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PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

DIOCESE DE PARANAVAÍ

CATEQUESE DE INICIAÇÃO
À VIDA CRISTÃ COM ADULTOS

Organização:

Amarildo Pinheiro Magalhães

João Paulo de Campos Silva

LOANDA
2017
1º ENCONTRO – EU QUERO VER JESUS

“Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa” (Lc 19,5b)

AMBIENTAÇÃO
Todos sentados em círculo, como amigos e família cristã, tendo no centro uma Bíblia e uma figura ou
imagem de Jesus sorrindo. Criar um clima e ambiente de oração.

APRESENTACÃO DO TEMA

Este primeiro encontro tem uma importância muito especial. Aqui nos reunimos pela primeira vez,
enquanto grupo que desejam conhecer mais profundamente Jesus Cristo, aprofundar os ensinamentos da
Igreja, crescer na vida de oração, ter claro a nossa opção moral de vida e aprender a bem celebrar os
mistérios do Senhor na liturgia.
Para isso, é fundamental que nos conheçamos um pouco mais. Vamos iniciar nossa conversa nos
apresentando, dizendo nosso nome e respondendo à seguinte pergunta:

- Quais foram as motivações que fez com que buscasse entrar nesse processo catequético de Iniciação
Cristã?

LEITURA ORANTE

Agora, conheceremos, pela Palavra de Deus, a história de alguém que, um dia, também desejou conhecer
Jesus.

Ler e meditar: Lc 19,1-27

- Buscar uma atitude de silêncio interior e escuta do Senhor que nos quer falar;
- Ler e reler o texto pausadamente;
- Reconstruir interiormente a cena:
 Zaqueu queria ver quem era Jesus. Ele possuía uma curiosidade a
respeito da pessoa de Jesus;
 A multidão o impedia;
 Ele sentia-se pequeno, limitado, intimidado diante das outras
pessoas. Poderia passar por ridículo, devido à sua privilegiada posição
social;
 Zaqueu não era bem visto por seus compatriotas pois os explorava
em nome do Império Romano. Ao mesmo tempo, os publicanos tinham
fama de corruptos;
 Zaqueu procura vê-lo, à distância, escondido, discretamente;
 Zaqueu é encontrado por Jesus em cima da árvore;
 Jesus entra na vida de Zaqueu, convida-se para ser recebido na casa
do pecador;
 Zaqueu desce depressa e recebe Jesus com alegria;
 O encontro com Jesus muda a vida de Zaqueu interiormente e o leva a rever as suas atitudes;
- O que esse texto diz a nós hoje?
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- Que elementos da nossa vida, da nossa trajetória, vemos refletidas na história de Zaqueu?
- Como Zaqueu eu também quero conhecer a Jesus? Por quê?
- Que atitudes eu tenho tomado para me aproximar de Jesus?
-Tenho coragem de parecer ridículo aos olhos dos demais pelo fato de estar buscando conhecer quem é
Jesus?
- Estou disposto a receber Jesus com alegria em minha casa ou quero ficar em cima da árvore ou atrás da
multidão, observando-o à distância?

APROFUNDAR O TEMA

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que “O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, já
que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus
o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar” (CIC, n.27)
O ser humano é, por natureza, imperfeito, incompleto, inquieto, insatisfeito. A todo momento estamos à
procura de algo que nos preencha, que dê sentido e sabor à nossa vida, que sacie a nossa sede de felicidade.
Para nos convencermos disso, basta observarmos nossas ambições materiais, sempre queremos adquirir
algo novo, mais atual, mais moderno, mais tecnologicamente avançado. Nada nos satisfaz plenamente e
por muito tempo: um celular novo, a reforma da casa, o carro do ano, a roupa da moda.
Todas essas coisas são passageiras e não nos completam de totalmente. Ao olhar para a experiência
humana e para os sinais da ação de Deus no mundo, o Catecismo na Igreja nos lembrar que a verdadeira
felicidade, o preenchimento do vazio de nossa alma, só será satisfeito por meio de um encontro com a
pessoa de Jesus Cristo.
O Catecismo nos apresenta ainda alguns traços do desejo de Deus presentes na vida e no coração do ser
humano:

- O homem por natureza é um “ser religioso”. Em cada momento da história, em cada cultura, sempre
o homem buscou expressar sua religiosidade. Ex: a dança dos indígenas aos deuses; as meditações das
religiões diversas. Nessas e em outras manifestações percebe-se a necessidade humana de expressar e ter
uma realidade com a transcendente.

- o homem é criado por Deus e para Deus: O ser humano não encontro outro fim possível a não ser
estar em e com Deus. Percebemos que tudo nessa vida é passageiro: bens materiais, saúde, pessoas
queridas e outros. O que nos resta, com certeza, e afinal de contas é o amor de Deus por nós, a vida em
Deus, mesmo após a morte.

- Somente em Deus o homem encontra a verdade e felicidade: Estamos sempre em busca da felicidade.
Quantas pessoas estão perdidas no vício das drogas, na libertinagem do sexo, na traição do cônjuge, na
busca gananciosa por dinheiro e riqueza e outras práticas. O pano de fundo de todas estas situações é a
busca da felicidade, contudo, buscadas em lugar errado. Ao invés da felicidade, encontra-se o sofrimento
e a escravidão. A verdadeira felicidade se encontra numa vida em Jesus Cristo, numa vida guiada pelo
Espírito.

Se você voltar para a sua história, certamente se recordará de experiências religiosas em que o levaram a
sentir-se interiormente preenchido, completo, saciado. Elas, são sem dúvida, fruto da ação do Espírito
Santo, da presença de Jesus junto a você.
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DIALOGANDO

1. Onde tenho buscado a minha felicidade? Eu a tenho encontrado?


2. Ao recordar os momentos felizes da minha vida, consigo perceber a ação e a presença de Jesus?
3. O fato de eu buscar a catequese de iniciação cristã nesta fase da minha vida tem a ver com o meu
desejo de felicidade ou pretendo apenas cumprir preceitos legais?

FÉ E VIDA

Como desdobramento deste primeiro encontro, procure analisar a sua vida. Faça uma autoavaliação dos
seus atos e procure perceber para onde está voltado o seu coração na busca pela felicidade. Analise as
suas escolhas e decisões. Quem ou o que as tem determinado? Lembre-se, na resposta a essa pergunta está
a fonte onde você tem buscado a felicidade. Faça algumas anotações bastante livres e as traga para a
partilha no próximo encontro.

ORAÇÃO FINAL

Santo Agostinho é um dos grandes exemplos de uma alma inquieta que procurou em muitos lugares,
inclusive nos mais impróprios, saciar o seu desejo de felicidade.
Após o seu encontro pessoal com Jesus, ele produziu este poema, que será a nossa oração final:

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova!


Tarde demais eu te amei!
Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!
Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas.
Estavas comigo, mas eu não estava contigo.
Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem.
Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez.
Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira.
Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti.
Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz…

- Glória a ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo


- Como era no princípio, agora e sempre. Amém!
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2° ENCONTRO – AMOR DE DEUS E O PECADO

“Onde estás?(...) Ouvi teu ruído no jardim. Fiquei com medo


porque estava nu e me escondi” (Gn 3,9b-10)

AMBIENTAÇÃO
Colocar no centro a Bíblia ladeada por velas, crucifixo e imagens de situações de pecado e sofrimento
humano. Também escreva numa folha pecados que nos afastam da misericórdia e amor de Deus em nossa
vida.

APRESENTACÃO DO TEMA
Refletimos no encontro passado sobre desejo de Deus que está inscrito no coração do homem e a realidade
humana que busca a felicidade nos lugares errados. Hoje, iremos abordar a realidade do pecado que afasta
e desvia o nosso coração na busca e entrega a Deus. O pecado é uma realidade que atinge toda realidade
humana: “Se dissermos que não temos pecado, estamos enganando a nós mesmos, e a verdade não está
em nós. Se reconhecermos nossos pecados, então Deus se mostra fiel e justo, para nos perdoar os pecados
e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1,8-9). Reconhecer que a nossa natureza humana é marcada pelo
pecado e colocar-se frente a misericórdia de Deus é um passo fundamental para na vida de fé, pois, só
assim, podemos crescer integralmente como pessoa.

Tenho o hábito de fazer exame de consciência para perceber quais são os maiores pecados que me
atrapalham na minha vida de fé e busca sincera de Deus?

LEITURA ORANTE

Agora, conheceremos, pela Palavra de Deus, a atitude humana de rompimento com o amor e a fidelidade
Deus.

Ler e meditar: Gn 3,1-24

- Leia e releia o texto com muita atenção e em clima de oração. Perceba os detalhes da narração,
colocando-se no texto.

Reconstruir interiormente o texto:

 A serpente questiona sobre a veracidade dos ensinamentos do Deus: “É verdade que Deus disse:
...”
 A mulher responde sobre a vontade de Deus e confirma
 A serpente incita a mulher ao pecado, a desobediência, afirmando que quando comeres o fruto
proibido, “... sereis como Deus, conhecedor do bem e do mal.”(v.5)
 A mulher se deixa levar pelo desejo de ser igual a Deus e pela curiosidade: come o fruto e dá ao
homem.
 Perderam a pureza na relação com Deus: sentiram-se nus, ou seja, tiveram vergonha de Deus. Deus
que até então era amigo, agora é visto como inimigo. Na relação com Deus: sentiram-se nus,
ouviram o ruído e se esconderam , tiveram medo, a voz de Deus amedronta.
 Um joga a culpa no outro: não assume a culpa.
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 Consequências do pecado apresentado por Deus à serpente, à mulher e ao homem: (14-19)


 Deus expulsa o homem do Jardim do Éden e o priva do acesso a árvore da vida.

APROFUNDAR O TEMA
O texto que acabamos de ler e meditar nos oferece uma narração da entrada do pecado no mundo, segundo
as verdade e revelações contidas na Sagrada Escritura. Este texto não tem valor científico, mas sim
elementos teológicos que nos oferecem explicação sobre a realidade do pecado presentes na experiência
humana.

Façamos algumas observações teológicas:


- A mulher é tentada a comer do fruto: o pecado é uma realidade espiritual com conseqüência na vida
material. A tentação consiste em questionar as verdades reveladas por Deus, fazendo o homem viver
segundo seus próprios desejos. Tudo que existe no mundo é bom, se ordenado para Deus, a sua verdade.
O pecado faz com que desvirtuemos as verdades e projetos de Deus. Exemplo: a realidade sexual foi dada
ao homem impulsionar-nos para os desafios da vida, para geração de filhos e união do casal no
matrimônio. Muitos, hoje, perdem de vista esta realidade, usando e praticando para fins egoístas, sem
vinculo e relação, ou seja, desvirtuamos a verdade de Deus. Tudo tem sua boa finalidade, mas muitas
vezes pervertemos o bom caminho das coisas sonhadas por Deus.

- O desejo de ser como Deus: Está foi a proposta da serpente: sereis como Deus e Ele não quer isso.
Aqui está de certo modo a origem do pecado. Em toda realidade de pecado está o desejo de não colocar-
se sob a tutela e da vontade de Deus. Agir por nós mesmos, desconsiderando o que Deus quer, é a raiz do
pecado: agradamos a nós mesmos e não a Deus. Interessante que em muitas vezes sabemos o que Deus
quer, mas mesmo assim agimos de forma contrária. Deveríamos fazer o bem, perdoar uma pessoa, ajudar
o próximo, ir mais à Igreja, mas para nos satisfazer, não procedemos assim. O perigo é que quanto mais
agimos por nós mesmos, mais complicado e difícil é voltar à obediência a Deus.

- Ter medo de Deus: O que homem que era amigo de Deus, agora vê Deus como seu inimigo. O pecado
faz com que tenhamos medo de Deus, que vejamos Deus como alguém que nos atrapalha. O sentir-se nu
e correr por ouvir o ruído ilustram bem essa realidade. Deus é visto como estraga prazer, aquele que só
quer cobra, quando na verdade Ele é nosso amigo e só nele encontramos verdadeira felicidade de
revelação. Tenhamos Deus como amigo e corramos para Ele com alegria, encarando suas advertência
como um pai que ama e quer o nosso bem.

O catecismo da Igreja católica lembra que o pecado rompeu essa relação intima entre o homem e Deus.
Cita ainda algumas realidades de pecado que podem afastar o homem de Deus. Vale a pena ler com
atenção pois pode nos ajudar a fazer um bom exame de consciência:

“Mas esta relação íntima e vital que une o homem a Deus pode ser esquecida, desconhecida e até
explicitamente rejeitada pelo homem. Tais atitudes podem ter origens diversas a revolta contra o mal
existente no mundo, a ignorância ou a indiferença religiosas, as preocupações do mundo e das riquezas, o
mau exemplo dos crentes, as correntes de pensamento hostis à religião e, finalmente, a atitude do homem
pecador que, por medo, se esconde de Deus e foge quando Ele o chama”. (CIC, n.29)

E conclui:
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“Exulte o coração dos que procuram o Senhor. Se o homem pode esquecer ou rejeitar Deus, Deus é que
nunca deixa de chamar todo o homem a que O procure, para que encontre a vida e a felicidade. Mas esta
busca exige do homem todo o esforço da sua inteligência, a retidão da sua vontade, «um coração reto, e
também o testemunho de outros que o ensinam a procurar Deus”. (CIC, n.30)

DIALOGANDO

Depois de tudo que rezamos e estudamos, vamos conversar um pouco sobre algumas situações:

- Como percebo a realidade de pecado em minha vida?


- Como entender a frase de São Paulo aos Romanos em nossa vida: “Eu não faço o bem que quero, mais
faço o mal que não quero”.

FÉ E VIDA

Além de sua dimensão pessoal, isto é, afetar a nossa relação conosco e com Deus, o pecado possui também
uma dimensão social, ou seja, interfere negativamente na nossa relação com os irmãos. Dessa forma o
sofrimento, a dor, a morte e todos os males que afetam os seres humanos não se originam em Deus, mas
no pecado presente no mundo. Procure observar com atenção situações que envolvam os sofrimento
humano e reflita sobre as raízes do pecado presentes nesses males. Partilhe suas reflexões com o grupo
no próximo encontro.

ORAÇÃO FINAL

O grande Rei Davi, o amigo de Deus, conforme nos relata a Bíblia, após tomar consciência de um grave
pecado cometido, chorou a Deus, arrependido, as suas culpas. Esta oração corresponde ao Salmo 51 (50)
que rezaremos para encerrar este encontro, na certeza de que Deus não despreza a prece de um pecador
arrependido.
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3º ENCONTRO – DEUS VEM AO NOSSO ENCONTRO

AMBIENTAÇÃO
Todos sentados em círculo, como amigos e família cristã, tendo no centro um crucifixo, uma Bíblia,
imagens com passagens da vida de Jesus: ensinamentos, milagres.

APRESENTACÃO DO TEMA

Refletimos nos encontros passados o desejo de Deus que está inscrito no coração do homem e o pecado
que nos afasta dessa relação intima com Deus. Hoje, abordaremos o tema da revelação: Deus que vem ao
encontro da natureza humana, marcada pelo pecado. Esta revelação que começou no Antigo Testamento
onde Deus falava ao seu povo pelos patriarcas, juízes, profetas tem sua plenitude em Jesus Cristo, Filho
de Deus feito homem. O ato de Deus se revelar evidencia, em primeiro lugar, o amor de Deus por cada
um de nós. Ele não nos deixou imersos e entregues a escravidão do pecado, mas nos socorreu com sua
bondade. Devemos ter presente que somos amados Deus, que Ele nos tem como amigo, que nos chama a
participar na sua natureza divina, mesmo sendo pecadores, é fundamental para vivermos bem a nossa
vocação de cristãos. Todo amor humano nasce e tem seu fundamento em Deus, fonte do todo amor.

Como percebe a revelação de Deus em sua vida? Qual a imagem de Deus você vê revelada em Jesus, em
suas palavras e em suas atitudes?

LEITURA ORANTE

Agora, veremos, a luz da Palavra de Deus como São Paulo na Carta aos Gálatas apresenta a grandeza da
revelação de Deus. Como éramos antes da revelação, escravos, e como somos depois filhos no filho.

Ler e meditar: Gl 4,1-11

- Leia o texto ao menos duas vezes como calma e em clima de oração e observe alguns elementos na
descrição de São Paulo:
 Enquanto não conhecemos Jesus Cristo, seguimos apenas preceitos, temos medo de Deus, somos
escravos da imagem que temos dEle.
 Muitos fundamentam sua fé em elementos cosmos: superstições, horóscopos, feitiçaria, fazem até
loucuras na tentativa e busca do divino;
 Deus se revelou. Ponto alto da leitura (4,4-5).
 Fomos resgatados da escravidão: somos chamados a uma fé livre
 Recebemos a filiação e dignidade de Filhos de Deus: um filho tem liberdade para com seu Pai e
um Pai cuida do filho. A relação não é de escravo e donos, mais de Pai e Filho.
 Somos herdeiros de Deus. Podemos participar na natureza divina, o céu nos é aberto, Deus no
comunica a sua graça.

Para refletir:
- Diante de tão alto grau de amor, como podemos voltar nossas costas para Deus (v.8)? Como podemos
buscar a felicidade em outros locais e situações? Estou disposto a colocar a minha vida a serviço de tão
grande mistério.
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APROFUNDAR O TEMA
O cristianismo é a religião da revelação. É Deus que veio e vem ao encontro da realidade humana, decaída
pelo pecado, para nos fazer participantes da natureza divina. É muito importante termos claro esta
definição, este conceito da fé cristã, pois nos ajuda a entender a vocação humana, que é o amor. O amor
verdadeiro encontro fundamento e significado em Jesus.
O texto que citaremos é um resumo do mistério da revelação de Deus. Em seguida iremos fazer algumas
considerações importantes.
“Aprouve a Deus, em sua bondade, sabedoria, revelar-se a si mesmo e tornar conhecido o mistério de
sua vontade, pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, no Espírito Santo, têm
acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza divina” (D.V, n.2).

Este trecho do documento de Igreja nos ajuda a entender várias situações:

- “Deus se revelou por amor”: Foi um ato livre por amor a cada um de nós. Ele não era obrigado, mas o
fez para que tivéssemos vida. Existe aqui um ato de amor imensurável, pois Jesus Cristo, sendo Deus,
assume a nossa condição humana, se sujeita ao sofrimento por amor a realidade humana.

- “Revelar-se a si mesmo”: A Palavra revelar significa o ato de mostrar, descobrir, tornar conhecido,
explícito. Deus que habitava em luz inacessível, revelou-se, fazendo-se um de nós, falando conosco como
amigos.

- “Revelou seu mistério e sua vontade”: Seu mistério é o amor e sua vontade é que todos os homens sejam
salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Deus nos fez para Ele, já aqui na terra e para que um dia
participemos no céu do seu Reino. Se quisermos saber quem é Deus, basta que olhemos para Jesus Cristo,
em seus atos, palavras, ensinamentos. Sabemos também qual é a sua vontade: que todos aqueles que Ele
criou sejam salvos, esteja com Deus nos Reino do Céu.

- Pela revelação de Deus reconhecemos nossa vocação: O ser humano sempre se pergunta sobre o seu fim
último, porque e para que foi criado? Estas respostas encontramos em Jesus Cristo. A comunhão com
Deus é que dá sentido a existência humana. O homem é a única criatura capaz de louvar o seu criador.
Esta é a grandeza do homem e neste ato de louvar que encontramos o sentido da nossa existência.

“O aspecto mais sublime da dignidade humana está nesta vocação do homem e à comunhão com Deus.
Este convite que Deus dirige ao homem, de dialogar com ele, começa com a existência humana. Pois se
o homem existe, é porque Deus o criou por amor, não cessa de dar-lhe o ser, e o homem só vive
plenamente, segundo a verdade, se reconhecer livremente este amor e se entregar ao seu criador”. (G.S,
n.19)

DIALOGANDO

- Como seria o mundo e o homem se Jesus Cristo não tivesse encarnado, assumido a nossa condição
humana?
- Nós, como Filhos de Deus, louvamos a Deus pelos bens espirituais que nos concedestes ou apenas
baseamos e consideramos Deus a partir dos bens temos, ou seja, sinto o amor de Deus somente pelo bem
estar físico e material?
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FÉ E VIDA

Como ato concreto deste encontro, tente observar em sua vida ou mesmo nas pessoas que estão à sua
volta, os bens espirituais que Deus concede ao seu povo. Esses bens espirituais podem ser desde situações
comunitárias até experiências pessoais e do meio familiar. Elabore uma lista e, ao longo da semana,
procure agradecer a Deus por sua generosidade em lhe conceder esses bens.

ORAÇÃO FINAL

Ao encerrarmos este encontro, vamos agradecer a Deus pelo seu geste de imenso amor de, em Cristo, dar-
se totalmente a conhecer a nós. Para isso, utilizaremos as palavras do apóstolo São Paulo na sua Carta aos
Efésios (Ef 3,3-12).
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4º ENCONTRO – SANTIDADE: RESPOSTA DO HOMEM A DEUS

“Todas as vezes que fizeste isso a um dos mais pequeninos


que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40)

AMBIENTAÇÃO
Todos sentados em círculo. Coloque no centro uma Bíblia ladeada por velas e o Catecismo da Igreja
Católica. Traga também para este encontro imagens de santos e santas da Igreja: pode ser de recorte,
figuras. Quanto mais imagens melhor e um pouco da história de cada santo melhor.

APRESENTACÃO DO TEMA
Chegamos ao último encontro do bloco dentro desse grande processo de Iniciação à Vida Cristã. (Até este
momento refletimos sobre: 1º) o desejo de Deus que está no coração do homem; 2) A realidade do pecado
que nos afasta da intimidade com Deus; 3) a revelação de Deus que nos comunica a vontade de verdade
e nos torna participantes da natureza divina. No encontro de hoje iremos refletir a Resposta do Homem a
Deus, ou seja, qual deve ser a nossa atitude frente a tanta bondade de Deus.

Como atividade do encontro anterior, deveríamos observar e trazer presente os bens espirituais que Deus
lhe concede e que você percebe em seu dia-a-dia. Partilhe um pouco o que você observou, suas
constatações.

LEITURA ORANTE

Recorramos a Palavra de Deus, que nos orienta a cada instante da nossa vida, e observemos como deve
ser a vida do cristão, a resposta ao amor de Deus.

Ler e meditar: Mt 25,31-46

Em atitude de escuta e atenção a Palavra, leia e releia o texto em clima de oração. Deixe que Deus toque
o seu coração, suas motivações.

Saboreie o texto:
 Quais os sentimentos que vem ao meu coração com a leitura do texto? Medo, desafio, amor de
Deus, justiça?
 O texto nos fala da volta do Senhor como um Pastor. O que essa imagem me diz?
 Sou eu quem precisa de socorro ou eu quem posso dar o socorro?
 De acordo com o texto, qual a condição para ser considerado bendito aos olhos de Deus?

Reconstrua interiormente o texto:


 O Senhor voltará de sua glória para nos fazer um julgamento. Acreditamos nisso?
 Pelos nossos atos, hoje, somos o da direita ou os dá esquerda?
 O ensinamento contido no texto vale para os nossos dias?
 Reconhecemos nos menos favorecidos e nas diversas situações a presença de Deus: forasteiros,
doentes, presos, fome, sedentos e outros?
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APROFUNDAR O TEMA
Responder a revelação de Deus e sua bondade de amor é o dever do todos, pois somente nesta relação
com Deus encontramos a verdadeira felicidade e nossa verdadeira vocação. O amor, se não for partilhado,
correspondido, tende a acabar, esfriar, por isso somos chamados a retornar a este amor a Deus.
Na Igreja, os santos e santas são os exemplos de pessoas que responderam com fidelidade ao amor de
Deus. Levaram suas vidas até as últimas consequências por amor a Jesus Cristo. Infelizmente, hoje, os
santos deixaram de ser referência em nossa sociedade. É comum ver pessoas seguindo ideias, modo de
vida, estilos impróprios que artistas, jogadores de futebol, cantores, sem nenhuma virtude cristã e até
mesmo que destroem a família a pessoa. E ainda batemos palmas e aplaudimos ou mesmo financiamos
comprando seus produtos, CDs e outros. Aqui vale lembrar também dos meios de comunicação que tanto
determinam e influenciam muito nossas vidas: novelas, filmes, músicas, internet e outros. É neste mundo
que somos chamados a viver com cristãos e dar a nossa resposta a Deus.
Ser santo não é só para papa, bispo, padre e freira, mas ser santo é uma vocação de todo cristão. É um
dever nosso de cada dia buscar a santidade, nos embrenhar nas lutas diárias. O Concílio Vaticano II afirma
que todos somos vocacionados a santidade, não há outro caminho, outro modo de ser cristão.
Infelizmente, muitas pessoas perderam a noção da vida espiritual, do transcendente e reduzem sua vida a
esse mundo. Pensam que a vida se encerrará aqui neste mundo, perdem de vista a vida eterna. É comum
muitos jovens dizer que irão procurar a Igreja somente quando estiveram mais velhos, pois agora querem
somente curtir e aproveitar a vida. É com esse pensamento que muitos caem no mundo das drogas, da
prostituição, destroem sua vida profissional, machucam relações com a família e amigos verdadeiros.
Deus não é estraga prazeres. Caminhar nos preceitos de Deus é sinal e garantia de vida mais humana. É
nesta relação que desenvolvemos nossas potencialidades: virtudes, afetos ordenados, família, amizades
sadias, relações.
Os santos foram pessoas que entenderam perfeitamente está relação com Deus e deram o segundo passo:
serviram o seu próximo com alegria. A vida dos santos, além de uma busca pela intimidade com Deus,
sempre foram pautadas na extrema caridade para com o próximo. Amor ao próximo é o que marca a vida
dos santos.

DIALOGANDO

- Como você responde amor que Deus tem por você?


- A busca da santidade é algo que você busca ou é algo distante, só para religiosos e padres?
- Qual o sentido em sua vida da busca pela santidade?

FÉ E VIDA

Como exercício para esta semana você é convidado e conhecer a história de um santo da Igreja que ainda
não conheça ou apenas conheça o seu nome. Você pode ler um livro, assistir um filme (internet ou DVD)
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ou mesmo ler na internet algo sobre a vida do santo escolhido. As opções são muitas. Peço que observem
a vida, as dificuldades quem enfrentaram em sua trajetória para conseguir a santidade.

Sugestões:

São José Moscati. Médico em Veneza que dedicou sua profissão em cuidar dos pobres e menos
favorecidos. Um santo que não é padre, mas consagrou-se por meio da sua profissão.
https://www.youtube.com/watch?v=3P9B6fni7Yw – I parte
https://www.youtube.com/watch?v=ow8B4DGv9c0 – II parte

Beata Dulce dos Pobres, o anjo bom da Bahia, que dedicou sua vida às pessoas que viviam em extrema
pobreza na cidade de Salvador, sobretudo as crianças.
https://www.youtube.com/results?search_query=irma+dulce

Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, que nasceu na Itália, viveu e morreu no Brasil. Aos 25
anos, juntamente com uma amiga, foi cuidar de uma cancerosa em estado termina, em um casebre, no
vilarejo de Vigolo, em Nova Trento – SC, dando início à Congregação das Irmãzinhas da Imaculada
Conceição. https://www.youtube.com/watch?v=OzB3MPZf2qA

ORAÇÃO FINAL

Encerraremos este encontro, rezando com São Francisco de Assis. O santo dos pobres, considerado louco
em seu tempo, por abrir mão de sua vida de jovem rico e aventureiro para servir a Cristo na pessoa dos
pobres.
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5º ENCONTRO – BÍBLIA ENCONTRO COM O DEUS

“A Palavra de Deus não volta para Ele


sem produzir o seu fruto” Is 55,10)

AMBIENTAÇÃO
Dar um destaque à Palavra de Deus. Colocá-la no centro ladeado por velas e flores para ressaltar sua
dignidade e importância para a vida do cristão.

APRESENTACÃO DO TEMA

Após a celebração de acolhida no processo catecumenal, queremos agora conhecer mais profundamente
os pilares da nossa fé. Fazemos parte de uma Igreja que professa uma doutrina, suas verdades. É
indispensável ao cristão conhecer essas realidades. Neste encontro iremos conhecer um pouco mais sobre
a Bíblia, Palavra de Deus. Nunca se falou tanto da deste livro como nos dias de hoje. Quando ligamos a
TV, sintonizamos o rádio, navegamos na internet (facebook, sites, vídeos) encontros diversos textos,
comentários, citações do texto sagrado. Contudo, a Igreja Católica tem um modo peculiar de se aproximar
do texto bíblico, seja para estudo ou oração. Iremos nesse texto conhecer melhor essa dinâmica, esta
proposta da Igreja.

- Você lembra quando você ganhou ou comprou a sua primeira Bíblia? Tem o hábito de ler e estudar os
texto sagrados? Qual a importância da Palavra de Deus na sua vida?

LEITURA ORANTE

Agora, em clima de oração e partilha, vamos ver o que a Bíblia diz sobre si mesna. Os textos Sagrados
indicam o que Deus quer com a Palavra de Deus e sua importância na nossa vida espiritual.

Leitor 1: “Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não voltam sem ter regado a terra, sem a ter
fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à
palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado a minha
vontade e cumprido a sua missão” (Is 55,10).
Leitor 2: “Porque a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante que uma espada de dois gumes, e
penetra até a divisão da alma e do corpo, e das juntas e medulas e discerne os sentimentos e
pensamentos do coração. Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a
quem haveremos de prestar conta” (Hb 4,12-13).
Leitor 3: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para persuadir, para corrigir e
formar na justiça” (2Tm 3,16).
Leitor 4: “Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!” (Lc 11,28).

Vamos partilhar nossa experiência com a Palavra.


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- Qual destes textos mais lhe chamou a atenção? Por quê?


- Os textos apresentaram várias funções para a Palavra de Deus em nossa vida. De qual delas estamos
mais necessitados nos dias de hoje? Por quê?

APROFUNDAR O TEMA
Vamos conhecer um pouco mais sobre a Bíblia:
Bíblia é uma palavra grega (biblion) que significa “livro”, rolo. A Bíblia é uma coleção de livros, uma
pequena biblioteca que contém 73 livros de épocas e autores diferentes. Nela encontramos a Palavra de
Deus expressa pela palavra dos homens.
Quem escreveu a Bíblia? Ela não provém de um ditado feito por Deus a alguns homens, como muitos
imaginam. Os textos sagrados são fruto da experiência que o povo teve com Deus. Estes, então, resolveram
deixar por escrito essa relação com Deus, daí nasceu a Bíblia. Ela foi escrita por homens e mulheres,
jovens e idosos, sacerdotes e profetas, pessoas intelectuais e de baixa instrução, agricultores e operários,
entre outros. Todos assistidos pelo Espírito Santo, que inspirou os autores sagrados a partir da realidade
em que viviam.
Quando foi escrita a Bíblia? Começou por volta do ano 1250 a.c, e concluiu-se 100 anos após o nascimento
de Jesus Cristo.
Jesus Cristo
1250 ac 930 600 100 (0) 20 50 10

Onde foi escrita? A maior parte foi escrita na palestina (Israel), a terra onde o Povo de Deus vivia, por
onde Jesus andou e onde nasceu a Igreja. Algumas partes foram escritas na Babilônia, onde o povo foi
exilado no século VI a.c. Outras partes no Egito, para onde muitos judeus foram depois do exílio. O Novo
Testamento foi escrito em hebraico, grego e aramaico.
Como de divide a Bíblia? Está dividida em duas grandes partes: Antigo e Novo Testamento. A palavra
Testamento significa aliança, acordo. O Antigo Testamento narra a experiência do Povo de Deus antes da
vinda de Jesus e contém 46 livros. Já no Novo Testamento, encontramos o registro da vida e da mensagem
de Jesus e da experiência das primeiras comunidades cristãs. A Bíblia completa tem, portanto, 73 livros.
Podemos ainda fazer uma divisão destes textos do Antigo e Novo Testamento:

ANTIGO TESTAMENTO:
Pentateuco: São os primeiros cinco livros da Bíblia – Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e
Deuterônimio.
Livros Históricos: Josué, Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias, Este
Tobias, I e II Macabeus.
Proféticos: Isaías, Jeremias, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Obdias, Jonas, Miquéias,
Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias
Sapienciais: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Eclesiástico, Cântico dos Cânticos, Sabedoria.

NOVO TESTAMENTO:
Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João
Atos: Atos dos Apóstolos
15

Cartas Paulinas: Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II


Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito, Filemôn e Hebreus
Cartas Pastorais: Tiago, I e II Pedro, I, I e III João e Judas.
Apocalipse: Apocalipse.

DIALOGANDO
1. Tenho buscado estudar a Palavra de Deus?
2. Quanto aos elementos que foram apresentados neste encontro, eu tinha conhecimento deles ou os
desconhecia totalmente?
3. Sentimos a necessidade de estudar a Palavra de Deus?
FÉ E VIDA
Como desdobramento deste encontro, convidamos cada um a ler até o próximo encontro um livro da
Bíblia. Pode ser do Novo ou Antigo Testamento, de preferência um livro que você não conheça muito.
Leia em clima de oração. Escolha uma ou duas frases que lhe tenha chamado a atenção, falado forte ao
seu coração, escreva-a em uma folha de papel e traga-a para ser partilhada no próximo encontro.

ORAÇÃO FINAL

Em clima de oração e atenção vamos rezar o Salmo 1.


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6º ENCONTRO – SABOREAR A PALAVRA DE DEUS: O MÉTODO DA LEITURA ORANTE

[Ele me disse:] “Filho do homem, alimenta teu ventre e


sacia as entranhas com este rolo que te dou”.
Eu o comi, e era doce como mel em minha boca. (Ezequiel 3,3)

AMBIENTAÇÃO
Todos sentados em círculo. Coloque no centro uma Bíblia ladeada por velas e algumas flores. Neste
encontro, particularmente, o ambiente deve dar centralidade à Sarada Escritura.

APRESENTACÃO DO TEMA
No encontro anterior conhecemos um pouco mais sobre a Sagrada Escritura, sua origem, sua estrutura e
a forma de consulta-la. Agora que já temos noção de sua organização e de sua importância na vida do
cristão, vamos experimentar o método da leitura orante ou lectio divina, o modelo de leitura da Bíblia
recomendado pela Igreja. Este consiste em um processo de leitura, atenta, piedosa e sem pressa da Palavra
de Deus. Primeiramente iremos conhecer o método, para depois praticá-lo.

APROFUNDAR O TEMA
A leitura orante da Sagrada Escritura, praticada há séculos pela Igreja, tem sido o lugar preferido para o
encontro com Deus. É a chamada “Lectio Divina”. Mas, “Lectio” não significa ler a Bíblia somente para
adquirir conhecimentos ou obter informações. Trata-se de um encontro profundo e íntimo com Deus que se
dirige a nós através da Palavra. É na Palavra que sentimos a unidade e a essência de Deus.
Assim, a Lectio Divina passa a ser uma Palavra rezada e não apenas lida. É uma assimilação lenta do texto
bíblico, onde a pessoa orante escuta atentamente a voz do Pai e volta o seu olhar e o seu coração para ele.
O método da leitura orante está organizado em quatro passos:
1º PASSO – LEITURA: ler lenta e atentamente o texto que já deve ter sido escolhido anteriormente. Mesmo
que já tenhamos lido o texto muitas vezes e - quem sabe - até o sabemos de cor, devemos lê-lo como se fosse
a primeira vez! Dentro de nós tudo deve ser silêncio! Deus vai falar! Precisamos escutar!!! Nada pode
atrapalhar o que o texto tem a dizer, por isso a necessidade de silêncio tanto interno quanto externo. Nada de
preocupar-se em tirar alguma mensagem, algum ensinamento. Aqui nos perguntamos: o que o texto diz? O
que não diz abertamente? Quais as palavras que estão repetidas? Quem são os personagens e qual a
reação deles? O que fazem e o que sentem? Precisamos entrar no texto, fazer parte da cena, tornar-nos
atores, conversar com o texto e através dele, com o autor do texto. Ajuda muito, lermos o texto repetidas vezes
até memorizarmos, até o texto fazer parte de nós mesmos; sublinhar palavras ou expressões que chamam
atenção, destacar os verbos.
2º PASSO - A MEDITAÇÃO: Meditar é dialogar, guardar, repetir, ruminar a Palavra, como diziam os
antigos. No segundo passo tratamos de descobrir o que Deus quer nos falar através do texto lido. Devemos nos
perguntar: o que Deus fala para mim/para nós? Deus nos fala no silêncio e no silêncio escutamos a voz de
Deus. Perguntamos: Qual versículo me chamou mais a atenção? Qual apelo que Deus me faz? O que devo
fazer? O que preciso mudar em minha vida? A Palavra é uma presença viva que vai se mostrando, iluminando,
consolando, exortando, levando a uma mudança de vida e fazendo emergir novo sentido para a vida. É o
momento de atualizarmos o texto para a nossa realidade e descobrirmos o que Deus quer e espera de nós.
Sempre que nos confrontarmos de verdade com a Palavra ela nos transforma. Ela exige mudanças, conversão.
3º PASSO - A ORAÇÃO: Na Leitura e na Meditação Deus falou conosco. Agora é o momento de nós
falarmos a Deus, de respondermos a Ele que nos falou através da Palavra. A pergunta aqui é: o que o texto
me faz/nos faz dizer a Deus? Para isso é preciso que tenhamos uma atitude de admiração diante do que Deus
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nos falou; surgirão, assim, preces de agradecimento, de louvor, de arrependimento, de súplica. É preciso ser
sincero, generoso, humilde. Falar com Deus como se fala com o melhor amigo/a. Estar convicto de sua
generosidade, bondade e misericórdia infinita. Nossa leitura Orante se transforma numa deliciosa conversa
com Deus.
4º PASSO - CONTEMPLAÇÃO/AÇÃO: Após a leitura, a meditação e a oração, chegou o momento da
contemplação. O momento de saborear a Palavra... ficar aí sem dizer nada... nenhuma palavra! Não precisamos
mais do texto. Ele já está gravado em nosso coração e na nossa mente. Nossa pergunta: como o texto ilumina
o nosso agir? Trata-se de enxergar, saborear e agir a partir do texto.. A nova conduta que nasce da Palavra
será uma atitude que nos levará a amar gratuitamente. Nessa intimidade com Deus sentir que ele me/nos
convida para algo. Aceito o convite: vou com Ele! Minha comunidade precisa de mim!

Antes de iniciar a leitura orante da Palavra de Deus é fundamental que invoquemos o Espírito Santo, pois é
somente inspirados e conduzidos por Ele é que poderemos mergulhar no mistério do amor de Deus revelado
na Sagrada Escritura. Ademais, é também fundamental que se busque uma atitude de silêncio interior a fim de
ouvirmos a voz de Deus que nos fala ao coração. Para tanto, recomenda-se uma postura corporal confortável,
respiração pausada e um ambiente propício a oração. Músicas instrumentais em volume baixo e áudios com
sons da natureza (riacho, chuva, vento, mar, pássaros) também podem ajudar a criar esse clima de intimidade
consigo mesmo e com Deus.

LEITURA ORANTE

Agora que já conhecemos as bases do método da leitura orante da


Palavra de Deus, iremos praticá-lo a parir do roteiro acima.
Mateus 7, 24-27.

DIALOGANDO

- Que diferença podemos notar entre o método da leitura orante e a forma como estávamos acostumados
a ler a Bíblia?
- Que dificuldades sentimos ao praticar a lectio divina? Como podemos explica-las?
- Esse método nos levou a uma maior intimidade com Deus e com a sua Palavra? Por quê?

FÉ E VIDA
18

Ao longo desta semana somos convidados a praticar o método da leitura orante da Palavra de Deus. Você
deverá escolher uma das parábolas a seguir e realizar um momento de Lectio Divina individualmente ou
com a sua família. Registre em seu caderno como o foi momento, o texto escolhido e o que você conseguiu
saborear da Sagrada Escritura a partir desse momento de oração com a Sagrada Escritura.

ORAÇÃO FINAL
Ao encerrarmos este encontro vamos rezar um hino bíblico que nos ensina a pedir a Deus a sabedoria, a
fim de que iluminados por ela sejamos cada vez mais assíduos na leitura, na meditação e na prática da
Palavra de Deus. (Sabedoria 9,1-6.9-11)
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7º ENCONTRO – EU CREIO , NÓS CREMOS

“... estai sempre pronto a dar a razão da vossa


esperança a todo aquele que a pedir”. 1Pd 3,15b)

AMBIENTAÇÃO
Todos sentados em círculo, como amigos e família cristã, tendo no centro uma Bíblia e uma figura ou
imagem de Jesus sorrindo. Criar um clima e ambiente de oração.

APRESENTACÃO DO TEMA

Quando participamos da missa, sobretudo, aos domingos e dia de festa, o padre convida toda a
comunidade a professar a fé, rezando o creio. Na oração do creio estão condensados todos os pontos a fé
católica. Se algum dia alguém perguntar a você, católico, em que você acredita? Basta que você reze a
oração do creio. A partir deste encontro iremos, então, procurar entender melhor algumas proposições que
rezamos nesta oração.
A fé, contudo, ultrapassa a recitação de uma oração, de uma fórmula. Ela se mostra por meio das atitudes.
É preciso transformar em atitudes aquilo que professamos com nossos lábios.

- Você consegue entender e explicar a oração do creio? Você acredita naquilo que professa na oração?
Sente necessidade de estudar e conhecer melhor está oração?

LEITURA ORANTE

Agora, conheceremos, pela Palavra de Deus, a história de alguém que, um dia, também desejou conhecer
Jesus.

Ler e meditar: 1Pd 3,13-17

Vamos nos deixar ser orientados pela Palavra de Deus. Com auxílio do Espírito Santo que ele oriente
nossa vontade e nossa firma adesão a nossa fé.

- Buscar uma atitude de silêncio interior e escuta do Senhor que nos quer falar;
- Ler e reler o texto pausadamente e observar os destaques:
 Somos chamados a praticar o bem, pois o bem é sempre maior, vem de Deus;
 Fazer o bem implica passar por dificuldades e provações. Professar a fé em Jesus Cristo num
mundo em que não se crê mais, implica sofrer, ser rejeitado;
 Somos chamados a dar as razões da nossa fé: pelo testemunho e pela explicação, convencimento;
 Não devemos ter medo de ser difamados, ultrajados por Jesus;
 Viver as verdades de Jesus Cristo, no mundo de hoje, implica ser rejeitado e rotulado?
 Sinto a necessidade de estudar a minha fé, conhecê-la mais e melhor?
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APROFUNDAR O TEMA

Para nós cristãos o crer pessoal se dissolve no crer Igreja. Somos chamados a dobrar nossa vontade em
obediência a Deus e no que ensina a Igreja, que guarda a revelação realizada em Jesus Cristo.
O homem por natureza é um sujeito de fé. Basta olharmos para a nossa rotina diária, nossas atividades
do dia-a-dia. Temos inúmeras atitudes de fé e confiança em pessoas e situações. Disso decorre a
necessidade do homem em ter fé, acreditar. Caso percamos essa dimensão da fé, acreditar seríamos
paranóicos.
Ao longo dos anos, a Igreja condensou as verdades reveladas numa oração, que como dissemos acima, no
creio. Essa oração une os cristãos, dá-nos direcionamento. Na Igreja temos uma multiplicidade de
carismas, que se desdobram nos movimentos, pastorais. Cada um a seu modo e carisma busca evangelizar.
Contudo, a definição que rezamos no creio é o que nos une, nos faz Igreja, nos converse para o mesmo
objetivo. Os carismas são diferentes, mas ambos como o mesmo objetivo, orientados pelo creio.

Esta síntese da fé não foi feita segundo as opiniões humanas: mas recolheu-se de toda a Escritura o que
nela há de mais importante, para apresentar na integra aquilo e só aquilo que a fé ensina. Tal como a
semente de mostarda contém, num pequeno grão, numerosos ramos, do mesmo modo este resumo da fé
encerra em algumas palavras todo o conhecimento da verdadeira piedade contido no Antigo e no Novo
Testamento.

“A palavra grega «symbolon» significava a metade dum objeto partido (por exemplo, um selo), que se
apresentava como um sinal de identificação. As duas partes eram justapostas para verificar a identidade
do portador. O «símbolo da fé» é, pois, um sinal de identificação e de comunhão entre os crentes.
«Symbolon» também significa resumo, coletânea ou sumário. O «símbolo da fé» é o sumário das
principais verdades da fé. Por isso, serve de ponto de referência primário e fundamental da catequese”.
(CIC, n.188)

A estas sínteses da fé chamamos-lhes «profissões de fé», porque resumem a fé professada pelos cristãos.
Chamamos-lhes «Credo», pelo facto de elas normalmente começarem pela palavra: «Creio» (em latim,
Credo). Igualmente lhes chamamos «símbolos da fé» (CIC, n.187).

Nos católicos fazemos a adesão de fé pessoal, na profissão de fé da Igreja. Damos o nosso assentimento
naquilo que crê a Igreja e a professamos com todos coração.

DIALOGANDO

1. Onde tenho buscado a minha felicidade? Eu a tenho encontrado?


2. Ao recordar os momentos felizes da minha vida, consigo perceber a ação e a presença de Jesus?
3. O fato de eu buscar a catequese de iniciação cristã nesta fase da minha vida tem a ver com o meu
desejo de felicidade ou pretendo apenas cumprir preceitos legais?
21

FÉ E VIDA

Como desdobramento deste encontro, procure perceber na sua família, no seu círculo de amizade qual o
conhecimento que eles têm sobre a fé que professam. Perceba neles se a sua atitude de fé é apenas por
uma tradição ou convicção.

ORAÇÃO FINAL

Encerrando este encontro vamos rezar o credo Niceno-Constantinopolitano:


Creio em um só Deus, Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos.
Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus, e se
encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também por nós foi crucificado
sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras, e subiu
aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os
mortos; e o seu reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do
Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; Ele que falou pelos profetas. Creio na Igreja, una,
santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para a remissão dos pecados, e espero a ressurreição
dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.
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8º ENCONTRO – CREIO EM DEUS: PAI, TODO-PODEROSO E CRIADOR

“Ninguém jamais viu a Deus;


o Filho único, que é Deus e está na intimidade do Pai, foi quem o deu a conhecer” (Jo 1,18)

AMBIENTAÇÃO
Todos sentados em círculo, como amigos e família cristã, tendo no centro uma Bíblia e uma figura de
Deus Pai

APRESENTACÃO DO TEMA
Neste encontro iremos voltar nossa atenção a primeira pessoa da santíssima trindade, Deus Pai. Vamos
destacar algumas de suas principais características que rezamos no creio e que estão reveladas na Palavra
de Deus. Nos não podemos fazer uma imagem de Deus, uma fotografia, mas podemos construir essa
relação a partir dos atributos que damos a ele. Sua imagem é formada pelos valores, características.

- Como você definiria Deus? Você dúvida da sua existência?

LEITURA ORANTE

Vamos a luz da Palavra de Deus, iluminar o nosso encontro, que a Palavra guie o nosso entendimento
para entendermos sobre Deus Pai.

Ler e meditar: Salmo 8

- Os salmos são orações que expressam a experiência íntima do autor (salmista) com Deus;
- Como essa relação aparece no salmo que lemos?
- Como Deus é apresentado no salmo?
- Que elementos da criação são destacados?
- Como o ser humano é visto no contexto da criação?
- Como o salmista se sente diante do Deus Criador?
- Ao contemplar a criação você se sente como filho amado de Deus? Por quê
- Destaque um versículo que tenha falado forte ao seu coração neste salmo.

APROFUNDAR O TEMA
Deus é trindade, ou seja, três pessoas em uma só: Pai, Filho e Espírito Santo. São da mesma natureza, da
mesma divindade. No antigo testamento temos a revelação de Deus como Pai. Já no Novo testamento
temos a revelação de Jesus Cristo, filho de Deus, que nos enviou o Espírito Santo.
Deus é Pai: O papa João Paulo I afirmou que: “Deus é Pai e nos ama como amor de mãe”. O Antigo
Testamento Deus se revela como Pai, como aquele que cuida, que guia, que provê, que pune. Já no Novo
Testamento Jesus Mostra a face de um Pai amoroso, que nos ama de forma de forma incondicional. Como
wexemplo, temos a famosa passagem do Filho Pródigo.
Muitas pessoas, sobretudo as crianças, têm grande dificuldade ter fazer essa relação de Deus como pai,
pois em muitas situações falta a figura do pai biológico, que remete naturalmente ao Pai do céu. A crise
23

da humanidade e sociedade que enfraquece e figura do pai, traz consigo uma dificuldade imensa também
na vida espiritual.

Deus é todo-poderoso: Em outras palavras, Deus pode tudo. Deus não está ausente do mundo, mas atua
nele, estava vivo na história humana, nos dramas pessoais e comunitários que vivemos. Deus, porém, não
interfere na liberdade humana, nas escolhas do homem. Ele pode até estimular, mostrar, mas a última
palavra é sempre do homem, da sua consciência.
Muitos homens, ateus especialmente, negam a existência de Deus, devido às injustiças que temos diante
dos nossos olhos: a fome, violência em geral, corrupção, guerras que matam milhões de pessoas. Muitas
se perguntam onde está Deus todo-poderoso? Precisamos entender que Deus se revela, mostra o caminho
para o homem, mas todos esses contratempos são frutos dá liberdade humana, das escolhas que o homem
faz, em muitos casos de homens que se dizem de Deus.
Percebemos, hoje, um mundo que cada vez mais distante das verdades de Deus. O homem busca
erradamente sua autonomia, sua liberdade perante Deus, mas isso só leva a humanidade para a destruição.
“O homem pode até construir um mundo sem Deus, mas a sua criação se voltará contra ele” (Papa Bento
XVI).Portanto, entender que Deus é todo-poderoso, é colocar a minha vontade segundo a vontade de
Deus, daquilo que ele quer para nós. É deixar que ele nos guie e tidos partirmos segundo a sua vontade e
desígnio.

Deus é criador: Tudo o que existe foi criado por Deus: dEle saiu e a Ele voltará. Nas primeiras páginas
da bíblia encontramos a narração da criação, um modo de explicar como Deus criou tudo, com tanto amor
e sabedoria. A ciência desenvolveu e desenvolverá várias teorias para explicar a origem do mundo: Big
bem (Grande explosão), evolucionismo de Darwin entre outras. Em todas elas, porém, podemos encontrar
perfeitamente a presença de Deus. Elas de forma alguma contradizem a criação feita por Deus. Em todas
elas encontramos um princípio e um fim, que é Deus. O modo que Deus criou o mundo, saberemos na
eternidade, mas temos a firme certeza que tudo vem de Deus.

DIALOGANDO

1. Tenho claro na minha vida que Deus é Pai?


2. Consigo dobrar minha vontade a Deus que é todo-poderoso e a ele entregar minhas escolhas e
decisões?
3. Temos a convicção que fomos criados por Deus, bem como todo o mundo ou muito duvidamos
desta verdade de fé.
4. Hoje o mundo fala tanto de reciclagem, aproveitamento da água. Será que estamos cuidando bem
da criação de Deus?

FÉ E VIDA

Como desdobramento deste primeiro encontro, leia o livro Deutoronômio 30, 15-20 e medite sobre os
dois caminhos propostos por Deus ao homem e o conselho que Ele, por amor, oferece no versículo 20.
Observe notícias em jornais, rádios, televisão ou internet e identifique nos fatos noticiados qual caminho
tem sido escolhido pelos homens e pelas mulheres. Traga para ser partilhado no próximo encontro.
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ORAÇÃO FINAL

Para encerrar este encontro rezaremos, mais uma vez, a partir da espiritualidade de São Francisco de Assis.
Ele foi um grande admirador da presença de Deus na natureza. Com o seu “Cântico das Criaturas”
louvaremos a Deus que, por amor, criou o mundo e o entregou aos nosso cuidados.

Altíssimo, Omnipotente, Bom Senhor


Teus são o Louvor, a Glória,
a Honra e toda a Bênção.

Louvado sejas, meu Senhor,


com todas as Tuas criaturas,
especialmente o senhor irmão Sol,
que clareia o dia e que,
com a sua luz, nos ilumina.
Ele é belo e radiante,
com grande esplendor;
de Ti, Altíssimo, é a imagem.

Louvado sejas, meu Senhor,


pela irmã Lua e pelas estrelas,
que no céu formaste, claras.
preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor.


pelo irmão vento,
pelo ar e pelas nuvens,
pelo sereno
e por todo o tempo
em que dás sustento
às Tuas criaturas.

Louvado sejas, meu Senhor,


pela irmã água, útil e humilde,
preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor,


pelo irmão fogo,
com o qual iluminas a noite.
Ele é belo e alegre,
vigoroso e forte.

Louvado sejas, meu Senhor,


pela nossa irmã, a mãe terra,
que nos sustenta e governa,
produz frutos diversos,
flores e ervas.
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Louvado sejas, meu Senhor,


pelos que perdoam pelo Teu amor
e suportam as enfermidades
e tribulações.

Louvado sejas, meu Senhor,


pela nossa irmã, a morte corporal,
da qual homem algum pode escapar.

Louvai todos e bendizei o meu Senhor!


Dai-Lhe graças e servi-O
com grande humildade!
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9º ENCONTRO – CREIO EM JESUS CRISTO: FILHO DE DEUS E SALVADOR

“Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes”


(Atos 2,35)

AMBIENTAÇÃO
Além da Bíblia, ter presente um crucifixo e imagens diversas de Jesus. Pode ser imagens da vida pública
de Jesus: fazendo milagres, ensinando e outras.

APRESENTACÃO DO TEMA

Neste encontro iremos refletir sobre Nosso Senhor Jesus Cristo: segunda pessoa a santíssima trindade.
Em Jesus encontramos a revelação plena de Deus. No antigo testamento Deus se revelou por meio dos
profetas, agora ele enviou seu filho, para revelar quem é Deus e nos dar a salvação eterna. Se quisermos
conhecer a Deus, olhemos para Jesus Cristo.

- Reconhecemos Jesus Cristo como salvador e atuante na história humana ou o vemos como algo distante,
longe da nossa realidade?
Qual a importância de Jesus para sua vida?

LEITURA ORANTE

Agora, conheceremos, pela Palavra de Deus, a história de alguém que, um dia, também desejou conhecer
Jesus.

Ler e meditar: Filipenses 2,6-11

Procuremos perceber o dois movimentos que o Apóstolo São Paulo descreve em relação a Jesus Cristo:
descendente (descida) e o ascendente (subida)

 Jesus, Filho Único de Deus, existia desde  Para a glória de Deus Pai
sempre junto de Deus;  Toda língua confesse que Jesus Cristo é o
 Por amor à humanidade, Ele despoja-se da Senhor;
sua condição divina;  Ao nome de Jesus se dobre todo joelho: no
 Assume a forma de escravo; céu, na terra e abaixo da terra;
 Faz-se aos homens semelhante (encarna-  Deus lhe deu um nome acima de todo
se); nome;
 Faz-se obediente até a morte;  Deus o exaltou;
 Morre na cruz (a pior das mortes);

POR ISSO
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- Como posso perceber esses dois movimentos em minha vida?

APROFUNDAR O TEMA
Jesus Cristo é o Filho único de Deus, gerado, não criado e consubstancial ao Pai. O Verbo participa da
mesma natureza divina de Deus Pai. É Deus como o Pai.
Ele foi concebido no seio da virgem Maria, por obra do Espírito Santo, sem participação humana, ou seja,
de alguma relação sexual. Assim, São José, é o pai adotivo de Jesus Cristo, aquele que Deus escolheu para
cuidar e educar Jesus aqui na terra.
Maria, mãe de Jesus, permaneceu virgem antes e depois do seu nascimento. Temos o dogma da Imaculada
conceição e da perpetua virgindade de Maria. Ao falarmos do mistério da encarnação de Jesus Cristo,
obrigatoriamente temos que falar do papel de São José e da Virgem Maria no processo de salvação.
Jesus Cristo, Filho de Deus, entrou na história a ponto de ser julgado pela autoridade da época: Pôncio
Pilatos, governador da Judéia. Isso mostra que Jesus de fato entrou na história humana, viveu este drama
para que fossemos resgatados do pecado.
Cremos firmemente que Jesus: sofreu na cruz , morreu, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia. Aqui
está o centro da nossa fé, o mistério pascal. É graças a este acontecimento salvífico que podemos falar da
Igreja, dos sacramentos, sobre a ressurreição dos mortos e a vida eterna. Se não fosse Jesus Cristo no
evento pascal, não teríamos nada disso. Todos os fundamentos têm como referência o mistério pascal.
A entrega de Jesus ao sofrimento foi livre e de inteira liberdade ao projeto do Pai. Os Evangelhos narram
que Jesus suou sangue de tanta agonia, mas venceu a tentação e cumpriu o projeto do Pai. Portanto, foi
um ato livre de amor e entrega pela humanidade.

DIALOGANDO

1. Creio nos mistério Deus, acontecidos em Jesus Cristo com a participação da Virgem Maria e São
José?
2. Como me sinto sabendo que o Filho de Deus se fez humano para salvar a humanidade?
3. Quais os efeitos desse gesto de Jesus em minha vida?
4. Que compromissos esse gesto de amor me impõe?

FÉ E VIDA

A Igreja consagra as sextas-feiras como dia de jejum e penitência. Também é costume da Igreja meditar
a via-sacra, especialmente as sextas-feiras, Sendo assim, convido você que até o próximo encontro possa
vivenciar as 15 estações da via-sacra. Em todas as Igrejas temos os quadros com as representações das
estações. Em clima de oração e mesmo com a ajuda de algum livreto reze e contemple os passos de Jesus,
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da condenação até a ressurreição. Essa era a forma de rezar de muitos santos e santos da Igreja. Observe
o tanto que Jesus nos ama durante sua oração.

ORAÇÃO FINAL

Em nossa oração final iremos agradecer a Deus pelo dom da salvação que nos foi concedido em Jesus
Cristo. Rezemos juntos Efésios 1, 1-12.
Após a oração do hino bíblico, recitaremos o Glória ao Pai.
29

10º ENCONTRO – ESPÍRITO SANTO, SATIFICADOR!

“Soprou e disse: recebei o Espírito Santo” (Jo 20,21b)

AMBIENTAÇÃO
Em círculo, como amigos e família cristã, tendo no centro a Bíblia e imagens que lembre o Espírito Santo
de Deus (pomba, água ou línguas de fogo).

APRESENTACÃO DO TEMA

Neste encontro queremos conhecer mais sobre o Espírito Santo: terceira pessoa da Santíssima Trindade.
Numa definição teológica ele é o amor entre o Pai e o Filho. Foi prometido por Jesus aos discípulos após
a sua ascensão para orientar e cuidar deles, da Igreja. Temos a firme certeza que a Igreja, cada instante, é
assistida pelo Espírito Santo nas suas decisões e processo de evangelização. Ele também nos auxilia nossa
vida particular de fé, dando-nos bons propósitos e nos encaminhando para a vida de santidade. Deixemo-
nos guiar por Ele.

- O que você sabe sobre a Pessoa do Espírito Santo? Você conhece os dons do Espírito Santo?

LEITURA ORANTE

Peçamos as luzes do Espírito Santo para bem entendermos a Palavra de Deus para que ela guie nossos
passos

Ler e meditar: At 2,1-12

- Destaquemos alguns pontos dessa leitura para nossa reflexão:

 Estavam reunidos no mesmo lugar, talvez com medo


e sair e evangelizar;
 Foram surpreendidos por um ruído vindo do céu. A
força é divina, descria como vendaval;
 Pousava sobre eles;
 Ficaram repletos do Espírito Santo: desaparece o
medo, a apatia.
 Falavam em línguas: sinal de que foram chamados a
evangelizar a todos os povos, todas as línguas e nações.
 Multidão fica perplexa: diante de dos mistérios de
Deus, o homem se cala, se curva, sente temor, admiração,
estupefação.
 Cada um entendia conforme sua língua: Deus se
abaixa a nossa altura, a nossa condição para falar conosco,
como aqueles homens. Deus sabe da nossa necessidade,
dos nossos limites e vem ao nosso encontro;
 Alguns acreditavam e outros zombavam: achavam que estavam embriagados. É preciso ter
discernimento par reconhecer a presença de Deus e coragem para testemunhar, mesmo nas
adversidades.
30

Para conversar:

O que o texto pode nos ensinar? Quais atitudes temos a Deus que se revela, que fala ao nosso coração?

Somos capazes de nos maravilharmos, ficar perplexos com as coisas de Deus?

Será que não esperamos as grandes manifestações e perdemos de vista a manifestação de Deus em nosso
dia-a-dia, nas pequena coisas?

APROFUNDAR O TEMA
O Espírito Santo é a terceira pessoa da trindade. É o amor entre o Pai e o Filho. O mistério da Santíssima
Trindade é o centro da fé cristã. Essa comunidade trina e única nos concede a essência do amor, da
unidade, da harmonia. Quanto mais formos espelho dessa comunhão existente na trindade, mais vida plena
existirá no mundo. Manifestamos que somos filhos de Deus, quando amamos e somos capazes de viver
praticando a misericórdia, compaixão, perdão e justiça para todos, sem distinção.
Foi Jesus Cristo quem nos revelou o mistério da trindade: mostrou quem é o Pai e prometeu do Espírito
Santo.
Qual a função do Espírito Santo? Essa resposta encontramos na boca de Jesus no Evangelho de João:
“Mas o defensor, o Espírito que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vós recordará tudo o
que tenho dito” (Jo 14, 26). Jesus bem sabia que os discípulos poderiam perder o ânimo, esquecer seus
ensinamentos, para isso confere a eles o dom do Espírito Santo, que os guiará na missão, até a consumação
dos tempos.
Neste sentido a Igreja, continuadora da missão de Jesus Cristo, é continuamente assistida pela ação do
Espírito Santo, prometida aos apóstolos, primeiros cristãos e governantes da Igreja. É Ele quem guia,
quem inspira as ações da Igreja, seja em sentido universal e particular. O Papa nas suas decisões conta
incessantemente e indispensavelmente com o auxílio do Espírito. Na escolha dos papas a Igreja confia ao
Espírito que suscite um pontífice que governe a Igreja de Cristo com sabedoria e guie o povo no caminho
da salvação.
Em nossas dioceses e paróquias o Espírito Santo quem ilumina os nossos bispos, padres e agentes de
pastoral. Ao seu modo, sem que as vezes percebamos, ele toca os corações, encaminha as decisões por
caminhos que nem imaginávamos, mas que são frutíferos em graça para a Igreja.
Por outro lado não podemos parar e esperar que o Espírito faça tudo, simplesmente suscite tudo. Ele age
em meio as nossas iniciativas, na nossa caminhada de fé, na caminhada de Igreja. Uma verdadeira ação
da Igreja é aquela que deixa espaço para a ação do Espírito, que não se fecha nas verdades humanas, mas
se abre a ação divina, ou seja, deixa Deus agir.
O Espírito Santo, neste sentido, é o que nos impulsiona a evangelizar, como nos relatou o texto da leitura
orante. Isso fica nítido quando encontramos uma pessoa recém “convertida”, cheia do Espírito. Seu desejo
é fazer com que mais pessoas conheçam e amem Jesus Cristo, perde a vergonha de falar o Senhor. É o
Espírito que nos dá esta graça, esse desejo, nos revela este amor por Jesus Cristo.

Onde e como recebemos a graça do Espírito Santo?


De maneira ordinária quando nos sacramentos da iniciação cristã: do batismo e da crisma. No batismo
somos mergulhados no mistério da trindade e dele recebemos o dom. Durante o rito do batismo recebemos
a unção com o Santo Óleo do Crisma: “ A unção com o santo Crisma, óleo perfumado consagrado pelo
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Bispo, significa o dom do Espírito Santo ao novo batizado. Este tornou-se um cristão, isto é, ‘ungido’ do
Espírito Santo, incorporado a Cristo, que é ungido sacerdote, profeta e rei” (CIC, n. 1241).
No sacramento da Crisma o fiel recebe de maneira plena o dom do Espírito Santo. Pela oração do Bispo
e unção do óleo, que dia recebeu no batismo, lhe é conferido todas as graças do Espírito para levar adiante
o dom do santo batismo. Sem a ação do Espírito Santo, somente pelas nossas forças humanas, seria
impossível caminhar na vida de fé e alcançar a salvação. Por isso, a Igreja nos confere este dom, essa
graça.
A função do Espírito Santo é a eterna comunhão de amor entre o Pai e o Filho, e, dentro de nós, ele
concede o dom da verdadeira liberdade humana, o dom a unidade, o dom do diálogo, da abertura. É bom
termos presentes que a ação e fé no Espírito Santo cresce e vai amadurecendo sempre mais a medida quem
que formos conduzidos pela convivência pacífica entre irmãos, amoroso e dialógica entre irmãos, quando
crescemos na vida de santidade.

DIALOGANDO

1. Tenho o hábito de rezar e pedir as graças a Espírito Santo na nossa vida, nas nossas decisões?
2. Alguém tem algum testemunho da ação do Espírito Santo na sua vida? Uma presença salvadora e
libertadora?

FÉ E VIDA

Como desdobramento deste encontro, firmemos o propósito de sempre rezemos no começo dos nossos
encontros a oração do Espírito Santo. Caso alguém ainda não tenha decorado a oração, terá até o próximo
encontro para fazer.

ORAÇÃO FINAL

Rezemos a oração do Espírito Santo, pedindo as graças de uma semana abençoada e que seja guiado na
sua presença.

- Glória a ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo


- Como era no princípio, agora e sempre. Amém!
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11º ENCONTRO – SACRAMENTO: PRESENÇA DE DEUS

“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20b)

AMBIENTAÇÃO
Traga elementos, imagens ou objetos, que lembrem os sacramentos da Igreja: água, velas, óleo, pão,
vinho, entre outros.

APRESENTACÃO DO TEMA

Iniciamos hoje mais uma etapa da nossa caminhada formativa de discípulos missionários de Jesus Cristo.
Neste bloco iremos conhecer e refletir sobre os Sacramentos da Igreja: sua fundamentação, os modos de
bem participar, sua eficácia na vida do cristão e outros. A Igreja faz os sacramentos e os sacramentos
fazem a Igreja. Bem participar dos sacramentos é imprescindível para a nossa caminhada de fé, nossa
caminhada na Igreja. Lembremos, desde já, que os sacramentos não são uma mágica, mas exigem nossa
colaboração humana, para que sua eficácia aconteça.

- Se alguém lhe perguntasse o que é sacramentos, o que você responderia? Já recebeu algum sacramento?

LEITURA ORANTE

Agora, conheceremos, pela Palavra de Deus, a história de alguém que, um dia, também desejou conhecer
Jesus.

Ler e meditar: Mc 28, 16-20

- Buscar uma atitude de silêncio interior e escuta do


Senhor que nos quer falar;
- Leia e releia o texto pausadamente;
- Reconstruir interiormente a cena onde Jesus Cristo,
ressuscitado, envia os apóstolos em missão

 Tenha presente a atenção e fidelidade dos


discípulos a Jesus: “que ele tinha indicado”
 Todos se ajoelham e alguns tem dúvida.
Somente em Jesus as dúvidas vão sendo sanadas, mas
mesmo com dúvidas não deixaram de seguir Jesus
 Alguns estavam com dúvidas, mas mesmo
assim não deixaram se seguir o mestre, de ser obedientes. A dúvida não pode nos desanimar;
 Jesus envia para anunciar a boa nova com a missão sublime de batizar e ensinar;
 Jesus estará presente na sua Igreja até o fim dos tempos;

- O que esse texto diz a nós hoje?


- Como lidamos com nossas dúvidas frente aos mistérios de Deus e a da Igreja?
- Como, de que forma, Jesus Cristo está presente entre nós, hoje? Como ele caminha conosco?
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APROFUNDAR O TEMA
Introdução
Os sacramentos da Igreja são sete e podem ser assim subdivididos:
a) Sacramentos da Iniciação à Vida Cristã (Batismo, Crisma e Eucaristia): Estes sacramentos como o
nome diz introduz, inicia alguém na fé católica. Aqui se aprende os fundamentos da fé, desenvolve as
motivações para o seguimento de Jesus Cristo e uni-se a Cristo.
b) Sacramentos de Cura (Confissão e Unção dos enfermos): Estes têm a missão curar, lavar a alma de
todo pecado, sendo a unção o alento necessário, muitas vezes, na hora do sofrimento.
c) Sacramentos de Serviço (Matrimônio e Ordem): Através destes sacramentos o fiel desenvolve
eficazmente sua vocação a santidade, recebida no batismo. Ele se coloca a serviço do Reino na missão e
vocação a ele confiada.
Destacamos ainda que entre os sacramentos a dois que são maiores: Batismo e Eucaristia. Todos os outros
sacramentos estão, de certa maneira, a serviço desses dois sacramentos.

Definições
O Catecismo da Igreja Católica define sacramentos como: “Sinais sensíveis (palavras e ações), acessíveis
à nossa humanidade atual. Realizam eficazmente a graça que significam em virtude da ação de Cristo e
pelo poder do Espírito Santo” (CIC, n.1084).
Ao desdobrarmos essa afirmação encontramos vários elementos que nos levam a compreender e vivenciar
melhor os sacramentos em nossa vida.
- Sinais sensíveis (palavras e ações): Devemos entender o termo sinal como a manifestação de Deus a
todos os homens. A criação é um sinal de Deus, suas obras é um sinal de Deus. Jesus Cristo é o sacramento
(sinal) de Deus por excelência. Nosso Senhor Jesus Cristo quando esteve na terra anunciou e revelou o
Reino de Deus por palavras (ensinamentos, exortações) e ações (milagres). Jesus, Sacramento do Pai,
estava ao alcance dos sentidos humanos.
Com a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo a Igreja recebe a missão de ser o sacramento (sinal)
de Deus entre os homens. Ela continua a obra salvadora de Jesus Cristo por Palavras (pregação,
ensinamento) e ações (liturgias, ritos).
A Igreja desempenha sua missão ministrando os sacramentos, instituídos por Jesus Cristo no mistério da
sua paixão e pelos seus ensinamentos. Hoje os sete sacramentos são os sinais sensíveis da graça de Deus,
a manifestação e o amor do Pai por cada um de nós.

DEUS PAI JESUS CRISTO IGREJA SETE SACRAMENTOS

- Acessíveis a nossa humanidade atual: Isso significa que pela nossa condição humana podemos
participar desse mistério e podemos entendê-lo, partindo das faculdades humanas. Deus na sua bondade
utiliza-se dos nossos sentidos para que possamos chegar até ele. Deus não se utilizou de meios abstratos,
mas deu-se a nós de forma acessível.
- Realizam eficazmente a graça que significam: Os sacramentos não são apenas um sinal, um teatro,
uma mera repetição de atos de Jesus Cristo. Aquilo que pelos sacramentos se celebram, de fato acontece.
Quando o padre batiza, é o próprio Cristo que batiza e o batizado recebe todas as graças inerentes a este
sacramento. Quando alguém participa do sacramento da confissão, lhe é conferido o perdão dos pecados,
pala ação de Jesus Cristo. Ou seja, eles não apenas apontam, mostram, mas realizam aquilo que estão
destinados.
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- Em virtude da ação de Cristo e pelo poder do Espírito Santo: Quem media os sacramentos é o
ministro ordenado, mas quem age é Jesus Cristo, pelo Espírito Santo. A cada sacramento que é celebrado
acontece a ação salvadora de Jesus Cristo em favor da humanidade. A cada sacramento que se repete é o
próprio Cristo que age na história, continuado a sua obra salvadora de atrair todos para si.

DIALOGANDO

1. O que significa dizer que Jesus Cristo é o sacramento do Pai?


2. Percebo nos sacramentos o mistério de Deus, sua presença ou busco os sacramentos somente para
regularizar minha situação com a Igreja?

FÉ E VIDA

Como desdobramento deste encontro procure saber como as pessoas entendem os sacramentos: como elas
definem o sacramento? Qual a importância para suas vidas? Qual a intensidade de participação?

ORAÇÃO FINAL
Rezemos juntos ao Deus, o Pai, que nos envia Jesus Cristo como Sacramento de Salvação, e O
agradeçamos pela sua ação redentora que se realiza pelos Sacramentos.

Leitor 1: Por terdes nos enviado Jesus Cristo, como sinal do vosso amor e da vossa bondade redentora...
Todos: Nós vos agradecemos, Senhor.

Leitor 2: Pela Santa Igreja, que dispensa aos vossos filhos e filhas a eficácia de vossa graça sacramental...
Todos: Nós vos agradecemos, Senhor.

Leitor 3: Pelo Sacramento do BATISMO, em cujas águas somos libertos do pecado original e nos
tornamos vossos filhos e membros da Igreja...
Todos: Nós vos agradecemos, Senhor.

Leitor 1: Pelo Sacramento da CONFIRMAÇÃO, que atualiza em nós a graça do derramamento do Espírito
Santo realizado em Pentecostes e nos torna testemunhas de Jesus Cristo nos caminhos do mudo:
Todos: Nós vos agradecemos, Senhor.

Leitor 2: Pelo Sacramento da EUCARISTIA, que nos dá como alimento o Corpo e o Sangue do vosso
Filho e antecipa para nós o banquete celete:
Todos: Nós vos agradecemos, Senhor.

Leitor 3: Pelo Sacramento do MATRIMÔNIO, pela qual tornais sagrado os laços de amor entre o homem
e a mulher e, por meio da família, dais continuidade à vossa projeto de amor criador:
Todos: Nós vos agradecemos, Senhor.

Leitor 1: Pelo Sacramento da ORDEM, pelo qual consagrais os pastores da vossa Igreja para a celebração
dos sacramentos e a condução do vosso rebanho, vos pedidmos:
Todos: Nós vos agradecemos, Senhor.
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Leitor 2: Pelo Sacramento da PENITÊNCIA, pelo qual reconduzis ao vosso coração, a todos nós, vosso
filhos e filhas que nos desviamos de vossos caminhos...
Todos: Nós vos agradecemos, Senhor.

Leitor 3: Pelo Sacramento da UNÇÃO DOS ENFERMOS, pelo qual restituís a saúde do corpo e da alma
feridos pelas doenças e enfermidades...
Todos: Nós vos agradecemos, Senhor.
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12º ENCONTRO: BATISMO: PERDÃO, FILIAÇÃO E INCORPARÇÃO A CRISTO

“... se alguém não nascer da água de Espírito não poderá entrar no Reino de Deus” (Jo 3,5c)

AMBIENTAÇÃO
Elementos que lembram o batismo: água, vela, tecido branco, imagens de algum batizado.

APRESENTACÃO DO TEMA

Como vimos no encontro anterior, neste bloco refletiremos sobre os sacramentos da Igreja. No encontro
de hoje, iremos falar sobre o Sacramento do Batismo, porta de entrada para todos os sacramentos. É pelo
batismo que nos tornamos: filhos de Deus, membros da Igreja de Cristo e somos lavados de todos os
nossos pecados. Pelo batismo nascemos para uma vida nova em Cristo. Infelizmente muitos procuram o
batismo sem a devida consciência, somente para regularizar os sacramentos, seguir uma tradição de
família ou porque todos fazem. É importantíssimo que tenhamos presentes a riqueza e graça que o batismo
nos oferece. É dom de Deus para todos os homens.

- Você já é batizado? Se não quais as motivações para buscar o sacramento do batismo?

LEITURA ORANTE

Agora, conheceremos, pela Palavra de Deus, a história de alguém que, um dia, também desejou conhecer
Jesus.

Ler e meditar: Jo 3,1-15

- São João nos apresenta a figura de Nicodemos. A ele, em diálogo, Jesus lembra que é preciso nascer do
alto para encontrar o Reino do Deus. Fazendo referencia ao batismo sublinha a nossa vocação e identidade
de cristão: viver a Cristo.

- Ler e reler o texto

- Reconstruir interiormente o texto com atenção aos diálogos, sobretudo, os ensinamentos de Jesus Cristo.
Tenha presente:

 O que faz Nicodemos ir até Jesus? O que significa está escuridão?


 Porque Nicodemos não entende a resposta de Jesus: “É preciso nascer do alto”?
 Jesus apresenta as duas dimensões da existência humana: vida segunda a carne e vida segundo o
espírito. Ressalta a necessidade de viver segundo o Espírito. Que o Espírito guie nossa vida, nas
decisões, nossas relações humanas;
 Jesus Cristo é o grande sinal. Somente Nele somos capazes de entender a nossa vocação, nossa
identidade;
 O mistério da Cruz deve sempre nos orientar;

- O que esse texto diz a nós hoje?


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- No nosso primeiro encontro refletimos sobre a figura de Zaqueu que por curiosidade seguiu Jesus. Qual
a relação que podemos estabelecer entre Zaqueu e Nicodemos? Quais as semelhanças e diferenças?
- Se pudesse ter um diálogo com Jesus, a exemplo de Nicodemos, o que perguntaria? Qual seria minha
principal preocupação? Seria material ou espiritual? Tenho equilíbrio entre estes dois elementos?

APROFUNDAR O TEMA

A palavra batismo significa mergulhar, imergir. “O mergulho na água simboliza o sepultamento na morte
de Cristo, da qual com ele ressuscita uma nova criatura” (CIC, 1214).
O batismo é a porta de entrada para todos os sacramentos. Ninguém pode receber qualquer outro
sacramento, sem antes ser batizado. Ele abre a porta ao fiel para a plena participação na vida a Igreja, em
seus direitos e deveres.
O catecismo a Igreja Católica apresenta as graças do batismo na vida o batizado:
O fruto do Batismo ou graça batismal é uma realidade rica que inclui: a remissão do pecado original e
de todos os pecados pessoais; o renascimento para uma vida nova, pela qual o homem se torna filho
adotivo do Pai, membro de Cristo, templo do Espírito Santo. Por esse fato, o batizado é incorporado na
Igreja, corpo de Cristo, e tornado participante do sacerdócio de Cristo (CIC, 1279).

Podemos aqui apresentar estas três dimensões mais importantes do batismo:


- A remissão do pecado original e de todos os pecados pessoais: Pelo batismo todos os pecados são
perdoados. Todo culpa é apagada, fazendo com que nada impeça que o batizado alcance o Reino dos
Céus. Contudo, durante a caminhada, pós-batismo, pela nossa natureza humana caímos pecamos, mas a
Igreja nos oferece o sacramento da confissão, que restaura a nossa condição adquirida no batismo.
O batismo não apaga as conseqüências do pecado (sofrimentos, doenças, fragilidades da vida) e nem a
tendência que temos ao pecado (concupiscência), mas abre as portas para o perdão que vem de Deus.
- O renascimento para uma vida nova, pela qual o homem se torna filho adotivo do Pai, membro de
Cristo, templo do Espírito Santo: O batismo nos faz filhos de Deus, ou seja, passamos de uma condição
de criatura para uma condição de filho. Essa filiação só é possível pela revelação e Jesus Cristo que se fez
um nós e nos elevou a esta condição.
Por sermos filhos de Deus somos capazes de crer e esperar em Nele, amá-lo por meio das virtudes
teologias (fé, esperança e caridade), agirmos guiados moção do Espírito Santo e pelas virtudes morais.
O batizado é incorporado na Igreja, corpo de Cristo, e tornado participante do sacerdócio de Cristo:
Pelo batismo somos membros da Igreja, pedra vida. Devemos entender aqui Igreja não como templo, mas
como aquela que congrega todos os batizados. O batizado é chamado a testemunhar as verdades da Igreja,
viver como filho de Deus e dar testemunho de cristão nas diversas realidades de sua vida. Incorporado a
Cristo, o cristão não pertence mais a si, mas aquele que morreu e ressuscitou por nós.

Particularidades do Batismo:
- O batismo é ministrado (realizado) uma só vez. Não pode e não tem sentido repetir. A Igreja católica
reconhece o batismo feito por algumas Igrejas Evangélicas. Este para ser válido deve ser realizado em
nome da Santíssima Trindade.
- Este não tem sentido ser repetido porque imprime um sinal, uma marca indelével (não se pode apagar).
Uma vez batizado, sempre batizado. A pessoa pode até negar a fé, negar Deus, negar a Igreja, mas sempre
será um batizado.
- A Igreja, por sabia tradição e apoiada em algumas passagens bíblicas, ministra o batismo às crianças.
Não se pode privar ninguém da graça de Deus, que é concedido pelo batismo. Se os pais lutam para dar o
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melhor aos seus filhos para que cresçam fisicamente e emocionalmente bem, porque privar a criança da
graça de Deus. Nada mais importante que o dom Deus.
- O ministro do batismo, por excelência, são os ministros ordenados: diáconos, padres e bispos. Eles em
nome de Cristo, realizam os sacramentos. Contudo, em extrema urgência e necessidade qualquer batizado
pode realizar o sacramento do batismo. Basta que batize em nome da Santíssima Trindade: em nome do
Pai, do Filho e do Espírito Santo e use água. Passada a urgência, é devidamente comunicada a paróquia
mais próxima para os registros e ritos complementares. Isso é somente em casos extremos, não é de praxe
ordinária.

DIALOGANDO

1. Qual o elemento espiritual do batismo mais lhe chamou a atenção, mais tocou no seu coração e na
sua vida de fé?
2. Como você percebe que as pessoas vivem o seu batismo? Tem a devida seriedade? Vivem os três
elementos centrais?

FÉ E VIDA
Procure pesquisar quantas pessoas ao seu redor que ainda não são batizadas, desconhecem essa graça de
Deus Quais são as motivações que os levaram ao sacramento do batismo?

ORAÇÃO FINAL

Ao encerrar este encontro pensemos na importância da graça batismal em nossa vida e lhe peçamos, por
meio de preces espontâneas que nos ajude a vive-la a cada dia de forma mais intensa.

Se houver, no grupo, pessoas que ainda serão batizadas, estas podem ser convidadas a se colocar no centro
do círculo. Os demais elevam, então, a Deus, preces pelos irmãos e irmãs, que em breve receberão o santo
batismo.
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13º ENCONTRO – CRISMA: TESTEMNHAS DE JESUS CRISTO NA FORÇA DO ESPIRITO SANTO

“Recebereis o poder do Espírito Santo que virá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em
Jerusalém, por toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”. (At os dos Apóstolos 1,8)

AMBIENTAÇÃO
Traga elementos, imagens ou objetos, que lembrem a presença do Espírito Santo na vida da Igreja: vela
acesa, pomba, óleo, tecido vermelho, entre outros.

APRESENTACÃO DO TEMA

Conheceremos hoje a ação da graça de Deus que se manifesta no sacramento da Crisma. Este é um dos
sacramentos da Iniciação Cristã, isto é, aqueles que estabelecem os fundamentos da vida cristã. Por meio
dele somos fortalecidos e confirmados em nossa fé por meio da presença do Espírito Santo. Trata-se do
sacramento da maturidade cristã, pois é conferido aos que são considerados adultos na fé, isto é, àqueles
que conscientemente decidem assumir a missão de testemunhar Jesus Cristo até os confins da terra. Se o
mundo, marcado pelo pecado, cheira mal, o discípulo ungido pelo Espírito Santo, é chamado a espalhar o
suave perfume de Cristo.

- O que você sabe sobre o Sacramento da Crisma?


- O que significa para você ser testemunha de Jesus Cristo? Como se dá esse testemunho?
- Você conhece a história de alguém que tenha dado a vida por causa do seu amor a Deus e ao próximo?
De onde vinha a sua força?

LEITURA ORANTE

Ler e meditar: Atos dos Apóstolos 2,1-11

- Buscar uma atitude de silêncio interior e escuta do Senhor que nos quer falar;
- Leia e releia o texto pausadamente;
- Reconstruir interiormente a cena da vinda do Espírito Santo sobre a primeira comunidade cristã,
procurando perceber a mudança que ocorre em seu interior.

O derramamento do Espírito Santo acontece 50 dias


após a Páscoa;
Para os judeus, era celebrada como a festa das
colheitas e também como festa da renovação da aliança;
A Nova Aliança em Jesus Cristo Ressuscitado
apresenta os seus primeiros frutos: uma comunidade cheia do
Espírito Santo;
A manifestação do Espírito Santo é associada a sinais
extraordinários, a própria natureza criada por Deus é afetada
pela presença do Espírito Santo: vento forte, línguas de fogo;
Cheios do Espírito Santo, os apóstolos passam a
proclamar as maravilhas de Deus em uma língua universal, que
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é entendida por todos os povos da terra, representados pelas pessoas que estavam em Jerusalém naquele
dia;
O dom do Espírito Santo é Universal. A salvação pertence a todos;
A unidade das línguas restaura a confusão estabelecida pela torre de Babel;
Aqueles que antes estavam fechados abrem-se à ação do Espírito Santo e proclamam as maravilhas
de Deus em praça pública.

O que esse texto diz a nós hoje?


Eu percebo em minha vida ação de uma força sobrenatural, o próprio Deus agindo em mim?
Eu me comprometo em levar a todas pessoas a experiência da presença de Deus em minha vida?
Eu costumo invocar o Espírito Santo? EM que situações?
Eu desejo fazer a mesma experiência que os apóstolos fizeram: receber o Espírito Santo como força
para anunciar ao mundo as maravilhas de Deus? Por quê?
Como posso anunciar Jesus de modo a alcançar o coração de todas as pessoas da terra, nas diferentes
culturas e modos de vida?

APROFUNDAR O TEMA
Na Antiga Aliança, os profetas anunciaram a comunicação do Espírito do Senhor ao Messias esperado e
a todo o povo que viria depois dEle. Deus no meio de nós, toda a vida e a missão de Jesus se desenvolvem
numa total comunhão com o Espírito Santo. Os Apóstolos recebem o Espírito Santo no Pentecostes e
anunciam "as maravilhas de Deus" (At 2,11). Comunicam aos novos batizados, mediante a imposição das
mãos, o dom do mesmo Espírito. Ao longo dos séculos, a Igreja continuou a viver do Espírito e a
comunicá-lo aos seus filhos. (CIC1285-1288 1315)
Por meio desse sacramento, ocorre no cristão a especial efusão do Espírito Santo, como a de Pentecostes.
Essa efusão imprime na alma um caráter indelével e produz um crescimento da graça batismal: enraíza
mais profundamente na filiação divina; une mais solidamente a Cristo e a sua Igreja; aumenta na alma os
dons do Espírito Santo; dá força especial para testemunhar a fé cristã. É, portanto, o Pentecostes individual
do cristão, que o faz soldado de Cristo, aquele que lutará em favor da implantação do Reino de Deus na
terra.
O gesto essencial desse sacramento, administrado pelo Bispo, consiste na oração consecratória, em que
se invoca o Espírito Santo e se pede que venha sobre o crismando o Espírito Santo Paráclito com seus sete
dons, seguida da unção da fronte com o óleo do Crisma acompanhada das palavras: <Nome> recebe, por
este sinal, o Espírito Santo, dom de Deus!”.
Por meio do Sacramento da Crisma, o fiel é enriquecido com os sete dons do Espírito Santo:
Igreja nos ensina que mediante esses dons o Espírito nos dirige para a santificação, na medida que a nossa
disposição coopera com a graça.

Pelo dom da Sabedoria o Espírito nos capacita a conhecer a Deus na intimidade e também nos leva a
conhecer a Sua vontade. Faz-nos perceber a mão de Deus em nossa vida, guiando os nossos passos.
Pelo Entendimento, ou Inteligência, nos leva a ver as pessoas e o mundo com os olhos de Deus, e não
com a nossa miopia humana, que mais enxerga os defeitos e os erros do que as qualidades e as belezas
das pessoas e das criaturas. Por esse dom somos levados a querer penetrar os mistérios de Deus e o seu
conhecimento.
O dom da Ciência nos leva a compreender e aceitar os planos de Deus revelados na Sagrada Escritura. O
dom do Conselho nos faz sábios diante da vida e nos impulsiona a procurar a Deus e a levar os outros a
Deus.
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O dom da Fortaleza nos prepara para lutar contra as tentações e o pecado. Nos faz corajosos na defesa da
fé, da “sã doutrina” (1Tm 1,10) da Igreja, e nos ajuda a vencer as zombarias e o respeito humano. A
Fortaleza também nos é dada para termos força e paciência para carregar a cruz de cada dia. Sem esse
dom nos desesperamos diante do sofrimento e da dor.

A Piedade produz em nós o amor a Deus acima de tudo, afastando-nos de toda forma de idolatria
(prazeres, amor ao dinheiro, status, fama, vanglória, poder, superstições, ocultismo, etc.) para adorar e
servir somente a Deus. Nos faz também vivermos como verdadeiros filhos de Deus, que ama o Pai com
toda a sua vida: pensamentos, palavras e obras. É também o dom que nos leva e capacita à oração
permanente e humilde que tudo alcança.
O Temor de Deus não consiste em ter medo de Deus. Jesus nos revelou o grande amor de Deus na
parábola do filho pródigo; o Pai sempre pronto a acolher e a perdoar o filho que o abandonou. Esse Temor
é o receio de ofender a Deus por ser Ele tão bom e Santo. Não é medo de ofendê-lo e ser castigado, e sim
receio de decepcioná-lo com o nosso pecado. Então, por amor a Deus, nos leva a fugir do pecado, já que
este entristece a Deus, o decepciona.

DIALOGANDO

1. Jesus, ao falar do Espírito Santo, o chama de Paráclito (Consolador, Defensor). Que situações de
sua vida necessitam do consolo e defesa do Espírito Santo?
2. Por que é importante que você receba o Sacramento da Crisma?

FÉ E VIDA

Como desdobramento deste encontro procure se recordar de pessoas que você tenha conhecido e que
sejam exemplos de soldados de Cristo. Procure conhecer mais sobre sua vida e perceber quais dons do
Espírito Santo se sobressaíam em suas vidas.

ORAÇÃO FINAL

Rezemos ao Espírito Santo para que, preparando nossos corações para receber e
viver o Sacramento da Crisma, conceda-nos os seus dons,
Ó Espírito Santo, renovai-nos com os Vossos dons.
Para que possamos ser dirigidos por Vós, no louvor das coisas de Deus, dai-nos
o dom da Sabedoria.
Para que penetremos nas profundezas da Vossa Revelação, dai-nos o dom do
Entendimento.
Para que sejamos iluminados e guiados em nossas decisões, dai-nos o dom do
Conselho.
Para que encontremos força constante, nas dificuldades, dai-nos o dom da Fortaleza.
Para que conheçamos os caminhos e as ações de Deus na nossa vida, dai-nos o dom de Ciência.
Para que sempre nos dirijamos a Deus, com confiança filial, dai-nos o dom da Piedade.
Para que vençamos o mal, fazendo o bem, dai-nos o dom do Temor de Deus.
Ó Espírito Santo, concedei-nos, com o Vosso auxílio, dar glória a Deus, agora e sempre.
Amém.
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14º ENCONTRO – EUCARISTIA

“Isto é o meu corpo que é dado por vós” (Lc 22,14-23)

AMBIENTAÇÃO
Traga elementos que remetam ao sacramento da eucaristia: pão, vinho.

APRESENTACÃO DO TEMA

O sacramento da Eucaristia, ao lado do Batismo, são os maiores sacramentos da Igreja. Todos os outros
giram em torno deles. A celebração eucarística, missa, é o sacramento que mais participamos em nossa
vida de cristão. É sempre dom Deus de Deus, que nos alimenta com pão do céu para a nossa caminhada
de fé. Infelizmente, muitos participam da Santa Missa sem conhecer devidamente os ritos, a grandeza do
mistério que estamos celebrando. Assim, muitas, vezes, a missa torna-se cansativa, desinteressante.
Durante estes encontros vamos conhecer melhor sobre a importância da eucaristia na vida da Igreja, sua
instituição feita por Jesus Cristo e como bem participar das celebrações para colher os frutos necessários.

- O que você vai a missa, você entende os ritos? Quem lhe ensinou sobre o dever de participar da Santa
Missa.

LEITURA ORANTE

Nosso Senhor Jesus Cristo antes de sua paixão morte e ressurreição, celebrou a última ceia com seus
discípulos. Nela instituiu o sacramento da Eucaristia, onde até a consumação dos tempos ele está presente
conosco, no pão e vinho.

Ler e meditar: Lc 22, 14-23

- Buscar uma atitude de silêncio interior e escuta do Senhor que nos apresenta o mistério da Santa
Eucaristia.
- Leia e releia o texto pausadamente;
- Reconstruir a cena onde Jesus Cristo com discípulos celebra a última ceia e deixa a eucaristia para a toda
a Igreja.

 Jesus quem deseja celebrar a ceia com os


apóstolos. A iniciativa é sempre de Deus, de buscar
o homem e de oferecer-se a humanidade;
 É O próprio Jesus quem diz: “Isto é meu corpo
e isto é meu sangue”. Este é o sinal da nova e eterna
aliança entre Deus e os homens;
 Jesus vive a experiência de conviver com
alguém que vai traí-lo, mas mesmo assim se dá em
amor por todos. Isso não cessa seu amor e doação;
43

 Seguimos a missão de Jesus de repetir este gesto até que ele volte no juízo final;

- O que esse texto diz a nós hoje?


- Temos nossa vida voltada ao Senhor que se doa a cada um de nós? Ou desprezamos seus mistérios?
- Temos a convicção que o Pai e Vinho são de fato o corpo e sangue do Senhor?

APROFUNDAR O TEMA
Introdução

A Eucaristia é a consagração do pão e vinho no Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Nessas espécies está
presente Jesus Cristo, não apenas simbolicamente, mas de forma real, sacramental. Jesus Cristo está lá,
escondido e presente no pão e vinho. É um mistério de fé, mas não depende da nossa fé para que aconteça,
pois é o próprio Jesus Cristo que age neste mistério.
O Rito Eucarístico foi sempre celebrado pela Igreja. Os primeiros cristãos se reuniam todos os domingos
para celebra a Fração do Pão, nome da missa nos primeiro séculos da Igreja. A comunidade era assídua
nas celebrações, nas orações. A Igreja jamais deixou de celebrar devidamente o mistério do Senhor.
Sabemos que os ritos, iluminados pelo Espírito Santo, foram sendo atualizados, mas sem nunca perder o
essencial da celebração.
Quem preside a Santa missa é somente o ministro ordenado: padre e bispo. Mesmo o diácono não pode
exercer este ofício. Estes se configuram a Cristo e Cristo age na pessoa do sacerdote, fazendo com que se
repita o mistério da última ceia.
A celebração eucarística é composta basicamente de dois momentos principais: Liturgia da Palavra e
Liturgia Eucarística. Não se pode celebrar e não se compreende a Rito Eucarístico sem o Rito da Palavra.
São dois momentos, mas formam um único rito, uma só celebração. Temos ainda os ritos que introduzem
(ritos iniciais) e os ritos finais. No próximo encontro iremos explicar mais detalhadamente sobre o rito em
si.
A eucaristia é o ápice dos sacramentos da Iniciação Cristã. Pelo batismo nascemos para Cristo, pelo
Crismo somos fortalecidos e pela eucaristia somos alimentados continuamente, repetidamente neste
mistério a que formos inseridos.
Pode participar do Sacramento da Eucaristia de forma plena aquele que: recebeu o santo batismo, tenha
recebido a devida preparação para entender o mistério que irá participar e não esteja em pecado grave.
Caso esteja em pecado deve antes, ou melhor, o quanto antes, buscar o sacramento da confissão, senão
estará participando a sua própria condenação.
Todos batizado e devidamente iniciado na fé cristã, tem o dever de participar das celebrações dominicais,
sendo considerado pecado grave faltar nessas missas, salvo ocasiões excepcionais: doenças, cuidados com
doentes, necessidades profissionais e outros. Para que seja admitido novamente ao sacramento da
eucaristia deverá se confessar.
Cristo está presente em toda ação litúrgica da Missa:
Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas ações
litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro - «O que se oferece agora
pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz» (20) - quer e sobretudo sob as espécies
eucarísticas. Está presente com o seu dinamismo nos Sacramentos, de modo que, quando alguém batiza,
é o próprio Cristo que batiza (21). Está presente na sua palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja
a Sagrada Escritura. Está presente, enfim, quando a Igreja reza e canta, Ele que prometeu: «Onde
estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles» (Mt. 18,20). (S.C, n.7)
44

DIALOGANDO

1. Qual a sua maior dificuldade em entender a Santa Missa?


2. Por que é importante ir à missa com frequência, sobretudo aos domingos?

FÉ E VIDA
Procure até o próximo encontro estudar, ler e entender as partes da missa.

ORAÇÃO FINAL

Concluamos o nosso encontro, recitando a oração que São Tomás de Aquino compôs para ser rezada antes
de cada santa missa.

Ó Deus Eterno e Todo-Poderoso, eis que me aproximo do sacramento do Vosso Filho único, Nosso Senhor
Jesus Cristo. Impuro, venho à fonte da misericórdia; cego, à luz da eterna claridade; pobre e indigente, ao
Senhor do céu e da terra. Imploro, pois, a abundância da Vossa liberalidade, para que Vos digneis curar
minha fraqueza, lavar minhas manchas, iluminar minha cegueira, enriquecer minha pobreza, vestir minha
nudez. Que eu receba o Pão dos anjos, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, com o respeito e humildade,
com a contrição e devoção, com a pureza da fé, com o propósito e intenção que convém à salvação de
minha alma. Dai-me que receba não só o Sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus Cristo, mas
também seu efeito e sua força. Ó Deus de mansidão, fazei-me acolher com tais disposições o Corpo que
Vosso Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo, recebeu da Virgem Maria. Que eu seja incorporado ao Seu
Corpo Místico e contado entre Seus membros. Ó Pai cheio de amor, fazei que, recebendo agora Vosso
Filho sob o véu do sacramento, possa eternamente contemplá-lo face a face. Amém.
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15º ENCONTRO – EUCARISTIA: A CELEBRAÇÃO DA SANTA MISSA

“Fazei isto em memória de mim (Lc 22,19)

AMBIENTAÇÃO
Este encontro deve ser feito dentro da Igreja. Iremos explicar a missa parte por parte

APRESENTACÃO DO TEMA

Neste encontro iremos estudar e refletir as partes da missa para podermos assim bem participar das
celebrações eucarísticas. Muitos católicos, infelizmente, desconhecem a beleza deste rito, desta forma, a
missa virá algo cansativo e muitos não conseguem colher os frutos que esta celebração nos oferece. Temos
vários materiais que orientam este estudo. Aqui está somente o básico, elementar. Tanto catequista como
catequizando podem e devem estudar sempre mais.

EXPLANAÇÃO DO RITO

Antes da missa começar:


A Missa começa bem antes de chegarmos à Igreja. Nos dias de semana sempre lembramos e pensamos
no final de semana: descanso, lazer, estar com a família. Devemos também desejar participar da Santa
Missa, ou seja, criar a expectativa de participar na missa dominical ou de alguma celebração de Dia
Santo.
No dia da celebração devemos separar nosso tempo para Deus. Organizar as nossas atividades para não
deixarmos a missa de lado. Devemos nos preparar para irmos à missa: colocar uma roupa bonita e
adequada, se possível ler as leituras da missa antes, chegar um tempo antes do inicio da celebração para
um momento de preparação pela oração pessoal. Evite chegar na missa atrasado, tenha reserve este tempo
para o Senhor.

Entrada do Presidente da celebração


O padre e equipe litúrgica entram em procissão. Isto nos lembra a Igreja que está a caminho, rumo a pátria
definitiva. Estamos neste mundo, mas caminhamos para o Senhor. A procissão de entrada é precedida por
um crucifixo, ou seja, é a cruz salvadora de Cristo que nos guia, seu mistério de salvação.
Quando chega ao altar o padre faz uma inclinação e depois beija o altar. Durante a missa, o pão e o vinho
são consagrados no altar, ou seja, é no altar que ocorre o mistério eucarístico. O presidente da celebração
ao chegar beija o altar, que representa Cristo, em sinal de carinho e reverência por tão sublime lugar. O
altar é um lugar importante dentro da Igreja, sendo necessário nossa reverencia.

Saudação
O padre dirige-se aos fiéis fazendo o sinal da cruz. Essa expressão "EM NOME DO PAI E DO FILHO E
DO ESPÍRITO SANTO", tem um sentido bíblico. Nome em sentido bíblico quer dizer a própria pessoa.
Isto é iniciamos a Missa colocando a nossa vida e toda a nossa ação nas mãos da Santíssima Trindade. O
sinal da cruz, significa que estamos na presença do Senhor e que compartilhamos de Sua autoridade e de
Seu poder.
Depois segue a saudação que nos lembra que estamos ali em nome de Cristo e não pode outra razão ou
ocasião.
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Ato penitencial

O Ato Penitencial é um convite para olharmos para dentro de nos mesmos, tendo presente o olhar de Deus.
Devemos reconhecer e confessar os pecados, o arrependimento deve ser sincero. É um pedido de perdão
que parte do coração com um sentido de mudança de vida e reconciliação com Deus e os irmãos.
Quando recitamos o Rito Penitencial, ficamos inteiramente receptivos à sua graça curativa: o Senhor nos
perdoa. O ate penitencial, contudo, não perdoa os pecados graves, estes somente mediante o sacramento
da confissão.
Ao perdoar e receber o perdão divino, ficamos impregnados de misericórdia: somos como uma esponja
seca que no mar da misericórdia começa a se embeber da graça e do amor que estão à nossa espera. É
quando os fiéis em uníssono dizem: “Senhor, tende piedade de nós!”

Hino de louvor
O Glória é um hino de louvor à Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. No Glória (um dos primeiros cânticos
de louvor da Igreja), entramos no louvor de Jesus diante do Pai, e a oração dEle torna-se nossa. Quando
louvamos, reconhecemos o Senhor como criador e Seu contínuo envolvimento ativo em nossas vidas. Ele
é o oleiro, nós somos a argila (Jr 18,6). Louvemos!
Nós temos a tendência a nos voltar para a súplica, ou seja, permanecemos no centro da oração. No louvor,
ao contrário, Jesus é o centro de nossa oração. Louvemos o Senhor com todo o nosso ser, pois alguma
coisa acontece quando nos esquecemos de nós mesmos. No louvor, servimos e adoramos o Senhor.

Oremos

A oração é seguida de uma pausa este é o momento que o celebrante nos convida a nos colocarmos em
oração. Durante esse tempo de silêncio cada um faça mentalmente o seu pedido a Deus. Em seguida o
padre eleva as mãos e profere a oração, oficialmente, em nome de toda a Igreja. Nesse ato de levantar as
mãos o celebrante está assumindo e elevando a Deus todas as intenções dos fiéis. Após a oração todos
respondem: amém, para dizer que aquela oração também é sua.

LITURGIA DA PALAVRA

A Liturgia da Palavra tem um conteúdo de maior importância, pois é nesta hora que Deus nos fala
solenemente. Fala a uma comunidade reunida como "Povo de Deus". A Palavra explicada, nosso
compromisso com Deus, nossas súplicas e ofertas.

Primeira leitura

E quando se inicia a Liturgia da Palavra, peçamos ao Espírito Santo que nos fale por intermédio dos
versículos bíblicos: que as leituras sejam para nós palavras de sabedoria, discernimento, compreensão e
cura.
A Primeira Leitura geralmente é tirada do Antigo Testamento, onde se encontra o passado da História da
Salvação.

Salmo responsorial

Salmo Responsorial antecede a segunda leitura, é a nossa resposta a Deus pelo que foi dito na primeira
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leitura. Ajuda-nos a rezar e a meditar na Palavra acabada de proclamar. Pode ser cantado ou recitado.

Segunda leitura
A Segunda Leitura é tirado do Novo Testamento.

Evangelho
Terminada a Segunda Leitura, segue a proclamação do Evangelho. Dentro da Liturgia da Palavra tem um
destaque maior, tanto que é que ficamos em pé o cantamos aleluia, pois o próprio Jesus Cristo vai falar
conosco. A Palavra de Deus solenemente anunciada, não pode estar "dividida" com nada: com nenhum
barulho, com nenhuma distração, com nenhuma preocupação. É como se Jesus, em Pessoa, se colocasse
diante de nós para nos falar. A Palavra do Senhor é luz para nossa inteligência, paz para nosso Espírito e
alegria para nosso coração.

Homilia
O sacerdote explica as leituras. É o próprio Jesus quem nos fala e nos convida a abrir nossos corações ao
seu amor. Reflitamos sobre suas palavras e respondamos colocando-as em prática em nossa vida.

Profissão de fé
Em seguida, os fiéis se levantamos e recitamos o Creio, resumo da nossa fé. Quando professamos a fé
dizemos que estamos de acordo com a fé da Igreja, que damos nossa adesão.

Oração da comunidade (Oração dos fiéis)


Depois de ouvirmos a Palavra de Deus e de professarmos nossa fé e confiança em Deus que nos falou,
nós colocamos em Suas mãos as nossas preces de maneira oficial e coletiva. Mesmo que o meu pedido
não seja pronunciado em voz alta, eu posso colocá-lo na grande oração da comunidade. Assim se torna
oração de toda a Igreja. E ainda de pé rogamos a Deus pelas necessidades da Igreja, da comunidade e de
cada fiel em particular. Nesse momento fazemos também nossas ofertas a Deus.

LITURGIA EUCARÍSTICA

Na Missa ou Ceia do Senhor, o Povo de Deus é convidado e reunido, sob a presidência do sacerdote, que
representa a pessoa de Cristo para celebrar a memória do Senhor.

Vem a seguir o momento mais sublime da missa: é a renovação do Sacrifício da Cruz, agora de maneira
incruenta, isto é, sem dor e sem violência. Pela ação do Espírito Santo, realiza-se um milagre contínuo: a
transformação do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo. É o milagre da Transubstanciação,
pelo qual Deus mantém as aparências do pão e do vinho (matéria) mesmo que tenha desaparecido a
substância subjacente (do pão e do vinho). Ou seja, a substância agora é inteiramente a do Corpo, Sangue,
a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, embora as aparências sejam a do pão e do vinho.

Preparação das oferendas


As principais ofertas são o pão e vinho. Essa caminhada, levando para o altar as ofertas, significa que o
pão e o vinho estão saindo das mãos do homem que trabalha. As demais ofertas representam igualmente
a vida do povo, a coleta do dinheiro é o fruto da generosidade e do trabalho dos fiéis. Deus não precisa de
esmola porque Ele não é mendigo e sim o Senhor da vida. A nossa oferta é um sinal de gratidão e contribui
na conservação e manutenção da casa de Deus. Na Missa nós oferecemos a Deus o pão e o vinho que,
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pelo poder do mesmo Deus, mudam-se no Corpo e Sangue do Senhor. Um povo de fé traz apenas pão e
vinho, mas no pão e no vinho, oferece a sua vida. O sacerdote oferece o pão a Deus, depois coloca a hóstia
sobre o corporal e prepara o vinho para oferecê-lo do mesmo modo. Ele põe algumas gotas de água no
vinho simboliza a união da natureza humana com a natureza divina. Na sua encarnação, Jesus assumiu a
nossa humanidade e reuniu, em si, Deus e o Homem. E assim como a água colocada no cálice torna-se
uma só coisa com o vinho, também nós, na Missa, nos unimos a Cristo para formar um só corpo com Ele.
O celebrante lava as mãos, essa purificação das mãos significa uma purificação espiritual do ministro de
Deus.

Santo

Prefácio é um hino "abertura" que nos introduz no Mistério Eucarístico. Por isso o celebrante convida a
Assembléia para elevar os corações a Deus, dizendo Corações ao alto"! É um hino que proclama a
Santidade de Deus e dá graças ao Senhor.

O final do Prefácio termina com a aclamação Santo, Santo, Santo... é tirado do livro do profeta Isaías (6,3)
e a repetição é um reforço de expressão para significar o máximo de santidade, embora sendo pecadores,
de lábios impuros, estamos nos preparando para receber o Corpo do Senhor.

Consagração do pão e vinho


O celebrante estende as mãos sobre o pão e vinho e pede ao Pai que os santifique enviando sobre eles o
Espírito Santo. Por ordem de Cristo e recordando o que o próprio Jesus fez na Ceia e pronuncia estas
palavras "TOMAI...
O celebrante faz uma genuflexão para adorar Jesus presente sobre o altar. Em seguida recorda que Jesus
tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente, e o deu a seus discípulos dizendo: "TOMAI......
"FAZEI ISTO" aqui cumpre-se a vontade expressa de Jesus, que mandou celebrar a Ceia.
"EIS O MISTÉRIO DA FÉ" Estamos diante do Mistério de Deus. E o Mistério só é aceito por quem crê.

Orações pela igreja


A Igreja está espalhada por toda a terra e além dos limites geográficos: está na terra, como Igreja peregrina
e militante; está no purgatório, como Igreja padecente; e está no céu como Igreja gloriosa e triunfante.

Entre todos os membros dessa Igreja, que está no céu e na terra, existe a intercomunicação da graça ou
comunhão dos Santos. Uns oram pelos outros, pois somos todos irmãos, membros da grande Família de
Deus.
A primeira oração é pelo Papa e pelo bispo Diocesano, são os pastores do rebanho, sua missão é ensinar,
santificar e governar o Povo de deus. Por isso a comunidade precisa orar muito por eles. Rezar pelos
mortos é um ato de caridade, a Igreja é mais para interceder do que para julgar, por isso na Missa rezamos
pelos falecidos. Finalmente, pedimos por nós mesmos como "povo santo e pecador".

Por Cristo, com Cristo e em Cristo


Neste ato de louvor o celebrante levanta a Hóstia e o cálice e a assembléia responde amém.

RITO DA COMUNHÃO
Pai nosso
Jesus nos ensinou a chamar a Deus de Pai e assim somos convidados a rezar o Pai-Nosso. É uma oração
de relacionamento e de entrega. Ao nos abrirmos ao Pai, uma profunda sensação de integridade e descanso
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toma conta de nós. Como cristãos, fazer a vontade do Pai é tão importante para nosso espírito quanto o
alimento é para nosso corpo.
O Pai Nosso, não é apenas uma simples fórmula de oração, nem um ensinamento teórico de doutrina.
Antes de ser ensinado por Jesus, o Pai-Nosso foi vivido plenamente pelo mesmo Cristo. Portanto, deve
ser vivido também pelos seus discípulos.
Com o Pai Nosso começa a preparação para a Comunhão Eucarística. Essa belíssima oração é a síntese
do Evangelho. Para rezarmos bem o Pai Nosso, precisamos entrar no pensamento de Jesus e na vontade
do Pai. Portanto, para eu comungar o Corpo do senhor na Eucaristia, preciso estar em "comunhão" com
meus irmãos, que são membros do Corpo Místico de Cristo.
Pai Nosso é recitado de pé, com as mãos erguidas, na posição de orante.
Pode também ser cantado, mas sem alterar a sua fórmula. após o Pai Nosso na Missa não se diz amém
pois a oração seguinte é continuação.

A paz
Após o Pai-Nosso, o sacerdote repete as palavras de Jesus: “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha
paz”. Só Deus pode dar a verdadeira paz, também só quem está em comunhão com Deus é que pode
comunicar a seus irmãos a paz.

Fração do pão
O celebrante parte da hóstia grande e coloca um pedacinho da mesma dentro do cálice, que representa a
união do Corpo e do Sangue do Senhor num mesmo Sacrifício e mesma comunhão.

Cordeiro de Deus
Tanto no Antigo como no Novo Testamento, Jesus é apresentado como o "cordeiro de Deus". Os fiéis
sentem-se indignos de receber o Corpo do Senhor e pedem perdão mais uma vez.

Comunhão

A Eucaristia é um tesouro que Jesus, o Rei imortal e eterno, deixou como Mistério da Salvação para todos
os que nele crêem. Comungar é receber Jesus Cristo, Reis dos Reis, para alimento de vida eterna. Na mesa
do Senhor recebemos o alimento espiritual.
A hora da Comunhão merece nosso mais profundo respeito, pois nos tornamos uma só coisa em Cristo. E
sabemos que essa união com Cristo é o laço de caridade que nos une ao próximo. O fruto de nossa
Comunhão não será verdadeiro se não vemos melhorar a nossa compaixão, paciência e compreensão para
com os outros.

Modo de comungar
Quem comunga recebendo a hóstia na mão deve elevar a mão esquerda aberta, para o padre colocar a
comunhão na palma da mão. O comungante imediatamente, pega a Hóstia com a direita e comunga ali
mesmo na frente do padre ou ministro. Pode ser também direto na boca.

Pós comunhão
Depois de comungar temos alguns preciosos minutos em que Nosso Senhor Jesus Cristo nos tem,
poderíamos dizer, abraçados. Perguntemos corajosamente: Senhor, que queres que eu faça? E estejamos
abertos para ouvirmos a resposta. Quantos milagres e quantas curas acontecem nesse momento em que
Deus está vivo e presente em nós! Tenha um breve momento de silêncio.
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Rito final
Seguem-se a Ação de Graças e os Ritos Finais. Despedimo-nos, e é nessa hora que começa nossa
missão: a de levar Deus àqueles que nos foram confiados, a testemunhar Seu amor em nossos gestos,
palavras a ações.

Como receber a benção


É preciso valorizar mais e receber com fé a benção solene dada no final da Missa. E a Missa termina
com a benção.

ORAÇÃO FINAL
Peçamos ao Senhor que nos dê a graça de bem participarmos da celebração eucarística, que ela seja
alimento para a nossa vida.
51

16º ENCONTRO – OS SACRAMENTOS DA CURA: PENITÊNCIA E UNÇÃO DOS ENFERMOS

“O castigo que teríamos de pagar caiu sobre ele,


com seus ferimentos veio a cura para nós”(Isaías 53,5b)

AMBIENTAÇÃO
Crucifixo ladeado por velas. Traga elementos, imagens ou objetos, que lembrem o sofrimento humano
(físico, emocional ou espiritual).

APRESENTACÃO DO TEMA

Em nossa sociedade vemos cada vez mais pessoas em busca de cura. Na televisão, pregadores das mais
diferentes igrejas prometem livrar seus fiéis de toda forma de dor e sofrimento. De fato, o sofrimento não
é vontade de Deus, mas consequência do pecado em nossas vidas.
Em nossa busca por melhor conhecer, celebrar e viver os sacramentos da Igreja, abordaremos hoje s
chamados Sacramentos da Cura: Penitência e Unção dos Enfermos, pelos quais somos unidos ao Cristo
sofredor e fortalecidos para enfrentar, suportar e superar as dores do corpo e da alma.
- Como reajo à presença da dor e do sofrimento em minha vida?
- O que significa, para mim, dizer que o sofrimento não provém de Deus?
- Como me sinto quando percebo a presença do pecado em minha vida?

LEITURA ORANTE

Ler e meditar: Marcos 2, 1-12

 Jesus surpreende a todos na sinagoga


de Cafarnaum com um ensinamento novo, uma
autoridade diferenciada;
 Diante do paralítico que lhe trazido por
seus amigos através do telhado, Jesus não
pronuncia palavras de cura, mas perdoa-lhe os
pecados;
 Jesus mostra-se comprometido com
um projeto de restauração do ser humano por
inteiro e não apenas do corpo físico;
 Há espanto dos presentes que
questionam de onde procede o poder de Jesus
para perdoar pecados, atribuição exclusiva de
Deus;
 Jesus revela-se como Deus ao perdoar os pecados do paralítico e restituir-lhe também a saúde do
corpo.

O que esse texto diz a nós hoje?


 Existem pessoas em minha vida que, como os amigos do paralítico, levam-me até Jesus?
 Que áreas da minha vida encontram-se paralisadas pelo pecado?
52

 Em momentos de doença, dor ou sofrimento, procuro apenas a cura como alívio imediato das
dificuldades ou abro-me à restauração integral que Jesus me oferece?
 Tenho clareza de que o rompimento com o pecado é indispensável para que eu experimento o
poder curador de Jesus?
 Diferencio a atitude misericordiosa do Cristo que cura da postura interesseira dos curandeiros de
plantão?

APROFUNDAR O TEMA

Cristo, o médico do corpo e da alma, instituiu os sacramentos da cura porque a vida nova,
que nos foi dada por ele nos sacramentos da iniciação cristã, pode ser enfraquecida e até perdida por causa
do pecado. Por isso, Cristo quis que a Igreja continuasse a sua obra de cura e de salvação mediante esses
dois sacramentos: a Penitência e a Unção dos Enfermos. (CIC 1420-1421 1426)

PENITÊNCIA: SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO, DO PERDÃO, DA CONFISSÃO, DA


CONVERSÃO.

Uma vez que a vida nova na graça, recebida no Batismo, não suprimiu a fraqueza da natureza humana
nem a inclinação ao pecado (ou seja, a concupiscência), Cristo instituiu esse sacramento para a conversão
dos batizados que se afastaram dele pelo peso pecado. (CIC 1425-1426 1484).
Esse sacramento foi instituído pelo Senhor Ressuscitado quando, na noite de Páscoa, apareceu a seus
Apóstolos e lhes disse: "Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a
quem os retiverdes, serão retidos" (Jo 20,22-23). CIC 1485
Assim, Cristo Ressuscitado confiou o ministério da reconciliação a seus Apóstolos, aos bispos seus
sucessores e aos presbíteros seus colaboradores, os quais se tornam, portanto, instrumentos da
misericórdia e da justiça de Deus. Eles exercem o poder de perdoar os pecados em Nome do Pai, do Filho
e do Espírito Santo.
Os efeitos do sacramento da Penitência são: a reconciliação com Deus e, portanto, o perdão dos pecados;
a reconciliação com a Igreja; a recuperação do estado de graça, se foi perdido; a remissão da pena eterna
merecida por causa dos pecados mortais e, pelo menos em parte, das penas temporais que são
consequência do pecado; a paz e a serenidade da consciência, e a consolação do espírito; o crescimento
das forças espirituais para o combate cristão. (CIC 1468-1470 1496)

UNÇÃO DOS ENFERMOS


No Antigo Testamento, o homem experimenta durante a doença o próprio limite e percebe ao mesmo
tempo que a doença está ligada, de modo misterioso, ao pecado. Os profetas entreviram que ela podia ter
também um valor redentor para os pecados próprios e dos outros. Assim, a doença era vivida diante de
Deus, a quem o homem implorava a cura. (CIC 1499-1502)
Já no Novo Testamento, a compaixão de Jesus para com os doentes e as suas numerosas curas de enfermos
são um claro sinal de que com ele chegou o Reino de Deus e, portanto, a vitória sobre o pecado, sobre o
sofrimento e sobre a morte. Com sua paixão e morte, ele dá novo sentido ao sofrimento, o qual, se unido
ao seu, pode se tornar meio de purificação e de salvação para nós e para os outros. (CIC 1503-150)
A Igreja, por sua vez, tendo recebido do Senhor a ordem de curar os enfermos compromete-se a cumpri-
la com os cuidados para com os doentes, acompanhados de oração de intercessão. Ela possui sobretudo
um sacramento específico em favor dos enfermos, instituído pelo próprio Cristo e atestado por são Tiago:
"Alguém dentre vós está doenteMande chamar os presbíteros da igreja, para que orem sobre ele, ungido-
o com óleo no nome do Senhor" (Tg 5,14). CIC 1506-1513 1526-1527
53

interpretado como sinal de que o doente está à beira da morte. No entanto, pode recebê-lo o fiel que
começa a se encontrar em perigo de morte poi doença ou velhice. O mesmo fiel pode recebê-lo
também outras vezes, quando se verifica um agravamento da doença ou quando lhe acontece uma outra
doença grave.
Esse sacramento, administrado por bispos e presbíteros, confere uma graça particular, que une mais
intimamente o doente à Paixão de Cristo, para o seu bem e o de toda a Igreja, dando-lhe conforto, paz,
coragem e até o perdão dos pecados, se o doente não pôde confessar-se. Esse sacramento permite às vezes,
se Deus o quiser, até a recuperação da saúde física. Em todo caso, essa Unção prepara o doente para a
passagem à Casa do Pai. (CIC 1520-1523 1532)

DIALOGANDO

1. De que modo esses sacramentos da cura manifestam o amor de Deus pelo seu povo?
2. Há razões para se temer a confissão ou a unção dos enfermos? Por quê?

FÉ E VIDA

No encontro de hoje conhecemos de modo mais profundo o amor de Deus que vai ao encontro dos que
erram, socorre os que sofrem e une suas dores ao mistério de sua morte e ressurreição. Procure visitar uma
pessoa que ande fragilizada pelas dores do corpo e da alma e conversar sobre as formas pelas quais Deus
vai se servindo do seu sofrimento para fazê-lo(a) crescer.

ORAÇÃO FINAL
Rezemos juntos o Canto do Servo Sofredor, por meio do qual o Profeta Isaías, 700 anos antes de Cristo,
anunciava a chegada do Messias que pagaria, em lugar do povo, de uma vez por todas, a dor e o sofrimento
humanos ocasionados pelo pecado.

Rezar Isaías 53

Ao final:
- Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!
- Como era no princípio, agora e sempre, Amém!
54

17º ENCONTRO – O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA: ASPETOS PRÁTICOS

“Eu também não te condeno. Vai, e de agora em diante, não peques mais.” (João 8,11)

AMBIENTAÇÃO
Crucifixo ladeado por velas. Traga elementos, imagens ou objetos, que lembrem o sofrimento humano
(físico, emocional ou espiritual), conforme o encontro anterior.

APRESENTACÃO DO TEMA

No último encontro, começamos a conhecer um pouco mais sobre o amor misericordioso de Deus que,
em Jesus Cristo, na força do Espirito Santo, oferece-nos a graça necessária para enfrentarmos e vencermos
o pecado e suas consequências em nossas vidas. Hoje procuraremos conhecer um pouco mais sobre a
celebração do sacramento da confissão.

- Tenho receio de confessar meus pecados? Por quê?


- Preocupo-me em examinar a minha consciência e analisar como estou agindo? Com que frequência faço
isso?

LEITURA ORANTE

Ler e meditar: Lucas 15, 11-24

 Buscar uma atitude de silêncio interior e escuta do Senhor que nos quer falar;
 Leia e releia o texto pausadamente;
 Reconstruir interiormente cada episódio dessa parábola do Pai Misericordioso;

 Pedir a herança é uma forma de romper os


laços de amor e fidelidade do filho em relação ao
Pai, é antecipar a morte deste;
 O pai respeita a liberdade do filho, mesmo
sabendo o que poderia acontecer: entrega-lhe a
herança e deixa-o partir;
 Longe do amor do Pai, o filho experimenta
uma felicidade ilusória e passageira;
 O fim do dinheiro coincide com tempos
difíceis na região em que se encontra;
 Para não morrer de fome vai ser pastor de
porcos (animal impuro para os judeus), mas nem o
alimento desses animais lhe é possível comer. É
tido como inferior aos porcos;
 Na crise, cai em si, recorda-se, com saudade,
da casa do Pai;
 Tendo aberto mão da sua condição de filho (herdeiro), decide submeter-se à condição de servo
(empregado): o importante é estar próximo do Pai;
 O Pai está à espera do filho, antecipa-se à sua chegada, ouve sua confissão, mas nem cogita dar-
lhe outro lugar, a não ser o de filho;
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 Acolhido pela misericórdia do Pai, o filho é revestido dos sinais que mostram a restituição da
dignidade que ele havia perdido: sandália, túnica e anel;
 O pai festeja o filho que retorna ao seu amor, o resgaste daquele que estava perdido.

O que esse texto diz a nós hoje?


 Alguma vez já me comportei como o filho que abandonou a casa paterna?
 Que consequências isso trouxe à minha vida?
 O que me fez retornar? Como foi esse retorno?
 Que mudanças essa experiência de partir e retornar provocaram em minha vida?
 Eu já tive a oportunidade de receber de volta alguém que andou pelos caminhos do pecado? Como
reagir?

APROFUNDAR O TEMA

Celebrar o sacramento da Penitência é muito mais do que contar os pecados ao sacerdote. Envolve um
itinerário, um caminho que passa pela revisão da vida e pelo firme propósito de esforçar-se por não mais
ceder às tentações e viver conforme o projeto de Deus. Essa caminhada de volta para a casa do Pai, pode
ser sintetizada em cinco passos:

1 – Exame de consciência – O Filho caiu em si (Lc 15,17a): fazer um balanço desde a última confissão
sobre os males cometidos. Nesse momento, vale dizer que pecado confessado é pecado perdoado. Se um
pecado foi confessado e não mais cometido, não se confessa novamente.
2 – Contrição ou Arrependimento – “Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui,
morrendo de fome...”(Lc 15, 17b): é a atitude daquele que se arrepende do seu pecado e volta para Deus.”
3 – Propósito - “Vou me levantar, e vou encontrar meu pai...” (Lucas 15,18): é a promessa que fazemos
de evitar o pecado.
4 – Confissão ou Acusação – “'Pai, pequei contra Deus e contra ti;” (Lucas 15, 21a): comparecer diante
do sacerdote e contar-lhes os pecados. Não se preocupe: “O que o padre vai pensar de mim?” ou “O padre
é pecador como eu!”. O padre não vai ficar pensado nisso. Imagine! Se assim fosse, não iria conseguir
viver só pensando nos males do ser humano. Ele recebe a graça de acolher, ouvir, dar uma direção. Por
que confessamos? Porque acreditamos no perdão e na autoridade de perdoar pecados concedida por Jesus
Cristo aos apóstolos (Jo 20,22-23). O padre é pecador, mas é um escolhido; e independente de sua
santidade, quando ele ministra e perdoa os pecados, a pessoa está perdoada.
5 – Reparação ou Penitência - “já não mereço que me chamem teu filho” (Lucas 15, 21b): O padre,
normalmente, dá alguma penitência para que o fiel repare o mal; pode ser uma oração, um gesto para que
se retome à santidade perdida pelo pecado.

ATO DE CONTRIÇÃO:
"Senhor meu Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu: por serdes Vós quem sois,
sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque Vos amo e estimo, pesa-me, Senhor,
de todo o meu coração, de Vos Ter ofendido; pesa-me também de Ter perdido o céu e merecido o inferno;
e proponho firmemente, ajudado com o auxílio de Vossa divina graça, emendar-me e nunca mais Vos
tornar a ofender. Espero alcançar o perdão de minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia." Amém!
(Catecismo da Igreja Católica)
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DIALOGANDO

1. O que mudou, a partir deste encontro, com relação à imagem que você tinha do sacramento da
Penitência?

FÉ E VIDA

Jesus está sempre disposto a acolher o pecador arrependido que deseja romper definitivamente com o
pecado e empenhar-se para conformar a sua vida aos valores do Reino de Deus. A seguir são apresentadas
algumas histórias de pessoas que tiveram sua vida transformada a partir do perdão de Jesus.. Você deverá
escolher uma delas, ler, meditar e responder, por escrito, às seguintes perguntas
1. Qual o personagem?
2. O que existia em sua vida que não agradava a Deus?
3. Como foi o encontro dele(a)com Jesus?
4. O que Jesus lhe recomendou?
5. O que a situação desse personagem ter a ver com você, com a sua vida?

Personagens:
a. A mulher adúltera (João 8,1-11);
b. Zaqueu (Lucas 19, 1-10);
c. A pecadora (Lucas 7,36-50)

ORAÇÃO FINAL

Rezemos juntos o Salmo 32, versículos 1 a 5, em louvor e agradecimento a Deus que perdoa as nossas
faltas. Concluir com o Glória ao Pai.

PREPARAÇÃO PARA A CONFISSÃO


1. Invoque o Espírito Santo. É ele quem ilumina a confesse ao vosso ministro com verdadeira dor e firme
nossa consciência e nos convence do pecado propósito de nunca mais Vos tornar a ofender. Amém
- Vinde, Espírito Santo, e enchei os corações dos vossos
fiéis, e acendei neles o fogo do vosso amor. 3. Examine a sua consciência
Enviai, Senhor o vosso Espírito, e tudo será Criado, e Examinemos cuidadosamente nossa consciência, mas
renovareis a face da terra. sem ansiedade, nem escrúpulo, procurando conhecer a
Ó Deus, que instruistes os vossos fiéis, com a luz do espécie e o número dos pecados cometidos.
Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as Sobre a Confissão precedente: Quando me confessei a
coisas, e gozemos sempre da sua consolação. Por ultima vez? Esqueci ou escondi alguma culpa grave?
Cristo, Senhor nosso, Amém. Deixei de cumprir a penitência imposta?
2. Peça a Deus a graça de uma boa confissão  Perdi a fé em Deus?
Meu Deus e Senhor, eu me preparo para o santo  Tive vergonha de praticar minha religião?
sacramento da Penitência. Iluminai o meu espírito, a  Deixei de estudar a Religião?
fim de que eu conheça claramente o número e a  Deixei de rezar de manhã, de noite?
gravidade dos meus pecados, me arrependa deles e os
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 Fui ao espiritismo, à macumba ou algum culto não  Fiz aborto?


católico?  Aconselhei e ajudei alguém a abortar?
 Acreditei em horóscopo, em superstições?  Roubei coisa de valor e ainda não restituí?
 Falei o NOME DE DEUS sem respeito?  Comprei coisa roubada e ainda não entreguei ao
 Jurei por Deus, jurei falso? dono?
 Blasfemei ou disse palavras injuriosas contra Deus?  Dei prejuízo grande aos outros e ainda não paguei?
 Fiz promessa e depois não quis cumprir?  Comprei e não paguei, pedi emprestado e não
 Faltei à Missa aos domingos; ou não santifiquei o devolvi?
domingo e dias de guarda em caso de a Santa Missa  Gastei dinheiro à toa, fui ganancioso?
não estar disponível?  Cumpri minhas obrigações?
 Na Santa Missa fiquei fora da Igreja?  Dei prejuízo ao patrão, à firma?
 Fui à Santa Missa só para agradar aos outros?  Paguei o justo salário?
 Fui à S. Missa com roupas indecentes?  Por querer, abandonei os estudos ou o emprego?
 Por minha culpa, cheguei tarde à S. Missa?  Pensei mal dos outros, falei mal dos outros?
 Por minha culpa, rezei mal. Conversei na Igreja?  Falei mentiras, fiz fofocas, fiz intrigas?
 Não fiz a Páscoa? – (confissão e comunhão)  Caluniei os outros em coisa grave?
 Sem necessidade, trabalhei aos domingos?  Fiz confissão mal feita e não a refiz?
 Desobedeci, fui malcriado, xinguei meus pais?  Por querer, comunguei com pecado grave?
 Com meu mau comportamento, entristeci meus  Pequei, dizendo antes de pecar: “depois me vou
pais? confessar”?
 Roguei pragas nos outros?
 Briguei sério com os outros?
 Guardei raiva, pensei em vingança?
 Xinguei os outros com palavras pesadas?
 Bati gravemente nos outros?
 Desejei um grande mal aos outros?
 Fui culpado do pecado dos outros?
 Convidei os outros para pecar?
 Maltratei os animais?
 Desejei ou tentei o suicídio?
 Fui guloso, bebi demais, e fiquei embriagado?
 Usei drogas?
 Olhei e pensei em coisas indecentes, por querer?
 Conversei e li coisas indecentes?
 Desejei fazer coisas indecentes?
 Fiz atos indecentes no meu corpo?
 Fiz atos indecentes com os outros (pessoas
solteiras, casadas)?
 Usei roupas indecentes?
 Assisti a filmes e novelas indecentes?
 Tomei parte em divertimentos que são ocasião de
pecado?
 Namorei ou “fiquei” por sensualidade e sem querer
compromisso?
 Namorei pessoas casadas, divorciadas?
 Cometi pecados no matrimônio?
 Evitei filhos por meios proibidos pela Igreja
(remédios, operações, etc.)?
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18º ENCONTRO - SACRAMENTOS DO SERVIÇO: ORDEM

“ Todos sacerdote é tomado no meio do povo e


representa o povo nas relações com Deus” (Hb 5,1)

AMBIENTAÇÃO
Elementos que lembram o sacramento da ordem: imagens de sacerdotes e símbolos do anúncio do
evangelho (bíblia, cajado, sandálias)

APRESENTACÃO DO TEMA

Nos católicos temos um grande apreço pelos ministros ordenados: diáconos, padres, bispos, papa.
Certamente em algum momento da nossa vida fomos agraciados por seus ensinamentos,
direcionamentos. Em momento de dificuldades, sempre pensamos em recorrer ao padre para que ele nos
oriente e nos guie humana e espiritualmente. Promover e rezar pelas vocações é o dever de todo cristão,
pois eles de forma mais sublime continua a obra de Cristo no mundo.

- Você tem a lembrança de algum padre que marcou sua vida?

LEITURA ORANTE

O sacerdote é alguém escolhido por Deus para continuar a sua obra salvadora.

Ler e meditar: Hb 5,1-10


- Ler e reler o texto

- Reconstruir interiormente o texto com atenção aos diálogos, sobretudo, os ensinamentos de Jesus
Cristo. Tenha presente:

 Sacerdote como aquele que intermédia o homem com Deus. Veja sua grande grandeza;
 Aquele que guia o povo nas suas fraquezas, corrige a ignorância para que caminhem com o
Senhor;
 Jesus Cristo é o sacerdote por excelência, o modelo. Ele além de oferecer sacrifício ele mesmo
se ofereceu;
 Sacerdote é aquele escolhido por Deus. É Deus quem toma a iniciativa?;

- O que esse texto diz a nós hoje?


- Valorizamos nossos padres e ministros ordenados? Rezamos por eles?
- Como podemos ajudá-los na sua missão?

APROFUNDAR O TEMA
A Ordem é o sacramento que transforma o leigo em diácono, o diácono em sacerdote e o sacerdote em
bispo. É o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo a seus Apóstolos continua sendo
exercida na Igreja até o fim dos tempos; é o sacramento do ministério apostólico. Possui três graus: o
diaconato (para diáconos) o presbiterado (para padres) e o episcopado (para bispos).
Juntamente com o Matrimônio são chamados de sacramento de serviço. Assim, quem é batizado e
confirmado (crismado) pode também assumir um serviço especial, pondo-se a serviço de Deus. Isso
acontece mediante os sacramentos da Ordem e do Matrimônio, por isso os mesmos são chamados
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sacramentos a serviço da comunhão e da missão, eles conferem uma graça especial para uma missão
particular na Igreja em ordem à edificação do povo de Deus, contribuindo em especial para a comunhão
eclesial e para a salvação dos outros.
A Ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo aos Seus apóstolos continua
a ser exercida na Igreja, até o fim dos tempos. Nela quem é ordenado recebe o dom do Espírito
Santo, concedido por Cristo pelo bispo e que lhe dá autoridade sagrada. Nele o sacerdote continua
sobre a terra a obra redentora de Cristo, afirma São João Maria Vianney.
Chama-se Ordem este sacramento, pois indica um corpo eclesial, do qual se passa a fazer parte, mediante
uma especial consagração (Ordenação), que, por um particular dom do Espírito Santo, permite exercer
um poder sagrado em nome e com a autoridade de Cristo para o serviço do povo de Deus. Compõe-se
de três graus, que são insubstituíveis para a estrutura orgânica da Igreja: o episcopado, o presbiterado e
o diaconato.
Os sacerdotes na Antiga Aliança encararam a sua missão como uma mediação entre o celeste e o terreno,
entre Deus e o Seu povo. Sendo Cristo, o único mediador entre Deus e a humanidade (cf. I Tm 2,5), Ele
aperfeiçoou e concluiu este sacerdócio. Depois de Cristo, o sacerdócio só pode existir em Cristo, na
imolação de Cristo na cruz e pelo chamamento e envio apostólico de Cristo.
O efeito da ordenação episcopal confere a plenitude do sacramento da Ordem, faz do bispo o legítimo
sucessor dos apóstolos, confere-lhe a missão de ensinar, santificar e governar. O ministério do bispo é,
no fundo, o ministério pastoral da Igreja, porque remonta às testemunhas de Jesus.
Ao presbítero a ordenação assinala nele, pela unção do Espírito, um caráter espiritual indelével,
configura-o a Cristo Sacerdote e torna-o capaz de agir em nome de Cristo Cabeça. Sendo cooperador da
Ordem episcopal, ele é consagrado para pregar o Evangelho, para celebrar o culto divino, sobretudo a
Eucaristia, da qual o seu ministério recebe a força, e para ser o pastor dos fiéis.
Na ordenação diaconal o diácono, configurado a Cristo servo de todos, é ordenado para o serviço da
Igreja sob a autoridade do bispo, em relação ao ministério da Palavra, do culto divino, da condução
pastoral e da caridade.

DIALOGANDO

1. Qual a importância do sacerdócio ministerial na vida da Igreja?

FÉ E VIDA
Procure saber se na paróquia tem alguma vocacionado: seminário ou convento. Se possível poderia
procurar desenvolver alguma forma de ajuda, segundo suas necessidades materiais e espirituais, para os
vocacionados.

ORAÇÃO FINAL
Encerremos este encontro, rezando pelas vocações, a fim de que Jesus não deixe faltar santos pastores
para o serviço da sua Igreja.
Senhor da Messe e pastor do rebanho faz ressoar em nossos ouvidos teu forte e suave convite: “Vem e
segue-me”. Derrama sobre nós o teu Espírito, que ele nos dê sabedoria para ver o caminho e
generosidade para seguir tua voz. Senhor, que a messe não se perca por falta de operários, desperta
nossas comunidades para a missão, ensina nossa vida a ser serviço, fortalece os que querem dedicar-
se ao Reino na vida consagrada e religiosa. Senhor, que o rebanho não pereça por falta de pastores.
Sustenta a fidelidade de nossos bispos, padres, diáconos e ministros. Dá perseverança a nossos
seminaristas. Desperta o coração de nossos jovens para o ministério pastoral em tua Igreja. Senhor da
Messe e pastor do rebanho chama-nos para o serviço de teu povo. Maria, Mãe da Igreja, modelo dos
servidores dos servidores do Evangelho, ajuda-nos a responder o SIM. Amém.
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19º ENCONTRO - SACRAMENTOS DO SERVIÇO: MATRIMÔNIO

“... E os dois serão uma só carne” (Mc 10,8)

AMBIENTAÇÃO
Prepare um ambiente com símbolos que lembrem o sacramento do matrimônio.

APRESENTACÃO DO TEMA

Nestes dois últimos encontros deste bloco iremos estudar e refletir sobre o sacramento do matrimônio e
da ordem, também designados como os sacramentos do serviço.
Hoje, iremos nos deter no sacramento do matrimonio. Por vezes tão banalizado, o matrimonio foi
elevado por Jesus Cristo a sacramento, sendo sinal aos homens do amor de Deus por cada um de nós. É
na vivencia do matrimonio que homens e mulheres vivem sua vocação, na entram no Reino dos Céus.

- Qual a sua visão sobre o sacramento do matrimônio?

LEITURA ORANTE

Agora, conheceremos, pela Palavra de Deus, a história de alguém que, um dia, também desejou conhecer
Jesus.

Ler e meditar: Gn 2, 18-25

- O livro do Gênesis traz o relato da criação do mundo. O ser humano é a obra mais perfeita que Deus
criou. Ele também cria uma companheira para o homem, mulher. Ambos serão uma só carne.

- Ler e reler o texto

- Reconstruir interiormente o texto percebendo o cuidado que Deus tem para com o homem. Deus quer
que todos vivam em harmonia, em relação, cresçam mutuamente.

 Deus nos fez para viver em relação, com responsabilidade de vida;


 Deus não encontra nos outros animais algo que o completa. O homem vive na criação de Deus,
mas é na relação humana que encontramos nossa complementaridade;
 O homem dá o nome aos seres vivos, sinal de domínio sobre eles;
 Deus tira a mulher da costela de Adão. Não é da cabeça para dominar, nem dos pés para ser
dominada, mas da costela (do lado) para ser companheira;
 O homem a reconhece como companheira por excelência, como complemento

- O que esse texto diz a nós hoje?


- Como são formados nossos jovens, hoje, para a vida matrimonial? O casamento por vezes não é
banalizado?
- É preciso ver homem e mulher como companheiros, não como objetos.
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APROFUNDAR O TEMA
O matrimônio é uma instituição natural, um consórcio e uma comunhão de vida, elevado por Cristo à
dignidade de sacramento. Ele só acontece por uma livre decisão e adesão mútua, por meio de um pacto
de amor por toda a vida.
Ao mesmo tempo em que é uma graça, um dom de Deus, o matrimônio supõe também deveres e direitos
conjugais, que o diferenciam do mero 'amor sensual'; supõe também direitos e deveres em relação ao
respeito, ao modo de ser de cada um dos cônjuges, à capacidade de compreensão e de mútuo perdão. Em
relação à vida profissional requer, ainda, que seja sem cobrança e sem comparações, e que haja incentivo,
apoio e entendimentos.
Suas finalidades visam ao bem e à felicidade dos cônjuges, por meio da mútua ajuda e do exercício pleno
da sexualidade nos seus aspectos unitivo e procriativo. Portanto, a unidade e a indissolubilidade são as
propriedades essenciais do matrimônio.
Daí se deduz o significado essencial do matrimônio, que é uma vocação, selada por uma aliança de amor
conjugal, onde os dois serão "uma só carne" (cf. Gn 2, 24).

CATEQUESE DO PAPA FRANCISCO SOBRE O SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO

Hoje concluímos o ciclo de catequeses sobre os sacramentos falando do matrimônio. Este sacramento
nos conduz ao coração do desígnio de Deus, que é um desígnio de aliança com o seu povo, com todos
nós, um desígnio de comunhão. No início do Livro do Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, no ápice do
relato da criação se diz: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem
e mulher… Por isto o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que
uma só carne” (Gn 1, 27; 2, 24). A imagem de Deus é o casal matrimonial: o homem e a mulher; não
somente o homem, não somente a mulher, mas todos os dois. Esta é a imagem de Deus: o amor, a aliança
de Deus conosco é representada naquela aliança entre o homem e a mulher. E isto é muito belo! Fomos
criados para amar, como reflexo de Deus e do seu amor. E na união conjugal, o homem e a mulher
realizam esta vocação no sinal da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva.

1. Quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do matrimônio, Deus, por assim dizer,
reflete-se neles, imprime neles seus próprios traços e o caráter indelével do seu amor. O matrimônio é o
ícone do amor de Deus por nós. Também Deus, de fato, é comunhão: as três Pessoas do Pai, do Filho e
do Espírito Santo vivem desde sempre e para sempre em perfeita unidade. E é justamente esse o mistério
do matrimônio: Deus faz dois esposos uma só existência. A Bíblia usa uma expressão forte e diz “uma
única carne”, tão íntima é a união entre o homem e a mulher no matrimônio. E é justamente esse o
mistério do matrimônio: o amor de Deus que se reflete no casal que decide viver junto. Por isto, o homem
deixa a sua casa, a casa dos seus pais e vai viver com sua esposa e se une tão fortemente a ela que os
dois se tornam – diz a Bíblia – uma só carne.

Mas vocês, esposos, lembra-se disso? Estão conscientes do grande presente que o Senhor vos deu? O
verdadeiro “presente de casamento” é este! Na vossa união há o reflexo da Santíssima Trindade e com
a graça de Cristo vocês são um ícone vivo e credível de Deus e do seu amor.

2. São Paulo, na Carta aos Efésios, coloca em destaque que nos esposos cristãos se reflete um mistério
grande: a relação instituída por Cristo com a Igreja, uma relação nupcial (cfr Ef 5, 21-33). A Igreja é a
esposa de Cristo. Esta é a relação. Isto significa que o matrimônio responde a uma vocação específica e
deve ser considerada como uma consagração (cfr Gaudium et spes, 48; Familiaris consórcio, 56). É uma
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consagração: o homem e a mulher são consagrados em seu amor. Os esposos, de fato, em força do
Sacramento, são revestidos de uma verdadeira e própria missão, para que possam tornar visível, a partir
de coisas simples, cotidianas, o amor com que Cristo ama a sua Igreja, continuando a doar a vida por
ela, na fidelidade e no serviço.

3. É realmente um desígnio maravilhoso aquele que é inerente ao matrimônio! E acontece na


simplicidade e também na fragilidade da condição humana. Sabemos bem quantas dificuldades e
provações conhecem a vida de dois esposos… O importante é manter viva a ligação com Deus, que está
na base da ligação conjugal. E a verdadeira ligação é sempre com o Senhor. Quando a família reza, a
ligação se mantém. Quando o esposo reza pela esposa e a esposa reza pelo esposo, aquela ligação se
torna forte; um reza pelo outro. É verdade que na vida matrimonial há tantas dificuldades, tantas; seja o
trabalho, seja que o dinheiro não basta, seja que as crianças tenham problemas. Tantas dificuldades. E
tantas vezes o marido e a mulher se tornam um pouco nervosos e brigam entre si. Brigam, é assim,
sempre se briga no matrimônio, algumas vezes voam até os pratos. Mas não devemos ficar tristes por
isto, a condição humana é assim. E o segredo é que o amor é mais forte que o momento no qual se briga
e por isto eu aconselho aos esposos sempre: não terminem um dia no qual tenham brigado sem fazer as
pazes. Sempre! E para fazer as pazes não é necessário chamar as Nações Unidas, que venham pra casa
fazer a paz. É suficiente um pequeno gesto, um carinho, um olá! E amanhã! E amanhã se começa uma
outra vez. E esta é a vida, levá-la adiante assim, levá-la adiante com a coragem de querer vivê-la juntos.
E isto é grande, é belo! É algo belíssimo a vida matrimonial e devemos protegê-la sempre, proteger os
filhos.

Outras vezes eu disse nesta Praça uma coisa que ajuda tanto a vida matrimonial. São três palavras que
devem ser ditas sempre, três palavras que devem estar em casa: com licença, obrigado e desculpa. As
três palavras mágicas. “Com licença”: para não ser invasivo na vida dos cônjuges. Com licença, mas o
que te parece? Com licença, permito-me. “Obrigado”: agradecer o cônjuge; agradecer por aquilo que fez
por mim, agradecer por isto. Aquela beleza de dar graças! E como todos nós erramos, aquela outra
palavra que é um pouco difícil de dizê-la, mas é preciso dizê-la: “desculpa”. Com licença, obrigado e
desculpa. Com estas três palavras, com a oração do esposo pela esposa e vice-versa, com fazer as pazes
sempre antes que termine o dia, o matrimônio seguirá adiante. As três palavras mágicas, a oração e fazer
as pazes sempre. Que o Senhor vos abençoe e rezem por mim.

1. Com entendemos que o matrimonio é por toda a vida?


2. Quais as principais dificuldades para se viver o matrimônio por toda a vida?

FÉ E VIDA
Procure pesquisar quantas pessoas ao

ORAÇÃO FINAL

Pelo matrimônio cristãos, Deus confere um alicerce forte e santo à família, chamada a ser Igreja
Doméstica, façamos preces espontâneas invocando as bênçãos de Deus sobre as nossas famílias.
63

20º ENCONTRO – UMA ALIANÇA SELADA NA LEI DO AMOR

“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas.


Não vim para abolir, mas para cumprir”
(Mateus 5,17)

AMBIENTAÇÃO
Bíblia, velas, setas com os dez mandamentos

APRESENTACÃO DO TEMA

Quando andamos por uma estrada encontramos muitas placas que nos indicam como trafegar com
segurança. A obediência a elas é garantia de uma viagem tranquila. Na nossa caminhada com Deus,
temos leis que nos indicam o caminho de uma vida feliz. Elas nos expressam a preocupação de Deus
para conosco. Ele é um Pai amoroso que deseja a nossa felicidade.

- Você conhece os Mandamentos da Lei de Deus? Considera fácil segui-los.

LEITURA ORANTE

Por meio da Sagrada Escritura vamos conhecer e meditar o discurso que Moisés fez ao povo recorcando
a aliança de amor que Deus fizera com o povo no Monte Sinai.

Ler e meditar: Deuteronômio 30, 15-20

- Buscar uma atitude de silêncio interior e escuta do Senhor que nos quer indicar o caminho da felicidade;

- Ler e reler o texto pausadamente e observar os destaques:

 O tema do livro é o cumprimento da lei


como condição para entrar e permanecer na
terra com a benção de Deus;

 Linguagem de código jurídico, demonstra a


autoridade que Deus confere a Moisés e a
seriedade/ sacralidade da Aliança
(compromisso sério de fidelidade);

 As tábuas da Lei foram entregues por Deus


a Moisés como sinal de Aliança, no Monte
Sinai;

 As pessoas que viram e ouviram a proclamação da Lei já haviam morrido. Moisés recapitula os
mandamentos e fala das consequências de obedecê-la ou não;

 Deus faz uma proposta de vida e felicidade ao Povo, mas não impõe nada. Respeita o livre
arbítrio do ser humano;
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 A liberdade de escolher traz consigo a submissão às consequências;

 Não se trata de escolher cumprir a Lei por si mesma, mas de reconhecer nela o amor de Deus
que conduz e orienta o seu povo;

 O Pai, por meio de Moisés, com amor, orienta: “Escolhe, pois a vida”.

APROFUNDAR O TEMA

Chamado à bem-aventurança, mas ferido pelo pecado, o homem tem necessidade da salvação de Deus.
O auxílio divino é-lhe dado em Cristo, pela lei que o dirige e na graça que o ampara. (CIC 1949)
A lei «divina e natural» mostra ao homem o caminho a seguir para praticar o bem e atingir o seu fim.

A LEI NATURAL
A lei natural enuncia os preceitos primários e essenciais que regem a vida moral. Tem como fulcro a
aspiração e a submissão a Deus, fonte e juiz de todo o bem, assim como o sentido do outro como igual
a si mesmo. Quanto aos seus preceitos principais, está expressa no Decálogo. Esta lei é chamada natural,
não em relação à natureza dos seres irracionais, mas porque a razão que a promulga é própria da natureza
humana. (CIC 1955)

A LEI ANTIGA
Deus, nosso Criador e nosso Redentor, escolheu Israel como seu povo e revelou-lhe a sua Lei,
preparando assim a vinda de Cristo. A Lei de Moisés exprime muitas verdades naturalmente acessíveis
à razão. Estas encontram-se declaradas e autenticadas no âmago da aliança da salvação.
A Lei antiga é o primeiro estádio da lei revelada. As suas prescrições morais estão compendiadas nos
Dez Mandamentos. Os preceitos do Decálogo assentam os alicerces da vocação do homem, feito à
imagem de Deus: proíbem o que é contrário ao amor de Deus e do próximo e prescrevem o que lhe é
essencial. O Decálogo é uma luz oferecida à consciência de todo o homem, para lhe manifestar o apelo
e os caminhos de Deus e o proteger contra o mal (CIC 1961- 1962)

A NOVA LEI OU LEI EVANGÉLICA


Nos capítulos 5, 6 e 7 do Evangelho de São Mateus, Jesus, sobe à montanha, como novo Moisés e, de
lá, ensina ao povo a Nova Lei, que não vem trazer novidades, mas explica como praticar, em espírito e
em verdade a Antiga Lei.
A Lei evangélica implica a escolha decisiva entre «os dois caminhos» e a passagem à prática das palavras
do Senhor (28); resume-se na regra de ouro: «Tudo quanto quiserdes que os homens vos façam, fazei-
lho, de igual modo, vós também, pois nisso consiste a Lei e os Profetas»(Mt 7, 12) (29).
Toda a Lei evangélica se apoia no «mandamento novo» de Jesus; de nos amarmos uns aos outros como
Ele nos amou. (CIC 1971)
Jesus resume os dez mandamentos da Antiga Lei em dois: “‘Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu
coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento!’ Esse é o maior e o primeiro mandamento.
Ora, o segundo lhe é semelhante: ‘Amarás teu próximo como a ti mesmo’. Toda a Lei e os Profetas
dependem desses dois mandamentos”. (Mateus 22, 37-39)

OS DEZ MANDAMENTOS
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1° - Amar a deus sobre todas as coisas


2° - Não tomar Seu santo nome em vão
3° - Guardar domingos e festas de guarda
4° - Honrar pai e mãe
5° - Não matar
6° - Não pecar contra a castidade
7° - Não roubar
8° - Não levantar falso testemunho
9° - Não desejar a mulher do próximo
10° - Não cobiçar as coisas alheias

DEVERES PARA COM DEUS

1. Amar a Deus sobre todas as coisas


Amar a Deus sobre todas as coisas: O primeiro mandamento convida o homem a crer em Deus, a esperar
nEle e a amá-Lo acima de tudo. Por isso mesmo, a superstição é um desvio do culto que rendemos ao
verdadeiro Deus, é uma espécie de idolatria.
Alguns cristãos dizem que o culto que prestamos a imagens é uma idolatria que contraria este
mandamento, mas isso não é verdade. Deus proibe ídolos, ou seja, imagens que são adoradas como se
elas fizessem milagres.
As nossas imagens são como fotografias: nos lembram a pessoa amada. Além disso, no livro do Êxodo,
capítulo 25, vemos que o próprio Deus mandou que se fizesse imagens de dois querubins paraque fossem
colocadas sobre a Arca da Aliança. Também no Evangelho de João, capítulo 3, versículo 14 vemos a
passagem do Antigo Testamento onde, por ordem de Deus, Moisés fez uma serpente de cobre e colocou-
a sobre um poste. Essa imagem era prefiguração do Cristo, e todos os que para ela olhavam ficavam
curados.
Há também, nas catacumbas de Priscila, em Roma, local onde os primeiros cristãos se escondiam dos
perseguidores, a pintura da Virgem Maria com o menino Jesus em seus braços. Essa pintura é do sécuo
III. Não é possível que os cristãos do ano 200 fossem idólatras.
Um outro aspecto é o fato de este mandamento proibir o culto a deuses estrangeiros. Jesus Cristo é Deus
verdadeiro, portanto a veneração de Sua imagem não traz malefício algum.

2. Não tomar Seu Santo Nome em vão


Este mandamento proíbe o uso inconveniente do nome de Deus, de Maria e dos Santos.
As promessas feitas a outra pessoa em nome de Deus empenham a honra, a fidelidade, a veracidade e a
autoridade divinas. Devem, pois, em justiça, ser respeitadas.
A blasfêmia consiste em proferir contra Deus palavras de ódio, de ofensa, de desafio, em falar mal de
Deus. É também blasfemo recorrer ao nome de Deus para encobrir práticas criminosas, orpimir os povos,
torutar ou matar.

3. Guardar domingos e festas de guarda


No Antigo Testamento, o mandamento prescrevia que se guardasse o sábado. No entanto, esse dia foi
substituído pelo domingo através da Ressurreição de Cristo que, dessa forma, deu início a uma Nova e
Eterna aliança com a humanidade.
O domingo deve ser guardado em toda a Igreja como o dia de festa de preceito por excelência (Código
de Direito Canônico, cânon 1246, 1). No domingo e nos outros dias de festa de preceito, os fiéis têm a
obrigação de participar da missa (Código de Direito Canônico, cânon 1247), para isso os fiéis devem se
afastar das atividades e/ou negócios que os impeçam o culto a ser prestado a Deus nesses dias.
Nenhum fiel pode tentar impedir sem necessidade que outro cumpra este preceito.
Fonte: http://www.catequisar.com.br/texto/materia/dout/lv02/05.htm
66

DIALOGANDO

1. De que forma a prática dos mandamentos pode garantir a minha felicidade?


2. Qual a dificuldade em se cumprir os mandamentos?
3. O que percebo sobre a qualidade da minha relação com Deus a partir do estudo dos três primeiros
mandamentos?

FÉ E VIDA

A partir deste primeiro estudo sobre a Lei de Deus, procure analisar a sua relação com Ele e perceber
caminhos para melhorar a qualidade desse relacionamento.

ORAÇÃO FINAL

Ao encerrarmos este encontro, rezemos juntos o Salmo 1, 1-3.


Para concluir:
- Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém!
67

21º ENCONTRO – UMA ALIANÇA COM DEUS E O PRÓXIMO

“Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”
(João 13,35)

AMBIENTAÇÃO
Bíblia, velas, setas com os dez mandamentos

APRESENTACÃO DO TEMA

No encontro anterior, conhecemos a finalidade dos mandamentos e os princípios que eles propõem com
relação a Deus. Porém há uma outra dimensão da Lei: o nosso relacionamento com as outras pessoas.
- É possível amar a Deus sem amar o próximo?
- Como se pratica o amor ao próximo?

LEITURA ORANTE

Em seu Evangelho São Mateus nos apresenta o chamado Sermão da Montanha. Do alto de um monte,
como Moisés, Jesus se coloca como legislador e nos ensina a cumprir verdadeiramente a Lei revelada
no Monte Sinai. Mergulhemos no texto do Evangelho e deixemos que os ensinamentos do Mestre façam
eco no mais íntimo do nosso ser.

Ler e meditar: Mateus 5, 20-47

- Buscar uma atitude de silêncio interior e escuta do projeto de felicidade que Jesus vem nos revelar em
plenitude

- Ler e reler o texto pausadamente e observar os destaques:

 Os escribas e fariseus eram os especialistas na Lei,


sabiam-na com riqueza de detalhes e faziam questão de
mostrar que a praticavam;

 O problema era que eles cumpriam a lei


exteriormente, apenas para serem reconhecidos e
aplaudidos pelos outros. Ao mesmo tempo desprezavam as
pessoas que não vivam esses preceitos;

 Esses grupos usavam também a lei para oprimir o


povo. Ameaçavam com o castigo divino Faziam dos
mandamentos um fardo e propagavam a imagem de um
Deus tirano;

 Os escribas e fariseus viviam uma religião


mentirosa e hipócrita;

 Jesus não dispensa ninguém do cumprimento da Lei, mas ensina a vive-la em sua sua essência,
para além das aparências, a partir do coração;
68

 O ensinamento de Jesus baseia-se na contraposição entre a prática aparente e a vivência


verdadeira da Lei: “Ouvistes o que foi dito, eu porém vos digo”;

 Matar é muito mais que tirar a vida física;

 O adultério não se comete apenas com o corpo, mas, sobretudo com o coração;

 O vínculo matrimonial está acima das convenções humanas;

 A verdade é inegociável e dispensa juramentos;

 O dever de perdoar está acima da frieza da justiça e exige generosidade;

 O amor cristão é generoso e não tem ressalvas, inclusive com relação aos inimigos;

 A obediência à Lei fora da compreensão do projeto de felicidade de Deus para conosco nos leva
a agir como os escribas e os fariseus.

APROFUNDAR O TEMA

DEVERES PARA COM O PRÓXIMO

4. Honrar pai e mãe


De acordo com este mandamento, Deus quis que, depois Dele, honrássemos nossos pais e os que Ele,
para nosso bem, investiu de autoridade.
"A salvação da pessoa e da sociedade humana está estreitamente ligada ao bem-estar da comunidade
conjugal e familiar."
Os filhos devem aos pais respeito, gratidão, justa obediência, e ajuda. O respeito filial favorece a
harmonia de toda a vida familiar.
Os pais devem ser responsáveis por educar os filhos na Igreja e têm o dever de atender, na medida de
suas condições, às necessidades físicas e espirituais dos filhos.
Os pais também devem respeitar e favorecer a vocação de seus filhos. Lembrem e ensinem que a primeira
vocação do cristão é seguir a Jesus.

5. Não matar
Este mandamento, na verdade, é muito amplo. Entende a Santa Igreja que ele abrange não apenas a
morte em si, mas uma série de outros itens:
a) A intenção em se destruir uma pessoa, mesmo que não se consiga;
b) Abrange também pessoas que em seus negócios provocam a morte ou a fome a outras pessoas e
também àqueles que instituem leis ou estruturas sociais visando à degradação dos costumes e à corrupção
da vida religiosa;
c) O aborto em qualquer situação, exceto quando um tratamento médico para uma outra enfermidade,
por exemplo o câncer, acarreta em um aborto contra a vontade da mãe;
d) A eutanásia voluntária (prática segundo a qual se abrevia o sofrimento de um doente portador de
enfermidade incurável tirando-lhe a vida de maneira indolor);
e) O suicídio;
f) O escândalo (quando, por ação ou omissão, se permite deliberadamente que o outro peque gravemente;
g) Quando se omite ajuda a alguém;
h) Provocar guerra;
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i) A corrida armamentista (investimento em armas ao invés de condições melhores aos menos


favorecidos).
Este mandamento não engloba a defesa armada de uma nação em caso de ataque, pois se trataria de uma
legítima defesa.
A legítima defesa consiste em impedir que alguém tire nossa vida, uma vez que esta é o bem mais
precioso que possuímos na terra. Não é pecado, mesmo que acarrete na morte do agressor, se esta for a
única forma de defesa.
O Catecismo da Igreja Católica menciona como pecado contra o quinto mandamento até mesmo um
professor que se ira contra os seus alunos.

6. Não pecar contra a castidade:


Ao criar o ser humano o Senhor dá, ao homem e à mulher, de maneira igual, a dignidade pessoal. Cada
um deve reconhecer e aceitar sua identidade sexual, de acordo com o sexo que o indivíduo possua.
Jesus, Maria e José são modelos perfeitos de castidade e devem ser imitados. Ser casto consiste em
integrar a sexualidade na pessoa. Inclui também a aprendizagem do domínio pessoal.
O uso de roupas provocantes com a intenção de se chamar a atenção de alguém do sexo oposto leva a
pessoa a cometer este pecado. Em Fátima, Maria fala que ela deve ser modelo de como as mulheres
devem vestir-se. Você mulher analise a si própria e veja se está se vestindo de acordo.
Há ainda, dentro deste mesmo pecado, coisas como a masturbação, a fornicação (sexo antes do
casamento religioso), a pornografia (exibição pública dos atos sexuais), a prostituição, o estupro e a
homossexualidade.
No caso da homossexualidade, especificamente, o Catecismo reconhece que muitas pessoas no mundo
sofrem uma inclunação desordenada por pessoas do mesmo sexo, no entanto, convida a esses que
aceitem isso como uma provação e não se entreguem ao seus instintos.
Diz também que devemos acolher os homossexuais com respeito, compaixão e delicadeza e evitar todo
sinal de discriminação injusta.
Os irmãos e irmãs com tendências homossexuais são convidados, se forem cristãos, a unir ao sacrifício
da cruz do Senhor as dificuldades que possam encontrar por causa da sua condição. Devem, gradual e
resolutamente, se aproximar da perfeição cristã, através da oração e da graça sacramental, do
autodomínio, da castidade e do apoio de uma amizade desinteressada.

7. Não furtar
Não furtar ou roubar: Este mandamento proíbe a retenção indevida dos bens alheios ou a lesão do
próximo com relação a eles, seja como for.
Vale a pena lembrar que a ajuda aos pobres é uma grande virtude. Portanto, uma pessoa avarenta (mão-
de-vaca) "não entrará no Reino de Deus", diz o Apóstolo com todas as letras em 1Cor 6,10. O nosso
trabalho também é para que possamos partilhar nossos lucros com aqueles que não têm condições.
O Catecismo nos lembra que o pecado contra este mandamento exige reparação.
É necessário que o fiel arrependido restitua o valor ou a mercadoria roubada.
Este mandamento também inclui a escravidão.

8. Não levantar falso testemunho:


A verdade é a virtude que consiste em mostrar-se verdadeiro no agir e no falar, fugindo da duplicidade,
da simulação e da hipocrisia.
Este mandamento proíbe coisas como:
a) Falso testemunho e perjúrio (jurar falso, falar inverdades);

b) Respeito à reutação das pessoas (não revelar coisas que causem o prejuízo dos outros) - Isto inclui
admitir como verdadeiro, mesmo em silêncio, um defeito moral do próximo. Também aquele que, sem
razão, revela a pessoas que não sabem os defeitos dos outros;
70

c) Calúnia (invenção e propgação de inverdades a respeito de uma pessoa ao ponto que sua reputação
fique prejudicada e outras pessoas passem também a ter falsos juízos a respeito dela) - Para isso é
necessário que saibamos interpretar as palavras das pessoas quando comentam sobre as outras e a
conhecer as "duas faces" da "história";
d) Maledicência (destuir por vontade própria a reputação do próximo);
e) Fanfarronice (faltar com a verdade) e ironia (modo de exprimir-se em que se diz o contrário do que
se pensa ou sente);
f) Mentira (dizer o que é falso com a intenção de enganar);
O Catecismo menciona como pecado contra o oitavo mandamento a quebra de sigilos profissionais.

9. Não desejar a mulher do próximo


Não desejar a mulher do próximo: Este pecado pode ser evitado ou corrigido através da purificação do
coração e a prática da temperança (moderação dos instintos). Isso se faz com a oração, a prática da
castidade e da pureza da intenção e do olhar.
Da mesma forma, não sejam as mulheres casadas ou solteiras causa de desejo aos homens. Vistam-se e
comportem-se de maneira apropriada pois o pudor preserva a intimidade da pessoa. Não se deve mostrar
aquilo que deve ficar escondido.
Este mandamento menciona qualquer desejo por outra mulher, principalmente a do próximo, ainda que
seja apenas com um olhar.
Aos homens solteiros pede-se que busquem nas mulheres solteiras a pessoa com quem gostariam de se
casar, para que possam admirá-las com respeito e retidão e ter relacionamentos puros, baseados no
espírito cristão.

10. Não cobiçar as coisas alheias:


Este mandamento exige banir a inveja do coração humano. Designa o desejo pelas coisas dos outros.
Não é pecado desejar obter as coisas que pertencem aos outros através de uma maneira justa.
A inveja é um vício capital (gera outros vícios) e é, segundo Santo Agostinho, "o pecado diabólico por
excelência." Dela vêm o ódio, a maledicência, a calúnia, a alegria à desgraça alheia, e o desprazer com
a prosperidade dos outros.
O cristão deve combater este pecado através da benevolência, humildade e do abandono nas mãos da
Providência divina.
O desapego aos bens materiais é necessário para entrar no Reino dos Céus.
Fonte: http://www.catequisar.com.br/texto/materia/dout/lv02/05.htm

DIALOGANDO

1. De que forma o amor ao próximo garante a minha felicidade?


2. O que muda na minha relação com as pessoas a partir do estudo destes mandamentos?

FÉ E VIDA

Ao longo desta semana, reflita sobre os mandamentos estudados hoje e procure perceber os convites que
Deus lhe faz para melhorar a sua relação com o próximo.
71

ORAÇÃO FINAL

Ao encerrarmos este encontro, façamos, na força do Espírito Santo, o nosso compromisso com Deus de nos
esforçarmos para cumprir a sua Lei.
Se nos faltarem forças, certamente o Divino Espírito virá em auxílio de nossa fraqueza.
Rezemos juntos o Salmo 119 (118), 1-8.
Para concluir:
- Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém!
72

22º ENCONTRO – CAMINHOS PARA A FELICIDADE

“Nisto conhecerão todos que sois os meus


discípulos: se vos amardes uns aos outros”
(João 13,35)

AMBIENTAÇÃO
Bíblia, velas, cruz e um cartaz com a frase: Eu quero ser feliz!

APRESENTACÃO DO TEMA

Nos últimos encontros, meditamos sobre os mandamentos da Lei de Deus, um grande projeto de
felicidade para seus filhos e filhas, mas o que é ser feliz?
- Que modelos de felicidade a mídia nos oferece?
- Será que o conceito de felicidade que impera no mundo, coincide com a felicidade que Jesus veio nos
trazer?

LEITURA ORANTE

No Evangelho de São Mateus, no início do Sermão da Montanha, Jesus apresenta ao povo e a nós as
bem-aventuranças. Elas expressam o conceito de felicidade do Reino de Deus.
Aproximemo-nos do Cristo que nos quer falar e, atentos ouçamos o que, com amor, Ele nos vem revelar.

Ler e meditar: Mateus 5, 1-12

- Buscar uma atitude de silêncio interior e escuta da voz mansa e humilde de Jesus que nos quer apontar
o caminho da felicidade

- Ler e reler o texto pausadamente e observar os destaques:

 A expressão bem-aventurados quer dizer


“Felizes”;

 O conceito de felicidade de Jesus surpreendeu aos


seus ouvintes e também a nós;

 Não são felizes os ricos, mas os pobres em espírito;

 Não são felizes os que não levam desaforo pra


casa, mas os mansos;

 Não são felizes os que vivem num mar de rosas,


mas o aflitos;

 Não são felizes os que vivem se banqueteando,


mas o que têm fome e sede de justiça;

 Não são felizes os que se vingam, que castigam os erros alheios, mas o misericordiosos;
73

 Não são felizes os espertos e maliciosos, mas os puros de coração;

 Não são felizes os que provocam as guerras (grandes ou pequenas), mas o que promovem a
paz;

 Não são felizes os que gozam de prestígio junto aos poderosos, mas os que são perseguidos por
causa da justiça;

 Não são felizes os que pregam o Evangelho com tranquilidade, mas o que são caluniados e
injuriados por causa de Jesus;

 A felicidade porém, não está na bem aventurança em si mesma, mas na consequência da sua
prática: ter a posse do Reino dos Céus, herdar a terra, ser consolado nas aflições, ter saciada a
fome e a sede de justiça, alcançar misericórdia, ver a Deus, ser chamado filho de Deus, obter
uma grande recompensa no céu;

 Para ser feliz com Jesus é preciso coragem para andar na contramão do mundo.

APROFUNDAR O TEMA

As bem-aventuranças retomam e aperfeiçoam as promessas de Deus, desde Abraão, ordenando-as para


o Reino dos céus. Correspondem ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração do homem. (CIC
1725)
As bem-aventuranças colocam-nos perante opções decisivas relativamente aos bens terrenos; purificam
o nosso coração, para nos ensinarem a amar a Deus sobre todas as coisas.
A bem-aventurança do céu determina os critérios de discernimento no uso dos bens terrenos, em
conformidade com a Lei de Deus. (CIC 1728 – 1729)

- Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus (v.3).


Pobres são os que depositaram sua confiança em Deus enquanto última instância, porque a sociedade
lhes negava justiça. “O pobre é a pessoa honrada, piedoso, espiritualizado, justo (praticante da justiça,
“ajustado diante de Deus), aberto a Deus e por isso feliz”. O Reino é deles porque, vivendo assim,
realizam o pedido de Jesus (cf. 4,17: “Convertam-se, porque o reino do céu está próximo). Mas, por
outro lado, mundo diz: "felizes os que têm dinheiro e sabem usá-lo para comprar influências,
comodidade, poder, segurança e bem-estar". Onde está a verdadeira felicidade? Quem é, realmente,
feliz?

Bem-aventurados ao aflitos, porque serão consolados (v.4).


Esta bem-aventurança precisa ser a partir do premio merecido: o consolo. O consolo é uma realidade
que Jesus nos traz e que compreende a dor da pessoa que precisa ser consolada. Esta bem-aventurança
esclarece a vitória de Jesus sobre o pecado, a morte e a dor e quando Ele ressuscita fica mais evidente o
sentido desta vitória. Neste sentido perceberemos que o Deus de Jesus Cristo é o Deus do Consolo (cf.
Is 40, 1-5).

Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra (v.5).


Os mansos estão ligados com a realidade dos pobres, humildes. Eles têm a esperança da retribuição.
Uma ressonância encontra com o Salmo 37, onde diz: “Não se irrite por causa dos maus, nem tenha
inveja dos injustos. Ele são como erva: secam depressa, murcham logo como a relva. Confie em Javé e
74

pratique o bem... Porque os maus vão ser excluídos, e os que esperam em Javé possuirão a terra... e não
haverá mais injusto; os pobres vão possuir a terra... o injusto faz intrigas contra o justo, e contra ele range
os dentes. (Salmo 37,1-3.9-12). A expressão “herdarão a terra ou possuirão a terra” poderia ser o prêmio
do reino dos céus. Porém, este reino começa aqui nesta terra e tem um sentido de que o homem pode se
esforçar por um mundo melhor. Não foi assim a vida de Jesus! Ele curou os enfermos, a dor... saciou a
fome, a sede, pregou um Reino diferente na terra. E nós...?!?

Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados (v. 6).
A fome significa na Bíblia a tendência e a lembrança ao Deus da vida. Jesus disse: “Eu sou o pão da
vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem acredita em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35).
Os homens acreditam que Deus fará justiça aos que são oprimidos pela injustiça. A situação de “fome e
sede de justiça” clamam para que cessem a injustiça atual. A justiça corresponde ao Reinado de Deus
sobre tudo e sobre todos. Por que a esperança de justiça se cumpre em Jesus Messias e Salvador na cruz.
De fato “Javé é nossa justiça” (Jr 23,6).

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia (v. 7).


Misericórdia é uma palavra composta por “miséria e coração”. É olhar para a miséria do outro, do
próximo, de uma pessoa com o coração e não com a razão. Por isso que os “misericordiosos” têm uma
atitude diferente frente a qualquer realidade. Jesus insiste na virtude da misericórdia: “Eu quero a
misericórdia e não o sacrifício” (Mt 9,13). Então aqueles que têm o espírito de Jesus misericordioso
terão a mesma atitude de Deus que é amor, perdão, compassivo, compreensão, ajuda, a partilha, a
solidariedade... Como recompensa serão felizes e alcançarão a misericórdia.

Bem-aventurados os de puro coração, porque verão a Deus (v. 8).

Esta bem-aventurança se inspira no salmista, que diz: “aquele que tem mãos inocentes e coração puro,...
esse receberá a benção de Javé e do seu Deus salvador receberá a justiça” (Sl 24,4-5). Para os semitas,
o coração é a sede das opções profundas que marcam a vida inteira. Ser puro de coração é ter conduta
única, em perfeita sintonia com o Reino. Mas Jesus nos alerta: “é do coração que vêm as más intenções:
crimes, adultério, imoralidade, roubos, falsos testemunhos, calúnias. Essas coisas é que tornam o homem
impuro...” (Mt 15,19-20).

Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus (v. 9)
Quem trabalha para alcançar a paz entre os homens atua como Deus, porque Deus é o Deus da Paz (Rm
15,33; 16,20). A promoção da Paz, (do Shalom) é fruto misericórdia e da pureza de coração. Depois da
ressurreição Jesus saudou os Discípulos: “a paz esteja com vocês” (Jo 20, 19.21.26). A paz que propõe
o Evangelho é a dignidade da vida em todos os sentidos. Não se trata de uma paz meramente pessoal,
egoísta... mas também a nível social. Parece até contraditório, mas “somos promotores da paz e do
evangelho” e vivemos num clima de guerra, de violência, injustiça, etc... E a nossa sociedade atual
estimula: "felizes os que não têm medo de lutar contra os outros, pois só assim podem ser pessoas de
sucesso". O que é que torna o mundo melhor: a paz ou a guerra? Pensemos!!

Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus (v.10).
Temos aqui o eco da primeira bem-aventurança... “porque deles é o reino dos céus”. Quem são os
perseguidos? São os Discípulos e Missionários de Jesus. E por que são perseguidos? Por causa da justiça.
Em outras palavras são aqueles que “são ajustados” diante de Deus. Contudo, o destino que aconteceu
com Jesus (= a cruz) deverá acontecer também com os seus Discípulos.
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Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal
contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus
(v. 11-12).
A última bem-aventurança revela as tensões e conflitos enfrentados pelas comunidades siro- no meio
das quais nasceu o Evangelho de Mateus. No tempo em que o evangelho foi escrito, essas comunidades
passavam por crise de identidade, com perigo de abandono do projeto de Deus. Os conflitos vinham de
fora: a sociedade estabelecida começou a difamar os cristãos, caluniando-os e perseguindo-os. Tornava-
se difícil resistir diante das pressões e tribulações de toda espécie. O evangelho lhes lembra que ser
discípulo de Jesus é ser como os profetas do Antigo Testamento: “Desse modo perseguiram os profetas
que vieram antes de vocês” (v. 12b).

DIALOGANDO

1. Que garantias de felicidade a proposta das bem-aventuranças nos revelam?

FÉ E VIDA

Ao longo desta semana, reflita sobre as suas atitudes e identifique que situações da sua vida coincidem
com as bem-aventuranças propostas por Jesus.

ORAÇÃO FINAL

Ao finalizarmos este encontro, rezemos com o salmista e nos apropriemos das promessas de felicidade que
acompanham aqueles que seguem o caminho do Senhor, por meio do Salmo 128 (127)
Para concluir:
- Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém!
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23º ENCONTRO – A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

“Senhor, ensina-nos a orar”


(Lucas 11,1)

AMBIENTAÇÃO
Bíblia, velas, crucifixo e objetos que lembrem a oração.

APRESENTACÃO DO TEMA

Deus não quer construir conosco uma relação autoritária, de monólogo, mas busca a todo momento criar
um diálogo com seus filhos e filhas. A oração é essa forma privilegiada pelo qual nós podemos falar
com Deus, como quem fala a um amigo.

- Você costuma falar com Deus? Como e em que momentos faz isso? Como você reza?

LEITURA ORANTE

Pela Palavra de Deus, vamos conhecer um pouco do que Jesus nos diz sobre a oração e que modelo de
oração Ele nos propõe.
Mergulhemos na Palavra de Deus e percebamos as orientações de Jesus a respeito da oração, nosso
diálogo com Deus

Ler e meditar: Mateus 6, 5-14

. - Buscar uma atitude de silêncio interior e escuta do Senhor que nos quer falar para assim, podermos
responder-lhe com Palavra e com a vida.

- Ler e reler o texto pausadamente e observar os destaques:

 Jesus contrapõe o modo de orar dos fariseus com a


forma como deveriam orar os seus discípulos (interioridade
x exterioridade);
 Orar exige uma atitude de intimidade (falar a Deus
no silêncio do quarto interior, isto é, do coração);
 Mais importante que as palavras é a atitude daquele
que ora;
 Jesus não ensina uma fórmula, mas um modelo de
oração;
 Atitudes do Pai-Nosso: reconhecimento da grandeza
de Deus, desejo de praticar a sua vontade, súplica pelas
coisas cotidianas, busca da vida reconciliada com os irmãos, desejo de evitar o mal.
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APROFUNDAR O TEMA

Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado para o céu, é um grito de
gratidão e de amor, tanto no meio da tribulação como no meio da alegria. (Santa Teresinha do Menino
Jesus)

Formas de Oração
Espírito Santo, que ensina a Igreja e lhe recorda tudo o que Jesus disse, também a educa para a vida de
oração, suscitando expressões que se renovam no âmbito de formas permanentes: bênção, petição,
intercessão, ação de graças e louvor.
É porque Deus o abençoa, que o coração do homem pode, retribuindo, bendizer Aquele que é a fonte de
toda a bênção.
A oração de petição tem por objeto o perdão, a busca do Reino, bem como qualquer necessidade
verdadeira.
A oração de intercessão consiste numa petição em favor de outrem. Não conhece fronteiras e estende-se
até aos inimigos.
Toda a alegria e todo o sofrimento, todo o acontecimento e toda a necessidade podem ser matéria da
ação de graças, a qual, participando na de Cristo, deve encher a vida toda: «Dai graças em todas as
circunstâncias» (1 Ts 5, 18).
A oração de louvor, totalmente desinteressada, dirige-se a Deus: canta-O por Si próprio, glorifica-O, não
tanto pelo que Ele faz, mas sobretudo porque ELE É.

O Pai-Nosso: modelo de oração


No «Pai-nosso», as três primeiras petições têm por objecto a glória do Pai: a santificação do Nome, a
vinda do Reino e o cumprimento da divina vontade. As outras quatro petições apresentam-Lhe os nossos
desejos: pedidos concernentes à nossa vida para a alimentar ou para a curar do pecado, ou relativos ao
nosso combate para a vitória do Bem sobre o Mal.
Ao pedirmos: «santificado seja o vosso nome», entramos no desígnio de Deus, que é a santificação do
seu nome – revelado a Moisés e depois em Jesus – por nós e em nós, bem como em todas as nações e
em cada homem.
Na segunda petição, a Igreja tem em vista principalmente o regresso de Cristo e a vinda final do reinado
de Deus. Reza também pelo crescimento do Reino de Deus no «hoje» das nossas vidas.
Na terceira petição, pedimos ao Pai que una a nossa vontade à do Seu Filho para cumprir o seu desígnio
de salvação na vida do mundo.
Na quarta petição, ao dizer «dai-nos», exprimimos, em comunhão com os nossos irmãos, a nossa
confiança filial no nosso Pai dos céus. «O pão nosso» designa o alimento terrestre necessário à
subsistência de nós todos, mas também significa o Pão da Vida: a Palavra de Deus e o Corpo de Cristo.
Ele é recebido no «Hoje» de Deus, como alimento indispensável e (sobre) substancial do banquete do
Reino, antecipado na Eucaristia.
A quinta petição implora para as nossas ofensas a misericórdia de Deus, a qual não pode penetrar no
nosso coração sem nós termos sido capazes de perdoar aos nossos inimigos, a exemplo e com a ajuda de
Cristo.
Ao dizermos: «não nos deixeis cair em tentação», pedimos a Deus que não permita que enveredemos
pelo caminho que conduz ao pecado. Esta petição implora o Espírito de discernimento e de fortaleza;
solicita a graça da vigilância e a perseverança final.
Na última petição: «mas livrai-nos do Mal», o cristão roga a Deus, com a Igreja, que manifeste a vitória,
já alcançada por Cristo, sobre o «príncipe deste mundo», Satanás, o anjo que se opõe pessoalmente a
Deus e ao seu plano de salvação.
Pelo «Ámen» final, exprimimos o nosso «fiat» em relação às sete petições: «Assim seja...».
78

DIALOGANDO

1. Como costuma rezar a oração do Pai-Nosso?


2. Quais as consequências em minha vida de rezar a oração do Pai-Nosso?
3. Em que preciso melhorar em minha vida de oração.

FÉ E VIDA

Como desdobramento deste encontro, procure, ao longo desta semana, criar um espaço de diálogo com
Deus. Que sejam poucos minutos, mas que ocorra uma conversa sincera, como quem fala ao seu melhor
amigo.

ORAÇÃO FINAL

São Lucas situa a oração do Pai-Nosso a partir de um pedido dos apóstolos “Senhor, ensina-nos a orar”.
(Lucas 11,1) Encerrando este encontro peçamos ao Espírito Santo que nos ensine a orar como Jesus e
rezemos juntos a oração do Senhor. Não o façamos, porém, de forma automática, mas saboreando a
verdade de cada palavra.

Pai Nosso, que estais no Céu


Santificado seja o Vosso Nome
Venha a nós o Vosso Reino
Seja feita a Vossa Vontade,
Assim na Terra como no Céu
O Pão-Nosso de cada dia nos daí hoje
Perdoai-nos as nossas ofensas
Assim como nós perdoamos a
Quem nos tem ofendido
E não nos deixeis cair em tentação
Mas livrai-nos do Mal.

Amém
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TEMAS ESPECIAIS
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A QUARESMA

ILUMINAÇÃO BÍBLICA: Mateus 6, 1-6.16-18

A quaresma é o tempo litúrgico de


conversão, que a Igreja marca para nos
preparar para a grande festa da Páscoa. É
tempo para nos arrepender de nossos pecados
e de mudar algo de nós para sermos melhores
e poder viver mais próximos de Cristo.
A Quaresma dura 40 dias; começa na
Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo
de Ramos. Ao longo deste tempo, sobretudo
na liturgia do domingo, fazemos um esfoço
para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros
fiéis que devemos viver como filhos de Deus.
A cor litúrgica deste tempo é o roxo,
que significa luto e penitência. É um tempo de
reflexão, de penitência, de conversão
espiritual; tempo e preparação para o mistério pascal.
Na Quaresma, Cristo nos convida a mudar de vida. A Igreja nos convida a viver a Quaresma como um
caminho a Jesus Cristo, escutando a Palavra de Deus, orando, compartilhando com o próximo e praticando boas
obras. Nos convida a viver uma série de atitudes cristãs que nos ajudam a parecer mais com Jesus Cristo, já que
por ação do pecado, nos afastamos mais de Deus.
Por isso, a Quaresma é o tempo do perdão e da reconciliação fraterna. Cada dia, durante a vida, devemos
retirar de nossos corações o ódio, o rancor, a inveja, os zelos que se opõem a nosso amor a Deus e aos irmãos. Na
Quaresma, aprendemos a conhecer e apreciar a Cruz de Jesus. Com isto aprendemos também a tomar nossa cruz
com alegria para alcançar a glória da ressurreição.

40 dias
A duração da Quaresma está baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia. Nesta, é falada
dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias e
Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública,
dos 400 anos que durou o exílio dos judeus no Egito.
Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material, seguido de zeros significa o tempo de nossa
vida na terra, seguido de provações e dificuldades.

Fonte: http://www.catequisar.com.br/texto/materia/celebracoes/quaresma/15.htm

Como viver bem a Quaresma?

Neste tempo especial de graças que é a Quaresma devemos aproveitar ao máximo para fazermos
uma renovação espiritual em nossa vida. O Apóstolo São Paulo insistia: “Em nome de Cristo vos
rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (2 Cor 5, 20); “exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus
em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49,8). Agora é o
tempo favorável, agora é o dia da salvação.” (2 Cor 6, 1-2).
Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do
demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma a Igreja quer
ensinar-nos como vencer as tentações de hoje. Daí surgiu a Quaresma.
Na Quarta-Feira de Cinzas, quando ela começa, os sacerdotes colocam um pouquinho de cinzas
sobre a cabeça dos fiéis na Missa. O sentido deste gesto é de lembrar que um dia a vida termina neste
mundo, “voltamos ao pó” que as cinzas lembram. Por causa do pecado, Deus disse a Adão: “És pó, e ao
pó tu hás de tornar.” (Gênesis 2, 19).
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Este sacramental da Igreja lembra-nos que estamos de passagem por este mundo, e que a vida de
verdade, sem fim, começa depois da morte; e que, portanto, devemos viver em função disso. As cinzas
nos lembram que após a morte prestaremos contas de todos os nossos atos, e de todas as graças que
recebemos de Deus nesta vida, a começar da própria vida, do tempo, da saúde, dos bens, etc.
Esses quarenta dias, devem ser um tempo forte de meditação, oração, jejum, esmola (caridade),
práticas que a Igreja chama de “remédios contra o pecado”. É tempo para se meditar profundamente a
Bíblia, especialmente os Evangelhos, a vida dos santos, viver um pouco de mortificação (cortar um doce,
deixar a bebida, cigarro, passeios, churrascos, a TV, alguma diversão, etc.) com a intenção de fortalecer
o espírito para que possa vencer as fraquezas da carne.
Sabemos como devemos viver, mas não temos força espiritual para isso. A mortificação fortalece
o espírito. Não é a valorização do sacrifício por ele mesmo, e de maneira masoquista, mas pelo fruto de
conversão e fortalecimento espiritual que ele traz; é um meio, não um fim.
Quaresma é um tempo de “rever a vida” e abandonar o pecado (orgulho, vaidade, arrogância,
prepotência, ganância, pornografia, sexismo, gula, ira, inveja, preguiça, mentira, etc.). Enfim, viver o
que Jesus recomendou: “Vigiai e orai, porque o espírito é forte mas a carne é fraca”.

Fonte: http://cleofas.com.br/como-viver-bem-o-tempo-da-quaresma/
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CAMPANHA DA FRATERNIDADE

ILUMINAÇÃO BÍBLICA: Gênesis 2, 4-8.15

Todos os anos, a Conferência


Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
apresenta a Campanha da Fraternidade
como caminho de conversão quaresmal,
reflexão e proposta de ações concretas. Em
2017, a temática da CF ‘Fraternidade:
Biomas brasileiros e defesa da vida’ quer
fomentar o cuidado com a criação, de modo
especial dos biomas brasileiros, dons de
Deus, e promover relações à criação que
Deus nos deu para cultivá-la e guarda-la..
“O grande desafio da Campanha da
Fraternidade 2017, como em todos os anos, é a
formação da consciência de modo que as
pessoas contemplem o meio ambiente de uma
forma mais cristã”, enfatiza o assessor da
Campanha da Fraternidade da sub-região
pastoral de Aparecida (SP), padre Leandro
Alves de Souza.
O sacerdote cita o livro de Génesis que fala da criação do mundo, dando o exemplo do limite colocado por
Deus ao proibir o homem de comer o fruto da árvore, explicando que "o ser humano não é capaz de perceber se
as suas ações são boas ou ruins, precisando de fato da luz de Deus".
Como base nisso, a Igreja vê a necessidade de refletir cada vez mais a importância do pensamento coletivo,
de uma responsabilidade assumida verdadeiramente com respeito ao próximo e à natureza, como princípios de
um bom cristão.
Um outro grande desafio é esse individualismos acentuado que a gente vive. Vimos há alguns anos essa a
crise hídrica enfrentada no estado de São Paulo. E ficou claro que muitas pessoas só tomavam consciência do
problema se abrissem a torneira e não caísse um pingo d’água. A gente continuou vendo o desperdício, atitudes
totalmente irresponsáveis. Então na verdade o grande desafio nosso é despertar essa consciência coletiva”,
expressou padre Leandro.
Padre Leandro levanta um questionamento preocupante: “Até quando o ser humano vai tratar a natureza
simplesmente com objeto de lucro, manipulando-a cada vez mais, sem pensar nas consequências futuras?”.
Ele destaca alguns gestos concretos que podem motivar a política pública a criar ações que promovam um
meio ambiente sustentável como incentivar projetos de lei que proíbam, por exemplo, o uso de agrotóxicos, cobrar
dos políticos atenção aos malefícios que as queimadas e a poluição urbana provocam e incentivar a participação
dos leigos e leigas nos conselhos paritários, como o Conselho Municipal do Meio Ambiente.
O assessor da Campanha da Fraternidade sugere que durante a Quaresma os cristãos busquem viver a
experiência de uma espiritualidade franciscana, de modo que se torne uma atitude comum e concreta para a vida.
“São Francisco, o grande defensor do meio ambiente, nos ensina com a sua vida e com seus escritos que a
natureza não pode ser manipulada muito menos tratada como objeto de lucro, pelo contrário, a natureza é a nossa
irmã, o bioma faz parte do nosso relacionamento fraterno”, concluiu padre Leandro.
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BIOMAS BRASILEIROS
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AÇÕES CONCRETAS
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A SEMANA SANTA

ILUMINAÇÃO BÍBLICA: Isaías 53, 1-12

A Semana Santa é o grande retiro espiritual das comunidades eclesiais, convidando os cristãos à
conversão e renovação de vida. Ela se inicia com o Domingo de Ramos e se estende até o Domingo da
Páscoa. É a semana mais importante do ano litúrgico, quando se celebram de modo especial os mistérios
da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

DOMINGO DE RAMOS - A celebração desse dia lembra a entrada de Jesus em Jerusalém, aonde
vai para completar sua missão, que culminará com a morte na cruz. Os evangelhos relatam que muitas
pessoas homenagearam a Jesus, estendendo mantos pelo chão e aclamando-o com ramos de árvores. Por
isso hoje os fiéis carregam ramos, recordando o acontecimento. Imitando o gesto do povo em Jerusalém,
querem exprimir que Jesus é o único mestre e Senhor.

TRÍDUO PASCAL

O ponto alto da Semana Santa é o Tríduo Pascal (ou Tríduo Sacro) que se inicia com a missa
vespertina da Quinta-feira Santa e se conclui com a Vigília Pascal, no Sábado Santo. Os três dias formam
uma só celebração, que resume todo o mistério pascal. Por isso, nas celebrações da quinta-feira à noite
e da sexta-feira não se dá a bênção final; ela só será dada, solenemente, no final da Vigília Pascal.

QUINTA-FEIRA SANTA - Neste dia celebra-se a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio


ministerial. A Eucaristia é o sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, que se oferece como alimento
espiritual.
Na quinta-feira à noite acontece a celebração solene da Missa, em que se recorda a instituição da
Eucaristia e do Sacerdócio ministerial. Nessa missa realiza-se a cerimônia do lava-pés, em que o
celebrante recorda o gesto de Cristo que lavou os pés dos seus apóstolos. Esse gesto procura transmitir
a mensagem de que o cristão deve ser humilde e servidor.
Nessa celebração também se recorda o mandamento novo que Jesus deixou: “Eu vos dou um novo
mandamento, que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.” Comungar o corpo e sangue de
Cristo na Eucaristia implica a vivência do amor fraterno e do serviço. Essa é a lição da celebração.

SEXTA-FEIRA SANTA - A Igreja contempla o mistério do grande amor de Deus pelos homens.
Ela se recolhe no silêncio, na oração e na escuta da palavra divina, procurando entender o significado
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profundo da morte do Senhor. Neste dia não há missa. À tarde acontece a Celebração da Paixão e Morte
de Jesus, com a proclamação da Palavra, a oração universal, a adoração da cruz e a distribuição da
Sagrada Comunhão.
Na primeira parte, são proclamados um texto do profeta Isaías sobre o Servo Sofredor, figura de
Cristo, outro da Carta aos Hebreus que ressalta a fidelidade de Jesus ao projeto do Pai e o relato da
paixão e morte de Cristo do evangelista João. São três textos muito ricos e que se completam, ressaltando
a missão salvadora de Jesus Cristo.
O segundo momento é a Oração Universal, compreendendo diversas preces pela Igreja e pela
humanidade. Aos pés do Redentor imolado, a Igreja faz as suas súplicas confiante. Depois segue-se o
momento solene e profundo da apresentação da Cruz, convidando todos a adorarem o Salvador nela
pregado: “Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. – Vinde adoremos”.
E o quarto momento é a comunhão. Todos revivem a morte do Senhor e querem receber seu corpo
e sangue; é a proclamação da fé no Cristo que morreu, mas ressuscitou.
Nesse dia a Igreja pede o sacrifício do jejum e da abstinência de carne, como ato de homenagem
e gratidão a Cristo, para ajudar-nos a viver mais intensamente esse mistério, e como gesto de
solidariedade com tantos irmãos que não têm o necessário para viver.
Mas a Semana Santa não se encerra com a sexta-feira, mas no dia seguinte quando se celebra a
vitória de Jesus. Só há sentido em celebrar a cruz quando se vive a certeza da ressurreição.

VIGÍLIA PASCAL - Sábado Santo é dia de “luto”, de silêncio e de oração. A Igreja permanece
junto ao sepulcro, meditando no mistério da morte do Senhor e na expectativa de sua ressurreição.
Durante o dia não há missa, batizado, casamento, nenhuma celebração.
À noite, a Igreja celebra a solene Vigília Pascal, a “mãe de todas as vigílias”, revivendo a
ressurreição de Cristo, sal vitória sobre o pecado e a morte. A cerimônia é carregada de ricos
simbolismos que nos lembram a ação de Deus, a luz e a vida nova que brotam da ressurreição de Cristo.

Fonte: http://www.catequisar.com.br/texto/materia/celebracoes/semanasanta/13.htm
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ANO MARIANO

ILUMINAÇÃO BÍBLICA: João 2, 1-12

A Igreja no Brasil está em festa! Por ocasião do Jubileu dos 300 anos do encontro da Imagem de
Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) instituiu
o Ano Nacional Mariano, que teve início em 12 de outubro de 2016, Solenidade da Padroeira do Brasil,
concluindo-se no dia 11 de outubro de 2017. É um tempo favorável para contemplar Maria como modelo
de fé e seguimento do Cristo.
De acordo com o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha, o período
convida os brasileiros a voltarem o coração para Nossa Senhora. “É um ano para celebrar, para
comemorar, para louvar a Deus, mas também para reaprender com Nossa Senhora como seguir Jesus
Cristo, como ser cristão hoje”, enfatizou.

A imagem de Aparecida: sinal da misericórdia de Deus


Ao contemplar a pequenina Imagem da Senhora dos brasileiros, venerada no Santuário Nacional,
em Aparecida, interior paulista, mergulhamos no amor infinito de Deus, pois quis Ele nos oferecer Sua
própria Mãe. Somos filhos de Maria, e com ela participamos do Plano Divino da Copiosa Redenção.
A imagem, que desde o seu trono, impera e reina como soberana Rainha dos brasileiros, foi
recolhida das águas do Rio Paraíba do Sul, que quer dizer “rio inútil”, por três pescadores, na segunda
quinzena de outubro de 1717, de acordo com os escritos e documentos citados pelos historiadores da
época.
A pequena e singela imagem é de barro “terracota”. Ao ser recolhida pelos pescadores, não tinha
cabeça, essa fora achada depois e unida
ao corpo. Sua tonalidade é castanho-
escuro, lembrando a cor negra dos
escravos. Isso se deve pelo fato de ser
retirada do fundo do rio e ainda pelo
picumã das velas acesas, quando
venerada pelas famílias que rezavam e
pediam sua proteção.
Ao olharmos a querida imagem da
Senhora Aparecida nos deparamos com
uma primeira
mensagem: sinais de uma mulher
grávida. Nesse detalhe podemos
mergulhar no infinito amor de Deus pela humanidade, pois o Verbo se fez carne e habitou entre nós.
Deparamo-nos com o mistério da Encarnação de Jesus. “O Espírito Santo, que era estéril em Deus, isto
é, não produzia outra pessoa divina, tornou-se fecundo em Maria” (Tratado da Verdadeira Devoção à
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Santíssima Virgem Maria). Contemplamos assim o amor de Deus por cada um de nós, que no seio
materno de Maria nos comunicou a primeira vinda de Jesus.
Outro aspecto apresentado pela imagem é sua cor negra. Maria se fez igual aos mais simples e
humildes. Ela nos indica que a Redenção realizada por Jesus Cristo é universal, não se pode excluir
ninguém, todos são filhos e filhas de Deus, vale para todas as pessoas. Somos convidados a contemplar
e almejar a vida eterna, como nos ensina o Apóstolo e Evangelista João.
O leve sorriso presente na Imagem reflete o carinho e a alegria de Deus por cada um de nós.

Fontes:
http://www.a12.com/noticias/detalhes/ano-mariano-e-para-celebrar-comemorar-e-reaprender-com-nossa-senhora-afirma-
cnbb
http://www.a12.com/santuario-nacional/formacao/detalhes/ano-mariano-para-a-igreja-no-brasil-300-anos-de-bencaos

CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA APARECIDA

Ó Maria Santíssima, pelos méritos de


Nosso Senhor Jesus Cristo, em vossa querida
imagem de Aparecida, espalhais inúmeros
benefícios sobre todo o Brasil.
Eu, embora indigno de pertencer ao
número de vossos filhos e filhas, mas cheio do
desejo de participar dos benefícios de vossa
misericórdia, prostrado a vossos pés, consagro-
vos o meu entendimento, para que sempre pense
no amor que mereceis; consagro-vos a minha
língua para que sempre vos louve e propague a
vossa devoção; consagro-vos o meu coração,
para que, depois de Deus, vos ame sobre todas as coisas.
Recebei-me, o Rainha incomparável, vós que o Cristo crucificado deu-nos por Mãe, no ditoso
número de vossos filhos e filhas; acolhei-me debaixo de vossa proteção; socorrei-me em todas as
minhas necessidades, espirituais e temporais, sobretudo na hora de minha morte.
Abençoai-me, o celestial cooperadora, e com vossa poderosa intercessão, fortalecei-me em
minha fraqueza, a fim de que, servindo-vos fielmente nesta vida, possa louvar-vos, amar-vos e dar-vos
graças no céu, por toda eternidade.
Assim seja!

Fonte: http://www.a12.com/santuario-nacional/noticias/detalhes/oracao-de-consagracao-do-papa-
francisco-a-nossa-senhora
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PRINCIPAIS ORAÇÕES DO CRISTÃO


01. Pelo Sinal da Santa Cruz
Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos, Deus, nosso Senhor, dos nossos inimigos.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém

02. Credo
Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho Nosso
Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria , padeceu
sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu a mansão dos mortos, ressucitou ao
terceiro dia, subiu aos Céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar
os vivos e mortos. Creio no Espírito Santo. Na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na
remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém.

03. Invocação ao Espírito Santo


Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor.
Enviai, Senhor, o Vosso Espírito, e tudo será criado, e renovareis a face da terra.
Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo fazei que
apreciemos retamente todas as coisas, segundo o mesmo espírito, e gozemos sempre da sua
consolação. Por Cristo, Senhor Nosso. Amém.

04. Pai-Nosso
Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a
vossa vontade, assim na terra, como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as
nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em
tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

05. Ave-Maria
Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois Vós entre as mulheres, e bendito é o fruto
do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa
morte. Amém.

06. Salve Rainha


Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos os
degradados filhos de Eva. A vós suspiramos,
gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia pois advogada nossa, esses vossos olhos
misericordiosos a nós volvei. E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre.
Ó clemente ! ó piedosa ! ó doce sempre Virgem Maria!
V. Rogai por nós Santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

07. Glória ao Pai


Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos
os séculos dos séculos. Amém.

08. Santo Anjo


Santo Anjo do senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege,
guarda, governa, ilumina. Amém

09. Ato de fé
Eu creio firmemente que há um só Deus, em três pessoas, realmente distintas: Pai, Filho e Espírito
Santo, que dá o céu aos bons e o inferno aos maus, para sempre. Creio que o Filho de Deus se fez
homem, padeceu e morreu na cruz para nos salvar, e que ao terceiro dia ressuscitou. Creio tudo o mais
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que crê e ensina a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana, porque Deus, verdade infalível, lho
revelou. E nesta crença quero viver e morrer.

10. Ato de esperança


Eu espero, meu Deus, com firme confiança, que pelos merecimentos de meu Senhor Jesus Cristo, me
dareis a salvação eterna e as graças necessárias para consegui-la, porque vós, sumamente bom e
poderoso, o haveis prometido a quem observar fielmente os vossos mandamentos, como eu prometo
fazer com o vosso auxílio.

11. Ato de caridade


Eu vos amo, meu Deus, de todo o meu coração e sobre todas as coisas, porque sois infinitamente bom
e amável, e antes quero perder tudo do que vos ofender. Por amor de vós amo meu próximo como a
mim mesmo.

12. Ato de contrição


Senhor meu Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu: por serdes Vós quem
sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque Vos amo e estimo, pesa-
me, Senhor, de todo o meu coração, de Vos Ter ofendido; pesa-me também de Ter perdido o céu e
merecido o inferno; e proponho firmemente, ajudado com o auxílio de Vossa divina graça, emendar-
me e nunca mais Vos tornar a ofender. Espero alcançar o perdão de minhas culpas pela Vossa infinita
misericórdia

13. Ato de confiança


Eu espero, meu Deus, com firme confiança, que, pêlos merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo,
me dareis a salvação eterna e as graças necessárias para consegui-la, porque Vós, sumamente bom e
poderoso, o haveis prometido a quem observar o Evangelho de Jesus, como eu me proponho fazer com
o Vosso auxílio.