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GUIA DO MÚSICO

IMPROVISADOR:
12 SUPER
DICAS
DO QUE ESTUDAR PARA SER
UM MESTRE DA IMPROVISAÇÃO

Matheus Guerra
Matheus Guerra
GUIA DO MÚSICO
IMPROVISADOR:
12 SUPER
DICAS
DO QUE ESTUDAR PARA SER
UM MESTRE DA IMPROVISAÇÃO

Ao longo dos meus 12 anos me dedicando a música


nas suas variadas esferas, descobri algo que me trans-
formou enquanto músico e enquanto ser humano, a
IMPROVISAÇÃO.
Mas o que é isso, improvisação? Improvisar é tocar
com a alma, com o coração em primeiro lugar, é res-
peitar as pessoas, aprender a ouvi-las e interagir com
elas. É ser livre e não ser, ao mesmo tempo, é se auto
conhecer, é razão e emoção.
No mercado atual do músico, seja ele “sideman”
(músico acompanhador), professor, compositor, arran-
jador, entre outros, cada vez mais é necessário con-
hecer e dominar o básico de improvisação. Criar solos,
levadas, re-harmonizações, tudo isso pode ser, e pode
não ser improvisação.
GUIA DO MÚSICO
IMPROVISADOR:
12 SUPER
DICAS
DO QUE ESTUDAR PARA SER
UM MESTRE DA IMPROVISAÇÃO

Os músicos eruditos (Bach, Mozart, Bethoven..), os


músicos de jazz (Miles Davis, Coltrane, Charlie Parker...)
os músicos do rock (Jimi Hendrix, Van Halen, Jimi Page..),
seja qual for o nicho musical, a improvisação está ou
esteve presente. Uma boa harmonia nasce da impro-
visação, uma boa composição também, um bom solo?
Com certeza!
Reuni nesse ebook 12 dicas que considero fundamen-
tais para qualquer estudante e amante da improvisação,
seja qual for o instrumento e o seu nível musical. Todas
são baseadas em experiências que eu vivi e vivo todos os
dias no meu estudo e trabalho (músico sideman, composi-
tor, professor de conservatório, guitarrista e violonista), e
grande parte dessas dicas englobam o que acredito ser o
“modelo ideal” da grade de estudos de um improvisador.
Espero que de alguma forma esse ebook desperte em
você a vontade de entrar mais a fundo nesse “buraco sem
fim” que é a improvisação, a harmonia e a composição.
01-toca! ESCUTE TUDO O QUE VOCÊ

Pode parecer óbvio, mas é muito difícil se manter o


tempo inteiro concentrado enquanto toca, principalmente
durante o improviso. Você já se perguntou se realmente
escuta tudo o que toca? Assim que você toca uma frase,
por exemplo, você consegue repetir essa mesma frase em
outro ritmo, ou em outro tom, ou até mesmo a mesma
frase? Isso é fundamental para dar um sentido musical no
seu improviso. Quando não fazemos isso é como se es-
crevêssemos um texto sem que uma palavra tivesse senti-
do com a outra. Muitas das vezes o que falta é exatamente
esse senso de que não estamos nos ouvindo enquanto to-
camos, e jogamos várias ideias musicais boas “fora” du-
rante o improviso. Uma boa dica pra melhorar isso é
tocar frases com poucas notas, e tentar reproduzi-las
várias vezes durante o solo.
02- CONHEÇA A FUNDO O PILAR
“intervalo, acorde, arpejo e escalas”.
Conheça e entenda os intervalos (distância de uma
nota a outra nota), as escalas (maior, menor, menor
melódica, menor harmônica, modos gregos...), arpejos
(maior, menor, meio diminuto, dominante, diminuto...),
acordes (maior, menor, dominante, meio diminuto,
diminuto, inversão de acordes (Drop 1, 2, etc), etc. Todo
esse material vai te dar base pra ser um grande impro-
visador. TODOS, eu disse, TODOS os grandes da impro-
visação são gênios nesses assuntos e possuem uma ma-
neira única e muito pessoal de aplica-lós.

03-técnica!
ESTUDE

A técnica é algo que pode te atrapalhar, tanto ao im-


provisar, como ao fazer uma sequência de acordes
qualquer, por exemplo.
Muitas vezes começamos um solo com muitas notas, e
no decorrer do solo ou mantemos ou diminuímos a quan-
tidade de notas. Já parou pra pensar se isso é proposital,
ou é falta de técnica? Às vezes você adora um solo com
muitas notas e não consegue tocar assim por falta de
técnica. É legal saber qual estilo mais gosta na hora de
improvisar (poucas notas, muitas notas, melodias com
saltos de intervalos, grau conjunto..) . Isso vai te dar um
norte do que estudar. Por exemplo, se você é um músico
que admira um improvisador pela densidade do solo
(muitas notas ou poucas notas), direcione o seu estudo
técnico e de improvisação para isso!

04- NO SEU SOLO.


“Conte uma história”
Acredite, os grandes solos da história da música tem algo
em comum: Eles contam uma história. Quem não con-
hece um grande hit do Slash, por exemplo?
No jazz, grandes improvisadores como Miles Davis, Col-
trane e Charlie Parker sempre contaram histórias em seus
solos, onde fica claro a intenção de “início, meio e fim”.
Busque sempre criar em seus solos essa sensação. En-
quanto estuda, defina quantos “chorus” (forma da música
inteira) você vai improvisar, e se possível grave esse
estudo. Depois se escute e analise se você “conta uma
história”.

05-de determinado estilo!


TOQUE DE ACORDO COM A LINGUAGEM
Imagine um alemão conversando com as pessoas em
alemão na China. Fora de contexto, não? Na música é a
mesma coisa. Claro que em alguns estilos como o
“fusion” essa mistura é bastante utilizada como diz o
próprio nome, mas, por exemplo, em uma roda de choro
ou de samba (ambientes em que se tocam essas vertentes
musicais de uma forma mais tradicional) sair da lingua-
gem pode não ser algo bem visto pelos outros músicos e
ouvintes.
Nesses ambientes toque com o máximo de linguagem
possível, a não ser que você conheça os músicos partici-
pantes e eles já o conheçam. O mesmo vale para a im-
provisação. Busque sempre entender a linguagem, as
frases “clichês” do que você toca, o “sotaque”.

06- REPERTÓRIO!
Estude
Eu lembro que antes de entrar a fundo no estudo da
harmonia e improvisação eu ficava por horas tocando em
cima daqueles playback’s aleatórios de rock e outros esti-
los. Nada contra, se você está no começo e perdido como
eu estava é um boa iniciação, porém, com o passar do
tempo isso se torna vazio. Uma boa tática é estudar tudo
do nicho musical que você goste de tocar ou ouvir. Por ex-
emplo, se você é fã do Jimi Page (Led Zeplin), tire várias
músicas do Led Zeplim, solos, riffs, melodias das músicas
(voz), harmonia, e estude improvisação sobre esses
temas.
No jazz e na música brasileira isso já é uma prática muito
comum, com os chamados standards. Resumindo, se você
é um músico de rock, saiba quais são os standards do
rock e tenha eles em mãos, o mesmo serve para qualquer
estilo musical. Músicos com uma boa bagagem de rep-
ertório são geralmente mais requisitados no mercado e
possuem uma rápida resposta a músicas novas.

07- de outros músicos!


TRANSCREVA E ANALISE SOLOS
Já comentei um pouco sobre essa prática em alguns
tópicos por aqui, mas vale ressaltar que esse talvez seja
um dos principais artifícios pra evolução do músico im-
provisador. Existem alguns dos grandes mestres da impro-
visação que acreditam que esse é o único meio de se
chegar a um nível alto de improvisação, pra vocês verem
a importância desse exercício. Mas afinal, o que é tran-
screver solos? Em tese, é exatamente “tirar de ouvido” um
solo e escrevê-lo na partitura, para uma futura análise.
Se você nunca fez isso, comece a fazer e verá uma ligeira
mudança na sua percepção musical, logo de início. Fa-
lando um pouco sobre a minha história na música, eu me
interessei pelo violão e consequentemente pela guitarra
na virada da época das “revistinhas” para a era digital, e
grande parte do meu desenvolvimento se deu no com-
putador através do uso do programa guitar pro. Devido a
isso eu acabei me acomodando em “tirar” as músicas es-
critas no programa ao invés de exercitar essa parte funda-
mental que é a transcrição. Somente durante a universi-
dade e após a minha entrada no mercado da música que
essa prática se tornou comum.
A dica que eu te dou aqui é, pratique a transcrição,
tenha uma meta de quantos solos tirar por ano, por seme-
stre ou até por mês. No decorrer do processo você estará
mais adaptado a linguagem que estuda e toca, conhecerá
melhor as características dos músicos que mais gosta e
poderá aplicar isso tudo em seu som.
08- Erre, erre, e erre
NOVAMENTE.
Se coloque no lugar de um grande atleta, como por ex-
emplo o Michel Jordan. Quantas cestas ele já errou na
vida dele pra chegar a ser um dos maiores jogadores de
basquete de todos os tempos? Na improvisação é a
mesma coisa. É praticamente IMPOSSIVEL ser um grande
improvisador sem ter errado inúmeras vezes, sem querer
errar em cada nova apresentação, sem descobrir novos
caminhos, os SEUS caminhos. Aprender a lidar com a in-
segurança e transforma-la em segurança é o principal ob-
jetivo do improvisador. A respeito disso o grande Miles
Davis em uma das suas citações sobre improvisação, diz
o seguinte:

- “Não é sobre ficar parado e se tornar seguro. Se alguém


quiser continuar criando, tem que ser sobre mudança.”
Lembre-se sempre disso, se o seu objetivo é desenvolver
o seu som (o que creio que seja o grande desejo da maio-
ria dos músicos improvisadores), errar e ouvir sons difer-
entes, arriscar, sair da zona de conforto é crucial!

09-extra musical!
TENHA VIVÊNCIA
Muitos de nós em um certo período da nossa vida nos
enfurnamos em casa, no quarto, estudando música, tiran-
do solos, ouvindo, pesquisando, o que é extremamente
importante, mas muitas das vezes acabamos deixando o
outro lado da moeda totalmente de lado, o das
RELAÇÕES HUMANAS. Hoje eu acredito que não ir as-
sistir a uma grande apresentação de um músico que você
considera bom, não ir nos shows dos seus amigos dar
“canja”, e outras relações que estão extremamente liga-
das a profissão do músico é de suma importância, talvez
tão quanto o “quarto”. Se coloque nessa posição: Um
bom instrumentista que não conhece ninguém na sua
cidade, não tem amigos, não tem bons relacionamentos
de trabalho, não é conhecido.
Entende a importância de bons relacionamentos? Isso
sem falar as decepções da vida, os sucessos, as dificul-
dades, etc etc. Tudo isso é importante, acredite. Só o
tempo irá de verdade te mostrar isso.

10-de compor!
CRIE A PRÁTICA
Compor suas próprias músicas é um dos maiores e mel-
hores estudos de criatividade que se tem na música. Du-
rante a criação do meu primeiro álbum instrumental (Re-
flexo), senti uma grande evolução tanto na parte criativa
de acordes, formas musicais, re-harmonizacões, como
nos meus solos. Compor é uma atividade de auto conhec-
imento, de novos processos musicais criativos. Hoje consi-
go realmente saber qual estilo de composição, quais
acordes (inversão, característica sonora, caminhos
harmônicos, etc) que eu realmente gosto, me identifico.
Experimente tirar um tempo da sua vida / estudo para
compor, com calma, experimentando novas ideias, repli-
cando outras.. Lembre-se que improvisar é uma prática
de composição, só que a primeira vista!
11-rítmica!
DESENVOLVA A PARTE

Uma das grandes dificuldades que eu percebo em im-


provisar consciente é a questão rítmica. O primeiro passo
e talvez o mais importante é conhecer e reconhecer as
células rítmicas (Breve, mínima, semínima, etc..) e seus re-
spectivos valores enquanto som. Elabore exercícios que
vão te ajudar a dominar essas células rítmicas, como por
exemplo, tocar a escala em tercinas de colcheia (três
notas), ou grupos de semi – colcheia (4 notas). Desenvolv-
er o “time” é fundamental para ser um bom músico, e
consequentemente um improvisador.

12- Estude música


NO SENTIDO MAIS AMPLO DA PALAVRA
Sabe aquele filme do Hendrix, Do Miles, Do Jaco Pasto-
rius? É uma boa maneira de procurar entender mais
desses grandes músicos, assim como ler biografias deles.
Já foi falado até aqui que é importante estudar ritmo,
harmonia, escalas, repertório, transcrição, e outros, mas,
quem disse que leitura não é importante? História da
música? Percepção musical? Isso tudo faz parte de um
estudo musical amplo e completo. Seja rigoroso com você
mesmo e com o seu conhecimento, pesquise o MÁXIMO
possível, leia o máximo possível de bons conteúdos,
estude com várias pessoas diferentes ao longo da vida.
Assim como em outras carreiras, a carreira do músico ne-
cessita constante evolução e pesquisa, leitura, dedicação.

Parceria:
Ebook desenvolvido por Carol Morr
Guilherme Monteiro
GUIA DO MÚSICO
S
IMPROVISADOR.
Chegamos ao fim das 12 dicas, e de alguma forma
espero que esse Ebook tenha contribuído e despertado em
você a vontade de se tornar um grande improvisador.
Todas as dicas fazem parte da minha rotina de estudo, e
algumas delas como você pode notar são experiências
que somente a vida me trouxe.
Nunca desista dos seus sonhos, acredite todos os dias
que é possível “chegar lá” e esse dia irá chegar. Boa sorte
na sua caminhada musical, conte comigo pra te ajudar
em melhorar cada dia mais!
Se quiser saber mais sobre meu trabalho nas redes so-
ciais, siga as minhas páginas.
/matheusguerraguitarrista
/matheusguerraguitarrista
/matheusguerraguitarrista

Nós vemos por lá! Aquele abraço!