou confrontá-lo com a formalidade, a partir de sete fatores:
blemática da informalidade e do trabalho decente.
Na terceira parte, analisam-se diversas causas e efeitos da (1) pequena escala produtiva; (2) propriedade familiar; (3) depen-
economia informal, relacionando-os com o intervencionismo dência de recursos locais; (4) atividade intensiva do trabalho com
estatal e a garantia do trabalho decente. Em seguida, haverá dois tecnologia adaptada às condições locais; (5) habilidades adquiri-
estudos de casos que irão prover um panorama geral da econo- das fora do sistema escolar formal; (6) facilidade de ingresso à ati-
mia informal na Índia e na Espanha, países que apresentam altos vidade e (7) operação em mercados não regulados e competitivos
índices de informalidade por causas distintas. E em um último (SWAMINATHAN, 1991, p.9, tradução nossa).
momento, será analisado, ainda, o processo de transição da in-
formalidade para a formalidade, ressaltando as suas dificuldades, Estes itens indicavam como as atividades informais eram reali-
a fim de que se possa pensar em soluções eficientes para a pro- zadas, ou seja, como a produção era organizada dentro do setor
moção do trabalho decente e para a própria questão da econo- informal (BARBOSA, 2009). Essa definição baseava-se nas previ-
mia informal. Feitas tais análises, espera-se definir qual o tipo de
correlação que pode ser estabelecida entre a economia informal
e o trabalho decente, e quais as maneiras mais eficientes de pro- 2
Estipula as normas que regulam as relações individuais e coletivas de trabalho. Em
mover condições dignas para os trabalhadores de todo o mundo. outras palavras, a legislação trabalhista consiste num conjunto sistemático de regras
sobre condições gerais de trabalho (PORTELA, 2009).
3
Esses direitos variam de acordo com a legislação trabalhista de cada país. Contudo,
2. ECONOMIA INFORMAL: ASPECTOS HISTÓRICOS E CONCEITUAIS de acordo com a recomendação da OIT, os direitos do trabalhador devem ser base-
ados em quatro Princípios Fundamentais: a liberdade sindical e o reconhecimento
A informalidade e as nuances de sua definição devem ser enten- efetivo do direito de negociação coletiva; a eliminação de todas as formas de trabalho
didas nos tempos de globalização, a partir da dinâmica da econo- forçado ou obrigatório; a abolição efetiva do trabalho infantil; e a eliminação da dis-
criminação em matéria de emprego e ocupação (OIT, 2007a).
mia global. É nesse contexto que as relações de trabalho – dentro 4
OIT, a Organização Internacional do Trabalho (em inglês ILO – InternationalLabou-
e fora da formalidade – mudam, e os desafios da globalização exi- rOrganization), é a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) que tem por
gem da Organização Internacional do Trabalho uma resposta que missão promover oportunidades para que homens e mulheres possam ter acesso a
garanta, acima de tudo, condições decentes de trabalho. um trabalho decente e produtivo, em condições de liberdade, equidade, segurança
e dignidade (OIT, [s.d.]). Para mais informações, consulte o website do Escritório da
OIT no Brasil: <www.oit.org.br>.
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sões otimistas da OIT, que acreditava que intervenções estatais como, por exemplo, os requisitos de registro, ela não só pode ter
nessas atividades – como treinamento de trabalhadores e faci- como resultado produtos e serviços legais, como, de fato, o tem
lidade de acesso a crédito – conteriam a expansão do “setor in- na maioria dos casos, de acordo com a OIT (2002).
formal” (SWAMINATHAN, 1991). Entretanto, ao tornar-se uma Há a preocupação em delimitar o que se entende aqui por
manifestação cada vez mais heterogênea e complexa5, a informa- economia informal, visto que até mesmo o número de traba-
lidade contrariou essas previsões otimistas da OIT, e careceu, as- lhadores abarcados pela informalidade muda conforme as nu-
sim, de recomendações mais complexas aliadas a uma expansão ances de sua definição. Fica evidente, portanto, que o conceito
conceitual. Afinal, o termo “setor”, conforme os setes itens acima, tornou-se mais plural conforme a informalidade em si ganhou
não especificava quais atividades deveriam ou não ser engloba- complexidade. Para entender essa transformação, contudo, é
das ao conceito (KREIN; PRONI, 2010). Na 90ª Conferência Inter- necessário analisar a economia informal a partir do processo de
nacional do Trabalho em 2002, a OIT finalmente reconheceu os globalização (OIT, 2008).
entraves da expressão “setor”, passando a recomendar o uso do
termo “economia informal” (OIT, 2002). 2.2. A economia informal em tempos de globalização
De fato, a denominação “setor” indicaria apenas atividades A economia internacional teve sua dinâmica intensificada pelo
econômicas ou grupos industriais muito específicos, caracteri- processo de globalização, o que influenciou também as relações
326 zados pelos sete itens apontados pela OIT em 1972. Conceituar o de trabalho. Essa mudança teve impactos negativos e positivos na 327
“setor informal” como um domínio específico colocava a informa- economia informal e na promoção do trabalho decente8 (CAC-
lidade à parte, como se separada dos setores primário, secundário CIAMALI, 2000), efeitos estes que serão analisados nesta subseção.
e terciário da economia6. Em contraposição, o conceito de “econo- A OIT entende a globalização como:
mia informal” englobava o diverso e crescente grupo de trabalha-
dores informais atuantes em diferentes áreas econômicas, urbanas [a] difusão de novas tecnologias, a circulação das ideias, o intercâm-
ou rurais; e no primeiro, segundo ou terceiro setores da economia bio de bens e serviços, o crescimento da movimentação de capital
(OIT, 2002). Essa nova definição excluiu o dualismo típico, setor e fluxos financeiros, a internacionalização do mundo dos negócios
formal/setor informal, para constituir uma nova dicotomia: a dos e seus processos, do diálogo bem como da circulação de pessoas,
protegidos ou não pela lei trabalhista (BARBOSA, 2009). especialmente trabalhadoras e trabalhadores (OIT, 2008, p.1).
A supracitada resolução da 90ª Conferência Internacional do
Trabalho de 2002 considera então que economia informal Partindo dessa definição, é possível compreender que, no con-
texto de aumento da interdependência da produção e da força
[r]efere-se a todas as atividades econômicas de trabalhadores e de trabalho em escala global, as relações de trabalho sofreram
unidades econômicas que não são abrangidas, em virtude da legis-
lação ou da prática, por disposições formais. Estas atividades não
entram no âmbito de aplicação da legislação, o que significa que 5
Esse aumento da complexidade teve grandes relações com a globalização (OIT,
estes trabalhadores e unidades operam à margem da lei; ou então 2008), como será visto na próxima subseção.
não são abrangidos na prática, o que significa que a legislação não 6
O setor primário reúne as atividades agropecuárias e extrativas (vegetais e minerais).
O setor secundário engloba a produção de bens físicos por meio da transformação de
lhes é aplicada, embora operem no âmbito da lei; ou, ainda, a legis-
matérias-primas, realizada pelo trabalho humano com o auxílio de máquinas e ferra-
lação não é respeitada por ser inadequada, gravosa ou por impor mentas: inclui toda a produção fabril, construção civil e a geração de energia. O setor
encargos excessivos (OIT, 2006, p.9). terciário abrange os serviços em geral: comércio, armazenagem, transportes, sistema
bancário, saúde, educação, telecomunicações, fornecimento de energia elétrica, ser-
viços de água e esgoto e administração pública (SANDRONI, 2004).
Além disso, a presente análise está restrita às atividades legais, ou 7
A economia informal que resulta em produtos ou serviços ilegais pode ser chamada
seja, à economia informal que tem como resultado produtos e de economia ilícita (ENSTE; SCHNEIDER, 2004).
serviços legais, não abarcando atividades ilegais7 como o tráfico 8
“Trabalho decente” é a expressão usada pelo Escritório da OIT (OIT, 2006) no Brasil,
de drogas, por exemplo. Nesse sentido, ainda que a economia in- como tradução da expressão decentwork, enquanto em Portugal se usa “trabalho dig-
formal não esteja em conformidade com os procedimentos legais no” (OIT, 2007b). Ambas as expressões são usadas aqui como equivalentes. A questão
do trabalho decente será abordada com maior profundidade na próxima subseção.
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mudanças (COSTA, 2005). Essas mudanças ocorreram de forma mesma maneira que a formalidade não necessariamente vai ga-
flagrante quando as empresas buscaram reduzir ao máximo os rantir aos trabalhadores uma condição digna de trabalho, a in-
custos de produção (CASTELLS; PORTES, 1989), por meio de me- formalidade não apresentará sempre condições diferentes da do
didas como a redução do quadro funcional, o uso de mão de obra trabalho decente.
temporária ou de meio-expediente, a compra de produtos oriun-
dos da economia informal ou até mesmo a coerção de seus traba- 2.3. A correlação entre trabalho informal e trabalho decente
lhadores a condições mais rígidas de trabalho (CASTELLS, 1999). Nem a economia informal nem a formal garantem um trabalho
Dessa forma, quando as empresas buscam se adequar à nova decente per se, por isso, a busca pela sua garantia deve estar aci-
circulação a nível global de tecnologias, ideias, bens e trabalha- ma dessas definições. Garantir o trabalho decente é o objetivo
dores, o relacionamento entre empregado e empregador também máximo da Organização Internacional do Trabalho, definido
tende a se elevar a um patamar supranacional (CASTELLS, 1999). por esta como aquele trabalho que seja produtivo e de qualidade,
Essa tarefa de ditar as regras, tradicionalmente do Estado, passa garantindo ao trabalhador condições de liberdade, equidade, se-
a ser flexibilizada e negociada entre empresas e trabalhadores, gurança e dignidade (OIT, 2006). A garantia do trabalho decente,
muitas vezes sem a interferência estatal, o que aumenta ainda como objetivo da OIT, é considerada uma resposta eficiente aos
mais o poder do setor privado nessa negociação(COSTA, 2005). desafios da globalização (OIT, 2008).
328 Quando as empresas possuem maior influência e liberdade para Nas condições de trabalho decente, garantir a liberdade signi- 329
cortar os benefícios do trabalhador, suas decisões podem incidir fica dar ao trabalhador a oportunidade de exprimir suas preocupa-
não apenas no fomento da informalidade, como também na não ções, formular as decisões que irão influenciar as suas vidas e de-
promoção do trabalho decente (CASTELLS; PORTES, 1989). liberar essas mesmas decisões. A equidade garante a igualdade de
Contudo, afirmar que a diminuição da rigidez das relações de oportunidades e de tratamento para todos, independentemente
trabalho pode ter um impacto de aumento da informalidade não de particularidades, como a questão de gênero. Nesse sentido, tan-
significa que se trata necessariamente de um aspecto negativo da to mulheres como homens devem dispor de oportunidades igua-
globalização. Quando novas formas de contratação surgem, pela litárias, por exemplo. A garantia de segurança envolve não apenas
flexibilização das relações entre empregado e empregador, sur- a segurança no local de trabalho, mas também a proteção social
gem também novas estratégias de sobrevivência com aspectos para os trabalhadores e as suas famílias (SÜSSEKIND, 1998). Por
positivos às condições de trabalho (KREIN; PRONI, 2010). fim, a dignidade se dá com oportunidades para realizar um traba-
De acordo com a OIT, o dinamismo da economia internacio- lho produtivo com uma remuneração justa e com boas perspecti-
nal aumenta a capacidade produtiva e pode resultar em progres- vas de desenvolvimento pessoal e de integração social (OIT, 2007b).
sos sem precedentes, gerando trabalhos mais produtivos nas ati- É importante ressaltar ainda que o conceito de trabalho de-
vidades formal e informal (OIT, 2005), por meio da busca intensa cente da OIT não deve ser comparado a “trabalho reconhecido,
pela otimização dos meios de produção. Um trabalho, mesmo protegido, seguro, formal” (OIT, 2002, p.5, tradução nossa, grifo
que informal, aumenta também a rede de informações e contatos nosso). As qualidades de informal e de decente não são excluden-
do trabalhador, o que pode trazer melhores oportunidades; per- tes, ainda que seja indispensável eliminar da informalidade seus
mite o fornecimento de bens de maneira mais rápida e barata aos aspectos que atentem contra as condições decentes de trabalho
que mais necessitam; atua como uma “escola de empreendedo- (OIT, 2006). Tirar um trabalhador de um emprego informal, con-
rismo” para aqueles que têm a oportunidade de gerir um negócio; tudo, pode significar não apenas privá-lo de sua única fonte de
e ainda reduz a possibilidade de indivíduos em extrema pobreza sobrevivência, como, em alguns casos, afastá-lo de um trabalho
recorrem à criminalidade (EVANS; SYRRET; WILLIAMS, 2006). que é sim produtivo e de qualidade. Nesse sentido, o objetivo a
Nesse sentido, é perceptível que o trabalho decente pode ser pro- ser seguido progressivamente é a garantia do trabalho decente
movido satisfatoriamente também pelas atividades informais. (OIT, 2002) e não necessariamente a busca pela formalidade.
Dessa forma, apontar os impactos negativos e positivos dos A garantia de recursos, informação, mercados, tecnologia,
tempos de globalização nas relações de trabalho não significa infraestrutura pública e serviços sociais são aspectos essenciais
condenar nem estimular a economia informal (OIT, 2005). Da para prover ao trabalhador condições dignas de trabalho (OIT,
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2002). Essas condições podem ou não estar presentes nos tra- descaracterização da economia informal como um fenômeno
balhos formais e informais e, por isso, o essencial é assegurar as sempre negativo. A principal constatação é o fato de que a eco-
condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade acima nomia informal absorve trabalhadores que de outra maneira não
de qualquer circunstância. encontrariam um trabalho, principalmente em países em que há
uma rápida expansão da mão de obra, mas não o crescimento
3. AS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS E A ECONOMIA INFORMAL acelerado dos empregos (OIT, 2002). Assim, de acordo com a OIT,
A questão da informalidade deve ser tratada como um fenômeno
internacional, na medida em que atinge praticamente todos os Nomeadamente em situações de forte desemprego, de sub-em-
países, além do fato de que suas causas são, muitas vezes, resul- prego e de pobreza, a economia informal é uma fonte potencial de
tados de situações internacionais, como crises econômicas. Des- criação de empregos e de rendimentos, pelo facto de ter um acesso
sa maneira, diversas organizações internacionais tem procurado relativamente fácil, mesmo sem muita instrução ou qualificações,
compreender o fenômeno e buscado soluções eficientes para a nem grandes meios técnicos ou financeiros (OIT, 2006, p. 8).
garantia do trabalho decente.
Nesse sentido, a resolução de 2002 tem como preocupação prin-
3.1. Organização Internacional do Trabalho cipal a garantia da dignidade dos trabalhadores informais. Para
330 A OIT tem se preocupado, desde seus primórdios, com a garantia que isso ocorra, esta resolução apresenta diversas medidas que 331
de um trabalho que não viole os direitos fundamentais dos indi- devem ser implementadas no intuito de garantir os direitos des-
víduos. Nesse sentido, em sua Constituição de 1919 já estavam ses trabalhadores (OIT, 2002).
contidas importantes colocações acerca do assunto, como o prin- Uma dessas medidas é a modificação dos quadros legais dos
cípio de que o trabalho não deve ser comparado a uma mercado- países, já que significativa parte deles não possui qualquer legis-
ria (OIT, 2002). Assim, desde sua fundação, a preocupação com a lação referente ao trabalho informal e, naqueles que a possuem,
garantia dos direitos dos trabalhadores informais acompanha a esta se apresenta insuficiente – caso de países como o México,
Organização, sendo um exemplo desse fato a utilização de termos que classifica trabalhadores autônomos como informais (POR-
como “trabalhadores” ao invés de “empregados”9(OIT, 2002). TES; CASTELLS; BENTON, 1989). Portanto, uma das primeiras
O assunto passa a ser mais bem delineado em 1972, quan- medidas deve ser o estabelecimento de um quadro jurídico que
do é realizada uma conferência sobre o setor informal do Quênia trate, de maneira eficiente, das questões ligadas à informalidade.
(CARNEIRO, 1994). Cabe ressaltar outra vez que, apesar da deno-
minação setor informal passar a figurar nos documentos apenas
após 1972, preocupações tangentes à informalidade já eram con- 9
A diferenciação entre trabalhadores e empregados é importante porque o último
sideradas, estando presentes inclusive nas Oito Principais Con- envolve uma relação empregador e empregado, portanto, caracteriza somente traba-
lhos que possuíam vínculos empregatícios, os quais por vezes são característicos da
venções10, como, por exemplo, na Conferência sobre Trabalho economia informal (OIT, 2002).
Forçado de 1930 (OIT, 2002). 10
A OIT possui oito Conferências que devem ser assinadas a partir do momento em
Posteriormente, foram feitas diversas Convenções e Decla- que um país se torna membro da Organização, sendo elas: Convenção nº 29 sobre o
rações específicas acerca do assunto11. Duas das principais são a Trabalho Forçado (1930); Convenção nº 87 sobre a Liberdade Sindical e a Proteção do
Resolução da 15ª Conferência Internacional das Estatísticas do Direito Sindical (1948), Convenção nº 98 do Direito de Sindicalização e Negociação
Coletiva (1948); Convenção nº 100 Sobre a Igualdade de Remuneração para a mão-
Trabalho, de 1993 (OIT, 1993) e a Resolução da 90ª Conferência In- -de-obra masculina e mão de obra feminina por um Trabalho de Igual valor (1951);
ternacional do Trabalho, de 2002 (OIT, 2002). Além dessas, há a De- Convenção nº 105 relativa à Abolição do Trabalho Forçado (1957); Convenção nº 111
claração da OIT sobre a Justiça social para uma Globalização Eqüi- Concernente a Discriminação em matéria de Emprego e Profissão (1958); Convenção
nº 138 Sobre a Idade Mínima de Admissão a Emprego (1973); Convenção nº 182 Sobre
tativa, feita em 2008 (OIT, 2008) e a Declaração sobre os princípios
Proibição das Piores Formas de Trabalho Infantil e a Ação Imediata para sua Elimi-
e direitos fundamentais no trabalho, de 1998 (SÜSSEKIND, 1998). nação (1999). (OIT, 2002).
Dentre todas as Resoluções e Declarações feitas pela OIT so- 11
As principais Conferencias e Declarações da OIT acerca do assunto podem ser en-
bre o assunto, a mais elucidativa foi a de 2002. Afinal, a resolução contradas no seguinte endereço eletrônico: <http://www.oit.org.br/search/apache-
traz diversas assertivas que procuram fazer com que haja uma solr_search/conven%C3%A7%C3%B5es%20trabalho%20decente?filters=type%3Aco
nvention> Acesso em: 10 out. 2012.
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Outro ponto que requer atenção é a situação econômica, social e Nações Unidas (CDH) é uma das agências da Organização das Na-
política do país, já que a economia informal advém, muitas vezes, ções Unidas (ONU) que mais tem debatido o assunto (CDH, 2010).
de questões concernentes a esses dois últimos aspectos do que Dentre as diversas implicações relacionadas aos direitos hu-
propriamente de problemas econômicos (OIT, 2006). manos que o trabalho informal pode gerar, o CDH tem se focado
Por fim, outro fator importante para a caracterização do em duas questões: o alto envolvimento de minorias em empregos
trabalho informal como um trabalho decente é a garantia de res- informais (CDH, 2010) e a maneira como as crianças são afeta-
ponsividade12 e representação que deve ser concedida aos traba- das por tais atividades (CDH, 2012). Assim, o CDH vem buscando
lhadores informais, por meio da liberdade sindical e do reconhe- acabar com a discriminação contra minorias, assim como com-
cimento efetivo do direito de negociação coletiva (OIT, 2002). A bater o trabalho infantil (CDH, 2010).
garantia do trabalho decente deve passar pelo estabelecimento Além das agências da ONU e de outras organizações inter-
da liberdade de expressão e reivindicação, já que apenas quando nacionais (OIs), há também de se considerar o importante papel
os trabalhadores podem exprimir suas necessidades abertamen- que a sociedade civil tem tido em relação à questão. O Estado atu-
te é que existe a possibilidade de uma completa garantia de suas al tem deixado um espaço maior para a atuação da sociedade civil
reivindicações e de seus direitos (OIT, 2002). em questões que antigamente caberiam apenas a ele – dessa for-
A fim de que tais recomendações feitas pelas convenções se- ma, essas ações acabam sendo realizadas por organizações não
332 jam implantadas nos países é preciso que haja uma negociação, governamentais (ONGs) e empresas. Sendo assim, ONGs passam 333
em nível nacional, entre todas as partes envolvidas, procurando a estabelecer programas de apoio aos trabalhadores da economia
evitar qualquer tipo de imposição. Dessa forma, a OIT se funda- informal e a fiscalizar grandes empresas. Algumas empresas, por
menta em um sistema tripartite, ou seja, baseando-se na atuação sua vez, passaram a ter consciência de sua própria influência na
conjunta de governos, sindicatos e empresas. Para a Organiza- geração de empregos informais, principalmente devido ao fenô-
ção, a presença desses três setores é crucial, uma vez que cada meno da economia de cascata15 (VIEIRA, 2006), e tem procurado
uma das partes representa um diferente grupo de interesses (OIT, facilitar o fluxo de informações confiáveis acerca de questões de
2006). Nesse sentido, a OIT tem se empenhado em desenvolver mercado e desenvolverem um lobby para as necessidades das
programas nacionais que visem à promoção do trabalho decen- empresas informais (OIT, 2002).
te13, priorizando a criação de políticas públicas que assegurem A partir disso, é possível perceber que a discussão sobre a
uma maior proteção social para os trabalhadores e a garantia de informalidade é densa nos organismos internacionais. Tais orga-
seus direitos de acordo com o contexto político, econômico, cul- nismos tomam por base as causas e efeitos da informalidade para
tural e social de cada país (OIT, 2011).
Assim, a OIT tem problematizado a questão da informalidade
nas últimas décadas de maneira a trazer a atenção dos governos e 12
Responsividade pode ser definida como a atitude de garantir uma resposta àqueles
trabalhadores (por meio da representação sindical) para o assun- interessados (OIT, 2002).

to, a fim de que se possa garantir a tais trabalhadores a dignidade 13


Do inglês, Decent Work Country Programmes (DWCP). Programa criado pela Or-
ganização Internacional do Trabalho em 2004 para ser um instrumento de promoção
necessária. Tal preocupação da OIT fez com que a questão reper- de diálogo e cooperação entre instituições nacionais e internacionais no intuito de
cutisse, passando a ser tratada em âmbitos internacionais diversos. elaborar, executar e monitorar as medidas tomadas em prol da garantia do trabalho
decente como chave da estratégia de desenvolvimento. Mais de 85 países já desenvol-
3.2. Outras organizações veram os seus programas, os quais podem ter duração entre quatro a seis anos, sendo
que a maioria deles já se encontra na segunda geração (OIT, 2011).
As consequências da economia informal, por vezes, atingem tam- 14
O Banco Mundial (BM) realiza pesquisas acerca de fatores que influenciam a econo-
bém questões relacionadas ao indivíduo, ao meio ambiente e ao mia informal, como a burocracia e a corrupção. A organização realiza diversas pesqui-
desenvolvimento econômico, devido à sua complexidade. Nesse sas em países específicos, tendo feito um guia detalhado sobre os efeitos da corrupção
sentido, o assunto passou a ser tratado em diversas outras orga- e as possibilidades de mudanças institucionais em 1999 (BANCO MUNDIAL, 1999).
nizações internacionais, como o Banco Mundial, o qual tem reali- 15
A economia de cascata, pensada em relação à economia informal, se dá da seguinte
maneira: uma empresa multinacional, por exemplo, não emprega qualquer trabalha-
zado estudos para medir o impacto da economia informal em di-
dor informal. Tal empresa, contudo, compra de uma empresa menor e esta se utiliza
versos países14. Além disso, o Conselho de Direitos Humanos das da economia informal. Assim, a grande empresa está incentivando a economia infor-
mal indiretamente (VIEIRA, 2006).
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traçar possíveis metas de resolução dos problemas relacionados cinco principais causas do avanço da economia informal para
à informalidade. Nesse sentido, nota-se a relevância da análise que, ao final, seja possível elucidar a influência das intervenções
das principais causas e efeitos que incidem no alargamento da estatais neste crescimento e na promoção do trabalho decente.
economia informal ao redor do mundo. A carga tributária é considerada por muitos economistas
como sendo a principal razão do deslocamento dos trabalha-
4. CAUSAS E EFEITOS DA INFORMALIDADE dores para a informalidade (SOTO, 1989; ENSTE; SCHNEIDER,
Para que se possa compreender o fenômeno da informalidade 2004; TANZI, 2002). Essa relação parte do pressuposto de que
é preciso recorrer a uma análise de suas causas e de seus efeitos. quanto maior for a carga tributária que o trabalhador deve pa-
Nesse sentido, esta seção se encarrega de avaliar as principais cau- gar na economia formal, maior será o incentivo para que este ci-
sas da informalidade e os seus respectivos efeitos, elegendo aque- dadão migre para a informalidade, fugindo, assim, dos tributos.
les que podem ser percebidos nos variados contextos político, eco- Com efeito, “quanto maior a diferença entre a remuneração bruta
nômico e social ao redor do mundo. Ao final, espera-se construir dos trabalhadores na economia oficial e o obtido depois de retira-
um panorama geral da informalidade capaz de interligar a ques- do os tributos, ou seja, o rendimento líquido, maior será o incen-
tão da economia informal com a promoção do trabalho decente. tivo para evitar essa diferença” (RIBEIRO, 2000, p. 8).
Estimativas afirmam que um aumento de 10% na carga tribu-
334 4.1. Sobre as causas tária leva a um crescimento maior que 3% na economia informal 335
Apontar as causas que levam ao avanço da economia informal em (ENSTE; SCHNEIDER, 2004). Essa correlação pode ser notada em
determinado país ou contexto envolve não só a análise de aspec- países como a Noruega, que possui uma alta carga tributária – su-
tos econômicos, como também de fatores sociais e políticos. Nesse perior a 40% do PIB19 do país – e, consequentemente, um consi-
sentido, a constante verificação de algumas variáveis (SOTO, 1989; derável índice de informalidade – 19,1% do PIB – sendo maior do
ENSTE; SCHNEIDER, 2004; TANZI, 2002; RIBEIRO, 2000) tornou que a taxa de países subdesenvolvidos como o Vietnã – 15,6% do
possível eleger cinco principais causas como sendo aquelas que PIB – entre o período de 2003 a 2006 (SCHNEIDER, 2006).
mais influenciam no alargamento do nicho informal. A primeira, Em relação aos sistemas de transferências sociais20, estes
considerada a de maior importância, é o crescimento da carga implicam a existência de um forte incentivo à migração para a
tributária, sendo que esta se conecta diretamente com a segunda: economia informal quando, mesmo atuando na informalidade, o
a problemática das transferências sociais. Em seguida, lista-se a trabalhador continua a receber os benefícios sociais sem ter que
rigidez trabalhista, a taxmorale16 e a questão da empregabilidade. contribuir por meio de tributos (RIBEIRO, 2000). Nesse sentido,
Por mais que esses fatores não sejam necessariamente con-
comitantes, se aproximam por estarem ligados ao intervencio-
nismo estatal17 (ENSTE; SCHNEIDER, 2004). De fato, a regulação 16
Uma possível tradução usada para taxmorale é moral tributária (TIPKE, 2002).
do Estado na economia e na esfera social, “é necessária e é um 17
O intervencionismo estatal refere-se à interferência do Estado na atividade eco-
importante pilar da social economia de mercado” (ENSTE; SCH- nômica do país por meio da regulação e da formulação de regras para o mercado,
visando a promover eficiência e equidade (MANKIW, 2001).
NEIDER, 2004, p. 102, tradução nossa). Nesse sentido, o interven- 18
Estas falhas ocorrem quando os mecanismos de mercado sem regulação estatal são
cionismo estatal tem o intuito de promover uma redistribuição deixados livremente ao seu próprio funcionamento, originando resultados econômi-
mais igualitária entre as partes e corrigir as falhas de mercado18. cos ineficientes ou indesejáveis do ponto de vista social (MANKIW, 2001).
Portanto, a criação de taxas, transferências sociais e regulamen- 19
O Produto Interno Bruto (PIB) é o valor de mercado de todos os bens e serviços finais
tações trabalhistas são exemplos de ações que visam a promover produzidos em um país em dado período. O PIB soma vários tipos diferentes de bens
a equalização social e a distribuição justa. em uma única medida do valor da atividade econômica e inclui todos os itens produzi-
dos na economia e vendidos legalmente nos mercados. Nesse sentido, os valores gera-
No entanto, a existência e o crescimento da economia infor- dos pelas atividades informais equivalem a uma porcentagem do PIB (MANKIW, 2001).
mal demonstram que certas intervenções são falhas, tanto nas 20
O Sistema de transferências sociais é um instrumento do Estado para prover pro-
suas constituições – já que muitas vezes são implementadas con- teção social à população por meio da assistência social prestada pelas instituições
tra a vontade da maioria da população – como nas suas regulações, públicas,pelas quais o governo beneficia gratuitamente a população com dinheiro,
devido às falácias institucionais. Nesse contexto, cabe analisar as comida, bens e serviços. A Bolsa Família no Brasil é um programa de transferência
social (COHN, 2004).
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esta causa exemplifica o problema dos caronas, abordado pela trabalhador informal suborne o fiscal tributário por uma quantia
teoria microeconômica, em que uma pessoa beneficia-se de um menor que a correspondente aos tributos na economia formal,
bem, sem ter que pagar por ele (MANKIW, 2001). contribuindo assim, para a manutenção da atividade informal
A questão da rigidez trabalhista reflete-se na intensidade da (DREHER; SCHNEIDER, 2006).
regulação na economia formal. De fato, se percebe que há um Por fim, a última das causas listadas é a empregabilidade. Este
grande número de regulamentações legais no mercado de traba- conceito é aqui definido como a capacidade dos trabalhadores de
lho, como por exemplo, as condições de trabalho recomendadas se manterem empregados ou de encontrarem novos empregos
pela OIT (OIT, 2007a). Por mais que essas regulamentações sejam quando demitidos (FREY; WECK, 1983). Com efeito, uma baixa na
essenciais para a promoção do trabalho decente, algumas podem taxa de participação dos trabalhadores na economia formal indica
ser consideradas, por vezes, como barreiras burocráticas ao in- que estes têm a possibilidade de ingressar na economia informal.
gresso do indivíduo no mercado de trabalho. Enste e Schneider Nesse caso, a economia informal surge como uma alternativa ao de-
(2004) afirmam que o objetivo do aumento dessas regulamen- semprego (FREY; WECK, 1983). No contexto da crise americana de
tações é atender somente aos que já estão inseridos no merca- 200822 e da atual crise da Zona do Euro23, é possível perceber como o
do de trabalho, e não aqueles que buscam o ingresso. As várias desemprego, juntamente com o aumento das cargas tributárias, foi
barreiras que impedem estrangeiros de atuarem no mercado de responsável por elevar os índices da economia informal, até mes-
336 trabalho formal de alguns países, por exemplo, levam muitos a mo em países da União Europeia como Grécia, Itália e Espanha. 337
optarem pela informalidade (ENSTE; SCHNEIDER, 2004). A economia informal atingiu na Grécia valores equivalen-
Ainda nesse contexto, a inflexibilidade das horas de trabalho tes a 25,2% do PIB do país em 2010 e 22,2% do PIB italiano neste
pode ser vista como entrave ao exercício pleno das atividades de mesmo ano (SCHNEIDER, 2011). Este desemprego conjuntural24
trabalho dos indivíduos em alguns casos. A carga horária, por ve- afetou principalmente os jovens e as mulheres – grupos mais
zes, não representa as necessidades dos trabalhadores, os quais passíveis de ingresso na economia informal (LEONE, 2010). Em
acabam por preencher o seu tempo livre com atividades infor- um estudo feito sobre o perfil dos trabalhadores informais, Leo-
mais (ENSTE; SCHNEIDER, 2004). Estima-se que o aumento de ne (2010) argumenta que, historicamente, as mulheres são mais
uma unidade no índice de regulação21 está diretamente relacio- suscetíveis a adentrar na economia informal, assim como os jo-
nado com um acréscimo de 10% na economia informal de 67 paí- vens – aqueles compreendidos entre 18 e 25 anos (LEONE, 2010).
ses desenvolvidos e em desenvolvimento (SOTO, 1989). Nesse sentido, a divisão sexual do trabalho, a falta de experiência
A taxmorale é, também, uma das causas que levam os tra- e até mesmo aspectos conjunturais25 fazem com que mulheres e
balhadores a ingressar no mercado de trabalho informal, e diz jovens adentrem a economia informal (LEONE, 2010).
respeito à atitude pública em relação ao Estado: “se os cidadãos
percebem que seus interesses são devidamente representados e
supridos com serviços e bens públicos, eles não desejarão traba- 21
Este índice de regulação possui uma escala de 1 a 5 e é responsável por ponderar so-
lhar informalmente” (ENSTE; SCHNEIDER, 2004, p. 151, tradução bre a regularidade dos preços e das produções e as suas relações com o Estado, as em-
presas, os trabalhadores, os credores, os fornecedores e os consumidores (SOTO, 1989).
nossa). Caso a situação contrária seja observada, ou seja, se Estado 22
A crise financeira americana de 2008 provocada pela falência em massa de grandes
falha em prover bens e serviços públicos de qualidade, isto incidi- instituições financeiras teve um grande impacto nos índices mundiais de desempre-
rá na queda do incentivo por parte dos trabalhadores de pagar os go e no crescimento da economia informal (MELLO; SPOLADOR, 2007).
tributos, e, portanto, poderá estimular uma migração à informali- 23
Influenciados pela crise americana, países da zona do euro chegaram a déficits as-
dade. Nesse sentido, o não provimento também pode incidir ne- sombrosos causados pelas suas grandes dívidas públicas, incidindo nas taxas de desem-
gativamente na qualidade das instituições públicas, fazendo como prego, principalmente, nos PIGs (Portugal, Itália e Grécia) (MELLO; SPOLADOR, 2007).

que cidadãos creditem pouca confiança nas autoridades e tenham


24
O desemprego conjuntural ou cíclico ocorre por um fator anormal em determina-
do momento, como por exemplo, crises recessivas econômicas ou desastres naturais.
um baixo incentivo para cooperar (TORGLER; SCHNEIDER, 2007). Desta forma, quando cessada a anormalidade, os níveis de emprego voltam a se ele-
Desta forma, a corrupção surge como uma das causas dos var (MANKIW, 2001).
baixos níveis da taxmorale em determinado contexto, visto que 25
De acordo com a revista britânica The Economist o índice do desemprego conjuntu-
as instituições falhas e pouco reguladas abrem brecha para que o ral atingiu em 2011 quase 50% da população jovem em alguns países europeus como
na Espanha e na Grécia (EUROPEAN..., 2012).
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Analisadas todas essas causas, fica claro que o Estado, por produtividade econômica maiores que os anteriormente regis-
meio da tributação, da regulação e do provimento de bens pú- trados (RIBEIRO, 2000). Ainda em relação a esta produtividade,
blicos, tem um papel preponderante na indução ou mitigação da muitos economistas acreditam que a informalidade não causa
informalidade (RIBEIRO, 2000). Quando as intervenções estatais efeitos negativos per se. Enste e Schneider (2004) demonstram,
são abusivas, elas acabam por corroborar o desenvolvimento da por meio de estudos, que mais de 66% da renda gerada na econo-
economia informal. Contudo, quando são comedidas e reguladas mia informal é gasta no setor formal, originando efeitos positivos
tornam-se essenciais na promoção do trabalho decente e no bom para o crescimento da economia geral e para a arrecadação da
funcionamento da economia do país. receita. Afinal, quando estes trabalhadores informais compram
bens e serviços formais, contribuem por meio dos impostos indi-
4.2. Sobre os efeitos retos (ENSTE; SCHNEIDER, 2004).
Após analisar a extensão da economia informal e de suas causas, Em contrapartida, a expansão da economia informal pode ge-
o foco volta-se para as consequências econômicas, políticas e so- rar, ainda, outros efeitos considerados negativos no funcionamen-
ciais de seu desenvolvimento. Entretanto, essa tarefa mostra-se to do mercado. A questão da competição injusta tanto em âmbito
desafiadora justamente por não haver um consenso sobre a ava- nacional como internacional é vista como uma dessas hipóteses.
liação dos efeitos da informalidade. Para alguns ela é vista como Aqueles que vendem produtos e serviços no mercado formal, cum-
338 uma das atividades econômicas mais eficientes (FRIEDMAN et prindo com seu papel tributário e com as regulamentações traba- 339
al., 1989; ENSTE; SCHNEIDER, 2004), enquanto para outros é lhistas competem, diretamente, com os que operam na informali-
considerada uma ameaça à autoridade do Estado (TANZI, 2002). dade e não tem o compromisso fiscal e regulatório. Sendo assim,
Uma das hipóteses que encaram a informalidade de forma os produtos e os serviços dos primeiros acabam sendo mais caros
negativa relaciona-se diretamente com a primeira causa aponta- que aqueles fornecidos pelos últimos, os quais não arcam com tri-
da na subseção anterior. Se menos pessoas passem a pagar im- butos ou regulamentações (TANZI, 2002). Esta situação gera uma
postos, inevitavelmente, a receita tributária irá sofrer redução. competição injusta que favorece os trabalhadores atuantes na eco-
Com uma menor arrecadação, a quantidade e a qualidade dos nomia informal, mas que prejudica os empreendimentos formais.
bens e dos serviços públicos serão afetadas, prejudicando, prin- Entretanto, outros autores, acreditam que o fator competição
cipalmente, aqueles que usufruem desses recursos, ou seja, a pró- é fortemente incrementado com o crescimento da economia in-
pria população (ENSTE; SCHNEIDER, 2004). formal, produzindo benefícios até mesmo no setor formal. Enste
Ademais, a desconsideração das atividades informais na e Schneider (2004) argumentam, que sob a ótica do consumidor26,
contabilização do PIB e nas estatísticas sobre a empregabilidade a competição provoca muito mais efeitos positivos que distorções
acarreta uma subavaliação da situação econômica do país, visto econômicas, visto que a competição injusta só ocorre em casos
que apesar de não serem consideradas, as atividades informais extremos quando os bens e serviços fornecidos pela economia in-
geram renda (FREY; WECK, 1983). O fato de esta fonte de renda formal substituem aqueles produzidos no setor formal, situação
ser ignorada induz os governos a formularem políticas econômi- que raramente ocorre (ENSTE; SCHNEIDER, 2004).
cas e sociais inadequadas justamente por estarem pautadas ape- Ainda é possível relacionar os efeitos do crescimento da eco-
nas no crescimento econômico observável – aquele que é conta- nomia informal com outra causa listada anteriormente. Apesar
bilizado, proveniente do setor formal – excluindo a renda gerada de possibilitar uma flexibilização da atividade econômica, a fuga
na informalidade (RIBEIRO, 2000). Esta situação foi observada das regulamentações trabalhistas pode se refletir em perdas sig-
por Fichtenbaum (1989) nos Estados Unidos entre 1970 e 1989. O nificativas na proteção social dos trabalhadores, como por exem-
economista argumenta que a queda da produtividade econômica, plo, a falta de representação sindical (TANZI, 2002). De fato, esta
naquele período, foi superestimada por não se considerar o cres-
cimento da economia informal no país (FICHTENBAUM, 1989).
Nesse sentido, contraditoriamente, desenvolve-se uma pro- 26
A ótica do consumidor pode ser definida como a maneira como o consumidor per-
posição positiva sobre a informalidade. Se as atividades infor- cebe o mercado, sendo que os consumidores tomam decisões comparando custos e
benefícios, e seu comportamento pode mudar quando os custos ou os benefícios se
mais fossem contabilizadas, seria possível identificar níveis de alteram. Isto é, eles respondem a incentivos (MANKIW, 2001).
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falta de proteção dificulta o acesso destes trabalhadores a con- migratório, a criação de novos empregos formais para todos os ci-
dições de trabalho dignas (OIT, 2002). Sendo assim, nesse caso, dadãos tornou-se praticamente impossível, levando uma massa de
percebe-se uma correlação negativa entre a informalidade e a trabalhadores a ingressar na economia informal. Hoje, a informa-
promoção do trabalho decente. lidade laboral no país alcança níveis generalizados e, segundo o
No entanto, as atividades informais não englobam, necessa- “NationalSampleSurvey” de 2006/2007, feito pelo próprio governo
riamente, condições de trabalho precárias visto que, se assim fos- indiano, a porcentagem de trabalhadores informais chega a 93%
se, muitos trabalhadores não escolheriam trabalhar informalmen- (GURTOO; WILLIAMS, 2009). Tal perpetuação da economia infor-
te. As estatísticas demonstram que a maioria dos trabalhadores mal no país, entretanto, está mais ligada a questões socioculturais
informais não atua na informalidade porque são forçados a isso, que a questões econômicas, sendo as duas principais o papel da
mas sim por encontrar nessas atividades oportunidades de cres- mulher na família e a influência da religião na economia do país.
cimento e flexibilização inexistente no setor formal (ENSTE; SCH- O primeiro desses fatores – a situação da mulher na socieda-
NEIDER, 2004). Maloney (1999), ao pesquisar o comportamento de indiana – pode ser resumido da seguinte maneira: a mulher
dos trabalhadores na América Latina e nos países da Organização raramente está inserida no mercado de trabalho remunerado,
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)27, com- seja rica ou pobre. Às mulheres ricas é concedido o “direito” de
provou que cerca de 70% desses trabalhadores então na informa- ficar em casa – na verdade, a tais mulheres raramente é oferecida
340 lidade por razões de independência ou por rendimentos mais al- a escolha de trabalho (HARRIS-WHITE, 2003). Já as mulheres de 341
tos (MALONEY, 1999). Enfim, percebe-se que o trabalho informal baixa renda acabam por realizar serviços domésticos, em situa-
e o trabalho decente, não são, portanto, variáveis excludentes. ções urbanas, ou por tomar parte nos negócios agrários da família,
Tanto em relação às causas, como aos efeitos, verificou-se ser em contextos rurais (OLSEN; MEHTA, 2006). Assim, as mulheres
possível traçar uma relação entre a informalidade e a promoção compõem grande parte da força trabalhadora indiana, mas gran-
do trabalho decente. Nesse sentido, é essencial frisar que nem de parte delas insere-se na categoria de trabalhadores informais.
sempre essa relação é rigidamente negativa ou positiva. Diversas Já a questão da religião, embora não pareça ter qualquer
hipóteses podem ser levantadas e as explicações tendem para conexão com a economia em um primeiro momento, é de sig-
ambos os lados. Sendo assim, é essencial perceber que o trabalho nificativa importância para analisar a situação no país. O Estado
decente deve ser garantido, independentemente dos efeitos posi- indiano é laico, ou seja, há uma separação legal entre Estado e
tivos ou negativos da informalidade. religião; porém, apesar disso, o hinduísmo, principal crença do
país, continua a influenciar nas questões da vida pública. Dessa
5. ESTUDOS DE CASO maneira, embora tenha havido uma diminuição da importância
da religião, tais mudanças não foram tão fortes no campo econô-
Os dois países escolhidos para os estudos de caso – Índia e Espa- mico, onde ainda as castas religiosas são consideradas relevantes
nha – são exemplos de países com altos índices de informalidade, para seu papel econômico na sociedade, tendo as castas mais ele-
porém com causas para que esta ocorra extremamente diferentes. vadas maiores privilégios econômicos (HARRIS-WHITE, 2003).
Além disso, a escolha de um país em desenvolvimento e outro de- Além dos dois fatores acima apresentados, tem-se a atitude
senvolvido serve para demonstrar que a informalidade não é um do governo como um fator agravante. A superpopulação no país
fenômeno restrito ao primeiro grupo, como antes se acreditava. leva à existência de uma grande força de trabalho, dificultando a
criação de empregos para todo o contingente trabalhador. Assim,
5.1. Índia o governo indiano apresenta uma atitude condescendente em
O aumento da economia informal na Índia ocorreu a partir de relação ao assunto, realizando apenas medidas paliativas para
1991, quando o governo indiano realizou reformas neoliberais,
abrindo as fronteiras do país a diversas empresas multinacionais
(AGARWALA, 2007). O aumento de empregos gerado por tais em- 27
A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é uma or-
presas leva a um deslocamento para as cidades – um êxodo rural ganização internacional e intergovernamental que agrupa os países mais industria-
lizados da economia do mercado como Chile, Estados Unidos, Itália, Grécia, Reino
de grandes proporções. Como consequência do rápido processo Unido, Alemanha e Espanha (OCDE, [s.d.]).
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tratar da informalidade (GURTOO, WILLIAMS, 2009). Um exem- duas crises mais severas depois da Segunda Guerra Mundial – a
plo de tais medidas são os direitos que os trabalhadores informais da década de 70, devido aos choques do petróleo, e a de 2008 –,
têm na Índia: esta categoria, ao se unir, consegue que o governo percebe-se a mudança econômica ocorrida no país após ambos
lhes garanta determinados direitos não relacionados a garantias os fenômenos. Nos anos 70, as consequências da crise nos paí-
trabalhistas, como bolsas de estudos para os filhos e assistência ses desenvolvidos geraram a percepção de que grandes empre-
de saúde (GURTOO, WILLIAMS, 2009). sas não geram necessariamente segurança, já que tais empresas
A mudança do eixo de garantia de direitos – saindo do tra- também sofreram com os impactos da crise. Isso levou a uma
balhista e passando ao social – ocorre devido à necessidade de flexibilização das próprias empresas, diminuindo o número de
adaptação à situação da economia informal no país. Tal mudança contratações formais, por exemplo (VERICK, 2009).
possui características positivas, por conceder alguns direitos que Em ambas as crises, fica evidente que a parcela da popula-
os trabalhadores consideram importantes; mas também possui ção mais afetada nesse tipo de situação é a jovem (de 18-25). Isso
efeitos negativos, já que a falta de acesso aos direitos trabalhistas ocorre, segundo a OIT, porque os jovens são os que têm menos
apresenta, sim, impactos negativos aos trabalhadores informais, experiência, menos habilidades e menos recursos financeiros
como a não garantia de férias e de um salário mínimo (GURTOO, para procurarem emprego. Assim, nas duas crises, a porcenta-
WILLIAMS, 2009). gem de jovens desempregados na Espanha chegou a atingir 50%.
342 As particularidades da economia indiana com relação ao pa- Esta correlação ocorre porque as dificuldades ingresso na econo- 343
pel da mulher e as medidas tomadas pelo Estado também podem mia formal aumentam, intensificada no caso dos jovens, impul-
ser percebidas em diversos outros países em desenvolvimento sionando a entrada destes na economia informal (VERICK, 2009).
(SETHURAMAN, 1998). A situação no país demonstra como a A necessidade de procurar uma fonte de renda na economia
economia informal é dependente de fatores nacionais, como o informal afeta não somente aos jovens, mas também à população
ritmo de desenvolvimento, o índice de natalidade e os aspectos em geral. Assim, no contexto da grande escassez de empregos na
socioculturais. Dessa forma, encontrar soluções eficientes para o Espanha atual, a economia informal é uma maneira de garantir
problema é difícil, já que este, muitas vezes, se pauta em fatores aos cidadãos afetados pela crise uma fonte de renda (BM, 2011)
mais estruturais que apenas os econômicos, além de demonstrar e, consequentemente, uma garantia de dignidade humana. O tra-
como apenas a condenação da economia informal não pode ser balho informal, na conjuntura espanhola atual, se aproxima do
vista como uma solução plausível (KREIN; PRONI, 2010). conceito de trabalho decente – assim como na Índia.
O que se pode perceber, a partir da comparação entre os dois
5.2. Espanha casos, é que a economia informal na Índia já perdura a décadas,
A situação da economia informal na Espanha é relevante para sendo gerada principalmente por fatores internos e não sendo
a compreensão de que o fenômeno não está vinculado apenas tratada pelo governo como uma situação que tem de acabar ime-
a países em desenvolvimento, como se tende a acreditar. O es- diatamente. Já a maneira como o governo espanhol lida com a
tudo da economia informal em países desenvolvidos é menos situação é completamente oposta – procura-se uma maneira de
aprofundado, por se acreditar até recentemente que tais países gerar empregos formais novamente para que a informalidade
praticamente não possuíam informalidade. Todavia, alguns auto- seja diminuída ao máximo, além de ser causada essencialmente
res – como Friedrich Schneider (2006) – têm procurado as causas por fatores externos.
da informalidade em países desenvolvidos. Uma das explicações
que tem sido considerada como mais relevante é a consideração 6. DA INFORMALIDADE À FORMALIDADE
de que, nesses países, tende a haver uma predominância das cau-
sas externas (PORTES; SASSEN-KOOB, 1987). Sendo assim, acon- O processo de formalização da economia é um dos elementos
tecimentos como crises financeiras seriam de extrema relevância que compõem a problemática da informalidade. Nesse sentido,
para a compreensão da questão. esta seção preocupa-se em analisar como ocorre esta transição e
O caso da Espanha torna clara a correlação entre crises fi- em que contextos ela se torna viável. Tal reflexão é imprescindí-
nanceiras e o aumento da economia informal. Analisando-se as vel para que sejam apresentadas soluções em prol da promoção
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do trabalho decente, as quais são esboçadas na sequência. Desta O caso brasileiro exemplifica a importância da atuação do
forma, espera-se delinear possíveis caminhos para a questão da Estado na formalização da economia. Durante o período entre
informalidade e da garantia do trabalho decente. 2004 e 2009, o país promoveu uma redução de 6,2% da taxa de
informalidade, por meio da implantação de políticas públicas
6.1. O processo de transição da informalidade para a formalidade bem sucedidas (KREIN; SANTOS, 2012). Dentre elas, destacam-
A economia informal se manifesta de forma plural a depender -se a elevação real do salário mínimo, a melhoria dos benefícios
das particularidades de contexto político, econômico e social de trabalhistas, a criação de programas de transferência social como
cada país. Nesse sentido, o processo de transição da informalida- o Bolsa Família e a implementação de políticas que ampliaram o
de para a formalidade (leia-se, formalização das atividades eco- acesso ao crédito (KREIN; SANTOS, 2012).
nômicas) pode apresentar variadas expressões, influenciando Por mais que o processo de formalização possa apresentar
tanto positivamente como negativamente na promoção do traba- resultados positivos para o país, nem sempre é possível imple-
lho decente e na garantia da dignidade dos trabalhadores (MEL; mentá-lo (ENSTE; SCHNEIDER, 2004). Tal impossibilidade pode
MCKENZIE; WOODRUFF, 2012). se dar pela existência de dificuldades econômicas, políticas e so-
O processo de transição da informalidade para a formalida- ciais, as quais se tornam empecilhos no processo de formalização
de deve ocorrer nos casos em que há perspectiva de melhora das (BECKER, 2004). Os limites ao financiamento31 e ao crédito para
344 condições trabalhistas, sociais e econômicas dos trabalhadores, as atividades informais são dificuldades econômicas com que as 345
das empresas e do próprio país (KREIN; SANTOS, 2012). Apesar empresas e os trabalhadores deparam-se durante o processo de
da pluralidade desses processos, existem alguns pontos que são formalização de suas atividades (BECKER, 2004).
comuns à maioria, sendo que o principal deles são os múltiplos Quando a empresa não é regulamentada, esta perde a opor-
níveis de regulamentação, ou seja, as etapas de formalização das tunidade de participar legalmente do mercado financeiro32, por
atividades informais, como a efetuação do registro legal das em- meio da venda de suas ações33 – as quais são importantes para
presas junto aos órgãos públicos responsáveis, e, em relação aos a expansão e a formalização de seus negócios, além de prove-
trabalhadores, a emissão da carteira de trabalho (MEL; MCKEN- rem mais financiamentos e investimentos (ENSTE; SCHNEIDER,
ZIE; WOODRUFF, 2012). 2004). De forma análoga, ao ser privado do sistema de créditos, o
Nesse sentido, para que determinada empresa ou trabalha- trabalhador pode não ter o acesso a empréstimos no intuito de
dor sejam incorporados à economia formal é preciso que estes es- incrementar as suas atividades, impossibilitando que este traba-
tejam de acordo com a legislação tributária28 e trabalhista do país. lhador migre para a formalidade (BECKER, 2004).
Em outras palavras, é necessário que, entre outras medidas, ar- Ademais, a falta de preparo do trabalhador é uma dificulda-
quem com as taxas tributárias, cumpram os direitos trabalhistas de social definida pela falta de acesso dos indivíduos a um ensino
e efetuem todos os procedimentos burocráticos de regulamenta-
ção de suas atividades (KREIN; SANTOS, 2012).
Dentro desse contexto de transição, o papel do Estado no 28
Consiste no conjunto de leis referentes aos tributos, incluindo, a atribuição de res-
processo de formalização da economia é imprescindível. Cabe a ponsabilidade tributária e a cobrança de tributos (TORRES, 2004)
ele a criação de soluções que promovam o trabalho decente e o 29
Políticas públicas são um conjunto de ações e decisões do governo, a fim de solu-
cionar os problemas da sociedade (SEBRAE, 2008).
desenvolvimento econômico do país (OIT, 2002). Nesse sentido,
30
Os incentivos fiscais são uma forma de intervencionismo estatal na economia que
alguns instrumentos do governo para lidar com a questão da in-
consiste na isenção fiscal de bens ou pessoas em prol do interesse público (TORRES,
formalidade são as políticas públicas29, os incentivos fiscais para 2004).
a que o individuo migre para a formalidade30 e os ajustes econô- 31
O financiamento é uma modalidade de operação financeira em que uma institui-
micos em prol da formalização (KREIN; SANTOS, 2012). Tais me- ção, seja ela financeira ou não, fornece recursos para uma pessoa física ou jurídica,
didas causam mudanças no quadro econômico do país, as quais com uma finalidade específica de adquirir um bem (MANKIW, 2001).
implicariam em uma maior abrangência de trabalhadores na 32
O mercado financeiro são instituições financeiras através das quais os poupadores
podem prover diretamente fundos aos tomadores de empréstimos (MANKIW, 2001).
economia formal, diminuindo assim os índices de informalidade
33
As ações representam o direito à propriedade parcial de uma empresa (MANKIW,
(MCKINSEY, 2004).
2001).
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básico, a cursos de especialização e treinamento ou pela precarie- 2002). Este esforço pode se dar por meio do reconhecimento sin-
dade desses sistemas de ensino (BECKER, 2004). Essa realidade dical dos trabalhadores, da garantia dos direitos trabalhistas, da
pode influenciar no ingresso dos trabalhadores na informalidade, oferta de cursos de capacitação, e da não contratação de trabalha-
além de dificultar a migração dos mesmos para a economia for- dores informais (OIT, 2002). Os três primeiros pontos tratam da
mal. Isso acontece porque grande parte dos empregos regulamen- relação entre empresas e trabalhadores, sendo que as primeiras
tados exige um grau mínimo de preparação (MCKINSEY, 2004). devem tomar consciência de que seus trabalhadores precisam de
Além disso, existem outros três fatores, de ordem política e so- seus direitos fundamentais garantidos para que o trabalho de-
cial, que influenciam na questão da formalização, sendo eles a re- cente seja plenamente implementado (OIT, 2002).
gulamentação trabalhista excessiva, a alta taxa de regulamentação Para que o último ponto – a não contratação de trabalhado-
fiscal e a ausência de representação sindical das empresas e dos res informais – seja garantido, é preciso que as empresas tenham
trabalhadores informais (BECKER, 2004). A falta de sindicalização plena consciência de todo o seu processo produtivo35 (BECKER,
é a maior dificuldade social e política encontrada no processo de 2004). Para a produção de qualquer bem final36, é imprescindível
garantia do trabalho decente (OIT, 2002), tanto na informalidade a utilização de bens primários e intermediários37 provenientes de
quanto na formalidade. Afinal, é por meio da representação sindi- atividades que tenham sido exercidas por meio do trabalho decen-
cal que os trabalhadores reivindicam os seus direitos trabalhistas te (ENSTE; SCHNEIDER, 2004). Uma empresa não pode se dizer
346 fundamentais, articulando essas reivindicações de acordo com as socialmente consciente se em alguma etapa de seu processo pro- 347
suas demandas – salário insuficientes, condições precárias de tra- dutivo há desrespeito aos direitos fundamentais dos trabalhadores.
balho, falta de seguridade social34, entre outras (OIT, 2002). Outra peça essencial na aplicação de soluções eficientes em
A despeito de todas essas dificuldades, o processo de forma- prol do trabalho decente é o Estado. Este é responsável pela for-
lização deve ser buscando quando, de fato, promove o trabalho mulação de políticas públicas que impliquem diretamente na me-
decente (OIT, 2002). Nesse sentido, os benefícios provenientes lhoria das condições de trabalho e que, consequentemente, pro-
da transição são inúmeros, tanto para os trabalhadores que irão movam o trabalho decente (OIT, 2002). Nesse sentido, algumas
ganhar com a regularização dos seus direitos trabalhistas; quanto possíveis soluções são a reforma tributária, a flexibilização da re-
para as empresas que poderão expandir as suas produções, e tam- gulamentação trabalhista e a capacitação do trabalhador por meio
bém para o Estado que passará a arrecadar mais impostos poden- da garantia de acesso a uma educação básica de qualidade (ENS-
do prover desenvolvimento econômico e trabalho decente para os TE; SCHNEIDER, 2004). Além disso, faz-se necessária a criação de
seus cidadãos. Sendo assim, deve-se analisar cada caso e cada pro- cursos técnicos de especialização e, ainda, a garantia da liberdade
cesso de formalização para que, só assim, se esboce uma relação, de associação e reivindicação dos trabalhadores (OIT, 2002).
positiva ou negativa, entre a formalização e o trabalho decente. A reforma tributária pode acontecer por meio da simplifica-
ção, transparência e efetividade do sistema tributário (ENSTE;
6.2. A implementação de soluções eficientes em prol do trabalho decente SCHNEIDER, 2004). Nesse sentido, os objetivos de um reforma
Tanto no processo de transição da informalidade para a formali- tributária, dentre do contexto da economia informal, devem ser
dade como na implementação de soluções eficientes em relação “aprimorar as condições do trabalho formal, aliviar os contribuin-
à economia informal, a preocupação central recai sobre a garan-
tia do trabalho decente (OIT, 2002) É preciso, então, que sejam
criadas medidas que promovam o trabalho decente e a dignidade 34
Seguridade social é a proteção que a sociedade proporciona a seus membros me-
humana, estando o trabalhador em atividades regulamentadas diante uma série de medidas públicas contra as privações econômicas e sociais em
casos de enfermidade, acidente de trabalho ou enfermidade profissional, desempre-
ou informais (OIT, 2002). Dentro desse contexto, deve-se pensar go, invalidez, velhice e morte, e também, à proteção em forma de assistência médica
no papel das empresas, do Estado e dos sindicatos, na promoção e de ajuda às famílias com filhos (SÜSSEKIND, 1998).
do trabalho decente e da dignidade humana, seja na informalida- 35
O processo produtivo é o processo de fabricação de um determinado tipo de bem
de ou na formalidade. (MANKIW, 2001).
A partir da preocupação com a dignidade humana, as empre- 36
Bens que não sofreram mais nenhum processo de transformação ou de agregação
sas podem contribuir para a promoção do trabalho decente (OIT, de valor (MANKIW, 2001).
37
Bens que irão compor ou se transformar em outros bens (MANKIW, 2001).
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tes da alta carga tributária, promover uma maior justiça tributária direitos reivindicados, tem sido uma das principais preocupações
e criar um sistema tributário mais transparente e simplificado” da OIT (OIT, 2002). Para que os trabalhadores informais tenham
(ENSTE; SCHNEIDER, 2004, p. 112, tradução nossa). Nesse senti- representação sindical é preciso mais que apenas a garantia de
do, todas essas medidas proporcionariam um incentivo para que livre associação pelo Estado, já que é comprovado que mesmo
os trabalhadores informais migrassem para a economia informal. quando existe tal garantia, dificilmente trabalhadores informais
Em relação à segunda medida apontada como sendo uma formam associações. Um dos principais fatores que explicam essa
das soluções eficientes em prol do trabalho decente, a flexibiliza- baixa representação sindical é a pluralidade de interesses da clas-
ção da regulamentação trabalhista pode se dar por meio de altera- se dos trabalhadores informais. Dessa maneira, é preciso que haja
ções na legislação trabalhista de um país visando a proporcionar um forte incentivo à formação de sindicatos, incentivo este que
aos trabalhadores maior liberdade de ação sem que os mesmos deve vir de governos e empresas, além da necessidade de que os
tenham que migrar para a informalidade (ENSTE; SCHNEIDER, trabalhadores saibam que organizações sindicais são a maneira
2004). Em outras palavras, significa garantir direitos trabalhistas mais eficaz para a representação de seus interesses (OIT, 2002).
adicionais, que não conflitem com aqueles já existentes, e que É possível perceber, então, que a pluralidade da economia
promovam o trabalho decente. informal implica em diversas maneiras de se procurar resolver a
Algumas medidas que podem ser adotas pelo Estado são a situação de más condições trabalhistas, sendo a procura simples-
348 flexibilização da carga horária de trabalho e a diminuição de bar- mente por formalização muitas vezes insuficiente para a garantia 349
reiras trabalhistas para estrangeiros (ENSTE; SCHNEIDER, 2004). de trabalho decente. Aqui foram apresentadas algumas das solu-
Os benefícios da primeira medida são muitos, já que as empresas ções para a tentativa de promoção da dignidade humana no traba-
são capazes de aumentar a produtividade, e consequentemente, lho, sendo cada uma mais eficiente para determinado contexto. A
a competitividade de seus produtos, além de diminuírem os seus questão mais importante que se buscou tratar aqui é que, apesar
custos (ENSTE; SCHNEIDER, 2004). Diminuir as barreiras traba- das medidas apresentadas serem de difícil implementação, elas
lhistas para os estrangeiros significa abarcar mais trabalhadores, tendem a ser cruciais para a consolidação do trabalho decente.
que podem estar na informalidade justamente pela ausência de
regulações trabalhistas, trazendo-os para a formalidade, gerando 7. CONCLUSÃO
mais renda para a economia do país e provendo condições de tra-
balho decente (ENSTE; SCHNEIDER, 2004). O presente artigo procurou apresentar as diversas maneiras nas
Outra questão em relação ao trabalho decente que é depen- quais a economia informal se configura, sendo esta um fenôme-
dente das questões governamentais é a relação economia-capa- no que apresenta facetas distintas conforme as causas que levam
citação – capacitações de baixa qualidade tendem a aumentar o ao seu surgimento e até mesmo o modo como os governos rea-
número de trabalhadores na economia informal, além de tam- gem à situação. Assim, com o decorrer dos argumentos, é possí-
bém representar um empecilho ao trabalho decente (HUMAN vel delinear a característica mais importante da informalidade: o
RIGHTS DEVELOPMENT RESOURCES [HRDR], 2008). Dessa pluralismo. Devido a essa característica, é de crucial importância
maneira, reformas educacionais, que incrementem o ensino bá- buscar compreender todas as consequências do fenômeno – po-
sico, cursos técnicos ou até mesmo cursos superiores, são uma sitivas e negativas – para que não se incorra em julgamento preci-
importante medida para a garantia de trabalho decente. A partir pitado que acabe por ignorar fatores importantes.
de tal reforma, os trabalhadores passam a ter melhores condições Apenas após a análise das diversas colocações sobre o assunto
de ingresso em um mercado de trabalho competitivo e, além dis- é possível traçar algumas afirmações acerca da questão. A primeira
so, tornam-se conscientes de seus direitos, promovendo uma me- delas é o fato de que a economia informal não é um fenômeno po-
lhoria nas condições trabalhistas (HRDR, 2008) sitivo ou negativo por si só – é preciso estudar fatores atrelados ao
Por fim, é necessária também uma mudança nas instituições fenômeno, como suas causas sociais e políticas, antes de ser pos-
sindicais, para que estas passem a abarcar também os trabalhado- sível afirmar os efeitos da informalidade para determinado Estado.
res informais. Essa necessidade de que os trabalhadores informais Interligada com a conclusão acima, está o fato de que apenas
se associem em sindicatos próprios, a fim de que possam ter seus condenar a economia informal não traz benefícios à população.
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Deve-se compreender a informalidade como sendo, muitas vezes, COHN, A. Programas de transferência de renda e a questão social no Brasil. Fórum
uma maneira que a população encontra para garantir o trabalho Nacional, Estudos e Pesquisas n. 85, Rio de Janeiro, 2004.

decente. Assim, tal fenômeno vem a ser crucial para determina- CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS (CDH). Draft Recommendations on
dos países em determinados contextos históricos. Minorities and Effective Participation in Economic Life. Genebra, 2010.
Por fim, outra conclusão importante é que, ainda que mui- Disponível em <http://www2.ohchr.org/english/bodies/hrcouncil/minority/docs/
MinorityForum3DraftRecommendationsENG_.pdf>. Acesso em: 16 nov. 2012.
tos cidadãos escolham ir para a economia informal, é importante
que um país ofereça a eles a alternativa de possuir um emprego ______. Resolution 19/37 on rights of the child. Genebra, 2012. Disponível em <http://
formal. Em outras palavras, um ser humano não ter opções traba- srsg.violenceagainstchildren.org/sites/default/files/documents/docs/HRC_RES_19_37.
lhistas e ser forçado a adentrar a economia informal não é uma pdf>. Acesso em: 16 nov. 2012.

situação favorável à população do país ou ao Estado – é preciso COSTA, W. O processo de globalização e as relações de trabalho na economia
que os cidadãos tenham a opção da escolha. Devido a esse fato, capitalista contemporânea. Estudos de Sociologia, Araraquara, n. 18/19, p. 117-134,
é importante que os governos procurem criar medidas para fa- 2005.
cilitar o processo de formalização, quando o mesmo promover o DREHER, A.; SCHNEIDER, F. Corruption and the Shadow Economy: An Empirical
trabalho decente. Analysis. IZA Discussion Paper n. 1936, Bonn, 2006.
Este artigo pretendeu, assim, mostrar um breve histórico da
ENSTE D.; SCHNEIDER, F. The Shadow Economy: An International Survey.
350 informalidade e a maneira como o fenômeno se apresenta atu- 351
Cambridge: Cambridge University Press, 2004.
almente a fim de que seja possível criar uma reflexão acerca do
assunto, fazendo com que a economia informal seja repensada. EUROPEAN economy guide, The Economist, 2012. Disponível em: <www.economist.
Afinal, apenas por meio do debate acerca do assunto é possível com/euroguide12>. Acesso em: 12 nov. 2012.

buscar maneiras de que todos os trabalhadores tenham seus di- EVANS, M.; SYRRET, S.; WILLIAMS, C. Informal Economic Activities and Deprived
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