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Nessa segunda parte da aula, abordaremos os conceitos mais técnicos relativos ao gênero lírico. Assim, partiremos da análise de um poema de Florbela Espanca, Vaidade:

Vaidade

Sonho que sou a Poetisa eleita, Aquela que diz tudo e tudo sabe, Que tem a inspiração pura e perfeita, Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade Para encher todo o mundo! E que deleita Mesmo aqueles que morrem de saudade ! Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

So nho que sou Alguém cá neste mundo Aquele de saber vasto e profundo, Aos pés de quem a terra anda curva da!

E

quand o mais no céu eu vou so nhando,

E

quando mais no alto ando voando,

Acordo do meu sonho

Após a leitura em sala de aula desse poema, tire dúvidas dos alunos quanto ao vocabulário. Trabalhe, agora, com os alunos o conceito de rima. Peça para repararem na semelhança sonora no final dos versos de cada estrofe do poema. Analisemos a segunda estrofe. Marcaremos com a mesma letra os versos que possuem o mesmo som:

Sonho que um verso meu tem claridade A Para encher todo o mundo! E que deleita B Mesmo aqueles que morrem de saudade! A Mesmo os de alma profunda e insatisfeita! B

Rimas no estilo ABAB, como vemos no exemplo, são chamadas de alternadas ou cruzadas, uma vez que os versos rimam alternadamente. Há também as estrofes com rimas do tipo ABBA, que são chamadas de interpoladas, quando as rimas são separadas pos dois ou mais versos. Ou

E não sou nada!

ainda encontramos rimas do tipo AABB, que são chamadas de emparelhadas, pois rimam de duas em duas.

Após esse momento familiar com a poesia, pois todos já tivemos contato com algum tipo de rima, devemos passar para o estudo do número de sílabas de um poema. Devemos destacar primeiro para nossos alunos que a sílaba poética é diferente da sílaba que aprendemos em aula de gramática. Em poemas, contamos somente a sílaba que ouvimos, dando destaque para as sílabas fortes de cada palavra. Só contamos as sílabas até a última estrofe de cada palavra. Vejamos novamente a estrofe estudada anteriormente:

So/nho/que um/ ver/so/ meu/ tem/ cla/ri/dade Pa/ra en/cher/ to/do o/ mun/do! E /que/ de/leita Mes/mo a/que/les/ que/ mo/rrem/ de/ sau/dade! Mes/mo os/ de al/ma/ pro/fun/da e in/sa/tis/feita!

Essa estrofe possui dez sílabas poéticas em cada verso. Devemos alertar nossos alunos em relação a essa divisão: as vogais de final e início de palavra se fundem em uma só sílaba, e o mesmo ocorre com palavras que começam com h. Tal ligação entre sons só não ocorre quando a vogal é tônica., Convém, agora, apresentarmos para nossos alunos os nomes dados aos versos de acordo com seu número de sílaba:

Classificação dos versos

Monossílabos (uma sílaba poética) Dissílabosa (duas sílabas poéticas) Trissílabos (três sílabas poéticas) Tetrassílabos ou quebrados de redondilha maior (quatro sílabas poéticas) Redondilha menor (cinco sílabas poéticas) Heróicos quebrados (seis sílabas poéticas) Redondilha maior (set e sílabas poéticas) Octossílabos (oito sílabas poéticas) Eneassílabos (nove sílabas poéticas)

Decassílabos (dez sílabas poéticas) Versos de arte maior ou endecassílabos (onze sílabas poéticas) Alexandrinos ou dodecassílabos (doze sílabas poéticas) Bárbaros (treze sílabas poéticas ou mais)

A rima é recurso que traz musicalidade ao poema, assim como o ritmo, que é a marcação entre as sílabas pronunciadas com mais força e com menos força. Peça para analisarem novamente a segunda estrofe do poema e marque no quadro as sílabas fortes de cada verso:

So/nho/que um/ ver/so/ meu/ tem/ cla/ri/dade Para en/cher/ to/do o/ mun/do! E /que/ de/leita Mes/mo a/que/les/ que/ mo/rrem/ de/ sau/dade! Mes/mo os/ de alma/ pro/fun/da e in/sa/tis/feita!

Leve os alunos a notar que essas sílabas fo rtes conferirão o qu e chamamos de ritmo, gerando um efeito c onstância na alteração entre as sílabas fortes e fracas à medida que o tempo passa. Essa é uma das características estrutrais mais iportantes d os poemas em termos de versificação. Fora esses tipos de rima, há também o que ch amanos de versos brancos, que são os versos formulados sem rima, os quais foram amplamente utilizados no século XX pelos movimentos literários dessa época.

Destaque para seus alunos que esse tipo de construção de quatro est rofes, duas com quatro versos e duas com três versos é chamada de soneto. É o tipo mais utilizado ao longo da história dos movimentos literários, mesmo se tratando dos movimentos modernos.