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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DE UMA DAS

VARAS CIVEIS E DO CONSUMIDOR DA COMARCA DE ITABUNA-BA.

GEÓRGIA DAMASCENO FIGUEIREDO, brasileira,


solteira, advogada, inscrita sob o CPF º 926783515-72, e no RG nº 06915999-
80 SSP/BA, residente à Rua João Timóteo, nº 47, Bairro Castália, CEP 45.603-
080, Itabuna-BA, vem perante Vossa Excelência, EM CAUSA PROPRIA, propor

AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDEBITO C/C REPARAÇÃO DE DANOS


MORAIS MAIS PEDIDO DE TUTELA URGENCIA

contra EMASA - EMPRESA MUNICIPAL DE ÁGUAS E SANEAMENTO S.A,


pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº 34079590/0001-01,
e inscrição estadual nº 28.859.639 NO, com endereço na Rua Adolfo Maron, nº
18, Centro, CEP 45.600-060, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:

I - DOS FATOS

1.1. A Autora, que está na condição de consumidora, fora surpreendida por


uma conta consumo, do junho de 2018, desse mesmo mês, no valor de R$ 81,67
(oitenta e um reais e sessenta e sete centavos), com consumo de água 4 m3, o
que considerou estranho, vez que sua casa se encontrava fechada desde o mês
de fevereiro de 2018. Até aí relevou, visto que o valor, mesmo não aceitável, não

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era exorbitante. Tanto que no mês seguinte, julho de 2018, o consumo foi de 1
m3.

1.2. Ocorre que, no mês seguinte, agosto de 2018, ainda com a casa
completamente desabitada, foi enviada uma conta no valor de R$ 161,88 (cento
e sessenta e um reais e oitenta e oito centavos), atribuindo um falso consumo
de 21 m3, e, no mês subsequente, setembro de 2018, cobraram a soma de R$
115,60 (cento e quinze reais e sessenta centavos), com um consumo de 17 m3.
E não só isso!

1.3. Não bastasse as cobranças inaceitáveis dos meses acima citados, no mês
de outubro a situação ficou ainda mais absurda: a Ré imputou à Autora uma
cobrança no valor de R$ 320,55 (trezentos e vinte reais e cinquenta e cinco
centavos), identificando um consumo de 32 m3 à fatura. Algo completamente
absurdo e abusivo.

1.4. Diante desse quadro, a Autora se dirigiu até um dos postos de atendimento
da EMASA e solicitou a revisão dos valores das contas de agosto, setembro e
outubro/2018, justificando não ter havido um consumo desse montante e por isso
não deveria pagar o referido valor. Contudo, não obteve êxito, pois tudo que
alegaram era a possibilidade de parcelamento da conta, e ainda com juros. O
que não se pode admitir!

1.5. Ora, Vossa Excelência, conforme a própria EMASA, o consumo da parte


Autora varou entre 4 a 7 m3 em 2017, conforme é possível observar a ilustração
contida na conta de março/2018; e, em 2018, por 2 meses, a conta veio zerada,
sem qualquer consumo. Assim, não se justifica um gasto de 21, 17 e nem de
32 m3. O histórico do consumidor é a prova de cabal de nunca houve consumos
desse montante.

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1.6. No histórico de consumo da Autora, nesses últimos anos, o máximo de
consumo atingido foi de 7 m3. Posto que o mês de abril de 2018, não pode servir
como parâmetro, pois o local estava fechado desde fevereiro/2018.

1.7. Lembrando que: a residência da Autora não possui problema algum em


toda na sua rede hidráulica.

1.8. A Empresa, por ser a única em fornecer o serviço em toda região


metropolitana, tem o habito de compelir o consumidor a pagar uma conta,
mesmo que irreal, e apenas dá alternativa de parcelamento da “dívida”, ao invés
de corrigir seu próprio o erro. Fato inaceitável que não pode prosperar.

1.9. Além disso, no período de alto consumo, como os meses de alto verão,
o máximo de consumo atingido é de 4 m3, não mais que isso. Portanto, está
claro que houve um erro de medição e consequentemente na apontada
cobrança.

Diante dos fatos e dos diversos erros praticados na


prestação de serviços, é possível verificar que as falhas cometidas pela empresa
Ré são muitas, o que põe em cheque a veracidade do consumo imputado à
mencionada fatura.

1.10. Dessa forma, em vista da dificuldade de resolver o problema junto a


EMASA, a Autora, não teve outra alternativa senão procurar o judiciário para
resolver esse litigio.

1.11. Dessa maneira, a parte Autora propõe a Ré que os pagamentos dessas


faturas sejam feitos: ou pagamento mínimo da taxa de manutenção, visto que a
residência se encontra fechada desde fevereiro/2018, ou que seja cobrada na
média de consumo do presente ano, algo entre 2 e 4 m3 mais a repetição de
indébito em dobro dos valores pagos em excesso.

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II - DO DIREITO

A - DA APLICAÇÃO DO CDC

2.1. Segundo a Lei nº 8.078/90, consumidor é toda pessoa física ou jurídica que
adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final (artigo 2º) e
fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou
estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem
atividades de produção, montagem, criação, construção, transformação,
importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos e prestação
de serviços (artigo 3º).

2.2. De resto, o Artigo 81, parágrafo único e II, do CDC, estabelece que:

Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e


das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a
título coletivo.

Parágrafo único - A defesa coletiva será exercida quando se


tratar de:
...
II- interesses ou direitos coletivos, assim entendidos para efeitos
deste Código, os transindividuais de natureza indivisível de que
seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre
si ou com a parte contrária por uma relação jurídica de base;

2.3. Dessa maneira, a parte Autora, tem legitimidade ativa desta ação de
cobrança, uma vez que utiliza do serviço de abastecimento de água como
destinatário final, assim como, será cabível que a Ré figure no polo passivo, uma
vez que presta serviços de saneamento e distribuição de água.

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B - DA COBRANÇA INDEVIDA, REPETIÇÃO DO INDEBITO

2.4. A responsabilidade objetiva, consubstanciada no artigo 37, § 6º da CF, diz


que:
Art. 37. Omissis.
...
§6º. As pessoas jurídicas de direito público e as de direito
privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos
danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável
nos casos de dolo ou culpa.

2.5. Na hipótese em questão, ficam notórios que a Empresa/Ré agiu com


negligência e desídia quanto à adoção das medidas ao seu alcance para prestar
um serviço com padrões de qualidade e regularidade adequados à sua natureza,
inclusive e especialmente, aquelas que viessem a preservar o consumidor de
elevados e consideráveis prejuízos. Por conta disso, deve a Ré ser condenada
a cobrar as faturas agosto, setembro e outubro na média de consumo da
Autora, algo entre 2 a 4 m3, e a devolver aquilo que foi pago em excesso
nas faturas de agosto e setembro/2018, em dobro, com aplicação do art. 42,
parágrafo único, do CDC.

Art. 42. Omissis


Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida
tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do
que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros
legais, salvo hipótese de engano justificável.

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C - DOS DANOS MORAIS

2.6. Assim, configura a cobrança indevida no momento em que a Ré lançou a


tarifa de cobrança de consumo de água num valor exorbitante e desconexo com
o consumo geral e anual (documentos anexos). Portanto, impõe-se
a Requerida, pelo fato por ter cobrado quantias indevidas, e a mais do que
tinha direito, a obrigação de indenizar a Requerente, de acordo com os
mandamentos legais. Vejamos o que diz o CCB:

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária,


negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Art. 940. Aquele que demandar por dívida já paga, no todo ou


em parte, sem ressalvar as quantias recebidas ou pedir mais do
que for devido, ficará obrigado a pagar ao devedor, no primeiro
caso, o dobro do que houver cobrado e, no segundo, o
equivalente do que dele exigir, salvo se houver prescrição.

2.7. A reparação que obriga o ofensor a pagar, e permite ao ofendido receber, é


princípio de justiça, com feição, punição e recompensa, dentro do princípio
jurídico universal que adote que ninguém deve lesar ninguém. Desta maneira:

"Todo e qualquer dano causado a alguém ou ao seu


patrimônio, deve ser indenizado, de tal obrigação não
se excluindo o mais importante deles, que é o DANO
MORAL, que deve automaticamente ser levado em
conta." (V.R. Limongi França, Jurisprudência da
Responsabilidade Civil, Ed. RT, 1988).

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Nesta modalidade de reparação, Culto Magistrado, não se
trata de pagar o transtorno e a angústia causada à Autora, mas sim de dar ao
lesado os meios derivativos, com que se aplacam ou afugentem esses males,
através de compensação em dinheiro, o quantum satis, a fim de se afastar os
sofrimentos ou esquecê-los, ainda que não seja no todo, mas, ao menos, em
grande parte.

Desta forma, a conduta imoral e abusiva, enseja uma


reparação, pois os atos ilícitos praticados pela Ré acabaram causando reflexos
na tranquilidade, segurança e credibilidade no mercado que tinha a Autora.

2.8. Observe-se que além de ter um direito lesado, a Autora ficou


completamente transtornada com a falta de respeito e honestidade do Réu,
que a ludibriou várias vezes fingindo imputando um crescente e injustificado
consumo, como se a mesma não fosse perceber, desconhecendo que a
Requerente há meses está fora de casa, o que veio a causando transtornos e
angustia de toda ordem à Requerente. Uma atitude, além de desonesta, ilícita.

Sendo assim, resta efetivamente caracterizada a conduta


ilícita da Ré, dando ensejo à reparação do dano moral, além do Dano Material,
afim de satisfazer a dor da vítima, e impor a Ré uma sanção que lhe desestimule
e iniba a prática de atos lesivos à personalidade de outrem.

2.9. Desse modo, em vista do mal-estar, quando da aflição da Autora no


pagamento de fatura exorbitante, o que causa um temor de ficar sem o
abastecimento de água, e do descaso da Ré em resolver o erro por ela
provocado, constitui causa suficiente para a obrigação de reparar o dano moral,
até mesmo para reprimir a conduta da Ré.

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Pelos fatos acima demonstrados, é patente o direito da
parte Autora, quer seja no direito receber os créditos devidos, assim como do
clarividente dano moral sofrido.

III – DOS PEDIDOS DE TUTELA URGÊNCIA

3.1. Além do prejuízo material, provocado pelos atos ilícitos praticados pela
Requerida, ao um cobrar valor exorbitante em sua conta de consumo, se torna
inaceitável arcar com uma despesa no valor de R$ 320,55 (trezentos e vinte reais
e cinquenta e cinco centavos).

3.2. Diante disso, invoca o artigo 300, inciso I do NCPC em sua defesa, para
que não seja suspenso o abastecimento de agua até que as partes entrem
em acordo ou até decisão final do processo acerca dos valores a serem
realmente pagos.

Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando


houver elementos que evidenciem a probabilidade do
direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do
processo.

3.3. No caso sub judice, todos os requisitos exigidos pela lei processual para o
deferimento da tutela de urgência encontram-se reunidos.

3.4. De fato, não há que se questionar sobre a verossimilhança das alegações


aduzidas, que restou fartamente comprovado pela documentação constante nos
autos. A seu turno, o perigo de dano irreparável ou, no mínimo, de difícil
reparação, encontra-se consubstanciado no perigo de suspensão do
fornecimento de água, vez que a Autora vem pagando contas que não reconhece
como justas até então.

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3.5. Diante o exposto, requer a concessão da TUTELA DE URGENCIA, no
sentido de EVITAR QUE HAJA A PARALISAÇÃO DO FORNECIMENTO DE
ÁGUA, até que fique definido qual o valor da quantia a ser paga na fatura de
outubro/2018 e que reste demonstrado a inexistência de dívida em aberto, vez
que as faturas de agosto e setembro/2018, também exorbitantes, foram pagas
além daquilo que a parte consumidora historicamente gasta.

IV - DOS PEDIDOS

Isto exposto, requer:

A) que sejam DECLARADAS INVEDIDAS AS COBRANÇAS DAS FATURA DE


AGOSTO, SETEMBRO E OUTUBRO/2018, tendo em vista o histórico de
consumo da Autora, perfazendo a cobrança num valor justo e condizente com o
consumo anual. Decidindo:
1. ou que pagamento seja feito segundo a taxa de manutenção, visto que a
residência se encontra fechada desde fevereiro/2018,

2. ou que seja cobrada na média de consumo do presente ano, algo entre 2 e 4


m3 mais a repetição de indébito em dobro dos valores pagos em excesso,
nas faturas de agosto e setembro/2018;

B) que seja deferido os pedidos de TUTELA DE URGENCIA no sentido de


EVITAR QUE HAJA A PARALISAÇÃO DO FORNECIMENTO DE ÁGUA, até
que fique definido qual o valor justo a ser pago na fatura de outubro/2018;

C) que a Ré seja condenada ao pagamento de valor pecuniário, a ser arbitrado


por V. Exa., a título de REPARAÇÃO PELOS DANOS MORAIS causados à
parte Autora, como consequência do estorvo causado pela cobrança indevida e
imputação de contas excessivas ao consumidor, que está desde fevereiro/2018
com sua residência fechada;

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D) a citação da Ré, na forma lei, para comparecer à audiência pré-designada, a
fim de responder à proposta de conciliação ou querendo e podendo, conteste a
presente peça exordial, sob pena de revelia e de confissão quanto à matéria de
fato;

E) produção de todas as provas necessárias à instrução do feito, principalmente


a juntada dos documentos que instruem a inicial.

V - DO VALOR DA CAUSA

Dá-se a causa o valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais),


para fins meramente fiscais.

Termos que
Pede Deferimento.

Salvador, 21 de outubro de 2018.

GEÓRGIA D. FIGUEIREDO
OAB/BA 30.139

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