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P ERGUNTAS E

R E S P O S TA S
SOBRE PROJETOS
D I D ÁT I C O S

H I S T Ó R I A E I N T E R D I S C I P L I N A R I DA D E S –
P R O F. : E D I L B E R T O F L O R Ê N C I O
1 O QUE É PROJETO DIDÁTICO?
• Projeto didático é um tipo de organização e planejamento do tempo e dos
conteúdos que envolve uma situação- problema. Seu objetivo é
articular propósitos didáticos (o que os alunos devem aprender)
e propósitos sociais (o trabalho tem um produto final, como um livro ou
uma exposição, que vai ser apreciado por alguém). Além de dar um sentido
mais amplo às práticas escolares, o projeto evita a fragmentação dos
conteúdos e torna a garotada corresponsável pela própria aprendizagem.

• Os projetos estão mais populares do que nunca. Redes de todo o país


incentivam o trabalho com essa modalidade e algumas escolas preveem no
currículo os que serão realizados durante o ano.
2 QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DE UMA
BOA PROPOSTA?
• Tema: delimitar e conhecer bem o assunto que será estudado e pesquisá-lo
previamente.
• Objetivos: escolher uma meta de aprendizagem principal e outras secundárias
que atendam às necessidades de aprendizagem.
• Conteúdos: ter clareza do que as crianças conhecem e desconhecem sobre o
tema e o conteúdo do trabalho.
• Tempo estimado: construir um cronograma com prazos para cada atividade,
delimitando a duração total do trabalho.
• Material necessário: selecionar previamente os recursos e materiais que
serão usados, como sites e livros de consulta.
2 QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DE UMA
BOA PROPOSTA?
• Apresentação da proposta: deixar claro para a sala os objetivos sociais do
trabalho e quais os próximos passos.
• Planejamento das etapas: relacionar uma etapa à outra, em uma complexidade
crescente.
• Encaminhamentos: antecipar quais serão as perguntas que você fará para
encaminhar a atividade.
• Agrupamentos: prever quais momentos serão em grupo, em duplas e individuais.
2 QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DE UMA
BOA PROPOSTA?
• Versões provisórias: revisar o que a garotada fez e pedir novas versões do
trabalho.
• Produto final: escolher um produto final forte para dar visibilidade aos processos
de aprendizagem e aos conteúdos aprendidos.
• Avaliação: prever os critérios de avaliação e registrar a participação de cada um ao
longo do trabalho.
3 TODO PROJETO PRECISA SER
INTERDISCIPLINAR?
• Não. Um projeto focado em apenas uma área tem grande valor, já
que permite um mergulho mais profundo no conteúdo
trabalhado. Embora, às vezes, pareça que objetivos de disciplinas diferentes
estejam coordenados numa mesma proposta, muitas vezes só os relacionados
a uma delas estão sendo desenvolvidos. Num cenário ainda pior - e também
comum -, não são trabalhados de forma correta os conteúdos de nenhuma das
áreas.
• Um bom projeto é aquele que indica intenções claras de ensino e permite
novas aprendizagens relacionadas a todas as disciplinas envolvidas.
5 QUANDO OPTAR POR UM PROJETO?
• Alguns conteúdos curriculares permitem (e às vezes pedem) um trabalho
aprofundado e que inclua as práticas sociais relacionadas a ele.

• História

Conteúdos
Procedimentos de pesquisa e História oral e local
5 QUANDO OPTAR POR UM PROJETO?
• Por que é adequado
• Cria situações significativas de pesquisa, semelhantes às vividas por historiadores
• Garante que os alunos leiam e escrevam sobre o tema para um destinatário real, o
que é essencial para preservar as características sociais da linguagem nessa área

Erros mais comuns


• Aceitar a simples cópia de informações
• Não ajudar na interpretação dos textos
• Ignorar as relações entre o passado e o presente
• Adaptar textos ou apenas usar aqueles considerados de fácil leitura
6 COMO FAZER O PLANEJAMENTO?
• O primeiro passo é ter clareza sobre o que você quer ensinar, o que
espera que os alunos aprendam e o que eles já sabem. Assim é possível
garantir dois importantes critérios didáticos: a continuidade e a variedade de
conteúdos ao longo dos anos.

• Feito um recorte no conteúdo - levando em conta a faixa etária da turma e as


necessidades de aprendizagem -, é preciso conhecê-lo a fundo e selecionar os
materiais a ser usados, como textos, livros e sites. Só então são elaboradas as
etapas. Sobre o que eu espero que a classe reflita? No que quero que avance?
6 COMO FAZER O PLANEJAMENTO?
• Pensar no encadeamento das etapas também é fundamental. A ordem é lógica?
Esse é o melhor caminho para que a garotada aprenda? A próxima tarefa é
construir um cronograma e detalhar como desenvolver o trabalho em sala.
Nesse ponto, é essencial ter definido o produto final - uma feira cultural ou um
blog, por exemplo - e se haverá um momento de finalização e socialização do
trabalho. Em caso afirmativo, qual o objetivo dessa culminância? Essas decisões
interferem na gestão de tempo e na busca pelos recursos. Por fim, é necessário
definir os critérios de avaliação. Tudo isso precisa estar escrito e serve como
uma bússola para o trabalho.
7 CADA ETAPA DEVE TER UM
OBJETIVO?
• Sim. Apesar de o projeto necessitar de um propósito central (trabalhar
comportamentos escritores, por exemplo), cada atividade deve ter o
seu, sempre relacionado ao principal. Quando se sabe o que é preciso
ensinar em cada momento, é mais fácil intervir e ajudar a turma a avançar.
• Em alguns momentos, é possível pensar em objetivos secundários que não tenham
necessariamente relação com o propósito de ensino maior. É comum isso ocorrer
em atividades relacionadas ao produto final, como no caso de as crianças fazerem
um desenho para a capa do livro da turma. Isso não está ligado à escrita, mas é
uma ação comum na produção de publicações - dentro e fora da escola. Já que se
quer preservar as práticas sociais, vale prever isso. O principal cuidado é não
reservar muito tempo para esses momentos secundários. Eles devem ser pontuais
e focados.
8 COMO ANTECIPAR AS DIFICULDADES
DOS ALUNOS?
• Mais do que antecipar dúvidas, é preciso pensar em atividades
específicas para estudantes com níveis diferentes de saber. Para
contemplar todos eles, há três saídas: variar a complexidade das tarefas
apresentadas, organizar os alunos em grupos e dar atenção àqueles que mais
precisam. Para evitar problemas em relação a atividades como pesquisas,
entrevistas e interpretação de dados, a solução é investigar as experiências que
os estudantes tiveram anteriormente e, se necessário, reservar um tempo para
o trabalho com esses procedimentos. Outra opção é retomar registros de
atividades anteriores e verificar os pontos que vão necessitar de mais atenção
durante o projeto.
9 TODAS AS ATIVIDADES DEVEM SER
EM GRUPO?
• Não. Um bom projeto contempla atividades em que os alunos atuam
sozinhos, em duplas e em grupos.
• Porém, como os projetos envolvem a turma toda e o produto final é uma obra
coletiva, muitos pensam que tudo deve ser feito em equipe. É importante que as
ações estejam articuladas entre si.
• Um bom critério para definir de que forma os estudantes vão realizar a tarefa é
sua complexidade. A leitura de um texto, por exemplo, deve ser feita em grupo
quando a garotada tem pouca experiência com o tema ou o gênero.
9 TODAS AS ATIVIDADES DEVEM SER
EM GRUPO?
• A pesquisadora Delia Lerner, em um artigo publicado na revista argentina Letra y
Vida, afirma que a discussão entre os alunos numa situação como essa é
fundamental porque obriga cada um deles a justificar sua interpretação e, assim,
tomar consciência das próprias contradições, além de conhecer a interpretação
dos colegas. Depois dessa etapa, realizar sozinho uma atividade baseada nas
informações do texto fica bem mais fácil.
13 COMO AVALIAR OS ESTUDANTES?
• No caso dos projetos, são três os eixos de aprendizagem que podem
ser considerados na avaliação:

• o conteúdo;
• o aprofundamento no tema;
• a aproximação com a prática social relacionada ao produto final.
14 QUAL A IMPORTÂNCIA DA
CULMINÂNCIA?
• São duas as funções principais das cerimônias de fechamento de um projeto didático:
dar ao aluno visibilidade para o processo de aprendizagem pelo qual passou e
apresentar o trabalho da turma para a comunidade e os pais, que são estimulados a
perceber o avanço de seus filhos.

• O evento só cumprirá esses dois papéis se estiver prevista a exposição dos objetivos
de cada atividade realizada, dos registros das várias versões do produto final e das
fotos que ilustram o processo. Fazer uma festa bonita não deve ser a maior
preocupação da escola- como é bastante comum -, mas o mínimo de organização
precisa ser garantido.
• Sem despender muito tempo nessa tarefa, professores e gestores precisam
tomar uma série de providências, como conseguir microfones para as
apresentações orais, organizar as cadeiras para os convidados e distribuir pelo
espaço reservado para o evento suportes para expor os trabalhos. "Não é
correto transformar a culminância na grande estrela de um projeto. O mais
atrativo é o caminho pelo qual todos passaram e as realizações das crianças",
explica Maria Alice Junqueira. Alerta: a participação dos alunos na culminância
deve ter caráter pedagógico, incluindo a definição de critérios para a exposição
do material, e não na produção de enfeites, o que não se relacionam a nenhum
objetivo.
REFERÊNCIA

REVISTA NOVA ESCOLA


• https://novaescola.org.br/conteudo/424/14-perguntas-e-respostas-sobre-projetos-
didaticos