Você está na página 1de 8

Universalidade da Cobertura e do

atendimento
Trata-se de uma norma programática, que pode ser desdobrada em
duas, veja:

o Universalidade da cobertura
→ Universalidade objetiva
→ Riscos sociais
Todos os riscos sociais (infortúnios da vida) receberão a cobertura
da seguridade social. Exemplo: trabalhador que caiu de cima de um
prédio alto e morre. Nesse caso, a morte por ser um infortúnio da
vida, deve estar coberta pela seguridade social.
o Universalidade do atendimento
→ Universalidade subjetiva
→ Pessoas
Todas as pessoas residentes no país têm direito ao atendimento da
seguridade social.
Perceba com atenção como já caiu na prova da CESPE (TRF5 –
Juiz Federal - 2015):
A universalidade de cobertura restringe-se ao aspecto objetivo da
seguridade social, ao passo que a universalidade de atendimento,
ao aspecto subjetivo. Certo ou errado?
Errado! O que torna a questão errada é a palavra “restringível”.
O princípio da universalidade da cobertura e do atendimento
não é restringível. Pelo contrário, ele é universal, não é
mesmo?!

Uniformidade e equivalência dos


benefícios e serviços às populações
urbanas e rurais
Esse princípio traduz a ideia de que não pode haver discriminação
entre as populações urbanas e rurais. É importante lembrar, nessa
senda, que nem sempre houve uniformidade entre essas
populações, vez que a uniformidade é diretriz trazida pela CF de
1988. Para isso, basta lembrar da Lei Funrural (surgida apenas na
década de 1960), altamente discriminatória, eis que enquanto os
empregados urbanos ganhavam um salário mínimo de benefício; os
rurais, apenas a metade.

A propósito já caiu na CESPE (DPE – Defensor Púbico - 2013) a


seguinte assertiva:
O princípio da uniformidade e equivalência dos benefícios e
serviços às populações urbanas e rurais sempre norteou a
seguridade social brasileira, e, desde a criação da previdência
social no país, não há discriminação entre trabalhadores urbanos e
rurais. Certo ou Errado?
Errado, pois até a CF de 1988 não havia uniformidade.
o Equivalência dos benefícios → o valor pecuniário deverá
ser equivalente.
Diz respeito à necessidade de o valor pecuniário (econômico) entre
a população urbana e rural ser equivalente. A CF de 1988 não usou
o termo “igual”, pois nem mesmo entre a população urbana os
valores dos benefícios são iguais. Em relação à aposentadoria, por
exemplo, os valores que cada pessoa recebe varia de acordo com
os fatores que influenciam no cálculo do benefício.

o Equivalência dos serviços → Bem imaterial → qualidade


do serviço
A equivalência dos serviços não possui relação com a prestação
pecuniária. Essa equivalência pode ser vista como um bem
imaterial posto à disposição do beneficiário da seguridade social, a
qual se relaciona com a qualidade do serviço a ser prestado. Isso
quer dizer, em suma, que a qualidade do serviço prestado à
população urbana deve ser a mesma da prestada ao rural.

Seletividade e distributividade na
prestação de serviços
o Seletividade na prestação de serviços
Significa que o legislador deve selecionar os riscos sociais que
maior sofrimento estão causando para a população e também a sua
devida prestação.

o Distributividade na prestação dos serviços


Diz respeito à necessidade de o Sistema de Seguridade Social
atuar como elemento distribuidor de renda, o que só pode ser feito
nos termos da Lei. Exemplo disso, é a previsão constitucional de
que o salário-família e o auxílio-reclusão sejam concedidos apenas
aos dependentes do segurado de baixa renda.

Sobre essa assunto, a CESPE (TRF 5 – Juiz federal – 2015)


considerou certa a seguinte frase:
A distributividade na prestação dos serviços visa evitar, entre outros
efeitos, a concentração de atendimento em certas regiões do país
em detrimento de outras.
Isso se deve ao fato de a distributividade ser entendida como
um sistema realizador da justiça social, sendo instrumento da
desconcentração de riquezas. Nesse sentido, especialmente os
mais necessitados devem ser contemplados com as
prestações da seguridade social. Por essa razão, ainda que
uma região arrecade menos que outra, estará coberta pela
seguridade social, com fundamento nesse princípio.

Irredutibilidade do valor dos benefícios


Esse princípio aduz que as prestações devem manter o seu valor
original. Em regra, em uma acepção mais ampla, é preciso entender
que a CF/1988 protege o beneficiário contra a irredutibilidade
do valor real e nominal dos benefícios. Entretanto, o STF
interpreta esse princípio de forma mais restritiva, de modo que a
irredutibilidade diz respeito apenas ao valor nominal dos
benefícios.
Mas por que se pode afirmar que da CF é possível extrair uma
interpretação mais ampla? Porque assim dispõe o parágrafo 4º, do
artigo 201, em que é assegurado o reajustamento dos benefícios
para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme
critérios definidos em lei.

O que se deve cuidar na hora da prova?


Se a questão não fizer menção à jurisprudência, estará se
referindo à irredutibilidade que visa à preservação do valor real
e nominal dos benefícios. Por outro lado, se a questão se
basear em jurisprudência, trata-se apenas de irredutibilidade
do valor nominal.
Por essa razão, a questão abaixo foi considerada errada pela
CESPE (AGU – ADVOGADO – 2015), veja:
Conforme a jurisprudência do STF, a irredutibilidade do valor dos
benefícios é garantida constitucionalmente, seja para assegurar o
valor nominal, seja para assegurar o valor real dos benefícios,
independentemente dos critérios de reajuste fixados pelo legislador
ordinário.

Sintetizando:

EQUIDADE NA FORMA DE
PARTICIPAÇÃO NO CUSTEIO
A equidade é a igualdade material, ou seja, aquela que respeita
as diferenças. Está relacionada ao princípio da capacidade
contributiva, a qual cada pessoa deve contribuir, conforme sua
capacidade.
Veja exemplo desse princípio dado pela CESPE (TRT 5 –
Juiz do trabalho - 2013):
Excetuados determinados setores da economia, verifica-se, no
financiamento da seguridade social, que os empregadores, em geral,
pagam uma contribuição previdenciária incidente sobre folha de
remuneração de pessoal, em percentual superior ao deduzido dos
vencimentos dos trabalhadores respectivos. Essa diferenciação
decorre da equidade na forma de participação no custeio.

Diversidade da base de
financiamento
Significa que a seguridade social terá diversas fontes de
financiamento/receita/custeio. A CF de 1988 foi a primeira a utilizar
esse termo.

A CESPE (INSS – Analista do Seguro Social – 2008) já


considerou certa a seguinte assertiva:
A importância da proteção social justifica a ampla diversidade
da base de financiamento da seguridade social. Com o objetivo de
expandir ou de garantir a seguridade social, a lei poderá instituir
outras fontes de financiamento, de acordo com o texto constitucional.
Para melhor entendimento desse princípio vamos analisar
o artigo 195, CF:
A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma
direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos
provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:
o Forma indireta: mediante recursos provenientes dos entes
federativos
o Forma direta: contribuições sociais
4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a
manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o
disposto no art. 154, I.

Duas observações devem ser feitas a respeito desse artigo e de


seu quarto parágrafo:

1. São somente as fontes previstas do caput do artigo 195 que


existem? Não, existem outras, conforme menciona o
parágrafo 4º.
2. O parágrafo 4º refere que a “lei” poderá criar outras fontes,
mas que espécie de lei é essa, ordinária ou
complementar? Trata-se de lei complementar, veja:
Quando se tratar de contribuições sociais previstas no artigo
195, poderão ser criadas as respectivas fontes por meio de lei
ordinária. Por outro lado, quando se tratar de outras fontes,
nos termos do parágrafo 4º, do mesmo dispositivo, deverão ser
criadas por meio de lei complementar, pois assim determina o
artigo 154, I.

Caráter democrático e
descentralizado da administração,
mediante gestão quadripartite, com
participação dos trabalhadores, dos
empregadores, dos aposentados e do
Governo nos órgãos colegiados.
O que você deve cuidar em relação a esse princípio é que o
examinador, por vezes, irá alterar as palavras-chaves:

o Democrático
o Descentralizado
o Gestão quadripartite
o Quatro segmentos da sociedade:
1. Trabalhadores
2. Empregadores
3. Aposentados
4. Governo

Fundamentação:
194, da Constituição Federal. A seguridade social compreende um
conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da
sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à
previdência e à assistência social.

Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei,


organizar a seguridade social, com base nos seguintes objetivos:

I - universalidade da cobertura e do atendimento;

II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às


populações urbanas e rurais;

III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e


serviços;

IV - irredutibilidade do valor dos benefícios;

V - eqüidade na forma de participação no custeio;

VI - diversidade da base de financiamento;

VII - caráter democrático e descentralizado da administração,


mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores,
dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos
colegiados.