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Engª Ana Cristina Pinheiro

CREA 5060434277/SP

MEMÓRIA DE CÁLCULO DE MURO DE ARRIMO EM CONCRETO ARMADO


MURO EM SAPATA CORRIDA

Obra:

Execução de Muro de Arrimo – Conjunto Habitacional Jardim Arpoador


Av Gal. Asdrúbal da Cunha, Raposo Tavares / SP, São Paulo.
Geologia encontrada: Solo silto-argiloso variegado vermelho, e argila siltosa,
cinza-escuro, com nível d’água variando de 2,67m à 8,27m da superfície, em
08/2012.
Pode-se adotar o peso especifico efetivo do solo (γ) a partir dos valores
aproximados das tabelas abaixo (Godoy,1972), em função da consistência da
argila e da compacidade da areia, respectivamente:

Para a estimativa do valor da coesão c, quando não se dispõem de resultados de


ensaios de laboratório, Teixeira & Godoy (1996), sugerem a seguinte correlação
com o índice de resistência a penetração (N) do SPT:
c=10N(kPa) = 10*5 = 50 kPa = 5 tf/m2, onde c’=(2*5)/3 = 3,33 tf/m2
Para a estimativa de φ Godoy (1983) menciona a seguinte correlação empírica com o
índice de resistência à penetração (N) do SPT:
φ = 28° + 0,4 N = 28 + 0,4*5 = 30º.

Contratada:
Villanova Engenharia e desenvolvimento Ambiental.
Engª Ana Cristina Pinheiro
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Cálculos dos Coeficientes de Empuxo Ativo e Passivo


Para a determinação do coeficiente de empuxo considere-se um semi-espaço
infinito de solo, constituído por um solo isotrópico, não saturado e de superfície
horizontal. A figura ilustra o que acontece com os elementos de solo A (caso
ativo) e B (caso passivo) à luz do círculo de tensões de Mohr.

Conforme mostrado, ambos os elementos partem de um círculo de Mohr


possuindo como tensões principais σv e K0×σv. Conforme apresentado nesta
figura, no estado em repouso o solo se encontra afastado da ruptura. Com o
deslocamento do muro em direção ao solo, as tensões horizontais no elemento B
se tornam maiores que o valor da tensão vertical, sendo seu valor limite alcançado
quando o círculo de Möhr passa a tangenciar a envoltória de resistência do solo.
Neste instante, diz-se que o solo está em um estado de ruptura passiva. De
maneira análoga, com o deslocamento do muro se afastando do solo, as tensões
horizontais no elemento a diminuem até que o círculo de Mohr tangencie a
envoltória de resistência, caracterizando um estado de ruptura ativa. Para uma
condição de ruptura, as tensões principais estão relacionadas de acordo com as
equações apresentadas adiante.
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Coeficientes :

σh=(σv * kp) + (2*c’*kp), em que kp= tg²(45+(φ´/2)) – passivo


σh=(σv * ka) - (2*c’*ka), em que ka= 1/( tg²(45+(φ´/2))) - ativo

Cálculo do empuxo ativo – altura de 3.30m

Para os solos não coesivos, a variação das tensões horizontais é linear com a
profundidade. O diagrama resultante será triangular e o empuxo consistirá na
integração das tensões laterais ao longo da altura. A figura abaixo ilustra a
obtenção do empuxo ativo sobre uma estrutura de contenção pelo método de
Rankine, para os casos de solos não coesivos e coesivos.

Conforme se pode observar, para o caso dos solos coesivos, os valores de empuxo
obtidos até uma profundidade z = z0 são negativos. A ocorrência de empuxo
negativo sobre a estrutura de contenção é pouco provável, pois neste caso
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haveria uma tendência do solo se “descolar” do muro. Além disto, até a


profundidade de z = z0, é provável a ocorrência de trincas de tração no solo.
Deste modo o empuxo negativo sobre a estrutura de contenção é geralmente
desprezado, calculando-se o empuxo a partir da altura reduzida do muro, h = H –
z0, conforme mostrado acima.

A integração das tensões horizontais ao longo do muro de arrimo representa o


empuxo ativo atuando sobre a estrutura de contenção, conforme a equação
seguinte:

Ea=(γ*h^2*Ka)/2

No nosso caso, segundo a tabela de Meyerhof (1956), que correlaciona SPT x


Ângulo de atrito em graus:

Compacidade NSPT Ângulo de atrito - φ ( ° )


Fofa ≤ 4 < 30
Pouco compacta 5 - 10 30 - 35
Medianamente compacta 11 - 30 35 - 40
Compacta 31 - 50 40 - 45
Muito compactada > 50 > 45

Fazendo φ=30° (pág. 1) , vem:


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Ka=tg²((45-(30/2))= 0,33; temos, da tabela da pág. 1, γ=1,8 tf/m2.


Para Ka=0,33, Ea=(1,8*3,30² * 0,33) / 2 = 3,23 tf.

Cálculo do momento fletor


A força resultante de empuxo “Ea” é descrita acima como sendo 3,23 tf.
Esta força se encontra no baricentro de um triângulo, dado por 1/3 da altura “h”,
a partir da base.

Logo, o momento fletor na base do muro será dado por M=(((γ*h²*Ka)/2)*(h/3)),


onde ((γ*h²*Ka)/2) = Ea.

Mempuxo=( (3.23 * (1,50/3)) = 1.62 tf*m


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Cálculo da armadura de flexão do muro – fck=25 MPa (Progr. PRJFlex)

Temos acima, 3,73 cm2/m, encontrada a partir do momento de 1,62 tf*m/m, já


majorado pelo programa em 1,4 vezes. A armadura é dada por Ф 8mm cada 12,5
cm (4 cm²/m) para a armadura principal do muro.

Como estamos considerando hipóteses de cálculo de empuxo horizontal somente


na direção transversal do muro, ou seja, nossa teoria (Rankine) não leva em
consideração os esforços no sentido longitudinal, a armadura de distribuição,
segundo a NBR 6118/2003, é dada pelo maior dos valores:

0,2 * Asprinc. = 0,2*4= 0,8 cm2/m


0,9
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0,5 * ρ,min = 0,5*0,0015*(100*19)=1,42 cm2/m - adotado 6.3mm c/15 cm = 2,1


cm2/m

Cálculo dos Fatores de Segurança F.S. do muro

1 – Estabilidade contra o tombamento


mr/ma >= 1,5

mr=momento resistente
ma=momento atuante.

Cálculo do Mr:
Altura de terra= 1,50m
Peso de terra= 1,5*1,8*1,0= 2,7 tf
Mr,terra=2,7*(1,0/2)=1,35 tf*m
Mr,muro=1*(3,23)*tg(30)=1,86 tf*m
Mr,total=3,21 tf*m

Momento atuante= 1,62 tf*m/m, logo, F.S.=3,21/1,62 = 1,98 > 1,5 ok.

2 – Estabilidade contra o deslizamento


F.S.=((P*tg φ) / (Ea-Ep)); F.S deve ser maior que 1,5;

Onde:
φ= 30º
Ea=1.62tf = na faixa de 1m, temos 1,62 tf/m
P1=peso próprio do muro, por metro = ((2,5*0,19) + (1,00*0,25))*2,5= 1,81 tf/m
P2=peso da terra=1,5*1,8*1=2,7 tf/m
Ptotal= 1,81 + 2,7 = 4,51 tf/m
Kp= 1/Ka = 1/0,33 = 3,0

Ep= empuxo passivo = [(2c√kp) + (2c√kp + γ*h*kp)]/2 = 20,02/2 = 10 tf.


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Epd = 10/2 = 5 tf (compatibilidade de deslocamentos)

F.S.=(4,51 + 5) / 1,62 = 5,9 > 1,5 – ok.

3-Estabilidade contra a ruptura do solo – fundação

Temos σmáx < Qmáx/2,5

Qmáx = c’ * Nc + Qs * Nq + 0,5*γf * B * Nγ (Terzaghi e Peck,1967)

c'= 3 tf/m2 – pg1.


Para φ=30, temos Nc = 30,14 , Nq = 18,40 e Nγ = 22,40 , segundo Vesic, 1975,
(Tabela para Fatores de Capacidade de Carga)

Qs = sobrecarga na base da sapata = 4,51 tf/m2


γf = peso específico do solo = 1,8 tf/m2
B= largura da sapata = 1,00m
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Logo, temos,

Qmáx = 3 * 30,14 + 4,51 * 18,40 + 0,5 * 1,8 * 1,00 * 22,40 = 194 tf/m2
σmáx < Qmáx/2,5 = 194/2,5 = 77 tf/m2
4,51 tf/m2 < 77 tf/m2 ok

Somatório dos momentos devidos a cargas externas

Ma = 1,62 – 1*(1,62)*tg 30 = 0,68 tf*m


e= 0,68/4,51 = 0,15 < B/6 – ok.
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Referências:

Godoy, 1972, Tese de Doutoramento – Imperial College, Inglaterra.

Teixeira e Godoy, 1996, notas de aula, Escola Politécnica, USP – São Paulo – SP.

Godoy, 1983, notas de aula, Escola Politécnica, USP – São Paulo – SP.

NBR 6118, 2003, Projeto de Estruturas de Concreto, Rio de Janeiro

Negro, A., Ferreira, A. A., Alonso, U. R. e Luz, P. A. C. (1992) – Solos da Cidade de


São Paulo