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MECANISMOS DE EVOLUÇÃO

Mecanismos de evolução
Questões que se colocam:

2. Mecanismo de evolução
Como é que a ciência e a sociedade têm interpretado
a grande diversidade dos seres vivos?

Face à diversidade, que critérios usar para sustentar um


sistema de classificação dos seres vivos?
Mecanismos de evolução

As hipóteses que explicam a origem e evolução das


espécies enquadram-se em dois grandes grupos:

•Fixismo (Teorias fixistas)

•Evolucionismo (Teorias evolucionistas)

MECANISMOS DE EVOLUÇÃO
Mecanismos de evolução

Como é que a Ciência e a sociedade têm interpretado


a grande diversidade de seres vivos?

Como podem os contextos socioeconómicos, religiosos e/ou políticos


influenciar o avanço tecnológico e científico?

Que argumentos sustentam as


perspectivas fixistas que prevalecem
para explicar a diversidade dos seres Em que difere o pensamento de
vivos? Lamarck do pensamento de
Darwin na explicação da evolução
dos seres vivos?
Que dados auxiliaram Darwin na
elaboração da sua teoria sobre a
evolução dos seres vivos?
Que áreas do conhecimento
auxiliam na fundamentação do
conceito de evolução?

Que argumentos acrescentou o Neodarwinismo na consolidação do conceito


de evolução?

Mecanismos de evolução
Mecanismos de evolução
Fixismo
Teoria aceite como dogma até ao século XVIII e que
defende que as espécies uma vez formadas se
mantêm inalteráveis ao longo do tempo.

(Significa isto que as espécies surgiram como as


conhecemos hoje.)

Explicação fixista para a diversidade de organismos


existentes na Terra.
Mecanismos de evolução
Fixismo

• Geração espontânea

• Criacionismo
• Catastrofismo
Teorias Fixistas

Criacionismo – As espécies foram originadas todas de uma só vez por


um acto de criação especial de um ser sobrenatural (Criador) e, como tal,
são perfeitas e estáveis, mantendo-se fixas ao longo dos tempos.

No final do século XVIII esta teoria começa a ser posta em causa.

“A Criação de Adão”. Célebre pintura que Michelangelo fez no teto da Capela Sistina.
Mecanismos de evolução Fixismo

Geração espontânea*:
As espécies surgem a partir de matéria inerte (não
viva), mediante determinadas condições e sob a ação
de um “princípio ativo” presente na matéria e, que por
si só, era capaz de gerar vida.
Teoria proposta por Aristóteles (383-322 a.C.)

“…Comprimir uma camisa


de mulher, de preferência
um pouco suja, num vaso
com trigo. Ao fim de 21
dias o fermento do suor
feminino transforma o grão
em ratos.”
Van Helmont, 1648
Teorias Fixistas

Catastrofismo – Teoria colocada por Cuvier (1769 – 1832), com


base na descoberta de fósseis, com aspecto diferente entre si nos
vários estratos rochosos e distintos dos seres vivos actuais.

Segundo a teoria Cuvier os seres vivos de um determinado local


eram eliminados por catástrofes naturais e esse local era
posteriormente colonizada por outros seres vivos provenientes de
locais próximos.

Amonite Trilobite
Mecanismos de evolução
Evolucionismo
Teoria surgida no século XIX que considera que as
espécies actuais resultam de transformações lentas
e progressivas sofridas pelas espécies ao longo do
tempo.

Contributos para o evolucionismo


Mecanismos de evolução
Evolucionismo
Teoria surgida no século XIX que considera que as
espécies actuais resultam de transformações lentas
e progressivas sofridas pelas espécies ao longo do
tempo.

Contributos para o evolucionismo


Mecanismos de evolução
Evolucionismo

Explicação para a diversidade de organismos


existentes na Terra.
Mecanismos de evolução
Fixismo/ Evolucionismo

Explicação fixista e evolucionista para a diversidade de organismos existentes na Terra.


Mecanismos de evolução

Argumentos utilizados a favor do evolucionismo


1. Argumentos paleontológicos
2. Argumentos anatómicos
3. Argumentos bioquímicos
4. Argumentos citológicos
5. Argumentos embriológicos
6. Argumentos biogeográficos
Mecanismos de evolução
Argumentos paleontológicos
Amonite

Os dados paleontológicos baseiam-se


na análise e interpretação dos fósseis.
Mecanismos de evolução
Argumentos paleontológicos

Trilobite

Mosquito
no âmbar

Os fósseis, ao revelarem espécies que não existem


actualmente, contrariam a ideia da imutabilidade e
apoiam o evolucionismo.
Mecanismos de evolução
Argumentos paleontológicos

Archaeopteryx

Fóssil de um organismo que possuía características


de ave (penas e bico) e de réptil (longa cauda com
vértebras e dentes).
Mecanismos de evolução
Argumentos paleontológicos

Ichthyostega

Fóssil de um organismo que possuía características


de peixe (barbatana dorsal) e de vertebrado
terrestre (patas e pulmões).
Mecanismos de evolução
Argumentos paleontológicos

As pteridospérmicas (fetos com sementes)


eram plantas que possuíam características das
actuais pteridófitas (forma da folha) e das
gimnospérmicas (sementes).
Mecanismos de evolução
Argumentos paleontológicos

Séries filogenéticas ou ortogenéticas – são


conjuntos de fósseis de organismos
pertencentes a uma mesma linha evolutiva
(geralmente géneros ou espécies), revelando
uma “tendência evolutiva” constante numa dada
direção, ao longo de um prolongado período de
tempo, como no caso do cavalo ou do elefante.
Mecanismos de evolução
Argumentos paleontológicos

Série filogenética (ou


série ortogenética)
Mecanismos de evolução
Argumentos anatómicos

Os argumentos anatómicos baseiam-se em estudos


de Anatomia Comparada, a qual realça as
semelhanças e as diferenças das estruturas
anatómicas dos indivíduos. A apoiar este argumento
encontram-se:
• os órgãos homólogos;
• os órgãos análogos;
• os órgãos vestigiais.
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Argumentos anatómicos
Estruturas homólogas
1. estruturas que têm uma origem embrionária idêntica,
2. apresentam uma organização estrutural idêntica,
3. dispostos segundo a mesma ordem,
4. mas que podem possuir forma diferente e
desempenhar funções diferentes.
5. Sugerem a existência de um ancestral comum.
6. Ex: braço do Homem, membrana alar do morcego, etc.
Mecanismos de evolução

A existência do órgãos
homólogos permite-nos
afirmar que existiu uma
evolução divergente.

Indivíduos de um grupo
ancestral comum
colonizam diferentes
habitats

Actuação de pressões
seletivas distintas –
para cada meio são
seleccionados os
indivíduos que
apresentam
características vantajosas
nesse meio.

Estruturas homólogas
Mecanismos de evolução

Estruturas homólogas
resultam da evolução
divergente.
Mecanismos de evolução
Argumentos anatómicos

Estruturas análogas
1. correspondem a estruturas que têm uma origem
embrionária diferente
2. e um plano de organização estrutural diferente,
3. no entanto, desempenham a mesma função.
4. Exs: as asas de um insecto e de uma ave; a cauda
da baleia e a barbatana caudal dos peixes; os
caules e folhas dos cactos e das eufórbias.
Mecanismos de evolução
A existência do órgãos
análogos permite-nos afirmar
que existiu uma evolução
convergente.

Indivíduos de diferentes
grupos (sem ancestral
comum) colonizam habitats
semelhantes.

Actuação de pressões
seletivas idênticas – para
cada meio são selecionados
os indivíduos que apresentam
estruturas que desempenham
funções semelhantes em
ambientes semelhantes.

Estruturas análogas
Mecanismos de evolução

Estruturas análogas resultantes da evolução convergente


Mecanismos de evolução
Argumentos anatómicos
Estruturas vestigiais
1. São órgãos atrofiados existentes em alguns s.v. ,
2. que não apresentam uma função evidente e são
desprovidos de significado fisiológico, (mas são
desenvolvidos e funcionais em outros organismos),
3. e indicam ancestralidade comum.
4. Exs: apêndice cecal, músculo que move a orelha
e dente do siso nos seres humanos.
Mecanismos de evolução
Argumentos anatómicos

Os órgãos vestigiais constituem um


argumento a favor do evolucionismo,
na medida em que evidenciam que
os seres sofreram alterações ao
longo do tempo.

Apêndice cecal - anexo do


intestino grosso, atrofiado e sem
função nos seres humanos, mas
grande e funcional em mamíferos
herbívoros.
Mecanismos de evolução
*
Mecanismos de evolução
Argumentos bioquímicos

1. Constituição de todos os organismos pelo


mesmo tipo de biomoléculas (prótidos, lípidos,
glícidos, ácidos nucleicos, etc.);
2. Intervenção do ADN e do ARN no mecanismo
global de produção de proteínas;
3. Universalidade do código genético que
coordena a síntese proteica;
4. A energia biológica (ATP) é a mesma para
todos os organismos;
5. Reações químicas ativadas por enzimas em
qualquer organismo.
Mecanismos de evolução Argumentos bioquímicos

Os estudos mais
frequentes são:
1. Análise de
proteínas (insulina,
hemoglobina,
citocromo C, etc. );
2. Hibridação do
ADN.

Comparação da composição em aminoácidos da proteína citocromo C.


Mecanismos de evolução
Argumentos bioquímicos

Relações evolutivas hipotéticas entre


seres humanos e os seus “parentes” mais
próximos baseadas em dados de
hibridação de ADN.
Mecanismos de evolução

Bonobo ou chimpanzé
pigméu. Em termos de
hibridação de ADN
(argumento bioquímico)
é o primata mais
próximo do ser humano.
Mecanismos de evolução
Argumentos citológicos

1. Baseiam-se na teoria celular.


2. Todos os organismos são constituídos por células.
3. A célula é a unidade funcional e estrutural com
metabolismo semelhante em seres vivos muito
diferentes  indicativo de origem comum.
Mecanismos de evolução
Argumentos embriológicos

O estudo comparado de embriões revela


semelhanças nas primeiras fases de
desenvolvimento embrionário e estruturas comuns
em embriões de diferentes grupos.

1 2 3 4

Qual dos embriões acima representados vos parece que seja humano?
Mecanismos de evolução
Argumentos embriológicos

Quanto mais longas forem as fases de


desenvolvimento embrionário em comum entre dois
organismos, filogeneticamente mais próximos estão
esses indivíduos, isto é, são mais aparentados.
Argumentos embriológicos
Mecanismos de evolução
Mecanismos de evolução
Argumentos embriológicos
Mecanismos de evolução Argumentos biogeográficos

Baseiam-se na observação de seres vivos em diferentes


áreas geográficas.

Distribuição geográfica
As espécies tendem a ser tanto mais semelhantes quanto
maior for a sua proximidade geográfica. Quanto mais
isoladas maiores são as diferenças entre si.

Mamíferos do continente
australiano.
Só se compreendem as diferenças
encontradas nos mamíferos
australianos em relação aos dos
restantes continentes tendo em
conta que, depois da separação
dos continentes, os mamíferos
evoluíram de forma independente.
Mecanismos de evolução
Evolucionismo

Lamarck (1744 – 1829)


Naturalista francês que foi o
primeiro a apresentar uma teoria
explicativa sobre os mecanismos
da evolução.

A teoria explicativa de Lamarck


baseou-se nas leis:
• do uso e do desuso
• da herança dos caracteres
Jean-Baptiste Pierre Antoine de Monet,
cavaleiro de Lamarck (1744 – 1829) adquiridos
Mecanismos de evolução
Lamarckismo
Teoria evolucionista de Lamarck ou
lamarckismo

1. As alterações do meio promovem no


indivíduo a necessidade de se adaptar
(procura da perfeição) => o indivíduo é a
unidade de evolução.

2. Para se adaptarem `s características do


meio, os organismos usam alguns órgãos,
que deste modo se desenvolvem, e não
usam outros o que leva ao seu
atrofiamento – lei do uso e do desuso.

3. Os caracteres adquiridos por cada


indivíduo são transmitidos à descendência
– lei da transmissão/ herança dos
caracteres adquiridos.
Lamarckismo

Pelo facto de esticarem sempre o


pescoço para atingir a folhagem
das árvores, o pescoço alongou-se
Esta característica adquirida era
transmitida aos seus descendentes.
Lamarckismo

Finalmente, o contínuo esticamento


do pescoço deu origem às girafas
actuais. Portanto, pelo uso de um
órgão e pela transmissão das
características adquiridas houve
evolução.
Mecanismos de evolução
Lamarckismo

Críticas ao Lamarckismo
• Aspectos como “necessidade de
adaptação” ou “procura da perfeição” não
se conseguem testar.
• As modificações provenientes do uso e do
desuso dos órgãos são adaptações
individuais.
• A herança dos caracteres adquiridos não se
verifica experimentalmente.
• Nem sempre o uso de um órgão lhe provoca
alterações.
Lamarckismo

Mudanças ambientais

Necessidade de
adaptação
Uso - desenvolvimento
dos órgãos
Novos comportamentos
Desuso – atrofia dos
órgãos
Modificações nos
indivíduos

Transmissão das características


adquiridas aos descendentes

“ O meio provoca mudanças


Adaptação das espécies ao dirigidas nos indivíduos,
longo das gerações visando adaptações”