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Disciplina: Estatuto da Criança e do

Adolescente
Professor: Paulo H. Fuller
Aula: 05 | Data: 22/03/2019

ANOTAÇÃO DE AULA

SUMÁRIO

DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR (continuação)

4. Adoção

DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR (continuação)

4. Adoção

É a principal forma de colocação em família substituta, criando a filiação entre o adotante e a nova família.

I. Efeitos da Adoção:

Cria uma filiação com o adotante, ocorrendo o desligamento com os pais de origem, logo, há filiação institutiva e
extintiva.

a. Efeito institutivo: A adoção cria parentesco civil ou jurídico de filiação com os adotantes (s), o adotante se
torna pai/ mãe da criança e do adolescente, o adotado torna-se filho como os genéticos, com todos os
direitos e deveres (iguais condições, não importa a origem do filho).

b. Efeito extintivo (art. 41, ECA): prevê que a criança ou o adolescente serão desligada de todos os vínculos
com os pais e parentes de origem, ressalvados os impedimentos matrimoniais.

Art. 41. A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos direitos e
deveres, inclusive sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com pais e
parentes, salvo os impedimentos matrimoniais.

§ 1º Se um dos cônjuges ou concubinos adota o filho do outro, mantêm-se os


vínculos de filiação entre o adotado e o cônjuge ou concubino do adotante e os
respectivos parentes.

§ 2º É recíproco o direito sucessório entre o adotado, seus descendentes, o


adotante, seus ascendentes, descendentes e colaterais até o 4º grau, observada a
ordem de vocação hereditária.

II. Classificação:

Ocorre na filiação criada, temos duas maneiras, quais sejam:

a. Adoção singular: o adotante é um só (um pai ou uma mãe).

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b. Adoção conjunta: duas pessoas adotam juntas a mesma criança ou adolescente, conforme disposto no art.
42, § 2°, ECA.

Art. 42. Podem adotar os maiores de 18 (dezoito) anos, independentemente do


estado civil.

§ 2o Para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados


civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da
família.

III. Critérios de desligamento da criança ou adolescente:

a. Filiação extinta unilateral: rompe apenas um lado da filiação, seja ele materno ou paterno (art. 41, § 1°,
ECA). Ex.: uma moça engravida do namorado, ele apenas registra a criança e desaparece, sem nunca dar
assistência material e afetiva. Um ano após ela casa-se com outra pessoa que cria seu filho e o adota.

b. Filiação extinta bilateralmente: é aquela que rompe os dois lados da filiação.

As classificações acima, a adoção de uma, não exclui a outra, pois são baseadas em critérios distintos, logo, elas se
completam.

IV. Características da adoção (regra mnemônica PEPSI):

a. Plena: considera-se plena, pois a adoção constitui filiação, para todos os efeitos, com os adotantes, ao
mesmo tempo em que gera desligamento de todos os vínculos, com os pais e parentes de origem/
anteriores.

Observação:

Na doutrina, alguns autores consideram que a adoção unilateral (art. 41, § 1°, ECA) seria uma adoção semiplena,
pois nela o desligamento da criança ou adolescente ocorreu apenas quanto ao pai e parentes dele, no exemplo do
padrasto que adota a enteada.

b. Excepcional (art. 39, § 1°, ECA): ser excepcional significa que a adoção pressupõe o prévio esgotamento das
tentativas de manutenção ou reintegração da criança ou adolescente com os pais (família natural).

c. Personalíssima (art. 39, § 2°, ECA): o fato dela ser considerada um ato personalíssimo, veda a adoção legal
por procuração.

d. Sentença (art. 47, “caput”, ECA): apenas sentença judicial que constitui adoção no Brasil, ou seja, a adoção
só mediante jurisdição necessária.

Art. 39. A adoção de criança e de adolescente reger-se-á segundo o disposto nesta


Lei.

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§ 1o A adoção é medida excepcional e irrevogável, à qual se deve recorrer apenas
quando esgotados os recursos de manutenção da criança ou adolescente na família
natural ou extensa, na forma do parágrafo único do art. 25 desta Lei.

§ 2o É vedada a adoção por procuração.

§ 3o Em caso de conflito entre direitos e interesses do adotando e de outras


pessoas, inclusive seus pais biológicos, devem prevalecer os direitos e os interesses
do adotando.

Art. 47. O vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial, que será inscrita no
registro civil mediante mandado do qual não se fornecerá certidão.

Observação:

A “adoção” a brasileira, não é adoção, é crime registrar filho alheio como se fosse seu, pois o adotante se subtraiu
do procedimento legal.

e. Irrevogável: adoção imita a natureza, por sua vez é um ato irrevogável (definitiva)

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