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Tubulão

Definição (NBR-6122/96 ABNT):


Elemento de fundação profunda, cilíndrico, em que, pelo menos na sua etapa
final, há descida do operário. Pode ser feito a céu aberto ou sob ar comprimido
(pneumático) e ter ou não base alargada. Pode ser executado com ou sem
revestimento, podendo este ser de aço ou de concreto. No caso de revestimento
de aço (camisas metálicas), este poderá ser perdido ou recuperado.
Fundações e Empuxos de Terra

NT
Tubulões a Céu Aberto
São empregados em solos coesivos acima do nível d´água, constituindo-se de
poços escavados em geral manualmente até o horizonte resistente, onde se
assenta uma base de diâmetro maior que seu fuste. Após a escavação o poço é
preenchido com concreto simples ou armado. A escavação pode ocorrer com ou
sem escoramento lateral.
Para a execução de tubulões abaixo do nível d´água, deve-se proceder o
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rebaixamento do lençol, tomando-se cuidado com as forças de percolação,


prejudiciais à estabilidade da escavação.

d
d ≥ 70cm
(diâmetro mínimo para permitir
h a entrada e saída de operário)

D
Deve-se adotar um alargamento de base que dê origem a uma inclinação tal que não haja
necessidade de armadura na base. Usa-se normalmente uma inclinação de 60º.

Conveniente adotar: h ≤ 2m
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Tubulões a Céu Aberto


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Tubulões a Céu Aberto


Tubulões Pneumáticos

São empregados para tornar


possível a escavação abaixo do
lençol freático, aplicando-se ar
comprimido com uma pressão
equivalente à pressão da água
intersticial.
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Em solos arenosos a pressão é


ligeiramente superior para
compensar as perdas de carga e
as perdas de ar, e também para
favorecer a estabilidade.
Em solos argilosos a pressão
aplicada pode ser pouco menor
do que a pressão neutra. Devido
aos riscos e custos envolvidos,
nota-se uma tendência de
redução de sua utilização.
A escavação é feita no interior do revestimento,
geralmente manualmente (podendo ser feita
mecanicamente), a céu aberto, até que seja atingido o
lençol d’água. A partir deste ponto, é instalada no
revestimento uma campânula de chapa de aço, própria
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para trabalhos em condições hiperbáricas (sob ar


comprimido), sendo conectada a um compressor
instalado próximo ao tubulão.
Durante a compressão, o sangue
absorve mais gases do que a
pressão normal. Se ocorrer uma
descompressão muito rápida, o gás
absorvido em excesso no sangue
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pode formar bolhas, que podem


ocasionar dores e até morte do
operário por embolia pulmonar. Para
evitar qualquer problema, antes de
voltar à pressão normal
(atmosférica) o operário é
submetido a um processo de
descompressão lenta (nunca inferior
a 15 min) numa câmara de
descompressão.
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Desvantagens dos tubulões pneumáticos:

 Alto custo por volume unitário escavado;


 Exigências de segurança, rigorosas;
 Grande perda de tempo nos ciclos compressão/descompressão, necessários
para evitar problemas de saúde nos operários;
 Elevados investimentos em seguros;
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 As condições de trabalho são limitadas a 35 m abaixo do nível d´água (P=


3,0 Kg/cm2). Para atingir maiores profundidades, deve-se proceder ao
rebaixamento do lençol freático nas proximidades do tubulão.

Cuidados normativos a serem obedecidos nos trabalhos em tubulões


peneumáticos:
Norma Regulamentadora nº 15 da Portaria nº 3214 do Ministério do
Trabalho - Atividades e Operações Insalubres
anexo n.º 6 -trabalho sob condições hiperbáricas
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Vantagens do uso de tubulões:

 Custos de mobilização e desmobilização menores do que o de bate-estacas e


outros equipamentos;
 O processo construtivo produz vibrações e ruídos de muito baixa intensidade,
o que é muito importante para obras urbanas próximas a edifícios;
 Relativa facilidade de inspeção do solo retirado durante a escavação, para
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comparação às condições de subsolo previstas no projeto;


 O diâmetro e o comprimento dos tubulões podem ser modificados durante a
escavação para compensar condições de subsolo diferentes das previstas;
 Possibilidade de apoio de cada pilar em fuste único, eliminando a
necessidade de diversas estacas e de bloco de coroamento;
 As escavações podem atravessar solos com pedras e matacões,
especialmente para grandes diâmetros, sendo possível até penetrar em
vários tipos de rochas.
Fundação da ponte JK - Brasília
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Dimensionamento do tubulão:
O princípio básico para o dimensionamento de fundações em tubulões é que deve
ser obedecido o critério de que o centro de gravidade da área do fuste e da área
da base do tubulão deve coincidir com o ponto de aplicação da carga do pilar.
De maneira geral, basta um tubulão para transferir a carga do pilar para o terreno
de apoio.
Considerando-se que os tubulões não são cravados no solo, eles não apresentam
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um perfeito contato com o mesmo. Em conseqüência, tem sido prática usual


desprezar a resistência por atrito lateral.

A área do fuste é calculada analogamente a um pilar: P

P πd 2 P
d=
4P d
Af = ∴ =
σc 4 σc πσ c

h
onde
Af = área do fuste do tubulão D
P = carga suportada pelo tubulão
σc= tensão admissível do concreto
Área da base:

P Circular Em forma de falsa elipse

d
d D b
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h x
D a
onde a
P ≤ 2,5
Ab = Ab = área da base do tubulão b
σs σs= tensão admissível do solo

πD 2 P 4P
Se a base tiver seção circular: = ∴D =
4 σs πσ s

Se a base tiver seção de falsa elipse:


πb 2
P
+ bx =
4 σs
Para o dimensionamento da altura da base do tubulão sem haver a necessidade
de armação na base, ou, para que as tensões de tração sejam absorvidas pelo
próprio concreto, a inclinação da parede deve ser calculada como:

tg α ≥ σadm +1
α σt
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σt pode ser considerado igual a fck /10

Na prática usa-se geralmente uma inclinação igual a 60°, o que resulta em


uma altura de base igual a: 0,866(D-d)

Pode-se calcular o volume da base, assimilando-a a um tronco de cone com


altura (H - 20) cm, superposto a um cilindro de altura 20 cm, ou seja:

No caso de bases em forma de falsa elipse essa fórmula não é válida,


costumando-se adotar 1,55 vez o volume da base de diâmetro médio.
Experiência profissional brasileira:

σ s = 20 N + σ vb (kPa ) ≤ 40kPa Solos não coesivos

σ s = 25 N + σ vb (kPa ) Solos coesivos

Onde
σ´vb = tensão geostática vertical efetiva na cota de apoio do tubulão
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σs = tensão admissível do solo na cota de apoio do tubulão


Ñ = SPT médio abaixo da cota de apoio do tubulão numa faixa de espessura igual ao
diâmetro da base alargada para solos não coesivos e igual a 2B para solos coesivos.
* Aconselha-se lançar o tubulão em solos com SPT > 15

Q = Rp  Q = Ap.σR

σR = (c.Nc + γ.z.Nq) .Sc.dc

onde: Nc, Nq, Sc e dc são os fatores utilizados na fórmula de Hansen para


fundações superficiais.
Para tubulões apoiados sobre solos argilosos, é recomendável que a
tensão de trabalho na base do tubulão seja inferior à pressão de pré-
adensamento da argila, para que os recalques, correspondentes à
carga aplicada pelo tubulão, não sejam provenientes do
adensamento da camada de argila ao longo da reta de compressão
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virgem.

No caso de tubulões com bases assentes em cotas variáveis, deverão


ser executados iniciando-se pelos mais profundos, passando-se a
seguir para os mais rasos.
Deve-se evitar trabalho simultâneo em bases alargadas de tubulões,
cuja distância, de centro a centro, seja inferior a duas vezes o
diâmetro (ou dimensão) da maior base, valendo esta recomendação
tanto para a escavação quanto para a concretagem, sendo
especialmente importante quando se tratar de tubulões a ar
comprimido.

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