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Anaxímenes de Mileto

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Anaxímenes de Mileto[1] (Grego: Άναξιμένης;588-524 AEC)
foi um filósofo pré-socrático do Período Arcaico, ativo na segunda Anaxímenes de Mileto
metade do século VI AEC [2][3] Anaxímenes, tal como outros na
sua escola de pensamento, praticou o materialismo monista.[4][3] Pré-socráticos

Esta tendência para identificar uma específica realidade composta


de um elemento material constitui o âmago das contribuições que
deu fama a Anaxímenes.

Escreveu a obra “Sobre a natureza”, em prosa. Dedicou-se


especialmente à meteorologia. Foi o primeiro a afirmar que a luz
da Lua é proveniente do Sol.

Índice
Dados Biográficos
Anaxímenes e o arché Escola/Tradição: Escola de Mileto, Naturalismo
A cosmologia de Anaxímenes Data de 588 AEC
Outros fenômenos nascimento:
Obras Local: Mileto, atual Turquia
Ver também Morte 524 AEC
Referências Principais Metafísica, Ética, Matemática,
interesses: Astronomia
Bibliografia

Dados Biográficos
[5]
Anaximenes nasceu em Mileto, aproximadamente em 588 AEC, seu pai era Eurístrato.

Teofrasto descreve Anaximenes como discípulo e companheiro de Anaximandro sendo, aparentemente, cerca de vinte e dois anos
mais novo do que ele.

Como mencionado por Plínio, o Velho, em sua História Natural (livro II, capítulo LXXVI), Anaximenes foi o primeiro a analisar o
cálculo geométrico das sombras para medir as partes e divisões do dia, e projetou para ele um relógio de sol, que ele chama de
sciothericon.

[5]
Diógenes Laércio afirma que, segundo Apolodoro, Anaximenes morre na 63ª Olimpíada (528-525 AEC).

Anaxímenes e o arché
Enquanto que os seus predecessores, Tales de Mileto e Anaximandro, propuseram que o arqué ou arkhé (princípio da vida), a
substância primária, era a água e o ápeiron respectivamente, Anaxímenes afirmava ser o ar a sua substância primária, a partir da qual
todas as outras coisas eram feitas.[6] Enquanto a escolha de ar possa parecer arbitrária, ele baseou as suas conclusões em fenômenos
observáveis na natureza, como a ficção e a condensação.[7] Quando o ar condensa, torna-se visível, como o nevoeiro e depois ar puro
e outras formas de precipitação, e enquanto o ar arrefece, Anaxímenes supunha que se formaria terra e posteriormente pedra. Em
contraste, a água evapora em ar, que posteriormente por ignição produz chamas quando mais rarefeito.[8] Enquanto outros filósofos
também reconheciam tais transições em estados da matéria, Anaxímenes foi o primeiro a associar os pares de qualidades quente/seco
[8][9]
e frio/molhado com a densidade de um único material e a adicionar uma dimensão quantitativa ao sistema monista milésio.

Simplício em seu livro Física' nos conta: “Anaxímenes de Mileto, filho de Eurístrates, companheiro de Anaximandro, afirma
também que uma só é a natureza subjacente, e diz, como aquele, que é ilimitada, não porém indefinida, como aquele (diz),
mas definida, dizendo que ela é Ar'. Diferencia-se nas substâncias, por rarefação e condensação. Rarefazendo-se, torna-se fogo;
condensando-se, vento, depois, nuvem, e ainda mais, água, depois terra, depois pedras, e as demais coisas provêm destas. Também
ele faz eterno o movimento pelo qual se dá a transformação.”A Escola Jônica foi a primeira escola filosófica grega a qual reuniu
filósofos pré-socráticos (que viveram antes de Sócrates).

Os temas desenvolvidos por eles estavam centrados na natureza. O intuito era desvendar os mistérios da existência, classificando
um elemento como gerador do cosmo e da vida. Essa postura foi chamada de
materialismo monista.

Para Tales de Mileto, o elemento essencial era a água (arché). Já para Anaximandro, mestre de Anaxímenes, a massa geradora de
todos os seres era representada pela união dos quatro elementos (terra, fogo, ar e água) denominado de “ápeir
on”.

Já para Anaxímenes, o elemento primordial era o ar, o princípio de todas as coisas.

Anaxímenes foi discípulo de Anaximandro, no entanto, não concordava com seu mestre sobre o conceito do “ápeiron”, e nem com
Tales e seu conceito de “arché”.

Sua opinião era que o primeiro era muito abstrato (ápeiron), e o segundo muito palpável (água, o arché).

Para Anaxímenes, a substância primordial não poderia ser algo fora da observação e da eralidade sensível.

Segundo ele, todas as coisas existentes são ersultado da condensação ou da rarefação do ar. Nas palavras do filósofo:

A maior parte de suas obras se perderam com o tempo, sendo a mais destacadaSobre
“ a Natureza”, a qual é possível encontrar alguns
fragmentos.

Em sua teoria cosmológica, defendeu que a Terra é plana e estaria flutuando no ar. Já a lua, para ele, refletia a luz do sol e os eclipses
representavam uma obstrução planetária por outro corpo celeste.

abaixo algumas frases que ilustram o pensamento do filósofo grego:

“Todas as coisas se originam devido ao graude descondensação ou rarefação do ar, a mesma causa também do
frio e do calor.”
“A variação quantitativa de tensão da realidade originária dá origem a todas as coisas
.”
“A razão precisa da experiência; mas esta nada vale sem a razão .”

A cosmologia de Anaxímenes
Tendo concluído que tudo no mundo é composto de ar, mais tarde, Anaxímenes usou a sua teoria para desenvolver um esquema que
explicasse as origens de natureza da Terra e dos corpos celestes ao seu redor.

O ar para criar o disco plano da terra, que dizia ser da forma de pão numa mesa e que se comportava como uma folha a flutuar no ar.
Mantendo a visão de que os corpos celestes eram como bolas de fogo no céu, Anaxímenes propôs que a terra libertasse uma exalação
de ar rarefeito (pneuma) que se transformava em fogo, formando no final as estrelas. O sol não seria composto de ar rarefeito, mas
sim de terra, assim como a lua. O seu aspecto em ignição não vem da sua composição mas sim do seu movimento rápido.[10] A lua é
também considerada como sendo plana, flutuando em fluxos de ar, e quando se oculta abaixo do horizonte não passa por debaixo da
terra mas é obscurecida por partes mais elevadas da terra enquanto faz o seu circuito e se torna mais distante. O movimento do sol e
dos outros corpos celestiais à volta da terra é similar, diz Anaxímenes, ao modo como um chapéu pode ser rodado na cabeça de uma
pessoa.[11][12]

Outros fenômenos
Anaxímenes usou as suas observações e o raciocínio para providenciar as causas de outros fenómenos naturais. Terremotos, dizia,
eram o resultado da falta de humidade, que causa que a terra sofra fracturas de tão seca que está, ou por excesso de humidade, que
também causa fractura pelo excesso de água. Em ambos os casos, a terra torna-se fraca pelas fracturas e os montes colapsam,
causando terremotos. Os relâmpagos são causados por uma separação violenta, desta vez de nuvens pelo vento, causando uma
iluminação brilhante semelhante a fogo. O arco-íris, é formado quando ar densamente comprimido é tocado pelos raios do sol.[13]
Estes exemplos mostram como Anaxímenes, como os outros milésios, procuravam uma visão mais completa da natureza, procurando
unificar causas para diversos eventos que ocorressem, em vez de tratar cada um por si ou atribuindo as causas a deuses ou a uma
natureza personificada.[4]

Obras
Anaxímenes escreveu a obra de nome Peri Physeos (Sobre a Natureza), obra que hoje em dia se encontra perdida. Mas temos
referência a ela a partir deDiógenes, que disse dele que escrevia em dialecto jónico e num estilo conciso.

Segundo menciona Plínio, o Velho na sua obra Historia Natural (Livro II, Capítulo XXVI/126), Anaxímenes foi o primeiro a analisar
geometricamente aspectos das sombras para medir as partes e divisões do dia, e desenhou um relógio de sol que denominava
Sciothericon. Literalmente: Umbrarum hanc rationem et quam vocant gnomonicen invenit Anaximenes Milesius, Anaximandri, de
quo diximius, discipulus, primusque horologium, quod appellant, Lacedaemone ostendit.

Ver também
Escola de Mileto
Materialismo monista
Arché

Referências
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1. Filosofia Popular. «Anáximenes de Mileto - Filosofia,
8. Guthrie, W.K.C. “The Milesians: Anaximenes.”A
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Consultado em 14 de janeiro de 2012
9. Kirk, G.S., J.E. Raven, and M. Schofield.“Anaximenes
2. Kirk, G.S., J.E. Raven, and M. Schofield.“Anaximenes
of Miletus.” The Presocratic Philosophers.Cambridge:
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Cambridge University Press, 1984.146.
Cambridge University Press, 1984.143.
10. Kirk, G.S., J.E. Raven, and M. Schofield.“Anaximenes
3. Guthrie, W.K.C. “The Milesians: Anaximenes.”A
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11. Graham, Daniel W. "Anaximenes". The Internet
4. Lindberg, David C. “The Greeks and the Cosmos.” The
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12. Fairbanks, Arthur. "Anaximenes (http://people.cs.uchic
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