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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

EFÉSIOS (Ef)
INTRODUÇÃO:
Na sua terceira viagem missionária, o apóstolo Paulo passou quase três anos na cidade de Éfeso (At
19:1–20:1). Essa cidade se tornou um importante centro do trabalho cristão na província romana da
Ásia, que ficava numa região que hoje faz parte da Turquia. A Epístola aos Efésios foi escrita quando
Paulo estava preso (4:1). O assunto principal desta epístola é o plano de Deus de “fazer convergir nele
[Cristo], na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra”
(1:10). A epístola não trata de nenhum problema particular dos leitores, mas fala de um modo geral a
respeito da Igreja e da vida cristã. E, ao contrário do que acontece nas outras epístolas, no fim desta não
aparece nenhuma saudação pessoal. Pois é bem possível que ela tenha sido escrita não somente para
os cristãos de Éfeso, mas também para os de outros lugares. A falta da frase “da cidade de Éfeso” (1:1)
em alguns dos melhores manuscritos gregos também indica essa possibilidade.
Na primeira parte da epístola (caps. 1–3), o apóstolo fala de como os cristãos são um só povo por
causa da morte de Cristo na cruz e também de como o Espírito Santo lhes dá o poder de viverem sempre
unidos uns com os outros. Na segunda parte (caps. 4–6), ele fala da nova vida que os seguidores de
Cristo têm por estarem unidos com ele. E fala também de como essa vida se manifesta no
relacionamento que eles têm uns com os outros.
A fim de tornar mais claro o que quer dizer a união do povo de Deus, o apóstolo usa três figuras
para a Igreja: a de um corpo, do qual Cristo é a cabeça (1:22–23); a de um edifício, do qual Cristo é a
pedra fundamental (2:20–21); e a de um casal, no qual a Igreja é a esposa, e Cristo é o marido (5:25–32).

A carta suprema
Por consenso geral a Carta aos Efésios se localiza no plano mais elevado dentro da literatura
devocional e teológica da Igreja primitiva. foi chamada "A rainha das epístolas", e com razão. Muitos
sustentariam que nela alcança sua mais alta expressão do pensamento neotestamentário. Quando
morria John Knox, já próximo a seu desenlace o livro que com mais freqüência lhe liam era os Sermões
sobre a Carta aos Efésios de João Calvino. O grande poeta e filósofo Coleridge disse de Efésios que era "a
mais divina composição humana". E adicionava: "Abrange em primeiro termo aquelas doutrinas
peculiares ao cristianismo e, logo, os preceitos comuns à religião natural". Efésios é sem dúvida uma
carta que tem um lugar próprio na correspondência paulina.

Circunstâncias em que se escreveu Efésios


Antes de tratar qualquer tema discutível, assinalemos primeiro o que é certo. Em primeiro termo
Efésios evidentemente foi escrita estando Paulo preso. Ele se chama a si mesmo "prisioneiro de Cristo
Jesus" (3:1); "detento no Senhor" que lhes roga (4:1); em sua famosa frase é um "embaixador em cadeias"
(6:20). Paulo estava preso e muito perto de seu fim quando escreveu Efésios. Em segundo lugar, Efésios
tem claramente uma relação muito estreita e íntima com Colossenses. Pareceria que Tíquico foi o
portador de ambas as cartas, pois em Colossenses Paulo diz que aquele lhes informará sobre sua
situação (Colossenses 4:7); em Efésios diz que Tíquico lhes dará notícias sobre seus assuntos e sobre
como ele está (Efésios 6:2). Tíquico está relacionado intimamente com estas duas cartas. Mas além disso
há semelhança no conteúdo das mesmas. É tanta a similitude que se contam mais de 55 versículos
idênticos. Ou, como sustenta Coleridge, Colossenses é o que poderia chamar-se "a superabundância"
de Efésios ou Efésios constitui uma versão mais extensa de Colossenses (aproximadamente 55
versículos de Colossenses são citados em Efésios). No final veremos que esta semelhança é a que nos
dá a chave do lugar único de Efésios entre as cartas de Paulo.

Data e lugar de redação


A data é aproximadamente o ano de 60 D.C. , quando Paulo estava preso em Roma.
Três notas explícitas na epístola revelam que Paulo estava preso quando a escreveu. Em 3.1 e
4.1, o apóstolo diz que ele é “prisioneiro”. Em 6.20, ele se denomina “embaixador em cadeias”.
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Onde Paulo estava quando escreveu a carta? Nossa fonte primária neste assunto é o Livro de
Atos que registra três prisões: 1) Em Filipos (At 16.19-34); 2) Cesaréia (At 25); e 3) Roma (At 28.16ss.).
Considerando que a prisão em Filipos foi de apenas uma noite, podemos descartá-la como o lugar de
onde a carta foi enviada. Ainda que a prisão em Cesaréia fosse mais prolongada — durou mais de dois
anos (At 24.26,27) —, não pode ser defendida como o local da composição da carta. As “Epístolas da
Prisão” indicam que Paulo esperava ser liberto em pouco tempo (cf. Fm 22; Fp 2.24). Mas a atitude geral
dos judeus palestinos para com Paulo durante a prisão em Cesaréia daria pouca esperança de logo ser
solto. Se Paulo estivesse pensando em apelar para César, sabendo que necessitaria viajar para Roma,
ele não teria dado a entender uma libertação em pouco tempo.
O ponto de vista mais razoável é que a Epístola aos Efésios, como também aos Filipenses,
Colossenses e Filemom, foram escritas quando Paulo era prisioneiro em Roma. As referências à
“guarda pretoriana” (Fp 1.13) e aos santos “que são da casa de César” (Fp 4.22) são indicações fortes
de uma situação romana. Além disso, Paulo viveu em comparativa liberdade em Roma, enquanto
aguardava julgamento (At 28.30). Durante dois anos, ele residiu em sua casa e, assim, pôde dar devida
atenção a toda a correspondência necessária com suas igrejas da região do mar Egeu.
Se Roma foi o lugar da escrita, então qual é a seqüência da composição das “Epístolas da Prisão”?
Concebe-se a ordem habitualmente da seguinte forma: Onésimo, o escravo fugitivo de Filemom,
morador de Colossos, foi para Roma e acabou ficando sob a influência de Paulo. Depois da conversão,
ele foi mandado de volta ao seu senhor em companhia de Tíquico, natural da província da Ásia e
portador da carta a Filemom. Na pequena carta, Paulo apela para a indulgência de Onésimo. Pelo visto,
antes da partida de Onésimo e Tíquico, Epafras, um dos companheiros de Paulo e provável fundador
da igreja em Colossos, chegou à cidade com notícias relativas à condição espiritual da igreja. Assim,
Paulo tirou proveito da viagem de Onésimo e Tíquico a Colossos para enviar uma carta àquela igreja
(Cl 4.7-9). A conclusão da Epístola aos Colossenses fez com que Paulo ditasse uma carta para todas as
igrejas na Ásia ocidental. Esta carta, conhecida como Epístola aos Efésios, também foi entregue por
Tíquico (Ef 6.21).
A semelhança de linguagem e idéias entre Colossenses e Efésios apóia a opinião de que elas foram
compostas juntas. Efésios é uma expansão de várias idéias que estão em forma embrionária em
Colossenses. Conferindo as referências cruzadas em Colossenses

Conteúdo e estrutura
A primeira das duas seções principais em que se divide o texto (2:1–3:13 e 4:1–5:24) é
precedida por um saudação (1:1) e uma ação de graças (1:2–10). Depois dessa introdução, o
apóstolo lembra o seu ministério na Macedônia (2:1–16), expõe as razões que o moveram a
enviar Timóteo ao invés de voltar ele mesmo a Tessalônica (2:17–3:5) e dá graças a Deus pelas
boas notícias das quais Timóteo, ao regressar, havia sido portador (3:6–13).
A segunda seção contém uma exortação para viver em paz e em fidelidade a Deus (4:1–12). O
retorno do Senhor, diz ele, é iminente; mas o momento, desconhecido. Portanto, é necessário
que estejam atentos e vigilantes (4:13–5:11), visto que “o Dia do Senhor vem como ladrão de
noite” (5:2). Os que já haviam morrido, ressuscitarão (4:13–16); e juntos, eles e “os que
ficarmos, seremos arrebatados… para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos
para sempre com o Senhor” (4:17).
A carta conclui com uma exortação a todos os crentes (5:25–28), para que cumpram com
solicitude as suas responsabilidades como membros da Igreja de Jesus Cristo (5:12–24).

O pensamento da Epístola
Alguns teólogos afirmam que o pensamento de Efésios excede ao de qualquer outra carta paulina.
Vejamos qual é esse pensamento. Vimos que Efésios se vincula estreitamente com Colossenses. O
grande pensamento central de Colossenses é a suficiência total de Jesus Cristo. Em Jesus Cristo reside
todo conhecimento e toda sabedoria (Colossenses 2:3); aprouve ao Pai que nEle habitasse toda

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plenitude (Colossenses 1:19); numa grande frase, Cristo é "corporalmente toda a plenitude da
Divindade" (Colossenses 2:9); só ele é necessário e suficiente para a salvação do homem (Colossenses
1:14). Todo o conteúdo de Colossenses se baseia na suficiência plena de Jesus Cristo. O pensamento de
Efésios desenvolve esta concepção; uma síntese completa do mesmo encontra-se em dois versículos do
primeiro capítulo onde Paulo apresenta a Deus: “E nos revelou o mistério da sua vontade, de acordo
com o seu bom propósito que ele estabeleceu em Cristo, isto é, de fazer convergir em Cristo todas as
coisas, celestiais ou terrenas, na dispensação da plenitude dos tempos” (Efésios 1:9-10, NVI).
A idéia chave de Efésios é a reunião de todas as coisas em Jesus Cristo através da Sua Igreja
Gloriosa (5:27). Cristo é o centro em quem se unem todas as coisas e o laço que todo o liga. E essa
unidade só é possível através do Seu corpo, da Sua Igreja. Na natureza sem Cristo não há mas sim
desunião e desarmonia. A natureza é um campo de batalha "vermelho, com dentes e garras". O domínio
do homem rompeu a união social que devia existir entre homens e animais. O homem está dividido do
homem, a classe da classe, a nação da nação, a ideologia da ideologia, o gentio do judeu. O mundo sem
Cristo é um mundo dividido, desunido, fragmentado. O que é verdade do mundo natural exterior
também o é da própria natureza

Esboço Completo:
I. Saudação, 1.1,2
A. 0 Escritor, 1.1a
B. Os Destinatários, 1.1b
C. A Bênção, 1.2

II. Hino de Salvação, 1.3-14


A. A Fonte das Bênçãos de Salvação, 1.3
B. Salvação Promulgada antes do Tempo, 1.4-6
C. Salvação Realizada no Tempo Certo, 1.7-14

III. Oração e Louvor pela Iluminação Divina, 1.15—2.10


A. A Inspiração à Oração, 1.15,16
B. A Essência da Petição, 1.17
C. As Recompensas da Iluminação, 1.18,19
D. As Evidências do Poder de Deus, 1.20—2.10

IV. Unidade Espiritual do Gênero Humano em Cristo, 2.11-22


A. AAlienação anterior dos Efésios em relação a Cristo, 2.11,12
B. A Reconciliação entre Gentios e Judeus, 2.13-18
C. Metáforas da Unidade, 2.19-22

V. Oração por Cumprimento Espiritual, 3.1-21


A. A Administração Paulina do Mistério, 3.1-13
B. A Oração de Paulo pelo Cumprimento Espiritual, 3.14-19
C. Doxologia, 3.20,21

VI. A Unidade da Igreja, 4.1-16


A. O Apelo à Unidade, 4.1-3
B. As Grandes Unidades, 4.4-6
C. A Diversidade na Unidade, 4.7-16

VII. A Velha Vida e a Nova, 4.17-32


A. A Vida sem Cristo, 4.17-19
B. A Vida com Cristo, 4.20-24
C. Regras de Procedimento da Nova Vida, 4.25-32

VIII. Vivendo como Filhos Amados, 5.1-21

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A. Andando em Amor, 5.1-7
B. Andando em Luz, 5.8-14
C. Andando em Sabedoria, 5.15-21

IX. Relações Cristãs, 5.22—6.9


A. Marido e Mulher, 5.22-33
B. Pais e Filhos, 6.1-4
C. Senhores e Escravos, 6.5-9

X. Guerra Cristã, 6.10-20


A. A Preparação do Crente, 6.10-13
B. A Armadura de Deus, 6.14-17
C. A Oração por Todos os Santos, 6.18-20

XI. Saudações Finais, 6.21-24


A. Elogio a Tíquico, 6.21,22
B. Bênção, 6.23,24

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