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2.

CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DO CONCEITO DA VIOLÊNCIA


DOMÉSTICA CONTRA A MULHER.

2.1- Breve histórico da Violência doméstica no Brasil.


Desde os tempos bíblicos que a mulher tem passado por gravíssimas
violações em seus direitos mais elementares, como direito à vida, à liberdade e
a disposição de seu corpo. Nas sociedades antigas, a mulher tinha pouca
expressão, era vista como um reflexo do homem, e tida como objeto a serviço
de seu amo e senhor. Também era vista como instrumento de procriação. Na
Idade Média a mulher desempenhava o papel de mãe e esposa, Sua função
precípua era de obedecer ao marido e gerar filhos. Nada lhe era permitido.
Antigamente as mulheres eram consideradas inferiores aos homens
submetendo-se as ordens e humilhação que a cultura lhe continha, vistas
apenas como mulheres do lar, a qual servia apenas para a manutenção da
prole e do lar, a partir do século XIX através do sistema capitalista, houve o
acarretamento de muitas mudanças na sociedade, com a revolução industrial
as mulheres saíram de seus lares e passaram a ir trabalhar em fabricas,
momento esse inovador para as mulheres, estas que detinham apenas o poder
de ser subordinada a seu marido, apenas trabalhando em casa, cuidando dos
filhos e dos serviços de casa. Saindo do “locus” que até então era permitido e
reservado (espaço privado) e migrando para o espaço público, mostrando aos
homens que não são inferiores, que podem fazer as mesmas coisas que eles,
iniciando assim a trajetória do movimento feminista.
Com o grande surgimento de protestos e rebeliões por parte das
mulheres nas ultimas décadas questionando o fato de seus valores serem
diferentes dos dos homens, fez com que surgissem mais oportunidades para
que elas pudessem trabalhar fora do lar. Isso foi favorecido pelo acesso à
educação, que tanto provocou a incorporação de um maior número de
mulheres no mercado de trabalho como aumentou sua participação política na
sociedade.
Embora se tenha tido acesso à educação, trabalho assalariado,
participação social e política, as mulheres têm uma face voltada para o lar e
outra para a rua, num grande esforço de sobrevivência, num tempo de ruptura
de um paradigma milenar. Há ainda certo preconceito com as atividades do lar,
que secularmente eram feitas apenas pelas mulheres, o que acaba provocando
uma sobrecarga nas mesmas. Nessa mudança, apenas o papel feminino foi
mudado, sem que o papel masculino fosse fundamentalmente alterado.
Com a Revolução Francesa, considerada a grande revolução burguesa,
surge o feminismo. E uma das primeiras manifestações feministas aconteceu
na França Revolucionária, liderada por mulheres francesas que exigiram da
Assembléia Constituinte o estabelecimento da igualdade dos direitos entre os
sexos, inclusive a liberdade de trabalho. Esse movimento feminista veio
representar para as mulheres uma tentativa importante de ruptura com a
história de submissão a que foram e são ainda impostas
Hoje a mulher ainda vive em condições desfavoráveis a ela, onde ainda
empenha papel de submissão ao homem, mesmo já tendo adquirido bastantes
direitos a mulher ainda é vista como propriedade do homem com quem
convive, seja ele seu esposo ou namorado.
Embora exista uma vontade mundial, no sentido de se combater a
violência de gênero, o problema encontra-se longe de ser erradicado.
Várias são as espécies de violência contra a mulher. E a história relata-
nos que a violência doméstica tem suas raízes alicerçadas de forma a definir o
papel da mulher no âmbito familiar e consequentemente social. Visa resguardar
o homem de forma a não lhe trazer inquietação, garantindo-se assim o poder
masculino em uma sociedade patriarcal, cujos valores são passados de pai
para filho.
Em se tratando de Brasil a luta contra a violência ao longo do tempo tem
alcançado avanços e retrocessos, em nível institucional e governamental.
Vários serviços de proteção foram criados e fechados; as leis são retrógradas e
várias mudanças pretendidas não lograram êxitos.
Historicamente, a mulher vivencia certos paradigmas na sociedade
brasileira. Tais paradigmas estão diretamente relacionados com o seu papel na
sociedade contemporânea, tendo em vista a visão arcaica que ainda
predomina entre a maioria da população. Visão esta que acaba por impulsionar
a violência de gênero no âmbito familiar e doméstico.
O mais alarmante é que a violência sempre esteve interligada no âmbito
familiar, porém não se tinha tamanha notoriedade perante a sociedade,
provavelmente pelo fato de se existir uma solidificação da figura masculina no
âmbito da família. Mesmo que não existisse os princípios básicos de uma
família, sociabilidade e afetividade, o simples fato de existe o domínio do
homem perante a mulher e os filhos acabava por cobri toda a violência que
havia por traz (GOMES, et al., 2007).
Em questões de nomenclatura, o termo violência pode ser descrito,
segundo a Organização Mundial da Saúde como sendo:

O uso intencional de força física ou do poder real ou ameaça


contra si próprio, contra pessoa ou contra um grupo ou
comunidade, que resulte ou tenha a possibilidade de resultar
em uma lesão, morte ou dano psicológico, deficiência ou
privação de liberdade (BRASIL,2006).
Quando se observa a violência em termos familiares ou domésticos os
significados tem uma certa variação. A violência familiar engloba atos que
aconteçam entre membros da própria familiar e que acabem por ocasionar um
déficit no bem estar social de um dos membros, já a violência doméstica não
necessariamente tem que acontecer apenas entre membros da família, pode
envolver empregados ou outros entes parentais (SILVA, et al., n.d.).
Em termos históricos, para Santiago & Coelho (2007), a violência contra
a mulher tem sua origem a partir da sociedade escravocrata, tendo em vista
que nesse período as mulheres eram criadas para serem submissas a seus
maridos, tendo como suas únicas funções cuidar dos filhos e do marido afim de
manter o seu relacionamento a qualquer custo que fosse.
A sociedade passa a ser modificada a partir da Revolução Industrial,
tendo em vista que as mulheres foram obrigadas a sair em busca de trabalho,
fator este que gerou um grande desconforto sendo que até o momento toda a
sociedade era gerida apenas por homens. (SANTIAGO & COELHO, 2007).
É possível afirmar que a violência contra a mulher acaba sendo um ato
social que muitas das vezes é aceito. Tal pensamento faz jus ao fato de existir
inúmeras punições para tais agressores e mesmo assim estes não se incubem
de comete-los. O que acaba por repetir um fato histórico de humilhação, onde a
mulher foi e ainda continua sendo submissa a figura patriarcal do homem
(CARNEIRO, 2009).
Ao se observar os dados de violência doméstica contra a mulher no
Brasil percebe-se que quando comparado os dados de 2006 e 2014 houve um
aumente de 10% no que tange a violência letal, resultado este que é refletido
em praticamente todos os estados do país. Ao se analisar a violência levando
em consideração a cor da pele verifica-se uma redução em 3% no número de
casos envolvendo mulheres de cor branca já entre as mulheres de cor preta
houve um aumento de 20% (BRASIL, 2016)Dessa forma, percebe-se que a
violência contra mulher no país ainda vem crescendo de maneira absurda.
Para tanto, o empenho governamental em criar políticas públicas que venha a
assistir esse público é de grande importância, tendo em vista os grandes
efeitos que a Lei Maria da Penha tem surtido no país, sendo que um dos
maiores foi a publicidade que tais atos teve perante a sociedade.

2.2- Conceito de Violência

O termo violência deriva da palavra latina vis, que significa força e se


refere às noções de constrangimento e de usar a superioridade física sobre
outra pessoa. É um comportamento que causa intencionalmente dano ou
intimidação moral a outra pessoa, ser vivo ou dano a quaisquer objetos. Tal
comportamento pode invadir a autonomia, integridade física ou psicológica e
mesmo a vida de outro. Pode ocorrer de diversas maneiras, como a violência e
o abuso sexual contra as crianças, maus-tratos contra idosos e pessoas com
deficiência, violência contra a mulher, etc.
Este grave problema que degrada a integridade das mulheres é
denotado por termos como violência doméstica, violência de gênero e violência
contra a mulher. A violência de gênero pode aparecer como física, psicológica,
violência sexual, econômica e violência no trabalho.
Conforme a visão de NUCCI ( 2013, p.609) , salienta que:

“ Violência significa, em linhas gerais, qualquer


forma de constrangimento ou força, que pode
ser física ou moral [...]”

Portanto, não se fala apenas em violência física, mas sim moral e psicológica
que, abalam a vítima não apenas fisicamente, mas diminuem seu ego e
abalando o seu íntimo.

Em nosso país, segundo a Organização Mundial da Saúde, uma em cada cinco


mulheres (20%) já sofreu algum tipo de violência física, sexual ou outro abuso
praticado por um homem (OMS). A violência contra as mulheres faz parte de
uma sequência crescente de episódios, incluindo mortes por homicídios,
suicídios ou a grande presença da ideação suicida, além de doenças
sexualmente transmissíveis, doenças cardiovasculares e dores crônicas.

A Convenção de Belém do Pará (1994), define :


[...] a violência contra a mulher constitui
uma violação aos direitos humanos e às
liberdades fundamentais e limita total ou
parcialmente à mulher o reconhecimento, gozo
e exercício de tais direitos e liberdades [...]
violência contra a mulher é qualquer ação ou
conduta, baseada no gênero, que cause morte,
dano físico, sexual ou psicológico à mulher,
tanto no âmbito público como no privado.

A violência é um ato de brutalidade, abuso, constrangimento, desrespeito,


discriminação, impedimento, imposição, invasão, ofensa, proibição, sevícia,
agressão física, psíquica, moral ou patrimonial contra alguém e caracteriza
relações intersubjetivas e sociais definidas pela ofensa e intimidação pelo
medo e terror. Segundo o dicionário Aurélio violência seria ato violento,
qualidade de violento ou até mesmo ato de violentar. Do ponto de vista
pragmático pode-se afirmar que a violência consiste em ações de indivíduos,
grupos, classes, nações que ocasionam a morte de outros seres humanos ou
que afetam sua integridade moral, física, mental ou espiritual. Em assim sendo,
é mais interessante falar de violências, pois se trata de uma realidade plural,
diferenciada, cujas especificnecessitam ser conhecida. Podendo assim,
ocorrer de maneira escondida, mas mesmo em suas formas leves ela se
baseia na dominação de um gênero sobre outro.
Violência Doméstica, segundo alguns autores, é o resultado de agressão física
ao companheiro ou companheira. Qualquer mulher pode ser vítima de violência
doméstica, não importando a classe social, raça, etnia, orientação sexual,
renda, cultura, nível educacional, idade e religião. Na lei Maria da Penha,
caracteriza-se o gênero, onde esta lei aplica-se apenas a mulher, violência
essa oriunda das agressões físicas, psicológicas e patrimoniais.

2.3- Principais Formas de Violência Doméstica

Existem diferentes formas de violência contra a mulher das quais destacamos a


violência intrafamiliar ou doméstica, violência física, sexual, psicológica e
moral, patrimonial e institucional.

A violência intrafamiliar é uma forma que muitas mulheres são submetidas, e,


ocorre entre os membros da família, independentemente se o agressor mora
na mesma casa ou não.

Violência física é qualquer agressão que se dê sobre o corpo da mulher. Pode


se dar por meio de empurrões, queimaduras, mordidas, chutes, socos, pelo uso
de armas brancas ou de fogo, etc.

A violência sexual é qualquer ato onde a vitima é obrigada, por meio de força,
coerção ou ameaça, a praticar atos sexuais degradantes ou que não deseja.
Este tipo de violência também pode ser feito pelo próprio marido ou
companheiro da vitima.

Violência psicológica e moral é a violência que se dá no abalo da autoestima


da mulher por meio de palavras ofensivas, desqualificação, difamação,
proibições, etc.
A violência patrimonial é qualquer ato que tem por objetivo dificultar o acesso
da vítima à autonomia feminina, utilizando como meio a retenção, perda, dano
ou destruição de bens e valores da mulher.

Violência institucional é qualquer ato constrangedor, fala inapropriada ou


omissão de atendimento realizado por agentes de órgãos públicos prestadores
de serviços que deveriam proteger as vítimas dos outros tipos de violência e
reparar as consequências por eles causados.

Uma das formas mais comuns de violência contra a mulher ocorre por seus
maridos ou parceiros íntimos. O fato é que as mulheres geralmente estão
envolvidas emocionalmente com seus parceiros e dependem financeiramente
deles, o que acaba resultando em sua sub Existem diferentes formas de
violência contra a mulher das quais destacamos a violência intrafamiliar ou
doméstica, violência física, sexual, psicológica e moral, patrimonial e
institucional.

A violência intrafamiliar é uma forma que muitas mulheres são submetidas, e,


ocorre entre os membros da família, independentemente se o agressor mora
na mesma casa ou não.

Violência física é qualquer agressão que se dê sobre o corpo da mulher. Pode


se dar por meio de empurrões, queimaduras, mordidas, chutes, socos, pelo uso
de armas brancas ou de fogo, etc.

A violência sexual é qualquer ato onde a vitima é obrigada, por meio de força,
coerção ou ameaça, a praticar atos sexuais degradantes ou que não deseja.
Este tipo de violência também pode ser feito pelo próprio marido ou
companheiro da vitima.

Violência psicológica e moral é a violência que se dá no abalo da autoestima


da mulher por meio de palavras ofensivas, desqualificação, difamação,
proibições, etc.
A violência patrimonial é qualquer ato que tem por objetivo dificultar o acesso
da vítima à autonomia feminina, utilizando como meio a retenção, perda, dano
ou destruição de bens e valores da mulher.

Violência institucional é qualquer ato constrangedor, fala inapropriada ou


omissão de atendimento realizado por agentes de órgãos públicos prestadores
de serviços que deveriam proteger as vítimas dos outros tipos de violência e
reparar as consequências por eles causados.
Uma das formas mais comuns de violência contra a mulher ocorre por seus
maridos ou parceiros íntimos. O fato é que as mulheres geralmente estão
envolvidas emocionalmente com seus parceiros e dependem financeiramente
deles, o que acaba resultando em sua submissão. Isso ocorre em qualquer
esfera social independentemente do grupo econômico, religioso, social ou
cultural ou missão. Isso ocorre em qualquer esfera social independentemente
do grupo econômico, religioso, social ou cultural.
A habitualidade destes crimes remete, dentre as principais causas, aos crimes
de poder: a natureza das relações interpessoais entre as partes; a banalização
e a incorporação do uso sistemático da violência para a resolução de conflitos
cotidianos, as diversas situações de hierarquias que permeiam as relações de
afetividade. (BANDEIRA, 2009, s. P.)
Vale ressaltar que a violência no âmbito doméstico não tem como vítima
apenas a mulher. Sofre com ela crianças, idosos e também homens, mas na
maioria dos casos são mulheres, portanto a necessidade da criação de uma lei
específica para estas.
Embora as formas de violência contra a mulher sejam as mais variadas, os
processos penais assim enquadrados na maioria dos Fóruns brasileiros listam
os crimes de ameaça, lesões corporais, homicídio, estupro, atentado violento
ao pudor, sendo os dois primeiros os mais predominantes (FREITAS, 2013, s.
P.)
No Brasil a violência contra as mulheres tem raízes patriarcais. Ademais
a violência contra as mulheres não é somente um fenômeno das classes
menos abastadas, está em todos os meios sociais. As que padecem os flagelos
maiores são as que estão nas classes menos favorecidas, devido as
circunstâncias que se encontram, fatores como: prole numerosa, falta de
estudo, desemprego, o homem é provedor do sustendo integral da família,
pressão dos familiares, além de outros fatores, influenciam no rompimento
desta relação e denúncia da violência vivida.

2.4- Causas e Consequências da Violência contra a mulher.


A violência contra a mulher não se trata apenas de um problema social e
jurídico, mas também de saúde pública em que agressões sobrepostas e
acumuladas, dependendo de sua gravidade e continuidade, podem ocasionar
distúrbios mentais, afetivo-emocionais, problemas de incapacidade física,
muitas vezes com danos irreversíveis.
Embora seja freqüente, não é algo novo, podendo ocorrer em qualquer camada
social, independente de condição socioeconômica e/ou grau de instrução. No
entanto, este tipo de violência muitas vezes por ser corriqueiro, passa
despercebido, banalizado ou normatizado, e conseqüentemente velado,
invisível. Na realidade, qualquer tipo de violência, seja de que tipo for, trata-se
de violação da dignidade, da ética e do respeito aos Direitos Humanos dos
cidadãos.
Além disto, a violência contra a mulher não se trata apenas de um problema
social e jurídico, mas também de saúde pública em que agressões sobrepostas
e acumuladas, dependendo de sua gravidade e continuidade, podem ocasionar
distúrbios mentais, afetivo-emocionais, problemas de incapacidade física,
muitas vezes com danos irreversíveis. Embora a violência de gênero possa ser
executada por ambos os sexos, os homens são predominantemente os
agressores (em 80% dos casos).
Mesmo assim, com toda a problemática desvelada e evidente aos olhos
públicos, as mulheres normalmente são tidas como culpadas pela violência
praticada contra elas mesmas, sendo algo inadmissível. Neste estereótipo, são
elas que não apresentam comportamento adequado, que não correspondem às
expectativas criadas pela sociedade patriarcal e nem aos papéis de conduta
que lhes foram impostos. São elas que muitas vezes não se submetem aos
desejos, caprichos e ordens que lhes foram e continuam sendo determinados,
e por este motivo são classificadas como rebeldes, precisando de dominação e
correção, merecendo “justa punição”, ou pior, puro descaso.
Vale à pena salientar que normalmente a violência física pode estar sobreposta
a outros tipos de violência, como a psicológica, a sexual, patrimonial, moral,
entre outras. Ter uma percepção acurada e um olhar crítico de agressões
consideradas “de menor magnitude”, no início de suas manifestações e tentar
erradicá-las através do diálogo, buscando diagnosticar o(s) fator(es)
propulsor(es) do problema, bem como fazendo o parceiro refletir sobre seu
comportamento violento, podem ser tentativas frutiferas para quebrar o ciclo da
violencia, visto que esta é sempre violência, não importando se é um empurrão,
comportamento de controle, desvalorização ou da quebra de um membro, esta
deverá sempre ser erradicada do convívio dos parceiros.
Tendo como principais causas:
- problemas conjugais;
- alcoolismo;
- traição;
- machismo;
- ciúmes (dos filhos, dos amigos);
- submissão ("mulheres não cumpriram atividades domésticas");
- drogas;
- possessividade;
- problemas financeiros;
- passividade;
- falta de instrução (baixa escolaridade).

E Como consequências:
- constrangimento;
- hematomas;
- infelicidade;
- ameças;
- dor física e emocional;
- trauma;
- vergonha;
- submissão;
- medo;
- denúncia;
- humilhação;
- divórcio;
- traição;
- problemas psicológicos.

A média nacional estimada é que a cada 15 segundos uma mulher é agredida


por marido ou companheiro, em geral em seu lar. Uma em cada três mulheres
no mundo é ou já foi vítima de agressão. Uma em cada cinco brasileiras
declara ter sofrido algum tipo de violência por parte de um homem e para 28%
destas a violência se repete.
2.5- Omissão das vitímas
De acordo com a cartilha Campanha permanente do Ministério Público
do ano de 2012, Maria da Penha em Ação, acredita-se que mais da metade
das mulheres que sofrem agressão permanecem caladas sem pedir ajuda.
Muitas desenvolvem o triste pensamento de que “foi só daquela vez” ou que
“esta vai ser a última vez”. Por vergonha, medo, dependências financeiras ou
emocionais, essas são muitas das causas cativas ainda de uma cultura que
“ruim com ele. Pior sem ele”, sofrem sozinhas e em silêncio. Em muitos casos
o agressor acusa a própria vítima de ser a responsável pela agressão e até
promete depois do ato agressor que não acontecerá novamente. Porém não
demora muito para que o ato monstruoso volte a ocorrer.
A violência doméstica e familiar seja ela física, psicológica, sexual,
patrimonial ou moral envolve na verdade mais do que tapas, socos, empurrões
e ameaças. Muitas vítimas chegam a declarar que vivem em situação de
violência não por dependência material, já que são elas que arcam com todas
as despesas do lar (alimentação, saúde, educação, lazer). Expõem que quando
se há filhos na relação, o caso é bem diferente, submetem-se a conduta
ofensiva do cônjuge para que os filhos não cresçam sem pai. Permitindo que
os pequenos membros de nossa sociedade estejam expostos à figura de um
ser de comportamento agressivo, explosivo e criminoso.
Mesmo contemplando a intensidade que esta realidade vem sendo
discutida é necessário cada vez mais trazer luz a essas mulheres do direito que
todas elas despõe de viver sem violência. Que quando gritam por socorro, não
é vergonhoso ,mas, demonstram dignidade, liberdade e cidadania. Faz com
que o Estado cumpra o seu dever de punir o responsável e proteger a vítima.

3- Desigualdade como sendo a base da violência


A discussão de gênero demostra que os papeis atribuídos a homens e
mulheres são reforçados pela ideologia machista e consolidados ao longo do
tempo ,pois as relações entre sexos não são naturais, mas são resultado do
processo de socialização das pessoas. Por não ser algo natural e sim advindo
do processo de socialização, pode ser transformado em igualdade
desconstruindo esses papeis e promovendo relações democráticas entre os
sexos.
A violência é portanto um meio de coagir, de submeter outrem a seu
domínio, é uma violação dos direitos essenciais do ser humano. A dominação
que o homem exerce sobre a mulher constitui uma das dificuldades para que
ela consiga sair da situação de violência em que se encontra.
A violência doméstica, tem raízes culturais, está relacionado a práticas
machistas que foram e continuam sendo a causa da desigualdade, que
legitimam e acabam contribuindo para que as mulheres se vejam como
dependentes no qual sentem dificuldades financeiras e emocionais, de romper
o ciclo de agressões.
É de suma importância manter as mulheres informadas e orientadas
sobre seus direitos e possibilidades, isso as auxiliam e encorajam a romper
com a situação de violência vivenciada.
A constituição cidadã de 1998 foi de extrema importância para a história
de lutas das mulheres pela igualdade, pois proclamou a igualdade jurídica entre
homens e mulheres, estabelecendo a igualdade de direitos civis, sociais e
econômicos. Define como princípio do Estado brasileiro a não – discriminação
por motivo de sexo, raça e etnia, proíbe a discriminação da mulher no mercado
de trabalho e estabelece direitos reprodutivos.
A mulher pode auxiliar na construção do seu papel como individuo ativo
na sociedade, participando de diretorias acadêmicas, associações de classes,
sindicatos, partidos, grupos de mulheres, enfim, pleiteando cargos de direção e
assumindo lideranças. Exigindo seus direitos à escola, ao trabalho, não abrindo
mão também de dirigir o carro do casal, não permitindo que paguem as suas
contas, não aceitando piadas, denunciando assédios sexuais e morais, vivendo
assim a sua sexualidade, sentindo-se dona do seu corpo, em fim reivindicando
seus direitos e a sua independência.
Um problema que leva as mulheres a continuarem vivendo em situação
de violência é justamente a dependência emocional em relação ao marido.
Muitas sofrem para manter o casamento, pelo fatos de confundirem o papel de
esposa como de mãe. Até chegam a denunciar o marido, mas não chegam a
se separar em definitivo.
Só que muitas vezes, o problema vai criando uma proporção tamanha
que ela necessita denunciar e quando o faz se sentem culpadas. Portando a
violência contra a mulher é entendida como um fenômeno social baseado nas
desigualdades de gênero e refletidas nos papeis atribuídos a homens e
mulheres.
3 ASPECTOS PROCESSUAIS E PECULIARIDADES DA LEI
11.340/2006.

3.1- Lei 11.340/06- Lei Maria da Penha


Em 2005, um projeto de lei que visava à proteção das mulheres no
âmbito doméstico foi aprovado na Câmara dos Deputados e, em julho do ano
seguinte, no Senado. Surgia assim, a lei 11.340/06, batizada de Maria da
Penha, em homenagem à farmacêutica bioquímica que ficou paraplégica por
causa de um tiro nas costas dado pelo próprio marido e se tornou um ícone da
luta contra a violência doméstica e a impunidade dos agressores.
São 46 artigos que regem esta Lei. A partir do primeiro artigo entende-se
que a Lei foi criada para combater qualquer tipo de violência contra a mulher.
Seja ela qual for sexual, moral, psicológica, física e patrimonial. Sua finalidade
é de punir aqueles que maltratam suas conviventes.
Existindo dentro destes 46 artigos capítulos sobre medidas de proteção
a mulher. Do artigo 1 º ao 4 º são disposições preliminares, dizendo a sua
finalidade, citando o artigo 226, § 8 º da Constituição Federal. Colocando
também sobre os direitos que a mulher pode exigir, além da sociedade ajudar
nessa luta contra a violência.
Do artigo 5 º ao 7º são disposições legais, que veio para explicar quais
as formas de violência doméstica contra a mulher, e o que configura a violência
doméstica contra a mulher, seja por ação ou omissão, causando-lhe morte,
sofrimento sexual, psicológico, mental ou moral.
Nos Artigo 8 º ao 12 º diz sobre do atendimento pela autoridade
policial, quer dizer que a partir do momento que um policial souber de algum
acontecido sobre violência contra a mulher, deve de imediato adotar as
providências necessárias legais.
Entre os Artigos 13 º ao 28 º começando com os procedimentos do
processos e julgamento e a execução das causas decorrentes da prática de
violência doméstica contra mulher. Das medidas protetivas de urgência;
medidas protetivas de urgência que obrigam o agressor; medidas protetivas de
urgência a ofendida; atuação do M.P, assistência judiciária.
Dos Artigos 29º ao 33 º são de equipe de atendimento multidisciplinar,
nada mais é do que profissionais da saúde, psicólogos, jurídicos, que
esclarecem por meio escrito ou verbalmente em audiências ao juiz, M.P, e a
Defensoria Pública resultados de laudos.
Nos Artigos 34 º ao 46 º são disposições finais que dizem o que compete
aos Municípios, Estados e a União fazer em relação a agressão. Como citado
no artigo 35, para ser feito delegacias, casa abrigo, programas e campanhas
de enfrentamento a violência domésticas.
Sabe-se que a lei foi um grande avanço no âmbito legal de proteção á
mulher, nesse contexto, Madaleno descreve:

Existem vários motivos para o deferimento


preliminar da previa separação de corpos entre
cônjuges desavindos, tanto que promulga no
Brasil a Lei 11340, de 07 de agosto de 2006,
conhecida como Lei Maria da Penha, para dar
resposta legal á crescente e impune violência
domesticam, e tentar estancar a desmedida
violência praticada contra a mulher.
(MADALENO, 2013, p. 329).

3.2 A Constituição Federal e a Lei Maria da Penha.

A partir da Constituição Federal Brasileira de 1988, foi que as mulheres


tiveram reconhecidos os seus direitos humanos e cidadania plena. Esses
avanços decorreram principalmente das grandes mobilizações, realizados
pelas próprias mulheres, através de ações direcionadas ao Congresso
Nacional, apresentando medidas e emendas populares, e articulando
movimentos que resultaram na inserção da igualdade de direitos sob os
aspectos de gêneros, raça e etnias.
Diante de tais fatores, a Constituição , como documento jurídico e
político dos cidadãos, buscou assim romper com um sistema legal fortemente
discriminatório contra as mulheres e contribuiu para que o Brasil se integrasse
ao sistema de proteção internacional dos direitos humanos.
Desta forma, no que tange ao contexto de adoção de normas e
princípios internacionais, á Constituição Brasileira aduz em seu artigo 5°, §º 2:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de


qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

(...)

§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem


outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos
tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.
Assim, entende-se que a criação da Lei Maria da Penha, vem calcada
diretamente no principio da dignidade da pessoa humana, previsto no artigo 1°,
inciso III da Constituição Federativa do Brasil de 1988, in verbis:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união


indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal,
constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos:

I. (...)
II. (...)
III. A dignidade da pessoa humana.