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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte

Campus Pau dos Ferros


Turma: 2º ano
Disciplina: Língua Portuguesa e Literatura II
Professor: Cleonildo Costa
Peça adaptada: “O crime do Padre Amaro”
Personagens:
Amaro: Clébyson / Cônego Dias – Édson / S. Joaneira – Laura / Josefa Dias – Larissa / Ruça – Carolina
Freitas / Gansosos – Caroline e Larisse / Maria da Assunção – Joseanny / Amélia – Carla / João Eduardo –
Ronaldo / Natário – Geórgio / Dionísia – Nádia / Totó – Diogo / Sineiro – Jilcimar / Carlota – Taynara /
Abade Ferrão – Thiago / Chantre – Hawllysson / Bispo – Matheus / Silvério – Moisés / Carlos da Botica –
Davi

Demais alunos farão parte da peça como figurantes.

Ato I: Chegada do Pe. Amaro e sua história

Cena 1: Chegada de Amaro


(Amaro entrando em Leiria junto com o cônego Dias)
Cônego: Seja Bem-vindo a Leiria, Amaro!
Amaro: Oh padre-mestre! Que prazer em revê-lo.
Cônego: Já lhe arranjei um canto, por apenas seis contos de réis, com uma boa comida feita pela D. Joaneira,
uma devota fervorosa e amiga fiel da nossa igreja.
(Chegam na casa de Joaneira e ela está do lado de fora esperando eles).
Cônego: Amaro, conheça a D. Joaneira.
D. Joaneira: Oh senhor pároco é um prazer recebe-lo, eu e toda Leiria nos alegramos com a sua chegada.
Entre e conheça sua nova morada.
Amaro: Eu é que sinto-me honrado em aqui está. Agradecido estou.
(Entram para a casa e encontram as vizinhas)
D. Joaneira: Pe. Amaro conheça a D. Josefa Dias, as Gansosos, e D. Maria da Assunção, serão suas novas
conterrâneas.
(Amaro cumprimenta as mulheres)
D. Joaneira: Vamos subir para conhecer seu aposento. (Sobem)
(D. Joaneira e Amaro sobem para o quarto, enquanto isso Amélia está no quarto ao lado trocando-se)
D. Joaneira: Perdoe-me esqueci a chave, espere um momento.
(Amaro caminha pelo corredor e vê Amélia, D. Joaneira volta e encontra Amaro desconsertado)
Amaro: Achou a chave senhora?
D. Joaneira: Sim, mas lhe aconteceu algo pároco? Não me parece bem.
Amaro: Não, não. Deve ser a mudança de clima.
(Entram no quarto de Amaro)
D. Joaneira: Aqui está, fique à vontade.

Cena 2: Amaro conhece Amélia


(Todos estão lá em baixo e o pároco desce)
D. Joaneira: Ah chegou quem faltava, conheça minha Ameliazinha senhor pároco.
Amaro: Boas noites, minha senhora.
Amélia: A benção padre.
(Amaro a abençoa e trocam olhares. Sentam-se para tomar um chá e Amélia toca piano)
(Alguém bate à porta, Ruça atende e era João Eduardo, o rapaz entra e senta-se ao lado de Amélia,
admirando-a).
Ruça: Ameliazinha, seu noivo, João Eduardo, está aqui.
J. Eduardo: Boas noites, em especial, a minha Ameliazinha!

Cena 3: Flashback da vida de Amaro


(Amaro entra no quarto, deita-se na cama e fecha vagarosamente os olhos)
Amaro: Será que enfim serei feliz depois de uma vida de tantas amarguras? Minha mãe morreu muito cedo,
tive a sorte de ser adotado pela Marquesa de Alegros, que pela ironia do destino também veio a falecer. Fui
para a casa dos meus tios, onde tive os piores anos de minha vida. Foi enfim no seminário que vivi um dos
melhores períodos da minha infeliz existência, perto das senhoras, com carinhos, roupas lavadas, mas, nem
lá fui totalmente feliz. Estava obrigado a fazer uma coisa que eu não gostava, não tinha vocação. Tudo pela
liberdade que sempre me foi negada.

Ato II: Celebração e aproximação de Amaro e Amélia

(Passados alguns dias)

Cena 4: Amaro celebra a missa


(Amaro levanta a cruz e fala em latim, os fiéis estão na missa e Amélia observa o padre com devoção)

Cena 5: O Morenal
(Depois que a missa acaba Amélia vai ao Morenal e mexe nas plantas. Após todos saírem, Amaro vai até ela
e a observa, de longe contempla Amélia. Ao chegar perto dela, de súbito ela se assusta e os dois se chocam,
nesse momento trocam carÍcias e se abraçam).

Cena 6: O Comunicado
(Casa de D. Joaneira)
Padre Natário entra na sala, aos gritos ele fala:
Pe. Natário: A igreja foi desonrada, aquele herege atentou contra Deus.
Amaro: O que houve? Qual o motivo de tanta gritaria?
Pe. Natário: Foi João Eduardo! Ele que escreveu o comunicado, ele nos desonrou! Publicou no jornal essas
mentiras.
Amélia: Não acredito! Meu casamento está acabado, não casarei com um pecador.

Ato III: Os encontros

Cena 6: Cônego Dias e D. Joaneira


(A igreja estava deserta, era dia de jejum. Amaro abre a porta, e percebe barulhos ao longe. Chegando perto
surpreende-se com o que vê: Cônego Dias e D. Joaneira juntos, trocando carícias, na casa de Deus).

Cena 7: Confissão (Amélia)


(Dionísia, varrendo, olha para Amaro e notando sua inquietação se dirige a ele:)
Dionísia: Pároco, o que houve? O senhor está tão pálido, tão inquieto!
Amaro, visivelmente inquieto, se dirige a ela:
Amaro: Oh Dionísia, acontece que a Ameliazinha e eu...
Dionísia: Já entendi, meu filho, e lhe digo uma coisa: para um senhor eclesiástico que tem o seu arranjinho
não há melhor que a casa do sineiro.
Amaro: Casa do sineiro?!
Dionísia: Sim! Saindo da sacristia o senhor já entra lá e a menina pode entrar pela frente, na outra rua, com a
desculpa de ensinar aquela criaturinha, a Totó, a religião.
Amaro: Genial, Dionísia, genial!
(Dionísia sai, Amaro vai para o confessionário e Amélia entra)
(No confessionário Amélia pede perdão)
Amélia: Peço perdão a Nossa Senhora das Dores. Pequei ao me entregar ao senhor pároco. Estou
perdidamente apaixonada por ti.
Amaro: Menina, o nosso amor não é pecado, é lindo, é puro, sem dúvida Deus se agrada dele. Mas é um
amor diferente, as pessoas não entenderiam, por isso, devemos mantê-lo em segredo. E (sorrindo) já tenho
até lugar para isso: a casa do sineiro, você vai pelas manhãs, uma ou duas vezes, para catequizar a Totó e lá
nos encontramos.
Amélia: Tratarei de convencer a mamã.
Amaro: Eu mesmo posso ajuda-la com isso.
(As mãos de ambos se encontram. Amélia sai da igreja).

Cena 8: Sineiro
Algumas horas depois, Amaro encontra o sineiro na igreja
Amaro: Bons dias, sineiro!
Sineiro: Sua benção, padre!
Amaro: Era com o senhor mesmo que queria falar. A menina Amélia está querendo se tornar freira, só que
sua mãe não pode saber porque ela quer que ela se case. Então pensei que o senhor poderia me arrumar um
cantinho para eu ensinar os mandamentos da igreja para a menina.
Sineiro: Uma benção! Ameliazinha uma freira. Bem, minha casa é um bom lugar para isso, é aqui nos
fundos, o senhor entra pela igreja e Amélia pela rua. A menina poderia catequisar minha filhinha, Totó, seria
uma boa desculpa.
Amaro: Ótimo. Que o senhor Jesus te abençoe.

Cena 9: Amélia e Amaro


(Totó esta deitada na cama, quieta, com Amélia catequizando-lhe. Suas mãos tremem e seu sorriso no rosto é
grande. Amaro chega na casa, e as atenções mudam totalmente, totó é esquecida, os dois se abraçam, trocam
longas carícias e entram no quarto, batem à porta.)
(A pobre menina deitada escuta cada barulho, e se assusta, começa a se agitar.)
Obs.: Ocorre a troca de cenas, mostrando o estado de cada um.

Ato IV: A gravidez

Cena 10: O pecado


Amélia: Não Amaro! Jesus nos puniu! Eu estou grávida (recusa a aproximação)
Amaro: Sua amaldiçoada! Seu pecado, seu pecado me cegou! A culpa é sua (Bate em Amélia)
Amélia: Eu pequei! Mas, você pecou junto. Amaldiçoe a mim e a seu filho, estará amaldiçoando a si.

Cena 11: Ricoça e Vieira


Amaro: Precisamos sair daqui, as pessoas vão ver sua barriga crescendo, e existirão suspeitas!
Amélia: Pra onde vamos?
Amaro: Para a Ricoça, você vai ficar lá até essa criança nascer! E depois entregamos ele a quem quer que
seja.
Amélia: E com quem eu vou?
Amaro: Com Dona Josefa! Já está tudo combinado. Sua mãe e o cônego vão para vieira, e ela vai com você.
Fique pronta, logo vai partir.
Cônego Dias: Vamos, vamos! Estamos atrasados, logo a carruagem vai chegar, e não podemos nos atrasar. Já
imagino, o sol, sombra e água frasca! Vão ser dias abençoados. Ahhh e meus 15 banhos, que maravilhoso.
D. Joaneira: Só fico triste por deixar Amelinha, tadinha.
Cônego Dias: Ela vai cuidar de Josefa, pense bem, não haverá mal algum.

Cena 12: Mortes


(Dionísia entra apressada), amaro está fora da casa com Carlota. Um choro de bebê se escuta, Dionísia sai
com o bebê enrolado em um pano, e o entrega a Amaro.
Amaro: Morto?
Dionísia: Vivo! Um rapagão...Mas tenho um pesar a contar, Amelinha...
Amaro: Que tem ela?
Dionísia: Está desfalecendo!
Amaro: Que Jesus se compadeça de sua alma...da minha também.
(Amaro anda apressado ao encontro de Carlota. No percurso, sentido o calor do filho nos braços, um
sentimento de compaixão toma de conta dele. Mas, vendo a mulher já estendendo os braços para pegar o
bebê, deixa a emoção de lado e entrega a criança como o combinado. Ela parte.)
(No dia seguinte, bem cedo, Dionísia bate à porta de Amaro, ele, já acordado – por sinal nem havia dormido
– andava impacientemente pela sala como quem espera que uma solução caísse do céu.)
(Dionísia apresentava uma face triste e cansada, sucintamente declarou:)
Dionísia: Ela não resistiu.
(Amaro não lamentou com palavras, mas sua expressão demostrava o peso da culpa. Parou um momento e
pediu:)
Amaro: Dionísia, eu vou ver o menino.
(A mulher apenas consentiu com a cabeça e minutos depois lá estava Amaro a caminho da casa da ama. Lá
chegando bate à porta. Ninguém responde. Logo avista Carlota, sem a criança no colo, chegando em casa.)
Amaro: Onde está o bebê? – Indagou
Carlota: Ah o bebê, disse tranquilamente, parecia-me tão saudável, mas começou umas duas horas depois a
chorar sem parar, adormeceu e não acordou mais.
(Amaro não teve forças nem para chorar. Partiu deixando com Carlota dinheiro para funeral.)
(Voltou a Leiria, fez as malas e escreveu o bispo:)
(Nessa parte a voz do ator fala o que está na carta e na cena a carta está sendo escrita)
Voz do pensamento: “Senhor Bispo, tenho eu...”
(Gravar a voz à parte; Amaro vai embora e a cena vai escurecendo)

Ato V: Julgamento final

Cena 13: Padres e decisões


(Numa mesa estão todos os padres discutindo sobre os crimes.)
Abade Ferrão: Bom, como foi descoberto o escândalo envolvendo o Pe. Amaro e cônego Dias, por toda a
comunidade eclesiástica de Leiria, iremos hoje decidir o que faremos a respeito.
Natário: Eles têm que ser excomungados! Traíram a igreja!
Silvério: Concordo plenamente! E temos que expor esses hereges há toda comunidade.
Bispo: Não, não podemos expor isso. As pessoas pensariam que a igreja é fraca. Iriamos perder o apoio
político. A igreja estaria acabada.
Chantre: Isso! Não podemos desmoralizar a igreja em hipótese alguma.
Bispo: Decido, pelo bem da igreja, relevaremos esse fato e deixaremos a justiça para Deus.
(Aparece Amaro celebrando uma missa, aproxima a câmera para a face de Amaro e ele diz:)
Amaro: A vida segue, tudo passa.