Você está na página 1de 195

ZOOLOGIA GERAL E

COMPARADA I
ZOOLOGIA GERAL E
COMPARADA I
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR

COLEÇÃO FORMANDO EDUCADORES


EDITORA NUPRE
2009
REDE DE ENSINO FTC
William Oliveira
PRESIDENTE

Reinaldo Borba
VICE-PRESIDENTE DE INOVAÇÃO E EXPANSÃO

Fernando Castro
VICE-PRESIDENTE EXECUTIVO

João Jacomel
COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO

Cristiane de Magalhães Porto


EDITORA CHEFE

Francisco França Souza Júnior


CAPA

Mariucha Silveira Ponte


PROJETO GRÁFICO

Carlos Antonio Neves Júnior


AUTORIA

Ana Cláudia Esteves


DIAGRAMAÇÃO

Ana Cláudia Esteves


ILUSTRAÇÕES

Corbis/Image100/Imagemsource/Stock.Xchng
IMAGENS

Hugo Mansur
Márcio Melo
Paula Rios
REVISÃO

COPYRIGHT © REDE FTC


Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/98.
É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorização
prévia, por escrito, da REDE FTC - Faculdade de Tecnologia e Ciências.
www.ftc.br
SUMÁRIO
1 O RECONHECIMENTO DA ZOOLOGIA COMO CIÊNCIA ............................................................... 7
1.1 TEMA 1. ZOOLOGIA: IMPORTÂNCIA E FUNDAMENTOS .............................................................9
1.1.1 CONTEÚDO 1. ZOOLOGIA: CONHECIMENTO E PODER.....................................................9
1.1.2 CONTEÚDO 2. GRAUS DE HIERARQUIA ZOOLÓGICA .................................................... 21
1.1.3 CONTEÚDO 3. ECOLOGIA DOS ANIMAIS ....................................................................... 39
1.1.4 CONTEÚDO 4. BIODIVERSIDADE DE PROTISTAS............................................................ 43
MAPA CONCEITUAL.......................................................................................................................... 59
ESTUDOS DE CASO ........................................................................................................................... 60
EXERCÍCIOS PROPOSTOS .................................................................................................................. 61
1.2 TEMA 2. ORGANIZAÇÃO, ORIGEM E EVOLUÇÃO DOS METAZOÁRIOS .................................... 71
1.2.1 CONTEÚDO 1. METAZOÁRIOS ....................................................................................... 71
1.2.2 CONTEÚDO 2. FILO PORÍFERA: GRUPO DE ANIMAIS PRIMITIVOS................................. 74
1.2.3 CONTEÚDO 3. FILO CNIDARIA........................................................................................ 89
MAPA CONCEITUAL.......................................................................................................................... 99
ESTUDO DE CASO ........................................................................................................................... 100
EXERCÍCIOS PROPOSTOS ................................................................................................................ 100

2 BIOLOGIA E SISTEMÁTICA DE GRUPOS ZOOLÓGICOS.............................................................111


2.1 TEMA 3. FILOS – PLATYHELMINTHES, NEMATODA, MOLLUSCA E ANNELIDA ...................... 113
2.1.1 CONTEÚDO 1. FILO PLATYHELMINTHES ...................................................................... 113
2.1.2 CONTEÚDO 2. FILO NEMATODA.................................................................................. 123
2.1.3 CONTEÚDO 3. FILO ANNELIDA..................................................................................... 128
2.1.4 CONTEÚDO 4. FILO MOLUSCA..................................................................................... 140
MAPA CONCEITUAL - MOLUSCA .................................................................................................... 151
MAPA CONCEITUAL - ANNELIDA.................................................................................................... 152
MAPA CONCEITUAL – NEMATODA ................................................................................................ 153
ESTUDO DE CASO ........................................................................................................................... 154
EXERCÍCIOS PROPOSTOS ................................................................................................................ 155
2.2 TEMA 4. PROTOSTÔMIOS INFERIORES, OS LOFOFORADOS E O FILO ECHINODERMATA...... 161
2.2.1 CONTEÚDO 1. PROTOSTÔMIOS INFERIORES (PEQUENOS FILOS) ............................... 161
2.2.2 CONTEÚDO 2. OS LOFOFORADOS................................................................................ 166
2.2.3 CONTEÚDO 3. FILO ECHINODERMATA ........................................................................ 171
MAPA CONCEITUAL........................................................................................................................ 183
ESTUDO DE CASO ........................................................................................................................... 184
EXERCÍCIOS PROPOSTOS ................................................................................................................ 185

GLOSSÁRIO ...............................................................................................................................191

REFERÊNCIAS ............................................................................................................................195
APRESENTAÇÃO

Desde épocas remotas, a vida dos animais, seu surgimento, desenvolvimento, evolução
e/ou extinção despertou a curiosidade do Homem. Prova real disso são as pinturas rupestres,
ou seja, os desenhos pré-históricos feitos na pedra que, por vezes, retratavam os animais.
Dentro desta dinâmica, é incontestável estudar a Zoologia, que é um ramo da Biologia
que estuda os animais e engloba todos os aspectos da Biologia animal, inclusive as relações
entre animais e o ambiente.
A Zoologia é reconhecida no meio acadêmico como ciência porque atua em vários cam-
pos da investigação dos animais, estudando não apenas a morfologia, mas a sistemática e eco-
logia, o funcionamento dos animais, os constituintes químicos dos tecidos, formação e desen-
volvimento, propriedades e funções celulares do ser vivo.
Um outro aspecto que podemos ressaltar é que na Zoologia, à medida que aumenta a
especialização, os ramos de estudo tornam-se mais restritos e dentro da mesma aparecem es-
tudos como, por exemplo, o estudo dos insetos que é chamado de Entomologia, que, por sua
vez, subdivide-se em sistemática e entomologia econômica.
A Zoologia como ciência considera o seu principal estudo a diversidade, bem como al-
gumas noções sobre a distribuição dos animais nos diversos ambientes do nosso planeta.
Com este material, instigaremos a você estudante a apreender os conteúdos sobre a Zoo-
logia, para que, num futuro bem próximo, você possa desenvolvê-lo junto aos seus alunos de
forma contextualizada e dinâmica. No entanto, já perdemos muito tempo, pois a sociedade
urge de estudos e ações que envolvam novas concepções para o conhecimento da Zoologia no
âmbito escolar. Portanto, venha conosco participar desta forma interessante, instigante e inte-
ligente de apreender e ensinar Zoologia.
Embarque já!
1
BLOCO
TEMÁTICO
O RECONHECIMENTO DA ZOOLOGIA
COMO CIÊNCIA
O RECONHECIMENTO DA ZOOLOGIA
COMO CIÊNCIA

1.1
TEMA 1.
ZOOLOGIA: IMPORTÂNCIA E FUNDAMENTOS

1.1.1
CONTEÚDO 1.
ZOOLOGIA: CONHECIMENTO E PODER
Nos últimos anos, o universo educacional vem sendo desafiado a implementar ações pe-
dagógicas que dialoguem ou expressem conhecimento significativo para a vida do educando.
Diante dos desafios, os professores precisam apresentar comportamento flexível para minis-
trarem o conhecimento construindo e elaborando mecanismos capazes de atender aos anseios
de sua clientela e às exigências apresentadas pela sociedade da qual faz parte. Nos últimos a-
nos, alguns elementos têm sido considerados fundamentais no sentido de que se construam e
se desenvolvam as finalidades da educação e da aprendizagem escolar. Então, a compreensão
significativa das diversas linguagens do conhecimento da Zoologia deve ser ministrada de
maneira lúdica e prática para o educando.
Para melhor compreensão do que estamos falando, parta do princípio de que o seu futu-
ro aluno com certeza conhece vários animais. Já os viu, já criou algum, já foi no zoológico,
tocou ou tomou conhecimento de sua existência através de um livro, da televisão, de um fil-
me, ou já fez coleção em álbum de figura, dentre outras atividades.
Por exemplo, explore o conhecimento prévio do estudante a fim de levá-lo a perceber a
importância da zoologia. E então, entra em cena a habilidade do professor em potencializar o
conhecimento do aluno construído pelas ações cotidianas. Ou seja, os conteúdos da disciplina
são dessa maneira ministrados de forma criativa e interessante, mostrando a sua aplicabilida-
de para o educando.

9
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Bom, e o que será um animal? O Reino Animalia ou Metazoa é formado por organismos
pluricelulares, heterótrofos e eucariontes. Para estudarmos os animais, falaremos sobre os
metazoários, que são seres vivos compostos de numerosas células diferenciadas de muitos
tipos, as quais desempenham diferentes funções (divisão de trabalho). As esponjas que fazem
parte deste grupo são as exceções, pois os metazoários apresentam um sistema nervoso centra-
lizado na parte anterior do corpo da grande maioria dos animais de simetria bilateral. Com
relação aos gametas, que constituem a linhagem germinativa, são produzidos em órgãos, asse-
gurando a continuidade da vida.

FONTE: WWW.BLOGSPOST.COM ACESSO EM 15/09/2009

LEIA A CITAÇÃO A SEGUIR E REFLITA!

Brasil perde cerca de 300 bilhões de dólares por ano com a destruição da Amazônia.

Num ritmo acelerado de desmatamentos e queimadas, graças à irresponsabilidade, ga-


nância e incompetência dos governos.

"Um Estado inteiro é destruído por ano." Em menos de 10 anos, todas


as plantas medicinais existentes estarão extintas, restando apenas um deser-

10
Carlos Antonio Neves Júnior
to vazio. Deixaremos de ser um mega biodiversidade para sermos mega estú-
pidos, pois a maior parte das terras não é boa para agricultura, desta forma o
homem conseguirá arrancar do planeta, nosso maior e o ultimo tesouro já
que, em 500 anos nosso País, em todos os seus governos, prevaleceu a incoe-
rência, e a cada eleição parece aumentar, sendo que no final, eles nos confor-
tarão com suas mentiras de sempre, que o próximo governo será melhor...”
Adaptado de: Silvio Campos, disponível em:
www.achetudoeregiao.com.br/ANIMAIS/Biodiversi...

Analisando a citação acima, você pode perceber a importância do nosso papel enquanto
professores, pois através de aulas teóricas e práticas contextualizadas e fundamentadas no sa-
ber biológico é que mediaremos o conhecimento do nosso educando. Promovendo a compre-
ensão dos conteúdos de forma reflexiva frente aos problemas ambientais que afetam o nosso
planeta, tais como desmatamentos, extinção de animais e queimadas, a poluição e todas as
situações que agridem a natureza certamente prejudicará o Homem e comprometerá a manu-
tenção de gerações futuras.

VIDA
Um desafio que se impõe ao novo educador é, sem dúvida, a construção de aulas mo-
tivadoras. Para tanto, esse professor precisa ser um profissional: mediador, sinalizador, o-
rientador, reflexivo, flexível, pesquisador e leitor. Então, leiam mais, se delicie com o texto
a seguir e apreenda mais conhecimento, pois bons hábitos são construídos por bons exem-
plos. Seja um bom exemplo para seu aluno.

É fundamental que os futuros professores de Biologia e Ciências Naturais desenvolvam


em seus alunos a sensibilidade para questões, como a preservação da nossa Biodiversidade,
pois caberá a esses estudantes a função de assegurar a sustentabilidade do nosso planeta. Para
ajudá-los a compreender melhor, acompanhe o artigo escrito pelo juiz de Direito Antonio
Silveira. Note que não é necessário ser biólogo ou bióloga para formar uma opinião contun-
dente acerca da importância da Biodiversidade.

VIDA SELVAGEM: IMPORTÂNCIA E PROTEÇÃO

ANTÔNIO SILVEIRA RIBEIRO DOS SANTOS


(Juiz de Direito em São Paulo. Criador do Programa Ambiental: A Última Arca de Noé).

11
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
VIDA SELVAGEM

I – CONCEITO
Ultimamente, tem-se falado muito em preservação dos recursos naturais principalmente
em países emergentes como o Brasil, onde ainda existem grandes extensões de florestas como
ocorre na Amazônia. Por outro lado, sabe-se que os recursos naturais como a cobertura flores-
tal são importantes para a economia dos países possuidores, daí a dificuldade em mantê-los
intactos ou preservados, notadamente porque a grande maioria das nações do globo não os
tem mais e são justamente as mais ricas, o que torna a pressão sobre os mais pobres cada vez
maior.
Os recursos naturais podem ser divididos grosso modo em recursos minerais, hídricos,
botânicos e faunísticos. Os minerais são os recursos advindos da exploração dos minerais,
como ferro, cobre, granito, mármore, cal etc. Os recursos hídricos são os provenientes das
águas, como obtenção de água potável, irrigação, geração de energia etc. Os recursos botâni-
cos são os que vêm da exploração da flora, como a extração da madeira, dos frutos e dos po-
tenciais farmacológicos das plantas medicinais. Já os recursos faunísticos são os gerados pela
fauna, através da caça e pesca autorizadas e da criação de animais silvestres para consumo etc.
Interessa-nos discutir aqui a questão da vida selvagem, da sua conceituação e da importância
como recurso natural e proteção. Pois vejamos.
Pode-se dizer que a vida selvagem de uma região é o conjunto dos seres vivos − animais
e plantas, que possuem capacidade de sobreviver e procriar livremente na natureza. Por suas
características mais dinâmicas, os animais chamam mais a atenção de forma que serão nosso
objeto no estudo da vida selvagem. Portanto, os animais que vivem em estado selvagem são
elementos que formam a vida selvagem, compondo a fauna local, a qual consiste no conjunto
dos animais que vivem em uma determinada área. Segundo o evolucionista Ernst Mayr, fauna
é em estrito senso a totalidade de espécies na área.

II – IMPORTÂNCIA
Conceituada a vida selvagem, passamos a indagar o seguinte: qual a sua importância?
Para que serve finalmente? É o que vamos tentar responder.
Como se sabe, a fauna silvestre tem importância fundamental no equilíbrio dos ecossis-
temas em geral, pois muitos animais são vitais à existência de muitas plantas, pois se constitu-
em no elo de procriação, já que são seus agentes polinizadores, como no caso os beija-flores e
insetos como borboletas, besouros etc. Além disso, muitos são dispersores de sementes que
necessitam passar por seu trato intestinal, como muitos mamíferos, sem contar que pratica-

12
Carlos Antonio Neves Júnior
mente todos os animais são excelentes agentes adubadores, que também têm sua importância
na cadeia alimentar. Dessa forma, a fauna tem importância primordial na existência e no de-
senvolvimento das áreas naturais, o que vale dizer ainda que são produtores indiretos dos be-
nefícios econômicos que a exploração da madeira, frutas e resinas florestais entre outros, que
podem proporcionar ao Homem. Ademais, não podemos esquecer que o Reino Animal e o
Reino Vegetal formam uma fina camada na superfície da Terra, conhecida como Biosfera,
regida por rigorosas leis fisiológicas que em harmonia permitem a sobrevivência das espécies.
Quebrar esta harmonia, abruptamente pela interferência humana, fará com que milhões de
espécies entrem em processo de extinção, resultando a médio e longo prazos a própria extin-
ção da espécie humana, de sorte que a manutenção da vida selvagem e da flora natural é pri-
mordial para a manutenção da vida global.
Em termos de alimentação, como é sabido, a fauna silvestre é importantíssima, pois foi
primordial para a raça humana que dependia dela para sobreviver. A caça foi a forma rudi-
mentar, utilizada por nossos ancestrais, para a obtenção de alimento, e ainda é para muitas
tribos indígenas que vivem isoladas na Amazônia. O manejo da fauna silvestre também pode-
rá ser muito importante para o Homem dito civilizado, o qual poderá manter e desenvolver a
criação de animais silvestres para fins de obtenção da proteína. Cada dia que passa os conhe-
cimentos científicos, adquiridos nesta área, possibilitam um melhor desenvolvimento desta
atividade, o que poderá resultar em uma grande diversidade de espécies utilizáveis, melhoran-
do a quantidade e qualidade da produção, complementando os produtos extraídos dos ani-
mais domésticos, através da biotecnologia e da utilização da Engenharia Genética.
A manutenção da fauna silvestre, consequentemente da vida selvagem, também possibi-
lita a sua exploração turística, pois a cada ano cresce o número de pessoas que procuram os
parques naturais para ver os animais selvagens. Só de “birdwatchers” que são aqueles que ob-
servam os pássaros, estima-se que existam mais de 80 milhões, o que representam um poten-
cial econômico importantíssimo, pois necessitam usar hotéis e o comércio próximo às áreas
de observação, gerando assim enormes receitas, sem contar com a pesca para alimentação em
áreas naturais que também gera milhões de dólares em todo o mundo. Além desse aspecto, a
pesca esportiva pode se tornar enorme fonte de renda para o Estado por meio de impostos e
para milhões de pessoas ou empresas ligadas direta ou indiretamente a ela. Nos EUA, por e-
xemplo, este esporte transformou-se em uma indústria com faturamento anual direto em tor-
no de US$ 60 bilhões, fazendo parte do sistema de preservação dos parques naturais através da
sua organizadora, a Fish and Wildlife Service, sem contar com a possibilidade de exploração
turística da pesca esportiva.
Em termos educacionais, a manutenção da vida selvagem também é muito importante,
pois possibilita aos jovens o contato com os animais selvagens passando assim a conhecer a

13
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
vida em seu esplendor primitivo, permitindo que se tirem lições de vida e comportamentais
através de sua observação atenta.
Quanto à caça, em termos econômicos, não se pode esconder que vem rendendo muitas
divisas em alguns países, mas o tema é muito polêmico, pois alguns países como o Brasil essa
atividade não é permitida, salvo em situações de superpopulação que comprometa o equilíbrio
ecológico de determinadas áreas.
O turismo ecológico também representa uma outra possibilidade de exploração susten-
tada dos recursos naturais, e, portanto um espaço de aprendizado sob a óptica da educacional.

III – PROTEÇÃO
Pelo exposto, percebe-se que a vida selvagem tem primordial importância no contexto
global da terra e influência substancial para o ser humano, tanto biológica como economica-
mente, de forma que sua proteção é fundamental. Mas, como protegê-la? É o que tentaremos
propor.
A proteção da fauna e flora pode e deve ser feita através de medidas administrativas le-
gais. A forma administrativa é feita através da criação de unidades de conservação pelo Poder
Público, como parques nacionais, estaduais e municipais, estações ecológicas, florestas natu-
rais, refúgios da vida selvagem, Áreas de Proteção Ambiental, Reservas da Biosfera (APAs) etc.
O particular também poderá criar áreas de proteção constituindo Reservas Particulares do
Patrimônio Natural (RPPNs), autorizadas pelo Decreto Federal nº 1.922 de 5 de junho de
1996.
Existem ainda as regras contidas nas convenções internacionais que são adotadas por
muitos países, como a Convenção de RAMSAR sobre as zonas úmidas de importância inter-
nacional, especialmente como habitat de aves aquáticas e a Convenção sobre o comércio in-
ternacional das espécies da fauna e flora selvagem em perigo de extinção, conhecida como
CITES, onde relaciona os animais e plantas em perigo de extinção e regulamenta o seu comér-
cio internacional, só para citar algumas.
Em relação à legislação propriamente dita, no Brasil há muitas leis protetoras da fauna e
flora, pois vejamos. O art. 1º da Lei nº 5.197/67 protege os animais selvagens, considerando
como tais os que vivem naturalmente fora do cativeiro. Entende-se também que a fauna sil-
vestre é um bem público de uso comum do povo. Neste sentido, ensina o festejado Hely L.
Meirelles quando diz em suma que a fauna fica sob o domínio eminente da nação e se sujeita a
um regime administrativo especial, visando a sua preservação, como riqueza nacional que é
(Direito administrativo brasileiro, Malheiros Editora, 22ª ed. 1997, p. 486). Já a Constituição
Federal diz que compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente
sobre a fauna (art. 24, VI). Determina também que o Poder Público proteja a fauna e a flora,

14
Carlos Antonio Neves Júnior
ficando proibido práticas que coloquem em risco a sua função ecológica, provoquem a extin-
ção de espécies ou submetam animais à crueldade (art. 225). A proteção da fauna ictiológica
(peixes) é regulamentada principalmente pelo Decreto-lei nº 221, de 28.2.67, conhecido como
Código de Pesca, o qual não protege apenas os peixes, porém é mais amplo, pois protege “to-
dos os elementos animais ou vegetais que tenham na água seu normal ou frequente meio de
vida (art. 1º)”. A Lei nº 7.643, de 18.12.87, proíbe a pesca de cetáceos em águas brasileiras. A
nova lei dos crimes ambientais (Lei nº 9.605/98) regula também os crimes contra a fauna (art.
29 ao art. 37) e contra a flora (art. 38 ao art. 53). Ou seja, há legislação suficiente para proteger
a fauna e flora silvestres e consequentemente a vida selvagem.
Por último, é importante lembrar que, por se constituírem bens de propriedade do Esta-
do de domínio público ao mesmo tempo que bens ambientais legalmente protegidos, tanto a
fauna quanto a flora silvestre, por extensão à vida selvagem como um todo, podem ser prote-
gidos através da ação civil pública regulamentada pela Lei nº 7.347/85. O Ministério Público e
as entidades que preencham os requisitos ali relacionados podem e devem propor a aplicação
da legislação protetivas pertinente em havendo algum dano ou ameaça de dano aos citados
bens.

IV – CONCLUSÃO
Ante o exposto, podemos concluir que a vida selvagem que se compõe da fauna e flora
nativas tem importância vital para a manutenção da Biosfera da Terra e, consequentemente,
para o ser humano e sua preservação é primordial para mantermos a qualidade de vida do
planeta, bem como a própria vida no planeta. Além do que ela pode gerar múltiplos benefícios
como alimentares, econômicos, educacionais e de lazer, de maneira que deve ser protegida
pelo Poder Público e pela coletividade, para que possamos ter um meio ambiente equilibrado
e sadio, por sinal um direito de todos, nos termos do art. 225 da Constituição Federal.
Fora isso, o surgimento da vida selvagem confunde-se com o surgimento da Terra, de
maneira que não cabe ao ser humano como uma das espécies mais novas destruí-la em dois
ou três mil anos, tempo ínfimo em termos geológicos. Aliás, é oportuno lembrar o biólogo
Jean Dorst quando diz que “não temos o direito de exterminar o que não criamos. Um humil-
de vegetal, um inseto minúsculo contém mais esplendores e mais mistério do que a mais ma-
ravilhosa das nossas construções” (“Antes que a natureza morra”. Ed. E. Blücher Ltda. 1973, p.
383). Também é relevante e ilustrativo lembrarmos o pensamento de Edward O. Wilson neste
sentido quando diz que “devemos considerar cada partícula de biodiversidade inestimável,
insubstituível, enquanto aprendemos a usá-la e a compreender o que significa para a humani-
dade” (“Diversidade da vida”. Ed. Companhia das Letras, 1994, p. 377).
Por derradeiro, pode-se concluir ainda que só haverá vida selvagem em determinada re-
gião se houver fauna selvagem em sintonia com a flora selvagem, de maneira que a preserva-

15
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
ção das áreas naturais florestadas é de suma importância para a sua manutenção, devendo ser
por tudo isso um dos objetivos da humanidade neste século XXI.
Disponível em: www.aultimaarcadenoe.com. Acesso 15/10/09

O ensino da Biologia deve refletir um universo em transformação constante a ser ent


endido. Como tal, a Zoologia torna-se um instrumento ideal neste processo para os
níveis básicos (Fundamental e Médio) da educação formal. No entanto, é preciso reorientar os
conteúdos e procedimentos das aulas, ajustando-os ao contexto evolutivo, combatendo ideias
retrógradas e equivocadas do passado (Amorim, 1999, 2001; Lopes, et al. 2004).

Para pensar!

HTTP://LARANJINHA.BLOGS.SAPO.PT/ARQUIVO/PENSANDO.JPG ACESSO EM 17/10/09

A Zoologia deve ser estudada aliando sempre as ações humanas, pois todo ser humano
já deve ter desenvolvido alguma atitude relacionada aos conteúdos zoológicos. É fácil per-
ceber que poucos seres humanos desenvolvem o prazer da aprendizagem do conhecimen-
to Zoológico escolar, especialmente porque muitos não conseguem verificar ou constatar a
sua real necessidade ou perceber a importância, ou fazer a relação com o cotidiano.
Então, reverta esta situação apresentando aulas instigantes, interessantes e inteligentes!

Bem, agora que fizemos reflexões importantes acerca da Zoologia como ciência é preciso
que conheçamos os seus principais termos, e para isso apresento a vocês dois artigos essenciais
aos nossos estudos.
O primeiro deles é uma introdução à Zoologia, onde será abordada desde a origem da
palavra Zoologia, até o porquê de estudarmos os animais. O segundo artigo é mais abrangente
e traz para vocês os principais conceitos relacionados e aplicados na Zoologia. As intervenções

16
Carlos Antonio Neves Júnior
que farei no texto terão um caráter de comentário, reforçando alguns destes conceitos e/ou
ilustrando-os por meio de imagens. Então vamos lá.

INTRODUÇÃO À ZOOLOGIA
Considerando a etimologia da palavra Zoologia (do idioma grego zoon animal e logos
estudo), este ramo da Biologia é um vasto domínio que pode englobar todos os aspectos da
Biologia animal, inclusive relações entre animais e ambiente.
Mas o que é mesmo um animal? Durante muito tempo, animais eram todos os organis-
mos eucariontes que utilizam a matéria orgânica existente como alimento, possuem membra-
nas flexíveis e permeáveis, e estavam artificialmente divididos em invertebrados e vertebrados,
estes últimos também chamados de chordata. Contudo, esta definição cabia, não sem certa
dificuldade, na classificação tradicional dos organismos vivos em plantas e animais.

O QUE É ZOOLOGIA?
Podemos definir Zoologia como “um ramo da Biologia que engloba todos os aspectos da
Biologia animal, inclusive relações entre animais e ambiente". Com esta definição, tão ampla,
estudamos não apenas morfologia, sistemática e ecologia, mas também o funcionamento dos
animais, constituintes químicos dos tecidos, formação e desenvolvimento, propriedades e fun-
ções celulares. A Zoologia experimental, por exemplo, inclui as subdivisões relativas às altera-
ções experimentais dos padrões dos animais como Genética, Morfologia Experimental e Em-
briologia.
Do exposto acima, ficam ressaltados os vários campos de investigação com animais e a
clara inter-relação de outras disciplinas com a zoologia clássica. À medida que a especialização
aumenta, ramos de estudo tornam-se mais e mais restritos, como a Celenterologia − estudo
dos cnidários; Entomologia − estudo dos insetos, que se subdivide em sistemática e Entomo-
logia Econômica; e Mastozoologia − estudo dos mamíferos e assim por diante.
Considerando que a diversidade é o principal objeto de estudo da Zoologia e que é im-
portante termos algumas noções sobre distribuição dos animais nos diversos ambientes e re-
giões do planeta, tais tópicos são abordados a seguir.

DIVERSIDADE DA VIDA ANIMAL


Aproximadamente 2.000.000 espécies são conhecidas englobando os vários grupos de
animais, mas especialistas estimam que em certos grupos se conhece apenas uma pequena
fração de espécies atuais existentes, notadamente de nematódeos, insetos e certos quelicera-
dos, particularmente os ácaros.

17
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
A compreensão da diversidade animal passa pelo entendimento do que é Biodiversida-
de. Um termo, cujo sinônimo mais frequente é "variedade da vida", que inclui a variedade de
estruturas e funções nos níveis genético, de espécie, de população, de comunidade e de ecos-
sistema, uma definição tão ampla quanto a própria Biologia. Mas tentativas têm sido feitas
para revelar as principais características da Biodiversidade, enquanto conceito, e surgem então
as três divisões mais citadas na atualidade: diversidade genética, diversidade taxonômica ou de
espécies e diversidade de ecossistema.
O estudo da Biodiversidade equivale, portanto, ao estudo da história da vida que come-
çou há aproximadamente 4,5 bilhões de anos. Para um melhor entendimento da vida animal,
nós precisamos remontar há cerca de 650 milhões de anos, período do surgimento da plurice-
lularidade. Já os grandes planos de organização dos metazoários foram definitivamente esta-
belecidos há 430 milhões de anos. A Terra é inicialmente conquistada pelos vegetais, depois
pelos invertebrados e, finalmente, pelos vertebrados. A conquista do ar é realizada pelos inse-
tos há 350 milhões de anos e, pelas aves, há 130. Dos animais mais primitivos aos milhões de
espécies atuais, há nesta história muitas mudanças, às quais denominamos evolução.
Assim, nos inventários da Biodiversidade deve-se buscar padrões que se repetem, en-
tender os processos que geraram diversas espécies e adaptações através da história evolutiva.
Neste contexto, a reconstrução das filogenias é fundamental para que possamos detectar ori-
gens da multicelularidade, a organização celomática e muitos outros aspectos que distinguem
a Biodiversidade nos tempos atuais.

DIVERSIDADE INTRAESPECÍFICA E DIVERSIDADE INTERESPECÍFICA


A diversidade animal revela-se também em aspectos, como dimorfismo sexual, diferen-
ças no desenvolvimento e diferenças individuais, os quais ocorrem dentro de uma mesma es-
pécie, enquanto variações em tamanho, morfologia, fisiologia, simetria, hábitats colonizados
etc., que são maiores entre espécies.

DIVERSIDADE INTRAESPECÍFICA
Dimorfismo sexual − as diferenças entre os genitores podem ser claras, como em certos
besouros, aves e alguns peixes, ou não tão claras, ao menos externamente nos quais é difícil
distinguir o macho da fêmea, a exemplo do que ocorre nos ouriços-do-mar.

Diferenças no desenvolvimento − uma forma jovem pode ser completamente diferente


da adulta, como, por exemplo, girino e sapo, lagarta e borboleta e estádios larvais de muitos
animais marinhos adultos.

18
Carlos Antonio Neves Júnior
Diferenças individuais − devido ao patrimônio genético de cada indivíduo, são encon-
tradas diferenças em tamanho, cor, forma, comportamento e particularidades exploradas pelo
Homem no desenvolvimento de variedades de animais domesticados.

DIVERSIDADE INTERESPECÍFICA
Tamanho − a ordem de grandeza é notável entre baleias e animais microscópicos que
habitam os espaços entre grãos de areia.

Morfologia − diferenças na organização são encontradas não apenas na forma externa,


mas também na forma interna. Nos insetos, por exemplo, a maior parte do sistema nervoso é
ventral em relação ao tubo digestivo, enquanto que a relação é invertida nos vertebrados.

Fisiologia − as diferenças nas formas exigiram atividades diferentes, por exemplo, nos
modos de locomoção e ingestão de alimentos.

Simetria − é a divisão imaginária do corpo de um ser em metades opostas, que devem


ser simétricas entre si; basicamente os elementos de simetria são eixos e planos. Eixo é uma
reta que atravessa o centro do corpo, de tal modo que ao longo desta reta as partes do corpo se
repetem. Plano é a superfície que divide o corpo em partes, de tal modo que uma é a imagem
especular da outra.

Hábitats − a diversidade animal também é expressa na variedade de hábitats que os a-


nimais ocupam; geralmente acredita-se que os animais tenham se originado nos oceanos ar-
queozóicos, bem antes do primeiro registro fóssil. Todo filo importante de animais tem pelo
menos alguns representantes marinhos, e do ambiente marinho ancestral grupos diferentes
invadiram a água doce enquanto outros moveram-se para a terra. Cada habitat diferente como
floresta, oceano, deserto e lago contêm sua diversidade animal característica.

2. POR QUE ESTUDAR OS ANIMAIS?


O Homem é um produto do processo evolutivo, e deste modo a aquisição de conheci-
mentos sobre os animais é necessária como parte da incessante busca de compreensão da na-
tureza e posição que o próprio Homem nela ocupa.

3. PARA QUE ESTUDAR OS ANIMAIS?

19
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Em primeiro lugar, para conhecer a estrutura e o funcionamento dos mesmos, buscando
entender suas relações evolutivas. Grande parte do que hoje sabemos sobre os seres humanos
conseguiu-se estudando outros animais.
Compreender as relações entre animais, destes com as plantas e com o ambiente para
possibilitar a detecção do equilíbrio e de perturbações naturais ou provocadas pela cegueira
humana.
Buscar soluções para problemas relacionados à saúde dos humanos e de outros animais
pesquisando parasitos, vetores de doenças, inclusive as que causam destruição de frutos e ce-
reais.
Aplicar conhecimentos adquiridos na produção de alimentos, vestuário e medicamen-
tos. As indústrias que lidam com animais domésticos, a pesca comercial, a apicultura e o co-
mércio de peles criam um mercado de trabalho para inúmeras pessoas.
Disponibilizar meios de contemplação aos homens em áreas de lazer, uma excelente
forma de descarregar tensões da sociedade. O fiel companheiro de nossa existência terrestre, o
animal e sua imagem habitam nosso ser, mesmo que o mundo da consciência quotidiana os
tenham eliminado.

4. COMO ESTUDAR OS ANIMAIS?


As informações sobre animais provêm de conhecimentos populares, baseados na obser-
vação e de conhecimentos técnico-científicos apoiados em observações e experimentos con-
trolados.
Em Biologia, costuma-se agrupar as disciplinas em dois campos: Biologia Geral e Biolo-
gia Comparada. A Biologia Geral, com base em métodos experimentais, estuda os mecanis-
mos e processos que governam os seres vivos. A Biologia Comparada estuda a biodiversidade
usando o método comparativo, mais que o experimental, para descobrir padrões bióticos.
O conhecimento técnico-científico sobre animais, portanto, é adquirido pelos métodos
comparativo e experimental. No primeiro, a finalidade é a descrição de padrões e no segundo
a formulação de conceitos que tenham ampla aplicação no campo de estudo considerado.
Bons cientistas formulam hipóteses a partir de fatos acumulados, testam suas teorias, repetem
seus experimentos e não hesitam em buscar o parecer de outros especialistas. Suas descobertas
devem ser divulgadas, pois assim estarão contribuindo para a ampliação do seu campo de in-
vestigação.

20
Carlos Antonio Neves Júnior
1.1.2
CONTEÚDO 2.
GRAUS DE HIERARQUIA ZOOLÓGICA

FONTE: HTTP://SABER.SAPO.AO/W/THUMB.PHP?F=BIOLOGICAL_CLASSIFICATION_L_PENGO_VFLIP-PT.SVG&W=180&R=1 ACESSO EM


17/10/2009

O estudo dos animais pode ser sob diferentes aspectos. Por exemplo, se resolvermos es-
tudar os insetos, pode ser analisado a forma e o funcionamento de um órgão ou de todo o
animal. Podemos também estudar o comportamento do inseto no ambiente analisando como
ele captura seu alimento, qual o tipo de alimentação, o modo e época de acasalamento e a rela-
ção com os outros seres vivos, ou seja, é necessário determinar em que nível de organização se
quer analisar o animal, começando pelo indivíduo, ou ao nível das relações desse indivíduo
com o ambiente onde se encontra inserido.

Nossa disciplina envolve os animais invertebrados. Veja a figura abaixo e observe o


quanto eles dominam o nosso planeta.
Após a análise desta figura, faça a si próprio o seguinte questionamento: qual a impor-
tância do professor-pesquisador para o ensino da Zoologia? Como posso dar significado
ao conteúdo demonstrado na figura abaixo frente aos meus futuros alunos? Para que ou
por que preciso demonstrar a predominância desses seres no nosso planeta? Qual a impor-
tância dessa predominância?

21
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Analise a figura

FONTE: PRÓPRIO AUTOR

Como se percebe, os invertebrados são predominantes no cenário zoológico do nosso


planeta. Eles são considerados animais invertebrados, aqueles que não apresentam um endo-
esqueleto ósseo de matriz de carbonato e fosfato de cálcio. Este grupo de animais reúne vários
filos com características bem distintas. Os mais simples são denominados metazoários inferio-
res e os mais complexos superiores. Salientamos que o termo taxionômico invertebrados, an-
tes usado e ainda vigente como nome de um subfilo, não é mais usado na classificação siste-
mática moderna. Os invertebrados podem pertencer aos dois grandes sub-reinos em que se
divide o Reino Animal: parazoários e metazoários.

• Continue refletindo o futuro professor!


• Como levar a Zoologia para a sala de aula?
• Por que devemos conscientizar os educandos da im-
portância dos animais para a nossa sobrevivência no
planeta?

22
Carlos Antonio Neves Júnior
Reflita por alguns minutos sobre a figura ao lado e se questione quanto aos prejuízos
que podem ser causados aos seres vivos pela ação demonstrada na ilustração. Então, comece a
pensar em como ministrar tais conteúdos de forma criativa e interessante para que haja mu-
danças significativas no comportamento do seu futuro aluno com relação à consciência ecoló-
gica. Por exemplo, com uma simples análise de uma figura como esta, o ensino e aprendiza-
gem da Zoologia certamente em ambiente escolar resultarão em debates interessantes onde
serão plantadas as sementes da consciência da proteção e da preservação ambiental, e mais
tarde veremos ações conscientes dos nossos educandos em prol da natureza.
A contextualização é uma boa forma para trabalharmos com temas da Zoologia em sala
de aula, e os assuntos de degradação do meio ambiente podem ser discutidos e relacionados à
consciência ecológica, a preservação das espécies e a importância dos seres vivos no contexto
natureza.

Então, como fazê-lo?

Propondo:

• Excursões a campo
• Elaboração de mapas
• Elaboração e envolvimento em projetos
• Atividades lúdicas
– Perguntas e respostas
– Criação de histórias
– Peças de teatro
– Construção de feira do conhecimento
– Produção de texto
– Debates

É necessário adequar os conteúdos ministrados à realidade do estudante.

23
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
CLASSIFICAÇÃO

Quanto ao estudo da classificação dos animais, podemos iniciar esse conteúdo compre-
endendo que é muito importante que a nossa vida esteja sempre organizada, pois se apresen-
tamos postura que demonstram atitudes de organização as coisas se tornam bem mais fácil.
Assim é o papel da classificação científica dos animais, e quando classificados são arrumados
em grupos onde distinguimos as espécies de animais atuais e extintas.
A classificação é muito importante, pois numa situação cotidiana sempre que vemos um
animal dentro da nossa casa e que temos pavor, de imediato falamos: “Por favor, alguém pe-
gue um chinelo para matar este inseto horroroso...”.

FONTE: HTTP://GALODAPAN.FILES.WORDPRESS.COM/2009/07/PENSANDO.JPG ACESSO EM 17/10/2009

Não se preocupe com o estudo da classificação e o aprofundamento nos conteúdos da


Zoologia, você saberá a resposta correta para o questionamento acima.
Imagine que você foi visitar uma exposição de insetos do tipo borboletas, então você
questiona: Por que estes animais são considerados insetos? Quais seriam as semelhanças entre
elas para que pertençam a este grupo? Bom, há várias respostas como, por exemplo, animais
que voam, possuem seis patas, sofrem metamorfose etc.
No entanto, diversos animais possuem as mesmas características aqui apresentadas e
não seriam insetos. Ao compararmos alguns animais entre si, eles podem ser muito semelhan-
tes ou não. Por isso, conforme suas semelhanças e sua história de evolução no planeta Terra,

24
Carlos Antonio Neves Júnior
podemos classificar os seres vivos seguindo critérios, como anatômicos, fisiológicos, ecológi-
cos ou evolutivos.

HTTP://ALEXXAVIER.FILES.WORDPRESS.COM/2008/03/CHARGE-ARISTOTELES-E-CIA.JPG. ACESSO EM 17/10/2009

Desde muito tempo, os cientistas vêm tentando uma forma de classificação que seja uni-
versal, ou seja, que possa ser usada para qualquer animal e por pesquisadores do mundo todo.
As primeiras tentativas de classificação datam de Aristóteles e remontam a 3 séculos antes de
Cristo. Ele dividia os animais em animais de sangue vermelho e animais sem sangue verme-
lho. Sem dúvida, é uma classificação muito simples e imperfeita.
As primeiras tentativas de classificação datam de Aristóteles, e remontam a 3 séculos an-
tes de Cristo. Ele dividia os animais em animais de sangue vermelho e animais sem sangue
vermelho. Sem dúvida, é uma classificação muito simples e imperfeita.
No século XVII, o cientista britânico John Ray empregou pela primeira vez o conceito
de espécie, que será discutido a seguir. A partir do século XVIII, passaram-se a empregar cri-
térios associados ao desenvolvimento embriológico e à história evolutiva dos animais. Esses
critérios permitiram estabelecer um "parentesco" entre as várias espécies. Essa visão evolutiva
e embriológica dos animais é conhecida como filogenia.

HTTP://SVT.SE/CONTENT/1/C6/30/17/73/CARL_VON_LINNE_460.JPG ACESSO EM 17/10/2009

25
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
A classificação moderna tem as suas raízes no sistema de Carl Von Lineu. Lineu (1707-
1778) foi o primeiro cientista a propor um sistema único de classificação. Em sua primeira
classificação, ele agrupou todos os animais da seguinte maneira: mamíferos, aves, répteis,
anfíbios, peixes, insetos e vermes (todos os demais invertebrados). Lineu dividiu cada um
desses grupos em espécies, e estabeleceu algumas regras de nomenclatura que até hoje são
empregadas.
Nos últimos anos têm sido tentadas as classificações baseadas na semelhança entre códi-
gos genéticos, com grandes avanços em algumas áreas, como a sistemática molecular, que uti-
liza a análise do DNA do genoma que levou muitas revisões recentes e é provável que conti-
nue a fazê-lo. A classificação científica pertence à ciência da Taxonomia que estuda a
classificação dos animais. A área do conhecimento da Taxonomia apresenta duas divisões: a
sistemática onde são utilizadas as características ecológicas, fisiológicas, anatômicas e todas as
outras que estiverem disponíveis para os táxons em questão, ou seja, é o conjunto de investi-
gações a respeito dos táxons que se dá o nome de sistemática.
A outra divisão é a nomenclatura que define as normas universais de se nomear todas as
espécies conhecidas na Terra.

OS OBJETIVOS DA SISTEMÁTICA SÃO:


• Descrever a diversidade biológica
• Encontrar uma ordem subjacente à diversidade biológica
• Compreender os processos que geram a diversidade
• Apresentar um sistema geral de referência sobre a diver-
sidade

FONTE: HTTP://SABER.SAPO.AO/W/THUMB.PHP?F=BIOLOGICAL_CLASSIFICATION_L_PENGO_VFLIP-PT.SVG&W=180&R=1. ACESSO EM


17/10/2009

A vantagem de se ter um bom sistema de classificação e de nomenclatura é a sua univer-


salidade. Quando na China se fala de Homo sapiens sapiens, aqui no Brasil e em qualquer
outro lugar do mundo entende-se de imediato que está se falando da espécie humana, ou seja,
o ser humano.

26
Carlos Antonio Neves Júnior
A nomenclatura é a atribuição de nomes a organismos e às categorias nas quais são clas-
sificados, e o nome científico é aceito em todas as línguas e cada nome aplica-se apenas a uma
espécie.
NOMES COMUNS OU POPULARES – Cada país tem seus próprios nomes comuns
para designar animais bem conhecidos. O pardal, por exemplo, recebe nomes diferentes con-
forme as regiões em que habitam. Assim existe a possibilidade de confusão entre povos de
diferentes nacionalidades ou mesmo dentro de um único país.
Exemplo:
Estados Unidos English sparrow

Inglaterra House sparrow

Espanha Gorrion

França Moineau domestique

Brasil Pardal

NOMES CIENTÍFICOS – Recorre-se ao nome científico do animal para evitar confusão


mencionada acima. Por exemplo, o nome científico do pardal é Passer domesticus, reconheci-
do em qualquer região do globo.
A classificação das espécies não obedece a critérios rigidamente formais. Caso fosse em-
pregado aos primatas, o mesmo critério científico usado para classificar os besouros, por e-
xemplo (há mais de 300 mil espécies catalogadas desses insetos, embora alguns cientistas cogi-
tam números acima de 1 milhão), o ser humano (Homo sapiens) faria parte do gênero Pan, o
mesmo gênero dos chimpanzés (Pan troglodytes) e dos bonobos (Pan paniscus).
O conjunto de animais existentes na Terra forma o Reino Animal e deve ser particulari-
zada classificando-os em grupos restritos. Duas ou mais espécies de animais ou vegetais, que
tenham um certo número de características em comum, constituem um gênero. Por sua vez,
os gêneros se agrupam em famílias, as famílias em ordens, as ordens em classe e as classes em
filos.

A nomenclatura biológica contribui para a classificação:


1. Atribuindo um nome único a cada tipo de organismo
2. Assegurando que organismos distintos tenham nomes distintos

27
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Cada país tem seus próprios nomes comuns para designar animais bem conhecidos, mas
recorre-se ao nome científico para evitar confusão. O táxon é o objeto de estudo da Taxono-
mia, que visa individualizar e descrever cada táxon, ou seja, é uma unidade da Taxonomia que
está associada ao sistema de classificação. Por exemplo, um reino, um gênero, uma espécie é
um táxon, ou seja, qualquer outra unidade de um sistema de classificação dos seres vivos. Os
nomes dos animais são escritos em latim ou de forma latinizada.

FONTE: WWW.BLOGSPOT.COM.BR ACESSO EM 17/10/2009

Cada professor, ao ministrar aulas, carrega obviamente para a sala de aula as suas con-
cepções e são elas que norteiam toda a práxis pedagógica.
Por este motivo, faz-se necessário um educador em Biologia que tenha o processo con-
tínuo da crítica e da reflexão. Naturalmente, este processo demanda do professor uma predis-
posição e uma postura pró-ativa para ser também pesquisador.

FONTE: HTTP://ALEXXAVIER.FILES.WORDPRESS.COM/2008/03/CHARGE-ARISTOTELES-E-CIA.JPG. ACESSO EM 17/10/2009

28
Carlos Antonio Neves Júnior
Ao estudarmos a Zoologia percebemos a importância em evidenciar para o nosso edu-
cando que esta disciplina é extremamente útil e significativa para a vida humana e que ur-
ge a necessidade da preservação dos seres vivos. Ainda assim, nós professores, vamos para
as salas de aula sem a segurança de que nós estamos ou precisamos passar os conteúdos de
forma significativa para o estudante.
A seguir, apresento para vocês uma série de perguntas para as quais não apresentarei
respostas. Faço, em verdade, um convite à reflexão, onde cada um de vocês deve buscar
sua verdade e exercitar a autocrítica.
1. Como nos vemos diante do trecho acima?
2. É possível que a Zoologia que usamos para as nossas ações seja a mesma que apren-
demos na escola, aquela que nos propomos a ensinar?
3. Se ainda encontramos alunos que não sabem preservar e valorizar a vida zoológica,
isso significa que eles não tiveram uma Zoologia significativa de forma prazerosa, in-
teressante e instigante?
4. Será que as campanhas e movimentos em prol da natureza só devem ficar evidencia-
dos no âmbito escolar?
5. Em que momento dos nossos ensinamentos da Zoologia os estudantes entenderam
que a postura de preservação da natureza é uma prática humana?

FONTE: HTTP://4.BP.BLOGSPOT.COM/_JDKQTIC4LSO/SLXHBFZOS1I/AAAAAAAAAII/MFJW_KKS6ZE/S400/SURICATAS.JPG ACESSO EM


17/10/2009

29
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Sistema Lineano

TÁXONS CATEGORIAS
Muitos Sete categorias
Táxons tradicionais

FONTE: PRÓPRIO AUTOR

A ilustração acima, mostra claramente o que vamos estudar agora. Fique ligado!
O conjunto de animais existentes na Terra forma o Reino Animal e deve ser particulari-
zada classificando-os em grupos restritos. Duas ou mais espécies de animais que tenham certo
número de características em comum constituem um gênero. Por sua vez, os gêneros se agru-
pam em famílias, as famílias em ordens, as ordens em classe e as classes em filos.
Espécie é unidade taxonômica fundamental, é o conjunto de organismos semelhantes
que se cruzam habitualmente na natureza, originando descendentes férteis.
Fique atento para o exemplo abaixo e entenda sobre o conceito de espécie:

Os animais como o jumento e a égua são seres bastante semelhantes. O Homem já esti-
mula o cruzamento entre eles e esses cruzamentos originam descendentes, que são os burros.
Mas os burros são animais estéreis, ou seja, não conseguem quando cruzados originarem des-
cendentes férteis. Então, os animais égua e jumento não podem ser considerados animais da
mesma espécie, pois não originam descendentes férteis.
Assim sendo, devemos entender que indivíduos de uma mesma espécie apresentam um
número elevado de semelhanças. Suas células possuem as mesmas quantidades de cromosso-
mos, e eles são iguais quanto à forma; há semelhanças bioquímicas entre eles; a fisiologia dos
seus órgãos internos e o seu desenvolvimento embriológico são idênticos. Entre os vegetais, há
casos de plantas de espécies diferentes que podem se cruzar, originando descendentes férteis.
Ainda assim, não podemos dizer que pertencem a uma mesma espécie devido às diferenças
morfológicas e fisiológicas existentes entre elas.

30
Carlos Antonio Neves Júnior
Quando uma espécie eventualmente apresenta uma diversidade de organismos, é divi-
dida em subespécies. Se os componentes de duas subespécies permanecerem afastados e im-
pedidos de se cruzar, é possível que venham a acumular ao longo do tempo tal quantidade de
divergências que passem a formar duas espécies distintas. Podemos imaginar, por exemplo,
populações de certa espécie de ave que habitam ilhas afastadas e separadas por grandes exten-
sões do oceano. Com o passar do tempo, não havendo encontro dos membros das várias po-
pulações, a partir de certo momento o cruzamento entre os seus membros se torna inviável.
Daí passaram, então, a constituir espécies diferentes.
Duas ou mais espécies que apresentam características comuns são agrupadas em gêne-
ros. A quantidade de semelhanças entre dois componentes de uma mesma espécie é, logica-
mente, maior que as semelhanças entre dois membros de um mesmo gênero.
Gêneros correlacionados são colocados em uma mesma família. Uma família é um gru-
pamento no qual podemos notar uma maior diversidade do que dentro de um gênero. Diver-
sas famílias constituem uma ordem. Comparando os membros de diversas ordens, podemos
encontrar semelhanças que permitam reuni-las em uma classe. Citando um exemplo conheci-
do, vejamos esses animais, a exemplo da mosca, barata e abelha, possuem 3 pares de patas, um
par de antenas, respiram através de tubos muito finos chamados traqueias e excretam por in-
termédio dos tubos de Malpighi. Em função dessas e de outras semelhanças, todas pertencem
a uma mesma classe, a dos insetos. Insetos (como as baratas), crustáceos (lagosta, por exem-
plo) e aracnídeos (escorpiões e aranhas) têm uma carapaça externa formada por quitina, que é
um polissacarídeo. Pertencem a classes diferentes, que se unem em um mesmo filo. No caso
citado, pertencem ao filo dos artrópodos. Filos semelhantes constituem os reinos. São os mais
genéricos e abrangentes de todos os agrupamentos de seres vivos.
A figura a seguir que resume como um ser vivo é classificado:

FONTE: PRÓPRIO AUTOR

31
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Para ficar mais por dentro do assunto, leia o texto abaixo.

REGRAS DE NOMENCLATURA
Os animais, assim como as plantas, são popularmente conhecidos por nomes muito va-
riáveis de um lugar para outro. Numa tentativa de universalizar os nomes de animais e plan-
tas, os cientistas têm, há muito, procurado criar uma nomenclatura internacional para a de-
signação dos seres vivos. Mark Catesby, por volta de 1740, publicou um livro de Zoologia
onde denominava o pássaro conhecido como tordo (sabiá americano) de Turdus minor cine-
reo-albus non maculatus, que significava: “tordo pequeno branco-acinzentado sem manchas”.
Essa foi uma tentativa de padronizar o nome do pássaro para que ele pudesse ser conhecido
em qualquer idioma ou região, mas havia o inconveniente de usar uma denominação muito
extensa.
Em 1735, o sueco Carl von Linné, botânico e
médico, conhecido simplesmente por Lineu,
lançou seu livro Systema Naturae, no qual
propôs regras para classificar e denominar
animais e plantas.

FONTE: HTTP://SVT.SE/CONTENT/1/C6/30/17/73/CARL_VON_LINNE_460.JPG ACESSO EM 17/10/2009

Porém, foi somente na 10ª edição do seu livro, em 1758, que ele sugeriu uma nomencla-
tura mais simples, no qual cada organismo seria conhecido por dois nomes apenas, seguidos e
inseparáveis. Surgiu assim a nomenclatura binomial, a qual é ainda hoje utilizada. As regras
para a denominação científica dos seres vivos foram firmadas posteriormente no I Congresso
Internacional de Nomenclatura Científica, em 1898.
A denominação científica dos animais segue certas regras definidas, as quais são esboça-
das no Código Internacional de Nomenclatura Zoológica. Nomes científicos são latinizados,
mas podem ser derivados de qualquer outra língua ou de nomes de pessoas ou lugares. A mai-
oria dos nomes é derivada de palavras latinas ou gregas e geralmente refere-se a alguma carac-
terística do animal ou do grupo denominado. Por convenção, os nomes genéricos e específicos

32
Carlos Antonio Neves Júnior
são latinizados, enquanto o nome das famílias, ordens, classes e outras categorias não o são,
embora tenham letra inicial maiúscula. As principais regras da nomenclatura científica estão
resumidas a seguir:

1. Na designação científica os nomes devem ser em latim de origem ou, então, latiniza-
dos.
2. Todo nome científico deve está destacado no texto. Pode ser escrito em itálico, se for
impresso, ou sublinhado se for em trabalhos manuscritos.
3. Cada organismo deve ser reconhecido por uma designação binomial, sendo o primeiro
termo para designar o seu gênero e o segundo para a sua espécie. Considera-se um er-
ro grave usar o nome da espécie isoladamente, sem ser antecedido pelo gênero.
4. O nome relativo ao gênero deve ser um substantivo simples ou composto, escrito com
inicial maiúscula.
5. O nome relativo à espécie deve ser um adjetivo escrito com inicial minúscula, salvo ra-
ríssimas exceções, como nos casos de denominação específica em homenagem à pes-
soa célebre. Por exemplo, no Brasil há quem escreva Trypanosoma Cruzi, já que o
termo Cruzi é a transliteração latina do nome de Oswaldo Cruz, uma homenagem a
esse grande sanitarista brasileiro.
6. Em trabalhos científicos, após o nome do organismo, é colocado por extenso ou abre-
viadamente o nome do autor que primeiro descreveu e denominou, sem qualquer
pontuação intermediária, seguindo-se depois uma vírgula e data da primeira publica-
ção. Exemplos:

a. Cachorro: Canis familiaris Lineu ou L., 1758.


b. Ancilóstoma: Ancylostoma duodenale Creplin ou C., 1845.

7. A designação para espécies é binomial, mas para subespécies é trinomial. Por exemplo:

c. Mycobacterium tuberculosis hominis (tuberculose humana)


d. Mycobacterium tuberculosis bovis (tuberculose bovina)
e. Mycobacterium tuberculosis avis (tuberculose aviária)

33
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
8. Em Zoologia, a família é denominada pela adição do sufixo idae ao radical correspon-
dente ao nome do gênero-tipo (gênero mais característico da família). Para a subfamí-
lia, o radical adotado é inae. Exemplos:

f. Gato − gênero: Felis; família: Felidae; subfamília: Felinae.


g. Cascavel − gênero: Crotalus; família: Crotalidae; subfamília: Crotalinae.

LEI DA PRIORIDADE

Se diversos autores denominarem um mesmo organismo diferentemente, prevalece


sempre aquela mais antiga, ou seja, a primeira denominação.
A substituição de nomes científicos é permitida somente em casos excepcionais, ado-
tando para esses casos uma notação especial, já convencionada, que indica tratar-se de espé-
cime reclassificado. Desta forma, se a posição sistemática de um organismo é modificada, o
nome científico deve assumir a seguinte forma: menciona-se o nome do organismo já no novo
gênero e, a seguir, entre parênteses, o nome do primeiro autor e a data em que a denominou;
só então, fora dos parênteses, coloca-se o nome do segundo autor e a data em que reclassificou
o espécime. Assim, a denominação da formiga saúva Atta sexdans (Lineu, 1758) Fabricius,
1804, indica que Fabricius mudou de gênero o animal inicialmente descrito e "batizado" por
Lineu.
Ao publicar a descrição de uma nova espécie, é prática comum designar um espécime-
tipo, descrevê-lo e indicar em que coleção foi colocado.

Para saber mais sobre as regras de classificação, acesse:


http://biologia.if.sc.usp.br/bio2/apostila/zoologia-A.pdf

REVISANDO

REVISANDO AS REGRAS

34
Carlos Antonio Neves Júnior
1 − O nome dos animais devem ser escritos em latim (Lineu usou o latim porque era a
língua dos intelectuais em sua época)
2 −Todo animal tem obrigatoriamente dois nomes no mínimo. O primeiro é o do gêne-
ro e o segundo o da espécie (Sistema binominal criado por Lineu). Ex.: Homo sapiens
3 − O nome do gênero deve ser sempre escrito com inicial maiúscula e o da espécie com
inicial minúscula.
Ex.: Trypanosoma cruzi

Quando se dá o nome específico em homenagem a uma pessoa, como no exemplo aci-


ma, acrescentamos a letra i no sobrenome do homenageado se for do sexo masculino. Ex.:
Carlos Bates = batesi.

Quando o homenageado for feminino, acrescentamos ae no sobrenome.


Ex.: Sônia Costa = costae

4 – Quando existe subespécie, o seu nome deve ser escrito depois do da espécie e sempre
com inicial minúscula.
Ex.: Rhea americana darwing ou Apis mellifera adansoni

5 – Quando existe subgênero, o seu nome deve ser escrito depois do nome do gênero,
entre parênteses, e sempre com inicial maiúscula.
Ex.: Anopheles (nissurrhynchus) darlingi

6 – O nome dos animais deve ser grifado ou deve se usar um tipo de letra diferente do
texto, em geral usa o negrito ou caracteres itálicos.

7 – Se um gênero ou espécie foi descrito mais de uma vez, deve-se sempre usar o primei-
ro nome que o animal foi descrito, mesmo que seja errado. É a lei da prioridade. Ex.: Trichuris
trichiura é conhecido também como tricocéfalo em vista de ser usado durante muito tempo o
nome Tricocephalus trichiuris. O nome mais antigo Trichuris − (thirix = cabelo; aura = cau-
da) significa cauda capilar. Quando se descobriu que a parte filiforme do verme correspondia
à extremidade cefálica e não caudal, procurou-se mudar o nome para Trichocephalus, o que
não é permitido pela regra da prioridade.

35
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
8 – Nos trabalhos científicos, depois do nome da espécie, coloca-se o nome do autor (o
naturalista que a descreveu) e o ano da publicação do trabalho onde foi descrito. Ex. Triatoma
infestans − Klug, 1834.

Para não esquecer!


O nome do autor e data, citados entre parênteses, indicam que a espécie em questão
foi descrita originalmente em gênero diversos do que aparece citado. Ex Trypanosoma
cruzi (Chagas, 1909). Originalmente foi descrito como Schizotrypanum cruzi. Dias, em
1939, foi quem revalidou.

9 – Tem terminações padronizadas as seguintes categorias: superfamília (oidea), família


(idae), subfamília (inae) e tribo (ini). Ex.: O pernilongo vetor da malária pertence à superfami-
lia Culicoidea, família Culicidae, subfamilia Culicinae e a tribo Anophelini .

Na prática, devido ao grande número de animais a classificar, utilizam-se grupos inter-


mediários como subclasse, subordem, subfamílias, subgênero e até subespécies.
Vejamos um exemplo

Como podemos classificar uma formiga?


Reino Animal

Ramo Artrópode

Classe Hexápode

Subclasse Pterigota

Ordem Himenópteros

Subordem Clistogastra

Família Formicidae

Subfamília Ponerinae

Gênero Ectatomma

Subgênero Esctatomma

Espécie Ectatomma Edentatum

Subespécie Multicum

36
Carlos Antonio Neves Júnior
Com certeza você está se perguntando:
Existem seres vivos que não conhecemos? Como a classificação dos seres vivos nos a-
juda a compreender e sistematizar o processo evolutivo das espécies? Porque os cientistas
fazem a classificação?

Observe o mapa conceitual a seguir e perceba quais os aspectos são necessários para
classificarmos os seres vivos.

FONTE: PRÓPRIO AUTOR

CLASSIFICAÇÕES

NATURAIS E ARTIFICIAIS – Os primeiros biólogos que tentaram agrupar os animais


se utilizaram das observações de semelhanças em poucas características, como tamanho, for-
ma, locais habitados e meios de locomoção. Por exemplo, classificando os animais quanto à
locomoção, teríamos no mesmo grupo o canário, a abelha e o morcego, todos voadores. Os
animais saltadores incluem espécies tão distintas, como canguru e pulgas. Assim, por motivos
óbvios, essas classificações, chamadas artificiais, foram abandonadas.
O sistema natural moderno de classificação emprega todos os dados disponíveis, como
estrutura, fisiologia, embriologia e distribuição geográfica, dentre outras. A classificação
NATURAL se baseia na Teoria da Evolução e tenta descobrir as relações de parentesco entre
os animais por meio de relações filogenéticas.

A ESPÉCIE É CONSIDERADA UNIDADE DE CLASSIFICAÇÃO DOS SERES


VIVOS.

37
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
CONCEITO DE ESPÉCIE – A unidade de classificação, usada pelos biólogos, é chama-
da de espécie, porém a palavra é usada para animais e vegetais tão semelhante que não só te-
nha as mesmas características estruturais, como também possam ser cruzadas livremente na
natureza e que produza descendentes férteis.

Indivíduos de espécies diferentes não se cruzam, embora ocasionalmente se produzam


híbridos entre espécies.

Para reconhecer os grupos de animais e classificá-los é necessário saber que:

 As espécies podem ser agrupadas e formar um gênero.


 O nome científico dos seres vivos é escrito em latim.
O nome científico deve estar destacado.
Ex.: Carlos Chagas descreveu um protozoário parasita do Homem Trypanosoma cruzi.
• Lineu denominou o cão – Canis familiaris

 Os gêneros podem ser agrupados e formar uma família.


Ex.: Canis familiaris (cachorro)
• Canis lupus (lobo)

 Famílias podem ser agrupadas e formar uma ordem.


Ex.: O cão, o lobo e a raposa fazem parte da ordem dos carnívoros (Carnivora), pois nu-
trem-se de carne.

 Ordens podem ser agrupadas e formar uma classe.


Ex.: O macaco e o ser humano são da ordem dos primatas (Primata)

 Classes podem ser agrupadas e formar um filo

38
Carlos Antonio Neves Júnior
Ex.: O boi, a galinha e os peixes são do filo cordados, pois possuem estruturas de susten-
tação.
 Filos podem ser agrupados e formar um reino. Assim, os cordados e os outros
animais formam o Reino Animalia.

Desta forma, para nomearmos os seres vivos devemos obedecer a certas regras; regras
estas que só foram estabelecidas após os brilhantes trabalhos do botânico Sueco Carolus Lin-
naeus em 1758 (Carl Lineu).

1.1.3
CONTEÚDO 3.
ECOLOGIA DOS ANIMAIS

TÓPICOS DE INTERAÇÃO DOS SERES VIVOS E O AMBIENTE

FONTE: HTTP://WWW.DESCONVERSA.COM.BR/BIOLOGIA/WP-CONTENT/UPLOADS/2009/04/ECOLOGIA2.JPG ACESSO EM 17/10/2009

No estudo dos seres vivos é importante que entendamos as suas relações com o meio
ambiente e com os outros organismos. Afinal de contas, quando queremos informar a uma
pessoa sobre nosso respeito, é comum dizemos o nosso endereço, ou seja, onde e com quem
moramos; o nosso trabalho ou atividades desenvolvidas, o mesmo se aplica para os animais.
Agora o convite que lhe fazemos é para estudar os ambientes onde se encontram os organis-
mos aquáticos.

39
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
FONTE: HTTP://I.OLHARES.COM/DATA/BIG/107/1074359.JPG ACESSO EM 17/10/2009

Os seres vivos que habitam o meio aquático distribuem-se em três grupos:

• Plâncton.
• Nécton.
• Bentos.

FONTE: HTTP://WWW.IB.USP.BR/ECOLOGIA/ECO04_AMBIENTE_AQUATICO.JPG ACESSO EM 17/10/2009

O plâncton agrupa todos os seres vivos próximos à superfície, e que se deslocam ao sa-
bor das ondas ou correntezas o que lhes conferem um movimento horizontal.
No plâncton distinguimos dois subgrupos:

40
Carlos Antonio Neves Júnior
• Fitoplâncton formado pelos seres fotossintetizantes, representados principalmente
por algas uni e pluricelulares.
• Zooplâncton formados por organismos como protozoários, microcrustáceos, molus-
cos, medusas e larvas de vários tipos, inclusive peixes.

O nécton é composto pelos seres que têm movimentos ativos, pois são capazes de nadar
livremente em todas as direções. São peixes, répteis, aves, mamíferos, e dentre os invertebra-
dos destacam-se os moluscos cefalópodes (polvos e lulas).
O bento é formado pelos organismos vinculados ao substrato consolidado ou não, seja
ela raso ou fundo. São seres fixos, como certas algas, ostras, cracas, esponjas, corais e anêmo-
nas-do-mar; ou móveis, como estrelas-do-mar, camarões, lagostas e caramujos.

Os organismos aquáticos marinhos dependem da atividade fotossintetizante dos seres


autróficos, principalmente das do fitoplâncton. As algas, portanto, representam o primeiro
nível trófico de praticamente todas as cadeias alimentares.
Na região iluminada vivem animais herbívoros e carnívoros, além de alguns detritívo-
ros, isto é, que se nutrem de detritos orgânicos formados por restos de organismos mortos. As
cadeias alimentares marinhas são muito diversificadas e podem começar com seres autotrófi-
cos muito pequenos, como as algas unicelulares, e terminar com animais de grande porte,
como tubarões e baleias.
Na região escura não existem seres fotossintetizantes e animais herbívoros. Os peixes a-
bissais, por exemplo, que vivem em grandes profundidades, são detritívoros ou carnívoros e
têm adaptações especiais para a vida nesse ambiente.

A VIDA NAS ÁGUAS CONTINENTAIS


As águas existentes nos continentes, rios, lagos e pântanos são denominados águas con-
tinentais. Elas representam menos que 3% da massa de água existente no planeta. Sua tempe-
ratura varia mais do que a da água dos mares e sua composição depende do tipo de solo que as
suporta. O teor de salinidade é baixo e a penetração de luz é pequena.
Rios, lagos e pântanos diferem entre si pela movimentação das águas. Nos rios, as águas
estão em constante mistura por causa das correntezas; nos lagos e pântanos, elas estão prati-
camente paradas. Considerando esse conjunto, pode-se afirmar que esses ecossistemas abri-
gam uma considerável diversidade de vida, que inclui algas e outros tipos de plantas, peixes,
anfíbios, répteis, moluscos, anelídeos e outros animais.

41
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Em geral, os ecossistemas de água parada produzem alimento necessário para a sua ma-
nutenção através dos organismos fotossintetizantes que abrigam. Os ecossistemas de água
corrente, por sua vez, são relativamente pobres em fitoplâncton. Assim, uma parte da matéria
orgânica necessária para a sobrevivência dos animais que neles existem é importada dos ecos-
sistemas terrestres vizinhos.
Infelizmente, os ecossistemas aquáticos são vítimas constantes de inúmeros resíduos o-
riginados pelos diversos tipos de atividade humana. Eles recebem diariamente toneladas de
lixo e de esgotos domésticos, agrotóxicos, metais pesados, detergentes etc. Alguns dos nossos
rios, como o Tietê, estão enquadrados entre os mais dramáticos exemplos de poluição aquáti-
ca no planeta.

http://www.jmarcano.com/nociones/fresh2
http://www.biologiamarina.com/dev/projects/read

Se você mora próxima à praia, o convite é observar, no final de semana, o mar com um
outro olhar. Faça caminhada ao longo da praia e se aproxime, por exemplo, de uma poça, e
em seguida observe atentamente os animais, e então tente classificá-los em planctônicos, ben-
tônicos e nectônicos.

FONTE: HTTP://3.BP.BLOGSPOT.COM/_H92F2A-N9AY/SCQDBVUV1QI/AAAAAAAAET0/IA8WQ-
4QURE/S400/LEI+DE+INCENTIVO+A+CULTURA.JPG. ACESSO EM 17/10/2009

42
Carlos Antonio Neves Júnior
Aos que não habitam em região litorânea, não se preocupem, tem atividades também
para vocês! Vocês podem fazer essa observação em um outro manancial hídrico, um rio, por
exemplo, ou ainda na impossibilidade vocês podem locar documentário sobre a vida marinha
e fazer esse mesmo exercício.

1.1.4
CONTEÚDO 4.
BIODIVERSIDADE DE PROTISTAS
O Reino Protista agrupa organismos eucariontes, unicelulares, autótrofos e heterótrofos.
Neste reino se colocam as algas inferiores, como euglenófitas, pirrófitas (dinoflagelados) e
crisófitas (diatomáceas), que são protistas autótrofos (fotossintetizantes) ou heterótrofos. Eles
habitam a água e o solo. Este reino é constituído por cerca de 65.000 espécies conhecidas, das
quais 50% são fósseis e o restante ainda vive hoje. Destes, aproximadamente 25.000 são de
vida livre, 10.000 das espécies são parasitos dos mais variados animais, e apenas cerca de 30
espécies atingem o Homem (TORTORA, 2000).

FONTE: HTTP://WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM.BR/ALFA/AMEBA/IMAGENS/HISTOLYTICA.JPG ACESSO EM 17/10/2009

É importante que tenhamos em mente que os protozoários são organismos constituídos


por uma única célula que, para sobreviver, realiza todas as funções que garantem a manuten-
ção da vida, como alimentação, respiração, locomoção, reprodução e excreção. Para cada fun-
ção existe uma organela própria. Cada organela é mais ou menos semelhante nas várias espé-

43
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
cies, entretanto ocorrem pequenas diferenças que podem ser observadas ao microscópio ópti-
co ou unicamente ao microscópio eletrônico.
Quanto à sua morfologia, os protozoários apresentam grandes variações conforme sua
fase evolutiva e meio a que estejam adaptados. Podem ser esféricos, ovais ou mesmo alonga-
dos. Alguns são revestidos de cílios, outros possuem flagelos, e existem ainda os que não pos-
suem nenhuma organela locomotora especializada.

FONTE: HTTP://WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM.BR/ALFA/AMEBA/IMAGENS/HISTOLYTICA.JPG ACESSO EM 17/10/2009

Dependendo da sua atividade fisiológica, algumas espécies possuem fases bem definidas.
Assim, temos:
Locomoção – O sistema locomotor é um dos mais especializados, como flagelos, cílios,
membranas ondulantes, cirros ou pseudópodes. A movimentação dos protozoários é feita
com auxílio de uma ou associação de duas ou mais das organelas abaixo:

FONTE: PRÓPRIO AUTOR

44
Carlos Antonio Neves Júnior
Pseudópodos – são expansões citoplasmáticas transitórias que a célula emite para se lo-
comover e capturar alimentos. A ameba é um protozoário que se locomove através de pseu-
dópodos.
Flagelos – são prolongamentos da cutícula formando filamentos longos. São dotados de
movimentos ondulatórios e serpenteados, permitindo o deslocamento da célula e a captura de
alimento. São exemplos de flagelados a euglena, tripanossoma, tricomonas dentre outros, con-
forme já visto acima.

Cílios – tem as mesmas estruturas dos flagelos, diferindo por serem menores e aparen-
temente em grande número, movimentando-se em conjunto. Seu batimento produz uma cor-
rente que facilita a captura de alimentos e locomoção. Como exemplo, temos os paramécios,
didinios e colpodas, dentre outros.

RESUMINDO:
Com exceção dos membros do grupo Apicomplexa, todos os grupos de protozoários
apresentam sistemas de locomoção, podendo se movimentar ativamente por meio de fla-
gelos, tais como cílios ou emissão de pseudópodos.

Saiba mais sobre motilidade em Protozoa acessando o endereço abaixo:


http://www.fam.br/microrganismos/protozoariomotilidade.htm

Nutrição e Digestão – Os protozóarios apresentam uma nutrição muito diferenciada,


pois podem ser predadores ou filtradores, herbívoros ou carnívoros, parasitas ou mutualistas,
sendo que consomem prefericialmente bactérias. Assim, de acordo com os seus hábitos ali-
mentares, são classificados como:

a) Holofíticos ou autotróficos – são os que, a partir de grãos ou pigmentos citoplasmáti-


cos (cromatóforos), conseguem sintetizar energia a partir da luz solar (fotossíntese).

45
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
b) Holozóicos ou heterotróficos – ingerem partículas orgânicas, digerem-nas (enzimas) e,
posteriormente, expulsam os metabólitos. Essa ingestão se dá por fagocitose (ingestão
de partículas sólidas) ou pinocitose (ingestão de partículas líquidas);
c) Saprozóicos – "absorvem' substâncias inorgânicas já decompostas e dissolvidas em
meio líquido;
d) Mixotróficos – quando são capazes de se alimentar por mais de um dos métodos acima
descritos

Excreção – Em protozoa, de um modo geral, a excreção ocorre por meio de exocitose,


ou seja, a liberação para o meio externo de material não digerível.

Reprodução – Reprodução entre os ciliados se faz em geral por um processo peculiar


denominado conjugação, pelo qual os indivíduos fertilizam-se mutuamente. Acredita-se que o
micronúcleo desses organismos contribui nos processos reprodutivos. Os protozoários cilia-
dos são abundantes nas águas doces e marinhas ou cilióforos. Os protozoários ciliados ou ci-
lióforos são muito numerosos e também os da mais elevada organização intracelular. São co-
bertos de cílios, cuja vibração ondulante lhes permite nadar. Têm um orifício à maneira de
boca (citóstoma) e dois tipos de núcleo celular (macronúcleo e micronúcleo), um dos quais
regula as funções vegetativas e outro as reprodutoras.
Encontramos os seguintes tipos de reprodução:

Assexuada

• Divisão binária ou cissiparidade.


• Brotamento ou gemulação.
• Esquizogonia – É uma fissão múltipla; o núcleo se divide múltiplas vezes antes de a cé-
lula se dividir. Após a formação de vários núcleos, uma pequena porção do citoplasma se con-
centra ao redor de cada núcleo e então uma única célula se separa em células-filhas.

Sexuada

Existem dois tipos de reprodução sexuada:

46
Carlos Antonio Neves Júnior
• Conjugação: união temporária de dois indivíduos com troca mútua de materiais nu-
cleares singamia ou fecundação: união de microgameta e macrogameta formando o ovo ou
zigoto, o qual pode dividir-se para fornecer um certo número de esporozoítos. O processo de
formação de gametas recebe o nome de gametogonia e o processo de formação dos esporozoí-
tos recebe o nome de esporogonia (TORTORA, 2000).

VOCÊ SABIA QUE A ESTRUTURA DE LOCOMOÇAO É UTILIZADA NO


PROCESSO DE AGRUPAMENTO DOS PROTOZOÁRIOS. LEIA O TEXTO ABAIXO E
COMPROVE VOCÊ MESMO.

Antes da invenção do microscópio, ninguém teria imaginado que o minúsculo espaço


de uma gota d’água procedente de um charco pudesse ser o habitat de centenas de pequenís-
simos organismos. Vejamos algumas destas informações sobre um desses organismos, os pro-
tozoários.

HTTP://UPLOAD.WIKIMEDIA.ORG/WIKIPEDIA/COMMONS/THUMB/2/24/PROTIST_COLLAGE.JPG/220PX-PROTIST_COLLAGE.JPG ACESSO
EM 17/10/2009

Características gerais – Os protozoários vivem na água ou em qualquer ambiente que


conserve um alto grau de umidade e também como parasitos nos humores de animais. Muitos
são de vida livre enquanto outros vivem sobre plantas ou dentro delas. As inter-relações vari-
am de ocorrência casual até parasitismo estrito, sendo que alguns servem de alimento para
animais diminutos. Algumas espécies podem ser úteis na purificação de filtros de água e de
esgotos em estações de tratamento, mas há também os causadores de moléstias graves. Quase
todos os protozoários são microscópicos, mas alguns – muito poucos – podem ser vistos a
olho nu. O tamanho da maioria deles oscila entre 30 e 300 micra. Antonie van Leeuwenhoek

47
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
observou-os pela primeira vez após aperfeiçoar o microscópio, em 1674, e chamou-os "anima-
lículos" que vivem em infusões vegetais.
As formas parasitas são, em geral, as menores. A Leishmania, por exemplo, existe às de-
zenas num único glóbulo branco. Certos Nummulites, gênero de foraminíferos fósseis da era
cenozóica, atingiam vinte centímetros, provavelmente o maior tamanho já registrado para um
protozoário. Alguns gêneros atuais têm espécies que atingem seis milímetros. Os protozoários
têm formas tão diversas que não é possível obter-se um exemplo característico deles. O corpo
pode ser uma massa polimorfa, ou ser protegido por formações esqueléticas muito complica-
das. A locomoção é feita por meio de pequenos órgãos, denominados pseudópodos, flagelos,
cílios etc., ausentes nas formas parasitas.
Alguns desses pequenos órgãos são também internos, como o vacúolo contrátil presente
nas espécies de água doce, que ritmicamente excretam os gases e líquidos inúteis e mantêm a
densidade do protoplasma ao regular o equilíbrio osmótico entre a célula e o ambiente. Com
relação à nutrição, distinguem-se vários tipos de protozoários, desde os de alimentação hete-
rotrófica, como a dos animais, até os que se alimentam de forma autotrófica, como fazem os
vegetais. Nas formas livres de protozoários, a nutrição se faz à base de substâncias sólidas (in-
corporadas diretamente no protoplasma ou em certos vacúolos gástricos), como bactérias,
fermentos e até outros protozoários. O Paramecium, por exemplo, pode ingerir até cinco mi-
lhões de bactérias em 24 horas. Há formas de protozoários que, embora tenham nutrição fo-
tossintética, por ação clorofílica, como as plantas enquanto privados de luz, também podem
assimilar substâncias orgânicas. A reprodução faz-se por divisão direta do indivíduo em duas
células (amitose), ou indireta, no qual complicados processos nucleares precedem a divisão do
protoplasma (mitose). Dá-se também por esporulação, como em muitos parasitos.
Embora a maioria contenha um só núcleo celular, muitos têm dois ou mais. Algumas
espécies formam colônias por simples agrupamento e coordenação de movimentos. Certas
formas, muito mais avançadas, alcançam verdadeira diferenciação somática. Do ponto de vista
filogenético, é provável que os metazoários tenham evoluído de colônias de protozoários. São
conhecidas formas parasitárias que vivem em todos os grupos de animais e em muitas plantas.
As que têm sido objeto de estudo mais detalhado são as causadoras de sérias enfermidades.

Ordenação sistemática – A classificação dos protozoários se baseia em sua reprodução,


alimentação e especialmente em sua locomoção. Há quatro classes bem definidas: mastigófo-
ros ou flagelados, sarcodinos ou rizópodes, esporozoários e ciliados ou cilióforos.

Mastigóforos ou flagelados – Caracterizados pelo longo apêndice, em forma de chicote


(ou flagelo) e de movimentos rápidos e violentos, os mastigóforos ou flagelados são os proto-

48
Carlos Antonio Neves Júnior
zoários mais primitivos. Têm grande interesse biológico, pois certas formas são transitórias
entre plantas e animais devido à presença de clorofila, como as do gênero Euglena. Do ponto
de vista médico, são muito importantes os causadores da sífilis, da doença do sono, da doença
de Chagas etc. Os gêneros Ceratium e Peridinium são importantes componentes do plâncton
microscópico, do qual se alimentam as larvas diminutas de crustáceos e de outros animais
marinhos. Certos dinoflagelados podem tornar-se excessivamente abundantes, como ocorre
ao longo do litoral norte-americano, no qual se constituem a causa da formação da "água ver-
melha" nos mares durante o dia e a luminescência à noite.

Sarcodinos ou rizópodes – Os protozoários, cujos movimentos se efetuam por simples


expansão e contrações do protoplasma, como é o caso da ameba, denominam-se sarcodinos
ou rizópodes. Alguns deles são também patogênicos e produtores de disenteria. As amebas
têm o corpo nu, mas algumas são envolvidas por partículas de matérias estranhas aglutinadas.
Certos rizópodes marinhos, como os foraminíferos, estão encerrados em cápsulas calcárias
com perfurações. A reprodução dos foraminíferos é mais complicada que a amitose das ame-
bas, pois têm gerações alternadas. Outro grupo marinho, o dos radiolários, possui um esquele-
to central de matéria vítrea nas mais curiosas formas geométricas. Nas zonas quentes, a maio-
ria dos fundos oceânicos é constituída de lodos compostos dos restos desses rizópodes,
acumulados numa proporção que se calcula em 12m de espessura para cada milhão de anos.
Os micetozoários (ou mixomicetos), que exibem características tanto de protozoários quanto
de fungos, são com mais frequência incluídos pelos botânicos entre os fungos, mas têm sido
também classificados como rizópodes esporozoários. Os esporozoários são assim denomina-
dos por se reproduzirem mais rapidamente por meio de corpos germinativos, ou esporos, re-
sultantes de uma múltipla divisão, e de ciclo vital muito complicado. As formas são muito
heterogêneas, mas todas são parasitas, e os esporozoários habitam em outras células e nos gló-
bulos vermelhos, como é o caso do plasmódio (Plasmodium), agente etiológico da malária.

Ciliados ou cilióforos – Os protozoários ciliados ou cilióforos são muito numerosos e


também os de mais elevada organização intracelular. São cobertos de cílios, cuja vibração on-
dulante lhes permite nadar. Têm um orifício à maneira de boca (citóstoma) e dois tipos de
núcleo celular (macronúcleo e micronúcleo), um dos quais regula as funções vegetativas e o
outro as reprodutoras. A reprodução se faz geralmente por um processo peculiar denominado
conjugação, pelo qual os indivíduos fertilizam-se mutuamente. Os protozoários ciliados são
abundantes nas águas doces e marinhas.

49
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
PROTOZOOLOGIA MÉDICA

AMEBAS

FONTE: HTTP://WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM.BR/ALFA/AMEBA/IMAGENS/HISTOLYTICA.JPG ACESSO EM 17/10/2009

As amebas são protozoários que constituem uma grande família de unicelulares que pa-
rasitam o Homem. A Entamoeba hartmanni, Entamoeba coli e Endolimax nana são comen-
sais do intestino grosso; a Entamoeba gingivalis vive serenamente nas gengivas e no tártaro
dentário de macacos, cães e humanos; e a Entamoeba histolytica é o parasita intestinal que
causa problemas sérios, podendo destruir os tecidos que revestem o intestino grosso e provo-
cando lesões graves em vários órgãos.
O contagio se dar de pessoa para pessoa através de cistos, e é disseminada também por
moscas e baratas ou frutas e vegetais crus manipulados por pessoas infectadas, lavados em
água contaminada ou fertilizados com fezes humanas. As amebas também podem estar pre-
sentes nos canos de banheiros velhos e sujos e nas notas de dinheiro, dentre outros objetos ou
utensílios domésticos.

50
Carlos Antonio Neves Júnior
HTTP://WWW.PARASITOLIGA.COM/IMAGES/PROTOZOARIOS ACESSO EM 17/10/2009

Muita gente pode está sendo parasitada por amebas sem sentir nada. Quando há sinto-
mas, os mais comuns são diarreia que para e volta, podendo alternar com prisão de ventre,
cólicas e vontade de evacuar, apresentando fezes moles e fedidas, com muito muco e, às vezes,
com sangue; gases, fadiga e dores musculares; e raramente febre. A infecção é mais virulenta
se o hospedeiro estiver subnutrido e se consumir muito amido (cereais mesmo integrais, pão,
massa, farinha e batata). A presença de bactérias também é um fator fundamental para o de-
senvolvimento da doença.
Quando o indivíduo é parasitado por uma ameba na fase juvenil, apresenta geralmente
diarreia com sangue e muco, isso porque, como o hospedeiro está fragilizado ou apresenta

51
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
alterações na flora intestinal, as amebas começam a destruir a submucosa do intestino grosso,
geralmente nas sinuosidades do cólon de um lado e de outro da cintura.
Essa fase aguda dá lugar à outra, maior e mais crônica, em que as amebas vão continua-
mente formando cistos em torno de si mesmas e se dividindo em quatro outras amebas, todas
instaladas na submucosa intestinal, abrindo úlceras de vários tamanhos que só cicatrizam de-
pois do tratamento. Na fase crônica há poucos sintomas, geralmente dores abdominais vagas,
com ou sem diarreia de vez em quando. Essa fase pode durar muitos anos com a ameba pro-
duzindo enorme quantidade de cistos.
Não raro as amebas entram na circulação sanguínea e acabam invadindo o pâncreas,
pulmões, cérebro, fígado e pele, deixando as áreas, conhecidas como "abscessos amebianos",
necrosadas. As sequelas podem incluir ainda infecção no pericárdio, a membrana que reveste
o coração e infestação no períneo.
Como a disenteria amebiana é muito parecida com a bacteriana, o diagnóstico costuma
ser difícil. Na dúvida, é bom tratar ambos. A recomendação para fases agudas é seguir uma
dieta rica em proteínas e pobre em fibras e carboidratos, e tomar muito líquido.
Detalhe: quando o hospedeiro está tomando antibiótico, a produção de cistos amebia-
nos desaparece e só volta algum tempo depois quando a flora bacteriana é restabelecida.

AGORA QUE VOCÊ JÁ APRENDEU BASTANTE SOBRE AMEBA,


ESTUDAREMOS MAIS OUTROS PROTOZOÁRIO DE INTERESSE MÉDICO.

GIÁRDIAS

FONTE: HTTP://WWW.PARASITOLIGA.COM/IMAGES/PROTOZOARIOS ACESSO EM 17/10/2009

Atende também por Giardia lamblia e Lamblia intestinalis. É um parasita muito comum
no intestino humano. Pudera: uma pessoa infectada elimina pelas fezes entre 300 milhões e 14
bilhões de cistos infectantes por dia. Sempre? Não. Há períodos de 7 a 10 dias em que não sai

52
Carlos Antonio Neves Júnior
nada, justamente quando o hospedeiro resolve fazer um exame de fezes. Daí a importância de
repetir exames que dão resultado negativo.
Transmite-se giardia através de água contaminada por fezes que contêm cistos; e estes
amadurecem no intestino delgado e os parasitas se agarram na mucosa. Embora não invadam
os tecidos, como as amebas fazem no intestino grosso, se a infestação for grande os parasitas
vão cobrir grande parte do revestimento intestinal.
Se o hospedeiro já tiver alguma imunidade desenvolvida contra a giardia, pode viver in-
fectado para sempre sem desenvolver a giardíase, que geralmente surge de uma a três semanas
após a ingestão dos cistos e apresenta diarreia amarelada (com eliminação de gordura), dores
abdominais, falta de apetite, insônia, irritabilidade, emagrecimento e sinais de deficiência de
vitaminas A, E, D e K. Segundo Nilo Cairo, médico, em seu “Guia de Medicina Homeopática”,
a dor de cabeça é um sintoma constante da giardíase. Ele observa que "há diarreia quando os
flagelados multiplicam-se rapidamente sob forma vegetativa e, ao contrário, uma prisão de
ventre quando enquistados. As fezes são envernizadas por um muco tanto mais abundante
quanto mais intensa à infestação".
A giardia afeta mais crianças e adolescentes do que adultos. Ferver água e cozinhar os a-
limentos destrói os cistos e os filtros de vela conseguem retê-los.

TRICOMONAS
Tricomoníase é uma infecção ou inflamação causada por um minúsculo parasita, Tri-
chomonas vaginalis, que vive no trato geniturinário inferior de homens e mulheres e é trans-
mitido por contato sexual, afetando a vagina, uretra, bexiga e próstata. Os homens em geral
não apresentam sintomas, mas nas mulheres o sinal mais evidente de inflamação é um corri-
mento fedido que costuma aparecer alguns dias depois da menstruação. Também surgem do-
res, coceira e vermelhidão em toda a vulva, e urinar pode ser doloroso. O parasito pode viver
vários anos na pessoa sem causar incômodo, desde que as defesas do organismo estejam bem.
Quando há alguma queda nas taxas de imunidade ele cresce e aparece.

FIQUE POR DENTRO


Em 1995, um estudo da Universidade de Singapura constatou uma fortíssima relação
entre tricomonas e câncer. Entre 121 mulheres com câncer de colo de útero, 50 tinham ti-
do ou estavam com tricomoníase; e entre 242 sem câncer, apenas 12 tinham história de tri-
comonas.

53
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
MAL DE CHAGAS/TRIPANOSSOMASTrypanosoma cruzi

Dr. Carlos Chagas Forma Amastigota no Tecido

Forma Tripomastigota no Sangue Triatoma infestans

FONTE: HTTP://WWW.PARASITOLIGA.COM/IMAGES/PROTOZOARIOS ACESSO EM 17/10/2009

Existem várias espécies de tripanossomas, mas só o T. cruzi causa a tripanossomíase ou


mal de Chagas, que tem esse nome por ter sido estudado por um cientista brasileiro chamado
Carlos Chagas. Ataca humanos, caninos, felinos e roedores, e pode viver dentro das células
(amastigota) ou livre no sangue (tripomastigota).
O T. cruzi é transmitido por cerca de 30 besouros da subfamília Triatoma, como o bar-
beiro, bicho-barbeiro, bicho-de-frade, bicho-de-parede, bicudo, cascudo, chupança, chupão,
percevejão, percevejo-do-sertão, e percevejo-gaudério, que se alimenta de sangue e ao mesmo
tempo defeca em quem lhe dá de comer. Junto com o sangue ele ingere os projetos de parasita,
que dentro do besouro se reproduzem assexuadamente e saem pelas fezes enquanto o besouro
se alimenta no hospedeiro.

54
Carlos Antonio Neves Júnior
FONTE: HTTP://WWW.PARASITOLIGA.COM/IMAGES/PROTOZOARIOS ACESSO EM 17/10/2009

As tripomastigotas metacíclicas entram no corpo do hospedeiro através do buraquinho


que o besouro faz ou pelas membranas mucosas da boca, do nariz e dos olhos. No hospedeiro,
o mal de Chagas afeta primeiro o sistema nervoso e o coração. Infecções crônicas produzem
várias desordens neurológicas, incluindo demência, além de danificar o músculo cardíaco e
provocar grande dilatação do cólon e do esôfago. Sem tratamento a infecção é fatal.
Um primo africano do T. cruzi, a T. gambiense, causa a doença do sono, transmitida pe-
la mosca tsé-tsé, uma dentre muitas Glossinae, quase todas transmissoras de parasitas.

55
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
MALÁRIA

Plasmodium vivax, P. ovale, P. falciparum e P. malariae

FONTE: HTTP://WWW.PARASITOLIGA.COM/IMAGES/PROTOZOARIOS ACESSO EM 17/10/2009

Infecção importante e difícil de tratar, recorrente típica de regiões tropicais e subtropi-


cais, caracterizada por ataques periódicos de calafrios e febre, anemia, aumento do baço e
complicações frequentemente fatais. Afeta as células e os vasos sanguíneos, o fígado, o sistema
nervoso central (incluindo cérebro, meninges e medula espinhal) e os nervos periféricos. Afeta
também em gorilas, macacos, ratos, pássaros e répteis. É causada por várias espécies de plas-
módios, parasitas do gênero Plasmodium, que são transmitidos aos humanos por mosquitos
Anofeles, dos quais existem mais de 60 tipos pelo mundo afora; distingue-se o anofelino dos
outros mosquitos porque ele pousa como se fosse um prego espetado, o que lhe vale o nome
de mosquito-prego. O plasmodium vivax produz a forma mais disseminada da doença e P.
falciparum é o que causa os sintomas mais severos.
A malária é uma das infecções mais antigas do mundo. Seu território, bem delimitado
são lugares quentes e úmidos da América Latina, Ásia e África, onde o mosquito tem facilida-
de de se desenvolver. Cinco mil anos atrás já era conhecida no Egito, e até hoje não se conse-
guiu grandes avanços contra ela. Estimativas recentes apontam 1,5 bilhão de pessoas vivendo
em áreas onde a doença é endêmica, 500 milhões de pessoas em áreas infectadas e 1 a 2 mi-
lhões de mortes por ano. No Brasil, ela é comum na região Norte, sobretudo na Amazônia.
O ciclo da malária exige um hospedeiro intermediário específico, que é a mosquita ano-
felina. Ela precisa de sangue para fertilizar seus ovos, e ao sugar uma pessoa infectada ingere
os plasmódios. Alguns deles são sexuados e se acoplam dentro do estômago da mosquita,
formando um ovo cheio de larvinhas que nascem e passam através da saliva (da mosquita)
para a pessoa seguinte que ela picar.

56
Carlos Antonio Neves Júnior
FONTE: HTTP://WWW.PARASITOLIGA.COM/IMAGES/PROTOZOARIOS ACESSO EM 17/10/2009

Nessa vítima as larvas têm um outro ciclo de reprodução assexuado. Depois de atraves-
sar a pele, o parasita entra na corrente sanguínea, invade um glóbulo vermelho do sangue,
sofre duas transformações e se divide em formas menores chamadas merozoítos. A partir daí a
célula sanguínea se rompe, soltando os merozoítos no sangue e causando a febre e os calafrios.
Os merozoítos invadem outros glóbulos vermelhos e o ciclo se repete.
O primeiro ataque acontece entre 8 e 25 dias após a picada. Os ataques de malária du-
ram poucas horas ou até um dia inteiro e têm três estágios: primeiro, os tremores e calafrios
(quando os glóbulos vermelhos estão arrebentando), depois febre altíssima e finalmente um
suor abundante, que faz a temperatura voltar ao normal.
Nos primeiros dias da infecção há ataques todos os dias, depois a cada dois ou três dias,
podendo continuar por vários anos se não for feito o tratamento. As pessoas ficam anêmicas e
muito fracas, o baço aumenta (é o órgão responsável por eliminar do sangue as células dege-
neradas) e muitas outras complicações afetam a pessoa. Por exemplo, os glóbulos parasitados
tendem a se aglomerar e bloquear pequenos vasos sanguíneos. Outros sintomas são dores de
cabeça, fadiga e náuseas. As crianças e adultos subnutridos ou de baixa imunidade não sobre-
vivem à malária.
O tratamento, à base de quinina, é extremamente tóxico, mas costuma dar resultado em
duas semanas – o que não impede a infecção de voltar futuramente. A quinina, extraída da
casca de uma árvore chamada cinchona, é usada desde 1700 para aliviar a febre da malária.

57
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Outras drogas foram desenvolvidas neste século, mas o parasita desenvolveu resistência a to-
das elas, e a incidência de malária vem aumentando continuamente.
A prevenção externa se faz combatendo o mosquito com inseticidas, secando pântanos e
evitando águas paradas de qualquer tamanho (de lagos e piscinas a pratinhos de plantas). O
mosquiteiro e as telas de janela também são importantes, pois o mosquito pica mais à noite.

58
Carlos Antonio Neves Júnior
MAPA CONCEITUAL

59
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
ESTUDOS DE CASO
BARBEIROS ASSUSTAM MORADORES DE CONDOMÍNIOS LUXUOSOS

Quem diria que um inseto tão pequenino assustaria tanto. É,, mas o que tem de pequeno tem
de perigoso. Pois é, o barbeiro vem assustando os moradores dos condomínios de luxo de Sal-
vador. De acordo com dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a expansão imobiliária,
principalmente em áreas de Mata Atlântica, como a Avenida Paralela, onde está sendo cons-
truído o Condomínio Alphaville, é alvo dos insetos e traz risco de contaminação humana pela
doença de Chagas. De julho do ano passado até este mês, 400 amostras do Triatoma tibiama-
culata – espécie de barbeiro nativo da mata – foram recolhidas na capital. A Fiocruz revela
ainda que do total de insetos coletados, 200 deles estavam contaminados. Será que vale a pena
pagar tão caro para correr tanto risco?

Fonte:
http://www.samuelcelestino.com.br/noticias/noticia/2008/10/30/27718,barbeiros-assustam-
moradores-de-condominios-luxuosos.html

Diante da situação descrita acima, que ações podem e devem ser iniciadas para conter a ex-
pansão desta doença em centros urbanos.

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

60
Carlos Antonio Neves Júnior
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
QUESTÃO 01
A superfamília Hominoidea compreende três famílias: Hylobatidae, Pongidae e Homi-
nidae. Os gibões e siamangues pertencem à família Hylobatidae; os chimpanzés, orangotangos
e gorilas pertencem à família Pongidae, enquanto o Homo sapiens é a única espécie da família
Hominidae. Análises morfológicas e moleculares resultaram na filogenia abaixo:

De acordo com essas relações filogenéticas, uma revisão taxonômica em Hominoidea


deveria agrupar:

(A) Orangotangos, gibões e siamangues na família Hylobatidae.


(B) Orangotangos, gibões e gorilas em um táxon específico.
(C) Homens, chimpanzés e gorilas na mesma família.
(D) Gibões e siamangues na mesma espécie.
(E) Chimpanzés e gorilas apenas, na família Pongidae.

QUESTÃO 02
A maioria dos peixes teleósteos é ectoterma, porém algumas espécies de Scombroidei
apresentam endotermia. Duas estratégias distintas evoluíram nos Scombroidei, cuja filogenia
é apresentada abaixo: os marlins (espécies 1 a 6) e as cavalas (espécie 14) possuem endotermia
cranial (C), aquecendo apenas o cérebro e os olhos; os atuns (espécies 7 a 12) apresentam en-

61
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
dotermia sistêmica (S), semelhante às aves e mamíferos com altas taxas metabólicas e redução
da condutividade térmica corpórea. Os peixes das demais espécies são ectotermos (E).

É correto afirmar que a endotermia:

(A) Surgiu no ancestral comum e posteriormente diversificou-se em sistêmica e cranial.


(B) Caracteriza os clados mais evoluídos e mais bem-sucedidos de Scombroidei.
(C) É uma tendência evolutiva de Scombroidei e no futuro todos serão endotermos.
(D) Evoluiu pelo menos três vezes no grupo, o que sugere seu caráter adaptativo.
(E) É uma autoapomorfia de Scombroidei, ainda que tenha traços parafiléticos

62
Carlos Antonio Neves Júnior
QUESTÃO 03
Em 1985, foram contabilizados 8.959 registros de leishmaniose visceral desde os primei-
ros casos identificados por Henrique Penna em 1932. No entanto, esse quadro se agravou. O
Ministério da Saúde registrou, no período compreendido entre 1990 e 2007, 53.480 casos e
1.750 mortes. A leishmaniose visceral está mais agressiva, pois matava três de cada cem pesso-
as que a contraíam em 2000, e hoje mata sete. Além disso, foi considerada por muito tempo
um problema exclusivamente silvestre ou restrito às áreas rurais do Brasil, mas hoje não é
mais. Nas últimas três décadas, desde que as autoridades da saúde começaram a identificar
casos contraídos nas cidades, a leishmaniose visceral urbanizou-se e se espalhou por quase
todo o território nacional. A chegada do mosquito-palha às cidades foi acompanhada de um
complicador. Com a sombra e a terra fresca dos quintais, o inseto encontrou uma formidável
fonte de sangue que as pessoas gostam de manter ao seu lado: o cão, que contrai a infecção
facilmente e se torna tão debilitado quanto seus donos.
Uma doença anunciada. In: Pesquisa FAPESP, nº 151, set./2008 (com adaptações).
A prefeitura de um município, composto por uma cidade de médio porte, zona rural e
áreas de mata nativa, solicitou a um biólogo que elaborasse um plano de ação para evitar o
avanço da leishmaniose visceral em sua região. O plano elaborado sugeria várias ações. Consi-
derando o texto e a situação hipotética acima apresentados, seria inadequada a ação que pro-
pusesse.

(A) Adotar medidas de proteção contra as picadas do mosquito para trabalhadores que a-
dentrem áreas de floresta próxima à cidade.
(B) Controlar a população de cães domésticos, incluindo a eutanásia de animais infectados
em áreas com alta incidência de casos.
(C) Implementar sistema de coleta e tratamento de esgotos nas áreas em que houvesse alta
incidência de casos.
(D) Controlar o desmatamento em áreas naturais próximas da área urbana da cidade em
questão.
(E) Promover medidas educativas da população, principalmente em relação aos hábitos do
mosquito transmissor.

QUESTÃO 04
Os pandas, incluindo-se os pandas gigantes e os pandas vermelhos, por muito tempo fo-
ram tratados como ursos, mas, posteriormente, verificou-se que uma série de características os
aproximava dos guaxinins. A figura abaixo apresenta o resultado de estudos com hibridação
de DNA à qual foi acrescentada uma escala temporal depois de feita a análise cladística.

63
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Qual das conclusões abaixo podem ser sustentadas pela figura?
(A) O panda vermelho tem menor similaridade com os guaxinins do que com o urso
panda gigante.
(B) Pandas gigantes, ursos pardos, ursos malaios e ursos-de-óculos formam um grupo
parafilético.
(C) O cachorro é a única espécie do diagrama que não pode ser chamada de urso.
(D) A divergência entre as formas que originaram os pandas gigantes e pandas verme-
lhos ocorreu há mais de 80 milhões de anos.
(E) O panda gigante e o panda vermelho estão em clados distintos.

Concurso Público Companhia de Saneamento do Paraná SANEPAR – Biólogo I 2008


QUESTÃO 05
Registro de surtos de doenças transmitidas pela água devido a protozoários e outros a-
gentes etiológicos tem aumentado nos EUA nos últimos 20 anos, mesmo com regulamentos e
medidas cada vez mais restritivos. Durante o período de 1971 a 1985, 502 surtos, provocando
111.228 casos de doenças, foram reportados. Desses surtos, 92 (18,3%) envolvendo 24.365
indivíduos foram atribuídos ao protozoário parasita Giardia lamblia, transformando-o na
causa identificável predominante das doenças transmitidas pela água. (Fonte: Heller et al.,
Epidemiologia e Serviços da Saúde, 2004). Com base no texto acima, é correto afirmar que
uma das ações profiláticas é:

(A) O tratamento da água de abastecimento com cloro.


(B) A remoção por filtração seguida por desinfecção.

64
Carlos Antonio Neves Júnior
(C) A ozonição seguida por cloração.
(D) A coagulação seguida por desinfecção.

CONSTRUINDO CONHECIMENTO

Você sabia que...


O número de invertebrados inferiores e superiores é infinitivamente maior do que pos-
samos imaginar; seu habitat, suas particularidades são tão fascinantes e cada vez mais estuda-
dos; sua importância é fundamental tanto em termos econômicos, parasitológicos e gerais e,
por esta razão, muitas instituições de pesquisa têm desembolsado grandes somas para a pes-
quisa em Zoologia.

65
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Podemos pensar em uma prática bem simples para observarmos protozoários. Vejam os
detalhes no roteiro a seguir:

Observando protozoários.
Material necessário:
Água.
Potes de boca larga com tampa.
Folhas de capim ou alface.
Tubos de ensaio.
Conta gotas.
Galeria para tubos de ensaio.
Gaze ou um pedaço de bandagem.
Grãos de arroz.
Microscópio.
Lâmina.
Lamínula.
Clara de ovo.

Cultivo:

A preparação do meio de cultivo para protozoários deve ser feita a partir de um chá ou
infusão de capim.
Essa infusão deve ser preparada da seguinte forma:
Algumas folhas de capim ou alface fervido em 1000 ml. de água durante 20 minutos.

66
Carlos Antonio Neves Júnior
Após a fervura, distribuir em tubos de ensaio.
Após 24 horas, acrescentar poucos grãos de arroz em cada tubo, inoculados os microor-
ganismos, os quais foram mantidos à temperatura ambiente.

Inoculação:

Para que os protozoários se desenvolvam é preciso que ocorra a inoculação do meio de


cultivo. A inoculação é a introdução de microorganismos em um meio específico que lhes
assegure nutrientes e condições favoráveis para seu desenvolvimento.
Os protozoários podem ser obtidos de amostras de água não potável (lagos, brejos, char-
cos e córregos, dentre outros). Para isso é preciso utilizar o conta-gotas e um tubo de ensaio
que deve ser fechado com um chumaço de algodão.
Identifique nas suas localidades ambientes que apresentem água não potável;
Com o conta-gotas colete um pouco dessa água e coloque-a no tubo de ensaio.
Feche o tubo com um chumaço de algodão e acondicione-o em uma galeria para trans-
portá-lo ao laboratório.
No laboratório, pingue duas gotas em cada tubo de ensaio do meio de cultivo e aguarde
24 horas para iniciar as observações.

Importante: Essa inoculação servirá para povoar o meio de cultura preparado anteri-
ormente.

Manutenção:

A rotina de observação e manutenção deve ocorrer semanalmente, observando os se-


guintes passos:
O líquido perdido por evaporação ou pela manipulação para observação deve ser repos-
to com meio de cultura.
Quando houver redução na densidade das populações, avaliada de modo quantitativo,
deve ser acrescentado um grão de arroz, além do remanejamento dos microrganismos de tu-
bos com populações mais densas para os de populações menos densas.

67
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Observação dos microorganismos

Com o auxílio de um conta-gotas, colete uma pequena porção do meio de cultivo já ino-
culado e pingue em uma lâmina.
Para reduzir a mobilidade dos protozoários, adicione uma gota de clara de ovo na lâmi-
na. Dessa forma, o meio fica mais denso e reduz a movimentação dos organismos, o que facili-
ta sua observação.
Antes de levar ao microscópio, é preciso colocar sobre esse líquido uma lamínula para
evitar que as lentes do equipamento fiquem em contato com o líquido.
Leve ao microscópio, faça os ajustes de foco, começando inicialmente pela objetiva de
menor aumento até as de maior aumento.
Com o auxílio da prancha de protozoários anexo, faça desenhos e identifique as estrutu-
ras que são possíveis de ser vistas.

Para saber mais sobre as regras de classificação acesse:


http://biologia.if.sc.usp.br/bio2/apostila/zoologia-A.pdf

68
Carlos Antonio Neves Júnior
Trata-se de um resumo em pdf que traz as principais regras para a nomenclatura zooló-
gica. Vale muito a pena, pois apresenta-se de forma clara e direta sem deixar questionamentos
acerca destas regrinhas, que, por vezes, podem nos confundir.

69
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
70
Carlos Antonio Neves Júnior
1.2
TEMA 2.
ORGANIZAÇÃO, ORIGEM E EVOLUÇÃO DOS METAZOÁRIOS

1.2.1
CONTEÚDO 1.
METAZOÁRIOS
Reconhecemos que o ramo da Biologia que estuda os seres vivos é pertencente ao Reino
Animallia ou Metazoa. Os metazoários são compostos de numerosas células diferenciadas em
muitos tipos, os quais desempenham diferentes funções (divisão de trabalho). Ao menos, par-
te dessas células são dispostas em camadas. As esponjas é uma exceção, pois elas apresentam
um sistema nervoso centralizado na parte anterior do corpo da grande maioria dos animais
bilaterais. Em geral, os gametas, que constituem a linhagem germinativa, são produzidos em
órgãos, assegurando a continuidade da vida de um soma, cujas células, à exceção das esponjas,
não participam da reprodução.

Características principais dos metazoários:

• São eucariotos móveis.


• Heterotróficos.
• Geralmente são organismos grandes.
• Células geralmente dispostas em tecidos.

Os metazoários mais simples apresentam simetria radial – e, por esta razão, são classifi-
cados como Radiata (em contraposição com os Bilateria, que têm simetria bilateral). Estes
animais são diploblásticos, isto é, possuem apenas dois folhetos embrionários. A camada exte-
rior (ectoderme) corresponde à superfície da blástula e a camada interior (endoderme) é for-
mada por células que migram para o interior. Ela então se invagina para formar uma cavidade
digestiva com uma única abertura, (o arquêntero). Esta forma é chamada gástrula, que tem
sua origem na gastrulação Essa larva também pode ser chamada de plânula quando ela é li-
vre-natante. Os Cnidaria e os Ctenophora (águas-vivas, anémonas, corais etc.) são os princi-
pais filos diploblásticos. Os Myxozoa, um grupo de parasitas microscópicos, têm sido conside-
rados cnidários reduzidos, porém podem ser derivados dos Bilateria.
Os primeiros seres que surgiram na Terra eram formados por uma única célula e se as-
semelhavam, a julgar pelos vestígios fósseis, às atuais amebas. A partir deles, processou-se a

71
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
evolução de uma numerosa série de divisões e classes, cuja estrutura se tornou cada vez mais
complexa e conduziu à vasta gama em que hoje se diferencia, desde as esponjas até os verte-
brados superiores. Todos esses conjuntos, que incluem a maioria das espécies animais do pla-
neta, constituem o sub-reino dos metazoários.
Metazoários são os animais pluricelulares, ou seja, aqueles cujo organismo é constituído
por várias células. No Reino Animal, só os protozoários são unicelulares, uma vez que as bac-
térias, vírus e demais microrganismos pertencem à outra classificação. No nível mais baixo da
evolução dos metazoários estão as esponjas, derivadas talvez de primitivos protozoários flage-
lados, que são animais unicelulares dotados de flagelos (finos filamentos de função locomoto-
ra).
Pertencentes ao filo dos poríferos ou espongiários, as esponjas não dispõem de autênti-
cos aparelhos orgânicos e só têm duas camadas de células embrionárias, sendo pois diblásti-
cas. São também diblásticas os cnidarias (hidras, medusas e corais) e os ctenóforos (semelhan-
tes àqueles, mas dotados de fileiras de cílios ou "pentes" locomotores), em que já aparecem
aparelhos e órgãos diferenciados. Com três camadas ou folhetos embrionários – ectoderme
(externa), mesoderme (mediana) e endoderme (interna) – e portanto triblásticos, distinguem-
se os asquelmintos (rotíferos e nematódeos como as lombrigas intestinais etc.), vermes cilín-
dricos em que já existe uma pseudocela, ausente nos subfilos anteriores. Trata-se de um espa-
ço entre o tubo digestivo e a parede externa do corpo, mas não de um verdadeiro celoma, a
cavidade principal do organismo, porque o celoma é cercado pela mesoderme, e com esta a
pseudocela só tem contato parcial.
Os platelmintos, vermes moles de corpo chato, frequentemente parasitos (esquistosso-
mos, planárias, tênias e líneos), não apresentam vestígios de celoma nem de pseudocela. Na
escala evolutiva, a etapa seguinte é ocupada pelos anelídeos, vermes anelados ou segmentados,
dotados de celoma, com muitos outros aperfeiçoamentos em relação aos anteriores e já prati-
camente com todos os grandes aparelhos orgânicos, exceto o respiratório. Segundo a abun-
dância de suas cerdas externas – às vezes rígidas para servirem de nadadeiras ou patas com o
nome de parápodes – os anelídeos se classificam em poliquetos (em geral marinhos como as
nereidas), oligoquetos (minhocas) e aquetos ou hirudíneos (sanguessugas)
Nos artrópodes, invertebrados celomados que têm sobre o corpo um revestimento duro
de quitina, surgem autênticos apêndices locomotores com complexas articulações entre as
várias peças; e a este filo, o maior do Reino Animal, pertencem os crustáceos, os miriápodes,
os aracnídeos e os insetos. Celomados são também os moluscos, que abrangem formas, como
os polvos, de sistema nervoso bem desenvolvido.
Igualmente importante, do ponto de vista da evolução, é o filo dos equinodermos (holo-
túrias, ofiúros, estrelas-do-mar e ouriços-do-mar), entre os quais ocorrem esqueletos externos
formados por placas calcárias situadas no tegumento com a pele, às vezes, espinhosa. Típico

72
Carlos Antonio Neves Júnior
desses animais é o chamado aparelho ambulacrário, de canais e ventosas eréteis, que se en-
chem de água para permitir que se locomovam. Além de serem celomados, os equinodermos,
exclusivamente marinhos, contam com tubo digestivo, aparelho circulatório e sistema nervoso
bem distintos.
No coroamento da evolução das formas animais acham-se os cordados, que se caracteri-
zam por possuírem um tubo nervoso oco e a corda dorsal ou notocórdio, eixo esquelético
constituído por células acamadas no interior de um invólucro rígido. Dessa estrutura, deriva-
ria o esqueleto externo dos vertebrados (lampreias, peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos),
que são o subfilo mais importante do grande filo dos cordados.

Caracterização por filos expressivos


Os Metazoa apresentam características comuns e divergentes, dentre estas característi-
cas vale ressaltar o modo de vida, a diversidade, nome vulgar, morfologia, fisiologia e ecologia.
Perceba no quadro a seguir as principais características dos Metazoa.

METAZOA

EUCARIONTES PLURICELULARES HETERÓTROFOS

FONTE: PRÓPRIO AUTOR

Os filos mais expressivos e seus representantes são:


PORÍFEROS Esponjas
CNÍDÁRIOS Medusas, hidras, corais e anêmonas
PLATELMINTOS Planária, tênias e esquistossomo
NEMATELMINTOS Lombrigas e oxiúro
ANELIDEOS Minhocas e sanguessugas
ARTRÓPODES Insetos, camarões e aranhas
MOLUSCOS Ostra, caramujo, lesma, polvo e mexilhões
EQUINODERMOS Ouriço-do-mar e estrela-do-mar
CORDADOS Amphioxo, tubarão, sapo, aves e homem

73
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
1.2.2
CONTEÚDO 2.
FILO PORÍFERA: GRUPO DE ANIMAIS PRIMITIVOS

HTTP://COSMOLOGY.NET/IMAGES/NAHANNI1.JPG

Os Poríferos também conhecidos como esponjas são organismos bastante antigos, com
origens que se perdem a bilhões de anos. Suas características morfológicas, tais como a relativa
simplicidade estrutural e o baixo grau de diferenciação dos tecidos, em conjunto com o regis-
tro fóssil, as colocam como os animais pluricelulares mais primitivos existentes. São animais
facilmente encontrados em quase todos os ambientes aquáticos, desde rios até as fossas abis-
sais e em regiões tropicais e polares. As mais de 6.000 espécies descritas possuem uma extrema
variedade de dimensões, cores, formas e hábitos, e sua construção aparentemente simples e
primitiva não revela totalmente a imensa complexidade destes organismos.
Porifera é um filo do Reino Animalia, do sub-reino Parazoa, onde se enquadram os a-
nimais conhecidos como esponjas. Estes organismos são sésseis, sua grande maioria é mari-
nha, e alimentam-se por filtração bombeando a água através das paredes do corpo e retendo
as partículas de alimento nas suas células. As esponjas estão entre os animais mais simples,
com tecidos parcialmente diferenciados, porém sem músculos, sistema nervoso e órgãos in-
ternos. Eles são muito próximos a uma colônia celular, pois cada célula alimenta-se por si
própria. Existem mais de 15.000 espécies modernas de esponjas conhecidas, e muitas outras
são descobertas a cada dia. O registro fóssil data as esponjas desde a era pré-cambriana (ou
Pré-Câmbrico).

74
Carlos Antonio Neves Júnior
Esponjas

HTTP://WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR/FIGURAS/REINOS2/PORIFEROS.JPG ACESSO EM17/10/2009

Classificação científica
Domínio Eukariota

Reino  Animal

Sub-reino  Parazoa

Filo  Porífera

Classes
Calcarea
Hexactinellida
Demospongiae
Sclerospongiae

Acompanhe um breve resumo das características mais conspícuas do grupo.

NÃO ESQUEÇA QUE OS PORÍFEROS...!

• Surgiram há cerca de 1 bilhão de anos.


• Originaram-se dos heterotróficos que se agrupam em colônias.
• Não possuem tecidos.
• São exclusivamente aquáticos.
• Não possuem órgãos e sistemas

75
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
FONTE: PRÓPRIO AUTOR

Características Gerais

• Animais metazoários sésseis no estádio adulto.


• Animais que variam de tamanho da ordem de mm. a metro.
• São assimétricos e existem poucos com simetria radial.
• Numa mesma espécie podem existir formas diferentes, ou seja, há uma plasticidade a-
centuada segundo as condições ambientais.
• A cor nestes animais é variada.
• As células fundamentais, coanócitos, pinacócitos e "amebócitos", formam respectiva-
mente as camadas denominadas coanoderme, pinacoderme (exo- e endopinacoderme) e me-
sohilo.
• O sistema aquífero bastante diversificado: múltiplos poros inalantes (óstios) e um ou
vários poros exalantes (ósculos), câmaras coanocitárias reduzidas ou numerosas, presença ou
ausência de canais.
• As esponjas apresentam esqueleto formado por minerais, fibras e/ou fibrilas orgânicas.

76
Carlos Antonio Neves Júnior
• São filtradores ativos do tipo micrófago, excetuando-se algumas esponjas carnívoras de
mar profundo; os coanócitos capturam diminutas partículas nas microvilosidades do "colari-
nho" da célula, como o fazem os coanoflagelados (protoctista).
• Digestão intracelular nos amebócitos do tipo arqueócito, os quais receberam o alimen-
to de células denominadas coanócitos.
• Os produtos de excreção geralmente são nitrogenados.
• Respiração por simples difusão entre células e a água circundante.
• Respostas passivas, devidas à irritabilidade celular, e respostas ativas pela existência de
substâncias mensageiras (alomônios) em difusão pelo mesohilo, por meio de células desta
camada, mas também por meio de informação transportada por reações de contato entre célu-
las não especializadas, ósculos contráteis e interrupção temporária do fluxo de água.
• Grande capacidade de regeneração: algumas podem ter suas células dissociadas meca-
nicamente e ainda serem capazes de formar uma esponja completa.
• Reprodução assexuada por brotamento ou gemulação.
• Reprodução sexuada: monóicas ou dióicas; ovíparas ou vivíparas, larvas no estádio
blástula (celoblástula, anfiblástula, parenquimela).

Aspectos particulares

• São os únicos metazoários capazes de acumular sílica.


• Suas células não formam tecidos, órgãos ou sistemas.
• A diferenciação celular é altamente reversível na maioria das células.
• A reprodução assexuada é acentuada.
• Seus gametas são formados a partir de células somáticas.
• Na fertilização interna os espermatozóides são capturados e transportados por "células
transportadoras" (coanócitos diferenciados).
• Geralmente a diferenciação celular precede a morfogênese.

Esponjas não possuem tecidos típicos, como encontrados em outros animais multicelu-
lares, e suas células ainda retêm um alto grau de totipotência (capacidade de diferenciação
celular) e independência. Apesar de serem animais capazes de alcançar grande porte, com
mais de 1 metro de altura ou recobrir largas áreas de substrato, alguns dos seus processos or-
gânicos são por vezes mais semelhantes aos encontrados nos Protozoa (animais unicelulares)
que nos Metazoa (animais multicelulares). Alguns autores usam estas características para se-

77
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
parar as esponjas num grau de organização intermediário, Parazoa, mas atualmente pelo nú-
mero de elementos em comum já encontrados são colocadas entre os metazoários.
Cerca de 6.000 espécies de esponjas já foram descritas de todo o mundo, a maioria pro-
veniente de ambientes bentônicos marinhos. Apesar de ocorrem em todos os mares e em to-
das as profundidades, os litorais rochosos de áreas não poluídas abrigam faunas de esponjas
particularmente ricas. Quase todas as esponjas litorais são incrustantes, formando camadas de
espessura variada em substratos duros, em geral rochas, mas também em qualquer outro co-
mo madeiras, metal ou cimento. As poucas espécies encontradas em substratos móveis como
lama, areia ou cascalho são geralmente eretas e finas para evitar o soterramento pelo sedimen-
to, podendo ter um pedúnculo ou raiz para a ancoragem no substrato.
Apesar de sua morfologia simples e do seu baixo grau de organização, as esponjas apre-
sentam uma enorme diversidade de formas e cores nas mais diferentes tonalidades. Estão sem
sombra de dúvida entre os mais belos e admirados invertebrados marinhos, apesar de rara-
mente serem reconhecidas por olhos não treinados. Esponjas marinhas são frequentemente
confundidas com ascídias coloniais, briozoários, e em menor grau com algas carnosas ou glo-
bulares, organismos que têm em geral uma aparência externa semelhante. De modo geral,
esponjas têm uma ou mais aberturas exalantes circulares (ósculos), e muitas espécies têm sis-
temas de canais subsuperficiais semelhantes a veias. Muitas espécies são compressíveis, e a
superfície é frequentemente híspida (com extremidades das espículas atravessando parcial-
mente a superfície) ou conulosa (com pequenas elevações cônicas). As ascídias coloniais se
diferenciam das esponjas pela presença de um sistema regular de orifícios de ingestão e eges-
tão; elas são normalmente lisas ao toque e incompressíveis. Os briozoários apresentam zooi-
des individuais com lofóforos, e as algas globulares se distinguem pela compressibilidade e
pela ausência total de caracteres da superfície.

Histórico e classificação

Conhecidas e utilizadas desde a antiguidade pelos povos primitivos, as esponjas foram


incluídas já no primeiro tratado sobre classificação de organismos, escrito em 350 a. C. na
Grécia clássica por Aristóteles. Consideradas inicialmente como plantas, sua natureza animal
só foi reconhecida no final do século XVIII, quando se observaram as correntes de água no
seu corpo. No entanto, os grandes naturalistas da época (Lamarck, Lineu e Cuvier) classifica-
vam as esponjas como Zoophyta (animais-plantas) ou Pólipos (considerando-as como próxi-
mas dos cnidários). Foi o naturalista inglês R. E. Grant quem primeiro compreendeu a ana-
tomia e a fisiologia das esponjas, criando o nome Porifera. A elevação de Porífera ao nível de
Filo, sugerida por Huxley em 1875 e por Sollas em 1884, só foi aceita no início do século XX.

78
Carlos Antonio Neves Júnior
Ainda assim, os debates a respeito de sua posição em relação aos protozoários e metazoários
permaneceram até recentemente.

Classificação das esponjas

A divisão do filo Porifera em classes é feita com base no tipo de espículas que apresen-
tam:

• Classe Calcarea – espículas compactas de carbonato de cálcio.


• Classe Hexactenellida – espículas de sílica.
• Classe Demospongiae – "esqueleto" de fibras de espongina.

Conhecem-se ainda fósseis de organismos com características de esponjas, mas diferen-


tes das atuais, que foram agrupados na classe Sclerospongiae. No entanto, com a descoberta de
espécies vivas de alguns destes grupos, concluiu-se que esta classe não é válida. São os seguin-
tes os nomes atribuídos a estes organismos (que nem sempre são equivalentes à taxa:

• Quetetídeos eram grandes construtores de recifes formados por tubos calcáreos, mas
recentemente descobriu-se uma espécie viva, Acanthochaetetes wellsi, que possui espículas
siliciosas, mas também tecidos que demonstram que faz parte das Demospongiae.
• Esfinctozoários tinham uma estrutura parecida com os quetetídeos, mas possuíam es-
pículas calcáreas. Recentemente descobriu-se uma espécie viva, a Vaceletia crypta, incluída
neste grupo, mas sem espículas e com características que sugerem que provavelmente possa
ser incluída nas Demospongiae.
• Estromatoporoides cresciam segregando folhas calcáreas sobrepostas; e algumas De-
mospongiae atuais apresentam um crescimento semelhante, sugerindo que os fósseis assim
classificados sejam da mesma classe.
• Receptaculida construíam um "esqueleto" calcáreo em espiral, mais parecido com al-
gumas algas verdes coralinas atuais da classe Dasycladales (provavelmente não são esponjas).

Então, resumindo

Do nível de ordem até espécie, os principais caracteres de importância sistemática, ou


seja, auxiliares no reconhecimento de grupos de parentesco são a cor, a forma, a textura da

79
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
superfície, a forma das aberturas inalantes e exalantes, a consistência, o esqueleto e os tipos de
espículas. Estes caracteres são muito importantes para a distinção em nível específico e devem
ser obrigatoriamente anotados durante a coleta, pois frequentemente se perdem após a fixa-
ção. Portanto, a fotografia submarina tem uma importância fundamental para a identificação
das espécies de esponjas, já que é o único meio de preservar as características externas da es-
ponja como elas eram em vida. A utilização exclusiva dos dados de forma, cor e características
da superfície raramente, no entanto, permite uma identificação completa das espécies.
Para que uma espécie de esponja seja identificada com segurança, é necessário que se fa-
çam preparações do esqueleto e das espículas dissociadas, montados em lâminas de microsco-
pia para observação em microscópio ótico (100-400 x de aumento). Para a observação do es-
queleto, um método simples é fazer dois cortes finos com lâmina de barbear ou bisturi: um
tangencial à superfície e outro perpendicular. Em seguida, imergir estes cortes em etanol 96%
por alguns minutos, secá-los e montá-los em lâmina de microscopia com bálsamo do Canadá
ou outro meio de montagem. Para observar as espículas dissociadas, pode-se banhar um pe-
daço pequeno de esponja em água sanitária (hipoclorito de sódio) para remover todo o mate-
rial orgânico. Em seguida, o resíduo que contém as espículas e outras partículas inorgânicas é
lavado várias vezes por decantação em água doce. Por último, as espículas são então colocadas
nas lâminas secas e montadas com bálsamo do Canadá, podendo assim ser observadas em
maior detalhe.
A classificação do Filo Porifera é ainda hoje muito debatida desde a definição das espé-
cies até as relações entre as classes e subclasses. Os caracteres morfológicos e esqueléticos, in-
suficientes para um estudo filogenético amplo do grupo, vêm sendo complementados por
uma diversidade cada vez maior de critérios alternativos (incluindo métodos bioquímicos,
moleculares, embriológicos, histológicos e citológicos) para a taxonomia de Porifera. A grande
variabilidade morfológica das esponjas e a dificuldade de se estabelecerem os limites das espé-
cies ainda hoje levam muitos estudantes de Taxonomia de esponjas à frustração muito cedo
em suas carreiras.
Classe Calcarea

Sycon raphanus

80
Carlos Antonio Neves Júnior
HTTP://WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR/FIGURAS/REINOS2/PORIFEROS.JPG ACESSO EM 17/10/2009

• Espículas de carbonato de cálcio.


• Não possuem fibras de espongina.
• Podem ser asconoides, siconoides ou leuconoides.
• Marinhas de águas rasas.
• Leucosolenia (asconoide).
• Sycon (siconoide).

Classe Hexatinellida ou Hyalospongiae

HTTP://WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR/FIGURAS/REINOS2/PORIFEROS.JPG ACESSO EM 17/10/2009

Euplectella asperigillum

• Esponjas de vidro.
• Possuem espículas com 6 pontas.
• Espículas fusionadas formando treliça.
• Forma semelhante a um vaso.
• Espongocele bem desenvolvida.
• Ósculo coberto por peneira.
• De águas profundas (200 a 1.000 metros).
• Dominantes na Antártida.
• Euplectela – relação comensal com camarão Spongicola.

81
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Classe Demospongiae

HTTP://WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR/FIGURAS/REINOS2/PORIFEROS.JPG ACESSO EM 17/10/2009

Spongia officinalis

• 90% das espécies de esponjas.


• Espículas calcáreas, fibras de espongina ou os dois.
• Leuconoides e irregulares.
• Algumas são incrustantes.

Vejam a seguir algumas das principais famílias desta classe:

Família Clionidae
• Perfurantes de estruturas calcáreas (moluscos e corais).

Família Spongilidae
• Água doce; vivem em águas calmas.

Família Spongiidae
• Marinhas.
• Esqueleto de fibras de espongina.
• Comercialmente importantes.

82
Carlos Antonio Neves Júnior
Classe Sclerospongiae
• Pequeno número de espécies em recifes de coral.
• Leuconoides.
• Espículas de sílica e fibras de espongina sobre um esqueleto basal ou câmaras de car-
bonato de cálcio.

Anatomia

A estrutura de uma esponja é simples: tem a forma de um tubo ou saco, muitas vezes
ramificado, com a extremidade fechada presa ao substrato. A extremidade aberta é chamada
ósculo, (Em Zoologia, chama-se ósculo a abertura principal do esponjocélio, na extremidade
livre do corpo dos animais do filo Porifera – as esponjas).

FONTE: PRÓPRIO AUTOR.

Como uma estrutura muito simples, as esponjas alimentam-se e respiram por filtração.
Ex.: a água entra no esponjocélio através de orifícios na parede do corpo (os ostia) e sai pelo
ósculo.
A parede do esponjocele é forrada por células flageladas (os coanócitos) que, juntamente
com as contrações da parede, criam a corrente de renovação da água, e a cavidade interior é a
esponjocele. As paredes são perfuradas por buracos microscópicos, chamados óstios, para
permitir que a água flua para dentro da esponjocele trazendo oxigênio e alimento.
A parede das esponjas é formada por duas camadas de células com o interior formado
pela matriz extracelular que, neste grupo, se denomina mesênquima.
Acompanhe na imagem os principais tipos celulares encontrados em um porifera:

83
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
HTTP://WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR/FIGURAS/REINOS2/PORIFEROS.JPG ACESSO EM 17/10/2009

• Pinacócitos, que são as células da epiderme exterior. São finas, coriáceas e estreitamen-
te ligadas.
• Coanócitos, também chamadas "células de colarinho" porque têm um flagelo rodeado
por uma coroa de cílios, revestem o esponjocele e funcionam como uma espécie de sistema
digestivo e sistema repiratório combinados, uma vez que os flagelos criam uma corrente que
renova a água que as cobre, da qual elas retiram o oxigénio e as partículas de alimento.
• Porócitos, que são as células que revestem os poros da parede e podem contrair-se,
formando uma espécie de tecido muscular.
• Archaeócitos, que se deslocam no mesênquima, realizando muitas das funções vitais
do animal, como a digestão das partículas de alimento, o transporte de nutrientes e a produ-
ção de gâmetas.
• Esclerócitos, que são as células responsáveis pela secreção das espículas.
• Espongócitos, que são as células responsáveis pela secreção da espongina, nas espécies
em que é este o "esqueleto" do animal.

84
Carlos Antonio Neves Júnior
As esponjas desenvolvem-se em três padrões:

HTTP://WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR/FIGURAS/REINOS2/PORIFEROS.JPG ACESSO EM 17/10/2009

• Asconoide, que é o tipo mais simples – um simples tubo.


• Siconoide, em que o tubo se dobra sobre si mesmo, permitindo o crescimento do a-
nimal.
• Leuconoide, é o caso mais complexo em que a parede se dobra várias vezes forman-
do um sistema de canais.

O "esqueleto" das esponjas pode ser formado por espículas calcáreas ou siliciosas, por fi-
bras de espongina ou por placas calcáreas. Algumas esponjas, na antiguidade, eram usadas
pelos gregos por serem mais resistentes para polir ferro e metais. Já outras eram utilizadas
pelos romanos para tomar banho ou para tomar vinho. Banhava-se a esponja no vinho e es-
premia na boca.

FONTE: PRÓPRIO AUTOR

85
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Reprodução

As esponjas podem reproduzir-se sexuada ou assexuadamente, conforme as condições


ambientais. Quanto à reprodução sexuada, a maior parte das esponjas é monoica, porém ob-
serva-se espécies dioicas. Seus gametas serão produzidos por uma diferenciação dos amebóci-
tos que serão lançados no ambiente aquático, onde a fecundação pode ocorrer de forma ex-
terna ou interna, porém o desenvolvimento sempre se processa de forma externa do tipo
indireto, pois observa-se a presença de uma larva chamada de anfiblástula. Em relação à re-
produção assexuada, as esponjas apresentam um alto grau de regeneração, podendo se repro-
duzir por meio de brotamento, regeneração ou gemulação/gemação (exclusivo das esponjas de
água doce).

FONTE: PRÓPRIO AUTOR

Ecologia

Fique por dentro!

86
Carlos Antonio Neves Júnior
Esponjas são organismos dominantes em muitos habitats marinhos bentônicos. A
maioria dos litorais rochosos abrigam um grande número de espécies, e elas são também a-
bundantes em torno da Antártida, onde boa parte do substrato consolidado deve-se a uma
espessa camada de espículas silicosas. Pouco se sabe sobre suas taxas de crescimento, mas os
dados disponíveis sugerem uma grande variação entre as espécies. Por exemplo, a esponja
Terpios sp. das Filipinas cresce até 2.3 cm. por mês sobre corais, hidrocorais, moluscos e algas,
matando-os através da liberação de uma toxina e por sufocamento. De modo geral, as espon-
jas parecem ser animais bastante estáveis e de vida longa. Embora algumas espécies tenham
um ciclo de vida anual (por exemplo, Sycon sp), estimativas baseadas em taxas de crescimento
conferem idades acima de 1500 anos a indivíduos de algumas espécies. Se confirmadas estas
estimativas, as esponjas seriam os animais com tempo de vida mais longa do planeta.
Vários animais se alimentam de esponjas, embora o dano causado por estes predadores
seja geralmente pequeno. Alguns moluscos, ouriços e estrelas-do-mar, além de peixes tropi-
cais (donzelas e peixes-borboleta) e tartarugas, comem esponjas. Muitas espécies são total-
mente expostas aos predadores, e na impossibilidade de bater em retirada apresentam meca-
nismos alternativos de defesa contra a predação excessiva. O mecanismo primário de defesa
das esponjas é de natureza química. As esponjas produzem uma ampla gama de compostos
tóxicos, alguns bastante potentes. Espécies de alguns gêneros, como Tedania e Neofibularia,
podem mesmo causar dermatites dolorosas em seres humanos. Muitas espécies produzem
compostos com atividade antimicrobiana (antibacteriana, antifúngica e antiviral). Além de
defesas antipredação e contrainfecções microbianas, as toxinas de esponjas servem também
para a competição por espaço com outros invertebrados, tais como briozoários, ascídias, co-
rais e até mesmo outras esponjas. Isto permite a algumas esponjas crescer rapidamente e reco-
brir a fauna e a flora adjacentes.
Relações de comensalismo envolvendo esponjas são muito comuns. O intrincado sis-
tema de canais das esponjas e suas defesas antipredação as tornam excelentes refúgios para
uma horda de invertebrados menores (crustáceos, ofiuroides e poliquetos) e alguns peixes
(gobídeos e blennídeos). Várias espécies dependem dessa proteção das esponjas em sua fase
juvenil para manter suas populações em níveis estáveis. Por exemplo, conhece-se um peixe no
Japão que desova dentro de uma esponja (Mycale adhaerens), valendo-se da química desta
espécie para a proteção de seus ovos. Outros organismos usam as esponjas como cobertura ou
camuflagem, como os caranguejos do gênero Dromia, que recortam pedaços de esponjas de
diversas espécies e os posicionam sobre sua carapaça. Outras associações muito comuns são
aquelas envolvendo esponjas e microorganismos endossimbiontes, principalmente bactérias e
cianofíceas. Presumivelmente, a matriz extracelular das esponjas provê um meio rico para o
crescimento das bactérias, e o hospedeiro se beneficia de um estoque de bactérias utilizável em

87
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
sua nutrição. As esponjas são os únicos metazoários conhecidos a manter relações simbióticas
com cianofíceas, que produzem glicerol e compostos fosfatados para a nutrição das esponjas.
Esponjas portadoras de cianobactérias funcionam como produtores primários, e apresentam
um crescimento rápido e alta produtividade primária em recifes de coral.
As esponjas perfurantes (gêneros Cliona e Aka) escavam galerias complexas em subs-
tratos calcáreos, tais como corais e conchas de moluscos. Apesar de causarem danos significa-
tivos às culturas comerciais de ostras, a biorosão, causada por estas esponjas em recifes de
coral, auxilia no processo de crescimento do recife. O processo de perfuração envolve a remo-
ção química de pastilhas de carbonato de cálcio que contribuem para a deposição de sedimen-
tos no local. Esse sedimento será depois reincorporado ao recife pelo processo de cimentação,
que envolve fatores físicos, químicos e biológicos, e que é fundamental para o crescimento do
recife de coral. As esponjas auxiliam também por crescer sobre os grãos de sedimento, man-
tendo-os agregados e estabilizados por mais tempo e facilitando a ação de microorganismos
cimentadores.
Você deve estar se perguntando, esponja não seriam plantas?
Que seres estranhos?
Como farei para passar este assunto para os meus alunos?

• São os mais primitivos animais multicelulares.


• Não apresentam órgãos nem tecidos verdadeiros.
• Representantes exclusivamente aquáticos, predominantemente marinhos.

SEGUEM ABAIXO MAIS CURIOSIDADES SOBRE AS ESPONJAS, LEIA EM:

88
Carlos Antonio Neves Júnior
http://arruda.rits.org.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.

1.2.3
CONTEÚDO 3.
FILO CNIDARIA

HTTP://UNIVERSE-REVIEW.CA/I10-54-CNIDARIA.JPG ACESSO EM 17/10/2009

Por muito tempo os cnidários e ctenoforas foram agrupados em um único filo, o filo
Coelenterata (das palavas gregas "coela", o mesmo que "cela" ou "espaço vazio", e "enteros"
"intestino"), que englobava desde as medusas, hidras e anêmonas até os pentes-do-mar. Atu-
almente, estes oragnisnos encontram-se separados em dois filos. Embora a similiaridade des-
ses animais tenha sido a principal causa desse agrupamento, no mais que se sabe e que ambos
teriam surgido a pouco mais de 800 milhões de anos, como os primeiros animais a possuírem
tecidos verdadeiros, porém ainda sem órgãos claramente definidos. De organização simples e
corpo pequeno, a maioria possui alguns centímetros, ainda que algumas poucas espécies pos-
sam chegar até a dois metros.

89
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Cnidários

Filo Cnidaria é quase exclusivamente marinho, com poucos representantes dulcícolas


entre as suas 8.800 espécies, que incluem as anêmonas, as águas vivas, os corais, as medusas e
as caravelas.
Todos possuem um corpo formado por duas camadas de células, intercaladas por uma
substância chamada mesogleia, que lhes confere uma aparência gelatinosa. Possuem também
uma única abertura ao exterior – a boca – por onde entra o alimento diretamente para a cavi-
dade digestiva, empurrado por uma coroa de tentáculos. Entretanto, ressalta-se que os cnidá-
rios não possuem estruturas especializadas na realização da respiração, excreção e circulação.

HTTP://UNIVERSE-REVIEW.CA/I10-54-CNIDARIA.JPG ACESSO EM 17/10/2009

Em termos evolutivos, representam um significativo avanço, pois já apresentam células


nervosas conectadas com células musculares e sensitivas, permitindo a existência inovadora
de comportamentos muito simples, regulados por um mecanismo sensitivo neuromotor.
O termo cnidários (cnide = urtiga e ário = coleção) se dá em virtude da presença dos
cnidoblastos, células epidérmicas modificadas que possuem um filamento com substância
urticante e tóxica, e um cílio que funciona como gatilho acionando o sistema para capturar
alimento. Os cnidoblastos constituem-se em uma característica típica dos cnidarias, não en-
contrada em nenhum outro filo animal.

90
Carlos Antonio Neves Júnior
HTTP://UNIVERSE-REVIEW.CA/I10-54-
CNIDARIA.JPG ACESSO EM 17/10/2009

Os tentáculos dos cnidários são abundantemente recobertos por cnidoblastos. Quando o


cílio é tocado, ele dispara um mecanismo ejetor que faz a célula virar do avesso, lançando ao
exterior com grande força o filamento urticante. Ele é capaz de penetrar na pele de muitos
animais, como peixes, que geralmente ficam paralisados e depois são engolidos pelo cnidário.
Além de garantir a captura de alimentos, os cnidoblastos providenciam proteção. Eles são os
responsáveis pelas queimaduras causadas nos banhistas que entram em contato com medusas,
como a água-viva. Os cnidarias existem em duas formas: pólipos e medusas.

HTTP://UNIVERSE-REVIEW.CA/I10-54-CNIDARIA.JPG ACESSO EM 17/10/2009

Os pólipos têm forma cilíndrica e vivem geralmente fixos sobre um substrato. Um dos
representantes mais populares dos cnidários de forma pólipo são as anêmonas ou actínias.

91
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Devido às suas cores fortes e a coroa de tentáculos, foram considerados durante muitos
séculos como vegetais. A boca situa-se na face superior rodeada de tentáculos. Os cnidarias
ocupam uma grande variedade de habitats. Os pólipos permanecem presos em pedras ou em
conchas na região entre-marés, podendo ficar expostas ao ar algumas horas por dia, quando
então se retraem e encolhem os tentáculos.
A forma medusa, ao contrário, possui vida livre, assumindo forma semiesférica, seme-
lhante a um guarda-chuva, com a boca e tentáculos voltados para baixo.
A forma de vida predominante é o diferencial que permite classificar os cnidarios em
classes distintas. Os antozoários somente existem na forma pólipo. As duas formas de vida são
encontradas nos hidrozoários (entre os quais predominam os pólipos) e cifozoários (com pre-
dominância das medusas). Nessas duas últimas classes o pólipo reproduz-se assexuadamente
formando medusas masculinas e femininas. E as medusas realizam a reprodução sexuada com
gametas, gerando pólipos assexuados.

HTTP://UNIVERSE-REVIEW.CA/I10-54-CNIDARIA.JPG ACESSO EM 17/10/2009

Há formas mais evoluídas como a caravela ou fragata portuguesa (Physalia sp), que é
uma colônia composta por indivíduos de forma pólipo e medusa modificados e que flutua
graças ao pneumatóforo, uma bolsa de gás. Nela, há uma nítida divisão de trabalho, como os
gastrozoides, responsáveis pela alimentação; gonozoides pela reprodução; dactilozoides pela
proteção; e pneumatóforo pela flutuação.

92
Carlos Antonio Neves Júnior
HTTP://UNIVERSE-REVIEW.CA/I10-54-CNIDARIA.JPG ACESSO EM 17/10/2009

Todos os cnidarios são carnívoros, alimentando-se de pequenos caranguejos, camarões


e peixes, como esse peixe-estrela (Acanthaster planei) apanhado por uma anêmona de coral
(Tubastrea coccinea). A digestão dos itens alimentares ocorre na cavidade gastrovascular.
Entretanto, algumas poucas espécies parecem ter a capacidade de absorver matéria orgânica
dissolvida na água do mar. Também foi comprovado que podem ficar em jejum por até um
ano.

HTTP://UNIVERSE-REVIEW.CA/I10-54-CNIDARIA.JPG ACESSO EM 17/10/2009

93
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Ciclo de vida

Os cnidários reproduzem-se sexual e assexualmente. A reprodução sexual dá-se na fase


medusa (com exceção dos antozoários, os corais, as anêmonas-do-mar, as hidra e algumas
outras espécies que nunca se desenvolvem a fase de medusa): os machos e as fêmeas libertam
os produtos sexuais na água e ali se conjugam, dando origem aos zigotos.
Dos ovos saem larvas pelágicas chamadas plânulas, em forma de pêra e completamente
ciliadas que, quando encontram um substrato apropriado, se fixam e se transformam em póli-
pos. Em alguns cnidarias, como os corais, a fase de pólipo é a fase definitiva.

HTTP://UNIVERSE-REVIEW.CA/I10-54-CNIDARIA.JPG ACESSO EM 17/10/2009

Os pólipos reproduzem-se assexualmente formando pequenas réplicas de si mesmo por


evaginação da sua parede chamado gomos. No caso dos corais, estes novos pólipos constroem
o seu "esqueleto" e continuam fixos, contribuindo para o crescimento da colônia.
No entanto, em certos casos, os gomos começam a dividir-se em discos sobrepostos,
num processo conhecido por estrobilação. Estes discos libertam-se, dando origem a pequenas
medusas chamadas éfiras que, eventualmente, crescem e podem se reproduzir sexualmente.

94
Carlos Antonio Neves Júnior
Os cnidários ocupam uma grande variedade de habitats. Os pólipos permanecem presos
em pedras ou em conchas na região entre-marés, podendo ficar expostas ao ar algumas horas
por dia, quando então se retraem e encolhem os tentáculos. Já as medusas vivem flutuando no
mar.

Cnidários e ecologia

Os corais são colônias de cnidários (pólipos com tentáculos curtos) que habitam as á-
guas rasas dos mares tropicais. Eles estão ameaçados de extinção em diversas partes do mun-
do, inclusive no litoral brasileiro. Recentemente, os moradores de Búzios, balneário do Rio de
Janeiro, preocupados com a poluição do mar e com a venda excessiva dos corais no comércio
local, procuraram as universidades para discutir medidas que poderiam ser tomadas para evi-
tar os danos aos corais.
Os corais têm importante papel ecológico na preservação do ecossistema litorâneo por-
que servem de abrigo e alimento para a grande diversidade de peixes, moluscos e crustáceos, e
por isso a sua extinção coloca em risco toda a vida marinha.
Um grande papel ecológico de alguns cnidárias é o da formação de recifes de coral, ecos-
sistemas com grande produtividade e diversidade, sendo por isso considerados equivalentes
ecológicos das florestas tropicais.
Eles são construídos pelos corais, colônias de pequenas anêmonas com esqueleto calcá-
rio, que crescem sobre os esqueletos de gerações anteriores, formando verdadeiras montanhas
no mar, tais como os recifes, como os encontrados no litoral de alguns pontos do Nordeste
brasileiro.
O exoesqueleto de certos corais, principalmente os de cores vermelha, rósea ou preta, é
muito cobiçado pela sua beleza e alto valor comercial. O que tem contribuído para a extinção
de algumas espécies de corais.

HTTP://UNIVERSE-REVIEW.CA/I10-54-CNIDARIA.JPG ACESSO EM 17/10/2009

95
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Ctenóforos

HTTP://UNIVERSE-REVIEW.CA/I10-54-CNIDARIA.JPG ACESSO EM 17/10/2009

Os ctenóforos possuem algumas características comuns aos cnidarios, como a parede do


corpo com dois tecidos separados por uma camada de mesogleia e a abertura única para a
cavidade gástrica central.
São parecidos com as águas-vivas, com corpos gelatinosos e transparentes. Por isso fo-
ram considerados como uma classe daquele filo, porém não nos queimam e, portanto, os cni-
doblastos estão ausentes. Outra característica que difere os ctenóforos, no entanto, foi a au-
sência da forma pólipo, assim como, principalmente, a estrutura corporal seguindo uma
simetria birradial, garantindo que sejam classificados como um filo a parte no qual o surgi-
mento dessa simetria representou um importante avanço evolutivo. Isto porque significa um
passo adiante em direção da simetria bilateral, comum a praticamente todos os outros ani-
mais.
Todos os ctenóforos são marinhos que vivem nadando graças ao movimento coordena-
do de cílios que recobrem seus corpos. O seu habitat é planctônico. Existem poucas espécies
de ctenóforos, cerca de oitenta, mas se encontram muito bem espalhados pelos mares. Essa
espécie foi encontrada na Antártida.
O nome ctenóforo deriva do grego que significa “portador de pentes”. Esses são em nú-
mero de oito estruturas semelhantes a tentáculos, mas não urticante, empregada na captura de
alimentos, como algas e pequenos organismos. Os colobrastos, células com substância adesiva,
presente nos oito pentes, são estruturas exclusivas dos ctenóforos. A bioluminescência criada
por pequenos pontos alinhados nos pentes confere a esses animais um ar mágico e fascinante.

96
Carlos Antonio Neves Júnior
Eles têm sistema digestivo completo e são hermafroditas. A maioria é dotada de biolumines-
cência, com capacidade para gerar uma suave luminosidade.

CURIOSIDADE SOBRE O TEMA

Estudos recentes têm demonstrado propriedades farmacológicas extraídas de certos


cnidários, sobretudo dos antozoários. Algumas espécies de gorgônias, como Pseudopterogor-
gia americana, têm propriedades antiinflamatória, analgésico e cicatrizante, sendo utilizado
contra artrite, psoríase e asma. O coral negro Antipathes sp apresenta propriedades antissépti-
ca, antídoto ao veneno de escorpião e antibiótica.

97
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
98
Carlos Antonio Neves Júnior
MAPA CONCEITUAL

99
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
ESTUDO DE CASO
A principal cidade da Região Norte de Queensland, Cairns, abriga a belíssima Great
Barrier Reef (Grande Barreira de Corais) e o Parque Marinho da Grande Barreira de Corais,
com 2.000 km de extensão, composto por 2.000 ilhas e 3.000 colônias de corais, com uma es-
pessura de 1.200 km entre a base vulcânica e a superfície. Um coral é uma colônia de muitos
animais individuais chamados pólipos, originados da replicação de um pólipo inicial. O recife
de coral é formado por bilhões de pólipos, além de outros organismos que se depositam no
calcário, crescendo em meio aos exesqueletos de seus predecessores e à areia e sedimentos
deles derivados. Neste ecossistema complexo vivem em torno de 1.500 espécies de peixes, 360
espécies de corais, 5.000 a 8.000 espécies de moluscos, 400 a 500 espécies de algas marinhas,
1.330 espécies de crustáceos e mais de 800 espécies de equinodermas.
Fonte: http://blog.marcobueno.net/category/curiosidades/ Acesso em 02/10/2009

Como estudante de Licenciatura em Biologia, quais estratégias você aplicaria para apre-
sentar aos seus alunos os conceitos de Biodiversidade presentes no texto acima?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
QUESTÃO 01
Certa espécie de hidrozoário colonial marinho não apresenta a fase de medusa. É bentô-
nica e mantém uma associação simbiótica com organismos fotossintetizantes que podem lhe
fornecer glicerol. É uma espécie dioica com fecundação externa e as larvas ciliadas não se ali-
mentam.

Provão Biologia 2003

100
Carlos Antonio Neves Júnior
Para obter amostras dessa espécie, seria correto indicar a um aluno que a coleta seja feita
em profundidade de:

(A) Poucos metros, para retirar apenas indivíduos sexualmente maduros.


(B) Muitos metros, pois nesses locais são encontrados os indivíduos mais resistentes.
(C))Poucos metros, pois estes animais devem ocupar ambientes iluminados.
(D) Muitos metros, porque a larva plânula prefere ambientes profundos.
(E) Poucos metros, já que apenas as trocóforas vivem na zona pelágica.

QUESTÃO 02
Provão Biologia 2003
Os pólipos de uma colônia geralmente são formados por reprodução assexuada. Quan-
do ocorre reprodução sexuada e formam-se zigotos a partir de gametas da mesma colônia, as
novas colônias serão geneticamente.

(A) Idênticas à parental, embora não sejam clones verdadeiros.


(B) Diferentes da parental, devido a interações ambientais.
(C) Idênticas à parental, por não ter ocorrido permuta.
(D))Diferentes da parental, devido à recombinação meiótica.
(E) Idênticas à parental, pois os gametas são idênticos.

QUESTÃO 03
Provão Biologia 2003
O fornecimento de glicerol pelos simbiontes possibilita que esses hidrozoários.

(A) Sintetizem compostos que auxiliem na captura dos alimentos.


(B) Sintetizem compostos de defesa.
(C) Obtenham ATP a partir de sua oxidação.
(D) Regulem sua pressão osmótica.
(E) Sobrevivam em ambientes congelados.

101
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
QUESTÃO 04
VESTIBULAR VUNESP-SP
Sobre os celenterados, são feitas três afirmativas. Observe-as:

I – A maioria dos cnidários têm hábitat aquático, sendo poucas as espécies de hábitat
terrestre, as quais são representadas por pólipos.
II – Os cnidários são urticantes e, para isso, dispõem de baterias de células especializadas
chamadas coanócitos.
III – Alguns cnidários se reproduzem por alternância de gerações, quando então os pó-
lipos dão medusas e as medusas dão pólipos.

Assinale:
(A) Se apenas uma afirmativa estiver correta.
(B) Se as afirmativas I e II estiverem corretas.
(C) Se as afirmativas I e III estiverem corretas.
(D) Se as afirmativas II e III estiverem corretas.
(E) Se as três afirmativas estiverem corretas.

QUESTÃO 05
VESTIBULAR FUVEST – SP
A Grande Barreira de Recifes se estende por mais de 2000 km ao longo da Costa Nor-
deste da Austrália e é considerada uma das maiores estruturas construídas por seres vivos.
Quais são esses organismos e como eles formam esses recifes?

(A) Esponjas – à custa de secreções calcárias.


(B) Celenterados – à custa de espículas calcárias e silicosas do seu corpo.
(C) Pólipos de cnidários – à custa de secreções calcárias.
(D) Poríferos – à custa de material calcário do terreno.
(E) Cnidários – à custa de material calcário do solo, como a gipsita.

102
Carlos Antonio Neves Júnior
CONSTRUINDO CONHECIMENTOS

Você sabia que...


Estudos recentes têm demonstrado propriedades farmacológicas extraídas de certos
cnidários, sobretudo dos antozoários. Algumas espécies de gorgônias, como a Pseudoptero-
gorgia americana, têm propriedades antiinflamatória, analgésico e cicatrizante, sendo utiliza-
do contra artrite, psoríase e asma. O coral negro Antipathes sp apresenta propriedades antis-
séptica, antídoto ao veneno de escorpião, a antibiótica.

Vamos colocar em prática nosso conhecimento sobre os dois grupos de metazoários que
acabamos de estudar. Que tal reproduzir o corpo de um porífera usando esponjas. Vocês po-
dem se orientar pelo modelo abaixo. Dessa forma, vocês podem ter um modelo em três di-
mensões que represente bem o formato do corpo deste animal.

FONTE:WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM.BR ACESSO EM 17/10/2009

103
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Oi, pessoal!
Estou indicando para vocês a leitura de um artigo científico muito interessante. Nesse
trabalho, é abordado de forma bacana a relação entre os porífera em alguns organismos
que podem ser encontrados nos seus canais aquíferos. Leiam e divirtam-se com essas no-
vas informações.

DENSIDADE E DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DE CIRRÍPEDES ENDOBIONTES


DA ESPONJA CLIONA VARIANS (DUCHASSAING & MICHELOTTI, 1864)
Ana Verena Madeira
Solange Peixinho

ABSTRACT
Density and spatial distribution of inhabitants barnacles in the sponge Cliona varians
(Duchassaing & Michelotti, 1864). This paper presents the density and distribution pattern of
an obligatory inhabitant barnacle on sponge, Membranobalanus declivis (Darwin, 1854). This
species was collected at Cliona varians on Pituba Beach (13º00’.28S/38°27’.26W), Salvador,
Bahia in dry and rainy seasons. Statistical analysis has indicated an aggregate distribution and
a high density of barnacles (0,6 /cm2) in both seasons, with elevated variance in the samples,
but without significant variation among them (p=0.05). The results are discussed on the light
of actual hypothesis about specificity of this association.
Key-words: sponge-inhabiting barnacle, density, spatial distribution, Cliona varians,
Membranobalanus declivis.

INTRODUÇÃO

Os poríferos constituem o grupo de animais mais densamente habitado por outros, os


quais penetram suas cavidades e canais ou fixam-se em sua superfície (Fishelson, 1966).
É conhecido que as relações dos endobiontes com os seus hospedeiros são as mais diver-
sas, podendo apresentar desde associações ocasionais não especializadas até um parasitismo
verdadeiro, este realizado principalmente por crustáceos (SARÀ & VACELET, 1973).
Numerosos grupos de crustáceos vivem em associação com esponjas, dentre os quais os
cirrípedes dos gêneros Acasta e Membranobalanus, simbiontes obrigatórios de esponjas, ocor-

104
Carlos Antonio Neves Júnior
rentes nas regiões tropicais, subtropicais e temperadas amenas (ZULLO & STANDING,
1983).
Este trabalho apresenta os resultados de densidade e distribuição espacial dos cirrípedes
endobiontes de Cliona varians (DUCHASSAING & MICHELOTTI, 1864) da praia da Pituba
em duas estações do ano, bem como observações sobre o aspecto da superfície em função das
procedências das esponjas. Enfoca ainda problemas relativos às interpretações sobre a especi-
ficidade e o tipo de relação.

MATERIAL E MÉTODOS

A esponja Cliona varians (Demospongiae: Spirastrellidae) tem distribuição endêmica


para o Atlântico tropical americano (HECHTEL, 1976). Na Bahia, é frequente na zona entre
os mares das numerosas praias do litoral de Salvador. Com forma incrustante espessa, geral-
mente recobre um substrato areno-calcário consolidado. Sua cor externa é marrom e a interna
entre o cinza e o bege.
Os cirrípedes endobiontes foram identificados como Membranobalanus declivis
(DARWIN, 1854), família Archaeobalanidae.
As amostras foram obtidas na praia da Pituba (13°00’.28 S/38°27’.26 O), a qual está situ-
ada na zona urbana de Salvador, recebendo alta carga de efluentes domésticos. Em cada um,
de dois exemplares de esponjas de poça de maré, a menos de 1m de profundidade, foram lan-
çados, ao acaso, 10 quadrados (10x10cm).
A primeira amostragem foi realizada em julho de 1990 (estação chuvosa) sobre um e-
xemplar de Cliona varians com aproximadamente 45.000 cm2 de área (amostra 1). Esse exem-
plar e mais outro do mesmo ponto de coleta, com áreas aproximadas de 45.300 e 36.000 cm2
(amostras 2 e 3 respectivamente) foram igualmente amostrados em fevereiro de 1991 (estação
seca).
Foram calculadas a densidade dos cirrípedes, a variância dentro das amostras e pelo t-
student a significância (p=0,05) das diferenças entre as amostras 1 e 2, que correspondem ao
mesmo indivíduo de A. varians em duas estações diferentes, bem como entre as amostras 2 e
3, correspondentes a dois indivíduos diferentes em um mesmo instante amostral.
O padrão de distribuição das cracas foi determinado pelo índice de agregação de Morisi-
ta (1959).
Observações suplementares foram realizadas em diferentes praias do litoral de Salvador
(Ondina, Amaralina e Itapuã) assim como em pontos da Baía de Todos os Santos (Ponta de
Santo Antonio e Mar Grande).

105
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
RESULTADOS

Os resultados da análise estatística apresentados na Tabela I revelaram, para a Amostra


1, uma densidade de 0,54 cirrípedes/cm2, enquanto nas amostras 2 e 3 as densidades foram
respectivamente 0,60 e 0,55 cirrípedes/cm2 . Dentro de cada amostra a variância foi alta
(1191,0; 912; 854). O padrão de distribuição revelou-se agregado (Ia>1).
Quanto ao resultado da análise de variância entre as amostras, detectamos que as dife-
renças entre elas não foram significativas tanto para o mesmo indivíduo nas estações seca e
chuvosa quanto para indivíduos diferentes na estação seca.
Foi observado que os cirrípedes se alojam nas aberturas osculares das esponjas defor-
mando a superfície delas. A alta densidade desses endobiontes obriga os Cliona varians a for-
mar novos ósculos, que se apresentam mais próximos. Desse modo, é alterado o padrão de
distribuição oscular observado em exemplares não infestados da praia de Amaralina
Ao menos na praia da Pituba, Membranobalanus declivis não está associada a nenhuma
das muitas espécies de esponjas já observadas por nós em frequentes coletas na área. Por outro
lado, nenhum outro cirrípede está associado a C. varians.

DISCUSSÃO

As amostras da esponja C. varians da praia da Pituba apresentam uma alta incidência do


cirrípede Membranobalanus declivis nas estações chuvosa (543) e seca (603 e 554). Embora a
variação entre as amostras não tenha sido significativa, dentro das mesmas foi muito alta, o
que pode ser explicado pela já conhecida distribuição agregada dos cirrípedes. Uma incidência
elevada de endobiontes em Demospongiae tem sido citada na literatura (de Laubenfels, 1947;
Fishelson, 1966). No entanto, menores densidades de endobiontes também podem ocorrer, a
exemplo da associação entre cirrípedes e esponjas observada por Zullo e Standing (1983).
Nossos resultados são muito diferentes dos obtidos por Zullo e Standing (1983) em uma
profundidade de 22 a 32 metros na Carolina do Norte. Tal trabalho assinala apenas 8 e 4 indi-
víduos do cirrípede Membranobalanus costatus em dois exemplares de Cliona varians (citada
como Anthosigmella varians) e 1 e 5 indivíduos de M. declivis em dois exemplares da esponja
Spheciospongia vesparium, esta também da família Spirastrellidae, em geral com grande bio-
massa.
A variação de densidade de diversos endobiontes de esponjas das Bermudas, inclusive o
M. declivis, foi correlacionada com a profundidade por Pearse em 1934 (apud Sarà e Vacelet,

106
Carlos Antonio Neves Júnior
1973). Este autor encontrou o triplo de endobiontes por cm3 em exemplares de S. vesparium
de altas profundidades em relação a indivíduos provenientes de águas mais rasas. A compara-
ção destes dados com aqueles da Carolina do Norte indica que apenas a profundidade não
explica as diferenças de densidades de endobiontes encontradas.
Por outro lado, Zullo e Standing (1983) levantaram a hipótese da existência de especifi-
cidade entre Membranobalanus declivis e a esponja Spheciospongia vesparium. Isto com base
nas suas observações na Carolina do Norte e nos outros dois únicos registros do hospedeiro
de M. declivis feitos por Pearse (1932) e Wells (1966) (apud Zullo e Standing op. cit.) para as
Bermudas e o Golfo da Flórida, respectivamente. Sugeriram também uma provável relação
específica entre M. costatus e Cliona varians. Nossos resultados porém demonstram clara-
mente que tal especificidade não tem caráter global, uma vez que em Salvador M. declivis está
associado a C. varians.
Foram feitas algumas considerações sobre o tipo de associação entre cirrípedes e espon-
jas. Sarà e Vacelet (1973) afirmaram que a hipótese de parasitismo, baseada na obrigatorieda-
de da esponja formar novos ósculos, não teve comprovação. Por outro lado, Zullo e Standing
(1983) sugeriram uma relação de simples comensalismo para a qual também ainda não existe
suporte experimental. Salientamos, no entanto, que em qualquer um dos possíveis experimen-
tos sobre a relação em tela, o fato que precisa ser considerado é que efetivamente as cracas
hospedeiras causam um certo desconforto à esponja, pois esta é obrigada a abrir novos óscu-
los. Isto implica não apenas no aspecto estético de sua superfície, mas, sobretudo, na funcio-
nalidade do sistema aquífero, pois seguramente há um custo energético importante.

CONCLUSÕES

Do presente estudo conclui-se que, na praia da Pituba (Salvador-BA), o Membranoba-


lanus declivis infesta a esponja Cliona varians com alta densidade e distribuição agregada, sem
diferenças estatisticamente significativas entre indivíduos e estações.
Por outro lado, este trabalho registra também uma nova esponja hospedeira para M. de-
clivis, sugerido até então como específico da esponja Spheciospongia vesparium e um novo
endobionte para Cliona varians, registrada como tendo apenas M. costatus.
Observações preliminares indicaram a existência de diferentes graus de infestação, de
acordo com os pontos de coleta em Salvador e adjacências. Deste modo, para confirmar esta
premissa e compreender a eventual diferença, futuras análises de densidade deverão ser corre-
lacionadas às características fisico-químicas dos pontos de estudo.

107
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
AGRADECIMENTOS

Agradecemos a Marlene C. Peso-Aguiar pelas contribuições referentes ao método de


amostragem, a Cristiane M. Farrapeira de Assunção pela identificação dos cirrípedes e a Pris-
cila Paixão Lopes pela leitura crítica deste artigo. O suporte financeiro foi do CNPq, quota de
iniciação científica 800.422-86-4/ZO.
Tabela I – Análise Estatística da Membranobalanus declivis (Darwin, 1854) em três a-
mostras de Cliona varians. SA = subamostras; f = frequência; D = densidade; `` Dm`= densi-
dade média; S2 = variância; Ia = índice de agregação

AMOSTRA 1 2 3

SA f f f

1 32 28 47

2 63 32 68

3 27 51 20

4 29 119 104

5 13 68 64

6 127 84 15

7 84 43 43

8 35 80 35

9 57 71 64

10 76 30 94

Total 543 603 554

D 0,54 0,60 0,55

Dm 54,3 60,6 54,4

108
Carlos Antonio Neves Júnior
S² 1186,9 857,4 853,8

Ia 21,9 15,0 15,4

109
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
110
Carlos Antonio Neves Júnior
BLOCO
TEMÁTICO2
BIOLOGIA E SISTEMÁTICA DE GRUPOS
ZOOLÓGICOS
BIOLOGIA E SISTEMÁTICA DE GRUPOS
ZOOLÓGICOS

2.1
TEMA 3.
FILOS – PLATYHELMINTHES, NEMATODA, MOLLUSCA E
ANNELIDA

2.1.1
CONTEÚDO 1.
FILO PLATYHELMINTHES

WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM.BR/ALFA/FILO-PORIFERA/FILO-PORIFERA ACESSO EM 20/10/2009

Os platelmintos (platys = chato e helmintes = verme) são vermes de corpo achatado em


forma de lâmina, geralmente alongados e com tamanho variado, desde poucos milímetros até
alguns metros. Registros fósseis indicam que teriam surgido no ambiente marinho entre um
bilhão e 600 milhões de anos atrás.
Diferem nitidamente dos poríferos, cnidários e ctenóforos pela simetria bilateral e pelas
larvas serem mais complexas, possuindo três tipos de tecidos embrionários (triblásticos), en-
quanto que os filos existentes anteriormente possuem apenas dois (diblásticos). Esse terceiro
tecido – a mesoderme – substitui a mesogleia por um tecido conjuntivo que preenche os espa-

113
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
ços internos do corpo. A partir da mesoderme se formarão, nos filos seguintes da escala evolu-
tiva, o esqueleto, músculos e outros órgãos internos.
Do ponto de vista evolutivo, os platelmintos
representam um ponto de transição, um divisor
de águas decisivo. Neles aparecem inovações de-
terminantes no caminho futuro da evolução. A-
lém da bilateralidade e da presença da mesoder-
me, são os primeiros animais a possuir – como
uma decorrência da simetria bilateral – o corpo
organizado com uma extremidade anterior ou
cabeça, no qual se concentram os órgãos sensori-
ais e o sistema nervoso.

Também foram os primeiros animais a possuírem um sistema digestivo, sistema excre-


tor com células especializadas nessa função, as células flama, e gânglios cerebróides, uma con-
centração de células nervosas capazes de coordenar movimentos e comportamentos simples.

114
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
HTTP://4.BP.BLOGSPOT.COM/_UJWOGMHDNK4/SCYPYOJHLYI/AAAAAAAAATQ/K5SLW7D4ZYG/S400/PLANARIA000000%5B1%5D.JPG
ACESSO EM 20/10/209

A planária é o exemplo mais típico de um platelminto de vida livre. Ela possui novas ca-
racterísticas que serão encontradas em praticamente todos os animais que surgiram depois
dela. É a partir dos platelmintos que se pode reconhecer órgãos autênticos, organizados em
sistemas nervoso, digestivo e excretor, o que retrata uma estrutura corporal mais sofisticada.
Como a superfície corporal é consideravelmente maior do que seu volume, já que o cor-
po é fino e achatado, a troca de gases ainda ocorre por difusão, bem como boa parte da excre-
ção e circulação interna de nutrientes. A relativa simplicidade estrutural dos platelmintos traz
como vantagem a grande capacidade de regeneração, uma característica adaptativa muito im-
portante. De um animal cortado ao meio podem surgir dois novos.

HTTP://4.BP.BLOGSPOT.COM/_UJWOGMHDNK4/SCYPYOJHLYI/AAAAAAAAATQ/K5SLW7D4ZYG/S400/PLANARIA000000%5B1%5D.JPG
ACESSO EM 20/10/209

115
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
HORA DE OUTROS QUESTIONAMENTOS!

SERÁ QUE TODOS OS PLATELMINTOS SÃO COMO AS PLANÁRIAS?


Os platelmintos estão divididos em três classes:

• Turbellaria (Turbelários) – Platelmintos de vida livre, com epitélio ciliado. Exemplo:


Planária (Digesia tigrina).
• Trematoda (Trematódios) – Vermes parasitas com epiderme não ciliada e uma ou
mais ventosas. Exemplo: Schistosoma mansoni.
• Cestoda (Cestódios) – Formas parasitas com corpo dividido em anéis ou proglotes.
Exemplo: Taenia solium.

A maior parte das 15 mil espécies de platelmintos contemporâneos vive fora do ambien-
te marinho e são parasitas de outros animais. Das três classes em que são classificados, há três
mil representantes marinhos apenas entre os da Classe Turbellaria. São as planarias marinhas,
de vida livre e hábitos bentônicos. Na família Temnocephalidae há algumas espécies que são
parasitas externos de crustáceos, possuindo um disco adesivo e tentáculos.
Na cadeia alimentar marinha, os platelmintos ocupam a posição de consumidores de
pequenos invertebrados. Eles imobilizam suas presas com o muco produzido por glândulas
epiteliais.
A Classe Trematoda é representada pelo Schistosoma. É o gênero responsável pela es-
quistossomose, uma parasitose grave que causa milhares de mortes por ano.

HTTP://4.BP.BLOGSPOT.COM/_UJWOGMHDNK4/SCYPYOJHLYI/AAAAAAAAATQ/K5SLW7D4ZYG/S400/PLANARIA000000%5B1%5D.JPG
ACESSO EM 20/10/209

116
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
Como todos os platelmintes, o tubo digestivo do Schistosoma é incompleto com siste-
mas de orgãos muito rudimentares. É um parasita intravascular que permanece sempre no
lúmen dos vasos quando infecta o Homem. Ao longo do seu ciclo de vida, assume as seguintes
formas:

1. A forma adulta é a principal e existem dois sexos, ambos fusiformes. O macho é es-
palmado e mais grosso e tem uma calha longitudinal (o sulco ventral) no corpo, onde
se encaixa e se aloja permanentemente a fêmea, cilíndrica e mais fina, mas um pouco
mais longa. O seu comprimento varia com as espécies, mas situa-se entre os 10 e os 20
milímetros.
2. Os ovos são redondos ou elípticos com cerca de 60 micrómetros e possuem um espi-
nho afiado (lateral no S.mansoni) que lesa os tecidos do hospedeiro quando são expe-
lidos. Os miracídios imaturos no seu interior secretam enzimas que ajudam a dissolver
a parede dos vasos.
3. Os miracídios são formas unicelulares ciliadas que nascem dos ovos expelidos nas fe-
zes ou na urina humana, que vivem nos lagos ou rios em forma livre e são infecciosas
para o caracol.
4. Os esporocistos são as formas unicelulares no caracol, que se dividem assexualmente.
5. As cercárias, com meio milímetro, são as formas larvares multicelulares com caudas
bífidas que abandonam o caracol e penetram na pele dos seres humanos. Elas produ-
zem várias enzimas e têm movimentos bruscos que lhes permitem furar a pele intacta
em apenas alguns minutos. A cercária transforma-se após a penetração numa forma
sem cauda que se denomina Schistosolum. Os Shistosolum são susceptiveis à destrui-
ção pelos eosinófilos, mas uma vez estabelecidos no pulmão mascaram-se com proteí-
nas e glícidos das células humanas, ficando practicamente indetectáveis.

Ciclo de vida

O ciclo inicia-se com o caramujo (caracol aquático). Estes caramujos são hospedeiros
intermediários do Schistosoma, albergando o ciclo assexuado. Nos seus tecidos multiplicam-
se os esporocistos, dando mais tarde origem às formas multicelulares cercárias (que abando-
nam o molusco e nadam na água). O Homem é contaminado ao entrar em contato com as
águas dos rios onde existem estes caramujos infectados. Se estas larvas encontrarem um ser
humano na água, penetram pela pele nua e intacta, ou pelas mucosas, como da boca e do esó-
fago após a ingestão da água ou anal ou genital. Ela continua penetrando nos tecidos até en-

117
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
contrar pequenos vasos sanguineos no interior dos quais entra. Viaja então pelas veias, passa
pelo coração e atinge os pulmões pelas artérias pulmonares, no qual se fixa.
Após alguns dias se transformam em uma larva jovem, liberam-se e migram pelas veias
pulmonares, coração e artéria aorta até atingirem o fígado. Lá ocorre o amadurecimento das
larvas em formas sexuais macho e fêmea, e o acasalamento (forma sexuada). Após este acasa-
lamento, os parasitas migram juntos (a fêmea na calha do macho) contra o fluxo sanguíneo
(migração retrógrada), atingindo as veias mesentéricas e do plexo hemorroidário superior (ou
no caso do S. hematobium o plexo vesical da bexiga).
Lá, os parasitas põem milhares de ovos todos os dias durante anos (entre três e quarenta
anos). Os ovos passam do lúmen dos vasos ao lúmen do intestino ou da bexiga simplesmente
destruindo todos os tecidos intervenientes. Eles atravessam a parede dos vasos sanguíneos
causando muitos danos tanto com os seus espinhos como pela reação inflamatória do sistema
imunitário que lhes reage. Atingindo o intestino, são eliminados pelas fezes (ou no caso do S.
hematobium atingem a bexiga e são libertados na urina). Os ovos, em contato com a água,
liberam os miracídios que nadam livres até encontrar um caramujo (caracol aquático), pene-
trando-o. Dentro do caramujo ocorre a multiplicação da forma assexuada, o esporocisto, que
se desenvolve na forma larvar que é libertada seis semanas após a infeção do caramujo, reco-
meçando assim novamente o ciclo.

FONTE: WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR ACESSO EM 19/10/2009

118
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
E a Classe Cestoda tem representantes parasitas tambem

Entre os vermes achatadados, a Classe Cestoda é representada exclusivamente por para-


sitas. Dentres os Cestoda, as tênias principais são vermes platelmintos, parasitas intestinais do
Homem de corpo achatado como uma fita. O seu hospedeiro intermediário é o porco, no caso
da tênia solitária, o boi no caso da tênia saginata ou os peixes no caso do Diphyllobothrium
latum. Além de parasitarem o lúmen do intestino humano de forma quase sempre benigna (o
Homem é usado como hospedeiro definitivo), causando a doença Teníase, também podem
infectar acidentalmente o Homem como hospedeiro intermediário, causando a doença muito
mais grave como o Cisticercose.

TAENIA

As Tênias possuem um corpo muito segmentado – anéis ou proglótides (as proglótides


que estão maduras e possuem os ovos são as terminais). Habitualmente, para efeitos de es-
quematização, divide-se o corpo da tênias em 3 zonas: o escólex ou cabeça, o pescoço e o es-
tróbilo. Das tênias existentes, existem três cujo hospedeiro definitivo, que alberga a forma pa-
rasita adulta, é o Homem: T. solium, T. saginata e Diphyllobothrium latum. Em relação à
primeira, o hospedeiro intermediário (que alberga a forma larvar) é o porco e em relação à
segunda, o hospedeiro intermediário é a vaca. Ambas aderem à parede intestinal pelo escólex,
que possui para este efeito 4 ventosas, sendo ainda de destacar que no caso da T. solium tam-
bém existe um dupla coroa de ganchos, característica essa que permite a distinção entre as
duas espécies.

Taenia sollium

FONTE: WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR ACESSO EM 19/10/2009

119
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
A Tênia solium adulta vive no intestino delgado do Homem e possui o corpo alongado,
delgado e chato; podendo ser dividido em cabeça ou escólex, colo e estróbilos ou proglotes. A
cabeça é a porção anterior destinada à fixação no organismo do hospedeiro. O pescoço ou
colo é a região em que são produzidos novos anéis por estrobilização. O corpo é constituído
por uma série de anéis –proglótides – que são divididos em imaturos, maduros e, no final,
grávidos. O Homem que possui teníase ou solitária, como também é chamada a doença cau-
sada pela presença desse animal no intestino, libera cerca de 40.000 ovos fecundados por anel
eliminado nas fezes. Esses ovos contêm embriões denominados oncosfera.
Escoléx e Proglótide de T.solium

FONTE: WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR ACESSO EM 19/10/2009

O porco, hospedeiro intermediário, ingere os ovos que, ao chegarem ao intestino, liber-


tam a oncosfera, que entra na corrente sanguínea e se aloja em alguns tecidos do animal. Nes-
ses locais, evolui um estágio larval chamado cisticerco. A carne de porco mal passada é a ori-
gem da infecção com T. Solium.
O Homem se torna hospedeiro definitivo do animal quando ingere carne de porco crua
ou mal cozida. Pode ocorrer de o Homem ingerir ovos de tênia ao invés de cisticercos. Nesse
caso, o Homem passa a ser hospedeiro intermediário. Quando os ovos sofrem maturação e se
tornam cisticercos num organismo humano, podem causar deficiência visual, fraqueza mus-
cular e/ou epilepsia, dependendo do local onde se alojam. Essa doença é chamada cisticercose,
e é mais grave que a teníase. O tratamento normalmente pode ser feito com Mebendazol ad-
ministrado durante 3 dias.

120
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
Taenia saginata

FONTE: WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR ACESSO EM 19/10/2009

Há também a Taenia saginata, cujo hospedeiro intermediário é o boi. O Homem pode


ser apenas hospedeiro definitivo, não intermediário como pode ocorrer com a Tênia solium.
As proglótides são eliminadas individualmente e fora das evacuações, forçando o esfíncter
anal do portador. Esta espécie está disseminada mundialmente e o número de portadores hu-
manos está estimado entre 40 e 60 milhões. T. saginata pode atingir os 10m em comprimento.
A carne de vaca mal passada é a origem da infecção com T. saginata. A saginata tem
quatro ventosas mas não tem ganchos no escoléx. A T.saginata asiatica é uma subespécie que
infecta também o porco, causando cistos infecciosos no seu fígado.

Veja na imagem as diferenças no escoléx entre a T. solium e a T. saginata

121
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
FONTE: WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR ACESSO EM 19/10/2009

Ciclo de vida

As proglótides, localizadas na extremidade da cadeia, são as mais maduras e mais com-


pridas que largas. Estas proglótides possuem no seu útero ramificado entre 80.000 e 100.000
ovos. Os ovos são libertados quando a proglótide se destaca do animal no lúmen intestinal ou
no exterior quando a proglótide se desintegra. Eles são excretados com as fezes humanas. Os
animais que se alimentam de água, de detritos (porco) ou de erva (vaca) contaminados são
infectados. Nestes animais ou acidentalmente no Homem os ovos eclodem no intestino, ge-
rando oncosferas e penetram na mucosa intestinal disseminando-se pelo sangue até os teci-
dos, no qual se enquistam principalmente no músculo, fígado e cérebro. Quando o Homem
come esta carne infectada, os cistos maturam em ténias adultas exclusivamente intestinais.

FONTE: WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR ACESSO EM 19/10/2009

122
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
A Cisticercose ocorre quando seres humanos ingerem água, terra ou alimentos conta-
minados com fezes humanas. Também pode ocorrer por infecção fecal oral como em deter-
minadas praticas sexuais, ou até por autoinfecção do mesmo indivíduo. Em alguns países o
hábito de fertilizar o solo com as fezes humanas aumenta muito o risco.

VAMOS REFLETIR SOBRE ESSAS PARASITOSES QUE AFETAM A NOSSA PO-


PULACÃO!

2.1.2
CONTEÚDO 2.
FILO NEMATODA
Agora daremos início ao estudo de um dos maiores filos entre os invertebrados! Os
Nematoda são animais de vida livre encontrados no mar, na água doce e no solo; onde ocor-
rem desde regiões polares até os trópicos em todos os tipos de ambientes (desertos, fontes
termais e grandes profundidades oceânicas, dentre outros). Estes animais são vermes não
segmentados de corpo cilíndrico e alongado que se afila nas extremidades.
Os nemátodos (gr. nematos = fio) ocupam provavelmente o segundo lugar, após os inse-
tos, em número de indivíduos no planeta, estimando-se que apenas 1/5 das espécies tenham
sido descritas até a atualidade. No lodo do fundo do mar chegam a coexistir 4 milhões de a-

123
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
nimais por metro quadrado, enquanto no solo podem existir 7,5 bilhões por acre. Talvez ne-
nhum outro grupo taxonômico seja tão universal em relação ao habitat, sendo encontrados
em qualquer lugar (de vida livre no solo ou na água, parasitas de tecidos ou líquidos de ani-
mais ou plantas).
A presença de ânus é uma importante evolução em relação aos filos anteriores, pois evi-
ta a mistura de nutrientes e excreções, tornando o processo digestivo e a absorção mais efici-
entes.
Há doze mil espécies conhecidas de nematodas, mas estima-se que possam existir apro-
ximadamente 200 mil, a maioria microscópica. Isso faz desse grupo o de maior diversidade
animal, somente superado pelo filo dos artrópodes.
Ecologicamente, assumem predominantemente o papel de parasitas de crustáceos e pei-
xes, podendo, em casos de infestação grave, causar impacto na indústria pesqueira. Há uma
espécie de nematoda, com 13 metros de comprimento, que parasita cachalotes. São mais estu-
dados e conhecidos por abrigarem muitas espécies de vermes parasitas de seres humanos, res-
ponsáveis por doenças endêmicas como ascaridíase, ancilostomose, enterobiose e filariose.
Como são parasitas em sua maioria, sua estrutura interna é muito simples e reduzida,
carecendo até mesmo de órgãos sensoriais; porém com psedocelomas extensos. Externamente
são vermes de corpo cilíndrico e afilado nas extremidades.
Abarca a imensa maioria das espécies de vida livre, tanto no ambiente terrestre como
aquático, abundantes em solos e sedimentos, no qual se alimentam de detritos e bactérias.
Outros nematodas são parasitas de plantas afetando seriamente culturas importantes.

FONTE: WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR ACESSO EM 19/10/2009

124
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
Os nematodas de interesse médico podem ser representados por:

• ANCILÓSTOMO – Ancylostoma duodenale – AMARELÃO


• LOMBRIGA – Ascaris lumbricoides – ASCARIDÍASE
• OXIÚRUS – Enterobius vermicularis – OXIUROSE
• FILÁRIAS – Wuchereria bancrofti – ELEFANTÍASE

VAMOS ANALISAR O RESUMO DO CICLO DE VIDA DOS NEMATODA DE


INTERESSE MÉDICO

Fonte: www.sobiologia.com.br Acesso em 19/10/2009

ANCILOSTOMIASE

1 – As larvas penetram ativamente através da pele, atingem a circulação e executam uma


viagem semelhante àquela realizada pelas larvas da lombriga, migrando do coração para os
alvéolos pulmonares.

125
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
2 – Dos alvéolos, seguem para os brônquios, traqueia, laringe, faringe, esôfago, estôma-
go e intestino delgado, local em que se transformam em adultos.
3 – Após o acasalamento no intestino, as fêmeas iniciam a postura dos ovos, que, mistu-
rados às fezes, são eliminados para o solo. A diferença em relação à ascaridíase é que, neste
caso, os ovos eclodem no solo e liberam uma larva.
4 – Em solos úmidos e sombrios, as larvas permanecem vivas e se alimentam. Elas so-
frem muda na cutícula durante esse período.

O que se sente?
No local da penetração das larvas filarióides, ocorre uma reação inflamatória (prurigino-
sa). No decurso, pode ser observada tosse ou até pneumonia (passagem das larvas pelos pul-
mões). Em seguida, surgem perturbações intestinais que se manifestam por cólicas, náuseas e
hemorragias decorrentes da ação espoliadora dos dentes ou placas cortantes existentes na boca
destes vermes. Estas hemorragias podem durar muito tempo, levando o indivíduo a uma a-
nemia intensa, o que agrava mais o quadro.
Poderão ocorrer algumas complicações, tais como caquexia (desnutrição profunda),
amenorreia (ausência de menstruação), partos com feto morto e, em crianças, transtornos no
crescimento.

ASCARIDÍASE

FONTE: WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR ACESSO EM 19/10/2009

126
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
1 – A ingestão de água ou alimentos (frutas e verduras) contaminados pode introduzir
ovos de lombriga no tubo digestório humano.
2 – No intestino delgado, cada ovo se rompe e libera uma larva.
3 – Cada larva penetra no revestimento intestinal e cai na corrente sanguínea, atingindo
o fígado, coração e pulmões, onde sofre algumas mudanças de cutícula e aumenta de tama-
nho.
4 – Permanece nos alvéolos pulmonares podendo causar sintomas semelhantes ao de
pneumonia.
5 – Ao abandonar os alvéolos, eles passam para os brônquios, traqueia, laringe (onde
provocam tosse com o movimento que executam) e faringe.
6 – Em seguida, são deglutidas e atingem o intestino delgado, no qual crescem e se
transformam em vermes adultos.
7 – Após o acasalamento, a fêmea inicia a liberação dos ovos; cerca de 15.000 por dia.
Todo esse ciclo que começou com a ingestão de ovos até a formação de adultos dura cerca de
2 meses.
8 – Os ovos são eliminados com as fezes. Dentro de cada ovo, dotado de casca protetora,
ocorre o desenvolvimento de um embrião que, após algum tempo, origina uma larva.
9 – Os ovos contidos nas fezes contaminam a água de consumo e os alimentos utilizados
pelo Homem.

O que se sente?

A maioria das infecções é assintomática. A larva se libera do ovo no intestino delgado,


penetra a mucosa e por via venosa alcança o fígado e pulmões de onde alcança a árvore brôn-
quica. Junto com as secreções respiratórias, são deglutidas e atingem o intestino onde crescem
chegando ao tamanho adulto. Em várias situações podem surgir sintomas dependendo do
órgão atingido. A ascaridíase pode causar dor de barriga, diarreia, náuseas, falta de apetite ou
nenhum sintoma. Quando há grande número de vermes pode haver quadro de obstrução in-
testinal. A larva pode contaminar as vias respiratórias, fazendo o indivíduo apresentar tosse,
catarro com sangue ou crise de asma. Se uma larva obstruir o colédoco pode haver icterícia
obstrutiva.

127
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
SAIBA MAIS SOBRE ESSE FILO!

http://w3.ufsm.br/parasitologia/arquivospagina/nematoda.htm
http://www.unb.br/ib/zoo/docente/mjsilva/NEMATODA.html

2.1.3
CONTEÚDO 3.
FILO ANNELIDA
ANELÍDEOS
Caro estudante, os animais que estudaremos agora são os anelídeos. Este grupo de seres
vivos são bastante conhecidos, ou seja, o que queremos dizer é que os anelídeos mais popula-
res são as minhocas e as sanguessugas, comuns no solo e no ambiente dulcícola, respectiva-
mente. Anelídeo significa corpo formado por anéis e englobam os vermes mais evoluídos,
quando comparados com os platelmintos e os nematelmintos. Aliás, diga-se de passagem,
esses animais já revelam circulação fechada, ou seja, o sangue circula apenas por dentro dos
vasos. Estes animais já possuem sangue e um sistema circulatório composto de vasos sanguí-
neos.

Características gerais
O corpo dos anelídeos é cilíndrico, simétrico bilateral, alongado e segmentado, ou seja,
dividido em anéis, cujo número varia de acordo com a espécie e a idade. Podem ser de mari-
nhos, de água doce ou terrestre. Reproduzem-se sexuadamente, havendo formas hermafrodi-
tas e de sexos separados. A fecundação é interna podendo ocorrer também na reprodução
assexuada.
A segmentação – também chamada metameria – apresenta-se tanto interna como ex-
ternamente, uma vez que cada (metâmero) anel abriga órgãos individualizados (nervos, mús-
culos, estruturas excretoras e cerdas) que se repetem ao longo do corpo.

128
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
Os anelídeos possuem celoma, uma cavidade interna totalmente delimitada pela meso-
derme. Essa cavidade atua como meio de transporte de nutrientes, gases e excretas entre o
sistema circulatório simples e reduzido e as células do corpo. São os primeiros animais a pos-
suir hemoglobina, uma proteína capaz de transportar os gases, encontrada em quase todos os
organismos que surgiram depois.

Anatomia
Os anelídeos são animais de corpo alongado, segmentado, triploblásticos, protostómios
e celomados, ou seja, com a cavidade do corpo cheia de um fluido onde o intestino e os outros
órgãos se encontram suspensos.
Os oligoquetas e os poliquetas possuem celomas grandes, mas nas sanguessugas o celo-
ma está preenchido por tecidos e reduzido a um sistema de estreitos canais, e em alguns ar-
quianelídeos o celoma está completamente ausente. O celoma pode estar dividido numa série
de compartimentos por septos. Em geral, cada compartimento corresponde a um segmento,
incluindo uma porção do sistema nervoso e circulatório, permitindo-lhes funcionar com rela-
tiva independência.

Hirudíneos Poliqueta (muitas cerdas) – nereida.


Oligoquetas
(sem cerdas)
(poucas cerdas) – minhoca.
sanguessuga.

FONTE: WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR ACESSO EM 19/10/2009

Cada segmento está dividido externamente em um ou mais anéis, é coberto por uma cu-
tícula segregada pela epiderme e, internamente, possui um fino sistema de músculos longitu-
dinais. Estas características são parcialmente comuns aos nemátodos e artrópodes, e por isso
eles foram durante algum tempo colocados no mesmo grupo sistemático, o filo Articulata.
Mas estudos recentes revelaram que essas características devem ser consideradas como con-
vergências evolutivas.

129
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Nas minhocas (Oligochaeta), os músculos são reforçados por lamelas de colagénio e as
sanguessugas (Hirudinea) têm uma camada dupla de músculos, sendo os exteriores circulares
e os interiores longitudinais.
A maioria dos anelídeos possui, em cada segmento, um par de sedas, mas os Polychaeta
(as minhocas marinhas) possuem ainda um par de apêndices denominados parápodes (ou
"falsos pés").
Na extremidade anterior do corpo, antes dos verdadeiros segmentos – a cabeça –, en-
contra-se o protostómio, onde se encontram os olhos e outros órgãos dos sentidos. Por baixo,
encontra-se o peristómio, onde está localizada a boca. A extremidade posterior do corpo é o
pigídio, no qual está localizado o ânus e os tecidos que dão origem a novos segmentos durante
o crescimento.
Muitos poliquetas possuem órgãos de sentido bastante elaborados, mas as formas sésseis
muitas vezes apresentam tentáculos em forma de pluma que eles utilizam para se alimenta-
rem. Além disso, muitas espécies têm fortes maxilas, por vezes mineralizadas com óxido de
ferro.
O tubo digestório é bastante especializado devido à variedade das dietas, uma vez que
muitas espécies são predadoras, outras detritívoras, outras alimentam-se por filtração e outras
ainda ingerem sedimentos, dos quais o intestino tem de separar a parte nutritiva; finalmente,
as sanguessugas alimentam-se de sangue de outros animais por sucção.
O sistema vascular é composto por um vaso sanguíneo dorsal que leva o "sangue" no
sentido da "cauda" e outro ventral, que o traz na direcção oposta. O sistema nervoso é forma-
do por um cordão ventral, a partir do qual saem nervos laterais em cada segmento.

130
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
Reprodução
A forma de reprodução dos anelídeos varia de espécie para espécie, pondendo ser tanto
assexuada como sexuada.

FONTE: WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM.BR ACESSO EM 15/10/2009

O enfoque ecológico permite ampliar o espaço do ensino-aprendizagem e estimular o


professor a propor e programar visitas, excursões, debates e projetos, ultrapassando o espaço
da sala de aula em favor de uma investigação de diferentes ambientes. Todas essas ações pro-
piciam o envolvimento do educando em situações reais, fazendo com que este trave contato
com as múltiplas formas de interação dos organismos entre si e com o meio e as transforma-
ções que os organismos e o meio ambiente sofrem ao longo do tempo e o papel do Homem
nesses processos. Portanto, caro colega, o simples ato de analisarmos ao vivo com os nossos
futuros aprendizes o que a figura abaixo está evidenciando, terá um resultado fabuloso! Expe-

131
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
rimente! Pois, faz-se necessário e é fundamental mediarmos junto ao aluno a concepção de
que é de responsabilidade da espécie humana a vida no planeta Terra devido ao seu potencial
de transformação e reorganização da biodiversidade e dos ecossistemas existentes.

Classes

Classe Archiannelida

Classificação científica

Reino: Animalia

Filo: Annelida

Classe: Archiannelida

HTTP://CONTENT.ANSWERS.COM/MAIN/CONTENT/IMG/MCGRAWHILL/ENCYCLOPEDIA/IMAGES/CE048300FG0010.GIF ACESSO EM
15/10/2009

Archiannelida é considerado um grupo de anelídeos primitivos, mas isso não é certo,


uma vez que não se sabe se o grupo é primitivo ou se são uma degeneração de poliquetas.

Características

• São seres intersticiais (vivem entre os grãos de areia).


• São transparentes/alaranjados.
• Possuem estruturas adesivas (ventosas ou muco) para se fixarem nos grãos de areia e
assim não serem levados pelas marés.
• Corpo vermiforme e longo.
• Presença de cílios e flagelos.

132
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
• Podem possuir 2 cavidades (os poliquetas também têm) que são quimiorreceptoras.
Saem cerdas destas cavidades.
• Marinhos/dulcícolas.
• Corpo filiforme.
• Segmentos pouco diferenciados externamente.
• Fibras musculares bem desenvolvidas.
• Faringe eversível (probóscide).
• Parapódios reduzidos ou ausentes.
• Prostômio com ou sem tentáculos. Se sim, são 2 ou 3.
• Presença ou não de de 4 palpos no peristômio e de cirros tentaculares.
• Ausência ou 1 par de olhos.
• Órgãos nucais.
• Pigídio com papilas adesivas (muco).
• Sexos separados.
• Fecundação interna/externa.
• Larva trocófora (desenvolvimento não é direto).
• Até hoje só foi descrita a reprodução sexuada. A assexuada ainda não foi descrita, mas
não se pode falar que não ocorre porque este é um animal pouquíssimo estudado até hoje.

Branchiobdellidae

Classificação científica

Reino: Animalia

Filo: Annelida

Classe: Clitellata

Subclasse: Branchiobdellidae

133
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
HTTP://CONTENT.ANSWERS.COM/MAIN/CONTENT/IMG/MCGRAWHILL/ENCYCLOPEDIA/IMAGES/CE048300FG0010.GIF ACESSO EM
15/10/2009

Os branquiobdelídeos são anelídeos parasitas ou comensais de lagostins de água doce.


Eles apresentam semelhanças tanto com os oligoquetas quanto com as sanguessugas e já fo-
ram incluídos em ambos os grupos, mas atualmente as autoridades acreditam que tenham
divergido inicialmente da base do grupo comum oligoqueta/hirudíneo, justificando que se
deva colocá-los em uma classe ou subclasse separada (Branchiobdellida).
Todos os branquiobdelídeos são muito pequenos (1 a 10 mm) e compostos de apenas 17
segmentos. A cabeça encontra-se modificada em uma ventosa com um círculo de projeções
digitiformes. A boca é terminal e a cavidade bucal contém dois dentes. Os segmentos posterio-
res (15 a 17) também se modificaram para formar uma ventosa e nenhum deles têm cerdas. O
ânus é dorsal no segmento 14. Os branquiobdelídeos têm um celoma segmentado, um sistema
sanguíneo-vascular mais ou menos típico dos anelídeos e dois pares de metanefrídios.
Algumas espécies são ectoparasitas nas brânquias dos lagostins e outras vivem na su-
perfície externa do exoesqueleto alimentando-se dos resíduos orgânicos e dos microrganismos
acumulados. Os branquiobdelídeos são hermafroditas com fertilização interna. Os zigotos são
depositados em casulos, que se desenvolvem em criptolarvas, como nas sanguessugas arrin-
cobdelídeas.

Oligochaeta

Classificação científica

Reino  Animalia
Filo  Annelida
Classe  Clitellata
Subclasse  Oligochaeta

134
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
HTTP://CONTENT.ANSWERS.COM/MAIN/CONTENT/IMG/MCGRAWHILL/ENCYCLOPEDIA/IMAGES/CE048300FG0010.GIF ACESSO EM
15/10/2009

A Oligochaeta é uma subclasse de anelídeos segmentados que inclui a minhoca. Tem o


corpo coberto por muco e cerdas. O muco facilita o movimento ao diminuir o atrito, ao mes-
mo tempo em que ajuda a formação de galerias por fixação do solo. O clitelo, anel esbranqui-
çado que indica a maturação sexual, é formado pela produção exagerada de muco. As cerdas
dos oligoquetas aquáticos são maiores e auxiliam a natação.
O corpo dos oligoquetas é segmentado e encontra-se dividido em prostômio, peristômio
e pigídio. A boca é ventral e está presente no peristômio, enquanto que o ânus está localizado
no pigídio. O sistema digestivo é composto pela boca, faringe eversível (probóscide), esôfago,
papo (onde se acumulam os alimentos), moela (onde se dá a trituração), intestino e ânus. O
sistema circulatório é fechado e constituído por vasos laterais rodeados por células musculares
que funcionam como corações laterais (ou arcos aórticos). Dependendo da espécie, os oligo-
questas têm 2 a 3 pares de corações aórticos. As trocas gasosas com o meio são feitas a partir
da epiderme que necessita estar úmida pela ação do muco para permitir a respiração. O siste-
ma nervoso é ganglionar e não comporta o sistema sensorial. Por isso, os oligoquestas não têm
antenas, olhos ou tentáculos. No entanto, há células receptoras que conseguem detectar a luz
ou ausência dela.
Todos os oligoquetas são hermafroditas e reproduzem-se de forma assexuada ou sexua-
da. Neste último caso, a cópula é cruzada e ocorre com a adesão de um clitelo de um animal
ao clitelo do outro. Ambos os animais fecundam e fertilizam-se mutuamente. No final da có-
pula, os oligoquetas deslizam entre si, retirando os clitelos que já estão fecundados com es-
permatozoides e óvulos. Ao sair do corpo do animal, o clitelo perde a sua forma e transforma-
se num casulo.

Bom! E qual é mesmo a importância das minhocas?

Os oligoquetas têm enorme importância econômica para o Homem. Graças ao seu mo-
do de vida subterrâneo, são agentes essenciais na regeneração e manutenção de solos, bem
como indicadores importantes da qualidade e poluição dos solos. Do ponto de vista econômi-

135
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
co, são produtores ativos de húmus, que pode servir como fertilizante e como base de rações
animais (aves e peixes) ou isca para pesca.
Você sabia que as minhocas para a fertilização e recuperação dos solos já era conhecida
há mais de 2000 anos pelos estudiosos antigos? Segundo estudos, o filósofo Aristóteles definia
as minhocas como "arados da terra" graças à sua capacidade de “perfurar” os solos mais duros.
A minhoca é um animal extremamente útil para a agricultura, pois passa a sua vida per-
furando o solo, descompactando-o e tornando-o mais arejado. Além desse trabalho, a minho-
ca ainda "aduba" o solo, pois ingeri a terra e a matéria orgânica nela contida, defecando o pre-
cioso húmus, produto rico em nutrientes que torna o solo perfeito para a plantação.
Diariamente a minhoca produz uma quantidade de matéria orgânica equivalente ao seu
próprio peso e que devolve à terra uma quantidade muito grande de nitrogênio, cálcio, mag-
nésio, fósforo e potássio do que contém o solo do qual se alimenta.
Polychaeta

HTTP://CONTENT.ANSWERS.COM/MAIN/CONTENT/IMG/MCGRAWHILL/ENCYCLOPEDIA/IMAGES/CE048300FG0010.GIF ACESSO EM
15/10/2009

Os Polychaeta é uma classe de anelídeo que inclui cerca de 8.000 espécies de vermes a-
quáticos. A grande maioria das espécies é típica de ambiente marinho, mas algumas formas
ocupam ambientes de água doce ou salobra. O nome deriva do grego poly + chaeta, que signi-
fica muitas cerdas, numa referência às cerdas que lhes cobre o corpo. Muitas espécies de poli-
quetas são coloridas e algumas são mesmo iridiscente. Os poliquetas distribuem-se na coluna
de água desde a zona intertidal até a profundidades de 5.000 metros. No conjunto, os polique-
tas medem 5 a 10 cm de comprimento em média, mas há espécies com apenas 2 milímetros e
outras que atingem 3 metros.
O sistema digestivo dos poliquetas é bastante variável, de acordo com os diferentes tipos
de alimentação observados pelo grupo. A respiração faz-se sobretudo por trocas gasosas dire-
tamente através da pele, que tem extensões que servem como função de brânquias. O sistema

136
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
excretor é igualmente variável de acordo com a espécie, podendo ser constituído por um úni-
co par de tubos excretores ou um par por segmento.
Os poliquetas são animais dióicos e a reprodução é geralmente sexuada. Na maioria das
espécies, a fertilização é externa e ocorre na água, dando origem a larvas de vida livre. Em al-
guns casos, observa-se a fertilização interna ou a deposição dos ovos fixos a objetos através de
muco. A libertação de óvulos e esperma dos poliquetas faz-se de noite, estando correlacionada
com as fases da Lua.
O grupo é geralmente dividido em dois grupos: Errantia e Sedentaria. Como o próprio
nome indica, os poliquetas errantes têm vida livre, seja nadando na coluna de água ou como
organismos bentónicos móveis. A maioria das espécies deste grupo é predadora de pequenos
invertebrados ou detritívora. Têm cabeça, olhos funcionais e tentáculos sensoriais. Os poli-
quetas sedentários estão adaptados para viver permanentemente em tubos escavados no subs-
trato ou fixos a rochas. São na maioria dos casos organismos detritívoros ou filtradores.

Alguns gêneros

• Nereis
• Arenicola

HTTP://WWW.OCCC.EDU/DEANDERSON/DENNIS_WORMS/WORM_SCREENS_JPG/NEREIS.JPG
HTTP://WWW.UNIGE.CH/SCIENCES/BIOLOGIE/BIANI/MSG/TEACHING/PHOTOS%20LISTE/ARENICOLA%20MARINA2.JPG ACESSO EM
17/10/2009

Ordens

• Amphinomida • Flabelligerida
• Capitellida • Magelonida
• Chaetopterida • Myzostomida
• Cirratulida • Nerillida
• Cossurida • Opheliida
• Ctenodrillidae • Orbiniida
• Eunicida • Orweniida

137
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
• Phyllodocida • Sabellida
• Pisionidae • Spionida
• Polygordiida • Spintheridae
• Protodrilida • Sternaspida
• Psammodrilidae • Terebellida

Sanguessuga

Podem ser ectoparasitas ou de vida livre

Classificação científica
Reino  Animália
Filo  Annelida
Classe  Clitellata
Subordem  Hirudinea

Uma sanguessuga é um anelídeo da subclasse Hirudinea (também chamados aquetas)


que se alimenta de sangue de outros animais (hematófago). São animais hermafroditos des-
providos de cerdas e que possuem, na região posterior, ventosas para sua fixação. São assim
chamados por produzirem uma substância anticoagulante denominada hirudina.

138
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
Existem mais de 300 espécies. O seu comprimento vai de 6 a 10 cm. Alimenta-se do san-
gue das suas vítimas. Pode ingerir uma quantidade de sangue 10 vezes superior ao seu próprio
volume. Podem ser encontradas em todo o mundo, geralmente na água doce. Existem tam-
bém algumas espécies marinhas e outras que vivem na lama. Nas zonas tropicais existem es-
pécies arbóreas que caem sobre as vítimas. Ao aderir ao corpo do ser vivo que se alimenta, ela
segrega um anticoagulante que leva o sangue a circular sem estancar. Até o século XIX, as san-
guessugas eram utilizadas na medicina oriental e mesmo na medicina ocidental (nas sangrias).
Hoje em dia ainda há necessidade de utilizar anticoagulantes na medicina convencional, ainda
que sejam artificiais. Recentemente, as sanguessugas voltaram a ser utilizadas em medicina em
casos de grandes dificuldades circulatórias em membros, com possibilidade de gangrena, visto
que a sua ação sugadora força o sangue a circular, ajudando a manter vivas as células. Na regi-
ão Sul do Estado brasileiro do Rio Grande do Sul estes animais são popularmente chamados
de "chamichungas".
http://www.unige.ch/sciences Acesso em 17/10/2009

RESUMINDO:

Sanguessuga - Hirudo medicinalis


• Propriedades fundamentais:

Apresentam formas variadas e contêm cerdas em seu corpo com grande grau de especia-
lização devido ao tipo de alimento e habitat. Vivem na água doce e na água salgada. São para-
sitas geralmente de peixes e anfíbios.

• Classificação

São classificados em classes específicas.

As sanguessugas possuem uma substância chamada hirudínea que impede a coagula-


ção do sangue. Por isso, foram utilizadas no século XIX para provocar sangrias em pessoas
com pressão alta.

139
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
2.1.4
CONTEÚDO 4.
FILO MOLUSCA
Os moluscos apresentam extenso registro paleontológico, sendo que as conchas mais
antigas datam do Período Cambriano. Devido à carapaça mineralizada (calcítica ou aragoníti-
ca), o registro fóssil é realmente dos mais impressionantes. Estes organismos adquiriram a
capacidade de colonizar a maioria dos grandes ambientes disponíveis na Terra – os oceanos,
habitados por todos os grupos (bivalves, gastrópodes e cefalópodes); ambientes de água doce
(bivalves e gastrópodes) e os ambientes terrestres úmidos (gastrópodes) – o registro da sua
história geológica é dos melhores e mais completos.
O filo Mollusca com cerca de 107 mil espécies é o segundo filo com a maior diversidade
de espécies depois dos Artrópodes (cerca de 50.000 espécies viventes e 35.000 espécies fósseis),
incluindo uma variedade de animais muito familiares. É um grupo bastante numeroso e diver-
sificado com animais externamente tão distintos como os polvos, o caracol-de-jardim e o me-
xilhão. Eles possuem, no entanto, certas características que ressaltam a origem comum e sua
identidade como membros de um mesmo filo.
A primeira delas é a consistência do corpo, o que deu nome ao grupo (mollis = mole).
O corpo é mole e formado por três partes: cabeça, pé e massa visceral.
Outra característica marcante do filo é a concha, fabricada pelo manto, um revestimen-
to da massa visceral. Constitui-se do mineral carbonato de cálcio e de uma substância orgâni-
ca, a conchiolina. Também pode estar impregnada por pigmentos que criam desenhos e moti-
vos nas conchas, muito úteis na classificação desses animais.

VAMOS DAR UMA PAUSA NAS CARCTERÍSTICAS DOS MOLUSCOS PARA


SABERMOS UM POUCO MAIS SOBRE ESSA MARCANTE ESTRUTURA: A CONCHA.

A popularidade do filo Mollusca se deve, em grande parte, às conchas desses animais


que servem como peças para colecionadores.
A concha é um órgão rígido, muitas vezes externo, característico dos moluscos. A mor-
fologia da concha é uma das características usadas para classificar estes animais:

• Os bivalves, como o nome indica, têm uma concha formada por duas peças.
• Os gastrópodes, como os caracóis, têm geralmente uma concha assimétrica, muitas ve-
zes enrolada em espiral; mas as lesmas podem ter um rudimento de concha interior.

140
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
• Os cefalópodes, como o choco, têm uma concha interna, mas o Nautilus possui uma
concha exterior.

As conchas são formadas por nácar, uma mistura orgânica de camadas de conchiolina
(escleroproteína) seguida de uma capa intermédia de calcite ou aragonite, e por último uma
camada de carbonato de cálcio (CaCO3) cristalizado.
O nácar é secretado por células ectodérmicas do manto de certas espécies de moluscos.
O sangue dos moluscos é rico em uma forma líquida de cálcio, que se concentra fora do fluxo
sanguíneo e se cristaliza como carbonato de cálcio. Os cristais individuais de cada camada
diferem na sua forma e orientação. O nácar deposita-se de forma contínua na superfície inter-
na da concha do animal (a capa nacarada iridiscente é também conhecida como madrepérola).
Estes processos proporcionam ao molusco um meio para alisar a própria concha e os meca-
nismos de defesa contra organismos parasitas e dejetos prejudiciais.
Quando um molusco é invadido por um parasita ou é incomodado por um objeto estra-
nho, que o animal não pode expulsar, entra em ação um processo conhecido como enquista-
ção, meio pelo qual a entidade ofensiva é envolta, de forma progressiva, por camadas concên-
tricas de nácar. Com o tempo formam-se pérolas. A enquistação mantém-se até que o
molusco morra.
As conchas são muito duradouras: dura mais tempo do que os animais de corpo mole
que as produzem. Em lugares onde se acumulam grandes quantidades de conchas formam-se
sedimentos que podem converter-se, por compressão, em calcário.

FONTE: WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM ACESSO EM 20/10/2009

141
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
E CONTINUAMOS COM AS CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS MOLUSCOS...

O sistema digestivo é completo, tendo um órgão mastigador típico, a rádula.


As espécies aquáticas têm respiração branquial. Nas terrestres surgiu, pela primeira vez
na história da evolução, a respiração pulmonar.
O sistema circulatório é aberto, com o sangue fluindo por dentro do celoma, com os ór-
gãos internos mergulhados nele. O coração é o único e mais desenvolvido do que nos anelí-
deos, que possuem cinco pares.
A diversidade dos moluscos permitiu a conquista de uma ampla gama de ambientes. A
maioria é marinha, vivendo nas praias ou em águas rasas em ambiente bentônico, fixando-se
em rochas e madeiras, ou enterrando-se na areia; e outras espécies são pelágicas. Encontram-
se caramujos no solo úmido e em água doce ou salobra.
O uso e a importância econômica dos moluscos também são muito diversificados. Eles
fornecem alimentos a muitas populações costeiras (mexilhões e lulas), servem de iscas na pes-
ca e produzem pérolas e conchas apreciadas como adornos desde a antiguidade. Os pigmentos
que as lulas usam para camuflar sua fuga serviram como tinta (nanquim) para desenhos e para
tingir peças do vestuário dos senadores e imperadores romanos.
Os moluscos também podem causar graves prejuízos. O molusco marinho Teredo sp
costuma perfurar estruturas de madeira. Sua ação intensiva costuma destruir ancoradouros e
cascos de barcos de madeira. Caramujos, como o Strophocheillus sp, podem ser pragas nos
cafezais ou hospedeiros de vermes parasitas.
Como os mariscos e os mexilhões são animais filtradores, eles conseguem acumular e
concentrar em seus corpos as substâncias tóxicas dissolvidas na água. Isso faz deles adequados
indicadores de poluição, assim como um grande risco à saúde daqueles que se alimentam des-
ses animais. Por isso, é de fundamental importância a constante fiscalização da qualidade das
águas costeiras e da procedência desse alimento.

VAMOS ESTABELECER AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS DIFERENTES


CLASSES DOS MOLUSCOS

Vamos ao desafio!

142
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
A partir das características que serão apresentadas a seguir, tente elaborar um quadro
destacando para cada classe as seguintes estruturas: pé; cabeça; concha. Ah sim! E não es-
queça de dar exemplos dos animais.

As classes dos moluscos diferenciam-se quanto à aparência das partes do corpo e da


concha calcária.
Os moluscos são classificados em oito classes. Uma delas, a dos monoplacóforos, é
constituída por espécies primitivas e quase todas extintas, sobrando apenas duas vivas atual-
mente.

FONTE: PRÓPRIO AUTOR

As outras cinco são caudofovaeta, solenogaster, poliplacoforos, bivalves, gastrópodes,


escafópodos e cefalópodes.

CLASSE CAUDOFOVEATA

• Os moluscos que compõem esta classe totalizam menos de 70 espécies e têm como
principais características:
• Todos são representantes marinhos.
• Corpo vermiforme e coberto por escamas calcárias.
• Se alimentam de detritos e apresentam rádula.
• Possuem sexos separados (dioicos).

143
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
• A cavidade do manto apresenta um par de brânquias e são animais desprovidos de ne-
fridios.

WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM ACESSO EM 20/10/2009

CLASSE SOLENOSGASTER

Fonte: www.portalsaofrancisco.com Acesso em 20/10/2009

Representantes marinhos e vermiformes desprovidos de concha e com corpo coberto


por escamas calcárias. Possuem cabeça reduzida e são desprovidos de nefrídios e rádula.

144
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
MONOPLACOPHORA

Atualmente, existem cerca de 12 espécies e o tamanho varia de 3mm a 3cm. São peque-
nos, possuem uma concha baixa de contorno arredondado e pé em forma de sola rastejante, e
vida em grandes profundidades.

FONTE: WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM ACESSO EM 20/10/2009

POLIPLACOPHORA
São os quítons, moluscos marinhos pouco conhecidos por viverem no fundo do mar. O
corpo é protegido por oito placas sobrepostas como telhas.

ADAPTADO DE: WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM ACESSO EM 20/10/2009

145
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
BIVALVES

Bivalves, também chamados de Lamellibranchia ou Pelecypoda, são a segunda maior


Classe de moluscos com aproximadamente 15.000 espécies, desde o seu surgimento no Perío-
do Cambriano. Até os dias de hoje são os organismos dominantes em número de espécies no
ambiente marinho.
São animais bilateralmente simétricos, caracterizados por um corpo comprimido late-
ralmente com uma concha externa composta por duas valvas, como o nome sugere. Algumas
espécies, contudo, como as que vivem presas a algum substrato, como as ostras, não são bila-
teralmente simétricas e umas poucas possuem uma concha interna.
A concha pode ser totalmente ou parcialmente calcificada, consistindo de uma valva es-
querda e uma direita. As valvas são unidas na parte dorsal, conectadas por um ligamento elás-
tico parcialmente calcificado e mantida juntas por músculos adutores, um ou dois, que estão
presos à superfície interna da concha. As valvas são abertas pelo ligamento e fechadas pela
contração dos músculos adutores.
Sua anatomia diverge consideravelmente do plano básico de um molusco por não pos-
suir cabeça ou rádula. A maior parte dos bivalves é filtradora, mas também podem ser necró-
fagos (carniceiros) e até predadores. Vivem principalmente enterrados em substratos arenosos
ou lodosos, podendo movimentar-se com o uso de seu pé, embora não seja tão eficiente como
o dos gastrópodes. Outros como as ostras e mexilhões vivem presos a substratos sólidos e ou-
tros podem penetrar em madeira ou até em pedras. Alguns Pectinides são um exemplo de
bivalves, podem nadar por curtas distâncias fechando rapidamente suas valvas, o que causa
deslocamento de água que o impulsiona promovendo uma fuga rápida de predadores.
Os bivalves foram capazes de adquirir diferentes tipos de hábitos alimentares ocupando
assim muitos nichos ecológicos dentro do ambiente marinho. Há fósseis daqueles que se ali-
mentavam de detritos nos sedimentos (chamados detritívoros) e viviam enterrados; os que se
alimentavam de material em suspensão na água (zooplâncton e fitoplâncton) são chamados
suspensívoros, sendo que algumas espécies viviam dentro do substrato e comunicavam-se
com água por meio de um sofisticado sistema hidráulico dotado de sifões inalante e exalante.
Existiam ainda formas natantes e predadoras.
Devido às suas partes moles, volumosas e macias, tornara-se excelentes presas para ou-
tros invertebrados, principalmente os equinodermes. Restos de suas conchas já foram encon-
trados juntamente com restos de dinossauros, significando que as formas de água doce eram
também alimentos para estes animais.
São as ostras, mexilhões, mariscos e outros moluscos formados por duas conchas. O
mexilhão prende-se às rochas por uma glândula próxima ao seu pé regredido; esta glândula

146
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
produz um líquido que, em contato com a água, solidifica-se formando o bisso. A concha co-
nhecida como logotipo de uma empresa petrolífera, a Pecten sp, fixa-se pelo mesmo processo,
e pode desprender-se e locomover-se com a ajuda do músculo adutor. Utilizam as brânquias
como.

FONTE: WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM ACESSO EM 20/10/2009

VAMOS SABER UM POUCO MAIS SOBRE OS BIVALVES

Apreciadas na China e no Japão desde a antiguidade, quando se registraram as primeiras


tentativas de criá-las em viveiros, as ostras têm desde então reconhecidos seu sabor e qualida-
des alimentícias. A ostra é um molusco bivalve, ou seja, tem concha formada por duas valvas
desiguais, dorsal superior e ventral inferior, sem dobradiças. Pertence à família dos Ostreídeos
e, do ponto de vista econômico e alimentício, é a variedade de maior importância entre os
moluscos. A maioria é do gênero Ostrea, composto de várias dezenas de espécies, inclusive a
ostra comum (O. edulis), que chega a dez centímetros de diâmetro. As ostras vivem em colô-
nias fixas em pedras, ferro, madeira, ou agarradas umas às outras. Um ligamento une as duas
valvas, que se separam depois de cortado o músculo adutor. Vêem-se então o lobo direito do
manto esbranquiçado e sob ele duas brânquias esverdeadas situadas do mesmo lado. Do lado
dorsal estão o músculo adutor e a massa visceral, na qual se reconhecem o estômago e o intes-
tino e, entre eles, o coração, cujas contrações se podem observar. Hermafroditas, como todos
os moluscos bivalves, as ostras produzem de um a dois milhões de ovos por ano. O ovo é fe-
cundado e após um período de incubação no interior das valvas surgem as larvas que, quando

147
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
libertadas, são arrastadas pelas correntes até achar um bom local para a fixação. No período
anterior à fixação, os criadores de ostras podem recolher as larvas e colocarem em plataformas
que serão transportadas para viveiros, que ficam a salvo de ataques de parasitas e predadores,
como esponjas e estrelas-do-mar. A água dos viveiros deve ser muito rica em plâncton e con-
ter outras substâncias nutritivas. Após cinco anos no viveiro, as ostras alcançam seu valor co-
mercial máximo. Antes de serem recolhidas para o uso, ficam alguns dias em água pura, a fim
de limpar seu aparelho digestivo. O teor de proteínas, lipídios, glicídios e sais minerais das
ostras se assemelham ao do leite. As ostras contêm ainda os aminoácidos lisina, histidina e
triptofano; lecitina ou gorduras fosforadas; esteróis semelhantes a hormônios e vitaminas;
glicerofosfatos, fosfatos e muitos metais, como cobre, ferro, zinco, manganês, magnésio e cál-
cio; vitaminas A, C e D, além do iodo. Em algumas ostras ocorre a formação natural de péro-
las, que são, contudo, obtidas com mais frequência em criadouros especiais. As ostras comes-
tíveis não contêm pérolas.

GASTRÓPODES

A maior classe dentro do filo molusca tem cerca de 30.000 spp descritas sendo cerca de
15.000 fósseis. Formado por uma única concha que pode ou não apresentar opérculo, esses
moluscos podem ser encontrados tanto em ambientes terrestres como em ambientes aquáti-
cos. Alguns são comestíveis; outros como os dos gêneros Littorina e Thais não são realmente
marinhos, mas vivem próximos ao mar. As lesmas-do-mar, também conhecidas como nudi-
brânquios, têm a concha muito reduzida, possui respiração cutânea e são bons nadadores.
Encontramos alguns representantes como os do gênero Biomphalaria, servindo de hospedeiro
intermediário para o Schistosoma (parasita trematódeo).

148
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
FONTE: WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM ACESSO EM 20/10/2009

CEPHALOPODA

FONTE: WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM ACESSO EM 20/10/2009

Os cephalopoda vivem apenas no mar, mas dispersos por todo o mundo, e tanto podem
nadar com rapidez quanto vagar à deriva como parte da grande massa viva que se abandona
ao sabor dos oceanos. Lula é um molusco da classe dos cefalópodes, a mesma dos polvos, das
sépias e dos náutilos. Possui olhos muito desenvolvidos e de estrutura complexa, geralmente
situados nos lados da cabeça. A espécie típica, a Loligo vulgaris, a lula comum do Atlântico e
do Mediterrâneo, tem o corpo tubular e dez tentáculos ou braços em torno da cabeça providos
de ventosas pedunculadas. Dois desses braços, mais longos e flexíveis, alargam-se na extremi-
dade como se fossem mãos para a captura das presas que são levadas à boca ou impedidas de
safar-se pelos oito restantes. Situada por dentro dos tecidos musculares do manto – parte do
corpo que reveste a massa visceral das lulas – há uma concha rudimentar, pequena e transpa-
rente, denominada pena. Tal estrutura serve de reforço ao manto e dá maior rigidez ao corpo

149
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
mole. As lulas respiram por brânquias e apresentam aparelho digestivo completo, com boca e
ânus, como os demais moluscos. Na lula comum, o comprimento médio é de 25cm, mas há
variações extremas de tamanho entre as diferentes espécies; algumas medem apenas 1,5cm,
outras, incluídos os tentáculos, chegam a mais de 20 metros. Este é o caso de Architeuthis
princeps, a lula-gigante do Atlântico Norte, que vive em grandes profundidades e é um dos
maiores invertebrados vivos. As lulas, como os polvos, são dotadas de uma glândula produto-
ra de tinta escura que pode ser esguichada para turvar a água e assim confundir a visão e o
olfato de seus eventuais predadores. Além disso, apresentam cromatóforos, estruturas epi-
dérmicas portadoras de pigmentos capazes de determinar uma mudança em sua coloração, de
modo a camuflá-las por mimetismo no ambiente em que se encontram.

150
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
MAPA CONCEITUAL - MOLUSCA

151
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
MAPA CONCEITUAL - ANNELIDA

152
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
MAPA CONCEITUAL – NEMATODA

153
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
ESTUDO DE CASO
Verminose ocorre em 90% dos exames

06 de outubro de 2007
Fonte: Diário do Amazonas – SK
MANAUS – Nove entre dez exames laboratoriais, feitos diariamente na Unidade Básica
de Saúde e Pronto Atendimento (UBSPA) Gebes de Medeiros, acusam a presença de vermino-
ses. Segundo dados, 70% dos pacientes contaminados são crianças.
A chefe de enfermaria da unidade, Elza Negreiros, afirmou que os parasitas mais co-
muns identificados nos exames são Ascaris lumbricoides (lombrigas), Histolytica (ameba),
Coli (bactéria que causa diarreia) e Nana (parasita que causa diarreia e dor abdominal).
Os sintomas mais comuns de verminoses são perda de apetite, diarreia, sonolência e do-
res abdominais.
Fonte:
http://portalamazonia.globo.com/pscript/noticias/noticias.php?pag=old&idN=58957 . Acesso
em 06/10/2009.

Ao ler essa nota, e reconhecendo as dificuldades territoriais da região amazônica, elabo-


re mecanismos que auxiliem na redução desses índices de contaminação e evitem a reinfesta-
ção dessa população.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

154
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
EXERCÍCIOS PROPOSTOS

QUESTÃO 01
Provão Biologia 2000 Questão 1. Os esquemas abaixo representam os ciclos de vida de
um anelídeo marinho e de uma samambaia.

Comparando-se os esquemas, é correto afirmar que nos ciclos de vida dos dois orga-
nismos

(A) A meiose é gamética.


(B) Há alternância de gerações.
(C) Há exclusivamente reprodução sexuada.
(D) Há uma fase em que a reprodução é assexuada.
(E) A fase adulta, de duração mais longa, é diploide.

QUESTÃO 02
Provão Biologia 2001 Instruções: Para responder às questões de números 13 a 15, utilize
o esquema abaixo que mostra as principais relações evolutivas no filo Annelida. As apomorfi-
as utilizadas estão numeradas e seus significados constam da lista que segue.

155
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
1. Cerdas numerosas.
2. Parapódios.
3. Região cefálica complexa.
4. Hermafroditismo simultâneo.
5. Clitelo.
6. Perda do estágio larval de vida livre.
7. Redução do número de cerdas.
8. Redução de septos e fusão dos compartimentos celômicos.
9. Ventosas oral e posterior.
10. Perda das cerdas.

QUESTÃO 03
I, II e III representam, respectivamente, as classes:

(A) Polychaeta, Hirudinea e Oligochaeta.


(B)) Polychaeta, Oligochaeta e Hirudinea.
(C) Oligochaeta, Polychaeta e Hirudinea.
(D) Oligochaeta, Hirudinea e Polychaeta.
(E) Hirudinea, Oligochaeta e Polychaeta.

Segundo o esquema:

(A) A classe I é ancestral de II e III.

156
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
(B) A classe III é ancestral de I e II.
(C) As classes I e II formam um grupo monofilético.
(D) As classes II e III formam um grupo parafilético.
(E)) As classes II e III formam um grupo monofilético.

QUESTÃO 04
Uma pessoa interessada nas técnicas utilizadas para a obtenção de esquemas desse tipo
pode procurar uma biblioteca. Se nesta, os livros e trabalhos científicos estiverem catalogados
por assunto, a pessoa deve consultar obras sobre:

(A) Classificação e cladística.


(B) Classificação e fenética.
(C)) Cladística e filogenia.
(D) Cladística e fenética.
(E) Filogenia e fenética.

QUESTÃO 05
Provão Biologia 2002. O filo Onychophora apresenta, entre outras, as seguintes caracte-
rísticas:

I. Tecidos e órgãos diferenciados.


II. Epitélio de revestimento com cutícula.
III. Ausência de vasos no sistema circulatório.
IV. Traqueias simples.

Destas, as que são compartilhadas com o filo Annelida são

(A)) I e II.
(B) I e III.
(C) I e IV.
(D) II e III.
(E) III e IV.

157
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
BIOLOGANDO

Investigadores portugueses comprovaram a ligação entre um parasita endêmico na Áfri-


ca e o cancro da bexiga em dois estudos complementares publicados em duas revistas interna-
cionais que poderão abrir caminho ao desenvolvimento de novos alvos terapêuticos.

O Schistosoma haematobium infecta milhões de indivíduos majoritariamente na África


e no Médio Oriente, e está associado com uma elevada incidência de cancro da bexiga. Os
investigadores do Centro de Imunologia e Biologia Parasitária (CIBP) do Instituto Nacional
de Saúde Dr. Ricardo Jorge e do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universi-
dade do Porto (IPATIMUP) trataram células em laboratório com antígenos do parasita e veri-
ficaram que as células adquirem características semelhantes às do cancro e, quando inoculadas
em animais sem sistema imunitário, levam à formação de tumores.
A Schistosomose, também conhecida como bilharzíase, é uma doença potencialmente
fatal que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), infecta cerca de 200 milhões de
indivíduos e é endêmica em 76 países em desenvolvimento.
A infecção é particularmente relevante pela sua associação ao cancro da bexiga, visto
que nas regiões endêmicas para a espécie o cancro da bexiga é o mais comum nos homens e o
segundo mais comum nas mulheres, constituindo 30% de todos os cancros.
"Apesar de ser a segunda parasitose mais grave a seguir a malária, tem sido uma das do-
enças tropicais mais negligenciadas, se bem que a globalização e o fluxo migratório de popula-
ções para zonas endêmicas tenham aumentado a prevalência desta doença", assinalou a inves-
tigadora.

Fonte: http://www.portaldascuriosidades.com/forum/index.php?topic=69071.0 Acesso


em 04/12/2009.

158
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
CONSTRUÇÃO DE UM MINHOCÁRIO

Um minhocário é um modelo que representa um ambiente em que vivem as minhocas.


Para construir um e observar a atividade desses anelídeos, você vai precisar de:

Um aquário pequeno ou um vidro de conserva grande e de boca larga.


Terra de jardim (terra escura).
Terra de cor diferente (marrom claro, avermelhada ou areia).
Pó de giz.
Pó de carvão.
Algumas minhocas.
Um pedaço de tule ou tela de náilon (pode ser usada, velha etc.).
Um pedaço de tecido escuro ou cartolina preta.

Montagem:

No fundo do vidro, coloque uma grossa camada de terra escura.


Alterne com uma camada de terra clara e depois uma de pó de giz.
Comece novamente com uma camada de terra escura, terra clara e pó de carvão.
Vá repetindo as camadas até encher o vidro.
Regue e misture, mas não encharque de água, deixe-o úmido.
Sobre a camada superior, solte as minhocas.

159
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Feche o vidro com tela de náilon ou tule.
Envolva o aquário com pano escuro ou cartolina preta.
Coloque num lugar em que não haja exposição ao Sol.
Aguarde uma semana.

Alguns questionamentos

Passado o prazo, retire o pano e observe as laterais do minhocário. O que pode ser ob-
servado? Explique.
O tempo foi suficiente? Você acha necessário observar por mais uma semana?
Por que foi preciso envolver o minhocário com pano escuro?
Por que o minhocário não deve ser colocado em local onde há exposição ao Sol?
Por que não podemos encharcar o minhocário de água?

Nemátodes – afinal, o que são e qual o seu papel?

Pessoal, este é o título de um trabalho muito interessante realizado pela Universidade de


Évora, em Portugal. Na Europa, é comum obter açúcar a partir da beterraba, e algumas espé-
cies de nematódios desempenham papéis importantes do ponto de vista ecológico e também
como indicadores da qualidade do solo. Além disso, este trabalho mostra um pouco mais so-
bre a interação da planta animal. Boa leitura!
http://www.dai-sa.pt/pdfs/info_tecnica/Nemtodes1.pdf

160
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
2.2
TEMA 4.
PROTOSTÔMIOS INFERIORES, OS LOFOFORADOS E O FILO
ECHINODERMATA

2.2.1
CONTEÚDO 1.
PROTOSTÔMIOS INFERIORES (PEQUENOS FILOS)

PAUSA PARA REFLEXÃO

Para o professor de Biologia que não apresenta comportamento flexível, o pensamento


está sempre voltado para o ensino meramente de conteúdos. O educador de Biologia se
preocupa em ensinar de forma contextualizada, prazerosa e interessante os assuntos. Ou
seja, um educador de Biologia da Educação Básica entende muito bem o seu papel na
construção de um conhecimento da área de Ciências Biológicas voltado para a vida. Esta
concepção da Biologia escolar exige do profissional a busca de meios para que os sujeitos-
aprendizes apreendam uma Biologia que proponha mudanças significativas para a consci-
ência ecológica.

FILO PRIAPULIDA

Priapulida (do grego priapos = falo + ida = sufixo plural) é um filo do Reino Animal que
inclui os vermes marinhos que possuem uma probóscide espinhosa. Os primeiros registos
deste grupo surgiram no Câmbrico. O seu nome provém do grego Priapus, que significa “deus
fálico”; seu nome vernáculo é “priápulo” da ordem Priapulida.
Os Priapulida habitam em sedimentos lamacentos e arenosos do fundo marinho. Como
os Nematodas, eles são os asquelmintos com maior volume de pseudoceloma.
Os Priapulida constituem um dos menores, são vermiformes não segmentados de vida
livre e com simetria bilateral, porém com uma forte tendência à simetria radial. Possuem pro-
bóscide espinhosa, têm forma cilíndrica, são bentônicos, vágeis e predadores, e ocupam desde
as regiões entre marés até profundidades de 7.500 metros, estando presentes em todos os ma-
res.

161
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Os aspectos gerais da Biologia desses vermes são pouco estudados, não obstante tratar-
se de um grupo muito antigo no planeta; os registros paleontológicos dão conta da existência
de Priapulida já no Cambriano Médio.
O tamanho das espécies varia entre poucos a cerca de 200 milímetros, porém a maioria
mede entre 10 e 30 milímetros de comprimento.

Por mais de um século, os Priapula foram considerados como animais típicos de águas
frias, até que Van der Land (1968) encontrou uma espécie tropical. Esses vermes ocorrem
desde os primeiros metros do infralitoral até profundidades de 7.500 metros, ocupando subs-
tratos moles, tais como areia, lodo, silte e areia coralígena. Os Priapula têm sido coletados em
mares com salinidades variando desde 6% até 65%. Não está esclarecida a importância ecoló-
gica dos Priapula, além do fato de servirem como elementos da dieta de peixes demersais. Por
outro lado, existe um crescente interesse sobre a Biologia desses vermes, tendo em vista, entre
outros aspectos, sua grande antiguidade na Terra.

FONTE: WWW.EARTHLIFE.NET/INVERTS/PRIAPULA. ACESSO EM 15/10/2009

FILO KINORHYNCHA

São animais pequenos, normalmente com menos de 1mm de comprimento. Possuem o


corpo segmentado, com simetria bilateral, constituído de cabeça (introverte, completamente
retrátil e se recobre com várias placas do pescoço quando está contraída), pescoço e um tronco
com 11 segmentos. A boca é anterior e terminal, como em outros cicloneurálios, estando situ-
ada na extremidade de um cone oral protraído. O cone oral pode ser retraído e protraído. A
boca é rodeada por um círculo de nove estiletes orais cuticulares. O próprio introverte possui
90 escálides – anéis de cerdas cuticulares quitinosas sensoriais e locomotoras – espiniformes
organizadas em sete anéis concêntricos ao seu redor. Todo o introverte pode ser retraído para

162
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
dentro do pescoço ou do primeiro segmento do tronco, daí o nome Kinorhyncha, que signifi-
ca “nariz móvel”. Um jogo de placas cuticulares, ou plácides no segundo ou no terceiro seg-
mento fecha o introverte retraído.
O corpo curto é aplainado ventralmente, como o dos Gastrotricha, mas os Kinorhyncha
não possuem cílios locomotores e, com exceção da ausência de apêndices pareados, se asseme-
lham superficialmente a Copépodes Harpaticóides Intersticiais, com os quais às vezes são con-
fundidos.
A segmentação da cutícula, musculatura da parede do corpo, glândulas epidérmicas e
sistema nervoso são características distintivas. Uma epiderme celular, uniestratificada fina,
está abaixo da cutícula secretando-a. Eles vivem normalmente em lama e areia em qualquer
profundidade. São encontrados desde a zona entremarés até milhares de metros de profundi-
dade.

Locomoção

Um quinorrinco escava por eversão e retração alternada de seu introverte espinhoso. O


corpo move-se para a frente durante a eversão do introverte e permanece estacionário durante
a retração. À proporção que o introverte se everte, as escálides desfraldam-se e ancoram-se
para puxar o animal adiante. Quando o introverte for completamente evertido, o cone oral,
com uma boca terminal cercada pelos estiletes orais, se protrairá no sedimento.

Sistema nervoso

O sistema nervoso intraepidérmico consiste em um cérebro trianular e um cordão ner-


voso ventral. A região anterior do cérebro inerva o cone oral e as escálides do introverte. Oito
nervos longitudinais saem da região posterior do cérebro para inervar o pescoço e o tronco. O
cordão nervoso ventral duplo se estende posteriormente a partir do cérebro, possuindo gân-
glios segmentares pareados conectados por comissuras. Esses órgãos dos sentidos incluem
uma variedade de estruturas cuticulares, inclusive escálides e flósculos, contendo células re-
ceptoras monociliadas. Algumas espécies têm ocelos anteriores de estrutura incomum e todos
parecem ser sensíveis à luz.

Trato digestivo

163
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Quinorrincos se alimentam de diatomáceas e/ou detritos orgânicos finos. O trato diges-
tível constitui-se de regiões anterior, mediana e posterior. A região anterior é forrada com
cutícula, consistindo em cavidade oral com provável função filtradora, faringe sugadora com
paredes compostas de músculos mesodérmicos radiais e circulares, e esôfago curto que se une
à região mediana. A região mediana é forrada com gastroderme absorvente com microvilosi-
dades, estando envolvida por músculos circulares e longitudinais. A região mediana se abre
para uma região posterior curta, forrada com cutícula que se abre para o exterior pelo ânus
terminal no segmento 13. A fisiologia da digestão ainda não foi estudada.

Excreção
Dois protonefrídeos, cada um formado de três células terminais biflageladas, estão na
hemocele, abrindo-se através de dutos para os nefridióporos localizados na superfície lateral
do 11º segmento. Os sistemas excretor e reprodutivo são independentes um do outro.

Sistema reprodutor
Os quinorrincos são gonocóricos que possuem gônodas pareadas saciformes. Cada gô-
nada comunica-se com o exterior por um gonoduto e um gonóporo entre os segmentos 12 e
13. Receptáculos seminais estão presentes nos gonodutos femininos e a fertilização é assumida
como interna. A cópula nunca foi observada, mas em espécies de dois sexos foram vistos es-
permatóforos, os quais são transferidos para as fêmeas por espinhos especializados.
Pouco se sabe sobre o desenvolvimento em quinorrincos, mas ele é direto e o jovem e-
clode com 11 segmentos, parecendo-se bastante com o adulto. Os jovens sofrem mudas perió-
dicas para atingir a condição adulta quando as mudas cessam. As larvas são de vida livre.

FONTE: HTTP://IMAGES.VLIZ.BE/RESIZED/11412_KINORHYNCHA.JPG. ACESSO EM 15/10/209

164
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
FILO LORICIFERA

Filo de posição taxonômica incerta, constituído de pseudocelomados que tem afinidades


com a Priapulida e Loricifera. O Filo Loricifera representa um grupo da meio fauna. Ocorre
no bentos, do entremarés ao abissal, no fital e em ambientes de água. São animais marinhos
pseudocelomados, com simetria bilateral e menos de 0,4mm de comprimento. Descritos pela
primeira vez em 1983, pelo zoólogo holandês Reinhardt M. Kristensen, constituem um dos
mais recentes filos animais, elevando para quatro o número de filos descobertos neste século.
O filo abriga cerca de 50 espécies pertencentes a cinco gêneros, mas cerca de 60 espécies a-
guardam descrição formal. Eles vivem em cascalho e lodo, tendo sido coletados até 8.260m de
profundidade. O corpo é dividido em quatro partes: cabeça, pescoço, tórax e abdome, sendo
este último envolto por uma lórica formada por placas ornamentadas com espinhos: uma dor-
sal, uma ventral e duas laterais. O nome do filo se refere a esta estrutura, e significa "o porta-
dor de lórica". O adulto pode retrair a região anterior para dentro da lórica, enquanto que a
larva pode fazê-lo apenas para o interior do pescoço. São gonocóricos e apresentam dimor-
fismo sexual. A larva é semelhante ao adulto e passa por vários processos de muda. Os Lorici-
fera têm sido coletados em todos os mares e oceanos, e em sedimentos de granulometria vari-
ada. São aparentemente cosmopolitas e abundantes no meiobentos marinho. São conhecidos
atualmente mais pelo seu aspecto externo, havendo poucas informações sobre a sua embriolo-
gia e história natural.

Nanoloricus mysticus

165
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
2.2.2
CONTEÚDO 2.
OS LOFOFORADOS

Características gerais.

Os Lofoforados incluem os Filos Foraminídeos, Braquiopodos e Briozoários. Esses filos


apresentam uma coroa de tentáculos que intervêm no intercâmbio gasosos e captura do ali-
mento.

Os Lofoforados se encontram entre os Protostômios e os Deuterostômios.

Entre os caracteres próprios dos deuterostômios, devemos destacar:

• Corpo dividido em três regiões ou cavidade celômicas: protocele, mesocele e metacele;


• A cavidade celômica se forma a partir da evaginacão do arquentero.
• Clivagem radial.

Entre os caracteres próprios dos protostômios, devemos destacar

• Presença de protonefridios, no caso das larvas de foronídeos.


• Boca que se origina a partir do blastóporo, nos briozoários e foronídeos.

FILO PHORONIDA
• Constituída por 16 a 18 espécies marinhas, cujo tamanho oscila entre cinco a 25 cen-
tímetros.
• Podem ser animais sésseis ou coloniais.
• Presença de uma coroa de tentáculos na região superior.
• Boca se abre no extremo posterior, na região dorsal do Lofóforo.
• Os tentáculos são utilizados para a retenção de pequenas partículas que serão utilizadas
como alimentos.
• As trocas gasosas ocorrem através da parede do corpo.

166
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
• Sistema circulatório formado por um vaso longitudinal dorsal que transporta o sangue
por todo o corpo do animal.
• Apresenta metanefrídios dispostos na base do Lofóforo.
• Sistema nervoso formando um anel nervoso situado na base do Lofóforo que inerva os
tentáculos e recobrem a parede do corpo.
• Órgãos sensoriais pouco desenvolvidos, apresentando células táteis e quimiorrecepto-
ras distribuídas na superfície do corpo.
• Sistema reprodutor simples com espécies monoicas e dioicas.

A posição do táxon na escala zoológica é ainda controversa. Alguns consideram que re-
presente uma classe do filo Lophophorata, que constitui uma unidade natural de origem mo-
nofilética. As espécies ocorrem em diversos biótopos: os adultos no bentos costeiro e as larvas
no plâncton.

FONTE: WWW.BIODIDAC.COM ACESSO EM 15/10/2009

Phoronis hippocrepia

São sedentários na fase adulta, habitando tubos quitinosos no interior dos quais podem
se mover livremente. A larva é planctônica, como única exceção o (Phoronis ovalis). O aspec-
to externo do adulto é de um animal vermiforme, com corpo cilíndrico, não segmentado, do-
tado de celoma e lofóforo característicos. A larva, denominada actinotrocha, é do tipo trocófo-
ra, livre-natante, que se metamorfoseia no adulto. O comprimento do adulto varia de 6 a
250mm.

167
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
FILO BRAQUIOPODA

Os Brachiopoda são invertebrados exclusivamente marinhos e bentônicos, que habitam


desde as águas rasas da plataforma, no qual são mais frequentes até nas áreas abissais. São a-
bundantes em épocas geológicas anteriores, são representados na fauna atual por relativamen-
te poucas espécies. Na costa do Estado de São Paulo ocorrem duas espécies de braquiópodos:
Bouchardia rosea (Mawe, 1823), da classe Articulata e único representante vivo da família
Terebratullidae, e uma espécie do gênero Discinisca, da classe Inarticulata, família Discinidae.
A distribuição de Bouchardia rosea abrange a Costa Atlântica da América do Sul, tendo sido
referida sua presença no Brasil para os estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro. No Estado
de São Paulo a espécie foi referida para o Litoral Norte. A presença de Discinisca é conhecida
em Ubatuba, onde ocorre principalmente sobre os fundos duros do médio litoral; porém não
existe referência a uma comunicação formal de sua ocorrência na área.

• Constituído por 325 espécies marinhas.


• São sésseis variando em tamanho entre quatro e seis centímetros.
• Corpo formado por duas valvas de natureza calcária similares às dos moluscos bival-
ves.
• O corpo localiza-se entre as valvas e no seu interior o lofóforo.
• Representado por duas classes: Articulata e Inarticulata.
• Parede do corpo formada por uma epiderme celular, seguida por uma camada de teci-
do conjuntivo e fibras musculares longitudinais.

Ecologia

Os braquiópodes são animais marinhos, bentónicos e sésseis, isto é, que vivem fixos no
fundo do mar. A fixação pode ser feita através do pedúnculo ou por cimentação directa. Al-
gumas espécies, entre elas a Lingula, vivem em substratos enterradas em arenosos e móveis.
São animais filtradores que recolhem as partículas nutritivas da água através do Lofóforo. Os
braquiópodes atuais estão limitados a águas frias, no fundo dos oceanos ou perto dos polos,
embora no passado geológico tenham ocupado outros nichos ecológicos.
Os primeiros braquiópodes a surgir foram as formas inarticuladas de concha quitino-
fosfatada que apareceram no final do Pré-Câmbrico. Os braquiópodes articulados surgiram
no Câmbrico e tornaram-se bastante diversos e abundantes. O pico da biodiversidade do gru-
po foi no Silúrico médio com a coexistência de 16 das 26 ordens descritas; por comparação

168
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
atualmente subsistem apenas cinco ordens de braquiópodes. A abundância, distribuição e
diversidade do grupo no Paleozoico Médio confere ao grupo enorme importância estratigráfi-
ca enquanto fósseis de idade.
Os braquiópodes foram particularmente afetados na extinção permo-triássica, que viti-
mou cerca de 90% das formas de vida existentes no fim do Paleozoico, tendo apenas sete or-
dens que sobreviveram a esta extinção em massa e duas delas extinguiram-se no Jurássico. Os
desaparecimentos permitiram ao grupo dos bivalves invador os nichos ecológicos previamen-
te ocupados pelos braquiópodes, mudando para sempre o equilíbrio entre os dois grupos. A
partir do Mesozoico e até aos dias atualmente, os bivalves foram claramente dominantes sobre
os braquiópodes, que passaram a estar confinados em ambientes extremos.
O genero mais antigo que se conhece sem alterações evolucionárias é um braquiópode.
A Lingula é um género de braquiópodes inarticulados de concha fosfatada que surgiu no
Câmbrico subsistindo até os dias atuais.

FONTE: WWW.BIODIDAC.COM ACESSO EM 15/10/2009

Língula sp

FILO BRYOZOA

Os Briozoários são animais invertebrados e coloniais, principalmente marinhos, que,


pelo fato de serem bentônicos e viverem fixos a um suporte, são muito sensíveis às variações
das características físico-químicas da água, da hidrodinâmica e do tipo de substrato da área.
Essas mudanças são refletidas pelo padrão de distribuição das espécies, pelo tipo de
forma de colônia predominante, pelas alterações no tamanho do indivíduo (zoécios) e pelo
tipo de calcificação de sua parede frontal. Constituído de animais encontrados tanto em água
doce como em água salgada, eles são encontrados incrustados em qualquer material aquático,
mas geralmente passam despercebidos porque em geral são quase microscópicos. São essenci-
almente coloniais formando grupos de milhões de indivíduos. As colônias apresentam aspec-
tos de tufos de musgos pardo cinzentos e arborescentes, ou então são planas semelhantes a
delicadas rendas calcáreas que lembram microscópicos favos de mel (abelhas).

169
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Obs.: Há colônias de briozoários, como é o caso do gênero Schizoporella, que alcançam
considerável tamanho.
Com relação ao Filo Bryozoa, todos os organismos são coloniais, apresentando tama-
nho bem reduzidos, porém podem formar colônias de tamanhos consideráveis, tais como i-
números indivíduos independentes, denominados de zoécio ou zooide. Este grupo zoológico é
pouco conhecido popularmente, entretanto as espécies que apresentam esqueleto de carbona-
to de cálcio são importantes contribuintes na formação dos substratos recifais.
Eles estão entre os animais invertebrados considerados evoluídos por apresentarem Lo-
fóforo, estrutura retrátil e com tentáculos ciliados, simetria bilateral, três folhetos germinati-
vos, trato digestivo completo em forma de “U“, e formação de um gânglio nervoso. As colô-
nias são sésseis, com polimorfismo acentuado, podendo ser incrustantes ou arborescentes,
geralmente fixas sobre o substrato que pode variar desde esqueletos de corais, conchas, cara-
paças, pedras e algas.
São animais na grande maioria marinhos, existindo também espécies estuarinas e algu-
mas poucas dulcícolas. Distribuem-se desde a região entremarés até as grandes profundidades,
habitando desde os polos até as regiões tropicais onde ocorrem abundantemente. No mundo
foram relacionadas 5.500 espécies, muitas destas fósseis, ocorrendo desde o período Ordovici-
temente vem sendo estudado no litoral de Alagoas, onde até a presente data foram encontraa-
no. Para a costa brasileira existem confirmadas ao todo 284 espécies. O Filo Bryozoa recendas
54 táxons em nível específico.

FONTE: WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR ACESSO EM 12/10/2009

170
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
PARA REFLETIR:

Futuro colega,

Podemos dizer que a identidade do educador está associada a uma trajetória histórica
e ao seu domínio das dimensões pedagógicas, científicas, filosóficas e éticas em prol da so-
ciedade em que vivemos.
Assumimos assim o compromisso de colocar os conhecimentos científicos, no nosso
caso os da Zoologia, a serviço dos interesses e das necessidades do meio ambiente, articu-
lando saberes teóricos e práticos, com a intenção de construir significados à qualidade de
vida do Ser Humano no planeta Terra. Para tal, o educador deve ofertar referências à vida
real em via de uma formação crítica dos estudantes.

2.2.3
CONTEÚDO 3.
FILO ECHINODERMATA

ADAPTADO DE : WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM ACESSO EM 20/10/2009

171
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
O grupo de animais que estudaremos agora é encontrado na sua grande maioria em
ambientes de praia, e os mais conhecidos são a estrela-do-mar e o ouriço-do-mar.
Esses animais são todos marinhos, porém não nadam e não flutuam, mas se arrastam ou
se encontram fixos no fundo do mar ou em rochas. O corpo possui espinhos recobertos por
uma fina camada de pele, podendo assumir diferentes formas e tamanhos, têm simetria radial,
isto é, seu corpo é dividido em duas metades idênticas.

“Ninguém nasce feito, ninguém nasce marcado para ser isso ou aquilo. Pelo contrário,
nos tornamos isso ou aquilo. Somos programados mas para aprender”
Paulo Freire

HORA DE REFLETIR
O ambiente de praia é um local fabuloso para estudarmos tais animais. Você pode
perguntar: é bom, e para quem não tem praia próxima ou nunca viu nenhuma? O que fará
para ensinar sobre os animais desse grupo?
Sugerimos então que trabalhe o conteúdo em questão, apresentando os prejuízos para
a natureza se caso os animais desse grupo forem afetados, ou seja, discuta quais os proble-
mas que afetariam o Ser Humano se por acaso ocorresse o desaparecimento desses ani-
mais?
Trabalhe com a imaginação dos estudantes como se eles estivessem numa praia de
verdade. O importante é mostrar vínculos afetivos com o ambiente e os seres vivos, bem
como sua importância para a vida humana. Numa época de tamanha degradação ambien-
tal, o respeito aos elementos de nosso meio deve ser ainda mais cultivado, seja experimen-
tando ou não.

Características gerais

Os equinodermos são os seres peertencentes ao filo Echinodermata (do grego Echinos =


espinho e derma = pele) pertencente à clade Deuterostomia do Reino Animalia. São animais
de simetria radial, e como exemplo podem ser citados os equinodermas, tais como estrela-do-
mar, holotúria e ouriço-do-mar.

172
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
Estes animais se aproximam muito dos cordados por possuirem celoma verdadeiro (de
origem enterocélica) e por serem deuterostômios, ou seja, o orifício embrionário conhecido
como blastóporo, que origina o ânus dos indivíduos.
Na fase larval, os equinodermos possuem simetria bilateral, vindo desenvolver a simetri-
al radial somente no adulto. Esta é basicamente pentâmera, ou seja, os elementos se dispõem
em cinco ou múltiplos de cinco, com esqueleto formado por placas calcárias cobertas por uma
fina camada epidérmica. Esse esqueleto é de origem mesodérmica. A epiderme do corpo des-
ses animais é simples e recobre o esqueleto e os espinhos (quando presentes). Os espinhos são
bem alongados e servem como proteção, principalmente no ouriço-do-mar. Algumas espécies
possuem ainda pequenas pinças que servem para a defesa e para manter sempre limpa a su-
perfície do corpo.
Os equinodermos tipicamente possuem um sistema ambulacral ou aquífero que, além
de substituir o sistema circulatório no transporte de substâncias, também é utilizado na loco-
moção destes animais. O sistema ambulacral funciona através de um sistema de canais hidráu-
licos, nos quais a diferença de pressão produz movimentos físicos. Também existem ventosas
nas extremidades dos canais que permitem ao animal fixar-se ao substrato.
Os espinhos estão presentes em diversos formatos nos grupos de equinodermos, e atu-
am com a função de proteger o animal e para a locomoção. Podem ser recobertos por subs-
tâncias de caráter tóxico. São animais marinhos, de vida livre, exceto pelos crinoides que vi-
vem fixos ao substrato rochoso (sésseis).
Como já foi descrito anteriormente, a locomoção nestes animais é lenta, possuem endo-
esqueleto de placas calcáreas móveis (articuladas) ou fixas, frequentemente com espinhos, e as
placas podem ser macroscópicas, ou distribuídas pelo corpo, como nos pepinos-do-mar, ou
apresenta uma carapaça resistente como nos ouriços-do-mar.

FONTE: HTTP://WWW.SIMBIOTICA.ORG ACESSO EM 15/10/209

173
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
A circulação de água promove:

• Locomoção e fixação (pés).


• Respiração.
• Excreção.
• Circulação – pseudo-hemal.
Sistema ambulacrário

O Sistema Ambulacrário só é encontrado com exclusividade nos equinodermatas. É


constituído por um conjunto de canais que delimitam espaço celomático no interior. É res-
ponsável pelas seguintes funções: respiração, locomoção e circulação.
Neste Sistema Ambulacrário se distingue uma abertura parecida com uma peneira de-
nominada placa madrepórica ou madreporito, que fica em contato com o meio exterior, por
onde a água pode entrar. É seguido por um canal orientado dorsoventralmente denominado
canal pétreo, que se abri num canal circular ao redor do aparelho digestivo. Desse canal circu-
lar saem cinco canais radiais que tomam a direção dos braços do animal terminando nas suas
extremidades.
De cada canal radial partem uma sucessão de canais laterais, formando nas extremida-
des os pés ambulacrários que se apresentam formado por um tubo fechado nas duas extremi-
dades, possuindo internamente uma dilatação, a ampola, e externamente uma formação que
funciona como ventosa. Os pés ambulacrários nas estrelas-do-mar servem para prendê-las ao
substrato, locomoção, captura e manuseio de alimentos. A coordenação dos movimentos dos
pés ambulacrais promove o lento deslocamento desses animais sobre os substratos marinhos

• Sistema de canais e apêndices celômicos revestidos por um epitélio ciliado preenchidos


por fluido, similar à água do mar, exceto por conter:
• Amebócitos.
• Proteínas.
• Altas concentrações de K+.
• Nos asteroides, atua como meio de locomoção.

174
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
FONTE: WWW.BIODIDAC.COM ACESSO EM 10/10/2009

Este grupo de animais apresenta sistema digestório completo, com exceção dos ofiúros.
É comum encontrarmos nas praias as estrelas-do-mar, estas são carnívoras e predadoras e sua
vítima predileta são as ostras. Apesar da potente musculatura das ostras, as estrelas-do-mar
conseguem abrir-lhe as valvas, introduzir seu estômago e lançar enzimas, ocorrendo a diges-
tão externa. Os ouriços-do-mar alimentam-se de algas.
A boca dos equinoides está situada na superfície ventral e é circundada por dentes de
vértices voltados para baixo. Estes dentes são suportados por uma estrutura muscular comple-
xa de cinco lados dentro da carapaça, que é conhecida como "Lanterna de Aristóte-
les".´Animais que não possuem coração nem mesmo sistema circulatório típico. Existe porém
um reduzido sistema de canais (canais pseudohemais) com disposição radial, no qual circula
um líquido incolor contendo amebócitos. A respiração por difusão ocorre no sistema ambula-
crário. Na cloaca do pepino-do-mar existem túbulos ramificados, as árvores respiratórias ou
hidropulmões que acumulam água para as trocas gasosas. Não existe nenhum órgão especia-
lizado em excreção.
Os catobólitos são levados por amebócitos aos pés ambulacrários, hidropulmões ou a
qualquer estrutura exposta à água, que os elimina por difusão. Não possui gânglios, mas sim
um anel nervoso próximo à região oral, de onde saem os nervos radiais. Na superfície do cor-
po existem células táteis. São animais de sexos separados e de fecundação externa. Os órgãos
sexuais são simples, existindo geralmente apenas gônadas sem ductos genitais. O desenvolvi-
mento é indireto, aparecendo uma larva auriculáriade, simetria bilateral, que passa a radial
nos animais adultos. A reprodução assexuada aparece em algumas larvas que se autodividem e
possuem a capacidade de regenerar as partes perdidas.

175
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
As classes em que se divide o reino são:

• Echinoidea
• Asteroidea
• Ophiuroidea
• Holothurioidea
• Crinoidea

Ouriço-do-mar (Echinoidea)

A classe dos Echinoidea se distribuem em região das marés até cerca de 4.800m de pro-
fundidade. Os ouriços regulares vivem especialmente sobre fundos consolidados, mas ocor-
rem também em fundos não consolidados. Já os irregulares são típicos de fundos não consoli-
dados, existindo, inclusive, algumas espécies que vivem enterradas na areia.
Os Echinoidea reúne espécies apresentando forma hemisférica globosa, representado
pelos ouriços-do-mar e pelas formas discoides achatadas como a bolacha-do-mar.
Nos ouriços-do-mar, o corpo é formado externamente por uma grande carapaça dividi-
da em uma parte central denominada roseta apical situada no dorso do animal, e a corona que
compreende o resto da carapaça.

ADAPTADO DE: WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM ACESSO EM 12/10/2009

176
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
A estrutura chamada de roseta apical é formada por numerosas placas organizadas, dis-
tinguindo-se uma central onde se abre o ânus do animal, e cinco placas genitais onde se abre o
orifício externo da cada gônada. Uma dessas placas é a mais desenvolvida, constituindo a pla-
ca madrepórica, que corresponde a abertura externa do sistema ambulacrário.
Os ouriços vivem em rochas, cavando-o através de um desgaste provocado por um con-
tínuo movimento rotatório dos espinhos. Podem ainda ser encontrados ao lado das praias e
no fundo do mar, alimentando-se de plantas marinhas, matéria animal morta e matéria orgâ-
nica contida na areia. Os ouriços fornecem o material preferido para experiências embriológi-
cas, pois o desenvolvimento desses animais podem ser facilmente acompanhados desde a
forma do ovo até a fase de larva.

Pepino-do-mar (Holuturoidea)

Esta classe Holothurioidea é representada pelos equinodermes, que inclui os animais


conhecidos como pepinos-do-mar ou holotúrias. Em oposição aos outros equinodermes, eles
possuem corpo delgado e alongado em um eixo oral-aboral.
Certas espécies de holotúrias, algumas das quais existem no Brasil, quando molestadas,
eliminam pela cloaca uma porção de filamentos brancos e viscosos (órgão de Cuvirer) que são
segregados por glândulas próximas ao ânus. Esse comportamento representa um meio de de-
fesa, ou seja, o comportamento desse animal é diferente quando as condições estão ruins, ou
mesmo quando estão sendo atacados soltam parte de seu intestino, e foge enquanto seu pre-
dador se ocupa com a parte de seu sistema digestivo.
Nos "pepinos-do-mar" o lado dorsal é representado por duas zonas longitudinais, en-
quanto que o lado ventral apresenta três zonas longitudinais (pés ambulacrários). O alimento
dos adultos é representado por detritos orgânicos ou plâncton que o animal aprisiona em mu-
cos existentes nos tentáculos.
A boca é circundada por 10 a 30 tentáculos que são modificações de pés ambulacrários
bucais encontrados em outros equinodermos. Seu alimento é de material orgânico dos detri-
tos do fundo que é empurrado para a boca ou de plâncton aprisionado em muco nos tentácu-
los.
As holotúrias frequentemente são os invertebrados dominantes nas partes mais profun-
das dos oceanos e muitos são restritos as águas profundas.

177
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
ADAPTADO DE: WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM ACESSO EM 12/10/2009

Estrela-do-mar (Asteroidea)

ADAPTADO DE: WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM ACESSO EM 12/10/2009

178
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
Como todos os equinodermes, as estrelas-do-mar são animais marinhos pertencentes a
classe Asteroidea, e sua simetria é radiada. Eles têm o corpo achatado e coberto de espinhos
bem evidentes, apresentando cinco pontas ocas chamadas de braços. O corpo é duro e rígido
podendo ser quebrado em partes se tratado rudemente. Apesar disso, o animal consegue do-
brar-se e girar os braços quando passeia ou quando seu corpo se encontra em espaços irregu-
lares entre rochas ou outros abrigos. O corpo das estrelas-do-mar tem simetria pentarradiada.
As estrelas-do-mar podem ter entre alguns centímetros e um metro de diâmetro. Estes
animais movem-se usando a retração e a distensão dos seus pés ambulacrários. A respiração
do animal é branquial e sua reprodução é feita, sobretudo, através da regeneração, ou seja, se
um dos braços desse animal for cortado pode desenvolver uma nova estrela-do-mar. Se a re-
produção for sexuada, a estrela-do-mar tem um estado larvar. As estrelas-do-mar não possu-
em lanterna de Aristóles e por isso não podem mastigar os alimentos, e para se alimentar lan-
ça o estômago pela boca, localizada em sua face oral.
Fonte: www.portalsaofrancisco.com Acesso em 12/10/2009

Ofiúros

Os ofiúros possuem cinco braços longos, finos e móveis, u-


nidos em um disco central. Não apresenta ânus, apenas a boca. Por
causa da sua aparência são também chamados de serpentes-do-
mar. Os Ophiuroidea ocorrem desde as regiões rasas, no médio e
infralitoral, até as regiões abissais. Algumas espécies vivem em
regiões estuarinas, regiões rochosas, e por isso esses animais vivem abrigados em fendas de
rochas ,sobre algas ou no interior de estruturas animais, como esponjas e tubos de poliquetos.
A maioria das espécies, entretanto, é encontrada em areia, lodo e algas, podendo ocorrer tam-
bém em cascalho biodetrítico e corais.
Animais conhecidos como serpentes-do-mar apresentam o
corpo estrelado, mas diferem dos asteroides por apresentarem o
disco central bem diferenciado dos braços. Estes, em numero de
cinco, são cilíndricos, delgados, simples ou ramificados. Quando
vivos apresentam movimentos serpenteantes, daí o seu nome. Os
adultos são encontrados geralmente embaixo de pedras e cascalhos
levemente enterrados ou dentro de esponjas. Seu sistema digestivo
é incompleto, faltando reto e ânus. Os restos de alimentos, depois
da absorção e assimilação, são eliminados através da própria boca

179
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
porque o intestino, sempre muito curto e rudimentar, é fechado na extremidade posterior. São
carnívoros, alimentando-se de pequenos animais marinhos como crustáceos, vermes e restos
de outros alimentos.
Fonte: www.portalsaofrancisco.com Acesso em 12/10/2009

Lírio-do-mar (Crinoidea)

FONTE: WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM ACESSO EM 12/10/2009

Animais pertencentes à classe Crinoidea são semelhantes a flores e chamados de lírios-


do-mar. Normalmente ficam fixos em rochas ou mesmo no fundo da mar. Seu corpo é um
pequeno cálice em forma de taça, de placas calcárias, ao qual estão presos cinco braços.
Os Crinoidea ocorrem do Ártico à Antártica e em todas as profundidades. As espécies
não pedunculadas vivem sobre substrato consolidado ou são epibiontes, por exemplo, de an-
tozoários e algas. Já os pedunculados podem ser encontrados em todos os tipos de substrato.
Nessa classe encontramos animais conhecidos vulgarmente como "lírios-do-mar" e possuem o
corpo caliciforme, munido ou não de pedúnculo. As formas pedunculadas possuem uma haste
com a qual se fixam a um suporte qualquer. No topo do pedúnculo encontram-se peças calcá-
rias formando o cálice no interior do qual se abrigam as partes moles do animal. Das margens
do cálice partem os braços com numerosas ramificações laterais chamadas pínulas que se es-
tendem por todo o comprimento do braço. A boca e o ânus estão na superfície superior do
disco; o ânus frequentemente tem um cone elevado.

180
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
Os crinoides não pedunculados são de movimentação livre, isto é, são capazes de nadar.
O alimento é constituído principalmente de plâncton, colhidos pelos tentáculos e dirigidos
pelos cílios à boca.
Essa classe é considerada a mais primitiva dos Echinodermatas. Embora atualmente e-
xistam poucas espécies, fora muito abundante em eras geológicas remotas.

Lírios rios do mar


FONTE: WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM ACESSO EM 12/10/2009

FONTE: WWW.PORTALSAOFRANCISCO.COM ACESSO EM 12/10/2009

181
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
182
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
MAPA CONCEITUAL

183
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
ESTUDO DE CASO
Cientistas encontram estrelas-do-mar gigantes na Nova Zelândia. Pesquisadores faziam
um levantamento da biodiversidade marinha do Oceano Antártico. Além dela, foram desco-
bertos também uma água-viva gigante e oito novos moluscos.
Ao fazer um levantamento da biodiversidade marinha das águas antárticas da Nova Ze-
lândia, cientistas foram surpreendidos ao encontrar uma estrela-do-mar de mais de meio me-
tro. Além dela, também foram achados uma água-viva com tentáculos de três metros e meio e
oito novas espécies de moluscos.

Pesquisadores mostram os exemplares de estrela-do-mar encontrados (Foto: AP)

FONTE: HTTP://G1.GLOBO.COM/NOTICIAS/CIENCIA ACESSO EM 22/10/2009.

Sabemos que não é muito comum encontramos invertebrados de grande porte, contudo
não é impossível, haja vista as lulas gigantes e outros espécimes. Diante desse fato, elabore
explicações para a causa do gigantismo em invertebrados e relacione essa característica com os
locais onde esses organismos são encontrados.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

184
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
QUESTÃO 01
Um certo animal tem as seguintes características: celoma bem desenvolvido, esqueleto
calcário, simetria radial na fase adulta e simetria bilateral na fase larvária. Esse animal é um:
(A) Artrópodo.
(B) Equinodermo.
(C) Anelídeo.
(D) Platelminto.
(E) Celenterado.

QUESTÃO 02
(Acafe-SC) – São representantes do filo Echinodermata:

(A) Crinoides, ouriço-do-mar e corais.


(B) Corais, holotúrias e crinoides.
(C) Euglena, ouriço-do-mar e crinoides.
(D) Ouriço-do-mar, ofiúros e holotúrias.
(E) Ostras, ofiúros e crinoides.

QUESTÃO 03
(Omec-SP) – Assinale a alternativa que a ponta o erro cometido na caracterização do fi-
lo Echinodermata: “São animais exclusivamente marinhos, de organização pentarradiada,
com larvas de simetria bilateral, esqueleto calcário externo, triblásticos e deuterostômios”.

(A) Animais exclusivamente marinhos.


(B) Larvas de simetria bilateral.
(C) Esqueleto calcário.
(D) Triblásticos.

185
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
(E) Deuterostômios.

QUESTÃO 04
(F.C.Chagas-BA) – Analise os itens propostos relacionados com os equinodermos. Es-
colha, entre as opções, a correta:

I. Este filo é formado por animais marinhos, como conchas, estrelas-do-mar e ouriços-
do-mar.
II. É o único grupo do Reino Animal que possui um sistema aquífero responsável pelas
funções de locomoção, respiração, excreção e percepção.
III. A forma básica de reprodução desses animais é sexuada.
IV. A fecundação é externa.

Assinale a alternativa correta:


(A) Apenas os itens III e IV são corretas.
(B) Apenas os itens I, II e III são corretas.
(C) Os itens II, III e IV são corretos, enquanto o item I está errado, pois as conchas não
pertencem ao filo dos equinodermos.
(D) Os itens II e IV estão corretos; no item I o exemplo das conchas é o único correto.
(E) Os itens I, II e III estão certos, enquanto o item IV está incompleto, porque a fecunda-
ção pode ser interna.

QUESTÃO 05
(U.F.Uberlândia-MG) – Cláudio precisava fazer uma coleção de invertebrados e agru-
pou alguns animais, conforme o quadro abaixo:

Animal características
1 Segmentação do corpo.
2 Simetria radial.
3 Presença de quatro asas.
4 Corpo mole e presença de concha.

186
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
Considerando essas características, Cláudio concluiu:
I. O animal 1 pode ser um anelídeo ou um artrópodo.
II. O animal 2 pode ser um equinodermo ou um celenterado.
III. O animal 3 pode ser um inseto.
IV. O animal 4 provavelmente é um molusco

Você concorda:
(A) Apenas com uma das conclusões.
(B) Apenas com a I, II e IV conclusões.
(C) Apenas com a I e II conclusões.
(D) Com todas as conclusões.

CONSTRUINDO CONHECIMENTO

Você sabia que...


O grupo dos equinodermes já foi denominado de experiência pentagonal da natureza no
mar. No mar, porque os equinodermes são exclusivamente marinhos. Pentagonal, porque
todos eles apresentam uma organização pentarradiada, ou seja, na base do número cinco. As
estrelas, além dos cinco braços (algumas espécies têm múltiplos de cinco), tem cinco ovários
ou cinco testículos (os sexos são separados), cinco nervos radiais, cinco canais ambulacrários
de onde se originam os pés. Nos ouriços vivos é, às vezes, mais difícil observar a organização
pentarradiada, mas nas carapaças é fácil ver cinco zonas repletas de pequenos orifícios por
onde passam os pés ambulacrais e a boca apresenta cinco dentes.

Fonte: http://www.portaldascuriosidades.com/forum/index.php?topic=19505.0 Acesso


16/10/2009

187
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
Os Echinodermatha são organismos exclusivamente marinhos, e por conta disso sua o-
corrência está restrita às regiões banhadas pelo mar. Mas isso não impede que conheçamos
um pouco melhor esses animais. Para isso, proponho aqui a elaboração de um “dominó do
equinodermos. De um lado vocês podem colocar imagens destes organismos e do outro algu-
mas de suas características. Lembrem-se de deixar na mesma peça o animal e sua caracteriza-
ção, pois assim não será possível finalizar o jogo.
Boa sorte e bons estudos!

Pessoal!
Esse artigo é imperdível. Encontrei-o durante as pesquisas para o material didático de
Zoologia I. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica feita nos principais livros de Zoologia, além
de sites de busca. Nele, os autores fazem uma análise das informações sobre esses grupos e
discutem a importância ecológica evolutiva desses grupos e suas contribuições para a filogenia
dos metazoários.

188
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
PRIAPULIDA, KINORHYNCHA E LORICIFERA: UMA BUSCA BIBLIOGRÁFICA
PARA MELHOR CONHECER E DIRECIONAR OS ESTUDOS SOBRE ACONSERVAÇÃO
DE TÁXONS ESQUECIDOS.

Vocês põem ter acesso ao artigo na íntegra através do endereço:


http://www.seb-ecologia.org.br/2009/resumos_ixceb/1987.pdf

189
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
190
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
GLOSSÁRIO

ACELOMADO – Sem celoma. (Gr. A, sem + koiloma, cavidade, de koilos, oco).


AMEBA – Ser de forma irregular e unicelular, que se move por meio de pseudópodes. É um
protozoário do Reino Protista.
ANELÍDEO – Animal invertebrado que possui o corpo segmentado em vários anéis chama-
dos metâmeros. Ex.: minhoca e sanguessuga.
ANÊMONA – Animal cnidário marinho na forma de pólipo, com tamanhos e formas varia-
das.
BENTOS – Conjunto de seres do bioma aquático que vivem em relação com o fundo submer-
so.
BLASTÓPORO – A abertura é semelhante a uma boca de uma gástrula. (Gr. blastos, germe +
poros, passagem).
BRÂNQUIA – Estrutura anatômica encontrada em muitos organismos aquáticos. É o órgão
da respiração, cuja função é a extração de oxigênio de água e excreção de dióxido de carbono.
CARACOL – Nome vulgar dados os Gastrópodes terrestres incluindo as formas conhecidas
como lesmas
CARAMUJO – Nome vulgar do molusco Gastrópode.
CARAVELA – Organismo colonial tóxico e urticante, de cor azul, que possui uma câmara de
gás, o flutuador. Faz parte da classe Hydrozoa, filo Cnidário.
CELOMA – Cavidade do corpo ou espaço entre a parede do corpo e os órgãos internos em
muitos animais. Metazoário revestido por um peritônio (mesoderma). (Gr. koilos = oco).
CÉLULAS FLAMA – Célula especializada dos Platelmintos, cuja função é remover o excesso
de água e substâncias nela dissolvidas para o exterior.
CHORDATA – O filo dos animais com notocorda persistente ou transitória; inclui os verte-
brados, anfioxos e tunicados; os cordados. (L. chorda, cordão).
CICLO VITAL – Série progressiva de alterações sofridas por um organismo, ou por uma su-
cessão linear de organismos, desde a fecundação até a morte, ou até a morte da fase produtora
dos gametas que iniciam uma idêntica série de alterações.
CLASSE – Uma das categorias hierárquicas utilizadas na classificação dos seres vivos.
CLIVAGEM RADIAL – Padrão de divisão das células de um zigoto na qual os sucessivos con-
juntos de blastômeros localizam-se diretamente sobre o conjunto imediatamente abaixo.
CNIDOBLASTO – O mesmo que cnidócito; células com substâncias urticantes presentes nos
animais do filo Cnidário.

191
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
COLÔNIA – Agrupamento de indivíduos de uma mesma espécie que só sobrevivem em con-
junto. (L. colonus = colono).
CONCHA – Concreção dura e calcárea que reveste o corpo de certos moluscos ou entra na
estrutura interna de outros.
DEUTEROSTÔMIO – Uma das duas principais linhagens evolutivas do Reino Animal, carac-
terizada por clivagem radial indeterminada; a boca surge longe do blastóporo e enteroceloma-
dos. (Gr. deuteros = segundo + stoma= boca).
ESPÉCIE – Unidade de classificação que se refere aos indivíduos com semelhanças muito
grandes nos aspectos físicos e de funcionamento de seu organismo. Eles são capazes de se cru-
zarem entre si, originando descendentes férteis.
ESPERMATÓFORO – Um pacote de espermatozoides transferido para a fêmea. (Gr. Sperma
= semente + phero = apresento).
GASTROVASCULAR – Cavidade encontrada em cnidários que serve tanto para a digestão
como para a circulação.
GÁSTRULA – Estágio inicial no desenvolvimento embrionário; uma blástula invaginada. (Gr.
gaster = estômago).
GASTRULAÇÃO – Processo que ocorre durante o desenvolvimento embrionário no qual
ocorrem movimentos celulares que resultam na formação da gástrula.
HIDRA – Hidrozoário; pequeno pólipo solitário; animal multicelular muito simples. Pertence
ao filo Cnidário, classe Hidrozoa. É delicada, flexível e mede de 10 a 30 mm. Na superfície oral
apresenta tentáculos circundando a boca, que auxiliam na obtenção de alimento. Vivem em
água doce, fria e limpa de lagos, tanques e córregos, fixando-se a pedras e vegetação aquática.
INVERTEBRADO – Qualquer animal sem a coluna vertebral dorsal.
LANTERNA DE ARISTÓTELES – Conjunto de cinco dentes fortes com músculos associados,
presentes no ouriço-domar e bolacha-da-praia, animais que pertencem ao filo Echinodermata.
MEDUSA – Organismo livre-natante (cnidário) com corpo gelatinoso em forma de sino ou
guarda-chuva, com tentáculo nas margens e apresentando a boca no centro de uma projeção
da superfície côncava. (Gr. mitológico, Gorgônia com cobras em vez de cabelos).
MESODERMA – As células ou camadas de células embrionárias entre o ectoderma e o endo-
derma. (Gr. mesos = meio + derma = pele).
METAMERIA – Repetição segmentar de partes homólogas (metâmeros).
METÂMERO – Qualquer uma das séries de partes homólogas dos corpo; como nos anelídeos,
artrópodos e cordados; segmento, somito. (Gr. meta = depois + meros = parte).
METAZOÁRIOS – Animais pluricelulares com células geralmente arranjadas em tecidos;
compreendem todos os animais acima das esponjas. (Gr. meta = depois + zoon = animal).
OCELO – Pequeno olho simples como em muitos invertebrados. (L. dim. de oculus = olhos).

192
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
OPÉRCULO – A placa que cobre as brânquias de um peixe ósseo; também a placa que fecha a
abertura da concha de muitos gastrópodos. (L.).
ORGANISMO – Uma única planta ou um único animal que funciona como uma unidade.
PARASITO – Um organismo que vive dentro ou sobre outro, mais ou menos às expensas do
último (hospedeiro). (Gr. para= ao lado + sitos = alimento).
PARASITISMO – Relação ecológica interespecífica em que uma das partes vive à custa de
outra que sofre prejuízo.
SIMETRIA BILATERAL – Tipo de simetria em que um corpo pode ser dividido por um plano
mediano em metades equivalentes, direita e esquerda, sendo cada uma a imagem especular da
outra.
SIMETRIA RADIAL – Tipo de simetria na qual um organismo possui partes similares arran-
jadas ao redor de um eixo central comum, como as estrelas-do-mar e as medusas.

193
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA
194
CARLOS ANTONIO NEVES JÚNIOR
REFERÊNCIAS

BRUSCA, R.C.; BRUSCA, G.J. Invertebrados 7. ed. Guanabara Koogan, 2007.


Código Internacional de Nomenclatura Zoológica. 4ª edição, 2000.
FISHELSON, L. Spirastrella inconstans Dendy (Porifera) as an ecologic niche in the littoral
zone of the Dahlak Archipelago (Eritrea). Sea Fish. Sta. Haifa. Bull., v. 41, p.17-25. 1966.
HECHTEL, G. J. Zoogeography of Brazilian Demospongiae, p: 237-260. In: F.W. Harrison e
R.R. Cowden (eds.), Aspects of Sponge Biology. Academic Press. 354 p. 1976.
HICKMAN, C. P.; ROBERTS, L. S.; LARSON, A. Princípios integrados de zoologia. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.
LAUBENFELS, M. N. de. Ecology of the sponges of a brackish water environment, at
Beaufort, N.C. Ecological Monographs. v.17, n.1, p. 31-46. 1947.
MORISITA, M. Measuring of the dispersion of individuals and analysis of the
distributional patterns. Men. Fac.Sci. Kyushi Univ., ser. E (Biol.) v. 2, n. 4, p. 215 - 235. 1959.
NEVES, D.P. Parasitologia humana. ed. 6, Rio de Janeiro: Atheneu, 1986.
RUPPERT, Edward E.; BARNES, Robert D. Zoologia dos invertebrados. São Paulo. Editora
Roca, 1996.
SAGGIOMO, S. O.; BEMVENUTI, M. A. Glossário sobre ecossistema aquático – zoologia.
Cadernos de Ecologia Aquática 1 (1): 15-30, jan - jul 2006. Disponível em:
http://www.esac.pt/Abelho/EcologiaII_LET/bibliografia/Saggioti%20&%20Bemvenuto%2020
06_Glossario%20ecologia%20aquatica.pdf. Acesso em 04/12/2009.
SARÀ, M. & VACELET, J. Écologie des démosponges, p. 462-576. In: P. Brien, C. LÉVI, M.
Sarà , O. Tuzet e J. Vacelet. Spongiaires. Traité de zoologie, anatomie, systématique,
biologie (P. Grassé, Ed.), Paris Maisson. v. 3, n. 1, 716 p. 1973.
STORER, Tracy I.; USINGER, Robert L. [et al.]. Zoologia geral. São Paulo. Editora Nacional,
1991.
TORTORA, G. J., et al. Microbiologia. 6ª ed. Porto Alegre: Artemed, 2000.
ZULLO, V.A. & STANDING, J.D. Sponge-inhabiting barnacles (Cirripedia:
Archaeobalanidae) of the Carolinian Province, South United States, with description of a
new species of Membranobalanus Pilsbry. Proc. Biol. Soc. Wash., v. 96, p. 468-477. 1983.

195
ZOOLOGIA GERAL E COMPARADA