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TRE-SP

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE SÃO PAULO

ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA


ADMINISTRATIVA

Português
Noções de Informática
Direito Constitucional
Direito Eleitoral
Direito Administrativo
Normas Aplicáveis aos Servidores Públicos Federais
Administração Pública
Administração Financeira e Orçamentária
Regimento Interno do TRE-SP
Noções de Direito Civil
Noções de Direito Penal
Noções de Direito Processual Penal

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05/2016 – Editora Gran Cursos
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TEL: (61) 4007-2501
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Bruno Pilastre / Viviane Faria


Henrique Sodré
Ivan Lucas
J.W. Granjeiro / Rodrigo Cardoso
Thiago Vesely
Wilson Garcia
Eraldo Barbosa
Rodrigo Larizzatti
Deusdey Solano

PRESIDÊNCIA: Gabriel Granjeiro

DIRETORIA EXECUTIVA: Rodrigo Teles Calado

CONSELHO EDITORIAL: Bruno Pilastre e João Dino

SUPERVISÃO DE PRODUÇÃO: Marilene Otaviano

DIAGRAMAÇÃO: Charles Maia, Oziel Candido da Rosa e Washington Nunes Chaves

REVISÃO: Carolina Fernandes, Emanuelle Alves Melo, Luciana Silva e Sabrina Soares

CAPA: Pedro Wgilson

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS – De acordo com a Lei n. 9.610, de 19/02/1998, nenhuma parte
deste livro pode ser fotocopiada, gravada, reproduzida ou armazenada em um sistema de recuperação de
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AUTORES
BRUNO PILASTRE sos públicos. É autor, pela Editora Gran Cursos, das obras:
Direito do Trabalho para concursos – Teoria e Exercícios;
Mestre em Linguística pela Universidade de Brasí- Lei n. 8.112/90 comentada – 850 exercícios com gabarito
lia. Professor de Redação Discursiva e Interpretação de comentado; Lei n. 8.666/1993 – Teoria e Exercícios com
Textos. Autor dos livros: Guia Prático de Língua Portuguesa gabarito comentado; Atos Administrativos – Teoria e Exer-
e Guia de Redação Discursiva para Concursos pela editora cícios com gabarito comentado; 1.500 Exercícios de Direito
Gran Cursos. Administrativo; 1.000 Exercícios de Direito Constitucional;
Legislação Administrativa Compilada, dentre outras.
DEUSDEDY SOLANO
J. W. GRANJEIRO
Servidora efetiva da Polícia Civil do DF, exercendo a
função de Escrivã, formada em Direito pela UNIDF (1997) Reconhecido por suas obras, cursos e palestras sobre
e pós graduada em Processo Penal pela Universidade temas relativos à Administração Pública, é professor de
Gama Filho. Professora em diversos cursos preparatórios Direito Administrativo e Administração Pública. Possui expe-
para concursos há mais de 15 anos. Autora, pela editora riência de mais de 26 anos de regência, sendo mais de 23
Gran Cursos, do livro Direito Processual Penal – Exercí- anos preparando candidatos para concursos públicos e 17 de
cios Gabaritados. Serviço Público Federal, no qual desempenhou atribuições
em cargos técnicos, de assessoramento e direção superior.
ERALDO BARBOSA Ex-professor da ENAP, ISC/TCU, FEDF e FGV/DF. Autor
de 21 livros, entre eles: Direito Administrativo Simplificado,
Doutorando em Direito do Trabalho na UBA - Universi­ Administração Pública - Ideias para um Governo Empreen-
dade de Buenos Aires-AR. Graduado em Direito pelo Centro dedor e Lei n. 8.112/1990 comentada. Recebeu diversos títu-
Universitário do Distrito Federal - AEUDF (1992). Pós-Gradu­ los, medalhas e honrarias. Destacam-se os seguintes: Colar
ado em Direito Civil e Processo pela Universidade Cândido José Bonifácio de Andrada, patriarca da Independência do
Mendes-RJ (2005). Pós-Graduado em Direito Eletrônico e Brasil (SP/2005), Professor Nota 10 (Comunidade/2005),
Tecnologia da Informação pela Unigran-MS. Pós-Graduado Comendador (ABACH/2003), Colar Libertadores da América
em Direito Material e Processual do Trabalho e Direito Pre­ (ABACH/2003), Gente que Faz (Tribuna 2003), Profissional
videnciário pela ATAME (2010). Advogado e professor das de Sucesso (Correio Braziliense/2003), Medalha do Mérito
Faculdades Projeção e do Centro Universitário IESB. D. João VI (Iberg/Ibem/Fenai-Fibra/Aidf/Abi-DF/2006), Cida-
dão Honorário de Brasília (Câmara Legislativa do DF/2007),
HENRIQUE SODRÉ Empresário do Coração 2006, 2007, 2008, 2010, 2011 e
2012, Master in Business Leadership 2006, 2007 e 2009
Servidor efetivo do Governo do Distrito Federal conferido pela World Confederation of Business.
desde 2005. Atualmente, é Gerente de Tecnologias de
Transportes da Secretaria de Estado de Transportes do RODRIGO CARDOSO
Distrito Federal. Atuou como Diretor de Tecnologia da
Informação no período de 2012 a 2013. Graduado em Servidor do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª
Gestão da Tecnologia da Informação e pós-graduando Região, o professor Rodrigo Cardoso é graduado em Direito
em Gestão Pública. Ministra aulas de informática para pela Universidade Católica de Brasília e especialista em
concursos desde 2003. Leciona nos principais cursos Direito Administrativo e Direito Constitucional. Professor de
preparatórios do Distrito Federal. Autor do livro Noções Direito Administrativo, Lei n. 8.112/90 e palestrante, possui
de Informática pela editora Gran Cursos. grande experiência na preparação de candidatos a concur-
sos públicos. É coautor do livro Direito Administrativo Simpli-
IVAN LUCAS ficado com o professor J. W. Granjeiro.

Pós-graduando em Direito de Estado pela Universidade RODRIGO LARIZZATTI


Católica de Brasília, Ivan Lucas leciona a Lei n. 8.112/90,
Direito Administrativo e Direito do Trabalho. Ex-servidor do Bacharel em Direito e Ciências Sociais pela Universi-
Superior Tribunal de Justiça, o professor atualmente é ana- dade Paulista/SP (1996). Pós-graduado em MBA/Metodolo-
lista do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região. Possui gia do Ensino Superior pela Universidade Católica de Brasí-
grande experiência na preparação de candidatos a concur- lia – UCB (2001) e MBA/Gestão de Polícia Judiciária pelas

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Faculdades Fortium (2008). É Delegado de Polícia Civil do Diretor do site: sites.google.com/site/professorwilson-
Distrito Federal, professor de cursos preparatórios com larga garcia;
experiência e ex-professor universitário, lecionando as dis- Grupo do facebook: Alunos do Prof. Wilson Garcia.
ciplinas de Direito Penal, Legislação Penal Extravagante Autor das obras: Série – A Prova – LODF pela Editora
e Direito Processual Penal. Ingressou na Polícia Civil do Gran Cursos, Direito Civil e Processual Civil. Volume 13, da
Estado de São Paulo no ano de 1991, no cargo de Agente Apostila Digital: “Resumão do Wilsão” - Direito Administra­
Policial, tendo em 1992 sido novamente aprovado em cer- tivo, do Artigo “Prescrição e Decadência no Direito Civil” -
tame para a função de Investigador de Polícia, que exer- Revista Síntese,
ceu até 1996. Aprovado em 1997 para o cargo de Agente de Autor dos livros digitais, pela Editora Saraiva, Principais
Polícia Federal, optou pela carreira jurídica de Delegado de Pontos – Volume I – Lei 8.429/92 – Improbidade Administra­
Polícia Civil do Distrito Federal, ingressando nos quadros da tiva – 2º edição; Principais Pontos – Volume II – LODF –2º
PCDF em 1999, onde permanece até hoje. Atuou na advo- edição; Principais Pontos – Volume IV – LC 840 em Exercí­
cacia, nas áreas Criminal, Administrativa e Constitucional. cios.
Autor do livro Compêndio de Direito Penal pela editora Gran
Cursos.

THIAGO VESELY

Thiago Andrigo Vesely é professor de Orçamento


Público e Finanças (AFO) e Lei de Responsabilidade Fiscal
(LRF) no Gran Cursos. Instrutor do Siafi e de Orçamento
no Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento
da Câmara dos Deputados (CEFOR). É coordenador de
orça­mento de liderança partidária, atuando no ciclo orça-
mentário da União desde sua elaboração até a execução
e controle. Especialista em Administração Orçamentária e
Financeira e em Contabilidade Pública e Responsabilidade
Fiscal. Espe­cialista em Política e Representação Parlamen-
tar; mestrando em Educação; gestor público e técnico em
contabilidade. É autor, pela Editora Gran Cursos, dos livros
LRF Comentada, Glossário de Finanças Públicas e Adminis-
tração Orçamentá­ria e Financeira Contemporânea.

VIVIANE FARIA

Professora de Língua Portuguesa há 20 anos, em pre-


paratórios para concursos e vestibulares, escolas públicas
e particulares, faculdades e universidades, empresas priva-
das e órgãos públicos. Formada em Letras pela UnB, com
dupla habilitação (Bacharelado e Licenciatura), pós-gradu-
ada em Neuroaprendizagem e mestra em Linguística pela
UnB. Atualmente, além de professora, é pesquisadora pela
UFG em Direitos Humanos e pela UnB em Linguística. Dis-
ciplinas que lecionou/leciona: Gramática, Interpretação Tex-
tual, Redação Discursiva, Redação Oficial, Latim, Literatura
Brasileira, Crítica Literária, Literatura Infanto-Juvenil, Arte e
Literatura, Análise do Discurso. Palestrante de técnicas neu-
rocientíficas na organização e otimização dos estudos.

WILSON GARCIA

Bacharel em Direito pela UCDB, Pós-Graduado em


Direito Público pela UCDB, Curso da Escola Superior do
Ministério Públicos/MS.
Ministra aulas de Direito Administrativo, LODF e Código
de Defesa do Consumidor, das Leis 8.112/90, 8.429/92,
8.666/93, 9.784/99, 8.987/95, LC 840/11-DF, e outras legis-
lações.
Professor em diversos cursos preparatórios para con­
cursos e preparatório para a OAB.

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Í N D I CE G E RAL

PORTUGUÊS....................................................................................................................................................7

NOÇÕES DE INFORMÁTICA..........................................................................................................................89

DIREITO CONSTITUCIONAL........................................................................................................................179

DIREITO ELEITORAL.....................................................................................................................................323

DIREITO ADMINISTRATIVO.........................................................................................................................421

NORMAS APLICÁVEIS AOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS..................................................................551

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.........................................................................................................................587

ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA...................................................................................601

REGIMENTO INTERNO DO TRE-SP..............................................................................................................657

NOÇÕES DE DIREITO CIVIL.........................................................................................................................665

NOÇÕES DE DIREITO PENAL.......................................................................................................................721

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL................................................................................................847

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PORTUGUÊS

S U M ÁRI O

ORTOGRAFIA OFICIAL............................................................................................................................................ 8
ACENTUAÇÃO GRÁFICA....................................................................................................................................... 11
FLEXÃO NOMINAL E VERBAL................................................................................................................................ 18
PRONOMES: EMPREGO, FORMAS DE TRATAMENTO E COLOCAÇÃO.............................................................. 32
EMPREGO DE TEMPOS E MODOS VERBAIS..................................................................................................... 19/23
VOZES DO VERBO................................................................................................................................................. 25
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL............................................................................................................... 26
REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL............................................................................................................................ 28
CRASE...................................................................................................................................................................... 30
PONTUAÇÃO......................................................................................................................................................... 37
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS................................................................................................. 40
TIPOLOGIA TEXTUAL............................................................................................................................................. 41
REDAÇÃO DE CORRESPONDÊNCIA OFICIAL...................................................................................................... 68
SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO................................................................................................................ 25

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PARTE 1 – GRAMÁTICA DICA PARA A PROVA!

CAPÍTULO 1 – FONOLOGIA Os certames costumam avaliar esse conteúdo da se-


guinte forma:
ORTOGRAFIA OFICIAL
1. O vocábulo cujo número de letras é igual ao de fone-
mas está em:
Iniciamos nossos trabalhos com o tema Ortografia
BRUNO PILASTRE

a. casa.
Oficial. Sabemos que a correção ortográfica é requisito ele- b. hotel.
mentar de qualquer texto. Muitas vezes, uma simples troca c. achar.
de letras pode alterar não só o sentido da palavra, mas de d. senha.
toda uma frase. Em sede de concurso público, temos de e. grande.
estar atentos para evitar descuidos.
Resposta: item (a).
Nesta seção, procuraremos sanar principalmente um
tipo de erro de grafia: o que decorre do emprego inade-
Palavras-chave!
quado de determinada letra por desconhecimento da grafia
da palavra. Fonema: unidade mínima das línguas naturais no nível fonê-
Antes, porém, vejamos a distinção entre o plano mico, com valor distintivo (distingue morfemas ou palavras com
significados diferentes, como faca e vaca).
sonoro da língua (seus sons, fonemas e sílabas) e a
Sílaba: vogal ou grupo de fonemas que se pronunciam numa só
representação gráfica (escrita/grafia), a qual inclui sinais emissão de voz, e que, sós ou reunidos a outros, formam pala-
gráficos diversos, como letras e diacríticos. vras. Unidade fonética fundamental, acima do som. Toda sílaba
É importante não confundir o plano sonoro da língua é constituída por uma vogal.
Escrita: representação da linguagem falada por meio de signos
com sua representação escrita. Você deve observar que
gráficos.
a representação gráfica das palavras é realizada pelo sis- Grafia: (i) representação escrita de uma palavra; escrita, trans-
tema ortográfico, o qual apresenta características especí- crição; (ii) cada uma das possíveis maneiras de representar por
ficas. Essas peculiaridades do sistema ortográfico são res- escrito uma palavra (inclusive as consideradas incorretas); por
exemplo, Ivan e Ivã; atrás (grafia correta) e atraz (grafia incor-
ponsáveis por frequentes divergências entre a forma oral reta); farmácia (grafia atual) e pharmacia (grafia antiga); (iii)
(sonora) e a forma escrita (gráfica) da língua. Vejamos três transcrição fonética da fala, por meio de um alfabeto fonético
casos importantes: ('sistema convencional').
Letra: cada um dos sinais gráficos que representam, na transcri-
I – Os dígrafos: são combinações de letras que repre-
ção de uma língua, um fonema ou grupo de fonemas.
sentam um só fonema. Diacrítico: sinal gráfico que se acrescenta a uma letra para
II – Letras diferentes para representar o mesmo fone- conferir-lhe novo valor fonético e/ou fonológico. Na ortografia do
ma. português, são diacríticos os acentos gráficos, a cedilha, o trema
e o til.
III – Mesma letra para representar fonemas distintos.

EMPREGO DAS LETRAS


Para ilustrar, selecionamos uma lista de palavras para
representar cada um dos casos. O quadro a seguir apre- EMPREGO DE VOGAIS
senta, na coluna da esquerda, a lista de palavras; na coluna
da direita, a explicação do caso. As vogais na língua portuguesa admitem certa varie-
dade de pronúncia, dependendo de sua intensidade (isto é,
Exemplos Explicação do caso se são tônicas ou átonas), de sua posição na sílaba etc. Por
haver essa variação na pronúncia, nem sempre a memó-
Temos, nessa lista de palavras, exemplos de dígra-
Achar ria, baseada na oralidade, retém a forma correta da grafia, a
fos. Em achar, as duas letras (ch) representam um
Quilo qual pode ser divergente do som.
único som (fricativa pós-alveolar surda). O mesmo
Carro Como podemos solucionar esses equívocos? Temos
vale para a palavra quilo, em que o as duas letras
Santo
(qu) representam o som (oclusiva velar surda). de decorar todas as palavras (e sua grafia)? Não. A leitura e
a prática da escrita são atividades fundamentais para evitar
Exato Nessa lista de palavras, encontramos três letras
erros.
Rezar diferentes (x, z e s) para representar o mesmo
Pesar fonema (som): fricativa alveolar sonora.
Encontros consonantais
Mesma letra para representar fonemas distintos. A
Xadrez
letra x pode representar cinco sons distintos: (i) con- Por encontro consonantal consideramos o agrupa-
Fixo
soante fricativa palatal surda; (ii) grupo consonantal
Hexacanto mento de consoantes numa palavra. O encontro consonan-
[cs]; (iii) grupo consonantal [gz]; (iv) consoante frica-
Exame tal pode ocorrer na mesma sílaba (denominado encontro
tiva linguodental sonora [z]; e consoante fricativa
Próximo consonantal real) ou em sílabas diferentes (denominado
côncava dental surda.
encontro consonantal puro e simples).
Vejamos exemplos de encontros consonantais:
Há, também, letras que não representam nenhum br – braço
fonema, como nas palavras hoje, humilde, hotel. bm – submeter

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cr – escravo su-bo-cu-lar
bj – objeto su-pe-rá-ci-do
gn – digno
pt – réptil (ii) ou à estruturação morfológica da palavra:
in-fe-liz-men-te
Dígrafos

Denominamos dígrafos o grupo de duas letras usadas A separação silábica ocorre quando se tem de

PORTUGUÊS
para representar um único fonema. No português, são dígra- fazer, em fim de linha, mediante o emprego do hífen, a
fos: ch, lh, nh, rr, ss, sc, sç, xc; incluem-se também am, partição de uma palavra. Vejamos alguns preceitos par-
an, em, en, im, in, om, on, um, un (que representam vogais ticulares em relação à separação (segundo a Base XX
nasais), gu e qu antes de e e de i, e também ha, he, hi, ho, do Acordo Ortográfico de 1990):
hu e, em palavras estrangeiras, th, ph, nn, dd, ck, oo etc.
É importante observar a distinção entre encontro con-
sonantal e dígrafo: 1º São indivisíveis no interior da palavra, tal como ini-
(i) o encontro consonantal equivale a dois fonemas; o cialmente, e formam, portanto, sílaba para a frente as
dígrafo equivale a um só fonema. sucessões de duas consoantes que constituem perfeitos
(ii) o encontro consonantal é formado sempre por duas grupos, ou seja, aquelas sucessões em que a primeira
consoantes; o dígrafo não precisa ser formado necessaria- consoante é uma labial, uma velar, uma dental ou uma
mente por duas consoantes. labiodental e a segunda um l ou um r: a-blução, cele-brar,
du-plicação, re-primir, a-clamar, de-creto, de-glutição, re-
-grado; a-tlético, cáte-dra, períme-tro; a-fluir, a-fricano,
Palavra-chave! ne-vrose.
Com exceção apenas de vários compostos cujos prefixos
Consoante: som da fala que só é pronunciável se forma sílaba terminam em b, ou d:
com vogal (tirante certas onomatopeias, à margem do sistema
→ ab- legação
fonológico de nossa língua: brrr!, cht!, pst!). Esta definição fun-
→ ad- ligar
cional é válida para o português, mas não para outras línguas,
→ sub- lunar
em que há sons passíveis de pertencer à categoria das conso-
antes ou à das vogais. Diz-se de ou letra que representa fonema
→ em vez de
dessa classe. Do ponto de vista articulatório, há consoante → a-blegação
quando a corrente de ar encontra, na cavidade bucal, algum tipo → a-dligar
de empecilho, seja total (oclusão), seja parcial (estreitamento). → su-blunar

Separação silábica 2º São divisíveis no interior da palavra as sucessões de duas


consoantes que não constituem propriamente grupos e igual-
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa afirma que mente as sucessões de m ou n, com valor de nasalidade, e
a Separação Silábica (Base XX – Da divisão silábica) faz- uma consoante:
se, em regra, pela soletração, como nos exemplos a seguir:
→ ab-dicar → ét-nico
abade: a-ba-de → Ed-gardo → rit-mo
bruma: bru-ma → op-tar → sub-meter
cacho: ca-cho → sub-por → am-nésico
malha: ma-lha → ab-soluto → interam-nense
manha: ma-nha → ad-jetivo → bir-reme
máximo: má-xi-mo → af-ta → cor-roer
óxido: ó-xi-do → bet-samita → pror-rogar
roxo: ro-xo → íp-silon → as-segurar
tmese: tme-se → ob-viar → bis-secular
→ des-cer → sos-segar
Assim, a separação não tem de atender: → dis-ciplina → bissex-to
(i) aos elementos constitutivos dos vocábulos → flores-cer → contex-to
segundo a etimologia: → nas-cer → ex-citar
a-ba-li-e-nar → res-cisão → atroz-mente
bi-sa-vô → ac-ne → capaz-mente
de-sa-pa-re-cer → ad-mirável → infeliz-mente
di-sú-ri-co → Daf-ne → am-bição
e-xâ-ni-me → diafrag-ma → desen-ganar
hi-pe-ra-cú-sti-co → drac-ma → en-xame
i-ná-bil → man-chu → Mân-lio
o-bo-val

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3º As sucessões de mais de duas consoantes ou de m ou 6º Na translineação de uma palavra composta ou de uma
n, com o valor de nasalidade, e duas ou mais consoantes combinação de palavras em que há um hífen, ou mais, se
são divisíveis por um de dois meios: se nelas entra um a partição coincide com o final de um dos elementos ou
dos grupos que são indivisíveis (de acordo com o preceito membros, deve, por clareza gráfica, repetir-se o hífen no
(1º), esse grupo forma sílaba para diante, ficando a con- início da linha imediata:
soante ou consoantes que o precedem ligadas à sílaba → ex- -alferes
→ serená- -los-emos ou serená-los- -emos
BRUNO PILASTRE

anterior; se nelas não entra nenhum desses grupos, a


→ vice- -almirante
divisão dá-se sempre antes da última consoante. Exem-
plos dos dois casos:
→ cam-braia Apesar de relativamente complexas, as regras enume-
→ ec-tlipse radas na Base XX do Novo Acordo Ortográfico possuem um
→ em-blema elemento em comum, a saber:
→ ex-plicar
→ in-cluir → Toda sílaba é nucleada por uma vogal.
→ ins-crição
→ subs-crever Tradicionalmente, observamos essas regras, as quais
→ trans-gredir são simplificadas:
→ abs-tenção
→ disp-neia Regra Exemplo
→ inters-telar Não se separam os ditongos e tri- foi-ce, a-ve-ri-guou.
→ lamb-dacismo tongos. 
→ sols-ticial Não se separam os dígrafos ch, lh, cha-ve, ba-ra-lho, ba-nha,
→ Terp-sícore nh, gu, qu. fre-guês, quei-xa
→ tungs-tênio Não se separam os encontros con- psi-có-lo-go, re-fres-co
sonantais que iniciam sílaba. 
Separam-se as vogais dos hiatos.  ca-a-tin-ga, fi-el, sa-ú-de
4º As vogais consecutivas que não pertencem a ditongos Separam-se as letras dos dígra- car-ro, pas-sa-re-la, des-
decrescentes (as que pertencem a ditongos deste tipo fos rr, ss, sc, sç e xc. -cer, nas-ço, ex-ce-len-te
nunca se separam: ai-roso, cadei-ra, insti-tui, ora-ção, Separam-se os encontros con- ap-to, bis-ne-to, con-vic-
sacris-tães, traves-sões) podem, se a primeira delas sonantais das sílabas internas, -ção, a-brir, a-pli-car
não é u precedido de g ou q, e mesmo que sejam iguais, excetuando-se aqueles em que a
separar-se na escrita: segunda consoante é l ou r.

→ ala-úde PROSÓDIA (BOA PRONÚNCIA)


→ áre-as
→ ca-apeba A prosódia é a parte da gramática tradicional que se
→ co-ordenar dedica às características da emissão dos sons da fala, como
→ do-er o acento e a entonação.
→ flu-idez Observe algumas orientações em relação à posição da
→ perdo-as sílaba tônica:
→ vo-os
(i) São oxítonas (última sílaba tônica):
O mesmo se aplica aos casos de contiguidade de diton- → cateter
gos, iguais ou diferentes, ou de ditongos e vogais: → faz-se mister (= necessário)
→ cai-ais → Nobel
→ cai-eis → ruim
→ ensai-os → ureter
→ flu-iu
(ii) São paroxítonas (penúltima sílaba tônica):
→ âmbar
5º Os digramas gu e qu, em que o u se não pronuncia, → caracteres
nunca se separam da vogal ou ditongo imediato (ne-gue, → recorde
ne-guei; pe-que, pe-quei), do mesmo modo que as com- → filantropo
→ gratuito (ui ditongo)
binações gu e qu em que o u se pronuncia:
→ misantropo
→ á-gua
→ ambí-guo (iii) São palavras que admitem dupla prosódia:
→ averi-gueis → acróbata ou acrobata
→ longín-quos → Oceânia ou Oceania
→ lo-quaz → ortoépia ou ortoepia
→ quais-quer → projétil ou projetil
→ réptil ou reptil

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USO DA LETRA MAIÚSCULA INICIAL → bacharel Mário Abrantes
→ o cardeal Bembo
(i) nos antropônimos, reais ou fictícios: → santa Filomena (ou Santa Filomena)
→ Pedro Marques
→ Branca de Neve (vii) nos nomes que designam domínios do saber, cursos
e disciplinas (opcionalmente, também com maiúscula):
(ii) nos topônimos, reais ou fictícios: → português (ou Português).
→ Lisboa

PORTUGUÊS
→ Atlântida COMO ABREVIAR

(iii) nos nomes de seres antropomorfizados ou mitoló- (i) Comumente, as abreviaturas são encerradas por
gicos: consoante seguida de ponto final:
→ Adamastor → Dr. (Doutor)
→ Netuno → Prof. (Professor)

(iv) nos nomes que designam instituições: (ii) Mas os símbolos científicos e as medidas são abre-
→ Instituto de Pensões e Aposentadorias da Previ- viados sem ponto; no plural, não há s final:
dência Social → m (metro ou metros)
→ h (8h = oito horas. Quando houver minutos: 8h30min
(v) nos nomes de festas e festividades: ou 8h30)
→ Natal → P (Fósforo – símbolo químico)
→ Páscoa
→ Ramadão (iii) São mantidos os acentos gráficos, quando existirem:
→ pág. (página)
(vi) nos títulos de periódicos, que retêm o itálico: → séc. (século)
→ O Estado de São Paulo
(iv) É aconselhável não abreviar nomes geográficos:
(vii) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais
→ Santa Catarina (e não S. Catarina)
ou nacionalmente reguladas com maiúsculas, iniciais ou
mediais ou finais ou o todo em maiúscula: → São Paulo (e não S. Paulo)
→ FAO → Porto Alegre (e não P. Alegre)
→ ONU
→ Sr. ACENTUAÇÃO GRÁFICA
→ V. Exª.
Quatro diacríticos (sinal gráfico que se acrescenta a
USO DA LETRA MINÚSCULA INICIAL uma letra para conferir-lhe novo valor fonético e/ou fono-
lógico) compõem a acentuação gráfica: o acento agudo, o
(i) ordinariamente, em todos os vocábulos da língua acento grave, o acento circunflexo e, acessoriamente, o til.
nos usos correntes; Vejamos, em síntese, as características de cada um.

(ii) nos nomes dos dias, meses, estações do ano: (i) o agudo (´), para marcar a tonicidade das vogais
→ segunda-feira a (paráfrase, táxi, já), i (xícara, cível, aí) e u (cúpula, júri,
→ outubro
miúdo); e a tonicidade das vogais abertas e (exército, série,
→ primavera
fé) e o (incólume, dólar, só);
(iii) nos bibliônimos (nome, título designativo ou intitula-
tivo de livro impresso ou obra que lhe seja equiparada) (após (ii) o grave (`), utilizada sobretudo para indicar a ocor-
o primeiro elemento, que é com maiúscula, os demais vocá- rência de crase, isto é, a ocorrência da preposição a com
bulos podem ser escritos com minúscula, salvo nos nomes o artigo feminino a ou os demonstrativos a, aquele(s),
próprios nele contidos, tudo em grifo): aquela(s), aquilo;
→ O senhor do Paço de Ninães ou O senhor do paço
de Ninães. (iii) o circunflexo (^), para marcar a tonicidade da vogal
→ Menino de Engenho ou Menino de engenho. a nasal ou nasalada (lâmpada, câncer, espontâneo), e das
vogais fechadas e (gênero, tênue, português) e o (trôpego,
(iv) nos usos de fulano, sicrano, beltrano. bônus, robô);
(v) nos pontos cardeais (mas não nas suas abreviaturas):
(iv) e acessoriamente o til (~), para indicar a nasalidade
→ norte, sul (mas SW = sudoeste)
(e em geral a simultânea tonicidade) em a e o (cristã, cristão,
(vi) nos axiônimos (nome ou locução com que se presta pães, cãibra; corações, põe(s), põem).
reverência a determinada pessoa do discurso) e hagiônimos
(designação comum às palavras ligadas à religião) (opcio- A seguir há as principais regras apresentadas pelo
nalmente, nesse caso, também com maiúscula): Novo Acordo de 1990. É uma tabela muito importante, a qual
→ senhor doutor Joaquim da Silva deve ser estudada cuidadosamente.

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Assunto O acordo de 1990
Alfabeto O alfabeto é formado por vinte e seis (26) letras:
→ a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z
Sequências con- O acordo de 1990 afirma que, nos países de língua portuguesa oficial, a ortografia de palavras com consoantes
sonânticas “mudas” passa a respeitar as diferentes pronúncias cultas da língua, ocasionando um aumento da quantidade de
palavras com dupla grafia. Pode-se grafar:
→ fato e facto (em que há dupla grafia e dupla pronúncia)
→ aspecto e aspeto (dupla pronúncia e dupla grafia)
BRUNO PILASTRE

Acentuação grá- Primeiramente, observa-se que as regras de acentuação dos monossílabos tônicos são as mesmas das oxíto-
fica – Oxítonas nas.
São assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas que terminam nas vogais tônicas abertas a, e, o, e com
acento circunflexo as que acabam nas vogais tônicas fechadas e, o, seguidas ou não de s:
→ fubá
→ cafés
→ bobó
→ mercês
→ babalaô
As palavras oxítonas cuja vogal tônica, nas pronúncias cultas da língua, possui variantes (ê, é, ó, ô) admitem
dupla grafia:
→ matinê ou matiné
→ cocô ou cocó

São assinaladas com acento gráfico as formas verbais que se tornam oxítonas terminadas em a, e, o, em virtude
da conjugação com os pronomes lo(s):
→ dá-la
→ amá-la-ás
→ sabê-lo
→ dispô-lo

É assinalado com acento agudo o e das terminações em, ens das palavras oxítonas com mais de uma sílaba
(exceto as formas da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos ter, vir e seus derivados, que são
marcadas com acento circunflexo):
→ também
→ parabéns
→ (eles) contêm
→ (elas) vêm
Acentuação grá- São assinalados com acento agudo os ditongos tônicos éi, éu, ói, sendo os dois últimos (éu, ói) seguidos ou não
fica – Paroxítonas de s:
→ fiéis
→ réus
→ heróis

Não se usa acento gráfico para distinguir oxítonas homógrafas:


→ colher (verbo)
→ colher (substantivo)

A exceção é a distinção entre pôr (verbo) e por (preposição)

São assinaladas com acento gráfico as paroxítonas terminadas em:


a) l, n, r, x, ps (e seus plurais, alguns dos quais passam a proparoxítonas):
→ lavável
→ plânctons
→ açúcar
→ ônix
→ bíceps

As exceções são as formas terminadas em ens (hifens e liquens), as quais não são acentuadas graficamente.

b) ã(s), ão(s), ei(s), i(s) um, uns, us:


→ órfã(s)
→ sótão(s)
→ jóquei(s)
→ fórum
→ álbum
→ vírus
→ bílis

O acento será agudo se na sílaba tônica houver as vogais abertas a, e, o, ou ainda i, u e será circunflexo se houver
as vogais fechadas a, e, o.

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Observa-se que as paroxítonas cuja vogal tônica, nas pronúncias cultas da língua, possui variantes (ê, é, ô,
ó) admitem dupla grafia:
→ fêmur ou fémur
→ ônix ou ónix
→ pônei ou pónei
→ Vênus ou Vénus

Não são assinalados com acento gráfico os ditongos ei e oi de palavras paroxítonas:


→ estreia

PORTUGUÊS
→ ideia
→ paranoico
→ jiboia

Não são assinaladas com acento gráfico as formas verbais creem, deem, leem, veem e seus derivados: des-
creem, desdeem, releem, reveem etc.

Não é assinalado com acento gráfico o penúltimo o do hiato oo(s):


→ voo
→ enjoos

Não são assinaladas com acento gráfico as palavras homógrafas:


→ para (verbo) para (preposição)
→ pela(s) (substantivo) pela (verbo) pela (per + la(s))
→ pelo(s) (substantivo) pelo (verbo) pelo (per + lo(s))
→ polo(s) substantivo polo (por + lo(s))

A exceção é a distinção entre as formas pôde (3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo) e pode
(3ª pessoa do singular do presente do indicativo).

Observação 1: assinalam-se com acento circunflexo, facultativamente, as formas:


→ dêmos (1ª pessoa do plural do presente do subjuntivo)
→ demos (1ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo)
→ fôrma (substantivo)
→ forma (substantivo; verbo)

Observação 2: assinalam-se com acento agudo, facultativamente, as formas verbais do tipo:


→ amámos (pretérito perfeito do indicativo)
→ amamos (presente do indicativo)
→ louvámos (pretérito perfeito do indicativo)
→ louvamos (presente do indicativo)
Oxítonas e Paroxí- São assinaladas com acento agudo as vogais tônicas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas que constituem
tonas o 2º elemento de um hiato e não são seguidas de l, m, n, nh, r, z:
→ país
→ ruins
→ saúde
→ rainha

Observações:
1) Incluem-se nessa regra as formas oxítonas dos verbos em air e uir em virtude de sua conjugação com os
pronomes lo(s), la(s):
→ atraí-las
→ possuí-lo-ás

2) Não são assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de
ditongo crescente:
→ baiuca
→ boiuna
→ feiura

3) São assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de ditongo
crescente:
→ Piauí
→ tuiuiús

4) Não são assinalados com acento agudo os ditongos tônicos iu, ui precedidos de vogal:
→ distraiu
→ pauis

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Não se assinala com acento agudo o u tônico de formas rizotônicas de arguir e redarguir:
→ arguis
→ argui
→ redarguam

Observações:
1) Verbos como aguar, apaziguar, apropinquar, delinquir possuem dois paradigmas:
a) com o u tônico em formas rizotônicas sem acento gráfico:
BRUNO PILASTRE

→ averiguo
→ ague

b) com o a ou o i dos radicais tônicos acentuados graficamente:


→ averíguo
→ águe

2) Verbos terminados em -ingir e -inguir cujo u não é pronunciado possuem grafias regulares.
→ atingir; distinguir
→ atinjo; distinguimos
Acentuação grá- Todas as palavras proparoxítonas são acentuadas com acento gráfico:
fica – Proparoxí- → rápido
tonas → cênico
→ místico
→ meândrico
→ cômodo
Trema O trema (¨) é totalmente eliminado das palavras portuguesas ou aportuguesadas:
→ delinquir
→ cinquenta
→ tranquilo
→ linguiça

O trema é usado em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros com trema:


→ mülleriano, de Müller
Hífen O hífen é usado em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares.

O Acordo de 1990 observa que são escritas aglutinadamente palavras em que o falante contemporâneo perdeu a
noção de composição:
→ paraquedas
→ mandachuva

Emprega-se o hífen nos seguintes topônimos:


- iniciados por grã e grão: Grão-Pará
- iniciados por verbo: Passa-Quatro
- cujos elementos estejam ligados por artigo: Baía de todos-os-Santos

Os demais topônimos compostos são escritos separados e sem hífen: Cabo Verde. As exceções são: Guiné-
-Bissau e Timor-Leste.

Emprega-se o hífen em palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas:


→ couve-flor
→ bem-te-vi

Emprega-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando encadeamen-
tos vocabulares:
→ ponte Rio-Niterói
Hífen – síntese das regras do uso do hífen no caso de prefixos e falsos prefixos
Primeiro elemento Segundo elemento
aero di ili/ilio mono psico a) iniciado por vogal igual à vogal final do 1º elemento
agro eletro infra morfo retro b) iniciado por h
(‘terra’) entre intra multi semi
alfa extra iso nefro sobre
ante foto lacto neo supra
anti gama lipo neuro lete
arqui geo macro paleo tetra
auto giga maxi peri tri
beta hetero mega pluri ultra
bi hidro meso poli
bio hipo micro proto
contra homo mini pseudo

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ab ob sob sub iniciado por b, h, r
co (‘com’) iniciado por h (a ABL sugere eliminar essa letra, passando-se a grafar,
assim, coerdar, coerdeiro, coipônimo etc.)
ciber iniciado por h, r
inter
super
nuper
hiper

PORTUGUÊS
ad iniciado por d, h, r
pan a) iniciado por vogal
b) iniciado por h, m, n [diante de b e p passa a pam]
circum a) iniciado por vogal
b) iniciado por h, m, n [aceita formas aglutinadas como circu e circum]
além sem qualquer (sempre)
aquém sota
ex (“cessamento ou “estado anterior”) soto
recém vice
pós sempre que conservem autonomia vocabular
pré
pró

DISTINÇÕES Ela reclama porque é carente.


[conjunção causal]
Distinção entre a, à, há e á Ela devia estar com fome, porque estava branca.
[conjunção explicativa – equivale a pois]
(I) a. A palavra a pode ser: O preso fugiu porque dopou o guarda?
(i) artigo feminino singular: [pergunta que propõe uma causa possível, limitando a
Eu comprei a roupa ontem. resposta a sim ou não]
A menina mais bonita da rua.
(II) porquê: a forma porquê é substantivo e equivale
(ii) pronome: (é sinônimo) a causa, motivo, razão. É acentuada por ser
Mara é muito próxima da família, mas não a vejo há uma palavra tônica:
meses. Não sabemos o porquê da demissão de José.
[equivale a: Não sabemos o motivo/a causa/a razão
(iii) preposição:
da demissão de José]
Andar a cavalo é sempre prazeroso.
(III) por que: a forma por que (com duas palavras) é
(II) à. A palavra à (com o acento grave) é utilizada
utilizada quando:
quando ocorre a contração da preposição a com o artigo
(i) significa pelo qual (e flexões pela qual, pelas quais,
feminino a:
João assistiu à cena estarrecido. pelos quais). Nesse significado, a palavra que é pronome
[assistir a (preposição) + a cena (artigo feminino)]. relativo.
Não revelou o motivo por que não compareceu à aula.
(III) há. A palavra há é uma forma do verbo haver: [Não revelou o motivo pelo qual não compareceu à
Há três meses não chove no interior do Pará. aula]
[Há = faz]
Não há mais violência no centro da cidade. (ii) equivale a por qual, por quais. Nessas formas, a
[Há = existe] forma que é pronome indefinido.
Na BR040 há muitos acidentes fatais. Ela sempre quis saber por que motivo raspei o cabelo.
[Há = acontecem]
(iii) a forma por que é advérbio interrogativo. Nessa
(IV) á. A palavra á é um substantivo e designa a letra a: estrutura, é possível subentender uma das palavras motivo,
Está provado por á mais bê que o vereador estava causa, razão.
errado. Por que [motivo] faltou à aula?

Distinção entre porque, porquê, por que e por quê (iv) a forma por que faz parte de um título.
Por que o ser humano chora.
Estes são os usos das formas porque, porquê, por
que e por quê: (IV) por quê: a forma por quê (com duas palavras e
acentuada) é usada após pausa acentuada ou em final de
(I) porque: a forma porque pode ser uma conjunção
frase.
(causal ou explicativa) ou uma pergunta que propõe uma
causa possível, limitando a resposta a sim ou não: Estavam no meio daquela bagunça sem saber por quê.

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Distinção entre acerca de e cerca de A torre eminente é a mais fotografada.

(I) A locução acerca de equivale a a respeito de, (ii) que se destaca por sua qualidade ou importância;
sobre. Por exemplo: excelente, superior:
Nós, linguistas, pouco conhecemos acerca da origem O mestre eminente era seguido por todos.
da linguagem.
[= sobre a origem da linguagem – a respeito da (II) O adjetivo iminente, por sua vez, tem o seguinte
significado:
BRUNO PILASTRE

origem da linguagem]

(II) A locução cerca de tem valor de aproximada- Iminente: o que ameaça se concretizar, que está a
mente, quase: ponto de acontecer; próximo, imediato:
Cerca de duas horas depois da missa o pároco faleceu. O desabamento iminente é o que mais preocupa as
[= aproximadamente duas horas depois – quase autoridades.
duas horas depois]. O edital iminente deixa os candidatos ansiosos.

Distinção entre ao encontro de e de encontro a Distinção entre mas e mais

(I) A locução ao encontro de possui o significado equi- Na escrita, é muito comum haver a troca da forma mas
valente às expressões em direção a, a favor de. Veja os pela forma mais. Os estudantes produzem frases como:
exemplos: O país é rico, mais a gestão pública é ineficiente.
Os vândalos saíram ao encontro dos policiais, que
fechavam a avenida. Na oralidade, o fenômeno é comum em formas seme-
[= em direção a] lhantes à palavra mas:
Com a decisão da Presidente Dilma, o governo vai ao faz/fa(i)z;
encontro das reivindicações da população. paz/pa(i)z;
[= a favor de] nós/nó(i)s.

(II) A locução de encontro a é antônima à locução ao É preciso, porém, distinguir as duas formas, pois na
encontro de. De encontro a significa choque, oposição, frase O país é rico, mais a gestão pública é ineficiente há
sendo equivalente à forma contra. Observe a frase a seguir: inadequação, uma vez que se deve utilizar a forma mas: O
O caminhão perdeu os freios e foi de encontro ao país é rico, mas a gestão pública é ineficiente.
carro do deputado. A distinção das duas formas é a seguinte:
[= contra]
A decisão do governo foi de encontro aos desejos do (I) A palavra mas é conjunção que exprime principal-
Movimento Passe Livre. mente oposição, ressalva, restrição:
[= contrariou] O carro não é meu, mas de um amigo.

Distinção entre aonde e onde (II) A palavra mais é advérbio e traduz a ideia de
aumento, superioridade, intensidade:
(I) A forma aonde é a contração da preposição a com do Ele sempre pensa em ganhar mais dinheiro.
advérbio onde. Emprega-se com verbos que denotam movi- Ele queria ser mais alto que os outros.
mento e regem a preposição a (verbos ir, chegar, levar):
Aonde os manifestantes querem chegar? Distinção entre se não e senão
[verbo chegar].
Os investigadores descobriram aonde as crianças (I) A forma se não (separado) é usada quando o se
eram levadas. pode ser substituído por caso ou na hipótese de que:
[verbo levar]. Se não perdoar, não será perdoado.
[se não = caso não. É conjunção condicional]
(II) O advérbio onde é utilizado com verbos que não Se não chover, viajarei amanhã.
denotam movimento e não regem a preposição a: [se não = na hipótese de que não]
Onde mora o presidente da Colômbia?
[verbo morar] Também há o uso da forma se não como conjunção
Os investigadores descobriram onde o dinheiro era condicional, equivalendo a quando não:
lavado. A grande maioria, se não a totalidade dos acidentes de
[verbo lavar] trabalho, ocorre com operários sem equipamentos de segu-
rança.
Distinção entre eminente e iminente [se não = quando não]
(II) A palavra senão (uma única palavra) possui as
Os adjetivos eminente e iminente são parônimos seguintes realizações:
(são quase homônimos, diferenciando-se ligeiramente na
grafia e na pronúncia). (i) É conjunção e significa:
(I) O adjetivo eminente tem os seguintes significados: (a) de outro modo; do contrário:
(i) muito acima do que o que está em volta; proemi- Coma, senão ficará de castigo.
nente, alto, elevado: (b) mas, mas sim, porém:

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Não obteve aplausos, senão vaias. O adiamento de três anos abre brechas para que novas
mudanças sejam propostas. Isso significa que, embora jor-
(ii) É preposição quando equivale a com exceção de, nais, livros didáticos e documentos oficiais já tenham ado-
salvo, exceto: tado o novo acordo, novas alterações podem ser implemen-
Todos, senão você, gostam de bolo. tadas ou até mesmo suspensas.

(iii) É substantivo masculino e significa pequena imper- Diplomacia


feição; falha, defeito, mácula:
Não há qualquer senão em sua prova.

PORTUGUÊS
A decisão é encarada como um movimento diplomático,
uma vez que o governo, diz o Itamaraty, quer sincronizar as
Para concluir nossos estudos sobre Fonologia, vamos mudanças com Portugal.
ler uma reportagem sobre o Acordo Ortográfico, a qual foi O país europeu concordou oficialmente com a reforma
publicada no dia 28 de dezembro de 2012, no jornal Folha ortográfica, mas ainda resiste em adotá-la. Assim como o
de São Paulo. Brasil, Portugal ratificou em 2008 o acordo, mas definiu um
período de transição maior.
GOVERNO ADIA PARA 2016 INÍCIO DO ACORDO ORTO- Não há sanções para quem desrespeitar a regra, que é,
GRÁFICO na prática, apenas uma tentativa de uniformizar a grafia no
Brasil, Portugal, nos países da África e no Timor-Leste.
O governo federal adiou para 2016 a obrigatoriedade A intenção era facilitar o intercâmbio de obras escritas no
do uso do novo acordo ortográfico. A decisão foi publicada idioma entre esses oito países, além de fortalecer o peso do
nesta sexta-feira no "Diário Oficial da União". idioma em organismos internacionais.
A implantação das novas regras, adotadas pelos seto- "É muito difícil querer que o português seja língua oficial
res público e privado desde 2009, estavam previstas para o nas Nações Unidas se vão perguntar: Qual é o português que
próximo dia 1º de janeiro. vocês querem?", afirma o embaixador Pedro Motta, represen-
A reforma ortográfica altera a grafia de cerca de 0,5% tante brasileiro na CPLP (Comunidade dos Países de Língua
das palavras em português. Até a data da obrigatoriedade, Portuguesa).
tanto a nova norma como a atual poderão ser usadas.

(Folha de São Paulo)

(Folha de São Paulo)

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BRUNO PILASTRE

(Folha de São Paulo)

CAPÍTULO 2 – MORFOLOGIA Em morfologia, dois processos são importantes: a


flexão e a derivação.
ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
Flexão: processo morfológico que consiste no emprego
Neste capítulo estudaremos, de modo esquemático, o de diferentes afixos acrescentados aos radicais ou aos
assunto morfologia/morfossintaxe. É um assunto importante, temas (nominais, verbais etc.) das palavras variáveis para
o qual é recorrentemente cobrado em concursos. Observamos exprimir as categorias gramaticais (número, gênero, pessoa,
que a abordagem a seguir é predominantemente linguística. caso, tempo etc.).
Iniciamos a exposição com a noção de morfema. Nas
línguas humanas, um morfema é a menor unidade linguís- Derivação: processo pelo qual se originam vocábulos
tica que possui significado, abarcando raízes e afixos, formas uns de outros, mediante a inserção ou extração de afixos.
livres (por exemplo: mar) e formas presas (por exemplo:
sapat-, -o-, -s) e vocábulos gramaticais (preposições, conjun- Kehdi (1993) classifica os seguintes tipos de morfemas
ções). Observe que, em algumas palavras, pode-se identificar em português:
duas posições de realização dos sufixos:
Classificação de caráter formal Classificação de base funcio-
Prefixo (antes da raiz) Raiz Sufixo (depois da raiz) (destaque para o significante) nal (destaque para a função
in- feliz -mente dos morfemas)
infelizmente aditivo: fazer – refazer. radical
subtrativo: órfão – órfã. afixos
Há técnicas para identificação da estrutura mórfica das alternativo: ovo – ovos. desinências
palavras. Vejamos duas: reduplicativo: pai – papai. vogais temáticas
de posição: grande homem – vogais e consoantes de liga-
Teste de comutação: método comparativo buscando a homem grande. ção
detecção das unidades significativas que compõem a estru- zero: casa – casas.
tura das palavras. cumulativo: amamos (-mos =
desinência número-pessoa).
música – músicas
vazio: cafeZal.
amavam – amaram

Segmentação mórfica: possibilidade ou não de divisão A fórmula geral da estrutura do vocábulo verbal portu-
de palavras em unidades menores significativas. guês é a seguinte (Camara Jr., 1977):
Sol
Mar T (R + VT) + SF (SMT + SNP)
deslealdade → des- leal -dade [em que T (tema), R (radical), VT (vogal temática), SF
(sufixo flexional ou desinência), SMT (sufixo modo-tempo-
Palavras-chave! ral), SNP (sufixo número-pessoal)]

Morfema: a menor parte significativa que compõe as palavras. A flexão verbal caracteriza-se na língua portuguesa
É um signo mínimo. pelas desinências indicadoras das seguintes categorias gra-
Radical e afixos: o radical é o morfema básico que constitui maticais: (a) modo, (b) tempo – em um morfema cumulativo
uma palavra de categoria lexical (substantivo, adjetivo, verbo e –, (c) número, (d) pessoa – em um morfema cumulativo.
advérbio); os afixos são morfemas presos anexados a um radical
(prefixos e sufixos).

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Modo: refere-se a um julgamento implícito do falante a
passo que o particípio é de aspecto concluso ou perfeito. O valor
respeito da natureza, subjetiva ou não, da comunicação que do pretérito ou de voz passiva (com verbos transitivos) que às
faz. Indicativo, subjuntivo e imperativo. vezes assume, não é mais que um subproduto do seu valor de
Tempo: refere-se ao momento da ocorrência do pro- aspecto perfeito ou concluso.
cesso, visto do momento da comunicação. Presente, preté- Entretanto, o particípio foge até certo ponto, do ponto de vista
rito (perfeito, imperfeito, mais-que-perfeito), futuro (do pre- mórfico, da natureza verbal. É no fundo um adjetivo com as
sente, do pretérito). Tempos compostos: auxiliar (ter e haver) marcas nominais de feminino e de número plural em /S/. Ou
+ particípio. em outros termos: é um nome adjetivo, que semanticamente

PORTUGUÊS
expressa, em vez da qualidade de um ser, um processo que
nele se passa. O estudo morfológico do sistema verbal portu-
As formas nominais do verbo são: infinitivo (-r), gerún- guês pode deixá-lo de lado, porque morfologicamente ele per-
dio (-ndo) e particípio (-do). tence aos adjetivos, embora tenha valor verbal no âmbito semân-
Sobre as formas nominais, Camara Jr. (1977) pronun- tico e sintático.
cia-se da seguinte maneira: O gerúndio, ao contrário, é morfologicamente uma forma verbal.

Resta uma apreciação semântica, nas mesmas linhas, das cha- Depreensão morfológica (como identificar morfemas)
madas formas nominais, cujos nomes tradicionais são – infinitivo,
gerúndio e particípio. Aqui a oposição é aspectual e não tempo- A técnica de depreensão é simples: se tivermos
ral. O infinitivo é a forma mais indefinida do verbo. A tal ponto, uma forma verbal a ser analisada, procedemos à comutação
que costuma ser citado como o nome do verbo, a forma que de ao mesmo tempo com o infinitivo impessoal e com a primeira
maneira mais ampla e mais vaga resume a sua significação, sem pessoa do plural do tempo em que se encontra o verbo. O
implicações das noções gramaticais de tempo, aspecto ou modo. infinitivo sem o /r/ apresenta o radical e a vogal temática. A
Entre o gerúndio e o particípio há essencialmente uma oposição primeira pessoa do plural exibe a desinência [-mos] (SNP ou
de aspecto: o gerúndio é <imperfeito> (processo inconcluso), ao
DNP). O que sobrar será a desinência modo-temporal.

Exercício: indique nos quadros em branco a VT, os SMT e os SNP.

Indicativo VT SMT SNP Pretérito VT SMT SNP Subjuntivo VT SMT SNP


Presente imperfeito Presente
Amo Amava Cante
Amas Amavas Cantes
Ama Amava Cante
Amamos Amávamos Cantemos
Amais Amáveis Canteis
Amam Amavam Cantem

As categorias verbais Verbos notáveis

A categoria de tempo Antes de estudar alguns verbos notáveis da língua por-


tuguesa, é importante que o estudante saiba da existência de
A categoria de tempo constitui uma relação entre dois duas características dos verbos: ser rizotônico ou arrizotônico.
momentos: momento da comunicação e momento do pro- Rizotônicos: são as estruturas verbais com a sílaba
cesso. tônica dentro do radical.
Em português: passado x presente x futuro. Arrizotônicos: são as estruturas verbais com a sílaba
tônica fora do radical.
Tempos simples:
I – Presente: simultaneidade entre momento da comu- Arrear
nicação e momento de ocorrência do processo.
II – Passado ou pretérito: anterioridade entre o mo- Verbo irregular da 1ª conjugação. Significa pôr arreio.
mento da ocorrência do processo e o momento da Como ele, conjugam-se todos os verbos terminados em -ear.
comunicação (o processo que se está enunciando Variam no radical, que recebe um i nas formas rizotônicas.
ocorreu antes do momento da fala). Presente do Indicativo: arreio, arreias, arreia, arrea-
III – Futuro: indica relação de posterioridade. O proces- mos, arreais, arreiam.
so ainda vai ocorrer, é posterior à fala. Presente do Subjuntivo: arreie, arreies, arreie, arree-
mos, arreeis, arreiem.
Tempos complexos: ocorrem quando há dois proces- Imperativo Afirmativo: arreia, arreie, arreemos, arreai,
sos. Além de estabelecer relação entre os dois processos e arreiem.
o momento da comunicação, deve-se estabelecer relação Imperativo Negativo: não arreies, não arreie, não arree-
entre os dois processos entre si. mos, não arreeis, não arreiem.

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Pretérito Perfeito do Indicativo: arreei, arreaste, Imperativo Negativo: não anseies, não anseie, não
arreou, arreamos, arreastes, arrearam. ansiemos, não ansieis, não anseiem.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: arreara, arre- Pretérito Perfeito do Indicativo: ansiei, ansiaste,
aras, arreara, arreáramos, arreáreis, arrearam. ansiou, ansiamos, ansiastes, ansiaram.
Futuro do Subjuntivo: arrear, arreares, arrear, arrear- Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: ansiara,
mos, arreardes, arrearem. ansiaras, ansiara, ansiáramos, ansiáreis, ansiaram.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: arreasse, arreas- Futuro do Subjuntivo: ansiar, ansiares, ansiar, ansiar-
BRUNO PILASTRE

ses, arreasse, arreássemos, arreásseis, arreassem. mos, ansiardes, ansiarem.


Futuro do Presente: arrearei, arrearás, arreará, arrea- Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: ansiasse, ansias-
remos, arreareis, arrearão. ses, ansiasse, ansiássemos, ansiásseis, ansiassem.
Futuro do Pretérito: arrearia, arrearias, arrearia, arre- Futuro do Presente: ansiarei, ansiarás, ansiará,
aríamos, arrearíeis, arreariam. ansiaremos, ansiareis, ansiarão.
Infinitivo Pessoal: arrear, arreares, arrear, arrearmos, Futuro do Pretérito: ansiaria, ansiarias, ansiaria,
arreardes, arrearem. ansiaríamos, ansiaríeis, ansiariam.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: arreava, arreavas, Infinitivo Pessoal: ansiar, ansiares, ansiar, ansiar-
arreava, arreávamos, arreáveis, arreavam. mos, ansiardes, ansiarem.
Formas Nominais: arrear, arreando, arreado. Pretérito Imperfeito do Indicativo: ansiava, ansiavas,
  ansiava, ansiávamos, ansiáveis, ansiavam.
Arriar Formas Nominais: ansiar, ansiando, ansiado.
 
Verbo regular da 1ª conjugação. Significa fazer descer. Haver
Como ele, conjugam-se todos os verbos terminados em -iar,
menos mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar. Verbo irregular da 2ª conjugação. Varia no radical e nas
Presente do Indicativo: arrio, arrias, arria, arriamos, desinências.
arriais, arriam. Presente do Indicativo: hei, hás, há, havemos, haveis,
Presente do Subjuntivo: arrie, arries, arrie, arriemos, hão.
arrieis, arriem. Presente do Subjuntivo: haja, hajas, haja, hajamos,
Imperativo Afirmativo: arria, arrie, arriemos, arriai, hajais, hajam.
arriem. Imperativo Afirmativo: há, haja, hajamos, havei,
Imperativo Negativo: não arries, não arrie, não arrie- hajam.
mos, não arrieis, não arriem. Imperativo Negativo: não hajas, não haja, não haja-
Pretérito Perfeito do Indicativo: arriei, arriaste, arriou, mos, não hajais, não hajam.
arriamos, arriastes, arriaram. Pretérito Perfeito do Indicativo: houve, houveste,
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: arriara, arria- houve, houvemos, houvestes, houveram.
ras, arriara, arriáramos, arriáreis, arriaram. Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: houvera,
Futuro do Subjuntivo: arriar, arriares, arriar, arriar- houveras, houvera, houvéramos, houvéreis, houveram.
mos, arriardes, arriarem. Futuro do Subjuntivo: houver, houveres, houver, hou-
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: arriasse, arriasses, vermos, houverdes, houverem.
arriasse, arriássemos, arriásseis, arriassem. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: houvesse, houves-
Futuro do Presente: arriarei, arriarás, arriará, arriare- ses, houvesse, houvéssemos, houvésseis, houvessem.
mos, arriareis, arriarão. Futuro do Presente: haverei, haverás, haverá, have-
Futuro do Pretérito: arriaria, arriarias, arriaria, arriarí- remos, havereis, haverão.
amos, arriaríeis, arriariam. Futuro do Pretérito: haveria, haverias, haveria, have-
Infinitivo Pessoal: arriar, arriares, arriar, arriarmos, ríamos, haveríeis, haveriam.
arriardes, arriarem. Infinitivo Pessoal: haver, haveres, haver, havermos,
Pretérito Imperfeito do Indicativo: arriava, arriavas, haverdes, haverem.
arriava, arriávamos, arriáveis, arriavam. Pretérito Imperfeito do Indicativo: havia, havias, havia,
Formas Nominais: arriar, arriando, arriado. havíamos, havíeis, haviam.
  Formas Nominais: haver, havendo, havido.
Ansiar  
Reaver
Verbo irregular da 1ª conjugação. Como ele, conjugam-
-se mediar, remediar, incendiar e odiar. Variam no radical, Verbo defectivo da 2ª conjugação. Faltam-lhe as formas
que recebe um e nas formas rizotônicas. rizotônicas e derivadas. As formas não existentes devem ser
Presente do Indicativo: anseio, anseias, anseia, substituídas pelas do verbo recuperar.
ansiamos, ansiais, anseiam. Presente do Indicativo: ///, ///, ///, reavemos, reaveis,
Presente do Subjuntivo: anseie, anseies, anseie, ///.
ansiemos, ansieis, anseiem. Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
Imperativo Afirmativo: anseia, anseie, ansiemos, Imperativo Afirmativo: ///, ///, ///, reavei vós, ///.
ansiai, anseiem. Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///.

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Pretérito Perfeito do Indicativo: reouve, reouveste, restante dos tempos, tem conjugação regular, ou seja, segue
reouve, reouvemos, reouvestes, reouveram. a conjugação de qualquer verbo regular terminado em -er,
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: reouvera, como escrever.
reouveras, reouvera, reouvéramos, reouvéreis, reouve- Presente do Indicativo: provejo, provês, provê, pro-
ram. vemos, provedes, provêem.
Futuro do Subjuntivo: reouver, reouveres, reouver, Presente do Subjuntivo: proveja, provejas, proveja,
reouvermos, reouverdes, reouverem. provejamos, provejais, provejam.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: reouvesse, reou- Imperativo Afirmativo: provê, proveja, provejamos,

PORTUGUÊS
vesses, reouvesse, reouvéssemos, reouvésseis, reou- provede, provejam.
vessem. Imperativo Negativo: não provejas, não proveja,
Futuro do Presente: reaverei, reaverás, reaverá, rea- não provejamos, não provejais, não provejam.
veremos, reavereis, reaverão. Pretérito Perfeito do Indicativo: provi, proveste,
Futuro do Pretérito: reaveria, reaverias, reaveria, rea- proveu, provemos, provestes, proveram.
veríamos, reaveríeis, reaveriam. Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: provera,
Infinitivo Pessoal: reaver, reaveres, reaver, reaver-
proveras, provera, provêramos, provêreis, proveram.
mos, reaverdes, reaverem.
Futuro do Subjuntivo: prover, proveres, prover,
Pretérito Imperfeito do Indicativo: reavia, reavias,
provermos, proverdes, proverem.
reavia, reavíamos, reavíeis, reaviam.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: provesse, pro-
Formas Nominais: reaver, reavendo, reavido.
vesses, provesse, provêssemos, provêsseis, proves-
sem.
Precaver
Futuro do Presente: proverei, proverás, proverá,
Verbo defectivo da 2ª conjugação, quase sempre usado proveremos, provereis, proverão.
pronominalmente (precaver-se). Faltam-lhe as formas rizo- Futuro do Pretérito: proveria, proverias, proveria,
tônicas e derivadas. As formas não existentes devem ser proveríamos, proveríeis, proveriam.
substituídas pelas dos verbos acautelar-se, prevenir-se. Infinitivo Pessoal: prover, proveres, prover, prover-
As formas existentes são conjugadas regularmente, ou seja, mos, proverdes, proverem.
seguem a conjugação de qualquer verbo regular terminado Pretérito Imperfeito do Indicativo: provia, provias,
em -er, como escrever. provia, províamos, províeis, proviam.
Presente do Indicativo: ///, ///, ///, precavemos, preca- Formas Nominais: prover, provendo, provido.
veis, ///.  
Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///. Requerer
Imperativo Afirmativo: ///, ///, ///, prevavei vós, ///.
Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///. Verbo irregular da 2ª conjugação que significa pedir,
Pretérito Perfeito do Indicativo: precavi, precaveste, solicitar, por meio de requerimento. Varia no radical.
precaveu, precavemos, precavestes, precaveram. No presente do indicativo, no presente do subjuntivo, no
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: precavera, imperativo afirmativo e no imperativo negativo tem con-
precavera, precavera, precavêramos, precavêreis, pre- jugação idêntica à do verbo querer, com exceção da 1ª
caveram. pessoa do singular do presente do indicativo (eu requeiro);
Futuro do Subjuntivo: precaver, precaveres, preca- no restante dos tempos, tem conjugação regular, ou seja,
ver, precavermos, precaverdes, precaverem. segue a conjugação de qualquer verbo regular terminado
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: precavesse, preca- em -er, como escrever.
vesses, precavesse, precavêssemos, precavêsseis, pre- Presente do Indicativo: requeiro, requeres, requer,
cavessem. requeremos, requereis, requerem.
Futuro do Presente: precaverei, precaverás, preca-
Presente do Subjuntivo: requeira, requeiras,
verá, precaveremos, precavereis, precaverão.
requeira, requeiramos, requeirais, requeiram.
Futuro do Pretérito: precaveria, precaverias, precave-
Imperativo Afirmativo: requere, requeira, requeira-
ria, precaveríamos, precaveríeis, precaveriam.
mos, requerei, requeiram.
Infinitivo Pessoal: precaver, precaveres, precaver,
Imperativo Negativo: não requeiras, não requeira,
precavermos, precaverdes, precaverem.
não requeiramos, não requeirais, não requeiram.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: precavia, precavias,
Pretérito Perfeito do Indicativo: requeri, requereste,
precavia, precavíamos, precavíeis, precaviam.
Formas Nominais: precaver, precavendo, precavido. requereu, requeremos, requerestes, requereram.
  Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: requerera,
Prover requereras, requerera, requerêramos, requerêreis,
requereram.
Verbo irregular da 2ª conjugação que significa abas- Futuro do Subjuntivo: requerer, requereres, reque-
tecer. Varia nas desinências. No presente do indicativo, no rer, requerermos, requererdes, requererem.
presente do subjuntivo, no imperativo afirmativo e no impe-
rativo negativo tem conjugação idêntica à do verbo ver; no

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Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: requeresse, Futuro do Subjuntivo: colorir, colorires, colorir,
requeresses, requeresse, requerêssemos, requerês- colorirmos, colorirdes, colorirem.
seis, requeressem. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: colorisse, colo-
Futuro do Presente: requererei, requererás, reque- risses, colorisse, coloríssemos, colorísseis, coloris-
rerá, requereremos, requerereis, requererão. sem.
Futuro do Pretérito: requereria, requererias, reque- Futuro do Presente: colorirei, colorirás, colorirá,
reria, requereríamos, requereríeis, requereriam. coloriremos, colorireis, colorirão.
BRUNO PILASTRE

Infinitivo Pessoal: requerer, requereres, requerer, Futuro do Pretérito: coloriria, coloririas, coloriria,
requerermos, requererdes, requererem. coloriríamos, coloriríeis, coloririam.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: requeria, reque- Infinitivo Pessoal: colorir, colorires, colorir, colo-
rias, requeria, requeríamos, requeríeis, requeriam. rirmos, colorirdes, colorirem.
Formas Nominais: requerer, requerendo, reque- Pretérito Imperfeito do Indicativo: coloria, colorias,
rido. coloria, coloríamos, coloríeis, coloriam.
Formas Nominais: colorir, colorindo, colorido.
Verbos defectivos 1  
Falir
Colorir
Verbo defectivo, da 3ª conjugação. Faltam-lhe as
Verbo defectivo, da 3ª conjugação. Faltam-lhe a 1ª formas rizotônicas do Presente do Indicativo e as formas
pessoa do singular do Presente do Indicativo e as formas delas derivadas. Como ele, conjugam-se:
derivadas dela. Como ele, conjugam-se os verbos: aguerrir (tornar valoroso)
abolir adequar
aturdir (atordoar) combalir (tornar debilitado)
brandir (acenar, agitar a mão) embair (enganar)
banir empedernir (petrificar, endurecer)
carpir esbaforir-se
delir (apagar) espavorir
demolir foragir-se
exaurir (esgotar, ressecar) remir (adquirir de novo, salvar, reparar, indenizar,
explodir recuperar-se de uma falha), renhir (disputar)
fremir (gemer) transir (trespassar, penetrar)
haurir (beber, sorver)
delinquir Falir
extorquir
puir (desgastar, polir) Presente do Indicativo: ///, ///, ///, falimos, falis, ///.
ruir Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
retorquir (replicar, contrapor) Imperativo Afirmativo: ///, ///, ///, fali, ///.
latir Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
urgir (ser urgente) Pretérito Perfeito do Indicativo: fali, faliste, faliu,
tinir (soar) falimos, falistes, faliram.
pascer (pastar) Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: falira, fali-
ras, falira, falíramos, falíreis, faliram.
Colorir Futuro do Subjuntivo: falir, falires, falir, falirmos,
falirdes, falirem.
Presente do Indicativo: ///, colores, colore, colori- Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: falisse, falisses,
mos, coloris, colorem. falisse, falíssemos, falísseis, falissem.
Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///. Futuro do Presente: falirei, falirás, falirá, faliremos,
Imperativo Afirmativo: colore, ///, ///, colori, ///. falireis, falirão.
Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///, ///. Futuro do Pretérito: faliria, falirias, faliria, faliría-
Pretérito Perfeito do Indicativo: colori, coloriste, mos, faliríeis, faliriam.
coloriu, colorimos, coloris, coloriram. Infinitivo Pessoal: falir, falires, falir, falirmos, falir-
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: colorira, des, falirem.
coloriras, colorira, coloríramos, coloríreis, coloriram. Pretérito Imperfeito do Indicativo: falia, falias, falia,
falíamos, falíeis, faliam.
1
Diz-se do verbo que não apresenta todas as formas do paradigma a que Formas Nominais: falir, falindo, falido.
pertence.

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Processo de criação de palavras (derivação) Vejamos a definição de cada uma delas:

A derivação é o processo pelo qual se originam vocá- Substantivo


bulos uns de outros, mediante a inserção ou extração de Classe de palavras com que se denominam os seres,
afixos. Pode ocorrer por: animados ou inanimados, concretos ou abstratos, os estados,
Processo Exemplificação
as qualidades, as ações.
Qualquer morfema susceptível de ser antecedido por
Prefixação ou sufixação: Infeliz (prefixação: in- + feliz)
outro da classe dos determinantes, compondo com ele um
Felizmente (sufixação: feliz +

PORTUGUÊS
-mente)
sintagma nominal.

Prefixação e sufixação: Infelizmente (prefixação e sufi-


Adjetivo
xação).
Que serve para modificar um substantivo, acrescentando
Derivação imprópria: forma- Passagem do substantivo pró-
uma qualidade, uma extensão ou uma quantidade àquilo que
ção de palavras por meio da prio para o comum (barnabé,
ele nomeia (diz-se de palavra, locução, oração, pronome).
mudança da categoria gra- benjamim, cristo), de substan-
matical sem a modificação da tivo comum a próprio (Oliveira, Palavra que se junta ao substantivo para modificar o seu
forma. Leão), de adjetivo a substan- significado, acrescentando-lhe noções de qualidade, natu-
tivo (barroco, tônica), de subs- reza, estado etc.
tantivo a adjetivo ou apositivo
(burro, rosa, padrão, D. João Verbo
V), de verbo a substantivo (o Classe de palavras que, do ponto de vista semântico,
fazer, o dizer).
contêm as noções de ação, processo ou estado, e, do ponto
Derivação parassintética: for- aclarar < claro de vista sintático, exercem a função de núcleo do predicado
mação de palavras em que se entardecer < tarde das sentenças.
verifica prefixação e sufixação
Nas línguas flexionais e aglutinantes, palavra perten-
simultaneamente.
cente a um paradigma cujas flexões indicam algumas cate-
gorias, como o tempo (que localiza ação, processo ou estado
Derivação regressiva: criação abalo, de abalar
em relação ao momento da fala), a pessoa (indica o emis-
de um substantivo pela elimi- saque, de sacar
sor, o destinatário ou o ser sobre o qual se fala), o número
nação de sufixo da palavra
derivante, e acréscimo de uma (indica se o sujeito gramatical é singular ou plural), o modo
vogal temática. (indica a atitude do emissor quanto ao fato por ele enunciado,
que pode ser de certeza, dúvida, temor, desejo, ordem etc.),
Derivação própria: forma- livraria, livreiro < livro
ção de palavras por meio da infeliz < feliz a voz (indica se o sujeito gramatical é agente, paciente ou, ao
adição de sufixos derivacio- mesmo tempo, agente e paciente da ação), o aspecto (for-
nais a um radical. nece detalhes a respeito do modo de ser da ação, se é unitá-
Aglutinação: reunião em um aguardente por água + ardente ria, momentânea, prolongada, habitual etc.).
só vocábulo, com significado pernalta por perna + alta
independente, de dois ou mais Advérbio
vocábulos distintos; ocorre Palavra invariável que funciona como um modificador
perda de fonemas e especial- de um verbo (dormir pouco), um adjetivo (muito bom), um
mente de acento de um dos outro advérbio (deveras astuciosamente), uma frase (feliz-
vocábulos aglutinados.
mente ele chegou), exprimindo circunstância de tempo,
Justaposição: reunião, em laranja-pera modo, lugar, qualidade, causa, intensidade, oposição, afirma-
uma só palavra com signifi- porta-malas ção, negação, dúvida, aprovação etc.
cado independente, de pala- madrepérola
vras distintas que conservam, cantochão
Pronome
cada uma, sua integridade
fonética. Palavra que representa um nome, um termo usado com
a função de um nome, um adjetivo ou toda uma oração que a
As classes de palavras segue ou antecede.

Há dez classes de palavras em português:
Preposição
1) Substantivo Palavra gramatical, invariável, que liga dois elementos
2) Adjetivo de uma frase, estabelecendo uma relação entre eles.
3) Verbo
4) Advérbio Artigo
5) Pronome Subcategoria de determinantes do nome. Em português,
6) Preposição é sempre anteposto ao substantivo.
7) Artigo
8) Numeral Numeral
9) Conjunção Diz-se de ou classe de palavras que indica quantidade
10) Interjeição numérica.

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Conjunção
Vocábulo ou sintagma invariável, usado para ligar uma
oração subordinada à sua principal, ou para coordenar perí-
odos ou sintagmas do mesmo tipo ou função.

Interjeição
Palavra invariável ou sintagma que formam, por si sós,
BRUNO PILASTRE

frases que exprimem uma emoção, uma sensação, uma


ordem, um apelo ou descrevem um ruído (por exemplo:
psiu!, oh!, coragem!, meu Deus!).

A seção a seguir tem por objetivo proporcionar a você,


estudante, uma técnica eficaz de identificação das classes
A definição semântica não é suficientemente adequada
gramaticais mais importantes.
para definir substantivo, adjetivo e verbo.

Identificação das classes gramaticais


Caminho teórico mais coerente: explicações de cará-
ter formal e sintático (e morfossintático).
Iniciemos pela forma como as palavras são classifica-
das morfologicamente:
Os critérios mórfico (ou formal) e sintático para
Forma: define-se segundo os elementos estruturais
classificação morfológica
que vierem a compor ou a decompor paradigmaticamente
as palavras.
Tais ocorrências envolvem “cortes verticais” no eixo
Função: conforme a posição ocupada no eixo sintag-
paradigmático? Envolve elementos estruturais das palavras
mático.
(gramemas dependentes, como desinências, afixos etc.)?
Sentido: depreende-se da relação entre ambas as
coisas, associado quase sempre a fatores de ordem extra-
Explicação mórfica: flexão e derivação.
linguística.
→ Substantivo
→ gato/gata
→ Adjetivo
→ moral/imoral/amoral
→ Verbo
→ Explicação sintática:
→ Advérbio
→ Personagem esquisita – um bonito personagem
→ Este pires – muitos pires.
Palavra-chave!
Quais palavras (independentemente de serem seres
Sintagmático: diz-se da relação entre unidades da língua que se
ou não) se deixam anteceder pelos determinantes?
encontram contíguas na cadeia da fala e não podem se substituir
mutuamente, pois têm funções diferentes (por exemplo, em céu Não é função popular impedir reajustes de preço na
azul e eles chegaram, a relação entre céu e azul, e entre eles e próxima temporada.
chegaram).
Paradigmático: relativo a ou que pertence a uma série de unida- → função
des que possuem traço(s) em comum e que podem se substituir → (os) reajustes
mutuamente num determinado ponto da cadeia da fala; asso- → (o) preço
ciativo.
→ temporada

IMPORTANTE: A força substantivadora dos determinantes é tão grande


que pode transformar qualquer palavra de qualquer outra
A língua não funciona em relação a um único eixo (paradigmático
categoria em substantivos.
ou sintagmático).
Adjetivo
Fator sintático (posição horizontal) Somente as palavras que são adjetivos aceitam o
sufixo –mente (originando, dessa forma, um advérbio).
→ homem grande/grande homem
→ funcionário novo/novo funcionário IMPORTANTE:
Todo adjetivo é palavra variável em gênero e/ou número e
Mudança no eixo paradigmático também altera a cons-
deixa-se articular (ou modificar) por outra que seja advérbio.
trução de sentido, ainda que a classificação permaneça inal- ou
terada. É adjetivo toda palavra variável em gênero e/ou número que
se deixar anteceder por “tão” (ou por qualquer intensificador
→ Este é o romance mais bonito de Jorge Amado. como bem ou muito, dependendo do contexto).
→ Este é o barco mais bonito de Jorge Amado.

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Como exercício, encontre os adjetivos nestas sentenças: Oração é uma frase, ou membro de frase, que contém
um verbo (ou locução verbal 2). A oração pode ser coorde-
→ Não é função _____ popular___ impedir reajustes de nada ou subordinada:
preço na _____ próxima___ temporada. O João chegou e já se sentou.
→ Ele não é _____ homem para isso. O governo afirmou que as políticas públicas serão mais
eficazes.
A resolução está organizada a seguir:
O período é uma frase que contém uma ou mais ora-

PORTUGUÊS
Não é função (tão) popular(es) impedir reajustes de ções. Inicia-se por letra maiúscula e encerra-se por ponto final
preço na (tão) próxima(s) temporada. (ou equivalente).
Ele não é (tão) homem para isso.
A ordem dos termos
IMPORTANTE:
Em português, as sentenças são organizadas na ordem
Constatar a flexão e a articulação com o substantivo são
(direta):
procedimentos fundamentais para distinguir o adjetivo do
advérbio.
Sujeito – Verbo – Objeto (complemento) – Adjuntos

Verbo O governo investiu R$ 100 milhões em educação no ano


O verbo, na língua portuguesa, constitui a classe de passado.
maior riqueza formal e, por esse critério, torna-se facilmente
identificável. Vozes do verbo
Apenas os verbos articulam-se com os pronomes pes-
soais do caso reto (Eu, Tu, Ele/Ela, Nós, Vós, Eles/Elas). Vozes são a forma em que se apresenta o verbo
para indicar a relação que há entre ele e o seu sujeito. Em
Advérbio língua portuguesa, há três tipos de voz: ativa, passiva e refle-
No eixo sintagmático: articula-se com verbos, adjetivos xiva. Vejamos a definição de cada uma:
e advérbios.
1. Voz ativa
→ Ela fala bem. Voz do verbo em que o sujeito pratica a ação (por exem-
→ Ela parece extremamente cansada. plo, João cortou a árvore)
→ Ela fala muito bem.
2. Voz passiva
Voz do verbo na qual o sujeito da oração recebe a inter-
IMPORTANTE:
pretação de paciente, em lugar da de agente da ação verbal
É advérbio toda palavra invariável em gênero e/ou número (por exemplo, Pedro foi demitido)
que se deixa anteceder por TÃO (ou por bem, ou por muito,
dependendo do contexto). 2.1. Voz passiva analítica
Voz passiva com o verbo principal na forma de particípio
e com verbo auxiliar (ser, estar, andar etc.) recebendo as
CAPÍTULO 3 – SINTAXE
indicações de tempo, modo e concordância.
O sujeito equivale ao objeto direto da ativa correspon-
SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO
dente, e o sintagma agentivo, opcional, vem precedido de por:
O cocheiro foi mordido (pelo cavalo).
Frase, período e oração
2.2. Voz passiva sintética
Frase é a construção que encerra um sentido com-
Voz passiva com o verbo na terceira pessoa construído
pleto, podendo ser formada por uma ou mais palavras, com
com o pronome apassivador se, sem indicação do agente.
ou sem verbo, ou por uma ou mais orações; pode ser afirma-
Por exemplo:
tiva, negativa, interrogativa, exclamativa ou imperativa.
Não se encontrou nenhum vestígio de vinho no copo.
Vejamos alguns exemplos:
Vendem-se livros usados.
→ Pare!
→ Fogo!
3. Voz reflexiva
→ Parada de ônibus.
Voz com verbo na forma ativa tendo como complemento
→ Vendem-se casas.
um pronome reflexivo, indicando a identidade entre quem pro-
→ A Maria disse que o João voltará amanhã.
voca e quem sofre a ação verbal:
→ O governo não dará continuidade à política de sane-
amento básico.
→ Os dirigentes chegaram? 2 Conjunto de palavras que equivalem a um só vocá-
→ Isso é um absurdo! bulo, por terem significado, conjunto próprio e função grama-
→ Adicione duas xícaras de leite. tical única. O João vai chegar cedo.

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Feri-me. Este é um carro que tem muita força e que pode
Eles se prejudicaram. alcançar grande velocidade.

O sujeito Nessa última frase, coordenamos dois sintagmas adje-


Sujeito é termo da oração sobre o qual recai a predi- tivais derivados.
cação da oração e com o qual o verbo concorda. Pode ser: Por fim, é também importante destacar que ambas as
formas são perfeitamente aceitáveis, pois nenhuma das
BRUNO PILASTRE

I – Indeterminado: frases fere a integridade sintática do sistema linguístico. A


→ Pedro, disseram-me que você falou mal de mim. escolha entre ambas é uma questão estilística.
→ Precisa-se de empregados (índice de indetermina-
ção do sujeito). CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
→ Vive-se bem aqui (índice de indeterminação do sujeito).
A exposição dos conteúdos a seguir (Concordân-
II – Impessoal: cia Nominal e Verbal, Regência Verbal e Nominal e Rela-
Há bons livros na livraria. Faz frio. Chove. ções de Coordenação e Subordinação entre orações e entre
termos da oração) será baseada nas orientações do Manual
III – Explicitado lexicalmente: de Redação da Presidência República. Optamos por essa
→ O sol é um astro luminoso. abordagem pelo fato de a obra de referência (Manual da
Presidência) ser objetiva, sintética e completa.
IV – Explicitado pronominalmente:
→ Eu estudo no colégio Dom Pedro II. Concordância

V – Desinencial: Concordância é o processo sintático segundo o qual


→ Brincamos todos os dias na praça. certas palavras se flexionam, na sua forma, às palavras de
que dependem.
As formas pronominais retas (as quais ocupam a posi- Veremos que essa flexão ocorre quanto a gênero e
ção de sujeito) são as seguintes: número (nos adjetivos – nomes ou pronomes), números e
→ 1ª pessoa (singular ou plural): eu – nós. pessoa (nos verbos). Iniciemos pela Concordância Verbal,
→ 2ª pessoa (singular ou plural): tu – vós. mais extensa.
→ 3ª pessoa (singular ou plural): ele – eles.
Concordância Verbal
Paralelismo sintático
A regra geral para a concordância é a seguinte: o verbo
Paralelismo sintático é a identidade de estrutura numa concorda com seu sujeito em pessoa e número.
sucessão de frases. Vejamos a frase a seguir: Se o sujeito for simples, isto é, se tiver apenas um
O esforço é grande e o homem é pequeno. núcleo, com ele concorda o verbo em pessoa e número.
Vejamos os exemplos:
Nessa frase, há uma simetria estrutural entre as duas → O Chefe da Seção pediu maior assiduidade.
orações. Ambas são estruturadas por um verbo de ligação e → A inflação deve ser combatida por todos.
um predicativo do sujeito. → Os servidores do Ministério concordaram com a
Segundo Azeredo (2008), paralelismo sintático é a proposta.
perfeita correlação na estrutura sintática da frase. Como a
coordenação é um processo que encadeia valores sintáticos Quando o sujeito for composto, ou seja, possuir mais
idênticos, presume-se que os elementos sintáticos coorde- de um núcleo, o verbo vai para o plural e para a pessoa que
nados entre si devam apresentar, em princípio, estruturas tiver primazia, na seguinte ordem: a 1ª pessoa tem priori-
gramaticais similares. Portanto, a coordenação sintática dade sobre a 2ª e a 3ª; a 2ª sobre a 3ª; na ausência de uma
deve comportar constituintes do mesmo tipo. e outra, o verbo vai para a 3ª pessoa.
É muito importante observar que o paralelismo sintático → Eu e Maria queremos viajar em maio.
não se enquadra em uma norma gramatical rígida. É possí- → Eu, tu e João somos amigos.
vel construir sentenças na língua que não seguem o princí- → O Presidente e os Ministros chegaram logo.
pio do paralelismo:
Este é um carro possante e que alcança grande velo- Em concursos públicos, há certas estruturas recorren-
cidade. temente cobradas. Vejamos, a seguir, algumas questões
que costumam suscitar dúvidas quanto à correta concordân-
Veja que nessa frase coordenamos termos de nature- cia verbal.
zas distintas: um sintagma adjetival básico (possante) e um
sintagma adjetival derivado (que alcança grande veloci- a) Há três casos de sujeito inexistente:
dade). Respeitar-se-ia o princípio do paralelismo se a frase 1. com verbos de fenômenos meteorológicos:
tivesse a seguinte estrutura: Choveu (geou, ventou...) ontem.

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2. em que o verbo haver é empregado no sentido de d) O substantivo que se segue à expressão um e
existir ou de tempo transcorrido: outro fica no singular, mas o verbo pode empregar-se no
Haverá descontentes no governo e na oposição. singular ou no plural:
Havia cinco anos não ia a Brasília. → Um e outro decreto trata da mesma questão jurí-
dica.
Para certificar-se de que esse haver é impessoal, Ou:
basta recorrer ao singular do indicativo: Se há ( e nunca: → Um e outro decreto tratam da mesma questão jurí-
*hão) dúvidas... Há (e jamais: * Hão) descontentes... dica.

PORTUGUÊS
3. em que o verbo fazer é empregado no sentido de e) As locuções um ou outro, ou nem um, nem outro,
tempo transcorrido: seguidas ou não de substantivo, exigem o verbo no singu-
Faz dez dias que não durmo. lar:
Semana passada fez dois meses que iniciou a apura-
ção das irregularidades. → Uma ou outra opção acabará por prevalecer.
→ Nem uma, nem outra medida resolverá o pro-
blema.
IMPORTANTE:
→ Fazem cinco anos que não vou a Brasília. (Inadequado) f) No emprego da locução um dos que, admite-se
→ Faz cinco anos que não vou a Brasília. (Adequado) dupla sintaxe, verbo no singular ou verbo no plural (preva-
lece este no uso atual):
São muito frequentes os erros de pessoalização dos verbos → Um dos fatores que influenciaram (ou influen-
haver e fazer em locuções verbais (ou seja, quando acompanha- ciou) a decisão foi a urgência de obter resultados concre-
dos de verbo auxiliar). Nestes casos, os verbos haver e fazer tos.
transmitem sua impessoalidade ao verbo auxiliar: → A adoção da trégua de preços foi uma das medidas
→ Vão fazer cinco anos que ingressei no Serviço Público.
que geraram (ou gerou) mais impacto na opinião pública.
(Inadequado)
→ Vai fazer cinco anos que ingressei no Serviço Público.
(Adequado)
g) O verbo que tiver como sujeito o pronome relativo
quem tanto pode ficar na terceira pessoa do singular, como
→ Depois das últimas chuvas, podem haver centenas de concordar com a pessoa gramatical do antecedente a que
desabrigados. (Inadequado) se refere o pronome:
→ Depois das últimas chuvas, pode haver centenas de desa- → Fui eu quem resolveu a questão.
brigados. (Adequado) – ou:
→ Fui eu quem resolvi a questão.
→ Devem haver soluções urgentes para estes problemas.
(Inadequado) h) Verbo apassivado pelo pronome se deve concordar
→ Deve haver soluções urgentes para estes problemas.
com o sujeito que, no caso está sempre expresso e vem
(Adequado)
a ser o paciente da ação ou o objeto direto na forma ativa
correspondente:
→ Vendem-se apartamentos funcionais e residências
b) Concordância facultativa com sujeito mais próximo:
oficiais.
quando o sujeito composto figurar após o verbo, pode este
→ Para obterem-se resultados são necessários sacri-
flexionar-se no plural ou concordar com o elemento mais
fícios.
próximo.
→ Venceremos eu e você.
Compare:
Ou:
apartamentos são vendidos vendem apartamentos
→ Vencerei eu e você.
resultados são obtidos obtiveram resultados
Ou, ainda:
→ Vencerá você e eu. Verbo transitivo indireto (isto é, que rege preposição)
fica na terceira pessoa do singular; o se, no caso, não é
c) Quando o sujeito composto for constituído de pala- apassivador pois verbo transitivo indireto não é apassivá-
vras sinônimas (ou quase), formando um todo indiviso, ou vel:
de elementos que simplesmente se reforçam, a concordân- → *O prédio é carecido de reformas.
cia é facultativa, ou com o elemento mais próximo ou com a → *É tratado de questões preliminares. Assim, o
ideia plural contida nos dois ou mais elementos: adequado é:
→ A sociedade, o povo une-se para construir um país → Assiste-se a mudanças radicais no País. (E não
mais justo. *Assistem-se a...)
Ou então: → Precisa-se de homens corajosos para mudar o
→ A sociedade, o povo unem-se para construir um País. (E não *Precisam-se de...)
país mais justo. → Trata-se de questões preliminares ao debate. (E
não *Tratam-se de...)

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i) Expressões de sentido quantitativo (grande número CONCORDÂNCIA NOMINAL
de, grande quantidade de, parte de, grande parte de, a
maioria de, a maior parte de, etc.) acompanhadas de com- A regra geral de concordância nominal é a seguinte:
plemento no plural admitem concordância verbal no singular adjetivos (nomes ou pronomes), artigos e numerais con-
ou no plural. Nesta última hipótese, temos “concordância cordam em gênero e número com os substantivos de que
ideológica”, por oposição à concordância lógica, que se faz dependem:
com o núcleo sintático do sintagma (ou locução) nominal (a → Todos os outros duzentos processos examinados...
BRUNO PILASTRE

maioria + de...): → Todas as outras duzentas causas examinadas...


→ A maioria dos condenados acabou (ou acabaram)
por confessar sua culpa. Vejamos, a seguir, alguns casos que suscitam dúvida:
→ Um grande número de Estados aprovaram (ou
aprovou) a Resolução da ONU. a) anexo, incluso, leso: como adjetivos, concordam
→ Metade dos Deputados repudiou (ou repudiaram) com o substantivo em gênero e número:
as medidas. → Anexa à presente Exposição de Motivos, segue
minuta de Decreto.
j) Concordância do verbo ser: segue a regra geral → Vão anexos os pareceres da Consultoria Jurídica.
(concordância com o sujeito em pessoa e número), mas nos → Remeto inclusa fotocópia do Decreto.
seguintes casos é feita com o predicativo: Silenciar nesta circunstância seria crime de lesa-pátria
(ou de leso-patriotismo).
1. quando inexiste sujeito:
→ Hoje são dez de julho. b) a olhos vistos é locução com função adverbial, inva-
→ Agora são seis horas. riável, portanto:
→ Do Planalto ao Congresso são duzentos metros. → Lúcia envelhecia a olhos vistos.
→ Hoje é dia quinze. → A situação daquele setor vem melhorando a olhos
vistos.
2. quando o sujeito refere-se a coisa e está no singular
e o predicativo é substantivo no plural: c) possível: em expressões superlativas, este adjetivo
→ Minha preocupação são os despossuídos. ora aparece invariável, ora flexionado (embora no portu-
→ O principal erro foram as manifestações extempo- guês, moderno se prefira empregá-lo no plural):
râneas. → As características do solo são as mais variadas pos-
síveis.
3. quando os demonstrativos tudo, isto, isso, aquilo → As características do solo são as mais variadas pos-
ocupam a função de sujeito: sível.
→ Tudo são comemorações no aniversário do muni-
cípio. REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL
→ Isto são as possibilidades concretas de solucionar
o problema. Em gramática, regência sinônimo de dependência,
→ Aquilo foram gastos inúteis. subordinação. Desse modo, a sintaxe de regência trata das
relações de dependência que as palavras mantêm na frase.
4. quando a função de sujeito é exercida por palavra ou Dizemos que um termo rege o outro que o complementa.
locução de sentido coletivo: a maioria, grande número, a Numa frase, os termos regentes ou subordinantes
maior parte, etc. (substantivos, adjetivos, verbos) regem os termos regidos
→ A maioria eram servidores de repartições extintas. ou subordinados (substantivos, adjetivos, preposições) que
→ Grande número (de candidatos) foram reprovados lhes completam o sentido.
no exame de redação.
→ A maior parte são pequenos investidores. Termos Regentes Termos Regidos
amar, amor a Deus.
5. quando um pronome pessoal desempenhar a função insistiu, insistência em falar.
persuadiu o Senador a que votasse.
de predicativo:
obediente, obediência à lei.
→ Naquele ano, o assessor especial fui eu.
cuidado, cuidadoso com a revisão do texto.
→ O encarregado da supervisão és tu. ouvir música
→ O autor do projeto somos nós.
Como se vê pelos exemplos acima, os termos regentes
Nos casos de frases em que são empregadas expres- podem ser substantivos e adjetivos (regência nominal) ou
sões é muito, é pouco, é mais de, é menos de o verbo ser verbos (regência verbal), e podem reger outros substanti-
fica no singular: vos e adjetivos ou preposições.
→ Três semanas é muito. Em concursos públicos, sabemos que as dúvidas mais
→ Duas horas é pouco. frequentes quanto à regência estão relacionadas à necessi-
→ Trezentos mil é mais do que eu preciso. dade de determinada palavra reger preposição, e qual deve
ser essa preposição.

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Vejamos, a seguir, alguns casos de regência verbal Comparecer
que costumam criar dificuldades na língua escrita – e, (Comparecer a (ou em) algum lugar ou evento):
claro, são constantemente cobradas em provas. → Compareci ao(ou no) local indicado nas instruções.
→ A maioria dos delegados compareceu à (ou na)
Regência de alguns verbos de uso frequente reunião.

Anuir Compartilhar
(Concordar, condescender: transitivo indireto com a (Compartilhar alguma (ou de alguma) coisa):

PORTUGUÊS
preposição a): → O povo brasileiro compartilha os (ou dos) ideais
→ Todos anuíram àquela proposta. de preservação ambiental do Governo.
→ O Governo anuiu de boa vontade ao pedido do sin-
dicato. Consistir
(Consistir em alguma coisa (consistir de é angli-
Aproveitar cismo)):
(Aproveitar alguma coisa ou aproveitar-se de alguma → O plano consiste em promover uma trégua de
coisa): preços por tempo indeterminado.
→ Aproveito a oportunidade para manifestar repúdio
ao tratamento dado a esta matéria. Custar
→ O relator aproveitou-se da oportunidade para emitir (No sentido usual de ter valor, valer):
sua opinião sobre o assunto. → A casa custou um milhão de cruzeiros.
(No sentido de ser difícil, este verbo se usa na 3ª
Aspirar pessoa do sing., em linguagem culta formal):
(No sentido de respirar, é transitivo direto): → Custa-me entender esse problema.
→ Aspiramos o ar puro da montanha. Aspirá-lo. (Eu) custo a entender esse problema.
(No sentido de desejar ardentemente, de pretender, [é linguagem oral, escrita informal, etc.]
é transitivo indireto, regendo a preposição a): → Custou-lhe aceitar a argumentação da oposição.
→ O projeto aspira à estabilidade econômica da [Como sinônimo de demorar, tardar – Ele custou a
sociedade. Aspira a ela. aceitar a argumentação da oposição – também é lingua-
→ Aspirar a um cargo. Aspirar a ele. gem oral, vulgar, informal.]

Assistir Declinar
(No sentido de auxiliar, ajudar, socorrer, é transitivo (Declinar de alguma coisa (no sentido de rejeitar)):
direto): → Declinou das homenagens que lhe eram devidas.
→ Procuraremos assistir os atingidos pela seca
(assisti-los). Implicar
→ O direito que assiste ao autor de rever sua posi- (No sentido de acarretar, produzir como consequ-
ção. O direito que lhe assiste... ência, é transitivo direto):
(No sentido de estar presente, comparecer, ver é → O Convênio implica a aceitação dos novos preços
transitivo indireto, regendo a preposição a): para a mercadoria.
→ Não assisti à reunião ontem. Não assisti a ela. [O Convênio implica na aceitação... – é inovação sin-
→ Assisti a um documentário muito interessante. tática bastante frequente no Brasil. Mesmo assim, aconse-
Assisti a ele. lha se manter a sintaxe originária: implica isso]
(Nesta acepção, o verbo não pode ser apassivado;
assim, em linguagem culta formal, é incorreta a frase): Incumbir
→ A reunião foi assistida por dez pessoas. (Incumbir alguém (incumbi-lo) de alguma coisa):
→ Incumbi o Secretário de providenciar a reserva
Atender das dependências.
→ O Prefeito atendeu ao pedido do vereador. (Ou incumbir a alguém (incumbir-lhe) alguma coisa):
→ O Presidente atendeu o Ministro (atendeu-o) em → O Presidente incumbiu ao Chefe do Cerimonial
sua reivindicação. preparar a visita do dignitário estrangeiro.
Ou
→ O Presidente atendeu ao Ministro (atendeu a ele) Informar
em sua reivindicação. (Informar alguém (informá-lo) de alguma coisa):
→ Informo Vossa Senhoria de que as providências
Avisar solicitadas já foram adotadas.
(Avisar alguém (avisá-lo) de alguma coisa): (Informar a alguém (informar-lhe) alguma coisa):
→ O Tribunal Eleitoral avisou os eleitores da neces- → Muito agradeceria informar à autoridade interes-
sidade do recadastramento. sada o teor da nova proposta.

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Obedecer Por regra, a crase somente ocorre antes de palavras
(Obedecer a alguém ou a alguma coisa (obedecer- femininas determinadas pelo artigo a(s) e subordinadas a
-lhe)): termos que requerem a preposição a. Portanto, dois fatores
→ As reformas obedeceram à lógica do programa de são determinantes. Vejamos:
governo.
→ É necessário que as autoridades constituídas obe- (i) Deve haver um termo que requer a preposição a.
deçam aos preceitos da Constituição. → Ele assistiu à cena.
BRUNO PILASTRE

→ Todos lhe obedecem. [verbo assistir rege a preposição a (assistir a)]


→ Todos os manifestantes estão fazendo uso do direito
Pedir à liberdade de expressão.
(Pedir a alguém (pedir-lhe) alguma coisa): [o nome direito exige a preposição a]
→ Pediu ao assessor o relatório da reunião.
(Pedir a alguém (pedir-lhe) que faça alguma coisa): (ii) A crase ocorrerá antes de palavras femininas deter-
[“Pedir a alguém para fazer alguma coisa” é lingua- minadas. Há, aqui, duas exigências:
gem oral, vulgar, informal.] → Ele assistiu à cena.
→ Pediu aos interessados (pediu-lhes) que (e não
*para que) procurassem a repartição do Ministério da Saúde. Nessa frase, percebemos que cena é palavra feminina
(exigência (i)) e é determinada (ou seja: dentre um grande
Preferir universo de cenas, alguém assistiu a uma cena específica,
(Preferir uma coisa (preferi-la) a outra (evite: “preferir determinada) (exigência (ii)).
uma coisa do que outra”): → Todos os manifestantes estão fazendo uso do direito
→ Prefiro a democracia ao totalitarismo. à liberdade de expressão.

Vale para a forma nominal preferível:


Nessa frase, liberdade é palavra feminina e está
Isto é preferível àquilo (e não preferível do que...).
determinada (ou seja: dentre todas as formas de liberdade,
fala-se da liberdade de expressão).
Propor-se
(Propor-se (fazer) alguma coisa ou a (fazer) alguma
RELAÇÕES DE COORDENAÇÃO E SUBORDI-
coisa):
NAÇÃO ENTRE ORAÇÕES E ENTRE TERMOS DA
→ O decreto propõe-se disciplinar (ou a disciplinar) o
ORAÇÃO
regime jurídico das importações.

Tipos de Orações e Emprego de Conjunções


Referir
(No sentido de ‘relatar’ é transitivo direto):
→ Referiu as informações (referiu-as) ao encarregado. As conjunções são palavras invariáveis que ligam ora-
ções, termos da oração ou palavras. Estabelecem relações
Visar entre orações e entre os termos sintáticos, que podem ser
(Com o sentido de ter por finalidade, a regência origi- de dois tipos:
nária é transitiva indireta, com a preposição a. Tem-se admi-
tido, contudo, seu emprego com o transitivo direto com essa a) de coordenação de ideias de mesmo nível, e de
mesma acepção): elementos de idêntica função sintática;
→ O projeto visa ao estabelecimento de uma nova ética b) de subordinação, para estabelecer hierarquia entre
social (visa a ele). Ou: visa o estabelecimento (visa-o). as ideias, e permitir que uma oração complemente o sentido
→ As providências visavam ao interesse (ou o inte- da outra.
resse) das classes desfavorecidas.
Por esta razão, o uso apropriado das conjunções é de
EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE CRASE grande importância: seu emprego indevido gera imprecisão
ou combinações errôneas de ideias. Esse é o ponto mais
Crase designa, em termos de gramática normativa, a avaliado em concursos públicos, uma vez que a substitui-
contração da preposição a com o artigo a(s), ou com os pro- ção de uma conjunção por outra pode ocasionar mudança
nomes demonstrativos a(s), aquele(s), aquela(s), aquilo. de sentido e incorreções.
Observe as frases abaixo:
→ Ele foi à padaria. Períodos Coordenados e Conjunções Coordenativas
[Ele foi a (preposição) + a (artigo) padaria]
→ Ninguém chegou àquele nível de compreensão. De acordo com a tradição gramatical, as conjunções
[Ninguém chegou a (preposição) + aquele (pronome coordenativas unem elementos de mesma natureza (subs-
demonstrativo) nível (...)] tantivo + substantivo; adjetivo + adjetivo; advérbio + advér-
bio; e oração + oração). Em períodos, as orações por elas
É muito importante observar que o acento grave ( ` ) introduzidas recebem a mesma classificação. Vejamos, nos
indica o fato linguístico crase. quadros a seguir, cada uma delas:

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Aditivas: relacionam pensamentos similares. São (iii) objetivas indiretas:
duas: e e nem. A primeira une duas afirmações; a segunda, → A liberação dos recursos depende de que o Minis-
duas negações: tro a autorize.
→ O Embaixador compareceu à reunião e manifestou o
interesse do seu governo no assunto. (iv) predicativas:
→ O Embaixador não compareceu à reunião, nem → O problema do projeto foi que ninguém previu
manifestou o interesse de seu governo no assunto. todas as suas consequências.

As orações subordinadas adjetivas desempenham a

PORTUGUÊS
Adversativas: relacionam pensamentos que se opõem
ou contrastam. A conjunção adversativa por excelência é função de adjetivo, restringindo o sentido do substantivo a
mas. Outras palavras também têm força adversativa na rela- que se referem, ou simplesmente lhe acrescentando outra
ção entre ideias: porém, todavia, contudo, entretanto, no característica. São introduzidas pelos pronomes relativos
entanto. que, o (a) qual, quem, quanto, cujo, como, onde, quando.
→ O piloto gosta de automóveis, mas prefere deslocar- Podem ser, portanto:
-se em aviões.
→ O piloto gosta de automóveis; prefere, porém, des- a) restritivas:
locar-se em aviões. → Só poderão inscrever-se os candidatos que preen-
cheram todos os requisitos para o concurso.
Alternativas: relacionam pensamentos que se
excluem. As conjunções alternativas mais utilizadas são: ou, b) não restritivas (ou explicativas):
quer...quer, ora...ora, já...já. → O Presidente da República, que tem competência
→ O Presidente irá ao encontro (ou) de automóvel, ou exclusiva nessa matéria, decidiu encaminhar o projeto.
de avião.
IMPORTANTE!
Conclusivas: relacionam pensamentos tais que o
Observe que o fato de a oração adjetiva restringir, ou não, o
segundo contém a conclusão do enunciado no primeiro.
substantivo (nome ou pronome) a que se refere repercute na
São: logo, pois, portanto, consequentemente, por con- pontuação. Na frases de (a), acima, a oração adjetiva especifica
seguinte, etc. que não são todos os candidatos que poderão inscrever-se, mas
→ A inflação é o maior inimigo da Nação; logo, é meta somente aqueles que preencherem todos os requisitos para o
prioritária do governo eliminá-la. concurso. Como se verifica pelo exemplo, as orações adjetivas
restritivas não são pontuadas com vírgula em seu início. Já
Explicativas: relacionam pensamentos em sequência em (b), acima, temos o exemplo contrário: como só há um
justificativa, de tal modo que a segunda oração explica a Presidente da República, a oração adjetiva não pode especificá-
razão de ser da primeira. São: que, pois, porque, portanto. lo, mas apenas agregar alguma característica ou atributo dele.
→ Aceite os fatos, pois eles são o espelho da realidade. Este segundo tipo de oração vem, obrigatoriamente, precedido
por vírgula anteposta ao prenome relativo que a introduz.
Períodos Subordinados e Conjunções Subordinativas

As conjunções subordinativas unem duas orações As orações subordinadas adverbiais cumprem a


de natureza diversa: a que é introduzida pela conjunção função de advérbios. As conjunções que com mais frequ-
completa o sentido da oração principal ou lhe acrescenta ência conectam essas orações vêm listadas, em quadros,
uma determinação. ao lado da denominação de cada modalidade. As orações
Vejamos, a seguir, as orações subordinadas desenvol- adverbiais são classificadas de acordo com a ideia expressa
vidas (isto é, aquelas que apresentam verbo em uma das por sua função adverbial:
formas finitas, indicativo ou subjuntivo) e as conjunções
empregadas em cada modalidade de subordinação: (i) Causais: porque; como, desde que, já que, visto,
As orações subordinadas substantivas desempenham uma vez que (antepostos).
funções de substantivo, ou seja, sujeito, objeto direto, → O Coronel assumiu o comando porque o General
objeto indireto, predicativo. Podem ser introduzidas pelas havia falecido.
conjunções integrantes que, se, como; pelos pronomes → Como o General havia falecido, o Coronel assumiu
relativos, que, quem, quantos; e pelos pronomes interroga- o comando.
tivos quem, (o) que, quanto(a)(s), qual (is), como, onde,
quando. De acordo com a função que exercem, as orações (ii) Concessivas: embora, conquanto, ainda que,
são classificadas em: posto que, se bem que, etc.
→ O orçamento foi aprovado, embora os preços esti-
(i) subjetivas: vessem altos.
→ É surpreendente que as transformações ainda
não tenham sido assimiladas. (iii) Condicionais: se, caso, contanto que, sem que,
→ Quem não tem competência não se estabelece. uma vez que, dado que, desde que, etc.
→ O Presidente baixará uma medida provisória se
(ii) objetivas diretas: houver necessidade.
→ O Ministro anunciou que os recursos serão libe- → Informarei o Secretário sobre a evolução dos acon-
rados. tecimentos contanto que ele guarde sigilo daquilo que ouvir.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
(iv) Conformativas: como, conforme, consoante, (vii) Advérbios (não seguidos de vírgula)
segundo, etc. → Aqui me sinto bem.
→ Despachei o processo conforme determinava a
praxe em vigor. (viii) Gerúndio precedido da preposição em
→ Em se tratando de política...
(v) Comparativas: que, do que (relacionados a mais,
menos, maior, menor, melhor, pior); qual (relacionado a (ix) Frases interrogativas iniciadas por um vocábulo
BRUNO PILASTRE

tal); como ou quanto (relacionados a tal, tanto, tão); como interrogativo


se; etc. → Quem te falou isso?
→ Nada é tão importante como (ou quanto) o respeito
aos direitos humanos. Mesóclise

(vi) Consecutivas: que (relacionado com tal, tão, A mesóclise é a colocação do pronome oblíquo átono
tanto, tamanho); de modo que, de maneira que; etc. entre o radical e a desinência das formas verbais do futuro
→ O descontrole monetário era tal que não restou outra do presente e do futuro do pretérito.
solução senão o congelamento. Veja, como exemplo, as duas ocorrências de mesó-
clise:
(vii) Finais: para que ou por que, a fim de que, que, etc. → Amar-te-ei para sempre.
→ O pai trabalha muito para (ou a fim de ) que nada → Procurar-te-ei por toda a minha vida.
falte aos filhos.
O uso da mesóclise está, também, condicionado a
(viii) Proporcionais: à medida ou proporção que, ao duas condições:
passo que, etc. (i) quando a próclise não for obrigatória (mesóclise
→ As taxas de juros aumentavam à proporção (ou proibida); e
medida) que a inflação crescia. (ii) não houver sujeito expresso, anteposto ao verbo
(mesóclise facultativa).
Como exemplo:
(ix) Temporais: quando, apenas, mal, até que, assim
→ Não se aplaudirão vandalismos.
que, antes ou depois que, logo que, tanto que, etc.
[mesóclise proibida]
→ O acordo será celebrado quando alcançar-se um
entendimento mínimo.
→ A corrida te animará.
→ Apenas iniciado o mandato, o governador decretou
Ou:
a moratória da dívida pública do Estado.
→ A corrida animar-te-á.
[mesóclise facultativa]
COLOCAÇÃO PRONOMINAL
Ênclise
Próclise
A ênclise é a colocação do pronome pessoal átono
Na próclise o pronome pessoal oblíquo átono ocorre
depois do verbo. Ocorre nos seguintes contextos:
antes do verbo. Usa-se a próclise quando há (principais
casos):
(i) No imperativo afirmativo
→ Levanta-te agora!
(i) Palavras e sentido negativo (jamais, não etc.)
→ Jamais te enganei. (ii) No infinitivo impessoal
→ Não me esqueças. → Aguardar-te é sempre cansativo!

(ii) Pronomes indefinidos (iii) No gerúndio


→ Alguém te ligou ontem. → Conhecendo-nos, desfez a cara de desgosto.

(iii) Pronomes relativos (iv) Em orações que vêm após uma vírgula
→ O guarda que me chamou atenção foi aquele. → Por ser diretor da escola, ofereceu-nos duas vagas
para nossos filhos.
(iv) Pronomes demonstrativos
→ Aquilo me incomoda. (v) Em início de frase
Mostrei-lhe todos os meus bolsos.
(v) O numeral ambos
→ Ambos o recusaram. Vejamos, por fim, alguns tópicos importantes em sin-
taxe. Observamos, mais uma vez, que esses conteúdos são
(vi) Conjunções subordinativas recorrentemente solicitados em provas de concurso público.
→ Era tarde quando me avisaram.

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O verbo HAVER e o verbo TER Nessa frase, os dois substantivos (atriz e beleza)
estão relacionados pelo pronome relativo cujo. O substan-
O uso de ter em vez de haver não é condenado na lin- tivo atriz é possuidor de algo (qualidade) designado pelo
guagem popular, na comunicação informal. Assim, é comum substantivo beleza.
ouvirmos frases como: O mesmo raciocínio se aplica às frases seguintes:
→ Hoje não tem feira. → Os alimentos a cujos benefícios todos os espor-
→ Tinha sujeira em toda parte. tistas recorrem.
→ Tinha uma pedra no caminho.
→ A terra cujas riquezas haviam extraído.

PORTUGUÊS
Na linguagem culta formal, é preferível:
Observe que na frase Os alimentos a cujos bene-
→ Hoje não há feira.
→ Havia sujeira em toda parte. fícios todos os esportistas recorrem o pronome cujo
→ Havia uma pedra no caminho. é precedido de preposição pelo fato de o verbo recorrer
exigir tal forma (recorrer A).
Uso da conjunção CONQUANTO É importante observar que não há artigo entre o pro-
nome relativo cujo e seu consequente. Deve-se evitar,
A conjunção conquanto introduz uma oração subordi- portanto, a forma abaixo:
nada que contém a afirmação de um fato contrário ao da → Era uma atriz cuja a beleza todos admiravam.
afirmação contida na oração principal, mas que não é sufi-
ciente para anular este último. Equivale às formas embora, Usos da palavra QUE
se bem que, não obstante. Exemplos:
→ Não concorreu ao prêmio, conquanto pudesse fazê-lo. (i) A conjunção que: tem a função de enlaçar as ora-
→ Conquanto a bibliografia camoniana encha uma ções de um período composto:
biblioteca, pouco sabemos ao certo acerca da bibliografia → A população saiu às ruas depois que o escândalo
do imortal poeta. foi noticiado.

Apesar de não ser uma conjunção usual, essa forma é


(ii) O expletivo que: diz-se que são expletivas as pala-
muito cobrada em concursos públicos. Também vale a pena
vras ou expressões que, embora não necessárias ao sentido
utilizá-la em sua produção textual.
da frase, lhe dão realce, lhe transmitem ênfase. O que é uti-
lizado em frases como as seguintes:
Uso de PARA EU – PARA MIM
→ Desde muito que Rui de Nelas meditava em casar
É comum ouvirmos frases como a seguinte: a filha.
→ Meu pai comprou o a cartolina para mim fazer o → Deus que nos proteja e retempere as nossas
cartaz. forças.
→ Imprevidente que fui, isto sim.
Essa frase, porém, é considerada inadequada pela
norma culta, uma vez que a forma mim (forma oblíqua (iii) O pronome relativo que: é precedido de preposi-
tônica do pronome pessoal reto da 1ª pessoa do singular ção quando esta é exigida pelo verbo da oração iniciada por
eu) é sempre regida de preposição. esse pronome:
Desse modo, em frases como Meu pai comprou o a → Era magnífica a mata a que chegamos.
cartolina para mim fazer o cartaz deve-se utilizar a forma → A criança escolheu a fruta de que mais gostava.
pronominal eu: Meu pai comprou a cartolina para eu fazer
o cartaz. Nessa frase, o pronome eu é sujeito do infinitivo Usos da palavra SE
que o acompanha.
A forma mim deve ser usada como complemento: (i) O pronome apassivador se: o pronome se é usado
→ Ele entregou a bola para mim. na construção passiva formada com verbo transitivo. Nessa
construção, o verbo concorda normalmente com o sujeito.
Nessa frase, mim é complemento da preposição para
Observe os exemplos:
(e não é sujeito de alguma forma infinitiva).
→ Alugou-se a casa.
→ Alugaram-se as casas.
Uso do pronome relativo CUJO

O pronome relativo cujo relaciona dois substantivos, (ii) O índice de indeterminação do sujeito se: o pronome
um antecedente e outro consequente, sendo este último se pode tornar o agente da ação verbal indefinido. Na cons-
possuidor de algo (qualidade, condição, sentimento, ser trução em que há o índice de indeterminação se, o verbo
etc.) designado pelo primeiro. Pode equivaler às formas de concorda obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular. Veja
que, de quem, do/da qual, dos/das quais. Vejamos os os exemplos:
exemplos a seguir: → Trata-se de fenômenos desconhecidos
→ Era uma atriz cuja beleza admiravam. → Precisa-se de marceneiros.

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CAPÍTULO 4 – SEMÂNTICA E ESTILÍSTICA É, por exemplo, um sentido figurado o de vapor ou de
vela como equivalentes de navio; mas ninguém entenderá o
DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO sentido próprio de corpo gasoso numa asserção como – “o
vapor encalhou”, da mesma sorte que – “uma frota de cem
Discutiremos, agora, um aspecto relevante: a distinção velas” é logo interpretada como de cem navios de vela e não
entre denotação e conotação. cem velas literalmente ditas nos cem respectivos mastros, o
Antes de diferenciarmos denotação e conotação, cite- que implicaria num número muito menor de embarcações.
BRUNO PILASTRE

mos, com nossas próprias palavras, a definição do linguista Analogamente, um viajante pode comunicar que – “já vai
F. Saussure para signo linguístico: entrar no vapor”, sem a menor possibilidade de sobressaltar
seus amigos pelo temor de vê-lo morrer sufocado.
Palavra-chave!
Signo linguístico é a unidade linguística constituída pela união Tipos de linguagem figurada
de um significante e um significado.

A linguagem figurada pode ser essencialmente de dois


Quando ouvimos ou lemos a palavra cachorro, reuni-
tipos:
mos, em um nível mental, o significante (imagem acústica)
ao significado (a noção “mamífero carnívoro da família dos
canídeos”): 1. Emprego de uma palavra para designar um conceito
com que o seu conceito próprio tem relação:
a) da parte para o todo, como cabeça em vez de rês;
/k/ /a/ /x/ /o/ /r/ /o/ (som) b) do princípio ativo para a coisa acionada, como va-
Cachorro (grafia) por em vez de navio;
→ c) de continente para conteúdo, como copo para uma
determinada porção de água;
d) de símbolo para coisa simbolizada, como bandeira
indicando partido político ou a pátria;
e) de instrumento para seu agente, como pena na
↓ ↓ acepção do escritor;
SIGNIFICANTE SIGNIFICADO f) de substância para objeto fabricado, como ferro cor-
respondente a espada ou punhal;
Nessa relação entre significante e significado, per- g) de elemento primordial em lugar de todo um conjun-
cebemos que a semântica da palavra cachorro corresponde to, como vela resumindo o navio de vela; etc.
aos semas específicos e genéricos, isto é, aos traços semân-
ticos mais constantes e estáveis. Estamos diante da denota- A todos estes empregos dá-se o nome de metonímia.
ção:
2. Emprego de uma palavra com a significação de outra,
Palavra-chave! sem que entre uma e outra coisa designada haja uma
Denotação é a relação significativa objetiva entre marca, ícone, relação real, mas apenas em virtude da circunstância
sinal, símbolo etc., e o conceito que eles representam. A deno- de que o nosso espírito as associa e depreende entre
tação é o elemento estável da significação da palavra, elemento
elas certas semelhanças.
não subjetivo e analisável fora do discurso (contexto).

Quando há semas virtuais, isto é, só atualizados em Se, ao exprimirmos nosso pensamento, tornamos explí-
determinado contexto, estamos diante da conotação. Por cita a associação, temos o que se chama uma comparação
exemplo, podemos afirmar que “o namorado de Fulana é em gramática. Diremos, então, que – A é como B, A parece
muito cachorro”. É claro que não caracterizaremos este B, A faz lembrar B.
homem como um “mamífero carnívoro da família dos caní- Podemos, porém, na base de uma semelhança, taci-
deos”. Na verdade, nesse contexto, em que há elementos tamente depreendida, substituir no momento da formulação
subjetivos, queremos dizer que o namorado de Fulana porta- verbal, uma palavra pela outra, e empregar B para designar
-se como um cachorro, que desconsidera os sentimentos de A. É o que se chama a metáfora.
sua parceira (ou das mulheres) e age por instinto. Percebe- Assim, porque assimilamos mentalmente a ação de
mos, então, que há inserções de informações semânticas à governar à de dirigir a marcha de um navio, construímos a
palavra cachorro, a qual está situada em um contexto dis- frase metafórica – “Franklin Roosevelt foi um magnífico piloto
cursivo. da nação norte-americana” – substituindo por piloto (B) uma
palavra A que realmente corresponderia às suas funções.
FIGURAS DE LINGUAGEM
Funções da linguagem
Figuras de linguagem e linguagem figurada
Função referencial (ou denotativa ou cognitiva):
Desviar uma palavra da sua significação própria, o que Aponta para o sentido real das coisas dos seres. É
tem em gramática o nome de linguagem figurada, é um fenô- quando a intenção é dar destaque ao referente, assunto, ou
meno normal na comunicação linguística. contexto.

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Função conativa (ou apelativa ou imperativa): Formas Variantes
Centra-se no sujeito receptor e é eminentemente per- Admitem mais de uma forma de grafia.
suasória. É quando a intenção é dar destaque ao receptor → Catorze – quatorze
da mensagem. → Cociente – quociente

Função emotiva (ou expressiva): Hiperonímia


Centra-se no sujeito emissor e tenta suscitar a impres- Entre vocábulos de uma língua, relação que se esta-
são de um sentimento verdadeiro ou simulado. É quando a belece com base na menor especificidade do significado de

PORTUGUÊS
intenção é dar destaque ao próprio emissor.
um deles.
Em suma, é qualquer palavra que transmite a ideia de
Função fática (ou de contato):
um todo. Ela funciona como uma matriz, á qual estão vincu-
Visa a estabelecer, prolongar ou interromper a comuni-
ladas as filiais.
cação e serve para testar a eficiência do canal. É quando a
intenção é dar destaque ao canal.
Hiponímia
Função metalinguística: Designa a palavra que indica cada parte ou cada item
Consiste numa recodificação e passa a existir quando a de um todo.
linguagem fala dela mesma. Serve para verificar se emissor
e receptor estão usando o mesmo repertório. É quando o Sinonímia
código é posto em destaque, quando a mensagem se des- É a relação que se estabelece entre duas palavras ou
tina a esclarecer ou fazer uma reflexão. Portanto, quando mais que apresentam significados iguais ou semelhantes.
um poema fala do ato de criar poemas, um filme tematiza o
próprio cinema, observa-se a função metalinguística. Antonímia
É a relação que se estabelece entre duas palavras ou
Função poética: mais que apresentam significados diferentes, contrários.
Centra-se na mensagem, que aqui é mais fim do que
meio. Opõe-se à função referencial porque nela predomi- Polissemia
nam a conotação e o subjetivismo. É quando a intenção é É a propriedade que uma mesma palavra tem de apre-
dar destaque à própria mensagem, para o modo como o sentar vários significados. Veja os exemplos:
texto é organizado.
→ Ponto
Palavras homônimas e parônimas
1. ponto de parada (1):
Costuma tomar o ônibus naquele ponto.
Homônimas
2. Livro, cartão, folha, onde se registra a entrada e
São palavras que têm a mesma pronúncia e, às vezes,
a mesma grafia, mas significação diferente. Podem ser saída diária do trabalho:
homófonas heterográficas, homógrafas heterofônicas e Esqueceu-se de assinar o ponto; Bateu o ponto na hora
homógrafas homófonas (homônimas perfeitas). Veja: exata.
3. Unidade que, nas bolsas de valores, exprime a varia-
(i) Homófonas heterográficas (homo = semelhante, ção dos índices:
igual; fono = som, fonema; gráfica = escrita, grafia; hetero: Estes papéis subiram cinco pontos em um mês.
diferente): mesmo som (pronúncia), mas com grafia dife­
rente. → Linha
→ Concerto (sessão musical) – conserto (reparo) 1. Fio de fibras de linho torcidas usado para coser,
→ Cerrar (fechar) – serrar (cortar) bordar, fazer renda etc.
2. Sinal elétrico que porta as mensagens enviadas por
(ii) Homógrafas heterofônicas: mesma grafia, mas meio de tal sistema de fios ou cabos, ou contato ou conexão
pronúncia diferente. entre aparelhos ligados a tal sistema:
→ Colher (substantivo) – colher (verbo) A linha está ocupada; O telefone não está dando linha.
→ Começo (substantivo) – começo (verbo) 3. Serviço regular de transporte entre dois pontos; car-
reira: linha férrea;
(iii) Homógrafas homófonas: são iguais na escrita e O fim da linha dos ônibus interestaduais fica próximo do
na pronúncia. centro da cidade.
→ Livre (adjetivo) – livre (verbo livrar)
4. Fut. os cinco jogadores atacantes; linha de ataque.
→ São (adjetivo) – são (verbo ser) – são (santo)
Ambiguidade
Parônimas
Ambiguidade é a propriedade que apresentam diversas
São as palavras parecidas na escrita e na pronúncia,
mas com significação diferentes. unidades linguísticas (morfemas, palavras, locuções, frases)
→ Cumprimento (saudação) – comprimento (extensão) de significar coisas diferentes, de admitir mais de uma lei-
→ Ratificar (confirmar) – retificar (corrigir) tura. A ambiguidade é um fenômeno muito frequente, mas,

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na maioria dos casos, os contextos linguístico e situacio- Ambíguo:
nal indicam qual a interpretação correta. Estilisticamente, é → Depois de examinar o paciente, uma senhora
indesejável em texto científico ou informativo, mas é muito chamou o médico.
usado na linguagem poética e no humorismo.
A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de iden- Vejamos como essa frase pode se tornar clara:
tificar-se a que palavra se refere um pronome que possui mais → Depois que o médico examinou o paciente, foi cha-
de um antecedente na terceira pessoa. Pode ocorrer com: mado por uma senhora.
BRUNO PILASTRE

a) pronomes pessoais: Léxico-semântica: Neologismos, Estrangeirismos e


Ambíguo: Empréstimos
→ O Ministro comunicou a seu secretariado que ele
seria exonerado.
Palavras-chave!
Vejamos como essa frase pode se tornar clara:
→ O Ministro comunicou exoneração dele a seu secre- Neologismo: emprego de palavras novas, derivadas ou forma-
tariado. das de outras já existentes, na mesma língua ou não. Atribuição
de novos sentidos a palavras já existentes na língua. Unidade
Ou então, caso o entendimento seja outro: léxica criada por esses processos.
→ O Ministro comunicou a seu secretariado a exonera-
ção deste. Estrangeirismo: palavra ou expressão estrangeira us. num
texto em vernáculo, tomada como tal e não incorporada ao léxico
da língua receptora; peregrinismo, xenismo.
b) pronomes possessivos e pronomes oblíquos:
Ambíguo: Empréstimo: incorporação ao léxico de uma língua de um termo
→ O Deputado saudou o Presidente da República, em pertencente a outra língua. Dá-se por diferentes processos, tais
seu discurso, e solicitou sua intervenção no seu Estado, como a reprodução do termo sem alteração de pronúncia e/ou
mas isso não o surpreendeu. grafia (know-how), ou com adaptação fonológica e ortográfica
(garçom, futebol).
Observe-se a multiplicidade de ambiguidade no exemplo
acima, as quais tornam virtualmente inapreensível o sentido Neologismo
da frase.
Vejamos como essa frase pode se tornar clara: Desenvolveremos este assunto com base em Azeredo
→ Em seu discurso o Deputado saudou o Presidente da (2008). Segundo o autor, qualquer língua em uso se modi-
República. No pronunciamento, solicitou a intervenção fede- fica constantemente. Um aspecto ilustrativo dessa proprie-
ral em seu Estado, o que não surpreendeu o Presidente da dade é a criação de novas formas lexicais ou acréscimos de
República. novas acepções a formas lexicais já existentes. Ao conjunto
de processos de renovação lexical de uma língua se dá o
c) pronome relativo: nome de neologia, e às formas e acepções criadas ou absor-
Ambíguo: vidas pelo seu léxico, neologismos. O autor observa que a
→ Roubaram a mesa do gabinete em que eu costu- introdução, assimilação e circulação de neologismos estão
mava trabalhar. sujeitas a fatores históricos e socioculturais. Vejamos alguns
exemplos:
Não fica claro se o pronome relativo da segunda oração
a) criações vernáculas formais (neologismos morfológi-
se refere a mesa ou a gabinete, essa ambiguidade se deve
cos): bafômetro, sem-terra, sem-teto, debiloide, demonizar.
ao pronome relativo que, sem marca de gênero. A solução é
b) criações vernáculas semânticas (neologismos
recorrer às formas o qual, a qual, os quais, as quais, que
semânticos): secar (causar má sorte, azarar), torpedo (men-
marcam gênero e número.
sagem curta por meio de celular).
Vejamos como essa frase pode se tornar clara:
→ Roubaram a mesa do gabinete no qual eu costumava
Estrangeirismo
trabalhar.

Se o entendimento é outro, então: A neologia compreende também criações vernáculas


→ Roubaram a mesa do gabinete na qual eu costumava e empréstimos de outras línguas, os estrangeirismos. Veja-
trabalhar. mos os tipos de estrangeirismos:
a) xenismos: o estrangeirismo conserva a forma grá-
d) oração reduzida: fica de origem, como em mouse, carpaccio, rack, drive-in,
Ambíguo: personal trainer.
Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o funcionário. b) adaptações: o estrangeirismo se submete à morfo-
logia do português, como em checar, randômico, banda.
Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima, c) decalques: há tradução literal do estrangeirismo,
deve-se deixar claro qual o sujeito da oração reduzida. como em alta costura (do francês haute couture), centro-
→ O Chefe admoestou o funcionário por ser este indis- avante (termo do futebol, equivalente ao termo inglês cen-
ciplinado. ter-forward).

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d) siglas/acrônimos: emprego das iniciais das palavras na separação entre orações coordenadas não unidas por
constitutivas da expressão estrangeira, como em PC (per- conjunção coordenativa e para indicar suspensão maior que
sonal computer), CD (compact disc). a da vírgula no interior de uma oração.

Empréstimo (ix) Travessão (–)


Empréstimo é a incorporação ao léxico de uma língua É importante não confundir o travessão com o traço de
de um termo pertencente a outra língua. O fenômeno dá-se união ou hífen. O travessão é um sinal constituído de traço
por diferentes processos, tais como a reprodução do termo horizontal maior que o hífen. O travessão pode substituir

PORTUGUÊS
sem alteração de pronúncia e/ou grafia, como em know- vírgulas, parênteses, colchetes e serve, entre outras coisas,
-how (conhecimento de normas, métodos e procedimentos para indicar mudança de interlocutores num diálogo, separar
em atividades profissionais, especialmente as que exigem título e subtítulo em uma mesma linha e assinalar expressão
formação técnica ou científica), ou com adaptação fonoló- intercalada.
gica e ortográfica (garçom, futebol).
(x) Parênteses ((parênteses))
Os parênteses indicam um isolamento sintático e
PONTUAÇÃO
semântico mais completo dentro do enunciado.
Significado dos principais sinais de pontuação
(xi) Colchetes ([colchetes])
Os colchetes são utilizados para isolar, quando neces-
(i) Ponto parágrafo (§)
sário, palavras ou sequência de palavras elucidativas dentro
O ponto parágrafo indica a divisão de um texto escrito. de uma sequência de unidades entre parênteses. Também é
Essa divisão é verificada pela mudança de linha, cuja função conhecido como parênteses retos.
é mostrar que as frases aí contidas mantêm maior relação
entre si do que com o restante do texto. (xii) Aspas (“aspas”)
É o sinal gráfico, geralmente alceado (colocado no alto),
(ii) Ponto final (.) que delimita uma citação, título etc. Também é usado para
O ponto final é o sinal de pontuação com que se realçar certas palavras ou expressões.
encerra uma frase ou um período.
(xiii) Chave ({chave})
(iii) Ponto de interrogação (?) A chave é usada em obras de caráter científico. Indica,
O ponto de interrogação é utilizado no fim da oração, usualmente, a reunião de itens relacionados entre si for-
a qual é enunciada com entonação interrogativa ou de incer- mando um grupo.
teza.
Emprego dos sinais de pontuação
(iv) Ponto de exclamação (!)
O ponto de exclamação é utilizado no fim da oração A seguir, apresentamos os principais empregos dos
enunciada com entonação exclamativa. Também se usa o sinais de pontuação. Tomamos por base teórica o Manual de
ponto de exclamação depois de interjeição. Redação da Presidência da República.

(v) Reticências (...) (i) Aspas


As reticências denotam interrupção ou incompletude As aspas têm os seguintes empregos:
do pensamento ou hesitação em enunciá-lo.
a) usam-se antes e depois de uma citação textual:
→ A Constituição da República Federativa do Brasil, de
(vi) Vírgula (,)
1988, no parágrafo único de seu artigo 1° afirma: “Todo o
A vírgula indica pausa ligeira e é usada para separar
poder emana do povo, que o exerce por meio de repre-
frases encadeadas entre si ou elementos dentro de uma
sentantes eleitos ou diretamente”.
frase.
b) dão destaque a nomes de publicações, obras de arte,
(vii) Dois-pontos (:)
intitulativos, apelidos, etc.:
O sinal de pontuação dois-pontos correspondente,
→ O artigo sobre o processo de desregulamentação foi
na escrita, a uma pausa breve da linguagem oral e a uma publicado no “Jornal do Brasil”.
entoação geralmente descendente. A sua função é preceder → A Secretaria da Cultura está organizando uma apre-
uma fala direta, uma citação, uma enumeração, um esclare- sentação das “Bachianas”, de Villa Lobos.
cimento ou uma síntese do que foi dito antes.
c) destacam termos estrangeiros:
(viii) Ponto e vírgula (;) → O processo da “détente” teve início com a Crise dos
O sinal de pontuação ponto e vírgula assinala pausa Mísseis em Cuba, em 1962.
mais forte que a da vírgula e menos acentuada que a do → “Mutatis mutandis”, o novo projeto é idêntico ao
ponto. Emprega-se, por exemplo, em enumerações, para anteriormente apresentado.
distinguir frases ou sintagmas de mesma função sintática, d) nas citações de textos legais, as alíneas devem
estar entre aspas:

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→ O tema é tratado na alínea “a” do artigo 146 da Os sinais de pontuação, ligados à estrutura sintá-
Constituição. tica, têm as seguintes finalidades:
a) assinalar as pausas e as inflexões da voz (a
Atualmente, no entanto, tem sido tolerado o uso de entoação) na leitura;
itálico como forma de dispensar o uso de aspas, exceto b) separar palavras, expressões e orações que,
na hipótese de citação textual. segundo o autor, devem merecer destaque;
c) esclarecer o sentido da frase, eliminando am-
BRUNO PILASTRE

IMPORTANTE! biguidades.
A pontuação do trecho que figura entre aspas seguirá as regras
gramaticais correntes. Caso, por exemplo, o trecho transcrito (i) Vírgula
entre aspas terminar por ponto-final, este deverá figurar antes A vírgula serve para marcar as separações breves
do sinal de aspas que encerra a transcrição. Exemplo: de sentido entre termos vizinhos, as inversões e as
→ O art. 2º da Constituição Federal – “São Poderes da intercalações, quer na oração, quer no período.
União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, A seguir, indicam-se alguns casos principais de
o Executivo e o Judiciário.” – já figurava na Carta anterior. emprego da vírgula:

a) para separar palavras ou orações paralelas jus-


(ii) Parênteses
Os parênteses são empregados nas orações ou tapostas, isto é, não ligadas por conjunção:
expressões intercaladas. Observe que o ponto-final vem → Chegou a Brasília, visitou o Ministério das Rela-
antes do último parêntese quando a frase inteira se acha ções Exteriores, levou seus documentos ao Palácio do
contida entre parêntese: Buriti, voltou ao Ministério e marcou a entrevista.
→ “Quanto menos a ciência nos consola, mais → Simplicidade, clareza, objetividade, concisão
adquire condições de nos servir.” (José Guilherme Mer- são qualidades a serem observadas na redação oficial.
quior).
→ O Estado de Direito (Constituição Federal, art. 1º) b) as intercalações, por cortarem o que está sinta-
define-se pela submissão de todas as relações ao Direito. ticamente ligado, devem ser colocadas entre vírgulas:
→ O processo, creio eu, deverá ir logo a julga-
(iii) Travessão mento.
O travessão (–) é empregado nos seguintes casos: → A democracia, embora (ou mesmo) imperfeita,
ainda é o melhor sistema de governo.
a) substitui parênteses, vírgulas, dois-pontos:
→ O controle inflacionário – meta prioritária do
c) expressões corretivas, explicativas, escusativas,
Governo – será ainda mais rigoroso.
tais como isto é, ou melhor, quer dizer, data venia,
→ As restrições ao livre mercado – especialmente
o de produtos tecnologicamente avançados – podem ser ou seja, por exemplo, etc., devem ser colocadas entre
muito prejudiciais para a sociedade. vírgulas:
→ O político, a meu ver, deve sempre usar uma lin-
b) indica a introdução de enunciados no diálogo: guagem clara, ou seja, de fácil compreensão.
→ Indagado pela comissão de inquérito sobre a pro- → As Nações Unidas decidiram intervir no conflito,
cedência de suas declarações, o funcionário respondeu: ou por outra, iniciaram as tratativas de paz.
– Nada tenho a declarar a esse respeito.
d) Conjunções coordenativas intercaladas ou
c) indica a substituição de um termo, para evitar pospostas devem ser colocadas entre vírgulas:
repetições: → Dedicava-se ao trabalho com afinco; não obti-
→ O verbo fazer (vide sintaxe do verbo –), no sentido nha, contudo, resultados.
de tempo transcorrido, é utilizado sempre na 3ª pessoa do
→ O ano foi difícil; não me queixo, porém.
singular: faz dois anos que isso aconteceu.
→ Era mister, pois, levar o projeto às últimas con-
sequências.
d) dá ênfase a determinada palavra ou pensamento
que segue:
→ Não há outro meio de resolver o problema – pro- e) Vocativos, apostos, orações adjetivas não-
mova-se o funcionário. -restritivas (explicativas) devem ser separados por
→ Ele reiterou suas ideias e convicções – energica- vírgula:
mente. → Brasileiros, é chegada a hora de buscar o
Pontuação relacionada à estrutura sintática entendimento.
→ Aristóteles, o grande filósofo, foi o criador da
Esta é uma seção muito cobrada em concursos públi- Lógica.
cos. O domínio da pontuação em contexto sintático é funda- → O homem, que é um ser mortal, deve sempre
mental para a resolução de diversas questões. pensar no amanhã.

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f) a vírgula também é empregada para indicar a dia 1º de janeiro de 2013: Objetividade, concisão e come-
elipse (ocultação) de verbo ou outro termo anterior: dimento. No artigo, o autor observa que há em nossa Jus-
→ O decreto regulamenta os casos gerais; a porta- tiça excesso de argumentos desimportantes, de linguagem
ria, os particulares. redundante e com adjetivos demais e de mesuras desmedi-
[A vírgula indica a elipse do verbo regulamenta] das. A leitura do texto se faz importante pelo fato de ressal-
→ Às vezes procura assistência; outras, toma a ini- tar a importância da linguagem em nossa sociedade.
ciativa.
[A vírgula indica a elipse da palavra vezes] Objetividade, concisão e comedimento

PORTUGUÊS
g) nas datas, separam-se os topônimos: Não poderia ter sido mais feliz a receita para o aper-
→ São Paulo, 22 de março de 1991. feiçoamento da Justiça brasileira formulada pelo ministro
→ Brasília, 15 de agosto de 1991. Joaquim Barbosa, em seu objetivo, conciso e comedido
discurso de posse na presidência do Supremo Tribunal
IMPORTANTE! Federal. Para o novo presidente da Corte Suprema, pre-
cisamos de uma Justiça "sem firulas, sem floreios e sem
É importante registrar que constitui inadequação usar a vírgula
rapapés".
entre termos que mantêm entre si estreita ligação sintática – por
Firulas são argumentos artificialmente complexos,
exemplo, entre sujeito e verbo, entre verbos ou nomes e seus
usados como expediente diversionista, para impedir ou
complementos.
retardar a apreciação da essência das questões em jul-
→ O Presidente da República, indicou, sua posição no
assunto. (Inadequado) gamento (o mérito da causa). Apegos a detalhes formais
→ O Presidente da República indicou sua posição no sem importância é um exemplo de firula.
assunto. (Adequado) Floreios são exageros no uso da linguagem, oral ou
escrita. Expediente empregado em geral no disfarce da
falta de conteúdo do discurso, preenche-o de redundân-
(ii) Ponto e vírgula cias, hipérboles e adjetivações.
O ponto e vírgula, em princípio, separa estruturas E rapapés são mesuras desmedidas que mal escon-
coordenadas já portadoras de vírgulas internas. É também dem um servilismo anacrônico. Todos devemos nos tratar
usado em lugar da vírgula para dar ênfase ao que se quer com respeito e cordialidade, dentro e fora dos ambientes
dizer. Exemplo: judiciários, mas sempre com o virtuoso comedimento.
→ Sem virtude, perece a democracia; o que mantém o Firulas, floreios e rapapés são perniciosos porque
governo despótico é o medo. redundam em inevitável desperdício de tempo, energia e
→ As leis, em qualquer caso, não podem ser infringi- recursos. Combater esses vícios de linguagem, por isso,
das; mesmo em caso de dúvida, portanto, elas devem ser tem todo o sentido no contexto do aprimoramento da Jus-
respeitadas. tiça.
O oposto da firula é a objetividade; o contrário dos
(iii) Dois-pontos floreios é a concisão; a negação dos rapapés é o comedi-
Emprega-se este sinal de pontuação para introduzir mento. A salutar receita do ministro Barbosa recomenda
citações, marcar enunciados de diálogo e indicar um escla- discursos objetivos, concisos e comedidos. São discursos
recimento, um resumo ou uma consequência do que se afir- que, aliás, costumam primar pela elegância.
mou. Exemplo: É uma recomendação dirigida a todos os profissio-
→ Como afirmou o Marquês de Maricá em suas Máxi- nais jurídicos: magistrados, promotores e advogados.
mas: “Todos reclamam reformas, mas ninguém se quer Precisam todos escrever e falar menos, para dizerem
reformar.” mais.
Arrazoados jurídicos e decisões longas são relativa-
(iv) Ponto de interrogação mente recentes.
O ponto-de-interrogação, como se depreende de seu Nas primeiras décadas do século passado, elas
nome, é utilizado para marcar o final de uma frase interro- ainda eram escritas à mão. Isso por si só já estabele-
gativa direta: cia um limite (por assim dizer, físico) aos arroubos. Os
→ Até quando aguardaremos uma solução para o pareceres de Clóvis Beviláqua, o autor do anteprojeto
caso? do Código Civil de 1916, tinham cerca de cinco ou seis
laudas.
(v) Ponto de exclamação Depois, veio a máquina de escrever. Embora tenha
O ponto-de-exclamação é utilizado para indicar sur- tornado a confecção de textos menos cansativa, ela
presa, espanto, admiração, súplica, etc.
também impunha limites físicos à extensão. No tempo
do manuscrito e da datilografia, o tamanho do texto era
COMPREENSÃO (OU INTELECÇÃO) E INTERPRETAÇÃO DE
sempre proporcional ao tempo gasto na produção do
TEXTOS
papel.

Iniciamos nossos trabalhos com o artigo de Fábio


Ulhoa Coelho, publicado no jornal Folha de São Paulo no

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VIII – Se o enunciado mencionar tema ou ideia principal,
O computador rompeu decididamente este limite.
deve-se examinar com atenção a introdução e/ou a
Com o "recorta e cola" dos programas informatizados de
conclusão.
redação, produzem-se textos de extraordinárias dimen-
IX – Se o enunciado mencionar argumentação, deve
sões em alguns poucos segundos.
pre­ocupar-se com o desenvolvimento.
Os profissionais do direito não têm conseguido resis-
X – Tomar cuidado com os vocábulos relatores (os que
tir à tentação de fabricar alentados escritos abusando
remetem a outros vocábulos do texto: pronomes
BRUNO PILASTRE

dos recursos da informática. Clientes incautos ainda são


relativos, pronomes pessoais, pronomes demons­
impressionáveis e ficam orgulhosos com a robustez das
trativos etc.).
peças de seu advogado.
Claro, há questões de grande complexidade, que Proponho, como exercício, aplicar os “Dez mandamen-
exigem dos profissionais do direito maiores digressões tos” à leitura do texto de Ulhoa.
e fundamentações, gerando inevitavelmente textos mais Vejamos, agora, como Bechara define compreensão e
extensos. Tamanho exagerado nem sempre, assim, é interpretação de texto:
sinônimo de firula, floreio ou rapapé. Mas é um bom indi-
cativo destes vícios, porque os casos realmente difíceis COMPREENSÃO OU INTELECÇÃO DE TEXTO
correspondem à minoria e são facilmente reconhecidos
pelos profissionais da área. Não se justifica grande gasto Consiste em analisar o que realmente está escrito,
de papel e tinta na significativa maioria dos processos ou seja, coletar dados do texto. O enunciado normalmente
em curso. assim se apresenta:
Pois bem. Se a receita do ministro Barbosa melhora → As considerações do autor se voltam para...
a Justiça, então a questão passa a ser a identificação → Segundo o texto, está correta...
de medidas de incentivo ao discurso objetivo, conciso e → De acordo com o texto, está incorreta...
comedido. A renovação da linguagem jurídica necessita → Tendo em vista o texto, é incorreto...
de vigorosos estímulos. → O autor sugere ainda...
Alegar que estimular maior objetividade fere o → De acordo com o texto, é certo...
direito de acesso ao Judiciário ou à ampla defesa é firula. → O autor afirma que...
Lamentar que a concisão importa perda de certo tempero
literário das peças processuais é floreio. Objurgar que o Interpretação de Texto
comedimento agride a tradição é rapapé.
Se a exortação do ministro Barbosa desencadear, Consiste em saber o que se infere (conclui) do que está
como se espera, a renovação da linguagem jurídica, a escrito. O enunciado normalmente é encontrado da seguinte
sua posse na presidência do Supremo Tribunal Federal maneira:
se tornará ainda mais histórica. → O texto possibilita o entendimento de que...
→ Com apoio no texto, infere-se que...
(Fábio Ulhoa Coelho. Objetividade, concisão e comedimento.
→ O texto encaminha o leitor para...
Folha de São Paulo 1º de janeiro de 2013)
→ Pretende o texto mostrar que o leitor...
Após a leitura do texto de Fábio Ulhoa Coelho, veja- → O texto possibilita deduzir-se que...
mos o que Evanildo Bechara nos diz sobre como analisar
um texto: Três erros capitais na análise de textos

Os dez mandamentos para a análise de textos: Para o gramático, há três erros capitais na análise de
textos: extrapolação, redução e contradição.
I – Ler duas vezes o texto. A primeira para tomar con­
tato com o assunto; a segunda para observar como (i) Extrapolação
o texto está articulado; desenvolvido. É o fato de se fugir do texto. Ocorre quando se interpreta
II – Observar que um parágrafo em relação ao outro o que não está escrito. Muitas vezes são fatos reais, mas
pode indicar uma continuação ou uma conclusão que não estão expressos no texto. Deve-se ater somente ao
ou, ainda, uma falsa oposição. que está relatado.
III – Sublinhar, em cada parágrafo, a ideia mais impor­
tante (tópico frasal). (ii) Redução
IV – Ler com muito cuidado os enunciados das questões É o fato de se valorizar uma parte do contexto, dei-
para entender direito a intenção do que foi pedido. xando de lado a sua totalidade. Deixa-se de considerar o
V – Sublinhar palavras como: erro, incorreto, correto texto como um todo para se ater apenas à parte dele.
etc., para não se confundir no momento de respon­
der à questão. (iii) Contradição
VI – Escrever, ao lado de cada parágrafo, ou de cada É o fato de se entender justamente o contrário do que
estrofe, a ideia mais importante contida neles. está escrito. É bom que se tome cuidado com algumas pala-
VII – Não levar em consideração o que o autor quis dizer, vras, como: “pode”; “deve”; “não”; verbo “ser” etc.
mas sim o que ele disse; escreveu. (Bechara, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa.
Rio de Janeiro, 2006). (Com adaptações)

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Assunto, tema, tese, título, ponto de vista, argu­ Elementos da Narrativa
mentação
Os elementos que compõem a narrativa são:
Quando vamos escrever uma redação, precisamos → Foco narrativo (1º e 3º pessoa);
saber qual o assunto que desejamos abordar. Os assuntos → Personagens (protagonista, antagonista e coadju-
são praticamente infindáveis: família, sexo, amor, dinheiro, vante);
estudo, violência, guerra, desemprego, política, senado, cor-
→ Narrador (narrador-personagem, narrador-observa-
rupção, igreja, fé, ateísmo, enfim.
dor);
O tema e o título são, com muita frequência, empre-

PORTUGUÊS
→ Tempo (cronológico e psicológico);
gados como sinônimos. Contudo, apesar de serem partes
de um mesmo tipo de composição, são elementos bem dife- → Espaço.
rentes. O tema é o assunto, já delimitado, a ser abordado;
a ideia que será por você defendida e que deverá aparecer Foco Narrativo
logo no primeiro parágrafo. Já o título é uma expressão, ou
até uma só palavra, centrada no início do trabalho; ele é uma Cada uma das histórias que lemos, ouvimos ou escre-
vaga referência ao assunto (tema). vemos é contada por um narrador.
Tese: assim como todo assunto pode ser limitado a um Nos exercícios de leitura, assim como nas experiências
tema específico, o tema por sua vez também pode e deve de escrita, é fundamental a preocupação com o narrador.
ser restringido a uma tese ou proposição. Grosso modo, podemos distinguir três tipos de narra-
Ponto de vista: é associada à ótica. Pode ser na ótica dor, isto é, três tipos de foco narrativo:
de uma criança, de um adulto, de uma mulher; de uma → narrador-personagem;
pessoa letrada, de um explorado ou do explorador.
→ narrador-observador;
A argumentação é um recurso que tem como propó-
→ narrador-onisciente.
sito convencer alguém, para que esse tenha a opinião ou o
comportamento alterado.
O narrador-personagem conta na 1ª pessoa a história
TIPOLOGIA TEXTUAL da qual participa também como personagem.
Ele tem uma relação íntima com os outros elementos
Por tipologia textual (ou tipo textual) entende-se uma da narrativa. Sua maneira de contar é fortemente marcada
espécie de construção teórica definida pela natureza linguís- por características subjetivas, emocionais. Essa proximi-
tica de sua composição (ou seja, os aspectos lexicais, sintá- dade com o mundo narrado revela fatos e situações que um
ticos, tempos verbais, relações lógicas, estilo). narrador de fora não poderia conhecer. Ao mesmo tempo,
Apresento, a título de caracterização e distinção, quatro essa mesma proximidade faz com que a narrativa seja par-
tipologias importantes para a produção textual: narração, cial, impregnada pelo ponto de vista do narrador.
descrição, dissertação e argumentação. O narrador-observador conta a história do lado de
Para essa obra, seguirei a classificação de Othon M. fora, na 3ª pessoa, sem participar das ações. Ele conhece
Garcia, o qual distingue a dissertação da argumentação. todos os fatos e, por não participar deles, narra com certa
Para o autor, como veremos, uma e outra possuem caracte-
neutralidade, apresenta os fatos e os personagens com
rísticas próprias.
imparcialidade. Não tem conhecimento íntimo dos persona-
Narração gens nem das ações vivenciadas.
O narrador-onisciente conta a história em 3ª pessoa.
A narração é o ato de contar, relatar fatos, histórias. Ele conhece tudo sobre os personagens e sobre o enredo,
Neste ato, involuntariamente, respondemos às perguntas: o sabe o que passa no íntimo das personagens, conhece suas
quê, onde, quem, como, quando, por quê. Nas histórias, emoções e pensamentos.
há a presença de personagens que praticam e/ou sofrem
ações, ocorridas em um tempo e espaço físico. A ação é O Enredo
obrigatória. Isso significa que não existe narração sem ação. O enredo é a estrutura da narrativa, o desenrolar
O núcleo da narração é o incidente, o episódio, e o que a dis- dos acontecimentos gera um conflito que por sua vez é o
tingue da descrição é a presença de personagens atuantes. responsável pela tensão da narrativa.
Veja-se o trecho abaixo, em que Sahrazad narra uma
história ao rei: Os Personagens
Os personagens são aqueles que participam da
Disse Sahrazad: conta-se, ó rei venturoso, de parecer bem orien- narrativa, podem ser reais ou imaginários, ou a personifica-
tado, que certo mercador vivia em próspera condição, com abun- ção de elementos da natureza, ideias, etc.
dantes cabedais, dadivosos, proprietário de escravos e servos,
Dependendo de sua importância na trama os per-
de várias mulheres e filhos; em muitas terras ele investira,
fazendo empréstimos ou contrariando dívidas. Em dada manhã, sonagens podem ser principais ou secundários.
ele viajou para um desses países: montou um de seus animais,
no qual pendurara um alforje com bolinhos e tâmaras que lhe O Espaço
serviriam como farnel, e partiu em viagem por dias e noites, e O espaço onde transcorrem as ações, onde os
Deus já escrevera que ele chegaria bem e incólume à terra para personagens se movimentam auxilia na caracterização dos
onde rumava; [...]. personagens, pois pode interagir com eles ou por eles ser
(Livro das mil e uma noites – volume I – ramo sírio) transformado.

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O Tempo Discurso indireto livre: é uma combinação dos dois
A duração das ações apresentadas numa narrativa anteriores, confundindo as intervenções do narrador com as
caracteriza o tempo (horas, dias, anos, assim como a noção dos personagens. É uma forma de narrar econômica e dinâ-
de passado, presente e futuro). mica, pois permite mostrar e contar os fatos a um só tempo.
O tempo pode ser cronológico (fatos apresentados na
ordem dos acontecimentos) ou psicológico (tempo perten- Enlameado até a cintura, Tiãozinho cresce de ódio. Se pudesse
cente ao mundo interior do personagem). matar o carreiro... Deixa eu crescer!... Deixa eu ficar grande!...
BRUNO PILASTRE

Quando lidamos com o tempo psicológico, a técnica do Hei de dar conta deste danisco... Se uma cobra picasse seu
flash back é bastante explorada, uma vez que a narrativa Soronho... Tem tanta cascavel nos pastos... Tanta urutu, perto
volta no tempo por meio das recordações do narrador. de casa... se uma onça comesse o carreiro, de noite... Um onção
O narrador pode se posicionar de diferentes maneiras grande, da pintada... Que raiva!...
Mas os bois estão caminhando diferente. Começaram a prestar
em relação ao tempo dos acontecimentos - pode narrar os
atenção, escutando a conversa de boi Brilhante. 
fatos no tempo em que eles estão acontecendo; pode narrar
(Guimarães Rosa. Sagarana. Rio de Janeiro, José Olympio,
um fato perfeitamente concluído; pode entremear presente e 1976.)
passado, utilizando a técnica de flash back.
Há, também, o tempo psicológico, que reflete angústias Descrição
e ansiedades de personagens e que não mantém nenhuma
relação com o tempo cronológico, cuja passagem é alheia à A descrição é o ato de enumerar, sequenciar, listar
nossa vontade. Falas como "Ah, o tempo não passa..." ou características de seres, objetos ou espaços com o objetivo
"Esse minuto não acaba!" refletem o tempo psicológico. de formar uma imagem mental no leitor/ouvinte. As carac-
terísticas podem ser físicas e/ou psicológicas (no caso de
A Gramática na Narração
seres ou elementos antropomórficos).
Descrever é representar verbalmente um objeto, uma
Num texto narrativo, predominam os verbos de ação:
pessoal, um lugar, mediante a indicação de aspectos carac-
há, em geral, um trabalho com os tempos verbais. Afinal, a
terísticos, de pormenores individualizantes. Requer obser-
narração, ou seja, o desenrolar de um fato, de um aconteci-
vação cuidadosa, para tornar aquilo que vai ser descrito um
mento, pressupõe mudanças; isso significa que se estabele-
modelo inconfundível. Não se trata de enumerar uma série
cem relações anteriores, concomitantes e posteriores.
de elementos, mas de captar os traços capazes de transmitir
Ao optar por um dos tipos de discursos, organizamos o
uma impressão autêntica. Descrever é mais que apontar, é
texto de forma diferente. Os verbos de elocução, os conecti-
muito mais que fotografar. É pintar, é criar. Por isso, impõe-
vos, a pontuação, a coordenação ou a subordinação passam
-se o uso de palavras específicas.
a ter papel relevante na montagem do texto.
Veja-se a descrição a seguir, em que Tchekhov des-
Ao transformar o discurso direto em indireto (ou vice-
-versa), realizamos uma grande alteração na arquitetura do creve uma paisagem:
texto.
Depois das propriedades dos camponeses, começava um bar-
Discurso direto: o narrador apresenta a própria perso- ranco abrupto e escarpado, que terminava no rio; aqui e ali, no
meio da argila, afloravam pedras enormes. Pelo declive, perto
nagem falando diretamente, permitindo ao autor mostrar o
das pedras e das valas escavadas pelos ceramistas, corriam tri-
que acontece em lugar de simplesmente contar. lhas sinuosas, entre verdadeiras montanhas de cacos de louça,
ora pardos, ora vermelhos, e lá embaixo se estendia um prado
Lavador de carros, Juarez de Castro, 28 anos, ficou desolado, vasto, plano, verde-claro, já ceifado, onde agora vagava o reba-
apontando para os entulhos: “Alá minha frigideira, alá meu escor- nho de camponeses.
redor de arroz. Minha lata de pegar água era aquela. Ali meu (Anton Tchekhov. O assassinato e outras histórias)
outro tênis.” 
(Jornal do Brasil, 29 de maio 1989). Dissertação

Discurso indireto: o narrador interfere na fala da per- A dissertação tem por objetivo principal expor ou
sonagem. Ele conta aos leitores o que a personagem disse, explanar, explicitar ou interpretar ideias, fatos, fenômenos.
mas conta em 3ª pessoa. As palavras da personagem não Na dissertação, apresentamos o que sabemos ou acredita-
são reproduzidas, mas traduzidas na linguagem do narrador. mos saber a respeito de determinado assunto. Nessa expo-
sição, podemos apresentar, sem combater (argumentar),
Dario vinha apressado, o guarda-chuva no braço esquerdo e, ideias de que discordamos ou que nos são indiferentes. Ou
assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encos-
seja, eu posso discorrer (dissertar) sobre partidos políticos
tando-se à parede de uma casa. Foi escorregando por ela, de
com absoluta isenção, apresentado os diversos partidos
costas, sentou-se na calçada, ainda úmida da chuva, e descan-
sou no chão o cachimbo. políticos em totalidade, dando deles a ideia exata, fiel, sem
Dois ou três passantes rodearam-no, indagando se não estava tentar convencer o meu leitor das qualidades ou falhas de
se sentindo bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, mas não partido A ou B. Não procuro, nesse caso, formar a opinião
se ouviu resposta. Um senhor gordo, de branco, sugeriu que ele de meu leitor; ao contrário, deixo-o em inteira liberdade de
devia sofrer de ataque. se decidir por se filiar a determinado partido.
(Dalton Trevisan. Cemitério de elefantes. Rio de Janeiro, Civili- No excerto a seguir, de Gilberto Amado, observamos
zação Brasileira, 1964)
que o autor apenas mostra certas características do Brasil.

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Não há, em nenhuma parte do texto, recursos argumentati- Distinção entre Prosa e Poema
vos que visam ao convencimento do leitor (característica da
argumentação). Observe: Por Prosa entende-se a expressão natural da linguagem
escrita ou falada, sem metrificação intencional e não sujeita
No seu aspecto exterior, na sua constituição geográfica, a ritmos regulares. No texto escrito, observamos o texto em
o Brasil é um todo único. Não o separa nenhum lago interior, Prosa quando há organização em linha corrida, ocupando
nenhum mar mediterrâneo. As montanhas que se erguem dentro toda a extensão da página. Há, também, organização em
dele, em vez de divisão, são fatores de unidade. Os seus rios parágrafos, os quais apresentam certa unidade de sentido.

PORTUGUÊS
prendem e aproximam as populações entre si, assim os que
Esta obra é organizada, por exemplo, em prosa.
correm dentro do país como os que marcam fronteiras.
Já o poema é uma composição literária em que há carac-
Por sua produção e por seu comércio, é o Brasil um dos
raros países que se bastam em si mesmos, que podem prover terísticas poéticas cuja temática é diversificada. O poema
ao sustento e assegurar a existência de seus filhos. De norte a apresenta-se sob a forma de versos. O verso é cada uma das
sul e de leste a oeste, os brasileiros falam a mesma língua quase linhas de um poema e caracteriza-se por possuir certa linha
sem variações dialetais. Nenhuma memória de outros idiomas melódica ou efeitos sonoros, além de apresentar unidade de
subjacentes na sua formação perturba a unidade íntima da cons- sentido. O conjunto de versos equivale a uma estrofe. Há
ciência do brasileiro na enunciação e na comunicação do seu diversas maneiras de se dispor graficamente as estrofes (e os
pensamento e do seu sentimento.
versos) – e isso dependerá do período literário a que a obra
(Gilberto Amado. Três livros)
se filia e à criatividade do autor. Veja dois exemplos:
Argumentação

Na argumentação, procuramos formar a opinião do


leitor ou ouvinte, objetivando convencê-lo de que a razão (o
discernimento, o bom senso, o juízo) está conosco, de que
nós é que estamos de posse da verdade.
Caso eu seja filiado a determinado partido político e
produza um texto em que objetivo demonstrar, comprovar
as vantagens, a conveniência, a coerência, a qualidade, a
verdade de meu partido (em oposição aos demais), estou
argumentando. Em suma, argumentar é convencer ou tentar
convencer mediante a apresentação de razões, em face da
evidência de provas e à luz de um raciocínio coerente e con-
sistente.
O texto a seguir, de autoria de Sérgio Buarque de
Holanda, é um exemplar de texto argumentativo. Perceba
que o autor posiciona-se em relação aos fatos e defende (Ronando Azeredo)
uma tese. O autor claramente procura convencer o leitor.
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas von-
No mínimo que fazes.
tades particularistas, de que a família é o melhor exemplo. Não
Assim em cada lago a lua toda
existe, entre o círculo familiar e o Estado, uma gradação, mas
Brilha, porque alta vive.
antes uma descontinuidade e até uma oposição. A indistinção
(Ricardo Reis)
fundamental entre as duas formas é prejuízo romântico que teve

os seus adeptos mais entusiastas durante o século décimo nono.
De acordo com esses doutrinadores, o Estado e as suas insti-
Na seção seguinte apresentaremos os elementos do
tuições descenderiam em linha reta, e por simples evolução da texto argumentativo.
Família. A verdade, bem outra, é que pertencem a ordens dife-
rentes em essência. Só pela transgressão da ordem doméstica Argumentação
e familiar é que nasce o Estado e que o simples indivíduo se faz
cidadão, contribuinte, eleitor, elegível, recrutável e responsável, Condições da argumentação
ante as leis da Cidade. Há nesse fato um triunfo do geral sobre A argumentação deve ser construtiva, cooperativa e
o particular, do intelectual sobre o material, do abstrato sobre
útil. Deve basear-se, antes de tudo, nos princípios da lógica.
o corpóreo e não uma depuração sucessiva, uma espiritualiza-
ção de formas mais naturais e rudimentares, uma procissão das
A argumentação deve lidar com ideias, princípios ou fatos.
hipóstases, para falar como na filosofia alexandrina. A ordem
familiar, em sua forma pura, é abolida por uma transcendência. Consistência dos argumentos – evidências
(Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil)
A argumentação é fundamentada em dois elementos
Para finalizar esta seção, realizo a distinção entre principais: a consistência do raciocínio e a evidência das
Prosa e Poema. provas. Tratamos, nesta seção, do segundo aspecto: a evi-
dência das provas.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
Há cinco tipos mais comuns de evidência das provas: O testemunho
os fatos, os exemplos, as ilustrações, os dados estatísti-
cos e o testemunho. Vamos conhecer cada um em síntese: A evidência por testemunho é composta por uma afirma-
ção fundamentada, por um depoimento, uma comprovação. É
Os fatos um fato trazido à composição por intermédio de terceiros. O
testemunho por autoridade é um recurso que possui alto valor
Os fatos constituem o elemento mais importante da argu- de prova. Se, em minha produção, defendo que o sistema de
transporte público no Brasil precisa de planejamento estratégico
BRUNO PILASTRE

mentação (bem como da dissertação).


É possível afirmar que só os fatos provam, convencem. (longo prazo), posso trazer a voz (realizações, propostas, ideias)
Porém, é importante lembrar que nem todos os fatos são irrefu- de uma autoridade no assunto. No caso do tema proposto (trans-
táveis. O valor de prova de certos fatos está sujeito à evolução porte público), posso citar as propostas de Jaime Lerner, arqui-
da ciência, da técnica e dos próprios conceitos utilizados. teto e urbanista brasileiro que propôs a abertura de vias exclusi-
É claro que há fatos que são evidentes ou notórios. Esses vas para os ônibus urbanos na cidade de Curitiba-PR, na década
são os que mais provam. Afirmar que no Brasil há desigualdade de 70.
social é um fato, por exemplo.
A proposição
Os exemplos
Por proposição entende-se a expressão linguística de
uma operação mental (o juízo) composta de sujeito, verbo
Os exemplos são caracterizados por revelar fatos típicos
(sempre redutível ao verbo ser) e atributo. Toda proposição
ou representativos de determinada situação. O fato de o moto-
rista Fulano de Tal ter uma jornada de trabalho de 12 horas diá-
é passível de ser verdadeira ou falsa. A frase a seguir é uma
rias é um exemplo típico dos sacrifícios a que estão sujeitos proposição:
esses profissionais, revelando uma das falhas do setor de trans- → O sistema educacional no Brasil é ineficiente.
porte público.
Segundo os critérios de produção textual, a proposi-
As ilustrações
ção deve ser clara, definida, inconfundível quanto ao que
se afirma ou nega. Outro fator indispensável é o fato de que
A ilustração ocorre quando o exemplo se alonga em nar- toda proposição tem de ser argumentável. Isso quer dizer
rativa detalhada e entremeada de descrições. Observe que a que frases como
ilustração é um recurso utilizado pela argumentação. Não deve, → Todo homem é mortal.
portanto, ser o centro da produção. Não são argumentáveis, pois essa afirmação é uma
Imagine um texto argumentativo que procura comprovar, verdade universal, indiscutível, incontestável.
por evidência, a falta de planejamento habitacional em algumas É indicado, também, que a proposição seja afirmativa
cidades serranas. Nessas cidades, há construções irregulares e suficientemente específica para permitir uma tomada de
próximas a encostas. Essas encostas ficam frágeis em épocas posição contra ou a favor. Não é possível argumentar sobre
chuvosas. É possível, assim, ilustrar essa situação com um caso generalidades como:
hipotético ou real. No caso da ilustração hipotética, é necessário → A maioridade penal
que haja verossimilhança e consistência no relato. Registro que → O SUS
o valor de prova da ilustração hipotético é muito relativo.
Um caso real, o qual pode ser citado no texto-exemplo, é Proposições vagas ou inespecíficas não permitem
o da família do lavrador Francisco Edézio Lopes, de 46 anos. tomada de posição. Assim, apenas a dissertação (isto é,
Edézio e seus familiares, moradores do distrito de Jamapará, explanação ou interpretação) cabe a esses temas. Caso se
em Sapucaia, no centro sul-fluminense, procuraram abrigo no
queira realizar uma argumentação, faz-se necessário deli-
carro durante o temporal e acabaram arrastados pela enxurrada.
mitá-las e apresentá-las em termos de tomada de posição,
Todos morreram.
como em:
Observe, mais uma vez, que a ilustração tem a função de
→ Deficiências do SUS na promoção de ações de pre-
ilustrar a tese e deve ser clara, objetiva, sintomática e obvia-
mente relacionada com a proposição.
ventivas à população

Assim, a proposição acima é passível de argumen-


Os dados estatísticos
tação, pois admite divergência de opiniões (O Ministro da
Saúde – José Padilha – terá uma opinião diferente da apre-
Os dados estatísticos também são fatos, mas possuem
uma natureza mais específica e possuem grande valor de con-
sentada por um paciente, o qual escreveu o texto com o
vicção, constituindo quase sempre prova ou evidência incontes- título “Deficiências do SUS na promoção de ações de pre-
tável. Quanto mais específico e completo for o dado, melhor. ventivas à população”).
Ademais, é importante que haja fonte, pois os dados não Observe, por fim, a importância de o autor do texto
surgem naturalmente. Assim, afirmar que o índice de analfabe- definir, logo de início, a sua posição de maneira inequívoca
tismo por raça no Brasil é de 14% para os negros e 6,1% para (isto é, de modo que o leitor saiba exatamente o que se pre-
os brancos é diferente de afirmar que a Pesquisa Nacional por tende provar). No caso do título sobre o SUS, sabe-se que o
Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro autor procurará demonstrar as deficiências do SUS no que
de Geografia e Estatística (IBGE) em 2007, revela que índice de concerne à promoção de ações preventivas da população.
analfabetismo por raça no Brasil é de 14% para os negros e 6,1%
para os brancos. A segunda proposição é mais convincente, pois A conclusão
há referência explícita à fonte.
A conclusão da argumentação “surge” naturalmente das
provas apresentadas, dos argumentos utilizados. A conclusão

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é caracterizada por ser um arremate (isto é, o último detalhe Carta Pessoal
para finalizar ou concluir algo) – por isso, não é uma simples
recapitulação ou mero resumo. A conclusão consiste, desse Gênero textual pelo qual nos comunicamos com
modo, em pôr em termos claros a essência da proposição e a amigos e familiares dando notícias, tratando de assuntos de
sua comprovação, realizada por meio dos argumentos. interesse comum, de forma mais longa e detalhada. Trata de
assuntos particulares e tem uma estrutura padrão que deve
GÊNEROS TEXTUAIS ser obedecida. Características:
→ comunicação geralmente breve e pessoal, de
A palavra gênero sempre foi bastante utilizada pela lite-

PORTUGUÊS
assunto livre;
ratura com um sentido especificamente literário, identificando → estrutura composta de local e data, vocativo, corpo e
os gêneros clássicos – o lírico, o épico, o dramático – e os assinatura; às vezes, também de P.S.;
gêneros modernos da literatura, como o romance, a novela, → a linguagem varia de acordo com o grau de intimi-
o conto, o drama, etc. dade entre os interlocutores, podendo ser menos ou mais
Mikhail Bakhtin, no início do século XX, se dedicou aos formal, culta ou coloquial, e, eventualmente, incluir gírias;
estudos da linguagem e literatura. Foi o primeiro a empregar → verbos geralmente no presente do indicativo;
a palavra gêneros com um sentido mais amplo, referindo-se → quando enviada pelo correio, a carta é acondicio-
também aos tipos textuais que empregamos nas situações nada em um envelope, preenchido adequadamente com o
cotidianas de comunicação. nome e o endereço do remetente e do destinatário.
Então, os gêneros textuais são os diferentes tipos de
texto que produzimos, orais ou escritos, que trazem um con- Receita
junto de características relativamente estáveis. Pelas carac-
terísticas, identificamos o gênero textual em seus aspectos Gênero textual que apresenta duas partes bem defini-
básicos coexistentes: o assunto, a estrutura e o estilo. das - ingredientes e modo de fazer, que podem ou não vir
A escolha do gênero não é sempre espontânea, pois indicadas por títulos. Algumas receitas apresentam outras
deve levar em conta um conjunto de parâmetros essenciais, informações, como o grau de dificuldade, o tempo médio
como quem está falando, para quem se está falando, qual é de preparo, o rendimento, as calorias ou dicas para decora-
a finalidade e qual é o assunto do texto. ção. Forma ou estrutura mais ou menos padronizada, com o
Por exemplo, ao contarmos uma história, fazemos uso objetivo de melhor instruir o leitor. Características:
de um texto narrativo, para instruirmos alguém sobre como → contém título;
fazer alguma coisa (fazer um bolo, montar uma mesa, jogar → normalmente apresenta uma estrutura constituída
certo tipo de jogo) fazemos uso do texto instrucional; para de: título, ingredientes e modo de preparo ou fazer;
convencer alguém de nossas ideias, fazemos uso de textos → no modo de fazer os verbos são geralmente empre-
argumentativos; e assim por adiante. gados no imperativo;
Assim, quando falamos em gêneros textual, estaremos → pode conter indicação de calorias por porção, rendi-
fazendo referência também à receita, à carta pessoal, ao bilhete, mento, dicas de preparo ou de como decorar e servir;
ao telegrama, ao cartão postal, ao e-mail, ao cartão postal, ao → a linguagem é direta, clara e objetiva;
cartaz, ao relatório, ao manual de instruções, à bula de medica- → emprega o padrão culto da língua.
mento, ao texto de campanha comunitária, ao convite.
Todos esses tipos de texto constituem os gêneros tex- O texto de campanha comunitária
tuais, usados para interagirmos com outras pessoas. São os
chamados gêneros do cotidiano.Eles trazem poucas varia- Tem o objetivo de informar, conscientizar e instruir a
ções, muitos se repetem no conteúdo, no tipo de linguagem população de uma comunidade sobre assuntos ou aconte-
e na estrutura, mas são de grande valor para a comunicação cimentos do momento. Visa, muitas vezes, convencê-la a
oral ou escrita. participar de algum evento ou colaborar com donativos, tra-
balho voluntário, etc. Características:
Qualidades e características dos gêneros textuais → apresenta título chamativo, comumente persuasivo;
do cotidiano → geralmente é ilustrado;
→ apresenta estrutura variável, esclarece em que con-
Cartão Postal
siste a campanha, a finalidade, o que fazer para participar;
→ linguagem clara, objetiva e persuasiva, dentro do
Mais conhecido como postal, é utilizado por turistas ou
padrão culto da língua;
pessoas em viagem para dar, por meio da ilustração uma
→ emprega as funções referencial e conativa, con-
ideia do lugar que está visitando e, ainda, enviar a parentes e
forme seu objetivo;
amigos uma mensagem rápida com suas impressões sobre
→ usa verbos no imperativo.
a viagem, os passeios, novos amigos, os lugares. Caracte-
rísticas:
O Cartaz
→ mensagem rápida, geralmente sobre as impressões
de viagens;
Gênero textual normalmente composto por imagem e
→ ilustrado com imagem em um dos lados; do outro,
texto. Tem por objetivo informar e instruir o leitor sobre um
espaço para texto e endereço do destinatário;
assunto que diz respeito à população em geral. Texto e
→ texto curto, assunto livre;
imagem visam persuadir ou convencer o leitor, sensibilizá-lo
→ apresenta vocativo e assinatura;
e conscientizá-lo do que se está divulgando. Características:
→ verbos geralmente no presente do indicativo, lingua-
→ informa, instrui e persuade o leitor sobre algum assunto;
gem varia de acordo com os interlocutores, podendo estar
→ texto em linguagem verbal curto, para leitura rápida;
entre o coloquial, o casual ou o informal.

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→ presença de título para atrair o leitor e definir o assunto Coerência e coesão textuais
do cartaz;
→ linguagem verbal clara, direta, objetiva e concisa, ade- Quando falamos em Coerência textual, devemos ter
quada aos objetivos da campanha e ao público que se destina; em mente a noção de Integração:
→ emprega, geralmente, o padrão culto formal da língua;
→ identificação simples por meio de logotipo do órgão,
Palavra-chave!
entidade ou empresa responsável pela mensagem veiculada.
BRUNO PILASTRE

Integração: é o conjunto de procedimentos necessários à arti-


Relatório culação significativa das unidades de informação do texto em
função de seu significado global.
Gênero textual que tem por objetivo expor a investigação (Azeredo, 2008)
de um fato estudado, de um acontecimento ou de uma expe-
riência científica. Características: É a partir da integração que as frases que compõem o
→ pode servir-se de descrições, de enumerações, de texto se distribuem e se concatenam a fim de realizar uma
exposições narrativas, de relatos de fatos, de gráficos, de
combinação aceitável (possível, plausível) de conteúdos.
estatísticas etc.;
Quando a articulação significativa depende de algum conhe-
→ pode ou não seguir um roteiro preestabelecido;
cimento externo (por exemplo, a cultura dos interlocutores
→ apresenta, normalmente, introdução, desenvolvi-
mento e conclusão; em alguns casos, pode apresentar outras e a situação comunicativa), a integração recebe o nome de
partes, como folha de rosto, sumário, anexos; Coerência.
→ a linguagem é precisa, objetiva, de acordo com o Isso quer dizer que, em um nível intratextual (nível
padrão culto e formal da língua; admite, no entanto, a pes- interno ao texto), as partes do texto (frases, períodos, pará-
soalidade. grafos etc.) devem ser solidárias entre si (isto é, estar inte-
gradas), para assim se chegar ao significado global do texto.
Bilhete Em um nível externo ao texto (cuja construção de sen-
tido está relacionada aos conhecimentos de mundo do pro-
Gênero textual breve, prático e objetivo que tem a função dutor e receptor do texto), a articulação significativa depende
de transmitir informações pessoais, avisos e mensagens de da “normalidade” consensual do funcionamento das coisas
natureza simples. Características: do mundo (isto é, devem ser coerentes).
→ estrutura formal parecida com a carta: destinatário, Parece-nos claro que as noções de integração e de coe-
texto (mensagem), despedida e remetente e data; rência estão diretamente interligadas: não se atinge a coe-
→ mensagem breve e simples, tanto na forma quanto rência sem haver a integração das partes do texto.
no conteúdo;
Todas as informações contidas em um texto são distri-
→ a finalidade deve ser prática e objetiva, geralmente
buídas e organizadas em seu interior graças ao emprego de
coisas do dia a dia;
→ linguagem informal; certos recursos léxicos e gramaticais (conjunções, preposi-
→ usado, normalmente, entre familiares, amigos e cole- ções, pronomes, pontuação etc.). Esses recursos são utiliza-
gas. dos em benefício da expressão do sentido e de sua compre-
ensão. Vejamos um exemplo:
Tipos de Gêneros escritos e orais Contratei quatro pedreiros; eles vieram esta manhã
para orçar o serviço.

Adivinha Discurso de acusação Nessa frase, verificamos o uso da forma pronominal


Anedota ou caso Discurso de defesa eles (terceira pessoal do plural) e a flexão verbal vieram. A
Artigos de opinião Editorial forma eles vieram faz referência a outro elemento, presente
Assembleia Ensaio na primeira oração (Contratei quatro pedreiros). Sabemos
Autobiografia Ensaio que a forma pronominal eles refere-se ao sintagma nominal
Biografia Fábula quatro pedreiros.
Biografia romanceada Histórico A esse processo de sequencialização que assegura (ou
Carta de Leitor Lenda torna recuperável) uma ligação linguística significativa entre
Carta de reclamação Narrativa de aventura os elementos que ocorrem na superfície textual damos o
Carta de solicitação Narrativa de enigma nome de Coesão textual.
Conto Narrativa mítica Ambos os processos (coerência e coesão) são muito,
Conto de fadas Notícia mas muito importantes mesmo!
Conto maravilhoso Novela fantástica
Crônica esportiva Piada Critérios de textualização
Crônica Literária Relato de uma viagem
Crônica social Relato histórico Coesão
Curriculum vitae Reportagem
Debate regrado Resenha crítica Segundo Koch, o conceito de coesão textual diz res-
Deliberação informal Testemunho peito a todos os processos de sequencialização que assegu-
Diálogo argumentativo Textos de opinião ram (ou tornam recuperável) uma ligação linguística signifi-
Diário íntimo cativa entre os elementos que ocorrem na superfície textual.

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Formas de coesão referencial pronominal: → conclusão: logo, assim, portanto
Endófora (correferência resolvida no plano textual) > → adição: e, bem como, também
pode ser > anáfora (retrospectiva) ou catáfora (prospectiva). → disjunção: ou
Exófora (referência a um elemento contextual, externo → exclusão: nem
ao texto). → comparação: mais do que; menos do que

Operadores Organizacionais:
Capítulo LXXI
I – de espaço e tempo textual:
O Senão do Livro
→ em primeiro lugar

PORTUGUÊS
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele
me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns
→ como veremos
magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai → como vimos
um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepul- → neste ponto
cro, traz certa contracção cadavérica; vício grave, e aliás, ínfimo, → aqui na 1ª parte
porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de → no próximo capítulo
envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração directa e II – metalinguísticos:
nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são → por exemplo
como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, → isto é
resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e → ou seja
caem. → quer dizer
(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas) → por outro lado
→ repetindo
Catáfora e Anáfora → em outras pala­vras
→ com base nisso
As palavras catáfora e anáfora referem-se a dois recur-
sos coesivos que têm por função conectar os elementos pre- Textos exemplificadores de coesão e coerência: O
sentes em uma frase. Show (1) e (2)
Na catáfora, faz-se uso de um termo ou locução ao final
de uma frase para especificar o sentido de outro termo ou
locução anteriormente expresso. Por exemplo, veja a frase O Show (1)
a seguir: O cartaz
O desejo
A viagem resumiu-se nisto: comer, beber e caminhar.
O pai
O dinheiro
No exemplo acima, a forma nisto antecipa as informa-
O ingresso
ções especificadas após os dois-pontos; e, consequente-
O dia
mente, as informações após os dois-pontos especificam o A preparação
sentido do termo anteriormente expresso (nesse caso, nisto). A ida
Já a anáfora é o processo pelo qual um termo gramati- O estádio
cal (principalmente pronomes) retoma a referência a um sin- A multidão
tagma anteriormente usado na mesma frase. A expectativa
→ Comeram, beberam, caminharam e a viagem ficou A música
nisso. A vibração
[nisso = comer, beber e caminhar] A participação
→ Fui à Avenida Paulista no dia do protesto. Lá, fui alve- O fim
jado nas costas. A volta
[lá = Avenida Paulista] O vazio

Formas de coesão sequencial


O Show (2)

Sequenciação parafrástica Sexta-feira Raul viu um cartaz anunciando um show de


Antonio Candido avaliou a obra de Machado de Assis. Milton Nascimento para a próxima terça-feira, dia 04.04.1989,
Por ter sido (a obra) avaliada (por ele, Antonio Candido), a às 21h, no ginásio do Uberlândia Tênis Clube na Getúlio Vargas.
obra foi amplamente difundida e estudada. Por ser fã do cantor, ficou com muita vontade de assistir à apre-
sentação. Chegando a casa, falou com seu pai para comprar o
Equivalência ingresso. Na terça-feira, dia do show, Raul preparou-se, esco-
Antônio Candido avaliou a obra de Machado de Assis. lhendo uma roupa com que ficasse mais à vontade durante o
A obra de Machado de Assis foi avaliada por Antônio evento. Foi para o UTC com um grupo de amigos. Lá havia uma
Candido. multidão em grande expectativa aguardando o início do espetá-
culo, que começou com meia hora de atraso. Mas valeu a pena:
Processos de coesão conectiva a música era da melhor qualidade, fazendo todos vibrarem e par-
Operadores Argumentativos: ticiparem do show. Após o final, Raul voltou para casa com um
→ oposição: mas, porém, contudo vazio no peito pela ausência de todo aquele som, de toda aquela
→ causa: porque, pois, já que alegria contagiante.
→ fim: para, com o propósito de
→ condição: se, a menos que, desde que

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Coerência Podemos afirmar que hoje há um consenso quanto ao
fato de se admitir que todos os textos comungam (dialogam)
A coerência é, sobretudo, uma relação de sentido que se com outros textos; quer dizer, não existem textos que não
manifesta entre os enunciados, em geral de maneira global e mantenham algum aspecto intertextual, pois nenhum texto
não localizada. Observe a distinção entre coesão e coerência: se acha isolado.
coesão é caracterizada pela continuidade baseada na Quando produzimos um texto, sempre fazemos refe-
forma; rência a alguma outra forma de texto (um discurso, um docu-
BRUNO PILASTRE

coerência é caracterizada pela continuidade base­ada no mentário, uma reportagem, uma obra literária, uma notícia
sentido. etc.). Em nossa produção ocorre, portanto, a relação de um
texto com outros textos previamente existentes, isto é, efeti-
Textos vamente produzidos.
Vejamos, em síntese, dois tipos de Intertextualidade
Incoerência aparente (Koch, 1991):

Subi a porta e fechei a escada intertextualidade explícita: como no caso de citações,


Tirei minhas orações e recitei meus sapatos. discursos diretos, referências documentadas com a fonte,
Desliguei a cama e deitei-me na luz resumos, resenhas. Esse tipo de intertextualidade é utili-
Tudo porque
zado em textos acadêmicos e não ocorre com frequência em
Ela me deu um beijo de boa noite...
textos dissertativos/argumentativos (em sede de concurso
público);
Incoerência narrativa
intertextualidade com textos próprios, alheios ou
Exemplo 1.
genéricos: alguém pode muito bem situar-se numa relação
Havia um menino muito magro que vendia amendoins numa
consigo mesmo e aludir a seus textos, bem como citar textos
esquina de uma das avenidas de São Paulo. Ele era tão fraqui- sem autoria específica, como os provérbios.
nho, que mal podia carregar a cesta em que estavam os pacoti-
nhos de amendoim. Um dia, na esquina em que ficava, um moto- O parágrafo
rista, que vinha em alta velocidade, perdeu a direção. O carro
capotou e ficou de rodas para o ar. O menino não pensou duas Nesta seção, apresentaremos o parágrafo, o qual será
vezes. Correu para o carro e tirou de lá o motorista, que era um tratado como uma unidade básica de composição. Isso sig-
homem corpulento. Carregou-o até a cal­çada, parou um carro e nifica que podemos estruturar e analisar o texto a partir da
levou o homem para o hospital. Assim, salvou-lhe a vida.
medida do parágrafo.

Exemplo 2.
Conceito de parágrafo
Lá dentro havia uma fumaça formada pela maconha e essa
fumaça não deixava que nós víssemos qualquer pessoa, pois Segundo Othon M. Garcia, em sua obra Comunicação
ela era muito intensa. em Prosa Moderna, o parágrafo é uma unidade de compo-
Meu colega foi à cozinha me deixando sozinho, fiquei encostado sição constituída por um ou mais de um período, em que se
na parede da sala e fiquei observando as pessoas que lá esta- desenvolve determinada ideia central, nuclear, à qual se
vam. Na festa havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, agregam outras, denominadas secundárias, as quais são
pretas, amarelas, altas, baixas etc.
intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decor-
rentes delas. Vejamos essa lição em uma ilustração:
Incoerência argumentativa

Se o texto parte da premissa de que todos são iguais


perante a lei, cai na incoerência se defender posteriormente
o privilégio de algumas categorias profissionais não estarem
obrigadas a pagar imposto de renda.
O argumentador pode até defender essas regalias, as não
pode partir da premissa de que todos são iguais perante a lei.

Incoerência descritiva

Vida no Polo Norte: palmeiras, camelos, cactos, estradas


poeirentas e muito calor.

Intertextualidade O parágrafo como unidade de composição

Segundo o Dicionário de análise do discurso, Intertex-


Esse conceito de parágrafo aplica-se a um texto padrão,
tualidade é uma propriedade constitutiva de qualquer texto e o
regular. Pode haver, a depender do gênero textual, da natu-
conjunto das relações explícitas ou implícitas que um texto ou
reza da produção e sua complexidade, diferentes formas de
um grupo de textos determinado mantém com outros textos.
organização do parágrafo.

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Estrutura do parágrafo
Forma de produzir o Exemplo
tópico frasal
O parágrafo é materialmente indicado na página pelo
pequeno afastamento da margem esquerda da folha. Essa Declaração inicial: o autor O Estado não é uma ampliação
distinção gráfica do parágrafo é significativa, pois facilita ao afirma ou nega alguma do círculo familiar e, ainda menos,
coisa logo de início. Em uma integração de certos agrupa-
escritor a tarefa de isolar e depois ajustar convenientemente
seguida (no desenvolvi- mentos, de certas vontades par-
as ideias principais de sua composição, permitindo ao leitor mento), apresenta argu- ticularistas, de que a família é o
acompanhar-lhes o desenvolvimento nos seus diferentes mentos para fundamentar a melhor exemplo.

PORTUGUÊS
estágios. asserção.
Uma dúvida que surge quando estudamos a composi-
Definição: é método pre- Estilo é a expressão literária de
ção do parágrafo é a sua extensão. Se a produção textual
ferentemente didático e faz ideias ou sentimentos.
trata de um assunto cuja complexidade exige que o desen- uso da linguagem denota-
volvimento de determinada ideia central seja desdobrado tiva.
em mais de um parágrafo, isso é justificado. Do mesmo
modo, essa mesma ideia central (de grande complexidade) Divisão: também é pro- O silogismo divide-se em silo-
cesso didático. Apresenta gismo simples e silogismo com-
pode ser desenvolvida em um único parágrafo, o qual terá
o tópico frasal sob a forma posto.
uma extensão maior em relação à composição com pará- de divisão ou discriminação
grafos desdobrados (divididos). Percebemos, então, que a das ideias a serem desen-
extensão do parágrafo dependerá da natureza de sua ideia volvidas.
central (se complexa ou simples) e do tratamento do escritor
em relação à sua divisão. Em sua redação discursiva, recomendo o uso da decla-
ração inicial, a qual deve ser desenvolvida, preferencial-
O tópico frasal mente, em voz ativa, na ordem direta, na modalidade afir-
mativa e em períodos curtos.
Vejamos, agora, o que caracteriza o tópico frasal e
como o domínio de sua estrutura facilita a análise do pará- Formas de desenvolvimento do parágrafo
grafo – e, consequentemente, do texto.
O parágrafo organiza-se em introdução, desenvolvi- No desenvolvimento do parágrafo explanamos a ideia
mento e conclusão: principal, apresentada no tópico frasal. Devemos funda-
mentar de maneira clara e convincente as ideias que defen-
→ a introdução é composta, na maioria dos casos, por demos ou expomos. Apresentamos, a seguir, seis formas
dois períodos curtos iniciais. Nesses períodos, há a expres- de desenvolver o parágrafo. É bom que você, estudante,
são, de maneira sumária e sucinta, da ideia núcleo – é o conheça cada uma, pois isso proporcionará mais autonomia
que chamamos de tópico frasal. Na obra Raízes do Brasil, em sua leitura.
Sérgio Buarque de Holanda nos apresenta o seguinte tópico
frasal:
Forma de desenvolver o Características
parágrafo
O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda
Enumeração ou descri- Ocorre quando há a especifica-
menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas von-
ção de detalhes ção da ideia-núcleo por meio da
tades particularistas, de que a família é o melhor exemplo.
apresentação de pormenores,
detalhes.
Nele, observamos a declaração sobre o que (não)
Confronto O confronto é caracterizado
caracteriza o Estado. Ao enunciar logo de saída a ideia- quando há o contraste (baseado
-núcleo, o autor garante, por meio do tópico frasal explícito, nas dessemelhanças) e o paralelo
a objetividade, a coerência e a unidade do parágrafo, defi- (baseado nas semelhanças).
nindo-lhe o propósito e evitando digressões impertinentes; Há, ainda, a antítese (oposição
de ideias isoladas) e a analo-
→ no desenvolvimento há a explanação mesma da gia (semelhança entre ideias ou
cosias, procurando explicar o
ideia-núcleo. Não se pode omitir, no desenvolvimento, algo
desconhecido pelo conhecido, o
que foi apresentado no tópico frasal. Também é pertinente
estranho pelo familiar).
não desenvolver novas ideias (secundárias) sem haver cor-
Analogia e comparação A analogia caracteriza-se por
relação direta com a ideia-núcleo; ser uma semelhança parcial que
sugere uma semelhança oculta,
→ a conclusão, dentro do parágrafo, é mais rara, prin- mais completa.
cipalmente nos parágrafos mais curtos e naqueles em que a Na comparação, as semelhanças
ideia central não apresenta maior complexidade. são reais, sensíveis.
Citação de exemplos Pode ser didática, em que a cita-
Após apresentar a estrutura básica do parágrafo, veja- ção de exemplos assume uma
forma de comprovação ou eluci-
mos esquematicamente as diferentes maneiras de se produ-
dação.
zir o tópico frasal:

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Causação e motivação Pode-se apresentar sob a forma (iv) Adição, continuação: Além das locuções adverbiais
de razões e consequências ou além disso, (a)demais, indicadas na coluna à esquerda,
causa e efeito. outrossim, ainda mais, também as conjunções aditivas,
Definição É um método preferentemente ainda por cima, por outro como o nome indica, “ligam,
didático e faz uso da linguagem lado, também – e as conjun- ajuntando”.
denotativa. A definição é feita ções aditivas (e, nem, não
de acordo com o tópico frasal, só... mas também etc.)
(v) Dúvida:
BRUNO PILASTRE

havendo a natural ampliação que O leitor ao chegar até aqui – se


é típica do desenvolvimento. talvez, provavelmente, pos- é que chegou – talvez já tenha
sivelmente, quiçá, quem adquirido uma ideia da relevân-
Coesão entre as ideias do parágrafo e entre parágrafos sabe? é provável, não é cia das partículas de transição.
certo, se é que;
Precisamos, agora, juntar as peças, ou seja, reunir os (vi) Certeza, ênfase: Certamente, o autor destas
de certo, por certo, certa- linhas confia demais na paciên-
períodos dentro do parágrafo (intraparagrafal) e os pará-
mente, indubitavelmente, cia do leitor ou duvida demais do
grafos dentro do texto (interparagrafal). Para interligá-las,
inquestionavelmente, sem seu senso crítico.
faz-se uso das partículas de transição e palavras de referên- dúvida, inegavelmente, com
cia. Adotaremos o quadro proposto por Othon M. Garcia, em toda a certeza;
sua obra Comunicação em Prosa Moderna. (vii) Ilustração, esclareci- Essas partículas, ditas “explica-
mento: tivas”, vêm sempre entre vírgu-
Itens de transição e pala- Exemplo por exemplo, isto é, quer las, ou entre uma vírgula e dois-
vras de referência dizer, em outras palavras, -pontos.
(i) Prioridade, relevância: Em primeiro lugar, é preciso ou por outra, a saber;
em primeiro lugar, antes de deixar bem claro que esta série (viii) Propósito, intenção,
mais nada, primeiramente, de exemplos não é completa, finalidade:
acima de tudo, precipua- principalmente no que diz res- com o fim de, a fim de, com
mente, mormente, princi- peito às locuções adverbiais. o propósito de, proposital-
palmente, primordialmente, mente, de propósito, inten-
sobretudo; cionalmente – e as conjun-
(ii) Tempo (frequência, Finalmente, é preciso acrescen- ções finais;
duração, ordem, suces- tar que alguns desses exemplos (ix) Resumo, recapitula- Em suma, leitor: as partículas de
são, anterioridade, poste- se revelam por vezes um pouco ção, conclusão: transição são indispensáveis à
rioridade, simultaneidade, ingênuos. A princípio, nossa em suma, em síntese, coerência entre as ideias e, por-
eventualidade): intenção era omiti-los para não em conclusão, enfim, em tanto, à unidade do texto.
então, enfim, logo, logo alongar este tópico: mas, por resumo, portanto;
depois, imediatamente, fim, nos convencemos de que as (x) Causa e consequência:
logo após, a princípio, ilustrações são frequentemente daí, por consequência, por
pouco antes, pouco depois, mais úteis do que as regrinhas. conseguinte, como resul-
anteriormente, posterior- tado, por isso, por causa
mente, em seguida, afinal, de, em virtude de, assim, de
por fim, finalmente, agora, fato, com efeito – e as con-
atualmente, hoje, frequen- junções causais, conclusi-
temente, constantemente, vas e explicativas;
às vezes, eventualmente, (xi) Contraste, oposição,
por vezes, ocasionalmente, restrição, ressalva:
sempre, raramente, não pelo contrário, em contraste
raro, ao mesmo tempo, com, salvo, exceto, menos
simultaneamente, nesse – e as conjunções adversa-
ínterim, nesse meio tempo, tivas e concessivas;
enquanto isso – e as con- (xii) Referência em geral: Este caso exige ainda esclareci-
junções temporais; os pronomes demonstrati- mentos. Com referência a tempo
vos “este” (o pais próximo), passado (ano, mês, dia, hora)
(iii) Semelhança, compara- No exemplo anterior (valor ana- “aquele” (o mais distante), não se deve empregar este, mas
ção, conformidade: fórico), o pronome demonstra- “esse” (posição intermedi- “esse” ou “aquele”. “Este ano
igualmente, da mesma tivo “desses” serve igualmente ária; o que está perto da choveu muito. Dizem os jornais
forma, assim também, do como partícula de transição: pessoa com quem se fala); que as tempestades e inunda-
mesmo modo, similarmente, é uma palavra de referência à os pronomes pessoais; ções foram muito violentas em
semelhantemente, analo- ideia anteriormente expressa. repetições da mesma pala- certas regiões do Brasil.” (A tran-
gamente, por analogia, de Da mesma forma, a repetição vra, de um sinônimo, perí- sição neste último exemplo se faz
maneira idêntica, de con- de “exemplos” ajuda a interli- frase ou variante sua; os pelo emprego de sinônimos ou
formidade com, de acordo gar os dois trechos. Também o pronomes adjetivos último, equivalentes de palavras ante-
com, segundo, conforme, adjetivo “anterior” funciona como penúltimo, antepenúltimo, riormente expressas (choveu):
sob o mesmo ponto de vista palavra de referência. “Também” anterior, posterior; os nume- tempestades e inundações.)
– e as conjunções compara- expressa aqui semelhança. No rais ordinais (primeiro,
tivas; exemplo seguinte (valor catafó- segundo etc.).
rico), indica adição.

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Tipos de frases Organização tópica

A denominação elegância nos dá a ideia de bom gosto, Veremos, nesta seção, as formas de se organizar o
garbo. A frase bem construída pode passar essa impressão. tópico discursivo.
Mas a sua construção deve ter estilo, algo que individualiza No texto escrito, é necessário um processo enuncia-
a obra criada. Nas palavras de Othon M. Garcia, estilo é a tivo mais calculado, na base de suposições sociocognitivas
forma pessoal de expressão em que os elementos afetivos e planejamento de maior alcance. Assim, deve haver uma
manipulam e catalisam os elementos lógicos presentes em distribuição calculada (planejada) da informação na frase.

PORTUGUÊS
toda atividade do espírito, nesse caso a escritura de frases. Vejamos, então, quais são os componentes informacionais
Na importante obra Comunicação em prosa moderna, da frase:
o autor supracitado enumera algumas estruturas frasais que,
se bem utilizadas, podem ser apresentadas com garbo, ele- → tema: traz a informação sobre a qual é falado, ou
gância. seja, a informação dada;
As principais modalidades estilísticas frasais são as → rema: traz o que se diz sobre o tema, conhecida
seguintes: como informação nova.

a) Frase de arrastão: sequência cronológica de O tema (também chamado tópico ou dado) traz a
co­ordenações, arrastando a ideia, pormenorizando o pensa- informação dada ou relativamente conhecida e o rema traz a
mento. São muito utilizadas na linguagem infantil e empre- informação relativamente nova ou desconhecida, tendo em
gadas por autores contemporâneos para denunciar uma vista o caráter informacional do fluxo comunicativo.
humanidade que perdeu a ca­pacidade de hierarquizar ideias, Apresentaremos, nas subseções seguintes (de 2.6.1.
imitando o homem medieval, que tinha dificuldades em cons- a 2.6.5.), cinco estruturas básicas de progressão (ou seja,
truir perío­dos subordinados. Leia-se o exemplo: a relação entre o tema e o rema na construção textual
→ O julgamento iniciou e juiz deu a palavra ao advo- mediante o fluxo da informação). O domínio desses esque-
gado e este apresentou sua tese com entusiasmo, mas os mas (estruturas) por parte do escritor é fundamental para a
jurados não aceitaram a legítima defesa e condenaram o réu. articulação eficaz das ideias no texto.
Por fim, lembramos que não há predomínio absoluto de
b) Frase de ladainha: é a variante da frase de arras­tão, uma forma de progressão (sequenciação) em um texto. No
sendo construída com excesso de polissíndeto da conjun- geral, as formas de progressão aparecem misturadas com o
ção e, sem, no entanto, dar à frase tom retórico de gradação predomínio (não absoluto) de uma dessas formas.
(crescente ou decrescente). Em síntese, devemos ter em mente que, em relação ao
assunto Organização tópica, os textos progridem em suas
c) Frase entrecortada: também chamada de frase subunidades de maneira ordenada e não caótica.
esportiva, é muito curta. Em excesso, esta cons­trução usada
como recurso estilístico literário para apontar a incapacidade Progressão linear simples
de o homem pensar, torna­-se estilo picadinho, impróprio ao
discurso jurídico. Vejamos:
→ O réu entrou na sala. Estava abatido. Sentou-se.
Colo­cando as mãos na cabeça. Ela estava abaixada. Ele
parecia desanimado. Ele previa o resultado adverso. Ele
esperava a condenação.

d) Frase fragmentária: variante da frase entrecor­tada,


apresentava rupturas na construção frásica, com incomple-
tude sintática.
Exemplo de Progressão linear simples:
→ Condenado o réu, será encaminhado a presídio de
A fonologia estuda os fonemas de uma língua. Os fonemas
segurança máxima. são as unidades componenciais mínimas de qualquer sistema
linguístico. Todo sistema linguístico tem pelo menos entre vinte e
e) Frase labiríntica: é o excesso de subordinações, sessenta sons. Estes sons...
dividindo-se a frase em ideias secundárias que, por sua vez.
Também se partem, afastando-se da ideia nuclear. Vejamos: Progressão com um tema contínuo
→ O Direito é a aplicação da lei que é imperativa, não
convidando seus subordinados a obedecer a ela, por exigir
seu acatamento, sendo a norma jurídica à vontade do orde-
namento jurídico.

f) Frase caótica: também apelidada de fluxo do cons­


ciente, da linha psicanalítica. É a estrutura frásica desorga-
nizada, sem logicidade semântico-sintática, bastante empre-
gada na literatura contemporânea.

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Exemplo de Progressão com um tema contínuo: Resumo de textos
Os seres vivos habitam a Terra há milhares de anos. Seres
vivos ainda não foram encontrados em outros planetas. Eles são Segundo a NBR 6028:2003, resumo é uma “apresenta­
uma forma superior de seres na natureza, mas estão ameaçados ção concisa dos pontos relevantes de um documento”. Uma
de desaparecer com o aumento da poluição humana. apresentação sucinta, compacta, dos pontos mais importan­
tes de um texto.
Progressão com tema derivado (temas que são deri- ou
BRUNO PILASTRE

vados por hipertema) Resumo é uma apresentação sintética e seletiva das


ideias de um texto, ressaltando a progressão e a articulação
delas. Nele devem aparecer as ideias principais do autor
do texto.
O resumo abrevia o tempo dos pesquisadores; difunde
informações de tal modo que pode influenciar e estimular a
consulta do texto completo.
Formalmente, o redator do resumo deve atentar para
alguns procedimentos:
→ ser redigido em linguagem objetiva;
→ evitar a repetição de frases inteiras do original;
Exemplo de Progressão com tema derivado: → respeitar a ordem em que as ideias ou fatos são
Os animais dividem-se em várias classes. Os animais ver-
apresentados;
tebrados são em geral os maiores fora d’água. Os animais mari-
nhos são os maiores de todos. Já os insetos são os menores
animais que a natureza tem. Finalmente, o resumo:
→ não deve apresentar juízo de valorativo ou crítico
Progressão com um rema dividido (desenvolvimento (que pertence a outro tipo de texto, a resenha);
com um duplo tema ou múltiplo) → deve ser compreensível por si mesmo, isto é, dis­
pensar a consulta ao original.

Como resumir:
→ Leitura completa do texto;
→ Análise do texto, sublinhando as partes mais impor­
tantes;
→ Elaborar um esquema das ideias principais do texto;
→ Produzir texto com suas próprias palavras. Não
copiar.

Exemplo:
Exemplo de Progressão com um rema dividido: Informação central x Detalhes referentes a ela.
O corpo humano divide-se em cabeça, tronco e membros.
A cabeça é uma parte muito especial por abrigar o cérebro. O
tronco abriga a maioria dos órgãos vitais. Os membros servem Como ocorre todos os anos, os amigos de Maria, fun­cionária de
para nosso contato com as coisas e manipulação direta dos obje- uma importante firma, fizeram, na sala do gerente de vendas,
tos à nossa volta. uma grande festa durante a tarde de ontem, em comemoração
a seu aniversário.
Progressão com salto temático
Eliminar, quando não for uma informação fundamental:
→ Características de Maria;
→ Referência de lugar;
→ Referência de tempo;
→ Causa do fato;
→ Frequência.

Resultado:
→ Os amigos de Maria fizeram uma grande festa para
ela.
Exemplo de Progressão com salto temático:
A polícia militar nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo Resumo de ideias
foram mostradas em sua verdadeira face nos últimos dias de
junho deste ano. Nesta época, viu-se algo profundamente depri- Ideia central → Encontra-se na Introdução.
mente. Conta-se que há muitos anos atrás, quando ainda havia Argumentos (somente os mais importantes, principais).
escravidão, qualquer coisa que desagradasse ao senhor era tra- → Em cada parágrafo deve haver um argumento. Você
tada com violência e espancamento.
deverá encontrá-lo.
→ Eliminar ideias secundárias e exemplificações.

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Assim, o resumo é uma condensação fiel das ideias Paráfrases e suas modalidades
ou dos fatos contidos no texto. Resumir um texto significa
reduzi­-lo ao seu esqueleto essencial sem perder de vista Em linguística, a paráfrase é uma maneira diferente de
três ele­mentos: dizer algo que foi dito; é uma frase sinônima de outra. Quando
→ Cada uma das partes essenciais do texto; parafraseamos, reescrevemos reservando as ideias originais.
→ A progressão em que elas se sucedem; A paráfrase pode ser feita por:
→ A correlação que o texto estabelece entre cada uma
dessas partes. a) Substituição lexical (relações de sinonímia):

PORTUGUÊS
→ Embora dissesse a verdade, ninguém acreditou em
Variação linguística: sistema, norma e uso seu discurso.
→ Conquanto dissesse a verdade, ninguém acreditou
(Baseado na obra de CAMACHO, R. A variação lin- em seu discurso.
guística. In: Subsídios à proposta curricular de língua Portu-
guesa para o ensino fundamental e médio. São Paulo, 1988.
b) Inversão dos termos da oração ou das orações do
(Com adaptações))
período:
→ Grande parte de nossas vidas transcorre em salas
A variação de uma língua é a forma pela qual ela difere
de aula.
de outras formas da linguagem sistemática e coerente-
→ Em salas de aula, grande parte de nossas vidas trans-
mente. Uma nação apresenta diversos traços de identifica-
corre.
ção, e um deles é a língua. Esta pode variar de acordo com
alguns fatores, tais como o tempo, o espaço, o nível cultural → Irei ao México quando me formar.
e a situação em que um indivíduo se manifesta verbalmente. → Quando me formar, irei ao México.

Conceito c) Transposição da voz ativa para a voz passiva e vice-


-versa:
Variedade é um conceito maior do que estilo de prosa → Walter Sousa elogiou a obra de Machado de Assis.
ou estilo de linguagem. Alguns escritores de sociolinguística → A obra de Machado de Assis foi elogiada por Walter
usam o termo leto, aparentemente um processo de criação Sousa.
de palavras para termos específicos, são exemplos dessas
variações: d) Transposição do discurso direto para o discurso indi-
→ Dialetos (variação diatópica), isto é, variações fala- reto e vice-versa:
das por comunidades geograficamente defi­nidas. → O aluno disse:
→ Idioma é um termo intermediário na distinção dia­leto- - Estou com dúvida, professor.
linguagem e é usado para se referir ao sistema comunicativo → O aluno disse ao professor que estava com dúvida.
estudado (que poderia ser chamado tanto de um dialeto ou
uma linguagem) quando sua condição em relação a esta dis- e) Substituição da oração adverbial, substantiva ou adje-
tinção é irrelevante (sendo, portanto, um sinônimo para lin- tiva pelas classes gramaticais correspondentes ou vice-versa:
guagem num sentido mais geral). → A moça escorregou porque ventava. (oração adver-
→ Socioletos, isto é, variações faladas por comu­ bial causal)
nidades socialmente definidas. → A moça escorregou por causa do vento. (locução
→ Linguagem Padrão ou norma padrão, padroni­zada adverbial causal)
em função da comunicação pública e da edu­cação. → Desejo que você silencie. (oração substantiva)
→ Idioletos, isto é, uma variação particular a certa → Desejo o seu silêncio. (substantivo)
pessoa. → Ela é uma pessoa que tem convicções. (oração adje-
→ Registros (ou diátipos), isto é, o vocabulário espe- tiva)
cializado e/ou a gramática de certas atividades ou profissões.
→ Ela é uma pessoa convicta. (adjetivo)
→ Etnoletos, para um grupo étnico.
d) Substituição de orações desenvolvidas por reduzidas
Variações como dialetos, idioletos e socioletos podem
e vice-versa:
ser distinguidas não apenas por seu vocabulário, mas
→ É importante que o trabalho seja prosseguido.
também por diferenças na gramática, na fonologia e na ver-
(oração desenvolvida)
sificação. Por exemplo, o sotaque de palavras tonais nas lín-
guas escandinavas tem forma diferente em muitos dialetos. → É importante prosseguir o trabalho. (oração reduzida)
Outro exemplo é como palavras estrangeiras em diferentes
socioletos variam em seu grau de adaptação à fonologia Perífrases e construções perifrásticas (Circunlóquio)
básica da linguagem.
Certos registros profissionais, como o chamado legalês, A perífrase é definida como uma frase ou recurso verbal
mostram uma variação na gramática da linguagem padrão. que exprime aquilo que poderia ser expresso por menor
Por exemplo, jornalistas ou advogados ingleses frequente- número de palavras; circunlóquio. Temos, por exemplo, as
mente usam modos gramaticais, como o modo subjuntivo, seguintes expressões para ilustrar o que é uma perífrase.
que não são mais usados com frequência por outros falan- → “A última flor de Lácio” – Língua Portuguesa.
tes. Muitos registros são simplesmente um conjunto espe- → “O país do Futebol” – Brasil.
cializado de termos. → “A dama do teatro brasileiro” – Fernanda Montenegro.

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→ “Bruxo do Cosme Velho” – Machado de Assis. reflete uma visão de mundo determinada, necessariamente,
vinculada à do(s) seu(s) autor(es) e às sociedade em que
A análise do discurso vive(m).
Texto, por sua vez, é o produto da atividade discur-
Análise do discurso – ou análise de discurso – é uma siva, o objeto empírico de análise do discurso; é a constru-
prática e um campo da linguística e da comunicação espe- ção sobre a qual se debruça o analista para buscar, em sua
cializado em analisar construções ideológicas presentes em superfície, as marcas que guiam a investigação científica. É
BRUNO PILASTRE

um texto. É muito utilizada, por exemplo, para analisar textos necessário salientar, porém, que o objeto da análise do dis-
da mídia e as ideologias que os engendram. A análise do curso é o discurso.
discurso é proposta a partir da filosofia materialista, que põe (CHARAUDEAU, P; MAINGUENEAU, D.
Dicionário de Análise do Discurso. São Paulo: Contexto, 2004.)
em questão a prática das ciências humanas e a divisão do
trabalho intelectual, de forma reflexiva.
Vícios de linguagem
De acordo uma das leituras possíveis, discurso é a prá-
tica social de produção de textos. Isto significa que todo dis-
Por Vícios de linguagem entende-se: os desvios
curso é uma construção social, não individual, e que só pode
cometidos pelos usuários da língua, às vezes por desconhe-
ser analisado considerando seu contexto histórico-social,
cimento das normas ou por descuido. Entre os vícios de lin-
suas condições de produção; significa, ainda, que o discurso
guagem, cabe menção aos seguintes (cf. Bechara, 2009):

Nome Conceituação Exemplo


O solecismo é um erro de sintaxe. Abrange diversos Eu lhe abracei (por o).
domínios: a concordância, a regência, a colocação e
Solecismo a má estruturação dos termos da oração. Esse erro, A gente vamos (por vai).
comumente, torna a sintaxe incompreensível ou impre-
cisa. Tu fostes (por foste).
Em oposição ao solecismo (que diz respeito à constru- gratuíto por gratuito
ção ou combinação da palavra), o barbarismo é o erro
no emprego de uma palavra. Inclui erro de: pronúncia rúbrica por rubrica
Barbarismo (ortoepia), de prosódia, de ortografia, de flexões, de sig-
nificado, de palavras inexistentes na língua, de forma- cidadões por cidadãos
ção irregular de palavras.
areonáutica por aeronáutica
Caracteriza-se pelo emprego de palavras, expressões doméstico (voo) por nacional
e construções alheias ao idioma que a ele chegam por
empréstimos tomados de outra língua. Para nós, brasi- marketing
Estrangeirismo leiros, os estrangeirismos de maior frequência são os
francesismos ou galicismos, anglicismos, espanho- entretenimento
lismos e italianismos.
adágio

aquarela
Ambiguidade é a propriedade que apresentam diversas O homem bateu na velha com a bengala.
unidades linguísticas (morfemas, palavras, locuções,
frases) de significar coisas diferentes, de admitir mais O guarda conduziu a idosa para sua residência.
de uma leitura. A ambiguidade é um fenômeno muito
frequente, mas, na maioria dos casos, os contextos lin- O cadáver foi encontrado perto do banco.
Ambiguidade ou anfibologia guístico e situacional indicam qual a interpretação cor-
reta.
Estilisticamente, é indesejável em texto científico ou
informativo, mas é muito usado na linguagem poética
e no humorismo.
Eco É a sucessão de palavras que rimam entre si. Não dão explicação para a demissão do João.

A estilística Assim como é variável na abrangência do conceito de


estilo, variável há de ser a própria concepção de Estilística.
Para compreender bem a estilística, recorreremos à mais Há, de fato, uma estilística em sentido amplo e uma estilística
recente obra de José Carlos de Azeredo, Gramática Houaiss em sentido restrito. Em sua acepção ampla, entende-se por
da Língua Portuguesa (PubliFolha, 2008). Estilística o estudo dos diferentes usos – isto é, estilos – da
Segundo o autor, a estilística pode ser considerada uma língua segundo a situação e a finalidade do ato comunicativo;
teoria da construção do sentido, na medida em que se baseia
Assim entendida, trata-se de uma disciplina que consiste em
na premissa de que o que um texto significa é modelado pelas
um método de análise de textos e pode ser considerada uma
escolhas linguísticas – de ordem léxica, gramática, fonética,
variedade de Análise do Discurso.
gráfica e rítmica – feitas por seu enunciador.

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Recursos estilísticos Figuras de sintaxe

Todo texto deve apresentar a forma que convém às O desvio estilístico nas figuras de sintaxe ocorre na
intenções de quem o enuncia. Segundo este postulado, a lin- organização sintática da frase.
guagem de um texto não é uma mera roupagem de um con-
teúdo, mas a única possibilidade de que esse conteúdo ‘se Figuras de pensamento
apresente’ ao leitor. E para tanto contribuem todos os dados
do evento sociocomunicativo: quem enuncia, a quem o enun- O desvio se dá no sentido geral da frase, no entendi-
mento total da mensagem. Essas figuras manifestam seu

PORTUGUÊS
ciado interessa, o que é relevante dizer, que efeitos de sen-
tido são pretendidos, que estratégias discursivas e textuais rendimento no desacordo da relação de verdade entre o
podem conduzir a esses efeitos. Isso provoca uma variação que se diz literalmente e a realidade da qual se fala. Assim,
da modalidade da linguagem, em consonância com as fun- é fundamental o conhecimento do referente, para a perfeita
ções que a ela atribuímos no processo de comunicação. apreensão do sentido que se pretende atribuir ao enun-
É necessário compreender que os valores afetivos e ciado.
estéticos da linguagem são realçados em função de certos
procedimentos de organização da matéria verbal que a Figuras fônicas
caracterizam. Esses procedimentos – denominados recur-
sos (ou traços) estilísticos - se observam em todos os O desvio ocorre na organização da camada sonora da
planos e níveis da arquitetura da língua. São recursos fôni- linguagem, explorando o potencial expressivo dos fonemas.
cos, arranjos sintáticos, modulações rítmicas, criações mór- Os sons da linguagem, assim como outros sons,
ficas, combinações insólitas, paralelismos, notações gráfi- podem provocar sensações agradáveis ou desagradáveis.
cas etc. Todos esses, além de outros, recursos de estilo Não é por outra razão que Charles Bally afirma a existência
amplificam o sentido da frase, fazem o ‘modo de dizer’ a de “uma correspondência entre os sentimentos e os efeitos
pedra de toque de todo o processo de interpretação e com- sensoriais produzidos pela linguagem”.
preensão de um texto.
Referências
Figuras de linguagem
Bibliografia
Podemos definir figuras de linguagem como formas ANDRADE, M. & MEDEIROS, J. Comunicação em língua portuguesa.
simbólicas ou elaboradas de exprimir ideias, significados, 2009.
pensamentos etc., de maneira a conferir-lhes maior expres- AZEREDO, J. Escrevendo pela nova ortografia: como usar as regras
sividade, emoção, simbolismo etc., no âmbito da afetividade do novo acordo ortográfico da língua portuguesa. 2008.
ou da estética da linguagem. Portanto, é interessante ter BECHARA, E. Estudo da língua portuguesa: textos de apoio. 2010.
em mente que as figuras de linguagem não valem por si BRASIL. Presidência da República. Manual de redação da Presidên-
mesmas, como elementos autônomos sem qualquer rela- cia da República. Brasília: Imprensa Nacional, 1991.
ção com a semântica do texto. [...] Como as palavras, as CARVALHO, J. Teoria da Linguagem. 1983.
figuras de linguagem não significam isoladas, independen- CEGALLA, D. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa. 2007.
tes; sua significação emana das combinações de que elas DUARTE & LIMA. Classes e Categorias em Português. 2000.
participam nos contextos situacional e linguístico de sua ECO, U. A arte perdida da caligrafia. Artigo do New York Times. Revista
ocorrência. Como elas estão inseridas na macrossemântica da Cultura, nº 28.
do texto, sua capacidade de expressar uma significação FERREIRA, A. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa. 2009.
não depende só delas, o que torna inócuo o seu inventá- FIORIN, J. As astúcias da enunciação: as categorias de pessoa,
rio, o seu mero reconhecimento sem que se tenha a devida espaço e tempo. 1996.
competência linguística para perceber a sua funcionalidade GARCIA, O. Comunicação em prosa moderna. 2007.
no amplo complexo da textualidade. Desse modo, é preciso HOUAISS, A. Dicionário Houaiss: sinônimos e antônimos. 2008.
ver a terminologia que as identifica – e que a muitas pes- KOCH, I. A coesão textual. 1993.
soas causa justificado desconforto, quando não perplexi- KOCH, I. A inter-ação pela linguagem. 1992.
dade ou rejeição – um instrumental para o reconhecimento KOCH, I. A coerência textual. 1990.
técnico do fato estilístico, e não o objetivo da análise. KOCH, I. & TRAVAGLIA, L. A coerência textual. 2009.
As figuras de linguagem podem atuar a área da KOCH, I. & TRAVAGLIA, L. Texto e coerência. 1989.
semântica lexical, da construção gramatical, da associação KOCH, I. Argumentação e linguagem. 1984.
cognitiva do pensamento ou da camada fônica da lingua- KOCH, I. O texto e a construção dos sentidos. 2008.
gem. Assim, temos o que tradicionalmente se denomina de LUFT, C. Dicionário prático de regência nominal. 2010.
figuras de palavras, figuras de construção (ou de sintaxe), LUFT, C. Dicionário prático de regência verbal. 2008.
figuras de pensamento e figuras fônicas. Dicionários de arte MARCUSCHI, L. Produção textual, análise de gêneros e compreen-
poética e manuais de retórica dão conta da grande varie- são. 2008.
dade dessas figuras, às vezes apartadas por diferenças MARTINS, D. & ZILBERKNOP, L. Português Instrumental. 2009.
sutis. MEDEIROS, J. Redação científica. 2009.
SAVIOLI, F. & FIORIN, J. Manual do candidato: português. Fund. Ale-
Figuras de palavras xandre de Gusmão. 2001.
SAVIOLI, F. & FIORIN, J. Para entender o texto: leitura e redação.
As figuras de palavras (ou tropos) referem-se à signi- 2009.
ficação das palavras, desviando-se da significação que o Sítios
consenso identifica como normal. BBC Brasil: http://www.bbc.co.uk/portuguese/

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Caros Amigos: http://carosamigos.terra.com.br/ 3. Mantêm-se a correção gramatical e o sentido original
Carta Capital: http://www.cartacapital.com.br/ do texto ao se substituir “há” (l.19) por existe.
Folha de São Paulo: http://www.folha.uol.com.br/
Le Monde Diplomatique Brasil: http://www.diplomatique.org.br/ 4. Seria mantida a correção gramatical do período caso
Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/
o fragmento “Estação do ano mais aguardada pelos
PCI Concursos – Provas: http://www.pciconcursos.com.br/provas/
brasileiros” (l.1) fosse deslocado e inserido, entre vír-
Rádio CBN: http://cbn.globoradio.globo.com/home/HOME.htm
gulas, após “verão” (l.2) feitos os devidos ajustes de
Revista Piauí: http://revistapiaui.estadao.com.br/
BRUNO PILASTRE

VOLP: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23
maiúsculas e minúsculas.

Sítios das bancas examinadoras adotadas nesta obra 5. Infere-se do texto que ainda falta a contribuição de
CESPE: http://www.cespe.unb.br/ muitos países para as pesquisas que associem altas
CONSULPLAN: http://www.consulplan.net/portal/consulplan.php temperaturas a internações por enfermidades relacio-
ESAF: http://www.esaf.fazenda.gov.br/ nadas aos efeitos do calor.
FCC: http://www.concursosfcc.com.br/
CESGRANRIO: http://www.cesgranrio.org.br/inicial.aspx 6. Os acentos gráficos das palavras “bioestatística” e “es-
FUNRIO: http://www.funrio.org.br/ pecíficos” têm a mesma justificativa gramatical.

QUESTÕES COMENTADAS DE GRAMÁTICA 7. O termo "aí" (l.20) tem como referente “Brasil” (l.19).

CESPE/ FUB/ NÍVEL INTERMEDIÁRIO (CARGO 12) 8. O emprego da vírgula após “momento” (l.10) explica-se
por isolar o adjunto adverbial, que está anteposto ao
1 Estação do ano mais aguardada pelos brasileiros, verbo, ou seja, deslocado de sua posição padrão.
o verão não é sinônimo apenas de praia, corpos à
mostra e pele bronzeada. O calor extremo provocado 1 “O preconceito linguístico é um equívoco, e tão
por massas de ar quente ― fenômeno comum nessa nocivo quanto os outros. Segundo Marcos Bagno,
5 época do ano, mas acentuado na última década pelas especialista no assunto, dizer que o brasileiro não sabe
mudanças climáticas ― traz desconfortos e riscos à português é um dos mitos que compõem o preconceito
saúde. Não se trata somente de desidratação e inso- 5 mais presente na cultura brasileira: o linguístico”.
lação. Um estudo da Faculdade de Saúde Pública de  A redação acima poderia ter sido extraída do edi-
Harvard (EUA), o maior a respeito do tema feito até o torial de uma revista, mas é parte do texto “O oxente e o
10 momento, mostrou que as temperaturas altas aumen- ok”, primeiro lugar na categoria opinião da 4ª Olimpíada
tam hospitalizações por falência renal, infecções do trato de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, realizada
urinário e até mesmo sepse, entre outras enfermidades. 10 pelo Ministério da Educação em parceria com a Fun-
“Embora tenhamos feito o estudo apenas nos EUA, as dação Itaú Social e o Centro de Estudos e Pesquisas
em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC).
ondas de calor são um fenômeno mundial. Portanto,
 A autora do artigo é estudante do 2º ano do ensino
15 os resultados podem ser considerados universais”, diz
médio em uma escola estadual do Ceará, e foi premiada
Francesca Domininci, professora de bioestatística da
15 ao lado de outros dezenove alunos de escolas públi-
faculdade e principal autora do estudo, publicado no
cas brasileiras, durante um evento em Brasília, no
jornal Jama, da Associação Médica dos Estados Unidos. último mês de dezembro. Como nos três anos ante-
No Brasil, não há estudos específicos que associem as riores, vinte alunos foram vencedores ― cinco em
20 ondas de calor a tipos de internações. “Não é só aí. No cada gênero trabalhado pelo projeto. Além de opinião
mundo todo, há pouquíssimas investigações a respeito 20 (2º e 3º anos do ensino médio), a olimpíada destacou
dessa relação”, afirma Domininci. “Precisamos que produções em crônica (9º ano do ensino fundamental),
os colegas de outras partes do planeta façam pesqui- poema (5º e 6º anos) e memória (7º e 8º anos). Tudo
sas semelhantes para compreendermos melhor essa regido por um só tema: “O lugar em que vivo”.
25 importante questão para a saúde pública”, observa.
Língua Portuguesa, 1/2015. Internet: <www.revistalin-
Internet: <www.correioweb.com.br>(com adaptações) gua.uol.com.br>(com adaptações)

Com relação às ideias e às estruturas do texto acima, No que se refere aos sentidos, à estrutura textual e aos
julgue os itens que se seguem. aspectos gramaticais do texto, julgue os itens a seguir.

1. Os elementos presentes no texto permitem classificá- 9. A inserção de vírgula antes do “que” (l.4) provocaria
-lo como narrativo. alteração de sentido no texto.

10. De acordo com as informações constantes do texto


2. Depreende-se das informações do texto que o calor
acima, a 4ª Olimpíada de Língua Portuguesa “Escre-
causado por massas de ar quente e intensificado por
vendo o Futuro” contou com a participação de alunos
mudanças climáticas transformou o verão em uma es-
da rede pública que trabalharam com cinco gêneros
tação prejudicial à saúde das pessoas, pelo aumento textuais, tendo ficado em primeiro lugar na categoria
de hospitalizações por doenças como falência renal. opinião o texto O oxente e o ok.

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11. Os trechos "especialista no assunto" (l. 3), "o linguís- De acordo com o texto acima, julgue os seguintes
tico" (l.5) e “primeiro lugar na categoria opinião da 4ª itens.
Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futu-
ro” (l. 8 a 9) exercem a mesma função sintática, a de 16. De acordo com o contexto, estaria também correto o
aposto. emprego do sinal indicativo de crase em “quanto a”
(l.35).
12. O elemento coesivo “mas” (l.7) inicia uma oração co-
ordenada que exprime a ideia de concessão em uma 17. O vocábulo “indumentárias” (l.23) está empregado em

PORTUGUÊS
sequência de fatos.
sentido figurado.
13. Na linha 18, caso o travessão fosse substituído por
18. Mantêm-se a correção gramatical e as informações
dois-pontos, não haveria prejuízo para a correção gra-
matical do texto. originais do texto ao se substituir “Trata-se de” (l.23)
por Situações como essas se tratam de.
14. De acordo com o primeiro parágrafo do texto, para o
especialista Marcos Bagno, o preconceito linguístico 19. Conforme o texto, a escola deve ensinar aos alunos
nasce da ideia de que existe uma única língua portu- a norma-padrão da língua portuguesa, mas é preciso,
guesa correta. também, refletir se seria adequado corrigir outras pes-
soas, como, por exemplo, um porteiro que diz O elevador
15. O termo “o brasileiro” (l.3) exerce a função de sujeito tá cum pobrema.
da oração em que se insere.
20. Depreende-se do texto que a língua falada não é uma,
1 A língua que falamos, seja qual for (português, mas são várias porque, a depender da situação, o fa-
inglês...), não é uma, são várias. Tanto que um dos mais lante pode se expressar com maior ou menor formali-
eminentes gramáticos brasileiros, Evanildo Bechara, dade.
disse a respeito: “Todos temos de ser poliglotas
5 em nossa própria língua”. Qualquer um sabe que não
21. Segundo o texto, "temos de ser poliglotas em nossa
se deve falar em uma reunião de trabalho como se
falaria em uma mesa de bar. A língua varia com, no própria língua" (l. 4 e 5) significa que a língua assume
mínimo, quatro parâmetros básicos: no tempo (daí variantes adequadas aos contextos em que são pro-
o português medieval, renascentista, do século XIX, duzidas.
10 dos anos 1940, de hoje em dia); no espaço (português
lusitano, brasileiro e mais: um português carioca, pau- 22. O pronome “outra” (l.27) está empregado em referên-
lista, sulista, nordestino); segundo a escolaridade do cia ao termo “A língua” (l.26).
falante (que resulta em duas variedades de língua: a
escolarizada e a não escolarizada) e finalmente varia
segundo a situação de comunicação, isto é, o local
15
GABARITO
em que estamos, a pessoa com quem falamos e o
motivo da nossa comunicação ― e, nesse caso, há,
pelo menos, duas variedades de fala: formal e informal. 1. E. Trata-se, na verdade, de um texto expositivo.
 A língua é como a roupa que vestimos: há um traje
20 para cada ocasião. Há situações em que se deve usar traje 2. C
social, outras em que o mais adequado é o casual, sem
falar nas situações em que se usa maiô ou mesmo nada,
3. E. O verbo “há” (l. 19) deve ser substituído pela forma
quando se toma banho. Trata-se de normas indumentárias
“existem”, a qual passa a concordar com “estudos
que pressupõem um uso “normal”. Não é proibido ir à praia
25 de terno, mas não é normal, pois causa estranheza. específicos” (l. 19).
 A língua funciona do mesmo modo: há uma norma
para entrevistas de emprego, audiências judiciais; e outra 4. C. A expressão nominal em questão é um aposto, o
para a comunicação em compras no supermercado. qual pode, sim, ser deslocado para a posição poste-
A norma culta é o padrão de linguagem que se deve rior ao nome a que faz referência (verão).
30 usar em situações formais.
 A questão é a seguinte: devemos usar a norma culta 5. C
em todas as situações? Evidentemente que não, sob
pena de parecermos pedantes. Dizer “nós fôramos” em 6. C. Ambas são proparoxítonas.
vez de “a gente tinha ido” em uma conversa de botequim
35 é como ir de terno à praia. E quanto a corrigir quem fala 7. C. De fato, o referente locativo da forma “aí” é Brasil.
errado? É claro que os pais devem ensinar seus filhos
a se expressar corretamente, e o professor deve cor-
8. E. O termo em destaque faz referência ao nome
rigir o aluno, mas será que temos o direito de advertir
“estudo” (l. 8). Não se trata, então, de adjunto adver-
o balconista que nos cobra “dois real” pelo cafezinho?
bial.
Língua Portuguesa. Internet: <www.revistalingua.uol.
com.br>(com adaptações). 9. X

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
10. E 20 o Ministério Público adquiriu novas funções, com desta-
que para a sua atuação na tutela dos interesses difusos
11. C. De fato, os trechos destacados são é expres- e coletivos. Isso deu evidência à instituição, tornando-a
sões de natureza substantiva que se referem a outra uma espécie de ouvidoria da sociedade brasileira.
expressão de natureza substantiva ou pronominal.
Internet: <www.mpu.mp.br> (com adaptações).
12. E. O elemento coesivo “mas” inicia, no texto citado,
BRUNO PILASTRE

uma oração coordenada que exprime ideia adversa- Com relação às ideias e às estruturas linguísticas do
tiva. texto I, julgue os itens que se seguem.

13. C. O travessão pode ser substituído por dois-pontos 1. A palavra “cível” recebe acento gráfico em decorrência
e por vírgula, inexistindo prejuízo para a correção da mesma regra que determina o emprego de acento
gramatical. em amável e útil.

14. E 2. Caso se substituísse “iniciou-se” (ℓ.14) por foi iniciada,


a correção gramatical do período seria prejudicada.
15. C. A oração em questão é “o brasileiro não sabe por-
tuguês”, cujo sujeito é “o brasileiro”. O predicado é 3. A correção gramatical do texto seria mantida caso a
“não sabe português”. expressão “sobre a” (ℓ. 17) fosse substituída por acer-
ca da.
16. E. A forma verbal “corrigir” é refratária à presença
de artigo. Assim, impossibilita-se o emprego do sinal (TÉCNICO JUDICIÁRIO ADMINISTRATIVA TRE GO 2015)
indicativo de crase (pois não há fusão de dois aa).
TEXTO II
17. C
18. E 1 A votação paralela é um mecanismo adotado pela
19. C justiça eleitoral para confirmar a credibilidade do sis-
20. C tema de voto eletrônico. Na véspera da eleição, em
21. C cada um dos vinte e sete tribunais regionais eleitorais
5 (TREs), são sorteadas uma seção da capital e de duas
22. E. Não há referência anafórica à expressão “A língua”. a quatro seções do interior em cada estado e no Distrito
No trecho em questão, a reconstrução da ideia é a Federal (DF) para a cessão de urnas a serem testadas.
seguinte: “A língua funciona do mesmo modo: há Logo a seguir, os equipamentos são retirados dos seus
uma norma para entrevistas de emprego, audiências locais de origem e levados, ainda no sábado, para as
judiciais; e outra (NORMA) para a comunicação em 10 sedes dos TREs, onde permanecem sob vigilância. Na
compras no supermercado.”
semana que antecede o dia da votação, representantes
de partidos políticos são convocados pelos TREs para
(TÉCNICO DO MPU SEGURANÇA INSTITUCIONAL E TRANS-
preencherem certa quantidade de cédulas de votação.
PORTE MPU 2015)
Esses votos em cédulas são depositados em urnas de
15 lona lacradas. Na votação paralela, o conteúdo das cédu-
TEXTO I
las é digitado nas urnas eletrônicas sorteadas. Ao final,
confrontam-se os resultados do boletim das urnas ele-
1 O Ministério Público é fruto do desenvolvimento do
trônicas com aqueles obtidos no computador. Os juízes
Estado brasileiro e da democracia. A sua história é mar-
eleitorais, após serem informados pelos magistrados
cada por processos que culminaram consolidando-o
20 dos TREs de que urnas de sua seção foram sortea-
como instituição e ampliando sua área de atuação. No
das, providenciam a substituição dos equipamentos por
5 período colonial, o Brasil foi orientado pelo direito lusi-
outros do estoque de reserva. Em cada estado e no DF, há
tano. Não havia o Ministério Público como instituição.
uma comissão de votação paralela para cuidar da orga-
Mas as Ordenações Manuelinas de 1521 e as Ordena-
ções Filipinas de 1603 já faziam menção aos promo- nização e condução dos trabalhos, composta por um juiz
tores de justiça, atribuindo-lhes o papel de fiscalizar a 25 de direito e quatro servidores da justiça eleitoral.
10 lei e de promover a acusação criminal. Existiam ainda
Por dentro da urna. Brasília: Tribunal Superior Eleito-
o cargo de procurador dos feitos da Coroa (defensor ral, 2010, 2ed., rev. e atual., p. 15-16. Internet: <www.
da Coroa) e o de procurador da Fazenda (defensor do tse.jus.br> (com adaptações).
fisco). Só no Império, em 1832, com o Código de Pro-
cesso Penal do Império, iniciou-se a sistematização Os itens a seguir apresenta uma proposta de reescrita
15 das ações do Ministério Público. Na República, o de trecho do texto II — indicado entre aspas —, que
Decreto n. 848/1890, ao criar e regulamentar a justiça deve ser julgada certa se estiver gramaticalmente cor-
federal, dispôs, em um capítulo, sobre a estrutura e as reta e mantiver o sentido do texto, ou errada, em caso
atribuições do Ministério Público no âmbito federal. Foi contrário.
na área cível, com a Constituição Federal de 1988, que

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4. “Em cada estado (...) da justiça eleitoral” (l. de 22 a 25): Julgue os itens subsequentes, relativo às estruturas
Para cuidar da organização e condução dos trabalhos linguísticas e às ideias do texto.
de cada estado há uma comissão de votação paralela,
as quais são compostas por um juiz de direito e quatro 11. As expressões “eixo norteador” (l.1) e “fazer frente”
servidores da justiça eleitoral (l.6) demonstram que o texto se afasta do nível de for-
malidade da linguagem, aproximando-se do registro
5. “são sorteadas (...) e no Distrito Federal (DF)” (l. de 5 coloquial ou oral.
a 7): é sorteada uma seção da capital e entre duas e
12. Na linha 4, a forma verbal “impõe” exige dois comple-

PORTUGUÊS
quatro seções do interior em cada estado e no Distrito
mentos: um, introduzido pela preposição “a” – por isso,
Federal (DF)
o acento indicativo de crase em “à organização” –; e
outro, sem preposição – de que decorre o não uso da
6. “Na semana (...) cédulas de votação” (l. de 10 a 13): Na crase em “a necessidade”.
semana precedente ao dia do sufrágio, os TREs con-
vocam representantes de partidos políticos para pre- 1 Neste ano, em especial, alguns cargos que tradi-
encher determinada quantidade de cédulas de votação cionalmente já são valorizados devem ficar ainda mais
requisitados. São promissores cargos ligados à ciência
7. “A votação paralela (...) de voto eletrônico” (l. de 1 a 3): de dados, em especial ao big data e aos dispositivos
O mecanismo adotado pela justiça eleitoral para con- 5 móveis, como celulares e tablets. Os novos profissionais
firmar a credibilidade do sistema de voto eletrônico é da área de tecnologia ganham relevância pela capaci-
chamado de votação paralela dade de aprofundar a análise de informações e pela
criação de estratégias dentro de empresas. A tendên-
8. “Os juízes eleitorais (...) estoque de reserva” (l. de 18 cia é que, à medida que esse mercado se desenvolva
a 22): Os juízes eleitorais, após serem informados pe- 10 no Brasil, aumentem as oportunidades nos próximos
anos. Em momentos de incerteza econômica, buscar
los magistrados dos TREs de que urnas de sua seção
soluções para aumentar a produtividade é uma escolha
foram sorteadas, procedem à substituição dos equipa-
certeira para sobreviver e prosperar: nesse sentido, as
mentos por outros do estoque de reserva empresas brasileiras estão fazendo o dever de casa.

9. “Logo a seguir, (...) sob vigilância” (l. de 8 a 10): Em Veja, 07/01/2015, p. 55 (com adaptações).
seguida, retiram-se os equipamentos dos seus locais
de origem e levam-se, ainda no sábado, para as sedes Com referência aos sentidos e às estruturas do texto
dos TREs, onde as quais permanecem sob vigilância acima, julgue os itens a seguir.

10. “Na votação paralela, (...) nas urnas eletrônicas sorte- 13. Depreende-se do texto que o Brasil vive um momen-
adas” (l. 15 e 16): Na votação paralela, o conteúdo das to de grande incerteza econômica, principalmente por
cédulas são digitados nas urnas eletrônicas sorteadas não haver avançado o suficiente no campo da tecno-
logia.
(VÁRIOS CARGOS FUB 2015)
14. No texto, o uso das formas verbais no modo subjunti-
vo em “desenvolva” e “aumentem”, nas linhas 9 e 10,
1 O eixo norteador da gestão estratégica de recur-
reforça a ideia de hipótese conferida ao substantivo
sos humanos é a ênfase nas pessoas como variável
“tendência” (l.8).
determinante do sucesso organizacional, visto que
a busca pela competitividade impõe à organização a 15. Preservam-se as relações sintáticas e a correção gra-
5 necessidade de contar com profissionais altamente matical entre as orações ao substituir o sinal de dois-
qualificados, aptos a fazer frente às ameaças e opor- -pontos (l.13) por ponto e vírgula ou vírgula.
tunidades do mercado. Essa construção competitiva
sugere que a gestão estratégica de recursos humanos 16. Na linha 12, para a construção de sentidos do texto, a
contribui para gerar vantagem competitiva sustentável forma verbal “é” está flexionada no singular para con-
10 por promover o desenvolvimento de competências e cordar com o núcleo do sujeito, “produtividade”.
habilidades, produz e difunde conhecimento, desen-
volve as relações sociais na organização. A gestão (TÉCNICO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO FUB 2015)
deve ter como objetivo maior a melhoria das performan-
ces profissional e organizacional, principalmente por 1 “O preconceito linguístico é um equívoco, e tão
15 meio do desenvolvimento das pessoas em um sentido nocivo quanto os outros. Segundo Marcos Bagno,
mais amplo. Dessa forma, o conhecimento e o desem- especialista no assunto, dizer que o brasileiro não sabe
penho representam, ao mesmo tempo, um valor eco- português é um dos mitos que compõem o preconceito
nômico à organização e um valor social ao indivíduo. 5 mais presente na cultura brasileira: o linguístico”.
A redação acima poderia ter sido extraída do edito-
Valdec Romero. Aprendizagem organizacional, gestão
rial de uma revista, mas é parte do texto O oxente e
do conhecimento e universidade corporativa: instrumen-
o ok, primeiro lugar na categoria opinião da 4ª Olim-
tos de um mesmo construto. Internet: <www.administra-
dores.com.br> (com adaptações). píada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro,

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O conteúdo deste e-book é licenciado para Carlos Pedro Amorim Córdula - 018.553.344-29, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,
a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
10 realizada pelo Ministério da Educação em parceria mente quando nos debruçamos sobre o cenário político
com a Fundação Itaú Social e o Centro de Estudos e dos anos anteriores à eleição dos membros que com-
Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária poriam a Assembleia Constituinte que resultou na Carta
(CENPEC). A autora do artigo é estudante do 2º ano do 10 de 1988. Em expedita sinopse, é possível perceber
ensino médio em uma escola estadual do Ceará, e foi que, após longo período de repressão à manifestação
15 premiada ao lado de outros dezenove alunos de esco- do pensamento, o povo brasileiro ansiava por exercer
las públicas brasileiras, durante um evento em Brasí- o direito de eleger os seus representantes com o obje-
BRUNO PILASTRE

lia, no último mês de dezembro. Como nos três anos tivo de participar direta ou indiretamente da formação
anteriores, vinte alunos foram vencedores – cinco em 15 da vontade política da nação. Dentro desse contexto,
cada gênero trabalhado pelo projeto. Além de opinião impende destacar que os movimentos populares que
20 (2º e 3º anos do ensino médio), a olimpíada destacou ocorreram a partir do ano de 1984, que deram margem
produções em crônica (9º ano do ensino fundamental), ao início do processo de elaboração da nova Carta,
poema (5º e 6º anos) e memória (7º e 8º anos). Tudo deixaram transparecer de maneira cristalina aos então
regido por um só tema: “O lugar em que vivo”. 20 governantes que o coração da nação brasileira estava
Língua Portuguesa, 01/2015. Internet: <www.revistalin- palpitante, quase que exageradamente acelerado,
gua.uol.com.br> (com adaptações). tendo em vista a possibilidade de se recuperar o exercí-
cio do poder, cujo titular, por longo lapso, deixou de ser
No que se refere aos sentidos, à estrutura textual e aos escolhido pelo povo brasileiro. Em meio a esse cenário,
aspectos gramaticais do texto, julgue os itens a seguir. 25 foi elaborado o texto constitucional, que, desde então,
recebeu a denominação de Constituição Cidadã. O art.
17. De acordo com o primeiro parágrafo do texto, para o 14 desse texto confere ênfase à titularidade do poder
especialista Marcos Bagno, o preconceito linguístico para ressaltar que “A soberania popular é exercida pelo
nasce da ideia de que existe uma única língua portu- sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor
guesa correta. 30 igual a todos”, deixando transparecer que a intenção da
Lei Maior é fazer que o povo exerça efetivamente o seu
18. De acordo com as informações constantes do texto direito de participar da formação da vontade política.
acima, a 4ª Olimpíada de Língua Portuguesa Escre-
vendo o Futuro contou com a participação de alunos Fernando Marques Sá. Desaprovação das contas de
campanha do candidato – avanço da legislação para
da rede pública que trabalharam com cinco gêneros
as eleições de 2014. In: Estudos Eleitorais. Brasília:
textuais, tendo ficado em primeiro lugar na categoria
Tribunal Superior Eleitoral. Vol. 9, n. 2, 2014, p. 52-3.
opinião o texto O oxente e o ok. Internet: <www.tse.jus.br> (com adaptações).

19. Os trechos ‘especialista no assunto’ (ℓ. 3), ‘o linguístico’ 24. No trecho “Em meio a esse cenário” (ℓ.24), a inserção
(ℓ.5 e 6) e “primeiro lugar na categoria opinião da 4ª Olim- de sinal indicativo de crase no “a” acarretaria prejuízo
píada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro” (ℓ. 8 à correção gramatical do texto.
e 9) exercem a mesma função sintática, a de aposto.
25. O trecho “a possibilidade de se recuperar” (ℓ.22) equi-
20. Na linha 18, caso o travessão fosse substituído por vale, em sentido, ao trecho seguinte: a possibilidade
dois-pontos, não haveria prejuízo para a correção gra- de que se recuperasse.
matical do texto.
26. A substituição da expressão “mormente” (ℓ.6 e 7) por
21. O elemento coesivo “mas” (ℓ.7) inicia uma oração co- sobretudo manteria a correção e o sentido do texto.
ordenada que exprime a ideia de concessão em uma
27. A forma verbal “deixando transparecer” (ℓ.30) retoma o
sequência de fatos.
sujeito “O art. 14 desse texto” (ℓ.26 e 27).
22. O termo “o brasileiro” (ℓ.3) exerce a função de sujeito 28. O termo “cenário” (ℓ.24) alude ao “longo período de re-
da oração em que se insere. pressão à manifestação do pensamento” (ℓ.11 e 12).

23. A inserção de vírgula antes do “que” (ℓ.3) provocaria 29. As formas verbais “ocorreram” (ℓ.17), “deram” (ℓ.17) e
alteração de sentido no texto. “deixaram transparecer” (ℓ.19) estão ligadas ao mesmo
termo, que, nos dois primeiros casos, é retomado pelo
(ANALISTA JUDICIÁRIO TRE GO 2015) pronome “que”: “os movimentos populares” (ℓ. 16).

Com referência às estruturas linguísticas do texto II, Conforme as ideias do texto II,
julgue os próximos itens.
30. a Constituição Federal de 1988 é denominada de
1 Segundo a Constituição Federal, todo poder Constituição Cidadã por conferir ênfase à titularidade
emana do povo e por ele será exercido, quer de do exercício do poder pelo povo, como se pode obser-
maneira direta, quer por intermédio de representan- var no texto do artigo 14 da Carta Magna.
tes eleitos. Essa afirmação, dentro do espírito do texto
31. foi necessária a promulgação da Carta Magna de 1988
5 constitucional, deve ser interpretada como verdadeiro
para que o exercício do poder pelo povo virasse rea-
dogma estabelecido pelo constituinte originário, mor-
lidade.

60

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
(VÁRIOS CARGOS FUB 2015) Com base no Manual de Redação da Presidência da
República, julgue os itens seguintes, relativos à cor-
1 Se observarmos as nações desenvolvidas, veri- respondência oficial hipotética apresentada.
ficaremos que elas se destacam em termos de pro-
dutividade total dos fatores, ou seja, são países que 36. A substituição do fecho “Atenciosamente” por Res-
tornaram as economias mais eficientes e produtivas peitosamente, apesar de denotar impessoalidade,
5 e contam não só com a eficácia das máquinas e dos característica dos textos oficiais, seria inadequada no
equipamentos de seu parque industrial, mas também expediente oficial em questão.

PORTUGUÊS
com o acesso a insumos mais sofisticados e adequa-
dos, com mão de obra bem educada e formada, infra- 37. Na situação considerada, quando for enviado, o e-mail
estrutura adequada e custos justos de transação. com a frequência dos estagiários terá seu valor docu-
Cledorvino Belini. O Brasil depois das eleições. In: Cor- mental garantido por duas razões: por envolver dois
reio Braziliense, 02/01/2015 (com adaptações). setores de um mesmo órgão público e por conter infor-
mações de caráter meramente administrativo.
Julgue os próximos itens, relacionados às ideias e às
estruturas linguísticas do texto acima.
38. No tipo de texto oficial ilustrado, a assinatura e a in-
32. Depreende-se das ideias do texto que, para uma na- dicação do cargo da autoridade que o expede cons-
ção ser considerada desenvolvida, sua economia deve tituem informações obrigatórias para a identificação
basear-se na otimização de seu parque industrial, mão do signatário, ao passo que o nome dessa autoridade
de obra gentil e bem formada, infraestrutura apropria- constitui informação opcional.
da e justiça do mercado.
39. As regras da norma padrão do português seriam res-
33. No desenvolvimento textual, subentende-se que a for-
ma verbal “são” (l.3) remete a “elas” (l.2), ou seja, “as peitadas se, no parágrafo 4 do texto, a expressão
nações desenvolvidas” (l.1). “para evitar” fosse substituída por para que se evite.

34. Mantêm-se a coesão textual e a correção gramatical caso 40. A situação comunicativa mediada pelo texto em ques-
se substitua o trecho “contam (...) acesso” (l. 5 a 7) por: tão envolve três interlocutores: o chefe do SePes (co-
contam com a eficácia das máquinas e dos equipamen- municador), o chefe do SEst (destinatário direto) e os
tos de seu parque industrial, bem como com o acesso. estagiários

35. Para a retomada de ideias na organização das ora-


41. A finalidade comunicativa do expediente em apreço é
ções do texto, admite-se, após “fatores” (l.3), a substi-
anunciar novas diretrizes a serem seguidas pelo SEst na
tuição da vírgula por ponto e vírgula.
comunicação da frequência dos estagiários ao SePes.
(TÉCNICO JUDICIÁRIO ADMINISTRATIVA TRE GO 2015)
42. Se, na situação em apreço, o SePes não tivesse deter-
minado o e-mail como via para a remessa da planilha
de frequência de estagiários pelo SEst, este poderia
fazer uso do memorando.

(VÁRIOS CARGOS FUB 2015 )

1 O fator mais importante para prever a perfor-


mance de um grupo é a igualdade da participação na
conversa. Grupos em que poucas pessoas dominam
o diálogo têm desempenho pior do que aqueles em
5 que há mais troca. O segundo fator mais importante
é a inteligência social dos seus membros, medida
pela capacidade que eles têm de ler os sinais emiti-
dos pelos outros membros do grupo. As mulheres têm
mais inteligência social que os homens, por isso grupos
10 mais diversificados têm desempenho melhor.

Gustavo Ioschpe. Veja, 31/12/2014, p. 33


(com adaptações).

Julgue os itens seguintes, referentes às ideias e às es-


truturas linguísticas do texto acima.

43. Preservam-se o sentido e a correção gramatical do


texto ao acrescentar de ideias após “troca” (l.5) e do
que grupos mais homogêneos após “melhor” (l.10).

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44. Em todas as ocorrências de “têm” no texto (l. 4, 7, 8 e 47. “O voto não é, (...) é o cidadão” (ℓ. de 16 a 19): O voto
10) é exigido o uso do acento circunflexo para marcar não é um direito político, como pretendem muitos, o
o plural. voto é mais do que isso, é uma fração da soberania
nacional, o voto é o cidadão.
45. Com o uso do pronome masculino “eles” (l.7), excluem-
-se da argumentação as mulheres, razão pela qual são 48. “Empregando, pois, (...) a face coletiva” (ℓ. de 35 a 38):
citadas no período final do texto. Pois, empregando o termo jurídico em sua primitiva
BRUNO PILASTRE

acepção, o voto exprime a pessoa política, como ou-


46. Na linha 3, a supressão do termo “em” manteria a cor- trora a propriedade foi a pessoa civil, — isto é, uma
reção gramatical e o sentido original do período. face da individualidade, a face coletiva.

(ANALISTA JUDICIÁRIO TRE GO 2015) 49. “Essa constatação (...) densidade das ofensas” (ℓ. 4 a
6): Essa constatação acarreta na pluralidade dos bens
TEXTO III jurídicos afetados e na densidade das ofensas.

1 Muitos ilícitos penais praticados no universo do 50. “Quando a liberdade (...) diversa da primitiva” (ℓ. de 21
sistema eleitoral revelam gravidade ofensiva muito a 24): Quando a liberdade civil despontou surgiu para
maior do que a grande maioria dos crimes previstos no a criatura racional, sob a tirania primitiva, uma nova
Código Penal e em leis especiais. Essa constatação existência, muito diversa da primitiva.
5 resulta da pluralidade dos bens jurídicos afetados e da
densidade das ofensas. A coação para a obtenção do 51. “O voto (...) a mesma função” (ℓ. 27 a 29): Atualmen-
voto, a falsificação de documento de interesse eleitoral, te, o voto desempenha a mesma função em relação à
a ofensa à honra durante a campanha e outras modalida- vida política.
des típicas dos crimes submetidos à jurisdição eleitoral
10 (próprios ou impróprios) revelam consequências dano-
52. “A coação (...) repercussão social” (ℓ. de 6 a 11): A co-
sas de maior repercussão social mesmo quando, previs-
ação para a obtenção do voto e para a falsificação de
tas somente no Código Penal e em leis especiais, aten-
documento de interesse eleitoral, a ofensa à honra du-
tem contra bens e interesses coletivos (incolumidade,
rante a campanha e outras modalidades típicas dos
administração pública etc.). Vejamos, no parágrafo
crimes submetidos à jurisdição eleitoral (próprias ou
15 a seguir, o que nos diz José de Alencar em texto
impróprias) revelam consequências danosas de maior
memorável a respeito do sufrágio: O voto não é, como
repercussão social.
pretendem muitos, um direito político; é mais do que
isso, é uma fração da soberania nacional; é o cida-
dão. Na infância da sociedade, a vida política absorvia (TÉCNICO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO FUB 2015)
20 o homem de modo que ele figurava exclusivamente
como membro da associação. Quando a liberdade civil 1 Estação do ano mais aguardada pelos brasilei-
despontou, sob a tirania primitiva, surgiu para a criatura ros, o verão não é sinônimo apenas de praia, corpos à
racional uma nova existência, muito diversa da primi- mostra e pele bronzeada. O calor extremo provocado por
tiva; tão diversa que o cidadão livre se tornava, como massas de ar quente – fenômeno comum nessa época
25 indivíduo, propriedade de outrem. Para designar essa 5 do ano, mas acentuado na última década pelas mudan-
fase nova da vida, inteiramente distinta do cidadão,
ças climáticas ― traz desconfortos e riscos à saúde.
usaram da palavra, pessoa – persona. O voto desem-
Não se trata somente de desidratação e insolação. Um
penha atualmente em relação à vida política a mesma
função. A sociedade moderna, ao contrário da antiga, estudo da Faculdade de Saúde Pública de Harvard
30 dedica-se especialmente à liberdade civil; nações onde (EUA), o maior a respeito do tema feito até o momento,
não penetrou ainda a democracia já gozam da inviolabi- 10 mostrou que as temperaturas altas aumentam hospita-
lidade dos direitos privados. Absorvido pela existência lizações por falência renal, infecções do trato urinário e
doméstica, e pelo interesse individual, o homem não até mesmo sepse, entre outras enfermidades. “Embora
se pode entregar à vida pública senão periodicamente tenhamos feito o estudo apenas nos EUA, as ondas de
35 e por breve espaço. Empregando, pois, o termo jurí- calor são um fenômeno mundial. Portanto, os resultados
dico em sua primitiva acepção, o voto exprime a pessoa
15 podem ser considerados universais”, diz Francesca
política, como outrora a propriedade foi a pessoa civil,
Domininci, professora de bioestatística da faculdade e
isto é, uma face da individualidade, a face coletiva.
principal autora do estudo, publicado no jornal Jama,
Reforma eleitoral: delitos eleitorais, prestação de contas da Associação Médica dos Estados Unidos. No Brasil,
(partidos e candidatos), propostas do TSE. — Brasília: não há estudos específicos que associem as ondas de
SDI, 2005, p. 34-5. Internet: <www.tse.jus.br> (com 20 calor a tipos de internações. “Não é só aí. No mundo
adaptações). todo, há pouquíssimas investigações a respeito dessa
relação”, afirma Domininci. “Precisamos que os cole-
Os itens a seguir apresentam uma proposta de rees- gas de outras partes do planeta façam pesquisas
crita de trecho do texto III — indicado entre aspas —, semelhantes para compreendermos melhor essa
que deve ser julgada certa se estiver gramaticalmente 25 importante questão para a saúde pública”, observa.
correta e mantiver o sentido do texto, ou errada, em
caso contrário. Internet: <www.correioweb.com.br> (com adaptações).

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Com relação às ideias e às estruturas do texto acima, 61. No que diz respeito à estrutura do ato administrativo,
julgue os itens que se seguem. é correto afirmar que, no caso do texto apresentado,
não há ementa.
53. Os acentos gráficos das palavras “bioestatística” e “es-
pecíficos” têm a mesma justificativa gramatical.
62. O trecho JS/mg/ UnB Doc 0023/2011 identifica, res-
pectivamente, as iniciais do nome da pessoa que ela-
54. Infere-se do texto que ainda falta a contribuição de
muitos países para as pesquisas que associem altas borou o documento e as de quem o digitou, além do
número do UnBDoc.

PORTUGUÊS
temperaturas a internações por enfermidades relacio-
nadas aos efeitos do calor.
63. Se o referido ato fosse constituído de apenas um pará-
55. Elementos presentes no texto permitem classificá-lo grafo, este deveria ser denominado “parágrafo único”.
como narrativo.
64. Todos os documentos oficiais da Universidade de Bra-
56. O emprego da vírgula após “momento” (l.9) explica-se
sília (UnB) devem ser publicados no link Transparência
por isolar o adjunto adverbial, que está anteposto ao
UnB, no portal da instituição.
verbo, ou seja, deslocado de sua posição padrão.

57. Mantêm-se a correção gramatical e o sentido original 65. Os documentos ato e ofício compartilham da mesma
do texto ao se substituir “há” (l.19) por existe. estrutura textual, apesar de serem usados para dife-
rentes finalidades.
58. Depreende-se das informações do texto que o calor
causado por massas de ar quente e intensificado por 1 Um estudo da Universidade da Califórnia, em
mudanças climáticas transformou o verão em uma es- Davis – EUA, mostra que a curiosidade é importante
tação prejudicial à saúde das pessoas, pelo aumento no aprendizado. Imagens dos cérebros de universitá-
de hospitalizações por doenças como falência renal.
rios revelaram que ela estimula a atividade cerebral
59. O termo ‘aí’ (l.20) tem como referente “Brasil” (l.18). 5 do hormônio dopamina, que parece fortalecer a
memória das pessoas. A dopamina está ligada à
60. Seria mantida a correção gramatical do período caso sensação de recompensa, o que sugere que a curio-
o fragmento “Estação do ano mais aguardada pelos sidade estimula os mesmos circuitos neurais ativa-
brasileiros” (l.1) fosse deslocado e inserido, entre vír- dos por uma guloseima ou uma droga. Na média, os
gulas, após “verão” (l.2) feitos os devidos ajustes de 10 alunos testados deram 35 respostas corretas a 50
maiúsculas e minúsculas. perguntas acerca de temas que os deixavam curio-
sos e 27 de 50 questões sobre assuntos que não os
(VÁRIOS CARGOS FUB 2015)
atraíam. Estimular a curiosidade ajuda a aprender.

Planeta, dez/2014, p. 14 (com adaptações).

A respeito das ideias e das estruturas linguísticas do


texto acima, julgue os itens subsecutivos.

66. Em um uso mais formal da língua, as regras de co-


locação pronominal do padrão culto permitem que o
pronome átono em “que não os atraíam” (l. 12 e 13)
seja também utilizado depois do verbo, sob a forma de
nos, ligada ao verbo por um hífen.

67. A retirada do termo “o” em “o que sugere” (l.7) preserva


a relação entre as ideias, bem como a correção grama-
tical do texto, com a vantagem de ressaltar o paralelis-
mo com o período sintático anterior.

68. No desenvolvimento argumentativo do texto, admite-


-se a substituição de “no aprendizado” (l. 3) por para
o aprendizado.

69. Os dados apresentados acerca das respostas dos


Tendo como referência a comunicação hipotética aci-
“alunos testados” (l.10) constituem argumentos a favor
ma, julgue os itens a seguir, à luz das Normas para
da tese do texto, expressa por “a curiosidade é impor-
Padronização de Documentos da Universidade de
Brasília. tante no aprendizado” (l. 2 e 3).

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(TÉCNICO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO FUB 2015) 73. Conforme o texto, a escola deve ensinar aos alunos
a norma-padrão da língua portuguesa, mas é preciso,
1 A língua que falamos, seja qual for (português, também, refletir se seria adequado corrigir outras pes-
inglês...), não é uma, são várias. Tanto que um dos mais soas, como, por exemplo, um porteiro que diz O eleva-
eminentes gramáticos brasileiros, Evanildo Bechara, dor tá cum pobrema.
disse a respeito: “Todos temos de ser poliglotas
74. Mantêm-se a correção gramatical e as informações
5 em nossa própria língua”. Qualquer um sabe que não
originais do texto ao se substituir “Trata-se de” (ℓ.23)
BRUNO PILASTRE

se deve falar em uma reunião de trabalho como se por Situações como essas se tratam de.
falaria em uma mesa de bar. A língua varia com, no
mínimo, quatro parâmetros básicos: no tempo (daí o 75. O pronome “outra” (ℓ.28) está empregado em referên-
português medieval, renascentista, do século XIX, dos cia ao termo “A língua” (ℓ.26).
10 anos 1940, de hoje em dia); no espaço (português lusi-
tano, brasileiro e mais: um português carioca, paulista, 76. Depreende-se do texto que a língua falada não é uma,
sulista, nordestino); segundo a escolaridade do falante mas são várias porque, a depender da situação, o falan-
(que resulta em duas variedades de língua: a escolari- te pode se expressar com maior ou menor formalidade.
zada e a não escolarizada) e finalmente varia segundo
(ANALISTA JUDICIÁRIO TRE GO 2015)
15 a situação de comunicação, isto é, o local em que esta-
mos, a pessoa com quem falamos e o motivo da nossa
Xxx. 1032/SeTec
comunicação ― e, nesse caso, há, pelo menos, duas Goiânia, 15 de janeiro de 2015.
variedades de fala: formal e informal. A língua é como Ao Senhor Chefe do Setor de Documentação
a roupa que vestimos: há um traje para cada ocasião. Assunto: Oficinas de apresentação do novo sistema
20 Há situações em que se deve usar traje social, outras operacional
em que o mais adequado é o casual, sem falar nas situ- 1. Como é sabido, recentemente adquirimos um novo
ações em que se usa maiô ou mesmo nada, quando sistema operacional. Como se trata de um sistema muito
se toma banho. Trata-se de normas indumentárias diferente do anterior, informo a Vossa Senhoria que o Setor
que pressupõem um uso “normal”. Não é proibido ir de Tecnologia (SeTec) oferecerá, entre os dias 26 e 30 de
25 à praia de terno, mas não é normal, pois causa estra- janeiro deste ano, uma série de oficinas práticas para apre-
sentação desse novo sistema aos funcionários.
nheza. A língua funciona do mesmo modo: há uma
2. Por essa razão, solicito que, no período acima indi-
norma para entrevistas de emprego, audiências judi-
cado, Vossa Senhoria libere todos os funcionários do seu
ciais; e outra para a comunicação em compras no setor duas horas antes do fim do expediente para que eles
supermercado. A norma culta é o padrão de linguagem possam frequentar as oficinas.
30 que se deve usar em situações formais. A questão 3. Devo mencionar, por fim, que a participação dos fun-
é a seguinte: devemos usar a norma culta em todas cionários nas oficinas é obrigatória, pois o novo sistema já
as situações? Evidentemente que não, sob pena de entrará em funcionamento no dia 20 de julho do corrente
parecermos pedantes. Dizer “nós fôramos” em vez de ano. Nessa data, todos já deverão conhecê-lo e saber como
“a gente tinha ido” em uma conversa de botequim é operá-lo.
35 como ir de terno à praia. E quanto a corrigir quem fala
errado? É claro que os pais devem ensinar seus filhos Atenciosamente,
a se expressar corretamente, e o professor deve cor-
(espaço para assinatura)
rigir o aluno, mas será que temos o direito de advertir
o balconista que nos cobra “dois real” pelo cafezinho? (nome do signatário)

Língua Portuguesa. Internet: <www.revistalingua.uol. Chefe do Setor de Tecnologia


com.br> (com adaptações)
Com base no disposto no Manual de Redação da Pre-
De acordo com o texto acima, julgue os seguintes itens. sidência da República, julgue os itens que se seguem,
a respeito da correspondência oficial hipotética Xxx.
70. De acordo com o contexto, estaria também correto o 1032/SeTec, anteriormente apresentada, na qual o
emprego do sinal indicativo de crase em “quanto a” remetente e o destinatário são funcionários de igual
nível hierárquico de um mesmo órgão da administra-
(ℓ.35).
ção pública.
71. O vocábulo “indumentárias” (ℓ.23) está empregado em
77. O segundo período do primeiro parágrafo do texto po-
sentido figurado. deria ser corretamente reescrito da seguinte forma:
Como esse sistema difere muito do anterior, informo
72. Segundo o texto, ‘temos de ser poliglotas em nossa Vossa Senhoria de que o Setor de Tecnologia (SeTec)
própria língua’ (ℓ. 4 e 5) significa que a língua assume oferecerá, entre os dias 26 e 30 de janeiro deste ano,
variantes adequadas aos contextos em que são pro- uma série de oficinas práticas para apresentação des-
duzidas. se novo sistema aos funcionários.

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78. Dada a presença, no texto, do pronome de tratamento 30 anos, a percepção de renda anual de um milhão e
“Vossa Senhoria”, estaria adequada a substituição, no seiscentos mil réis. Uma modificação digna de nota é
segundo parágrafo da correspondência em apreço, da que, a partir daquela década, os trabalhos eleitorais
forma verbal “libere” por libereis e do trecho “todos os não seriam mais precedidos de cerimônias religiosas,
funcionários do seu setor” por todos os funcionários como era habitual antes da edição da Lei Saraiva.
do vosso setor. 35 Refletindo a relação entre o Estado e a Igreja, já havia
ocorrido que algumas eleições fossem realizadas em
79. A numeração dos três parágrafos que compõem o tex- templos religiosos; a partir da lei, apenas na falta de

PORTUGUÊS
to é opcional. outros edifícios os pleitos poderiam ser realizados em
igrejas, muito embora fosse possível afixar nelas –
80. De acordo com as informações apresentadas, é cor- 40 como locais públicos que eram – editais informando
reto afirmar que essa comunicação é um memorando. eliminações, inclusões e alterações nos alistamentos.
Por esse motivo, em lugar de “Xxx.”, no início do expe-
diente, deveria constar a abreviação Mem. Títulos eleitorais: 1881-2008. Brasília: Tribunal
Superior Eleitoral, Secretaria de Gestão da Informa-
81. Sem prejuízo da correção gramatical e do sentido ori- ção, 2009, p. 11-2. Internet: <www.tse.jus.br> (com
ginal do texto, o primeiro período do terceiro parágrafo adaptações).
poderia ser reescrito da seguinte forma: Finalmente,
consigno que é obrigatório que haja participação nas Julgue os itens que se seguem com base nas ideias
oficinas de todos os funcionários, uma vez que o já do texto I.
novo sistema começará a funcionar no dia 20 de julho
deste ano. 83. Na época a que o texto se refere, todo candidato a
cargo público deveria comprovar o atendimento a re-
82. São propósitos comunicativos do texto oficial em quisitos de idade e rendimento anual.
questão informar sobre as oficinas de apresentação
do novo sistema operacional e solicitar a liberação dos Com relação às estruturas linguísticas do texto I, jul-
funcionários do setor de documentação para sua parti- gue os itens seguintes.
cipação nessas oficinas.
84. Caso a vírgula que sucede o vocábulo “eleitoral” (l.12)
(TÉCNICO JUDICIÁRIO ADMINISTRATIVA TRE GO 2015)
fosse suprimida, o sentido do texto seria preservado,
mas não a sua correção gramatical.
TEXTO I
85. As eleições diretas no Brasil tiveram início em 1880.
1 Em 1880, o deputado Rui Barbosa, da Bahia, redi-
giu, a pedido do presidente do Conselho de Ministros,
José Antônio Saraiva, o projeto de lei de reforma elei- 86. A partir da entrada em vigor da Lei Saraiva, a Igreja
toral. Em abril de 1880, o Ministério do Império enviaria deixou de interferir nas questões de Estado.
5 o documento à Câmara dos Deputados. Aprovado pos-
teriormente pelo Senado, em janeiro do ano seguinte 87. A possibilidade de eleição direta para o cargo de re-
seria transformado no Decreto n. 3.029 e ficaria popu- gente não foi considerada pela Lei Saraiva.
larmente conhecido como Lei Saraiva. Por intermédio
dela, seriam instituídas eleições diretas no país para 88. Na linha 27, as vírgulas empregadas após os vocá-
10 todos os cargos, à exceção do de regente, amparado bulos “provincial” e “geral” evitam a repetição da ex-
pelo Ato Adicional. Naquela época, o voto não era univer- pressão “tinham apenas de comprovar”, já expressa
sal: para participar do processo eleitoral, requeriam-se na linha 24.
200 mil réis de renda líquida anual comprovada. Havia,
no entanto, a previsão de dispensa de comprovação 89. O tempo empregado nas formas verbais “enviaria”
15 de rendimentos, que se aplicava a inúmeras autori- (l.4), “seria transformado” (l.7), “ficaria” (l.7) e “seriam
dades, como, entre outros, ministros, conselheiros instituídas” (l.8) dá a entender que as ações corres-
de estado, bispos, presidentes de província, deputa- pondentes a essas formas verbais não se concretiza-
dos, promotores públicos. Praças militares e policiais ram, de fato, no ano de 1880.
não podiam alistar-se. Para candidatar-se, o cidadão,
20 além de não ter sido pronunciado em processo crimi- Com referência às estruturas linguísticas do texto III,
nal, deveria auferir renda proporcional à importância do julgue os itens a seguir.
cargo pretendido. Deveria, ainda, solicitar por escrito
o seu alistamento na paróquia em que fosse domici- TEXTO III
liado. Candidatos a vereador e a juiz de paz tinham
25 apenas de comprovar residência no município e no 1 O Decreto n. 21.076, de 24 de fevereiro de 1932,
distrito por mais de dois anos; candidatos a deputado
primeiro Código Eleitoral pátrio, instituiu a justiça elei-
provincial, dois anos na província; candidatos a depu-
toral no Brasil, com funções contenciosas e adminis-
tado geral, renda anual de 800 mil réis; e candidatos a
trativas. Eram seus órgãos: um Tribunal Superior (de
senador deviam comprovar, além da idade de quarenta

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5 justiça eleitoral — o decreto não menciona justiça elei- (TÉCNICO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO FUB 2015)
toral), na capital da República; um tribunal regional, na
capital de cada estado, no DF e na sede do governo do Tendo como referência as Normas para padronização
território do Acre, além de juízes eleitorais nas comarcas de documentos da Universidade de Brasília, julgue os
e nos distritos. O Tribunal Superior – de justiça eleitoral itens que se seguem.
10 – com jurisdição em todo o território nacional, compu-
nha-se de oito membros efetivos e oito substitutos, e 98. A forma padrão de endereçamento para correspon-
dências dirigidas a advogados e médicos é a seguinte:
BRUNO PILASTRE

era presidido pelo vice-presidente do Supremo Tribunal


Federal (STF). A ele se somavam dois membros efeti- A Sua Excelência o Doutor.
vos e dois substitutos, sorteados dentre os ministros do
15 STF, além de dois efetivos e dois substitutos, sorteados 99. A linguagem adotada na comunicação hipotética a se-
dentre os desembargadores da Corte de Apelação do guir está adequada para compor um ofício:
DF. Por fim, integravam a Corte três membros efetivos
e quatro substitutos, escolhidos pelo chefe do governo Assunto: resposta ao convite.
provisório dentre quinze cidadãos, indicados pelo STF,
20 desde que atendessem aos requisitos de notável saber Senhor Secretário-Executivo,
jurídico e idoneidade moral. Dentre seus membros, Agradecendo muitíssimo o convite para a cerimônia de
elegia o Tribunal Superior, em escrutínio secreto, por posse do novo Ministro, que se realizará no dia 12 de janeiro
meio de cédulas com o nome do juiz e a designação do de 2015, no Auditório da FUNARTE, comunico sinceramente
cargo, um vice-presidente e um procurador para exercer que, lamentavelmente, em virtude de compromissos ante-
25 as funções do Ministério Público, tendo este último a riormente agendados para esta data, não será possível que
denominação de procurador-geral da justiça eleitoral. eu consiga mesmo ir a esse importantíssimo evento. Farei
Em relação a esse cargo, nota-se uma peculiaridade, de tudo. Na oportunidade, agradeço a atenção ao tempo em
à época da criação do Tribunal Superior: o procurador- que desejo sucesso na realização da festança.
-geral da justiça eleitoral não era o procurador-geral da
República, mas sim um membro do próprio tribunal. Respeitosamente,

(Signatário)
As formas de composição do TSE: de 1932 aos dias
atuais. Brasília: Tribunal Superior Eleitoral, Secretaria
Reitor
de Gestão da Informação, 2008, p. 11. Internet: <www.
tse.jus.br> (com adaptações).
100. Ao final de um ofício emitido pela reitoria, abaixo da
assinatura do reitor, o cargo deve constar como Mag-
De acordo com as informações apresentadas no texto III, nífico Reitor.
90. Na linha 22, o sujeito da forma verbal “elegia” é o termo 101. A estrutura adotada no documento a seguir está ade-
“o Tribunal Superior”. quada para compor uma ata:
91. O emprego de acento indicativo de crase na expressão ATA DA QUADRICENTÉSIMA NONAGÉSIMA QUINTA
“A ele” (l.13) — À ele — prejudicaria a correção grama- (495.a) REUNIÃO ORDINÁRIA DO CONSELHO DIRETOR
tical do texto. DA FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, realizada
aos trinta dias do mês de novembro do ano de dois mil e qua-
92. Na linha 25, a expressão “este último” remete ao último torze, às quatorze horas e vinte e cinco minutos, no Salão
órgão mencionado no período: o “Ministério Público”. de Reuniões da Reitoria, com a presença dos Conselheiros:
(nome do Presidente ou do dirigente da reunião, seguido dos
93. Se a preposição a presente na contração “aos” (l.20) nomes dos demais Conselheiros presentes, em ordem alfa-
fosse suprimida, a função sintática da expressão “re- bética, separados por vírgula; indica-se a condição dos mem-
quisitos de notável saber jurídico e idoneidade moral” bros, se titular ou suplente). Foi justificada a ausência dos
(l.21) seria alterada, mas a correção gramatical do tex- Conselheiros (nomes, separados por vírgula; indica-se a con-
to seria mantida. dição de cada um — se titular ou suplente). Também estiveram
presentes os convidados (nome e respectivos cargos). Aberta
94. A correção gramatical do texto seria preservada caso a sessão, o Presidente procedeu aos seguintes informes:
se pospusesse, na linha 13, o pronome “se” à forma
verbal “somavam”, da seguinte forma: somavam-se. 102. Em carta remetida pelo reitor da universidade, está
correto o seguinte endereçamento colocado abaixo do
95. Caso a vírgula que sucede o nome “cidadãos” (l.19) número e da data do documento:
fosse suprimida, a correção gramatical do texto seria
mantida. A Sua Excelência o Senhor
(nome)
96. Antes de 1932, as funções da justiça eleitoral no Brasil
não eram contenciosas nem administrativas. Secretário-Executivo
Ministério da Cultura
97. Diferentemente dos anos que se seguiram, em 1932 o
procurador-geral da justiça eleitoral era um membro do Esplanada dos Ministérios, bloco (nome), sala (número)
próprio Tribunal Superior — de justiça eleitoral. (CEP) Brasília, DF

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(ANALISTA JUDICIÁRIO TRE GO 2015) 106. Caso as vírgulas que isolam o trecho “representados
(...) do Sul —” (ℓ. de 6 a 9) fossem suprimidas, a corre-
Julgue os itens que se seguem, acerca das estruturas ção gramatical do texto seria mantida, mas o seu sen-
linguísticas do texto I. tido original seria alterado.

TEXTO I De acordo com as ideias veiculadas no texto I,

1 Os primeiros anos que se seguiram à Proclama- 107. a instabilidade observada nos anos que se seguiram

PORTUGUÊS
ção da República foram de grandes incertezas quanto à Proclamação da República deveu-se ao súbito ga-
aos trilhos que a nova forma de governo deveria seguir. nho de poder dos civis, o que, de acordo com o texto,
Em uma rápida olhada, identificam-se dois grupos que gerou acirradas disputas com os militares, tradicionais
detentores do poder.
5 defendiam diferentes formas de se exercer o poder
da República: os civis e os militares. Os civis, repre-
108. o fim do voto censitário e a manutenção do voto direto
sentados pelas elites das principais províncias — São
foram importantes porque denotaram a preocupação
Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do
do governo com o povo e constituíram o início do pro-
Sul —, queriam uma república federativa que desse
cesso democrático no Brasil.
10 muita autonomia às unidades regionais. Os militares,
por outro lado, defendiam um Poder Executivo forte 109. os instrumentos legais acerca da legislação eleitoral
e se opunham à autonomia buscada pelos civis. Isso que surgiram logo após a promulgação da Constitui-
sem mencionar as acirradas disputas internas de cada ção de 1891 tinham os objetivos de ampliar a parcela
grupo. Esse era um quadro que demonstrava a grande votante da população e diminuir as fraudes ocorridas
15 instabilidade sentida pelos cidadãos que viveram durante o processo eleitoral, mas fracassaram nesses
naqueles anos. Mas havia cidadãos? Formalmente, a aspectos.
Constituição de 1891 definia como cidadãos os bra-
sileiros natos e, em regra, os naturalizados. Podiam 110. nos primeiros anos após a Proclamação da República,
votar os cidadãos com mais de vinte e um anos de os civis e os militares discordavam quanto à autono-
20 idade que tivessem se alistado conforme determina- mia que deveria ser dada pelo governo às unidades
ção legal. Mas o que, exatamente, significava isso? regionais.
Em 1894, na primeira eleição para presidente da Repú-
blica, votaram 2,2% da população. Tudo indica que, GABARITO
apesar de a República ter abolido o critério censitário
25 e adotado o voto direto, a participação popular conti-
nuou sendo muito baixa em virtude, principalmente, 1. C 30. C 59. C 88. C
da proibição do voto dos analfabetos e das mulheres. 2. E 31. E 60. C 89. E
 No que se refere à legislação eleitoral, alguns 3. E 32. E 61. C 90. C
instrumentos legais vieram a público, mas nenhum 4. E 33. C 62. C 91. C
30 deles alterou profundamente o processo eleitoral 5. C 34. C 63. C 92. E
da época. As principais alterações promovidas na 6. C 35. C 64. E 93. C
legislação contemplaram o fim do voto censitário e 7. E 36. C 65. E 94. C
a manutenção do voto direto. Essas modificações,
8. C 37. E 66. E 95. C
embora importantes, tiveram pouca repercussão
9. E 38. E 67. E 96. E
35 prática, já que o voto ainda era restrito — analfabe-
10. E 39. E 68. C 97. E
tos e mulheres não votavam — e o processo eleito-
11. E 40. E 69. C 98. E
ral continuava permeado por toda sorte de fraudes.
12. C 41. C 70. E 99. E
Ane Ferrari Ramos Cajado, Thiago Dornelles e Amanda 13. E 42. C 71. C 100. E
Camylla Pereira. Eleições no Brasil: uma história de 14. C 43. C 72. C 101. C
500 anos. Brasília: Tribunal Superior Eleitoral, 2014, p. 15. C 44. C 73. C 102. C
27-8. Internet: <www.tse.jus.br> (com adaptações). 16. E 45. E 74. E 103. C
17. E 46. E 75. E 104. C
103. O trecho “que se seguiram à Proclamação” (ℓ.1) pode- 18. E 47. E 76. C 105. E
ria ser reescrito, sem alteração da ideia original nem 19. C 48. E 77. C 106. C
prejuízo gramatical, da seguinte forma: que seguiram 20. C 49. E 78. E 107. E
a Proclamação. 21. E 50. E 79. E 108. E
22. C 51. C 80. C 109. E
104. O trecho “votaram 2,2% da população” (ℓ. 23) poderia, 23. C 52. E 81. E 110. C
sem prejuízo gramatical ou de sentido para o texto, ser 24. C 53. C 82. C
reescrito da seguinte forma: 2,2% da população votou. 25. C 54. C 83. E
26. C 55. E 84. C
105. A inserção de vírgula logo após “Mas” (ℓ.16) não pre- 27. C 56. E 85. E
judicaria a correção gramatical do texto, pois, nesse 57. 86.
28. E E E
caso, a utilização da vírgula é de caráter facultativo.
29. E 58. C 87. C

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REDAÇÃO OFICIAL quialmente e pejorativamente se chama burocratês. Este é
antes uma distorção do que deve ser a redação oficial, e se
O QUE É REDAÇÃO OFICIAL? caracteriza pelo abuso de expressões e clichês do jargão
burocrático e de formas arcaicas de construção de frases.
Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a A redação oficial não é, portanto, necessariamente
maneira pela qual o Poder Público redige atos normativos e árida e infensa à evolução da língua. É que sua finalidade
comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de vista do básica – comunicar com impessoalidade e máxima clareza
BRUNO

Poder Executivo.
VIVIANE

– impõe certos parâmetros ao uso que se faz da língua, de


A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoali-
maneira diversa daquele da literatura, do texto jornalístico,
dade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, concisão,
PILASTRE

da correspondência particular, etc.


FARIA

formalidade e uniformidade. Fundamentalmente esses atri-


Apresentadas essas características fundamentais da
butos decorrem da Constituição, que dispõe, no artigo 37:
redação oficial, passemos à análise pormenorizada de cada
“A administração pública direta, indireta ou fundacional, de
uma delas.
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de lega-
lidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiên- CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS
cia [...]”. Sendo a publicidade e a impessoalidade princípios
fundamentais de toda administração pública, claro está que Impessoalidade
devem igualmente nortear a elaboração dos atos e comuni-
cações oficiais. A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, quer
Não se concebe que um ato normativo de qualquer pela escrita. Para que haja comunicação, são necessários:
natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou a) alguém que comunique, b) algo a ser comunicado, e c)
impossibilite sua compreensão. A transparência do sentido alguém que receba essa comunicação. No caso da redação
dos atos normativos, bem como sua inteligibilidade, são oficial, quem comunica é sempre o Serviço Público (este ou
requisitos do próprio Estado de Direito: é inaceitável que um aquele Ministério, Secretaria, Departamento, Divisão, Serviço,
texto legal não seja entendido pelos cidadãos. A publicidade Seção); o que se comunica é sempre algum assunto rela-
implica, pois, necessariamente, clareza e concisão. tivo às atribuições do órgão que comunica; o destinatário
Além de atender à disposição constitucional, a forma dessa comunicação ou é o público, o conjunto dos cida-
dos atos normativos obedece a certa tradição. Há normas dãos, ou outro órgão público, do Executivo ou dos outros
para sua elaboração que remontam ao período de nossa Poderes da União.
história imperial, como, por exemplo, a obrigatoriedade –
Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que
estabelecida por Decreto Imperial de 10 de dezembro de
deve ser dado aos assuntos que constam das comunica-
1822 – de que se ponha, ao final desses atos, o número de
ções oficiais decorre:
anos transcorridos desde a Independência. Essa prática foi
a) da ausência de impressões individuais de quem
mantida no período republicano.
comunica: embora se trate, por exemplo, de um expediente
Esses mesmos princípios (impessoalidade, clareza,
uniformidade, concisão e uso de linguagem formal) apli- assinado por Chefe de determinada Seção, é sempre em
cam-se às comunicações oficiais: elas devem sempre per- nome do Serviço Público que é feita a comunicação. Obtém-
mitir uma única interpretação e ser estritamente impessoais -se, assim, uma desejável padronização, que permite que
e uniformes, o que exige o uso de certo nível de linguagem. comunicações elaboradas em diferentes setores da Admi-
Nesse quadro, fica claro também que as comunicações nistração guardem entre si certa uniformidade;
oficiais são necessariamente uniformes, pois há sempre um b) da impessoalidade de quem recebe a comunica-
único comunicador (o Serviço Público) e o receptor dessas ção, com duas possibilidades: ela pode ser dirigida a um
comunicações ou é o próprio Serviço Público (no caso de cidadão, sempre concebido como público, ou a outro órgão
expedientes dirigidos por um órgão a outro), ou o conjunto público. Nos dois casos, temos um destinatário concebido
dos cidadãos ou instituições tratados de forma homogênea de forma homogênea e impessoal;
(o público). c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se
Outros procedimentos rotineiros na redação de comu- o universo temático das comunicações oficiais se restringe
nicações oficiais foram incorporados ao longo do tempo, a questões que dizem respeito ao interesse público, é natu-
como as formas de tratamento e de cortesia, certos clichês ral que não cabe qualquer tom particular ou pessoal.
de redação, a estrutura dos expedientes, etc. Mencione- Desta forma, não há lugar na redação oficial para
-se, por exemplo, a fixação dos fechos para comunicações
impressões pessoais, como as que, por exemplo, cons-
oficiais, regulados pela Portaria n. 1 do Ministro de Estado
tam de uma carta a um amigo, ou de um artigo assinado
da Justiça, de 8 de julho de 1937, que, após mais de meio
de jornal, ou mesmo de um texto literário. A redação oficial
século de vigência, foi revogado pelo decreto que aprovou
deve ser isenta da interferência da individualidade que a
a primeira edição do Manual.
elabora.
Acrescente-se, por fim, que a identificação que se
buscou fazer das características específicas da forma ofi- A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade
cial de redigir não deve ensejar o entendimento de que se de que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais
proponha a criação – ou se aceite a existência – de uma contribuem, ainda, para que seja alcançada a necessária
forma específica de linguagem administrativa, o que colo- impessoalidade.

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A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais mas isso não implica, necessariamente, que se consagre a
utilização de uma forma de linguagem burocrática. O jargão
A necessidade de empregar determinado nível de lin- burocrático, como todo jargão, deve ser evitado, pois terá
guagem nos atos e expedientes oficiais decorre, de um lado, sempre sua compreensão limitada.
do próprio caráter público desses atos e comunicações; de A linguagem técnica deve ser empregada apenas em
outro, de sua finalidade. Os atos oficiais, aqui entendidos situações que a exijam, sendo de evitar o seu uso indiscrimi-
como atos de caráter normativo, ou estabelecem regras nado. Certos rebuscamentos acadêmicos, e mesmo o voca-
para a conduta dos cidadãos, ou regulam o funcionamento bulário próprio a determinada área, são de difícil entendi-

PORTUGUÊS
dos órgãos públicos, o que só é alcançado se, em sua ela- mento por quem não esteja com eles familiarizado. Deve-se
boração, for empregada a linguagem adequada. O mesmo ter o cuidado, portanto, de explicitá-los em comunicações
se dá com os expedientes oficiais, cuja finalidade precípua é encaminhadas a outros órgãos da administração e em expe-
a de informar com clareza e objetividade. dientes dirigidos aos cidadãos.
As comunicações que partem dos órgãos públicos
federais devem ser compreendidas por todo e qualquer cida- Formalidade e Padronização
dão brasileiro. Para atingir esse objetivo, há que evitar o uso
de uma linguagem restrita a determinados grupos. Não há As comunicações oficiais devem ser sempre formais,
dúvida de que um texto marcado por expressões de circula- isto é, obedecem a certas regras de forma: além das já men-
ção restrita, como a gíria, os regionalismos vocabulares ou o cionadas exigências de impessoalidade e uso do padrão
jargão técnico, tem sua compreensão dificultada. culto de linguagem, é imperativo, ainda, certa formalidade
Ressalte-se que há necessariamente uma distância de tratamento. Não se trata somente da eterna dúvida
entre a língua falada e a escrita. Aquela é extremamente quanto ao correto emprego deste ou daquele pronome de
dinâmica, reflete de forma imediata qualquer alteração de tratamento para uma autoridade de certo nível; mais do que
costumes, e pode eventualmente contar com outros ele- isso, a formalidade diz respeito à polidez, à civilidade no pró-
mentos que auxiliem a sua compreensão, como os gestos, prio enfoque dado ao assunto do qual cuida a comunicação.
a entoação, etc., para mencionar apenas alguns dos fatores A formalidade de tratamento vincula-se, também, à
responsáveis por essa distância. Já a língua escrita incor- necessária uniformidade das comunicações. Ora, se a admi-
pora mais lentamente as transformações, tem maior voca- nistração federal é una, é natural que as comunicações que
ção para a permanência, e vale-se apenas de si mesma expede sigam um mesmo padrão. O estabelecimento desse
para comunicar. padrão, uma das metas deste Manual, exige que se atente
A língua escrita, como a falada, compreende diferentes para todas as características da redação oficial e que se
níveis, de acordo com o uso que dela se faça. Por exemplo, cuide, ainda, da apresentação dos textos.
em uma carta a um amigo, podemos nos valer de determi- A clareza, o uso de papéis uniformes para o texto defi-
nado padrão de linguagem que incorpore expressões extre- nitivo e a correta diagramação do texto são indispensáveis
mamente pessoais ou coloquiais; em um parecer jurídico, para a padronização.
não se há de estranhar a presença do vocabulário técnico
correspondente. Nos dois casos, há um padrão de lingua- Concisão e Clareza
gem que atende ao uso que se faz da língua, a finalidade
com que a empregamos. A concisão é antes uma qualidade do que uma caracte-
O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu cará- rística do texto oficial. Conciso é o texto que consegue trans-
ter impessoal, por sua finalidade de informar com o máximo mitir um máximo de informações com um mínimo de pala-
de clareza e concisão, eles requerem o uso do padrão culto vras. Para que se redija com essa qualidade, é fundamental
da língua. Há consenso de que o padrão culto é aquele em que se tenha, além de conhecimento do assunto sobre o
que: a) se observam as regras da gramática formal; e b) se qual se escreve, o necessário tempo para revisar o texto
emprega um vocabulário comum ao conjunto dos usuários depois de pronto. É nessa releitura que muitas vezes se per-
do idioma. É importante ressaltar que a obrigatoriedade do cebem eventuais redundâncias ou repetições desnecessá-
uso do padrão culto na redação oficial decorre do fato de rias de ideias.
que ele está acima das diferenças lexicais, morfológicas ou O esforço de sermos concisos atende, basicamente,
sintáticas regionais, dos modismos vocabulares, das idios- ao princípio de economia linguística, à mencionada fórmula
sincrasias linguísticas, permitindo, por essa razão, que se de empregar o mínimo de palavras para informar o máximo.
atinja a pretendida compreensão por todos os cidadãos. Não se deve de forma alguma entendê-la como economia
Lembre-se que o padrão culto nada tem contra a sim- de pensamento, isto é, não se devem eliminar passagens
plicidade de expressão, desde que não seja confundida com substanciais do texto no afã de reduzi-lo em tamanho. Trata-
pobreza de expressão. De nenhuma forma o uso do padrão -se exclusivamente de cortar palavras inúteis, redundâncias,
culto implica emprego de linguagem rebuscada, nem dos passagens que nada acrescentem ao que já foi dito.
contorcionismos sintáticos e figuras de linguagem próprios Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe
da língua literária. em todo texto de alguma complexidade: ideias fundamen-
Pode-se concluir, então, que não existe propriamente tais e ideias secundárias. Estas últimas podem esclare-
um “padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso do padrão cer o sentido daquelas, detalhá-las, exemplificá-las; mas
culto nos atos e comunicações oficiais. É claro que haverá existem também ideias secundárias que não acrescentam
preferência pelo uso de determinadas expressões, ou será informação alguma ao texto, nem têm maior relação com
obedecida certa tradição no emprego das formas sintáticas, as fundamentais, podendo, por isso, ser dispensadas.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
Clareza e Determinação das Normas só palavra, então devem ser escritos por extenso: quinze,
trezentos, mil, etc. Quando, porém, for constituído de mais
O princípio da segurança jurídica, elemento funda- de uma palavra, deve ser grafados em algarismos 25, e não
mental do Estado de Direito, exige que as normas sejam vinte e cinco; 141 e não cento e quarenta e cinco. Aplica-
pautadas pela precisão e clareza, permitindo que o desti- -se a mesma regra para numerais que indiquem porcenta-
natário das disposições possa identificar a nova situação
gem. A diferença é que, sendo por extenso, a expressão "por
jurídica e as consequências que dela decorrem. Devem
ser evitadas, assim, as formulações obscuras, imprecisas, cento" será grafada por extenso: quinze por cento, cem por
BRUNO
VIVIANE

confusas ou contraditórias. cento. Se, porém, a escrita do número for com algarismo,
A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto deve então vir com o símbolo "%": 142%, 57%. O Manual
oficial, conforme já sublinhado na introdução deste capí- de Redação da Presidência da República ainda dispensa a
PILASTRE

tulo. Pode-se definir como claro aquele texto que possibilita grafia por extenso após a indicação em algarismos: 25% e
FARIA

imediata compreensão pelo leitor. No entanto a clareza não não 25% (vinte e cinco por cento).
é algo que se atinja por si só: ela depende estritamente das
Os valores monetários devem ser expressos em alga-
demais características da redação oficial. Para ela concor-
rem: rismos, seguidos da indicação, por extenso, entre parênte-
a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de inter- ses: R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).
pretações que poderia decorrer de um tratamento persona-
lista dado ao texto; SIGLAS, ACRÔNIMOS E ABREVIATURAS: DEFINIÇÃO E USO
b) o uso do padrão culto de linguagem, em princípio,
de entendimento geral e por definição avesso a vocábulos No nosso dia a dia, percebemos o uso de palavras na
de circulação restrita, como a gíria e o jargão;
c) a formalidade e a padronização, que possibilitam a forma reduzida em textos, placas, documentos oficiais etc.
imprescindível uniformidade dos textos; Esse fenômeno é um recurso percebido nas diversas lín-
d) a concisão, que faz desaparecer do texto os exces- guas existentes como uma forma de economia linguística,
sos linguísticos que nada lhe acrescentam. que visa a facilitar a memorização de conceitos com nomes
É pela correta observação dessas características que normalmente longos e cujo uso demasiado nos textos torna-
se redige com clareza. Contribuirá, ainda, a indispensável -se cansativo, entre outros motivos. Vejam alguns exemplos:
releitura de todo texto redigido. A ocorrência, em textos ofi-
IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacio-
ciais, de trechos obscuros e de erros gramaticais provém
principalmente da falta da releitura que torna possível sua nal), UNESCO (United Nations Educational, Scientific and
correção. Cultural Organization), FARC (Fuerzas Armadas Revolucio-
Na revisão de um expediente, deve-se avaliar, ainda, narias de Colombia), Sr. (Senhor), Radar (Radio Detecting
se ele será de fácil compreensão por seu destinatário. O and Ranging).
que nos parece óbvio pode ser desconhecido por tercei- Como vemos, existe mais de um mecanismo para a
ros. O domínio que adquirimos sobre certos assuntos em redução de palavras. Cardero (2006, p.1) registra que, com
decorrência de nossa experiência profissional muitas vezes
o avanço dos meios eletrônicos de comunicação, as formas
faz com que os tomemos como de conhecimento geral, o
que nem sempre é verdade. Explicite, desenvolva, escla- reduzidas são utilizadas em larga escala. Araújo e Gomez
reça, precise os termos técnicos, o significado das siglas (2007, p.3) assinalam a existência de formas reduzidas com
e abreviações e os conceitos específicos que não possam frequência em vários artigos na área de cardiologia, como AVE
ser dispensados. (Acidente Vascular Encefálico), HÁ (Hipertensão Arterial).
A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A O processo de formação de termos por meio de redução
pressa com que são elaboradas certas comunicações de algumas das suas partes é denominado redução. Nesse
quase sempre compromete sua clareza. Não se deve pro-
processo, há a construção de abreviações, abreviaturas,
ceder à redação de um texto que não seja seguida por sua
revisão. acrônimos e siglas.
“Não há assuntos urgentes, há assuntos atrasados”, Segundo Antônio Houaiss (1967, p.122), abreviações
diz a máxima. Evite-se, pois, o atraso, com sua indesejável são reduções braquigráficas, de valor circunstancial, variável
repercussão no redigir. de obra para obra, de autor para autor, em função da frequ-
ência de certos vocábulos empregado, reduzidos por econo-
NÚMEROS mia. A abreviação é o processo pelo qual a forma de uma
palavra se reduz, tornando-se uma unidade mais facilmente
As datas precisam ser escritas por extenso, da seguinte memorizável e utilizável. Por exemplo: otorrino por otorrinola-
forma: 2 de maio de 1991. Como se vê, o dia deve vir escrito ringologista, ou adj. por adjetivo.
em algarismo arábico, sem ser precedido por zero: 2 e não As abreviaturas seguem os mesmo princípios que as
02. Quando se tratar de primeiro dia do mês, deve-se uti- abreviações com a diferença de serem formas fossilizadas,
lizar o algarismo 1 seguido do símbolo de número ordinal, com base em Houaiss (1967, p.152). Elas podem estar repre-
por exemplo, 1º de junho de 1991. A indicação do ano, ao sentadas por letras maiúsculas e minúsculas. Por exemplo:
contrário do número das leis, não deve conter ponto entre Sr. para senhor.
a casa do milhar e da centena: 1991 e não 1.991; Contra- Os acrônimos são palavras formadas pela combinação
riamente, ao designar o número do texto legal (leis, decre- de segmentos de palavras que compõem um nome ou título.
tos, portarias, etc.) deve haver separação por ponto: Lei n. Alguns estudiosos de língua afirmam que é uma unidade for-
4.860, de 26 de novembro de 1965. mada de letras ou grupos de letras, que se pronunciam como
Os numerais devem ser escritos observando-se estes uma palavra, isto é, tem estrutura silábica própria da língua
dois casos: se o número a ser escrito é composto por uma na qual se forma. Sendo assim, acrônimos não somente as

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estruturas formadas por segmentos, mas também as estru- O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o
turas formadas pelas letras iniciais dos termos compostos, Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei
desde que sejam pronunciadas com um padrão silábico da Complementar:
língua. Por exemplo: Bradesco para Banco Brasileiro de
Descontos S.A.. CAPÍTULO I
As siglas são unidades formadas pela combinação das DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
letras iniciais de várias palavras que constituem uma expres-
são, conforme Cabré (1993), quer dizer, as siglas caracte- Art. 1º A elaboração, a redação, a alteração e a con-

PORTUGUÊS
rizam-se pelo fato de serem unidades construídas a partir solidação das leis obedecerão ao disposto nesta Lei Com-
da junção das iniciais de palavras que, por si, constitui uma plementar.
denominação. Parágrafo único. As disposições desta Lei Complemen-
Em geral, as siglas correspondem aos nomes intitu- tar aplicam-se, ainda, às medidas provisórias e demais atos
lativos, oficiais, nacionais ou internacionais, normalmente normativos referidos no art. 59 da Constituição Federal, bem
longos, cujo uso repetitivo em textos e nos discursos torna- como, no que couber, aos decretos e aos demais atos de
-se enfadonho, cansativo e pouco econômico, com base em regulamentação expedidos por órgãos do Poder Executivo.
Houaiss (1967, p.168), fato bastante frequente no mundo Art. 2º (Vetado)
moderno, pode funcionar como “palavra”, independente- § 1º (Vetado)
mente do idioma. § 2º Na numeração das leis serão observados, ainda,
Ao analisar siglas e acrônimos, segundo o que foi os seguintes critérios:
exposto, verificamos traços muito similares, mas não equi- I – as emendas à Constituição Federal terão sua nume-
valentes, entre esse tipo de unidade. Como traço distin- ração iniciada a partir da promulgação da Constituição;
tivo, podemos destacar o aspecto fonológico, pois o fato II – as leis complementares, as leis ordinárias e as leis
de algumas siglas possuírem padrão silábico da língua em delegadas terão numeração sequencial em continuidade às
que são usadas, classificam-nas também como acrônimos. séries iniciadas em 1946.
Por exemplo: ONU (Organização das Nações Unidas), SIG
(Setor de Indústrias Gráficas) são considerados acrônimos CAPÍTULO II
quanto ao aspecto fonológico, por se adequarem ao padrão DAS TÉCNICAS DE ELABORAÇÃO, REDAÇÃO E ALTERAÇÃO
silábico do português, mas, se classificados considerando o DAS LEIS
aspecto gráfico, serão siglas por terem a formação composta
pelas letras iniciais de cada elemento do termo composto. Seção I
Agora que você sabe a diferenças entre SIGLAS, Da Estruturação das Leis
ACRÔNIMOS e ABREVIATURAS, nós indicamos como
estas devem ser registradas em documentos oficiais: Art. 3º A lei será estruturada em três partes básicas:
• em geral, não se coloca ponto nas siglas e acrônimos; I – parte preliminar, compreendendo a epígrafe, a
• grafam-se em caixa alta as siglas: FGTS (Fundo de ementa, o preâmbulo, o enunciado do objeto e a indicação
Garantia por Tempo de Serviço), DOU (Diário Oficial do âmbito de aplicação das disposições normativas;
da União); II – parte normativa, compreendendo o texto das
• grafam-se em caixa alta e em caixa baixa os acrô- normas de conteúdo substantivo relacionadas com a maté-
nimos: Cohab (Companhia de Habitação Popular), ria regulada;
Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos III – parte final, compreendendo as disposições per-
Recursos Naturais Renováveis, Embrapa (Empresa tinentes às medidas necessárias à implementação das
Brasileira de Pesquisa Agropecuária); normas de conteúdo substantivo, às disposições transitó-
• siglas e acrônimos devem vir precedidos de respec- rias, se for o caso, a cláusula de vigência e a cláusula de
tivo significado e de travessão em sua primeira ocor- revogação, quando couber.
rência no texto (ex.: Diário Oficial do Estado – DOE). Art. 4º A epígrafe, grafada em caracteres maiúscu-
Fazemos a ressalva de que embora haja a distinção los, propiciará identificação numérica singular à lei e será
entre estas formas de redução, muitas vezes, o uso se impõe formada pelo título designativo da espécie normativa, pelo
à regra, desse modo é aconselhado que o servidor faça uma número respectivo e pelo ano de promulgação.
pesquisa e verifique como os nomes reduzidos, sejam siglas, Art. 5º A ementa será grafada por meio de caracteres
sejam acrônimos ou abreviaturas estão registrados na termi- que a realcem e explicitará, de modo conciso e sob a forma
nologia oficial. de título, o objeto da lei.
Art. 6º O preâmbulo indicará o órgão ou instituição
LEI COMPLEMENTAR N. 95, DE 26 DE FEVEREIRO DE 1998 competente para a prática do ato e sua base legal.
Art. 7º O primeiro artigo do texto indicará o objeto da lei
Dispõe sobre a elaboração, a reda- e o respectivo âmbito de aplicação, observados os seguintes
ção, a alteração e a consolida-
princípios:
ção das leis, conforme determina
o parágrafo único do art. 59 da
I – excetuadas as codificações, cada lei tratará de um
Constituição Federal, e estabelece único objeto;
normas para a consolidação dos II – a lei não conterá matéria estranha a seu objeto ou
atos normativos que menciona. a este não vinculada por afinidade, pertinência ou conexão;

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III – o âmbito de aplicação da lei será estabelecido de d) buscar a uniformidade do tempo verbal em todo o
forma tão específica quanto o possibilite o conhecimento texto das normas legais, dando preferência ao tempo pre-
técnico ou científico da área respectiva; sente ou ao futuro simples do presente;
IV – o mesmo assunto não poderá ser disciplinado por e) usar os recursos de pontuação de forma judiciosa,
mais de uma lei, exceto quando a subsequente se destine a evitando os abusos de caráter estilístico;
complementar lei considerada básica, vinculando-se a esta II – para a obtenção de precisão:
por remissão expressa. a) articular a linguagem, técnica ou comum, de modo a
BRUNO
VIVIANE

Art. 8º A vigência da lei será indicada de forma expressa ensejar perfeita compreensão do objetivo da lei e a permitir
e de modo a contemplar prazo razoável para que dela se que seu texto evidencie com clareza o conteúdo e o alcance
PILASTRE

tenha amplo conhecimento, reservada a cláusula "entra em que o legislador pretende dar à norma;
FARIA

vigor na data de sua publicação" para as leis de pequena b) expressar a ideia, quando repetida no texto, por meio
repercussão. das mesmas palavras, evitando o emprego de sinonímia
Art. 9º Quando necessária a cláusula de revogação, com propósito meramente estilístico;
esta deverá indicar expressamente as leis ou disposições c) evitar o emprego de expressão ou palavra que con-
legais revogadas. fira duplo sentido ao texto;
d) escolher termos que tenham o mesmo sentido e sig-
Seção II nificado na maior parte do território nacional, evitando o uso
Da Articulação e da Redação das Leis de expressões locais ou regionais;
e) usar apenas siglas consagradas pelo uso, observado
Art. 10. Os textos legais serão articulados com obser- o princípio de que a primeira referência no texto seja acom-
vância dos seguintes princípios: panhada de explicitação de seu significado;
I – a unidade básica de articulação será o artigo, indi- f) grafar por extenso quaisquer referências feitas, no
cado pela abreviatura "Art.", seguida de numeração ordinal texto, a números e percentuais;
até o nono e cardinal a partir deste; III – para a obtenção de ordem lógica:
II – os artigos desdobrar-se-ão em parágrafos ou em a) reunir sob as categorias de agregação – subseção,
incisos; os parágrafos em incisos, os incisos em alíneas e seção, capítulo, título e livro – apenas as disposições rela-
as alíneas em itens; cionadas com o objeto da lei;
III – os parágrafos serão representados pelo sinal grá- b) restringir o conteúdo de cada artigo da lei a um único
fico "§", seguido de numeração ordinal até o nono e cardinal assunto ou princípio;
a partir deste, utilizando-se, quando existente apenas um, a c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos com-
expressão "parágrafo único" por extenso; plementares à norma enunciada no caput do artigo e as
IV – os incisos serão representados por algarismos exceções à regra por este estabelecida;
romanos, as alíneas por letras minúsculas e os itens por d) promover as discriminações e enumerações por
algarismos arábicos; meio dos incisos, alíneas e itens.
V – o agrupamento de artigos poderá constituir Subse-
ções; o de Subseções, a Seção; o de Seções, o Capítulo; o de Seção III
Capítulos, o Título; o de Títulos, o Livro e o de Livros, a Parte; Da Alteração das Leis
VI – os Capítulos, Títulos, Livros e Partes serão gra-
fados em letras maiúsculas e identificados por algarismos Art. 12. A alteração da lei será feita:
romanos, podendo estas últimas desdobrar-se em Parte I – mediante reprodução integral em novo texto, quando
Geral e Parte Especial ou ser subdivididas em partes expres- se tratar de alteração considerável;
sas em numeral ordinal, por extenso; II – na hipótese de revogação;
VII – as Subseções e Seções serão identificadas em III – nos demais casos, por meio de substituição, no
algarismos romanos, grafadas em letras minúsculas e postas próprio texto, do dispositivo alterado, ou acréscimo de dis-
em negrito ou caracteres que as coloquem em realce; positivo novo, observadas as seguintes regras:
VIII – a composição prevista no inciso V poderá também a) não poderá ser modificada a numeração dos dispo-
compreender agrupamentos em Disposições Preliminares, sitivos alterados;
Gerais, Finais ou Transitórias, conforme necessário. b) no acréscimo de dispositivos novos entre precei-
Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com tos legais em vigor, é vedada, mesmo quando recomendá-
clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse vel, qualquer renumeração, devendo ser utilizado o mesmo
propósito, as seguintes normas: número do dispositivo imediatamente anterior, seguido de
I – para a obtenção de clareza: letras maiúsculas, em ordem alfabética, tantas quantas
a) usar as palavras e as expressões em seu sentido forem suficientes para identificar os acréscimos;
comum, salvo quando a norma versar sobre assunto téc- c) é vedado o aproveitamento do número de disposi-
nico, hipótese em que se empregará a nomenclatura própria tivo revogado, devendo a lei alterada manter essa indicação,
da área em que se esteja legislando; seguida da expressão "revogado";
b) usar frases curtas e concisas; d) o dispositivo que sofrer modificação de redação
c) construir as orações na ordem direta, evitando pre- deverá ser identificado, ao seu final, com as letras NR mai-
ciosismo, neologismo e adjetivações dispensáveis; úsculas, entre parênteses.

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CAPÍTULO III normativos inferiores em vigor, vinculados às respectivas
DA CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS E OUTROS ATOS NORMATIVOS áreas de competência, remetendo os textos consolidados à
Presidência da República, que os examinará e reunirá em
Seção I coletâneas, para posterior publicação.
Da Consolidação das Leis Art. 17. O Poder Executivo, até cento e oitenta dias do
início do primeiro ano do mandato presidencial, promoverá a
Art. 13. As leis federais serão reunidas em codificações atualização das coletâneas a que se refere o artigo anterior,
e em coletâneas integradas por volumes contendo matérias incorporando aos textos que as integram os decretos e atos

PORTUGUÊS
de conteúdo normativo e geral editados no último quadriê-
conexas ou afins, constituindo em seu todo, juntamente com
nio.
a Constituição Federal, a Consolidação das Leis Federais
Brasileiras.
CAPÍTULO IV
Art. 14. Ressalvada a legislação codificada e já con-
DISPOSIÇÕES FINAIS
solidada, todas as leis e decretos-leis de conteúdo norma-
tivo e de alcance geral em vigor serão reunidos em coletâ- Art. 18. Eventual inexatidão formal de norma elaborada
neas organizadas na forma do artigo anterior, observados os mediante processo legislativo regular não constitui escusa
prazos e procedimentos a seguir: válida para o seu descumprimento.
I – os órgãos diretamente subordinadas à Presidência Art. 19. Esta Lei Complementar entra em vigor no prazo
da República e os Ministérios, no prazo de cento e oitenta de noventa dias, a partir da data de sua publicação.
dias, contado da vigência desta Lei Complementar, proce-
derão ao exame, triagem e seleção das leis complementa- Brasília, 26 de fevereiro de 1998; 177º da Independên-
res, delegadas, ordinárias e decretos-leis relacionados com cia e 110º da República.
as respectivas áreas de competência, agrupando e consoli-
dando os textos que tratem da mesma matéria ou de assun- FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
tos vinculados por afinidade, pertinência ou conexão, com Iris Rezende
indicação precisa dos diplomas legais ou preceitos expressa
ou implicitamente revogados; PRONOMES DE TRATAMENTO
II – no prazo de noventa dias, contado da vigência
Vejamos outros aspectos comuns a quase todas as
desta Lei Complementar, as entidades da administração
modalidades de comunicação oficial: o emprego dos prono-
indireta adotarão, quanto aos diplomas legais relacionados
mes de tratamento, a forma dos fechos e a identificação do
com a sua competência, as mesmas providências determi-
signatário.
nadas no inciso anterior, remetendo os respectivos textos ao
Ministério a que estão vinculadas, que os revisará e reme- Breve História dos Pronomes de Tratamento
terá, juntamente com os seus, à Presidência da República,
para encaminhamento ao Congresso Nacional nos sessenta O uso de pronomes e locuções pronominais de trata-
dias subsequentes ao encerramento do prazo estabelecido mento tem larga tradição na língua portuguesa. Após serem
no inciso I; incorporados ao português os pronomes latinos tu e vos,
III – a Mesa do Congresso Nacional adotará todas “como tratamento direto da pessoa ou pessoas a quem se
as medidas necessárias para, no prazo máximo de cento dirigia a palavra”, passou-se a empregar, como expediente
e oitenta dias a contar do recebimento dos textos de que linguístico de distinção e de respeito, a segunda pessoa do
tratam os incisos I e II, ser efetuada a primeira publicação da plural no tratamento de pessoas de hierarquia superior.
Consolidação das Leis Federais Brasileiras. Outro modo de tratamento indireto consistiu em fin-
Art. 15. Na primeira sessão legislativa de cada legis- gir que se dirigia a palavra a um atributo ou qualida-
latura, a Mesa do Congresso Nacional promoverá a atua- de eminente da pessoa de categoria superior, e não
a ela própria. Assim aproximavam-se os vassalos
lização da Consolidação das Leis Federais Brasileiras,
de seu rei com o tratamento de vossa mercê, vossa
incorporando às coletâneas que a integram as emendas
senhoria (...); assim usou-se o tratamento ducal de
constitucionais, leis, decretos legislativos e resoluções pro- vossa excelência e adotaram-se na hierarquia ecle-
mulgadas durante a legislatura imediatamente anterior, siástica vossa reverência, vossa paternidade, vos-
ordenados e indexados sistematicamente. sa eminência, vossa santidade. (SAID ALI, Manoel.
Gramática secundária histórica da língua portugue-
Seção II sa . 3.ed. Brasília: Ed. Universidade de Brasília,
Da Consolidação de Outros Atos Normativos 1964. p. 93-94.)

Art. 16. Os órgãos diretamente subordinados à Presi- A partir do final do século XVI, esse modo de tratamento
dência da República e os Ministérios, assim como as enti- indireto já estava em voga também para os ocupantes de
dades da administração indireta, adotarão, em prazo esta- certos cargos públicos. Vossa mercê evoluiu para vosmecê,
belecido em decreto, as providências necessárias para, e depois para o coloquial você. E o pronome vós, com o
observado, no que couber, o procedimento a que se refere tempo, caiu em desuso. É dessa tradição que provém o atual
o art. 14, ser efetuada a triagem, o exame e a consolidação emprego de pronomes de tratamento indireto como forma de
dos decretos de conteúdo normativo e geral e demais atos dirigirmo-nos às autoridades civis, militares e eclesiásticas.

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Concordância com os Pronomes de Tratamento • Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tri-
bunal Federal.
Os pronomes de tratamento (ou de segunda pessoa
indireta) apresentam certas peculiaridades quanto à concor- As demais autoridades serão tratadas com o vocativo
dância verbal, nominal e pronominal. Embora se refiram à Senhor, seguido do cargo respectivo:
segunda pessoa gramatical (à pessoa com quem se fala, ou • Senhor Senador,
a quem se dirige a comunicação), levam a concordância para
• Senhor Juiz,
BRUNO

a terceira pessoa. É que o verbo concorda com o substan-


VIVIANE

• Senhor Ministro,
tivo que integra a locução como seu núcleo sintático: “Vossa
• Senhor Governador,
Senhoria nomeará o substituto”; “Vossa Excelência conhece
PILASTRE

o assunto”.
FARIA

Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a No envelope, o endereçamento das comunicações diri-
pronomes de tratamento são sempre os da terceira pessoa: gidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência, terá a
“Vossa Senhoria nomeará seu substituto” (e não “Vossa [...] seguinte forma:
vosso [...]”).
Já quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, o A Sua Excelência o Senhor
gênero gramatical deve coincidir com o sexo da pessoa a Fulano de Tal
que se refere, e não com o substantivo que compõe a locu- Ministro de Estado da Justiça
ção. Assim, se nosso interlocutor for homem, o correto é 70.064-900 – Brasília/DF
“Vossa Excelência está atarefado”, “Vossa Senhoria deve
estar satisfeito”; se for mulher, “Vossa Excelência está atare- A Sua Excelência o Senhor
fada”, “Vossa Senhoria deve estar satisfeita”. Senador Fulano de Tal
Senado Federal
Emprego dos Pronomes de Tratamento
70.165-900 – Brasília. DF
Como visto, o emprego dos pronomes de tratamento
obedece à secular tradição. São de uso consagrado: A Sua Excelência o Senhor
Fulano de Tal
Vossa Excelência, para as seguintes autoridades: Juiz de Direito da 10a Vara Cível
Rua ABC, n. 123
a) do Poder Executivo; 01.010-000 – São Paulo. SP
• Presidente da República;
• Vice-Presidente da República; Em comunicações oficiais, está abolido o uso do tra-
• Ministros de Estado; tamento digníssimo (DD), às autoridades arroladas na lista
• Governadores e Vice-Governadores de Estado e do anterior. A dignidade é pressuposto para que se ocupe qual-
Distrito Federal; quer cargo público, sendo desnecessária sua repetida evo-
• Oficiais-Generais das Forças Armadas; cação.
• Embaixadores; Vossa Senhoria é empregado para as demais autori-
• Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocu-
dades e para particulares. O vocativo adequado é: “Senhor
pantes de cargos de natureza especial;
Fulano de Tal,”.
• Secretários de Estado dos Governos Estaduais;
No envelope, deve constar do endereçamento:
• Prefeitos Municipais.
b) do Poder Legislativo:
Ao Senhor
• Deputados Federais e Senadores;
Fulano de Tal
• Ministro do Tribunal de Contas da União;
Rua ABC, n. 123
• Deputados Estaduais e Distritais;
70.123-000 – Curitiba/PR
• Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais;
• Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais.
Como se depreende do exemplo anterior, fica dispen-
sado o emprego do superlativo Ilustríssimo para as autori-
c) do Poder Judiciário:
dades que recebem o tratamento de Vossa Senhoria e para
• Ministros dos Tribunais Superiores;
particulares. É suficiente o uso do pronome de tratamento
• Membros de Tribunais;
Senhor.
• Juízes;
Acrescente-se que doutor não é forma de tratamento,
• Auditores da Justiça Militar.
e sim título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminadamente.
Como regra geral, empregue-o apenas em comunicações
O vocativo a ser empregado em comunicações dirigi-
dirigidas a pessoas que tenham tal grau por terem concluído
das aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido
curso universitário de doutorado. É costume designar por
do cargo respectivo:
doutor os bacharéis, especialmente os bacharéis em Direito
• Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
e em Medicina. Nos demais casos, o tratamento Senhor
• Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso
confere a desejada formalidade às comunicações.
Nacional,

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Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificência, Aviso e ofício são modalidades de comunicação ofi-
empregada por força da tradição, em comunicações dirigi- cial praticamente idênticas. A única diferença entre eles é
das a reitores de universidade. Corresponde-lhe o vocativo: que o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de
Magnífico Reitor, Estado, para autoridades de mesma hierarquia, ao passo
Os pronomes de tratamento para religiosos, de acordo que o ofício é expedido para e pelas demais autoridades.
com a hierarquia eclesiástica, são: Vossa Santidade, em Ambos têm como finalidade o tratamento de assuntos ofi-
comunicações dirigidas ao Papa. O vocativo correspondente ciais pelos órgãos da Administração Pública entre si e, no
é: Santíssimo Padre, Vossa Eminência ou Vossa Eminência caso do ofício, também com particulares.

PORTUGUÊS
Reverendíssima, em comunicações aos Cardeais. Corres- O memorando é a modalidade de comunicação entre
ponde-lhe o vocativo: Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou unidades administrativas de um mesmo órgão, que podem
Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal, Vossa estar hierarquicamente em mesmo nível ou em nível dife-
Excelência Reverendíssima é usado em comunicações rente. Trata-se, portanto, de uma forma de comunicação
dirigidas a Arcebispos e Bispos; Vossa Reverendíssima ou eminentemente interna.
Vossa Senhoria Reverendíssima para Monsenhores, Cône-
gos e superiores religiosos. Vossa Reverência é empregado Ofício
para sacerdotes, clérigos e demais religiosos.
[Ministério]
FECHOS PARA COMUNICAÇÕES
[Secretaria/Departamento/Setor/Entidade]
[Endereço para correspondência]
O fecho das comunicações oficiais possui, além da [Endereço – continuação]
finalidade óbvia de arrematar o texto, a de saudar o desti- [Telefone e Endereço de Correio eletrônico]
natário. Os modelos para fecho que vinham sendo utiliza-
dos foram regulados pela Portaria n. 1 do Ministério da Jus- Ofício n. 524/1991/SG
tiça, de 1937, que estabelecia quinze padrões. Com o fito Brasília, 27 de maio de 1991.
de simplificá-los e uniformizá-los, este Manual estabelece o A Sua Excelência o Senhor
emprego de somente dois fechos diferentes para todas as Deputado [Nome]
modalidades de comunicação oficial: Câmara dos Deputados
a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente 70.160-900 – Brasília/DF
da República: Respeitosamente, Assunto: Demarcação de terras indígenas
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierar-
quia inferior: Atenciosamente, Senhor Deputado,
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações diri-
gidas a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e tra- 1. Em complemento às observações transmiti-
dição próprios, devidamente disciplinados no Manual de das pelo telegrama n. 154, de 24 de abril último, informo
Redação do Ministério das Relações Exteriores. Vossa Excelência de que as medidas mencionadas em
sua carta n. 6708, dirigida ao Senhor Presidente da Repú-
IDENTIFICAÇÃO DO SIGNATÁRIO blica, estão amparadas pelo procedimento administrativo
de demarcação de terras indígenas instituído pelo Decreto
Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente n. 22, de 4 de fevereiro de 1991 (cópia anexa).
da República, todas as demais comunicações oficiais devem
2. Em sua comunicação, Vossa Excelência ressalva
trazer o nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo
a necessidade de que – na definição e demarcação das
do local de sua assinatura. A forma da identificação deve ser
terras indígenas – fossem levadas em consideração as
a seguinte:
características socioeconômicas regionais.
(espaço para assinatura) 3. Nos termos do Decreto n. 22, a demarcação de
NOME terras indígenas deverá ser precedida de estudos e levan-
Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República tamentos técnicos que atendam ao disposto no art. 231, §
1º, da Constituição Federal. Os estudos deverão incluir
(espaço para assinatura) os aspectos etno-históricos, sociológicos, cartográficos e
NOME fundiários. O exame deste último aspecto deverá ser feito
Ministro de Estado da Justiça conjuntamente com o órgão federal ou estadual compe-
tente.
Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a assi- 4. Os órgãos públicos federais, estaduais e munici-
natura em página isolada do expediente. Transfira para essa pais deverão encaminhar as informações que julgarem per-
página ao menos a última frase anterior ao fecho. tinentes sobre a área em estudo. É igualmente assegurada
a manifestação de entidades representativas da sociedade
TEXTOS OFICIAIS civil.
5. Os estudos técnicos elaborados pelo órgão fede-
Há três tipos de expedientes que se diferenciam antes ral de proteção ao índio serão publicados juntamente com
pela finalidade do que pela forma: o ofício, o aviso e o memo-
as informações recebidas dos órgãos públicos e das enti-
rando. Com o fito de uniformizá-los, pode-se adotar uma dia-
dades civis acima mencionadas.
gramação única, que siga o que chamamos de padrão ofício.

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6. Como Vossa Excelência pode verificar, o procedi- a programas, haveria necessidade de dois tipos: um pro-
mento estabelecido assegura que a decisão a ser baixada cessador de textos, e outro gerenciador de banco de
pelo Ministro de Estado da Justiça sobre os limites e a dados.
demarcação de terras indígenas seja informada de todos os 3. O treinamento de pessoal para operação dos
elementos necessários, inclusive daqueles assinalados em micros poderia ficar a cargo da Seção de Treinamento do
sua carta, com a necessária transparência e agilidade.
Departamento de Modernização, cuja chefia já manifestou
seu acordo a respeito.
BRUNO

Atenciosamente,
4. Devo mencionar, por fim, que a informatização
VIVIANE

[ASSINATURA] dos trabalhos deste Departamento ensejará racional dis-


PILASTRE

[NOME] tribuição de tarefas entre os servidores e, sobretudo, uma


FARIA

[CARGO] melhoria na qualidade dos serviços prestados.

Atenciosamente,
Aviso
[ASSINATURA]
Aviso n. 123/MME [NOME]
Brasília, 17 de novembro de 2002. [CARGO]

A Sua Excelência o Senhor


Ministro [Nome] Exposição de motivos

Assunto: Seminário Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Pre-


sidente da República ou ao Vice-Presidente para: informá-
Senhor Ministro, -lo de determinado assunto; propor alguma medida; ou
submeter a sua consideração projeto de ato normativo.
1. Convido Vossa Excelência a participar da sessão Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presi-
de abertura do “Primeiro Encontro Regional sobre o Uso Efi- dente da República por um Ministro de Estado.
ciente de Energia no Setor Público”, a ser realizado em 5 de
março próximo, às 9h, no auditório da ENAP (Escola Nacio-
nal de Administração Pública), localizado no Setor de Áreas EM n. 198/MRE
Isoladas, nesta Capital. Brasília, 24 de maio de 1991.
2. O Seminário mencionado inclui-se na atividade do
conhecido “Programa Nacional das Comissões Internas de Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
Conservação de Energia em Órgãos Públicos”, instituído
pelo Decreto n. 99.656, de 26 de outubro de 2001.
O Presidente George W. Bush anunciou, no último
dia 13, significativa mudança da posição norte-americana
Atenciosamente,
nas negociações que se realizam – na Conferência do
[ASSINATURA] Desarmamento, em Genebra – de uma convenção multi-
[NOME] lateral de proscrição total das armas químicas. Ao renun-
[CARGO] ciar à manutenção de cerca de dois por cento de seu arse-
nal químico até a adesão à convenção de todos os países
em condições de produzir armas químicas, os Estados
Memorando Unidos reaproximaram sua postura da maioria dos qua-
renta países participantes do processo negociador, inclu-
sive o Brasil, abrindo possibilidades concretas de que o
Mem. n. 118/DJ
tratado venha a ser concluído e assinado em prazo de
Em 12 de abril de 1991.
cerca de um ano.
Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração
Respeitosamente,
Assunto: Administração. Instalação de microcompu-
[ASSINATURA]
tadores
[NOME]
[CARGO]
1. Nos termos do Plano Geral de informatização,
solicito a Vossa Senhoria verificar a possibilidade de que
sejam instalados três microcomputadores neste Departa- Mensagem
mento.
2. Sem descer a maiores detalhes técnicos, acres- É o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes
cento, apenas, que o ideal seria que o equipamento fosse dos Poderes Públicos, notadamente as mensagens envia-
dotado de disco rígido e de monitor padrão EGA. Quanto
das pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo

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para informar sobre fato da Administração Pública; expor Fax
o plano de governo por ocasião da abertura de sessão
legislativa; submeter ao Congresso Nacional matérias que O fax é uma forma de comunicação que está sendo
dependem de deliberação de suas Casas; apresentar veto; menos usada devido ao desenvolvimento da Internet. É uti-
enfim, fazer e agradecer comunicações de tudo quanto lizado para a transmissão de mensagens urgentes e para
seja de interesse dos poderes públicos e da Nação. o envio antecipado de documentos, de cujo conhecimento
há premência, quando não há condições de envio do docu-
mento por meio eletrônico. Quando necessário o original,

PORTUGUÊS
Mensagem n. 118 ele segue posteriormente pela via e na forma de praxe.
Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com
Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal, cópia xerox do fax e não com o próprio fax, cujo papel, em
certos modelos, se deteriora rapidamente.
Comunico a Vossa Excelência o recebimento das Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a
Mensagens n. 106 a 110, de 1991, nas quais informo a pro- estrutura que lhes são inerentes.
mulgação dos Decretos Legislativos n. 93 a n. 97, de 2013,
relativos à exploração de serviços de radiodifusão.
[ÓRGÃO EXPEDIDOR]
Brasília, 28 de março de 1991. [SETOR DO ÓRGÃO EXPEDIDOR]
[ENDEREÇO DO ÓRGÃO EXPEDIDOR]
[ASSINATURA]
Destinatário: ________________________________
Nº do fax de destino: ___________________________
Telegrama Remetente: _________________________________
Telefone para contato: ________
Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar Fax/Correio eletrônico:________________
os procedimentos burocráticos, passa a receber o título de Nº de páginas: esta + ______
telegrama toda comunicação oficial expedida por meio de Nº do documento: ______________________
telegrafia, telex, etc.
O telegrama é empregado para mensagens urgentes. Observações:________________________________
Por isso mesmo, seu texto limita-se ao estritamente neces- _______________________________________________
sário à perfeita compreensão do assunto, omitindo-se todas _______________________________________________
as expressões, palavras e partículas desnecessárias.
Segundo dispõe o art. 222 do Código Civil 2002, “O
Correio Eletrônico
telegrama, quando lhe for contestada a autenticidade, faz
prova mediante a conferência com o original assinado”.
O correio eletrônico (e-mail), por seu baixo custo e
Por tratar-se de forma de comunicação dispendiosa
celeridade, transformou-se na principal forma de comuni-
aos cofres públicos e tecnologicamente superada, deve
cação para transmissão de documentos.
restringir-se o uso do telegrama apenas àquelas situações
Um dos atrativos de comunicação por correio eletrô-
que não seja possível o uso de correio eletrônico ou fax nico é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir forma
e que a urgência justifique sua utilização e, também em rígida para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o uso
razão de seu custo elevado, esta forma de comunicação de linguagem incompatível com uma comunicação oficial.
deve pautar-se pela concisão. O campo assunto do formulário de correio eletrônico
mensagem deve ser preenchido de modo a facilitar a orga-
nização documental tanto do destinatário quanto do reme-
tente.

OUTROS TEXTOS OFICIAIS

Requerimento

A palavra requerimento deriva-se do verbo requerer,


que, de acordo com seu sentido denotativo, significa soli-
citar, pedir, estar em busca de algo. E, principalmente, que
o pedido seja deferido, ou seja, aprovado.
Podemos fazer um requerimento a um órgão público,
a uma empresa privada e mais a uma infinidade de outros
destinatários.

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Senhor Prefeito de Jandaia, Certidão

Deolindo Brunassi, brasileiro, casado, residente na Certidão é o documento revestido de formalidades


Rua Altino José Lopes, 1541, portador de CI n. 247.550-8 legais adequadas, fornecido por autoridade competente, a
e CPF n. 338.400.529, funcionário público municipal PO-2, requerimento do interessado, solicitado ou requisitado por
requer, na forma da Lei Municipal 123, de 1996, adicional
autoridade administrativa ou judicial e destinado a fazer
de dez por cento em seus vencimentos por ter completado
certa a existência de registro em livro, processo ou docu-
BRUNO

cinco anos de serviço.


VIVIANE

mento qualquer em poder do expedidor, referente a deter-


Nesses termos, minado ato ou fato, ou dar por certa a inexistência de tal
PILASTRE

Pede deferimento. registro.


FARIA

Jandaia, 3 de fevereiro de 2003.


CERTIDÃO DE HABILITAÇÃO DE CASAMENTO
[ASSINATURA]  
__________, Oficial do Registro do Distrito de
__________ da Comarca, Município de __________ Estado
Atestado/Declaração de __________.
Certifico que, decorrido o prazo legal para os procla-
Atestado ou Declaração é o documento mediante o mas de casamento de __________, natural de __________,
qual a autoridade comprova um fato ou situação de que nascido em __________ profissão __________, estado
tenha conhecimento em razão do cargo que ocupa ou da civil __________, residente em __________, filho de
função que exerce. __________, com __________, natural de __________,
nascida em __________, profissão __________, estado
civil __________, residente em __________, filha de
PROSPEC-SOLO FUNDAÇÕES S/A
__________, nenhum impedimento seguiu.
Av. Brasil, 453 – Campinas/SP – Tel.: 32414390
Estão, pois, habilitados para casar-se dentro do prazo
ATESTADO de três meses, a contar da presente data, tendo sido apre-
sentados os documentos de acordo com o artigo 180, núme-
ATESTAMOS que Maria Padilha estagiou no Depto. de ros __________ do Código Civil Brasileiro.
Sondagens e Fundações desta empresa de engenharia no  
período de 03/03/2001 a 06/11/2002, desenvolvendo suas Brasília, 7 de novembro de 2001.
funções com seriedade, competência e profissionalismo.  
[ASSINATURA DE QUEM LAVROU]
Campinas, 20 de junho de 2004. [NOME]
[CARGO]
[ASSINATURA]
José M. D. Fontanelle [VISTO DA AUTORIDADE RESPONSÁVEL]
Eng. Supervisor de Sondagens [NOME]
[CARGO]
[ASSINATURA]
CREA – 5.459/SP
Wilson Castilho Penha Ata
Chefe do Depto. Pessoal
Ata é o documento em que se registram, de forma
exata e metódica, as ocorrências, resoluções e decisões
SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL
das assembleias, reuniões ou sessões realizadas por comis-
QUARTEL GENERAL DO IV COMANDO AÉREO REGIONAL
sões, conselhos, congregações, corporações ou outras enti-
DECLARAÇÃO dades semelhantes.

DECLARO, para os devidos fins, que Irineu Lima


ATA N. 58/2004
Smith, RG n. 3.649.943 (SSP/SP), esteve presente no Ser-
viço Regional de Recrutamento e Mobilização deste Quartel
Assembleia Geral Extraordinária
General, no período das 10h às 12h, para tratar de assunto
do Serviço Militar.
Aos dezesseis dias do mês de fevereiro de dois mil e
São Paulo, 26 de junho de 2004. quatro, às nove horas, na sede social, na Avenida Comen-
dador Flávio Evaristo Ribeiro, 326, 6º andar, nesta cidade,
[ASSINATURA] reuniram-se em Assembleia Geral Extraordinária os acio-
[NOME] nistas da Empresa Transportadora Fast-Carga S/A, devida-
[CARGO] mente convocados por editais publicados no Diário Oficial do
Estado, edições de 6, 7 e 8 de fevereiro de 2004, e no jornal O

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Estado de S. Paulo, edições das mesmas datas. Verificando Pensei bastante sobre a proposta de emprego que
o Livro de Presenças, o diretor, Sr. Carlos Baldera, consta- me foi feita por sua instituição de ensino, levando em conta
tou a presença de número suficiente de acionistas, conforme todas as vantagens e desvantagens que o cargo proposto
os Estatutos da Empresa, razão pela qual, havendo número poderia me proporcionar. Sendo assim, escrevo-lhe para
legal declarou instalada a Assembleia e em condições de informar que não aceitarei a proposta e permanecerei no
deliberar sobre o objeto da convocação. Em seguida o Sr. local onde ora trabalho, já que o salário está condizente com
Carlos Baldera convidou os presentes a indicarem a mesa as exigências que me são feitas no cargo que ocupo.
que deveria dirigir a assembleia, recaindo a indicação, por

PORTUGUÊS
aclamação, no próprio Sr. Carlos para presidente e em mim, Atenciosamente,
Celina Valigni, para secretária. Composta a mesa, declarou
o senhor presidente que, como era do conhecimento geral, [ASSINATURA]
os assuntos que deveriam ser debatidos na presente assem- [NOME]
bleia versavam sobre a seguinte ordem do dia: a) leitura e
aprovação da ata da reunião anterior; b) constituição e elei- Parecer
ção do novo Conselho de Administração. Feita a leitura da
ata da reunião anterior e integralmente aprovada sem res- Pareceres administrativos são manifestações de órgãos
salvas, iniciaram-se as discussões sobre qual seria a estru- técnicos sobre assuntos submetidos à sua consideração.
tura ideal e as funções do novo Conselho de Administração. Na Administração Pública, o parecer, geralmente, é
Por se tratar de um órgão ainda inexistente na empresa, o parte integrante de um processo, para o qual aponta solução
senhor presidente solicitou a opinião dos Srs. Dr. Cláudio favorável ou desfavorável, precedida da necessária justifica-
Feitosa e Aquiles Araújo Neto, aos quais, na reunião ante- ção, com base em dispositivos legais, em jurisprudência e
rior, havia sido solicitado que se inteirassem como funciona em informações.
o referido Conselho em outras empresas do mesmo porte Os pareceres, quando não aprovados por ato subse-
que a Fast-Carga. Após os relatos dos referidos senhores e cutivo de autoridade competente, têm caráter meramente
discussão das ideias por eles apresentadas, foram acresci- opinativo, sem vincular a Administração ou terceiros à sua
das as sugestões dos Srs. Natanael Oliveira, Carlos Urtega conclusão ou motivação.
e Anamaria Lorenzo. Após uma longa e proveitosa discus-
são, o senhor presidente propôs que, em função da impor-
tância da decisão a ser tomada, seria conveniente que se PROCESSO N. _____ – [SIGLA DO ÓRGÃO QUE
marcasse uma nova assembleia, em que seriam apresen- SOLICITOU O PARECER]
PARECER N. _____ – [REFERÊNCIA AO ÓRGÃO]
tados alguns esboços de constituição do referido conselho
para apreciação dos acionistas e também seriam escolhidos
os futuros componentes desse conselho. Por aclamação Lei n. 4.769-65. Interpretação. Os
unânime, a proposta foi aceita. Nada havendo mais a tratar, conselhos Federal e Regionais
foram encerrados os trabalhos e eu, secretário, lavrei a pre- dos Técnicos de Administração
sente ata que, lida e aprovada por todos, vai ser assinada constituem uma única autarquia. O
acervo decorrente da atuação da
pela mesa diretora e pelos acionistas que comparecem.
Junta Executiva e suas represen-
tantes administrativas se transfere
ao Conselho Federal.
Em tempo: onde se lê O Estado de S. Paulo, leia-se A
Folha de S. Paulo.
A Lei n. 4.769, de 9 de setembro de 1965, dispondo
[ASSINATURA DO PRESIDENTE] sobre o exercício da profissão de Técnico de Administra-
[ASSINATURA DO SECRETÁRIO] ção, criou os Conselhos Regionais e o Federal, sob a forma
[DEMAIS ASSINATURAS] autárquica. Ademais, até que eles se formassem, deter-
minou fosse constituída uma Junta Executiva, mediante
implantação do sistema. Essa Junta extinguir-se-ia com a
Carta Comercial formação do Conselho Federal, que lhe absorveria o acervo.
2. Com efeito, pelo Decreto n. 58.670, de 20 de junho
A carta comercial, também chamada de correspondên- de 1966, criou-se a citada Junta Executiva, que, por meio
cia técnica, é um documento com objetivo de se fazer uma da Resolução n. 4, se permitiu designar Juntas Administrati-
comunicação comercial, empresarial. vas para a organização dos Conselhos Regionais e, até que
Muito importante que haja correção, pois um possível esses se formassem, representá-la no encaminhamento das
equívoco pode gerar desentendimento entre as partes e medidas necessárias à fiscalização do exercício da profis-
possíveis prejuízos de ordem financeira. são e ao registro dos Técnicos de Administração, na área de
sua jurisdição.
3. Criados os Conselhos, suscitaram-se dúvidas
Brasília, 19 de agosto de 2010. sobre se cada um de per si constitui um ente autárquico, ou
se a autarquia, no caso, compreende o Conselho Federal e
Senhor Beltrano de Tal, os Regionais. Ainda sobre se os recursos antes arrecada-

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dos pelas Juntas Administrativas devam integrar o acervo 5. Como continuasse a provocar-nos, bem como
da Junta Executiva a ser absorvido pelo Conselho Federal, a todos os demais funcionários, resolvemos dar-lhe as
ou se constituem em recursos dos Conselhos Regionais res- costas, voltando à nossa mesa de trabalho.
pectivos. 6. Ainda ouvimos quando o referido cidadão dizia
4. A clareza do texto legal não permite discussão. Os que iria comunicar o fato às autoridades em Porto Alegre.
Conselhos foram criados – como diz o art. 6º da citada Lei 7. Procuramos, durante os acontecimentos, manter
n. 4.769 – “constituindo em seu conjunto uma autarquia”. a atitude compatível com o nosso cargo e nos abstivemos
BRUNO
VIVIANE

Vale dizer, na espécie, a autarquia é um todo integrado pelos de qualquer resposta menos honrosa ao agressor verbal, o
Conselhos Regionais e Federal.
que, aliás, foi seguido pelos demais funcionários da repar-
PILASTRE

5. Por igual, para promover os atos preparatórios à


tição.
FARIA

implantação do sistema, a lei determinou se constituísse


8. Presenciaram a deprimente cena os Srs. Antônio
uma Junta Executiva. Até a Criação dos Conselhos, portanto,
Ferreira Viana, José Alfeu e Carlos Serres Oliveira, que se
o que existia era essa Junta. As Juntas Administrativas eram
meras representantes, instrumentos de que se valia a Junta encontravam tratando de assuntos relacionados com esta
Executiva para tomar as medidas regionais necessárias ao repartição.
fiel cumprimento de suas tarefas. O acervo decorrente da 9. Sendo o que nos competia informar, enfim, e
atuação da Executiva, nela compreendida, evidentemente, assim atendendo à determinação da Direção-Geral,
a de suas representantes administrativas, constitui todo ele aguardamos com confiança o julgamento imparcial dos
o acervo de que trata o art. 19, da Lei n. 4.769, tantas vezes fatos pela administração.
citadas, ou seja, o que deve ser absorvido pelo Conselho
Federal. Respeitosamente,
6. Assim sendo, não há como pretender-se possa a
arrecadação das Juntas Administrativas em referência trans- Novo Hamburgo, 28 de agosto de 2000.
ferir-se aos Conselhos Regionais. A tanto, não permite a lei.
Sob censura [ASSINATURA]
Carlos Castro Barbosa
Brasília, 16 de junho de 1970.
Chefe do Serviço de _____

[ASSINATURA]
[NOME] Apostila elaborada tendo por referência:
[Consultor-Geral da República]
• Manual de Redação da Presidência da República,
Relatório 2002.
• KASPARY, J. Adalberto. Redação Oficial,
Relatório é uma descrição de fatos passados, analisa- Normas e Modelos. 17ª ed. Porto Alegre: Edita,
dos com o objetivo de orientar o serviço interessado ou o 2004.
superior imediato, para determinada ação. • MARTINS, Dileta Silveira & ZILBERKNOP, Lúbia
Scliar. Português Instrumental. 28ª ed. São Paulo:
Editora Atlas, 2009.
RELATÓRIO
• NETO, Serafim da Silva. Introdução ao estudo
da língua portuguesa no Brasil. 5ª ed. Rio de
Senhor Diretor-Geral,
Janeiro: Presença/INL, 1986.
Conforme sua determinação, encaminhada a esta • Apostila Redação Oficial e Correspondências
repartição em despacho fonográfico de 5 de junho do cor- Administrativas no Serviço Público (Cened –
rente ano, passamos a relatar-lhe os acontecimentos ocorri- Unidade de Aperfeiçoamento e Qualificação)
dos no dia 1º de junho último, nesta repartição. • Apostila Curso de Redação Oficial Básica.
2. Encontrávamo-nos cumprindo nossas atribuições Elaboração: Janaína de Aquino Ferraz, Orme-
funcionais, quando entrou na repartição o cidadão Antô- zinda M. Ribeiro Aya, Elda A. Oliveira Ivo, Paula
nio Borges Ferreira, residente nesta cidade, o qual apenas Cobucci e Flávia M. Pires.
conhecíamos de vista e que a nós se dirigiu solicitando infor- • Exercícios criados pela Professora Mestra Viviane
mações sobre recolhimento de tributos devidos ao Estado. Faria
3. Não estando esta repartição em condições de • Sites:
atende à consulta formulada, comunicamos ao referido –– www.brasilescola.com/redacao
senhor que deveria fazê-la à Exatoria Estadual desta cidade. –– www.mundovestibular.com.br
4. Com isso não se conformou o referido cidadão, –– www.wikipedia.org
dizendo que nossa repartição nunca estivera tão mal aten- • Provas de concursos públicos (com as devidas refe-
dida e que era um absurdo que não lhe pudéssemos prestar
rências)
a informação de que necessitava.

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c. Esclarecemos ainda que, com o Sistema de Paga-
EXERCÍCIOS
mentos Brasileiro (SPB), operado pelo Banco Cen-
tral segundo padrões internacionais, ingressamos
CESPE/UNB no grupo de países em que transferências de fun-
dos interbancárias podem ser liquidadas em tempo
1. (CESPE) Assinale a opção em que o fragmento de ofí- real, em caráter irrevogável e incondicional.
cio apresenta inadequações quanto ao padrão exigido d. Vimos informar que a Rede do Sistema Financeiro
em correspondência oficial. Nacional é uma estrutura de base de dados, im-

PORTUGUÊS
a. Vimos informar que o Ministério da Agricultura e plementada por meio de tecnologia de rede, que
do Abastecimento publicou portaria, assinada em foi criada com a finalidade de suportar o tráfeco
28/12/1999, declarando como zona livre de febre de mensagens entre as instituições financeiras, as
aftosa parte do Circuito Pecuário Centro-Oeste, câmaras e os prestadores de serviços de compen-
formado pelo Distrito Federal e regiões do Mato sação e de liquidação, a Secretaria do Tesouro Na-
Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Paraná. cional e o Banco Central.
b. Esclarecemos, na oportunidade, que as regras
estabelecidas para erradicar a aftosa no Centro- 3. (CESPE) Cada um dos itens abaixo apresenta trechos
-Oeste foram aprovadas pelos governos estadu- de texto que devem ser julgados quanto a sua ade-
ais da região, pelo governo federal e pela cadeia quação a correspondências oficiais.
produtiva. Tais regras estão em conformidade com 1) Vimos informar que as inscrições para o Concur-
aquelas determinadas pelo Escritório Internacional so Público de Provas e Títulos para o Cargo de
de Epizootia. Analista de Sistemas começam dia 15 de abril de
c. Como é do conhecimento de Vossa Excelência, o 2008, das oito da manhã às 6 horas da tarde, no
Ministério da Agricultura e do Abastecimento enca- subsolo do edifício-sede desta companhia. Esta-
minhou relatório ao Escritório internacional de Epi- mos querendo pontualidade na entrega dos docu-
zootia, pedindo o reconhecimento do Circuito Pe- mentos.
cuário do Centro-Oeste como zona livre de aftosa. 2) A seleção para o cargo de que trata este edital
d. Lembramos que, em 1992, técnicos do Ministério compreenderá o exame de habilidades e conheci-
da Agricultura e das secretarias estaduais de agri- mentos, mediante a aplicação de provas objetivas
cultura modificaram as estratégias de combate à e de prova discursiva, todas de caráter eliminatório
febre aftosa, visando à erradicação dessa doença. e classificatório.
As ações foram regionalizadas, tendo por base os
Circuitos Pecuários, e foi incorporada, como ele- 4. (CESPE) A fixação dos fechos para comunicações ofi-
mento principal, a participação da comunidade in- ciais foi regulada pela Portaria n. 1 do Ministério da
teressada em todas as fases do programa. justiça, em 1937 e, após mais de meio século de vi-
e. É importante esclarecer vocês que as ações de gência, foi regulada pelo Decreto n. 100.000, de 11 de
campo daquele Programa Nacional de Erradicação janeiro de 1991, que aprovou o Manual de Redação
de Febre Aftosa, que eu já falei, são executadas da Presidência da República. A respeito das normas
diretamente pelas secretarias estaduais de agricul- de redação oficial fixadas por esse manual, julgue os
tura ou órgãos a elas vinculado. São 2.332 escritó- itens subsequentes.
rios locais distribuídos em todo país para as ações 1) Fere o princípio da impessoalidade o seguinte
de vigilância epidemiológica. trecho de um memorando: Esclareço, ainda, em
especial aos que atuam no Departamento de Pes-
2. (CESPE) Julgue se os itens subsequentes estão gra- soal, que não concebo que um ato normativo de
maticalmente corretos e adequados para a correspon- qualquer natureza seja redigido de forma obscura,
dência oficial. que dificulte ou impossibilite sua compreensão.
a. Se a integração de sistemas, possibilitada pela tec- Frise-se que fico deveras irritado quando um do-
nologia da informação, propiciou a realização da cumento oficial não pode ser entendido por todos
várias transações à distância, ela ainda não inte- os cidadãos.
grou o sistema bancário às aplicações de comércio 2) O principal objetivo da edição do Manual de Reda-
eletrônico e muito menos à outras transações no ção da Presidência da República foi sistematizar
âmbito do governo, como a gente gostaria de ver. as características da forma oficial de redigir visan-
b. O emprêgo de uma rede de comunicação segu- do-se à criação de uma forma específica de lin-
ra e com processos padronizados de liquidação, guagem burocrática que consagrasse expressões
que venha a ser utilizada em prol dos clientes dos e clichês do jargão burocrático.
bancos, poderá ser o grande salto a ser dado em 3) Mantido o nível de formalidade adequado às co-
termos de serviços no Brasil. Para o lojista, a van- municações oficiais, deve-se, na introdução de
tagem seria o uso de um conector único, ou de um um ofício, preferir a forma Comunico a Vossa Se-
reduzido número de conectores para realizar as nhoria à forma Tenho a honra de informar a Vossa
transações. Senhoria.

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5. (CESPE) Considerando que os trechos a seguir cons- 6. (CESPE) Julgue se os trechos nos itens subsequentes
tituam segmentos, não necessariamente sequenciais, apresentam linguagem gramaticalmente correta e ade-
de um ofício, julgue-os quanto à correção gramatical, quada à redação de correspondências, expedientes e
condição essencial aos documentos da comunicação documentos oficiais.
oficial. 1) Não se pode falarem em justiça social sem que to-
1) Conforme é do conhecimento de V. Sa, a primei- dos os brasileiros tenham acesso pleno a leitura
ra fiscalização avaliou o serviço de atendimento e aos livros que permitem o desenvolvimento in-
BRUNO
VIVIANE

ao usuário de três órgãos públicos e resultou em telectual.


acórdão proferido pelo TCU. A segunda fiscaliza- 2) A leitura é um instrumento para uma nova vida,
PILASTRE

ção, julgada por outro acórdão, verificou a atuação pois ela permite e intensifica o desenvolvimento
FARIA

desses mesmos órgãos no acompanhamento da das habilidades essenciais ao pleno exercício da


qualidade dos serviços prestados. cidadania.
2) O TCU identificou que aspectos fundamentais re- 3) Educação é fator decisivo pra redução das desi-
lativos a qualidade da prestação de serviços para gualdades sociais. O analfabetismo perpetua a
os usuários não são devidamente tratados por três miséria e cria um ciclo vicioso que atravanca o de-
órgãos públicos. Constatou-se também lacunas senvolvimento de todo o país.
na regulamentação, fragilidades nos processos 4) O esforço pela erradicação do analfabetismo deve
de fiscalização desenvolvidos pelos órgãos e falta ser visto como uma questão nacional.
de efetividade das sanções impostas às empresas 5) Para enfrentar o desafio educacional é necessário
prestadoras de serviços. Segundo a auditoria, tam- ampliar o investimento em programas de formação
bém não há priorização de políticas efetivas para e de valorização de professores, melhorar o ma-
educação do usuário. terial didático, informatizar escolas e garantir que
3) Esclarecemos, ainda, que o relatório aprovado pelo toda criança tenha acesso a um ensino público de
Acórdão n. 1.021/2012, no último dia 18, informam alta qualidade.
que determinados órgãos não concretizaram a
maior parte do próprio plano de ações elaborado 7. (CESPE) Ao escrever um texto, determinado profissio-
para cumprir as deliberações do Tribunal. Quase nal produziu a frase: “A inflação é a maior inimiga da
sete anos após a primeira decisão, apenas 47% Nação. É meta prioritária do governo eliminá-la”.
das recomendações do TCU foram implementa- Insatisfeito, ele a reescreveu da seguinte maneira: “A
das. Do acórdão posterior, somente 15% das re- inflação é a maior inimiga da Nação; logo, é meta prio-
comendações foram implementadas e 27% das ritária do governo eliminá-la”.
determinações efetivamente cumpridas.
Acerca dessa situação, julgue os próximos itens.
4) O TCU fixou prazo para que um novo plano de tra-
balho para implementação das determinações seja 1) Ao reescrever a frase, o referido profissional preo-
elaborado e recomenda aos órgãos que aprimorem cupou-se com a coesão textual.
a coordenação entre as suas diversas áreas e con- 2) O profissional poderia substituir “eliminá-la” por eli-
siderem a possibilidade de sancionar com maior minar-lhe e, dessa forma, a frase estaria mais bem
rigor as empresas prestadoras de serviços que não formulada e de acordo com a escrita padrão.
tratarem adequadamente as reclamações encami-
nhadas à própria ouvidoria. No que concerne às qualidades essenciais do texto,
julgue os itens seguintes.
5) A presidência e o conselho diretor de cada órgão
em apreço estão sendo alertados de que as deter- 3) Se, em um texto de redação oficial, aquele que o
minações e recomendações ainda não cumpridas escreve ou revisa decidir usar o trecho “Durante o
ou implementadas dependem fundamentalmente ano de 2008”, em vez de “Neste ano”, estará tor-
de suas atuações, sendo, portanto, de responsabi- nando o texto menos conciso.
lidade direta do respectivo corpo dirigente. O TCU 4) A substituição da expressão “o mesmo” por “o tex-
continuará a acompanhar as medidas adotadas por to”, em “A secretária redigiu um memorando. Espe-
esses órgãos para melhoria da prestação dos ser- ro que o mesmo agrade aos interessados”, tornaria
viços públicos. Nova fiscalização deverá ser con- esse trecho mais claro e preciso.
cluída no prazo de um ano. 5) A frase “O jornal deu a notícia em primeira mão”
6) Vimos informar que o Tribunal de Contas da União ficaria mais precisa se a forma verbal “deu” fosse
(TCU), em sua missão de avaliar o desempenho de substituída por publicou, que é mais específica
vários órgãos públicos, constatou que alguns deles para o contexto.
não estão cumprindo totalmente determinações e 6) No trecho “Era um excelente médico. Todos os
recomendações expedidas em duas fiscalizações seus pacientes o adoravam”, o uso do termo clien-
referentes à qualidade dos serviços públicos por tes no lugar de “pacientes” seria mais adequado,
eles prestados. pois imprimiria mais precisão à frase.

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8. (CESPE) Considerando os princípios de redação de 11. (CESPE) A respeito da redação de atos normativos, jul-
expedientes, julgue os itens a seguir. gue os itens a seguir.
1) O tratamento que deve ser dado aos assuntos que 1) Um texto normativo deve dirigir-se sempre a pesso-
constam das comunicações oficiais deve ser im- as de nível intelectual alto e homogêneo; portanto,
para compreender o vocabulário utilizado, muitas
pessoal: todavia, são estimuladas as impressões
vezes, o cidadão comum tem de recorrer à consulta
individuais de quem comunica.
a dicionário.
2) Com a finalidade de padronização, à redação de 2) Um documento a um departamento deve ser um tex-

PORTUGUÊS
comunicações oficiais foram incorporados proce- to impecável. No entanto, quem escreve um simples
dimentos rotineiros ao longo do tempo, como as recado a um interlocutor com pouca escolaridade não
formas de tratamento e de cortesia e a estrutura precisa estar atento a certos aspectos linguísticos,
dos expedientes. como, por exemplo, a correção gramatical.
3) Os expedientes oficiais cuja finalidade precípua é 3) O emissor de uma mensagem, ao incorrer em ina-
informar com clareza e objetividade, empregando dequação vocabular ou rebuscamento, poderá não
a linguagem adequada, têm caráter normativo, es- produzir o efeito pretendido no receptor, que, por não
tabelecem regras para a conduta dos cidadãos ou entender o teor da mensagem, ficará obrigado a no-
regulam o funcionamento dos órgãos públicos. vos contatos, a novas consultas.
4) A concisão, sinônimo de prolixidade, é uma quali- 4) Quem escreve deve evitar a tautologia, que consiste
dade de qualquer texto técnico e uma característica na repetição de palavras com o mesmo sentido.
de texto oficial, que exige do redator essencialmen- 5) Em resposta a uma consulta, o redator deve preocu-
te conhecimento do assunto sobre que escreve, par-se em responder apenas àquilo que lhe foi per-
uma vez que raramente há tempo disponível para guntado, sem considerar outras possíveis dúvidas do
revisar o texto. consulente.
5) O domínio da redação de expedientes oficiais é 6) Na resposta a uma consulta, os aspectos positivos
aperfeiçoado em decorrência da experiência pro- de uma situação devem ser apresentados antes dos
fissional; muitas vezes a prática constante faz que negativos.
o assunto se torne de conhecimento generalizado.
12. (CESPE) Sobre a redação de textos oficiais, julgue os
9. (CESPE) Julgue os itens que se seguem, referentes próximos itens.
aos níveis da comunicação. 1) As comunicações oficiais devem ser padronizadas
1) A comunicação acima/ascendente é entendida e, para isso, o uso do padrão oficial de linguagem é
como aquela que se direciona aos superiores hie- imprescindível.
rárquicos e aos profissionais de outra instituição. 2) A redação oficial, ou seja, a maneira pela qual o Po-
2) Textos direcionados aos profissionais que traba- der Público redige os atos normativos e comunica-
lham sob a gerência/chefia de quem escreve carac- ções, caracteriza-se pela linguagem formal e pela pa-
terizam-se como textos de nível de comunicação dronização e uniformidade dos documentos emitidos.
denominado abaixo/descendente. 3) A redação oficial, maneira como atos e comunicações
3) O profissional, em um texto dirigido a seus superio- são elaborados pelo poder público, deve orientar-se
res, ao se referir a ações que ele próprio executa, por princípios dispostos na Constituição Federal, tais
deve utilizar qualquer uma das formas verbais a se- como impessoalidade e publicidade.
guir: solicita, propõe, informa, decide, autoriza. 4) Comunicações oficiais, utilizadas para a comunica-
4) Por questão de polidez, quando se dirige a seus su- ção entre órgãos do serviço público ou entre órgãos
bordinados, o profissional deve evitar, em seu texto, do serviço público e o público em geral, podem ser
o emprego de palavras como proíbe e adverte. emitidas tanto pela administração pública quanto pe-
los cidadãos.
10. (CESPE) Com base nas orientações do Manual de
13. (CESPE) Em relação às exigências da redação de cor-
Redação da Presidência da República, julgue os itens
respondências oficiais, julgue os itens que se seguem.
subsequentes.
1) O trecho a seguir está adequado e correto para com-
1) O seguinte trecho introdutório de comunicação ofi-
por um memorando:
cial atende ao objetivo de mero encaminhamento
Nos termos do “Programa de modernização e informati-
de documento e ao requisito de uso do padrão culto
zação da Agência Nacional de Saúde Suplementar”, solicito a
da linguagem:
Vossa Senhoria a instalação de dois novos computadores no
Encaminho, em anexo, para exame e pronunciamento,
setor de protocolo para atender à demanda e melhorar a quali-
cópia do projeto de modernização de técnicas agrícolas no
dade dos serviços prestados ao público.
estado do Espírito Santo.
2) O trecho a seguir está adequado e correto para com-
2) O emprego de vocabulário técnico de conhecimen-
por um ofício:
to específico dos profissionais do serviço público fa-
Viemos informar que vamos estar enviando oportuna-
cilita a elaboração dos textos oficiais e, consequen- mente os relatórios solicitados via email, com todas as infor-
temente, o seu entendimento pelo público geral.
mações referentes ao desenvolvimento das auditorias citadas.

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14. (CESPE) Com base no Manual de Redação da Presi- 3) O trecho a seguir estaria correto e adequado para
dência da República, julgue os itens seguintes, refe- constituir parte de um memorando:
rentes à adequação da linguagem, formato e caracte- Segue cópia do Relatório Resumido da Execução
rísticas da correspondência oficial. Orçamentária do município XYZ referente ao se-
gundo bimestre do exercício corrente.
1) Formalidade de tratamento, clareza datilográfica,
correta diagramação do texto e utilização de papéis
17. (CESPE) À luz das orientações constantes no Manual
de mesma espécie são necessárias para a unifor-
BRUNO

de Redação da Presidência da República, julgue os


VIVIANE

midade das comunicações oficiais.


itens a seguir.
2) Na redação oficial, a impessoalidade refere-se ao
1) A obrigatoriedade do uso do padrão culto da língua
PILASTRE

emprego adequado de estruturas formais, como a


FARIA

e o requisito de impessoalidade são incompatíveis


utilização de pronomes de tratamento para deter-
com o emprego da linguagem técnica nas comuni-
minada autoridade, à polidez e à civilidade no en-
cações oficiais.
foque dado ao assunto que se pretende comunicar.
2) Admite-se o registro de impressões pessoais na
3) Nas comunicações oficiais, o agente comunicador
redação oficial, desde que o assunto seja de in-
é o serviço público, e o assunto relaciona-se às
teresse público e expresso em linguagem formal.
atribuições do órgão ou da entidade que comunica,
devendo a correspondência oficial estar isenta de
18. (CESPE) A democracia já não se reduz a uma espe-
impressões individuais do remetente do documen-
rança, não é mais uma questão, não é apenas um
to, para a manutenção de certa uniformidade entre
direito, não é somente o apanágio de uma cidade
os documentos emanados de diferentes setores da
ilustrada como Atenas, ou de um grande povo como
administração.
o romano: é mais, é tudo nas sociedades modernas.
De mera previsão, converteu-se em fato; de opi-
15. (CESPE) Com base no Manual de Redação da Presi-
nião controversa, transformou-se em realidade viva;
dência da República, julgue os itens seguintes.
deixou de ser puro direito para ser direito e força;
1) Não é permitido, na redação de documento oficial, o passou de simples fenômeno local a lei universal e
uso de linguagens escritas típicas de redes sociais onipotente.
na internet, haja vista que são variedades de uso Enquanto alguns discutem ainda se ela deve ser, já
restrito a determinados grupos e círculos sociais. ela é. Como o crescer silencioso, mas incessante,
2) No que se refere ao emprego de consoantes, o refe- do fluxo do oceano, sobe e espraia-se calada, mas
rido manual apresenta o termo “extensão” como ato continuamente. Cada onda que se aproxima, e recua
ou efeito de “estender”, apesar da diferença de grafia. depois, estende os limites do poderoso elemento. Os
3) O domínio do padrão culto da língua é fator sufi- espíritos que não veem muito deixam-se dormir, en-
ciente para garantir a concisão no texto redigido tretanto, recostados indolentemente à margem que
– qualidade inerente aos documentos oficiais –, as águas não tardarão em invadir, porque a enchente
evitando-se, desse modo, a necessidade de revi- cresce linha a linha sem que a percebam, e, como
são textual. a onda retrocede sempre, parece-lhes que, retroce-
dendo, perdeu todo o terreno vencido. Embora algu-
16. (CESPE) Julgue os itens a seguir com base nas pres- ma onda mais impetuosa, como que os advertindo,
crições do Manual de Redação da Presidência da Re- jogue de longe sobre eles a espuma. Riem dela, por-
pública para a elaboração de correspondências oficiais. que a veem retrair-se logo após; persuadidos de que
têm subjugado o oceano quando mandam pelos seus
1) O trecho a seguir estaria gramaticalmente correto e
adequado para constituir parte de um ofício: Tenho serviçais antepor-lhe a cautela de algum quebra-mar
a maior honra de encaminharmos ao TCE/RO, por que dure pela vida de uma ou duas gerações. Cui-
meio desta mensagem, os demonstrativos geren- dam ter desse modo segurado a sua casa e o futuro
ciais da aplicação mensal e acumulada das recei- dos filhos. Mas o frágil anteparo, minado pela ação
tas resultantes de impostos e transferências cons- imperceptível das águas, esboroa-se um bom dia, ma-
titucionais em ações e serviços públicos de saúde logrando-lhes os cálculos, quando não mais que isso.
referente ao mês de maio do exercício corrente. A aristocracia teve a sua época e passou. A realeza
teve a sua, e extinguiu-se também. Chegou a vez da
2) O trecho a seguir apresenta-se gramaticalmen-
democracia, e esta permanecerá para sempre. Por
te correto e adequado para constituir parte de
quê? Porque a aristocracia era a sujeição de todos
um ofício: Vimos informar que já expirou o prazo
a poucos, era o privilégio, a hereditariedade, que,
para publicação do Relatório de Gestão Fiscal do
na propriedade individual, é legítima, por ser conse-
primeiro quadrimestre do exercício corrente, para
quência do trabalho, mas que, em política, é absur-
municípios com mais de 50.000 habitantes. As ad-
da, porque exclui do governo a vontade dos gover-
ministrações municipais têm dez dias para justificar
nados e submete o merecimento à incapacidade. A
o atraso na publicação.
realeza também era o privilégio, ainda mais restrito,

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mais concentrado, personificado em um indivíduo, 22. (CESPE) Julgue os itens que se seguem, relativos a
circunscrito a uma família. A democracia, essa é a aspectos gerais da redação oficial.
negação das castas, das exclusões arbitrárias, e a 1) Os termos técnicos, as siglas, as abreviações e os
consagração do direito: por isso, não morre. conceitos específicos empregados em correspon-
Rui Barbosa. Obras completas de Rui Barbosa. Vol. I (1865-1871), tomo dências oficiais prescindem de explicação.
I, p. 19-20. Internet: <www.casaruibarbosa.gov.br> (com adaptações).
2) As comunicações oficiais podem ser remetidas em
nome do serviço público ou da pessoa que ocupa
Julgue o item, relativo às ideias e a aspectos linguísti-

PORTUGUÊS
determinado cargo dentro do serviço público.
cos do texto anterior.
1) A linguagem empregada no texto é adequada à 23. (CESPE)
correspondência oficial, com exceção da utilizada
MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL
no segundo parágrafo, em que predomina a cono-
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE DESENVOLVIMENTO
tação.
DE REGIÃO
19. (CESPE) Com base nas regras de redação de corres- INTEGRADA DO DISTRITO FEDERAL E ENTORNO (COARIDE)
pondências oficiais, julgue os itens que se seguem.
CAPÍTULO
1) A linguagem desse tipo de texto deve ser formal,
impessoal, clara e concisa, características decor-
rentes da submissão dos documentos oficiais aos ATRIBUIÇÕES
princípios da administração pública.
Art. 1º O Conselho Administrativo da Região Inte-
2) Em texto normativo, os artigos são a unidade bá-
grada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno
sica para apresentação, divisão ou agrupamentos
de assuntos; os parágrafos são disposições secun- (COARIDE), órgão colegiado do Ministério da Integração
dárias de um capítulo, as quais explicam ou mo- Nacional, nos termos da Lei Complementar n. 94, de 19 de
dificam a disposição principal, expressa no caput. fevereiro de 1988, e do Decreto n. 2.710, de 4 de agosto
de 1998, alterado pelo Decreto n. 3.445, de 4 de maio de
20. (CESPE) Julgue os itens a seguir à luz do Manual de 2000, tem por finalidade:
Redação da Presidência da República.
1) O trecho a seguir estaria correto e adequado para I – coordenar as ações dos entes federados que
compor um ofício: compõem a RIDE, visando ao desenvolvimento
Viemos esclarecer que os estudos realizados compro- das regiões que a integram e à redução de suas
vam que o perfil do sistema produtivo nacional suge- desigualdades regionais;
rem que os traçados mais urgentes para as ferrovias II – aprovar e supervisionar planos, programas e pro-
são aqueles que passam por polos de produção no in- jetos para o desenvolvimento integrado da RIDE;
terior do país e seguem para os principais portos. (...)
2) Expediente que contenha a seguinte resposta: “Em VI – coordenar a execução de programas e projetos
atenção ao Memo n. 03/11, a data é 10/02/2011”, de interesse da RIDE;
em vez de “Em atenção ao Memo n. 03/11, que VII – aprovar o seu regimento interno.
trata das férias de servidores desta Coordenadoria,
informo que elas se iniciaram no dia 10/02/2011”,
está desrespeitando as normas referentes à conci- Considerando que o trecho do documento acima é
são, um dos requisitos básicos da redação oficial. exemplo de redação oficial de expedientes administrativos,
julgue os itens a seguir.
21. (CESPE) Em relação às correspondências oficiais, jul- 1) É obrigatório o emprego das letras iniciais maiús-
gue os seguintes itens.
culas em “Lei Complementar n. 94” e em “Decreto
1) A redação oficial caracteriza-se por uma linguagem n. 2.710” porque se trata de lei e decreto especifi-
contrária à evolução da língua, uma vez que sua cados por número e data.
finalidade é comunicar com impessoalidade e má-
2) O respeito às regras da norma de padrão culto
xima clareza.
mostra que o sujeito de “tem”, na última linha do
2) As comunicações oficiais devem nortear-se pela
Art. 1º, só pode ser “O Conselho Administrativo da
uniformidade, pois há sempre um único comunica-
Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito
dor: o serviço público.
Federal e Entorno”, que tem por sigla COARIDE.
3) Os princípios da publicidade e da impessoalidade,
que regem toda a administração pública, devem 3) O emprego de letras minúsculas iniciando cada
nortear a elaboração das comunicações oficiais. inciso deve-se ao uso de dois-pontos no final do
parágrafo que inicia o capítulo.
4) Na elaboração das comunicações oficiais, deve-se
empregar, sempre, o padrão culto da linguagem, 4) A pontuação em VII indica que se trata do último
admitindo-se o emprego dos jargões técnicos, mas inciso do art. 1º.
não de regionalismos e gírias.

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24. (CESPE) No que se refere ao formato e à linguagem 3) Embora os níveis gráfico e lexical estejam corretos,
das correspondências oficiais, julgue os próximos o texto desrespeita as regras do padrão culto da lin-
itens, com base no Manual de Redação da Presidên- guagem no nível sintático.
cia da República. 4) O texto não obedece às características de formali-
1) Emprega-se o pronome de tratamento Ilustríssimo dade e de impessoalidade que devem nortear toda
em documentos encaminhados a particulares e a correspondência oficial para que esta adquira uni-
autoridades que recebam o tratamento de Vossa formidade.
BRUNO
VIVIANE

Senhoria. 5) As formas de tratamento empregadas no texto reve-


lam um caráter de respeitosa formalidade e estão de
2) No envelope de endereçamento de correspondên-
acordo com as recomendações para textos oficiais.
PILASTRE

cia oficial dirigida ao governador de estado, devem


FARIA

constar, além da expressão “A Sua Excelência o


27. (CESPE) Com base nas orientações do Manual de
Senhor”, o nome do destinatário e o seu endereço
Redação da Presidência da República, julgue os itens
completo, que pode ser substituído pelo CEP. subsequentes.
1) No seguinte trecho de ofício encaminhado a depu-
25. (CESPE) Com relação a elementos estruturais de ex-
tado federal, o emprego do pronome de tratamento
pedientes e textos normativos oficiais, julgue os itens
está adequado à autoridade a que se destina a co-
subsequentes. municação, e a redação, de acordo com o padrão
1) O pronome de tratamento Vossa Excelência é culto da língua:
empregado, no Poder Judiciário, para ministro de Em sua comunicação, Vossa Excelência ressalta
tribunal superior, membros do júri em tribunais po- a necessidade de que sejam levadas em conside-
pulares, auditores e juízes. ração, na aprovação do projeto, as características
2) A forma Digníssimo (DD) foi abolida no tratamento sociais e econômicas da região.
às autoridades, porque dignidade é pressuposto 2) No seguinte trecho de documento dirigido a ministro
para que se ocupe qualquer cargo público, sendo de Estado, está correto o emprego do pronome de
desnecessária sua repetida evocação em expe- tratamento.
dientes oficiais. Encaminho a Sua Excelência esta carta aberta
em cumprimento do estabelecido no Decreto n.
3) Entre as autoridades tratadas por Vossa Excelên- 3.088/1999, que instituiu o regime de metas para
cia, estão o presidente da República, os ministros a inflação no Brasil. Como é do conhecimento de
de Estado e os juízes. Sua Excelência, o parágrafo único do artigo 4º do
referido decreto reza que, em caso de descum-
26. (CESPE) A subchefia de assuntos jurídicos desse mi- primento da meta de inflação estabelecida pelo
nistério submeteu ao magnífico procurador-geral da Conselho Monetário Nacional [...].
república, Dr. Aristóteles Sócrates Platão, consulta so-
bre sua opinião pessoal a respeito de matéria contro- 28. (CESPE) Julgue os itens que se seguem, referentes à
versa que versa sobre os limites entre os direitos dos correspondência oficial.
cidadões e a esfera do poder público, no sentido de 1) Estão corretos os vocativos “Excelentíssimo Senhor
tornar clara, explícita e incontroversa a questão levan- Presidente da República”, “Excelentíssimo Senhor
tada pela prestigiosa comissão que investiga o recebi- Presidente do Supremo Tribunal Federal” e “Senhor
mento de um excelente automóvel zero quilômetro da Senador”.
marca Mercedez Benz pelo senhor chefe dos serviços 2) No endereçamento de comunicação dirigida a au-
gerais do nosso ministério para que seje investigado a toridades tratadas por Vossa Excelência, como é o
fundo se o episódio pode ser considerado inflação do caso dos senadores, deve constar o seguinte:
código de ética recentemente promulgado pelo poder
executivo. Ao Digníssimo Senhor Senador
De acordo com o Manual de Redação da Presidência da Fulano de Tal
República, a redação oficial deve caracterizar-se por impes- Senado Federal
soalidade, uso de padrão culto da linguagem, clareza, conci-
são, formalidade e uniformidade. Em face dessa caracteriza- 3) No caso de o destinatário de expediente oficial ser
ção e do fragmento de texto oficial acima, julgue os itens que uma alta autoridade do Poder Executivo, Legislativo
se seguem. ou Judiciário, o remetente, quando a ele se dirigir,
1) Exceto pelo emprego de períodos sintáticos longos, deve empregar o pronome de tratamento Vossa Ex-
o fragmento respeita as normas de concisão e obje- celência.
tividade recomendadas pelo Manual de Redação da
Presidência da República. 29. (CESPE) Em relação às exigências da redação de cor-
respondências oficiais, julgue os itens que se seguem.
2) No fragmento, para que a característica de clareza
seja observada, deve não apenas ser reformulado o 1) A forma de tratamento Magnífico destina-se a au-
toridades do Poder Legislativo, principalmente ao
nível sintático como também deve haver mais preci-
presidente da Câmara dos Deputados e ao do Se-
são na organização das ideias.
nado Federal.

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2) Os ministros de Estado recebem o tratamento de
Vossa Excelência, e o vocativo empregado em co-
municações a eles dirigidas deve ser Excelentíssi-
mo Senhor Ministro.
3) Em documentos destinados ao presidente do Su-
premo Tribunal Federal, o emprego do vocativo
Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo, atende
a regra de formalidade nas comunicações oficiais.

PORTUGUÊS
30. (CESPE) No que se refere a aspectos gerais das cor-
respondências oficiais, julgue os itens que se seguem
de acordo com o Manual de Redação da Presidência
da República (MRPR).
1) Em uma correspondência encaminhada ao ministro
dos Transportes, o destinatário deve ser chamado
pelo vocativo “Senhor Ministro” e, no envelope de
endereçamento, deve ser referido pela forma de
tratamento “A Sua Excelência o Senhor”.
2) Nas comunicações oficiais dirigidas a ministros de
tribunais superiores, deve-se empregar o vocativo
Senhor Ministro.
3) Em comunicações oficiais dirigidas a ministros de
tribunais superiores, deve-se empregar o pronome
de tratamento Vossa Excelência.

GABARITO

1. e
2. E, E, E, E
3. E, C
4. C, E, C
5. C, E, E, C, C, C
6. E, C, E, C, C
7. C, E, C, C, C, E
8. E, C, C, E, E
9. C, C, E, E
10. C, E
11. E, E, C, C, E, C
12. E, C, C, E
13. C, E
14. C, E, C
15. C, C, E
16. E, C, C
17. E, E
18. E
19. C, E
20. E, E
21. E, C, C, E
22. E, E
23. C, C, C, C
24. E, E
25. E, C, C
26. E, C, E, C, E
27. C, E
28. C, E, C
29. E, E, C
30. C, C, C

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NOÇÕES DE INFORMÁTICA

S U M ÁRI O

NOÇÕES DE INFORMÁTICA: CONCEITOS BÁSICOS DE SOFTWARE E HARDWARE..................................149


NOÇÕES DO AMBIENTE WINDOWS, EDITOR DE TEXTO WORD.........................................................90/158
CONCEITOS DE INTERNET E INTRANET......................................................................................................113
INTERNET EXPLORER...................................................................................................................................121
CORREIO ELETRÔNICO (WEB MAIL)...........................................................................................................144
CÓPIAS DE SEGURANÇA (BACKUP)............................................................................................................120
CONCEITO E ORGANIZAÇÃO DE ARQUIVOS (PASTAS/DIRETÓRIOS).......................................................104
NOÇÕES BÁSICAS DE ARMAZENAMENTO DE DADOS..............................................................................152

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WINDOWS 10 entrar na sua conta do Windows, você ainda pode utilizar,
como método de entrada, uma senha, um PIN ou uma senha
1  PRINCIPAIS NOVIDADES de imagem.

1.1 Menu Iniciar

O Menu Iniciar está de volta! Porém, suas principais


funcionalidades serão descritas em tópico específico.

1.2 Microsoft Edge 1.5 Aplicativo Fotos

É um navegador (browser) desenvolvido pela Micro- Permite importar, compartilhar, exibir e editar fotos e
soft. É um programa nativo do Windows 10, ou seja, é um vídeos, além de ainda criar álbuns e mostrar conteúdo de
aplicativo pré-instalado. Mesmo com o Edge pré-instalado, a pastas do seu computador e do Onedrive.
Microsoft manteve o Internet Explorer disponível, ou seja, o
Windows 10 disponibiliza os dois navegadores.

1.3 Cortana

É uma assistente pessoal desenvolvida pela Microsoft


e é acionada por comandos de voz. A Cortana pode dar
sugestões pessoalmente relevantes e alertas. Quando você
HENRIQUE
BRUNO PILASTRE

usa a Cortana, a Microsoft coleta e utiliza suas informações,


como interesses, localizações, preferências, contatos (pes-
soas), entrada de voz, histórico de pesquisa, detalhes de
SODRÉ

calendário, histórico de conteúdo, comunicação de mensa-


gens e aplicativos, além de outras informações sobre o seu
dispositivo. Por meio do Microsoft Edge, a Cortana coleta e
usa o seu histórico de navegação.
Até a data de 26 de dezembro de 2015, a assistente
pessoal ainda não tinha sido disponibilizada pela Microsoft
no idioma Português (Brasil).

1.4 Windows Hello


1.6 Email e Calendário
É uma nova maneira de autenticação para que você
possa entrar em sua conta do Windows. A autenticação é Recursos nativos do Windows 10, Email e Calendário
realizada por biometria (face, íris ou impressão digital). Não permitem, respectivamente, gerenciar uma conta de email
é preciso utilizar obrigatoriamente o Windows Hello para e eventos.

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NOÇÕES DE INFORMÁTICA

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1.7 Snap Aprimorado

Snap é um recurso que surgiu no Windows 7. Ele permite redimensionar rapidamente janelas, arrastando-as para
as bordas superior, esquerda ou direita da tela. Ao arrastar para cima, a janela será maximizada. Ao arrastar para
a direita ou para a esquerda, a janela será redimensionada para ocupar metade da tela. No Windows 10, o Snap foi
aprimorado: ao arrastar uma janela para direita ou para a esquerda, janelas abertas serão exibidas para a visualiza-
ção rápida de duas janelas lado a lado.
HENRIQUE
BRUNO PILASTRE
SODRÉ

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1.8 Fixar Janelas nos Cantos das Telas

Outro aprimoramento do Snap para o Windows 10 é a possibilidade de fixar janelas nos cantos das telas. Para isso, basta
movimentar uma janela para o canto superior-direito, superior-esquerdo, inferior-direito ou inferior-esquerdo.

NOÇÕES DE INFORMÁTICA

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1.9 Redimensionamento Rápido

Após utilizar o Snap para movimentar uma janela para direita e outra para a esquerda, experimente movimentar a borda
compartilhada de aplicativos, pois o Windows irá redimensionar as janelas dos aplicativos automaticamente.
HENRIQUE
BRUNO PILASTRE

1.10 Complemento para Telefone


SODRÉ

Programa que permite ter, por exemplo, músicas, fotos, anotações, arquivos, email, calendário e contatos sincronizados
entre diferentes dispositivos.

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NOÇÕES DE INFORMÁTICA
1.11 Microsoft Groove

Aplicativo que permite reproduzir músicas. Qualquer pessoa com uma conta da Microsoft em regiões selecionadas,
como, por exemplo, no Brasil, pode adicionar músicas ao OneDrive e reproduzi-las no aplicativo de música Groove. Além
disso, a Microsoft disponibiliza o Groove Music Pass como um serviço pago que disponibiliza milhões de músicas para serem
acessadas.

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1.12 Visão de Tarefas

O botão da Barra de Tarefas permite visualizar as miniaturas das janelas abertas permitindo a alternância entre
janelas conforme pode ser visualizado por meio da seguinte figura:
HENRIQUE
BRUNO PILASTRE
SODRÉ

1.13 Nova Área de Trabalho

Ao acionar o botão Visão de Tarefas, a opção Nova Área de Trabalho será exibida. Ao clicar esse botão, o usuário poderá
criar desktops virtuais.

Ao clicar novamente o botão Visão de Tarefas, é possível alternar entre desktops virtuais. Também é possível fechar

um desktop virtual repousando o ponteiro do mouse sobre uma Área de Trabalho virtual e clicando o botão conforme é
possível visualizar na imagem abaixo.

Ao fechar um Desktop virtual, as janelas serão movidas para a Área de Trabalho virtual anterior. Por exemplo, se a Área
de Trabalho 5 for fechada, as janelas movidas irão para a Área de Trabalho 4.
É importante registrar a possibilidade de mover aplicativos entre Áreas de Trabalho virtuais diferentes. Para isso, basta
arrastar a janela do aplicativo para a Área de Trabalho virtual de destino.

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1.14 Nova Central de Ações

NOÇÕES DE INFORMÁTICA
É acionado após for clicado o botão na barra de
tarefas. Em Configurações, é possível escolher quais tipos
de notificações serão exibidas. Além disso, é possível esco-
lher as ações rápidas que estarão visíveis ao utilizar a opção
Recolher.

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1.15 Modo Tablet (Touch)

O modo Tablet deixa o Windows mais fácil e intuitivo de usar em interfaces de toque em dispositivos tipo conversíveis

ou tabletes, por exemplo. Para ativar o modo Tablet, selecione Central de Ações por meio do botão na barra de tare-
fas e depois Modo Tablet.
HENRIQUE
BRUNO PILASTRE

1.16 Janelas Abertas Independente do Modo


SODRÉ

No Windows 8 e 8.1, há diferença entre Tela Iniciar


(Interface Metro) e Tela Desktop, pois Aplicativos para Tela
Iniciar só podem ser utilizados na Tela Iniciar, e os Aplicati-
vos Tela Desktop, por sua vez, só podem ser utilizados na
Tela Desktop. No Windows 10, o modo Tablet se assemelha
à Tela Iniciar do Windows 8. Porém, no Windows 10, não
há diferença no uso de janelas no modo Tablet ou no modo
Desktop.

1.17.2  Recurso Compartilhar do Explorador de Arquivos

Agora, você pode compartilhar arquivos e fotos por


meio do Explorador de Arquivos. Selecione os arquivos que
deseja compartilhar, acesse a guia Compartilhar, selecione
o botão Compartilhar e, em seguida, escolha um aplicativo.
1.17 Novidades do Explorador de Arquivos

1.17.1  Recurso Acesso Rápido do Explorador de Arquivos


Lista as pastas usadas com frequência. Dessa maneira,
você terá acesso rápido às pastas mais utilizadas. Você
pode remover uma pasta da lista clicando sobre ela com o
botão direito do mouse e escolhendo a opção Remover do
1.17.3  Este Computador
Acesso Rápido. Você também pode fixar suas pastas favori-
tas ao Acesso Rápido para mantê-las à mão. A imagem
Meu Computador agora é chamado Este Computador
indica um local fixo no Acesso Rápido. e seu ícone não aparecerá na área de trabalho por padrão.

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1.17.4  Onde estão as Bibliotecas?

As Bibliotecas não aparecerão no Explorador de Arqui-


vos, por padrão. Caso queira exibi-las, você pode utilizar o
botão Painel de Navegação da Guia Exibir do Explorador de
Arquivos. Também é possível exibir as Bibliotecas clicando-
-se com o botão direito do mouse no Painel de Navegação
(em uma região que não tenha ícones e nem botões) e sele-
cionar a opção Mostrar Bibliotecas

2  RECURSOS DE VERSÕES ANTERIORES

2.1 Onedrive (Surgiu no Windows 8)

É uma ferramenta da Microsoft que permite armazena-


mento em nuvem (cloud storage). Desde o Windows 8, o One-
drive é um programa nativo, ou seja, vem instalado por padrão.

2.2 Windows Store (surgiu no Windows 8) O Defender surgiu como um antispyware no Windows
Vista. No Windows Vista e no Windows 7, a ferramenta anti-
Loja de aplicativos da Microsoft. vírus da Microsoft – que poderia ser instalada, caso o usuá-
rio quisesse, ou seja, não é um programa nativo – é o Secu-
2.3 Windows Defender rity Essentials.

NOÇÕES DE INFORMÁTICA
Win XP Win Vista Win 7 Win 8/8.1 Win 10
Antivírus x x x Defender Defender
Antispyware x Defender Defender Defender Defender

No Windows 8, o Defender possui recursos de elimi-


nação de malwares, ou seja, proteção antivírus e antis-
pyware.
O Windows Defender usa proteção em tempo real para
examinar tudo o que você baixa ou executa em seu compu-
tador.
No Windows 10, é possível examinar arquivos ou
pastas específicos, selecionando-os e clicando com
botão direito, escolhendo a opção Examinar com o Win-
dows Defender.
Se o Windows Defender encontrar algum item mal-
-intencionado, ele irá fornecer uma notificação no aplica- 2.5 ReadyBoost (surgiu no Vista)
tivo e recomendar o que você deve fazer em seguida para
manter seu computador seguro. Quando a memória RAM é insuficiente para o arma-
zenamento dos programas em execução, o computador
simula a existência de mais memória por meio da memória
2.4 Bitlocker (surgiu no Windows Vista)
VIRTUAL. A memória virtual é criada no disco rígido (HD),
e, como o HD é uma memória lenta, a utilização da memória
Permite criptografar uma unidade para garantir con-
virtual poderá acarretar lentidão do sistema.
fidencialidade. Desde o Windows 7, existe a possibili-
A ferramenta ReadyBoost permite utilizar uma memória
dade de utilizar o Bitlocker To Go para criptografar uni-
flash como, por exemplo, um pendrive ao invés do HD para
dades removíveis. Para ativar o Bitlocker, selecione a
a criação da memória virtual com o objetivo de se obter um
unidade que pretende criptografar e utilize o botão Bitlo- pouco de ganho de desempenho.
cker, que está na guia Gerenciar do Explorador de Arqui- Para ativar esse recurso, o usuário poderá clicar o botão
vos. Também é possível clicar com o botão direito do direito do mouse sobre a unidade e selecionar a opção Pro-
mouse sobre a unidade e selecionar a opção Ligar Bitlo- priedades. Em seguida, utilize a aba ReadyBoost da janela
cker. Propriedades de disco.

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2.6 Biblioteca (surgiu no Windows 7) 2.7 Aero Shake (surgiu no Windows 7)

Até o Windows Vista, os usuários poderiam organizar Permite minimizar todas as janelas, exceto a ativa.
arquivos somente por meio de pastas, que são simplesmente Para isso, o usuário poderá chacoalhar a janela ativa.
um contêiner para armazenar arquivos. O Windows 7 apre-
sentou uma nova maneira de organizar arquivos: as Bibliote- 2.8 Snap (surgiu no Windows 7)
cas. Uma Biblioteca não contém arquivos, mas, na verdade,
ela permite adicionar locais de pastas, fornecendo uma exi-
Permite redimensionar uma janela arrastando-a para
bição consolidada de arquivos relacionados em um só local.
os lados (direito, esquerdo, superior).
Adicionar locais de pastas a uma Biblioteca não duplica nem
copia os arquivos e as pastas, ou seja, a Biblioteca armazena
somente o local do arquivo ou da pasta. Quando você remove 2.9 Leitor (surgiu no Windows 8)
um local de pasta de uma Biblioteca, remove somente a exibi-
ção da Biblioteca daquela pasta. Remover um local de pasta Programa nativo para visualização de PDF.
de uma Biblioteca não exclui a pasta nem seus arquivos.

3  ÁREA DE TRABALHO (OU DESKTOP)


HENRIQUE
BRUNO PILASTRE
SODRÉ

3.1 Lixeira seja, eles são excluídos permanentemente. Ao sele-


cionar um arquivo de disco local, teclar DEL e confir-
mar a mensagem de exclusão, o mesmo será enviado
para a lixeira. Ao selecionar um arquivo de disco local,
teclar SHIFT+DEL e confirmar a mensagem de exclusão,
o mesmo será excluído definitivamente, ou seja, não
Lugar destinado para armazenamento temporário poderá ser restaurado. Arquivos armazenados na lixeira
de arquivos que foram excluídos. Arquivos de mídias podem ser restaurados.
removíveis não podem ser enviados para a lixeira, ou

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4  BARRA DE TAREFAS

4.1 Botão Iniciar A Barra de Tarefas exibe a lista de programas em execu-


ção e a de programas fixados. Para fixar um programa na Barra
de Tarefas, o usuário pode clicar com o botão direito do mouse
sobre o botão do programa em execução e selecionar a opção
Fixar na Barra de Tarefas. Os botões dos programas fixados
Ao clicar com o botão esquerdo do mouse sobre o serão exibidos mesmo se o programa não estiver em execução.
Botão Iniciar, é aberto o Menu Iniciar. Ao clicar com o botão
direito do mouse sobre o Botão Iniciar, é exibido um menu
sensível cujas principais opções são: Programas e Recur-
sos, Opções de Energia, Sistemas, Gerenciador de Disposi-
tivos, Gerenciamento de Disco, Gerenciamento do Compu-
tador, Prompt de Comando, Gerenciador de Tarefas, Painel
de Controle, Explorador de Arquivos, Pesquisar, Executar,
Desligar ou Sair e Área de Trabalho.
É possível a alternância entre janelas abertas de um
4.2 Pesquisar mesmo programa por meio do seguinte procedimento:
repousar o ponteiro do mouse sobre o botão do programa
e clicar na miniatura da janela que se pretende visualizar.

Ao digitar, na caixa de pesquisa da barra de tarefas, o


que pretende procurar, você receberá sugestões e respos-
tas em seu computador e na Web para encontrar ajuda, apli-

NOÇÕES DE INFORMÁTICA
cativos, arquivos e configurações, por exemplo.

4.5 Área de Notificação

A área de notificação está localizada no lado direito da


barra de tarefas. Ela contém ícones de programas e de sis-
tema. Os principais ícones de sistema são:

4.5.1  Nível de carga da bateria: nesse caso, o item


está indicando que a bateria está sendo carregada. Ao clicar
sobre esse ícone, o usuário poderá acessar as configura-
ções de energia e suspensão.

4.3 Visão de Tarefas


4.5.2  Rede com fio: Ao clicar sobre esse ícone, o usu-
ário poderá acessar as configurações de rede e visualizar a
O botão da Barra de Tarefas permite visualizar lista de redes sem fio ao alcance. Também é possível ativar
as miniaturas das janelas abertas permitindo a alternância o Modo avião para desligar todas as comunicações sem fio.
entre elas.

4.4 Lista de Programas

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4.6 Botão Mostrar Área de Trabalho: ele está localizado
4.5.3  Rede sem fio: ao clicar sobre esse ícone, o usu- na parte direita da Barra de Tarefas. Ao clicar o botão
ário poderá acessar as configurações de rede e visualizar a Mostrar Área de Trabalho, todas as janelas abertas
lista de redes sem fio ao alcance. serão minimizadas, e, ao clicar novamente, todas elas
serão exibidas novamente.

4.5.4  Modo avião: desliga todas as comunicações


sem fio

4.5.5  . Volume: ao clicar sobre o ícone, o usuário


poderá definir o nível de volume. Considerando que o recurso Espiar esteja ativado, ao
repousar o ponteiro do mouse sobre o botão Mostrar Área
de Trabalho, será aplicado um efeito de transparência em
todas as janelas permitindo visualizar o conteúdo da Área
de Trabalho. Para ativar o recurso Espiar, o usuário poderá
clicar com o botão direito do mouse sobre a Barra de Tare-
fas, selecionar a opção Propriedades e marcar a caixa Usar
o Recurso Espiar para visualizar a área de trabalho.
4.5.6  Central de Ações.

4.5.7  Teclado Virtual: ao clicar nesse ícone, será


exibido um teclado na tela.
HENRIQUE
BRUNO PILASTRE
SODRÉ

4.5.8  Remover hardware e ejetar mídia com segu-


rança: permite a correta remoção de mídia removível.

4.5.9  Data e Hora: ao clicar nesse ícone, 5  MENU INICIAR


será exibido um calendário. Além disso, permite acessar as
configurações de data e hora.

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5.1 Principais Funcionalidades: que (chamado de captura de tela). Após capturar
a) Imagem de usuário (alterar configurações de conta, esses passos, você poderá salvá-los em um arqui-
bloquear, sair, trocar usuário); vo que pode ser enviado para um profissional de
b) Pode ser redimensionado; suporte ou a alguém que possa ajudá-lo com algum
c) Pode ser visualizado em tela inteira; problema no uso do computador;
d) Apresenta lista de programas mais utilizados;
e) Apresenta lista de blocos fixados, e existem blocos f) : navegador (browser).
dinâmicos e blocos estáticos. É possível ligar e des-
ligar os blocos dinâmicos e redimensionar blocos e g) : permite selecionar caracteres
agrupá-los. Os grupos, por sua vez, podem ser re-
especiais e copiá-los para a área de transferência.
nomeados e deslocados;
f) Permite acesso ao Explorador de Arquivos;
h) : cria notas na Área de Trabalho
g) Permite acesso a Configurações;
semelhantes a Post-Its.
h) Ligar/Desligar (suspender, desligar, reiniciar);
i) Permite acesso a todos os aplicativos.
i) : permite reconhecer
expressões matemáticas manuscritas.
j) : edição de imagens.

k) : visualiza XPS (formato semelhan-


te ao PDF).

l) : envia e recebe fax.

m) : edição de textos.

NOÇÕES DE INFORMÁTICA
5.3 Facilidades de Acesso (Disponíveis em Todos os Apli-
cativos – Menu Iniciar):
a) : aplica zoom na tela.

b) : lê textos, caixas de diálogo, menus e


botões presentes na tela.

c) : controla o computador
por meio de voz.
Figura 2: Bloco dinâmico ligado x Bloco dinâmico desligado

5.2 Acessórios do Windows (Disponíveis em Todos os d) : exibe um teclado virtual que pode
Aplicativos – Menu Iniciar): ser controlado com o mouse, por exemplo.
a) : edição de textos.
5.4 Principais Ferramentas Administrativas (Disponíveis
em Todos os Aplicativos – Menu Iniciar):
b) : permite conectar-se a
a) : agenda tarefas do computa-
um computador com o Windows a partir de outro
dor para que sejam executadas automaticamente.
computador, cujo Windows que esteja conectado à
mesma rede ou à Internet.
b) : desfragmenta uma
unidade com o objetivo de reorganizar arquivos, tor-
c) : sua principal função é utilizar
nando o computador mais rápido e eficiente.
a caneta eletrônica para fazer anotações no modo
Tablet. Porém, pode ser utilizado também para es-
c) : ajuda a proteger o
crever um texto digitado pelo teclado.
computador do usuário contra hackers e programas
mal-intencionados.
d) : permite capturar a tela intei-
ra ou um recorte da tela e enviá-la para a área de
d) : permite acessar o ge-
transferência.
renciamento de disco (criar, excluir, redimensionar
ou formatar uma partição), entre outras funcionali-
e) : permite capturar automatica- dades.
mente os passos executados em um computador.
É possível incluir uma descrição de texto de onde e) : permite ao usuário remover os
você clicou e uma imagem da tela durante cada cli- arquivos desnecessários existentes no disco.

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6  EXPLORADOR DE ARQUIVOS
HENRIQUE
BRUNO PILASTRE
SODRÉ

6.1 Alguns tópicos relacionados: d) O nome de um arquivo pode conter até 255 carac-
a) O Explorador de Arquivos é um gerenciador de pas- teres;
tas e arquivos ou também chamado de gerenciador e) O nome de um arquivo não pode conter os seguin-
de janelas; tes caracteres: \ / : * ? “ < > | ;
f) Para selecionar um grupo de arquivos ou pastas
b) Minimizar , maximizar , restaurar e fe- consecutivos, clique no primeiro item, mantenha a
tecla Shift pressionada e clique no último item;
char ;
g) Para selecionar arquivos ou pastas não con-
c) O Explorador de Arquivos permite criar pastas, ar-
secutivos, mantenha a tecla Ctrl pressionada e
quivos e atalhos, e as pastas, por sua vez, podem
clique em cada um dos itens que você deseja
armazenar arquivos e subpastas;
selecionar.

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6.2 Propriedades de disco (Principais Funcionalidades): f) Visualizar o Sistema de Arquivos: o sistema opera-
cional utiliza um sistema de arquivos como método
de organização. O Windows XP usa o FAT 32 ou o
NTFS, o Windows Vista, 7, 8, 8.1 e 10, o NTFS, e
o Linux, EXT).

6.3 Barra de Ferramentas Acesso Rápido

6.4 Guia Arquivo

NOÇÕES DE INFORMÁTICA
6.5 Guia Início


a) Definir rótulo (dar um nome);
b) Visualizar espaço livre, espaço utilizado e capaci-
dade;
c) Limpeza de Disco: permite liberar espaço em disco
eliminando arquivos;
d) Desfragmentador: permite melhorar o desempenho
reorganizando os arquivos, deixando-os em setores
contíguos/próximos/contínuos;
e) Verificador de erros (scandisk): em caso de desliga-
mento incorreto do computador, erros podem surgir.
O verificador de erros permite localizar erros para

tentar corrigi-los;

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6.6 Guia Compartilhar

6.7 Guia Exibir

6.8 Guia Computador


HENRIQUE
BRUNO PILASTRE
SODRÉ

6.9 Guia Gerenciar

7  CONFIGURAÇÕES

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NOÇÕES DE INFORMÁTICA

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8  PAINEL DE CONTROLE

8.1 Sistema e Segurança


HENRIQUE
BRUNO PILASTRE
SODRÉ

8.1.1  Sistema restauração não afeta nenhum documento, imagem


a) Gerenciador de Dispositivos: lista os dispositivos ou outro dado pessoal, mas programas e drivers
instalados no computador permitindo, por exemplo, instalados recentemente podem ser desinstalados;
atualizar os seus drives; c) Criar Ponto de Restauração: a Microsoft recomenda
b) Restauração do Sistema: permite restaurar o siste- que, antes de instalar um dispositivo ou programa,
ma a partir de um ponto de restauração criado. A seja criado um ponto de restauração.

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NOÇÕES DE INFORMÁTICA

8.2 Rede e Internet

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8.3 Hardware e Sons

8.3.1  Dispositivos e Impressoras 8.6 Aparência e Personalização


a) Permite adicionar um dispositivo ou uma impressora;
b) Permite definir a impressora padrão: ;
HENRIQUE
BRUNO PILASTRE

c) Permite visualizar o que está sendo impresso;


d) Permite definir as preferências de impressão.
SODRÉ

8.7 Relógio, Idioma e Região

8.4 Programas

8.5 Contas de Usuário


8.8 Facilidade de Acesso

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9  NOVAS TECLAS DE ATALHO

TECLA AÇÃO

Tecla do logotipo do Windows +A Abre a Central de Ações

Tecla do logotipo do Windows‌ +S Abre Pesquisa

Tecla do logotipo do Windows‌ +C Abre a Cortana no modo de escuta

Tecla do logotipo do Windows‌ +Tab Abre a Visão de Tarefas

Tecla do logotipo do Windows +Ctrl+D Adiciona uma Área de Trabalho Virtual

Tecla do logotipo do Windows +Ctrl+Seta para a direita Alterna Áreas de Trabalho Virtuais criadas à direita

Tecla do logotipo do Windows +Ctrl+Seta para a esquerda Alterna Áreas de Trabalho Virtuais criadas à esquerda

Tecla do logotipo do Windows +Ctrl+F4 Fecha a Área de Trabalho Virtual que você está usando

10  PRINCIPAIS TECLAS DE ATALHO

NOÇÕES DE INFORMÁTICA
TECLA AÇÃO

Alt+Tab Alterna aplicativos abertos

Alt+F4 Fecha o item ativo ou sai do aplicativo ativo

Bloqueia seu computador ou muda de conta


Tecla do logotipo do Windows +L

Exibe e oculta a Área de Trabalho


Tecla do logotipo do Windows +D

F2 Renomeia o item selecionado

Ctrl+F4 Fecha o documento ativo (em aplicativos que sejam de tela inteira e permi-
tam vários documentos abertos simultaneamente)

Ctrl+A Seleciona todos os itens em um documento ou em uma janela

Ctrl+Esc Abre Iniciar

Abre ou fecha Iniciar


Tecla do logotipo do Windows

Abre a Central de Ações


Tecla do logotipo do Windows +A

Abre o Explorador de Arquivos


Tecla do logotipo do Windows +E

Abre a caixa de diálogo Executar


Tecla do logotipo do Windows +R

Exibe a caixa de diálogo Propriedades do Sistema


Tecla do logotipo do Windows +Pause

Minimiza todas as janelas


Tecla do logotipo do Windows +M

Restaura janelas minimizadas na Área de Trabalho


Tecla do logotipo do Windows +Shift+M

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Minimiza todas as janelas da Área de Trabalho, menos a ativa (restaura
Tecla do logotipo do Windows +Home
todas as janelas com um segundo pressionamento)

Maximiza a janela
Tecla do logotipo do Windows +Seta para cima

Remove o aplicativo atual da tela ou minimiza a janela da área de trabalho


Tecla do logotipo do Windows +Seta para baixo

Maximiza a janela do aplicativo ou da Área de Trabalho, no lado esquerdo


Tecla do logotipo do Windows +Seta para a
da tela
esquerda

Maximiza a janela do aplicativo ou da Área de Trabalho, no lado direito da


Tecla do logotipo do Windows +Seta para a direita
tela

Ctrl+Shift+N Cria uma nova pasta

WINDOWS 7

PRINCIPAIS INOVAÇÕES

• Snap: é uma nova maneira de redimensionar jane-


las abertas, simplesmente arrastando-as para as
bordas da tela. Dependendo do local para onde
você arrastar uma janela você poderá colocá-la na
tela inteira ou exibi-la lado a lado com outra janela.
HENRIQUE
BRUNO PILASTRE
SODRÉ

Para visualizar uma janela deixando todas as janelas


transparentes, basta apontar o ponteiro do mouse para o
ícone da janela na barra de tarefas.

Caso o usuário clique no botão Mostrar a Área de Tra-


balho, as janelas serão minimizadas. Caso o usuário clique
• Aero Peek: permite que você enxergue através de novamente o botão, as janelas serão mostradas novamente.
outras janelas abertas no Windows 7. Para visuali- • Aero Shake: ao pressionar e manter pressionado o
zar o desktop deixando todas as janelas transpa- botão esquerdo do mouse sobre a barra de títulos
rentes, basta apontar o ponteiro do mouse para a e chacoalhar o mouse para direita e para esquerda
borda direita da barra de tarefas e perceba que as rapidamente, todas as janelas serão minimizadas
janelas abertas ficarão transparentes: exceto a janela na qual a ação foi feita.

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• Lista de atalhos: a lista de atalhos aparece ao se ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line): o acesso
clicar com botão direito do mouse sobre um ícone via ADSL utiliza o cabeamento telefônico já disponível no
na barra de tarefas. A lista de atalhos depende endereço físico do usuário. A conexão ADSL é considerada
totalmente do programa. Ao se clicar com o botão de banda larga, pois sua largura de banda permite taxas de
direito do mouse sobre o ícone do Word, aparecem transmissão de 256 Kb/s a 10 Mb/s. A ADSL possui conexão
os documentos recentes. Ao se clicar com o botão
assimétrica, ou seja, a taxa de download (baixar arquivos da
direito do mouse sobre o ícone do Internet Explorer,
aparece a lista de sites visitados com frequência. rede) é maior que a taxa de upload (enviar arquivos para a
Ao se clicar com o botão direito do mouse sobre o rede). A conexão ADSL permite que o usuário possa navegar
ícone do Windows Media Player, aparece uma lista pela Internet e falar ao telefone simultaneamente.
com as músicas que você escuta mais. Via cable modem: o acesso via cable modem utiliza o
mesmo cabeamento da TV a cabo. É considerada de banda
larga, pois sua largura de banda permite taxas de transmis-
são de 256Kb/s a 10Mb/s, porém é limitado a condições téc-
nicas da operadora e pode não estar presente em todos os
locais. A conexão via cable modem é uma conexão simétrica,
ou seja, a taxa de download é a mesma que a de upload.
PLC (Power Line Communication): é a tecnologia que
permite que os fios de cobre da rede elétrica sejam utiliza-
dos para transmitir dados em banda larga. Essa tecnologia
foi recentemente homologada no Brasil e está em fase de
implementação.
Wireless: entre as tecnologias que permitem o acesso
à Internet sem necessidade de fios estão: WAP, EDGE e 3G.
WAP: é a tecnologia que permite que aparelhos possam
acessar redes sem-fio. Um exemplo é o WAP. WAP (Wire-

NOÇÕES DE INFORMÁTICA
Clicar com o botão direito do mouse em um ícone de less Application Protocol) é a tecnologia que permite que dis-
programa permite fixar ou desafixar um programa na barra positivos móveis (celulares principalmente) tenham acesso
de tarefas e permite fechar o programa. Fixar o programa à Internet. As páginas são feitas na linguagem WML. WML
permite manter o ícone do programa na barra de tarefas (Wireless Markup Language) é a linguagem utilizada para
sempre disponível. criar páginas para qualquer elemento que utilize a tecnolo-
• Windows Live Essentials: é um software gratuito gia WAP, como alguns telefones celulares. A página criada
que pode ser baixado da Internet permitindo ampliar
é parecida com o HTML tradicional, porém, muito mais limi-
os recursos do Windows 7. O download gratuito
tado e simplificado.
inclui: Messenger, Galeria de Fotos, Mail, Writer,

INTERNET E CONCEITOS RELACIONADOS Arquiteturas de Rede Sem-Fio

HISTÓRICO
Bluetooth: essa tecnologia foi criada para inter-
A Internet foi criada a partir de uma rede militar desen- ligar equipamentos como celulares, computadores e palms
volvida para manter a comunicação de dados entre as bases sem a necessidade de fios. A proposta do Bluetooth é tornar
dos Estados Unidos na época da Guerra Fria, chamada de possível a conexão entre aparelhos próximos, como câme-
ARPANET. Com o passar dos anos, essa rede de compu- ras digitais, celulares, headsets, teclados, mouses etc. A
tadores foi se popularizando e se expandindo por vários taxa de transferência de dados alcançada com Bluetooth
pontos do globo, passando a ser chamada de Internet. A 1.0 é baixa (até 1Mbps) e sua área de cobertura também é
Internet é um conjunto de redes de computadores que tem limitada: dez metros na maioria dos casos. Já o Bluetooth
em comum um conjunto de protocolos e serviços de forma 2.0 consegue transferir dados a 12Mbps (mais que o Wi-Fi
que os usuários conectados possam usufruir de serviços de 802.11b). O Bluetooth opera na mesma frequência do Wi-Fi
informação e comunicação de alcance mundial.
802.11b/g.

PRINCIPAIS MEIOS DE ACESSO À INTERNET


Wi-Fi (Wireless-Fidelity): a tecnologia
Discada: o acesso discado utiliza o cabeamento telefô-
Wi-Fi foi desenvolvida para permitir a criação de redes de
nico já disponível no endereço físico do usuário. A conexão
dados sem-fio (WLANs ou Wireless Local Area Networks) via
discada é considerada de banda estreita, pois sua taxa de
transmissão é de 56,6 Kb/s, porém com a distância física rádio. Isso significa que, por meio dessa tecnologia, muitos
entre o usuário e a central telefônica o canal de comunica- desses fios que vemos espalhados hoje pelos escritórios e
ção fica sujeito a ruídos que acabam limitando ainda mais prédios comerciais serão eliminados. Em uma rede Wi-Fi o
as taxas de transmissão. A conexão discada não permite elemento principal é o access point, que é o aparelho res-
que o usuário possa navegar pela Internet e falar ao telefone ponsável por possibilitar a criação de uma WLAN. Os demais
simultaneamente. computadores também equipados com placas de rede wire-

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less, sintonizam nesse sinal de rádio emitido pelo access envia uma mensagem para o IP de origem via ICMP
point e conseguem compartilhar dados e informações. Hoje, para avisar do erro. Com isso, o IP de origem poderá
existem no mercado três variações homologadas do padrão tomar providências como, por exemplo, retransmitir
Wi-Fi: o 802.11a, 802.11b e 802.11g. O 802.11a opera em o pacote defeituoso.
5GHz, a uma taxa de transmissão de 54Mbps e é o que • ARP (Address Resolution Protocol): informa o
tem o menor alcance em ambientes internos, pelo fato de endereço MAC a partir de um endereço IP. O ende-
sua frequência ser mais alta. O 802.11b opera em 2,4GHz reço MAC é o endereço físico da placa de rede. O
(a mesma do Bluetooth) e tem uma taxa de até 11Mbps. Já endereço físico da placa vem gravado de fábrica e
o padrão 802.11g tem uma taxa de transmissão de 54Mbps, deve ser único e inalterável.
operando em 2.4GHz. A variação 802.11n ainda funciona • NAT (Network Address Trans lation): “traduz” os
no modo draft (rascunho). Essa tecnologia será substituída endereços privados, que não são válidos na Inter-
pela WiMAX muito em breve. O local onde há cobertura do net, para um endereço público, válido na Internet.
serviço de Internet sem fio através de Wi-Fi é chamado de Os IPs privados podem ser utilizados por diferen-
Hotspot. tes redes privadas, mas não são válidos na Internet.
Apenas IPs públicos são válidos na Internet.
ARQUITETURA DE REDE COM FIO
Faixa de IPs reservados a redes privadas:
Ethernet: é o padrão utilizado atualmente para redes • 10.0.0.0 até 10.255.255.255 com máscara
com fio de pequeno alcance. Os três padrões mais importan- 255.0.0.0;
tes são o 10BASE-T, o 100BASE-TX e o 1000BASE-T que • 172.16.0.0 até 172.31.255.255 com máscara
permitem velocidades de 10Mbps, 100Mbps e 1000Mbps 255.240.0.0;
respectivamente utilizando cabo par trançado. • 192.168.0.0 até 192.168.255.255 com máscara
255.255.255.0.
PROTOCOLOS DE COMUNICAÇÃO
Protocolos da Camada de Transporte
Para que os computadores se comuniquem é necessá-
rio que todos adotem regras iguais para envio e recebimento
HENRIQUE
BRUNO PILASTRE

• TCP (Transmission Control Protocol): o TCP é


de dados. Este conjunto de regras é conhecido como pro-
um protocolo orientado à conexão, ou seja, antes
tocolo de comunicação. Nesse protocolo de comunicação
da transmissão de dados, o host de origem deve
estão todas as informações necessárias para que o compu-
estabelecer uma conexão para que ocorra a trans-
SODRÉ

tador entenda a mensagem que será enviada. Portanto, dois


missão de dados. Após a transmissão a conexão é
computadores que utilizam protocolos diferentes não pode-
liberada. O estabelecimento de conexão no TCP é
rão se comunicar e trocar dados a menos que haja um intér-
conhecido como Three Way Hand-Shaking.
prete que possa fazer a “tradução”. Com o aumento do uso
da Internet, o arquitetura TCP/IP vem sendo utilizado cada
vez mais, pois sendo o arquitetura padrão da Internet, houve
a necessidade de que as redes menores se adaptassem.

Arquitetura TCP/IP

A arquitetura TCP/IP propõe protocolos para as cama-


das de rede, transporte e aplicação.

Protocolos da Camada de Rede

• IP (Internet Protocol): protocolo responsável por


endereçar as estações e rotear as mensagens. O IP
é um protocolo roteável, ou seja, os pacotes podem O TCP implementa serviços de retransmissão, detec-
trafegar por redes distintas. O Ipv4 (atual) utiliza ção de duplicidade, controle de fluxo e controle de conges-
endereços numéricos de 32 bits que são escritos na tionamento, além de garantir a sequência dos segmentos.
forma de 4 grupos de 3 números, como por exemplo Com isso, o protocolo TCP é considerado confiável, ou seja,
200.255.018.001. Cada grupo de 3 números corres- garante a entrega sem defeito ou perda dos segmentos.
ponde a 8 bits e pode variar de 000 a 255. O ende- Porém, o TCP é um protocolo mais lento que o UDP.
reço permite que um computador possa ser identi- • UDP (User Datagram Protocol): é um protocolo
ficado com relação aos demais, podendo enviar ou não orientado à conexão. Como é um protocolo
receber dados. não confiável, o UDP não confirma o recebimentos
• ICMP (Internet Control Messaging Protocol): pro- dos segmentos e nem organiza em sequência os
tocolo responsável por realizar detecção de erros mesmos. A vantagem do UDP está na velocidade,
nos pacotes que trafegam pela Internet. Caso um ele é um protocolo mais rápido do que o TCP. Este
roteador receba um pacote defeituoso, o roteador

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protocolo principalmente quando se deseja veloci- O endereço URL é alfanumérico, portanto, de fácil
dade como, por exemplo, ouvir música por streaming memorização quando comparado ao IP. Um exem-
ou assistir a vídeos por streaming, por exemplo. plo de endereço URL válido é www.henriquesodre.
com. O DNS permite chegar ao endereço IP da
Protocolos da Camada de Aplicação máquina que hospeda por exemplo a página do
google quando uma pessoa digita o endereço www.
• SMTP (Simple Mail Transfer Protocol): é utilizado google.com.br. O DNS tem configuração hierár-
para enviar mensagens de correio eletrônico de um quica e distribuída.
cliente para um servidor de e-mail ou entre servido- • NNTP (Network News Transfer Protocol): pro-
res de e-mail. tocolo utilizado para a troca de mensagens entre
• POP (Post Office Protocol): é utilizado para rece- grupos de discussão na Internet.
ber mensagens de correio eletrônico. O protocolo • DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol): é
POP retira os e-mails do servidor de e-mail (por utilizado para que os computadores em uma rede
exemplo, o yahoo) e coloca os e-mails na caixa de possam obter um endereço IP automaticamente.
entrada do cliente (por exemplo, o Outlook). Por meio do DHCP, um servidor distribui endere-
• IMAP (Internet Message Access Protocol): ços IP na medida em que as máquinas solicitam
também é utilizado para receber mensagens de conexão à rede. Quando um computador se desco-
correio eletrônico. O protocolo IMAP não retira os necta da rede, o endereço IP que estava associado
e-mails do servidor de e-mail. Portanto, o protocolo à máquina fica livre para o uso de outra máquina.
IMAP permite que um e-mail seja visualizado de Um importante exemplo de utilização do DHCP é o
qualquer computador. caso dos provedores de Internet em que milhares
• HTTP (Hypertext Transfer Protocol): é utilizado de computadores recebem um endereço IP automa-
para visualizar informações multimídias de páginas ticamente ao se conectarem à rede.
disponibilizadas na Internet. O HTTP é protocolo –– IP Estático: o IP estático (ou fixo) é um número
responsável pela transferência de hipertexto entre IP dado permanentemente a um computador, ou
cliente e servidor na World Wide Web (www). O seja, seu IP não muda, exceto se tal ação for
protocolo HTTP surgiu da necessidade de distribuir feita manualmente. Como exemplo, há casos de

NOÇÕES DE INFORMÁTICA
informações pela Internet. Para que essa distribui- assinaturas de acesso à Internet via ADSL, onde
ção fosse possível, foi necessário criar uma forma alguns provedores atribuem um IP estático aos
padronizada de comunicação entre os clientes e os computadores dos assinantes. Assim, sempre
servidores da Web. Com isso, o protocolo HTTP que um cliente se conectar, usará o mesmo IP.
passou a ser utilizado para a comunicação entre Essa prática é cada vez mais rara entre os pro-
computadores na Internet e a especificar como vedores de acesso, por uma série de fatores,
seriam realizadas as transações entre clientes e que inclui problemas de segurança.
servidores, através do uso de regras básicas. –– IP Dinâmico: o IP dinâmico, por sua vez, é um
• HTTPS: é a junção do protocolo HTTP com o pro- número que é dado a um computador quando
tocolo SSL (Secure Socket Layer). O protocolo SSL este se conecta à rede, mas que muda toda vez
permite a criptografia dos trafego entre o computa- que o computador se conecta à rede. O método
dor do usuário e o computador que armazena um mais usado para a distribuição de IPs dinâmicos
site. O processo de criptografia previne que, caso é o protocolo DHCP.
algum pacote seja capturado, este seja decodifi-
cado. Ou seja, tem o objetivo de garantir a confi- Conceitos Importantes e Tecnologias
dencialidade de dados sigilosos.
• FTP (File Transfer Protocol): permite que um POPUP: são janelas que aparecem ao usuário com con-
usuário em um computador transfira, renomeie ou teúdos diversos.
remova arquivos remotos. BANNER: o banner é, sem dúvida, o formato de pro-
• TELNET (Terminal Emulator): permite que um ter- paganda mais utilizado na Internet. O objetivo principal de
minal tenha acesso remoto a um computador cen- um banner é fazer que a pessoa clique nele e obtenha mais
tral. Era utilizado na época em que computadores informações relacionadas ao produto ou serviço anunciado. A
eram mais inacessíveis. Ou seja, como os com- mensagem publicitária contida em um banner segue mais as
putadores eram extremamente caros, ao invés de regras do outdoor, ou seja, deve ser curta, direta e criativa.
comprar vários computadores com poder de pro- A vantagem é que no banner é possível usar animação e a
cessamento e armazenamento, algumas empresas mensagem pode ser dividida em quadros que se sobrepõem.
optavam por adquirir um computador com poder de SPAM: são mensagens de correio eletrônico indesejadas
processamento e armazenamento e alguns termi- que, em geral, apresentam propagandas ao usuário.
nais de acesso. Por meio do protocolo TELNET, um RSS: é a tecnologia que permite receber notícias de sites
usuário utilizando um terminal de acesso poderia que são constantemente atualizados e que disponibilizam
utilizar o computador central como se em frente a feeds. As notícias são visualizadas por meio de um agregador
ele estivesse. RSS (também chamado de leitor RSS).
• DNS (Domain Name Server): é utilizado para infor- FEED: é o atalho para o canal de notícias. É o link que
mar o IP que está relacionado a um URL (Uniform é copiado do site que fornece as notícias e depois colado no
Resource Locator). Como é difícil memorizar ende- agregador RSS.
reços IPs por serem apenas numéricos, o endereço PODCAST: é a tecnologia RSS voltada para a distribui-
URL foi criado para acesso a recursos na Internet. ção de arquivos principalmente de áudio no formato MP3.

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ATTACHED: é o termo utilizado para arquivos anexa- • Confidencialidade: é a garantia de que a infor-
dos. Ou seja, quando se diz que um arquivo está “attachado”, mação não será lida por pessoa não autorizada.
é porque o arquivo está anexado a um e-mail. Garante, por exemplo, que um e-mail só será lido
HOAX: são boatos espalhados pela rede abusando da por pessoa autorizada.
boa-fé dos usuários. Em geral, são boatos espalhados atra- • Autenticidade: é a garantia da identidade de uma
vés de e-mails ameaçando de contaminação, formatação do pessoa (física ou jurídica). Ou seja, de que é real-
HD do computador, entre outras coisas, caso não se faça o
mente a pessoa que escreveu ou enviou a informa-
que está solicitado no corpo da mensagem do e-mail. São
ção.
exemplos de famosos hoaxs espalhados na Internet: A Erics-
son e a Nokia estão distribuindo celulares; A Nestlé enviará
um cesta com produtos se o usuário reenviar o e-mail para PRINCIPAIS AMEAÇAS
15 pessoas; o Orkut será pago; o Windows possui um arquivo
chamado Jdbgmgr.exe, cujo ícone é um urso, que na verdade É necessário conhecer as principais ameaças e téc-
é um vírus. Observação: esse arquivo realmente existe no nicas de ataque que podem comprometer a segurança da
Windows, mas faz parte do sistema, ou seja: não é um vírus. informação para aplicar as medidas de seguranças adequa-
INTRANET: é uma tecnologia que utiliza os mesmos das para proteção dos sistemas de informação.
recursos da Internet para troca de dados de uma empresa Entre as principais ameaças estão:
ou de um determinado órgão na qual as informações estão • Ameaças ambientais: inundações, tempestades,
disponibilizadas utilizando-se um navegador como, por exem- incêndios, falhas elétricas, etc.
plo, o Internet Explorer. Para o usuário, é como se ele estive • Defeitos de Hardware: como as ameaças ambien-
navegando pela Internet, mas, na verdade, ele está utilizando tais, não há como prever uma falha no hardware.
recursos de uma rede pertencente à corporação. Apenas
Portanto, uma técnica que pode ser utilizada para
pessoas autorizadas (funcionários de um órgão, por exemplo)
minimizar as consequências de uma falha no har-
possuem acesso à Intranet que, em geral, é feita mediante
dware ou de ameaças ambientais é o backup. O
um login e uma senha. Existem intranets que podem ser
acessadas da própria casa do servidor, ou seja, o acesso à backup permite realizar uma cópia de segurança
Intranet não deve ser obrigatoriamente feito dentro do órgão. dos arquivos para uma possível recuperação.
EXTRANET: é uma rede que permite que fornecedores • Hackers: são pessoas com alto conhecimento em
ou parceiros de uma empresa, por exemplo, possam acessar informática. O principal objetivo de um hacker seria
HENRIQUE
BRUNO PILASTRE

o banco de dados da empresa. Também utiliza os mesmos o de invadir um sistema de informação por vaidade,
recursos da Internet. competição ou desafio, por exemplo.
VOIP (Voice Over IP): é a tecnologia que permite que • Crackers: são “hackers do mal”. São pessoas
duas pessoas se comuniquem utilizando-se da Internet, ou com alto conhecimento de informática que causam
SODRÉ

seja, a informação de voz não é enviada utilizando-se um danos ao sistema de informação como deixar uma
telefone comum, mas um computador ou aparelho que esteja página fora do ar, quebrar sistemas de defesa, cra-
conectado à Internet. Um ponto forte dessa tecnologia, é que ckear programas (quebrar sistemas de proteção de
ela permite fazer “ligações” de um computador a outro sem
softwares comerciais) etc.
custo algum além do custo da manutenção do serviço de
• Programas desatualizados: podem apresentar
Internet. Há ainda a possibilidade de fazer uma ligação para
um telefone comum, mas nesse caso há uma cobrança na brechas de segurança que podem ser utilizados
forma de inserção de créditos. O principal programa que per- por hackers ou crackers.
mite o uso dessa tecnologia é o Skype. • Spam: são mensagens de correio eletrônico inde-
PLUG-IN: é uma ferramenta que é instalada para sejadas que, em geral, apresentam propagandas
ampliar os recursos de um programa. Um exemplo de plug-in ao usuário. Para minimizar a quantidade de spams
é o google toolbar. recebidos, alguns clientes de e-mail e webmails
implementam serviço de filtro de spam.
SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO • Usuários descontentes/leigos: funcionários des-
contentes de uma empresa podem, intencional-
PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO mente, levar a falhas na segurança da informação.
Eles podem abrir brechas para facilitar uma possí-
A segurança da informação visa minimizar os riscos de
vel invasão ao sistema. Usuários leigos, por falta
uso indevido, vazamentos, paralisações, fraudes ou qualquer
de conhecimento técnico, podem, não intencional-
outra ameaça que possa prejudicar a confiabilidade dos siste-
mente, levar a falhas na segurança da informação.
mas de informação de um indivíduo ou organização. Há quatro
princípios básicos da segurança da informação: Quando um usuário leigo clica em um link de e-mail,
• Disponibilidade: é a garantia de que uma informa- por exemplo, pode estar trazendo diversos malwares
ção estará sempre disponível quando acessada. para o sistema de informação.
Por exemplo, ao se acessar um site, as informa- • Malwares: são programas maliciosos. Veremos,
ções deverão aparecer. Caso as informações não com detalhes, diversos malwares que podem pre-
apareçam, pode-se afirmar que a disponibilidade foi judicar os sistemas.
afetada. • Fraudes/Golpes: são técnicas que utilizam da
• Integridade: é a garantia de que a informação ingenuidade, da falta de preparo ou do emocional
não foi alterada durante o trajeto de envio e rece- para obter dados confidenciais. Veremos, com deta-
bimento. lhes, alguns exemplos.

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• Ataques: são técnicas que visam interferir de forma • Adware: do Inglês Advertising Software. Software
direta no funcionamento dos sistemas de informa- especificamente projetado para apresentar propa-
ção com o intuito, por exemplo, de deixar fora do ar gandas. Constitui uma forma de retorno financeiro
um sistema. para aqueles que desenvolvem software livre ou
prestam serviços gratuitos. Pode ser considerado
Malwares um tipo de spyware, caso monitore os hábitos do
usuário, por exemplo, durante a navegação na
Os principais malwares serão descritos a seguir. Internet para direcionar as propagandas que serão
Convém citar que parte das definições dos diversos malwa- apresentadas.
res a seguir foram tirados da cartilha da Cartilha de Segu- • Backdoor: programa que permite a um invasor
rança para Internet, desenvolvida pelo CERT.br, mantido retornar a um computador comprometido. Normal-
pelo NIC.br, com inteiro teor em http://cartilha.cert.br/. Esta mente este programa é colocado de forma a não
Cartilha de Segurança para Internet já foi utilizada por diver- ser notado.
sas bancas como CESPE, FUNIVERSA, entre outras, inclu- • Exploits: programa malicioso projetado para explo-
sive sendo citada em algumas provas. rar uma vulnerabilidade existente em um software
• Vírus: programa ou parte de um programa de com- de computador.
putador, normalmente malicioso, que se propaga • Sniffers: utilizado para capturar e armazenar dados
infectando, isto é, inserindo cópias de si mesmo e trafegando em uma rede de computadores. Pode
se tornando parte de outros programas e arquivos ser usado por um invasor para capturar informações
de um computador. O vírus depende da execução sensíveis (como senhas de usuários), em casos
do programa ou arquivo hospedeiro para que possa onde estejam sendo utilizadas conexões inseguras,
se tornar ativo e dar continuidade ao processo de ou seja, sem criptografia. Deixa a placa de rede em
modo promíscuo.
infecção.
• Port Scanners: programa utilizado para efetuar
• Worm: programa capaz de se propagar automati-
varreduras em redes de computadores, com o
camente através de redes, enviando cópias de si
intuito de identificar quais computadores estão

NOÇÕES DE INFORMÁTICA
mesmo de computador para computador. Diferente
ativos e quais serviços estão sendo disponibilizados
do vírus, o worm não embute cópias de si mesmo
por eles. Amplamente utilizado por atacantes para
em outros programas ou arquivos e não necessita
identificar potenciais alvos, pois permite associar
ser explicitamente executado para se propagar. Sua
possíveis vulnerabilidades aos serviços habilitados
propagação se dá através da exploração de vulne-
em um computador.
rabilidades existentes ou falhas na configuração de
• Bot: programa que, além de incluir funcionalidades
softwares instalados em computadores.
de worms, sendo capaz de se propagar automati-
• Trojan: programa, normalmente recebido como
camente através da exploração de vulnerabilidades
um “presente” (por exemplo, cartão virtual, álbum
existentes ou falhas na configuração de softwares
de fotos, protetor de tela, jogo etc.), que além de
instalados em um computador, dispõe de mecanis-
executar funções para as quais foi aparentemente
mos de comunicação com o invasor, permitindo que
projetado, também executa outras funções normal-
o programa seja controlado remotamente. O inva-
mente maliciosas e sem o conhecimento do usuá- sor, ao se comunicar com o bot, pode orientá-lo a
rio. desferir ataques contra outros computadores, furtar
• Keylogger: programa capaz de capturar e armaze- dados, enviar spam etc.
nar as teclas digitadas pelo usuário no teclado de • Rootkit: conjunto de programas que tem como
um computador. Normalmente, a ativação do keylo- finalidade esconder e assegurar a presença de um
gger é condicionada a uma ação prévia do usuá- invasor em um computador comprometido. É impor-
rio, como por exemplo, após o acesso a um site tante ressaltar que o nome rootkit não indica que
de comércio eletrônico ou Internet Banking, para a as ferramentas que o compõem são usadas para
captura de senhas bancárias ou números de car- obter acesso privilegiado (root ou Administrator) em
tões de crédito. um computador, mas sim para manter o acesso pri-
• Screenlogger: forma avançada de keylogger, vilegiado em um computador previamente compro-
capaz de armazenar a posição do cursor e a tela metido.
apresentada no monitor, nos momentos em que o
mouse é clicado, ou armazenar a região que cir- Fraudes e Golpes na Internet
cunda a posição onde o mouse é clicado.
• Spyware: termo utilizado para se referir a uma • Phishing: é um tipo de fraude projetada para
grande categoria de software que tem o objetivo roubar dados de usuários. Em um phishing scam,
de monitorar atividades de um sistema e enviar as uma pessoa mal-intencionada tenta obter informa-
informações coletadas para terceiros. Podem ser ções como números de cartões de crédito, senhas,
utilizados de forma legítima, mas, na maioria das dados de contas ou outras informações pessoais
vezes, são utilizados de forma dissimulada, não convencendo o usuário a fornecê-las sob pretextos
autorizada e maliciosa. enganosos. Esquemas de phishing normalmente

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surgem por meio de e-mails ou janelas pop-up. • Buffer Overflow (Sobrecarga de Buffer): consiste
Exemplificando, um usuário mal-intencionado envia em transmitir em um buffer de tamanho fixo, dados
milhões de e-mails falsos que parecem vir de sites maiores que o seu tamanho. É um ataque DOS.
populares ou de sites nos quais o usuário confia, • Ping da Morte (Ping of Death): É um ataque Buffer
como seu banco ou empresa de cartão de crédito. Overflow. Consiste no uso do comando ping para
Esses e-mails, e os sites a que remetem, parecem o envio de pacotes de tamanho inválidos para ser-
oficiais o suficiente para convencer muitas pessoas
vidores, levando-os ao travamento ou ao impedi-
de sua legitimidade. Acreditando que esses e-mails
mento de trabalho. O comando ping é um comando
são legítimos, pessoas desavisadas com frequên-
do DOS (não confundir DOS com DoS) que pode
cia respondem às solicitações de número do cartão
de crédito, senha, informações de conta ou outras ser utilizado para verificar se há conexão entre
informações pessoais. Para fazer com que esses dois computadores. Ao digitar, por exemplo, ping
e-mails pareçam ainda mais reais, os criadores de 200.152.161.132, pacotes serão disparados contra
scam podem colocar um link em um e-mail falso que o endereço digitado. Com isso, é possível saber se
parece levar ao site legítimo, mas na verdade leva há resposta do computador 200.152.161.132 entre
o usuário ao site de scam ou mesmo a uma janela outras informações. Quando o tamanho dos paco-
igualzinha ao site oficial. Uma vez entrando em um tes é superior ao tamanho de buffer suportado pelo
desses sites, o usuário poderá, inadvertidamente, computador de destino, ocorre uma sobrecarga de
inserir informações pessoais, que serão transmiti- Buffer. Atualmente, os sistemas já são capazes de
das diretamente ao criador do site. Ele poderá usar evitar este tipo de ataque.
esses dados para comprar bens, candidatar-se a
• SYN Flooding: é um ataque DoS. Consiste no envio
um novo cartão de crédito ou roubar a identidade
de vários pacotes SYN (sincronia) seguidamente
do usuário.
para o servidor, que responderá com pacotes SYN-
• Pharming: é uma técnica de envenenamento do
DNS. Neste ataque um servidor de nomes (servidor -ACK (confirmação de sincronia). O primeiro deve-
DNS) é comprometido, de tal forma que as requisi- ria responder com pacotes de ACK (confirmação de
ções de acesso a um site feitas pelos usuários deste conexão), mas isso não ocorrerá. Se todas as cone-
HENRIQUE
BRUNO PILASTRE

servidor sejam redirecionadas a outro endereço, xões disponíveis forem utilizadas dessa maneira,
sob controle dos atacantes. Na internet, o servidor clientes legítimos não poderão ser atendidos.
DNS é um computador dotado de um software que • Spoofing: consiste em esconder o endereço real
SODRÉ

traduz os nomes dos sites (domínios), da linguagem do atacante por meio da alteração no cabeçalho do
humana para números (chamados de endereços pacote IP (IP Spoofing) ou no cabeçalho do pacote
IP), de forma que possam ser interpretados pelas MAC (MAC Spoofing). Utilizado em conjunto com
outras máquinas da rede. O ataque de pharming outros ataques como o ataque Smurf.
feito em um servidor DNS pode afetar milhões de
• Ataque Smurf: é um ataque DOS. Consiste no
usuários, sendo um ataque indireto. Porém, existe
envio de vários pacotes a um endereço de broad-
a possibilidade desse ataque afetar diretamente o
cast qualquer, mas antes, altera-se o endereço de
usuário alterando um arquivo chamado de hosts.
Este arquivo está presente na maioria das versões origem do pacote para o endereço IP do computa-
Windows e é utilizado para associar uma lista de dor que se deseja atacar. Com isso, todos os com-
IP’s com uma lista de URL’s. Por exemplo, um usu- putadores, que receberam os pacotes que foram
ário poderia associar um endereço IP qualquer para enviados pelo atacante, responderão ao endereço
a URL www.xxxx.com.br IP do computador que se deseja atacar que ficará
• Engenharia Social: método de ataque onde uma sobrecarregado.
pessoa faz uso da persuasão, muitas vezes abu-
sando da ingenuidade ou confiança do usuário, para Agentes da Segurança
obter informações que podem ser utilizadas para ter
acesso não autorizado a computadores ou informa- • Antivírus: os programas antivírus verificam a
ções. existência de vírus, vermes e cavalos de Troia em
e-mails ou arquivos do computador. Caso um vírus,
Ataques contra Sistemas de Informação
verme ou cavalo de Troia seja localizado, o pro-
• Ataque DoS (Denial of Service): atividade mali- grama antivírus o coloca de quarentena ou o exclui
ciosa onde o atacante utiliza um computador para inteiramente, antes que ele danifique o computador
tirar de operação um serviço ou computador conec- e os arquivos. O antivírus deve estar sempre atua-
tado à Internet. lizado para que seja possível a detecção de novos
• Ataque DDoS (Distributed DoS): ataque de nega- vírus, worms e trojans. Os principais antivírus são:
ção de serviço distribuído, ou seja, um conjunto de Mcafee, Norton, AVG, AVAST, Kapersky.
computadores é utilizado para tirar de operação um ou • Anti-spam: ferramenta que permite filtrar certos
mais serviços ou computadores conectados à Internet. e-mails com características de spam.

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• Firewall: conectar-se à Internet sem um firewall característica de invasão, este avisa ao administra-
é como deixar a sua casa sem um muro de pro- dor da rede uma possível tentativa de ataque ao
teção contra invasores. O firewall auxilia na pro- sistema.
teção da máquina contra ataques à segurança. • Bastion Host: é um computador que serve de