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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PETRÓLEO


ENGENHARIA DE PETRÓLEO
SIMULAÇÃO NUMÉRICA DE RESERVATÓRIOS
DOCENTE: Dr.ª Jennys Lourdes Meneses Barillas
DISCENTE: Liélson dos Santos Andrade

SIMULAÇÃO DE INJEÇÃO DE ÁGUA EM UM RESERVATÓRIO COM


CARACTERÍSTICAS DO NORDESTE BRASILEIRO

Natal
Junho/2015
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 5

2 OBJETIVOS 6

3 ASPECTOS TEÓRICOS 7

3.1 MÉTODOS DE RECUPERAÇÃO 7

3.2 RECUPERAÇÃO SECUNDÁRIA 8

3.2.1 Injeção de água 10

4 MODELAGEM DO RESERVATÓRIO E METODOLOGIA 12

5 RESULTADOS E DISCUSSÕES 18

5.1 COMPARAÇÃO DO MODELO COM INJEÇÃO DE ÁGUA 26


(25m³std/d) VS RECUPERAÇÃO PRIMÁRIA

5.2 ANÁLISE DA MUDANÇA DA POROSIDADE E PERMEABILIDADE 20


NO RESERVATÓRIO

5.3 ANÁLISE DA MUDANÇA DA VAZÃO DE INJEÇÃO DE ÁGUA 22

5.4 INCREMENTO DO FATOR DE RECUPERAÇÃO 24

5.5 COMPARATIVO ENTRE PROPRIEDADES DO MODELO BASE


(Qinj=25m³ std/d) E O DE MÁXIMA RECUPERAÇÃO (Qinj=75m³)
26

5.5.1 Saturação de óleo 26

5.5.2 Pressão 27

6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 28

7 REFERÊNCIAS 30
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 Principais métodos de recuperação 7
Figura 2 Representação de um esquema de injeção em malhas nine spot, utilizada
9
na simulação deste projeto
Figura 3 Esquema de injeção de água 11
Figura 4 Distribuição dos poços - vista IJ - refinamento 1 13
Figura 5 Vista IK, refinamento 1 14
Figura 6 Distribuição dos poços - vista IJ - refinamento 2 14
Figura 7 Vista IK, refinamento 2 14
Figura 8 Distribuição dos poços - vista IJ - refinamento 3 15
Figura 9 Vista IK, refinamento 3 15
Figura 10 Poços produtores perfurados na profundidade de 504,5m 16
Figura 11 Poços produtores perfurados na profundidade de 497,5m 17
Figura 12 Comparação da saturação de óleo para os anos de 2000, 2020 e 2040, 27
utilizando o modelo Qinj=25m³ std/d e modelo com Qinj=75m³ std/d.
Figura 13 Análise da pressão para os anos de 2000, 2001, 20005, 2010, 2020 e 28
2040, uitilizando o modelo com Qinj=75m³ std/d.
Gráfico 1 Produção acumulada de óleo x Tempo (modelo com injeção de 25m³/d x
18
recuperação primária)
Gráfico 2 Vazão de óleo x Tempo (modelo Qinj=25m³/d x recuperação primária) 19
Gráfico 3 Produção acumulada de óleo x Tempo (modelo com injeção de 25m³/d
20
x variação da porosidade permeabilidade)
Gráfico 4 Produção acumulada de água x Tempo (modelo com injeção de 25m³/d
21
x variação da porosidade permeabilidade)
Gráfico 5 Produção acumulada de óleo x Tempo (modelo com injeção de 25m³/d
22
x variação da injeção)
Gráfico 6 Vazão de água x Tempo (modelo com injeção de 25m³/d x variação da
23
injeção)
Gráfico 7 Produção acumulada de óleo x Tempo (incremento do fator de
24
recuperação)
Gráfico 8 Produção acumulada de gás x Tempo (incremento do fator de
25
recuperação)
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Características do reservatório 12


Tabela 2 Características do fluido 12
1 INTRODUÇÃO
Na atualidade existe grande necessidade da produção de energia, sendo assim, os
investimentos nas diversas fontes de energia tem sido de grande valor, desta maneira, a
indústria petrolífera tem relevante papel em fornecimento de energia no cenário mundial.
Deste modo, as mais diversas técnicas para exploração e produção de petróleo foram
desenvolvidas, com o objetivo de tornar possível a produção de uma maior quantidade de
óleo, sendo economicamente viável.
Existem os métodos de recuperação primária de produção, onde engloba as técnicas
de influxo de água, gás em solução e capa de gás. A produção de petróleo é iniciada, na
maioria das vezes, aproveitando a energia natural ou primária existente no reservatório, que
causa deslocamento até o poço produtor dos fluidos presentes no reservatório. Essa
produção ocorre devido à descompressão que acarreta à expansão dos fluidos, a contração
do volume poroso e o deslocamento de um fluido por outro.
No entanto, com o passar do tempo e com o aumento da produção acumulada a
pressão do reservatório vai caindo, tornando-se insuficiente para deslocar os fluidos até a
superfície de forma econômica ou conveniente, consequentemente novas maneiras de
produzir o óleo são implementadas.
As indústrias investem cada vez mais em técnicas para o melhor aproveitamento dos
reservatórios de petróleo, podendo aumentar ainda mais a recuperação do óleo do
reservatório. Uma dessas técnicas é chamada de recuperação secundária, utilizada com o
propósito de manter pressão ao reservatório ou deslocar o banco de óleo para os poços
produtores.
No estudo das possibilidades da utilização dessas técnicas de recuperação secundária,
os métodos numéricos se mostraram eficazes para modelar reservatórios complexos,
obtendo resultados próximos a realidade. Sendo assim, seu uso na indústria se tornou
praticamente indispensável, permitindo fazer diversas análises de diferentes modelos de
produção sem precisar investir recursos com testes de campo.

5
2 OBJETIVOS

O objetivo do presente trabalho é pôr em prática os conhecimentos adquiridos na


disciplina “PTR0405: Simulação Numérica de Reservatórios” através do simulador STARS,
utilizado de forma que se possa analisar e estabelecer as relações entre as condições de um
reservatório e sua produção ao longo do tempo e assim, poder verificar a fundamentação do
conhecimento teórico.
Será utilizado o método de recuperação de injeção de água, em um reservatório
homogêneo, semissintético, com características da região do Nordeste Brasileiro, trazendo
diversas comparações através da modificação de parâmetros; e por fim, propor um modelo
de melhoramento de recuperação de óleo em comparação a um modelo base pré-definido.

6
3 ASPECTOS TEÓRICOS
O Petróleo é uma mistura complexa de hidrocarbonetos que se encontra na forma
líquida ou sólida, em poros e fraturas, em geral de rochas sedimentares. Nos depósitos
encontram-se também água salgada e uma mistura de gases responsáveis pela pressão que
provoca a ascensão do petróleo através de poços perfurados.
Segundo Thomas (2004), a nomenclatura petróleo vem do latim Petra (pedra) e
oleum (óleo) e em estado líquido é uma substância oleosa, inflamável, com densidade
inferior à da água, com odor característico e a cor pode variar entre o negro e castanho
escuro.
O petróleo, de fato, é uma matéria-prima extremamente rica e diversificada.
Basicamente compreende uma mistura de hidrocarbonetos, cujo estado físico varia conforme
o tamanho das moléculas. O petróleo é dividido em duas fases distintas: a fase líquida
(petróleo) e a fase gasosa (gás natural) (Thomas, 2004).

3.1 MÉTODOS DE RECUPERAÇÃO


Os reservatórios de petróleo inicialmente possuem uma determinada quantidade de
energia, chamada de energia primária. Com a produção, o reservatório é depletado e essa
energia primária é dissipada. Para compensar os efeitos dessa depleção, foram
desenvolvidos métodos de recuperação secundária. Eles podem ser métodos convencionais
que visam a recuperação da energia do reservatório através da injeção de água ou gás, ou
podem ser métodos especiais, que podem ser classificados em térmicos, miscíveis ou
químicos. Na figura 1, vemos os principais tipos de métodos de recuperação.

Figura 1: Principais métodos de recuperação.

7
3.2 RECUPERAÇÃO SECUNDÁRIA
Recuperação secundária é a quantidade adicional de óleo obtida por suplementação
da energia primária com energia secundária, artificialmente transferida para a jazida, ou por
meios que tendem a tornar a energia primária mais eficiente. Chamam-se também de
recuperação secundária às operações que conduzem à obtenção dessa quantidade adicional
de óleo, além daquela proporcionada pela recuperação primária (Rosa et al., 2006).
Por sua vez, os métodos de recuperação secundária são classificados em
convencionais ou especiais. Esses métodos têm como objetivos principais o aumento da
eficiência de recuperação e a aceleração da produção.
O elevado custo nas etapas de exploração, desenvolvimento e produção, o alto preço
do petróleo, e os sucessivos avanços tecnológicos são os principais incentivos à aplicação da
recuperação avançada na indústria.
Os métodos convencionais são compostos pela injeção de água e pela injeção de gás
imiscível. Esses métodos atuam a partir da manutenção da pressão da acumulação, através
da injeção desses fluidos ainda no início da vida produtiva do reservatório, de forma que se
consegue manter em níveis elevados a pressão do mesmo. Assim, consegue-se deslocar o
óleo para fora dos poros da rocha reservatório sem que os fluidos se misturem entre si ou
interfiram na mesma, uma vez que o fluido injetado vai ocupando o espaço deixado à
medida que o óleo vai sendo expulso.
O elevado custo nas etapas de exploração, desenvolvimento e produção, o alto preço
do petróleo, e os sucessivos avanços tecnológicos são os principais incentivos à aplicação da
recuperação avançada na indústria. Durante a elaboração de um projeto de injeção é de
fundamental importância analisar a distribuição dos poços de injeção e de produção no
campo, as características físicas do meio poroso e dos fluidos lá contidos, a quantidade de
poços necessários para tal projeto, a possibilidade de se atingir uma alta produção e,
principalmente, a viabilidade econômica.
Com base nisso, pode-se dizer que na fase inicial de um projeto de injeção, pressões
e vazões de injeção, estimativas de vazões de produção, volumes de fluidos a serem
injetados e produzidos, e quantidades e distribuição dos poços no campo, são aspectos
comuns a todos os projetos.
Pensando nisso, a escolha do melhor esquema de injeção altera fortemente as
chances de se obter um elevado aumento da produção de um determinado campo. Os
esquemas de injeção podem ser classificados em dois grupos, baseados na estrutura do
reservatório e na distribuição dos poços:
 Injeção periférica, injeção de topo e injeção na base;
 Injeção em malhas.

8
No esquema de injeção em malhas, os poços são distribuídos uniformemente ao
longo dos reservatórios, que possuem, por sua vez, grandes áreas e pequenas inclinações e
espessuras. São exemplos de esquemas de injeção em malhas: Injeção em linha direta, em
linhas esconsas, malha five spot, malha seven spot, nine spot e nine spot invertido.

Figura 2: Representação de um esquema de injeção em malhas nine spot, utilizada na simulação deste projeto.
Fonte: Rosa et al., 2006.

É essencial para o estudo do deslocamento de fluidos imiscíveis o entendimento da


mobilidade dos fluidos (λ) e da razão de mobilidades entre eles.
A mobilidade do fluido 𝜆𝑓 analisado é a relação entre a sua permeabilidade efetiva
(𝐾𝑓 ) e a sua viscosidade 𝜇𝑓 , nas condições de reservatório, como mostra a equação 1.
𝐾𝑓
𝜆𝑓 = (1)
𝜇𝑓

A razão de mobilidades, por sua vez, expressa a relação entre a mobilidade do fluido
deslocante (𝜆𝐷 ) e a mobilidade do fluido deslocado, ou seja, o óleo (𝜆𝑂 ). Adotando a água
como fluido deslocante(𝜆𝐷 =𝜆𝑊 ) tem-se a equação 2:
𝜆𝑊 𝐾𝑤 ⁄𝜇𝑤
𝑀= = (2)
𝜆𝑂 𝐾𝑜 ⁄𝜇𝑜

A análise dessas variáveis é importante para se entender a interação entre o fluido


deslocado e o deslocante, uma vez que a eficiência de deslocamento depende das tensões
interfaciais entre esses fluidos, das propriedades rocha-fluido e do volume de fluido
injetado.
Em relação aos valores das vazões e das pressões de injeção, é interessante que se
conheça-os, ao menos de forma aproximada, para que se possa manter seu projeto de injeção
dentre de uma faixa ótima de operação. Valores muito altos de pressão de injeção podem
gerar fraturas na formação, enquanto que também é necessária uma boa injetividade para se
obter uma elevada produtividade.

9
Finalmente, podemos avaliar quantitativamente a produção de hidrocarbonetos em
um projeto de injeção. Para isso, os seguintes parâmetros são necessários: Eficiência de
Varrido horizontal, eficiência de varrido vertical e eficiência de deslocamento.
Eficiência de varrido horizontal (𝐸𝐴 ) é definida como a relação entre a área invadida
pelo fluido injetado (𝐴𝑖𝑛𝑣 ) e a área total do meio poroso (𝐴𝑡 ), ambas medidas em planta. A
eficiência de varrido horizontal e a área invadida pelo fluido dependem da geometria de
injeção, do fluido injetado e da razão de mobilidades. A equação 3 mostra a fórmula
utilizada para calcular a eficiência de varrido horizontal (𝐸𝐴 ):
𝐴𝑖𝑛𝑣
𝐸𝐴 = (3)
𝐴𝑡

A Eficiência de varrido vertical (𝐸𝑣𝑣 ) é a relação entre a área vertical invadida pelo
fluido (𝐴𝑣𝑖𝑛𝑣 ) e a área vertical total da seção transversal (𝐴𝑣𝑡 ), equação 4. Essa eficiência é
função basicamente da variação vertical da permeabilidade, da razão de mobilidades e do
volume injetado.
𝐴𝑣𝑖𝑛𝑣
𝐸𝑣𝑣 = (4)
𝐴𝑣𝑡

O produto entre essas duas eficiências representa a Eficiência Volumétrica (𝐸𝑣 ),


também representada pela relação entre o volume do reservatório invadido pelo volume total
do reservatório, como podemos vê na equação 5:
𝑉𝑖𝑛𝑣
𝐸𝑣 = 𝐸𝐴 𝐸𝑉𝑉 = (5)
𝑉𝑡

A eficiência de deslocamento (𝐸𝐷 ) mede a capacidade do fluido injetado de deslocar


o óleo para fora dos poros da rocha. Esse parâmetro fornece a fração da saturação de óleo
original que foi deslocada dos poros pelo fluido deslocante. Sofre influência dos volumes
injetados; da viscosidade dos fluidos e da permeabilidade relativa (Rosa, 2006). Para
calcular a eficiência de deslocamento precisamos da saturação de óleo inicial e da saturação
de óleo residual, como podemos observar na equação 6.
(𝑆𝑜𝑖 −𝑆𝑜𝑟 )
𝐸𝐷 = (6)
𝑆𝑜𝑖

3.2.1 Injeção de água


Os projetos de injeção de água, de uma maneira geral, compõem-se das seguintes
partes: sistema de captação de água, que podem ser poços no caso de se injetar água
subterrânea, ou um conjunto de bombas para o caso de se utilizar água de superfície ou água
do mar; sistema de tratamento de água de injeção; sistema de injeção de água propriamente
dito, que é composto por bombas, linhas, e poços de injeção; e sistema de tratamento e

10
descarte de água produzida. Em certos casos, algumas dessas partes são dispensáveis
(Thomas, 2001).
]

Após o início da injeção, a água injetada no reservatório é produzida também junto


ao óleo, a quantidade de óleo remanescente é removida. A água injetada aumenta ou
mantém a pressão no reservatório, deslocando o óleo para os poços produtores (Figura 1)

Figura 3: Esquema de injeção de água.

Naturalmente se utiliza a injeção de água como método de recuperação secundária, já


que o mesmo possui menor custo operacional comparados com outros métodos de
recuperação avançada (Castiñeira, 2008).
A água injetada pode ter quatro origens diferentes: 1) água subterrânea, coletada em
mananciais de subsuperfície por meio de poços perfurados para este fim; 2) água de
superfície, coletada em rios, lagos, etc; 3) água do mar; e 4) água produzida, isto é, a água
que vem associada à produção de petróleo.
Apesar da água a ser usada na injeção do reservatório poder ter quatro origens
distintas, em muitos projetos a água utilizada é a água dos aquíferos, pois essa água é similar
à água da formação e, é, geralmente, bastante salina não sendo apropriada nem para o
consumo humano e nem para o consumo animal.

11
4 MODELAGEM DO RESERVATÓRIO E METODOLOGIA

O modelo do reservatório proposto foi criado utilizando um simulador numérico,


IMEX – (Implicit– Explicit Black Oil Simulator) da CMG – (Computer Modeling Group),
para um modelo do tipo Black-oil, com os parâmetros de entrada necessários: a
configuração da malha do reservatório modelo; as propriedades da rocha, do reservatório e
dos fluidos; além das condições operacionais de produção.
A construção deste se deu através programa BUILDER da CMG e a análise
comportamental do sistema foi realizada a partir dos gráficos gerados pelo RESULT
GRAPH e RESULT 3D da CMG.
Neste modelo foi usado injeção de água em um reservatório homogêneo,
semissintético, com características do Nordeste Brasileiro, para um período de produção de
40 anos (inicio e fim propostos em 01/01/2000 e 01/01/2040, respectivamente). O
reservatório do modelo simulado apresenta as seguintes características (tabela 1):

Área do reservatório (1000 x 950) m²

Altura do reservatório 43 m

Profundidade 481 m

Permeabilidade horizontal 750 mD

Permeabilidade vertical 75 mD

Porosidade 23%

Compressibilidade da rocha 200x10-5 @ 50 kgf/cm²


Tabela 1: Características do reservatório.

Em seguida, é necessário conhecer os fluidos que estão lá contidos, para que se possa
efetuar o modelo composicional do projeto. Foram fornecidos os seguintes dados (tabela 2):

Temperatura do reservatório 55 ºC

Pressão máxima 100 kgf/cm²


Generate from GOR value:: 20
Pressão no ponto de bolha
m³/m³
Massa específica do óleo @ STC (14,7 psia ; 60 ºF) Stock tank oil density: 850

Massa específica do gás @ STC (14,7 psia ; 60 ºF) Gas gravity(AIR=1): 0,82

Pressão de referência para propriedades da água 48 kgf/cm²

Salinidade da água 15000 ppm


Tabela 2: Características do fluido.

12
Inicialmente precisou ser definida a escolha do refinamento base para a análise de
comportamento. Para realizar tal escolha, foram planejados três diferentes refinamentos,
cada um com um grau de precisão e tempo computacional diferente.
Foi fornecido um esquema de injeção do tipo nine spot, que deveria possuir a mesma
quantidade de malhas para os diferentes refinamentos. Assim, a distância entre poços de
aproximadamente 500m foi mantida. Outros parâmetros fornecidos que restringem o projeto
foram a máxima vazão de líquidos (STL) de 500 m³std e a mínima pressão (BHP) de 2
Kgf/cm², para os poços produtores, e a máxima vazão de injeção (inicialmente) de 25
m³std/d e a máxima pressão (BHP) de 150 Kgf/cm², para os poços injetores.
No modelo também foi fornecido os dados a respeito dos contatos entre os fluidos do
reservatório. O contato água-óleo foi encontrado na profundidade aproximada de 510.8 m e
o contato gás-óleo numa profundidade de 482.5 m. Neste reservatório foram encontradas
zonas de baixa permeabilidade e porosidade entre 484-485 com Kh= 70mD e ø=7% e na
profundidade entre 500-503, com Kh= 55mD e e ø=5,5%.
O contato água-óleo, contato gás-óleo e as zonas de baixa permeabilidade e
porosidade serão mostrados nas figuras 5,7 e 9 as quais são as vistas IK da distribuição dos
poços para o refinamento 1, 2 e 3, respectivamente.
O primeiro refinamento, menos refinado, possui uma distribuição de 13i x13J x12K ,
totalizando 2028 blocos, na figura 4 e 5 podemos observar a distribuição dos poços para as
vistas IJ e o contato água-óleo, contato gás-óleo e as zonas de baixa permeabilidade e
porosidade na vista IK, respectivamente.

Figura 4: Distribuição dos poços - vista IJ - refinamento 1.

13
Figura 5: Vista IK, refinamento 1.

A figura 6 mostra a vista IJ d o segundo refinamento, um pouco mais refinado que o


anterior, possui um total de blocos de 3468, distribuídos em 17i x17J x12K. Já a figura 7
mostra a vista IK desse reservatório.

Figura 6: Distribuição dos poços - vista IJ - refinamento 2.

Figura 7: Vista IK, refinamento 2.

14
O terceiro e mais sofisticado refinamento, possui uma quantidade de 8700 blocos,
distribuídos em 29i x25J x12K ,figura 8, e a figura 9 é a vista IK deste refinamento.

Figura 8: Distribuição dos poços - vista IJ - refinamento 3.

Figura 9: Vista IK, refinamento 3.

Embora apresentem diferentes graus de sofisticação e consequentemente esforços


computacionais também diferentes, o parâmetro tempo de simulação não foi um fator
determinante na escolha do refinamento base nesse caso. Isso porque, foi pedido que usasse
o refinamento que desse um resultado mais preciso, além disso o tempo computacional
necessário para os três refinamentos utilizados eram bem pequenos, não passando da faixa
de minutos.
Assim, a escolha do refinamento base para a análise comportamental do reservatório
a partir da injeção de água, se deu com base na precisão do refinamento, o tamanho dos
blocos no refinamento 3 é menor e quanto menor for o tamanho dos blocos, mais o resultado
se aproxima da solução analítica, ou seja, é mais preciso, logo esse foi o refinamento
escolhido.

15
Neste estudo foram realizadas as seguintes atividades:
 Revisão bibliográfica;
 Realização dos refinamentos;
 Modelagem do reservatório;
 Modelagem dos fluidos;
 Modelagem das condições iniciais;
 Condições operacionais;
 Determinação do modelo base;
 Análise comparativa entre a recuperação primária e a com injeção de água;
 Análise de incerteza de permeabilidade e porosidade no reservatório;
 Análise de parâmetros operacionais
 Recomendação para melhorar a produção de óleo no reservatório.

A opção utilizada para melhorar o fator de recuperação foi a mudança de


profundidade dos poços produtores, no modelo base o poço foi perfurado até a profundidade
de 504,5m (figura 10) e para melhorar o fator de recuperação os poços produtores foram
perfurados na profundidade de 497,5m (figura 11), com essa mudança a chegada do banco
de água ao poço produtor ,“breakthrough”, foi retardada e o poço teve um maior fator de
recuperação, como será mostrado nos resultados e discussões.
.

Figura 10: Poços produtores perfurados na profundidade de 504,5m.

16
Figura 11: Poços produtores perfurados na profundidade de 497,5m.

17
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES

5.1 COMPARAÇÃO DO MODELO COM INJEÇÃO DE ÁGUA (25m³std/d) VS


RECUPERAÇÃO PRIMÁRIA
Inicialmente foram simulados os modelos com injeção de água – 25m³ std/dia e
recuperação primária, com o intuito de fazer um comparativo. O gráfico 1 mostra a
produção acumulada de óleo versus o tempo. Na mesma pode ser observado que houve um
significativo aumento na produção acumulada de óleo com a injeção de água no
reservatório, pelo gráfico percebe-se que já no ano de 2007 esse reservatório não possui
mais energia suficiente para elevar os fluidos até a superfície, pois a curva de produção
acumulada se torna constante.
Podemos observar também que ao término dos 40 anos a produção para o modelo
com injeção passa de 1 milhão de m³/d enquanto na recuperação primária não passou de
400mil. Isso se deve ao fato da água atuar como um fluido deslocante do óleo contido nos
poros da rocha reservatório. Além disso, a injeção desse fluido auxilia na redução do efeito
da perda de energia do reservatório.

Gráfico 1: Produção acumulada de óleo x Tempo (modelo com injeção de 25m³/d x recuperação primária)

18
O gráfico 2 mostra a vazão de óleo versus o tempo. Na mesma pode ser observado
que a vazão de óleo chega a zero primeiro para a recuperação primária e esse
comportamento pode ser devido a dissipação de energia do reservatório, podemos observar
que no ano de 2007 a vazão de óleo chega a zero, o que é um forte indício que esse
reservatório não consegue mais empurrar o óleo para a superfície apenas com sua energia
primária, para que o poço continuasse produzindo seria preciso utilizar um método de
recuperação secundária.
No modelo com injeção de água se consegue manter a pressão em níveis elevados
por mais tempo. Assim, consegue-se deslocar o óleo para fora dos poros da rocha
reservatório sem que os fluidos se misturem entre si ou interfiram na mesma, uma vez que o
fluido injetado vai ocupando o espaço deixado à medida que o óleo vai sendo expulso.
Dessa forma, existirá vazão de óleo no modelo de injeção por mais tempo. No início da vida
produtiva o reservatório possui pressões maiores, logo é devido a isso esse pico de vazão de
óleo nos primeiros anos de produção. Nos primeiros anos a pressão do reservatório cai muito
rápido, o que influencia diretamente na vazão de óleo, a partir do momento que a pressão do
reservatório é baixa a vazão de óleo também será reduzida.

Gráfico 2: Vazão de óleo x Tempo ((modelo Qinj=25m³/d x recuperação primária)

19
5.2 ANÁLISE DA MUDANÇA DA POROSIDADE E PERMEABILIDADE NO
RESERVATÓRIO
No gráfico 3 temos a produção acumulada de óleo versus o tempo, o modelo de
injeção de água inicial (25m³/d) é analisado para diferentes valores de porosidade e
permeabilidade. No gráfico pode ser observado que a curva roxa, a qual possui valor de
porosidade e permeabilidade 150% da original é a que terá maior produção acumulada de
óleo isso pode ser devido ao óleo fluir com menos barreiras, a mobilidade do óleo no
reservatório será maior, logo menos óleo será retido no reservatório.

Gráfico 3: Produção acumulada de óleo x Tempo (modelo com injeção de 25m³/d x variação da porosidade
permeabilidade)

20
O gráfico 4 mostra a produção acumulada de água versus o tempo, observamos que
as curvas não apresentaram diferenças significativas para os diferentes valores de porosidade
adotados. Esse comportamento é devido ao método de recuperação que está sendo aplicado,
inicialmente a produção de água é pequena, com o decorrer dos anos essa água que estava
empurrando o banco de óleo, vai sendo produzida. A variação de permeabilidade e
porosidade afeta pouco devido a maior parte da água que está sendo produzida ser a
injetada. Diferente do que acontece com o óleo, as forças viscosas e capilares não
influênciam de forma significativa o escoamento de água.

Gráfico 4: Produção acumulada de água x Tempo (modelo com injeção de 25m³/d x variação da porosidade
permeabilidade)

21
5.3 ANÁLISE DA MUDANÇA DA VAZÃO DE INJEÇÃO DE ÁGUA
Analisando os efeitos dos parâmetros de injeção na recuperação de óleo, realizamos
simulações para diferentes valores de vazão de injeção. Foram analisados os efeitos na
recuperação de óleo para os seguintes valores de vazão: 0,25, 35, 75 e 125 e 250 m³ std/d.
Gráfico 5, mostra o gráfico de produção acumulada de óleo versus tempo. Neste
gráfico podemos observar que os maiores valores de produção de óleo são para as vazões de
injeção de 75m³std/d até o ano de 2035 e injeção de 35 m³std/d de 2035 ao ano de 2040. A
vazão de injeção de 250 m³std/d demonstrou o menor valor de produção acumulada.
Isso pode ser devido ao efeito do cone de água, que com o tempo de produção torna-
se cada vez mais atuante, outro motivo pode ser que a água procura caminhos preferências,
chamado de “fingers” e deixa uma certa quantidade de óleo para trás. Além disso, a
produção da água que está sendo injetada reduz a produção de óleo, tornando o fator de
recuperação de óleo cada vez mais constante. Isso pode ser resumido ao efeito do
“breakthrough”, ou seja, a chegada da frente de água no poço produtor.
Valores menores de vazão de injeção de água, embora retardem um pouco a
produção de óleo, conseguem retardar o efeito do “breakthrough”, obtendo assim maiores
fatores de recuperação. O fundamental, em casos como esse, é determinar o valor de vazão
de injeção ótima, ou seja, um valor que consiga aliar o aumento na produção de óleo com a
maior postergação possível do “breakthrough”.

Gráfico 5: Produção acumulada de óleo x Tempo (modelo com injeção de 25m³/d x variação da injeção)

22
No gráfico 6, temos o gráfico de vazão de água versus tempo. Neste gráfico podemos
observar que os maiores valores de vazão de água são para as vazões de injeção de
125m³std/d e 250 m³std/d. Isto ocorre devido a estas serem as maiores vazões de injeção,
analisando o gráfico vemos que quanto maior o valor de injeção, maior será a vazão de água.

Gráfico 6: Vazão de água x Tempo (modelo com injeção de 25m³/d x variação da injeção)

23
5.4 INCREMENTO DO FATOR DE RECUPERAÇÃO
Buscando incrementar a produção acumulada de óleo, foram realizadas diferentes
configurações na perfuração dos poços, dentre elas, a opção utilizada foi a mudança de
profundidade dos poços produtores, no modelo base o poço foi perfurado até a profundidade
de 504,5m e para melhorar o fator de recuperação os poços produtores foram perfurados na
profundidade de 497,5m, com essa mudança a chegada do banco de água ao poço produtor
,“breakthrough”, foi retardada e o poço teve maior produção acumulada de óleo.
No gráfico 7, mostra o gráfico de produção acumulada de óleo versus tempo. Neste
gráfico podemos observar que os maiores valores de produção acumulada de óleo são para
as vazões de injeção de 75m³std/d e poço produtor perfurado até 497,5m.

Gráfico 7: Produção acumulada de óleo x Tempo (incremento do fator de recuperação)

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O gráfico 8 mostra o gráfico de produção acumulada de gás versus tempo. Neste
gráfico podemos observar que não existe diferenças significativas para a produção
acumulada de gás. Para ambos os casos existe uma produção maior nos primeiros anos,
devido a existir uma alta dissipação de energia do reservatório no início da vida produtiva do
poço.

Gráfico 8: Produção acumulada de gás x Tempo (incremento do fator de recuperação)

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5.5 COMPARATIVO ENTRE PROPRIEDADES DO MODELO BASE (Qinj=25m³ std/d)
E O DE MÁXIMA RECUPERAÇÃO (Qinj=75m³).
Como forma de analisar o comportamento de todo o reservatório ao longo do tempo
de produção, selecionamos diferentes datas para ilustrar as condições encontradas no
reservatório. Os parâmetros analisados foram a saturação de óleo e a pressão.

5.5.1 Saturação de óleo


A figura 12, mostra a saturação de óleo versus o tempo, nessa imagem é comparado a
saturação de óleo para os anos de 2000, 2020 e 2040, utilizando o modelo inicial Qinj=25m³
std/d e modelo com Qinj=75m³ std/d. Analisando essas figuras 2D, é possível perceber que
com o passar do tempo a saturação de óleo diminuiu nos dois modelos, mas principalmente
no modelo com injeção de Qinj=75m³ std/d, o modelo inicial Qinj=25m³ possui uma
recuperação menor, isso pode ser justificado devido aos efeitos da dissipação de energia do
reservatório e pelas forças viscosas e capilares que aprisionam o óleo nos poros da rocha.

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Figura 12: Comparação da saturação de óleo para os anos de 2000, 2020 e 2040, utilizando o modelo
Qinj=25m³ std/d e modelo com Qinj=75m³ std/d.

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5.4.1 PRESSÃO
A figura 13, mostra a pressão versus o tempo, nessa imagem é mostrado a pressão
para os anos de 2000, 2001, 20005, 2010, 2020 e 2040, uitilizando o modelo com
Qinj=75m³ std/d. Podemos observar que já com apenas 1 ano a pressão cai quase 50% do
valor inicial, até o décimo ano de produção a queda de pressão é relativamente acentuada. A
partir daí a pressão continua caindo, porém de forma bem mais lenta.

Figura 13: Análise da pressão para os anos de 2000, 2001, 20005, 2010, 2020 e 2040, uitilizando o modelo
com Qinj=75m³ std/d.

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6. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
O presente trabalho nos permite verificar e comprovar a eficiência da injeção de água
como um método de recuperação secundária. Aliado a elevada disponibilidade da água e ao
baixo custo de operação se comparado a outros métodos de recuperação secundária, a
injeção de água por apresentar valores razoáveis de recuperação de óleo nos mais diversos
casos, ainda é o método de recuperação mais implantado pela indústria no mundo.
Com o presente trabalho, conclui-se que o método de recuperação secundária
convencional de injeção de água, com uma vazão de 25m³/d, conseguiu aumentar a
recuperação de óleo do reservatório, em relação a recuperação primária, mostrando-se
eficiente em deslocar o óleo para a zona produtora.
Os parâmetros do reservatório influenciaram de forma significativa nos índices de
produção, quanto maiores foram as porosidades e permeabilidades, maiores foram os fatores
de recuperação (FR) e a produção acumulada de óleo (NP).
A mudança de parâmetros operacionais mostrou que a vazão de 75m³/d, tem o
melhor fator de recuperação, se comparado com os outros casos analisados.
Por fim, verificamos que a redução de profundidade dos poços produtores, se
comparado com o modelo inicial, mostrou-se mais eficiente para recuperar o óleo do
reservatório, obtendo maior FR e maior NP.
Uma recomendação para obter maiores fatores de recuperação nesse reservatório
seria injetar água com vazão próxima de 75m³std/d no aquífero e reduzir mais ainda a
profundidade de perfuração dos poços produtores, isso vai retardar ainda mais a chegada da
água ao poço produtor e com isso a tendência é que seja produzido mais óleo.

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7. REFERÊNCIAS

THOMAS, J. E. (org). Fundamentos de Engenharia de Petróleo. 2 ed. Rio de Janeiro:


Editora Interciência, 2004.

ROSA, A. J., Caravalho, R. S., Xavier, J. A. D. Engenharia de Reservatórios de Petróleo.


I. ed. Rio de Janeiro: Editora Interciência, 2006.

CMG, Computer Simulator Group Ltda. Guia para el usuario. STARS – (Steam, Thermal,
and Advanced Process Reservoir Simulator) versão 2010.10, Calgary-Alberta-Canadá.

CASTIÑEIRA, Paula Panaro. Estudo da Viabilidade Econômica de Projetos de


Recuperação Suplementar para Campos com Alto Grau de Exploração. 2008. 53 f.
Monografia (Graduação) - Curso de Engenharia de Petróleo, UFRJ, Rio de Janeiro, 2008.

SANTANA, Ana P. S. de C. Recuperação Suplementar. Apostila do curso de Tecnologia


de Petróleo e Gás – 2008.

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