Você está na página 1de 54

UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO – UNINOVE

CURSO DE SERVIÇO SOCIAL

POPULAÇÃO DE RUA: O TRABALHO DOS ASSISTENTES SOCIAIS


NO CENTRO DE ACOLHIDA PORTAL DO FUTURO/SP VISANDO A
AUTONOMIA DE SEUS USUÁRIOS

MARIA IZABEL RANGEL DE SOUZA

SÃO PAULO - SP
2011
2

MARIA IZABEL RANGEL DE SOUZA

POPULAÇÃO DE RUA: O TRABALHO DOS ASSISTENTES SOCIAIS


NO CENTRO DE ACOLHIDA PORTAL DO FUTURO/SP VISANDO A
AUTONOMIA DE SEUS USUÁRIOS

Trabalho de Conclusão do curso, apresentado à


Universidade Nove de Julho – UNINOVE, como
requisito básico para obtenção do grau de Bacharel
em Serviço Social

Orientadora: Profa Rita de Cássia Pacheco


Carramenha

SÃO PAULO – SP
2011
3

Dedico este trabalho aos meus pais que deram à minha


vida um novo rumo, um novo tom.

Pessoas são iluminadas que me permitiram ter a


oportunidade de ser alguém tão capaz e feliz como hoje
sou.

Aprendi com vocês a importância de se olhar o mundo


com a visão de sua totalidade e que a educação e a
justiça podem ser instrumentos nas mãos dos bons.
Amo vocês.
4

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus que guia meus passos me permitindo a escolha de


caminhos certos e a possibilidade de a cada dia ser uma pessoa melhor.

Agradeço às minhas irmãs Monica e Márcia por todo cuidado e carinho por mim. Por
terem me incentivado em tantas escolhas, por serem tão compreensivas e
companheiras e pelos "puxões" de orelha que me tornaram hoje uma pessoa mais
madura. Muito obrigada por acreditarem no meu potencial.

Agradeço aos meus sobrinhos Sara Júlia, Nathan, Arthur e Yasmim por serem minha
fonte de inspiração e a calmaria de minha vida. Por a cada sorriso e gestos de
carinho tornar meus dias mais felizes.

Ás minhas amigas Luana, Daniele, Fernanda, Laís, Carlos e Vivian, por tantos
momentos de alegria vividos. Por tanta confiança, afeto e momentos compartilhados.
Em fim, pela nossa amizade.

Agradeço ao meu namorado Ricardo por ser tão paciente em ouvir cada passo da
construção deste trabalho e por vibrar comigo a finalização deste. Por tanto
companheirismo, afeto e por sempre demonstrar que confia no meu potencial.

Agradeço minha Supervisora de estágio, Anicler e minha Coordenadora de


Qualidade Vanessa Alves, por contribuírem para a concretização do meu processo
de crescimento profissional e pessoal e por vibrarem comigo a conclusão deste
trabalho.

Agradeço a todos os profissionais do Centro de Acolhida Portal do Futuro pelo


auxílio na construção deste trabalho de pesquisa, e em especial a todos os usuários
da rede de acolhida que me permitiram ter um novo olhar e novas reflexões sobre a
temática “população em situação de rua”.

Muito obrigada a todos!


5

A gente não quer só comida


A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...

A gente não quer


Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...

(Titãs)
6

RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo analisar a prática profissional dos Assistentes
Social do Centro de Acolhida Portal do Futuro/SP, especificadamente dos
instrumentos utilizados por estes na geração de autonomia dos usuários inseridos
neste serviço de abrigamento. A escolha do tema se deu pela inquietação em saber
qual a atuação dos serviços socioassistenciais com a população em situação de rua.
Tendo por objetivo específico abordar quais são as políticas socioassistenciais que
atendem a população de rua, realizar um levantamento do contexto histórico do
serviço social com a construção de sua formação técnica e apresentar os
instrumentos utilizados pelos Assistentes Sociais deste centro de acolhida, onde
apresento qual a prática destes profissionais que têm por atribuição visar à garantia
de direitos e reinserção social da população de rua. Para a realização deste trabalho
utilizou-se das pesquisas bibliográficas e de um roteiro de entrevista semi-
estruturada aplicada a uma das Assistentes Sociais deste albergue a fim de
fundamentar a pesquisa proposta.

Palavras chave: Pessoas em situação de rua, prática profissional, políticas


socioassistenciais, assistentes sociais.
7

ABSTRACT

This study aims to examine the professional practice of Wizards of the Center for
Social Welcoming Portal of the Future / SP, specifically on the tools used by those in
the generation of user autonomy entered into this service shelters. The theme was
made by disquiet over how social welfare policies performance of services with the
homeless population. Having a specific goal to address what are the social welfare
policies that serve the homeless population, to survey the historical context of social
work with the construction of their training and present the tools used by social
workers of the reception center, where I present what The practice of these
professionals who have as a target to guarantee rights and social rehabilitation of the
homeless population. For this work we used the literature searches and a roadmap
for semi-structured interviews with social workers from one of the hostel in order to
justify the proposed research.

Keywords: People on the street, work practice, social welfare policies, social
workers.
8

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS


9

SUMÁRIO

1. AS POLÍTICAS PÚBLICAS E A REDE DE ATENÇÃO À POPULAÇÃO EM


SITUAÇÃO DE RUA

2. CONTEXTUALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO DE RUA

2.1. UM RETRATO DA POPULAÇÃO DE RUA DA ÁREA CENTRAL DA CIDADE


DE SÃO PAULO

3. O SERVIÇO SOCIAL E SEU CONTEXTO HISTÓRICO

4. CENTRO DE ACOLHIDA: ALBERGUE PORTAL DO FUTURO/SP

4.1. CARACTERIZAÇÃO DOS USÚARIOS ATENDIDOS NO CENTRO DE


ACOLHIDA ALBERGUE PORTAL DO FUTURO

4.2. O SERVIÇO SOCIAL NO ALBERGUE

4.3. A PRATICA PROFISSIONAL DOS ASSISTENTES SOCIAIS NO CENTRO DE


ACOLHIDA PORTAL DO FUTURO

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

7. REFERENCIAS

8. ANEXOS

4.3 ENTREVISTA COM A ASSISTENTE SOCIAL


10

INTRODUÇÃO

Busco com a apresentação deste trabalho uma análise da prática profissional


dos Assistentes sociais do Centro de Acolhida Portal do Futuro/SP que têm por
função a geração de autonomia e reinserção da população de rua à sociedade,
especificadamente fazendo uma análise dos instrumentos utilizados em seu
exercício profissional. Tendo por objetivos específicos retratar as políticas sociais
que atendem a população em situação de rua da cidade de São Paulo
especificadamente os serviços que se operacionalizam ao atendimento à população
de rua, apresentar o histórico da construção do Serviço Social e seu papel
interventivo, retratando o surgimento e o fortalecimento da profissão até os dias
atuais e apresentar o albergue Portal do Futuro, com a caracterização de seus
usuários e a prática profissional dos Assistentes Sociais.
O Brasil em seu processo de crescimento econômico e modernização trouxe
consigo o processo capitalista e conseqüentemente problemas sociais que se
refletem até hoje em nossa sociedade. Alguns problemas sociais como: falta de
moradia, ausência de renda e emprego, e até mesmo a ruptura de vínculos
familiares ou uso de substâncias químicas ou alcoólicas são fatores que podem
propiciar a ida às ruas.
As pessoas em situação de rua da cidade de São Paulo expressam
diariamente uma realidade de desigualdade, vulnerabilidade e exclusão social. E
estes são vistos pela nossa sociedade com olhares que os estigmatizam, por não
serem mais pertencentes à sociedade perante nosso olhar.
Tenho por hipótese que os instrumentos utilizados na prática profissional dos
assistentes sociais do Centro de acolhida são dinâmicos e necessários para a
eficácia de suas atividades.
Para Medeiros, “falar em atendimento às pessoas em situação de rua na cidade de
São Paulo é também repensar a trajetória da implantação da política de assistência
social nesse município e, por que não dizer, no país” (2010;79).
Assim destino o primeiro capítulo deste trabalho para citar as políticas sociais
de assistência que atendem a população de rua com seus princípios e sua
padronização dos dias atuais.
No segundo capítulo apresento uma contextualização sobre qual a figura do
morador de rua, a estigmatização vivida e o olhar da sociedade perante a população
11

de rua. A figura do morador de rua com trajes sujos, mendigando pode para alguns
ser somente a figura de alguém um cidadão comum, em uma situação a ser
trabalhada, mas para muitos representa a figura de um alguém perigoso e com
maus comportamentos. Este pensamento já de certa forma retrata uma forma de
exclusão, uma vez que para estas pessoas os moradores de rua não se
“enquadram” em nossos padrões.
No terceiro capítulo realizo um resgate histórico do Serviço Social com os
fatos que fortaleceram e legitimaram a profissão. Apresento neste contexto o caráter
profissional e as bases que normatizam o profissional de Serviço Social de acordo
com as referencias bibliográficas de Martinelli, Iamamoto e Medeiros.
No quarto e ultimo capítulo apresento ao leitor o Albergue Portal do Futuro/SP
com informações sobre sua organização e tabelas sobre a caracterização dos
usuários atendidos no albergue em dados percentuais sobre a naturalidade, sexo,
estado civil, motivo da situação de rua entre outros bem como as atividades dos
Assistentes Sociais.
Por realizar estágio neste Centro de Acolhida pude ter um contato maior com
os Assistentes Sociais e os usuários do local, observando suas formas de atuação e
os instrumentos utilizados diariamente em suas atividades, bem como o
comportamento e os relatos dos usuários do serviço.
Desta forma foi realizada entrevista com uma assistente social do albergue e
utilizado como instrumento de pesquisa um roteiro de entrevista semi-estruturada
com perguntas abertas e observação participante, pois além de realizar a entrevista,
pude observar a prática de seu exercício profissional.
Concluo o trabalho…..
12

1. AS POLÍTICAS PUBLICAS E A REDE DE ATENÇÃO A POPULAÇAO EM


SITUAÇÃO DE RUA

Medeiros (2010) afirma que “falar em atendimento à pessoas em situação de


rua na cidade de Sâo Paulo é também repensar a trajetória da implantação da
política de assistência social nesse município e, por que não dizer, no país.
(2010;79).

Desta forma, estudar as políticas de assistência à população de rua nos


permitirá falar sobre o contexto histórico das ações e politicas do país.
De acordo com Cardoso Jr. E Jaccoud (2005) o sistema de proteção social
que atende a sociedade civil pode ser compreendida em três etapas:

A primeira a partir de 1930 com a participação contributiva de trabalhadores


formais ligados aos institutos de aposentadorias e pensões e a recém criada
CLT ligada a trabalhadores formais;
A segunda etapa baseada na caridade e filantropia pós-1930 onde com o
processo capitalista grande parte dos cidadãos não se enquadrava como
assalariado para o Estado, ficando assim desprotegido do sistema de
proteção até então financiado somente pelos contribuintes.
E a terceira e atual etapa que está fundamentada no direito à cidadania,
onde todo e qualquer cidadão pertence à proteção social como direito
fundamental, escrita em 1988 na Constituição Federal. (2005:183)
Com a Constituição Federal de 1988, a Assistência Social passa a fazer parte
do tripé da Seguridade Social de nosso país (saúde, previdência e assistência).
Sendo assim a assistência social se aprofunda no campo da universalização e
responsabilidade estatal.
Cita o art 5º de nossa Constituição Federal que “todos somos iguais perante a
lei sem distinção de qualquer natureza, não podendo ser violado o direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.”
A Constituição por sua vez trás uma nova concepção para a Assistência
Social brasileira. Incluída no âmbito de Seguridade Social e regulamentada pela Lei
Orgânica de Assistência Social – LOAS - em dezembro de 1993, como política social
pública, a assistência social inicia seu trânsito para um campo novo: o campo dos
direitos, da universalização dos acessos e da responsabilidade estatal. A LOAS cria
uma nova matriz para a política de assistência social, inserindo-a no sistema do
bem-estar social brasileiro concebido como campo de Seguridade Social,
configurando o triângulo juntamente com a saúde e a previdência social.”
De acordo com o artigo primeiro da LOAS,
13

A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de


Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada
através de um conjunto integrado de iniciativa pública e da sociedade, para
garantir o atendimento às necessidades básicas.
A Assistência Social deve ser compreendida então como um facilitador de
acesso as políticas publicas e direitos sociais para assim se iniciar o processo de
autonomia à pessoa em situação de rua para inicio do processo de reinserção
social.
Costa (2005) cita sobre o direito de cidadania e responsabilidade da Política
Publica de Assistência Social comentando uma fala de Sposati (1999):

È de responsabilidade da Politica Pública da Assistência Social ofertar um


conjunto de seguranças à população-alvo dessa política, entre as quais a
autora destaca a segurança de convivência. Observando-se a condição de
convivência e as estratégias desenvolvidas pelas pessoas em situação de
rua para partilhar do espaço social, vê-se que resta grande percurso a ser
percorrido na direção da garantia mínima deste direito de cidadania.
(2005:13))
De acordo com Boschetti (2004):

Trata-se, pois, a política pública, de uma estratégia de ação pensada,


planejada e avaliada, guiada por uma racionalidade coletiva, na qual tanto o
Estado como a sociedade, desempenham papéis ativos. (2004:96).
As políticas públicas então devem ser ações pensadas e trabalhadas pelo
coletivo, onde o Estado e a sociedade civil devem em conjunto atuar para a
construção de novas ações.

É importante lembrar que a construção desta historia se deu também através


de muito preconceito, estigmatização e práticas de reemprendimento por parte de
parcelas da sociedade e de profissionais da área. Tivemos periodos onde a pessoa
em situação de rua era vista como um “caso de policia” a ser tratado, também o
olhar preconceituoso que se aplica a esta situação, onde pessoas se referiam e até
nos dias de hoje à população de rua como preguiçosos, pessoas perigosas para a
sociedade, vadios.

Pensamentos como estes que retardam a evolução da sociedade e a


possibilidade de um novo olhar para a compreensão dos moradores de rua.

Entre os períodos de 1994 e 2000 a autora Medeiros (2010) ao citar as


reformas ocorridas na politica de assistencia social e as classifica:

Este período podemos classificar como a filantropia democratizada, com a


expansão dos conselhos setoriais, das organizações não governamentais,
dos centros de defesa de direitos e das fundações empresariais. (2010:85)
14

Giorgetti (2009) apresenta um conceito sobre a prática de atendimento e os


equipamentos utilizados de 1992 a 2001 ao atendimento à população de rua:

Os equipamentos socias, alem de concentrarem ações emergenciais e


socioeducativas, não tinham propostas referentes à moradia e à inserção
profissional. Acrescenta-se a isso o fato de não haver na cidade serviços
que levassem em conta a diversidade da população de rua quanto a sexo,
idade, tempo de rua.
As políticas sociais por sua vez surgem em conjuntura histórica determinadas
pelo aprofundamento do capitalismo na formação económico-social marcada pelas
mudanças sociais.
Analisando, especificamente as políticas sociais, Boschetti (2004) ressalta
alguns elementos essenciais para explicar seu surgimento:

[…] O desenvolvimento do capitalismo (e de suas estratégias de


acumulação prevalecentes), o papel do Estado na regulação e na
implementação das políticas sociais e a pressão da classe operária.
Portanto é necessário compreender a articulação existente entre as políticas
sociais e a política econômica e o intenso processo de lutas sociais que se
constituíram nesse contexto. (2004:97)
Vieira (1995) cita sobre o papel das políticas sociais em nossa sociedade:
[…] as políticas públicas, entre elas as políticas sociais, têm
sentido quando visam concretizar os direitos sociais
conquistados pela sociedade com apoio das leis que se
operacionalizam por meio de programas, de projetos e de
serviços. É preciso que as políticas públicas tenham como
princípio o interesse comum, atendendo demandas legítimas
da população. (1995:18)
De acordo com Carvalho (2006) os direitos sociais podem ser compreendidos
em três esferas:

Tornou-se comum desdobrar a cidadania em direitos civis, políticos e


sociais. O cidadão pleno seria aquele que fosse titular dos três direitos.
Cidadãos incompletos seriam os que possuíssem apenas alguns dos
direitos. Os que não se beneficiassem de nenhum dos direitos seriam não-
cidadãos.
Esclareço os conceitos. Direitos civis são os direitos fundamentais à vida, à
liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei. Eles se desdobram na
garantia de ir e vir, de ecolher o trabalho, de manifestar o pensamento, de
organizar-se de ter respeitada a inviolabilidade do lar, de não ser preso e
etc. são direitos cuja garantia se baseia na existência de uma justiça
independente, eficiente, barata e acessível a todos.
É possível haver direitos civis sem direitos políticos. Estes se referem à
participação do cidadão no governo da sociedade. Consiste na capacidade
de fazer demonstrações políticas, de organizar partidos, de votar e ser
votado. Por fim os direitos sociais. Se os direitos civis garantem a vida em
sociedade e os direitos políticos garantem a participação no governo da
sociedade, os direitos sociais garantem a participação na riqueza coletiva.
15

Eles incluem o direito à educação, a trabalho, ao salário justo, saúde, à


aposentadoria. (2006:9)
A intervenção do Estado, pós constituição foi ampliada em termos de
responsabilidade social e direitos sociais estendidas a todos os cidadãos havendo
assim a necessidade de regulamentar esta proteção social.
Compreendo assim ser a política social publica a concretização dos direitos à
cidadania.
De acordo com a Politica Nacional de Assistência Social (PNAS) que define a
assistência social como política de proteção social aos que estão em vulnerabilidade
e risco social, publicada em 28 de outubro de 2004, apresenta a Proteção Social
como criação de políticas publicas de acordo com o SUAS – Sistema Único de
Assistência Social.
Sistema este que tem por estratégia a organização de uma rede de serviços,
ações e benefícios de diferentes complexidades que se subdividem em Proteção
Social Básica e Proteção Social Especial.
Dentro do PNAS a população em situação de rua é tida como um
determinado grupo que necessita receber o atendimento assistencial Proteção social
especial.
Carvalho e Genber (2008) trazem algumas definições sobre os atendimentos
de Proteção Básica e Especial citando os serviços prestados correlacionando com o
publico atendido:

Proteção Social Especial de média e alta complexidade: dirigida à


famílias e indivíduos que tiveram seus direitos violados , mas cujo vinculo
familiar e o comunitário não foi rompido, são eles: Programa de Erradicação
do Trabalho Infantil / Sentinela e Proteção Social à Pessoa Portadora de
Deficiência.
Proteção Social Especial de Alta Complexidade: são aqueles que
garantem proteção integral às famílias e/ou indivíduos que se encontram
sem referencia e/ou necessitam ser retirados do grupo familiar e comunitário
visto que se encontram em situação de violação de seus direitos. São eles:
Rede Abrigo / Proteção Social Especial a Pessoa Idosa - Casa abrigo para
mulheres e seus filhos menores de 18 anos, que foram vitimas da violência
doméstica, Albergue, Família substituta, Família acolhedora, Medidas Sócio
– Educativas restritivas e privativas de liberdade e Trabalho protegido.
(pag2)
Portando, de acordo com o PNAS o atendimento à população em situação de
rua deve ser organizado pela Coordenadoria de Proteção Social Especial, que
possue uma rede de atendimento socioassistencial voltado à população adulta em
situação de rua.
16

Medeiros (2010) aponta as ofertas e a descrição destas ofertas de


atendimento desenvolvida pela antiga Secretária de Assistência Social, atual
Secretaria Municipal de Assistencia e Desenvolvimento Social (SMADS), que após o
ano de 2005, com o posse de José Serra ganhou novas nomenclaturas e
padronizações.

Aponta a rede de atendimento à população de rua com suas devidas


padronizações:

Abrigo para adultos sob cuidados especiais: com o objetivo de acolher


pessoas em processos terapeutivos fisicos ou mentais, até que seja
possível o alcance de um grau de autonomia pessoal. Destinado ao
abrigamento de homens e mulheres, idosos e pessoas com deficiencias, de
ambos os sexos, em situação de rua que necessitam de cuidados de saúde,
após alta hospitalar recebida da rede pública de saúde 1
Abrigo Especial de Mulheres: visando acolher mulheres, oferecem
abrigamento para mulheres, acompanhadas ou não de seus filhos. A oferta
de atendimento dá-se ininterruptamente em regime aberto e co-gestão.
Moradia Provisória: objetivo de acolher e fortalecer a pessoa para alcançar
sua autonomia pessoal em moradias independentes (pensões, casas de
familias, locação soial, casa própria etc.). Destinada para grupos de, no
máximo 20 pessoas, entre homens, mulheres e idosos, em situação de rua
ou abandono, e em processo de reinserção social, a partir de 18 anos, ou
ainda famílias, com ou sem crianças e adolescentes. Destinada para
pessoas independentes e socialmente ativas, são atendidas, nessa
modalidade, mediante encaminhamento da rede socioassistencial de
acolhida.
Nucleo de Serviços com Albergue: objetivo de acolher por meio de
abrigamento provisório, homens, mulheres e famílias que se encontram em
situação de rua. Divide-se em 4 tipos:
Albergue: atende em período noturno
Núcleo de Serviços/Convivencia: atende em periodo diurno
Nucleo de Serviços com Albergue I (funcionamento 24 horas);
Núcleo de Serviços com Albergue II (funcionamento 24 horas, incluindo a
oferta de abrigamento de pessoas com necessidades especiais).
Como citado, com a mudança de governo após a posse de José Serra,
Medeiros cita algumas alterações ocorridas nas nomenclaturas, e a inclusão do
serviço “Presença Social nas ruas”, mas que em linhas gerais não sofreram grandes
alterações na forma de atendimento:

Presença Social nas ruas: compondo as ações do Programa São Paulo


Protege, visando à abordagem das pessoas em situação de rua e, por meio
da escuta e vínculo, estabelecer propostas alternativas à situação de rua ou
ainda encaminhamentos variados de acordo com a situação apresentada;
Alteração da nomenclatura de Moradia Provisória para República
Social, no entanto, mantendo-se as mesmas prerrogativas;

1
Serviço desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde.
17

Surgimento da modalidade Hotel Social: cujo abrigamento se dá em


hotéis sociais conveniados para pessoas com alguma fonte de renda e
autonomia.
Fechamento da Casa de Cuidados (com retaguarda da Secretaria de
Saude) inaugurada na gestão anterior.
No ano de 2004 o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à fome
(MDS), assumiu o compromisso de formular política publicas dirigidas para a
população em situação de rua. Com resultado deste compromisso em dezembro de
2005 a Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS) realizou o I Encontro
Nacional sobre População de rua, onde juntamente com movimentos sociais
representativos, que visaram a formulação de políticas publicas para todo o Brasil.
De acordo com a nova legislação, portanto, o poder público passou a ter a
tarefa de manter serviços e programas de atenção aos moradores de rua, lhes
garantindo padrões mínimos de dignidade, e acesso aos direitos de cidadania e
proteção social.
Assim a Assistência Social com caráter universal esta disponibilizada à
qualquer cidadão que dela necessitar, independente de sua condição
socioeconômica ou do grupo a qual pertence.
Na década de 1990 alguns fatores políticos e econômicos restringiram a
validação destes direitos. O governo descentralizou algumas de suas
responsabilidades repassando para seus estados e municípios também privatizando
parte de seus serviços públicos. Estas mudanças na ação de políticas publicas e
com a atual constituição declararam como universal os princípios do Estado. A
cobertura destas políticas então se restringiu as políticas para as áreas da
Educação, Saúde e Assistência Social.
Medeiros (2010) destaca a responsabilidade do Estado em conduzir a política
de assistência social, garantindo a organização destes direitos:

Visando cumprir uma das diretrizes da Política Nacional de Assistência


Social no que tange à primazia da responsabilidade do Estado na condução
da política de assistência social em cada esfera de governo (PNAS), o MDS
conduziu e empreendeu um processo que culminou na criação da Política
Nacional para a Inclusão Social das Pessoas em Situação de Rua, para
garantir a organização do atendimento a esse público de forma intersetorial.
Assim o decreto N – 7.053, de 23 de Dezembro de 2009, instituiu a Política
Nacional para a População em Situação de Rua e seu Cômite Intersetorial
de Acompanhamento e Monitoramento, e de outras providências. (2010:90)
18

De acordo com a Política Nacional de Inclusão Social à Pessoa em Situação de


rua2 (2008) que tem por objetivo a construção e execução de políticas publicas
voltadas a população de rua, apresenta em seu art 5º seus princípios:

I - Promoção e garantia da cidadania e dos direitos humanos;


II - Respeito à dignidade do ser humano, sujeito de direitos civis, políticos,
sociais, econômicos e culturais;
III - Direito ao usufruto, permanência, acolhida e inserção na cidade;
IV - Não-discriminação por motivo de gênero, orientação sexual, origem
étnica ou social, nacionalidade, atuação profissional, religião, faixa etária e
situação migratória;
V - Supressão de todo e qualquer ato violento e ação vexatória, inclusive os
estigmas negativos e preconceitos sociais em relação à população em
situação de rua.

A Política Nacional de Inclusão Social à Pessoa em Situação de rua, tem


como estratégia:

A presente Política Nacional faz parte do esforço de estabelecer diretrizes e


rumos que possibilitem a (re)integração destas pessoas às suas redes
familiares e comunitárias, o acesso pleno aos direitos garantidos aos
cidadãos brasileiros, o acesso a oportunidades de desenvolvimento social
pleno, considerando as relações e significados próprios produzidos pela
vivência do espaço público da rua. Para tanto, vale-se do protagonismo de
movimentos sociais formados por pessoas em situação de rua, entre outras
ações que contribuam para a efetivação deste processo. (pag 4)
Tendo como diretrizes para a operacionalização dos programas, planos e
projetos com relação a Assistência Social:

I. Estruturação da rede de acolhida, de acordo com a heterogeneidade e


diversidade da população em situação de rua, reordenando práticas
homogeinizadoras, massificadoras e segregacionistas na oferta dos
serviços, especialmente os albergues3.
II. Produção, sistematização de informações, indicadores e índices
territorializados das situações de vulnerabilidade e risco pessoal e social
acerca da população em situação de rua;
III. Inclusão de pessoas em situação de rua no Cadastro Único do Governo
Federal para subsidiar a elaboração e implementação de políticas públicas
sociais.
IV. Assegurar a inclusão de crianças e adolescentes em situação de
trabalho na rua no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil - PETI.
2
Instituída no decreto s/nº de 25 de outubro de 2006 e composta pelo Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome, Ministério das Cidades, Ministério da Educação, Ministério da Cultura, Ministério da
Saúde, Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério da Justiça, Secretaria Especial de Direitos Humanos e
Defensoria Pública da União.
3
Entende-se por acolhimento, nos termos da atual Política Nacional de Assistência Social, serviços
continuados destinados a adultos (inclusive idosos, pessoas com deficiência, migrantes e refugiados) que se
encontram em situação de rua ou abandono. A rede de acolhida oferece condições para que as pessoas possam
repousar e restabelecer-se. Por meio de acompanhamento profissional devem trabalhar de modo articulado com
os demais serviços da rede, visando ao resgate de vínculos familiares e comunitários ou à construção de novas
referências, bem como à conquista de autonomia para a vida independente.
19

V. Inclusão de pessoas em situação de rua no Benefício de Prestação


Continuada4 e no Programa Bolsa Família, na forma a ser definida 5 ;
VI. Conferir incentivos especiais para a freqüência escolar das pessoas
inseridas nos equipamentos da Assistência Social, em parceria com o
Ministério da Educação;
VII. Promoção de novas oportunidades de trabalho ou inclusão produtiva em
articulação com as políticas públicas de geração de renda para pessoas em
vulnerabilidade social.

A presente Política Nacional de Inclusão Social à Pessoa em Situação de rua


cita em sua publicação que é fruto das reflexões e debates do Grupo de Trabalho
Interministerial para Elaboração da Política Nacional de Inclusão Social da
População em Situação de Rua, além da fundamental participação de
representantes do Movimento Nacional de População de Rua (MNPR), da Pastoral
do Povo da Rua e do Colegiado Nacional dos Gestores Municipais da Assistência
Social (CONGEMAS), representando a sociedade civil organizada.
A política social pode ser entendida como uma ferramenta que deve
concretizar os direitos à todo cidadão. Com a definição de programas, projetos e
serviços destinados ao atendimento de necessidades básicas de determinadas
coletividades, nesta questão é a população de rua e as políticas por sua vez devem
garantir a reprodução de autonomia, com objetivos de gerar segurança e bem-estar
à pessoa e sua família.
De acordo com a Cartilha de Formação do Movimento Nacional da População
de Rua escrita pelo Movimento Nacional da População de Rua - MNPR (2010) trás a
inquietações de seus membros com relação a seus direitos e falas sobre qual deve
ser a atuação da população de rua quanto cidadãos comuns:

Os direitos devem garantir a dignidade de todas as pessoas. Assim, a


escravidão, o racismo, a tortura, os tratamentos humilhantes e degradantes
constituem crimes.
A população em situação de rua organizada e parceiros têm demonstrado
capacidade e coragem de denunciar, mas também de construir e anunciar
um projeto de sociedade deferente, na qual as pessoas reconheçam o valor
de cada ser humano.(2010:11)

4
O Benefício de Prestação Continuada (BPC) corresponde a um direito constitucional na forma de
benefício de um salário mínimo mensal para aquelas pessoas com mais de 65 anos ou com deficiência que não
têm condições de prover o seu sustento, nem de tê-lo provido pela família. São pessoas que compõem família
cuja renda familiar per capita é inferior a ¼ de salário mínimo. Trata-se de benefício intransferível, pessoal,
individual, que tem por objetivo assegurar condições dignas de vida.
5
O Programa Bolsa Família consiste em transferência condicionada de renda para famílias em situação
de pobreza, segundo critério de renda familiar.
20

Grande inquietação que acredito ser importante abordar é a ausência de dados


estatísticos oficiais com relação à contagem da população em situação de rua. Os
poucos dados existentes são de pesquisas de municípios ou de universidades cujo
propósito muitas vezes é realizar analises reflexivas sobre essa temática.

Referente à importância desta contagem o Sociólogo Frances Robert Castel


cita:

Todavia, sabe-se das dificuldades, para não dizer impossibilidade, de definir


patamares de pobreza que sirvam como critérios de decisão sobre quem
são os que necessitam de apoio. “Contar” os pobres é, sem duvida, uma
operação indispensável, ainda que por razões apenas administrativas.
(1997:20)
21

2. CONTEXTUALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO DE RUA


Marginal, preguiçoso, mendigo, pedinte, andarilho, “homem do saco”, são
diversos os títulos dados às pessoas que nas ruas apresentam sua realidade.
Medeiros (2010 apud Sposati, 1999:66) apresenta o olhar da sociedade perante
a população de rua:

[…] o morador de rua acaba na situação de exclusão por uma serie de


perdas: o emprego, auto-estima e o rompimento ou a fragilidade das
relações familiares. Os olhos discriminadores e preconceituosos vêem o
morador de rua com repulsa, com estorvo ou como marginal/bandido, sem
levar em conta seu passado: nas ruas da cidade de São Paulo, a maioria já
teve carteira de trabalho assinada é alfabetizada. (1999:66).
A figura da pessoa “perambulando” pelas ruas, com olhar perdido, trajes sujos,
sentados nas praças, mendigando esmolas não é somente a figura do pobre mas é
a representação da ruptura com os parâmetros necessários para nós apresentados
até então como “normais” em sociedade.
Rosa (1995) exemplifica o motivo para a existência da população de rua:

A classe que integra pobreza e situação de rua apresentam várias


determinações para esta situação, desde aspectos estruturais como
ausência de moradia, inexistência de trabalho e renda, mudanças
econômicas e institucionais de forte impacto social, dentre outras, até
fatores biográficos relacionados à sua própria história de vida (vínculos
familiares, doenças mentais, drogadependencia, e etc) e fatores de natureza
como terremotos, inundações e etc, (p. 105)
É assim a população de rua é denominada também por Castel (1997) como
”sobrantes, pessoas normais, mas invalidas para a sociedade. E este por estar fora
do grupo coletivo agora se define como uma situação individual”. (1997:23)
Castel (1997) aponta também de acordo com teorias que relacionam o sistema
capitalista e a questão exclusão a classificação destes indivíduos em três zonas de
pertencimento, teoria esta chamada “Desfiliação”: Zona de Integração (trabalho
estável e forte inserção nas relações); Zona de Vulnerabilidade (trabalho precário e
fragilidade nas relações); Zona de Desfiliação (ausência e trabalho e isolamento nas
relações) (1997:23).De acordo com Vieira (1995):

Ser morador de rua não é o destino de todo esse grupo; no entanto é uma
das circunstancias, desde conjunturais que restringem emprego e moradia
até condições individuais, relacionadas a história de vidas pessoas,
condições físicas e mentais. O mundo da rua: uma visão ambígua.
Desprovido de casa, de trabalho regular, na maioria das vezes de família,
enfim, dos signos usuais nos quais se possa ver-se retratado e que revelam
sua identidade, o homem de rua concentra sua expressão no corpo.
Geralmente carrega consigo numa sacola seus pertences, que se resumem
a algumas roupas, objetos de uso pessoal e uma garrafa de pinga. Só ou
com companheiros ocasionai, ele anda pelas ruas carregando seu mundo
22

nas costas. Essa perspectiva comporta um outro olhar sobre a cidade e a


sociedade.
Sendo assim que não somente os aspectos habitacionais possuem forte
impacto social, outros fatores que dizem respeito à desagregação familiar, a
distúrbios mentais, ao uso de drogas ou álcool também são apontadas como fruto
para inicio da vida na rua.
E é exatamente este o aspecto que a população de rua apresenta perante
nosso olhar, ausência de saúde, moradia, trabalho e outras problemáticas. É através
destes apontamentos que devemos nos perguntar como pessoas comuns,
conseguem sobreviver desta maneira, quase degradante para nós.
Valencio (2005) aponta os riscos vividos por este publico:

A vulnerabilidade locacional sujeita o grupo às diversas dimensões de


desamparo: desconforto face às intempéries; insalubridade; insegurança
frente aos estabelecimentos que lhes dirigem olhares de desconfiança. Se o
desamparo é um estado característico do viver citadino contemporâneo e se
revela na falta de garantias quanto ao futuro. (2005, p5)
Grande parte da sociedade sente impossibilidade de ficar imune quando
possuem algum contato com a pessoa em situação de rua, pois alguns sentimentos
ou reações todos demonstramos. Sentimentos variados, que vão de compaixão a
repulsa.
Nossa sociedade enraizada com valores e hábitos que para nós são “naturais”
pela realidade em que vivemos geram estigmas e preconceitos com relação à
pessoa em situação de rua, pessoas estão que “não se enquadram” nos padrões da
sociedade. Esta pode ser entendida também como uma forma de exclusão social.
Sobre as discriminações vividas que se refere a quando entram em algum
estabelecimento publico ou transporte coletivo, cita Anderson Lopes Miranda,
representante do MNPR6 (“Quando entramos nos ônibus, por exemplo, as pessoas
nos olham como se não fôssemos gente. Como se não fôssemos humanos…” 7
De acordo com Pereira (1997) existem além das dificuldades já encontradas
pela população de rua com relação ao exercício de seus direitos sociais as ações
provocadas por parcela da própria sociedade no sentido de “não querer” ter de
conviver com a população de rua no espaço urbano.
Existe também uma constatação extremamente polêmica.

Na maioria das vezes os munícipes reclamam, agridem e exigem dos


órgãos públicos medidas no sentido de “higienizar” o espaço urbano.
Quando a população de rua se aloja em locais públicos, utilizando praças,
6
Movimento Nacional da População de Rua
7
Fonte: Cartilha para Formação Política – Movimento Nacional da População de rua – Outubro de 2010
23

ruas, viadutos, torna-se aparente, suas roupas são lavadas e sacadas em


muros e galhos de arvores, as necessidades fisiológicas são realizadas à
luz do dia, a comida é preparada junto a calçadas, sendo assim há uma
ruptura com os aspectos da vida privada. Observa-se assim também que
muitos municipes por sentimento de compaixão oferecem comida,
agasalhos, roupas, porém a grande ordem de boa parte da população exige
providencias geralmente na idéia de expulsão do local.(1997:34)

2.1 UM RETRATO DA POPULAÇÃO DE RUA DA CIDADE DE SÃO PAULO


24

A FIPE - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas realizou no ano de


2009 por solicitação da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da
Universidade de São Paulo um levantamento da população em situação de rua da
cidade de São Paulo.

A pesquisa foi realizada em 2 etapas:

Primeira etapa: Realizado rastreamento da população em situação de rua na


cidade de São Paulo e a distribuição da população.

Segunda etapa: Feito levantamento do perfil sócio econômico da população em


situação de rua na cidade de São Paulo.

O município foi dividido em 9 distritos que juntos corresponderam a área total 8.

Este trabalho de campo foi realizado em 7 noites, de 17 de Novembro a 14 de


Dezembro/2009.

Seguem abaixo dados levantados:

Primeira etapa: Rastreamento da população em situação de rua na cidade de São


Paulo e a distribuição da população

1. Resultados para a cidade

Tabela 1
Número de pessoas em situação de rua, 2009

População Número %
Moradores de Rua 6.587 48,2
Acolhidos 7.079 51,8
Total 13.666 100,0

Gráfico 1
Número de pessoas em situação de rua, 2009

8
A pesquisa realizada indica que os distritos: Anhanguera, Grajaú, Iguatemi, Jardim Ângela, Marsilac,
Pedreira, por não terem sido encontradas, para estas áreas, informações ou indícios de presença de
moradores de rua e nos distritos municipais de Parelheiros, Parque do Carmo, Raposo Tavares, São
Rafael, o levantamento censitário não encontrou nenhum morador de rua;
25

Onde conclui-se que:


51,8% da população de rua da cidade de São Paulo encontra-se em Centros
de Acolhida (Instituições conveniada e não conveniada com o SMADS);

2. Resultados para os distritos

Tabela 2
Distritos Municipais com maior presença de moradores de rua, 2009

Distrito Moradores %*
de rua
República 1.570 23,8
Sé 1.195 18,1
Santa Cecília 309 4,7
Brás 249 3,8
Santana 194 2,9
Consolação 175 2,7
Bom Retiro 165 2,5
V. Leopoldina 149 2,3
Bela Vista 138 2,1
Mooca 135 2,0
Total 4279 64,9

Gráfico 2
Distritos Municipais com maior* presença de moradores de rua, 2009

*Demais distritos, 35,1%


26

A maior concentração destes estão próximas ao marco inicial da cidade de


São Paulo (regiões: República, Sé, Santa Cecília, Brás e Consolação)

Tabela 3
Distritos Municipais com maior presença de acolhidos, 2009

Distritos Número %*
Municipais
Mooca 1145 16,2
Santa Cecília 1025 14,5
Pari 763 10,8
Brás 561 7,9
Tatuapé 560 7,9
Santo Amaro 292 4,1
Bom Retiro 290 4,1
Liberdade 286 4,0
Penha 236 3,3
Ipiranga 210 3,0
Total 5368 75,8

Gráfico 3
Distritos Municipais* com maior presença de acolhidos, 2009

*Demais distritos, 24,2%


Os Centros de Acolhida com maior concentração de pessoas não estão
necessariamente em locais que apresentem um número alto de pessoas em
situação de rua. (ex.: Mooca, Pari,Tatuapé e Santo Amaro).

3. Variáveis demográficas:

Tabela 4
Moradores de rua, cor, 2009
27

Número %
Branca 1.856 28,2
Não Branca 4.185 63,5
Sem Identificação 546 8,3
Total 6.587 100,00

Gráfico 4
Moradores de rua, cor, 2009

Na sua grande maioria são “não brancos” incluindo nesta contagem os


negros, pardos, amarelos e indígenas, segundo classificação da pesquisa;

Tabela 5
Moradores de rua, sexo, 2009

Número %
Masculino 5.251 79,7
Feminino 1.023 15,5
Sem Identificação 313 4,8
Total 6.587 100
Gráfico 5
Moradores de rua, sexo, 2009
28

Os moradores de rua da área central da cidade de São Paulo são


predominantemente do sexo masculino;
A pesquisa aponta também que vivem nas ruas da cidade de São Paulo 448
crianças/adolescentes, 5.129 Adultos, 503 Idosos e 507 sem identificação.

Segunda etapa: Levantamento do perfil sócio econômico da população em situação


de rua na cidade de São Paulo.

Dentre os dados apresentados na pesquisa, posso destacar:

1. Caracterização Demográfica:

 63% da população pesquisada são “não brancos”;


 Quanto à região de origem, predomina migrantes da Grande São Paulo
seguido da Bahia e de Minas Gerais;
 E referente ao grau de escolaridade registraram uma queda na
proporção de analfabetos com relação à mesma pesquisa realizada
pela Instituição no ano de 2010.

1. Família e Vínculos Familiares:


 A grande maioria dos moradores de rua, da área central da cidade de
São Paulo, vive sozinha nas ruas.

Os impactos estruturais existentes que geram a cada dia novos cidadãos


moradores de rua como a ausência de moradia, falta de renda e problemas
biográficos podem contribuir para a ruptura do vinculo familiar.
De acordo com Castel (1997:23) que cita as três zonas de pertencimento de
um individuo com relação a sociedade onde vive, na situação onde este perde os
vínculos afetivos é classificada como: Zona de Desfiliação (ausência e trabalho e
isolamento nas relações.

3. Trabalho e Renda:
29

 A maioria de homens e mulheres entrevistados trabalhava antes de


perder a moradia e chegar à vida de rua. O elenco de ocupações que
exerciam abrange desde as categorias mais simples e de menor
exigência de qualificação, até serviços técnicos e administrativos mais
especializados.
 Mesmo sem empregos formais, geram renda monetária para satisfazer
algumas de suas necessidades. No dia da entrevista, quase a metade
tinha auferido pequena renda em atividades típicas de rua, incluindo a
mendicância. E gastaram no mesmo dia para consumir o que
consideram essenciais: comida, cigarro, bebida e drogas.

5. Saúde e Serviços:
 Entre os problemas de saúde mais comuns, destacamos: quedas,
brigas, atropelamentos e também problemas respiratórios.
 A estratégia que recorrem para o tratamento das questões de saúde
são principalmente os pronto-socorros e hospitais públicos e, em
segundo lugar, os postos de saúde. Outros serviços como agentes de
saúde, CRATOD, CAPS AD, são utilizados apenas por uma pequena
minoria.
 (74%) declararam utilizar: álcool, drogas ou ambos. Ente os jovens de
18 a 30 anos a proporção atinge 80%.
 A droga mais consumida é o crack: mais da metade deles declara
terem utilizá-lo.
 Mais da metade dos moradores de rua já internado em alguma
instituição, predominando casas de detenção, clinicas de recuperação
de álcool e drogas e FEBEM. Entre os jovens 70% passou por alguma
instituição.
 . 33% não utilizam nenhum dos seguintes serviços: restaurante
popular, centros de convivência, núcleos de serviço/tenda, albergues.
O serviço mais utilizado, por quase metade (44%), é o restaurante
popular. Em relação aos demais, a proporção dos que usam é sempre
30

inferior a 30%: Centros de convivência (28%) albergues (23%) e


núcleos de serviços/Tenda (19%).
31

3. O SERVIÇO SOCIAL E SEU CONTEXTO HISTÓRICO

O Serviço Social nasce em 1930 atrelado a doutrina social da Igreja Católica


com uma ideologia de caridade que permeavam o país com relação aos conflitos
causados pela relação dos proletariados e burgueses.

Surgiu da necessidade de um profissional que cuidasse da área social,


assistindo a classe de proletariados e envolvida com os interesses da classe
burguesa, servindo assim como intermediário entre as classes.

Período este que de acordo com Iamamoto (2009) “a moral, a religião e a


ordem social, valores impostos como forma de repressão à classe proletária”

A implantação do Serviço Social se dá no decorrer desse processo histórico.


Surgindo da iniciativa de grupos que se manifestavam, principalmente, por
intermédio da Igreja Católica.

Foram nos anos de 1936 e 1937 criadas as primeiras escolas de Serviço


Social (respectivamente São Paulo e Rio de Janeiro), sendo estas a escolas
pioneiras na formação de profissional de Assistentes Sociais no Brasil.

Período este em que o Brasil mesmo em forte processo agrário teve sua
população urbana crescendo a cada ano, modificando assim significativamente os
hábitos de vida do país, apresentando assim seu processo de transformação.

Medeiros (2010) afirma:

[…]período de 1930 a 1945, conhecido como Getulismo, as formas de


assistencia social são classificadas por Mestriner (2001) como filantropia
discipinadora. Cria-se em 1938 o Conselho Nacional de Serviço Social
(CNSS), primeira regulamentação da assistencia social no país, por
intermédio de órgãos de cooperação do Ministério da Educação e Saúde.
(2010;80)

Durante este período Iamamoto (1998) cita que o serviço social apresentava
necessidade de formação técnica especializada:

A necessidade de formação técnica especializada para a prática da


assistência social é vista não apenas como uma necessidade particular ao
movimento católico. Tem-se presente essa necessidade, enquanto
necessidade social que não apenas envolve o aparato religioco, mas
também o Estado e o empresariado. (1998:76)
Medeiros (2010) cita: “Em 1947 cria-se a Legião Brasileira de Assistencia
Social – LBA, como orgão responsavel em prestar ajuda “aos necessitados”
(2010;80)
32

A LBA então começou a atuar em praticamente todas as áreas de assistência


social inicialmente com o intuito de suprir necessidades básicas e de posteriormente
um programação de ação permanente.

Entre as décadas 40 a 50 o Serviço Social recebeu uma forte influencia norte-


americana. Influencia esta que trouxe aos profissionais a necessidade de uma
pratica funcionalista/positivista, onde compreendia-se que a sociedade precisava se
ajustar com auxilio psico-social por acreditar ser “culpa” do homem as situações
vividas por este.

Neste periodo que com base nas atividades individuais e grupais a profissão
se desenvolve atraves do estudo do Serviço Social de Grupo, Caso e Comunidade.

Sendo assim, o Serviço Social possuia 2 fortes correntes conservadoras


corelacionadas à sua prática profissional. A primeira embasada como citado no
estudo psicanalista-tecnicista de Caso, Grupo e Comunidade e a outra ao cunho da
Igreja Católica.

A partir de 1960 foram definidas novas formas de procedimentos profissionais


sob a concepção do governo Jânio Quadros que trouxe valorização com a
desenvolvimento humanista.

Segundo Martinelli (1997) na década de 60 os profissionais de Serviço Social


iniciam uma revisão do seu exercício profissional:

esse referencial de cunho tradicional conservador da profissão passa a ser


questionado pela categoria dos profissionais do Serviço Social. Esse
movimento ocorre pelo fato de que, este não representava um projeto
construído pelos profissionais, mas representava uma identidade atribuída à
profissão pela burguesia, por sua gênese e institucionalização,
caracterizado pelo referencial ideológico da Igreja Católica,
instrumentalizado pelo projeto conservador burguês. (1997)
Neste contexto iniciou um movimento onde muitos profissionais iniciaram um
debate com apontamentos sobre a necessidade do rompimento das práticas
conservadoras trazendo a necessidade de um novo olhar, um olhar voltado a
realidade social, onde foram levantadas criticas á metogologia, teoria e ideologia das
práticas existentes. Processo este denominado “Movimento de Reconceituação do
Serviço Social.9

9
No período do Movimento de Reconceituação o Centro Brasileiro de Cooperação e
Intercâmbio
Internacional de Serviços Sociais –CBCISS, organizou uma série de cinco encontros,
denominados
33

Iamamoto (1998) afirma:

A ruptura com a herança conservadora expressa-se como uma procura,


uma luta por alcançar novas bases de legitimidade da ação profissional do
Assistente Social, que, reconhecendo as contradições sociais presentes nas
condições do exercício profissional, busca-se colocar-se, objetivamente a
serviço dos interesses dos usuários, isto é, dos setores dominados da
sociedade” (IAMAMOTO,1998, p.105).
Martinelli (1997) se refere também a totalidade que deve ser trabalhada com
relação a atuação do profissional:

O Serviço Social constitui uma instituição que emerge e se desenvolve no


interior da sociedade capitalista. Constituída e desenvolvida na dinâmica
das relações sociais estabelecidas nesta. Sendo uma particularidade da
mesma, por isso não está fora desta dinâmica societária, uma vez que é
realizada e materializada nesta e conseqüentemente influi e participa na
reprodução e materialização histórica desta ordem societária, de acordo
com as características das relações sociais desenvolvidas nesta sociedade,
apresentadas em contextos sócio- histórico determinados. (1997:18)
O Serviço Social deve então apresentar uma postura interventiva, com o
objetivo de trabalhar nas questões sociais apresentadas pela sociedade. Neste
processo destaco o Projeto Ético Politico da profissão que se fortaleceu e trás ao
exercício profissional a necessidade de construção de sua identidade profissional.

Martinelli (1997) aponta sobre como a categoria de profissionais deve;

Mais do que uma categoria filosófica, dotada de estatuto lógico e ontológico,


a identidade profissional está sendo pensada dialeticamente, como uma
categoria política e sócio-histórica que se constrói na trama das relações
sociais, no espaço social mais amplo da luta de classes das contradições
que a engendram e são por ela engendradas. (1997:17)
A proposta do Projeto ético politico foi constituida pelo Código de Ética de
1986, reformulado em 1993 incluindo em seu ambito um novo curriculum
profissional.

Nos códigos de ética de 1947, 1965 e 1975 haviam bases para que o
profissional normatizasse sua conduta. Já no código de 1986 é incluso no
Movimento de Reconceituação do Serviço Social apresentando elementos
necessários para o rompimento com as praticas conservadoras instruindo os
profissionais a seguirem com a postura profissional do curriculum instituido em 1982

Atualmente o Projeto Etico politico da profissão possui um carater


hegêmonico e que articula entre princípios e valores que norteiam a ação

seminários de teorização que aconteceram respectivamente em Araxá-MG (março de


1967),
Teresópolis-RJ (janeiro de 1970), Sumaré-SP (novembro de 1978), Alto da Boa Vista-RJ
(novembro de 1984) e Rio de Janeiro-RJ (junho de 1989).
34

profissional e sua relação com as estratégias que auxiliem em práticas democraticas


com relação aos direitos sociais pensando sempre em busca de uma sociedade
justa e igualitária.

Nos anos 90 o Neoliberalismo com a restruturação do mundo de trabalho e a


mudança na economia do país traz ao Serviço Social a necessidade de ampliação
do seu campo de atuação e a necessidade da criação de novos instrumentos para
as práticas profissionais:

Nos anos 90 […] o Serviço Social amplia os campos de atuação, passando


a atuar no chamado terceiro setor, nos Conselhos de Direitos e ocupa
funções de assessoria entre outros. Discutindo a sua instrumentalidade na
trajetória profissional, ressignifica o uso do instrumental técnico-operativo e
cria novos instrumentos, como mediação para o alcance das finalidades, na
direção da competência ética, política e teórica, vinculada à defesa de
valores sócio-cêntricos emancipatórios. Partindo do pressuposto da
necessidade da capacitação continuada, o Serviço Social busca a
ultrapassagem da prática tecnicista, pretensamente neutra, imediatista ou
voluntarista. (CRESS-SP10)
Em 1993 foi aprovado a 5º versão do código de ética do profissional 11 que tem
objetivo representar a dimensão ética da profissão, define os principios
fundamentais ao exercicio profissional e o compromisso ético-politico.

Este código de etica representa ao profissional sua importância com relação


aos serviços de direito, de justiça social que surgem a partir das demandas sociais
sempre em busca da transformação de suas realidades sociais.

10
Disponível em< www.cress-sp.org.br>. Acesso em 15/05/2011 às 17h16
11
instituída pela Resolução 273/93 do CFESS
35

4. CENTRO DE ACOLHIDA: ALBERGUE PORTAL DO FUTURO/SP

A CROPH – Coordenação Regional das Obras de Promoção Humana é uma


ONG social tradicional da cidade de São Paulo. Com quase 40 anos de existencia,
administra atualmente 18 projetos sociais conveniados a orgãos públicos da cidade
de São Paulo em parceria com a SMADS.

Esta ONG tem por missão resgatar a cidadania, dignidade e promover a


inclusão social de seus usuários. A Organização administra / assessora serviços de
alta complexidade inserindos na Proteção Social Especial, tais como os Centros de
Acolhida com uma equipe de 300 profissionais para o atendimento a demanda da
população em situação de rua e vulnerabilidade social.

A CROPH tem por missão "Assessorar e administrar programas que resgatem


a dignidade do ser humano"12.

Atende aproximadamente 4 mil pessoas por dia entre idosos, homens,


mulheres, crianças e adolescentes em vulnerabilidade e situação de rua.

O Centro de Acolhida para Adultos II Portal do Futuro localizado no bairro da


Luz - São Paulo/SP13, administrado pela ONG Coordenação Regional de Obras de
Promoção Humana – CROPH é um dos projetos voltados ao atendimento à homens
e mulheres em situação de rua.

Com funcionamento ininterrupto, oferece serviços de albergamento provisório


para: 172 homens e 50 mulheres (leitos disponiveis) atendidos pelo serviço,
totalizando 222 leitos disponíveis para abrigamento. Sendo destas 222 vagas, 60
disponibilizadas ao Núcleo de Serviço.

Atualmente o albergue conta com 192 usuários cadastrados e abrigados.

O Núcleo de Serviços com o horário das 09:00 as 16:00 hs, para os idosos,
gestantes, ou usuários que estejam em tratamento de saúde, atende homens acima
de 65 anos e mulheres acima de 60 anos devidamente cadastrados ou também
usuários que não estão cadastrados em nenhum serviço mas que sejam
encaminhados pelo CAPE – Centro de Atendimento Telefônico Ininterrupto 14 onde
Serviço Social identifique necessidade de inclusão deste no Núcleo de Serviços.
12
Disponível em <www.croph-sp.gov.br > Acesso em 30/04/2011 às 14h15
13
Local: Rua Deoclesiana, 25 – Luz - Centro/SP
14
funciona 24 horas por dia, atendendo solicitações de munícipes relativas às pessoas em situação de rua e
encaminhando para a rede de acolhida e saúde quando necessário.
36

Conta com 34 profissionais sendo eles: 3 Assistente Sociais, 1 Psicóloga, 1


Pedagoga, 1 Coordenador, 13 Agentes Operacionais e 15 orientadores sócio
educativos.
Estes profissionais realizam atividades diárias, semanais e mensais visando à
interação, estímulo ao exercício de cidadania, capacitação e autonomia de seus
usuários promovendo as atividades abaixo:

Grupo de Acolhida: Onde orientam os usuários sobre as normas e


procedimentos do albergue;

Grupo de Mulheres: Realizam trabalhos que resgatam a auto-estima das


usuárias com palestras sobre diversidade e gênero.
Grupo de Idosos: Discutem temas relacionados ao Estatuto do Idoso;
Projetos de vida; Envelhecimento.
Grupo para saída qualificada: Refletem com os usuários o caráter provisório
do albergue; orientam sobre as saídas alternativas (Moradia Provisória, Moradia
Autônoma)
Grupo de Orientação Profissional: Trabalham as habilidades profissionais,
apresentam a realidade do mercado de trabalho; Preparam os usuários para a
participação de processos seletivos e a confeccionar currículos.
Grupo de Convivência: Propiciam espaços reflexivos para a melhora do
convívio coletivo; Realizam atividades para estimular o respeito e relacionamento
dentro do espaço.
Grupo de Sensibilização: propiciam momentos de relaxamento e a busca
pelo bem estar.
Grupo de Escuta: estabelecem um lugar para a escuta com função
terapêutica.
Grupos de Expressão Artística: Oferecem atividades que favoreçam a
reflexão através de textos, musica contos.
Grupos com funcionários: equipes operacionais, educadores e técnicos:
Realizam a troca de experiências com as equipes e reflexões sobre a diversidade e
convívio com os usuários.
Grupos com Crianças (quando se tem demanda): Oferecem atividades
lúdicas, desenho, brincadeiras.
Oficina de Movimento Corporal: Estimulam a pratica de atividades físicas.
37

Oficina de Artesanato: Procuram despertar o interesse pelo trabalho manual


e já o trabalho de convívio com os demais usuários.
Sessão de Cinema: Promovem um contato com a linguagem cinematográfica
e sua arte; Procuram também trazer em vídeos reflexões sobre a relação usuário
com a rua e moradia.
Assembléia Geral: Discutem com os usuários assuntos relacionados ao
Centro de Acolhida: problemáticas, divulgação de oportunidades.
 Passeios e ações Culturais: Propiciam lazer e descontração; Visitas a
pontos turísticos da cidade de São Paulo.

4.1 CARACTERIZAÇÃO DOS USÚARIOS ATENDIDOS NO CENTRO DE


ACOLHIDA ALBERGUE PORTAL DO FUTURO:
38

Seguem dados extraídos do SISRUA – Sistema da Situação de Rua que


permite ao profissional de Serviço Social documentar e manter atualizado toda ação
realizada junto aos usuários, bem como sua inclusão ou exclusão do serviço.

Tabela 1 – Sexo:
Descrição Usuários Percentual
Feminino 46 24,0%
Masculino 146 76,0%

Total 192

Os usuários do albergue Portal do Futuro são predominantemente do sexo


masculino sendo 146 homens (que representam 76% da população) e 46 mulheres
(24%).

Tabela 2 – Naturalidade:
Descrição Usuários Percentual

AC 2 1,0%
AL 3 1,6%
BA 28 14,6%
CE 3 1,6%
DF 1 0,5%
ES 3 1,6%
GO 1 0,5%
IG 1 0,5%
MA 3 1,6%
MG 15 7,8%
MS 2 1,0%
PA 3 1,6%
PB 6 3,1%
PE 20 10,4%
PI 3 1,6%
PR 13 6,8%
RJ 6 3,1%
RN 3 1,6%
RR 1 0,5%
RS 4 2,1%
SE 2 1,0%
SP 69 35,9%
39

Total 192

São de diversas origens sendo as principais SP (64 usuários que representam


35%) e BA (com 28 usuários – 14,6%).

Tabela 3 – Estado Civil:

Descrição Usuários Percentual


* Não Informado 1 0,5%
CASADO 12 6,3%
DIVORCIADO 6 3,1%
SEPARADO/DESQUITADO 19 9,9%
SOLTEIRO 146 76,0%
UNIÃO CONSENSUAL 1 0,5%
VIÚVO 7 3,6%

Total 192

146 usuários informaram ser de estado civil: Solteiro, que representa 76% dos
usuários.

Tabela 4 – Escolaridade:
Descrição Usuários Percentual
* Não Informado 1 0,5%
ANALFABETO 7 3,6%
FUNDAMENTAL COMPLETO 37 19,3%
FUNDAMENTAL INCOMPLE 94 49,0%
MEDIO COMPLETO 32 16,7%
MEDIO INCOMPLETO 10 5,2%
PRÉ-ESCOLA 6 3,1%
SUPERIOR COMPLETO 3 1,6%
SUPERIOR INCOMPLETO 2 1,0%

Total 192

94 usuários possuem o Ensino Fundamento incompletos (49%) o que nos


apresenta que a falta de escolaridade propicia a inserção de uma pessoa a situação
de rua. Vale ressaltar também que 2 usuários (que representam 1,6% da totalidade)
possuem ensino superior completo.
40

Tabela 8 – Cor da pele:


Descrição Usuários Percentual
* Não Informado 1 0,5%
BRANCA 94 49,0%
NÃO INFORMADA 3 1,6%
NEGRA 34 17,7%
PARDA 60 31,3%

Total 192

Do total de usuários do albergue 49% apresentam cor de pele Branca e


31,3% apresentam cor de pele parda.

Se formos comparar estes dados ao realizados pela FIPE (pag 18) e se


somarmos os usuários de cor de pele “parda” e “negra” teremos um percentual
maior que a quantidade de usuários com a cor de pele branca.

Tabela 6: Tempo de inserção dos usuários na rede de acolhimento:


Descrição Usuários Percentual
MENOS 01 MÊS 56 29,2%
01 A 03 MESES 26 13,5%
03 A 06 MESES 17 8,9%
06 MESES A 1 ANO 27 14,1%
1 A 2 ANOS 20 10,4%
2 A 5 ANOS 11 5,7%
5 A 10 ANOS 10 5,2%
MAIS DE 10 ANOS 4 2,1%
NÃO ESPECIFICADO 21 10,9%

Total 192

Onde conclui-se que temos a cada dia novas pessoas em situação de rua,
onde 56 usuários (que representam 29,2% da população do albergue) está em
situação de rua (todos as pessoas em situação de rua que passam por servidos de
acolhimento cadastrados no SMADS são cadastradas na base de dados do
SISRUA)

Tabela 7: Motivo da situação de rua:


Descrição Usuários Percentual
ABANDONO DA FAMÍLIA 1 0,5%
41

ALCOOLISMO 3 1,6%
ALCOOLISMO E CONFLITOS FAMILIARES 1 0,5%
ALCOOLISMO E DESEMPREGO 2 1,0%
CONFLITOS FAMILIARES 17 8,9%
DE PASSAGEM PELA CIDADE 2 1,0%
DESEMPREGO 83 43,2%
DESEMPREGO E CONFLITOS FAMILIARES 10 5,2%
DESEMPREGO, MIGRAÇÃO E SAÚDE 3 1,6%
DESPEJO 4 2,1%
MIGRAÇÃO PARA PROGRAMAS DE TV 1 0,5%
MIGRAÇÃO POR MELHORES CONDIÇÕES 14 7,3%
NÃO ESPECIFICADO 41 21,4%
PERDA DE FAMILIARES 2 1,0%
PROBLEMAS DE SAÚDE 8 4,2%

Total 192

83 usuários (que representam 43,2% da população de albergue) afirmaram o


motivo de estarem nas ruas pelo desemprego.

Como já citado pelos autores: Castel, Sposati, Rosa e Vieira, este é evidente
fator para a existência de pessoas em situação de rua.

Tabela 9 – Idade:

Descrição Usuários Percentual


18 a 25 anos 9 4,7%
26 a 40 anos 52 27,1%
41 a 55 anos 74 38,5%
56 a 59 anos 29 15,1%
60 ou mais 28 14,6%

Total 192

74 usuários possuem idade ente 41 e 55 anos, que representa 38,5% da


população do albergue.

4.1. O SERVIÇO SOCIAL NO ALBERGUE:


42

O albergue possui uma cartilha de atribuições determinadas pela CROPH


estabelecendo as ações dos Assistentes Sociais com relação ao atendimento à
população em situação de rua.

Segundo informações repassadas pela Assistente Social, suas ações no


serviço de abrigamento são de “garantir o acesso aos direitos sociais e na geração
de autonomia, dentre outras ações”.

Segue relação de funções que devem ser exercidas pelo profissional de


Serviço Social do albergue15:
 Realizar entrevista inicial de acolhida;
 Garantir a acolhida do usuário, esclarecer sobre a rotina e funcionamento,
orientar sobre as atividades desenvolvidas;
 Acompanhamento sistemático dos usuários e de seus membros;
 Atendimento individual e grupal, objetivando o fortalecimento com vistas a sua
autonomia;
 Auxiliar na capacitação dos trabalhadores sociais;
 Participar da elaboração e execução de projetos;
 Elaboração de Relatórios Sociais;
 Participar de reuniões na SMADS, Conselhos, Fóruns, Eventos, Palestras,
Congressos, Seminários, Encontros. Além de treinamentos, reciclagens e
workshops;
 Apresentar relatório mensal do atendimento do serviço social com os
indicadores dos resultados;
 Realização de grupos de orientação e discussão do cotidiano;
 Atendimento diário os usuários;
 Proceder trabalho junto às famílias, tornando-as parte do processo social;
 Encaminhar e Articular recursos sociais, de saúde, educação, cultural e
outros;
 Estimular a participação dos usuários para a construção da cidadania,
divulgando seus direitos e a participação nos movimentos sociais;
 Orientar e encaminhar os usuários para a concessão de benefício e/ ou
inserção em programas assistenciais existentes;

15
Disponível no Anexo I desenvolvido pelo Depto de Recursos Humanos da CROPH
43

 Documentar em local específico e manter atualizado toda ação realizada junto


aos usuários;
 Reuniões grupais com temáticas diversas trabalhando a convivência e
cidadania;
 Garantir a participação e suporte técnico nos fóruns visando o caráter sócio-
educativo;
 Participar do processo de planejamento,monitoração e avaliação do serviço;
 Elaborar instrumentais que subsidiem o trabalho social;
 Documentar e manter atualizado toda ação realizada junto os usuários e seus
membros no SisRua;
 Organizar eventos;
 Desenvolver trabalho de levantamento de aptidões para banco de talentos;
 Desenvolver proposta em conjunto com a equipe técnica na construção do
projeto de vida dos usuários.
44

4.2 A PRATICA PROFISSIONAL DOS ASSISTENTES SOCIAIS NO CENTRO


DE ACOLHIDA PORTAL DO FUTURO

A forma de atendimento dos Assistentes Sociais do Centro de Acolhida Portal


de Futuro consiste em:

Atendimentos Individuais: Após entrada do usuário no espaço onde são realizados


entrevistas iniciais e de acompanhamento, acompanhando sua autonomia e
reinserção

Encaminhamentos: redes de atendimento para onde são encaminhados os usuários


afim de permitir à eles acesso as políticas e garantia de direitos.

ATENDIMENTOS INDIVIDUAIS:

ENTREVISTA INICIAL: à chegada do usuário ao Centro de acolhida a


Assistente Social realiza uma entrevista inicial com o usuário do serviço realizando
questionamentos sobre: Dados pessoais (Nome completo / Idade / documentos RG
e CPF) e inicia o atendimento questionando também a quanto tempo a pessoa
encontra-se em situação de rua e os motivo. Posteriormente a Assistente Social
questiona como esta o usuário com relação a sua saúde, trabalho, familiares e sua
perspectiva de vida.

ENTREVISTA DE ACOMPANHAMENTO: periodicamente os Assistentes


Sociais solicitam retorno dos usuários ao Serviço Social para acompanhamento de
suas ações e dado-lhes orientações para o auxilio a sua autonomia.
45

AUTORIZAÇÕES: São dadas autorizações de saída para os Usuários caso


estes precisem chegar após o horário estabelecido para entrada, ausências diárias
ou para uso dos telefones.

ORIENTAÇÕES: Dadas orientações sobre as normas do albergue, bem como


informações sobre a atividade do Serviço Social quanto auxilio para garantia de
direitos.

RESGATE À FAMÍLIA: Realizados contatos com as famílias dos usuários


quando estes decidem voltar às suas famílias.

RETORNO À CIDADE DE ORIGEM: Realizado preenchimento de toda


documentação necessária e realizada solicitação de transporte para o usuário que
queira retornar à sua cidade.

SAÍDA PARA MORADIA PROVISÓRIA: Os usuários identificados pelo Serviço


Social que demonstram estar em processo de organização pessoal, visando sua
saída de rede de acolhimento são encaminhados à moradias provisórias.

REFERÊNCIA /DECLARAÇÃO DE ENDEREÇO: preenchidas documentações


necessárias para usuários que necessidade de declaração de endereço (afim de
trabalho e outros)
OUTROS ALBERGUES: realizadas transferências para outros albergues,
quando solicitado pelo usuário ou identificado pela Assistente Social (desvio de
postura, proximidade com local de trabalho)

ENCAMINHAMENTOS:

CARTÓRIO DE REGISTRO CIVIL DE SÃO PAULO – Solicitação de 2º via de


documentos (certidão de nascimento, certidão de casamento entre outros) da cidade
de São Paulo;
CARTÓRIO DE REGISTRO CIVIL DE OUTROS ESTADOS - Solicitação de 2º
via de documentos (certidão de nascimento, certidão de casamento entre outros) de
outros estados;
CARTÓRIO ELEITORAL – Solicitação de 2º via do Titulo de Eleitor;
46

BAGAGEIRO SOCIAL – Encaminhamentos realizados para usuários que


possuem muitos objetivos (que não comportem no bagageiro do Albergue) para que
possam guardar seus pertences;
CENTRO DE SAÚDE ESCOLA BARRA FUNDA – Encaminhamentos para
usuários que apresentem problemas de saúde;
CRATOD – Encaminhamentos para usuários que afirmem o uso de álcool e
drogas;
CRAS SÉ/FOTOS E PASSAGENS – Encaminhamentos para usuários que
não tenham condições de arcar com fotos (documentação) e passagens;
POUPA TEMPO – Encaminhamentos para usuários que necessitem de
documentos (RG / CPF / Carteira de Trabalho);
INSS – Encaminhamentos para usuários que necessitam de laudos médicos
ou pericias que comprovem a necessidade de benefícios.
UNIBES - Encaminhamentos realizados para usuários que necessitam de
imóveis/roupas.
INSTITUTO CEMA – Encaminhamentos realizados para usuários que
apresentem problemas na visão.
SASECOP – Encaminhamento para Serviço de reciclagem. Fornecem
também cursos profissionalizantes.
47

4.3 ENTREVISTA COM A ASSISTENTE SOCIAL:

Em entrevista semi estruturada com a Assistente Social Anicler Colares 16


realizados questionamentos sobre sua prática instrumental e assuntos
relacionamentos aos equipamento de atendimento sócio assistenciais

1. Quais os Instrumentais utilizados por você para o atendimento à população de


rua?

Para mim os instrumentais são as Políticas Publicas você


precisa ter um conhecimento de aonde recorrer, sabendo qual
a demanda do seu usuário. É saúde? Então nosso instrumental
é o Centro Escola Barra Funda, que é nossa referência.
Usuário que necessita de fotos, nosso instrumental é o CRAS
Santa Cecília que atende nossa região. São muitas formas de
encaminhamento. Primeiro é necessário saber qual é a
demanda.

2. Qual sua experiência profissional? Já trabalhou com população de rua?

Eu trabalhei 8 anos como Assistente Social em hospital, na


área da saúde, hospital privado.
O atendimento era voltado para qualidade de vida. Eu captava
recursos da comunidade para repassar aos clientes deste
hospital.

3. Qual sua opinião sobre os equipamentos destinados ao atendimento à população


de rua?

Vou minha visão referente ao atendimento prestado pelo


CRAS. Muitos ainda apresentam políticas assistencialistas, eu
16
Em 27/05/2011 às 20h40
48

vejo situações onde “o usuário esta com fome? Então vamos


dar comida para ele.” Trata-se de um atendimento imediatista.
Este usuário esta passam fome porque estão gastando
dinheiro com álcool. Qual então o problema dele? O que está
causando a fome?
Se o profissional parar por 5 minutos para conversar com esse
usuário ele dará pelo menos um direcionamento da situação.
Infelizmente, grande parte dos profissionais trabalhando nos
equipamentos de apoio é assistencialista, entendeu? Então é
assim: “Olha ele está com fome? Então dá comida pra ele”.
4. Você já vivenciou algum atendimento assistencialista por parte destes
equipamentos?

Tenho até um exemplo, uma usuária que já passou pelo


albergue que é usuária de drogas e tem um problema
seríssimo de convulsões, ela tem um machucado na testa que
não cicatrizada por conta das quedas no momento das
convulsões.
Ela sempre foi medicada, mas não adianta.
Se prostitui para usar drogras. No ano passado o pessoal da
Atenção Urbana fez um trabalho com ela de traze-la para cá
todos os dias para tomar banho e jantar, mas a usuária tomava
banho jantava e ia para a rua de novo.
Ela não gosta de ficar em albergue, ela não quer.
Um dia eu cheguei aqui e ela estava dormindo. Nós fomos
acorda-la para que ela pudesse jantar e tomar banho. Ela
estava dormindo nos fundos do albergue, ao lado do banheiro.
Aquela cena me chocou muito. Ela estava semi nua e nos
acordou muito irritada, gritando e brigando com todo mundo.
Eu me perguntei, oque nos estamos fazendo com essa
senhora? Que assistencialismos é esse?
Nos estávamos fazendo assistencialismo e não serviço social.
Serviço social para mim é poder auxiliar alguém para que este
não precise mais de ajuda.
Lógico que se um usuário esta com fome você precisa dar
comida, claro. Mas nos precisamos acolher as pessoas e
posteriormente trabalha-las.

5. Qual seu ponto de vista com relação aos usuários que preferem ficar nas ruas ao
invés de um Centro de Acolhida?

Nós, profissionais, precisamos entender que é uma opção da


pessoa de rua se institucionalizar ou não.
49

A primeira vez que um usuário falou para mim “Olha, toma aqui
minha carteirinha que eu estou voltando pra rua. Eu quis
chorar. Eu não entendi e me senti totalmente impotente, mas
assim eu aprendi que devemos também respeitar a vontade
das pessoas.
Eu pude aprender também que muitos profissionais precisam
entender que nós trabalhamos com as escolhas dos usuários.
6. Qual a maior dificuldade identificada por você com relação ao atendimento à
população de rua?

São muitas situações. As a mais complicada para mim são


usuários que necessitam de um atendimento médico ou
acompanhamento por conta do uso de álcool e drogas que as
vezes causam outros problemas de saúde.
Outra situação também são de usuários que têm problemas
mentais sérios e que estão inseridos em albergues sem
instrumentais e cuidados necessários para este publico. Nós
não temos preparo para atender estas pessoas. E muitas ficam
nas ruas porque não existem na rede serviços especializados.
Vivemos situações onde tivemos de aplicar medicamentos
sendo que não temos capacidade para isto. Estas pessoas são
“enfiadas” pelo sistema dentro do albergue, esta para mim é a
maior dificuldade, em aceitar enquanto profissional.
Não estamos assim fazendo nosso trabalho quanto serviço
social. Não estamos tão pouco sendo humanos com estas
pessoas.

7. De que forma e teoria e a pratica do serviço social permeiam no albergue?

É teoria é importante para se ter instrumental a fim de colocar o


serviço em prática. A teoria nos trás alicerce para enxergar a
linha de trabalho, ou para trazer casos estudados que nos
darão subsídios para o atendimento prático
Na prática, como a teoria diz: cada caso é um caso. A teoria
serve para usarmos situações como parâmetro em nossas
ações, na definição de nossos atendimentos.
Na prática precisamos estudar um caso por vez, de forma
individual.
No dia a dia os casos são semelhantes, mas individuais.

8. Qual seu sentimento quanto profissional com relação ao trabalho com população
de rua?
50

A partir do momento em que eu comecei a enxergar que cada


pessoa faz a escolha de sua vida e que não teria como resolver
os problemas do mundo.
Quando saímos da faculdade a gente tem a sensação de que
vai resolver os problemas do mundo. Mas não vai acabar.
Atualmente, o serviço social presta alguns tipos de serviços
que nunca irão acabar. A área da saúde é muito assim. Por que
se a gente for pensar que a quantidade de pessoas que tem na
rua é muito maior do que a que tinha antigamente e que a
tendência não é diminuir, mas infelizmente a gente tem que
também pensar nas políticas, que muitas vezes não ajudam,
principalmente nesta área central.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É certo afirmar que um serviço de abrigamento não se resume somente à


acolhida e alimentação de seus usuários. Este serviço deve ter uma vertente voltada
ao resgate de autonomia tendo por princípios um plano de intervenção na
construção do projeto de vida de cada um de seus usuários, possibilitando assim a
reinserção deste na sociedade.

Realizando um resgate às formas de atendimento das classes mais


vulneráveis a anos trás podemos identificar um atraso considerável com relação as
políticas sócias voltadas à população em situação de rua.

É claro afirmar que as políticas sociais se dão pelo surgimento de suas


demandas, mas as praticas assistencialistas de muitas classes profissionais, até
mesmo do Serviço Social até sua ruptura com o conservadorismo e até mesmo da
Igreja Católica doutrinada ao auxilio dos “excluídos” não obtinham olhar voltado a
totalidade social, a realidade de cada cidadão.

Pude concluir com a construção deste trabalho de pesquisa que as políticas


sociais, especificadamente as voltadas ao atendimento à população em situação de
rua tiveram forte atuação a partir de 2010 com a Política Nacional de Assistência
Social que tem por estratégia a organização da rede de serviços e ações de
diferentes complexidades atuando como política de proteção social, o Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate a Fome (ano 2004) assumindo as políticas
publicas direcionadas à população de rua na construção da Política Nacional de
51

Inclusão Social à População em Situação de Rua e o nascimento do Movimento


Nacional de População de Rua que através da população de rua que atuam neste
movimento suas problemáticas.

O que se refere a figura do morador de rua, estes são estigmatizadas pela


sociedade, onde parcela da sociedade os vê com desprezo, estigmas de
preguiçosos, vagabundos. Onde este é visto como alguém que polui as ruas não
sendo parte integrante de nossa sociedade.

Diversos fatores podem levar um cidadão a morar nas ruas, onde 43,2% dos
usuários atendidos pelo albergue Portal do Futuro relataram estar na rua por
desemprego, seguido de 8,9% onde outra parcela relatou ter ido para as ruas por
conflitos familiares.

Defino também que não somente os fatores habitacionais a ausência de


trabalho e renda, as ruptura com os vínculos familiares e problemas com o uso de
álcool e drogas levam novos cidadãos às ruas, mas também a não conclusão dos
estudos contribuem para a existência de pessoas nas ruas.

No levantamento realizado no Centro de acolhida Portal do futuro/SP: 49%


dos usuários não concluíram o ensino fundamental, o que nos permite afirmar que a
não conclusão do estudo é fator que deve ser considerado para a existência de
parcela de cidadãos nas ruas, tendo por hipótese que a falta de estudos e
conseqüentemente de capacitação profissional podem ter levados estas pessoas ao
desemprego.

Através do método de observação pude acompanhar a pratica profissional


dos assistentes sociais do albergue. Pude acompanhar suas atividades com os
usuários e os serviços prestados a cada usuário através das demandas
apresentadas.

Pude observar que os instrumentos utilizados na pratica profissional são


totalmente direcionados à garantia de acesso aos direitos, emancipação e
autonomia.
52

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

IAMAMOTO, Marilda Villela; As dimensões etico-politicas e teorico


metodologicas no serviço social contemporaneo. Disponível em

ROSA, Cleisa M.M. (org.). População de Rua: Brasil e Canadá. São Paulo:
Hucitec, 1995.

VIEIRA, M. Antonieta C. São Paulo. In: ROSA, Cleisa M. M. (Org.) População de rua:
Brasil e Canadá. São Paulo: Hucitec, 1995.

SPOSATI. Aldaísa. Pobreza e desigualdade no século do desperdício. Outubro


de 2006

SPOSATI. Aldaísa. Globalização da economia e processos de exclusão social.


Brasília. CEAD, 1999.

CASTEL, Robert: WANDERLEY, Luiz Eduardo W; WANDERLEY, Mariângela


Belfiore. Desigualdade e questão social. 2. ed. São Paulo. EDUC, 2000.

CASTEL, Robert. A dinâmica dos processos de marginalização: da


vulnerabilidade a “desfiliação”. Salvador. Caderno CRH. JAN/DEZ, 1997.

MEDEIROS, Alessandra. Pessoas em situação de rua: a saída para a saída. Um


estudo sobre as pessoas que saíram da rua. São Paulo/SP 2010 – Mestrado –
PUC/SP
53

CARDOSO JR, José Celso; JACOOUD, Luciana. Questão social e politicas


sociais no Brasil contemporaneo: Políticas sociais no Brasil: organização,
abrangênca e tensões da ação estatal. Brasilia. IPEA. 2005.

BOSCHETTI, Ivanete. Seguridade Social e Projeto Ético-político do Serviço


Social: que direitos para qual cidadania?. Serviço Social & Sociedade, São Paulo,
Cortez, nov. 2004.

CARVALHO, José Murilo. Cidadania no Brasil – o longo caminho. Editora


Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2002

CARVALHO, Valéria Cabral; GERBER, Luiza Maria Lorenzini. O SUAS – Sistema


Único da Assistência Social em perspectiva.

PEREIRA, Marcia Aparecida Accorsi. A população de rua, as politicas publicas e


os direitos de cidadania: uma equação possível?.1997. Mestrado – PUC/SP.

Política Nacional para Inclusão Social da População em Situação de Rua. Maio de


2008. Brasília/DF

Movimento Nacional da População de rua. Cartilha de Formação do Movimento


Nacional da População de Rua (MNPR). Outubro de 2010.

MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE À FOME. Relatório


do I
Encontro Nacional sobre População em Situação de Rua. Secretaria Nacional
de Assistência
Social. Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação. Novembro de 2006.

BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado, 1988.


Texto
constitucional de 5 de outubro de 1988 com as alterações adotadas pelas Emendas
Constitucionais de n. 1, de 1992, a 32, de 2001, e pelas Emendas Constitucionais de
Revisão
de n. 1 a 6, de 1994, - 17. Ed. - Brasília: 405 p.
54

BRASIL. Política Nacional de Assistência Social. Brasília: 2004. PNAS. Disponível


em:http://www.mds.gov.br/suas/menu_superior/legislacao-1/cd-suas-vol-
01/cd_publicacoes/pdf.]

IAMAMOTO, Marilda Villela; CARVALHO, Raul de. Relações Sociais e Serviço


Social no Brasil. Esboço de uma interpretação histórico-metodológica. 12ºed São
Paulo: Celats/ Cortez, 1998.

MARTINELLI, Maria Lucia. Serviço Social. Identidade e Alienação. 1997.

ECONÔMICAS, Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. Principais


resultados do CENSO da popuçação em situação de rua da cidade de São
Paulo. São Paulo, 2009.

ECONÔMICAS, Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. Principais


resultados do perfil socioeconômico da população de moradores de rua da
área central da cidade de São Paulo. São Paulo, 2010.

< http://www.fnepas.org.br/pdf/servico_social_saude/texto2-2.pdf> Acesso em


27/05/2011 às 20h28