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MACHISMO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Maria Izabel Rangel de Souza Oliveira


Assistente Social. Pós-graduada em Gestão de Políticas Públicas e Feminista.

A cada 5 minutos uma mulher é agredida e a cada 11 minutos uma mulher é estuprada
no Brasil. Os números são alarmantes e expressam as marcas de uma violência cotidiana, fruto
do machismo que estrutura nossas relações, de forma naturalizada e perversa.
A cultura do machismo, em sua essência, advém de um sistema patriarcal existente
desde o período colonial, período este em que nossas mulheres viviam sob forte sistema de
subordinação e dominação em relação aos homens. Esta desigualdade entre gêneros, que
permeavam não apenas os lares, mas também espaços públicos configurava assim a
construção de uma identidade feminina submissa, em que a condição física, sexual e biológica
das mulheres as definiam como frágeis, seres não pensantes e incapazes.
A desigualdade entre gênero atinge todas as classes e relações sociais. Ela quem
estrutura os padrões de moralidade e conduta na construção do papel social entre homens e
mulheres.
Para entender como é construído o papel social de cada gênero, é só refletirmos sobre
como criamos padrões para o comportamento de nossos meninos e meninas desde a primeira
infância. Podemos usar como bom exemplo o que instituímos como “brinquedo de menina e
brinquedo de menino” em que: bola, carrinho, monta monte e bonecos de super heróis são
considerados brinquedos de meninos: brinquedos estes expansivos, que permitem que os
meninos possam correr, criar, pensar de forma ampla e construtiva. Já para nossas meninas
compramos: “boneca, casinha, kit de cozinha, panelinhas, ferrinho de passar” onde reforçamos
à elas este papel de “responsável pelos cuidados com a casa e com os filhos”.
E a partir disto cometemos um grande erro em definir que meninas devem auxiliar nas
tarefas domésticas, se comportar de forma delicada, comportada, ou até mesmo que só serão
plenamente felizes quando estivermos casadas e com filhos.
Infelizmente, a partir estas definições, muitos homens agem com atitudes
extremamente abusivas e violentas por, através de um pensamento conservador e machista,
idealizarem mulheres por um sentimento de posse e submissão.
É preciso mencionar também quão grave são os crimes de assédios e abusos que
nossas mulheres sofrem diariamente, onde muitas vezes, de forma perversa, é atribuído à
mulher a culpa pela própria violência sofrida. Quantas vezes não ouvimos a expressão:
“Também, com a saia deste tamanho, pediu pra ser estuprada”.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostra que
60% dos brasileiros acreditam que “se mulheres soubessem se comportar, haveria menos
estupros”.
Esta semana, em que a Lei Maria da Penha completa seus 11 anos, reforçamos o
quanto é preciso rompermos com estes paradigmas. Precisamos apostar no feminismo como
movimento que expressa nosso nossa luta pela igualdade entre os gêneros.
Importante mencionar também: feminismo não é contrário de machismo. O machismo
(como mencionei acima) estrutura a desigualdade, a opressão e submissão entre os gêneros,
já o feminismo em momento algum fala sobre superioridade de um gênero sob o outro, mas
sim, sobre nosso direito de ter oportunidades iguais, na esfera profissional, política e dentro de
nossos lares. Sobre ter liberdade de ir e vir sem correr o risco de ser violentada. Sobre usar
nossas roupas e expressarmos nossos interesses e comportamentos sem medo. Sobre ser
solteira ou casada, tendo ou não filhos, por opção. Sobre termos salários iguais, e sermos
igualdade reconhecidas por nossas capacidades e qualificações.
Esta é a nossa luta, e pode ser sua luta também!