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Cloves Felden

Douglas Jamie Barcellos


Elisa Rucks Megier
Juliana Machado Pires
Yuri Rodrigues

WANDA DE AGUIAR HORTA

Trabalho apresentado à disciplina de


História da Enfermagem
Professora: Martha Souza

Santa Maria, RS
Setembro de 2013
INTRODUÇÃO:
O seguinte trabalho apresentado à disciplina de História da Enfermagem, teve
por objetivo apresentar informações sobre a vida pessoal, acadêmica e profissional de
Wanda de Aguiar, uma enfermeira que desde cedo demonstrou possuir um conhecimento
privilegiado. Wanda procurava sempre saber a essência do que lhe era ensinado, com
isso, suas teorias ultrapassaram fronteiras geográficas, sendo estudadas a nível
internacional.
No brasil, sua principal Teoria é das Necessidades Humanas Básicas (NHB). A
Teoria das NHB foi desenvolvida com preocupação com a prática não reflexiva e
dicotomizada da enfermagem bem como uma tentativa de unificar o conhecimento
científico da enfermagem para proporcionar-lhe autonomia e independência. Horta foi a
primeira enfermeira a predicar a teoria de enfermagem no campo profissional, usando
como referência a Teoria de Motivação Humana de Abraham Maslow. Com os trabalhos
de Horta, enfatizou-se o planejamento da assistência, na tentativa de tornar autônoma a
profissão e de caracterizá-la como ciência, por meio de implementação do Processo de
Enfermagem (PE) em todo o Brasil.

1. HISTÓRICO DA ENFERMEIRA WANDA DE AGUIAR HORTA


Wanda Aguiar Horta nasceu em 11 de agosto de 1926, natural de Belém do Pará.
Era filha de Alberico Hesketh de Aguiar, militar, oficial do exército, e de Feliz Cardoso de
Aguiar. O casal teve oito filhos, sendo três homens e cinco mulheres.
A família possuía uma escala de valores que julgava fundamental na educação dos
filhos Como honestidade, sinceridade, harmonia entre os irmãos e respeito à autoridade
dos pais.
O pai viajava muito, e a mãe era responsável pela educação e pelo
acompanhamento escolar. Por conta dos costumes da época tinham o habito de levantar,
beijar pai e mãe e pedir benção para o dia que se iniciava e nada era feito sem a
presença do pai e/ou da mãe, além do culto religioso ais religiosos.
Gostava de ler, tocar piano e dançar
Wanda Cardoso de Aguiar casou-se em 17 de dezembro de 1953, com Luiz Emílio
Horta, em São Paulo, e passou a ser chamada de Wanda de Aguiar Horta.
Wanda era poliglota: falava o francês, o inglês, o espanhol, com persistência, levou
conhecimento científico pelo Brasil, discutiu, refletiu e abriu novos horizontes para a
Enfermagem.

2.. BIOGRAFIA
Em relação aos estudos, começou o ginásio em Belém, no Colégio “Progresso
Paraense”, onde cursou até o dia 31 de maio de 1937 a 1ª série do curso fundamental,
sendo transferida para o Colégio Regente Feijó, em Ponta Grossa - PR;
1941
-concluiu a 5ª série;
1942
-solicitou matricula para a 1ª série do antigo ginásio. Fez o curso complementar
Pré-médico na mesma instituição;
1948
-iniciou o curso de enfermagem na Universidade de São Paulo - USP, tal interesse
pelo curso da saúde teve origem nas atrocidades cometidas na 2ª guerra mundial,
demonstrando grande sensibilidade;
1954
-Chefe de enfermagem no Hospital Central Sorocabano- SP
1953
-recebeu o diploma de Licenciada em História Natural, na Faculdade de Filosofia,
Ciências e Letras da Universidade do Paraná;
1959
-Começa a desenvolver a elaboração da teoria das necessidades humanas
básicas.
-Prof.ª auxiliar do ensino de cadeira de fundamentos de enfermagem
1962
-iniciou a Pós-Graduação em Pedagogia e Didática Aplicada à Enfermagem, pela
Escola de Enfermagem da USP;
-Fez o Doutorado em Enfermagem na Escola de Enfermagem Ana Néri, da
Universidade Federal do Rio de Janeiro, com a tese intitulada “A observação
sistematizada na identificação dos problemas de enfermagem em seus aspectos físicos”;
1968
-Cursou Livre Docência em Fundamentos de Enfermagem, na Escola de
Enfermagem Ana Nery, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, recebendo a
certificação em 31 de outubro;
-Prof.ª titular das disciplinas Introdução e Fundamentos de Enfermagem
1970
-Prof.ª livre docente
1973
-participação em Concurso para Professor Adjunto da Escola de Enfermagem da
Universidade de São Paulo, Wanda elaborou memorial no qual consta a seguinte
observação: “neste documento estão registradas nossas atividades no campo da
enfermagem e da educação a partir de 1948, com ênfase no período posterior ao nosso
concurso de livre docência em outubro de 1968”;
1974
-Prof.ª adjunto, Escola de Enfermagem da Universidade de SP em curso e, 2 d abril
1981
-falece e foi proclamada Professor Emérito pela Egrégia Congregação da Escola de
Enfermagem da USP

1. CONTRIBUIÇÃO LITERÁRIA
“Conceito de enfermagem” – A Gazeta do Povo, Jornal de 12 de maio de 1951,
Editorial, terceira página, Curitiba, Paraná.
“Caracteres Gerais do Sangue” - Ciências (2), no dez, 1952. Boletim do Centro de
Estudos de História Natural dos alunos da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da
Universidade do Paraná.
“A Bureta”, Ano IV (5) – 10 de Agosto de 1954. Órgão oficial do Diretório
Acadêmico da Faculdade Nacional de Farmácia da Universidade do Brasil, Rio de
Janeiro.
“Resultado de um inquérito realizado entre doentes tuberculosos, internados em
Sanatório e em tratamento no Dispensário”, Clínica Tisiológica, 8 (34) – 705-712,
setembro – outubro, 1953, Rio de Janeiro.
“A Ionizada no Tratamento da Tuberculose Pulmonar”, Revista do Departamento de
Saúde do Paraná, Ano III (1-2) 1953, Curitiba –PR, em colaboração com a equipe médica
do Sanatório Médico Cirúrgico do Portão, Curitiba, Paraná.
“Nota sobre algumas características hereditárias na espécie humana”, com Newton
Freire Maia, em Ciência e Cultura, 5 (4): 203, dezembro 1953, São Paulo.
“Sasse Diferences in toe inabilita too excrete beerotita pigmentá (Betanita)”, em
colaboração com Pedro Henrique Saldanha e L. B. Magalhães, Nature 187 (4739): 806,
augusta, 27 Rondon, 1960.
“Aspectos do conforto do paciente nos hospitais”, Revista Brasileira de
Enfermagem XVII (3 e 4): 114, julho e agosto de 1964.
“Considerações sobre o diagnóstico de enfermagem”, Revista Brasileira de
Enfermagem 20 (1): 7-13, jan. fev. 1967.
“Ensino do planejamento de cuidado em fundamentos de enfermagem”, em
colaboração com York Haras e Nara Sena de Paula, Revista Brasileira de Enfermagem 20
(4): 249-263, agosto de 1967.
“Renovação dos métodos e técnicas de ensino em Fundamentos de Enfermagem
na Escola de Enfermagem da USP”, em colaboração com York Harã, Nara Sena de Paula
e Maria Célia Riviera, Revista Brasileira de Enfermagem 21 (4): 231-244, agosto de 1968.
“Conceito de Enfermagem”, Revista Brasileira de Enfermagem. USP 2 (2): 1-5,
setembro 1968.
“A observação sistematizada na identificação dos problemas de enfermagem em
seus aspectos físicos”. Tese de Docência Livre à Cadeira de Fundamentos de
Enfermagem I da Escola de Enfermagem Ana Néri, da Universidade Federal do Rio de
Janeiro, RUSP Serviço de Documentação, Cidade Universitária, São Paulo Brasil.
“Desenvolvendo uma filosofia de educação de enfermagem”, Revista da Escola de
Enfermagem. USP, 3 (1): 1-2, março de 1969 (editorial).
“As novas dimensões da enfermagem”, Revista da Escola de Enfermagem. USP, 3
(2): 1-2, setembro de 1969 (editorial).
“Nota preliminar sobre Histórico de Enfermagem”, Revista da Escola de
Enfermagem. USP, 3 (2): 33-38, setembro de 1969.
“Dos Instrumentos Básicos de Enfermagem”, Revista da Escola de Enfermagem.
USP, e 2): 3, março-setembro, 1970.
Os instrumentos básicos de enfermagem”, colaboração com York Harã e Nara
Sena de Paula, Revista da Escola de Enfermagem. USP, 4 (1 e 2): 5, março-setembro,
1970, Revista Brasileira de Enfermagem XXIV (3 e 4): 159, abril-junho, 1971.
“Metodologia do Processo de Enfermagem”, Revista Brasileira de Enfermagem
XXIV (6):81, out./dez., 1971.
“Processo de Enfermagem”, Ciência e Cultura, Resumos XXIV, Reunião de julho de
1972, São Paulo, 24 (6)” 534, junho de 1972, Suplemento.
“Observação: descrição do método para desenvolvimento desta habilidade em
estudantes na disciplina Fundamentos de Enfermagem”, Revista Brasileira de
Enfermagem XXV julho/setembro de 1972; resumo publicado na secção Resumo dos
Trabalhos, no programa do XXIV Congresso Brasileiro de Enfermagem, Belo Horizonte,
16 a 22 de julho de 1972, páginas 48-49.
“Diagnóstico de Enfermagem: estudo básico da determinação de dependência de
enfermagem”, Revista Brasileira de Enfermagem XXV julho/setembro de 1972; resumo
publicado na secção Resumo dos Trabalhos, no Programa do XXIV Congresso Brasileiro
de Enfermagem, Belo Horizonte, 16 a 22 de julho de 1972, páginas 54-55.
“Estudo Preliminar sobre o grau de satisfação do paciente hospitalizado em relação
à assistência de enfermagem”, em colaboração com Yorkino Kamiyama. Revista Brasileira
de Enfermagem XXVI (1): 81-92, jan./março de 1973.
“Injeções parenterais”, em colaboração com Mílton de Souza Teixeira. Revista da
Escola de Enfermagem. USP, 7 (1): 46-79, janeiro de 1973.
“Teoria das necessidades humanas básicas”. Ciência e Cultura, Resumos XXV
Reunião Anual, julho de 1973, São Paulo, 25 (6) 568-569, junho de 1973, Suplemento.
“Enfermagem - Teoria, conceitos, princípios e processo”. Comunicação livre
apresentada no I Congresso Nacional de Enfermagem em Lisboa, Portugal, a ser
publicada na Revista da Escola de Enfermagem da USP.

1 Teoria Das Necessidades Humanas Básicas


Wanda iniciou a “Teoria das Necessidades Humanas Básicas” em 1959,
desenvolvida a partir da teoria de MASLOW. Além disso, segundo a teoria da adaptação
de Mister CALLISTA ROY, é enquadrada no nível LV tendo as seguintes características:
a) especificam um objetivo conteúdo como finalidade da atividade;
b) prescrevem o necessário para a atividade realizar e objetivo conteúdo;
c) lista de levantamento que serve para suplemento a presente descrição e como
preparação para futura prescrição para a atividade atingir o objetivo conteúdo.
As necessidades humanas foram hierarquizadas segundo Maslow na qual o
homem é motivado segundo suas necessidades que se manifestam em graus de
importância (Figura 1).

Seguindo a teoria de Wanda, o ser humano como parte integrante do universo está
sujeito a estados de equilíbrio e desequilíbrio no tempo e espaço, ele é também e a causa
do equilíbrio e desequilibro em seu próprio dinamismo.
Desta teórica destaca-se que a enfermagem é a ciência e a arte de assistir o ser
humano no atendimento de suas necessidades básicas. O assistir em enfermagem é
fazer pelo ser humano aquilo que ele não pode fazer por si só. A partir disso infere-se que
o enfermeiro assume funções especificas, de interindependência ou de colaboração e
social (Figura 2).
Dessa forma
podemos
deduzir que a
enfermagem
deve respeitar
e manter a
unicidade, autenticidade e o individualismo de cada pessoa, ser prestada ao indivíduo e
não a sua doença. O cuidado é preventivo, curativo e de reabilitação. Ela reconhece o ser
humano como membro de uma família e como elemento participante ativo no seu
autocuidado.
Para que isso atue eficientemente é necessário uma metodologia denominado
processo de enfermagem. Através disso ela organiza um o roteiro sistematizado para o
levantamento de dados do ser humano que dever ser individualizado e seguir
determinado padrão, garantindo vantagens e utilização dos dados. É divido em: histórico,
diagnóstico, plano assistencial, prescrição, evolução e prognóstico (Figura 3).

HISTÓRICO: conciso, claro, preciso, sem repetições, informações que levam ao


cuidado imediato levantamento de dados do paciente
-Identificação:
Exame físico: estado geral do paciente. (Figura 5)
-Problemas de saúde: Colher dados sobre percepções do paciente.
Conclusão: problemas identificados, análise dos problemas.

DIAGNÓSTICO: Identifica as necessidades básicas afetadas e do grau de


dependência do paciente em relação a enfermagem, para seu atendimento.
Indicadores e valores
0 (zero) > grau 1
até 6 pontos > grau 2
de 7 a 12 > grau 3
de 13 a 18 > grau 4
A metodologia para se chegar ao diagnóstico deve ser orientado a partir dos
sintomas os quais serão analisados para se determinar as necessidades ou dependências

PLANO ASSISTENCIAL: Determinação global da assistência de enfermagem que o


ser humano deve receber diante do diagnóstico estabelecido.
Total (T)
Ajudar (A)
Orientar (O)
Supervisionar (S)

PRESCRIÇÃO: embasado nos problemas identificados, o profissional estabelece,


através da prescrição de cuidados, uma assistência mais individualizada e que seja
estabelecida e mantida pela equipe
Roteiro diário;
Precisa ser concisa, clara e específica;
Deverão ser checadas quando realizadas;
Anotar informações.

EVOLUÇÃO: Relato diário ou periódico das mudanças sucessivas que ocorrem no


ser humano enquanto estiver sob assistência profissional. Exerce um verdadeiro controle
sobre a qualidade e a quantidade do atendimento, fornecendo dados para a supervisão
do pessoal auxiliar.

PROGNÓSTICO: Meio de avaliação do processo em si, mede todas as fases e


chega a uma conclusão; leva ao autocuidado; indicará as condições que o cliente atingiu
na alta médica. Ele chegou a total independência? Está dependente no que e quanto?

4. CONCLUSÃO:
Ao concluir tal trabalho, percebemos a importância que teve a enfermeira Wanda
Horta para organizar o cuidado da enfermagem. Para atender o paciente de maneira
adequada e qualificada é necessário seguir protocolos que foram descritos na Teoria das
Necessidades Humanas Básicas.
É importante ainda salientar que o desejo de cuidar dos outros foi fundamental para
concretizar a Teoria. Não vivemos o momento da guerra o qual ela presenciou e foi
decisiva para a escolha do cuidado humano, mas vivemos num período de guerras
capitalista, e a partir dessa situação devemos implementar tais estudos para atingir a
universalidade, equidade e integralidade da atenção à saúde da população,
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CRAVEN, Ruth F.; HIRNLE, Constance J. Fundamentos de enfermagem: saúde e
função humanas. Tradução de Isabel Cristina Fonseca da Cruz e José Eduardo Ferreira
de Figueiredo. 4.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
HORTA, Wanda de Aguiar. Processo de enfermagem. São Paulo: EPU, 1979.
WANDA de Aguiar Horta. Disponível em:
http://www.joaopossari.hpg.ig.com.br/wanda.htm. Acesso em: 16 fev. 2010.
ALBERTI, V. (Org.). História oral: desafios para o século XXI. Ed. Rio de
Janeiro: Editora
HORTA, WA. Memorial. São Paulo, 1973.
HERMIDA PV. Desvelando a implementação da sistematização da assistência de
enfermagem.
Revista Brasileira de Enfermagem. 2004 nov./dez.; 57(6): 733-737.
GEORGE, JB. Teorias de enfermagem: os fundamentos para a prática
profissional. Ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

Poesias de Wanda Aguiar Horta Com seus pacientes,


TORNAR-SE: Poema explicativo do As esperanças, o amor,
que é ser um enfermeiro e o que é A vida, as alegrias,
enfermagem A saúde e o nascimento;
“Ser enfermeiro As decepções,
É se engajar A solidão e o sofrimento,
Na realidade da vida. A angústia e a dor,
É um sofrer e amar A morte, as tristezas
Consciente e decidido. E as frustrações.
É se aceitar É dar de si mesmo
Com autenticidade E com isso crescer;
Em uso constante É assumir um compromisso
E responsável E com ele amadurecer.”
De sua liberdade
É compartilhar,
ESPERAR Para a vida, o amor, a luz.
Quem venha, Para a lida.
Que vão. Para ver, lutar, cantar, para
Até quando? crescer.
Sonhos, realidades, Para a alegria, a felicidade, a
Virtudes, pecados, mentiras, ternura
verdades, ódios, paixões, amores e Para a fantasia.
ilusões. Até quando? Que vão que Para sentir, perceber, conceber.
venham. Para partir

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