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1

DocuME.'Tos:

A. •ÃLISE TRADICIO. 'AL E

HER.ME>"ÊUTICA

Introdução

CO�TEMPORÂ

.EA

O

fil ósofo

inglês

Bertrand

Rus

el 095

7

·9),

ao

escrever

um

lnro

obre

O

entendimento da

História, lembrava

seus leitores

que

nas umver

idades os h1s ­

tonadores profissionais o aulas de dois tipos: cursos gerais, que

são

lembrados

apenas o ba

cíficos para aqueles que se dedicarão, por rodas as suas vidas, ao ensino da Hi

tôria aqueles que, por sua

nec;te trabalho, é a Hist ór ia coo um prazer

usar o tempo livre". A preocupação com a fmição da

mente

atividade intelectual coà semelhança daquele de

da Antiguidade Clá sica por me10

esta obra

nao e re tringe aos graduandos em História, mas engloba professores umversitários

e aluno

como

cre,er

11,

mum,

hete­

siste

Bertrand Russel, busca

da

rance para assegurar a obtenção dos créditos, e cursos tóp

ez

ensinarão H: stóna a

ourros tantos

como um

O

icos espe­

meu objeto,

e úul de

meio agradável

Hi stória

o deve, efetiva­

ser subestimada pois, um

dos fundamentos da

Este livro,

fruição

no prazer derivado do conhecimento.

apre

entação e

levar o leitor a

análise de documentos.

O público a q

ue

se

destina

de História, Letras , Ciências

professores

ociaís, Filosofia, Política, Arqueologia, assim

e

todo

s

o

intere

sados em geral.

também,

e

de pnm e.r o e segundo graus

Henn lrénee Marrou 0965 1538) ressaltava que "seria necessário

ros

de boa vulgarização, verídicos mas que estejam ao alcance do homem co­

para

alimentar a cultura geral sob a forma ma is ampla".

Pretend e-

e,

portanto, que o público deste livro seja bas tante amplo

e

rogêneo

Este

livro, como um instrumento de trabalho, também, para professores de letras clás­ sicas, nao pode d ispensar a apre entação, a título de exemplo, de textos no original

latino ou grego,

pode deixar de apresentar

de le1tore

acompanhem todo

e ftlológ1cas, entre outras, da

o seria natural fossem capazes, ou

diversos ,

da mesma

leitor

textos aqui selecionado

tários. embora de profundidade

I

so significa que

os níveis de análise e interpretação dos documentos

se aos

diferentes leitores.

assim como o

o da

maioria

os leitores

ueológicas

selecionados deveo,

seguido

necessariamente, adequar-

de comentános de caráter filológico,

texto

traduzidos ao vernáculo

para u

que não domina aquelas línguas. 1 o se espera que

os comentário , nem que as ênfases hi

forma que

análise

específica

upor que pe

soas,

esuvessem

todos

t óricas , arq

se1am reproduzíveis por todos

com intere

leitura

leitore

es e

conhecimentos

os

Ieitore

interessadas em e tudar os documentos

.

ainda menos

e deve

exigir

do

textos!

1

o

entanto,

.

do

os

os diferentes especialista

pelo deleite da

atraído,

principalmente,

podem ser lidos, com facilidade , por todos e os comen­

de campos e interes- ta

ariada, permitem ao

es nzmho

ob en ar como trabalham os diferente_ especíali

13

principais

algumas da

tõe

que

ubjace

3 .lpre·enur

nte

_0 d

, J

premi

or

mjlt·e

d o .

e .1s

u:i

d ocurnenro.

-

do documento

tradicional

,1.

A ana 1se

definido tradic1onalmente

como

texto

um

e

foi

c

à

rno

di

0 documento

r con:i ste em reurar do

? 1ento:, o

qu� comem

ocu

e nada

:,tonJdo

acre _

de do hi

documentos de n:.1da .er. m.1 :,e fo,,e fe1t.1

idéi

com

A leirur:i do:,

a

precon­

cenrJr

procedim emo, lü

do1

ico. de,ena

to

parcir de·te

supo

pre

cebidJ.•.

m

er

_

_

nhecimento

aprofundado

do

da·

ndiçõe

erção

de

tónc.a

h 1

materiai

e

m

e

documen to

permue Ie,·ar a e

1-io J- crítica

extern.1 e mternJ

(Que/Jen for

ª e a·

ch

v )

un

on

de

t1ra

I

memb

d

d

.

rgo

anual

e em

receb

0 secre

linos

'

bo

-;agrado

da

of1

os

c1ai

da

d

gu

dez

os

te

oureiro

d

de

' e ta

tfJ Cacão

uroida

à fal

ào

como uma rea

H

&,r:1 mrrod

u

Ç

J

que

rege ram a

eleç ào de tema

ab

da

ª0s

.

po,1ç:io

d o ht ronador

'

fu:,tel de

Coubnge· O

d

29.33) .1hnn.1,a

,

que

a habi(

·

d

1 a -

.\

;idot:id o:i

denominJdo

. comenuonalmente.

de cnt1c.1 e'\:tern.1

de,

A bu.:-ca da , er:ind:ide do rebto

implícita ne·t.1 abordagem

e

cntica

er J

intern a

da�

er le,a

cabo. em

pnmeiro lug:ir.

por um estudo do

.1

pecto· e'\.terno -

maten3hdade do texto

de,·en:1 ser que t1onad:i. e

po

ta

:'i pro

<lo documemo

A

.1

h:n ena

mcom­

compo:, 1çàc

t.,.u? Por

paubiltdJde entre a data e crita no texto e sua

exemplo

um texto d:itilografado não pode .;er antenor

::l m,·ençào

u.l •

j�u.na

de

e cre,·er

nem ou o da

impren

a pode preceder G

 

C.1 ·o

um

texto d.uilografado

apre_ente uma :1-·matura de Júl10

Cé,J.r

prime,ro .éculo a C

) pode concluir-,e

pela cn11ca

e

marena . do documento que e·te é

tàl o

 

lm texto e.crito Jpre.:-enra, também, uma �er_e de

mforma

 

• e

que podem

a1udar a caracterizar o documento

como ,·erd cte.ro

ou fal

o

A

n

u _nterna ,·i a

,·enficar ·e há moti,o

para dm .dar J.1

ua

autenticidade de, ido .1

inf o rmaçõe-

1mero s1meL. Cm tipo de 1mero

.m.lhança

multo comum

e o anacroni

mo

e

um do umento afirm:i que dom ?eur

!

'iu

r>do

1a a

ern

do �I

para pro­

c!Jmar a lndepedênci.1 do Bra

il, utiliz<

e

a

\

13 Anch 1era,

pode e

n

tataHe

que o documento é fa/ o, poi· não h:n 1

em

3mbo

O

ca,o

apre enrado.: para ilu trar a

1

22, e

crítICa

por dema1- ób,1º- e

1

mpr0\ j, e.

e realmente o

são.

a

rodm 1a

É pr

,a,el

que

externa

e

rnterna

pareçam

a

práuca,

apena.,

um c

T amb é m

1

f,

.

rencra

te.xrual

cao de Arena

O e

tudo da_ fonte

di. ponh·ei

p:ir:i

o autor antigo

o

apre

enta-

e como um trabalho arduo.

ª uma fo nte é explícna

como o faz A.n tótele

em

e

s eu a ce

s vezes,

a

r

0

e

-

ua

Coml1CUI-

O membro

,

C en

um

a do) e

ca

_

a rcomes

.

ar

f,

or m

em

emp

re

a , no

ent anto

da co

nu

-- 30

e.cre,·eram

e deram a pú'Jlico o

ro_

e m.11

.

e tnma

an

de

idade

eguínte:

tendo

/' e

a bou

exero 'do

er

remunera

::lo·

dentre

e te

os

generai

.

no,e

ª· o

'-'

mag1

· 0

tr'd

ª

e,,man

me

'

re ·oure

w

o ca,ale1ros, o

chefe

da

do

ben

acro� da D

eu·a

tn

·

:\te na

0 outro

,

h a

uma

- deu

e

c

·

n açao

-

CA

clara

h ermenêut1ca.

ri

tótele

e direta

Arhenaion Polireia,

de documento.

De

30

,

1- 2l

qual

q

u

e

r

documento

partta da noção de que ena po

ceram" ( ,v1e

\'II, cf

po·iti,1

levada a cabo, amplamente, durante a Idade .\1édia (Lozano 19

ível mostra

r a

_ co1·a

7:69)

tal como. realmente. aconte­

e

eigeintlich gewe

en), na

1966:'-13; .\larwi c k

19

7

6:34---í0). Pode

me·mo afirmar-

e que

e

2➔

te

ido

palavras de Leopold von Ranke ( 1

�Iarrou

mo fundou a moderna c1ênc1a h1stónca. ào é à toa que outro grande propugnador da critica documental tenha

,

Barthold Georg �1ebuhr (1811) e rud10

o da Ant1gu1dade Clá

1ca, poi

a erudição

filológica

con t1tu1u um pilar indi

pen ável para a análi

e textual

De fato. apena

a

e�ecuçào de uma sólida crítica mtema. Hoje não é difícil aber que ou o da pala,ra

a\ do por Pedro ÁlYare

que a coloca·

com documento ma1

da língua

rado- , erdadeiro

,erac1dade das

a

portanto. que um documento

o conhecimento aprofundado da

linguagem utilizada no

h-eJ e

docume nto

permite

e pa

Cabral não seria po

er

po

e em

ua boca devena

antigo

permite Julgar

O u

terior a Cabral. o me

mo não

. Apenas uma grande erudição

e termo

e pecífico

anacrômco

A

im Ca

10

ti,o

deYenam er coo 1de ­ permite que-,tionar a

e cre,·endo no

do final da república romana

um domíruo exau

D10

grega e !arma

ou e

afim1açõe

púrio

o de termo

de um documento

tã, relata o

da

século te rceiro da era cn

(4➔ a.C.) a parnr de

acontecimento

ua própria época

conceito

O

a

a

mo

de Cé

ar de clararam- e, ao me mo tempo

como re pon -á, e,

pela

ua eliminação e como libertadore

do pm·o·

na Yerdade entretanto, fizeram

uma

coo ur ação impiedo a e lançaram a cidade na de

ordem quando

e m1 C1a, a

a ter um gm·erno e

meio da i

tanto, não

garante,

trar um único homem excelente do que muito " (Dio, Hi. toria, 4➔.2

táYe!

.-\. Democracia. de fato. parece ter um nome ,u-;to e por

entre­

anomia. parece trazer a todo

condizem com

eu nome

de

maneira prática.

a

direito

igua1

·ua

con equenc1a

ua

parte

oa

mJ.l

A :-Ionarquia.

por

tração

.

nu

melhor admini

Afinal, é m:11

t.ícil encon­

A monarquia tratada por Cá

io Dio refere-,e ao go\'emo

impenal de início

do

como cônsul (229 d.C ) efen,amente, um monarca

do

poht1c:1s em Jogo no pe ríodo da nar rat1,·a. Logo

do que a

éculo terceiro,

ª" a. -.;mato

ua

ob a dina

tia do·

evero

, época em que o próprio D 10

então,

de dominu:,

er. iu

O imperador chamado

. o entanto, ou

ar

·enhor), era

o de se

termo e conceito.

terminologia

nem

a

o texto de D 10

pJ.ra tratar

po_ 1çõe

Cá. io reflete ma 1 -

de Júlio

não reflete nem a

do

própria época

início do p rincipado

 

moderna ciência

hi

tórica,

ba

eada

na crítica fa ctual

do documento e-.­

cnto,

urgiu

JU tamente, como re

ultado da ação de ela

1cLta

e e.tabeleceu o

termo

da anáh e textual tradicional.

 

O passado e

o presente:

 

a

História e a

hermenêutica

contemporânea

 
 

A

Hi tória

continua

endo

o

conhec1mento

por

meio

do

documento

(Carrard

1986:49) ma·

redefmiram-se

os conceito

de

tória

e

de documento.

re 1ere-

1

d

d

.

.

l

f

.�

.

r a

Partir

.

.

.

"Como quer que seia, será

agradável

relatar,

da melhor maneira

possível,

os feitos do

mais importante dos

Aquilo que se

período

povos

refere ao

antes

da fundação ou do pró

l

d

-

.

encanto da poesia do que

pretende

aqui

m conf'1rmar nem negar tais relatos. "

ne

,

,

Tito Lív10 (59

a e

17 d e )

con

adfirmJre),

({11 1111/,1�),

nem

11 m.u

mostrando

fi rme za

f -

"

,

16

17

Lau rent Stern

gestae) e nosso

boa 1ntu1çao, -

ei , entos

(1990·

relato

os eventos

·

S62)

recorda

a seu

a distinçã o entre "os eventos

ocorr era m (r

De

comp

aco o co,n a

r

reen., o desc

~

,,a

es

o e re

hi"st onca 0

,

vra

pala

designa

,

a u m

d"1 fer

ença

.

d

e s

que

respeito (h1stona rerum gestarum)

.

.

.

podem mudar,

mas nossa

.

passados nao

-

Tito Lívio não pretendia chegar a descrever o passado tal qual tena ocor­

.

.

mu

da" (gnfo acrescentado). De fato, nao se

,

.

acontecimentos

_

obJetivos 10tang1veis

.

.

,

.

Raymond Aron (s/d: 1 1 ) ressaltava

que

e

a

"a

conhecimento

e a

envado.

deve con fu ndir passa d

narrativa

m es

ma

Históna

rido ( wie es eingenthch gewesen), pois, como os pensadores têm ressaltado, isto

é algo impossível e irrelevante Impossível, na medida em que não se possuem

senão fragmentos mínimos do passado mas, impossível também, porque tudo des­

crever, ainda que fosse factível, acabaria por nada explicar, esvaziando de sentido

o relato Irrelevante, pois o presente só se interessa pelo passado em função de s1

próprio e do futuro. Bruce G Trigger (1989 778) constatou , recentemente, que "há

um apoio crescente para a 1dé1a que não é possível uma compreensão obietiva

da história ou do comportamento humanos". A subjetividade subpcente a toda compreensão histórica, explicitada tantas vezes pelos pensadores antigos, tem sido ressaltada pelo moderno pensamento histórico (Fox 1993:47). Na verdade, já o poeta alemão Goethe reconhecia que "toda ação é, imediatamente , teona", to­ dos os atos, inclusive os relatos, são resultados de modelos de interpretação (Maier

1

ato

d

o

Passado

francês

ensador

P

se à realidade

histónca e ao

só tempo' O passado e a c1encia que os 1omens es

desse passado".

Nas línguas modernas apenas o

orça m -se em elab o ra

alemao

-

conserva

u ma

clara entre História obietiva, o Passado, que passou e não volta mais ( die Ges

1

c

emmaliges Geschehen) e a Histona como narrat1 a, criação

sente (die Hlscone; cf. Stierl : 1975). Os r mano

11c

o pre-

tal e _ z tenham melhor op osto os

ona

1

ne

, .

e mpre no e d

narrativa

(mem

acontecimentos (resgestae)

rerum gestarum ) A

,

·

a sua recnaçao na

d

f '

-

,

memona, numa

memona, por

e

miçao, e uma recnação constante no

te, do passado

enquanto representação,

relação entre a representação

enquanto imagem

impressa

na

_ Utcum e erit, iuu

presen- 1984 86)

mente.

A

na memória e a realidade é mediada, sutil e indireta

A própna razão, a maneira de compreender e interpretar a sociedade e o mundo, seja estaticamente, seia nas suas transformações, é histoncamente deter­

rn mada (Koppenberg 1989. 101 1). David Lowental ( 1985 :41 2) resume bem a relati­ "idade do discurso histórico ao afirmar que "é muito melhor considerar que o passa do sempre tem sido alterado do que pretender que sempre foi o mesmo não podemos evitar a refacção constante do nosso patrimônio, pois cada ato de

re conhecimento altera o que sobrevive". A oposição entre fatos e interpretações,

n.1 base do positivismo oitocentista em busca das "evidências" históricas, tem sido,

igualmente desmantelada O uso do termo evidência pelos anglo-saxões para refenr se aos fatos, acontecimentos ou dados objetivos parece particularmente sig111f1c.1t1vo A evidência, enquanto "aquilo que é visível", não se confunde com

a realidade, sendo, antes, algo a er decifrado, visto (Partner 1 986·1 05)

bit tamen rerum gestarum memoriae principis terrarum

Quae ante conditam condendamve

u rbem poeticis mag1s decora fabulis quam mcorrupt1 rerum gestarum monumentis tr duntur, ea nec aclfirm are nec refellere m animo est (Ti to Lí vio, Ab urbe con­ dita 1, 3,6)

pop uh pro umh parte et 1psum consuluisse

pno P ano

e cnaçao da

cidade foi

transmitido

ma1

pelo

.

'

por monumento

mtegros dos acontecimentos

Não

e Fv1dênc1,1s, nada evidentes no sentido corriqueiro da palavra, não podem funcfar ,1 s mterpretações mas, ao contrário, são estas que criam as evidências e os fatos (Somek.twa & Smith 1988 · 1 52). A oposição entre fatos e teonas mostra-se,

-

d a d

centrais do discurso 11st0

gesta

dem onstrar ser enga no'.'>

(d ecer), de beh

.

f

l

,

nco

.

O

(

re

'lJ)'

·

e

-,

ª

,

o

(

descreve , ele maneira admirável, a '.'>UbJet1v1-

.

.

.

As palavras utilizadas tornam

daras as

que

ret1to

ci os

a contecimentos

(memoria

rerum

.

.

,

esca pado el a

o

d ecoro

mem ória . O

ela

t1 acl içc1 0

rel a to

q

u e

01 a l

( 1 ,

o

e tc

-

1onal

.

'

opoe-se

.ios

fatos,

d.is

.

3

.

e mevnavel do relato h

.

rum )

,

.

nada pode

.

.

,

tstonco

,

li li

.

.u enci.t

.

J,

•1 Ju .i,

s " '

con vé

m

ra fab u

bulas cab

Cic. Rep . 2

e

ere), por ter

,

1s tradundu r) A {;'/

,

e h egar aos '

' 3 f 111 )

s , , ,

,

con diz com

htM01 1a

,

tracl1

fato ·

· tto L1v10 refe

_

,

'

'

como F1 propunha C1cero (J fabulis ad Jact.1 uemre,

i

,

·� .'> e , .

e -

ao

f e1tos como "monume

ntos in

te g i

o

s dos

t·1111h:.

em

como

,

f

"l

1

emb1 .1 11 as" (mon ume n l. 1

)

e

u

.

mem

, dis-

''t razid:is

ó n a

·

) das

ato ( e te1 em '>ido potenc1almente,

1110nu

menr1s)

A

acontecimento

t í .

se m adulteraçã

,

eixa muito e di versas afir m

nção das fábulas ctr

d

porta nto

0

,

,

,t-se tao-soment e no

,

na

memória

(

/

scapar (fallere) e

.

õ

es (adfirma re).

l r ac umur 1ncor upu�

.

r

.-

,

n.to e l:lu ,, l demonstrar a fi rmeza (fi m11r,1-�

.

nest,1 perspcct1 v.1, artificial e enganosa (Tabaczynsky 1984:21). Até mesmo a dife- 1 ença entre lw,tória e mito tem sido posta em questão. O presidente da Associação Anwtic.111,1 de Historiadores William H. McNeill ( 1986.8-9) chegou ao ponto de ped11 .10., seu'> colegas norte-americanos que reconhecessem que não produziam "H'rd,1clcs etern.t'.'> e u111versa 1s", mas uma "história mítica" (mytlm,wry) As raízes d.1 e plt<.ac .1 0 his tórica encont ram-se sempre, no pre sente , nas soci edade s e cul­ tur,1'.'> de dcte1 111111.1dos período , nas quais se msere o h 1sto11ador (Burgu iere 1982•LJ 27) F. Fu ret (1967), por exemplo, e seu estudo sobre "o intelectuais fran­ ceses e o estruturalismo" não seriam po síveis no século passado, assim como não poderia haver uma interpretação marxista da Históna no século XVIII' A aceitação da subjetividade da História deve ser ligada a dois processos d.1 vida mtele tua! do sé ulo XX Em primeiro lugar, ao míluxo da Fil osofia deve ser creditada ::i di fu são da própria noção de sub1ern:idJcle Todo conhec imento , nao .1pcnas, nem especificamente , o conhec1mento do passado, mas toda a com-

]e

im pcm1adé de J'inévita/Jlc .<,u /J;ectJvité du d1scou rs his

c'e

t au

fond /e

rêve

cl'un

histonen

en

-

wnque

ct ce

rêve

hist

j'en

esr

onen

per uade, J /u�coJre,

fortemenl

cond1t1onné p.ir /e m1/Jeu cl:1m lequel /Ja1gnc

cffet ccc

suis

lres

"E

tou convencido da

a

Hi

inevitável su bJellvidade do discu rso h1stónco Estou

este sonho é

convencido

grandemente condicionado pelo meio

tóna é, no fu ndo, o son ho de um hi storia dor - e

no qual

se msere este histori ador"

Palavras fortes que dão

bem a

noção do

caminho percorrido pela históna

científica,

neste século,

cm direção aos

condicionamen tos

contemporâneos da

mterpretaçao do passado ( hanks & Ti lley 1 987: 1

<;ofia, a lingu í t1ca e a

a

pressa-se

importância

et passim) Parale la mente à filo­

emiót1ca viriam infl uenciar, decisivamente, o estudo de todas

todo conhecimento ex­

reconheci mento da

conteúdo

c1ênc1as, em particu lar as

de sua

au tona

hum anas

necessanamente, como um

A

d1'>curso

noçao

de que

impl icou

o

e de

seu públ ico, assim como

da forma

e

desse discurso

A aceitação da noçao de subjetividade,

por s1 mesma ,

não responde

de

vista'

ª questão central· por que diferentes h1stonadores têm

diferentes pontos

A autoria do discurso histórico, entreta nto, significa

panir dos seus

interesses

individuais e col etivos, visa

que

fazer

o

produtor

crescer,

do texto,

público,

ª

no seu

entimentos

cer (augere)

e sensações: auctor

"Hi.stonadores

o autor, nada mais é do

que aquele

qu e faz

cres­

p

o

r.

específicos interpretam o

passado

diferentemente

que trazem

co nsigo

causa

(Tngger

dos pontos

1 989

778).

d e vista pessoais e dos i nteresses de classe

·

.

A narrativa

Os termos

' O relato como

.

emp rega

,

d

gregos · · d

G

is'

oerg

Maier

não

recria

0 984 :

' como

,s

dos

0 d

e ações

espa

rsas,

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os para referir-se ao discurso histonco

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,

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1m1taçao,

por

parte do

"o texto hi st óri co

a

realidade, mas consiste

historiador Os

alemães

}e

ne suis ni hellénisle ni

l.1 tin1�ce

\Ja1

il m,

emble qu a

la condJCwn d \

meltre assez

de

soin,

de p.lllence

de

mode

ue

ec

d .menuon

11 ec.uc

po-,

1/Jle

d'acquénr avé.e les texts

de

/' \nt1qwre n1ecq ue ec romame, une famI11ance

uffi :mre

Je veux dire une fam1/Jamé qw permette,

de /:i ph1/osophíe occiden c.1/e,

nou

distance d'une penséc

q111 clemeure en dépir de ccl elo1gnemcnc que nous creu.,on., 'i,W., ce -.e

don une prauque �an

d1fferen

dou1e con,c,curn �

nc a

nôcre er /J pro 1mtCé

cl mrcrroger a J.i for, /,1

e qu1

nou

e,

ou

reconn.m-,om I ongme de la

a cond1çao de

J\las

dedicar muito esforço, p.tciência,

os te:vios da Antigu 1d i d e greg,1 e romana, uma f.tmil i.mdade su 1ciente, quero dizer

om

"Não sou

helen ista

ou l.ttinista .

me pareceu que, com

modb,t1a e atenção, er,1 possl\el adqumr,

em gran­ .1 , erd:1de políuco filo ofo por autore e truturado u.1 e ·pre

em gran­ .1 , erd:1de

políuco

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bem dehnea-

Ade-

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1, J

hnonco que

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na preten

qu

e

r prm ar que o que diz e, erdade

gnfo acre centado)

ur

1\ a de de

cre, er a

I

.1pre

senta ra

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·o d1

e efe110 , erdade ton­

wl qual

e on ·

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o

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realidade

, erd

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1ent ífico e

ade

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-

a luta de ela

e

politlla

ima

Rico

e

pobre

encara, am-

ma

to

uçao acontena ha, 1a e:-.ecui.õe

en

e

ao meno

d

de e re, e , erdade

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13

O autor

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