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ÍNDICE

CAPITULO I .............................................................................................................................................. 3

1. Introdução .............................................................................................................................................. 3

1.1. Antecedentes Históricos ............................................................................................................... 4

CAPITULO II ......................................................................................................................................... 5

2. ORIGEM DA INTERNET ................................................................................................................ 5

2.1. Desenvolvimento da ARPANET................................................................................................. 7

2.2. A Internet ........................................................................................................................................ 8

2.3. CONTRIBUTO DA INTERNET PARA O DESENVOLVIMENTO DA SOCIEDADE 10

CAPITULO III...................................................................................................................................... 13

3. Conclusão .......................................................................................................................................... 13

3.1. Referências bibliográficas .......................................................................................................... 14


CAPITULO I

1. Introdução

A Internet é a ferramenta que mais revolucionou o mundo dos computadores e das


telecomunicações. A invenção do telégrafo, telefone, rádio e computador foram os elementos
fundamentais para esta inprecedente integração de capacidades. A Internet é ao mesmo tempo um
meio com capacidades de transmissão a nível mundial, um mecanismo de disseminação de
informação, e um meio para colaboração e interação entre indivíduos e os seus computadores sem
considerar a sua posição geográfica. Nascida do meio militar e académico, a Internet tem registado
um crescimento notável junto dos utilizadores particulares.

A rede mundial de computadores, ou Internet, surgiu em plena Guerra Fria. Criada com
objetivos militares, seria uma das formas das forças armadas norte-americanas de manter as
comunicações em caso de ataques inimigos que destruíssem os meios convencionais de
telecomunicações.

Nas décadas de 1970 e 1980, além de ser utilizada para fins militares, a Internet também
foi um importante meio de comunicação acadêmico. Estudantes e professores universitários,
principalmente dos EUA, trocavam ideias, mensagens e descobertas pelas linhas da rede mundial.

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1.1. Antecedentes Históricos

No decurso da Segunda Guerra Mundial (WW II), entre 4 e 11 de Fevereiro de 1945,


quando as forças armadas russas tinham atingido o rio Oder – fronteira entre a Polónia e a
Alemanha - e os exércitos dos USA e de Inglaterra se encontravam perto das margens do rio Reno
- fronteira entre a França e Alemanha - os presidentes dos governos dos países Aliados reuniram-
se em Yalta na península russa da Crimeia.

Nessa reunião Roosevelt, Churchill e Stalin estabeleceram as regras para a divisão do


território alemão e do território dos aliados da Alemanha na Europa de Leste.

Roosevelt e Churchill aperceberam-se que o poder do exército russo era muito superior ao
do poder conjunto dos exércitos dos USA e da Inglaterra, pelo que no final da reunião declararam
que o resultado obtido "não tinha sido bom, mas o possível". Considera-se que nessa reunião se
iniciou a denominada "Guerra Fria" passando a Rússia de aliado a inimigo.

A denominada "Guerra Fria" passou a consubstanciar-se em acções de espionagem em que


ambas as partes procuravam atingir um estado de equilíbrio militar que tornasse inviável o ataque
de uma à outra.

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CAPITULO II

2. ORIGEM DA INTERNET

Em 4 de Outubro de 1957 a Rússia lançou para o espaço exterior à Terra o primeiro satélite
artificial na história da humanidade. O satélite denominava-se Sputnik, completava uma órbita em
volta da Terra em cada 90 minutos - 1H 30 m - e emitia sinais rádio nas frequências de 20 MHZ e
40 MHZ que eram audíveis por qualquer pessoa que utilizasse um rádio receptor. Como reacção a
este avanço tecnológico russo o presidente dos USA, Eisenhower, criou, em Outubro de 1957, a
ARPA - Advanced Reasearch Project Agency.

O objectivo principal da ARPA era o desenvolvimento de programas respeitantes aos


satélites e ao espaço. A criação da NASA - National Aeronautics & Space Administration -, no
verão de 1958, parecia retirar à ARPA razão para a sua existência. No entanto, em 1961 a
Universidade da Califórnia – UCLA – em Santa Bárbara herdou da Força Aérea um enorme
computador IBM; o Q-32. Este facto iria permitir à ARPA orientar a sua investigação para a área
da recém-nascida, Informática. Para dirigir e coordenar o Command and Control Research – CCR
– foi contratado o psicólogo Joseph Licklider que era um especialista em computadores já com
reputação internacional.

No CCR o trabalho baseava-se na utilização do “batch processing” – processamento de


dados por lotes e em tempo diferido. Este processo que satisfazia a maioria das necessidades de
cálculo não se adequava à comunicação interativa com computadores nem à transmissão de dados
entre eles.

Licklider criou então o IPTO – Information Processing Techniques Office – orientado para
a comunicação interativa e transmissão de dados. Para a comunicação rápida entre as equipas de
investigadores era necessária a construção de uma rede - NET - pelo que a investigação, no âmbito
da ARPA, foi orientada para a construção de redes de comunicação de dados. Em 1965 Licklider
deixou a ARPA, mas a sua orientação foi continuada pelo seu sucessor Robert Taylor, também
psicólogo.

Dispondo de um orçamento de 19 milhões de US dollar Taylor iniciou o financiamento da


primeira rede de computadores. A tarefa não era fácil. Já existiam redes de computadores

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desenvolvidas pelos fabricantes, mas cada um deles impunha as suas normas e utilizava linguagens
de comunicação incompatíveis com as dos restantes.

Por outro lado, a rede deveria oferecer confiança aos utilizadores, isto é, as mensagens
deveriam chegar intactas aos receptores quaisquer que fossem os acidentes encontrados no seu
percurso entre o emissor e o receptor. A solução proposta para o problema compreendia por um
lado a utilização de redes do tipo distribuído nas quais era possível conectar um receptor e um
emissor utilizando vários percursos. Se um nó da rede avariasse a mensagem deveria continuar o
seu percurso utilizando outro caminho disponível.

Alguns anos antes o norte americano Paul Baran e o inglês Donald Davies tinham
imaginado um sistema de comutação por pacotes que resolveria o problema. Uma mensagem
nunca circularia completa na rede; seria “cortada” previamente em “bocados” que seriam enviados
por caminhos distintos. Cada “bocado”, “encapsulado” num pacote conteria o endereço do
emissor, o endereço do receptor, o número de ordem do “bocado” e, evidentemente, o conteúdo
do “bocado”.

Deste modo o computador receptor poderia reconstituir, localmente, para o receptor a


mensagem original. Para aliviar o trabalho dos computadores – emissor e receptor -, denominado
“host” foi decidido construir computadores intermediários que processassem o trabalho de
“routing”. Cada computador seria assim conectado à rede através de um computador intermediário
denominado IMP – Interface Message Processor-. Para que todos os computadores pudessem
comunicar era necessário criar um protocolo de comunicações que regulasse o intercâmbio de
mensagens.

Os primeiros protocolos construídos foram o Telnet – ligação interativa de um terminal


com um computador remoto – e o FTP – File Transfer Protocol; transferência de ficheiros entre
dois computadores -. As denominações originais dos protocolos eram DEL (Decode – Encode -
Language; linguagem de codificação-descodificação) e NIL (Network Interchange Language;
linguagem de intercâmbio na rede).

A primeira rede de computadores foi construída entre a Universidade da Califórnia – Los


Angeles -, SRI - Stanford Research Institute -, Universidade de Utah e Universidade da Califórnia
– Santa Bárbara -. No dia 1 de Dezembro de 1969 “nascia” a ARPANET. Os estudantes destas

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quatro Universidades criaram um grupo de trabalho que autodenominaram Network Working
Group – NWG -. Entre esses estudantes existia um tal Vinton Cerf que, mais tarde, seria
considerado o “pai” oficial da Internet.

O protocolo de comunicações instalado nos “host” era insuficiente para gerir este novo tipo
de comunicações. O NWG desenvolveu um Network Control Protocol – NCP – que podia ser
instalado em cada um dos diversos “hosts” que estabelecia as conexões, as interropia, as comutava
e controlava o fluxo das mensagens. A primeira rede passou a ter a sua linguagem própria
independente do “hardware” que a suportava.

A ARPANET utilizava a rede telefónica normal através do sistema de aluguer de circuitos.


Os iniciais quatro nós da rede forma ampliados para trinta em Agosto de 1972. Considera-se esta
data como o marco para início da actividade da primeira comunidade virtual. Paralelamente foram
construídas outras redes nos USA, em Inglaterra e, nomeadamente, em França onde no âmbito do
projecto Cyclades, concebido por Louis Pouzin, foi construída a TRANSPAC – um nó desta rede
foi instalado em Portugal, na cidade de Lisboa.

2.1. Desenvolvimento da ARPANET

No início a actividade principal que se desenvolvia na comunidade virtual da ARPANET


era, o atualmente, banal correio electrónico – e-mail -. As discussões “on-line” (atualmente
denominados “fóruns”) e milhares de mensagens pessoais circulavam entre os membros da
comunidade acelerando o desenvolvimento de programas utilitários que simplificavam a utilização
deste instrumento nunca antes utilizado.

A importância da ARPANET era tal que, em 1972, foi rebatizada DARPANET em que o
D significava Defense e lembrava que a rede dependia do Pentágono o qual financiava os
investimentos para a ligação entre computadores geograficamente afastados de modo a ser
permitido o seu acesso remoto e a partilha de fontes de dados.

Surge então a ideia da criação de uma “International Network” – rede internacional – e de


uma “Interconnected Networks” – conexão de redes regionais e nacionais nos USA que não
comunicavam entre elas. Estas expressões apadrinharam a futura denominação “Internet”. Entre

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1973 e 1978 uma equipa de investigadores coordenada por Vinton Cerf no SRI (Stanford) e Robert
Kahn na DARPA desenvolveram um protocolo que assegurava a interoperacionalidade e
interconexão de redes diversas de computadores.

Este protocolo denominou-se TCP/IP (Transmission Control Protocol e Internet Protocol)


que substituiu totalmente o NCP em 1983. Entretanto o controlo da ARPANET foi transferido, em
1 de Julho de 1975, para a US Defense Communications Agency conhecida pela sigla DISA
(Defense Information Sistems Agency). A operacionalidade e controlo da ARPANET eram então
totalmente executados pela Secretaria de Estado da Defesa dos USA. A DARPA financiou também
projecto que permitissem a utilização da técnica de comutação de pacotes para navios em
navegação e unidades móveis terrestres que dispusessem de meios rádios.

Este financiamento deu origem à construção da rede local Ethernet que para além da
utilização do rádio também suportava a transmissão por cabos coaxiais. No princípio do ano de
1980 a ARPANET foi dividida em duas redes. A MILNET que servia as necessidades militares e
a ARPANET que suportava a investigação. O Departamento de Defesa coordenava, controlava e
financiava o desenvolvimento em ambas as redes.

A NSF – National Science Foundation –, criada em 1975, não via com bons olhos o
domínio dos militares sobre as redes de comunicação de dados e decidiu construir a sua própria
rede denominada CSNET - Computer Science Network – com o objectivo de conectar todos os
laboratórios de Informática dos USA.

Entre 1975 e 1985 forma criadas várias redes de comunicação de dados utilizando fontes
de financiamento diferentes, p. ex. UUCP, USENET, BITNET. Em Julho de 1977, Vinton Cerf e
Robert Kahn realizaram uma demonstração do protocolo TCP/IP utilizando três redes ARPANET
– RPNET – STATNET. Considera-se que foi nessa demonstração que nasceu a Internet.

2.2. A Internet

Em 1990, o Departamento de Defesa dos USA desmantelou a ARPANET a qual foi


substituída pela rede da NSF, rebatizada NSFNET que se popularizou, em todo o mundo, com a
denominação Internet. Para expansão da utilização da Internet foi decisiva a criação da www –

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World Wide Web – criada por dois engenheiros do CERN – Centre Eoropéen por la Recherche
Nucléaire – Robert Caillaiu e Tim Berners-Lee, do HTML – HyperText Markup Language - e dos
Browsers.

O primeiro browser utilizado foi o LYNX que apenas permitia a transferência de textos. O
MOSAIC, concebido na Universidade de Illinois – USA - já permitia a transferência de textos e
imagens. Do MOSAIC derivaram os populares Nescape e Internet Explorer. A Internet transforma-
se num sistema mundial público, de redes de computadores - numa rede de redes -, ao qual
qualquer pessoa ou computador, previamente autorizado, pode conectar-se. Obtida a conexão o
sistema permite a transferência de informação entre computadores.

A infraestrutura utilizada pela Internet é a rede mundial de telecomunicações. Nos meados


da década de 1980 a “Internet” começa a ser utilizada em Portugal nas Universidades e em algumas
empresas. As primeiras utilizações eram realizadas com terminais conectados por via telefónica a
Universidades Europeias e a Universidades nos USA e restringiam-se, na maioria dos casos, a
consultas documentais e e-mail.

A difusão da “Internet” em Portugal é realizada pelas Universidades, suportada na


existência de um grupo denominado PUUG – Portuguese Unix Users Group – e, a partir de 1986
na recém-criada FCCN – Fundação de Cálculo Científico Nacional -. A partir de 1991 o uso da
Internet generaliza-se em todas as Universidades Portuguesas através da criação da RCCN – Rede
da Comunidade Científica Nacional.

A criação de ISP – Internet Service Provider – em Portugal a partir de 1994 popularizou o


uso da Internet. Os órgãos de comunicação social passaram, em 1995, a difundir a existência e
utilidade da Internet. Esta difusão provocou uma explosão da utilização da Internet em Portugal.
Os jornais mais populares editavam cadernos dedicados ao “assunto” Internet. Actualmente
existem vários ISP que oferecem acessos gratuitos à Internet, ao contrário do que se verifica no
início quando apenas existia um.

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2.3. CONTRIBUTO DA INTERNET PARA O DESENVOLVIMENTO DA
SOCIEDADE

A sociedade transita hoje no que se convencionou denominar Era Digital. Os computadores


ocupam espaço importante e essencial no atual modelo de sociabilidade que configura todos os
setores da sociedade, comércio, política, serviços, entretenimento, informação, relacionamentos.

Os resultados desse processo são evidentes, sendo que essas transformações mudaram o
cenário social na busca pela melhoria e pela facilitação da vida e das práticas dos indivíduos. As
tecnologias digitais possibilitaram uma nova dimensão dos produtos, da transmissão, arquivo e
acesso à informação alterando o cenário econômico, político e social. Porém, a dimensão mais
importante do computador não é ele em si mesmo, mas a capacidade de interligação, de formação
de rede.

Assim, com o surgimento da internet no final dos anos 1960, as ideias de liberdade,
imaterialidade passam a revolucionar a leitura e a comunicação em rede, possibilitando arquivar,
copiar, desmembrar, recompor, deslocar e construir textos, exibi-los e ter acesso a todo tipo de
informação, de qualquer variedade, a todo instante.

O desenvolvimento de novas tecnologias no setor da informática suplantou um mercado


cada vez mais competitivo e especializado, resultante da globalização, aceleração e
instantaneidade dos processos produtivos e padrões de mercado vigentes. O uso da rede integrada
de computadores entre as pessoas e empresas, tornou-se algo indispensável nos dias atuais. É
possível ter acesso a uma vasta rede de informações em tempo real e também trocar e cruzar dados
a qualquer momento.

Com o uso do computador, os serviços foram agilizados e facilitados, houve uma redução
da mão-de-obra em ocupações que substituíram o trabalho humano, mas que abriu portas para
novas ocupações especializadas no ramo da informática (programadores, webdesigners,
administradores de rede) e das comunicações (marketeiros e jornalistas virtuais).

Diferente das analogias anteriores baseadas sobre os suportes (imprensa, tv, rádio, etc),
Lévy (1993) aponta novas funções para a formação da rede digital, que ele chama de polos
funcionais: produção ou composição de dados, de programas ou de representações visuais
(técnicas digitais); seleção, recepção e tratamento dos dados, dos Intercom – Sociedade Brasileira

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de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXX Congresso Brasileiro de Ciências da
Comunicação – Santos – 29 de agosto a 2 de setembro de 2007 6 sons ou das imagens (terminais
de recepção inteligentes); transmissão (a rede digital de serviços integrados) e armazenamento
(banco de dados, de imagens).

Qualquer informação pode ser obtida instantaneamente e de qualquer parte do mundo, a


visibilidade dos fatos se tornou maior e mais rápida, na qual os dados são atualizados a todo
segundo. Lévy (1993) expõe que a interface digital alarga o campo do visível, evidenciando a
emergente evolução que diversificou, facilitou e transmitiu as informações de forma instantânea e
ampla.

A internet fez o cidadão potencialmente interagente e agente comunicador. Ele não só


passou a ter um acesso maior a informação como pode participar dela diretamente, opinando e
interagindo ao mesmo tempo em que a recebe. Uma das questões colocadas em relação à Internet
é a formação de um espaço público virtual.

Para estudiosos mais otimistas, a Internet só revolucionou positivamente a sociedade,


facilitando a vida em geral. Tornou-se espaço para comunicação, política, economia e democracia,
local para a realização do homem (tomando de empréstimo a clássica definição de esfera pública,
de Jürgen Habermas, 1984) e participação e interação cívica (Maia, 2002), onde também é possível
ter diversão, lazer, ócio, contatos pessoais, profissionais, exercício de liberdade de expressão.

Para Habermas, muito além do corpo físico são indispensáveis as ações, interações, troca
de ideias e experiências, sendo que o ciberespaço é permeado por práticas sociais e a materialidade
das relações humanas codifica-se na linguagem, evidenciando a importância que esta ferramenta
dá ao público o poder de interação que dispensa o contato presencial.

Vê-se também que houve uma descentralização do processo de produção e divulgação de


informação, na qual qualquer um pode fazer isso e passa a ter acesso Intercom – Sociedade
Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXX Congresso Brasileiro de Ciências
da Comunicação – Santos – 29 de agosto a 2 de setembro de 2007 7 àquilo que procura. Mas, a
capacidade desses meios que mais se destaca é que eles proporcionam um encurtamento de
distâncias, eliminação de barreiras nacionais e algumas ideológicas, a desterritorialização e a

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utilização de uma linguagem universal - a dos computadores. Estas são propostas que surgiram
defendendo o uso potencial dos dispositivos tecnológicos.

Poster e Shapiro (1999) apontam a tecnologia como campo de interação entre técnicas e
relações sociais que reconfigura a analogia entre tecnologia e cultura. Brittos (2002) acrescenta
que as tecnologias geram impacto econômico, político e sociais. As novas configurações trazem,
portanto, benefícios e prejuízos já que facilitam por um lado e por outro demandam a necessidade
de um conhecimento maior para acessá-las, além de afastar os indivíduos do contato físico, trazer
diferenças sociais à tona e evidenciar que o poder está cada vez mais nas mãos de poucos.

Marcondes (2007) defende que a esfera pública virtual, dedicada à comunicação pública,
na qual todos estejam aptos e tenham recursos críticos, econômicos, educacionais e tecnológicos
para participar, é uma utopia, um idealismo. Ainda propõe: uma sociedade focada no capital não
alcançará uma esfera igualitária, universal e não coercitiva, contrariando a proposta de autores que
anteriormente defendiam que o espaço virtual traria uma maior participação e interatividade entre
os indivíduos.

Rheingold (2000) afirma que o ciberespaço é um lugar conceitual, na qual palavras,


relações humanas, dados e poder são manifestações para aqueles que usam a tecnologia da
comunicação mediada por computador. Neste caso, evidencia-se que nem toda informação é
provida de veracidade e de fontes seguras e que nem todos têm acesso a esse meio. É possível
afirmar, diante deste quadro teórico, que a valorização da tecnologia deve ser realizada de forma
contextualizada, sendo o debate sobre a sociedade digital complexo. Castells (1999) afirma que as
novas tecnologias da informação não são simplesmente ferramentas a serem aplicadas, mas
processos a serem desenvolvidos. Este desenvolvimento se dá, pois, na sociedade.

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CAPITULO III

3. Conclusão

A história da internet chegou ao momento em que a adesão no número de membros passa


a ser maior e mais veloz do que qualquer outro meio de comunicação já criado pelo homem. Em
menos de 50 anos desde a criação dos primeiros computadores eletrônicos já houve um salto
gigantesco. E o propósito para o uso da rede também mudou, do uso militar na época da Guerra
Fria para o uso pessoal e quase que universal nos dias de hoje.

Talvez não seja justo dar o mérito apenas a uma pessoa, mas o fato é que Tim Berners-Lee
foi a figura preponderante nessa história. Ele que foi o responsável para a grande virada, que
permitiu que hoje qualquer pessoa consiga criar seu site e se comunicar pela internet. E a
expectativa é que cada vez mais pessoas sejam incluídas nesse verdadeiro universo de
possibilidades.

A estrutura da Internet permite mais do que a troca de informações armazenadas; possibilita


a troca de informações sonhadas pelos internautas, desejadas, criadas por cada um que se ligue à
Rede Mundial. A Internet não é um novo meio de comunicação. Ela irá se converter rapidamente
no meio de comunicação. A Internet no futuro será um sistema integral de multimídia que acessará
todos os jornais, revistas, emissoras de rádio, canais de televisão e filmes produzidos por todos os
países do mundo.

No que toca ao contributo da internet para a sociedade é evidente que a tecnologia permite
que os novos dispositivos se implantem definitivamente no cotidiano social. Quem hoje abdica de
ser encontrado a qualquer hora e em qualquer lugar.

Todos os dispositivos fazem parte de um complexo social em que são formatados e


formatam a cultura. A Internet se tornou um instrumento prático e barato, alterando diversas
funções e criando outras, principalmente no novo mercado de trabalho que se originou com novas
práticas ligadas ao campo da tecnologia, informática e do conhecimento.

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3.1. Referências bibliográficas

ABREU, Karen Cristina Kraemer. Tulipas vermelhas: uma (re)leitura das relações na (e
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Tradução: JORGE, Edmond. Revisão técnica: QUEIROGA, Antônio. 2ª. Edição. Rio de Janeiro:
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TURNER, David; MUÑOZ, Jesus. Para os filhos dos filhos de nossos filhos: uma visão da
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