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ENEM 2009 - QUESTÃO 102

Gênero dramático é aquele em que o artista usa como intermediária entre si e o público a representação. A palavra vem
do grego drao (fazer) e quer dizer ação. A peça teatral é, pois, uma composição literária destinada à apresentação por
atores em um palco, atuando e dialogando entre si. O texto dramático é complementado pela atuação dos atores no
espetáculo teatral e possui uma estrutura específica, caracterizada:
1) pela presença de personagens que devem estar ligados com lógica uns aos outros e à ação;

2) pela ação dramática (trama, enredo), que é o conjunto de atos dramáticos, maneiras de ser e de agir das personagens
encadeadas à unidade do efeito e segundo uma ordem composta de exposição, conflito, complicação, clímax e desfecho;

3) pela situação ou ambiente, que é o conjunto de circunstâncias físicas, sociais, espirituais em que se situa a ação;

4) pelo tema, ou seja, a ideia que o autor (dramaturgo) deseja expor, ou sua interpretação real por meio da representação.
COUTINHO. A. Notas de teoria literária. Rio de Janeiro Civilização Brasileira. 1973 (adaptado).

Considerando o texto e analisando os elementos que constituem um espetáculo teatral, conclui-se que

a) a criação do espetáculo teatral apresenta-se como um fenômeno de ordem individual, pois não é possível sua
concepção de forma coletiva.

b) o cenário onde se desenrola a ação cênica é concebido e construído pelo cenógrafo de modo autônomo e independente
do tema da peça e do trabalho interpretativo dos atores.

c) o texto cênico pode originar-se dos mais variados gêneros textuais, como contos, lendas, romances, poesias, crônicas,
notícias, imagens e fragmentos textuais, entre outros.

d) o corpo do ator na cena tem pouca importância na comunicação teatral, visto que o mais importante é a expressão
verbal, base da comunicação cênica em toda a trajetória do teatro até os dias atuais.

e) a iluminação e o som de um espetáculo cênico independem do processo de produção/recepção do espetáculo teatral, já


que se trata de linguagens artísticas diferentes, agregadas posteriormente à cena teatral.

Resposta C
A conclusão proposta pela alternativa c não decorre necessariamente do texto transcrito, mas é a única que
não o contraria – além de exprimir uma verdade. As
demais alternativas apresentam os seguintes erros: a)
nada no texto permite negar a possibilidade de criação
teatral coletiva; b) e e) os diversos elementos que
compõem o espetáculo teatral devem ser correlacionados, como dá a entender o texto, e não tratados de
forma independente; d) nada no texto permite
concluir pela desimportância do corpo do autor e pela
predominância da expressão verbal.

ENEM 2009 - QUESTÃO 118


Teatro do Oprimido é um método teatral que sistematiza exercícios, jogos e técnicas teatrais elaboradas pelo teatrólogo
brasileiro Augusto Boal, recentemente falecido, que visa à desmecanização física e intelectual de seus praticantes.
Partindo do princípio de que a linguagem teatral não deve ser diferenciada da que é usada cotidianamente pelo cidadão
comum (oprimido), ele propõe condições práticas para que o oprimido se aproprie dos meios do fazer teatral e, assim,
amplie suas possibilidades de expressão. Nesse sentido, todos podem desenvolver essa linguagem e, consequentemente,
fazer teatro. Trata-se de um teatro em que o espectador é convidado a substituir o protagonista e mudar a condução ou
mesmo o fim da história, conforme o olhar interpretativo e contextualizado do receptor. Companhia Teatro do Oprimido.
Disponível em www.ctorio.org.br. Acesso em: 1 jul. 2009 (adaptado).
Considerando-se as características do Teatro do Oprimido apresentadas, conclui-se que
a) modelo teatral é um método tradicional de fazer teatro que usa, nas suas ações cênicas, a linguagem rebuscada e
hermética falada normalmente pelo cidadão comum.

b) a forma de recepção desse modelo teatral se destaca pela separação entre atores e público, na qual os atores
representam seus personagens e a plateia assiste passivamente ao espetáculo.

c) sua linguagem teatral pode ser democratizada e apropriada pelo cidadão comum, no sentido de proporcionar-lhe
autonomia crítica para compreensão e interpretação do mundo em que vive.

d) o convite ao espectador para substituir o protagonista e mudar o fim da história evidencia que a proposta de Boal se
aproxima das regras do teatro tradicional para a preparação de atores.

e) a metodologia teatral do Teatro do Oprimido segue a concepção do teatro clássico aristotélico, que visa à
desautomação física e intelectual de seus praticantes.

Resposta C

No Teatro do Oprimido, o espectador pode entrar na peça, substituir o protagonista e mudar a trama ou o desfecho. Esse
teatro tem por finalidade a “desmecanização física e intelectual de seus praticantes”. Procura proporcionar, assim, ao
participante, visão crítica da realidade em que vive.

ENEM 2014 - QUESTÃO 115


FABIANA, arrepelando-se de raiva — Hum! Ora, eis aí está para que se casou meu filho, e trouxe a mulher para
minha casa. É isto constantemente. Não sabe o senhor meu filho que quem casa quer casa ... Já não posso, não posso,
não posso! (Batendo com o pé). Um dia arrebento, e então veremos! PENA, M. Quem casa quer casa.
www.dominiopublico.gov.br.
Acesso em: 7 dez. 2012.

As rubricas em itálico, como as trazidas no trecho de Martins Pena, em uma atuação teatral, constituem
a) necessidade, porque as encenações precisam ser fiéis às diretrizes do autor.
b) possibilidade, porque o texto pode ser mudado, assim como outros elementos.
c) preciosismo, porque são irrelevantes para o texto ou para a encenação.
d) exigência, porque elas determinam as características do texto teatral.
e) imposição, porque elas anulam a autonomia do diretor.

Resposta B

As rubricas são indicações do autor relativas às características por ele imaginadas para a representação da peça. São
próprias do texto dramático (teatral), embora nem sempre sejam respeitadas pelos encenadores contemporâneos menos
preocupados em ser “fiéis às diretrizes do autor”. Não há, porém, alternativa melhor.

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ENEM 2010– PPL - QUESTÃO 25


Na antiga Grécia, o teatro tratou de questões como destino, castigo e justiça. Muitos gregos sabiam de cor inúmeros
versos das peças dos seus grandes autores. Na Inglaterra dos séculos XVI e XVII, Shakespeare produziu peças nas quais
temas como o amor, o poder, o bem e o mal foram tratados. Nessas peças, os grandes personagens falavam em verso e
os demais em prosa. No Brasil colonial, os índios aprenderam com os jesuítas a representar peças de caráter religioso.

Esses fatos são exemplos de que, em diferentes tempos e situações, o teatro é uma forma

a) de manipulação do povo pelo poder, que controla o teatro.


b) de diversão e de expressão dos valores e problemas da sociedade.
c) de entretenimento popular, que se esgota na sua função de distrair.
d) de manipulação do povo pelos intelectuais que compõem as peças.
e) de entretenimento, que foi superada e hoje é substituída pela televisão.

Resposta B

ENEM 2010– PPL - QUESTÃO 114


O Arlequim, o Pierrô, a Brighella ou a Colombina são personagens típicos de grupos teatrais da Commedia dell’art, que, há
anos, encontram-se presentes em marchinhas e fantasias de carnaval. Esses grupos teatrais seguiam, de cidade em
cidade, com faces e disfarces, fazendo suas críticas, declarando seu amor por todas as belas jovens e, ao final, da
apresentação, despediam-se do público com músicas e poesias.
A intenção desses atores era expressar sua mensagem voltada para a

a) crença na dignidade do clero e na divisão entre o mundo real e o espiritual.


b) ideologia de luta social que coloca o homem no centro do processo histórico.
c) crença na espiritualidade e na busca incansável pela justiça social dos feudos.
d) ideia de anarquia expressa pelos trovadores iluministas do início do século XVI.
e) ideologia humanista com cenas centradas no homem, na mulher e no cotidiano.

Resposta E
O texto aborda uma das funções dos grupos teatrais itinerantes que proviam o divertimento através de malabarismo,
acrobacias e representações de peças de humor. Baseados em um repertório de personagens pré-estabelecidos e um
roteiro improvisado, desenvolviam ações que poderiam facilmente ser atualizadas e ajustadas para satirizar escândalos
locais, eventos atuais e comportamentos que consideravam negativos, com a finalidade de moralizar os costumes da
época. Ou seja, portadores de uma ideologia humanista, provocavam o riso e, ao mesmo tempo, criticavam grupos e
classes sociais, cujos hábitos e ações comprometiam a moral - "Ridendo Castigat Mores" (com o riso se castigam os
costumes).

ENEM 2012– PPL - QUESTÃO 128


A escolha de uma forma teatral implica a escolha de um tipo de teatralidade, de um estatuto de ficção com relação à
realidade. A teatralidade dispõe de meios específicos para transmitir uma cultura-fonte a um público-alvo; é sob esta única
condição que temos o direito de falar em interculturalidade teatral. PAVIS, P. O teatro no cruzamento de culturas. São Paulo:
Perspectiva, 2008.

A partir do texto, o meio especificamente cênico utilizado para transmitir uma cultura estrangeira implica
a) buscar nos gestos, compreender e explicitar conceitos ou comportamentos.
b) procurar na filosofia a tradução verdadeira daquela cultura.
c) apresentar o vídeo-documentário sobre a cultura fonte durante o espetáculo.
d) eliminar a distância temporal ou espacial entre o espetáculo e a cultura-fonte.
e) empregar um elenco constituído de atores provenientes da cultura-fonte.

Resposta A – por intuição.

ENEM 2012– PPL - QUESTÃO 132


Todo bom escritor tem o seu instante de graça, possui a sua obra-prima, aquela que congrega numa estrutura
perfeita os seus dons mais pessoais. Para Dias Gomes essa hora de inspiração veio-lhe no dia que escreveu O pagador
de promessas. Em torno de Zé-do-Burro —herói ideal, por unir o máximo de caráter ao mínimo de inteligência, naquela
zona fronteiriça entre o idiota e o santo — o enredo espalha a malícia e a maldade de uma capital como Salvador,
mitificada pela música popular e pela literatura, na qual o explorador de mulheres se chama inevitavelmente Bonitão, o
poeta popular, Dedé Cospe-Rima, e o mestre de capoeira, Manuelzinho Sua Mãe. O colorido do quadro contrasta
fortemente com a simplicidade da ação, que caminha numa linha reta da chegada de Zé-do-Burro à sua entrada trágica e
triunfal na igreja — não sob a cruz, conforme prometera, mas sobre ela, carregado pelos capoeiras, “como um crucifixado”.
PRADO, D. A. O teatro brasileiro moderno. São Paulo: Perspectiva, 2008 (fragmento).

A avaliação crítica de Décio de Almeida Prado destaca as qualidades de O pagador de promessas. Com base nas ideias
defendidas por ele, uma boa obra teatral deve
a) valorizar a cultura local como base da estrutura estética.
b) ressaltar o lugar do oprimido por uma forma religiosa.
c) dialogar a tradição local com elementos universais.
d) romper com a estrutura clássica da encenação.
e) reproduzir abordagens trágicas e pessimistas.

Resposta C
Se se considerar que os dramas tratados por Dias Gomes em O pagador de promessas são de ordem universal – o
preconceito, a intolerância religiosa, o sincretismo e a pureza dos fiéis – e que eles aparecem ambientados em um
ambiente pitoresco [a Bahia], é possível assinalar a alternativa “c”.

ENEM 2014– PPL - QUESTÃO 107


O termo Foco equivale ao ponto de concentração do ator. O nível de concentração é determinado pelo envolvimento com
o problema a ser solucionado. Tomemos o exemplo do jogo teatral Cabo de Guerra: o Foco desse jogo reside em dar
realidade ao objeto, que nesse caso é a corda imaginária. A dupla de jogadores no palco mobiliza toda sua atenção e
energia para dar realidade à corda. Quando a concentração é plena, a dupla sai do jogo com toda evidência de ter
realmente jogado o Cabo de Guerra – sem fôlego, com dor nos músculos do braço etc. A plateia observa em função do
Foco. KOUDELA, I. D. Jogos teatrais. São Paulo: Perspectiva, 1990.
De acordo com o texto, a autora argumenta que o uso do foco da cena teatral permite

a) transformar um objeto imaginário em um objeto concreto, produzindo sobre o espectador uma sensação igual à que ele
teria em um espetáculo de mágica.

b) produzir sobre a plateia, por meio do envolvimento dos atores, imagens e/ou situações capazes de ativar seu imaginário
e seu conhecimento de mundo.

c) provocar efeito físico no ator, o que lhe confere a certeza de que seu corpo foi trabalhado adequadamente para a
produção da cena.

d) acionar no ator a atenção a múltiplas ações que ocorrem concomitantemente, tornando-o mais disponível para a
atuação em cena.

e) determinar uma única leitura da ação proposta, explicitando qual entendimento o espectador deve ter da cena

Resposta B

O Foco, de que trata o texto em análise, consiste no esforço dos atores, no palco, com vistas a criar um efeito de realidade
na cena teatral. Dessa forma, apesar de evidentemente não presentificar a coisa em si, o ator ativaria o conhecimento de
mundo do leitor de modo a fazer com que ele evocasse objetos, cenas e situações sentidas, vistas ou vivenciadas.
Assinale-se, pois, a letra “b”.
20. KOUDELA, I. D. Jogos teatrais. São Paulo: Perspectiva, 2008. Os mesmos objetivos que a teatróloga Spolin propõe
para o espetáculo são válidos em cada momento durante o processo de aprendizagem, onde o teatro, enquanto
manifestação viva e espontânea, deve estar presente em todos os momentos. Da mesma forma como a plateia de
espectadores é normalmente pouco estimulada por emoções que pertencem ao passado, o jogador no palco não explora a
si mesmo (suas emoções) através de um processo de identificação subjetivo, mas atua em função do momento presente.

ENEM 2015– PPL - QUESTÃO 132


Um relacionamento de grupo saudável exige um número de indivíduos trabalhando interdependentemente para completar
um projeto, com total participação individual e contribuição pessoal. Se uma pessoa domina, os outros membros têm
pouco crescimento ou prazer na atividade, não existe um verdadeiro relacionamento no grupo. O teatro é uma atividade
artística que exige o talento e a energia de muitas pessoas – desde a primeira ideia de uma peça ou cena até o último eco
de aplauso. Sem esta interação não há lugar para o ator individualmente, pois sem o funcionamento do grupo, para quem
iria ele representar, que materiais usaria e que efeitos poderia produzir? O aluno-ator deve aprender que “como atuar”,
assim como no jogo, está intrinsecamente ligado a todas as outras pessoas na complexidade da forma da arte. O teatro
improvisacional requer relacionamento de grupo muito intenso, pois é a partir do acordo e da atuação em grupo que
emerge o material para as cenas e peças. SPOLIN, V. Improvisação para o teatro. São Paulo: Perspectiva, 2008.

Com base no texto, as diferenças e similaridades dos atores são aceitas no teatro de improvisação quando
a) todos experimentam o teatro juntos e sem julgamentos.
b) uma parte do grupo comanda a outra, exercendo o poder.
c) a opinião de alguns tem valor e demonstra a sua capacidade individual.
d) a individualidade se destaca e traz à tona o talento daquele que é o melhor.
e) uma pessoa precisa dominar, comandando as ações do grupo, sem acordos.

Resposta A
De acordo com o texto, para que os atores do teatro improvisacional cheguem a atuar juntos é necessário que tenha
havido muita convivência antes. Marque-se, pois, a letra “a”. conteúdos abordados na questão gênero dramático