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Universidade Federal do Rio de Janeiro – Organizações Internacionais

Grupo: Carolina Marques, Dafne Sartorio, Leandro Studart, Paula Magalhães,


Thais Da Hora e Virginia Trugilho

Cenário para WCF:

Apesar de sua crueldade e frieza, a prática da mutilação dos genitais


femininos se mantém, ainda no século XXI, como uma antiga tradição difundida
pelo mundo todo, principalmente no continente africano. Ao todo, 130 milhões
de mulheres (sendo 100 milhões africanas) foram dilaceradas pela amputação
dos seus órgãos sexuais ao longo de 2012 e, mais de 6 mil meninas, a cada
dia, são submetidas a esse tipo de violência. O procedimento envolve o corte
do clitóris com facas, lâminas de navalha e fragmentos de vidros sem a mínima
assepsia nem anestesia. Essas práticas são difundidas não somente em
países africanos (28 em sua totalidade), mas englobam também países no
Extremo Oriente e, ultimamente, na Europa e nas Américas, como
consequência direta do constante fluxo migratório.

Dentre os países com o maior índice de mutilação de crianças, 98%,


encontra-se a Somália. Em sua cultura, as mutilações genitais são concebidas
como garantia da fidelidade e da fertilidade da mulher, e se traduzem como um
eficaz método de controle por parte do pai ou do marido, a fim de preservar a
castidade da mulher até o matrimônio. Na Somália, uma mulher que não se
submeta a esse tipo de procedimento desonra sua família e é colocada no nível
social mais baixo na sociedade étnica.

Além das evidentes consequências físicas que este tipo de ritual


apresenta à saúde das jovens que são submetidas, dentre elas: hemorragias,
infecções, severas complicações de parto e, claro a morte, ainda existe o
remanescente dano psicológico que as persegue pelo restante de suas vidas.
No entanto, a batalha contra essas mutilações não é algo simples, afinal, elas
são encaradas e defendidas como tradições culturais e tribais arraigadas há
séculos. A única solução vislumbrada por aqueles que acreditam na mudança
desse quadro sociocultural consiste em educar a população sobre os
malefícios desta prática e adaptar costumes como o da substituição do ritual
físico por algo simbólico.

Exatamente em busca de uma orientação que gere práticas e costumes


menos primitivos e mais saudáveis é que a World Childhood Foundation, uma
organização que possui projetos ao redor do mundo com o objetivo de
informar, prevenir e proteger crianças e adolescentes (especialmente meninas)
de abuso e exploração sexual, em recente visita à Somália, desenvolveu o
projeto “Counselling for girls affected by Female Genital Cutting” (inicialmente
estruturado por mulheres da Alemanha e Somália na Europa).

Após a divulgação do projeto, durante uma reunião do Ministro da Saúde


da Somália com Ylva Queisser, coordenadora do projeto na Alemanha,
membros da ONG e do Governo foram surpreendidos com protestos de várias
tribos locais, reivindicando o direito de preservar sua antiga tradição e seus
costumes, alegando que as meninas que não participassem do ritual seriam
discriminadas e mal quistas na sociedade.

O papel da WCF é, agora, agir da forma mais plausível diante de tais


protestos, e convencer o ministro da necessidade de esclarecimentos em
relação a esse assunto.

Bibliografia:

http://www.hrw.org/node/90862

http://eng.childhood.org/

http://www.mundodse.com/2012/05/mutilacao-genital-feminina-um-crime.html

http://www.who.int/hac/crises/som/sitreps/en/

http://www.stop-mutilation.de

http://www.didinho.org/ATRADICAOEAMUTILACAOGENITALFEMININA.htm

http://www.emro.who.int/media/news/womens-health-inislam-consultation.html

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