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CERRO ARRIBA

João Mauro Araujo


João Mauro Araujo

CERRO ARRIBA

.txt texto de cinema


São Paulo / 2017
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Araujo, João Mauro


Cerro Arriba / João Mauro Araujo. -- São Paulo :
.txt texto de cinema, 2017.

ISBN: 978-85-92970-01-7

1. Fotografias 2. Poesia brasileira i. Título.

17-06410 CDD-869.1

Índices para catálogo sistemático:

1. Poesia : Literatura brasileira 869.1

Edição & Design gráfico:


.txt texto de cinema
www.textodecinema.com

Revisão: Olavo Brito

Direitos reservados a
JOÃO MAURO ARAUJO
LÚDICO

PROFISSÃO FANTÁSTICA

SOLILÓQUIO

TEKÓ VAI

NOTICIOSO

QUIPUS

SUBJETIVA

PERFARSA
PREFÁCIO

de Olavo Brito
“Se a vida estiver difícil, leia um poema.”

Frase de autor desconhecido que guardei na memória e que calha bem com
o lançamento deste livro, num momento em que o Brasil escancara sua
necessidade de poesia.

João Mauro se fez andarilho. Rapaz latino-americano, assim como Belchior,


seu conterrâneo, traduz em arte situações corriqueiras, fatos aparentemente
sem importância. É simples, não complica, apenas filtra a realidade, exibindo
sutilezas que por vezes escapam aos menos atentos. É garimpeiro, não
se furta a cavoucar se preciso para ir em busca do que se encontra nas
profundezas. É poeta, mesmo quando fotografa, capaz de ver beleza onde
talvez nem exista.

De suas andanças pela América Latina, João Mauro trouxe um tanto da


substância que compõe Cerro Arriba. A maior parte, porém, vem de São
Paulo mesmo, onde vive o autor. Embora seja uma cidade de tamanho
monstruoso e de cotidiano agressivo para a grande maioria da população, é
dali que ele extrai o material que sua sensibilidade transforma em versos ou
fotos.

Sua pegada literária, por assim dizer, tem mais de analógica do que de digital.
Não que ele se oponha aos avanços, mas mostra revolta contra a eventual
sobreposição da arte pela tecnologia. João Mauro tem alma de poeta, por
isso, se é possível ver nele a alegria de uma criança com a bola, podemos
perceber também aquela tristeza de fundo, a nostalgia de um tempo que
ele nem viveu, mas em que havia pelo menos a ilusão de um mundo menos
banal.

Seja como for, este livro é uma realização honesta, que tive o privilégio de
poder acompanhar nos últimos anos. Então, agora é só soltar a mente, abrir
os sentidos e deixar todo o resto por conta da arte de João Mauro. Não tem
erro, você vai ver.
Olavo Brito, São Paulo, junho de 2017.
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AJUDANTE

Ela oferece chaveiro;

ele, ímã de geladeira.

Ela vende por dinheiro;

e ele por brincadeira.

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PERSPECTIVAS

– Zoraide, o que te faz levantar da cama? O sol?

– Os sonhos.

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DOR, DOR

Se cantasse só a beleza

e ignorasse a dor,

de tal poesia o autor

seria um “cantalegria”,

do contrário: cantador!

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TEIAS

Quando acorda

o amor,

a dor

adormece.

O amor

amortece.

O amor tece.

O amor tece.

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CHUVAS

Gilberto sempre falava

que ele e a namorada

eram “fósforo” e “gasolina”.

Quando terminaram,

ambos amargaram

tempestade de água fria!


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HERANÇA

O avô disse pra mãe,

que falou para o seu filho:

“Amor amargor estribilho”

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SUBJETIVAS

Era dessas histórias tristes de paixões insatisfeitas...

O sujeito na ponte dizia que só tinha um projeto de vida:

“Um projeto de sete letras”.

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TRAVA-LÍNGUA

Correu pra comprar pedra.

Correu pra comprar pedra.

Correu pra comprar pedra.

Corroeu-se.

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VERDADEIRO ELDORADO

– Garimpeiro, em toda essa “escavadura”,


o minério que você deseja

brilha mais no sonho ou na sua procura...?

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BRILHO

– Você saberia descrevê-la?


– Tão doce e bela que me arranca sorriso

até no ápice do meu mau humor.

– Como ela chama?

– Não sei. Esperança, talvez.

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TESOUROS

Sempre após os jogos,

Ézio revirava

o chão das arquibancadas

atrás de algo.

Nunca encontrou nada

além de copos plásticos

e papel amassado.

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TENTAÇÃO

Uma bola na calçada.

Esquecida? Abandonada?

Tento ignorá-la.

Bate o remorso, volto.

Chuto sem mira,


ela cruza a avenida

atingindo a parede.

Talvez algum dia

ela encontre uma rede...

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DECISÕES

– Meu caro Oswaldo,

fim de jogo, seu time perdendo...

Você ganha um escanteio.

O que faz, nesse caso:

dá o toquinho de lado,

chuta no burburinho ou

cruza pro cabeceio?

– No gramado eu não bobeio.

Se o momento é decisivo,

tento logo o gol olímpico!

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CONSTANTINO INCONSTANTE

– Consta, você tem um pênalti pra bater

e tá fugindo?!

– Não, tô apenas tomando distância pra

chutar com mais força!

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SEM JUIZ

O Professor – esse era seu nome – vinha de longe,

não se sabe como, não se sabe onde, mas era o primeiro a chegar.

Pezão media o campo, passo a passo, minuciosamente.

Felipe trazia a bola,

Josias o garrafão d’água,

Goiaba fincava as traves

e o tempo a maré marcava.

Recuo do Rio Amazonas,

calor do clima, do jogo,

apesar de todo esforço,

o zero ficou no placar...

A artilharia falhou,

em mais uma tarde sem gols

na capital do Amapá.
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BOLÃO

Rodrigo está sempre interessado nos jogos.

Especula quem ganhou ou perdeu.

Campeonato brasileiro, europeu,

não importa:

o barato dele é fazer aposta.

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FORTUNA

Sempre que podia,

Leo fazia uma “fezinha”.

Não que tivesse sorte

ou achasse que ganharia...

Era mero pretexto

pra falar com Tarsila

(a Sorte que lhe acenava

no guichê 5 da Caixa).

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CARTELAS

Baltazar não era um sujeito de sorte:

perdia em toda “fé” que fazia.

Certa vez, apostou alto e ganhou bem.

Não quis mais saber de jogo:

“Não é pra mim”.

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RITMOS

De um lado para o outro da agência

ela caminha como quem dança.


Senha 33, minha vez.

“Oi! Que música faz seu corpo

se mover tão majestoso?!”

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SEREIAS

Quando secarem as águas dos mares,

perderão as sereias seus lares?

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DESOCUPAÇÃO

– Caríssima Julieta,

lacraram-te porta e janela,


não há mais entrada ou cancela,

nem nenhuma maçaneta...

Com a obstrução do seu lar,

como Romeu vai entrar...?

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TRANCAS

I.

Charles era chaveiro, como o pai.

Fazia chaves, abria fechaduras.

Mas nunca logrou abrir o coração da Diva.

Largou a profissão: “Me falta vocação!”

II.

Charles era chaveiro, como o pai.

Fazia chaves, abria fechaduras.

Mas nunca logrou abrir o coração da Diva.

Mudou de profissão: virou cardiologista.

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CELAS

Sérgio era carcereiro.

Certo dia, num vacilo, três presos fugiram.

Ele então foi demitido por justa causa:

“Eu também conquistei minha liberdade!”, disse.

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GRADES

– Teu país te aprisiona!

– A sua ideologia também.

– Teu amor te aprisiona!

– Há grades que agradam e outras que agridem...

Mas o que é ser “livre”?

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EXIT-ÊXITO

– Se bate numa porta e não abrem,

o que você faz?

– Procuro outra entrada.

– E você, Susana?

– Vou embora.

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RETIRO

– Onde está você?

– Muito perto de muito longe.

– Ocidente ou Oriente?

– Transcendente.

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INTERSECÇÃO

Naquela faixa de água,

algo me confundiu:

se “Negro” ou “Solimões”,

qual era o nome do rio?

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VIAGENS

– Cheguei ontem.

– Sentiu saudades?

– Sim, senti. A cada passo que dou, sinto falta do que passou;

e em tudo que conheci tem um pouco do que perdi.

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FALTA

Vitória era a melhor vitrinista do shopping.

Muita gente vivia cercando sua loja.


Quando ela largou o cargo, a clientela sumiu.

Os manequins nunca a perdoaram.

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AVERIGUAÇÃO

Procurar.

Procurar.

Procurar.
São Longuinho não vai ajudar.

Vivo?

Morto?

Morto?

Vivo?

Nem morto, nem vivo: desaparecido!

Desapareceu Amarildo.

Desapareceram Amarildo.

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CARTAZES

Amanda sempre se pesa na mesma balança.

Certa vez teve passeata, e a farmácia ficou fechada.

Ela então decidiu protestar: “Agora já tenho uma causa!”

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PELEGO

Sempre exaltado,

Sávio passou meses criticando


os gastos públicos com a Copa.

Agora isso não importa:

com a camisa da Seleção,

contou na repartição

que hoje chegou sua TV nova.

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RESSACA DA COPA

O vazio começa quando o jogo acaba.

Vazio de vazia arquibancada.

As três tabelinhas já foram preenchidas:

do mercado, do posto e da churrascaria

(talvez nunca mais serão revistas).

Cessam esta e aquela emoção...

até a próxima competição.

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HAPPY END

A atriz era tão parecida com seu último amor,

que quando a novela acabou, Jocenir suspirou:

“Afinal, posso mudar de canal!”

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AMOR É O QUE PASSOU

− Wil, no que você pensa tanto?!

− O amor tem sempre um porém: “por enquanto”.

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REMOÇÃO

Quando o amor acaba,

ela demora a aceitar:

ilusão, desinformação, teimosia inata?

Acha que tudo se resolverá:

de uma hora pra outra, por milagre

ou num passe de mágica?

E assim não permite que inicie outra

dança: – Sai de mim, esperança!

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VA ZIOS

18h15.

Elevador lotado,

escada rolante cheia,

busão sem espaço,

vida vazia.

Mas na minha mente ainda

ela continua linda... Linda!

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ECOAR

Do álbum de alguém escapei.

Fugi, orgulhoso, convicto.


Caí, ainda não levantei,

mas se me pisarem eu grito!

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REPOUSO

Vina entregava colchões.

“Bons sonhos!”, dizia agradecendo aos clientes.

Quando foi demitido, passou um mês dormindo no sofá:

“Pra não ter pesadelos!”

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FOBIA

Paula não andava de elevador sozinha:

“Vem comigo, por favor?”

“Sim!”, disse Ivan.

“Obrigada!”

“Quando precisar, me chama no 68!”

No outro dia ela interfonou.

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PONTE DA AMIZADE

Maria Auxiliadora organiza tudo na calculadora.

Antes de escolher o produto,

ela já sabe a margem de lucro.

Só perdeu as contas

das vezes que cruzou

a ponte pra fazer compras.

– Mas na sacola não tem nada pra consumo próprio?!

– É claro, meu bem, isso faz parte do negócio!

E segue ansiosa

pra ver o DVD pirata

do seu grupo preferido

de pop latino.
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FIM DE ANO

I. ÁRVORE

O zelador e o faxineiro

dão seu toque especial,

ao colocar os enfeites de natal.

Uma hora e já está em pé

a árvore do Edifício Maria José.

II. FANTASIA

– Seu Manoel, alguma vez você já foi Papai Noel?

– Eu? Não... Acho que não me acostumaria ao frio

do Polo Norte.
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III. PRESENTES

Um ano fica velho e o novo se apresenta

quando Massuhiro chega com o uísque e a agenda!

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SEM GRIFE

Enquanto eu não produzir

roupas com a minha assinatura,

você ficará assim:

nua.

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CORPO E PALAVRA

Na noite em que acertou a sétima mensalidade,

Júnior abandonou a série pela metade.

Ardendo de curiosidade, chegou na dona e falou:

“Posso saber o que diz a frase da sua tatuagem?”

Um tanto contrariada, a bela aceitou:

“Pode”.

Era letra de pagode.

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PECK DECK

Walterofilista passa horas na academia.

Vive a vida entre halteres.

Nunca perde a contagem das séries:

“Só fico contente quando tomo meu shake”, diz.

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CERRO ARRIBA

Subindo tantos degraus,

vestido desse jeito,

ou está pagando promessa

ou querendo perder peso!

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PELEJA DA MADRUGADA

Ali, Flavinho era “Davi”;

“Gigante Golias”, o poste.

Olhar de bravo guerreiro,

verdadeiro Dom Quixote!

Na peleja da madrugada,

invisível obscuro esporte.

Gira o tênis sobre a cabeça,

qual feroz redemoinho

em movimento frenético...

Até que o seu arremesso

cruzasse a iluminação

pousando n’algum fio elétrico.

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Missão cumprida, inimigo vencido,

sua vitória é atestada no alto!

Ele retorna pra casa descalço,

Cansado, cansado, exausto:

“Vida de atleta não é fácil!”...

PARCIALMENTE INFORMAL

Reinaldo é recepcionista.

Trabalha de paletó,

gravata e camisa comprida.

Sua transgressão ao traje

fica por conta

da meia esportiva.
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CHECK UP

– Demorou pra voltar, senhor Esmeraldo!

– É, doutor, quando a gente tem saúde acha que não adoece.

– Sei... e quando adoece acha que não tem saúde, né?

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CÁPSULAS

Cíntia é um culto aos sintéticos: todos os dias

toma quase um alfabeto de vitaminas.

“Nos dias de hoje estamos todos comprimidos”, afirma.

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REMÉDIOS

– Não acredito que você não leu a bula!

– Não faz o meu gênero literário.

– Depois morre e não sabe por quê!

– Todos morrem... porque vivem.

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PROFECIAS

– O que esperam vocês,

sentados no banco do ponto,

se não passa ônibus

há mais de um mês?

A próxima encarnação?

– O fim do mundo, talvez.

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MITO DE ORIGEM

No Reino dos Mortos, em tempos remotos,

temia-se um vírus que nunca se vira.

E quando chegou a epidemia,

chamaram a nova virose de “Vida”.

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NINGUÉM VISITA O COZINHEIRO

Era como uma entidade ou fantasma,

que aparecia de vez em quando,

trajando branco,

não raro coberto por máscara.

Apesar de sempre almoçarem lá,

ninguém o conhecia,

até o dia em que sofreu um desmaio,

no ambiente apertado do trabalho.

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Suspeita de enfarte,

chamaram o resgate.

Felizmente escapou com vida!

Hoje continua labutando,

dia a dia, o dia inteiro -

Geraldinho, o cozinheiro.

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SIRENES

Moacir é motorista de ambulância.

Vive em alta velocidade, cortando carros pela cidade:

“Ser mais rápido que a morte eu tento,

mas ela não pega trânsito!”,

diz com orgulho e desânimo.

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BITUCAS

I.

Sid no ponto de ônibus

fuma um cigarro atrás do outro.

Se é longa a espera,

vai toda a cartela.

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II.

Carreto ou serviços gerais,

em tudo o que Weslei faz,

leva sempre um cigarro na boca:

“Mas quando termina o meu maço,

acaba também minha força”, diz.

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CARGAS

– Elias, em tantos anos de estiva,

qual o peso maior que você carregou na vida?

– Rapaz, o maior peso mesmo

é quando a gente está sem emprego...

Aí complica!

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SÍSIFO

Com a pedra subindo a ladeira,

de crachá, uniforme ou terno,

se existe algum inferno,

lá só tem segunda-feira!

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HORÁRIOS

Relógio de pulso,

relógio de bolso,

de parede, redondo, quadrado...


Na loja do seu Botelho,

o tempo não é abstrato.

Da rua se vê o mosaico,

com todas as horas do dia,

as setas do tempo girando,

ponteiros em sincronia.

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Meio na correria,

entra o amigo carteiro,

que brinca com seu Botelho:

– Tem horas aí?

– Muitas! Quer comprar um relógio?

– Relógio no pulso é algema!

– E o celular no bolso, o que é?

– Rastreador da mulher...

– Valeu, rapaz!

– Até!

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DIA-A-DIA

Expresso da meia-noite.

Expresso do meio-dia.

Pressa todos os dias.

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PREGUIÇA SEM PREJUÍZO

Ele nunca teve pressa.

Ele nunca teve prazos.

Ele nunca teve atrasos.

Mas sua vida sempre foi de cão!

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AMPULHETA

Parecia afobado,

a correr desesperado contra o tempo.

Sob sombras de arranha-céus,

pelas brumas dos escapamentos.

Cidade-ansiedade-sem-fim:

Time is money?

Money is nothing!

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FORA DE HORA

O tempo não para.

O tempo não espera.

O tempo me apavora.

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RETROSPECTIVAS

– Aconteceu isso, depois aquilo;

aquilo, depois isso.


– Terminou?

– Não. Multiplica por 365.

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PLAYIMMOBILE

Para onde vamos?

Onde vamos parar?

Para onde vamos parar?

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TRÂNSITO

Se está difícil seguir em frente...

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descongestione sua mente!

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SEREIA DO SACOMÃ (LINHA 478-P)

Ela senta antes da roleta,

como que protegida entre o cobrador e o motorista.

Na hora de descer, caminha até o fundo do ônibus.

Até o fundo dos meus olhos.

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RUBORIZAR

César olhou distraidamente pro lado e a reconheceu.

Logo seu semblante mudou.

Olhou novamente, viu que não era ela, voltou ao estado anterior.

Mas eis que uma mão tocou levemente seu ombro: era ela sim!

Mudou o semblante de novo.

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SENSORES

Aléssio temia os alarmes.

Sempre que saía de uma loja,

o seu coração disparava.

Um dia, o alarme tocou.

Antes que o abordassem,

Aléssio congelou.

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TRISTE ESTÁTUA

I.

Ela veste traje de época.

Com tinta cinza prateada

cobre mãos e rosto.

Tenta se concentrar,

mas logo a reumaniza

uma certa tristeza no olhar.

II.

Estela era estátua viva.

O dinheiro que ganhava

não pagava suas dívidas.

Mudou de profissão:

hoje é segurança

na Praça de Alimentação.
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DETECTORES

A porta travou.

Uma gravação orientou para depositar

os objetos metálicos na gaveta.

“Pistola automática também?!”,

indagou o indignado cliente.

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GREVE, GROOVE

É perceptível o orgulho de Joel,

em frente à agência,

com a camisa de greve vermelha,

como se vestisse o uniforme do seu time.

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BANCÁRIO DO MÊS

Quando Ton conta o dinheiro

tem mãos mais rápidas que máquinas.

Seu caixa nunca relaxa,

está sempre em prontidão:

Ailton: O Rei da Autenticação!

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CONTAS

No Bradesco ela pegou a senha R57 e ele a R60.

Depois, no Correio, ela 19; ele 22.

“Tá me seguindo?”

“Quem sou eu pra negar o destino!”

Sorriram.

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PEREGRINOS

Diziam que ele nunca chegaria a lugar nenhum.

Um dia ele chegou,

porém nada encontrou.

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AUDIÊNCIA

Dizia na capa da revista:

“Fulana separou do Fulano”.

Cíntia, o que falta tanto nas nossas vidas

que procuramos tanto nas dos outros?!

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CINEGRAFISTA AMADOR

Farias levou a família ao Zoológico.

Foi filmando tudo, mas logo a bateria da câmera acabou:

“Querida, vamos embora!”, disse inconformado.

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HORA EXTRA

Dentro do carro,

só o poodle branco observava

o malabarismo atrapalhado da criança magra.

Excitado, achava que aquilo era brincadeira.

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CLOWNDIDATO

Antes de sair pra votar,

Acácio revirou o armário

e achou sua fantasia de palhaço.

Vestiu.

Quando chegou à seção eleitoral,

alguém comentou na fila: – Vai votar no Tiririca!

Depois, um sujeito passou ao seu lado e brincou

perguntando se ele seria candidato.

O jovem disse: – É possível.

Ao deixar a “Festa da Democracia”,

Acácio distribuiu balas e pirulitos

às crianças que o abordavam sorrindo.


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PIZARRA

Pequeno artista do asfalto,

parece que seu desenho


resulta num autorretrato.

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O ÚLTIMO ATO DE THIAGO KLIMECK

Depois do nó apertado,

quase nada mais adianta...

Foi triste ler a notícia,

que um luto na arte implanta:

o ator asfixiado

durante o auto da Semana Santa.

Dramaticamente e de fato,

na cena do último ato

morreram “Judas” e Thiago.

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NOVE DE JULHO

Meia-noite de uma noite fria em São Paulo.

Silvia saiu do velório pra fumar um cigarro.

Chorou, soprando vento e fumaça

no ar poluído da Doutor Arnaldo.

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CICLISMO MORTUÁRIO

Cansada dos mesmos passeios,

Marilda apertou os freios

na porta do cemitério.

Não sabia se podia,


mas como não tinha vigia,

entrou com a bicicleta.

Pedalando lentamente,

foi desfrutando o silêncio

entre tumbas de vários tempos.

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Escuras, misteriosas lápides,

antigas personalidades...

Desceu pra fazer um retrato

no jazigo Monteiro Lobato.

Algumas horas mais tarde,

vendo a foto que tirou,

um pensamento a tomou:

“Onde estará o escritor,

no fundo da fria cova

ou nas páginas de sua obra?”

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Marilda foi deitar

já perto da meia-noite.

Não sem antes folhear

um dos livros da estante.

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ROTINAR

– Me conta uma história?

– Real ou imaginária?

– Extraordinária!

– Mas minha vida é tão banal.

– Então conta daquele dia que não foi igual.

– Qual?

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ODE A UM ÍC(L)ONE

O nome dele eu não sei.

Nem lembro se perguntei...

O que o define, porém,

e nisso a memória não falha,

é o seu famoso apelido: “TIM MAIA”.

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JAM

O amolador de facas e seu apito,

o vendedor de beiju com o triângulo

e o sorveteiro da buzina

encontraram-se numa esquina.

Assim surgiu “Os Ambulantes”. 

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VIRTUOSE

Amir sonhou que via a banda dos seus sonhos.

Viu o batera entrar num solo interminável, idílico!

Quando acordou, pensou: “Será que ele ainda está solando?”

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ESTAMPAS

Há vinte anos Vera vende

acessórios de rock e camisetas.

Seus cabelos já estão brancos,

mas as peças continuam pretas.

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MÚSICA

– Glenn Miller procurava um som.

John Cage procurava o silêncio.

O que você procura, Samira?

– Uma mesa pra cozinha.

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ORWELLINÁLIAS

Tem sempre alguém te observando.

E não é Deus.

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SIESTA

Não sei se é preguiça ou “encosto”,

nas manhãs nunca tenho um despertar disposto.

E quando é final de tarde,

um sono sem cessar me invade.

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CORDILHEIRA

No mês de janeiro, a Cordilheira

é uma senhora idosa de cabelos grisalhos.

Ela guarda, no seu chão agreste,

as velhas memórias do mundo celeste.

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TRAJETOS

– Senhor Jigoro, e se eu me perder na jornada?

– O mundo é uma só rua:


o caminho não é seu,

mas a caminhada é sua.

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RECONFORTO

Ao ouvir aquele “Não!”,

Atílio apertou o passo

e voltou pra casa rápido.

Melancólico, cabisbaixo,

mais que amiga palavra,

precisava de uma canção:


revirou sua discoteca

em busca de solução...

Com os nervos em profusão,

e ainda bastante inquieto,

levou o vinil ao som: “Nelson,

aqui me tens de regresso!”


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GNOMOS

Nildo andava sempre preocupado com a carteira:

– Podem roubá-la.

– Posso perdê-la.

Um dia ele perdeu. Ou será que roubaram...?

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QUEDA

Não se preocupe, Marli! A vida é assim...

Outro dia eu tava na maior decadência: caí, caí, caí!

Quando dei por mim, perguntei:

“O fundo do poço é aqui?”

“Sim”, respondi.

“Onde pego o elevador pra subir?”

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ÚLTIMA CEIA

Comeu e bebeu até se empanturrar.

Pouco antes de cair, chegou no dono do bar:

– Seu Jair, se eu fosse te pagar, quanto que ia sair?

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AMOR

Seu cachorro ela chama de “Amor”.

É “Amor” pra cá, “Amor” pra lá...


Quando tiver um marido,

como ela o chamará?

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O CÃO, A CADELA E O DOG

I. INDISTINÇÃO

Aquele era um CÃO parceiro:

ao ver o mendigo no chão,

foi até lá lambê-lo.

Recebeu gentil afago,

enquanto, contrariada,

sua dona a coleira puxava.

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II. MANHA

A CADELA da Frida é esperta:

se fala “Pula!”, ela pula;

se fala “Pega!”, ela pega.

Porém quando se rebela,

não mexe nem o focinho

se não lhe falar no ouvidinho.

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III. O QUE É DO HOMEM, O BICHO NÃO... BEBE!

Sentado na canaleta,

veio um DOG beber minha cerveja:

– Alto lá, amizade!

É só pra maior de idade!

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DESPEDIDAS

Igor tudo ironizava.

Quando sua avó viajava, costumava dizer:

– Tchau, vozinha! Até a próxima!

A seguir, complementava:

– Vai com Deus!... Mas depois manda Ele de volta!

E a anciã partia sorrindo.

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BRIGHT SIDE

– Diva, em meio às dificuldades,

seu sorriso chega a ser surpreendente!

– Se nós não brincamos com a vida,

a vida briga com a gente.

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227
SHERLOCK

Bianca mostra pra vó uma foto no Tablet,

mas ela não consegue ver.

Diz que precisa de ajuda...

Então mexe na bolsa marrom

e tira sua velha lupa!

228
TAUMATURGO

O vigilante Éder é o “guru” das idosas.

Discursando perto do caixa eletrônico, falou:

“O trabalho dignifica o homem”.

A senhora olhou como quem diz “Amém!”.

229
PERMUTAS

Vários cromos na mão, um olhar discreto.

Disse que o álbum ia dar ao neto.

Alguém perguntou:

– Completo?!

– Sim.

– Não, vovó... Traz ele pra cá e ensina a trocar!

– Vou pensar.

230
NOTÍCIAS

I. TRAGICOMÉDIA

Por pouco a roda não pega!

Na capa do NP, a manchete seria essa:

“Sujeito atropelado por anão de bicicleta!”

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232
II. DEDUÇÕES

A dona atravessa a rua,

sem olhar pro farol,

sem olhar para nada:

“Brigou com o namorado

e quer ser atropelada!”

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BASTIDORES DA NOTÍCIA

Ruben entregava jornais.

Antes do galo pensar

em cantar a primeira nota,

a notícia já estava na porta.

Hoje ele não tem mais pressa:

aguarda o leitor sentado

atrás da sua bicicleta.

235
RECICLAGEM

− Veja aquele esquilo.

− Sim...

− Será que teria comida se não procurasse no lixo?!

− É uma jogada de risco: toda vez que entrar lá o roedor,

pode achar algum resto de amor.

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SPIDER

Renan é restaurador de fachadas.

Desce prédios, enormes arranha-céus.


Nunca temeu as alturas.

“Meu medo mora perto do chão”, diz.

239
LUDOMETÁFORA

Uma peça junto a outra,

pra nenhuma ficar só.

No intervalo do trabalho,

o que domina é o dominó!

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241
TEXTURAS

Kelly é cabeleireira, mas prefere tingir a cortar cabelos.

Ela gosta da química: misturar cores, criar novos tons.

“Só me conformo quando transformo”, diz.

242
243
SUBSOLOS

I.

Gastão é garagista.

Manobra carros de distintos modelos e estilos.

Nos seus sonhos ele sempre está a pé.

II.

Sempre após o almoço, Gastão tira uma pestana.

Seu assento preferido é o do carro da Silvana:

menos pelo conforto, mais pelo aroma.

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245
BATALHA DE FLORES

Depois do bloco passar,

garis varreram a Rua Glete.

No meu cérebro folião

surgiu a seguinte questão:

será que quando brincam

eles também jogam confete?

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CARNAVAL

A caneta vazou nas mãos do dr. Pires.

Ele aproveitou a tinta para fazer em seu rosto

uma pintura “apache”.

Foi à recepção e chamou o próximo paciente.

249
250
ASSEPSIA

Na saída do banho eu me pergunto:

será que estou mais limpo,

ou será que menos sujo?

251
ASCENSOR

I. PANE

Quando o elevador quebra,

Isaías solicita o serviço de assistência técnica.

Se perguntam por que parou ou o que aconteceu,

ele responde: − Furou o pneu!

252
253
II. RECOMEÇAR

Natércio é ascensorista de um prédio de dez andares.

Certa vez, subiram dez pessoas no elevador,

cada uma pra um andar diferente.

Quando desceu o último passageiro,

Tércio retornou ao zero.

254
WILMA, RÉGIS, SILVESTRE

I. GARANTIA

Há três anos Wilma compra DVDs na mesma loja.

O vendedor sempre diz:

− Se tiver algum problema, pode vir que a gente troca!

[Ela já precisou algumas vezes, mas nunca levou pra trocar]

255
II. GIROS

A última saída fotográfica não teve tema específico.

O professor sugeriu:

− Registrem o que for mais bonito.

Régis olhou pra colega:

− Pode me dar um sorriso?

III. ACESSÓRIO FUNDAMENTAL

É quase um ritual...

Silvestre não pinta parede sem o seu chapéu de jornal!

256
PROVÉRBIOS

Não há mal que nunca acabe,

não há bem que sempre dure.

Não há como esquecer o seu perfume.

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258
ESTRAGO

Dor de amor demora a passar.

Incomoda noite e dia.

É lesão no coração,

não tem fisioterapia.

No copo o bebum escondia

a dor que sentia no peito.

Já estava insatisfeito

e não via mais saída...

259
Pediu pro garçom uma pinga,

molhou a “menina” no beiço,

fez careta, gargarejo,

cuspiu a mazela que tinha...

Transformou em xiboquinha

o mel da melancolia!

Foram muitos os relatos

sobre aquela agonia.

Enquanto Gélson lembrava,

seu corpo todo tremia.

Dizia mais pelos olhos

que por sua fala ébria:

− E agora o que será de mim?!

O que será de mim sem ela!

260
Depois de muito bochecho,

de tomar quanto podia,

caiu na mesa de queixo!

Não teve nem pesadelo

− dizem −,

pois fez uma xiboquinha

com mel de melancolia!

Entre trôpego e cambaleante,

rastejou pela noite errante.

261
HUMANIDADE LINCHADA

Correu um boato na rede,

causou revolta na massa.

Juntaram a comunidade,

passaram de casa em casa.

Retrato falado na mão,

um texto de acusação

e a mais atroz decisão:

liquidar a “ameaça”.

262
Em ação imediata,

raptaram a “suspeita”,

que disse não ser aquela

do caso de “magia negra”.

De nada serviram palavras

ante o ato de barbárie,

espancaram Fabiane

com frieza e crueldade.

Não resistindo à agressão,

hoje é um corpo no caixão,

aos trinta e três de idade.

263
Essa atitude covarde

precisa ser rechaçada.

Passam as gerações,

as eras, o tempo passa...

e ainda tem cidadão

queimando “bruxa” na praça!

Que não nos atinjam suas pedras!

Continuemos tentando

sair da “Idade das Trevas”!

264
265
266
EXTERMINADOR

Mike é agente da Lei.

Onde quer que vá, sempre vai armado:

– Ferramenta de trabalho! – diz.

Certa vez presenciou um assalto,

mas ao puxar a “quadrada”,


ela caiu num buraco.

No dia seguinte,

foi ao Shot Shop comprar revólver.

Hoje leva um na cintura

e outro na perna:

– Garanti minha reserva!

267
268
ENCENAÇÃO

Grito do Ipiranga, Sete de Setembro:

mesma mentira contada há muito tempo.

269
O HOMEM-BOMBA NA CORDA BAMBA

Um dia mudo,

um dia estudo,

um dia explodo.

Um dia tudo.

Um dia todo.

270
QUIROMANCIA

– Mas o que a leitura da mão tem a ver com o coração?!

– Não pense estreito... Pelas extremidades conhecemos o centro.

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272
AC/DC

– Matei o passado! – bradou Carla no balcão.

– Sempre fui sem futuro! – disse Júlio na mesa.


Olharam-se na fila do caixa. Presente acontecimento.

273
FLORespinhos

Mostre-me a flor...

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que te mostro os espinhos.

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DESVENDAR

– Você não sabe quem eu encontrei...

– Não... Sério?!

– Sim! Estávamos no mesmo ônibus e descemos no mesmo ponto.

– Então moram perto um do outro...?

– Os gatos que eu observava no sétimo andar do prédio da frente...

279
– São dela?! Caramba! E agora, vão dar boa noite na janela...?

– Agora...? Vai passar mais um tempo, vou reencontrá-la casualmente,

vamos caminhar juntos e descobrirei que os miados que vem da porta

do apartamento da frente...

– São dos gatos dela... E aí?

– Vão passar mais uns anos, nos esbarraremos de novo e descobrirei

que os gatos que sobem na minha cama de manhã para ronronar no

meu peito... são os gatos dela.

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281
EMBARAÇO

A função da grade é demarcar o espaço;

alertar que por ali não se deve entrar ou sair.

Mas às vezes alguém pode reagir.

E forçar o alambrado.

Por fim, ninguém ficará intacto:

nem a grade, nem o cacto.

282
283
BRAVO GALO

Ele caminha despreocupado,

ignorando o funesto quadro


que anuncia sua sentença:

“Pollo Frito” ou “Chicharrón de Pollo”.

Tanto faz o nome que o darão à mesa...

284
285
PARALISAÇÃO

– Você podia ir ao céu, mas de repente parou...

– Quando senti seu abraço, o meu destino mudou!

286
287
REFRAÇÃO

Numa tarde ensolarada,

se cinzento te sentires,

vá ao parque observar

a fonte do arco-íris!

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289
CAMÉLIDOS

Só confio na arte que engana.

Perguntei se era cachorro

(pensando que era porco),

mas alguém respondeu:

– É lhama.

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VOADORES

– Girar de ponta-cabeça não te enjoa, voador?

– Concentro-me na música da flauta e do tambor.

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UM TEMPO OS SALGADOS NÃO CHEGAM
E OS OLHOS SE ENXERGAM

No Rei do Mate, alguma tarde. Atrás de mim um espelho.

A moça da mesa da frente olha em minha direção,

não sei se para mim ou se para si.

Notou que notei, notei que notou. Baixamos a vista com certo receio.

Olhares alheios também são espelhos?

296
ESSÊNCIAS

Vidro aberto, olhos fechados,

já sei onde o “buso” está...

Assim que sinto o aroma

das flores do Araçá!

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ARTES E OFÍCIOS

– O que você acha de unir

seu trabalho à minha marca?

Posso te mandar uma proposta...

– Não é um trabalho;

não faço por encomenda.

Minha arte é barata,

mas não está à venda.

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RISCOS

Chove.

Atenção ao andar pela calçada:

pode o pé querer entrar na poça d’água.

Pode a poça ser profunda,

como não se esperava.

Chove.

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Torça pra que as pontas dos guarda-chuvas

passem longe dos seus olhos.

E que a lama chutada pelos carros

não te toque.

e.

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VOCAÇÃO

Nivaldo é piloto de trem.

Mas é bem fácil notar,

pelo jeito de anunciar

cada estação do metrô,


que muitas vezes na vida

ele sonhou ser locutor.

LIFE FERRORAMA

Era domingo. Nancy deveria descer uma estação antes da que desce

todos os dias. Porém, distraída, foi até a parada seguinte. Lá, pegou a

saída de costume e, só ao notar as portas fechadas do edifício onde

trabalha, caminhou ao seu destino que havia ficado para trás:

o shopping.
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TRÊS CORES, TRÊS LINHAS,
SEIS ESTAÇÕES

– Dá uma olhada nesse mapa, por favor.

Você sabe como faz pra chegar aqui?

– Nunca ouvi falar dessa praça.


É um bairro que não conheci.

Naquela estação só passei

no dia em que me perdi.

Na verdade, te falo,

“minha cidade” é menor que São Paulo.

308
ESTREITAS CALÇADAS

Ameaço ir para um lado, ela também.

Ameaço para o outro, ela também, de novo!


Ninguém recua ou avança:

– Moça, obrigado pela dança!

Passo.

309
POLE POSITION

A cadeira de rodas de Tales

parece que tem motor,

quando desce em velocidade

pela rampa do metrô!

Os guardas gostam,

mas fingem adverti-lo.

E ele acena como consentindo...

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FRITURAS

Dizem que faz mal,

mas não existe nada igual.

Brilham os olhos,

brilha o óleo.

“Vai que a fome tá cruel!”

O melhor da feira é o pastel!

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LA RICA LARICA

– Vítor, prove isso!

Veja se não tem o sabor do Céu!

– Mas vó, eu nunca estive Lá...

– Provando você estará!

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JARDIM

Todo final de tarde,

dona Alba pega um balde

para as plantas da praça molhar.

Eu não posso garantir,

mas penso que quando ela chega,

cada uma das plantas sorri.

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FLOR DO BUEIRO

Descendo pela Brigadeiro,

a vi logo abaixo de mim.

Pensei: “minha cara florzinha,

que estranho esse seu jardim!”

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HORIZONTES

– Correto... mas onde você quer chegar com tudo isso?!

– Ao início.

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ÍNDICE

pág. 09: Prefácio de Olavo Brito


pág. 12: Ajudante
pág. 15: Perspectivas
pág. 18: Dor, Dor
pág. 20: Teias
pág. 22: Chuvas
pág. 23: Herança
pág. 24: Subjetivas
pág. 26: Trava-língua
pág. 30: Verdadeiro Eldorado
pág. 34: Brilho
pág. 35: Tesouros
pág. 36: Tentação
pág. 40: Decisões
pág. 44: Constantino Inconstante
pág. 45: Sem Juiz
pág. 47: Bolão
pág. 48: Fortuna
pág. 50: Cartelas
pág. 53: Ritmos
pág. 56: Sereias
pág. 60: Desocupação
pág. 62: Trancas
pág. 66: Celas
pág. 68: Grades
pág. 70: Exit-Êxito
pág. 72: Retiro
pág. 74: Intersecção
pág. 76: Viagens
pág. 80: Falta
pág. 82: Averiguação
pág. 85: Cartazes
pág. 86: Pelego
pág. 91: Ressaca da Copa
pág. 92: Happy End
pág. 94: Amor é o que passou
pág. 98: Remoção
pág. 99: Va zios
pág. 101: Ecoar
pág. 104: Repouso
pág. 108: Fobia
pág. 109: Ponte da Amizade
pág. 112: Fim de ano: I. Árvore / II. Fantasia
pág. 114: Fim de ano: III. Presentes
pág. 117: Sem grife
pág. 118: Corpo e palavra
pág. 120: Peck Deck
pág. 122: Cerro Arriba
pág. 124: Peleja da madrugada
pág. 125: Parcialmente informal
pág. 126: Check up
pág. 127: Cápsulas
pág. 128: Remédios
pág. 130: Profecias
pág. 132: Mito de origem
pág. 134: Ninguém visita o cozinheiro
pág. 137: Sirenes
pág. 140: Bitucas I.
pág. 141: Bitucas II.
pág. 145: Cargas
pág. 146: Sísifo
pág. 148: Horários
pág. 151: Dia-a-Dia
pág. 152: Preguiça sem prejuízo
pág. 154: Ampulheta
pág. 157: Fora de Hora
pág. 158: Retrospectivas
pág. 162: Playimmobile
pág. 164: Trânsito
pág. 166: Sereia do Sacomã (Linha 478-P)
pág. 167: Ruborizar
pág. 169: Sensores
pág. 170: Triste Estátua
pág. 171: Detectores
pág. 172: Greve, Groove
pág. 174: Bancário do mês
pág. 175: Contas
pág. 176: Peregrinos
pág. 178: Audiência
pág. 179: Cinegrafista Amador
pág. 180: Hora Extra
pág. 182: Clowndidato
pág. 184: Pizarra
pág. 186: O último ato de Thiago Klimeck
pág. 187: Nove de Julho
pág. 188: Ciclismo Mortuário
pág. 192: Rotinar
pág. 195: Ode a um íc(l)one
pág. 196: Jam
pág. 197: Virtuose
pág. 198: Estampas
pág. 202: Música
pág. 204: Orwellinálias
pág. 206: Siesta
pág. 208: Cordilheira
pág. 211: Trajetos
pág. 212: Reconforto
pág. 213: Gnomos
pág. 214: Queda
pág. 216: Última Ceia
pág. 218: Amor
pág. 220: O cão, a cadela e o dog / I. Indistinção
pág. 221: O cão, a cadela e o dog / II. Manha
pág. 223: O cão, a cadela e o dog / III. O que é do homem, o bicho não... bebe!
pág. 224: Despedidas
pág. 226: Bright side
pág. 228: Sherlock
pág. 229: Taumaturgo
pág. 230: Permutas
pág. 231: Notícias / I. Tragicomédia
pág. 233: Notícias / II. Deduções
pág. 235: Bastidores da notícia
pág. 236: Reciclagem
pág. 239: Spider
pág. 240: Ludometáfora
pág. 242: Texturas
pág. 244: Subsolos
pág. 246: Batalha de Flores
pág. 249: Carnaval
pág. 251: Assepsia
pág. 252: Ascensor / I. Pane
pág. 254: Ascensor / II. Recomeçar
pág. 255: Wilma, Régis, Silvestre / I. Garantia
pág. 256: Wilma, Régis, Silvestre / II. Giros / III. Acessório Fundamental
pág. 257: Provérbios
pág. 259: Estrago
pág. 262: Humanidade Linchada
pág. 267: Exterminador
pág. 269: Encenação
pág. 270: O Homem-Bomba na Corda Bamba
pág. 271: Quiromancia
pág. 273: AC/DC
pág. 274: FLORespinhos
pág. 279: Desvendar
pág. 282: Embaraço
pág. 284: Bravo Galo
pág. 286: Paralisação
pág. 288: Refração
pág. 290: Camélidos
pág. 294: Voadores
pág. 296: Um tempo os salgados não chegam e os olhos se enxergam
pág. 297: Essências
pág. 300: Artes e Ofícios
pág. 302: Riscos
pág. 306: Vocação
pág. 306: Life Ferrorama
pág. 308: Três Cores, Três Linhas, Seis Estações
pág. 309: Estreitas Calçadas
pág. 310: Pole Position
pág. 312: Frituras
pág. 314: La rica larica
pág. 317: Jardim
pág. 319: Flor do Bueiro
pág. 320: Horizontes
ÍNDICE DE FOTOS

Fotos por João Mauro Araujo.

pág. 13: Veronica e Carlos. San Cristóbal de las Casas / Chiapas / México.
pág. 14: Amanhecer em São Paulo. SP / Brasil.
pág. 16: Amanhecer em São Paulo. SP / Brasil.
pág. 17: Amanhecer em São Paulo. SP / Brasil.
pág. 18-19: Cantadores na Praia de Iracema. Fortaleza/ CE/ Brasil.
pág. 21: Frase em orelhão “Empiezo a olvidar su olor”. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 25: Fim de tarde na Ponte dos Ingleses. Fortaleza / CE / Brasil.
pág. 27: Frase em muro da Avenida São João. SP / Brasil.
pág. 28: Garimpeiros em mina de Pedra Lavrada. Paraíba / Brasil.
pág. 29: Mina em Pedra Lavrada. PB / Brasil.
pág. 31: Garimpeiros extraindo caulim com pás. Junco do Seridó / PB / Brasil.
pág. 32: Garimpeiros extraindo caulim com pás. Junco do Seridó / PB / Brasil.
pág. 33: Mina em Pedra Lavrada. PB / Brasil.
pág. 37: Bola na trilha. Guarujá / SP / Brasil.
pág. 38: Campo de futebol em Brasília Teimosa. Recife / PE / Brasil.
pág. 39: Trave de futebol no bairro de Brasília Teimosa. Recife / PE / Brasil.
pág. 41: Placa de trânsito na Vila Pompéia. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 42: Futebol de areia na Terra de Iracema. Fortaleza / CE / Brasil.
pág. 43: Futebol de areia na Terra de Iracem. Fortaleza / CE / Brasil.
pág. 49: Abrele la Puerta a la Suerte, pintura de Ariosto Otero na
Lotería Nacional. Cidade do México / México.
pág. 51: Estátua Deusa de la Fortuna. Cidade do México / México.
pág. 52: Estátua Deusa de la Fortuna. Cidade do México / México.
pág. 54-55: Solitária Sereia. Córdoba / Argentina.
pág. 57: Fachada de casa fechada. Porto Alegre / RS / Brasil.
pág. 58: Fachada de casa fechada. Porto Alegre / RS / Brasil.
pág. 59: Fachada de casa fechada. Porto Alegre / RS / Brasil.
pág. 61: Calçada de chaveiro. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 63: Calçada de chaveiro. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 64: Grafite por Cavalcante, Luísa Gabriela Santos, Paulo Chimendes,
Tânia Cappra e Vânia Rigger. Porto Alegre / RS / Brasil.
pág. 65: Calçada de chaveiro. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 67: Porta de prisão política desativada. Centro Clandestino de Detención.
Córdoba / Argentina.
pág. 69: Roupa usada por preso político. Acervo do MUME. Montevidéu / Uruguai.
pág. 71: Encontro das Águas. Manaus / AM.
pág. 73: Correspondência.
pág. 75: Encontro das Águas. Manaus / AM / Brasil.
pág. 77: Navegantes no Rio Solimões. AM / Brasil.
pág. 70: Navegantes no Rio Solimões. AM / Brasil.
pág. 78-79: Trailers em mirante de Canoa Quebrada. Aracati / Ceará / Brasil.
pág. 81: Vitrine em loja na Avenida Paulista. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 82-83: Cobertor coberto. Porto Alegre / RS / Brasil.
pág. 84: Camisetas para manifestantes. Porto Alegre / RS / Brasil.
pág. 86-87: Grafite na Rua da Consolação, por Crânio e Mundano. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 88: Grafite em porta de escola, por Paulo Ito. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 89: Trailer de torcedores deixando a Capital Federal. Brasília / DF / Brasil.
pág. 90-91: Trailer de torcedores deixando a Capital Federal. Brasília / DF / Brasil.
pág. 93: Grafite em muro de Biblioteca. Montevidéu / Uruguai.
pág. 95: Grafite na Avenida Pompéia, por Alex Senna. SP / Brasil.
pág. 96: Grafite no Buraco da Paulista, por Rui Amaral. SP / Brasil.
pág. 97: Grafite na Avenida 23 de Maio, por Nunca, Os Gêmeos e outros. SP / Brasil.
pág. 102: Sofá abandonado. Belém / PA / Brasil.
pág. 103: Sofá abandonado. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 104: Grafite do Não Moska. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 105: Sofá abandonado no bairro de Santa Cecília. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 106: Frete. Cusco / Peru.
pág. 107: Sofá abandonado. Natal / RN / Brasil.
pág. 110-111: Pessoas Atravessando Fronteira Paraguai-Brasil. Foz do Iguaçu / PR / Brasil.
pág. 113: Roupa para Aluguel. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 115: Roupa para Aluguel. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 119: Grafite em porta de academia. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 121: Grafite em porta de academia. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 123: Escadas de acesso à Igreja de Guadalupe.
San Cristóbal de las Casas / Chiapas / México.
pág. 129: Grafite em parada de ônibus. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 131: Grafite em parada de ônibus. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 133: Arte de rua. Santiago / Chile.
pág. 136: Noite de tráfego lento. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 138: Ambulância pulando calçada, na Avenida Paulista. SP / Brasil.
pág. 139: Ambulância no trânsito de São Paulo. SP / Brasil.
pág. 142-143: Muro de escola de natação desativada. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 144: Carregador no Porto de Manaus. Manaus / AM.
pág. 146: Detalhe da Igreja dos Capuchinhos. Córdoba / Argentina.
pág. 147: Fachada de prédio. Porto Alegre / RS.
pág. 149: Quadro de Luiz Fernando Pinto. Salvador / BA.
pág. 152-153: Cachorro em palco na Casa dos Cantadores, em Fortaleza. Ceará / Brasil.
pág. 154: OFF Clock. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 155: OFF Clock noturna. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 156-157: Relógio envidrado. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 159: Carro na rua em novembro. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 160: Carro na rua em dezembro. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 161: Carro na rua em dezembro. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 163: Sinal fechado para pedestres. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 165: Amanhecer na janela. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 168: Desenho da Vanessa Carroccia.
pág. 172-173: Anúncio de greve em agência bancária de São Paulo. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 177: Obra do artesão Eduardo Jardineiro. Fortaleza / CE / Brasil.
pág. 181: Descanso dos malabares. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 183: Manifestação de palhaços no Zócalo. Cidade do México / México.
pág. 185: Desenhista em rua comercial. Lima / Peru.
pág. 192-193: Trio de forró em loja de móveis. João Pessoa / PB / Brasil.
pág. 194: Tim Maia - O Cover. Iguape / SP / Brasil.
pág. 199: Coturnos. Cidade do México / México.
pág. 200-201: Duas gerações de Mariachis. Cidade do México / México.
pág. 203: Mariachis aguardando clientes. Cidade do México / México.
pág. 205: Escultura de Antony Gormley, no Edifício Martinelli. SP / Brasil.
pág. 207: Artesã dormindo. Tiahuanaco / La Paz / Bolívia.
pág. 209: Cordilheira em janeiro. Chile.
pág. 210: Los Caracoles. Trecho da estrada para Santiago do Chile / Chile.
pág. 212: Quadros do acervo Christiano Câmara. Fortaleza / CE / Brasil.
pág. 215: Cartaz Corpo Interação. Córdoba / Argentina.
pág. 217: Artesanato em barro. Autor não identificado. Fortaleza / Ceará / Brasil.
pág. 222: Cachorro no lago. Montevidéu / Uruguai.
pág. 227: Boliviana. La Paz / Bolívia.
pág. 232-233: Goiaba esmagada. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 234: Bicicleta de jornal. Paseo de la Reforma. Cidade do México / México.
pág. 236: Esquilo em ação. Bosque Chapultepec. Cidade do México / México.
pág. 237: Esquilo em ação (parte 2). Bosque Chapultepec. Cidade do México / México.
pág. 238: Restauradores trabalhando em lateral de edifício residencial. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 239: Restauradores trabalhando em lateral de edifício residencial, detalhe.
São Paulo / SP / Brasil.
pág. 241: Domino Gratia na Sombra do Mucuripe. Fortaleza / CE / Brasil.
pág. 243: Grafite anônimo. Montevidéu / Uruguai.
pág. 245: Garagista. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 247: Funcionário de limpeza urbana. Recife / PE / Brasil.
pág. 248: Garis descansando. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 250: Folião “Suarez” (João José Lopes). Olinda / PE / Brasil.
pág. 258: Grafite, por autor anônimo. Porto Alegre / RS.
pág. 265: Stencil art em ponto de ônibus, de autoria desconhecida. Detalhe. SP / Brasil.
pág. 266: Stencil art em ponto de ônibus, de autoria desconhecida. SP / Brasil.
pág. 268-269: Stencil em muro. SP / Brasil.
pág. 272: Memorial da América Latina. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 275: Mostre-me a flor... João Pessoa / PB / Brasil.
pág. 277: que te mostro os espinhos. João Pessoa / PB / Brasil.
pág. 278: Natural resistência. Teotihuacan / México.
pág. 281: Natural resistência. Teotihuacan / México.
pág. 283: Natural resistência. Detalhe. Teotihuacan / México.
pág. 285: Cartaz de restaurante em Santa Rosa. Santa Rosa de Yavari / Loreto / Peru.
pág. 287: Inverno. Montevidéu / Uruguai.
pág. 288-289: Fonte do Parque Rodó. Montevidéu / Uruguai.
pág. 291: Escultura de planta. Puno / Peru.
pág. 292: Retrato de um volador. Paplanta / Veracruz / México.
pág. 293: Voladores. Paplanta / Veracruz / México.
pág. 295: Voladores de Paplanta em apresentação na Cidade do México. México.
pág. 298-299: Floriculturas na Avenida Doutor Arnaldo. SP / Brasil.
pág. 301: Colagem na Avenida Paulista, por Nazinho, Sticker e Pedro. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 303: Tempo fechado. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 305: Tempo fechado. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 307: Metrô. SP / Brasil.
pág. 310-311: Grafite na Turiassu, por Não Moska Crew. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 313: Vendedora de Acarajé no Mercado Santa Bárbara. Salvador / BA.
pág. 315: Mulher em Casa de Farinha. Saint Georges de l’Oyapock / Guiana Francesa.
pág. 315: Boliviana. La Paz / Bolívia.
pág. 316: Vendedora de Acarajé no Mercado Santa Bárbara. Detalhe. Salvador / BA.
pág. 318-319: Flor do bueiro. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 321: Pescadores no Rio da Prata. Montevidéu / Uruguai.

Colaborações

pág. 22: A gota d’água, foto por Ñasaindy Barrett de Araújo. Campinas / SP / Brasil.
pág. 46: Pelada no Rio Amazonas, foto por Maurílio Araújo. Macapá / AP / Brasil.
pág. 100-101: Espanto de espalda al espacio, foto por Alejandra Rivera. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 116-117: La Espera Que Desespera, foto por Alejandra Rivera. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 191: Jazigo Monteiro Lobato, foto por Marina Barreto. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 219: Julie, foto por Maurílio Araújo. São Paulo / SP / Brasil.
pág. 225: Despedidas, foto por Gabriel Duvidovich. Ankara / Turquía.
pág. 253: Ascensorista, foto por Adriano Capelo. São Paulo / SP / Brasil.
Este livro foi composto em EHU Sans e
impresso por Ipsis gráfica e editora em
Novembro de 2017. Tiragem: 50 cópias.
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