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Objetiva MPF 2016 1ª Rodada Objetivas MPF 2016

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1. (EMAGIS) DENTRE OS ENUNCIADOS ABAIXO, ESTÃO CORRETOS:

I – A teoria interna dos direitos fundamentais adota a separação entre o conteúdo do direito e limites que lhe são impostos do exterior, oriundos de outros direitos.

II – A teoria externa busca a superação dos conflitos de direitos fundamentais por meio da delimitação, num primeiro momento, do direito prima facie envolvido e, em seguida, por meio da investigação da existência de limites justificáveis impostos por outros direitos de modo a impedir que o direito aparente seja considerado um direito definitivo.

III – O STF já admitiu a chamada ponderação de segundo grau, ou seja, apesar de a regra de colisão já ter sido previamente estabelecida na Constituição (e o constituinte ter ponderado a limitação dos direitos em colisão), submeteu-se essa regra a uma nova ponderação.

IV - A proteção do conteúdo essencial consiste no reconhecimento da existência de núcleo permanente, que não pode ser afetado de forma alguma, em todo direito fundamental.

(a) I, II, III e IV

(a)

I, II, III e IV

(b) II, III e IV

(b)

II, III e IV

(c) II e III

(c)

II e III

(d) IV

(d)

IV

(a) I, II, III e IV (b) II, III e IV (c) II e III (d)

Comentários

I – O enunciado está incorreto, pois descreve a teoria externa dos direitos fundamentais. Para a teoria interna, os conflitos de direitos fundamentais são apenas aparentes, sendo superados por interpretação sistemática e finalística, que determina o verdadeiro conteúdo dos direitos envolvidos e a adequação desse conteúdo à situação fática analisada. Já para a teoria externa, é possível a colisão de direitos. O enunciado teve como fonte a obra Curso de Direitos Humanos, de André de Carvalho Ramos (subcapítulo 7, capítulo III, parte I). O livro do professor André de Carvalho Ramos parece já ter sido fonte de questões elaboradas pela examinadora Deborah Duprat no 28o concurso para Procurador da República.

II – O enunciado está correto. Está em perfeita consonância com o que o professor André de Carvalho Ramos afirma sobre o tema em seu Curso de Direitos Humanos, (subcapítulo 7, capítulo III, parte I). Confira-se:

“A teoria externa adota a separação entre o conteúdo do direito e limites que lhe são impostos do exterior, oriundos de outros direitos. Essa teoria visa a superação dos conflitos de direitos dividindo o processo de interpretação dos direitos humanos em colisão em dois momentos.

dos direitos humanos em colisão em dois momentos. É expressamente proibida a divulgação deste material,
dos direitos humanos em colisão em dois momentos. É expressamente proibida a divulgação deste material,

É expressamente proibida a divulgação deste material, cuja utilização é restrita ao usuário identificado no presente documento. A sua indevida divulgação viola a Lei 9.610/98 e acarretará responsabilização civil e criminal dos envolvidos.

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No primeiro momento, delimita-se o direito prima facie envolvido, ou seja, identifica-se o direito que incide aparentemente sobre a situação fática. Nesse primeiro instante, o intérprete aprecia se a situação em análise encaixa-se em um conteúdo prima facie (aparente) de um determinado direito. Para tanto, o intérprete usa provisoriamente o direito de acordo com a literalidade do dispositivo, inclusive com as exceções previstas expressamente no texto da norma (por exemplo, ao se identificar o direito de reunião, o aprecia de acordo com as limitações expressas do texto da Constituição: “XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente”).

Caso a situação fática se amolde no texto prima facie do direito, o intérprete deve, em um segundo momento, investigar se há limites justificáveis impostos por outros direitos, de modo a impedir que o direito aparente (ou direito prima facie) seja considerado um direito definitivo.

Assim, há um procedimento de interpretação bifásico da teoria externa: os direitos inicialmente protegidos (direitos prima facie) são identificados, mas só serão efetivamente aplicados sobre a situação fática, caso não exista uma restrição justificável criada externamente por outro direito. Há uma compressão do direito prima facie por parte dos demais direitos, gerando sua delimitação definitiva”.

III – O enunciado está correto. Confira-se, mais uma vez, a lição do professor André de Carvalho Ramos em seu Curso de Direitos Humanos (subcapítulo 7, capítulo III, parte I):

a Constituição e os tratados de direitos humanos possuem alguns

direitos que são redigidos de forma determinada, levando em consideração a interação com outros direitos, fixando-se limites. Em relação a tais direitos que já se apresentam redigidos de forma mais precisa, com limites estabelecidos, a dúvida é a seguinte: é possível aplicar o critério de proporcionalidade e ponderar de novo também esse direito, mesmo diante do

“(

)

fato de que sua redação originária na Constituição Federal de 1988 já possui regras claras solucionando colisões?

) (

Em inquérito perante o STF, foi autorizado pelo Min. Cezar Peluso o ingresso de policiais durante a madrugada em escritório de advocacia, para instalação de escuta ambiental. O STF, por maioria, considerou lícita a conduta do Ministro Relator, apesar da clara previsão constitucional de que a entrada sem consentimento (e sem flagrante delito, desastre ou prestar socorro) só poderia ocorrer por ordem judicial e durante o dia.

) (

só poderia ocorrer por ordem judicial e durante o dia. ) ( É expressamente proibida a
só poderia ocorrer por ordem judicial e durante o dia. ) ( É expressamente proibida a

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Assim, utilizou-se a proporcionalidade e a concordância prática para justificar uma “ponderação de segundo grau”, ou seja, apesar de a regra de colisão já ter sido estabelecida pela Constituição (e o constituinte ter ponderado a limitação do direito à justiça e à verdade em face do direito à inviolabilidade domiciliar) o STF decidiu submeter essa regra (“durante o dia”) a uma nova ponderação e, tendo em vista o caso concreto, autorizou a invasão noturna do domicílio, uma vez que o escritório de advocacia estaria a serviço dos criminosos – justamente aproveitando do seu direito à inviolabilidade domiciliar – e a colocação da escuta ambiental seria inviável durante o dia”.

IV – O enunciado está correto. Veja-se o que afirma André de Carvalho

Ramos em seu Curso de Direitos Humanos (subcapítulo 8, capítulo III, parte

I):

“A

proteção do conteúdo essencial consiste no reconhecimento da existência

de

núcleo permanente, que não pode ser afetado de forma alguma, em todo

direito fundamental. Esse núcleo é intocável, constituindo-se em um “limite do limite” para o legislador e aplicador dos direitos humanos. A parte do direito

que pode ser regulada ou limitada é somente aquela que não faz parte desse núcleo inexpugnável”.

2. (EMAGIS) ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:

(a) Segundo o STF, gravação de conversa telefônica feita por um dos interlocutores, sem

(a)

Segundo o STF, gravação de conversa telefônica feita por um dos interlocutores, sem

conhecimento do outro, quando ausente causa legal de sigilo ou de reserva da conversação não é considerada prova ilícita.

(b) Para o STF, viola a Constituição Federal e a Convenção da Organização das Nações

(b)

Para o STF, viola a Constituição Federal e a Convenção da Organização das Nações

Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência exigir que a situação de deficiência seja um embaraço para o exercício das funções do cargo almejado.

(c) Segundo o STF, no âmbito do Programa Universidade para Todos, a desigualação em

(c)

Segundo o STF, no âmbito do Programa Universidade para Todos, a desigualação em

favor dos estudantes que cursaram o ensino médio em escolas públicas e os egressos de escolas privadas que hajam sido contemplados com bolsa integral não ofende a Constituição pátria, porquanto se trata de um discrímen que acompanha a toada de compensação de uma anterior e factual inferioridade (ciclos cumulativos de desvantagens competitivas).

(d) Para o STF, é constitucional a proibição às emissoras de rádio e televisão de

(d)

Para o STF, é constitucional a proibição às emissoras de rádio e televisão de uso de

trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação.

trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que degradem ou ridicularizem candidato, partido ou

Comentários

(a) A alternativa está correta é reflete o entendimento do STF na AI 578.858- AfR, Rel. Min. Ellen Gracie. Compilação interessante de julgados relevantes

do STF pode ser encontrada na parte IV do Curso de Direitos Humanos de

André de Carvalho Ramos. No 28o concurso para Procurador da República,

Ramos. No 28o concurso para Procurador da República, É expressamente proibida a divulgação deste material,
Ramos. No 28o concurso para Procurador da República, É expressamente proibida a divulgação deste material,

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a examinadora Deborah Duprat cobrou conhecimento de jurisprudência que pode ser encontrada na obra mencionada.

(b) A alternativa está correta e reflete o entendimento do STF no AgR no RO

em MS 32.732/DF, Rel. Min. Celso de Mello. A posição derrotada no STF

tinha como objetivo impedir que pessoas com pequenas deficiências se utilizassem da cota.

(c) A alternativa está correta e reflete o entendimento do STF na ADI 3.330,

Rel. Min. Ayres Britto.

(d) A alternativa está incorreta. Segundo o STF, no julgamento da ADI 4.451-

REF-MC, Rel. Min Ayres Britto, é inconstitucional a proibição às emissoras de

rádio e televisão de uso de trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação.

3. (EMAGIS) DENTRE OS ENUNCIADOS ABAIXO, ESTÃO CORRETOS:

I – No Caso Ellwanger, o STF decidiu que a liberdade de expressão protege mesmo manifestações de cunho anti-semita.

II – Os instrumentos internacionais de direitos humanos e as instituições encarregadas do seu monitoramento são em geral omissos quanto ao problema do hate speech, atribuindo a cada Estado tolerá-lo ou não.

III – A proibição do hate speech pode ser concebida não como vedação ao dissenso em relação

aos valores básicos da comunidade, mas como um instrumento necessário a garantia da integridade do próprio discurso público, que, para poder desempenhar o seu papel numa democracia marcada pelo pluralismo, deve estar estruturado sobre regras que assegurem o

reconhecimento da igual dignidade de todos os seus participantes.

IV - A Constituição de 88 não e libertária e não associa a liberdade humana a simples abstenção

estatal, o que ampara a pretensão estatal de coibir as manifestações que silenciem as vozes das suas vítimas, como as envolvidas no hate speech.

(a) I, II, III e IV

(a)

I, II, III e IV

(b) II, III e IV

(b)

II, III e IV

(c) III e IV

(c)

III e IV

(d) II

(d)

II

(a) I, II, III e IV (b) II, III e IV (c) III e IV (d)

Comentários

I – O enunciado está incorreto. No caso Ellwanger (HC 82.424/RS, Rel.

Min.

está incorreto. No caso Ellwanger (HC 82.424/RS, Rel. Min. É expressamente proibida a divulgação deste material,
está incorreto. No caso Ellwanger (HC 82.424/RS, Rel. Min. É expressamente proibida a divulgação deste material,

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Maurício Corrêa), já qualificado por integrantes do STF como o mais relevante julgado da história daquele tribunal em matéria de direitos humanos, decidiu-se que a liberdade de expressão não protege manifestações de cunho anti-semita, que podem ser objeto de persecução penal pela prática do crime de racismo. Observe-se que a examinadora Deborah Duprat tem especial predileção pela temática da liberdade de expressão e do hate speech (discurso do ódio). Confira-se resumo do Caso Ellwanger no seguinte trecho de artigo de Daniel Sarmento intitulado A liberdade de expressão e o problema do “hate speech”:

“Tratava-se de ação penal por crime de discriminação racial proposta contra Siegfried Ellwanger, que escrevera, editara e publicara diversos livros com conteúdo anti-semita, que negavam a ocorrência do Holocausto e atribuíam

características negativas ao caráter dos judeus. O tipo penal em questão era

o

do art. 20 da Lei 7.716/89, com a redação dada pela Lei 8.081/90, segundo

o

qual e crime sujeito a pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa, “praticar,

induzir ou incitar, pelos meios de comunicação social ou por publicação de

qualquer natureza, a discriminação de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

Inicialmente, teve a Corte que examinar se o conceito de racismo contido na Constituição abrangia ou não as ofensas perpetradas contra o povo judeu, já que, na impetração, sustentara-se, a partir de um conceito biológico/antropológico de raça, que as raças humanas seriam apenas a caucasiana, a negróide e a amarela. Se a resposta a esta questão fosse negativa, a consequência prática seria o reconhecimento da prescrição do ilícito penal, pois se o racismo e crime imprescritível por expresso comando constitucional, o mesmo não ocorre com outras formas de preconceito. O STF, no entanto, afastou este argumento, afirmando que o conceito de raça deve ser cultural, inclusive porque, do ponto de vista estritamente biológico, sequer e possível falar-se em diferentes raças humanas, em razão da desprezível diferença genética existente entre os indivíduos integrantes dos diversos grupos étnicos.

Em seguida, passou o STF a examinar a questão, levantada de ofício pelo Ministro Sepúlveda Pertence, acerca da possibilidade da incidência do tipo penal de racismo sobre atos como os de escrever e editar livros, tendo em vista a garantia constitucional da liberdade de expressão. Neste ponto, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Carlos Ayres de Britto, entendeu a Corte que deveriam prevalecer a igualdade racial e a dignidade humana das vítimas da manifestação racista”.

II – O enunciado está incorreto. Veja-se o que afirma Daniel Sarmento em

artigo sobre o tema, intitulado A liberdade de expressão e o problema do “hate speech”: “Em resumo, a posição dos instrumentos internacionais de direitos humanos e das instituições encarregadas do seu monitoramento e no sentido de que o hate speech deve ser combatido e punido, e não tolerado em nome da liberdade de expressão”.

e não tolerado em nome da liberdade de expressão”. É expressamente proibida a divulgação deste material,
e não tolerado em nome da liberdade de expressão”. É expressamente proibida a divulgação deste material,

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III – O enunciado está correto e teve como fonte o já citado artigo do

professor Daniel Sarmento. Confira-se trecho: “Assim, a restrição ao hate speech não envolve necessariamente uma tentativa de estabelecer, a moda comunitarista, limites perfeccionistas ao debate público, impedindo os dissidentes de se insurgirem contra alguma concepção politicamente correta sobre a “vida boa” adotada pela maioria. A proibição pode ser concebida não como vedação ao dissenso em relação aos valores básicos da comunidade, mas como um instrumento necessário a garantia da integridade do próprio discurso público, que, para poder desempenhar o seu papel numa democracia marcada pelo pluralismo, deve estar estruturado sobre regras que assegurem o reconhecimento da igual dignidade de todos os seus participantes”.

IV - O enunciado está correto e teve como fonte o já citado artigo do

professor Daniel Sarmento. Confira-se trecho: “A compreensão constitucional da liberdade individual não e meramente formal. A Constituição de 88 não e

libertária e não associa a liberdade humana a simples abstenção estatal. Pelo contrário, ela se preocupa com a efetiva possibilidade de fruição da liberdade pelos indivíduos, o que supõe o enfrentamento dos obstáculos sociais que atravancam o seu exercício, presentes numa sociedade desigual e opressiva. Esta compreensão mais realista da autonomia individual projeta-se no campo da liberdade de expressão e ampara a pretensão estatal de coibir as manifestações que silenciem as vozes das suas vítimas, como as envolvidas

no hate speech”.

4. (EMAGIS) ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA

(a) A internacionalização dos direitos humanos, em sentido amplo, consiste na existência de normas do

(a) A internacionalização dos direitos humanos, em sentido amplo, consiste na existência de normas do Direito Internacional (tratados, costumes internacionais e princípios de Direito Internacional, atos unilaterais, resoluções de organizações internacionais) regulando a matéria. As normas de combate à escravidão não são apontadas como espécie de normas que indicam essa internacionalização porque motivadas pelo desejo dos Estados industrializados de aumentar o mercado para suas manufaturas.

(b) No Direito Internacional, a norma de jus cogens é aquela que contém valores considerados

(b) No Direito Internacional, a norma de jus cogens é aquela que contém valores considerados essenciais para a comunidade internacional como um todo e que, por isso, possui superioridade normativa no choque com outras normas de Direito Internacional. A Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados (CVDT) positivou esse conceito e trouxe um rol de normas pertencentes ao jus cogens, entre as quais podem ser destacadas a proibição do uso da força, determinadas violações de direitos humanos e os crimes internacionais.

(c) A obrigação de o Estado garantir o exercício de direitos humanos, prevista no artigo

(c) A obrigação de o Estado garantir o exercício de direitos humanos, prevista no artigo 1.1 da Convenção Americana, concretiza uma obrigação de fazer, que consiste na organização de estruturas e procedimentos capazes de prevenir, investigar e punir toda violação, pública ou privada, de direitos dessa natureza, o que realça a dimensão objetiva desses direitos. No caso Velásquez Rodriguez, a Corte Interamericana de Direitos Humanos afirmou que esse dever de prevenção obriga os Estados a adotarem todas as medidas para que eventuais violações a esses direitos sejam consideradas e tratadas como um fato ilícito, suscetível de provocar a punição de quem as cometa.

esses direitos sejam consideradas e tratadas como um fato ilícito, suscetível de provocar a punição de
suscetível de provocar a punição de quem as cometa. É expressamente proibida a divulgação deste material,
suscetível de provocar a punição de quem as cometa. É expressamente proibida a divulgação deste material,

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(d) No caso López Mendoza vs. Venezuela, a Corte Interamericana de Direitos Humanos decidiu que o fato de as sanções que impedem o exercício de funções públicas terem sido impostas por um órgão administrativo - e não por uma condenação, por um juiz competente, em um processo penal - não violam, em uma interpretação sistemática e evolutiva, o art. 23.2 da Convenção Americana de Direitos Humanos.

o art. 23.2 da Convenção Americana de Direitos Humanos. Comentários (a) errada. As normas de combate

Comentários

(a) errada. As normas de combate à escravidão são citadas pela doutrina

como indicativo da internacionalização em sentido amplo dos DH, porque, embora motivadas em parte por interesses comerciais e de maneira ainda embrionária, denotavam a preocupação com direitos essenciais do indivíduo. São também apontadas como exemplo as normas de proteção em sentido amplo (antes do advento do sistema onusiano): (i) a estrangeiros, em especial por meio do instituto da proteção diplomática; (ii) a feridos e enfermos em conflitos armados (direito internacional humanitário); (iii) a minorias no âmbito da Liga das Nações; (iv) a direitos sociais, no âmbito do OIT. Fala-se em internacionalização em sentido estrito a partir da Carta da ONU e da Declaração Universal dos Direitos Humanos (Ramos, Andre de

Carvalho. Teoria Geral dos Direitos Humanos na Ordem Internacional, parte I, capítulo 6). O tema é objeto do ponto 7.a do programa de PIDH.

(b) errada. O conceito dado na primeira parte do enunciado está correto.

Porém, a Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados (CVDT) foi omissa na determinação do rol de normas pertencentes ao jus cogens. A CDI, nos seus trabalhos, apontou alguns exemplos, como a proibição do uso da força, determinadas violações de direitos humanos e crimes internacionais, mas preferiu excluir do texto aprovado qualquer rol de normas cogentes por dois motivos: para evitar omissões que pudessem gerar dúvidas e para evitar a demora na aprovação do texto final, fruto das inevitáveis discussões que um rol desse quilate gera (Ramos, Andre de Carvalho. Teoria Geral dos Direitos Humanos na Ordem Internacional, parte II, cap. 2). O tema é objeto do ponto 5.a do programa de PIDH.

(c) correta. Nesse sentido é o teor da decisão da Corte IDH no caso

Velásquez Rodriguez, referida pelo professor André de Carvalho, ao tratar da

dimensão objetiva dos DH (Teoria Geral Dos Direitos Humanos na Ordem Internacional, parte II, cap. 12). O tema é cobrado nos pontos 6.a e 4.b de PIDH.

(d) errada. No caso López Mendonza vs. Venezuela a Corte IDH entendeu

que houve violação ao art. 23.2 da Convenção. A proposta de adotar interpretação sistemática e evolutiva partiu do voto concorrente do Juiz Diego Garcia-Sayán. O caso é comentado pelo professor André de Carvalho Ramos

em seu Curso de Direitos Humanos (parte IV, item 45.5.5) e sua leitura é recomendada. Os casos da Corte IDH são exigidos no ponto 4.b de PIDH.

Os casos da Corte IDH são exigidos no ponto 4.b de PIDH. É expressamente proibida a
Os casos da Corte IDH são exigidos no ponto 4.b de PIDH. É expressamente proibida a

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5. (EMAGIS) ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA

(a) A teoria da margem de apreciação nacional consiste na abstenção de análise, pela

(a)

A teoria da margem de apreciação nacional consiste na abstenção de análise, pela

Corte Europeia de Direitos Humanos, de casos polêmicos de direitos humanos, permitindo que cada Estado do Conselho da Europa possa exercer uma “margem de apreciação” sobre os contornos dos direitos protegidos. Com base nessa teoria, prevalece hoje na Corte o entendimento, firmado no caso Cossey, de que cabe a cada Estado (no caso referido, ao Reino Unido), dentro de sua margem de apreciação, decidir sobre a possibilidade de transexuais modificarem sua identidade (alteração do sexo contido na certidão de nascimento), com o consequente direito ao casamento, sem qualquer ingerência por parte da Corte.

(b) A Corte Internacional de Justiça tem um destacado papel na aferição da responsabilidade internacional

(b) A Corte Internacional de Justiça tem um destacado papel na aferição da responsabilidade internacional do Estado por violações de direitos humanos, especialmente porque seu Estatuto reconhece jus standi aos indíviduos para apresentar petições em face dos Estados.

(c) Conforme entendimento firmado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos na

(c)

Conforme entendimento firmado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos na

Opinião Consultiva n.º 20, o artigo 55 da Convenção Americana (que trata dos juízes ad hoc) permite a indicação de juiz ad hoc por parte do Estado-réu (que não possua nenhum juiz de sua nacionalidade na composição da Corte) nos casos iniciados na Comissão por petição de vítimas de violação de direitos humanos.

(d) Como regra, o sistema convencional não contencioso de apuração de violações de

(d)

Como regra, o sistema convencional não contencioso de apuração de violações de

direitos humanos, baseado na apresentação de relatórios periódicos, pauta-se pelo diálogo e pela implementação voluntária dos direitos protegidos. Embora os Estados devam cumprir de boa-fé as obrigações assumidas no plano internacional, as recomendações dos Comitês de monitoramento são caracterizadas pela ausência de força vinculante.

internacional, as recomendações dos Comitês de monitoramento são caracterizadas pela ausência de força vinculante.

Comentários

(a) errada. A alternativa expressa corretamente o conceito de margem de

apreciação, firmado no sistema europeu de direitos humanos. Todavia, a solução adotada no caso Cossey (corretamente referido) foi superada pela própria Corte EDH no caso Goodwin. Neste último caso, Christine Goodwin, depois de submeter•-se a cirurgia de modificação de sexo (masculino para feminino), apelou à Comissão Europeia, acusando o Reino Unido de violação de sua vida privada (artigo 8º da Convenção). A vítima alegou uma série de restrições impostas pelo Reino Unido, entre as quais a impossibilidade de se inscrever na previdência social com o novo gênero e de contrair matrimônio com seu parceiro do sexo masculino. A Corte IDH não acolheu a margem de apreciação, alegada pelo Reino Unido, e condenou esse Estado pela violação do direito à vida privada (artigo 8º) e ao matrimônio (artigo 12). (Ramos, Andre de Carvalho. Teoria Geral dos Direitos Humanos na Ordem Internacional, parte I, cap. 9.7) A matéria é cobrada nos pontos 10.b e 2.c do programa de PIDH.

(b) errada. Segundo a doutrina especializada, a Corte Internacional de

Justiça - CIJ tem um modesto papel nessa seara. Entre os fatores que explicam essa constatação está justamente a limitação decorrente do artigo 34.1 de seu Estatuto, que restringe a legitimidade ativa (jus standi) em sua

que restringe a legitimidade ativa (jus standi) em sua É expressamente proibida a divulgação deste material,
que restringe a legitimidade ativa (jus standi) em sua É expressamente proibida a divulgação deste material,

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jurisdição contenciosa apenas a Estados. Outro obstáculo apontado é o caráter facultativo de sua jurisdição, já que o exercício das competências da Corte depende da adesão dos Estados (artigo 36.2). Apesar dessas limitações, a doutrina anota uma possível virada pro homine no século XXI, como ilustram diversos casos a ela submetidos, tendo sido debatidas questões como a actio popularis, as obrigações erga omnes, o caráter vinculante de expressões genéricas de proteção de direitos humanos da Carta da ONU e outras, essenciais para o desenvolvimento do Direito Internacional dos Direitos Humanos (ver mais em Ramos, André de Carvalho. Processo Internacional de Direitos Humanos, parte III, título II, cap. 4). O tema ora tratado é cobrado no ponto 2.a do programa de PIDH.

(c) errada. Na Opinião Consultiva n.º 20, a Corte reinterpretou o artigo 55 da Convenção (que trata dos juízes ad hoc) e decidiu não mais aceitar a indicação de juiz ad hoc por parte do Estado-réu (que não possua nenhum juiz de sua nacionalidade na composição da Corte) nos casos iniciados na Comissão por petição de vítimas de violação de direitos; na nova interpretação do artigo 55, o juiz ad hoc somente será chamado nas demandas interestatais. Na mesma Opinião Consultiva a Corte decidiu não mais permitir que o juiz da nacionalidade do Estado-réu atue no processo iniciado pela Comissão a partir de petições individuais, para fortalecer a imagem de imparcialidade (Ramos, André de Carvalho. Processo Internacional de Direitos Humanos, parte III, título IV, cap. 6). O tema é cobrado em conformidade com o ponto 4.b do programa de PIDH.

(d) correta. A doutrina majoritária aponta a ausência de força vinculante do sistema de relatórios periódicos previstos nos diversos tratados de direitos humanos celebrados no âmbito da ONU, sem prejuízo de seu objetivo maior do sistema de informes periódicos que é o de prevenir violações e mesmo forçar os Estados a dedicarem atenção às políticas internas de defesa dos direitos humanos (Ramos, André de Carvalho. Processo Internacional de Direitos Humanos, parte III, título II, e parte V, título I). Os temas em questão são cobrados pelos pontos 8.a e 8.b do programa de PIDH. Atentar, inclusive, que a cobrança da força vinculante dos tipos de de deliberações internacionais está agora expressa no ponto 8.a.

6. (EMAGIS) ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA

(a) O Protocolo de Istambul foi apresentado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos em 1999 e consiste em um manual para a investigação e documentação eficazes da tortura e outras penas ou tratamentos cruéis desumanos ou degradantes. O Protocolo tem natureza de soft law e, portanto, não é vinculante aos Estados, embora sirva para implementar o dever internacional do Estado de combater a tortura.no ponto 8.a. 6. (EMAGIS) ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA (b) As Regras Mínimas para o Tratamento

(b) As Regras Mínimas para o Tratamento dos Presos, adotadas no âmbito da Organização das Nações Unidas, estabelecem princípios e regras básicos para a organização penitenciária e tratamento dos reclusos e, diante da força obrigatória de suas normas para os Estados, foram expressamente mencionadas pela Corte Interamericana deo dever internacional do Estado de combater a tortura. É expressamente proibida a divulgação deste material,

foram expressamente mencionadas pela Corte Interamericana de É expressamente proibida a divulgação deste material,
foram expressamente mencionadas pela Corte Interamericana de É expressamente proibida a divulgação deste material,

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Direitos Humanos no caso Tibi vs. Equador, no qual a corte constatou o desrespeito, pelo Equador, do direito a tratamento médico dos presos (art. 24).

(c) Os Princípios sobre a aplicação do direito internacional dos direitos humanos em relação à

(c) Os Princípios sobre a aplicação do direito internacional dos direitos humanos em relação à orientação sexual e identidade de gênero (Princípios de Yogyakarta) definem a orientação sexual como a capacidade de cada indivíduo experimentar atração afetiva, emocional ou sexual por pessoas do gênero diferente, mesmo gênero ou mais de um gênero, e a identidade de gênero como a experiência interna individual em relação ao gênero, a qual pode corresponder ou não ao sexo atribuído quando do nascimento, e que inclui expressões de gênero como sentimento pessoal do corpo e o modo de vestir-se e falar.

(d) No caso Sarayaku vs. Equador, a Corte Interamericana de Direitos Humanos entendeu que, apesar

(d) No caso Sarayaku vs. Equador, a Corte Interamericana de Direitos Humanos entendeu que, apesar de um Estado não ter ratificado a Convenção n.º 169 da Organização Internacional do Trabalho - OIT, este documento serve como baliza interpretativa para dimensionar as obrigações desse Estado, no tocante aos direitos dos povos indígenas, perante a Convenção Americana de Direitos Humanos.

desse Estado, no tocante aos direitos dos povos indígenas, perante a Convenção Americana de Direitos Humanos.

Comentários

(a) correta. O Protocolo de Istambul foi editado com o objetivo principal de

fornecer aos Estados auxílio na coleta e utilização de provas da prática da tortura e maus tratos e tem, efetivamente, natureza de soft law. Em decorrência desse Protocolo, foi elaborado em 2003 o Protocolo Brasileiro de Perícia Forense no crime de tortura, tendo o Conselho Nacional de Justiça

editado a Recomendação n.º 49/2014, na qual orienta os juízes a observarem

o Protocolo de Istambul e o Protocolo Brasileiro (Ramos, André de Carvalho,

Curso de Direitos Humanos, parte II, cap. 2, item 10). O tema é novidade no

29º concurso, conforme o ponto 2.b do programa.

(b) errada. As Regras Mínimas tem natureza de soft law, consistindo em um

conjunto de normas não vinculantes de Direito Internacional. Por outro lado, essas normas espelham diversos direitos dos presos, previstos em tratados (estes, sim, com força vinculante), como, por exemplo, o direito à integridade física e psíquica, e, por consequência, a violação de uma regra pode representar a violação de um tratado. No caso referido, efetivamente julgado pela Corte IDH, as regras foram mencionadas como forma de esclarecer o alcance e o sentido do direito à integridade dos presos, previsto na Convenção Americana de Direitos Humanos (Ramos, André de Carvalho, Curso de Direitos Humanos, parte II, cap. 2, item 13). Atenção: trata-se de tema novo, incluído expressamente no item 9.c do programa de PIDH.

(c) correta. Ambos os conceitos (de orientação sexual e de identidade de

gênero) são trazidos pelos princípios de Yogyakarta (Ramos, André de

Carvalho, Curso de Direitos Humanos, parte II, cap. 2, item 18). Atentar para

o fato de que a proteção internacional de direitos sexuais e reprodutivos,

encartada nesse documento de caráter de soft law, passou a ser cobrada no 29º concurso por força do novo ponto 8.c.

(d) correta. A afirmativa representa o entendimento da Corte IDH, firmado no

representa o entendimento da Corte IDH, firmado no É expressamente proibida a divulgação deste material,
representa o entendimento da Corte IDH, firmado no É expressamente proibida a divulgação deste material,

É expressamente proibida a divulgação deste material, cuja utilização é restrita ao usuário identificado no presente documento. A sua indevida divulgação viola a Lei 9.610/98 e acarretará responsabilização civil e criminal dos envolvidos.

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caso citado, referido pelo professor André de Carvalho Ramos em seu Curso de Direitos Humanos ao tratar dos direitos dos povos indígenas (parte IV, cap. 43). Observar que a jurisprudência internacional sobre os direitos dos povos indígenas é expressamente cobrada pelo ponto 1.b do programa de PIDH.

7. (EMAGIS) SOBRE OS SISTEMAS ELEITORAIS, ANALISE OS ITENS SEGUINTES:

I – O sistema majoritário, fundado no princípio da representação da maioria, foi adotado como forma de provimento de alguns cargos eletivos no Brasil, como, por exemplo, governadores de Estado, senadores e prefeitos de municípios com mais de 200.000 (duzentos mil) habitantes.

II – O sistema proporcional garante a representação de grupos ideológicos minoritários nas casas legislativas, mas, por outro lado, contribui para a multiplicação de partidos e a fragmentação partidária, emperrando a ação governamental. Atualmente, no Brasil, adota-se o sistema proporcional de lista fechada.

III – O sistema distrital, de cunho majoritário, baseia-se na divisão da circunscrição eleitoral em distritos, onde serão travadas as disputas entre os postulantes aos cargos eletivos, sendo que a cada distrito corresponderá uma cadeira no parlamento. Como ponto positivo, acarreta o barateamento das campanhas eleitorais, haja vista a menor amplitude do espaço em se desenvolvem e do público-alvo destas. Em seu desfavor, tem-se uma ínfima representação dos grupos minoritários da sociedade.

IV – O sistema misto, implementado com sucesso na Alemanha, caracteriza-se pela combinação de elementos do majoritário e do proporcional, e tem por objeto as eleições para o legislativo. Por esse sistema, também se subdivide a circunscrição em distritos, onde parcela dos representantes será eleita pelo sistema majoritário, enquanto que a outra parte será eleita pelo sistema proporcional, mediante a votação em um partido, que fixará uma lista fechada, aberta ou flexível, a depender do modelo adotado.

Estão corretos os itens:

(a) I, II e III

(a)

I, II e III

(b) I e III

(b)

I e III

(c) III e IV

(c)

III e IV

(d) II, III e IV

(d)

II, III e IV

(a) I, II e III (b) I e III (c) III e IV (d) II, III

Comentários

Todas as informações constantes do inciso I estão corretas, com exceção da parte final, uma vez que o sistema majoritário será aplicável para a eleição de prefeitos de municípios com mais de 200.000 (duzentos mil) eleitores, não habitantes, como afirmado no item. Nesse sentido, confiram-se os artigos 28,

afirmado no item. Nesse sentido, confiram-se os artigos 28, É expressamente proibida a divulgação deste material,
afirmado no item. Nesse sentido, confiram-se os artigos 28, É expressamente proibida a divulgação deste material,

É expressamente proibida a divulgação deste material, cuja utilização é restrita ao usuário identificado no presente documento. A sua indevida divulgação viola a Lei 9.610/98 e acarretará responsabilização civil e criminal dos envolvidos.

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cabeça, 29, II, 32, § 2º, 46 e 77, § 2º, todos da CF, além de José Jairo Gomes, em sua obra Direito Eleitoral, ed. Atlas, p. 144. Incorreto o item I.

Salvo no que tange à afirmação de que o Brasil adotou o sistema proporcional de lista fechada, já que nós agasalhamos, ainda, o sistema de lista aberta, a teor do art. 109, § 1º, do Código Eleitoral, todos os demais elementos informativos do item II estão corretos. É o que se infere das lições de José Jairo Gomes (ob. cit. p. 145). Incorreto o item II.

Em linhas gerais, o sistema distrital consiste, exatamente, na definição plasmada no item III, sendo, também, aqueles descritos os aspectos negativos e positivos do aludido sistema, em consonância com a doutrina majoritária. Para evitar tautologia, remete-se o leitor à obra citada de José Jairo Gomes (pp. 153/154). Correto o item III.

Na mesma senda, as características gerais do sistema misto são as descritas no item IV da questão em tela, na forma do magistério de José Jairo Gomes (ob. cit. pp. 155/156). Correto o item IV.

8. (EMAGIS) EM TEMA DE AÇÕES ELEITORAIS, ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:

(a) A Ação de Investigação Judiciária Eleitoral - AIJE, prevista no art. 22 da LC

(a) A Ação de Investigação Judiciária Eleitoral - AIJE, prevista no art. 22 da LC n.º 64/90, constitui o rito sumário do processo eleitoral, tem por bem jurídico tutelado a normalidade e a legitimidade das eleições e hipóteses de cabimento específicas o abuso do poder econômico e político, além do uso indevido dos meios de comunicação.

(b) A Ação de Impugnação de Registro de Candidatura – AIRC, instituída pelo art. 3º

(b) A Ação de Impugnação de Registro de Candidatura – AIRC, instituída pelo art. 3º da LC nº 64/90, ação de rito ordinário, deverá ser ajuizada no prazo de 5 (cinco) dias, contados da publicação do pedido de registro do candidato, sendo legitimados ativos qualquer candidato, partido político, coligação e o Ministério Público.

(c) A Ação de Impugnação de Mandato Eletivo – AIME, com previsão constitucional, possui natureza

(c) A Ação de Impugnação de Mandato Eletivo – AIME, com previsão constitucional, possui natureza desconstitutiva, devendo ser ajuizada no prazo decadencial de 15 (quinze) dias, contados da diplomação, nos casos de abuso de poder político, corrupção ou fraude, e tramitará em segredo de justiça.

(d) O Recurso Contra a Expedição de Diploma – RCD, que possui a natureza jurídica

(d) O Recurso Contra a Expedição de Diploma – RCD, que possui a natureza jurídica de ação constitutiva negativa, que deverá ser ajuizada no prazo de 3 (três) dias, contados da sessão de diplomação dos eleitos, sendo cabível apenas nas hipóteses de falta de condições de elegibilidade, causas de inelegibilidades constitucionais ou inelegibilidades supervenientes.

de falta de condições de elegibilidade, causas de inelegibilidades constitucionais ou inelegibilidades supervenientes.

Comentários

A alternativa A descreve com precisão a Ação de Investigação Judiciária Eleitoral, cujos contornos legais são conferidos pelo art. 22 da LC 64/90, fonte de elaboração da assertiva. Possui fundamento constitucional no § 9º

da assertiva. Possui fundamento constitucional no § 9º É expressamente proibida a divulgação deste material,
da assertiva. Possui fundamento constitucional no § 9º É expressamente proibida a divulgação deste material,

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do art. 14 da CF. Ademais, constitui o rito sumário do processo eleitoral,

conforme escólio do examinador João Heliofar, em aulas sobre ações eleitorais disponíveis gratuitamente no canal da Escola Superior do MPU –

ESMPU no youtube. Correta a alternativa A.

A alternativa B também está correta, na forma do art. 3º da LC nº 64/90 e das aulas do examinador João Heliofar, citadas.

A Ação de Impugnação de Mandato Eletivo – AIME, de estatura

constitucional, está disciplinada nos §§ 10 e 11 do art. 14 da CF, que estabelecem as suas hipóteses de cabimento, prazo decadencial e a tramitação sob segredo de justiça. Segundo o § 10, a ação será ajuizada nos casos de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude. Dessa forma, o abuso de poder político, como afirmado na alternativa, não se insere nas hipóteses de cabimento da AIME, mas somente o abuso de poder econômico, razão pela qual está incorreta a alternativa C, que deveria ser assinalada. Destaque-se, no entanto, que, nas lições do examinador João Heliofar, nas aulas indicadas, quando o abuso de poder político for de tal proporção que possa constituir, também, abuso de poder econômico, será possível o ajuizamento da AIME, respeitada essa condição. Incorreta a alternativa C.

A despeito da nomenclatura, é incontroverso que o RCD possui natureza de ação, que visa desconstituir o ato administrativo da diplomação. Possui previsão no art. 262 do Código Eleitoral, que traz as demais informações constantes da assertiva. Correta a alternativa D.

9. (EMAGIS) SOBRE O MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL, ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:

(a) O Procurador Geral Eleitoral é o Procurador Geral da República, que exercerá as

(a)

O Procurador Geral Eleitoral é o Procurador Geral da República, que exercerá as

funções do Ministério Público nas causas de competência do Tribunal Superior Eleitoral e designará, dentre os Subprocuradores Gerais da República, o Vice-Procurador-Geral Eleitoral, que o substituirá em seus impedimentos e exercerá o cargo em caso de vacância, até o provimento definitivo.

(b) O Procurador Regional Eleitoral, que exercerá as funções do Ministério Público nas

(b)

O Procurador Regional Eleitoral, que exercerá as funções do Ministério Público nas

causas de competência do Tribunal Regional Eleitoral respectivo, será designado pelo Procurador Geral Eleitoral, dentre os Procuradores Regionais da República no Estado e no Distrito Federal, ou, onde não houver, dentre os Procuradores da República vitalícios, para um mandato de dois anos, permitida uma recondução.

(c) Sendo a matéria eleitoral de natureza federal, compete ao Ministério Público Federal exercer, no

(c) Sendo a matéria eleitoral de natureza federal, compete ao Ministério Público Federal exercer, no que couber, junto à Justiça Eleitoral, as funções do Ministério Público, atuando em todas as fases e instâncias do processo eleitoral.

(d) As funções eleitorais do Ministério Público Federal perante os Juízes e Juntas Eleitorais serão

(d) As funções eleitorais do Ministério Público Federal perante os Juízes e Juntas Eleitorais serão exercidas pelo Promotor Eleitoral, que será o membro do Ministério Público local que oficie junto ao Juízo incumbido do serviço eleitoral de cada Zona, designado pelo Procurador Geral de Justiça.

de cada Zona, designado pelo Procurador Geral de Justiça. É expressamente proibida a divulgação deste material,
de cada Zona, designado pelo Procurador Geral de Justiça. É expressamente proibida a divulgação deste material,
de cada Zona, designado pelo Procurador Geral de Justiça. É expressamente proibida a divulgação deste material,

É expressamente proibida a divulgação deste material, cuja utilização é restrita ao usuário identificado no presente documento. A sua indevida divulgação viola a Lei 9.610/98 e acarretará responsabilização civil e criminal dos envolvidos.

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Comentários

De fato, o cargo de Procurador Geral Eleitoral é ocupado automaticamente por aquele que exerce o cargo de Procurador Geral da República, a teor do art. 73, cabeça, da LC n.º 75/93 – Lei orgânica do Ministério Público da União –. Ademais, na forma do parágrafo único do mesmo artigo, o Vice- Procurador-Geral eleitoral será designado pelo PGR dentre os Subprocuradores Gerais da República, para substituição caso impedimentos

e exercício do cargo em caso de vacância. Correta a alternativa A.

A alternativa B também está inteiramente correta. Confiram-se as disposições

do art. 76, cabeça e § 1º, e do art. 77, ambos da LC n.º 75/93:

“Art. 76. O Procurador Regional Eleitoral, juntamente com o seu substituto, será designado pelo Procurador-Geral Eleitoral, dentre os Procuradores Regionais da República no Estado e no Distrito Federal, ou, onde não houver, dentre os Procuradores da República vitalícios, para um mandato de dois anos. §1º O Procurador Regional Eleitoral poderá ser reconduzido uma vez”.

“Art. 77. Compete ao Procurador Regional Eleitoral exercer as funções do Ministério Público nas causas de competência do Tribunal Regional Eleitoral respectivo, além de dirigir, no Estado, as atividades do setor”.

A matéria eleitoral possui natureza federal, conforme José Jairo Gomes (in

Direito Eleitoral, p. 101). Por essa razão, a Justiça Eleitoral integra o Poder Judiciário da União, assim como as funções de Ministério Público Eleitoral

são atribuídas ao Ministério Público Federal, nos termos do art. 72 da LC n.º 75/93, abaixo transcrito. O fato de os promotores de justiça exercerem funções eleitorais por delegação não descaracteriza o caráter federal dessa função, tampouco a retira das atribuições do Ministério Público Federal. Correta a alternativa C.

“Art. 72. Compete ao Ministério Público Federal exercer, no que couber, junto

à Justiça Eleitoral, as funções do Ministério Público, atuando em todas as fases e instâncias do processo eleitoral”.

A primeira parte da alternativa D está completamente correta, já que é furto

da combinação dos artigos 78 e 79 da LC n.º 75/93. Nada obstante, não será

o Procurador Geral de Justiça quem designará o promotor de justiça eleitoral, mas o Procurador Regional da República, por indicação daquele, sendo esta

a exegese do parágrafo único do art. 79 da LC n.º 75/93 e, também, as lições

de José Jairo Gomes (ob. cit. p. 101). Com efeito, a direção do Ministério Público Eleitoral nos estados incumbe ao Procurador Regional Eleitoral, na forma do art. 77, cabeça, da LC n.º 75/93, acima transcrita. Incorreta a

alternativa D.

“Art. 78. As funções eleitorais do Ministério Público Federal perante os Juízes

do Ministério Público Federal perante os Juízes É expressamente proibida a divulgação deste material,
do Ministério Público Federal perante os Juízes É expressamente proibida a divulgação deste material,

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e Juntas Eleitorais serão exercidas pelo Promotor Eleitoral”.

“Art. 79. O Promotor Eleitoral será o membro do Ministério Público local que oficie junto ao Juízo incumbido do serviço eleitoral de cada Zona. Parágrafo único. Na inexistência de Promotor que oficie perante a Zona

Eleitoral, ou havendo impedimento ou recusa justificada, o Chefe do Ministério Público local indicará ao Procurador Regional Eleitoral o substituto

a ser designado”.

10. (EMAGIS) SOBRE A IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA, VEJA AS SEGUINTES AFIRMAÇÕES E, AO FINAL, ASSINALE A ALTERNATIVA CERTA:

I - É possível decretar, de forma fundamentada, medida cautelar de indisponibilidade de bens do indiciado na hipótese em que existam fortes indícios acerca da prática de ato de improbidade lesivo ao erário, sendo desnecessária a prova de "periculum in mora" concreto – ou seja, de que o réu estaria dilapidando seu patrimônio ou de que eles estariam na iminência de fazê-lo.

II - Em ação de improbidade administrativa, é possível que se determine a indisponibilidade de bens (art. 7º da Lei 8.429/1992) – inclusive os adquiridos anteriormente ao suposto ato de improbidade – em valor superior ao indicado na inicial da ação visando a garantir o integral ressarcimento de eventual prejuízo ao erário.

III - O procedimento previsto na Lei 8.429/1992, em especial o juízo de delibação para

recebimento da petição inicial, precedido de notificação do demandado, é aplicável às ações de responsabilidade civil para anular atos administrativos e obter o ressarcimento do dano correspondente, ainda que não haja o propósito específico de aplicar sanções político-civis, de caráter punitivo.

IV - A Lei 8.429/1992 prevê, no tocante ao prazo prescricional para a propositura da ação de

improbidade, o prazo de cinco anos, contados do término do exercício do mandato, cargo ou função de confiança ou, ainda, da data da apresentação à administração pública da prestação de contas final pelas entidades que recebam subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público; caso o vínculo com a Administração Pública seja permanente (ocupantes de cargo efetivo ou de emprego público), o prazo aplicável é o previsto em lei específica para faltas disciplinares puníveis com demissão.

(a) Apenas as afirmações I, II e III estão corretas.

(a)

Apenas as afirmações I, II e III estão corretas.

(b) Apenas as afirmações II, III e IV estão corretas.

(b)

Apenas as afirmações II, III e IV estão corretas.

(c) Apenas as afirmações I, II e IV estão corretas.

(c)

Apenas as afirmações I, II e IV estão corretas.

(d) Apenas as afirmações I, III e IV estão corretas.

(d)

Apenas as afirmações I, III e IV estão corretas.

(c) Apenas as afirmações I, II e IV estão corretas. (d) Apenas as afirmações I, III

Comentários

as afirmações I, III e IV estão corretas. Comentários É expressamente proibida a divulgação deste material,
as afirmações I, III e IV estão corretas. Comentários É expressamente proibida a divulgação deste material,

É expressamente proibida a divulgação deste material, cuja utilização é restrita ao usuário identificado no presente documento. A sua indevida divulgação viola a Lei 9.610/98 e acarretará responsabilização civil e criminal dos envolvidos.

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I - correta. O STJ decidiu em recurso repetitivo que o requisito do “periculum in mora” está implícito no art. 7º, parágrafo único, da Lei 8.429/1992, que visa assegurar “o integral ressarcimento” de eventual prejuízo ao erário, o que, inclusive, atende à determinação contida no art. 37, § 4º, da CF. Como a indisponibilidade dos bens visa evitar que ocorra a dilapidação patrimonial, não seria razoável aguardar atos concretos direcionados à sua diminuição ou dissipação, na medida em que exigir a comprovação de que esse fato estaria ocorrendo ou prestes a ocorrer tornaria difícil a efetivação da medida cautelar em análise (STJ, 1ª Seção, REsp 1.366.721-BA, Rel. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão Min. Og Fernandes, j. 26/2/2014).

II – correta. A indisponibilidade acautelatória prevista na Lei de Improbidade Administrativa tem como finalidade a reparação integral dos danos que porventura tenham sido causados ao erário (STJ, 1ª Turma, REsp 1.176.440- RO, Rel. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 17/9/2013).

III - errada. Conforme decidiu o STJ em recurso repetitivo, não se pode

confundir a típica ação de improbidade administrativa, de que trata o artigo 17 da Lei 8.429/92, com a ação de responsabilidade civil para anular atos administrativos e obter o ressarcimento do dano correspondente. Aquela tem caráter repressivo, já que se destina, fundamentalmente, a aplicar sanções político-civis de natureza pessoal aos responsáveis por atos de improbidade administrativa (art. 12). Esta, por sua vez, tem por objeto conseqüências de natureza civil comum, suscetíveis de obtenção por outros meios processuais.

O especialíssimo procedimento estabelecido na Lei 8.429/92, que prevê um

juízo de delibação para recebimento da petição inicial (art. 17, §§ 8º e 9º), precedido de notificação do demandado (art. 17, § 7º), somente é aplicável

para ações de improbidade administrativa típicas (REsp 1163643/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 30/03/2010).

IV - correta. A assertiva reproduz está em consonância com o art. 23 da Lei

8.429/1992: “As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas

nesta lei podem ser propostas: I - até cinco anos após o término do exercício

de mandato, de cargo em comissão ou de função de confiança; II - dentro do

prazo prescricional previsto em lei específica para faltas disciplinares

puníveis com demissão a bem do serviço público, nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego; III - até cinco anos da data da apresentação à administração pública da prestação de contas final pelas entidades referidas

no parágrafo único do art. 1o desta Lei”.

11. (EMAGIS) É INCORRETO AFIRMAR QUE:

(a) É lícita a chamada caça de controle, consistente na destruição de animais silvestres considerados nocivos à agricultura e à saúde pública.1o desta Lei”. 11. (EMAGIS) É INCORRETO AFIRMAR QUE: (b) Diante da obrigação de o Estado

(b) Diante da obrigação de o Estado garantir a todos o pleno exercício de direitos culturais, incentivando a valorização e a difusão das manifestações culturais, o Supremo Tribunal Federal considerou em conformidade com a Constituição Federal a festa folclórica deconsiderados nocivos à agricultura e à saúde pública. É expressamente proibida a divulgação deste material,

com a Constituição Federal a festa folclórica de É expressamente proibida a divulgação deste material,
com a Constituição Federal a festa folclórica de É expressamente proibida a divulgação deste material,

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matriz açoriana, chamada "farra do boi”, realizada no Estado de Santa Catarina.

(c) A criminalização do comércio de animais silvestres não se limita aos animais vivos, mas

(c) A criminalização do comércio de animais silvestres não se limita aos animais vivos, mas se estende aos ovos e larvas.

(d) É condição indispensável para o credenciamento das instituições com atividades de ensino ou pesquisa

(d) É condição indispensável para o credenciamento das instituições com atividades de ensino ou pesquisa com animais a constituição prévia de Comissões de Ética no Uso de Animais – CEUAs.

atividades de ensino ou pesquisa com animais a constituição prévia de Comissões de Ética no Uso

Comentários

(a) correta. A caça de controle está prevista no art. 3°, § 2°, da Lei 5.197/1967. Todas as vezes que a manutenção da saúde humana, a existência de outros animais e a agricultura estiverem ameaçadas pela presença constante de animais será possível a sua caça, exercida como caça de controle. Não se trata, propriamente, de direito à caça, mas de direito à proteção de um bem jurídico mais relevante, destruindo-se aquele animal silvestre que causa ameaça manifesta. A teor da Lei 5.197/1967, é preciso que haja permissão da autoridade pública para que possa haver o abate de animais considerados nocivos ao ambiente e a outras espécies. Paulo Affonso Leme Machado (Direito Ambiental Brasileiro) assevera que "a permissão para este tipo de atividade deverá ser expressamente motivada pela autoridade pública, indicando quais perigos concretos ou iminentes, qual a área de abrangência, as espécies nocivas e a duração da atividade destruidora”.

(b) errada. O STF, no julgamento do RE 153.531/SC, entendeu que a prática

de mutilação do animal em praça pública deixou de ser aceitável para a própria comunidade em que praticado, não trazendo qualquer incremento à sua qualidade de vida ou bem-estar. Concluiu, assim, que, nesse caso, a obrigação de o Estado garantir a todos o pleno exercício de direitos culturais, incentivando a valorização e a difusão das manifestações, não prescinde da observância da norma do inciso VII do § 1º do art. 225 da Constituição, no que veda a prática que acabe por submeter os animais à crueldade.

(c) correta. A venda ou compra destes animais é fato típico, previsto no art.

29, § 1º, III, da Lei 9.605/1998, tanto para quem vende quanto para quem

adquire.

(d) correta. Essa exigência é estabelecida pelo art. 8º da Lei 11.794/2008,

que regulamenta o inciso VII do § 1º do art. 225 da Constituição Federal (utilização de animais em ensino e pesquisa).

12. (EMAGIS) Em 1860, Dona Balbina deixou em testamento a antiga Fazenda Capão, em Guarapuava (PR), para onze ex-escravos como indenização por trabalhos prestados. Durante quase cem anos ali viveram seus descendentes, até a década de 70, quando foi iniciado um processo de grilagem com atuação de pistoleiros, coordenado pelo então delegado de polícia da Comarca. em 23/06/2015, Foi publicado no Diário Oficial da União o Decreto de Desapropriação do território quilombola Invernada Paiol de Telha, localizado no município paranaense de

Paiol de Telha, localizado no município paranaense de É expressamente proibida a divulgação deste material,
Paiol de Telha, localizado no município paranaense de É expressamente proibida a divulgação deste material,

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Reserva do Iguaçu, na região central do estado.

Sobre o tema, veja as seguintes afirmações e, ao final, assinale a alternativa certa:

I - O Decreto de desapropriação está fadado à invalidação, diante do reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, da inconstitucionalidade do Decreto n.º 4.887/2003, que regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos, na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3239.

II - O critério de auto-atribuição para a identificação da comunidade quilombola, previsto no Decreto n.º 4.887/2003, tem fundamento de validade na Convenção 169 da Organização da Organização Internacional do Trabalho, uma vez que essa Convenção tem “status" supralegal e os povos quilombolas são considerados, para os efeitos dessa Convenção, como “povos tribais”.

III - O INCRA estará autorizado a ingressar no imóvel de propriedade particular, objetivando a adoção dos atos necessários à sua desapropriação.

IV - Em razão da proibição do corte, da supressão e da exploração da vegetação do Bioma Mata Atlântica em estágio primário ou secundário de conservação, a manutenção de comunidade quilombola em área dessa natureza é incompatível com os propósitos da Lei de Mata Atlântica, devendo o Poder Público optar, para bem garantir o direito de acesso à terra da comunidade, pela desapropriação em áreas já substancialmente alteradas ou degradadas, como prevê, inclusive, a referida lei.

(a) Todos os itens estão corretos.

(a)

Todos os itens estão corretos.

(b) Os itens III e IV estão errados.

(b)

Os itens III e IV estão errados.

(c) Somente o item IV está errado.

(c)

Somente o item IV está errado.

(d) Somente os itens II e III estão corretos.

(d)

Somente os itens II e III estão corretos.

Os itens III e IV estão errados. (c) Somente o item IV está errado. (d) Somente

Comentários

I – errada. O Decreto n.º 4.887/2003 permanece válido, pois a ADI 3239, ajuizada pelo Partido Democratas (DEM), ainda não teve seu julgamento concluído pelo Supremo. Após o voto do relator, à época do início do julgamento, Min. Cezar Peluso, no sentido de reconhecer a inconstitucionalidade do Decreto, e o voto divergente da Min. Rosa Weber, por sua constitucionalidade, pediu vista o Min. Dias Toffoli.

II – correta. O critério da auto-atribuição está previsto no art. 1.2 da Convenção 169 da OIT. Essa convenção é aplicável aos povos quilombolas na medida em que se amoldam ao conceito de povos tribais, previsto na Convenção (. Nesse sentido, é o Enunciado nº 17 da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal: “As comunidades

Revisão do Ministério Público Federal: “As comunidades É expressamente proibida a divulgação deste material,
Revisão do Ministério Público Federal: “As comunidades É expressamente proibida a divulgação deste material,

É expressamente proibida a divulgação deste material, cuja utilização é restrita ao usuário identificado no presente documento. A sua indevida divulgação viola a Lei 9.610/98 e acarretará responsabilização civil e criminal dos envolvidos.

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tradicionais estão inseridas no conceito de povos tribais da Convenção nº 169

da Organização Internacional do Trabalho”. Vale lembrar que, por se tratar de

um tratado de direitos humanos, goza do “status" supralegal, como decidiu o

Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 466.343.

III – correta. A assertiva está em consonância com a previsão contida no art.

13, § 1º, do Decreto 4.887/2003 e, ainda, com o art. 7º do Decreto-Lei n.º

3.365/1941.

IV – errada. Por força do art. 16 da Convenção 169 da OIT, os povos

interessados não deverão ser transladados das terras que ocupam. A Lei 11.428/2006, que dispõe sobre o regime jurídico da Mata Atlântica, além de trazer uma definição do que considera como sendo populações tradicionais (Art. 2º, II - população vivendo em estreita relação com o ambiente natural,

dependendo de seus recursos naturais para a sua reprodução sociocultural, por meio de atividades de baixo impacto ambiental), autoriza por parte destes últimos a sua permanência no referido Bioma em regime de desenvolvimento autossustentável (Art. 2º, V - exploração sustentável: exploração do ambiente

de maneira a garantir a perenidade dos recursos ambientais renováveis e dos

processos ecológicos, mantendo a biodiversidade e os demais atributos

ecológicos, de forma socialmente justa e economicamente viável). A

exploração eventual, sem propósito comercial direto ou indireto de espécies

da flora nativa, para consumo nas propriedades ou posses das populações

tradicionais, independe de autorização dos órgãos competentes, devendo os órgãos competentes assisti-las no manejo e exploração sustentáveis (art. 9º).

13. (EMAGIS) ASSINALE A OPÇÃO INCORRETA:

(a) É prerrogativa constitucional do Tribunal de Contas o acesso a informações relacionadas a operações

(a) É prerrogativa constitucional do Tribunal de Contas o acesso a informações relacionadas a operações financiadas com recursos públicos, não estando essas abrangidas pelo sigilo bancário a que alude a LC 105/2001.

(b) A execução da decisão condenatória proferida pelo TCU, ainda que não inscrita em dívida

(b) A execução da decisão condenatória proferida pelo TCU, ainda que não inscrita em dívida ativa, deve se dar em conformidade com a Lei 6.830/1980 (Lei de Execuções Fiscais).

(c) As normas constitucionais que conformam o modelo federal de organização do Tribunal de Contas

(c) As normas constitucionais que conformam o modelo federal de organização do Tribunal de Contas da União são de observância obrigatória pelas Constituições dos Estados.

(d) O estado-membro não tem legitimidade para promover execução judicial para a cobrança de multa

(d) O estado-membro não tem legitimidade para promover execução judicial para a cobrança de multa imposta por Tribunal de Contas estadual à autoridade municipal.

promover execução judicial para a cobrança de multa imposta por Tribunal de Contas estadual à autoridade

Comentários

a - correta. Este entendimento restou firmado no julgamento do MS 33.340 pelo STF: "O sigilo de informações necessárias para a preservação da

intimidade é relativizado quando se está diante do interesse da sociedade de

se conhecer o destino dos recursos públicos. Operações financeiras

que

destino dos recursos públicos. Operações financeiras que É expressamente proibida a divulgação deste material,
destino dos recursos públicos. Operações financeiras que É expressamente proibida a divulgação deste material,

É expressamente proibida a divulgação deste material, cuja utilização é restrita ao usuário identificado no presente documento. A sua indevida divulgação viola a Lei 9.610/98 e acarretará responsabilização civil e criminal dos envolvidos.

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envolvam recursos públicos não estão abrangidas pelo sigilo bancário a que alude a Lei Complementar 105/2001, visto que as operações dessa espécie estão submetidas aos princípios da administração pública insculpidos no art. 37 da Constituição Federal. Em tais situações, é prerrogativa constitucional do Tribunal [TCU] o acesso a informações relacionadas a operações financiadas com recursos públicos.”

b – incorreta. A alternativa contraria decisão do STJ, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, em que consignado que “a execução de decisão condenatória proferida pelo TCU, quando não houver inscrição em dívida ativa, rege-se pelo CPC” (REsp 1.390.993).

c - correta. A afirmativa reproduz entendimento firmado pelo STF na ADI

3.715-MC: “A Constituição Federal é claro ao determinar, em seu art. 75, que

as normas constitucionais que conformam o modelo federal de organização do Tribunal de Contas da União são de observância obrigatória pelas Constituições dos Estados-membros”.

d – correta. A assertiva retrata decisão proferida pelo STF no RE 580.493: “O estado-membro não tem legitimidade para promover execução judicial para cobrança de multa imposta por Tribunal de Contas estadual à autoridade municipal, uma vez que a titularidade do crédito é do próprio ente público prejudicado, a quem compete a cobrança, por meio de seus representantes judiciais”.

14. (EMAGIS) A empresa COMÉRCIO DE CALÇADOS JOÃO LTDA, que tem por objeto social a comercialização de calçados, possui um setor próprio destinado ao transporte de suas mercadorias, realizando-o diretamente. Em virtude disso, pretende abater da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS os custos inerentes à aquisição de combustíveis, lubrificantes e peças de reposição utilizados nos veículos dos quais faz uso para a entrega de seus produtos. Tendo por base apenas o acima exposto, é correto afirmar:

(a) A pretensão da empresa é improcedente, pois a contribuição ao PIS e a COFINS

(a)

A pretensão da empresa é improcedente, pois a contribuição ao PIS e a COFINS não

podem adotar o sistema de não-cumulatividade.

(b) A pretensão da empresa é improcedente, pois, embora a Constituição permita que a lei

(b) A pretensão da empresa é improcedente, pois, embora a Constituição permita que a lei estabeleça a não-cumulatividade para a contribuição ao PIS e para a COFINS, o legislador optou por não conferir esse regime aos referidos tributos.

(c) A pretensão da empresa é improcedente, pois, como o objeto social da empresa é

(c)

A pretensão da empresa é improcedente, pois, como o objeto social da empresa é a

comercialização de calçados, os combustíveis, lubrificantes e peças de reposição utilizados nos veículos não podem ser considerados insumos.

(d) A pretensão da empresa é procedente, pois, caracterizada a prestação de serviços de

(d)

A pretensão da empresa é procedente, pois, caracterizada a prestação de serviços de

transporte, ainda que associada à venda de suas próprias mercadorias, as peças, combustíveis e lubrificantes necessários a esse serviço devem ser considerados insumos.

mercadorias, as peças, combustíveis e lubrificantes necessários a esse serviço devem ser considerados insumos.

Comentários

a esse serviço devem ser considerados insumos. Comentários É expressamente proibida a divulgação deste material,
a esse serviço devem ser considerados insumos. Comentários É expressamente proibida a divulgação deste material,

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a – incorreta. A Constituição Federal permite que as citadas contribuições

adotem o regime da não-cumulatividade, conforme disposto no art. 195, §12º:

“A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não- cumulativas”.

b- incorreta. O legislador previu efetivamente hipóteses em que as referidas contribuições terão incidência não-cumulativa. As hipóteses estão disciplinadas nas Leis 10.833/03 (COFINS) e 10.637 (PIS).

c - incorreta. Ver comentário da alternativa D.

d – correta. A alternativa está de acordo com o que decidiu o STJ no REsp.

1.235.979-RS, de relatoria do Min. Mauro Campbell: “é cabível o aproveitamento, na verificação do crédito dedutível da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, das despesas e custos inerentes à aquisição de combustíveis, lubrificantes e peças de reposição utilizados em veículos próprios dos quais faz uso a empresa para entregar as mercadorias que comercializa”. No que diz respeito à alternativa D, conforme consta no

atuar no ramo do comércio

atacadista é indiferente para a solução desta demanda. O que importa aqui saber é se, conjugada com essa venda de mercadorias, a empresa exerce também a atividade de prestação de serviços de transporte da própria mercadoria que revende. Isto porque é o próprio art. 3º, da Lei n. 10.833/2003, que dá expressamente o direito ao creditamento para a pessoa jurídica pelos bens utilizados como insumo na prestação de serviços, incluindo no conceito desses bens os combustíveis e lubrificantes”.

corpo do acórdão, “o fato de a empresa (

)

15. (EMAGIS) NO QUE DIZ RESPEITO AO EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO, É CORRETO AFIRMAR:

(a) Pode ser instituído para atender a despesas extraordinárias decorrentes da iminência

(a)

Pode ser instituído para atender a despesas extraordinárias decorrentes da iminência

de guerra externa.

(b) Em qualquer das suas hipóteses não se submete ao princípio da anterioridade de

(b)

Em qualquer das suas hipóteses não se submete ao princípio da anterioridade de

 

exercício.

(c) Pode ser instituído por meio de lei delegada.

(c)

Pode ser instituído por meio de lei delegada.

(d) No caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional

(d)

No caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional

não se submete à anterioridade nonagesimal.

investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional não se submete à anterioridade nonagesimal.

Comentários

a – correta – A afirmativa está de acordo com o disposto no art. art. 148, I da Constituição Federal: “A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios: I - para atender a despesas extraordinárias,

compulsórios: I - para atender a despesas extraordinárias, É expressamente proibida a divulgação deste material,
compulsórios: I - para atender a despesas extraordinárias, É expressamente proibida a divulgação deste material,

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decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência;”.

b – incorreta – No caso de empréstimo compulsório para realização de

investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, a instituição de empréstimo compulsório depende da observância do princípio da anterioridade, conforme consta no art. 148, II e 150, §1º da Constituição Federal.

c – incorreta – Para instituir empréstimo compulsório, a União deve valer-se de lei complementar, consoante art. 148, caput, da Constituição Federal. Assim, como não pode ser objeto de delegação a matéria “reservada à lei complementa” (art. 68, §1º, CF), é inviável a instituição de empréstimo compulsório por meio de lei delegada.

d – incorreta - No caso de empréstimo compulsório para realização de

investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, a

instituição de empréstimo compulsório depende da observância do princípio da anterioridade nonagesimal, conforme consta no art. 150, §1º da Constituição Federal.

16. (EMAGIS) ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:

(a) Não se reconhece o direito de passagem inocente a navios de guerra.

(a) Não se reconhece o direito de passagem inocente a navios de guerra.

(b) O parâmetro de confronto no controle de convencionalidade internacional é a norma internacional, em

(b) O parâmetro de confronto no controle de convencionalidade internacional é a norma internacional, em geral um determinado tratado, e seu objeto é toda norma interna, independentemente de sua hierarquia, de modo que até mesmo uma norma editada pelo Poder Constituinte originário pode ser submetida ao crivo de tribunais internacionais.

(c) O principal efeito do reconhecimento da beligerância é conferir de fato ao grupo insurreto

(c) O principal efeito do reconhecimento da beligerância é conferir de fato ao grupo insurreto os direitos e deveres de estado, no tocante à guerra.

(d) A União Internacional de Telecomunicações (UIT) considera patrimônio comum da humanidade o espectro de

(d) A União Internacional de Telecomunicações (UIT) considera patrimônio comum da humanidade o espectro de frequências e a órbita geoestacionária dos satélites.

(UIT) considera patrimônio comum da humanidade o espectro de frequências e a órbita geoestacionária dos satélites.

Comentários

(a) errada. O direito de passagem inocente deve também ser reconhecido aos navios de guerra, enquanto esse não inicie nenhuma prática considerada ameaçadora à segurança do estado costeiro, nos termos do artigo 19 da Convenção sobre o Direito do Mar. A lista de práticas consideradas prejudiciais “à paz, à boa ordem ou à segurança do estado costeiro” encontrada no artigo 19 da Convenção não se aplica apenas aos navios de guerra, sendo regras gerais a todos os tipos de embarcação (Casella, Paulo Borba. Accioly, Hildebrando. Nascimento e Silva, G. E. do. Manual de direito internacional público, cap. 5, item 5.4.2.2 - direito de passagem inocente). O tema direito de passagem inocente é agora cobrado expressamente no item

de passagem inocente é agora cobrado expressamente no item É expressamente proibida a divulgação deste material,
de passagem inocente é agora cobrado expressamente no item É expressamente proibida a divulgação deste material,

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17.b do programa de DIP.

(b) correta. A assertiva reflete a opinião da doutrina e da jurisprudência

internacional. A Corte IDH, a propósito, invalidou norma da Constituição chilena que chancelava a censura a um filme, em ofensa à liberdade de

expressão (caso La Última Tentación de Cristo). O tema controle de convencionalidade de matriz internacional e interna é expressamente cobrado no ponto 7.a de DIP. Recomenda-se, quanto ao tema, a leitura do capítulo 7 da parte III do Curso de Direitos Humanos do prof. André de Carvalho Ramos.

(c) correta. A assertiva está de acordo com a opinião doutrinária. O direito

internacional admite alguns atos que podem proceder ao reconhecimento de estado como tal. Dentre eles figura em primeiro lugar o reconhecimento como beligerante. O reconhecimento como beligerante ocorre quando parte da população se subleva para criar novo estado ou então para modificar a forma de governo existente e quando os demais estados resolvem tratar ambas as partes como beligerantes num conflito aplicando as pertinentes regras de direito internacional. Se a luta assume vastas proporções, de tal sorte que o grupo sublevado se mostra suficientemente forte para possuir e exercer de fato poderes análogos aos do governo do estado, constitui governo responsável, mantém a sua autoridade sobre parte definida do território do estado, possui força armada regularmente organizada, submetida à disciplina militar, e se mostra disposto a respeitar os direitos e os deveres de neutralidade, os governos estrangeiros poderão pôr as duas partes em luta no mesmo pé de igualdade jurídica, reconhecendo-lhes a qualidade de beligerantes (Casella, Paulo Borba. Accioly, Hildebrando. Nascimento e Silva, G. E. do. Manual de direito internacional público, cap. 2, item 2.3.3 - reconhecimento de beligerância e insurgência). Os temas em questão constituem novidade no 29º concurso, tendo sido incluídos no novo ponto 16.a de DIP.

(d) correta. Em razão de convenções que regularam a matéria, considera-se, desde o início, as ondas de rádio, provenientes de instalações autorizadas, livres para percorrer, em geral, o espaço atmosférico de todos os estados contratantes, com a contrapartida de que as estações de operação radiotelegráfica deveriam ser organizadas, tanto quanto possível, de modo a não perturbar o serviço de outras estações equivalentes. Os estados não têm, assim, o direito de obstar emissões estrangeiras, perturbando as vibrações elétricas por meio da projeção de outras vibrações mais fortes. Assim, cada estado somente teria a possibilidade de se opor a tal passagem na medida em que pudesse alegar necessidade de segurança. O interesse de todos e a necessidade de uso ordenado impõem limites ao que possa pretender, em sentido diverso, qualquer estado. Conforme Celso D. de A. MELLO, o conteúdo jurídico internacional do conceito de patrimônio comum da humanidade: (a) utilização não privativa, (b) uso pacífico e (c) repartição justa e específica em uma função igualitária e a autoridade é apenas para gerenciar, vez que o domínio eminente é da humanidade (Casella, Paulo

vez que o domínio eminente é da humanidade (Casella, Paulo É expressamente proibida a divulgação deste
vez que o domínio eminente é da humanidade (Casella, Paulo É expressamente proibida a divulgação deste

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Borba. Accioly, Hildebrando. Nascimento e Silva, G. E. do. Manual de direito internacional público, cap. 5, item 5.5.2 - telecomunicações). “A atuação da União Internacional de Telecomunicações” constitui novidade inserida no ponto 4.b de DIP.

17. (EMAGIS) ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:

(a) De acordo com a Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de Todos os

(a)

De acordo com a Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de Todos os

Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias, cujo texto ainda se encontra em tramitação no Congresso Nacional brasileiro, trabalhador migrante é toda pessoa que vai exercer, exerce ou exerceu uma atividade remunerada num Estado de que não é nacional. Essa Convenção não se aplica, em regra, aos refugiados e aos apátridas.

(b) Embora em sua concepção tradicional o asilo seja entendido como direito do Estado e

(b) Embora em sua concepção tradicional o asilo seja entendido como direito do Estado e nao do individuo e sua concessao seja discricionaria, nao sujeita a reclamacao internacional, o Brasil, apos a ratificacao da Convencao Americana de Direitos Humanos e reconhecimento da jurisdicao obrigatoria da Corte Interamericana de Direitos Humanos, nao podera mais conceder ou denegar asilo sem temer eventual sentenca condenatoria vinculante da Corte.

(c) A lei brasileira que disciplina o Estatuto dos Refugiados de 1951 (Lei 9.474/1997)

(c)

A lei brasileira que disciplina o Estatuto dos Refugiados de 1951 (Lei 9.474/1997)

adotou a definicao ampla de refugiado, defendida na Declaracao de Cartagena, pois prevê que sera considerado refugiado pelo Brasil todo aquele que, devido a grave e generalizada violacao de direitos humanos, e obrigado a deixar seu pais de nacionalidade para buscar refugio em outro pais.

(d) Nos termos do Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta (“Estatuto da Igualdade”),

(d)

Nos termos do Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta (“Estatuto da Igualdade”),

firmado entre Brasil e Portugal, os brasileiros que tenham residência habitual em Portugal e os portugueses que a tenham no Brasil gozarão automaticamente dos mesmos direitos e estarão sujeitos aos mesmos deveres dos nacionais desses Estados.

Brasil gozarão automaticamente dos mesmos direitos e estarão sujeitos aos mesmos deveres dos nacionais desses Estados.

Comentários

(a) correta. A Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de

Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias foi adotada pela Assembleia Geral da ONU em 1990 e entrou em vigor em 2003. No Brasil, o Poder Executivo submeteu-a à apreciação do Congresso Nacional por meio da Mensagem n.º 696/2010 e seu texto ainda está em tramitação. O conceito de trabalhador migrante, transcrito na assertiva, consta do art. 2º da Convenção. As hipóteses de não aplicação encontram-se no art. 3º, entre as quais se incluem os refugiados e apátridas, salvo disposição em contrário da legislação nacional pertinente do Estado parte interessado ou de instrumentos internacionais em vigor para esse Estado (Ramos, André de Carvalho, Curso de Direitos Humanos, parte II, cap. 2, item 17). Atenção: o tema "migrações" foi incluído no programa do 29º concurso (novo ponto 19.b do programa de DIP).

(b) correta. O asilo, em sua concepção tradicional, possui as

seguintes

O asilo, em sua concepção tradicional, possui as seguintes É expressamente proibida a divulgação deste material,
O asilo, em sua concepção tradicional, possui as seguintes É expressamente proibida a divulgação deste material,

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caracteristicas: 1) e um instituto voltado a acolhida do estrangeiro alvo de perseguicao politica atual; 2) e direito do Estado e nao do individuo, sendo sua concessao discricionaria, nao sujeita a reclamacao internacional de qualquer outro Estado ou ainda do proprio individuo solicitante; 3) sua natureza juridica e constitutiva, ou seja, nao ha direito do estrangeiro: ele sera asilado apenas apos a concessao, que tem efeito "ex nunc"; 4) pode ser concedido inclusive fora do territorio, nas modalidades do asilo diplomatico e do asilo militar; 5) no Brasil, nao ha orgao especifico ou tramite proprio e ha livre atuacao da diplomacia na analise do caso concreto (Ramos, André de Carvalho. Asilo e refúgio: semelhanças, diferenças e perspectivas. In 60 anos de ACNUR: perspectivas de futuro / André de Carvalho Ramos, Gilberto Rodrigues e Guilherme Assis de Almeida, (orgs.), disponível na internet). O candidato deve ficar atento, entretanto, ao fato de que a Corte Interamericana reconheceu que, tanto a Convencao Americana sobre Direitos Humanos em seu artigo 22.7, como a Declaracao Americana dos Direitos e Deveres do Homem em seu artigo XXVII, cristalizaram o direito subjetivo de todas as pessoas de buscar e receber asilo, superando o entendimento historico da instituicao como uma “mera prerrogativa estatal”, de acordo com as diversas convencoes interamericanas sobre asilo (Caso Familia Pacheco Tineo vs. Bolivia). Ver sobre o tema, ainda, o Parecer Consultivo n.º 21/2014 da Corte Interamericana, que trata dos direitos de crianças no contexto da migração. O instituto do asilo é cobrado no ponto 9.b do programa de DIP, sendo recomendada a leitura do artigo referido.

(c) correta. O Brasil adotou, efetivamente, o conceito amplo de refugiado, pois, além das hipóteses tradicionais (fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas), protege o indivíduo que deixa seu país de nacionalidade em razão de grave e generalizada violação de direitos humanos (art. 1º, III, da Lei 9.474/1997) (Ramos, André de Carvalho. Asilo e refúgio: semelhanças, diferenças e perspectivas. In 60 anos de ACNUR: perspectivas de futuro / André de Carvalho Ramos, Gilberto Rodrigues e Guilherme Assis de Almeida, (orgs.), disponível na internet). O tema refúgio é cobrado no ponto 20.a de DIP.

(d) errada. O estatuto da igualdade entre brasileiros e portugueses não é automático. Será atribuído mediante decisão do Ministro da Justiça, no Brasil, e do Ministério da Administração Interna, em Portugal, apenas aos brasileiros e portugueses que o requeiram, desde que civilmente capazes e com residência habitual no paíss em que ele é requerido (igualdade ordinária ou para fins civis). Já quanto ao exercício de direitos políticos (igualdade qualificada), o gozo de direitos políticos só será reconhecido aos que tiverem três anos de residência habitual e depende de requerimento à autoridade competente (Ramos, André de Carvalho. Curso de Direitos Humanos, parte IV, cap. 44). A matéria é cobrada no ponto 19.c de DIP.

18. (EMAGIS) ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:

19.c de DIP. 18. (EMAGIS) ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: É expressamente proibida a divulgação deste material,
19.c de DIP. 18. (EMAGIS) ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: É expressamente proibida a divulgação deste material,
19.c de DIP. 18. (EMAGIS) ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: É expressamente proibida a divulgação deste material,

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(a) A chamada Carta Rogatória executória, que tem por objeto atos cautelares de

constrição sobre pessoas e bens, não é aceita pela jurisprudência brasileira, uma vez que

medidas dessa natureza exigem decisão judicial estrangeira transitada em julgado.

(b) Na transferência de presos o consentimento do indivíduo é peça primordial, sem a qual

(b)

Na transferência de presos o consentimento do indivíduo é peça primordial, sem a qual

não é possível fazer avançar seu trâmite.

(c) O Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal entre o Brasil e os Estados

(c) O Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal entre o Brasil e os Estados Unidos da América estabelece que a assistência somente será prestada se o fato sujeito a investigação, inquérito ou ação penal seja punível na legislação de ambos os Estados.

(d) A prisão do extraditando é condição de procedibilidade do pleito extradicional, conforme o art.

(d) A prisão do extraditando é condição de procedibilidade do pleito extradicional, conforme o art. 208 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, e, por essa razão, ocorre de forma automática.

conforme o art. 208 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, e, por essa razão, ocorre

Comentários

(a) errada. A chamada Carta Rogatória executória, apesar de repelida pela

legislação brasileira desde o Aviso de 1847 e ainda pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal brasileiro até a década de 90 do século passado, é hoje aceita. O fundamento da antiga proibição de concessão de exequatur às Cartas Rogatórias Executórias encontra-se no entendimento de que os atos de restrição ou constrição de direitos constituem-se em atos de império que não podem ser veiculados em meros pedidos de auxílio da jurisdição estrangeira. Devem, sim, ser veiculados em comandos judiciais estrangeiros transitados em julgado, de modo a revelar uma análise mais profunda do caso concreto, o que implicaria no uso do instrumento cooperacional denominado ação de homologação de sentença estrangeira. Por isso, a execução coativa não poderia ser veiculada por meio de Carta Rogatória. Esse panorama passou a mudar na década de 90, a partir do reconhecimento, pelo STF, de que o modelo de proibição da carta rogatória passiva executória era fruto da aplicação mediata dos direitos fundamentais, ou seja, de configuração legal ou convencional. Logo, era baseado em proibição legal e que poderia ser superada por autorização prevista em tratado internacional. O primeiro tratado internacional ratificado pelo Brasil que afrontou a tradição de denegação de exequatur de carta rogatória executória foi o Protocolo de Cooperação Interjurisdicional Cível e Administrativa do Mercosul (Protocolo de Las Leñas), que trata da cooperação jurídica internacional não penal no Mercosul. Com o advento da Resolução n.º 9 de 2005 (hoje incorporada ao regimento interno do STJ - art. 216-A e seguintes - leitura recomendada), a polêmica foi encerrada, já que o art. 7º dispôs que “as cartas rogatórias podem ter por objeto atos decisórios ou não decisórios”, mostrando que não era caso de aplicação imediata de direitos fundamentais, mas sim de mera incidência de proibição de cunho legal ou convencional (Abade, Denise Neves. Direitos fundamentais na cooperação jurídica internacional, parte segunda, item 4.8). O tema carta rogatória, inclusive a incidência de direitos fundamentais (novidade no 29º concurso), é exigido no ponto 16.b de DIP.

(b) correta. Os tratados internacionais exigem a anuência do

sentenciado,

tratados internacionais exigem a anuência do sentenciado, É expressamente proibida a divulgação deste material,
tratados internacionais exigem a anuência do sentenciado, É expressamente proibida a divulgação deste material,

É expressamente proibida a divulgação deste material, cuja utilização é restrita ao usuário identificado no presente documento. A sua indevida divulgação viola a Lei 9.610/98 e acarretará responsabilização civil e criminal dos envolvidos.

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para que o procedimento tenha curso. Nas demais espécies de cooperação jurídica internacional, há a prevalência da vontade dos Estados. Mesmo na extradição, instituto próximo da transferência de presos por também desembocar na entrega de indivíduo, seu consentimento é supérfluo e não faz desaparecer no Brasil o processo extradicional que, inclusive, pode ser indeferido. Por outro lado, a prática e a doutrina brasileiras inclinam-se em considerar que o direito do sentenciado é de solicitar a transferência e não de ter a transferência concretizada. De fato, no caso da transferência de preso passiva (estrangeiro aqui sentenciado pede a sua transferência para o Estado de sua nacionalidade), pode o Estado brasileiro concordar ou não com a transferência, a depender de sua visão sobre a política de prevenção e repressão de crimes. Em regra, os tratados estabelecem que a transferência é faculdade e não dever dos Estados envolvidos (Abade, Denise Neves. Direitos fundamentais na cooperação jurídica internacional, parte segunda, item 5.5). Atenção: o tema “transferência de sentenciados”, previsto no item 10.b, é novidade no program de DIP do 29º concurso. A examinadora trata do instituto, inclusive sob a ótica da incidência de direitos fundamentais, no capítulo 5 da segunda parte da obra referida.

(c) errada. O Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal entre o

Brasil e os Estados Unidos (MLAT) dispensa expressamente a chamada dupla incriminação (a assistência será prestada ainda que o fato sujeito a investigação, inquérito ou ação penal não seja punível na legislação de ambos os Estados, cf. o art. 1.3). Sobre o tema, ver: Abade, Denise Neves. Direitos fundamentais na cooperação jurídica internacional, parte segunda, item 4.4. O tratados celebrados pelo Brasil sobre auxílio direto em matéria penal são expressamente cobrados no ponto 14.b do programa de DIP.

(d) errada. A Lei 12.878/2013 superou a antiga discussão sobre a decretação

automática da prisão do extraditando, pois prevê que o Estado estrangeiro pode requerer, fundamentadamente, a prisão cautelar ao Ministério da Justiça, que representará pela prisão ao STF (nova redação do art. 82 da Lei 6.815/1980) (Ramos, André de Carvalho. Curso de Direitos Humanos, parte IV, cap. 26). O ponto 13.a do programa de DIP trata exclusivamente sobre extradição. Sobre o tema, recomenda-se a leitura do livro "Direitos fundamentais na cooperação jurídica internacional", de autoria da examinadora (parte primeira, item 5.2, e parte segunda, item 3, que trata da

incidência de direitos fundamentais nessa espécie cooperacional).

19. (EMAGIS) SOBRE O POSICIONAMENTO ESTATAL EM RELAÇÃO À ORDEM

ECONÔMICA, ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:

(a) O modelo de estado liberal se notabiliza por focar a autonomia individual do cidadão, com a garantia da liberdade contratual e do direito à propriedade privada como pedras angulares de um sistema de livre iniciativa e livre mercado.À ORDEM ECONÔMICA, ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA: (b) O intervencionismo socialista é o modelo de

(b) O intervencionismo socialista é o modelo de posicionamento estatal em relação à economia que ficou conhecido como estado de bem-estar social, ou welfare state, bastante difundido no continente europeu no período do segundo pós-guerra.angulares de um sistema de livre iniciativa e livre mercado. É expressamente proibida a divulgação deste

no continente europeu no período do segundo pós-guerra. É expressamente proibida a divulgação deste material,
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É expressamente proibida a divulgação deste material, cuja utilização é restrita ao usuário identificado no presente documento. A sua indevida divulgação viola a Lei 9.610/98 e acarretará responsabilização civil e criminal dos envolvidos.

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(c) A partir da década de 1930, em razão da grande depressão do sistema financeiro

(c) A partir da década de 1930, em razão da grande depressão do sistema financeiro mundial, da verificação de falhas do sistema capitalista e da necessidade de fazer frente aos esforços de guerra, além de outros eventos laterais, o Estado abandona uma posição absenteísta e passa a intervir sobre a ordem econômica, relativizando, em alguns casos, a liberdade contratual, e assumindo, para si, a prestação de serviços públicos e a exploração direta de determinadas atividades econômicas.

(d) O modelo de Estado regulador consiste em um retorno às hostes do liberalismo econômico,

(d) O modelo de Estado regulador consiste em um retorno às hostes do liberalismo econômico, mas com os influxos das teorias sociais, caracterizando-se por adotar, como regra, uma economia de mercado, fundada na livre iniciativa, mas voltada a assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, erigindo, portanto, uma ordem econômica funcionalizada, sobre qual a intervenção estatal é excepcional e subsidiária.

erigindo, portanto, uma ordem econômica funcionalizada, sobre qual a intervenção estatal é excepcional e subsidiária.

Comentários

A presente questão aborda um dos temas mais teóricos existentes no

programa de direito econômico, podendo ser inserida tanto no item 1.c quanto

no item 3.c do programa. As formas de posicionamento econômico do Estado

são determinadas conforme a ideologia político-econômica incorporada por cada ordem jurídica estatal, podendo ser classificadas, segundo o professor Leonardo Vizeu Figueiredo, em sua obra Lições de Direito Econômico, em (i) Estado Liberal, (ii) Estado intervencionista econômico, (iii) Estado intervencionista social, (iv) Estado intervencionista socialista e (v) Estado regulador.

De acordo com essa classificação, o Estado liberal seria aquele que incorpora a doutrina filosófica e política do liberalismo e, no plano econômico, as lições

do liberalismo econômico clássico, da lavra de Adam Smith. Como se sabe, o

liberalismo surgiu como reação ao modelo estatista do Estado absolutista, preconizando a autonomia do indivíduo como valor inviolável, plasmada na liberdade contratual, na livre iniciativa e no livre mercado, ou livre

concorrência, o que se exprime no conhecido brocardo do laissez-faire, laissez-passer. Portanto, correta a alternativa A.

Em conformidade com Leonardo Vizeu, na obra citada (pp. 51/54), “o intervencionismo socialista é a forma intervencionista máxima do Estado, uma vez que adota uma política econômica planificada, baseada na valorização do coletivo sobre o individual. O Poder Público passa a ser o centro exclusivo

No plano econômico,

baseia-se na teoria da planificação proposta por Lênin, defendida por Trotsky, operacionalizada e mantida por Stalin.”. Dessas passagens é possível concluir que o intervencionismo socialista – modelo implementado nos Estados socialistas – nada tem com o modelo Estado de bem-estar social, ou Estado providência, predominante no Continente Europeu do segundo pós- guerra, assim entendido como aquele que provê as necessidades básicas dos cidadãos mediante o estabelecimento de diversos direitos sociais e políticas públicas, como forma de minimizar os efeitos deletérios do capitalismo puro, mas em um ambiente de preservação das bases e estruturas do sistema capitalista. Esse modelo é identificado como

para as deliberações referentes à economia. (

)

como para as deliberações referentes à economia. ( ) É expressamente proibida a divulgação deste material,
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intervencionismo social. Desse modo, incorreta a alternativa B, que deveria ter sido assinalada.

A alternativa C exprime exatamente o contexto de crise do modelo de Estado Liberal, pelos motivos elencados, e de surgimento das formas de intervencionismo estatal – socialista econômico e social –. Em comum entre todos, observa-se um movimento de maior participação do Estado no cenário econômico, com a mitigação da liberdade contratual mediante o estabelecimento de normas cogentes, por exemplo, na esfera dos contratos trabalhistas, além de uma atuação direta no domínio econômico, com a prestação de serviços púbicos e a exploração de atividades econômicas em sentido estrito, dentre outras providências. Para maiores informações, confira- se a obra citada de Leonardo Vizeu (pp. 48/54). Correta a alternativa C.

Por fim, o modelo de Estado regulador é aquele que busca “um retorno comedido aos ideais do liberalismo, sem, contudo, abandonar a necessidade de sociabilidade dos bens essenciais, a fim de garantir a dignidade da pessoa humana. Caracteriza-se numa (sic) nova concepção para a presença do Estado na economia, como ente garantidor e regulador da atividade econômica, que volta a se basear na livre-iniciativa e na liberdade de

mercado, bem como na desestatização das atividades econômicas e redução sistemática dos encargos sociais, com o fito de se garantir equilíbrio nas contas públicas. Contudo, não desvia o Poder Público da contextualização social, garantindo, ainda, que este possa focar esforços nos serviços públicos

essenciais. (

Assim, o modelo de engenharia política do Estado regulador

se caracteriza por reservar ao Poder Público um papel subsidiário na Ordem Econômica.” (Vizeu, pp. 54/55). Correta a alternativa D.

)

20. (EMAGIS) EM RELAÇÃO ÀS AGÊNCIAS REGULADORAS, JULGUE AS SEGUINTES

AFIRMAÇÕES:

I – O regime de contratação de pessoal das agências reguladoras é regido pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, por expressa disposição do art. 1º da Lei n.º 9.986/00.

II – As agências reguladoras integram a administração indireta, uma vez que possuem a

natureza jurídica de autarquias em regime especial, subordinadas, hierarquicamente, ao Ministério da área sobre a qual atuam.

III – A independência das agências reguladoras decorre, de forma determinante, da previsão de

mandatos fixos para os seus diretores, que somente perderão o mandato em razão de condenação judicial transitada em julgado, renúncia ou processo administrativo disciplinar, não sendo admitida a exoneração ad nutum.

IV – A discricionariedade técnica das agências reguladoras consiste na possibilidade de edição

de atos normativos e decisões sobre os aspectos técnicos da área regulada, por deferência do poder legislativo, que, ao disciplinar o setor de atuação da agência, deixa de ingressar em

o setor de atuação da agência, deixa de ingressar em É expressamente proibida a divulgação deste
o setor de atuação da agência, deixa de ingressar em É expressamente proibida a divulgação deste

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aspectos técnicos, delegando essa função às agências, que possuem quadros especializados e, portanto, mais capacitados para estabelecer as regras sobre a matéria, mas sem possibilidade de inovação na ordem jurídica.

Estão incorretos os itens:

(a) I e IV

(a)

I e IV

(b) III e IV

(b)

III e IV

(c) I e II

(c)

I e II

(d) I, II e IV

(d)

I, II e IV

(a) I e IV (b) III e IV (c) I e II (d) I, II e

Comentários

O item I está incorreto, haja vista que o art. 1º da Lei n.º 9.986/00 – que dispõe sobre a gestão de recursos humanos das Agências Reguladoras –, teve sua eficácia suspensa por decisão liminar proferida nos autos da ADI 2310, sendo posteriormente revogado pela Lei n.º 10.871/04. Quanto a esta celeuma, importa pontificar que a Lei n.º 9.986/00 foi aprovada na esteira da redação atribuída ao art. 39, cabeça, da CF pela EC n.º 19/98, pela qual foi excluída a necessidade de instituição de regime jurídico único e plano de carreira para os servidores da administração direta, das autarquias e fundações da União, Estados e Municípios. Nada obstante, logo em seguida,

a eficácia do art. 39, cabeça, CF, na forma da EC 19/98, foi suspensa por

decisão do STF nos autos da ADI 2135, restabelecendo-se a redação original

do sobredito artigo, pelo que o disposto no art. 1º da Lei n.º 9.986/00 passou

a ser incompatível com o texto constitucional. Finalmente, como observado, o

imbróglio foi solucionado com a revogação desse artigo. Dessarte, o regime de contratação dos servidores das agências reguladoras, enquanto autarquias que são, é o jurídico administrativo, na forma do art. 39, cabeça, da CF.

O item II da questão incide em equívoco apenas na parte em que afirma serem as agências subordinadas hierarquicamente ao ministério da área sobre a qual atuam. Conforme consabido, as pessoas jurídicas públicas originadas do processo de descentralização da administração pública (autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista) não possuem uma relação de hierarquia com a administração direta – já que não integram a estrutura desta –, mas de vinculação, de forma que o controle que se exerce sobre elas é meramente finalístico – tutela administrativa –, não sendo cabível, em regra, recurso das decisões adotadas em última instância no âmbito dessas pessoas jurídicas, salvo na hipótese de expressa previsão legal, caso em que será admitido o chamado recurso hierárquico impróprio, cuja nomenclatura decorre, justamente, da ausência de relação hierárquica entre o Ministro de Estado, destinatário do recurso, e a autoridade recorrida. Se isso se aplica às pessoas jurídicas públicas em geral, com

se aplica às pessoas jurídicas públicas em geral, com É expressamente proibida a divulgação deste material,
se aplica às pessoas jurídicas públicas em geral, com É expressamente proibida a divulgação deste material,

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maior razão deve ser observado quanto às agências reguladoras, autarquias em regime especial que devem agir com independência em relação aos interesses dos governos de ocasião. Incorreto o item II.

Como afirmado no item anterior, as agências reguladoras são autarquias especiais dotadas de independência em relação ao governo que dirige a administração direta da sua esfera estatal. Essa independência, necessária para preservar o caráter técnico da atuação da agência, decorre, primordialmente, da ausência de subordinação hierárquica entre a agência e a administração direta e da estabilidade dos dirigentes das agências, que terão mandatos fixos e somente os perderão nas hipóteses taxativas do 9º da Lei n.º 9.986/00, transcritas com fidelidade no item III acima, sendo esta uma nota distintiva das agências reguladoras em relação às demais autarquias. Correto, portanto, o item III.

Finalmente, o item IV trata da discricionariedade técnica das agências reguladoras, mais uma das peculiaridades dessas autarquias especiais. Considerando que a afirmação constante do item sob comento está correta, essa discricionariedade consiste exatamente na possibilidade de edição de atos normativos e decisões sobre os aspectos técnicos da área regulada, dada a expertise do corpo técnico das agências sobre esses assuntos. Operacionaliza-se por meio da técnica da chamada deslegalização ou delegificação, que se caracteriza pela edição de leis mais genéricas sobre os aspectos técnicos do setor regulado, franqueando-se às agências a regulamentação da matéria mediante atos normativos infralegais, que disciplinam as especificidades dos temas tratados, desde que em perfeita consonância com as disposições legais estabelecidas pelo Congresso Nacional, de forma que se trata de um poder normativo subalterno ou subordinado, sujeito ao controle de legalidade, não podendo, portanto, inovar na ordem jurídica.

21. (EMAGIS) DE ACORDO COM O ENTENDIMENTO CONSOLIDADO DO STJ SOBRE BANCOS DE DADOS DE CONSUMIDORES, ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:

(a) É dispensável o Aviso de Recebimento (AR) na carta de comunicação ao consumidor

(a)

É dispensável o Aviso de Recebimento (AR) na carta de comunicação ao consumidor

sobre a negativação de seu nome em bancos de dados e cadastros.

(b) Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por

(b)

Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por

dano moral quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento.

(c) A inscrição do nome do devedor pode ser mantida nos serviços de proteção ao

(c) A inscrição do nome do devedor pode ser mantida nos serviços de proteção ao crédito até o prazo máximo de 5 (cinco) anos, independentemente da prescrição da execução.

(d) Mesmo havendo regular inscrição do nome do devedor em cadastro de órgão de

(d)

Mesmo havendo regular inscrição do nome do devedor em cadastro de órgão de

proteção ao crédito, após o integral pagamento da dívida, incumbe ao CREDOR requerer a exclusão do registro desabonador, no prazo de 10 (dez) dias úteis, a contar do primeiro dia útil subsequente à completa disponibilização do numerário necessário à quitação do débito vencido.

primeiro dia útil subsequente à completa disponibilização do numerário necessário à quitação do débito vencido.
do numerário necessário à quitação do débito vencido. É expressamente proibida a divulgação deste material,
do numerário necessário à quitação do débito vencido. É expressamente proibida a divulgação deste material,

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Comentários

Essa questão foi formulada com base em entendimentos consolidados do STJ sobre o assunto, sendo as 3 primeiras afirmações oriundas de enunciados sumulares da Corte Superior e a última objeto de entendimento firmado em sede de Recurso Repetitivo. Acredita-se, pelo perfil da examinadora, que essa será a tônica da prova de consumidor, que também deverá se basear em dispositivos do CDC.

Antes de expor a correção ou não das assertivas, cumpre esclarecer que, a despeito de o art. 43 do CDC não ter feito distinção no tratamento dado aos cadastros e bancos de dados de consumidores, a doutrina, na pena do Ministro do STJ Antônio Herman Benjamin, cuidou de diferenciá-los conceitualmente, afirmando ser o primeiro constituído de informações repassadas pelo próprio consumidor e com destino a um fornecedor específico, para uso interno deste (seriam esses cadastros de clientes que as empresas fazem sempre que realizamos uma compra ou contratamos um serviço), sendo o banco de dados aquele originado de informações repassadas pelos fornecedores, com destino ao mercado, atualizadas constantemente, constituindo o registro um fim em si mesmo. Exemplo desse último seria o cadastro positivo instituído pela Lei n.º 12.414/11.

Examinando as alternativas, vê-se que a assertiva A está correta, vez que reproduz o teor da Súmula 404/STJ, que dispõe “é dispensável o Aviso de Recebimento (AR) na carta de comunicação ao consumidor sobre a negativação de seu nome em bancos de dados e cadastros.”.

No mesmo sentido, correta a alternativa B, cuja afirmação consta da súmula 385/STJ. Verbis: “Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano moral quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento.”.

Correta, ainda, a alternativa C, texto da súmula 323/STJ: “A inscrição do nome do devedor pode ser mantida nos serviços de proteção ao crédito até o prazo máximo de cinco anos, independentemente da prescrição da execução.”.

A alternativa incorreta, e que deveria ser marcada, é a D, visto que, embora sintetize o entendimento firmado pelo STJ em sede de recurso repetitivo (2ª Seção. REsp 1.424.792-BA, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 10/9/2014), troca o prazo de 05 (cinco) pelo de 10 (dez) dias. Quanto a esse item, merece destaque o fato de que o prazo de 05 (cinco) dias úteis foi estabelecido pelo STJ por meio de aplicação analógica do art. 43, § 3º, do CDC, que prescreve:

§ 3º — O consumidor, sempre que encontrar inexatidão nos seus

dados e cadastros, poderá exigir sua imediata correção, devendo o arquivista, no prazo de cinco dias úteis, comunicar a alteração aos eventuais

"Art. 43 (

)

comunicar a alteração aos eventuais "Art. 43 ( ) É expressamente proibida a divulgação deste material,
comunicar a alteração aos eventuais "Art. 43 ( ) É expressamente proibida a divulgação deste material,

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destinatários das informações incorretas".

22. (EMAGIS) COM RELAÇÃO AO DUTY TO MITIGATE THE LOSS:

I - A quebra do dever de mitigação do próprio prejuízo, por se tratar de um dever anexo da boa- fé, gera responsabilidade contratual objetiva, independendo de culpa.

II - Por se tratar de um contrato aleatório, o dever de mitigar as perdas é inaplicável ao contrato

de

seguro.

III

- O STJ decidiu ser aplicável o dever de mitigar as perdas a caso no qual um procurador

postulava indenização por danos morais devido a equívoco na publicação de sentença, sem que tenha alegado tal fato em recursos posteriores a citada decisão.

IV - Embora o credor tenha o dever de limitar a perda, o devedor não pode requerer a

diminuição da indenização postulada, se não houver previamente notificado o primeiro a adotar

as medidas necessárias à redução do prejuízo.

Das afirmativas acima:

(a) I e II estão corretas

(a)

I e II estão corretas

(b) III e IV estão corretas

(b)

III e IV estão corretas

(c) I e III estão corretas

(c)

I e III estão corretas

(d) II e IV estão corretas

(d)

II e IV estão corretas

(a) I e II estão corretas (b) III e IV estão corretas (c) I e III

Comentários

I – correta. Conforme explica Vera Fradera, o citado dever possui uma relação direta com o princípio da boa-fé objetiva, uma vez que a mitigação do próprio prejuízo constituiria um dever de natureza acessória, um dever anexo, derivado da boa conduta que deve existir entre os negociantes. Nesse sentido também é o enunciado 169 do CJF: “O princípio da boa-fé objetiva deve levar o credor a evitar o agravamento do próprio prejuízo”. Portanto, tratando-se de um dever anexo, seu descumprimento gera responsabilidade objetiva, conforme entendimento consolidado no enunciado 24 da CJF: “Em virtude do princípio da boa-fé, positivado no art. 422 do novo Código Civil, a violação dos deveres anexos constitui espécie de inadimplemento, independentemente de culpa.”

II – incorreta. Não há qualquer restrição à aplicaç ão do dever de mitigar as perdas aos contratos aleatórios. Aliás, o artigo 769 do Código Civil impõe, de forma expressa, esse dever ao segurado, conforme lições de Tartuce:

“Especificamente, há normas que trazem o dever de mitigar a perda no contrato de seguro. Prevê o art. 769 do CC que o segurado é obrigado a

seguro. Prevê o art. 769 do CC que o segurado é obrigado a É expressamente proibida
seguro. Prevê o art. 769 do CC que o segurado é obrigado a É expressamente proibida

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comunicar ao segurador, logo que saiba, todo incidente suscetível de agravar consideravelmente o risco coberto, sob pena de perder o direito à garantia”.

III – correta. O STJ decidiu exatamente nesse sentido no REsp 1325862/PR

((Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 05/09/2013, DJe 10/12/2013): “Não fosse por isso, é incontroverso nos autos que o recorrente, depois da publicação equivocada, manejou embargos contra a sentença sem nada mencionar quanto ao erro, não fez também nenhuma menção na apelação que se seguiu e não requereu administrativamente a correção da publicação. Assim, aplica-se magistério de doutrina de vanguarda e a jurisprudência que têm reconhecido como decorrência da boa- fé objetiva o princípio do Duty to mitigate the loss, um

dever de mitigar o próprio dano, segundo o qual a parte que invoca violações

a um dever legal ou contratual deve proceder a medidas possíveis e

razoáveis para limitar seu prejuízo. É consectário direto dos deveres conexos

à boa-fé o encargo de que a parte a quem a perda aproveita não se

mantenha inerte diante da possibilidade de agravamento desnecessário do próprio dano, na esperança de se ressarcir posteriormente com uma ação

indenizatória, comportamento esse que afronta, a toda evidência, os deveres

de

cooperação e de eticidade.”

IV

– incorreta. Uma das consequências do dever de m itigar as perdas é

justamente a redução do valor da indenização. Não há qualquer necessidade

de

notificar previamente a outra parte. A esse respeito, ensina Vera Fradera:

“A

parte que invoca a quebra do contrato deve tomar as medidas razoáveis,

levando em consideração as circunstâncias, para limitar a perda, nela compreendido o prejuízo resultante da quebra. Se ela negligencia em tomar tais medidas, a parte faltosa pode pedir a redução das perdas e danos, em proporção igual ao montante da perda que poderia ter sido diminuída”.

23. (EMAGIS) NO QUE DIZ RESPEITO À LEI 12.846/2013 (LEI ANTICORRUPÇÃO), É CORRETO AFIRMAR:

(a) A responsabilidade da pessoa jurídica, seja administrativa ou civil, é de natureza objetiva, mas

(a) A responsabilidade da pessoa jurídica, seja administrativa ou civil, é de natureza objetiva, mas não prescinde da responsabilidade dos seus dirigentes ou administradores, em relação aos quais se aferirá a culpa.

(b) Com exceção dos casos de simulação e fraude, nas hipóteses de fusão e incorporação,

(b) Com exceção dos casos de simulação e fraude, nas hipóteses de fusão e incorporação, a responsabilidade da sucessora será restrita à obrigação de pagamento da reparação integral do dano causado.

(c) Com a perda da eficácia da Medida Provisória 703/2015, voltou a se exigir, para

(c) Com a perda da eficácia da Medida Provisória 703/2015, voltou a se exigir, para a celebração de acordo de leniência, que a pessoa jurídica seja a primeira a manifestar o interesse em cooperar para a apuração do ato ilícito.

(d) O Ministério Público poderá ajuizar ação visando a aplicação das sanções de perdimento de

(d) O Ministério Público poderá ajuizar ação visando a aplicação das sanções de perdimento de bens e de dissolução compulsória da pessoa jurídica, desde que não de forma cumulativa.

sanções de perdimento de bens e de dissolução compulsória da pessoa jurídica, desde que não de
da pessoa jurídica, desde que não de forma cumulativa. É expressamente proibida a divulgação deste material,
da pessoa jurídica, desde que não de forma cumulativa. É expressamente proibida a divulgação deste material,

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Comentários

a – incorreta. Embora os dirigentes e administradores da pessoa jurídica

possam ser responsabilizados individualmente (art. 3º, caput) e, para tanto,

se exija a presença de culpa (art. 3º, §2º), a responsabilização da pessoa jurídica não depende de que eles sejam efetivamente responsabilizados, conforme dispõe o §1º do artigo supracitado: “A pessoa jurídica será responsabilizada independentemente da responsabilização individual das pessoas naturais referidas no caput.”

b – incorreta. A assertiva possui dois equívocos: 1) a responsabilidade da

sucessora abrange também o pagamento da multa; 2) no que diz respeito à obrigação da reparação integral do dano causado, esta é limitada ao montante do patrimônio transferido. Isso é o que se extrai do §1º do art. 4º da Lei: “Nas hipóteses de fusão e incorporação, a responsabilidade da sucessora será restrita à obrigação de pagamento de multa e reparação integral do dano causado, até o limite do patrimônio transferido, não lhe sendo aplicáveis as demais sanções previstas nesta Lei decorrentes de atos

e fatos ocorridos antes da data da fusão ou incorporação, exceto no caso de simulação ou evidente intuito de fraude, devidamente comprovados.”

c - correta. Com a perda da eficácia da Medida Provisória nº. 703/2015, que

havia revogado o I do §1º do art. 16 da Lei Anticorrupção, voltou a ter eficácia

o citado dispositivo, que prevê, como uma das condições para celebração do

acordo de leniência, que “a pessoa jurídica seja a primeira a se manifestar

sobre seu interesse em cooperar para a apuração do ato ilícito”.

d – incorreta. Conforme previsto em seu §3º, as sanções do artigo 19 da Lei Anticorrupção podem ser “aplicadas de forma isolada ou cumulativa”, não havendo, portanto, qualquer impedimento a que seja postulada a condenação ao perdimento de bens e à dissolução compulsória da pessoa jurídica.

24. (EMAGIS) DE ACORDO COM A JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA:

(a) Há justo motivo para correção do nome, visando a possibilitar o requerimento de outra

(a)

Há justo motivo para correção do nome, visando a possibilitar o requerimento de outra

nacionalidade ou cidadania, mas não para, após já ter sido adquirida a dupla nacionalidade, obter a uniformidade entre o registro civil nacional e o estrangeiro.

(b) O fato de a pessoa ter sido criada desde tenra idade pelo padrasto constitui

(b) O fato de a pessoa ter sido criada desde tenra idade pelo padrasto constitui justo motivo para a alteração do nome, incluindo-se o patronímico deste último.

(c) Não é possível retificar o patronímico materno no registro de nascimento de filho em

(c)

Não é possível retificar o patronímico materno no registro de nascimento de filho em

decorrência do casamento posterior, em que a genitora acresceu, ao seu nome, o sobrenome paterno.

(d) Não constitui justo motivo suficiente para retificação do assento de nascimento, com a

(d)

Não constitui justo motivo suficiente para retificação do assento de nascimento, com a

supressão do patronímico paterno, o fato de a pessoa ter sido abandonada pelo genitor na infância.

de nascimento, com a supressão do patronímico paterno, o fato de a pessoa ter sido abandonada
de a pessoa ter sido abandonada pelo genitor na infância. É expressamente proibida a divulgação deste
de a pessoa ter sido abandonada pelo genitor na infância. É expressamente proibida a divulgação deste

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Comentários

a – incorreta. De fato, o STJ possui entendimento quanto à possibilidade de

retificação do nome com a finalidade de obter a dupla cidadania (REsp 1138103/PR). Tal direito, todavia, também assiste a quem, já tendo obtido a dupla nacionalidade, pretender a uniformidade dos registros brasileiro e estrangeiro, consoante decisão proferida no REsp 1310088/MG (Rel. p/ Acórdão Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 17/05/2016, DJe 19/08/2016): “1. Pedido de retificação de registro civil, em decorrência da obtenção da nacionalidade italiana (dupla cidadania), ensejando a existência de sobrenomes intermediários diferentes (Tristão ou Rodrigues) nos documentos brasileiros e italianos. 2. Reconhecimento da ocorrência de justa causa, em face dos princípios da verdade real, da simetria e da segurança jurídica, inexistindo prejuízo a terceiros.”

b- correta. Foi o que decidiu o STJ no REsp 220.059/SP (Rel. Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 22/11/2000, DJ 12/02/2001, p. 92): O nome pode ser alterado mesmo depois de esgotado o prazo de um ano, contado da maioridade, desde que presente razão suficiente para excepcionar a regra temporal prevista no art. 56 da Lei 6.015/73, assim reconhecido em sentença (art. 57). Caracteriza essa hipótese o fato de a pessoa ter sido criada desde tenra idade pelo padrasto, querendo por isso se apresentar com o mesmo nome usado pela mãe e pelo marido dela.

c – incorreta. O STJ possui decisão exatamente no sentido contrário: “1. É

possível retificar o patronímico materno no registro de nascimento de filho em decorrência do casamento conforme exegese do art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 8.560/1992. 2. O acréscimo ao patronímico materno do sobrenome paterno facilitará a identificação da criança registrada no âmbito social e familiar, realizando os princípios da autonomia de vontade e da verdade real. (REsp 1328754/MG, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 16/02/2016, DJe 23/02/2016)”.

d- incorreta. Consoante acórdão do STJ, “se identifica justo motivo no pleito do recorrente de supressão do patronímico paterno do seu nome, pois, abandonado pelo pai desde tenra idade, foi criado exclusivamente pela mãe

e pela avó materna. (REsp 1304718/SP, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 18/12/2014, DJe

05/02/2015)”.

25. (EMAGIS) ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:

(a) O MP Estadual tem legitimidade para atuar perante os Tribunais Superiores seja nos processos em que figurar como parte, seja naqueles em que tiver atuado como fiscal da ordem jurídica.25. (EMAGIS) ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: É expressamente proibida a divulgação deste material,

naqueles em que tiver atuado como fiscal da ordem jurídica. É expressamente proibida a divulgação deste
naqueles em que tiver atuado como fiscal da ordem jurídica. É expressamente proibida a divulgação deste
naqueles em que tiver atuado como fiscal da ordem jurídica. É expressamente proibida a divulgação deste

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(b) No caso de improcedência de ação coletiva intentada para a proteção de interesses ou

direitos individuais homogêneos, é possível tanto a propositura de nova ação coletiva por legitimado coletivo distinto quanto de ações individuais pelos interessados que não tiverem intervindo no processo como litisconsortes.

(c) Não é possível a utilização de ação de exibição de documentos como substitutiva de

(c)

Não é possível a utilização de ação de exibição de documentos como substitutiva de

habeas data.

(d) O Novo Código de Processo Civil consagrou o entendimento sumulado no enunciado

(d)

O Novo Código de Processo Civil consagrou o entendimento sumulado no enunciado

211 do STJ, no sentido de ser inadmissível o denominado prequestionamento ficto.

o entendimento sumulado no enunciado 211 do STJ, no sentido de ser inadmissível o denominado prequestionamento

Comentários

a – incorreta. É entendimento pacificado dos Tribunais Superiores que o MP

Estadual tem legitimidade para atuar perante as respectivas Cortes apenas

quando figurar como parte. Nesse sentido é a QO no RE 593.727/MG (STF)

e o EREsp 1.236.822-PR (STJ).

b- incorreta. A assertiva contraria decisão proferida recentemente pelo STJ:

“2. A apuração da extensão dos efeitos da sentença transitada em julgado proferida em ação coletiva para a defesa de direitos individuais homogêneos

passa pela interpretação conjugada dos artigos 81, inciso III, e 103, inciso III

e § 2º, do Código de Defesa do Consumidor. 3. Nas ações coletivas

intentadas para a proteção de interesses ou direitos individuais homogêneos,

a sentença fará coisa julgada erga omnes apenas no caso de procedência do

pedido. No caso de improcedência, os interessados que não tiverem intervindo no processo como litisconsortes poderão propor ação de indenização a título individual. 4. Não é possível a propositura de nova ação coletiva, mas são resguardados os direitos individuais dos atingidos pelo evento danoso. (REsp 1302596/SP, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, Rel. p/ Acórdão Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 01/02/2016).

c- correta. A alternativa está em conformidade com decisão proferida pelo STJ, na qual restou assentado que “o alargamento da concepção de documento na ação de exibição, para abarcar informações não cristalizadas

é repreensível, visto que o direito à informação pode ser sindicado pela via

própria (cf., a respeito, o disposto no art. 5º, LXXII, "a", da CF: "conceder-se-á habeas data: para assegurar o conhecimento de informações relativas à

pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público"). (REsp 1415741/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/12/2015, DJe 14/12/2015)”.

d – incorreta. Na verdade, o NCPC, ao estabelecer que “consideram-se

incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para fins de pré-questionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro,

omissão, contradição ou obscuridade” (art. 1.025) vai de encontro à citada

ou obscuridade” (art. 1.025) vai de encontro à citada É expressamente proibida a divulgação deste material,
ou obscuridade” (art. 1.025) vai de encontro à citada É expressamente proibida a divulgação deste material,

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súmula. A esse respeito, afirma Daniel Assumpção Neves que “como se pode notar da mera leitura do dispositivo legal, está superado o entendimento consagrado na Súmula 211/STJ”. Sobre o tema, assevera ainda Diddier que “a opção do CPC-2015 é coerente com um sistema que prestigia o julgamento do mérito - primazia da decisão de mérito (art. 40, art. 932, par. ún. e, especificamente em relação aos recursos extraordinários, o art. 1.029, §3°, CPC). O n. 211 da súmula do STJ deve ser cancelado”.

26. (EMAGIS) NO QUE DIZ RESPEITO À AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA:

(a) Caso se pretenda a anulação de contrato administrativo, deverão figurar no polo

(a)

Caso se pretenda a anulação de contrato administrativo, deverão figurar no polo

passivo todos os integrantes da relação contratual, por se tratar de litisconsórcio necessário e unitário.

(b) O Ministério Público não possui legitimidade para a propositura de ação civil pública decorrente

(b) O Ministério Público não possui legitimidade para a propositura de ação civil pública decorrente de atos de improbidade praticados antes da vigência da Constituição Federal de 1988.

(c) Se proposta pelo Ministério Público, a falta de citação do Município interessado

(c)

Se proposta pelo Ministério Público, a falta de citação do Município interessado

acarreta a nulidade do processo.

(d) O requerimento, pelo ente público interessado, de prazo em dobro para responder, implica preclusão

(d) O requerimento, pelo ente público interessado, de prazo em dobro para responder, implica preclusão lógica, impossibilitando o exercício do direito de pleitear sua inclusão no pólo ativo, em conformidade com o artigo 6º, §3º da Lei de Ação Popular.

do direito de pleitear sua inclusão no pólo ativo, em conformidade com o artigo 6º, §3º

Comentários

a – correta. A assertiva reproduz entendimento firmado pelo STJ no REsp

1162604/SP: “Em demanda movida pelo Ministério Público visando à anulação de contrato administrativo, a sentença somente será eficaz se participarem do processo todos os figurantes da relação contratual. Tipifica- se, no caso, litisconsórcio passivo necessário unitário (CPC, art. 47).”

b – incorreta. A afirmação vai de encontro ao entendimento do STJ, expresso,

entre outros, no REsp 1113294/MG: “O Ministério Público ostenta legitimidade ad causam para a propositura de ação civil pública objetivando o

ressarcimento de danos ao erário, decorrentes de atos de improbidade praticados antes da vigência da Constituição Federal de 1988”.

c – incorreta. Conforme o artigo 17, caput, da Lei 8.429/92, a ação de

improbidade será proposta pelo Ministério Público ou pela pessoa jurídica interessada. Sendo proposta, pelo Ministério Público, a pessoa jurídica interessada poderá integrar a lide como litisconsorte facultativa, nos termos

do §3º do citado dispositivo. Assim, o fato de não ter sido citada não acarreta

a nulidade do processo, conforme decidiu o STJ no REsp 886.524: “Na ação

civil pública de improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público, a falta de citação do Município interessado, por se tratar de litisconsorte facultativo, a teor do disposto no artigo 17, § 3º, da Lei n. 8.429/92, com a

nova redação dada pelo artigo 11 da Lei n. 9.366, de 1.996, não tem o

dada pelo artigo 11 da Lei n. 9.366, de 1.996, não tem o É expressamente proibida
dada pelo artigo 11 da Lei n. 9.366, de 1.996, não tem o É expressamente proibida

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condão de provocar a nulidade do processo”.

d – incorreta. Conforme prevê o artigo 17, 3º da Lei de Improbidade, a pessoa jurídica interessada pode, ao invés de contestar o pedido, atuar ao lado do autor, de acordo com o artigo 6º, §3º da Lei de Ação Popular, no que tem se denominado de inversão de legitimidade. Sobre o assunto, decidiu o STJ que não há “falar em preclusão lógica ou temporal em razão de a entidade de Direito Público ter pleiteado, nos termos do art. 7º, IV, da Lei n. 4.717/1965, o prazo em dobro para responder à ação.” (AgRg no REsp 973.905/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/06/2009, DJe 25/06/2009).

27. (EMAGIS) NO QUE TANGE À DISCIPLINA DA COISA JULGADA NO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, É CORRETO AFIRMAR:

(a) O §2º do art. 503 do citado diploma não impede, de modo absoluto, a

(a) O §2º do art. 503 do citado diploma não impede, de modo absoluto, a formação de coisa julgada prejudicial incidental em mandado de segurança.

(b) Fortaleceu o entendimento consagrado na Súmula 453 do STJ (os honorários sucumbenciais, quando omitidos

(b) Fortaleceu o entendimento consagrado na Súmula 453 do STJ (os honorários sucumbenciais, quando omitidos em decisão transitada em julgado, não podem ser cobrados em execução ou em ação própria).

(c) Admite-se a coisa julgada implícita em relação à questão prejudicial de mérito.

(c)

Admite-se a coisa julgada implícita em relação à questão prejudicial de mérito.

(d) Ainda que preenchidos os requisitos legais, não se formará a coisa julgada prejudicial

(d)

Ainda que preenchidos os requisitos legais, não se formará a coisa julgada prejudicial

incidental, se não houver pedido expresso da parte.

os requisitos legais, não se formará a coisa julgada prejudicial incidental, se não houver pedido expresso

Comentários

a- correta. Conforme o citado dispositivo, não se formará a coisa julgada prejudicial incidental se no processo houver restrições probatórias ou limitações à cognição que impeçam o aprofundamento da análise da questão. No entanto, o só fato de se tratar de mandado de segurança não implica a impossibilidade da formação da citada coisa julgada, bastando que as limitações probatórias do referido processo não constituam óbice ao aprofundamento da análise da questão. A esse respeito, leciona Daniel Assumpção que “só não haverá coisa julgada material nesses casos se as limitações cognitivas ou probatórias impedirem a cognição exauriente com base em todos os meios de prova necessários para a solução da questão prejudicial”.

b- incorreta. O art. 503, caput, do NCPC, ao dispor que “a decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida” vai justamente no sentido oposto ao da referida súmula. Essa é a conclusão constante no enunciado nº 08 do Forum Permanente dos Processualistas Civis: “Fica superado o enunciado 453 da súmula do STJ após a entrada em vigor do CPC”.

453 da súmula do STJ após a entrada em vigor do CPC”. É expressamente proibida a
453 da súmula do STJ após a entrada em vigor do CPC”. É expressamente proibida a

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c – incorreta. De acordo com o §1º do art. 503 do Novo Código de Processo

Civil, para que haja formação da coisa julgada prejudicial, a questão deve ter sido decidida expressa e incidentemente no processo. Conforme afirma

Daniel Assumpção, “A expressa menção a decisão expressamente decidida impede a coisa julgada implícita de decisão que resolve a questão prejudicial”. No mesmo sentido é o entendimento de Diddier.

d – incorreta. A formação da coisa julgada, seja principal ou incidental, não depende de pedido da parte. Nesse sentido é o enunciado 165 do Fórum Permanente de Processualistas Civis: “Independentemente de provocação, a análise de questão prejudicial incidental, desde que preencha os pressupostos dos parágrafos do art. 503, está sujeita à coisa julgada”.

28. (EMAGIS) DE ACORDO COM O FUNCIONALISMO RACIONAL-TELEOLÓGICO:

I - Os tipos penais expressam a dimensão mais precisa do princípio da legalidade penal e assumem, além do papel de garantia, a função de fornecer diretrizes de comportamento, de modo a exercer, assim, também um papel político-criminal;

II - A culpabilidade expressa-se na ideia de poder-agir-de-outro-modo, de maneira que a coação moral irresistível e o estado de necessidade constituem-se em causas típicas de sua exclusão;

III - Busca-se, no âmbito de tal teoria, dar maior autonomia à dogmática penal em relação à política criminal, de modo a fazer com que sua interação seja cada vez mais restrita;

IV - Os fins da pena devem pautar a construção da dogmática jurídico-penal, a fim de dar maior concretude às suas categorias, bem como vinculá-las a um ideal de realização de justiça social.

Estão corretos:

(a) I, II e IV

(a)

I, II e IV

(b) I, II e III

(b)

I, II e III

(c) I e IV

(c)

I e IV

(d) II e IV

(d)

II e IV

(a) I, II e IV (b) I, II e III (c) I e IV (d) II

Comentários

I – O enunciado está correto. A função político criminal que se atribui ao princípio da legalidade constitui uma das marcas principais do funcionalismo teleológico. Tal pensamento, desenvolvido sobretudo por Claus Roxin, ao buscar superar o ideário positivista desenvolvido pelo causalismo (de Franz v. Liszt, por exemplo), é todo construído sobre a ideia de que o principio da legalidade (nullum crimen sine lege) não se esgota em sua função de garantia. Veja-se, a esse respeito, o que afirma Claus Roxin:

Veja-se, a esse respeito, o que afirma Claus Roxin: É expressamente proibida a divulgação deste material,
Veja-se, a esse respeito, o que afirma Claus Roxin: É expressamente proibida a divulgação deste material,

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“Os tipos servem, na verdade, ao cumprimento do princípio nullum crimen,

Atualmente,

porém, a tarefa da lei não se esgota mais nesta função garantística. O próprio princípio nullum-crimen possui, ao lado de sua função liberal de proteção, a finalidade de fornecer diretrizes de comportamento; através disto, torna-se ele um significativo instrumento de regulação social” (ROXIN, Claus. Política criminal e sistema jurídico-penal. Trad. Luis Greco. Rio de Janeiro: Renovar, 2012, pp. 13-15 e p. 30).

devendo ser estruturados dogmaticamente a partir dele. (

)

II – O enunciado está incorreto. O funcionalismo teleológico distancia-se da concepção de culpabilidade tradicionalmente vinculada à ideia de poder-agir- de-outro-modo. A culpabilidade, no âmbito de tal pensamento, deve ser “cunhada político-criminalmente pela teoria dos fins da pena” (ROXIN, Claus. Política criminal e sistema jurídico-penal. Trad. Luis Greco. Rio de Janeiro:

Renovar, 2012, p. 67). Ainda:

“A categoria do delito que tradicionalmente se chama culpabilidade, e que tem na verdade pouco a ver com a comprovação, empiricamente difícil, do poder-agir-de-outro-modo, importa-se muito mais com a questão normativa de como e até que ponto é preciso aplicar a pena a um comportamento em princípio punível, se ele for praticado em circunstâncias excepcionais” (ROXIN, Claus. Política criminal e sistema jurídico-penal. Trad. Luis Greco. Rio de Janeiro: Renovar, 2012, p. 31).

No que diz respeito à coação moral irresistível e ao estado de necessidade, assim afirma Roxin:

“Se alguém – por qualquer razão que seja – não podia evitar o injusto típico por ele realizado, está excluída a punição desde qualquer teoria da pena imaginável: nada se poderá retribuir a uma culpabilidade inexistente; não há sentido em querer intimidar a coletividade para que não provoque consequências indesejadas; e dispensar um tratamento especial preventivo a uma pessoa cuja conduta não lhe pode ser reprovada é desnecessário” (ROXIN, Claus. Política criminal e sistema jurídico-penal. Trad. Luis Greco. Rio de Janeiro: Renovar, 2012, p. 68).

III – O enunciado está incorreto. Ao contrário do disposto no enunciado, o funcionalismo teleológico fundamenta-se justamente na necessidade de haver maior interação entre a dogmática jurídico-penal e a política criminal. Busca-se, no âmbito de tal pensamento, desconstruir a máxima de v. Liszt segundo a qual “a dogmática penal é a barreira intransponível da política criminal”. A esse respeito, Roxin:

“O caminho correto só pode ser deixar as decisões valorativas político-

Se os

questionamentos político-criminais não podem e não devem adentrar no sistema, deduções que dele corretamente se façam certamente garantirão

criminais introduzirem-se no sistema do direito penal. (

)

criminais introduzirem-se no sistema do direito penal. ( ) É expressamente proibida a divulgação deste material,
criminais introduzirem-se no sistema do direito penal. ( ) É expressamente proibida a divulgação deste material,

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soluções claras e uniformes, mas não necessariamente ajustadas ao caso. De que serve, porém, a solução de um problema jurídico, que apesar de sua linda clareza e uniformidade é político-criminalmente errada? Não será preferível uma decisão adequada do caso concreto, ainda que não integrável ao sistema?” (ROXIN, Claus. Política criminal e sistema jurídico-penal. Trad. Luis Greco. Rio de Janeiro: Renovar, 2012, p. 07).

IV – O enunciado está correto. Os fins da pena, vinculados no âmbito do funcionalismo teleológico a um ideal de prevenção, acabam por pautar a construção dogmática do direito penal. Veja-se, a esse respeito, o que afirma Roxin:

“São o postulado do princípio nullum crimen, a regulação social mediante ponderação de interesses em situações de conflito e as exigências das teorias dos fins da pena, que formam o substrato político criminal sobre o qual descansam as nossas conhecidas categorias do delito” (ROXIN, Claus. Política criminal e sistema jurídico-penal. Trad. Luis Greco. Rio de Janeiro:

Renovar, 2012, p. 31).

O que se pretende, com isso, é diminuir os espaços de abstração que tradicionalmente ocupam as construções teóricas da dogmática jurídico- penal, dando-lhes uma vinculação social:

“A construção ergue-se da massa dos elementos do crime através de sucessivas abstrações, feitas estrato por estrato, até chegar ao conceito superior e genérico da ação. A causa pela qual um sistema fechado, surgido de tal maneira, nos afasta da solução de nosso problema, eu já a tentei explicar: ele isola a dogmática, por um lado, das decisões valorativas político- criminais, e por outro, da realidade social, ao invés de abrir-lhes os caminhos até elas” (ROXIN, Claus. Política criminal e sistema jurídico-penal. Trad. Luis Greco. Rio de Janeiro: Renovar, 2012, p. 23).

29. (EMAGIS) EM TEMA DE PRESCRIÇÃO, ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA, CONSOANTE JURISPRUDÊNCIA SUMULADA DOS TRIBUNAIS SUPERIORES:

(a) Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena imposta na sentença,

(a) Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena imposta na sentença, não se computando o acréscimo decorrente da continuação.

(b) A reincidência não influi no prazo da prescrição da pretensão punitiva.

(b) A reincidência não influi no prazo da prescrição da pretensão punitiva.

(c) A pronúncia é causa interruptiva da prescrição, salvo se o Tribunal do Júri desclassificar

(c) A pronúncia é causa interruptiva da prescrição, salvo se o Tribunal do Júri desclassificar o crime.

(d) É inadmissível a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva com fundamento em

(d) É inadmissível a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva com fundamento em pena hipotética, independentemente da existência ou sorte do processo penal.

da pretensão punitiva com fundamento em pena hipotética, independentemente da existência ou sorte do processo penal.

Comentários

da existência ou sorte do processo penal. Comentários É expressamente proibida a divulgação deste material,
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(a) A alternativa está correta. Trata-se da literalidade da súmula 497 do STF:

“Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena imposta na sentença, não se computando o acréscimo decorrente da

continuação”.

(b) A alternativa está correta. Trata-se da literalidade da súmula 220 do STJ:

“A reincidência não influi no prazo da prescrição da pretensão punitiva”.

(c) A alternativa está incorreta, pois contraria a súmula 191 do STJ: “A

pronúncia é causa interruptiva da prescrição, ainda que o Tribunal do Júri venha a desclassificar o crime”.

(d) A alternativa está correta. Trata-se da literalidade da súmula 438 do STJ:

“É inadmissível a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva com fundamento em pena hipotética, independentemente da existência ou sorte do processo penal”.

30. (EMAGIS) SOBRE O CRIME DE LAVAGEM DE DINHEIRO, ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:

(a) Segundo a doutrina, o crime de lavagem de dinheiro dá-se em três fases (colocação,

(a) Segundo a doutrina, o crime de lavagem de dinheiro dá-se em três fases (colocação, dissimulação e integração), prescindindo-se, todavia, da ocorrência de todas elas para sua consumação.

(b) A legislação brasileira pune a autolavagem, embora a Convenção de Palermo autorize a não

(b) A legislação brasileira pune a autolavagem, embora a Convenção de Palermo autorize a não punição.

(c) A pena será aumentada de um a dois terços se os crimes de lavagem

(c) A pena será aumentada de um a dois terços se os crimes de lavagem de dinheiro forem cometidos de forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa.

(d) Segundo o STF, a conduta de receber vantagem indevida mediante mecanismo fraudulento, como o

(d) Segundo o STF, a conduta de receber vantagem indevida mediante mecanismo fraudulento, como o saque bancário por interposta pessoa, não constituiu mero exaurimento do crime de corrupção passiva, configurando o delito de lavagem de dinheiro.

pessoa, não constituiu mero exaurimento do crime de corrupção passiva, configurando o delito de lavagem de

Comentários

(a) A alternativa está correta. De fato, doutrinariamente, sustenta-se que o

crime de lavagem de dinheiro dá-se em três fases: colocação, dissimulação e integração. A primeira fase (colocação) consiste na separação do dinheiro dos autores do crime e em sua colocação no sistema econômico, por meio de depósitos, troca de moeda estrangeira, remessa ao exterior, aquisição de imóveis, obras de arte, joias etc. A segunda fase (dissimulação) busca dificultar o rastreamento dos recursos ilícitos, multiplicando as transações anteriores, fazendo com que não se possa identificar a origem ilícita dos valores ou bens. Por fim, a terceira fase (integração) consiste na incorporação formal dos recursos de origem ilícita ao sistema econômico. De qualquer modo, não se exige a ocorrência das três fases para a consumação do delito. Assim, é possível a consumação do crime de lavagem mesmo que

é possível a consumação do crime de lavagem mesmo que É expressamente proibida a divulgação deste
é possível a consumação do crime de lavagem mesmo que É expressamente proibida a divulgação deste

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só perfectibilizada, por exemplo, a fase de colocação.

(b) A alternativa está correta. De fato, no Brasil, a Lei 9.613/1998 criminaliza

a autolavagem, ou seja, a lavagem de dinheiro cujo autor é o mesmo autor da infração penal antecedente. Outros países não a punem, opção autorizada

pela Convenção de Palermo (Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional). Confiram-se os comentários de Baltazar Junior em sua obra Crimes Federais:

“A punição da autolavagem é uma opção política, adotada em países como o Brasil, Portugal e Espanha, enquanto outros a excluem, como é o caso da Alemanha, Áustria, Itália e Suécia (Mougenot Bonfim: 57), nos quais o autor da infração penal antecedente não é considerado autor do crime de lavagem, como autoriza o art. 6o, e, da Convenção de Palermo, que assim dispõe:

‘Se assim o exigirem os princípios fundamentais do direito interno de um Estado Parte, poderá estabelecer-se que as infrações enunciadas no parágrafo 1 do presente Artigo não sejam aplicáveis às pessoas que tenham cometido a infração principal’”.

(c) A alternativa está correta. Confira-se o que dispõe o art. 1o, § 4o, da Lei

9.613/1998:

“A pena será aumentada de um a dois terços, se os crimes definidos nesta Lei forem cometidos de forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa”.

(d) A alternativa está incorreta. A alternativa expõe posição que, num primeiro

momento, chegou a prevalecer no STF, no julgamento da AP 470. No entanto, em sede de embargos infringentes, o STF modificou seu entendimento. Confira-se trecho do voto do Min. Luis Roberto Barroso, que abriu a divergência e foi redator do acórdão:

“O recebimento por modo clandestino e capaz de ocultar o destinatário da propina, além de esperado, integra a própria materialidade da corrupção passiva, não constituindo, portanto, ação distinta e autônoma de lavagem de dinheiro. Para caracterizar esse crime autônomo seria necessário identificar atos posteriores, destinados a recolocar na economia formal a vantagem indevidamente recebida”.

Veja-se, agora, trecho da ementa do julgado:

“Embargos infringentes na AP 470. Lavagem de dinheiro. 1. Lavagem de valores oriundos de corrupção passiva praticada pelo próprio agente: 1.1. O recebimento de propina constitui o marco consumativo do delito de corrupção passiva, na forma objetiva “receber”, sendo indiferente que seja praticada com elemento de dissimulação. 1.2. A autolavagem pressupõe a prática de atos de ocultação autônomos do produto do crime antecedente (já

ocultação autônomos do produto do crime antecedente (já É expressamente proibida a divulgação deste material,
ocultação autônomos do produto do crime antecedente (já É expressamente proibida a divulgação deste material,

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consumado), não verificados na hipótese. 1.3. Absolvição por atipicidade da

conduta. (

Acórdão: Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em

13/03/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-161 DIVULG 20-08-2014 PUBLIC 21-08-2014)

(AP 470 EI-sextos, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Relator(a) p/

)”

31. (EMAGIS) SOBRE OS CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL, ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:

(a) A materialização do delito de evasão de divisas (art. 22, parágrafo único, primeira

(a)

A materialização do delito de evasão de divisas (art. 22, parágrafo único, primeira

figura, da Lei 7.492/1986) prescinde da saída física de moeda do território nacional.

(b) O agiota pode ser considerado instituição financeira para o fim de aplicação da Lei

(b)

O agiota pode ser considerado instituição financeira para o fim de aplicação da Lei

7.492/1986.

(c) A manutenção de conta não declarada no exterior é fato atípico se no dia

(c)

A manutenção de conta não declarada no exterior é fato atípico se no dia 31 de

dezembro o valor depositado for inferior ao limite tolerado pelo Banco Central.

(d) O crime de gestão temerária é mais grave do que o crime de evasão

(d)

O crime de gestão temerária é mais grave do que o crime de evasão de divisas.

tolerado pelo Banco Central. (d) O crime de gestão temerária é mais grave do que o

Comentários

(a) A alternativa está correta e reflete entendimento consolidado dos Tribunais Superiores sobre a matéria. Confira-se precedente do STF:

“EVASÃO DE DIVISAS (ART. 22, PARÁGRAFO ÚNICO, PRIMEIRA PARTE, DA LEI 7.492/1986). PROMOÇÃO DE OPERAÇÕES ILEGAIS DE SAÍDA DE MOEDA OU DIVISAS PARA O EXTERIOR. PROCEDÊNCIA PARCIAL DO PEDIDO. No período de 21.02.2003 a 02.01.2004, membros do denominado “núcleo publicitário” ou “operacional” realizaram, sem autorização legal, por meio do grupo Rural e de doleiros, cinquenta e três depósitos em conta

mantida no exterior. Desses depósitos, vinte e quatro se deram através do conglomerado Rural, cujos principais dirigentes à época se valeram, inclusive, de offshore sediada nas Ilhas Cayman (Trade Link Bank), que também integra, clandestinamente, o grupo Rural, conforme apontado pelo Banco Central do Brasil. A materialização do delito de evasão de divisas prescinde da saída física de moeda do território nacional. Por conseguinte, mesmo aceitando-se a alegação de que os depósitos em conta no exterior teriam sido feitos mediante as chamadas operações “dólar-cabo”, aquele que efetua pagamento em reais no Brasil, com o objetivo de disponibilizar, através do outro que recebeu tal pagamento, o respectivo montante em moeda estrangeira no exterior, também incorre no ilícito de evasão de divisas. Caracterização do crime previsto no art. 22, parágrafo único, primeira parte, da Lei 7.492/1986, que tipifica a conduta daquele que, “a qualquer título, promove, sem autorização legal, a saída de moeda ou divisa para o

exterior(

(AP 470, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno,

julgado em 17/12/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-074 DIVULG 19-04- 2013 PUBLIC 22-04-2013 RTJ VOL-00225-01 PP-00011).

)”

2013 PUBLIC 22-04-2013 RTJ VOL-00225-01 PP-00011). )” É expressamente proibida a divulgação deste material,
2013 PUBLIC 22-04-2013 RTJ VOL-00225-01 PP-00011). )” É expressamente proibida a divulgação deste material,

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(b) A alternativa está incorreta. Dispõe o art. 1o da Lei 7.492/1986:

“Art. 1º Considera-se instituição financeira, para efeito desta lei, a pessoa jurídica de direito público ou privado, que tenha como atividade principal ou acessória, cumulativamente ou não, a captação, intermediação ou aplicação de recursos financeiros (Vetado) de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, ou a custódia, emissão, distribuição, negociação, intermediação ou administração de valores mobiliários.

Parágrafo único. Equipara-se à instituição financeira:

I - a pessoa jurídica que capte ou administre seguros, câmbio, consórcio, capitalização ou qualquer tipo de poupança, ou recursos de terceiros;

- a pessoa natural que exerça quaisquer das atividades referidas neste artigo, ainda que de forma eventual”.

Como se vê, o dispositivo exige, para a configuração da instituição financeira, a operação com recursos de terceiros. Não é o caso do agiota, que opera com recursos próprios. Assim, não se aplica ao agiota a Lei 7.492/1986. Confira-se precedente do STJ:

“CONFLITO DE COMPETÊNCIA. EMPRÉSTIMO EM DINHEIRO. CRIME CONTRA A ECONOMIA POPULAR. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. 1. O empréstimo de dinheiro realizado por particular com recursos próprios, mediante a cobrança de juros extorsivos, não se amolda à Lei nº 7.492/86, que prevê os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Quem assim atua comete o crime de usura, descrito no art. 4º da Lei de Economia Popular, a ser julgado pela Justiça Estadual (Súmula 498 do STF)”. (CC 21.358/PB, Rel. Ministro FERNANDO GONÇALVES, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/1998, DJ 17/02/1999, p. 116)

(c) A alternativa está correta. O art. 22, parágrafo único, segunda figura, da Lei 7.492/1986 dispõe que comete crime aquele que no exterior “mantiver depósitos não declarados à repartição federal competente”. Ocorre que, segundo a regulamentação administrativa, a obrigatoriedade é de declaração da posição em 31 de dezembro do ano de referência. Desse modo, se houve depósitos durante o ano, mas em 31 de dezembro o saldo é inferior ao limite estabelecido pelo Banco Central, não há crime. Assim decidiu o STF, na AP 470, quanto ao réu Duda Mendonça:

“MANUTENÇÃO DE DEPÓSITOS NÃO DECLARADOS NO EXTERIOR (ART. 22, PARÁGRAFO ÚNICO, SEGUNDA PARTE, DA LEI 7.492/1986). SALDO INFERIOR A US$ 100.000,00 NAS DATAS-BASE FIXADAS PELO BANCO CENTRAL DO BRASIL. DESNECESSIDADE, NESSE CASO, DE DECLARAÇÃO DOS DEPÓSITOS EXISTENTES. IMPROCEDÊNCIA DO

DE DECLARAÇÃO DOS DEPÓSITOS EXISTENTES. IMPROCEDÊNCIA DO É expressamente proibida a divulgação deste material,
DE DECLARAÇÃO DOS DEPÓSITOS EXISTENTES. IMPROCEDÊNCIA DO É expressamente proibida a divulgação deste material,

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PEDIDO. A manutenção, ao longo de 2003, de conta no exterior com depósitos em valor superior aos cem mil dólares americanos previstos na Circular nº 3.225/2004 e na Circular nº 3.278/2005 do Banco Central do Brasil não caracteriza o crime descrito no art. 22, parágrafo único, segunda parte, da Lei 7.492/1986, se o saldo mantido nessa conta era, em 31.12.2003 e em 31.12.2004, inferior a US$ 100.000,00, o que dispensa o titular de declarar ao Banco Central os depósitos existentes, conforme excepcionado pelo art. 3º dessas duas Circulares. Absolvição de JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA (DUDA MENDONÇA) e ZILMAR FERNANDES SILVEIRA (art. 386, VII, do Código de Processo Penal), contra o voto do relator e dos demais ministros que o acompanharam” (AP 470, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, julgado em 17/12/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-074 DIVULG 19-04-2013 PUBLIC 22-04-2013 RTJ VOL- 00225-01 PP-00011).

(d) A alternativa está correta. O crime de gestão temerária, previsto no art. 4º, parágrafo único, da Lei 7.492/1986, tem pena de reclusão de 2 (dois) a 8 (oito) anos e multa. Já o crime de evasão de divisas, previsto no art. 22, parágrafo único, da Lei 7.492/1986, tem pena de reclusão de 2 (dois) a 6 (seis) anos e multa.

32. (EMAGIS) ANALISE AS ASSERTIVAS ABAIXO:

I – O Supremo Tribunal Federal qualifica-se como juiz natural dos membros do Congresso Nacional, quaisquer que sejam as infrações penais a eles imputadas e mesmo que se trate de crimes sujeitos à competência dos ramos especializados da Justiça da União, excetuadas as contravenções penais.

II – Segundo precedente do STJ, a falsificação do documento de CPF é delito que atrai a competência da Justiça Federal. Assim, se ação penal relativa ao delito de falsificação de documento de CPF for julgada pela Justiça estadual, evidencia-se a nulidade processual, decorrente de incompetência absoluta, passível de ser declarada a qualquer tempo e em qualquer grau jurisdicional.

III – Apesar de interpretação literal do art. 109, VI, da Constituição Federal determinar a

competência da Justiça Federal para julgar qualquer crime contra a organização do trabalho, os

Tribunais Superiores entendem que atraem a competência da Justiça Federal apenas aqueles que tenham por objeto a organização geral do trabalho ou direitos dos trabalhadores considerados coletivamente. Assim, havendo a imputação do crime de frustração de direito

assegurado por lei trabalhista em detrimento de alguns empregados, impõe-se a competência

da

Justiça estadual.

IV

– Segundo os Tribunais Superiores, a competência da Justiça Federal em relação aos

direitos indígenas restringe-se a disputas territoriais.

Pode-se afirmar que:

restringe-se a disputas territoriais. Pode-se afirmar que: (a) I, II, III e IV estão corretas; É

(a) I, II, III e IV estão corretas;

Pode-se afirmar que: (a) I, II, III e IV estão corretas; É expressamente proibida a divulgação
Pode-se afirmar que: (a) I, II, III e IV estão corretas; É expressamente proibida a divulgação

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(b)

I e III estão corretas;

(c) II e III estão corretas;

(c)

II e III estão corretas;

(d) apenas a II está correta.

(d)

apenas a II está correta.

  (b) I e III estão corretas; (c) II e III estão corretas; (d) apenas a

Comentários

I – O enunciado está incorreto. O que o torna incorreto é sua parte final (“excetuadas as contravenções penais”), uma vez que mesmo as contravenções praticadas por membros do Congresso Nacional estão submetidas à competência do STF. Confira-se precedente do STF:

“O Supremo Tribunal Federal qualifica-se como juiz natural dos membros do Congresso Nacional (RTJ 137/570 - RTJ 151/402), quaisquer que sejam as infrações penais a eles imputadas (RTJ 33/590), mesmo que se cuide de simples ilícitos contravencionais (RTJ 91/423) ou se trate de crimes sujeitos à competência dos ramos especializados da Justiça da União” (Inq-QO 1544, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 07/11/2001, publicado em 14/12/2001, Tribunal Pleno).

II – O enunciado está correto e reflete o entendimento do STJ no seguinte precedente:

“O documento de CPF é expedido pela Secretaria da Receita Federal, órgão do Ministério da Fazenda, pertencente à estrutura da União Federal, configurando-se, pois, a hipótese prevista no art. 109, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, a atrair a competência da Justiça Federal para o julgamento do processo. Tendo a ação penal relativa ao delito de falsificação de documento de CPF sido julgada pela Justiça estadual, evidencia-se a nulidade processual, decorrente da incompetência absoluta do Juízo processante, passível de ser declarada a qualquer tempo e em qualquer grau jurisdicional. Precedente” (Habeas corpus 44.701-SP, STJ, 5a Turma, Rel. Min. Gilson Dipp, julgado em 6.12.2005, publicado no DJ em

19.12.2005).

III – O enunciado está correto e reflete o entendimento que os Tribunais Superiores têm adotado, apesar da literalidade do art. 109, VI, da Constituição Federal. Confira-se precedente do STJ:

“1.Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes contra a organização do trabalho, quando tenham por objeto a organização geral do trabalho ou direitos dos trabalhadores considerados coletivamente" (Súmula

115/TFR).

2. Havendo a imputação do crime previsto no art. 203 do Código Penal em detrimento de alguns empregados, impõe-se a competência da Justiça estadual” (Agravo Regimental no Conflito de Competência 62.750, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, 3a Seção, julgado em 27.2.2008, publicado no DJ em

5.5.2008).

Seção, julgado em 27.2.2008, publicado no DJ em 5.5.2008). É expressamente proibida a divulgação deste material,
Seção, julgado em 27.2.2008, publicado no DJ em 5.5.2008). É expressamente proibida a divulgação deste material,

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IV – O enunciado está incorreto. Ainda que os Tribunais Superiores tenham, por vezes, adotado entendimento restritivo da competência da Justiça Federal em matéria de direitos indígenas, é certo que a competência não se limita a casos de disputas territoriais. Confira-se precedente:

“A competência da justiça federal em relação aos direitos indígenas não se restringe às hipóteses de disputa de terras, eis que os direitos contemplados no art. 231, da Constituição da República, são muito mais extensos. O fato dos acusados terem se utilizado da condição étnica das vítimas para a prática das condutas delituosas, o que representa afronta direta à cultura da comunidade indígena” (HC 91313, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 02/09/2008, DJe-182 DIVULG 25-09-2008 PUBLIC 26-09- 2008 EMENT VOL-02334-02 PP-00389).

33. (EMAGIS) NO QUE SE REFERE AO JÚRI, ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:

(a) O juiz pode absolver sumariamente o acusado pela prática de crime doloso contra vida

(a)

O juiz pode absolver sumariamente o acusado pela prática de crime doloso contra vida

se restar demonstrada a sua inimputabilidade, salvo se esta não for a única tese defensiva.

(b) Cabe apelação, das decisões do Tribunal do Júri, quando ocorrer nulidade posterior à

(b)

Cabe apelação, das decisões do Tribunal do Júri, quando ocorrer nulidade posterior à

pronúncia, for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados, houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de segurança ou quando for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos.

(c) A não inquirição de testemunha declarada como imprescindível não caracteriza nulidade no julgamento quando

(c) A não inquirição de testemunha declarada como imprescindível não caracteriza nulidade no julgamento quando ela não for encontrada no local indicado.

(d) O Código de Processo Penal exige que o desaforamento seja feito para a localidade

(d)

O Código de Processo Penal exige que o desaforamento seja feito para a localidade

mais próxima dos fatos.

(d) O Código de Processo Penal exige que o desaforamento seja feito para a localidade mais

Comentários

(a) A alternativa está correta. Interpretação do art. 415, parágrafo único, do Código de Processo Penal leva ao entendimento de que a inimputabilidade é caso de absolvição sumária no Tribunal do Júri, salvo se a defesa também tiver outras teses. Nessa hipótese, o processo deve seguir seu curso, uma vez que cabe ao conselho de sentença a apreciação das teses, as quais podem levar a uma absolvição própria, sem a imposição de medida de segurança, que seria aplicada em caso de absolvição sumária por inimputabilidade.

Confira-se a redação do art. 415 do Código de Processo Penal:

“Art. 415.

O juiz, fundamentadamente, absolverá desde logo o acusado,

O juiz, fundamentadamente, absolverá desde logo o acusado, É expressamente proibida a divulgação deste material,
O juiz, fundamentadamente, absolverá desde logo o acusado, É expressamente proibida a divulgação deste material,

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quando:

I – provada a inexistência do fato;

II – provado não ser ele autor ou partícipe do fato;

III – o fato não constituir infração penal;

IV – demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime.

Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV do caput deste artigo ao caso de inimputabilidade prevista no caput do art. 26 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, salvo quando esta for a única tese defensiva”.

(b) A alternativa está correta e reproduz o disposto no art. 593, III, do Código

de Processo Penal. Confira-se:

“Art. 593. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias:

(

)

III

- das decisões do Tribunal do Júri, quando:

a)

ocorrer nulidade posterior à pronúncia;

b)

for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos

jurados;

c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de

segurança;

d)

for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos”.

(c)

A alternativa está correta. Confira-se precedente do STJ:

“I

– ‘A não inquirição de testemunha declarada como imprescindível não

caracteriza nulidade no julgamento, quando a mesma não for encontrada no local indicado’(STF - RHC 82.401RS, 2ª Turma, Rel. Min. Nelson Jobim, DJU de 191202)

II - In casu, tendo em vista que a testemunha indicada não foi ouvida porque não foi encontrada no local indicado, não há o que se falar em nulidade processual” (RHC 22.241-RS, STJ, 5a Turma, Rel. Min. Felix Fischer, publicado no SJ em 4.8.2008).

(d) A alternativa está incorreta. Confira-se o seguinte precedente do STJ, de

2015:

incorreta. Confira-se o seguinte precedente do STJ, de 2015: É expressamente proibida a divulgação deste material,
incorreta. Confira-se o seguinte precedente do STJ, de 2015: É expressamente proibida a divulgação deste material,

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“O art. 427 do Código de Processo Penal não exige que o desaforamento seja feito para localidade mais próxima dos fatos, basta que seja escolhida comarca da mesma região, em que o Tribunal do Júri possa ser realizado com imparcialidade” (Habeas Corpus 322.923-SE, STJ, 5a Turma, Rel. Min Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 23.6.2015, publicado no DJ em

29.6.2015).

34. (EMAGIS) ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:

(a) Se o Parquet expressamente se manifestar pela ausência de elementos para denunciar determinado réu,

(a) Se o Parquet expressamente se manifestar pela ausência de elementos para denunciar determinado réu, fica superada a possibilidade de que outro membro do Ministério Público, com base nos mesmos elementos de prova, proponha ação penal.

(b) Segundo o STF, a titularidade da ação penal pública e a atribuição para requerer

(b)

Segundo o STF, a titularidade da ação penal pública e a atribuição para requerer o

arquivamento do inquérito policial não significam que todo requerimento de instauração de inquérito formulado pela Procuradoria-Geral da República deva ser atendido por aquela Corte, de modo que é possível, diante da inexistência de base empírica idônea e de indicação plausível de fato delituoso a ser apurado, indeferir pedido de instauração de procedimento investigativo.

(c) O membro do Ministério Público Federal que se manifestou pelo arquivamento do

(c)

O membro do Ministério Público Federal que se manifestou pelo arquivamento do

inquérito policial, sendo essa conclusão não acatada pela 2a Câmara de Coordenação e Revisão, fica impossibilitado de oficiar na respectiva ação penal que tenha sido iniciada por denúncia de outro membro para tanto designado.

(d) É desnecessário que a 2a Câmara de Coordenação e Revisão homologue declínio de

(d)

É desnecessário que a 2a Câmara de Coordenação e Revisão homologue declínio de

atribuição promovido por membro do Ministério Público Federal em favor do Ministério Público Estadual ou de outro ramo do Ministério Público da União, nos autos de peças de informação ou de procedimento investigatório criminal.

ramo do Ministério Público da União, nos autos de peças de informação ou de procedimento investigatório

Comentários

(a) A alternativa está correta. Confira-se o seguinte precedente do STJ, de

2015:

“RECURSO ESPECIAL. PROCESSO PENAL. REVISÃO CRIMINAL. MINISTÉRIO PÚBLICO. PRINCÍPIOS INSTITUCIONAIS DA UNIDADE E DA INDIVISIBILIDADE. MANIFESTAÇÃO MINISTERIAL NO SENTIDO DA AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PARA A PROPOSITURA DE AÇÃO PENAL POR CRIME CONTRA OS COSTUMES. OFERECIMENTO DE DENÚNCIA, POR OUTRO PROMOTOR DE JUSTIÇA, COM BASE NOS MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS INSTITUCIONAIS MENCIONADOS. PEDIDO DE ARQUIVAMENTO. IRRETRATABILIDADE. PRECEDENTES. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 28 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. 1. Nos termos do art. 127, § 1º, da Constituição Federal de 1988, o Ministério Público é instituição permanente, regida pelos princípios da unidade e da indivisibilidade, e seus membros podem ser substituídos uns pelos outros,

e seus membros podem ser substituídos uns pelos outros, É expressamente proibida a divulgação deste material,
e seus membros podem ser substituídos uns pelos outros, É expressamente proibida a divulgação deste material,

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independentemente de fundamentação, sem que haja alteração subjetiva na relação jurídica processual. Embora seja assegurada a independência funcional, a atuação dos membros

do Ministério Público é atuação do próprio órgão, indivisível por expressa disposição constitucional.

2. Tendo o Parquet expressamente se manifestado pela ausência de

elementos para denunciar o ora recorrido por crime contra os costumes, restou superada a possibilidade de que outro membro do Ministério Público, com base nos mesmos elementos de prova, propusesse ação penal, sob pena de afronta aos princípios institucionais mencionados.

3. De acordo com entendimento manifestado por este Superior Tribunal de

Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal, o pedido de arquivamento do inquérito não é passível de revisão ou reconsideração sem que comprovada a existência de novos elementos probatórios, sendo vedado o reconhecimento da retratação em virtude do oferecimento da denúncia. 4. Divergindo da primeva manifestação do Parquet no sentido da ausência de elementos para a propositura da ação penal quanto ao delito contra os costumes, caberia ao juiz de primeiro grau remeter os autos ao Procurador- Geral, conforme determinação do artigo 28 do Código de Processo Penal. 4. Recurso especial improvido”.

(REsp 1543202/SC, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 16/11/2015)

(b) A alternativa está correta. Confira-se o seguinte precedente do STF, de

2015:

1. A titularidade da ação penal pública e a atribuição para requerer o

arquivamento do inquérito policial (art. 28 do Código de Processo Penal) não significam que todo e qualquer requerimento de instauração de inquérito formulado pela Procuradoria-Geral da República deva ser incondicionalmente atendido pelo Supremo Tribunal Federal. 2. Ao Poder Judiciário, na sua precípua função de garantidor de direitos fundamentais, cabe exercer rígido controle de legalidade da persecução penal. 3. Assim como se admite o trancamento de inquérito policial, por falta de justa causa, diante da ausência de elementos indiciários mínimos demonstrativos da autoria e materialidade, há que se admitir – desde o seu nascedouro - seja coarctada a instauração de procedimento investigativo, uma vez inexistentes base empírica idônea para tanto e indicação plausível do fato delituoso a ser apurado. 4. Agravo regimental não provido.

(Inq 3847 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 07/04/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-108 DIVULG 05-06-2015 PUBLIC 08-06-2015)

(c) A alternativa está correta e reflete o teor do enunciado número 4 da 2a

Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal. Confira-se:

“O membro do Ministério Público Federal que se manifestou pelo arquivamento do inquérito policial, sendo essa conclusão não acatada pela

inquérito policial, sendo essa conclusão não acatada pela É expressamente proibida a divulgação deste material,
inquérito policial, sendo essa conclusão não acatada pela É expressamente proibida a divulgação deste material,

É expressamente proibida a divulgação deste material, cuja utilização é restrita ao usuário identificado no presente documento. A sua indevida divulgação viola a Lei 9.610/98 e acarretará responsabilização civil e criminal dos envolvidos.

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Câmara Criminal, fica impossibilitado de oficiar na respectiva ação penal que tenha sido iniciada por denúncia de outro membro para tanto designado”.

(d) A alternativa está incorreta, pois em desacordo com o enunciado número 32 da 2a Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, segundo o qual: “Compete à 2ª Câmara homologar declínio de atribuição promovido por membro do Ministério Público Federal em favor do Ministério Público Estadual ou de outro ramo do Ministério Público da União, nos autos de peças de informação ou de procedimento investigatório criminal”.

35. (EMAGIS) EM MATÉRIA DE RECURSOS NO PROCESSO PENAL:

I – Contra a decisão que rejeita a denúncia, é cabível recurso em sentido estrito. No regime da Lei 9.099/1995, todavia, contra a decisão que rejeita a denúncia, é cabível apelação.

II – Segundo orientação do STJ, considerando a falta de expressa previsão legal, o agravo em execução deve observar o rito do recurso em sentido estrito.

III – A apresentação extemporânea das razões recursais pela defesa não prejudica apelação tempestivamente interposta. Isso não se aplica, todavia, ao Ministério Público.

IV- Contra decisão que determina o bloqueio de bens e ativos financeiros, é cabível apelação.

Pode-se afirmar que:

(a) I, II e IV estão corretas;

(a)

I, II e IV estão corretas;

(b) I, III e IV estão corretas;

(b)

I, III e IV estão corretas;

(c) I e II estão corretas;

(c)

I e II estão corretas;

(d) II e IV estão corretas.

(d)

II e IV estão corretas.

e IV estão corretas; (b) I, III e IV estão corretas; (c) I e II estão

Comentários

I – O enunciado está correto. Confiram-se as redações do art. 581 do Código de Processo Penal e do art. 82 da Lei 9.099/1995:

“Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou

sentença:

I - que não receber a denúncia ou a queixa”;

“Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que poderá ser julgada por turma composta de três Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado”.

grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado”. É expressamente proibida a divulgação deste material,
grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado”. É expressamente proibida a divulgação deste material,

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II – O enunciado está correto. Confira-se precedente do STJ:

“Nos termos da jurisprudência do STJ, à míngua de expressa previsão legal, deve ser observado o rito do recurso em sentido estrito quando do manejo do recurso de agravo em execução”. (REsp 1497029/MG, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 12/02/2015, DJe 25/02/2015)

III – O enunciado está incorreto, contrariando recente precedente do STJ.

Confira-se:

“A apresentação extemporânea das razões recursais pela parte, mesmo acusadora, não tem o condão de prejudicar apelação criminal tempestivamente interposta”. (HC 66.625/RJ, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 15/10/2015, DJe 05/11/2015)

IV

– O enunciado está correto. Confira-se precedente do STJ:

“A

decisão judicial que determina o bloqueio de bens e ativos financeiros tem

natureza definitiva (decisão definitiva em sentido estrito ou terminativa de mérito), sujeitando-se, assim, ao reexame da matéria por meio de recurso de apelação, nos termos do art. 593, inciso II, do Código de Processo Penal”. (RMS 26.768/DF, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 27/03/2012, DJe 03/04/2012)

36. (EMAGIS) EM RELAÇÃO AO INSTITUTO DA COLABORAÇÃO PREMIADA, ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:

(a) A Lei 12.850/2013 prevê que o prazo para oferecimento de denúncia ou o processo,

(a) A Lei 12.850/2013 prevê que o prazo para oferecimento de denúncia ou o processo, relativos ao colaborador, poderá ser suspenso por até 6 (seis) meses, prorrogáveis por igual período, até que sejam cumpridas as medidas de colaboração, suspendendo-se o respectivo prazo prescricional.

(b) A Lei 12.850/2013 estabelece que o colaborador deve renunciar ao direito ao silêncio e

(b)

A Lei 12.850/2013 estabelece que o colaborador deve renunciar ao direito ao silêncio e

que está sujeito ao compromisso legal de dizer a verdade.

(c) Segundo o STF, se expressamente nominados no instrumento respectivo, coautores ou

(c)

Segundo o STF, se expressamente nominados no instrumento respectivo, coautores ou

partícipes do colaborador na organização criminosa e nas infrações penais por ela praticadas podem impugnar o acordo de colaboração premiada.

(d) O juiz não participa das negociações realizadas entre as partes para a formalização de

(d)

O juiz não participa das negociações realizadas entre as partes para a formalização de

acordo de colaboração premiada, limitando-se a analisar a regularidade, legalidade e voluntariedade do acordo.

de acordo de colaboração premiada, limitando-se a analisar a regularidade, legalidade e voluntariedade do acordo.

Comentários

(a) A alternativa está correta. Confira-se a redação do art. 4o, § 3o, da Lei

12.850/2013:

a redação do art. 4o, § 3o, da Lei 12.850/2013: É expressamente proibida a divulgação deste
a redação do art. 4o, § 3o, da Lei 12.850/2013: É expressamente proibida a divulgação deste

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“O prazo para oferecimento de denúncia ou o processo, relativos ao colaborador, poderá ser suspenso por até 6 (seis) meses, prorrogáveis por igual período, até que sejam cumpridas as medidas de colaboração, suspendendo-se o respectivo prazo prescricional”.

(b) A alternativa está correta. Confira-se a redação do art. 4o, § 14, da Lei 12.850/2013: “Nos depoimentos que prestar, o colaborador renunciará, na presença de seu defensor, ao direito ao silêncio e estará sujeito ao compromisso legal de dizer a verdade”.

(c) A alternativa está incorreta, contrariando recente e importante precedente do STF sobre o tema. Transcreve-se, a seguir, a ementa desse relevante julgado, cujo conhecimento é fundamental:

“1. Diante do empate na votação quanto ao conhecimento de habeas corpus impetrado para o Pleno contra ato de Ministro, prevalece a decisão mais favorável ao paciente, nos termos do art. 146, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Conhecimento do habeas corpus, nos termos do art. 102, I, “i”, da Constituição Federal. 2. Nos termos do art. 21, I e II, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, o relator tem poderes instrutórios para ordenar, monocraticamente, a realização de quaisquer meios de obtenção de prova (v.g., busca e apreensão, interceptação telefônica, afastamento de sigilo bancário e fiscal). 3. Considerando-se que o acordo de colaboração premiada constitui meio de obtenção de prova (art. 3º da Lei nº 12.850/13), é indubitável que o relator tem poderes para, monocraticamente, homologá-lo (art. 4º, § 7º, da Lei nº 12.850/13). 4. A colaboração premiada é um negócio jurídico processual, uma vez que, além de ser qualificada expressamente pela lei como “meio de obtenção de prova”, seu objeto é a cooperação do imputado para a investigação e para o processo criminal, atividade de natureza processual, ainda que se agregue a esse negócio jurídico o efeito substancial (de direito material) concernente à sanção premial a ser atribuída a essa colaboração. 5. A homologação judicial do acordo de colaboração, por consistir em exercício de atividade de delibação, limita-se a aferir a regularidade, a voluntariedade e a legalidade do acordo, não havendo qualquer juízo de valor a respeito das declarações do colaborador. 6. Por se tratar de negócio jurídico personalíssimo, o acordo de colaboração premiada não pode ser impugnado por coautores ou partícipes do colaborador na organização criminosa e nas infrações penais por ela praticadas, ainda que venham a ser expressamente nominados no respectivo instrumento no “relato da colaboração e seus possíveis resultados” (art. 6º, I, da Lei nº 12.850/13). 7. De todo modo, nos procedimentos em que figurarem como imputados, os coautores ou partícipes delatados - no exercício do contraditório - poderão confrontar, em juízo, as declarações do colaborador e as provas por ele indicadas, bem como impugnar, a qualquer tempo, as medidas restritivas de direitos fundamentais eventualmente adotadas em seu desfavor. 8. A personalidade do colaborador não constitui requisito de validade do acordo de colaboração, mas sim vetor a ser considerado no

acordo de colaboração, mas sim vetor a ser considerado no É expressamente proibida a divulgação deste
acordo de colaboração, mas sim vetor a ser considerado no É expressamente proibida a divulgação deste

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estabelecimento de suas cláusulas, notadamente na escolha da sanção premial a que fará jus o colaborador, bem como no momento da aplicação dessa sanção pelo juiz na sentença (art. 4º, § 11, da Lei nº 12.850/13). 9. A confiança no agente colaborador não constitui elemento de existência ou requisito de validade do acordo de colaboração. 10. Havendo previsão em Convenções firmadas pelo Brasil para que sejam adotadas “as medidas adequadas para encorajar” formas de colaboração premiada (art. 26.1 da Convenção de Palermo) e para “mitigação da pena” (art. 37.2 da Convenção de Mérida), no sentido de abrandamento das consequências do crime, o acordo de colaboração, ao estabelecer as sanções premiais a que fará jus o colaborador, pode dispor sobre questões de caráter patrimonial, como o destino de bens adquiridos com o produto da infração pelo agente colaborador. 11. Os princípios da segurança jurídica e da proteção da confiança tornam indeclinável o dever estatal de honrar o compromisso assumido no acordo de colaboração, concedendo a sanção premial estipulada, legítima contraprestação ao adimplemento da obrigação por parte do colaborador. 12. Habeas corpus do qual se conhece. Ordem denegada”. (HC 127483, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-021 DIVULG 03-02-2016 PUBLIC 04-02-2016)

(d) A alternativa está correta. Encontra-se em conformidade com o art. 4o, § 6o, da Lei 12.850/2013 e, também, com a decisão do STF no HC 127.483, mencionado acima, cuja ementa, em certo trecho, dispõe:

“A homologação judicial do acordo de colaboração, por consistir em exercício de atividade de delibação, limita-se a aferir a regularidade, a voluntariedade e a legalidade do acordo, não havendo qualquer juízo de valor a respeito das declarações do colaborador”.

de valor a respeito das declarações do colaborador”. É expressamente proibida a divulgação deste material,
de valor a respeito das declarações do colaborador”. É expressamente proibida a divulgação deste material,

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