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Anais do XV Encontro Estadual de História “1964-2014: Memórias, Testemunhos e Estado”,

11 a 14 de agosto de 2014, UFSC, Florianópolis

‘Dever de memória’: (re)significando as ditaduras militares no Brasil e Paraguai por


meio dos espaços de memória

Josiély Koerich1
Janine Gomes da Silva2

Resumo: Entre as décadas de 1960, 1970 e 1980, todos os países do Cone Sul vivenciaram
ditaduras militares que passaram a exercer um rígido controle sobre a sociedade. Tal
controle, além de contar com ações de caráter clandestino, era realizado oficialmente por
organizações burocráticas que redatavam informes, faziam registros, organizavam
prontuários e instituíam arquivos. Com o término (ou mesmo durante) as ditaduras no Cone
Sul, muitos destes arquivos foram destruídos ou desapareceram, todavia, outros,
permaneceram, sejam escondidos, sob a égide de instituições governamentais, entre outras
formas. No contexto da redemocratização, alguns desses arquivos e seus acervos foram
descobertos ou se tornaram de domínio público e, assim como outros lugares, dentre eles os
museus, vêm se estabelecendo como um lócus de grande importância para (re)configurar e
(re)significar a história e a memória do período da ditadura. Deste modo, nesse trabalho,
considerando esses arquivos e museus como ‘espaços de memória’, nos centraremos em
uma análise comparativa entre Brasil e Paraguai. Neste país, nos dedicaremos a análise do
denominado ‘Archivo del Terror’ (oficialmente Centro de Documentación y Archivo para la
Defensa de los Derechos Humanos), assim como de dois museus: o Museo de la Justicia e o
Museo de las Memorias, ambos em Assunção. No Brasil, inferiremos sobre o acervo
documental do Arquivo Edgard Leuenroth, mais especificamente ao projeto ‘Brasil Nunca
Mais’, doado a Universidade de Campinas. Com auxilio de entrevistas realizadas e de
notícias veiculadas em diferentes jornais e sites destes países, analisaremos em uma
perspectiva comparativa, como estes arquivos e museus, constituem-se em espaços de
‘dever de memória’ para a história recente do Brasil e Paraguai. Utilizando como suporte
teórico a História Oral, procuraremos perceber ainda como tais ‘espaços de memória’ vem
(re) significando na atualidade as histórias e memórias das ditaduras de ambos os países.
Palavras-chave: ‘Dever de memória’, Ditadura, Espaços de memória.

Na contemporaneidade, um dos fenômenos culturais e políticos mais impressionantes


é a emergência da memória como uma das preocupações políticas e culturais basilares das

1 Graduanda do Curso de História da Universidade Federal de Santa Catarina. Bolsista PIBIC/CNPq através do projeto
‘Espaços de memória: Arquivos e fontes documentais (re)significando as ditaduras militares (Brasil e Paraguai)’, coordenado
pela professora Janine Gomes da Silva. E-mail: josielykoerich@hotmail.com
2 Professora Doutora do Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina, coordenadora do projeto
‘Espaços de memória: Arquivos e fontes documentais (re)significando as ditaduras militares (Brasil e Paraguai)’, financiado
pelo CNPq. E-mail: janine.gomesdasilva@gmail.com
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sociedades ocidentais (HUYSSEN, 2000, p.9). Nos países do Cone Sul3, tal preocupação com
a memória adquiriu maior proeminência nos processos de democratização quando a memória
dos opositores do regime militar, emudecidas no momento inicial da transição, passou a obter
e requerer sucessivamente maior abrangência na esfera política.
Tais grupos, na busca do reconhecimento de seu protagonismo na história e de sua
inclusão na memória do país, vem afirmando sua identidade e utilizando da memória e seus
usos políticos na revisão do passado recente e na procura de nele serem inseridos. Neste
sentido, como afirma Jelin, “el pasado dictatorial reciente es [...] una parte central del
presente” pois “el conflicto social y político sobre cómo procesar el pasado represivo reciente
permanece, y a menudo se agudiza” (2002b, p.4).
E é nessa conjuntura que os arquivos da repressão e seus acervos, do mesmo modo que
outros lugares, como os museus, vêm alcançando especial relevância por poderem embasar as
demandas destes grupos. Constituindo-se em ‘espaços de memórias’, em ‘lugares de
memória’, que segundo Pierre Nora “nascem e vivem do sentimento que não há memória
espontânea, que é preciso criar arquivos, que é preciso manter aniversários, organizar celebra-
ções, pronunciar elogios fúnebres, notariar atas, porque essas operações não são naturais”
(1993, p.13), o objetivo deste trabalho é perspectivar alguns destes arquivos e museus, assim
como seus acervos. Para isso, tomando esses ‘espaços de memória’ como nosso objeto de
pesquisa histórica, nos centraremos em uma análise comparativa entre Brasil e Paraguai.
Neste país, nos dedicaremos a análise do denominado ‘Archivo del Terror’ (oficialmente
Centro de Documentación y Archivo para la Defensa de los Derechos Humanos), assim como
de dois museus: o Museo de la Justicia e o Museo de las Memorias. No Brasil, inferiremos
sobre o Arquivo Edgard Leuenroth, mais especificamente ao projeto ‘Brasil: Nunca Mais’,
doado a Universidade de Campinas em São Paulo.

Com auxilio de entrevistas realizadas e de notícias veiculadas em diferentes jornais e


sites de ambos os países, analisaremos comparativamente, considerando as especificidades de
cada país, como estes arquivos, seus acervos, assim como os referidos museus, constituem-se
em espaços de ‘dever de memória’ para a história recente do Brasil e Paraguai. Como
suportes teóricos para esta análise, utilizaremos a História Oral e a História do Tempo
Presente. Em relação a esta, Enrique Serra Padrós ressalva que “[...] pode-se afirmar que a
análise do Tempo Presente e, especificamente, quando aplicada à experiência das Ditaduras

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Os países que compõe o Cone Sul são: Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia, Brasil, Paraguai e Peru.

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de Segurança Nacional, coloca o desafio de entender que há contemporaneidade do autor com


seu objeto de estudo [...]” (2009, p.35). Essa proximidade temporal, no entanto “[...] não
desmerece o esforço por tentar dar sentido a cenários ainda desordenados ou com lacunas”
(PADRÓS, 2009, p.35).

Uma das metodologias que vem contribuindo para as reflexões da História do Tempo
Presente é a História Oral. Alargando as possibilidades de análise, segundo Verena Alberti,
esta “permite o registro de testemunhos e o acesso a ‘histórias dentro da história’ ampliando
as possibilidades de interpretação do passado” (2005, p.155). Contudo, assim como outras
fontes, a fonte oral possui uma série de complexidades. Destarte, é preciso ter cuidado ao
utilizá-las, não tomando os relatos como verdade absoluta, pois como salienta Ecléa Bosi,
recordar “não é reviver, mas refazer, reconstruir, com as imagens e idéias de hoje, as
experiências do passado. A memória não é sonho, é trabalho. Se assim é, deve-se duvidar da
sobrevivência do passado, ‘tal como foi’, e que se daria no inconsciente de cada sujeito”
(1995, p.55).

Considerando tais proposições, procuraremos perceber ainda neste artigo, como tais
‘espaços de memória’ vêm (re) significando na atualidade as histórias e memórias das
ditaduras no Brasil e Paraguai.

Museus e arquivos da repressão: Brasil e Paraguai

Entre as décadas de 1960 a 1980, todos os países do Cone Sul vivenciaram ditaduras
militares. Apoiadas pelos Estados Unidos da América e por setores das elites nacionais e das
classes médias (WOLFF, 2010, p. 138), estas ditaduras, tendo por suportes a Doutrina de
Segurança Nacional e o anticomunismo, passaram a exercer um rígido controle sobre a
sociedade, notadamente sobre aqueles que se opunham ao regime vigente. Perseguições,
desaparecimentos, mortes e torturas compunham uma constante no período.
Tal controle, além de contar com ações de caráter clandestino e ilegal, era realizado,
arbitrariamente e oficialmente, por organizações burocrático-militares e por instituições
policiais ou de inteligência, que redatavam informes, faziam registros, organizavam
prontuários e instituíam arquivos. Alimentar, manter, ordenar e acumular registros, eram parte
das tarefas habituais dos aparatos repressivos dos regimes militares (JELIN, 2002a, p. 3).

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Com o término (ou mesmo durante) as ditaduras e os subseqüentes processos de


transição política nos diferentes países do Cone Sul “[...] onde os militares impuseram, como
condição essencial, o silêncio institucional e a impunidade presente e futura dos seus atos
passados” (PADRÓS, 2009, p.32), muitos destes arquivos foram destruídos ou
desapareceram. Todavia, outros, em sua grande maioria arquivos policiais ou de inteligência,
permaneceram, seja escondidos, interditados, entre outras formas. Formados
comumentemente por objetos extorquidos das vítimas ou produzidos pelos sistemas
repressivos (policial, serviços e inteligência, Forças Armadas) durante as ações repressivas
(seqüestro, tortura, perseguição, etc.) perpetradas nas últimas ditaduras militares nos países do
Cone Sul (CATELA, 2002b, p.209-210), alguns destes arquivos da repressão, entretanto tem
se tornados públicos, por vezes de modo singular.
No caso brasileiro, por exemplo, os documentos que compõem o projeto ‘Brasil:
Nunca Mais’ se tornaram públicos logo após o término do regime militar que vigorou no país
de 1964 à 1885. Reunindo cópias de mais de 700 processos deste período, esse projeto
começou a se configurar com a Lei de Anistia de 1979. Esta, possibilitou aos advogados de
presos políticos terem acesso durante vinte e quatro horas a documentação do arquivo do
Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal Militar de modo a preparar a argumentação
necessária para que seus clientes fossem contemplados pela lei (JOFFILY: 2010, p.113). Com
o apoio de Dom Paulo Evaristo Arns e do Reverendo Jaime Wright, idealizadores do projeto,
iniciou-se assim um processo de cópias, microfilmagem e, posteriormente, compilação,
cruzamento e tratamento dos dados dos documentos deste arquivo. Deste modo, constituiu-se
um acervo documental com as cópias dos documentos da repressão sem a autorização e
conhecimento dos militares.
Desenvolvido entre os anos de 1979 e 1985, deste material “foram elaborados 12
volumes do chamado projeto ‘A’, contendo dados extraídos do conjunto documental, e um
livro síntese, denominado projeto ‘B’, redigido pelos jornalistas Ricardo Kotscho e Carlos
Alberto Libânio Christo (Frei Beto)” (JOFFILY, 2010, p.113). Em 1986, um dos idealizares,
Evaristo Arns ofereceu a documentação do projeto ao Arquivo Edgard Leuenroth da
Universidade Estadual de Campinas. A única condição imposta por Arns, segundo Catela, foi
que “cada uno de los ducumentos que componen el acervo Brasil: Nunca Mais puede ser
consultado y fotocopiado sin ningún tipo de restricciones” (CATELA,2002a, p.43).
Permanecendo neste arquivo até os dias atuais, esta coleção, abrangendo o período de 1964 a

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1979, contém importantes informações sobre partidos e organizações visadas pela repressão,
bem como estudos sobre a tortura no Brasil e no mundo (BRASIL...).
O ‘Archivo del Terror’, em Assunção, no Paraguai, possui uma trajetória diversa do
arquivo brasileiro. Oficialmente Centro de Documentación y Archivo para la Defensa de los
Derechos Humanos, o Archivo del Terror, como ficou popularizado por meio da imprensa
paraguaia, foi descoberto em 22 de dezembro de 1992, no Departamento de Producciones de
la Policía em Lambaré, cidade próxima a capital paraguaia, pelo ex-preso político Martín
Almada, acompanhado de representantes do Poder Judiciário. Livros de entrada e saída de
presos, fichas de detidos, fotos, declarações, informes de atividades políticas, livros, folhetos,
gravações de programas de rádio, formavam a profusa informação elaborada pela policia e
encontrada no local (VERA, 2002, p. 89).
Levados ao Palacio de la Justicia, em Assunção, onde permanecem até os dias atuais,
o ‘Archivo del Terror’ constitui o acervo documental mais volumoso do anos da repressão na
América do Sul que saiu à luz pública (PAZ; AGUILAR; SALERNO: 2007, p. 13).
Possuindo documentos importantes não só da ditadura strosnista, considerada a mais longa do
Cone Sul (trinta e cinco anos de governo de um mesmo presidente: Alfredo Stroessner- 1954
à 1989), este arquivo dispõe também de documentação de extrema relevância a nível
internacional, como as relacionadas a ‘Operação Condor’4. Se apresentando como um espaço
de memória da ditadura de Stroessner (SILVA, 2013, p.3), neste local, além de atividades
administrativas como a de expedir cópias de documentos a pedido das vítimas ou seus
familiares, de responder ofícios judiciais, são realizadas também visitas de estudantes, eventos
culturais, visitas de estudantes, pesquisadores, etc.
Além dos arquivos, outros espaços vêm também se configurando nos processos de
transição democrática nos países do Cone Sul. Dentre estes, destacam-se os museus que
abordam sobre a repressão. Criados especialmente para expressar os passados ditatoriais e as
arbitrariedades por eles perpetradas, neste trabalho estaremos perspectivando dois desses
museus, o Museo de la Justicia e o Museo de las Memorias, ambos localizados em Assunção,
Paraguai.
Vinculado ao ‘Archivo del Terror’, o Museo de la Justicia, foi inaugurado em 22 de
dezembro de 2007 como um “[...] regalo de 15 años” (AGUILAR, 2013, p.11) da descoberta

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Operação de Inteligência criada no Chile, com o apoio da Argentina, Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai que perseguia
militantes de esquerda oriundos de qualquer um destes países. Ver: PAZ, Alfredo Boccia, LÓPEZ, Miguel H.; PECCI V.
Antonio. En Los Sontanos de los generales- los documentos ocultos del Operativo Condor. Assunção; Paraguai: Servi
Libro; Expo libro, 2002.

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do arquivo. Este espaço, doado pela Corte Suprema, conta com dezessete vitrines onde expõe
acerca da história da justiça no Paraguai. Segundo o site do referido museu:

El Museo de la Justicia forma parte de un complejo institucional creado para


activar la memoria social en torno al Centro de Documentación y Archivo
para la Defensa de los Derechos Humanos, más conocido como Archivo del
Terror; descubierto en 1992. El museo está destinado a estudiantes,
investigadores y ciudadanía en general, y constituye, además, una fuente para
generar documentos legales de uso judicial aptos para iniciar las demandas de
las víctimas de la dictadura (CATÁLAGO...).

Em relação ao Museo de las Memórias: Dictadura y Derechos Humanos, este foi


criado em 2002, dez após o descoberta do ‘Archivo del Terror’. Situado na casa que havia
sido a sede da ‘Dirección Nacional de Asuntos Técnicos del Ministerio del Interior’, ‘La
Técnica’, como é mais conhecida, local especializado em repressão comunista (PAZ; LÓPEZ;
PECCI, 2002, p.230) e palco de prisões e torturas durante a ditadura strosnista, a gestão deste
museu está a cargo desde sua criação da ‘Fundación Celestina Pérez de Almada’ (MUSEO...).
Esses museus e arquivos da repressão, cada um com suas singularidades e
características, são questões presentes e candentes na história recente brasileira e paraguaia.
Atingindo considerável parcela da sociedade em que foram produzidos, recuperados e
expostos, tais ‘espaços de memória’ vem se constituindo em admiráveis espaços de lutas e
disputas. Estas vêm envolvendo principalmente as vítimas, familiares de vitimas; e os
repressores, que buscam, respectivamente, por meio destes locais e documentos, entre outras
coisas, legitimar sua voz; e negar, continuamente, a validez dos documentos, das torturas, etc.
Tal proposição implica considerar também, principalmente em relação aos
documentos destes arquivos da repressão, a preservação da intimidade das pessoas. Pois,
considerado ‘material sensível’, esta documentação pode ser portadora de informações
delicadas em função da possibilidade de exposição das vítimas, além de poder revelar, em
relação aos sobreviventes, memórias traumatizadas e esquecidas (PADRÓS, 2009, p. 41).
Desta forma, essa documentação e a legitimidade das informações nela contida devem ser
também questionadas, considerando que, na maioria dos casos, foram conseguidas através de
ações ilegais e legais, incluindo violência física e psicológica, além de práticas difundidas
pelo autoritarismo, como a delação e os falsos testemunhos, o que, muitas vezes, gerou
informações imprecisas (BAUER; GERTZ, 2009, p.177).
Desde que esses museus foram criados e os referentes arquivos se tornaram públicos,
estes têm possibilitado desdobramentos fundamentais no processo de democratização do

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Brasil e do Paraguai, se constituindo em um capítulo particular da memória e da história


recente de ambos os países. Deste modo, um primeiro aspecto a destacar corresponde à
importância desses ‘espaços de memória’ no plano jurídico. Neste, especialmente os
documentos dos arquivos, devido a seu caráter probatório, vem legitimando as denuncias das
vitimas e familiares de ex-presos políticos e possibilitando destravar processos judiciais,
exigir reparações, assinalar responsabilidades, etc.. No Paraguai, por exemplo, vários
processos judiciais durante muitos anos paralisados, foram destravados e inúmeros
repressores foram presos ou tiveram de se refugiar em outros países (PADRÓS, 2008, p.8). Já
no Brasil, desde que o projeto ‘Brasil: Nunca Mais’ tornou-se público, este compõe o acervo
documental mais consultado do país, sendo utilizado, entre outras aplicações, na denúncia de
repressores que ocupam lugares públicos.
O valor histórico que perpassa esses arquivos e museus constitui outro aspecto, sendo
que neles estão registrados nuances encobertos da história do autoritarismo brasileiro e
paraguaio, aquelas partes e trechos dos períodos ditatoriais que não estão integrados ao
discurso oficial. Em terceira instância está o aspecto político, pois a criação e descoberta
destes espaços gerou impactos como demandas por justiça, explicação dos fatos, favorecendo
também uma maior conscientização dos acontecimentos do passado. No caso brasileiro, o
acervo do ‘Brasil: Nunca Mais’ influenciou nos trabalhos da Assembléia Nacional
Constituinte que promulgou a Constituição de 1988, já no paraguaio, os museus e o arquivo
vem auxiliando a mudar a visão da sociedade sobre o que foi o strosnismo (PAZ; AGUILAR;
SALERNO, 2007, p.84).
Outros aspectos que permeiam estes ‘espaços de memória’ são o caráter pedagógico e
o simbólico na luta pela democracia, da necessidade de não esquecer e na denúncia da
perversidade da tortura, do autoritarismo, etc. Interessante ressaltar neste sentido a criação no
Paraguai da Lei nº561 de 28 de abril de 1995, que declarou a data de 22 de dezembro, dia do
descobrimento do ‘Archivo del Terror’, como o ‘Día de la Dignidad Nacional’ (PAZ;
AGUILAR; SALERNO, 2007, p.85). Em relação à importância dos museus e especificamente
dos arquivos perspectivados neste trabalho, cabe destacar ainda uma singularidade dos
documentos dos acervos da ditadura, conhecido como ‘efeito bumerangüe’, “[...] produzidos
para coordenar ações repressivas, agora podem ser usados para compensar vítimas por
arbitrariedades e violações a seus direitos” (BAUER; GERTZ, 2009, p.178).
Destarte, os ‘espaços de memória’ aqui analisados, vêm propiciando a produção de
outros sentidos sobre os regimes ditatoriais no Brasil e Paraguai ao inserir no cenário atual

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demandas por justiça, reparação, conscientização sobre as violações perpetradas, etc. Desta
forma vêm se estabelecendo como um lócus de grande importância para (re) configurar e (re)
significar as histórias e as memórias das ditaduras.

‘Dever de memória’ nos arquivos e museus do Brasil e Paraguai

A expressão ‘dever de memória’, cunhada no decorrer dos anos 1990, segundo


Luciana Heymann “remete à idéia de que memórias de sofrimento e opressão geram
obrigações, por parte do Estado e da sociedade, em relação às comunidades portadoras dessas
memórias” (2007, p.19). Tendo sua origem na França na década de 1970 durante o processo
de ressignificação do discurso memorial ligado ao holocausto de milhares de judeus que
viviam no país (HEYMANN, 2007, p.19), esta noção tem recebido nos últimos anos um
acentuado comprometimento nas sociedades contemporâneas.
Em muitas delas, palco de acontecimentos traumáticos, o desenvolvimento de políticas
memoriais, enquanto modo de lutar contra o esquecimento das vítimas da opressão,
continuamente tem acarretado a concepção das responsabilidades dos abusos perpetrados
assim como para reivindicar compensações e reparações de iniqüidades a fim também de
impedir que tais fatos sucedam novamente.
Associada a passados sensíveis e a sua gestão, o ‘dever de memória’ está também
relacionado a questões identitárias e busca de reconhecimento. Nos países egressos de
regimes militares do Cone Sul, são principalmente as vitimas e seus familiares que vem
mobilizando a memória e seus usos políticos na revisão do passado de modo a serem nele
incluídos e reconhecidos. E é nessa conjuntura, que os museus, arquivos e seus acervos,
especialmente os da repressão, vêm obtendo especial proeminência por poderem embasar as
demandas destes grupos. Pois, contendo documentos, acervos, fundamentais para a história da
repressão, esses ‘lugares de memória’ são, conforme Quinalha e Soares “um recurso
fundamental para a efetividade dos direitos humanos e [...] podem ser tratados como bens
culturais destinados à reparação simbólica das vítimas e à produção de conhecimento para a
sociedade” (2011, p.76).
No Brasil, em relação ao acervo documental que compõe o projeto ‘Brasil: Nunca
Mais’(BNM) a preocupação com a memória e a mobilização e usos desta se faz presente.
Tendo também por inquietação a produção de conhecimentos para a sociedade, em uma
noticia veiculada no ‘Jornal do Brasil’, o procurador da República em São Paulo, Marlon

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Alberto Weichert, ao abordar sobre a disponibilização do acervo do arquivo na internet afirma


“precisamos educar o povo brasileiro em cidadania e direitos humanos. E isso a gente só faz
contando o que ocorreu de uma forma transparente e imparcial” (MELLO, 2011).
A preocupação com a memória pode ser percebida também nos objetivos iniciais do
projeto BNM em que se encontram a necessidade da preservação da memória do que ocorreu
durante a ditadura, com base exclusiva na documentação oficial da Justiça Militar e, a
produção e multiplicação de instrumentos de luta e de trabalho a favor da Justiça (WRIGHT,
1995). Além disso, a própria denominação ‘Brasil: Nunca Mais’ já manifesta o interesse pela
memória e a exortação para que o passado ditatorial não volte a ocorrer.
Luciana Heymann, ao abordar a questão do ‘dever de memória’ no Brasil, coloca que
mesmo que esta expressão não esteja presente no léxico das políticas públicas mais voltadas a
presença de demandas relacionadas a um ‘resgate da memória’ e de um ‘dever de justiça’,
questões importantes associadas a memória, reparação, reconhecimento e dos direitos
ocuparam o espaço público nos últimos anos (2007, p. 31-32). Exemplos disso são a
Comissão Nacional da Verdade, a Lei de Acesso a Informações Públicas5 e os atos de
reparação aos ex-presos políticos. Todavia, mesmo com estas ações, a questão da memória da
ditadura militar não vem mobilizando substancialmente a sociedade e nem se encontra tão
presente no âmbito da discussão pública.

No Brasil, a memória da ditadura tem sido acionada na sua dimensão de


direito [...] pelos agentes individuais ou coletivos que com ela se identificam,
mas a evocação pública dessa memória não implica uma obrigação
socialmente compartilhada. Seus usos na demanda por direitos têm, portanto,
em que pese à aceitação de sua legitimidade, mais a marca dos combates
individuais (mesmo em se tratando de grupos) do que a dos imperativos
morais. (HEYMANN, 2007, p. 36).

Um dos principais fatores que contribuiu e permanece entravando essa questão no


cenário do país é a Lei de Anistia de 1979, que concedeu perdão aos que combateram a
ditadura, mas também aos envolvidos nos aparatos repressivos, sem o julgamento de seus
atos. Colocando que o perdão foi recíproco, esta lei vem favorecendo até os dias atuais a
impunidade dos agentes repressores e a consigna de que se deve esquecer o que aconteceu.
Para Paul Ricoeur “a proximidade mais que fonética, e até mesmo semântica, entre anistia e
amnésia aponta para a existência de um pacto secreto com a denegação de memória que […]
na verdade a afasta do perdão após ter proposto sua simulação” (2007, p.460). Desta forma, a

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correlação entre anistia e esquecimento, notadamente no cenário brasileiro com a Lei da


Anistia, vem enfatizando uma conquista do esquecimento sobre o ‘dever de memória’.
Esquecimento este que mesmo com a fundamental importância de documentos como do
acervo ‘Brasil: Nunca Mais’ para vitimas e familiares de vitimas, vem impedindo uma maior
efetivação da justiça e da memória, assim como seu conhecimento pela sociedade.

No Paraguai, em contrapartida, tais proposições assumem contornos diferenciados.


Pois, como ressalta Andreas Huyssen, “[...] embora os discursos de memória possam parecer,
de certo modo, um fenômeno global, no seu núcleo eles permanecem ligados às histórias de
nações e Estados específicos” (2000, p.16). Ou seja, determinados temas e categorias como
memória, esquecimento, lugares, obrigações, etc., ganham contornos e conteúdos específicos
em cada espaço nacional. Neste país, essa questão pode ser compreendida na imagem tida em
relação ao ‘Archivo del Terror’:
Los Archivos se convirtieron en un SÍMBOLO en sí mismo. En Paraguay, la
palabra Memoria está indefectiblemente ligada a ellos. Las imágenes de los
documentos, pasando de mano en mano el día del primer hallazgo o de los
libros policiales ordenados en los estantes del Centro –Museo, se convirtieron
en un ícono de una época en la que se rompía con el pasado y se empezaba a
caminar hacia la democracia (PUESTA...).

Tal simbologia permeia também outros enunciados: “hemos abierto la “puerta del
pasado” y por “ella pudimos acceder a esa historia contada minuciosamente por los propios
represores con la frialdad del esquema nazi” (ZORRILLA,2014). Neste sentido, a descoberta
do arquivo e seus documentos, assim como seus usos no presente, constituiu e permanece
sendo, um dos principais marcos da história recente deste país.
Essa dimensão de uma ‘abertura’ é perceptível também em relação ao ‘Museo de las
Memorias’: “con la apertura del Museo de las Memorias se abrieron las heridas de las
Memorias reclamando justicia”(ZORRILLA,2014). Este, para Martín Rivarola, tem sua
importância em mostrar “a los jóvenes, que no han pasado en esa época, todo es para que no
vuelva a suceder, no solamente acá en Paraguay, si no en todos los paises sudamericanos que
tuvimos, para que no vuelva a suceder, ojala que Brasil también aprenda esto” (RIVAROLA,
2013, p.6). Pois, “[...]es bueno conocer la verdad, y es bueno que trabajemos la memoria, la
memoria es un espacio de lucha política, cuando la gente coloca los nombres por las paredes

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Lei 12.527 de 18 de novembro de 2011. Esta lei permitiu a consulta a documentos e informações produzidos pelos poderes
públicos, acabando com o sigilo eterno de documentos

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en lugares donde fueron torturados, desaparecidos, va haber muchas memorias” (ALMADA,


2013, p.21).
No site do Museo de la Justicia, instituição que funciona juntamente ao Archivo del
Terror, o caráter pedagógico do local também é ressaltado: “sólo conscientes y lúcidos de
nuestro pasado podremos construir, esperanzados, pero no ingenuos ni ciegos, un presente y
un futuro mejor para nosotros y para nuestros hijos” (LA URGENTE...). Neste ‘espaço de
memória’:

En un salón auditorio, donde se dan conferencias, está escrita la siguiente


máxima: “Los archivos, materia y memoria, están llamados a ocupar un
espacio relevante en la lucha contra la amnesia colectiva que afecta a nuestro
pasado reciente o remoto”. Y es justamente el Museo de la Justicia un lugar
destinado a recordar los atropellos y violaciones de los derechos humanos en
tiempos de la dictadura del Gral. Alfredo Stroessner (YUBI, 2013).

Exortando a necessidade da lembrança, estes museus e o ‘Archivo del Terror’ vem


mobilizando a luta contra o esquecimento do passado ditatorial, para que este não mais se
repita. Entretanto, Rosa Palau Aguilar, coordenadora deste arquivo afirma que “yo siento que
no es prioritario recuperar la memoria… es mejor olvidar, yo siento que en la ciudadanía esta
eso… hay señales, hay señales… por ejemplo la lentitud con que la justicia lleva a cabo, en
realidad la investigación la hace la fiscalía[...]” (AGUILAR, 2013, p.). Cabe destacar que no
Paraguai não houve a promulgação de Leis de Anistia, mas assim como no Brasil, muitos dos
repressores permaneceram/em no poder. Tal fator tem conspirado fortemente contra as
demandas de memória, verdade e justiça e propiciado o esquecimento.
Contudo, no Paraguai, a discussão em torno da memória tem forte repercussão na
sociedade. Neste país, falar em memória, notadamente da ditadura de Stroessner, é remeter ao
‘Archivo del Terror’. A simbologia que o permeia, assim como dos dois museus
perspectivados neste trabalho, realça que estes espaços constituem marcos na história e
memória do país. Pois, abrindo ‘as portas do passado’ e as ‘feridas da memória’, tais lugares
vem propiciando aos diferentes grupos reconstruir suas identidades assim buscar
reconhecimento, legitimidade e reparações. Além disso, estes ‘espaços de memória’ vem
exortando a luta contra o esquecimento e apontando que a memória do passado ditatorial
deva ser apreendida como um ‘dever de memória’.
Destaca-se, todavia, que a noção de ‘dever de memória’, vem recebendo algumas
críticas. Um dos principais expoentes destas foi Tzvetan Todorov. Asseverando a existência

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atual de um culto à memória, em especial às memórias traumáticas, o autor vem advertindo


sobre seu uso por parte de vários grupos com interesses próprios. Cunhando assim a
expressão ‘abuso da memória’, em suas reflexões vem condenando a preservação de uma
memória ‘literal’ na qual os acontecimentos e as vítimas são vistos como intransitivos e
únicos (TODOROV, 2000, p. 30 apud JELIN, 2002b, p. 32). Em contrapartida, defende uma
memória ‘exemplar’ onde o acontecimento é visto de um modo mais generalizado ou como
um modelo no qual o passado sirva de lição e “[...] em principio de ação para o presente.”
(TODOROV, 2000, p. 31 apud JELIN, 2002b, p.50).
Pese essas criticas, contudo, a expressão ‘dever de memória’ em seu aspecto
reivindicativo vem possibilitando importante contribuição aos países e grupos que
vivenciaram eventos traumáticos. E em relação aos ‘espaços de memória’ aqui analisados,
considerando as especificidades de cada país, percebe-se que estes incitando a luta contra o
esquecimento e incitando a memória vem propiciando ainda (re) significando as histórias e
memórias das ditaduras militares.

Considerações Finais

Mobilizando continuamente discursos que ressaltam a luta contra o esquecimento, os


‘espaços de memória’ aqui analisados, procuram enfatizar as vítimas, pesquisadores, e a
outros usuários, que a memória dos regimes militares precisa ser reconhecida como um ‘dever
de memória’ de modo a que tais acontecimentos não mais se sucedam. Apresentando
características especificas nessa mobilização, onde no Brasil não há uma repercussão muito
grande ou um debate público sobre o assunto e em contrapartida no Paraguai nota-se a
presença de um maior debate e divulgação da memória, esses espaços apresentam-se como
um patrimônio cultural a ser preservado.
Patrimônio este que não se resume ao pretérito, devendo ser também entendido
enquanto um elemento vinculado ao presente (HARTOG, 2006, p. 272) e que em relação aos
‘espaços de memória’ perspectivados neste trabalho vem sendo vetor de demandas
democráticas e contribuindo para (re) significar e lançar outros olhares sobre as ditaduras
militares no Brasil e no Paraguai.

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