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História Do Direito Brasileiro

Resumo para 2ª avaliação


Aluna: Júlia Nicolini

Iluminismo (século das luzes)


Mudou o formato das fontes do direito português instituído anteriormente nas
Ordenações Filipinas. Foi um movimento cultural da elite intelectual europeia que
procurou mobilizar o poder da razão, a fim de reformar a sociedade e o
conhecimento herdado da tradição medieval. Causou um impacto nas fontes do
Direito e na Reforma da Educação.

Marquês de Pombal
Tinha por objetivo promover um choque de gestão, mediante uma centralização da
administração das leis, ou seja, centralizar e fortalecer o poder da coroa. Para isso,
achou necessária a mudança nas Fontes do Direito.

Lei da Boa Razão(1769)


Lei baseada no jusnaturalismo - universalidade, ideal de justiça comum, direito
natural-, com abrangência universal. Afirmava que as demais fontes do direito
deveriam manter compatibilidade material com ela.
Porém, não conseguiu resolver o problema da incerteza da aplicação da lei, pois a
subjetividade acabou substituindo os problemas gerados pela diversidade das
fontes do sistema antigo. Com outras palavras, gerou muitas controversas quanto a
sua interpretação para admissibilidade de outras normas jurídicas por ser muito
subjetiva, assim apenas substituindo o problema de não ter um parâmetro de
admissibilidade da lei por ser muito vaga.

Fontes do Direito
A revolução pombalina pretendia aumentar a importância das leis da coroa,
mediante a diminuição da importância e da influencia das demais fontes do direito.
Mudanças na Fonte do Direito
- IusProprium
 Estilos: Foram totalmente extintos, deixam de ser uma fonte.
 Costumes: Sua utilização passa a exigir 100 anos de uso, além da existência
da compatibilidade com a lei da boa razão.
 Lei: Se tornou a fonte mais importante.
- IusCommune
 Direito Romano: Boa Razão passa a ser o critério para a utilização de uma
opinião, causando controvérsias pois existiam muitas interpretações,
gerando divergências entre a aplicação.
 Direito Canônico: Não houve alterações.
 Doutrina: Bértolo e Acúrsio perdem sua influência.
Reforma da Educação (1772)
Surgiu para preparar os novos bacharéis para o novo Direito com base na Boa
Razão.
- Expulsa os jesuítas do controle.
- Modelo de aula de forma expositiva (como é até hoje).
- Passou a contemplar o direito português, em detrimento do Direito
Romano.
- Proibição de postilas (anotações de alunos antigos).
- Livros chamados de manuais ou compêndios, que sistematizavam o
conteúdo.
- Livros andavam sempre com os alunos.
- Criação das disciplinas História do Direito e Direito Natural.
- O custo para ingressar permanecia caro.

Período Joanino
Antes deste período não existia uma diferença substancial entre Brasil e Portugal.
O Brasil enquanto território, não existia formalmente, fazia parte de Portugal e
seus habitantes eram considerados portugueses. Inclusive, o Direito aplicado no
Brasil era o mesmo aplicado em Portugal.
Mas existia no território brasileiro, o Pacto Colonial que era um corpo de regras
que dizia respeito as relações comerciais entre a metrópole e a colônia.
Limitações às Liberdades Territóriais:
Regras jurídicas que estabeleciam limitações a liberdade; não era decorrente da
nacionalidade e sim de onde se estava residindo.
Dividiam-se
 Comercial: Proibição de livre comércio com outros países, que não a
metrópole. Toda a produção econômica da colônia deveria ser
comercializada em regime de monopólio com a metrópole, ou seja, há
regime de monopólio de ambos os lados. Essas limitações comerciais
poderiam ser suspensas em algumas ocasiões por autoridades de alta
patente (capitão donatário ou governador-geral).
 Industrial (Econômica): proibição de qualquer tipo de riqueza que não fosse
extrativista (animal, vegetal ou mineral).
 Intelectual: Proibiam a instituição de universidades no Brasil e em Portugal
só existia a universidade de Coimbra, com o objetivo de controlar quem iria
acessar os cargos públicos da Coroa. Proibição da livre circulação de livros
no Brasil devido a preocupação com idéias revolucionárias. E também não
era permitida a impressão de documentos.
A princípio, o Brasil nunca foi idealizado como um local de civilização, foi apenas
colonizado com o objetivo de se tornar uma “empresas” para Portugal. No entanto,
com as questões políticas da época, a Coroa foi obrigada a se mudar para colônia.
Chegada da Família Real
O cenário se altera totalmente, o Brasil deixa de ser colônia e se tornando a nova
sede do governo português, ganhando melhorias na cidade.
Mudanças:
- As Limitações as Liberdades Territoriais foram extintas
- Criação de ensino superior
- Permissão de livre publicação, mas submetido à censura local
- Criação da Imprensa Régia
- Abertura dos portos as nações amigas
- Estimulo a produção de algumas fábricas
- Construção de bibliotecas, jardins, monumentos, teatros...
Conseqüências das mudanças:
- Construção de um conjunto de normas modernizadoras para transformar
esse novo país que surgiu
- Novas regras comerciais e empresariais
- Avançar em questões Diplomáticas
- Atualizar leis antigas
- Pensar em um modelo novo de posse de terras e de Justiça

Constituição de 1824
Seu objetivo era reafirmar um novo estado brasileiro, dessa vez, mais moderno, de
forma democrática, através de uma Constituição outorgada.
 Art. 1.
Considerava juridicamente a independência do Brasil, elemento
tranquilizante para o povo, visto que afirmava que os brasileiros não
admitiram nenhuma união com outra federação.
 Art. 3.
Indicação da formula de governo: Monárquico, Hereditário,
Constitucional e Representativo.
 Art. 5.
Religião oficial: Católica Apostólica Romana
Contudo outras religiões eram permitidas em culto domestico ou casas
discretas, de forma limitada. Além da proibição de assumir cargos
públicos para os praticantes de outras religiões.
 Art. 6.
Criação da nacionalidade; cidadania brasileira foi firmada.
Critérios para ser considerado cidadão: sanguíneo e territorial.
Escravos não eram considerados cidadãos.
Resumo:
- Nascidos livres no Brasil, desde que os pais não fossem
estrangeiros a serviço aqui.
- Filhos de brasileiros nascidos no exterior, desde que os pais
tivessem a serviço lá.
- Filhos de brasileiros nascidos no exterior, desde que
estabelecessem residência no Brasil.
- Nascidos em Portugal ou Possessões, que residiam no Brasil à
época da independência e que tenham aderido expressamente
ou tacitamente pela continuação da residência no Brasil.
 Art. 10.
Firmação dos poderes políticos (moderador e assembleia geral).

 Art. 15.
Atribuição da Assembleia Geral: fazer leis e interpreta-las, suspende-las
e revoga-las.
O poder de legislar agora é exercido pelo povo e não mais pelos
soberanos.
 Art. 35.
Funcionamento da Câmara dos Deputados:
Forma eletiva e temporária
Mandado fixo de 4 anos, havendo constante renovação, ocasionando
certa instabilidade
Em contrapartida, o senado – Art. 40. – era uma instituição mais estável
e consequentemente mais lenta em suas decisões com mandato
vitalício.
 Art. 45.
Para ser senador:
Brasileiro
Mais de 40 anos
Formado em Direito (pessoa do saber)
Renda anual de 800 mil réis ou mais
Ser católico.
 Art. 90.
Eleições indiretas para Deputados e Senadores
 Eleições Primárias = Assembléia Paroquial: escolheriam os
eleitores de província (cidadãos brasileiros e estrangeiros
naturalizados)
 Eleitores de Província: escolheriam os representantes da nação
 Art. 91.
Quem pode votar nas Eleições Primárias:
Brasileiros
Estrangeiros Naturalizados
 Art. 92.
Excluídos de votar nas Eleições Primárias:
Maiores de 25 anos [menos: casados, oficiais militares maiores de 21
anos, bacharéis formados e envolvidos com a igreja]
Filhos família (mulheres em geral e filhos dependentes do pater-
familia.) [menos: servidores públicos]
Criados de servir [menos: bibliotecários, primeiros caixeiros da casa
imperial que não forem de galão branco e administradores de fazendas
e fábricas]
Religiosos (padres, sacerdotes...)
Quem não tiver renda liquida anual de 100 mil réis
 Art. 94.
Quem pode ser eleitor de província (vote para escolher dep e sen):
Renda anual de 200 mil reis ou mais
Não pode ser liberto
Não pode ser criminoso

 Art. 95.
Para ser Deputado:
Renda liquida de 400 mil reis
Não pode ser naturalizado
Ser católico
 Art. 98.
O poder Moderador é a chave de toda organização política.
Manutenção da independência do país e harmonização dos demais
poderes.
 Art. 99.
O rei é uma pessoa inviolável e sagrada.
 Art. 101
O poder Moderador pode intervir nos outros poderes
Exemplo:
Intervenções no poder Legislativo –
 Para um senador ser nomeado era necessário alem de ser
votado, o imperador nomear.
 Convocação da Assembleia Geral de forma extraordinária.
 Aprovar resoluções dos conselhos provinciais.
 Dissolver a Câmara.
Intervenções no poder Executivo –
 Nomear e demitir ministros de estado (parlamentarismo às
avessas).
Intervenções no poder Judiciário –
 Suspender Magistrados.
 Perdoar/moderar as penas impostas.
 Conceder anistia.
 Art. 102.
O Imperador é o chefe do poder Executivo. Era hereditário,ou seja, não
dava para eleger.
Atribuições do Imperador:
 Nomear bispos.
 Prover o beneplácito (condição de aprovar leis pela questão da
igreja.
 Nomear Magistrados.
 Nomear os juízes, porém não podia retira-los.
 Art. 151.
Traz a expressão do poder Judiciário independente, composto por
juízes e jurados e a presença do júri, que é uma instituição que foi
criada com o objetivo de democratizar e atender os rigorosos critérios
sociais. As decisões dos juízes não poderiam ser revistas por nenhum
outro poder.
Tinha decisões autônomas, mas com duas exceções: quando o
imperador concedia perdão e anistia.
 Art. 152.
Os jurados pronunciam sobre o fato e os juízes aplicam a lei.
 Art. 158.
Trata das Relações, que são usadas para julgar as causas de segunda ou
ultima instancia para decidir
 Art. 163.
Principal órgão do poder Judiciário era o Supremo Tribunal de Justiça,
um tribunal de cassação, situado hierarquicamente acima das relações,
com função de garantir que as decisões das relações não fossem
equivocadas, examinar se a decisão recorrida foi proferida conforme a
lei.
Recurso de revista: imposto contra as decisões da relação. Se houvesse
a cassação, o processo seria encaminhado para outra relação.
Hipóteses para realização de cassação -
 Injustiça notória: erro na aplicação do direito material.
 Nulidade manifesta: erro na aplicação do direito processual.

Código Criminal de 1830


Diverge bastante das ordenações Filipinas, alem de ser carregado de idéias
iluministas.
o Não haverá crime ou delito sem uma lei anterior que o qualifique.
o O julgamento deixa de ser inquisitório e passa a ser acusatório.
o Foi instaurado a pessoalidade da lei.
o Estabeleceu punições para aqueles que eram considerados “loucos” na
época, internando-os em hospícios.
o Excludente de ilicitude, que legitimava certas justificativas para
determinados crimes, como a legitima defesa.
o Trouxe os agravantes de ilicitudes que instituíam penas mais severas para
crimes cometidos por pessoas capacitadas. E os atenuantes de ilicitudes
com função inversa.
o As penas cruéis eram destinadas apenas aos escravos, exemplo:
esquartejamento.
o A ilicitude não é mais cometida contra o imperador e sim contra o Estado.
Esse código se distancia em diversos aspectos da atualidade, contudo uma
considerável parcela de suas idéias ainda são utilizadas na atualidade.

 Mudanças do Código Criminal que se assemelham com o atual Código Penal:


a questão domiciliar é um ato inviolável, exclusão da censura, o Estado é
laico e não existia mais o critério de nobreza para ocupação de cargos
públicos.

Codigo Civil de 1916


Enquanto o código penal foi instituído após 6 anos da criação de primeira
constituição, o primeiro código civil demorou quase 100 anos para ser criado.
O código não é bem-sucedido, pois já nasce defasado, visto que é criado baseando-
se em uma sociedade que já não é mais a mesma.