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Curso Fitoalquimia | Por Carlos Moraes

Ervas no Egito

A história nos conta, através de registros antigos, que nossos antepassados utilizavam o
conhecimento que possuíam sobre plantas para cura de males até então desconhecidos e
também para uso pessoal como “cosméticos”. Um dos povos que nos traz um pouco desse
conhecimento é o povo egípcio, que tiveram importância marcante por utilizarem dos
conhecimentos das ervas unindo astrologia e outros aspectos para compor todo o processo
de manipulação das plantas medicinais.

Datado de 1550 a.C., um dos mais famosos registros da época que temos é o Papiro de
Ebers, que continha centenas de fórmulas e remédios populares usados naquele período.
Esse documento descrevia uma lista de aproximadamente 125 plantas medicinais (entre
elas o Anis, Alcaravia, Cardamomo, Mostarda, Açafrão, Sementes de Papoula, etc.).
Também da cultura egípcia, podemos destacar o uso da Atropa Beladona. O sumo dessa
planta era retirado, ao espremerem as bagas pretas, e pingado nos olhos das mulheres
para dilatar suas pupilas e seduzirem seus “pretendentes”. Este e outros extratos
produzidos no Egito foram muito utilizados por Cleópatra.
Por volta de 1500 a.C., o meimendro, também chamado de belenho (Hyosciamus niger) era
usado pelos sentenciados de morte em poções para aliviar a dor e na época medieval,
ramos desta planta eram deixados nos banheiros e sobre os bancos de praças públicas
para causar um efeito narcótico na população que, desta maneira, era saqueada.



Feiticeiros e Bruxas do passado

A Mandrágora (Mandragora officinarum) tornou-se famosa na magia e bruxaria pela forma
estranha de sua raiz: por possuir formato de corpo humano, podemos perceber um dos
melhores exemplos no qual se aplica a teoria da assinatura dos corpos, de Paracelso.

Conforme conta-se em uma antiga lenda, essas plantas nasciam aos pés dos enforcados,
fato que fazia as pessoas daquela época acreditarem que suas propriedades afrodisíacas
provinham deste fenômeno. Além disso, estas propriedades são descritas na Bíblia em
Gênesis e Cantares. A Mandrágora também foi fruto de um grande sucesso teatral de
Nicolau Maquiavel em 1524, o mito que envolve a coleta da planta é apresentado por
Shakespeare em Romeu e Julieta e por J. K. Rowling, em 1998, na história de Harry Potter
ganhando, assim, espaço e difundindo o conhecimento acerca desta espécie entre os
adolescentes.

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Podemos perceber também a existência Ervas no Egito


da feitiçaria e bruxaria no passado por estudos de
alguns historiadores e pela própria religião Wicca: através da evocação das forças da
natureza utilizando os seus próprios elementos, como pedras e frutas; da preparação de
diversas ervas e sua utilização em banhos para si; e, também na preparação de poções
mágicas (que hoje também conhecemos como óleos essenciais) para pessoas usarem em
terceiros. O próprio altar das bruxas, antigamente também eram preparados com frutas,
pedras e ervas específicas que eram separadas para propósitos específicos.



Candomblé

Outro fato importante que temos que citar é o conhecimento energético das plantas que
utilizamos: algumas delas trazidas da África e Europa juntamente com o conhecimento dos
escravos no período da Colonização.

O Candomblé, além de todos os seus fundamentos, lendas e rituais, têm como base o
conhecimento dos orixás e uso das ervas. Para quase todos os rituais do Candomblé, se
utilizam ervas, sementes e raízes relacionados aos orixás para se estabelecer conexão e
equilíbrio. Esse conhecimento é passado apenas oralmente do pai-de-santo para o
filho-de-santo (como são chamados no Candomblé). Atualmente temos alguns autores que
tiveram autorização de seus pais-de-santo para escrever artigos e textos a respeito desses
assuntos, como, por exemplo, Pierre Verger.
Como o conhecimento é passado oralmente de pai para filho, muito do conhecimento
primário e original se perdeu ou foi modificado, sendo esquecido por uns, adaptado por
outros e atualmente, no Brasil, apenas em algumas regiões, temos um pouco desse
conhecimento ancestral a respeito das ervas e suas potencialidades espalhadas em nossa
terra.


Umbanda

Como o conhecimento é passado oralmente de pai para filho, muito do conhecimento
primário e original A Umbanda é uma religião nova, nascida em 15 de novembro de 1908,
atingindo seus 100 anos a pouco tempo. Muitos escravos que vieram nos navios negreiros
durante a Colonização utilizaram seu conhecimento mágico e da potencialidade das ervas
para ferir os senhores do engenho e aqueles que comandavam o plano físico, ao
desencarnarem os espíritos desses indivíduos adquiriram um endividamento espiritual por
consequência de seus atos.

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Mediante a toda essa densa atmosfera Ervas noocorreu


criada, Egitoa Outorga superior de fundação de
uma nova religião de cunho mediúnico e magístico. Com o objetivo de desfazer os nós
espirituais causados, os espíritos que ocasionaram a derrocada de várias pessoas foram
direcionados a trabalhar na mediunidade com os mesmos conhecimentos que um dia foram
utilizados para matar e ferir Ð agora voltados a ajudar e erguer muitos dos irmãos nossos
que sofrem.

Através dos médiuns nos quatro cantos do nosso Brasil, vários desses espíritos já
conscientes de seus débitos e com a vontade de se modificarem, manifestam trazendo seu
conhecimento espiritual através das ervas e das plantas medicinais para curar os doentes
de corpo e alma.

Logicamente que temos que levar em consideração que os espíritos não podem e não
fazem tudo. Temos que estudar e nos preparar de maneira firme e correta para que assim
possamos dar mais e melhores condições para eles trabalharem através de nossa
mediunidade. Sem o nosso conhecimento, muitas vezes, os espíritos nada podem fazer.

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